quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Love Sonia

Nome do Filme : “Love Sonia”
Titulo Inglês : “Love Sonia”
Ano : 2018
Duração : 123 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Tabrez Noorani
Produção : Tabrez Noorani/David Womark
Elenco : Mrunal Thakur, Richa Chadha, Freida Pinto, Manoj Bajpayee, Adil Hussain, Anupam Kher, Rajkummar Rao, Sai Tamhankar, Riya Sisodiya, Abhishek Bharate, Nikhil Raj Nikz, Sunny Pawar, Kiran Khoje, Barbie Rajput, Mark Duplass.

História : Na India, uma adolescente tenta encontrar a sua irmã que foi sequestrada e vendida, mergulhando gradualmente no assustador mundo da prostituição e do tráfico humano.

Comentário : Assim que me lembre, este é o segundo filme indiano que venho aqui comentar, creio que o primeiro se chamava “Tara” e se me recordo, havia gostado bastante desse filme. Confesso também que senti muita raiva enquanto estava a ver este “Love Sonia” e que a última vez que isso aconteceu comigo foi quando vi o filme “A Bela e os Cães”, um excelente filme dramático. E a razão dessa raiva toda tem muito a ver não só devido às injustiças que acontecem sistematicamente com a protagonista, mas também por causa das atitudes de certas personagens. É impressionante vermos como um filme mostra até que ponto vai a maldade dos homens, sim, a maioria dos homens que aqui vemos são bem nojentos e desumanos. E estes personagens masculinos servem de exemplo para vermos que a maioria dos homens não presta quando se fala da maneira de tratar e lidar com as mulheres dos seus respectivos países, neste caso, é a Índia, mas estas situações podem-se verificar em todos os países do mundo.

Devido à natureza dos assuntos aqui mostrados e retratados, é impossível não ficarmos quase sempre do lado da protagonista. Pessoalmente, eu apenas não concordei com uma determinada atitude dela. E ainda bem que, em contraponto, existem pessoas que se preocupam com estas mulheres e que trabalham no sentido de as salvarem, mas infelizmente, muitas morrem e outras nunca chegam a aparecer. Qualquer pessoa que seja minimamente humana nos sentimentos, fica do lado destas raparigas contra os nojentos destes homens. O próprio pai da protagonista, é um escroto completo. Apesar do filme ser baseado numa história em particular, ele é seguramente adaptado de milhares de outras histórias por esse globo fora. Houve uma situação em particular que eu não entendi muito bem e ainda bem. Mrunal Thakur, a actriz que desempenha a miúda protagonista, está excelente no seu papel de denúncia. A Freida Pinto não está a fazer rigorosamente nada no filme e o Mark Duplass cumpre bem o papel de um dos nojentos de serviço. “Love Sonia” é um filme que desempenha bem o propósito de mostrar que o mundo está podre, que os homens não prestam, e é uma fita que devia ser vista, debatida e estudada por muita boa gente.

How To Train Your Dragon: The Hidden World

Ainda neste novo quadro de comentários a filmes de animação que começou com “Moana” e “Spider-Man: Into The Spider-Verse”, e logo a seguir a “Dragon Ball Super: Broly”, venho comentar agora o filme que encerra uma trilogia muito especial de que eu gosto bastante. Só o facto desta animação não ser da Disney e nem da Pixar, já é muito bom. Devo já dizer que adorei o primeiro e o segundo filme, não só por terem histórias muito interessantes como também pelo facto da qualidade da animação ser do melhor que há, mesmo em 2D. E o mesmo se passa neste terceiro filme, tudo se mantém. Eu adorei este terceiro filme que encerra a trilogia da maneira que merecíamos. A única coisa que eu não gostei neste filme foi do vilão, ele é genérico e tem a mesma retórica que o pai do protagonista tinha que era a questão de detestar os dragões e condenar a relação e o convívio destes com os humanos, nesse aspecto penso que houve um retrocesso na saga, nós já tínhamos ultrapassado esse patamar no final do primeiro filme. Em tirando este factor, o filme é magnífico, tal como os dois primeiros. Eu até tolero o humor presente nestes três filmes, afinal, trata-se de animação, um género em que tudo é possível. Gostei de rever todas as personagens, principalmente o Hiccup, a Valka, a Astrid, o Toothless e mesmo o Stoick, que nos aparece em flashback, em cenas muito ternurentas. E depois, temos a melhor aquisição deste terceiro filme, que é a fêmea Day Fury, que é linda. Aliás, aquilo que eu mais gostei neste terceiro filme foram duas coisas: novamente a relação entre Hiccup e Toothless, e os momentos entre o Night Fury e a sua amiga nova, a Day Fury. Também vibrei com as novidades do tal “Mundo Escondido”, adornado de imagens belíssimas. Toda a componente visual dos três filmes desta trilogia é riquíssima, metendo no chinelo as animações da Disney e da Pixar, perdoem-me os fanáticos destes dois estúdios. Confesso nunca ter visto a série, quem tem estes três filmes, tem tudo sobre este maravilhoso mundo. Em tirando os filmes de anime japoneses, as três partes de “How To Train Your Dragon” são os meus filmes de animação preferidos, retiram-se grandes mensagens deles. Já estou com saudades. Excelente trilogia, excelente cinema de animação.



Where Hands Touch

Nome do Filme : “Where Hands Touch”
Titulo Inglês : “Where Hands Touch”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Histórico/Romance
Realização : Amma Asante
Produção : Charlie Hanson
Elenco : Amandla Stenberg, George MacKay, Abbie Cornish, Olivia Vinall, Christopher Eccleston, Tom Goodman Hill, Alec Newman, Will Attenborough, Lucy Russell, Tom Sweet, Tim Faraday, Hermione Gulliford, Allard Geerlings, Ethan Rouse, Cedric Tylleman, Georgina Oates, Fleur Van Ooij, Daniel Weyman, Madelief Schram.

História : Leyna é uma adolescente filha de uma mãe branca alemã e um pai negro. Morando na Alemanha de 1944, ela vive em constante medo por conta da sua cor de pele. Quando ela conhece Lutz, o filho de um oficial da SS e membro da Juventude Hitleriana, os dois acabam por se apaixonar perdidamente, colocando as suas vidas em risco.

Comentário : Mais uma vez eu não entendo as fracas classificações de um filme nos sites da especialidade, tudo porque este belíssimo filme de época é muito bom e é detentor de mensagens bem relevantes. É também um filme muito triste, a própria história é muito triste, e a forma como nos é contada e mostrada, faz-nos ficar a torcer o tempo todo pela vida do casal protagonista, mas já lá vamos. Outra coisa positiva que o filme tem é a fantástica recriação de época e as ambientações, tudo muito bem trabalhado, nos facultando uma visão bem realista daquilo que se passou de verdade há cerca de 70 anos atrás. Fruto de um argumento bem escrito e baseado em factos históricos, o filme consegue ainda o feito de nos manter colados na cadeira à medida que as coisas vão acontecendo diante dos nossos olhos, existindo aqui cenas muito bonitas e pelo menos três sequências bem marcantes. Eu falo por mim, o filme tem duas horas de duração, mas como eu estava tão concentrado nele, tudo passou muito rápido, na verdade, pareceu-me que apenas durou uma meia hora, o tempo passou voando. E quando essa sensação nos acontece, sempre assistimos a um filme, é porque o filme é muito bom. A fita serve também para vermos, para quem ainda não sabe claro, como as coisas se passavam naquela altura, naquele que é considerado por muitos como sendo o período mais negro da história da humanidade. Voltando agora ao casal protagonista, as coisas não podiam ter corrido melhor. A Amandla Stenberg e o George MacKay estão excelentes nos seus papéis, além da química entre os dois existir e funcionar, eles possuem as melhores interpretações das suas ainda curtas carreiras, não deve ter sido nada fácil para ambos representarem e viverem estes personagens. Por último, resta-me dizer que lamento a morte de um personagem e, em contraponto, lamento também que outros dois tivessem sobrevivido, tornando o final inverossímil.

Ashes In The Snow

Nome do Filme : “Ashes In The Snow”
Titulo Inglês : “Ashes In The Snow”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Drama/Histórico/Romance
Realização : Marius A. Markevicius
Produção : Marius A. Markevicius/Zilvinas Naujokas/Prithvi Chavan/Chris Coen
Elenco : Bel Powley, Sophie Cookson, Martin Wallstrom, Jonah Hauer King, Lisa Loven Kongsli, Peter Franzen, Nadja Bobyleva, Ieva Andrejevaite, Aiste Dirziute, Tom Sweet, Dolya Gavanski, Timothy Innes, Sam Hazeldine, Sarah Finigan, Inga Maskarina.

História : Em 1941, uma aspirante a artista e a sua família são deportados para a Sibéria, onde são obrigados a travar uma violenta e decisiva luta pela sobrevivência.

Comentário : Numa altura em que eu já era para estar saturado de filmes de guerra e de fitas sobre o Holocausto ou sobre regimes ditatoriais, eis que isso não é verdade, porque afinal cada filme é único e nenhum é igual ao outro. Depois de ter visto o trailer, aquilo que mais me chamou a atenção foi a presença da bonita e talentosa Bel Powley, uma actriz que eu gosto bastante. E não podia estar mais correcto, penso que esta é a melhor interpretação da sua ainda curta carreira. E a sua personagem é simplesmente adorável, é impossível não ficarmos o tempo todo do seu lado e a torcer para que tudo dê certo para ela. A relação dela com os três elementos da família é eficaz, por vezes, parece realmente que são uma família. É um filme muito dramático e quando alguém tem que morrer, morre mesmo, sem artifícios. O filme possui uma componente histórica muito forte, a recriação de época é boa e o figurino convence, em grande parte do longa, nos sentimos realmente naquela época. A relação de amor entre a protagonista e um rapaz do campo convence também, chegando mesmo a ser tocante sem mostrar muita coisa. Há uma cena entre a personagem principal e um soldado graduado que está relacionada com um desenho, que se pode considerar como sendo a melhor da fita. O filme tem imagens lindas e bonitas paisagens, principalmente a partir do momento em que os deportados chegam à Sibéria. Os vilões funcionam enquanto tal. Apesar da realização estar muito boa, nota-se que se tivesse havido um orçamento mais arrojado, talvez o resultado final fosse muito melhor. Em relação ao final do filme, eu confesso que gostava imenso de ter visto as cortinas fecharem com a protagonista a ingressar na tal academia para a qual fora admitida.

Soni

Nome do Filme : “Soni”
Titulo Inglês : “Soni”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Ivan Ayr
Produção : Kimsi Singh
Elenco : Geetika Vidya Ohlyan, Saloni Batra, Vikas Shukla, Mohit Chauhan, Gauri Chakraborty, Mohinder Gujral, Upasya Goswami, Simrat Kaur, Dimple Kaur, Prateek Pachori, Himanshu Kohli, Punit Tiwari, Kalpana Jha, Samar.

História : Soni, uma jovem e promissora agente policial de Deli, tem se destacado na corporação por combater uma grande quantidade de crimes contra mulheres, que aumentam cada vez mais na Índia, o seu país. Ela conta sempre com o apoio da sua superior, Kalpana, mas quando Soni é transferida por supostas alegações de má conduta, a aliança das duas começa a sofrer vários riscos que podem colocar muito mais em risco do que elas imaginam.

Comentário : Mais um filme indiano que tive a sorte de ver, mas este não é tão bom quanto “Love Sonia”, sendo ainda assim, um bom filme. O filme retrata uma realidade que eu desconhecia, nem nos meus sonhos mais loucos eu sonhava que num país como a Índia, os homens permitem que mulheres sejam policias, foi uma enorme surpresa para mim. Uma surpresa bastante positiva portanto. A história do filme é bem interessante e cativa acompanharmos a rotina da protagonista, ela é uma mulher bem independente e aparentemente livre num mundo dominado por homens. Ao contrário da maioria das mulheres indianas, Soni não ambiciona ter um homem e muito menos casar e ter filhos, para ela, a vida que tem chega-lhe na perfeição, ela não deseja mais nada a não ser tornar-se numa excelente agente da autoridade para ajudar os indefesos a se livrarem dos criminosos, enfim, levar a sua vida na boa. Mas não é fácil, a mentalidade dos indianos não é aberta e o facto de uma mulher mandar neles e representar uma autoridade a quem eles devem obedecer e ter respeito, é algo muito à frente para aquelas cabeças. As interpretações são muito boas, com destaque para a jovem actriz que desempenha a protagonista, a Soni do título. Nota-se claramente que o filme foi feito com poucos recursos, sendo uma espécie de filme independente indiano, o que se verifica mais nas cenas que decorrem à noite ou em ambientes escuros. A fotografia não é tão boa, ainda assim, o filme está muito bem filmado. É uma fita onde podemos ver como funciona a mentalidade do indiano, seja homem ou mulher. Um filme que se dispõe a mostrar-nos uma realidade alheia a muitos.

The Old Man & The Gun

Nome do Filme : “The Old Man & The Gun”
Titulo Inglês : “The Old Man & The Gun”
Titulo Português : “O Cavalheiro Com Arma”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Biográfico/Drama/Crime/Ação
Realização : David Lowery
Produção : Robert Redford
Elenco : Robert Redford, Sissy Spacek, Casey Affleck, Danny Glover, Tom Waits, Tika Sumpter, Ari Elizabeth Johnson, Teagan Johnson, Gene Jones, John David Washington, Barlow Jacobs, Augustine Frizzell, Jennifer Joplin, Isiah Whitlock Jr, Patrick Newall, Daniel Britt, Leah Roberts, Elisabeth Moss, Alphaeus Green Jr, Keith Carradine.

História : Em 1979, quando já estava na casa dos 70 anos, Forrest Tucker, criminoso desde novo, fugiu da prisão de San Quentin, na Califórnia, e reiniciou uma série de assaltos, na sua maioria a bancos. Charmoso, tornou-se famoso pelo facto de ter dedicado sessenta anos da sua vida ao crime, pela forma como o praticava e, sobretudo, pela sua gentileza.

Comentário : Cá está a segunda grande surpresa deste ano que ainda agora começou. Depois das meninas dos skates, agora surgiu-me um verdadeiro senhor que passou sessenta dos seus 84 anos de vida a roubar, sem ter disparado um único tiro no processo, nem ferido ninguém. Li algures que é com este filme de apenas noventa minutos que o grande Robert Redford pretende despedir-se da sua carreira de actor no cinema. O filme em causa é uma biografia de Forrest Tucker, alguém que existiu de verdade e Robert Redford está excelente neste papel, sem dúvidas, um dos seus melhores personagens. Habituado ao cinema independente, o realizador David Lowery prova com este seu novo filme que não são precisos grandiosos efeitos especiais, nem grandes perseguições e tiroteios e muito menos explosões e acidentes para se fazer um bom filme de ação. Basta para isso, usar poucos recursos, um orçamento reduzido, adaptar uma história real e contratar um dos melhores actores de sempre. Eu não estou a exagerar, eu me diverti imenso a ver este filme, ele causou-me alguma tensão em um ou dois momentos, a cena do encontro entre o criminoso e o polícia no café e de seguida no WC foi a melhor do longa. Como é lógico, o Robert Redford possui aqui não só mais uma excelente prestação como também a melhor do filme. Sissy Spacek, também ela uma senhora, encanta com a sua personagem, embora tivesse havido uma atitude dela que eu não entendi. O Casey Affleck está impecável no papel do polícia que anda na cola do famoso ladrão, a vestimenta fica-lhe realmente muito bem. Um grande filme com um excelente actor como protagonista e interpretando uma figura real e famosa. Adorei.

Dragon Ball Super: Broly

Voltando assim ao quadro de comentários a filmes de animação, hoje vou comentar dois filmes e este é o primeiro. Antes de mais, tenho que dizer que quando era mais novo, adorava as séries “Dragon Ball” e “Dragon Ball Z”. Nunca gostei dos filmes porque não eram canônicos, apesar de ter ido ver dois ao cinema naquela altura. Detestei a série “Dragon Ball GT”. No ano passado, não liguei muito à nova série – Dragon Ball Super – pelo que apenas segui a fase do Torneio do Poder. Penso que a magia se perdeu depois dos últimos episódios de “Dragon Ball Z”, pelo que gostei bastante da fase do Freeza e da fase do Majin Boo. Não vi os dois filmes alusivos a “Dragon Ball Super”, mas ouvi dizer que são muito fracos. Aquilo que mais me chateia nisto tudo é o facto de que as coisas deviam ter terminado em “Dragon Ball Z”. A situação chegou ao ridículo dos sayajins agora terem transformações para vermelho, azul e até rosa, já não sabem o que inventar mais, só falta terem o cabelo às cores. Mas eu até gostei do novo nível do Goku – Instinto Superior. E agora sabe-se que pretendem dar seguimento à série “Dragon Ball Super”, inventando a Patrulha, o rapto de Majin Boo para fins desconhecidos, o ser mágico e maligno Moro e quem sabe a inserção do criador de tudo, Zalama que seria ainda mais poderoso do que Daishinkan e Zeno. Já para não falar da mini-série “Dragon Ball Super Heroes”, que considero uma nulidade, desnecessária e uma perda de tempo.

Eu não estava muito vocacionado para ver este novo filme, que todos diziam ser o melhor dos vinte filmes. Mesmo porque não sou grande admirador de “Dragon Ball Super”, mas como sempre gostei deste anime, decidi embarcar também nesta aventura. Primeiro que tudo, eu não considero “Dragon Ball Super: Broly” um filme, sim, é antes uma fusão de dois grandes episódios de 45 minutos cada. O primeiro conta a história e o passado de Goku, Vegeta, Broly e Freeza e todas as suas implicações, e este eu confesso ter adorado, porque nos é contada e mostrada como algo dramático e muito interessante, e eu vou mais longe, achando que estes 45 minutos deviam ter aparecido no início da série “Dragon Ball” para depois avançar para toda a história e aventuras de Goku na Terra, até chegar à fase do Raditz, que se situa no início de “Dragon Ball Z”, isso seria perfeito. Seguindo a minha teoria, este primeiro longo capítulo do filme é bastante cativante e eu adorei ver todo ele. Já o segundo suposto longo capítulo do filme, ele tem início na actualidade, logo a seguir ao último episódio da nova série “Dragon Ball Super”.

No entanto e é aqui que começam os verdadeiros problemas, o filme descamba e o que temos são longos 40 minutos de sequências de porrada da grossa. Eu como gosto do estilo deste anime, gostei, mas sejamos sinceros, é uma autêntica javardice. Algumas cenas de ação são espectaculares demais, grande parte das cenas de luta são confusas e às vezes não se percebe muito bem o que se passa diante dos nossos olhos. O filme peca também por não dar a devida atenção e mesmo o que fazer a todas as personagens secundárias, como Bulma, Whis, Piccolo, Bills, Goten ou Trunks. Por exemplo, Gohan, que é um dos mais poderosos, nem luta. Poucos guerreiros Z ajudam na luta. A banda sonora é uma porcaria, prefiro largamente as melodias de “Dragon Ball Z”. Apesar disso, adorei ver o Freeza e o Gogeta neste filme e a qualidade da animação é a melhor que alguma vez apareceu seja nas três séries ou nos 20 filmes. Também gostei do Broly, finalmente, fizeram o personagem como deve de ser. Só ficaram a faltar o Jiren e o Instinto Superior no Gogeta, talvez os usem na fase do Moro. Bom filme.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Glass

Nome do Filme : “Glass”
Titulo Inglês : “Glass”
Ano : 2019
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : M. Night Shyamalan
Produção : M. Night Shyamalan
Elenco : Bruce Willis, Samuel L. Jackson, James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Luke Kirby, Adam David Thompson, Shannon Destiny Ryan, Diana Silvers, Kyli Zion, Nina Wisner.

História : O segurança David Dunn é um homem anónimo até ao dia em que se torna o único sobrevivente de um acidente ferroviário. Não percebe porque é que todos os passageiros morreram e ele não sofreu qualquer ferimento. Um desconhecido, que sofre de uma doença de ossos e que é fanático por livros de quadrinhos, começa a persegui-lo. Chama-se Elijah Price e tem uma teoria sobre o sucedido. Em contraponto a estas duas personagens existe Kevin, que sofre de um grave transtorno dissociativo de identidade e que possui dentro de si mais de duas dezenas de personalidades distintas. Quando Ellie Staple, uma psiquiatra especializada em tratamentos de megalomania, os reúne para estudo, dá início a um perigoso jogo de manipulação em que cada um deles assume um papel inesperado.

Comentário : Em tirando os dois primeiros filmes que eu não conheço e quatro enormes fiascos, eu gosto dos filmes deste realizador, eles são conhecidos não só pelas suas boas histórias como também pelas reviravoltas que têm ao longo da narrativa, mas principalmente no final. E este “Glass” não é diferente, eu gostei bastante deste seu último filme. Este filme encerra a trilogia que o realizador criou para desconstruir os filmes de super-heróis e é sequela de “Split” e de “Unbreakable”. E o director soube neste terceiro e último filme juntar todas as pontas soltas, unindo as seis personagens principais dos três filmes : o vigilante, a mente brilhante, a besta, o filho do vigilante, a mãe da mente brilhante e a fraqueza da besta. Este terceiro filme tem igualmente uma boa história, indo focar aspectos dos outros dois filmes e unindo tudo numa simbiose perfeita. O director mostra com esta sua trilogia como deviam ser os filmes de super-herói, porque se eles existissem, seriam assim, como ele os mostra nestes três filmes, sem as fantochadas e exageros dos filmes da Marvel, DC e demais estúdios. Ao contrário destes estúdios, M. Night Shyamalan não pretende fazer muito dinheiro com os seus filmes, ele apenas quis contar uma boa história com bons personagens, sem grandiosos efeitos especiais, sem explosões e principalmente sem humor ridículo, e conseguiu. Estes três filmes funcionam ainda como uma grande homenagem ao mundo dos quadrinhos.

No filme existem dois grandes twists, um é menor e tem a ver com o passado e com o personagem do pai de Kevin. E o outro twist, este sim espectacular, envolve um feito do Senhor Glass, que é uma reviravolta que funciona muito bem dentro da trilogia e na proposta do realizador. Tal como os outros, este filme também têm mensagens a retirar dele, uma que eu queria destacar é o facto dos grandes interesses instalados dos países quererem sempre abafar certas verdades, certos acontecimentos e factos para seus benefícios próprios, o que sempre conseguem fazer em relação à maioria dos elementos que compõem os seus povos, e neste filme isso está presente na personagem da vilã que é a psiquiatra da tal organização da tatuagem do trevo. Mas este terceiro filme possui outras mensagens bem mais focadas nos temas do filme, não vos irei estragar as surpresas. Os seis personagens centrais (frisados em cima) foram muito bem trabalhados e os actores que os representam estiveram todos bem.

O Samuel L. Jackson tem o seu personagem ligeiramente mudado em algumas nuances, mas a sua essência continua lá, gostei de o ter revisto, mas esperava mais conteúdo do seu Elijah Price, afinal, este é o seu filme, daí o título do longa. O Bruce Willis está igualmente bem, embora um pouco “apagado”, pedia-se mais do seu David Dunn. O James McAvoy é quem está melhor, ele dá um show na actuação, é uma delícia vê-lo interpretar as várias personalidades, o actor dedicou-se bastante ao seu Kevin Wendell Crumb e aos outros 23. O Spencer Treat Clark e a Charlayne Woodard regressam e bem aos seus papéis do primeiro filme, foi uma jogada de mestre usar os mesmos actores passados estes 19 anos, é assim que se conserva e mantém a essência e o reslismo dos personagens nas sagas, os estúdios deviam aprender com isto, principalmente um tal de C. Nolan em relação à troca da actriz para o papel de Rachel. Eu não gosto da actriz Sarah Paulson, acho a pessoa enervante, talvez por isso, a sua personagem tenha conseguido esse mesmo efeito em mim. E a Anya Taylor-Joy é mais uma estrelinha que já brilha com luz própria. As cenas da miúda com McAvoy são as melhores do filme. E o final é espectacular, me surpreendeu totalmente, eu não esperava nada daquilo, ele fechou a história de maneira bem redondinha e sem espaço para sequelas, que é outra coisa que os grandes estúdios deviam aprender também. “Glass” é, tal como “Unbreakable” e “Split”, um bom filme; e que encerra da melhor maneira uma excelente história.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

The Guilty

Nome do Filme : “Den Skyldige”
Titulo Inglês : “The Guilty”
Titulo Português : “O Culpado”
Ano : 2018
Duração : 84 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Gustav Moller
Produção : Lina Flint
Elenco : Jakob Cedergren, Jessica Dinnage, Johan Olsen, Omar Shargawi, Katinka Evers Jahnsen, Jacob Lohmann, Jeanette Lindbaek, Simon Bennebjerg, Laura Bro.

História : O agente policial Asger Holm está acostumado a trabalhar nas ruas da cidade, mas devido a um caso seu, é confinado à mesa de emergências. Encarregado de receber ligações telefónicas e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. Começa a corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça.

Comentário : Vamos falar agora de cinema europeu, de um filme dinamarquês, de um filme que eu gostei bastante e que, mais uma vez, deixa no chinelo muitas produções americanas. Primeiro que tudo, este filme não irá agradar aquele tipo de público que está acostumado a perseguições, explosões e muita ação. Ele é um filme mais contemplativo, tem um ritmo lento e passa-se sempre no mesmo local, o único personagem existente passa o tempo todo entre duas salas dentro do mesmo sítio. Como eu disse, o filme só tem um único personagem em campo, aparecem outras pessoas, mas quase não falam enquanto que os outros que falam são apenas vozes que ouvimos do outro lado da linha telefónica. E isso é engraçado porque nos obriga a imaginar o que essas pessoas estão a fazer, afinal, nós as ouvimos muito bem e só temos por isso de imaginar as suas ações. O actor principal de serviço, Jakob Cedergren, ele dá um show de actuação, e isso é muito engraçado porque ele faz o filme todo acontecer, ele é uma espécie de “pau para toda a obra” e se sai muito bem, a sua interpretação é bem consistente e funcional. Existe um certo realizador indiano que é muito famoso que se visse este filme, ficaria surpreendido com o twist aqui existente, afinal ele também gosta de incluir grandes reviravoltas nos seus filmes. De facto, eu fiquei boquiaberto e arrepiado com o twist deste filme que envolve a mulher sequestrada do outro lado da linha, que é a situação principal do longa, é mesmo surpreendente, é de ficarmos de queixo caído. O título do filme está relacionado com uma dualidade do protagonista, ele não só é culpado pela situação que o colocou atrás de uma mesa de urgências, como também é culpado daquilo que aconteceu no caso dessa mulher. Então está aí, mais um filme que prova que, com poucos meios e um orçamento muito reduzido, é possível fazer-se um bom filme.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Sorry To Bother You

Nome do Filme : “Sorry To Bother You”
Titulo Inglês : “Sorry To Bother You”
Ano : 2018
Duração : 111 minutos
Género : Ficção-Científica/Fantasia/Comédia Dramática
Realização : Boots Riley
Produção : Forest Whitaker/Nina Yang Bongiovi
Elenco : Lakeith Stanfield, Tessa Thompson, Jermaine Fowler, Terry Crews, Omari Hardwick, Michael X. Sommers, Danny Glover, Steven Yeun, Robert Longstreet, Armie Hammer, Shelley Mitchell, Damion Gallegos, Michael Rhys Kan, Safiya Fredericks, David Cross, Patton Oswalt, Lily James, Rosario Dawson, Indigo Jackson.

História : Numa versão actual alternativa de Oakland, o atendente de telemarketing Cassius Green descobre uma chave mágica para o sucesso profissional.

Comentário : Passando despercebido no ano passado e considerado por muitos como sendo um dos melhores filmes desse ano, “Sorry To Bother You” foi um dos filmes mais malucos que eu já assisti. São abordados vários assuntos e temas ao longo da projeção, entre eles o racismo, o capitalismo, o sexo, o mundo laboral e a política. Eu confesso que não conhecia este filme até há bem pouco tempo e fiquei surpreendido com o que vi. Detentor de uma vibe fantástica, este é um filme muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver, e eu que o diga. No papel do protagonista, Lakeith Stanfield está soberbo, foi a primeira vez que eu vi este actor a representar, ficando automaticamente rendido ao seu talento. O homem tem aqui uma mistura de interpretação com prestação física bem interessante e credível, confesso que ficarei de olho nele futuramente. O Danny Glover está hilário neste papel, os anos não passam por ele. O Armie Hammer está sinistro neste seu registo, e infelizmente por isso, eu tive dificuldade em reconhecer a genialidade do actor neste papel. Mas quem rouba o show, é a nossa querida Tessa Thompson (Creed), que foi quem mais me pasmou neste longa, além da sua Detroit ser a melhor personagem do filme não sendo a principal, eu fiquei totalmente rendido a ela. Além disso, a química entre Tessa e Lakeith sente-se a cada frame que contracenam juntos, os dois funcionaram muito bem aqui, seja como personagens ou enquanto profissionais. Todo o elenco de secundários está de parabéns. Eu gostei principalmente do primeiro acto do filme, o segundo é apenas razoável, mas penso que as coisas a partir do final do segundo acto e em todo o terceiro acto desmoronam um pouco. Eu não gostei das escolhas que o director fez para justificar o género de fantasia existente na premissa, foi tudo muito bizarro. Ainda assim, o filme vale pela sua originalidade.

Ferrugem

Nome do Filme : “Ferrugem”
Titulo Inglês : “Rust”
Titulo Português : “Ferrugem”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Aly Muritiba
Produção : Antônio Junior
Elenco : Tifanny Dopke, Giovanni de Lorenzi, Clarissa Kiste, Duda Azevedo, Enrique Diaz, Gustavo Piaskoski, Pedro Inoue, Igor Augustho.

História : Vítima de bullying, uma adolescente decide tomar uma atitude drástica.

Comentário : É com muito gosto que eu regresso mais uma vez ao cinema brasileiro, é um cinema que eu gosto bastante, existem filmes brasileiros muito bons e ultimamente é onde isso se tem verificado mais. Hoje trago um filme que aborda um tema já muito batido, mas ainda assim, bastante delicado e em que é preciso muito cuidado para trabalhar nele. E penso ter sido esse o principal problema deste filme, porque além de mal escrito, ele não trabalhou muito bem as temáticas do bullying e do suicídio da maneira como estas se apresentaram dentro do contexto proposto pelo director. E isso não são spoilers, um dos temas aparece na sinopse e o outro está num dos posters. Eu disse que o filme estava mal escrito porque tem coisas nele que não fazem muito sentido, foram mal explicadas ou mesmo carecem de uma devida explicação. Por exemplo, se a mochila da miúda tinha ficado no banheiro da escola, como que raio o pai do bully alcançou a mala e tem na sua posse o diário da miúda. Outra, se o pai sabe que o filho foi o responsável por aquela tragédia, porque motivo quer esconder tudo ao em vez de denunciar o filho, que era isso que uma pessoa saudável devia fazer. Mas existem outras coisas que não fazem muito sentido, qualquer pessoa minimamente capaz de perceber o que está a ver, chegava às mesmas conclusões e ficava com as mesmas dúvidas. Em tirando esses aspectos, o filme está muito bom. Todas as interpretações estão boas, com destaque para a jovem Tifanny Dopke, que me surpreendeu pela positiva. Eu percebi logo à primeira que quem tinha roubado o telefone da miúda foi o seu novo interesse amoroso, não é difícil deduzir isso. Um filme que devia ser visto e debatido por pais e educadores.

The Day After

Nome do Filme : “Geu-hu”
Titulo Inglês : “The Day After”
Titulo Português : “O Dia Seguinte”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Sang Soo Hong
Produção : Kang Taeu
Elenco : Kwon Haeyo, Kim Minhee, Kim Saebyuk, Cho Yunhee.

História : Bongwan sai de casa ainda de madrugada em direção à pequena editora de que é proprietário. O seu pensamento divaga pela rapariga que durante um tempo trabalhou consigo como secretária, e com quem teve um caso extraconjugal. Um pouco mais tarde, ao chegar ao escritório, conhece Areum, no seu primeiro dia de trabalho como substituta da antiga amante. Nesse dia, a mulher de Bongwan encontra um bilhete de amor, vai até ao escritório sem se anunciar, e confunde Areum com a mulher com quem o marido a traíra.

Comentário : Eu gosto muito de cinema calmo, contemplativo e de arte. Gosto de filmes que nos embalam, que nos fazem sentir as mais variadas emoções e que nos encantam com as suas histórias. Eu penso que uma das coisas mais importantes num filme é a sua história, basta um filme ter uma boa história e já é meio caminho andado para dele gostarmos. É isto que temos quando falamos e vemos cinema deste realizador, e se a tudo isso juntarmos excelentes diálogos, então temos um prato cheio de bom cinema. Não é só de blockbusters que a sétima arte de define, eu diria que ela vive deles, mas define-se principalmente pelo cinema de arte. O cinema oriental tem destas coisas também, sendo este um filme coreano, alguns outros realizadores devem-se ter inspirado nas obras deste director. O que temos neste recente filme de Sang-Soo Hong é uma fita terna e simples que nos embala cuidadosamente ao longo de hora e meia, nos proporcionando bons momentos de cinema. Adornado de uma banda sonora melosa, o filme tem nos seus diálogos a principal riqueza do longa. Basicamente, o que temos aqui é uma estrutura fílmica composta unicamente por conversas entre as quatro principais personagens. Gostei das respectivas interpretações, os quatro estão belíssimos nos seus papéis, todos credíveis. A personagem que eu mais gostei foi a Areum, como é óbvio. É uma obra que fala do amor, da complexidade das relações humanas e até do ser humano no geral, entre outros temas mais díspares. E aquilo que mais impressiona é que o realizador conta e mostra tudo isto sem nos dar uma única cena de sexo. Um último reparo, o filme é a preto e branco. Isto é cinema.

Support The Girls

Nome do Filme : “Support The Girls”
Titulo Inglês : “Support The Girls”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Dramática
Realização : Andrew Bujalski
Produção : Houston King/Sam Slater
Elenco : Regina Hall, Haley Lu Richardson, Dylan Gelula, Zoe Graham, Ann McCaskey, Elizabeth Trieu, Krista Hayes, Shayna McHayle, Lea DeLaria, Lindsay Anne Kent, Nicole Onyeje, AJ Michalka, Jana Kramer, Kat Rogers, Brooklyn Decker, AnnaClare Hicks, Luis Olmeda, Jesse Marshall, Gerald Brodin, Laura Frances.

História : Lisa Conroy é a gerente de um restaurante, ela adora o local, seus clientes e protege ferozmente as suas funcionárias. Quando ela tenta arrecadar dinheiro para ajudar uma de suas meninas, o dono do estabelecimento descobre e decide que vai fazer o que for preciso para impedir Lisa.

Comentário : Este filme é hilário e eu vou tentar esforçar-me ao máximo para me expressar sobre aquilo que acabei de ver. Pessoal, como é do vosso saber, eu não gosto de comédias, mas quando esse género é misturado com outro, no caso com drama, eu abro uma excepção e o resultado não podia ter sido melhor. Apesar do filme estar mal classificado na IMDB, em outros sites ele até possui notas bem aceitáveis e como as classificações da IMDB não são muito de fiar, eu fui com mais vontade ainda para o filme. E gostei bastante, é uma fita que nos põe bem dispostos em alguns momentos e noutros nos deixa a pensar, existem cenas aqui que são bem específicas. A cena do cliente ordinário que é incorreto para uma das funcionárias do restaurante é marcante, ela não serve apenas para ilustrar que o cliente não tem sempre razão, mas também para nos mostrar como funciona a cabeça de um homem quando vê uma mulher atraente aos seus olhos.

Eu gostei bastante da vestimenta das funcionárias, no bom sentido claramente. A história até pode parecer simples, mas é bem interessante em determinados pontos de vista, veja-se as atitudes do proprietário do restaurante face às meninas, mas principalmente em relação à gerente. Eu diverti-me imenso com algumas cenas, tem situações envolvendo as meninas que são muito engraçadas, a sequência da emissão da luta em directo pela televisão é a melhor do filme, onde facilmente se tira apontamentos e uma ou outra lição de vida das reações de alguns dos seus intervenientes. A Regina Hall está divinal aqui, eu adorei não só a sua interpretação como também a humildade e a humanidade da sua personagem. E a Haley Lu Richardson tem aqui a melhor personagem do filme, eu adorei tudo na sua Maci e principalmente tudo o que a jovem actriz fez com ela. A cena final no telhado é linda.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Beautiful Boy

Nome do Filme : “Beautiful Boy”
Titulo Inglês : “Beautiful Boy”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Felix Van Groeningen
Produção : Brad Pitt/Jeremy Kleiner/Dede Gardner
Elenco : Steve Carell, Timothee Chalamet, Maura Tierney, Christian Convery, Oakley Bull, Amy Ryan, Stefanie Scott, Kaitlyn Dever, Amy Forsyth, Julian Works, Marypat Farrell, Andre Royo, Mandeiya Flory, Timothy Hutton, LisaGay Hamilton.

História : David Sheff é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nick, é viciado em drogas e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência.

Comentário : Confesso que fiquei mentalmente esgotado depois de ter visto este filme. Baseado num caso em particular e adaptado do respectivo livro, “Beautiful Boy” é um drama intenso que relata uma história já contada e mostrada dezenas de vezes, não só no cinema, mas também em outros suportes. Sim, a história já é conhecida, mas eu gostei de a repetir, aqui interpretada pelo talentoso Timothee Chalamet, que desempenha e bem o papel principal. Eu estou cansado de ver filmes que abordam a temática da toxicodependência, razão pela qual estava na dúvida sobre se ia ou não vê-lo, e ainda bem que o vi, porque apesar da mesmisse, o filme é bom. Visto ser baseado num caso em particular, em alguém que existiu e que passou e viveu tudo aquilo, valeu mesmo a pena acompanhar esta narrativa ao longo de quase duas horas de projeção. Eu não acho que Nick fez de tudo para se livrar das drogas, porque se o que se passou com ele foi realmente aquilo que o filme mostra, então o jovem não se esforçou, simplesmente porque voltava sempre a cair na mesma cena. E vou mais longe, aquele pai aturou muito e teve toda a paciência do mundo com o filho, outro no lugar dele, o teria posto fora de casa assim que ele começasse a roubar a família. Eu gostei de acompanhar estas personagens, os actores que as desempenharam fizeram um bom trabalho, a química entre os vários elementos da família funcionou. Algumas cenas são tocantes e o filme consegue o mérito de nos fazer sentir parte daquela família, com todos os seus dramas e desespero. Pessoalmente, eu senti-me esgotado após a projeção, porque o filme trabalha muitos sentimentos, muitas emoções e muitas sensações ao mesmo tempo e o resultado não podia ser melhor. Um filme muito humano e extremamente dramático.

Wildlife

Nome do Filme : “Wildlife”
Titulo Inglês : “Wildlife”
Ano : 2018
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Dano
Produção : Paul Dano/Jake Gyllenhaal/Oren Moverman
Elenco : Carey Mulligan, Jake Gyllenhaal, Ed Oxenbould, Zoe Margaret Colletti, Bill Camp.

História : Aos 14 anos de idade, Joe começa a perceber que sua família está desmoronando. O pai, Jerry, acaba de perder o emprego, mas não quer que a esposa trabalhe. A mãe, Jeanette, não pretende ficar de braços cruzados diante da crise e começa a ganhar a sua autonomia. Quando Jerry decide ficar meses fora de casa, num trabalho temporário, Jeanette decide que é hora de refazer a sua vida. Mas para Joe, a única coisa que importa é ver os pais reunidos novamente.

Comentário : Passado na década de 1950, este filme de época dirigido pelo talentoso Paul Dano satisfez-me bastante. Eu gostei principalmente da história, ela é bem interessante e contada a partir do ponto de vista do filho do casal, Joe. E isso foi muito interessante porque nos dá a possibilidade de vermos a situação da rutura familiar pelo olhar do rapaz, que seria bem diferente se fosse vista somente através da perspectiva dos membros do casal. Nesse prisma, nós sentimos a aflição deste garoto nos momentos mais críticos dos pais, principalmente quando o pai está muito longe e a mãe não tem um comportamento muito justo para uma senhora daquela época. E é genial nós testemunharmos as reações do rapaz, o seu espanto perante certas situações e as suas descobertas próprias de quem é ingénuo e está lentamente a descobrir o mundo dos adultos. A recriação de época é eficaz, mas em certas alturas podia estar mais caprichada.

O Jake Gyllenhaal apresenta aqui uma dualidade na representação, sendo de uma maneira no primeiro acto e de outra forma no terceiro acto, eu pessoalmente gostei mais dele no segundo estado que é quando está melhor. A Carey Mulligan é uma actriz completa, eu adoro vê-la viver as suas personagens e ela aqui dá mais uma vez um show de actuação, eu adorei a complexidade da sua Jeanette. O Ed Oxenbould está perfeito no papel do jovem filho de um casal em rota de colisão, pedir-lhe mais seria uma grande injustiça. O Bill Camp é sempre um senhor na arte de representar, ele tem toda uma sequência de conversa com o personagem do rapaz que é uma das melhores do filme. E a Zoe Margaret Colletti faz o que pode com o pouco material que lhe deram, eu gostaria que o realizador tivesse evoluído a relação dela com o filho do casal para um namoro, seria não só mais interessante como também daria-lhes mais relevo. Bom filme.

Rust Creek

Nome do Filme : “Rust Creek”
Titulo Inglês : “Rust Creek”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime
Realização : Jen McGowan
Produção : Stu Pollard
Elenco : Hermione Corfield, Jay Paulson, Micah Hauptman, Daniel R. Hill, Jeremy Glazer, John Marshall Jones, Jake Kidwell, Sean O'Bryan.

História : Uma jovem chamada Sawyer vai a uma entrevista para emprego que fica muito distante da sua residência, sendo abordada a meio do caminho por dois tipos que não procedem da melhor maneira para com ela. Do nada, Sawyer encontra-se numa densa floresta, vendo-se na missão de lutar pela sobrevivência e fazer de tudo para não ser encontrada pelos dois criminosos.

Comentário : Hoje eu trago um filme que me deixou bem irritado devido a atitudes de certos personagens, confesso estar a ficar “velho” para este tipo de filmes. Primeiro que tudo, não se trata de um filme de terror, é antes um thriller dramático que, apesar de eu ter gostado bastante, ele tem alguns erros. Sem querer dar spoilers, existem pelo menos dois acontecimentos, ou antes, duas atitudes da mesma personagem que não se entendem. Logo no início, não se percebe porque motivo a protagonista foge para a floresta, se nós sabemos que dava tempo suficiente para que ela entrasse no carro e fugisse, afinal, os dois nojentos que a atacaram estavam deitados no chão a queixarem-se dos golpes que levaram dela. A outra situação que não é compreensível, é quando ela está com o polícia e vai à frente dele a caminhar, ou seja, tornando-se alvo fácil para ser vítima de tiros à queima-roupa, ela só tinha que caminhar ao lado dele. E o filme irritou-me precisamente porque os dois nojentos que a atacam, eles são bem enervantes e indesejáveis, eles provocam mesmo a rapariga com a intenção de haver porcaria. O filme tem cenas bem aflitivas, daquelas que nos fazem torcer pela protagonista, e acreditem que ela vive situações bem difíceis. A nível das interpretações é mais do mesmo, embora eu tenha que destacar a prestação de Hermione Corfield, é um desempenho muito realista, nos fazendo zelar por ela. Vale frisar também a relação que ela cria com um dos quatro vilões, chega a proporcionar bons momentos, a química entre ele e ela é boa. A cena da explosão está espectacular, uma das melhores do longa. É um filme que nos faz pensar à cerca da maldade dos homens. Eu gostei bastante.

Possum

Nome do Filme : “Possum”
Titulo Inglês : “Possum”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Matthew Holness
Produção : Mark Lane/Robert Jones/James Harris/Wayne Marc Godfrey
Elenco : Sean Harris, Alun Armstrong, Pamela Cook, Charlie Eales, Ryan Enever, Raphel Famotibe, Joe Gallucci, Andy Blithe, Simon Bubb.

História : Depois de voltar para sua casa de infância, um homem é forçado a confrontar seu padrasto e os segredos que torturaram toda a sua vida.

Comentário : Eu gosto de filmes de terror psicológico, daqueles que não revelando muito, contam histórias não muito violentas, mas com uma mensagem forte e que nos deixam a pensar. Foi o que aconteceu com este filme. Bom, primeiramente, este não é um filme de terror comum, ele não é para qualquer um, exige muito de quem o vê. Em segundo lugar, o filme não tem um ritmo fluído, pelo contrário, ele é lento e contemplativo, detentor de sequências que se arrastam e de planos longos onde personagens se esticam nas suas actividades, por vezes, além do necessário. E depois porque certas coisas que vemos podem não ser exactamente aquilo que aparentam, elas não são o que parecem, e o realizador vai usando metáforas ao longo desta sua obra, cabendo a nós decifrá-las e tentar compreender o que vemos e as atitudes dos dois personagens principais.

O filme não nos dá grandes respostas, pelo contrário, ele até parece nos deixar ainda mais dúvidas à medida que os factos e as situações vão sucedendo. Não é um filme fácil de assistir, possivelmente se fosse para o cinema, pessoas iam adormecer e outras talvez abandonassem a sala antes da projeção terminar. Nota-se claramente que é uma fita de orçamento muito reduzido, provando que com poucos meios, podem-se fazer bons filmes, não grandiosos, mas bons. A fotografia é pesada, por vezes granulada, nos oferecendo uma visão muito negra de toda aquela cidade, que parece ser bem pequena e com poucos habitantes. O Sean Harris dá um show de actuação, desde os trejeitos, passando pela expressão facial e acabando na forma como interpreta o seu Philip, ele e o seu personagem são os alicerces do filme. E o Alun Armstrong está simplesmente perverso. No fundo, um filme interpretativo e metafórico.

domingo, 6 de janeiro de 2019

The Death Of Stalin

Nome do Filme : “The Death Of Stalin”
Titulo Inglês : “The Death Of Stalin”
Titulo Português : “A Morte de Estaline”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Comédia Dramática/Histórico
Realização : Armando Iannucci
Produção : Nicolas Duval Adassovsky/K.L./L. Z./Y. Z./Sofia Maltseva/Tanya Sokolova
Elenco : Olga Kurylenko, Tom Brooke, Paddy Considine, Justin Edwards, Adrian McLoughlin, Simon Russell Beale, Jeffrey Tambor, Michael Palin, Steve Buscemi, Nicholas Woodeson, Elaine Claxton, Sylvestra Le Touzel, Nicholas Sidi, Jonny Phillips, June Watson, Adam Shaw, Daniel Tuite, Dermot Crowley, Paul Whitehouse, Paul Chahidi, Karl Johnson, Cara Horgan, Rupert Friend, Jason Isaacs, Ewan Bailey, Daniel Booroff, Andrea Riseborough, Richard Brake, Daniel Tatarsky, Diana Quick, Adam Ewan, Jonathan Aris, Eva Sayer, Amelia McCreedy, Katie McCreedy, Keely Smith, Sergey Korshkov, Alexander Grigorivev, Olga Dadukevich, Nastya Koshevatskaya, Danila Bochkov, Gerald Lepkowski, Ellen Evans, Daniel Fearn, Emilio Iannucci.

História : Em março de 1953, depois de 30 anos a governar a União Soviética sob um regime ditatorial, Josef Estaline morre. Nos dias imediatamente a seguir, os membros do comité do Partido Comunista, outrora fiéis seguidores do ditador, revelam a sua sede de poder. O cargo de líder está livre e pode pertencer-lhes. Os dados estão lançados, vencerá quem for mais hábil na manipulação e traição.

Comentário : Confesso que já andava há bastante tempo para ver este filme e após assisti-lo, tenho que dizer que gostei bastante. Apesar de ter humor, ele aqui não é estúpido nem ridiculo, mas satírico e negro, sendo uma delícia certos diálogos. A dinâmica entre os personagens é muito boa, aliás todo o elenco principal é excelente. O Adrian McLoughlin convence no papel de Stalin, pena é que aparece pouco, eu gostaria de ter visto bem mais desta prestação. O Jeffrey Tambor está no mínimo estranho neste papel, eu não entendi a implicância com o seu cabelo, mas gostei da forma como o seu personagem se dirigia e falava aos outros. O Steve Buscemi vai bem no seu registo, mas eu confesso que estranhei ver este actor neste filme, talvez preferisse um europeu a desempenhar Nikita Khrushchev. A Olga Kurylenko e o Paddy Considine aparecem pouco ao longo do filme, apesar de ter gostado dos seus personagens, eu queria ver mais deles. O Michael Palin está sensacional, um dos melhores personagens do filme. A Andrea Riseborough está mais bonita do que habitualmente, eu gostei da sua personagem aqui, apesar do seu penteado perto do final do longa ser horrível. O Rupert Friend manda bem como Vasily, ele fica bem quando se enerva e ainda melhor quando está calmo, é uma dualidade característica do actor. O Jason Isaacs está imponente no seu personagem. Mas o meu personagem preferido, apesar dele ser um sacana assassino, foi Lavrenti Beria, muito bem interpretado pelo excelente actor inglês Simon Russell Beale, detentor aqui de uma figura engraçada e portador de um estilo bem patusco, decididamente, o melhor deste filme, na minha opinião. Uma delícia foram também alguns cenários, o guarda-roupa, os diálogos satíricos, as ambientações e a recriação de época que roça a perfeição. O filme peca apenas por alguns erros em objectos e por ser curto, pedia-se pelo menos mais cerca de meia hora. Doravante, um filme a ser estudado e admirado, devido a ser uma excelente encenação sobre os bastidores do poder.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Skate Kitchen

Nome do Filme : “Skate Kitchen”
Titulo Inglês : “Skate Kitchen”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Crystal Moselle
Produção : Crystal Moselle/Julia Nottingham/Izabella Tzenkova/Lizzie Nastro
Elenco : Rachelle Vinberg, Ajani Russell, Nina Moran, Jules Lorenzo, Kabrina Adams, Ardelia Lovelace, Tashiana Washington, Jaden Smith, Emmanuel Barco, Tom Bruno, Alexander Cooper, Taylor Gray, Nico Hiraga, Judah Lang, Brenn Lorenzo, Malachi Omega, John Palumbo, Dylan Pitanza, Elizabeth Rodriguez, Samuel Smith, Hamzah Sarwari, Thaddeus Daniels, Kobi Frumer, Darlene Violette.

História : Um grupo feminino de skate passa a ser frequentado por uma solitária adolescente suburbana, Camille. Em meio à cidade de New York, ela inicia um processo de auto-descoberta enquanto vivência, pela primeira vez, a real sensação e significado da amizade.

Comentário : Este filme foi para mim uma grande surpresa, pareceu-me até um filme realizado por Gus Van Sant. A realizadora Crystal Moselle dirige este filme independente que tem uma história bem interessante, a mim, tudo isto me interessou bastante. Ver as raparigas a andarem de skate pelas ruas da cidade foi uma experiência espectacular para mim, eu confesso que nunca tinha visto isso, é mais comum vermos rapazes nestas andanças e isto foi muito curtido. O filme também trabalha bem a questão do crescimento pessoal, neste caso temos a nossa Camille, a nossa protagonista que é bem bonita e muito carismática, eu amei esta personagem. E vemos Camille, acabada de sair da adolescência, completando 18 anos e achando que consegue se virar sozinha no “mundo cão” que é a vida fora de casa. E isto foi muito interessante para mim, porque eu me revi na protagonista, sim é verdade, eu me revejo muitas vezes em personagens femininas e foi o que aconteceu aqui.

Tal como Camille, eu numa determinada altura da minha vida, decidi que era tempo de ir morar sozinho, me virar e abraçar o mundo, achando que podia tudo e que ninguém me ia tocar. Mas e tal como aconteceu com Camille, eu vi que as coisas não eram como eu esperava e bati no fundo do poço. Ainda dentro do filme, eu adorei ver aquelas raparigas se relacionarem enquanto grupo, todas possuidoras de uma excelente química entre elas, a coisa funcionou muito bem nesse sentido. Apesar do filme estar muito bem filmado, eu senti falta de mais planos acompanhando as miúdas andando nos seus skates, os chamados “travelings”, penso que daria um bom resultado. A dada altura, o roteiro muda o rumo da protagonista e eu não gostei muito dessa virada, penso que a realizadora fez mal em ter pisado esse terreno. Perto do final, Camille toma uma decisão que vai contra a sua natureza, ou pelo menos, vai contra tudo aquilo que o filme nos tinha mostrado sobre ela. Eu gostei das prestações das skaters principais, as amigas de Camille, cada uma do seu jeito, elas entregaram boas personagens. Mas eu fiquei mesmo encantado foi com Rachelle Vinberg, não só boquiaberto com a sua prestação, mas também porque ela é parecida com uma das pessoas mais importantes da minha vida. “Skate Kitchen” é assim, a minha primeira surpresa deste novo ano.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Green Book

Nome do Filme : “Green Book”
Titulo Inglês : “Green Book”
Titulo Português : “Um Guia Para a Vida”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Peter Farrelly
Produção : Peter Farrelly/Nick Vallelonga
Elenco : Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, Sebastian Maniscalco, Dimiter D. Marinov, Mike Hatton, Joe Cortese, P. J. Byrne, Von Lewis, Don Stark, Anthony Mangano, Paul Sloan, Quinn Duffy, Seth Hurwitz, Hudson Galloway, Gavin Foley, Rodolfo Vallelonga, Louis Venere, Frank Vallelonga, Don DiPetta, Jenna Laurenzo, Suehyla El-Attar, Johnny Williams, Randal Gonzalez, Iqbal Theba, Nick Vallelonga, David An, Mike Cerrone, Gertrud Sigle, Sharon Landry, Tom Virtue, Ricky Muse, Christina Simpkins, Shane Partlow, Craig DiFrancia, Dennis Hall, Lindsey Brice.

História : Um famoso pianista negro contrata um segurança italo-americano para o conduzir pelo sul do país.

Comentário : Ambientado na década de 1960, este road-movie biográfico conquistou-me por completo. Pelo trailer, eu não dava nada pelo filme e confesso que pelos primeiros cerca de trinta minutos, eu também não estava muito empolgado, achei tudo muito americano demais. No entanto e a partir de uma determinada altura, a pessoa engaja no filme e desde aí até ao final, o que temos é uma fantástica experiência cinematográfica à cerca de duas pessoas muito diferentes e que vêm de mundos diferentes, transformarem-se noutras pessoas. E com a vantagem de tudo isto ser baseado numa história verídica. Ao longo do filme temos muitas referências ao racismo, é impressionante que esta fita leva-nos a testemunhar coisas que nem nos passava pela cabeça, eu falo por mim, fiquei realmente surpreso. E tendo isso em conta, existe uma cena em particular que mostra na perfeição o contraste entre brancos e negros e o inverter desses mesmos papéis, falo da parte dos trabalhadores dos campos agrícolas. Mas não é só essa, este filme faz questão de meter o dedo na ferida e atira-nos à cara situações em que os negros são olhados e tratados como alguém inferior. Tudo bem que a ação do filme decorre nos anos 1960 e por isso era suposto dar desconto, mas o que impressiona é como o ser humano foi, é, e continuará a ser “pequeno” e ignorante. Mais uma vez o Viggo Mortensen está bem, eu confesso que gosto mais de o ver em filmes sérios e dramas do que em filmes da treta, embora os três filmes realizados por David Cronenberg em que ele entra sejam três felizes excepções. Mas quem eu gostei verdadeiramente de ver neste filme de Peter Farrelly foi o já galardoado com o óscar de melhor actor, Mahershala Ali (Moonlight), que aqui está mais uma vez espectacular, o melhor personagem deste “Green Book”. Outra coisa que eu adorei aqui foi a relação que se estabelece entre Tony e Don, é maravilhoso vê-los contracenarem e transformarem-se, e os dois actores que os representam funcionam muito bem juntos. Um filme sobre mentalidades de hoje e de ontem, mostrando uma bonita amizade.