terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Maine

Nome do Filme : “Maine”
Titulo Inglês : “Maine”
Ano : 2018
Duração : 86 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Matthew Brown
Produção : Michael B. Clark/Summer Shelton/Alex Turtletaub
Elenco : Laia Costa, Thomas Mann, Yossie Mulyadi, Pete Burris, Pat Dortch, Jeremy DeCarlos, Matthew Brown.

História : Uma rapariga espanhola decide fazer o trilho dos Apalaches, em busca de auto conhecimento. Na caminhada, ela conhece Lake, um jovem americano fazendo turismo. Os dois resolvem fazer a caminhada juntos e, nessa jornada, criam fortes laços.

Comentário : Eu gosto imenso de filmes de aventura, que falem de aventuras e este veio mesmo a calhar. Trata-se de um filme intimista, ele nunca promete grandes coisas, de facto, ele não nos dá grandes feitos e penso que nem era esse o objectivo. Penso mesmo que o realizador quis nos facultar uma obra mais simples e sem grandes mensagens daí resultantes. Eu fiquei a saber que houve imensa gente que não gostou muito deste filme, alegando que ele não lhes transmitiu nada e houve outros ainda que disseram que não se passou quase nada de relevante ao longo dos oitenta minutos da projeção, e eu até compreendo essas pessoas. No entanto, existem filmes que sendo muito simples, conseguem ser grandes filmes e admirados por essa simplicidade. É precisamente esse o caso, aquilo que eu mais admiro neste “Maine” é a sua simplicidade, ainda que ele abarque em si uma poderosa mensagem. Na minha opinião e segundo a minha interpretação do filme, a principal mensagem, a tal poderosa mensagem que se retira daqui, é que por vezes precisamos de abandonar tudo e entrarmos de cabeça a fundo numa aventura que esteja fora da nossa zona de conforto para imergirmos nela e vivermos uma experiência transformadora e que nos faça ver o mundo de uma outra maneira. Penso que foi isso que aconteceu com a nossa protagonista. No caso dela, muito contribuiu a amizade que ela travou com Lake, o tal americano compreensivo com quem ela gostou de se relacionar durante parte da longa jornada. O filme possui paisagens belíssimas que nos facultaram imagens lindas, daquelas que apetece imprimir e colar na parede. A Laia Costa está brutal aqui, eu adorei a sua personagem, é ela a protagonista do longa e se sai lindamente. O Thomas Mann está muito bem no seu registo e a sua química com Laia convence. Um filme simples, mas muito humano e natural.

L'échange des Princesses

Nome do Filme : “L'échange des Princesses”
Titulo Inglês : “The Royal Exchange”
Titulo Português : “Troca de Princesas”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Marc Dugain
Produção : Patrick Andre/Genevieve Lemal
Elenco : Anamaria Vartolomei, Juliane Lepoureau, Lambert Wilson, Olivier Gourmet, Catherine Mouchet, Kacey Mottet Klein, Igor Van Dessel, Patrick Descamps, Thomas Mustin, Gwendolyn Gourvenec, Didier Sauvegrain, Vincent Londez, Jonas Wertz, Pedro Cabanas, Ana Rodriguez, Maxence Dugain.

História : Em 1721, para manter a paz entre França e Espanha após anos de guerra, o Regente do Reino da França, propõe uma troca de princesas que resulta no noivado do rei de França, de 11 anos com Anna Maria Victoria, de 4 anos; e do príncipe herdeiro, de 11 anos com Louise Elisabeth, de 12 anos. Porém, a chegada dessas duas jovens princesas pode comprometer os jogos de poder e interesses na Corte.

Comentário : Vamos agora falar de cinema francês e hoje eu trago uma fita que representou uma surpresa para mim, visto que eu nem sabia da sua existência. Devo confessar também que este foi um dos filmes que mais me divertiu e me fez rir em toda a minha existência, não pela “estupidez” de algumas situações, mas sim, pela singularidade dessas mesmas situações. Não se tratando felizmente de uma comédia, este é antes um drama histórico baseado em acontecimentos reais, que aconteceram há muitos anos. E sem ser um drama denso, este filme resulta ainda muito bem enquanto filme de época que conta com personagens bem interessantes, bem desenvolvidos e muito bem interpretados. Sendo assim, temos um drama bastante competente, perfeitamente enfeitado com laços históricos e com uma pitada de romance à mistura. O filme também mostra como é impressionante a maneira como a nossa vida fica mal, devido a termos uma pessoa nefasta por perto, quem viu o filme perceberá aquilo que eu estou a dizer. É um filme muito belo, podemos desta forma contar com cenas bem bonitas e momentos verdadeiramente admiráveis. A dada altura, parece que estamos realmente naquela época, no século XVIII, no meio de toda aquela situação. O guarda-roupa é belíssimo e os figurinos convencem. Nota-se que houve um cuidado extremo nos detalhes para que tudo resultasse da melhor maneira. A nível das interpretações, o grande destaque vai claramente para as jovens Anamaria Vartolomei (linda) e Juliane Lepoureau, além das suas personagens serem adoráveis, as duas meninas tiveram prestações notáveis, sendo que eu gostaria de ter visto mais da princesa mais velha. Apesar de não ter terminado como eu gostaria, gostei do filme, é um bom drama de época.

Everybody Knows

Nome do Filme : “Todos Lo Saben”
Titulo Inglês : “Everybody Knows”
Titulo Português : “Todos Sabem”
Ano : 2018
Duração : 132 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Asghar Farhadi
Produção : Alvaro Longoria/Alexandre Mallet Guy
Elenco : Penelope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darin, Carla Campra, Barbara Lennie, Inma Cuesta, Elvira Minguez, Sara Salamo, Imma Sancho, Eduard Fernandez, Ramon Barea, Roger Casamajor, José Angel Egido, Sergio Castellanos, Ivan Chavero, Tomas Del Estal, Paco Pastor Gomez, Jaime Lorente, Mari Carmen Sanchez, Mar Del Corral.

História : Quando a sua irmã se casa, Laura regressa à Espanha natal para acompanhar a cerimónia. Por motivos de trabalho, o marido argentino não pode ir com ela. Chegando ao local, Laura reencontra um ex-namorado, Paco, que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa de se unir diante de um possível crime, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles.

Comentário : Confesso que gosto dos filmes do cineasta Asghar Farhadi e também que fiquei de pé atrás quando soube que ele ia fazer um filme fora da sua zona de conforto, ou seja, fora do seu país e sem o seu leque de actores. Quem como eu também gosta do seu cinema e que sabe como ele é bom naquilo que faz, provavelmente também deve ter pensado que este seu novo filme talvez não fosse grande coisa, ou pelo menos, tão bom quanto os seus anteriores trabalhos. Eu também temi isso e ainda bem que foi só isso mesmo, porque eu gostei bastante deste filme. Mas vamos por partes. Quem assiste aos primeiros trinta minutos e estando habituado ao cinema do realizador, ficará certamente desiludido, mas a partir do momento em que se dá uma certa reviravolta e algo acontece com uma determinada personagem, desde aí até ao final, podemos sim, contar com um filme cheio de tensão, envolto num enorme clima de mistério e com algumas revelações. É como aquela sensação em que somos apanhados de surpresa devido a uma determinada situação, ficamos envolvidos nessa situação e acompanhamos o seu desenrolar, estando sujeitos a todo o tipo de situações, perigos e más notícias que daí resultam, no meu caso, é uma sensação bem estranha e aflitiva, confesso. A Penelope Cruz tem mais uma das suas brilhantes interpretações, ela é uma verdadeira senhora e raramente desilude. O Javier Bardem chega mesmo a comover com a sinceridade com que representa o seu personagem, a partir de um determinado momento no filme, ele transborda um mar de emoções. O Ricardo Darin está mesmo velho, eu quase não o reconheci, embora ele tenha tido a segunda melhor interpretação masculina do elenco, a seguir a Bardem, logicamente. E Carla Campra, apesar de aparecer apenas no início e depois no final do longa, ela nos transmite primeiramente alegria e vida e mais tarde, desespero e dor, assim por esta ordem, quem já viu o filme irá perceber o que digo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Post 2 – Cinema 2018: O Que Mais Gostei

Roma de Alfonso Cuaron
The Tale de Jennifer Fox
The Florida Project de Sean Baker
Cold War de Pawel Pawlikowski
Columbus de Kogonada
Custody de Xavier Legrand
A Ciambra de Jonas Carpignano
Searching de Aneesh Chaganty
A Quiet Place de John Krasinski
Hereditary de Ari Aster
Call Me By Your Name de Luca Guadagnino
Werewolf de Ashley McKenzie
Au Nom De Ma Fille de Vincent Garenq
Beauty And The Dogs de Kaouther Ben Hania
You Were Never Really Here de Lynne Ramsay
Porcupine Lake de Ingrid Veninger
As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra
Arabia de João Dumans e Affonso Uchoa
If Beale Street Could Talk de Barry Jenkins
The Hate U Give de George Tillman Jr
Leave No Trace de Debra Granik
Hold The Dark de Jeremy Saulnier
Burning de Chang-Dong Lee
Transit de Christian Petzold
Eighth Grade de Bo Burnham
Blue My Mind de Lisa Bruhlmann
Phantom Thread de Paul Thomas Anderson
Ramiro de Manuel Mozos
The House That Jack Built de Lars Von Trier
Black Panther de Ryan Coogler
Aquaman de James Wan
Avengers : Infinity War de Anthony Russo e Joe Russo
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri de Martin McDonagh



Roma

Nome do Filme : “Roma”
Titulo Inglês : “Roma”
Titulo Português : “Roma”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Drama
Realização : Alfonso Cuaron
Produção : Alfonso Cuaron/Gabriela Rodriguez/Nicolas Celis
Elenco : Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Daniela Demesa, Diego Cortina Autrey, Carlos Peralta, Marco Graf, Nancy Garcia, Veronica Garcia, Andy Cortes, Fernando Grediaga, Jorge Antonio Guerrero, José Manuel Guerrero Mendoza, Zarela Lizbeth Chinolla Arellano, Clementina Guadarrama, José Luis Lopez Gomez, Edwin Mendoza Ramirez, Nicolas Perez Taylor Felix, Kjartan Halvorsen, Felix Gomez Amaya.

História : No México dos anos 70, a rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma jovem mulher, que trabalha como babá das crianças e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos do quotidiano começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.

Comentário : Com este filme, o realizador Alfonso Cuaron abandona o cinema comercial e volta a abraçar o cinema independente, naquele que é não só a sua obra prima como também o meu filme preferido deste ano. Em “Roma”, Alfonso Cuaron assume várias funções dentro do processo de criação do filme: ele é o realizador, o produtor principal, o director de fotografia, o montador e o argumentista, tudo numa fita que é uma espécie de auto biografia de um trecho da vida do realizador, onde também mostra um pouco da história do México. O titulo do filme não é mais do que o nome do bairro onde Cuaron passou a sua infância, bairro esse que fica situado no México. No seu filme, embora Cuaron fale de grandes coisas, ele prima pela simplicidade, como mostra a sequência que abre o longa. A história do filme é contada e mostrada sob o ponto de vista e o olhar de Cleo, a Libo que fora a empregada da família de Cuaron quando este era criança e que muito o ajudou. E ele faz isso para nos mostrar a importância das coisas simples e das pequenas pessoas, da classe baixa, aquelas que quase nunca têm voz.

No filme, também estão presentes e são trabalhados alguns temas sociais, em que Cuaron divide-os em três níveis distintos : em cima está o México, no meio está a família e em baixo está Cleo. Até na forma como filma, Cuaron quer dizer muita coisa : alguns ângulos e planos de camara estão associados aos problemas da sociedade e da família, aos ricos e aos pobres. Ele filma num preto e branco digital, nos facultando um filme de um realismo puro que segue a rotina dura e cheia de provações de Cleo, onde Cuaron deixa bem claro que Cleo representa não só uma das pessoas mais importantes da sua vida, como também representa as minorias e a parte mais fraca da sociedade, onde existem muitas “Cleo's”. É igualmente trabalhada a dualidade entre empregada e patroa naquela fase em que as duas passam por uma situação semelhante, no caso, a perda dos seus companheiros. Eu gostei de todas as cenas deste filme, sendo quatro aquelas que mais me marcaram : a do cinema a dois, a da incubadora, a do parto e a da praia.

O filme funciona ainda como uma espécie de homenagem à figura feminina, onde o realizador acaba também por homenagear Cleo, a mulher que praticamente o criou. O director faz também duas referências a dois filmes seus anteriores. Podemos encontrar também uma dura crítica à maneira como os nativos mexicanos são tratados pelas classes médias e altas, estes dois grupos fazem quase tudo separados e só se juntam quando os mais ricos precisam dos pobres, veja-se por exemplo as duas festas que decorrem em simultâneo mas passadas em locais distintos e as cenas em que a patroa exige a presença de Cleo para executar qualquer tarefa. Cuaron arranja ainda tempo para abordar as componentes cultural, social, política e íntima, esta última mais dissecada na vertente familiar e também na própria empregada em si. É um filme muito dramático e pesado, onde muitos alegam não se passar nada em duas horas e dez minutos, meus amigos, eu lamento vos desiludir, mas nesse tempo passa-se imensa coisa, onde muita coisa acontece, vidas são contadas e mostradas. Sem experiência como actriz, a jovem Yalitza Aparicio consegue aqui uma excelente prestação, a sua Cleo é a alma do filme. É um filme com um ritmo lento e natural, não sendo recomendado a todos os públicos. E voltando a homenagear a figura feminina, Cuaron acaba por mostrar com este filme que, tal como sem mulheres o mundo parava e não avançava, também sem Cleo, a sua família ficava sem saber o que fazer. Mas sem a Cleo, o que seria do melhor filme de 2018?


The House That Jack Built

Nome do Filme : “The House That Jack Built”
Titulo Inglês : “The House That Jack Built”
Titulo Português : “A Casa Que Jack Construiu”
Ano : 2018
Duração : 150 minutos
Género : Drama/Terror/Crime
Realização : Lars Von Trier
Produção : Louise Vesth
Elenco : Matt Dillon, Bruno Ganz, Riley Keough, Uma Thurman, Siobhan Fallon Hogan, Sofie Grabol, Jeremy Davies, Jack McKenzie, Ed Speleers, David Bailie, Mathias Hjelm, Ji-tae Yu, Emil Tholstrup, Marijana Jankovic, Carina Skenhede, Rocco Day, Cohen Day, Robert Jezek, Osy Ikhile, Christian Arnold, Johannes Kuhnke, Jerker Fahlstrom, Robert Slade, Vasilije Mujka, Lisa Sjoholm.

História : Nos Estados Unidos dos anos 70, Jack define-se como um assassino em série e interpreta cada um dos seus crimes como uma obra de arte. À medida que a polícia se aproxima, Jack arrisca-se cada vez mais, tentando criar a sua obra prima.

Comentário : Chegamos assim à primeira grande surpresa deste último fim-de-semana e sim, é o novo filme do polémico realizador dinamarquês Lars Von Trier. Ele faz filmes complexos, difíceis, violentos e que não são para qualquer um. O filme retrata doze anos da vida de um assassino em série divididos em cinco incidentes aleatórios. O director usa vários processos de filmagem nos seus filmes e aqui ele usa a camara na mão, nos dando um lado mais cru e mais realista. Mais do que um retrato de um personagem com toda a sua complexidade e visando até explorar a mente de um psicopata, eu fiquei com a ideia de que o cineasta estava a falar dele próprio e dos seus demónios, sendo uma metáfora em que os crimes do protagonista são os seus filmes. Pelo menos foi isso que eu depreendi disto tudo. O filme é cheio de imagens aparentemente fora do contexto da narrativa, imagens essas que falam de muitos dos temas preferidos de Lars Von Trier, funcionando como isso, como referências. E essas imagens dentro do filme dizem muito do realizador e daquilo que se passa na sua mente, por exemplo, a sua obsessão por Hitler e pelo nazismo, mas existe aqui muito material e muitas frases e diálogos que expõem a natureza do realizador, e por vezes ele exagera.

Aliás, é no contraste das conversas e ideias entre o protagonista e um tal de Verge que esses temas são desenvolvidos. Tal como alguns dos filmes anteriores da sua carreira, esta também é uma fita violenta. Com a excepção de uma cena com um pato bebé e de cenas envolvendo duas crianças, eu não fiquei como em “Antichrist”, incomodado. Ao contrário do que costuma acontecer comigo em filmes mais sérios, eu desta vez até tolerei o humor, que aqui é bem negro e sarcástico. O director faz muitas críticas à sociedade e ao próprio sistema judicial e policial. Não gostei do facto das mulheres serem umas estúpidas nesta história e mesmo de serem muito mal tratadas, não entendi porque o director as fez deste modo, não é usual da parte dele. Ao contrário de muitos, eu gostei do ritmo lento do longa, mesmo o filme sendo pesado e pretensioso. O Matt Dillon tem aqui o melhor personagem e a melhor interpretação da sua carreira. Do elenco de apoio, a Riley Keough é a que está melhor. O epílogo é aquilo que o realizador já nos habituou, embora eu tivesse preferido um final mais conclusivo, tipo terminar o quinto incidente e depois dar um destino ao protagonista.


Bad Times At The El Royale

Nome do Filme : “Bad Times At The El Royale”
Titulo Inglês : “Bad Times At The El Royale”
Titulo Português : “Sete Estranhos no El Royale”
Ano : 2018
Duração : 141 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Drew Goddard
Produção : Drew Goddard/Jeremy Latcham
Elenco : Jeff Bridges, Cynthia Erivo, Dakota Johnson, Cailee Spaeny, Chris Hemsworth, Lewis Pullman, Jon Hamm.

História : Na década de 60, sete desconhecidos se encontram em El Royale, um hotel degradado perto de Lake Tahoe, na Califórnia. Cada um deles tem um segredo obscuro e precisa encontrar redenção durante a noite, antes que algo aconteça.

Comentário (Contém Spoilers) : Mais uma surpresa deste ano que está a uma semana de terminar, surpresa sim, mas com alguns contras. Apesar de não ser muito original, eu até curti a ideia central e fiquei sempre colado à cadeira durante mais de duas horas de projeção. É muito fácil ficarmos entretidos com esta história e com estes personagens. Dividido em capítulos, este filme mostra o presente das sete personagens, o intercalando com cenas que os mostram em determinadas alturas dos seus passados. O espaço de cena convence, o “El Royale” parece mesmo um hotel real, com locações reais e a maneira como todos os personagens se movimentam dentro dele é crível. O realizador consegue ainda nos dar uma noção bastante competente de como todo aquele local fica distante de tudo, quase como algo esquecido e perdido no tempo. Podemos também contar com um bom clima de mistério e com toda uma tensão que vai aumentando à medida que vamos conhecendo e entendendo os personagens. Como temos um director competente que soube trabalhar todo o material que tinha em mãos, tudo parece estar a resultar na perfeição, até determinado ponto.

Num determinado momento, como eu disse, o jogo altera-se por completo e aquilo que podia ter sido algo diferente com o mal a vencer o bem, resulta em algo cliché e que se traduz por mais do mesmo, claro que eu preferia que Rose e Billy Lee tivessem ficado vivos e saídos da situação com o dinheiro, seria algo bem diferente e uma lufada de ar fresco dentro da mesmisse do costume. A nível das interpretações, os sete estão muito bem. Sempre excelente a representar, Jeff Bridges manda bem no seu registo dualista, ele nos faculta aqui alguém bem misterioso e enigmático, nós ficamos na dúvida à cerca do seu personagem até ficarmos a saber quem ele é e aquilo que pretende. A Cynthia Erivo é aquela que está melhor do elenco, ela tem uma presença forte e encanta com a sua graciosidade, além disso, a sua personagem e a de Bridges funcionam na perfeição juntas. Não sendo uma das minhas actrizes preferidas, Dakota Johnson consegue pela primeira vez estar bem num papel, ela não está apática e convence como durona. É um encanto vermos Cailee Spaeny representar a sua Rose, esta é de longe a minha personagem preferida do longa, nos transmitindo vida e liberdade, ficando apenas a lamentar-se o seu destino. O Chris Hemsworth dá aqui um bom vilão, ele consegue não só não ser genérico como também ser ameaçador. O Lewis Pullman tem um arco interessante e nos reserva uma surpresa para o final. Já o Jon Hamm, ele está bem, mas o seu personagem é o mais fraco dos sete. Tirando o final, adorei isto.




Under The Silver Lake

Nome do Filme : “Under The Silver Lake”
Titulo Inglês : “Under The Silver Lake”
Titulo Português : “O Mistério de Silver Lake”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : David Robert Mitchell
Produção : Chris Bender/Michael De Luca/Adele Romanski
Elenco : Andrew Garfield, Riley Keough, Jimmi Simpson, Deborah Geffner, Riki Lindhome, Chris Gann, Callie Hernandez, Jessica Makinson, Sky Elobar, Topher Grace, Jules Willcox, Zosia Mamet, Annabelle Dexter Jones, Luke Baines.

História : Em Los Angeles, um jovem desempregado começa a interessar-se pela nova vizinha, que entretanto desaparece sem deixar rasto. Dado a procurar teorias da conspiração e mensagens escondidas em todo o lado, começa a investigar o seu desaparecimento, percebendo que talvez efabulações rebuscadas como aquelas que costuma imaginar afinal existiam na vida real.

Comentário : Ninguém imagina a enorme seca que eu apanhei ao ver este filme. Primeiro que tudo, o filme é bem bizarro, cheio de personagens bem estranhas, de decisões questionáveis e de situações sem explicação. O que menos gostei neste estranho filme foi a sua banda sonora, simplesmente porque grande parte das melodias e dos temas não são adequados para as cenas em que aparecem, ainda assim são sons bem cinematográficos mas repito, não casam bem com a maioria das sequências. É um filme em que o clima de mistério está quase sempre presente, quanto mais não seja porque o personagem principal, volta e meia, ele está a tentar resolver enigmas e charadas, precisamente na tentativa de solucionar um problema maior. O filme irritou-me bastante principalmente porque a história anda às voltas, anda às voltas e parece não chegar a lugar nenhum, pelo menos foi essa a impressão que me deu.

Como eu já disse, existem aqui personagens bem bizarras e isso tirou-me totalmente da questão central, que é o enigma do desaparecimento de Sarah. Outra coisa que eu não gostei foi do tipo de história que aqui é contado e mostrado e também das tomadas de decisão que daí resultam. O argumento, ele é bem confuso e sem sentido e eu não percebo como é que o elenco, ao lê-lo, não percebeu isso, é tudo muito imperceptível. A nível das interpretações, Andrew Garfield está completamente à toa como um barco à deriva num rio agitado, eu até simpatizo com o actor, mas não gostei de o ver aqui e muito menos engoli o seu personagem. Riley Keough aparece apenas no início do filme e no final, aliás, as cenas em que a personagem dela contracena com o personagem dele são os melhores momentos do filme. O filme tem várias referências ao cinema, a filmes, à escultura e à música, enfim, referências às artes. Possivelmente, existe no filme algo que eu não entendi, mas aí eu peço desculpas pela minha suposta ignorância. Eu gosto de filmes longos, mas não foi esse o caso deste filme, dava para retirar uns 40 minutos, existe muito “encher de linguiça” aqui. Honestamente e sinceramente, um dos filmes mais frustrantes do ano.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Bird Box

Nome do Filme : “Bird Box”
Titulo Inglês : “Bird Box”
Ano : 2018
Duração : 124 minutos
Género : Drama/Terror/Ficção-Científica
Realização : Susanne Bier
Produção : Barbara Muschietti
Elenco : Sandra Bullock, Sarah Paulson, John Malkovich, Vivien Lyra Blair, Julian Edwards, Jacki Weaver, Pruitt Taylor Vince, Tom Hollander, Rosa Salazar, Trevante Rhodes, Danielle Macdonald, Lil Rel Howery, Parminder Nagra, Rebecca Pidgeon, Amy Gumenick, Taylor Handley, Ashley Alva, Chanon Finley, BD Wong.

História : O mundo mergulhou no caos : vendo alguma coisa, as pessoas cometem suicídio. Uma mãe solteira com dois filhos menores vai em busca de sobreviventes. Para salvar a vida neste novo mundo, o mais importante é evitar olhar.

Comentário : Hoje vi este novo filme da Netflix, uma produção de que eu gostei bastante e peço mais uma vez que tentem ignorar as más classificações que o filme tem nos sites da especialidade. Após vermos o filme fica até um pouco difícil de acreditar que as coisas podiam se passar daquela maneira, afinal, existem tantos percalços e empecilhos que seria quase um milagre as coisas terminarem daquele jeito. No entanto, é na magia da relação que nasce e se estabelece entre a protagonista e as duas crianças, que está o grande trunfo do longa. É um filme muito bonito com uma história um pouco complexa e embora nunca nos seja explicado de onde vieram aquelas criaturas, nós tememos pelos seus personagens. O filme peca por ter coisas mal explicadas e até mesmo uma situação em particular que simplesmente não se percebe o motivo, ou seja, porque razão com uns a coisa funciona assim, enquanto que para outros, a coisa funciona de uma outra maneira. Existem pelo menos dois personagens que estão no filme e não precisavam, eles em nada adiantam à narrativa propriamente dita. É um filme violento e com algum sangue, mas nada que chegue para incomodar. Como existem crianças pequenas no filme, talvez às vezes as coisas se tornem bem tensas e aflitivas, mas nunca cai no choque. A fita vem adornada de uma ou outra mensagem. A Sandra Bullock tem aqui uma prestação bem consistente e segura, eu adorei a sua personagem e a sua empatia e relação com as crianças é o pilar mais coeso da trama e do longa. A Sarah Paulson é completamente descartável, ela é uma das tais duas personagens que não devia estar no filme. E vale destacar ainda os desempenhos dos pequenos Vivien Lyra Blair e Julian Edwards, os dois esforçaram-se bastante, eles são outro dos motores do filme, sem eles a história não teria o menor interesse. Gostei.

Microbe et Gasoil

Nome do Filme : “Microbe Et Gasoil”
Titulo Inglês : “Microbe And Gasoline”
Titulo Português : “Micróbio e Gasolina”
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Michel Gondry
Produção : Georges Bermann
Elenco : Ange Dargent, Theophile Baquet, Diane Besnier, Audrey Tautou, Vincent Lamoureux, Agathe Peigney, Douglas Brosset, Charles Raymond, Ferdinand Roux Balme, Marc Delarue, Fabio Zenoni, Matthias Fortune Droulers, Marie Berto.

História : Daniel e Théo são dois adolescentes franceses pouco sociáveis que sobrevivem, a custo, às crueldades dos colegas da escola. Com algumas dificuldades em lidar com as mudanças características da idade, e decididos a evitar o excesso de contacto com as respectivas famílias, os dois tomam uma decisão arrojada: fugir durante as férias de verão. Com isso em mente, juntam um motor a algumas tábuas de madeira e outras coisas e constroem um veículo em formato de casa. E será nessa “roulotte” improvisada que os dois amigos vão viver a experiência mais transformadora das suas ainda curtas vidas.

Comentário : Quase a terminar mais um ano cinematográfico, hoje trago o comentário a um dos melhores filmes de 2015, pelo menos na minha opinião. Não só de grandes produções se fazem as listas e eu encontrei neste pequeno filme independente realizado por Michel Gondry um verdadeiro achado. Estamos perante um argumento que permitia que se explorasse muita coisa e é precisamente aqui onde reside o principal e talvez único problema deste filme, é que perde-se imenso tempo a chegar ao ponto de partida da aventura propriamente dita que é o momento em que eles iniciam a viagem de estrada no veículo. Quero com isto dizer que, caso o realizador tivesse retirado uns bons minutos a esse “prelúdio” e tivesse apostado em mais situações ocorridas na dita viagem, o filme teria resultado ainda melhor. No entanto, ainda estamos perante um filme muito bom. Confesso que não nutro muita simpatia pelos filmes de Michel Gondry, sendo “The We And The I” e este “Microbe et Gasoil”, os meus filmes preferidos deste realizador. Aquilo que eu mais gostei neste filme foi o seu clima de aventura juvenil e a sensação que essas cenas causaram em mim, algo parecido com a sensação de liberdade. No elenco, a famosa Audrey Tautou passa quase despercebida, já que as grandes estrelas do longa são os jovens Ange Dargent e Theophile Baquet, dois grandes talentos. Os dois jovens actores, para além de muito carisma e de uma excelente empatia, têm aqui duas prestações bem a cima da média, com destaque para Ange Dargent, o miúdo é mesmo especial com o seu ar angelical, facilmente passa por menina. E se é uma delícia ver aquela “casa” em andamento, é também muito triste vê-la destruída perto do final do filme. Seguramente um dos filmes com mais vida dos últimos anos.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Widows

Nome do Filme : “Widows”
Titulo Inglês : “Widows”
Titulo Português : “As Viúvas”
Ano : 2018
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Crime/Thriller
Realização : Steve McQueen
Produção : Steve McQueen
Elenco : Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Liam Neeson, Robert Duvall, Colin Farrell, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Molly Kunz, Brian Tyree Henry, Michael Harney, Jacki Weaver, Garret Dillahunt, Kevin J. O'Connor, James Vincent Meredith, Manuel Garcia Rulfo, Carrie Coon, Bailey Rhyse Walters.

História : Veronica, Linda, Alice e Belle são diferentes em quase tudo, excepto numa coisa fundamental: herdaram dos falecidos maridos uma enorme dívida deixada pelas actividades criminosas deles. Quando percebem que as suas vidas estão em perigo e que a única forma de se salvarem é pagarem o que devem a um “testa de ferro”, decidem fazer o inimaginável: unem forças e seguem escrupulosamente um plano de assalto elaborado pelo marido de Veronica antes de ter sido assassinado.

Comentário : Pessoal, eu não partilho do entusiasmo da maioria quando louva este novo filme de Steve McQueen, até porque na minha opinião, “Widows” não chega aos calcanhares de “12 Years a Slave”, de “Shame” ou mesmo de “Hunger”. Ele é assim um filme razoável, ele não é nada de especial. O que eu quero com isto dizer é que não existe um pingo de originalidade por aqui, quantos filmes não existem que mostram mulheres a executarem assaltos ou a meterem-se em confusões para resolverem algo maior. O que eu encontrei em “Widows” foi um filme com um argumento básico e cheio de furos e erros, sem querer dar spoilers e exemplificando, Veronica quando sai da garagem apenas carrega um dos três sacos de dinheiro, deixando os outros dois para trás e consequências disso não foram mostradas. Mas existem outros erros, uns são bem mais evidentes que outros. Não gostei do twist relacionado com um dos maridos assassinados pela polícia, sinceramente, além de parecer algo forçado para chegar a algum lado depois, tirou toda a credibilidade e importância ao principal tema do filme. Outra coisa, todos os personagens masculinos do elenco principal são caricaturas ou estereótipos, além disso, perde-se muito tempo nas questões políticas, algo que não fazia falta nenhuma ao filme, que não adiantou em nada a trama principal. A Viola Davis é a que está melhor das quatro, a sua personagem é cheia de camadas, ela é a “leoa” do grupo. A Michelle Rodriguez consegue a sua melhor interpretação desde o drama “Girlfight”, sendo a segunda melhor do filme. Já a Elizabeth Debicki e a Cynthia Erivo são as vítimas do roteiro básico do filme, elas não estão à altura das duas anteriores, seja nas interpretações ou mesmo na complexidade das suas personagens. Mas como grupo, elas funcionam. “Widows” foi para mim um filme bem razoável, mas infelizmente com muitos problemas, que dificultaram imenso a minha experiência ao vê-lo.

Bumblebee

Nome do Filme : “Bumblebee”
Titulo Inglês : “Bumblebee”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Aventura/Drama/Ação
Realização : Travis Knight
Produção : Michael Bay
Elenco : Hailee Steinfeld, John Cena, Dylan O'Brien, Justin Theroux, Angela Bassett, Pamela Adlon, Megyn Price, Grey Griffin, Peter Cullen, Kenneth Choi, Marcella Bragio, Steve Blum, John Ortiz, Gracie Dzienny, Len Cariou, Jorge Lendeborg Jr, Lenny Jacobson, Abby Quinn, Ricardo Hoyos, Jason Drucker, Rachel Crow, Jon Baily, Andrew Morgado, David Sobolov, Vanessa Ross, Chloe Boudames, Michelle Fang.

História : Bumblebee, um dos robots Autobot, refugia-se no ferro velho de uma pequena cidade da Califórnia, acabando por ser comprado por uma adolescente chamada Charlie. Inesperadamente, entre a jovem e o alienígena, nasce uma bonita relação de amizade e de proteção. No entanto, os dois rapidamente se vêem perseguidos por uma agência governamental conhecida por “Setor 7” e dirigida por um escroque. À medida que fogem de uma sociedade ignorante, os dois percebem que Bee não é o único robot alienígena no planeta e que alguns dos outros podem não ser tão amigáveis como ele.

Comentário : Podem ficar descansados, este filme consegue o mérito de ser bem melhor do que qualquer um dos cinco filmes da saga inicial, mas infelizmente tem as mãos de Michael Bay na produção, o que faz com que seja mais do mesmo. Podemos então contar com o humor ridículo que resultam em piadas sem qualquer tipo de fundamento ou razão de existirem, temos novamente o governo e militares envolvidos na trama o que já começa a cansar muito, temos personagens que não servem para nada e que não deviam existir dentro desta fita e aqui estou-me a referir ao amigo negro da protagonista, temos outra vez uma coisa que eu não entendo que é o facto do governo e das forças militares unirem sempre esforços com os robots alienígenas e se estes são hostis não existe razão para tal, regressam as explosões e os tiros bem como as cenas de ação espectaculares e vistosas, temos cenas estúpidas e que chegam a ofender a nossa inteligência e todo aquele ambiente a que o tarefeiro Michael Bay já nos habituou.

No entanto e aqui é onde este filme soma pontos, é o facto de termos a melhor personagem humana dos seis filmes, sim, nós nunca tivemos uma Charlie na saga, uma personagem muito humana e credível, alguém que marque pela diferença. Aliás, o grande e único trunfo deste “Bumblebee” é Charlie e a sua relação de amizade com Bee, a empatia dos dois funciona na perfeição e é graças à miúda e ao robot que temos as melhores cenas do longa, sim, os dois protagonizam as melhores sequências desta pelicula. A Hailee Steinfeld é uma actriz completa, ela nunca desilude e aqui ela consegue estar novamente excelente, eu adorei a sua personagem. Este é também o meu Bee preferido, ele sempre foi o meu robot favorito dos cinco filmes e aqui ele é simplesmente brutal. Os efeitos visuais são bons com a vantagem das cenas de luta entre robots serem bem mais fáceis de acompanhar e aqui agradece-se a saída de Michael Bay da direção, ele é nocivo para o cinema enquanto arte. O argumento é fraquinho, mais uma vez. A vibe anos 80 funciona. Então é isso, “Bumblebee” consegue o mérito de ser o melhor dos seis filmes, graças a Charlie e à relação da miúda com o robot.




If Beale Street Could Talk

Nome do Filme : “If Beale Street Could Talk”
Titulo Inglês : “If Beale Street Could Talk”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Barry Jenkins
Produção : Barry Jenkins
Elenco : Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Teyonah Parris, Colman Domingo, Michael Beach, Aunjanue Ellis, Ebony Obsidian, Dominique Thorne, Milanni Mines.

História : Tish, uma grávida do Harlem, luta para livrar o seu marido de uma acusação criminal injusta e do racismo, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento do bebé de ambos.

Comentário : Depois de ter ganho o óscar de melhor filme com o excelente “Moonlight”, o talentoso Barry Jenkins regressa este ano com mais um drama intenso, embora este seu novo filme não seja tão bom quanto o seu anterior trabalho. Este novo filme de Barry Jenkins é uma adaptação do romance com o mesmo nome, escrito por James Baldwin no ano de 1974. Novamente, Jenkins pega numa história sobre afro-americanos prejudicados pela injustiça num dos períodos mais duros da história da América. Eu não sou de ler livros e por isso não li o livro que serve de base à fita, mas li algures que o filme está muito fiel ao livro. Mas o filme tem muitas semelhanças com “Moonlight”, desde logo devido à sua narrativa lenta e reflexiva com todo o sentimento. Mas não se enganem, o realizador continua a apostar no lado humano e na componente pessoal, em vez de ir pela questão política da coisa. A base do filme é a relação entre um homem e uma mulher, entre um casal de apaixonados, com toda a profundidade não só dos sentimentos como o amor e a amizade mas também da componente familiar.

E por falar no casal protagonista, é precisamente nas duas personagens que compõem o par que o realizador aposta para que o espectador entre a fundo dentro da sua história, com todo o seu desespero e toda a sua esperança. A protagonista feminina é possivelmente o elo mais forte do longa, ou não fosse ela a narradora da história. E nesse sentido, a jovem Kiki Layne tem a melhor prestação da fita e Stephan James serve de companhia ideal, também ele portador de uma excelente interpretação, os dois fazem magia juntos e são a alma deste drama. O argumento foi tão bem escrito que leva o espectador a acreditar realmente nas palavras de Tish e Alonzo. A fotografia é outro factor a ter em conta, nos facultando planos belíssimos e igualmente apaixonantes. A narrativa foi cuidadosamente dividida entre tempos, consoante as fases do casal. O elenco de secundários também está de parabéns, com destaque seguro para Regina King (excelente prestação), aqui no papel da mãe da protagonista. O realizador trabalha muito bem os laços existentes entre Tish, a mãe e a irmã. O filme possui cenas bonitas e outras bem dramáticas, a principal envolve a vítima da suposta violação pela qual Alonzo está a ser acusado. O principal problema deste filme surge com o seu final, sofrendo de uma conclusão deficiente e muito apressada. No entanto e ainda assim não chegando ao patamar do excelente “Moonlight”, “If Beale Street Could Talk” é um belíssimo filme, tudo devido às excelentes prestações do casal protagonista, ao bom argumento repleto de mensagens relevantes e importantes e ao facto de Barry Jenkins ser um mestre a contar e a mostrar histórias. Que venha o quarto filme do realizador.

Creed II

Nome do Filme : “Creed II”
Titulo Inglês : “Creed II”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Steven Caple Jr.
Produção : Sylvester Stallone
Elenco : Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Dolph Lundgren, Florian Munteanu, Phylicia Rashad, Brigitte Nielsen, Russell Hornsby, Wood Harris, Milo Ventimiglia, Jacob Duran, Andre Ward, Robbie Johns.

História : O peso-pesado Viktor Drago, filho de Ivan Drago, célebre rival de Rocky Balboa, vai enfrentar Adonis Creed no ringue. A missão de Creed está longe de ser fácil, mas vai contar com uma ajuda importante: a experiência do velho Balboa.

Comentário : Quando eu vou ver um filme, eu procuro não só ser surpreendido como também retirar algo daquilo que estou a ver, se possível uma mensagem construtiva. Ao oitavo filme, a saga “Rocky” tinha a obrigação de inovar e de mostrar algo diferente ou pelo menos nos facultar uma boa história que fosse interessante. Aquilo que eu encontrei em “Creed II”, foi não só mais do mesmo como também uma história totalmente previsível e sem um pingo de originalidade. Sim, eu sou um defensor do primeiro “Creed”, brilhantemente realizado pelo muito bom Ryan Coogler, razão pela qual eu não entendo porque motivo o homem não quis ou não aceitou dirigir este segundo, preferindo fazer um filme de super-heróis. Claro que a realização de Steven Caple é um dos problemas do filme e nem a produção a cargo de várias mãos mas comandada por Sylvester Stallone consegue trazer ao longa a vitalidade e a energia que uma segunda parte merecia. Não considero este filme como sendo uma sequela, na verdade, o primeiro “Creed” não pedia uma sequela, ele tinha terminado de boa, quase tudo o que vemos nesta sequela “caça níquel” é cliché e sem brilho. E acreditem que não estou a exagerar, à medida que ia vendo o filme, eu adivinhava aquilo que ia acontecer a seguir ou mesmo as consequências disso.

Naquilo que este “Creed II” é bom consiste em duas coisas : novamente as três interpretações principais. Sylvester Stallone está muito bem e a idade do homem não é impedimento para ele ainda dar umas “tacadas” e se ir safando. Outrora campeão, ele agora funciona muito bem no papel de mentor e embora não sendo actor de óscar, consegue convencer na perfeição no seu registo, além disso ele conservou do sétimo filme a sua excelente química com Michael B. Jordan. Este, por sua vez, repete o feito de estar à altura do desafio, eu fiquei o tempo todo do lado do seu Adonis Creed, afinal, o actor do famoso “Erik Killmonger”, convence como lutador, como amante e como homem. Tessa Thompson está espectacular aqui, com mais tempo de antena do que no anterior capítulo, ela apresenta aqui uma Bianca evoluída e firme naquilo que pretende para o futuro ao lado do seu Adonis, agora os dois até se tornam pais de uma menina. Os três funcionam bem juntos enquanto personagens centrais, tal como no primeiro filme. A segunda coisa em que o filme é bom é o facto de repetir a tensão existente nos seus combates, aqui são dois grandes combates decisivos, eu confesso ter ficado bem tenso, mesmo que não goste deste desporto. Por último, tenho que reconhecer que apesar de eu não ter gostado dele, este “Creed II” é um bom filme, mas desnecessário.

The Equalizer 2

Nome do Filme : “The Equalizer 2”
Titulo Inglês : “The Equalizer 2”
Titulo Português : “The Equalizer 2 – A Vingança”
Ano : 2018
Duração : 122 minutos
Género : Ação/Thriller
Realização : Antoine Fuqua
Produção : Denzel Washington
Elenco : Denzel Washington, Melissa Leo, Pedro Pascal, Ashton Sanders, Orson Bean, Bill Pullman, Jonathan Scarfe, Sakina Jaffrey, Kazy Tauginas, Garrett Golden, Tamara Hickey, Antoine Lartigue, Caroline Day.

História : Ex-agente das forças especiais americanas, Robert McCall foi treinado para defender os mais fracos. Depois de alguns anos afastado e a viver sob anonimato, está de regresso ao combate ao crime, agora por sua conta e risco. Quando descobre que assassinaram Susan Plummer, ex-colega e amiga dos tempos em que trabalhava para as forças especiais, decide encontrar os responsáveis e fazê-los pagar com a sua própria vida.

Comentário : Apesar de não ser inovador e de nada trazer de novo, o primeiro filme era bom. Mas este segundo era desnecessário, a ideia já tinha ficado cimentada no primeiro filme. É praticamente o mesmo caso de “Creed II”, são filmes que foram feitos unicamente para os estúdios ganharem mais dinheiro, é tudo uma questão de dinheiro quando se trata de sequelas, a não ser que sejam continuações de uma história, como nos casos, por exemplo, de “The Lord Of The Rings” ou “Harry Potter”. O filme é novamente realizado por Antoine Fuqua, que aqui baixa imenso a qualidade daquilo que era pedido para este tipo de filme, de história e de protagonista. Se no primeiro filme tinhamos uma vítima (Chloe Grace Moretz) que não tinha nada a ver com o protagonista, neste segundo, a coisa é mais levada para o caso pessoal ou quase, trata-se de uma das melhores amigas e colegas dele e da necessidade de exercer uma vingança e não de salvar alguém. Temos portanto uma mudança de paradigma e pelo meio ainda temos que apanhar com o super cliché do vilão usar uma criança como escudo, algo já visto em dezenas de outros filmes do género. Denzel Washington já não surpreende ninguém neste seu registo, é mais do mesmo, nós sabemos que o homem é bom, sendo “Man On Fire” e “Training Day” talvez os seus melhores registos neste campo. O restante elenco é básico, eles entregam aquilo que já era esperado, nada de especial. As cenas de luta corpo a corpo até funcionam mais uma vez, embora seja novamente tudo mais do mesmo. Vale destacar as mensagens a retirar do filme e o confronto final que consegue, ainda assim, extrair bons momentos. Espero muito sinceramente e tal como em “Creed II”, que não façam o terceiro. Precisamos urgentemente de heróis novos e de histórias novas.

Lizzie

Nome do Filme : “Lizzie”
Titulo Inglês : “Lizzie”
Titulo Português : “A Vingança de Lizzie Borden”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama
Realização : Craig William Macneill
Produção : Chloe Sevigny/Elizabeth Destro/Naomi Despres
Elenco : Chloe Sevigny, Kristen Stewart, Fiona Shaw, Kim Dickens, Denis O'Hare, Jamey Sheridan, Jeff Perry, Jay Huguley, Tara Ochs, Laura Whyte, Darin Cooper, Tom Thon, Don Henderson Baker, Katharine Harrington, Jody Matzer, Daniel Wachs.

História : Nos finais do século XIX, Lizzie, de 32 anos, é uma mulher vulnerável que foi sempre controlada pelo pai, um homem austero e dominador. Quando Bridget Sullivan, uma jovem irlandesa, vem trabalhar como empregada da família. Lizzie sente-se finalmente compreendida. Com o tempo, a relação das duas transforma-se numa paixão carnal que culminará num crime hediondo.

Comentário : Confesso que gostei bastante deste filme que é baseado em factos verídicos, na verdade, trata-se de uma biografia. Esta é a história não só de uma rapariga ou de duas raparigas se preferirem e de um crime ou de dois crimes como se também preferirem. E a forma como nos é contado e mostrado não é de todo original, outros longas já o fizeram assim. Nos primeiros minutos de filme, nós vemos que os crimes já aconteceram e a protagonista está a ser interrogada, logo depois a história recua seis meses e passamos a seguir a rotina daquela família composta por quatro elementos a que mais tarde se junta a nova empregada e o tio das raparigas, somos postos a par das personalidades daquelas seis pessoas e dos laços que se vão criando ou desenvolvendo umas com as outras. Depois de uma série de acontecimentos que podem servir para entender o motivo dos crimes, as mortes acontecem e o que temos a seguir é um filme de tribunal com a protagonista a ser julgada e ouvidas as testemunhas. E, por último, temos o desenlace final, onde tudo nos é revelado.

Sinceramente, nada foi uma total surpresa para mim, eu já tinha entendido mais ou menos o que havia acontecido, só não sabia como as coisas se tinham desenrolado entre a protagonista e a empregada. O realizador faz questão de mostrar exactamente como tudo aconteceu com todos os detalhes, algo que eu não discuto, mas também confesso que se ele não o fizesse, não haveria problema, por vezes, a falta de informação também é bom, torna tudo mais encantador. Há filmes onde isso funciona, em outros nem tanto, no caso deste “Lizzie” penso que ambas as opções iam funcionar e eu gostei da que foi utilizada pelo director. A nível das interpretações, Chloe Sevigny é a melhor do grupo, ela imprimiu na sua personagem todo o mistério necessário à sua condição, de louvar a forma como ela se entregou ao papel. Mais recatada mas também de parabéns, Kristen Stewart está muito bem, a sua prestação transmite à sua Bridget muito sofrimento e dor envolvidos em silêncio. A química entre as duas é boa. Os secundários estão ok. A recriação de época está fantástica. É um filme muito violento, mas isso era necessário. Gostei do filme, embora tenha que dizer que a previsibilidade de algumas situações tenha atrapalhado um pouco a experiência.

Galveston

Nome do Filme : “Galveston”
Titulo Inglês : “Galveston”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Melanie Laurent
Produção : Tyler Davidson
Elenco : Elle Fanning, Ben Foster, Maria Valverde, Jeffrey Grover, Christopher Amitrano, Mark Hicks, Beau Bridges, Michael Ray Escamilla, Sean Von Buseck, C. K. McFarland, Michael John Lane, Robert Aramayo, Rhonda, Heidi Lewandowski, Adepero Oduye, Kayte Hughes, Lili Reinhart, Tinsley Price, Anniston Price.

História : Após escapar de uma armação feita pelo seu antigo chefe, um assassino moribundo resgata uma jovem prostituta e foge com ela para Galveston, onde planeia a sua vingança. Os dois precisam encontrar suas forças enquanto são perseguidos por pessoas perigosas e pela sombra dos seus passados.

Comentário : Aqui está mais um filme que me surpreendeu devido ao destino dado a uma das protagonistas e sem querer dar spoiler, quando virem este filme e caso se importem com essa personagem tal como eu, irão ter a mesma sensação. Arraçado de road-movie, este novo filme da realizadora Melanie Laurent é uma fita que não sabe para onde quer ir, tipo uma mosca volante. O seu início é muito bom e promete muito, mas as coisas no segundo acto levam uma queda bruta e nós quase perdemos o interesse. Pela marca do minuto 62 as coisas voltam a entrar nos eixos, culminando no tal destino mal pensado e num final que, apesar de muito triste, acaba por ser bastante recompensador. É um filme violento, mas detentor de bons momentos vividos sobretudo pelo casal protagonista que, não sendo propriamente um casal daqueles por quem torcermos que fique junto, é ainda assim um duo de protagonistas por quem sentimos um apego e uma empatia muito significativa, tudo devido ao excelente desempenho dos seus actores. Nesse ponto, Ben Foster (Leave No Trace) está mais uma vez bestial neste seu novo registo, apesar de viver um criminoso, ele abarca em si uma componente humana muito forte, tendo até muito amor para dar às duas ninas que lhe aparecem na vida sem pedir licença. Elle Fanning (uma das minhas actrizes preferidas) tem novamente uma excelente prestação, eu só não gostei de 1 filme seu, e aqui ela convence no papel de Raquel, uma jovem com um terrível passado e com uma vivência bem problemática. Vale dizer que Foster e Fanning funcionam muito bem juntos, grande parte das cenas em que eles contracenam, resultam nos melhores momentos do longa. Existe uma terceira personagem que acaba por ser o motor da história, a conclusão do filme é a prova disso. Em tirando o meu probleminha com a tal questão de Raquel, eu gostei deste filme, ele é razoável, mas eu estou mesmo é ansioso para ver Elle Fanning no novo filme de Woody Allen, venha ele.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Look Away

Nome do Filme : “Look Away”
Titulo Inglês : “Look Away”
Titulo Português : “Não Olhes”
Ano : 2018
Duração : 103 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Assaf Bernstein
Produção : Assaf Bernstein/Brad Kaplan/Giora Kaplan/Dana Lustig
Elenco : India Eisley, Jason Isaacs, Mira Sorvino, Penelope Mitchell, Kristen Harris, John C. MacDonald, Harrison Gilbertson, Kiera Johnson, Michal Bernstein, Glenn Odero, Burt Lancon, Ernie Pitts, Adam Hurtig, Braeley Hobbs, Cindy Myskiw.

História : Maria é uma adolescente estudante do secundário que está em sofrimento pelas suas dificuldades de integração no colégio e pelos grandes problemas que tem com os pais. Mas tudo muda quando Maria troca de olhares com a figura que lhe surge refletiva no espelho quando ela se olha.

Comentário : Penso que foi na semana que agora passou que estreou nas nossas salas de cinema este pequeno filme à cerca de uma adolescente cheia de problemas em casa e na escola. Confesso que não vi o trailer do filme e sabia pouco sobre ele. Bem, na realidade, apenas sabia que a personagem principal era vivida pela bonita India Eisley, que aqui interpreta duas personagens : a protagonista Maria e a sua “sósia” Airam. E a miúda safa-se muito bem nesses dois registos. Não sendo o filme grande coisa, podemos ainda assim contar com bons momentos, quase todos devido à protagonista, ou às duas protagonistas. As duas fotos que aparecem em baixo deste comentário não estão ali por acaso, elas podem revelar ou não o grande spoiler do twist desta fita. Caso sejam perspicazes ou já tenham visto o longa, facilmente as entenderão e chegarão à razão pela qual eu as coloquei aqui, embora o filme seja aberto a várias interpretações. Durante todo o filme, confesso que nunca deduzi que se tratasse daquilo, mas não é fácil chegarmos a essa conclusão, até porque existem muitas coisas que, durante a história, não fazem muito sentido e outras que não são muito verossímeis. O realizador brinca também com aquilo que é realidade e aquilo que é imaginação das protagonistas. Por vezes confuso, o filme trabalha ainda temas como o bullying, a descriminação, a carência de afectos maternos e paternos, a indiferença, a injustiça e o crime em si. Mas trata-se a cima de tudo de um thriller bem básico, onde quase tudo já foi contado e mostrado em outros filmes. Creio que já dei a entender isto, mas India Eisley consegue a melhor prestação do filme, já que o restante elenco jovem limita-se ao básico enquanto que os adultos e em especial os que fazem de pais de Maria, não se esforçaram minimamente para nos facultar algo mais crível e eficiente. A fita é ainda portadora de um clima envolvente, mas infelizmente o resultado final é um produto fraco, cliché e básico, que nem a miúda conseguiu salvar.