quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Bad Times At The El Royale

Nome do Filme : “Bad Times At The El Royale”
Titulo Inglês : “Bad Times At The El Royale”
Titulo Português : “Sete Estranhos no El Royale”
Ano : 2018
Duração : 141 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Drew Goddard
Produção : Drew Goddard/Jeremy Latcham
Elenco : Jeff Bridges, Cynthia Erivo, Dakota Johnson, Cailee Spaeny, Chris Hemsworth, Lewis Pullman, Jon Hamm.

História : Na década de 60, sete desconhecidos se encontram em El Royale, um hotel degradado perto de Lake Tahoe, na Califórnia. Cada um deles tem um segredo obscuro e precisa encontrar redenção durante a noite, antes que algo aconteça.

Comentário (Contém Spoilers) : Mais uma surpresa deste ano que está a uma semana de terminar, surpresa sim, mas com alguns contras. Apesar de não ser muito original, eu até curti a ideia central e fiquei sempre colado à cadeira durante mais de duas horas de projeção. É muito fácil ficarmos entretidos com esta história e com estes personagens. Dividido em capítulos, este filme mostra o presente das sete personagens, o intercalando com cenas que os mostram em determinadas alturas dos seus passados. O espaço de cena convence, o “El Royale” parece mesmo um hotel real, com locações reais e a maneira como todos os personagens se movimentam dentro dele é crível. O realizador consegue ainda nos dar uma noção bastante competente de como todo aquele local fica distante de tudo, quase como algo esquecido e perdido no tempo. Podemos também contar com um bom clima de mistério e com toda uma tensão que vai aumentando à medida que vamos conhecendo e entendendo os personagens. Como temos um director competente que soube trabalhar todo o material que tinha em mãos, tudo parece estar a resultar na perfeição, até determinado ponto.

Num determinado momento, como eu disse, o jogo altera-se por completo e aquilo que podia ter sido algo diferente com o mal a vencer o bem, resulta em algo cliché e que se traduz por mais do mesmo, claro que eu preferia que Rose e Billy Lee tivessem ficado vivos e saídos da situação com o dinheiro, seria algo bem diferente e uma lufada de ar fresco dentro da mesmisse do costume. A nível das interpretações, os sete estão muito bem. Sempre excelente a representar, Jeff Bridges manda bem no seu registo dualista, ele nos faculta aqui alguém bem misterioso e enigmático, nós ficamos na dúvida à cerca do seu personagem até ficarmos a saber quem ele é e aquilo que pretende. A Cynthia Erivo é aquela que está melhor do elenco, ela tem uma presença forte e encanta com a sua graciosidade, além disso, a sua personagem e a de Bridges funcionam na perfeição juntas. Não sendo uma das minhas actrizes preferidas, Dakota Johnson consegue pela primeira vez estar bem num papel, ela não está apática e convence como durona. É um encanto vermos Cailee Spaeny representar a sua Rose, esta é de longe a minha personagem preferida do longa, nos transmitindo vida e liberdade, ficando apenas a lamentar-se o seu destino. O Chris Hemsworth dá aqui um bom vilão, ele consegue não só não ser genérico como também ser ameaçador. O Lewis Pullman tem um arco interessante e nos reserva uma surpresa para o final. Já o Jon Hamm, ele está bem, mas o seu personagem é o mais fraco dos sete. Tirando o final, adorei isto.




Under The Silver Lake

Nome do Filme : “Under The Silver Lake”
Titulo Inglês : “Under The Silver Lake”
Titulo Português : “O Mistério de Silver Lake”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : David Robert Mitchell
Produção : Chris Bender/Michael De Luca/Adele Romanski
Elenco : Andrew Garfield, Riley Keough, Jimmi Simpson, Deborah Geffner, Riki Lindhome, Chris Gann, Callie Hernandez, Jessica Makinson, Sky Elobar, Topher Grace, Jules Willcox, Zosia Mamet, Annabelle Dexter Jones, Luke Baines.

História : Em Los Angeles, um jovem desempregado começa a interessar-se pela nova vizinha, que entretanto desaparece sem deixar rasto. Dado a procurar teorias da conspiração e mensagens escondidas em todo o lado, começa a investigar o seu desaparecimento, percebendo que talvez efabulações rebuscadas como aquelas que costuma imaginar afinal existiam na vida real.

Comentário : Ninguém imagina a enorme seca que eu apanhei ao ver este filme. Primeiro que tudo, o filme é bem bizarro, cheio de personagens bem estranhas, de decisões questionáveis e de situações sem explicação. O que menos gostei neste estranho filme foi a sua banda sonora, simplesmente porque grande parte das melodias e dos temas não são adequados para as cenas em que aparecem, ainda assim são sons bem cinematográficos mas repito, não casam bem com a maioria das sequências. É um filme em que o clima de mistério está quase sempre presente, quanto mais não seja porque o personagem principal, volta e meia, ele está a tentar resolver enigmas e charadas, precisamente na tentativa de solucionar um problema maior. O filme irritou-me bastante principalmente porque a história anda às voltas, anda às voltas e parece não chegar a lugar nenhum, pelo menos foi essa a impressão que me deu.

Como eu já disse, existem aqui personagens bem bizarras e isso tirou-me totalmente da questão central, que é o enigma do desaparecimento de Sarah. Outra coisa que eu não gostei foi do tipo de história que aqui é contado e mostrado e também das tomadas de decisão que daí resultam. O argumento, ele é bem confuso e sem sentido e eu não percebo como é que o elenco, ao lê-lo, não percebeu isso, é tudo muito imperceptível. A nível das interpretações, Andrew Garfield está completamente à toa como um barco à deriva num rio agitado, eu até simpatizo com o actor, mas não gostei de o ver aqui e muito menos engoli o seu personagem. Riley Keough aparece apenas no início do filme e no final, aliás, as cenas em que a personagem dela contracena com o personagem dele são os melhores momentos do filme. O filme tem várias referências ao cinema, a filmes, à escultura e à música, enfim, referências às artes. Possivelmente, existe no filme algo que eu não entendi, mas aí eu peço desculpas pela minha suposta ignorância. Eu gosto de filmes longos, mas não foi esse o caso deste filme, dava para retirar uns 40 minutos, existe muito “encher de linguiça” aqui. Honestamente e sinceramente, um dos filmes mais frustrantes do ano.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Bird Box

Nome do Filme : “Bird Box”
Titulo Inglês : “Bird Box”
Ano : 2018
Duração : 124 minutos
Género : Drama/Terror/Ficção-Científica
Realização : Susanne Bier
Produção : Barbara Muschietti
Elenco : Sandra Bullock, Sarah Paulson, John Malkovich, Vivien Lyra Blair, Julian Edwards, Jacki Weaver, Pruitt Taylor Vince, Tom Hollander, Rosa Salazar, Trevante Rhodes, Danielle Macdonald, Lil Rel Howery, Parminder Nagra, Rebecca Pidgeon, Amy Gumenick, Taylor Handley, Ashley Alva, Chanon Finley, BD Wong.

História : O mundo mergulhou no caos : vendo alguma coisa, as pessoas cometem suicídio. Uma mãe solteira com dois filhos menores vai em busca de sobreviventes. Para salvar a vida neste novo mundo, o mais importante é evitar olhar.

Comentário : Hoje vi este novo filme da Netflix, uma produção de que eu gostei bastante e peço mais uma vez que tentem ignorar as más classificações que o filme tem nos sites da especialidade. Após vermos o filme fica até um pouco difícil de acreditar que as coisas podiam se passar daquela maneira, afinal, existem tantos percalços e empecilhos que seria quase um milagre as coisas terminarem daquele jeito. No entanto, é na magia da relação que nasce e se estabelece entre a protagonista e as duas crianças, que está o grande trunfo do longa. É um filme muito bonito com uma história um pouco complexa e embora nunca nos seja explicado de onde vieram aquelas criaturas, nós tememos pelos seus personagens. O filme peca por ter coisas mal explicadas e até mesmo uma situação em particular que simplesmente não se percebe o motivo, ou seja, porque razão com uns a coisa funciona assim, enquanto que para outros, a coisa funciona de uma outra maneira. Existem pelo menos dois personagens que estão no filme e não precisavam, eles em nada adiantam à narrativa propriamente dita. É um filme violento e com algum sangue, mas nada que chegue para incomodar. Como existem crianças pequenas no filme, talvez às vezes as coisas se tornem bem tensas e aflitivas, mas nunca cai no choque. A fita vem adornada de uma ou outra mensagem. A Sandra Bullock tem aqui uma prestação bem consistente e segura, eu adorei a sua personagem e a sua empatia e relação com as crianças é o pilar mais coeso da trama e do longa. A Sarah Paulson é completamente descartável, ela é uma das tais duas personagens que não devia estar no filme. E vale destacar ainda os desempenhos dos pequenos Vivien Lyra Blair e Julian Edwards, os dois esforçaram-se bastante, eles são outro dos motores do filme, sem eles a história não teria o menor interesse. Gostei.

Microbe et Gasoil

Nome do Filme : “Microbe Et Gasoil”
Titulo Inglês : “Microbe And Gasoline”
Titulo Português : “Micróbio e Gasolina”
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Michel Gondry
Produção : Georges Bermann
Elenco : Ange Dargent, Theophile Baquet, Diane Besnier, Audrey Tautou, Vincent Lamoureux, Agathe Peigney, Douglas Brosset, Charles Raymond, Ferdinand Roux Balme, Marc Delarue, Fabio Zenoni, Matthias Fortune Droulers, Marie Berto.

História : Daniel e Théo são dois adolescentes franceses pouco sociáveis que sobrevivem, a custo, às crueldades dos colegas da escola. Com algumas dificuldades em lidar com as mudanças características da idade, e decididos a evitar o excesso de contacto com as respectivas famílias, os dois tomam uma decisão arrojada: fugir durante as férias de verão. Com isso em mente, juntam um motor a algumas tábuas de madeira e outras coisas e constroem um veículo em formato de casa. E será nessa “roulotte” improvisada que os dois amigos vão viver a experiência mais transformadora das suas ainda curtas vidas.

Comentário : Quase a terminar mais um ano cinematográfico, hoje trago o comentário a um dos melhores filmes de 2015, pelo menos na minha opinião. Não só de grandes produções se fazem as listas e eu encontrei neste pequeno filme independente realizado por Michel Gondry um verdadeiro achado. Estamos perante um argumento que permitia que se explorasse muita coisa e é precisamente aqui onde reside o principal e talvez único problema deste filme, é que perde-se imenso tempo a chegar ao ponto de partida da aventura propriamente dita que é o momento em que eles iniciam a viagem de estrada no veículo. Quero com isto dizer que, caso o realizador tivesse retirado uns bons minutos a esse “prelúdio” e tivesse apostado em mais situações ocorridas na dita viagem, o filme teria resultado ainda melhor. No entanto, ainda estamos perante um filme muito bom. Confesso que não nutro muita simpatia pelos filmes de Michel Gondry, sendo “The We And The I” e este “Microbe et Gasoil”, os meus filmes preferidos deste realizador. Aquilo que eu mais gostei neste filme foi o seu clima de aventura juvenil e a sensação que essas cenas causaram em mim, algo parecido com a sensação de liberdade. No elenco, a famosa Audrey Tautou passa quase despercebida, já que as grandes estrelas do longa são os jovens Ange Dargent e Theophile Baquet, dois grandes talentos. Os dois jovens actores, para além de muito carisma e de uma excelente empatia, têm aqui duas prestações bem a cima da média, com destaque para Ange Dargent, o miúdo é mesmo especial com o seu ar angelical, facilmente passa por menina. E se é uma delícia ver aquela “casa” em andamento, é também muito triste vê-la destruída perto do final do filme. Seguramente um dos filmes com mais vida dos últimos anos.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Widows

Nome do Filme : “Widows”
Titulo Inglês : “Widows”
Titulo Português : “As Viúvas”
Ano : 2018
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Crime/Thriller
Realização : Steve McQueen
Produção : Steve McQueen
Elenco : Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Liam Neeson, Robert Duvall, Colin Farrell, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Molly Kunz, Brian Tyree Henry, Michael Harney, Jacki Weaver, Garret Dillahunt, Kevin J. O'Connor, James Vincent Meredith, Manuel Garcia Rulfo, Carrie Coon, Bailey Rhyse Walters.

História : Veronica, Linda, Alice e Belle são diferentes em quase tudo, excepto numa coisa fundamental: herdaram dos falecidos maridos uma enorme dívida deixada pelas actividades criminosas deles. Quando percebem que as suas vidas estão em perigo e que a única forma de se salvarem é pagarem o que devem a um “testa de ferro”, decidem fazer o inimaginável: unem forças e seguem escrupulosamente um plano de assalto elaborado pelo marido de Veronica antes de ter sido assassinado.

Comentário : Pessoal, eu não partilho do entusiasmo da maioria quando louva este novo filme de Steve McQueen, até porque na minha opinião, “Widows” não chega aos calcanhares de “12 Years a Slave”, de “Shame” ou mesmo de “Hunger”. Ele é assim um filme razoável, ele não é nada de especial. O que eu quero com isto dizer é que não existe um pingo de originalidade por aqui, quantos filmes não existem que mostram mulheres a executarem assaltos ou a meterem-se em confusões para resolverem algo maior. O que eu encontrei em “Widows” foi um filme com um argumento básico e cheio de furos e erros, sem querer dar spoilers e exemplificando, Veronica quando sai da garagem apenas carrega um dos três sacos de dinheiro, deixando os outros dois para trás e consequências disso não foram mostradas. Mas existem outros erros, uns são bem mais evidentes que outros. Não gostei do twist relacionado com um dos maridos assassinados pela polícia, sinceramente, além de parecer algo forçado para chegar a algum lado depois, tirou toda a credibilidade e importância ao principal tema do filme. Outra coisa, todos os personagens masculinos do elenco principal são caricaturas ou estereótipos, além disso, perde-se muito tempo nas questões políticas, algo que não fazia falta nenhuma ao filme, que não adiantou em nada a trama principal. A Viola Davis é a que está melhor das quatro, a sua personagem é cheia de camadas, ela é a “leoa” do grupo. A Michelle Rodriguez consegue a sua melhor interpretação desde o drama “Girlfight”, sendo a segunda melhor do filme. Já a Elizabeth Debicki e a Cynthia Erivo são as vítimas do roteiro básico do filme, elas não estão à altura das duas anteriores, seja nas interpretações ou mesmo na complexidade das suas personagens. Mas como grupo, elas funcionam. “Widows” foi para mim um filme bem razoável, mas infelizmente com muitos problemas, que dificultaram imenso a minha experiência ao vê-lo.

Bumblebee

Nome do Filme : “Bumblebee”
Titulo Inglês : “Bumblebee”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Aventura/Drama/Ação
Realização : Travis Knight
Produção : Michael Bay
Elenco : Hailee Steinfeld, John Cena, Dylan O'Brien, Justin Theroux, Angela Bassett, Pamela Adlon, Megyn Price, Grey Griffin, Peter Cullen, Kenneth Choi, Marcella Bragio, Steve Blum, John Ortiz, Gracie Dzienny, Len Cariou, Jorge Lendeborg Jr, Lenny Jacobson, Abby Quinn, Ricardo Hoyos, Jason Drucker, Rachel Crow, Jon Baily, Andrew Morgado, David Sobolov, Vanessa Ross, Chloe Boudames, Michelle Fang.

História : Bumblebee, um dos robots Autobot, refugia-se no ferro velho de uma pequena cidade da Califórnia, acabando por ser comprado por uma adolescente chamada Charlie. Inesperadamente, entre a jovem e o alienígena, nasce uma bonita relação de amizade e de proteção. No entanto, os dois rapidamente se vêem perseguidos por uma agência governamental conhecida por “Setor 7” e dirigida por um escroque. À medida que fogem de uma sociedade ignorante, os dois percebem que Bee não é o único robot alienígena no planeta e que alguns dos outros podem não ser tão amigáveis como ele.

Comentário : Podem ficar descansados, este filme consegue o mérito de ser bem melhor do que qualquer um dos cinco filmes da saga inicial, mas infelizmente tem as mãos de Michael Bay na produção, o que faz com que seja mais do mesmo. Podemos então contar com o humor ridículo que resultam em piadas sem qualquer tipo de fundamento ou razão de existirem, temos novamente o governo e militares envolvidos na trama o que já começa a cansar muito, temos personagens que não servem para nada e que não deviam existir dentro desta fita e aqui estou-me a referir ao amigo negro da protagonista, temos outra vez uma coisa que eu não entendo que é o facto do governo e das forças militares unirem sempre esforços com os robots alienígenas e se estes são hostis não existe razão para tal, regressam as explosões e os tiros bem como as cenas de ação espectaculares e vistosas, temos cenas estúpidas e que chegam a ofender a nossa inteligência e todo aquele ambiente a que o tarefeiro Michael Bay já nos habituou.

No entanto e aqui é onde este filme soma pontos, é o facto de termos a melhor personagem humana dos seis filmes, sim, nós nunca tivemos uma Charlie na saga, uma personagem muito humana e credível, alguém que marque pela diferença. Aliás, o grande e único trunfo deste “Bumblebee” é Charlie e a sua relação de amizade com Bee, a empatia dos dois funciona na perfeição e é graças à miúda e ao robot que temos as melhores cenas do longa, sim, os dois protagonizam as melhores sequências desta pelicula. A Hailee Steinfeld é uma actriz completa, ela nunca desilude e aqui ela consegue estar novamente excelente, eu adorei a sua personagem. Este é também o meu Bee preferido, ele sempre foi o meu robot favorito dos cinco filmes e aqui ele é simplesmente brutal. Os efeitos visuais são bons com a vantagem das cenas de luta entre robots serem bem mais fáceis de acompanhar e aqui agradece-se a saída de Michael Bay da direção, ele é nocivo para o cinema enquanto arte. O argumento é fraquinho, mais uma vez. A vibe anos 80 funciona. Então é isso, “Bumblebee” consegue o mérito de ser o melhor dos seis filmes, graças a Charlie e à relação da miúda com o robot.




If Beale Street Could Talk

Nome do Filme : “If Beale Street Could Talk”
Titulo Inglês : “If Beale Street Could Talk”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Barry Jenkins
Produção : Barry Jenkins
Elenco : Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Teyonah Parris, Colman Domingo, Michael Beach, Aunjanue Ellis, Ebony Obsidian, Dominique Thorne, Milanni Mines.

História : Tish, uma grávida do Harlem, luta para livrar o seu marido de uma acusação criminal injusta e do racismo, a tempo de tê-lo em casa para o nascimento do bebé de ambos.

Comentário : Depois de ter ganho o óscar de melhor filme com o excelente “Moonlight”, o talentoso Barry Jenkins regressa este ano com mais um drama intenso, embora este seu novo filme não seja tão bom quanto o seu anterior trabalho. Este novo filme de Barry Jenkins é uma adaptação do romance com o mesmo nome, escrito por James Baldwin no ano de 1974. Novamente, Jenkins pega numa história sobre afro-americanos prejudicados pela injustiça num dos períodos mais duros da história da América. Eu não sou de ler livros e por isso não li o livro que serve de base à fita, mas li algures que o filme está muito fiel ao livro. Mas o filme tem muitas semelhanças com “Moonlight”, desde logo devido à sua narrativa lenta e reflexiva com todo o sentimento. Mas não se enganem, o realizador continua a apostar no lado humano e na componente pessoal, em vez de ir pela questão política da coisa. A base do filme é a relação entre um homem e uma mulher, entre um casal de apaixonados, com toda a profundidade não só dos sentimentos como o amor e a amizade mas também da componente familiar.

E por falar no casal protagonista, é precisamente nas duas personagens que compõem o par que o realizador aposta para que o espectador entre a fundo dentro da sua história, com todo o seu desespero e toda a sua esperança. A protagonista feminina é possivelmente o elo mais forte do longa, ou não fosse ela a narradora da história. E nesse sentido, a jovem Kiki Layne tem a melhor prestação da fita e Stephan James serve de companhia ideal, também ele portador de uma excelente interpretação, os dois fazem magia juntos e são a alma deste drama. O argumento foi tão bem escrito que leva o espectador a acreditar realmente nas palavras de Tish e Alonzo. A fotografia é outro factor a ter em conta, nos facultando planos belíssimos e igualmente apaixonantes. A narrativa foi cuidadosamente dividida entre tempos, consoante as fases do casal. O elenco de secundários também está de parabéns, com destaque seguro para Regina King (excelente prestação), aqui no papel da mãe da protagonista. O realizador trabalha muito bem os laços existentes entre Tish, a mãe e a irmã. O filme possui cenas bonitas e outras bem dramáticas, a principal envolve a vítima da suposta violação pela qual Alonzo está a ser acusado. O principal problema deste filme surge com o seu final, sofrendo de uma conclusão deficiente e muito apressada. No entanto e ainda assim não chegando ao patamar do excelente “Moonlight”, “If Beale Street Could Talk” é um belíssimo filme, tudo devido às excelentes prestações do casal protagonista, ao bom argumento repleto de mensagens relevantes e importantes e ao facto de Barry Jenkins ser um mestre a contar e a mostrar histórias. Que venha o quarto filme do realizador.

Creed II

Nome do Filme : “Creed II”
Titulo Inglês : “Creed II”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Steven Caple Jr.
Produção : Sylvester Stallone
Elenco : Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Dolph Lundgren, Florian Munteanu, Phylicia Rashad, Brigitte Nielsen, Russell Hornsby, Wood Harris, Milo Ventimiglia, Jacob Duran, Andre Ward, Robbie Johns.

História : O peso-pesado Viktor Drago, filho de Ivan Drago, célebre rival de Rocky Balboa, vai enfrentar Adonis Creed no ringue. A missão de Creed está longe de ser fácil, mas vai contar com uma ajuda importante: a experiência do velho Balboa.

Comentário : Quando eu vou ver um filme, eu procuro não só ser surpreendido como também retirar algo daquilo que estou a ver, se possível uma mensagem construtiva. Ao oitavo filme, a saga “Rocky” tinha a obrigação de inovar e de mostrar algo diferente ou pelo menos nos facultar uma boa história que fosse interessante. Aquilo que eu encontrei em “Creed II”, foi não só mais do mesmo como também uma história totalmente previsível e sem um pingo de originalidade. Sim, eu sou um defensor do primeiro “Creed”, brilhantemente realizado pelo muito bom Ryan Coogler, razão pela qual eu não entendo porque motivo o homem não quis ou não aceitou dirigir este segundo, preferindo fazer um filme de super-heróis. Claro que a realização de Steven Caple é um dos problemas do filme e nem a produção a cargo de várias mãos mas comandada por Sylvester Stallone consegue trazer ao longa a vitalidade e a energia que uma segunda parte merecia. Não considero este filme como sendo uma sequela, na verdade, o primeiro “Creed” não pedia uma sequela, ele tinha terminado de boa, quase tudo o que vemos nesta sequela “caça níquel” é cliché e sem brilho. E acreditem que não estou a exagerar, à medida que ia vendo o filme, eu adivinhava aquilo que ia acontecer a seguir ou mesmo as consequências disso.

Naquilo que este “Creed II” é bom consiste em duas coisas : novamente as três interpretações principais. Sylvester Stallone está muito bem e a idade do homem não é impedimento para ele ainda dar umas “tacadas” e se ir safando. Outrora campeão, ele agora funciona muito bem no papel de mentor e embora não sendo actor de óscar, consegue convencer na perfeição no seu registo, além disso ele conservou do sétimo filme a sua excelente química com Michael B. Jordan. Este, por sua vez, repete o feito de estar à altura do desafio, eu fiquei o tempo todo do lado do seu Adonis Creed, afinal, o actor do famoso “Erik Killmonger”, convence como lutador, como amante e como homem. Tessa Thompson está espectacular aqui, com mais tempo de antena do que no anterior capítulo, ela apresenta aqui uma Bianca evoluída e firme naquilo que pretende para o futuro ao lado do seu Adonis, agora os dois até se tornam pais de uma menina. Os três funcionam bem juntos enquanto personagens centrais, tal como no primeiro filme. A segunda coisa em que o filme é bom é o facto de repetir a tensão existente nos seus combates, aqui são dois grandes combates decisivos, eu confesso ter ficado bem tenso, mesmo que não goste deste desporto. Por último, tenho que reconhecer que apesar de eu não ter gostado dele, este “Creed II” é um bom filme, mas desnecessário.

The Equalizer 2

Nome do Filme : “The Equalizer 2”
Titulo Inglês : “The Equalizer 2”
Titulo Português : “The Equalizer 2 – A Vingança”
Ano : 2018
Duração : 122 minutos
Género : Ação/Thriller
Realização : Antoine Fuqua
Produção : Denzel Washington
Elenco : Denzel Washington, Melissa Leo, Pedro Pascal, Ashton Sanders, Orson Bean, Bill Pullman, Jonathan Scarfe, Sakina Jaffrey, Kazy Tauginas, Garrett Golden, Tamara Hickey, Antoine Lartigue, Caroline Day.

História : Ex-agente das forças especiais americanas, Robert McCall foi treinado para defender os mais fracos. Depois de alguns anos afastado e a viver sob anonimato, está de regresso ao combate ao crime, agora por sua conta e risco. Quando descobre que assassinaram Susan Plummer, ex-colega e amiga dos tempos em que trabalhava para as forças especiais, decide encontrar os responsáveis e fazê-los pagar com a sua própria vida.

Comentário : Apesar de não ser inovador e de nada trazer de novo, o primeiro filme era bom. Mas este segundo era desnecessário, a ideia já tinha ficado cimentada no primeiro filme. É praticamente o mesmo caso de “Creed II”, são filmes que foram feitos unicamente para os estúdios ganharem mais dinheiro, é tudo uma questão de dinheiro quando se trata de sequelas, a não ser que sejam continuações de uma história, como nos casos, por exemplo, de “The Lord Of The Rings” ou “Harry Potter”. O filme é novamente realizado por Antoine Fuqua, que aqui baixa imenso a qualidade daquilo que era pedido para este tipo de filme, de história e de protagonista. Se no primeiro filme tinhamos uma vítima (Chloe Grace Moretz) que não tinha nada a ver com o protagonista, neste segundo, a coisa é mais levada para o caso pessoal ou quase, trata-se de uma das melhores amigas e colegas dele e da necessidade de exercer uma vingança e não de salvar alguém. Temos portanto uma mudança de paradigma e pelo meio ainda temos que apanhar com o super cliché do vilão usar uma criança como escudo, algo já visto em dezenas de outros filmes do género. Denzel Washington já não surpreende ninguém neste seu registo, é mais do mesmo, nós sabemos que o homem é bom, sendo “Man On Fire” e “Training Day” talvez os seus melhores registos neste campo. O restante elenco é básico, eles entregam aquilo que já era esperado, nada de especial. As cenas de luta corpo a corpo até funcionam mais uma vez, embora seja novamente tudo mais do mesmo. Vale destacar as mensagens a retirar do filme e o confronto final que consegue, ainda assim, extrair bons momentos. Espero muito sinceramente e tal como em “Creed II”, que não façam o terceiro. Precisamos urgentemente de heróis novos e de histórias novas.

Lizzie

Nome do Filme : “Lizzie”
Titulo Inglês : “Lizzie”
Titulo Português : “A Vingança de Lizzie Borden”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama
Realização : Craig William Macneill
Produção : Chloe Sevigny/Elizabeth Destro/Naomi Despres
Elenco : Chloe Sevigny, Kristen Stewart, Fiona Shaw, Kim Dickens, Denis O'Hare, Jamey Sheridan, Jeff Perry, Jay Huguley, Tara Ochs, Laura Whyte, Darin Cooper, Tom Thon, Don Henderson Baker, Katharine Harrington, Jody Matzer, Daniel Wachs.

História : Nos finais do século XIX, Lizzie, de 32 anos, é uma mulher vulnerável que foi sempre controlada pelo pai, um homem austero e dominador. Quando Bridget Sullivan, uma jovem irlandesa, vem trabalhar como empregada da família. Lizzie sente-se finalmente compreendida. Com o tempo, a relação das duas transforma-se numa paixão carnal que culminará num crime hediondo.

Comentário : Confesso que gostei bastante deste filme que é baseado em factos verídicos, na verdade, trata-se de uma biografia. Esta é a história não só de uma rapariga ou de duas raparigas se preferirem e de um crime ou de dois crimes como se também preferirem. E a forma como nos é contado e mostrado não é de todo original, outros longas já o fizeram assim. Nos primeiros minutos de filme, nós vemos que os crimes já aconteceram e a protagonista está a ser interrogada, logo depois a história recua seis meses e passamos a seguir a rotina daquela família composta por quatro elementos a que mais tarde se junta a nova empregada e o tio das raparigas, somos postos a par das personalidades daquelas seis pessoas e dos laços que se vão criando ou desenvolvendo umas com as outras. Depois de uma série de acontecimentos que podem servir para entender o motivo dos crimes, as mortes acontecem e o que temos a seguir é um filme de tribunal com a protagonista a ser julgada e ouvidas as testemunhas. E, por último, temos o desenlace final, onde tudo nos é revelado.

Sinceramente, nada foi uma total surpresa para mim, eu já tinha entendido mais ou menos o que havia acontecido, só não sabia como as coisas se tinham desenrolado entre a protagonista e a empregada. O realizador faz questão de mostrar exactamente como tudo aconteceu com todos os detalhes, algo que eu não discuto, mas também confesso que se ele não o fizesse, não haveria problema, por vezes, a falta de informação também é bom, torna tudo mais encantador. Há filmes onde isso funciona, em outros nem tanto, no caso deste “Lizzie” penso que ambas as opções iam funcionar e eu gostei da que foi utilizada pelo director. A nível das interpretações, Chloe Sevigny é a melhor do grupo, ela imprimiu na sua personagem todo o mistério necessário à sua condição, de louvar a forma como ela se entregou ao papel. Mais recatada mas também de parabéns, Kristen Stewart está muito bem, a sua prestação transmite à sua Bridget muito sofrimento e dor envolvidos em silêncio. A química entre as duas é boa. Os secundários estão ok. A recriação de época está fantástica. É um filme muito violento, mas isso era necessário. Gostei do filme, embora tenha que dizer que a previsibilidade de algumas situações tenha atrapalhado um pouco a experiência.

Galveston

Nome do Filme : “Galveston”
Titulo Inglês : “Galveston”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Melanie Laurent
Produção : Tyler Davidson
Elenco : Elle Fanning, Ben Foster, Maria Valverde, Jeffrey Grover, Christopher Amitrano, Mark Hicks, Beau Bridges, Michael Ray Escamilla, Sean Von Buseck, C. K. McFarland, Michael John Lane, Robert Aramayo, Rhonda, Heidi Lewandowski, Adepero Oduye, Kayte Hughes, Lili Reinhart, Tinsley Price, Anniston Price.

História : Após escapar de uma armação feita pelo seu antigo chefe, um assassino moribundo resgata uma jovem prostituta e foge com ela para Galveston, onde planeia a sua vingança. Os dois precisam encontrar suas forças enquanto são perseguidos por pessoas perigosas e pela sombra dos seus passados.

Comentário : Aqui está mais um filme que me surpreendeu devido ao destino dado a uma das protagonistas e sem querer dar spoiler, quando virem este filme e caso se importem com essa personagem tal como eu, irão ter a mesma sensação. Arraçado de road-movie, este novo filme da realizadora Melanie Laurent é uma fita que não sabe para onde quer ir, tipo uma mosca volante. O seu início é muito bom e promete muito, mas as coisas no segundo acto levam uma queda bruta e nós quase perdemos o interesse. Pela marca do minuto 62 as coisas voltam a entrar nos eixos, culminando no tal destino mal pensado e num final que, apesar de muito triste, acaba por ser bastante recompensador. É um filme violento, mas detentor de bons momentos vividos sobretudo pelo casal protagonista que, não sendo propriamente um casal daqueles por quem torcermos que fique junto, é ainda assim um duo de protagonistas por quem sentimos um apego e uma empatia muito significativa, tudo devido ao excelente desempenho dos seus actores. Nesse ponto, Ben Foster (Leave No Trace) está mais uma vez bestial neste seu novo registo, apesar de viver um criminoso, ele abarca em si uma componente humana muito forte, tendo até muito amor para dar às duas ninas que lhe aparecem na vida sem pedir licença. Elle Fanning (uma das minhas actrizes preferidas) tem novamente uma excelente prestação, eu só não gostei de 1 filme seu, e aqui ela convence no papel de Raquel, uma jovem com um terrível passado e com uma vivência bem problemática. Vale dizer que Foster e Fanning funcionam muito bem juntos, grande parte das cenas em que eles contracenam, resultam nos melhores momentos do longa. Existe uma terceira personagem que acaba por ser o motor da história, a conclusão do filme é a prova disso. Em tirando o meu probleminha com a tal questão de Raquel, eu gostei deste filme, ele é razoável, mas eu estou mesmo é ansioso para ver Elle Fanning no novo filme de Woody Allen, venha ele.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Look Away

Nome do Filme : “Look Away”
Titulo Inglês : “Look Away”
Titulo Português : “Não Olhes”
Ano : 2018
Duração : 103 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Assaf Bernstein
Produção : Assaf Bernstein/Brad Kaplan/Giora Kaplan/Dana Lustig
Elenco : India Eisley, Jason Isaacs, Mira Sorvino, Penelope Mitchell, Kristen Harris, John C. MacDonald, Harrison Gilbertson, Kiera Johnson, Michal Bernstein, Glenn Odero, Burt Lancon, Ernie Pitts, Adam Hurtig, Braeley Hobbs, Cindy Myskiw.

História : Maria é uma adolescente estudante do secundário que está em sofrimento pelas suas dificuldades de integração no colégio e pelos grandes problemas que tem com os pais. Mas tudo muda quando Maria troca de olhares com a figura que lhe surge refletiva no espelho quando ela se olha.

Comentário : Penso que foi na semana que agora passou que estreou nas nossas salas de cinema este pequeno filme à cerca de uma adolescente cheia de problemas em casa e na escola. Confesso que não vi o trailer do filme e sabia pouco sobre ele. Bem, na realidade, apenas sabia que a personagem principal era vivida pela bonita India Eisley, que aqui interpreta duas personagens : a protagonista Maria e a sua “sósia” Airam. E a miúda safa-se muito bem nesses dois registos. Não sendo o filme grande coisa, podemos ainda assim contar com bons momentos, quase todos devido à protagonista, ou às duas protagonistas. As duas fotos que aparecem em baixo deste comentário não estão ali por acaso, elas podem revelar ou não o grande spoiler do twist desta fita. Caso sejam perspicazes ou já tenham visto o longa, facilmente as entenderão e chegarão à razão pela qual eu as coloquei aqui, embora o filme seja aberto a várias interpretações. Durante todo o filme, confesso que nunca deduzi que se tratasse daquilo, mas não é fácil chegarmos a essa conclusão, até porque existem muitas coisas que, durante a história, não fazem muito sentido e outras que não são muito verossímeis. O realizador brinca também com aquilo que é realidade e aquilo que é imaginação das protagonistas. Por vezes confuso, o filme trabalha ainda temas como o bullying, a descriminação, a carência de afectos maternos e paternos, a indiferença, a injustiça e o crime em si. Mas trata-se a cima de tudo de um thriller bem básico, onde quase tudo já foi contado e mostrado em outros filmes. Creio que já dei a entender isto, mas India Eisley consegue a melhor prestação do filme, já que o restante elenco jovem limita-se ao básico enquanto que os adultos e em especial os que fazem de pais de Maria, não se esforçaram minimamente para nos facultar algo mais crível e eficiente. A fita é ainda portadora de um clima envolvente, mas infelizmente o resultado final é um produto fraco, cliché e básico, que nem a miúda conseguiu salvar.


Mortal Engines

Nome do Filme : “Mortal Engines”
Titulo Inglês : “Mortal Engines”
Titulo Português : “Engenhos Mortíferos”
Ano : 2018
Duração : 128 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Ação
Realização : Christian Rivers
Produção : Peter Jackson
Elenco : Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving, Jihae, Ronan Raftery, Leila George, Patrick Malahide, Stephen Lang, Colin Salmon, Mark Mitchinson, Rege-Jean Page, Menik Gooneratne, Frankie Adams, Leifur Sigurdarson, Andrew Lees, Sophie Cox, Kee Chan, Sarah Peirse, Mark Hadlow, Caren Pistorius, Poppy Macleod.

História : Num futuro pós-apocalíptico, as cidades do mundo percorrem o globo sobre rodas gigantes enquanto se confrontam. Mas uma mulher aparece para alterar o rumo da história.

Comentário : Produzido pelo brilhante Peter Jackson (The Lord Of The Rings e The Hobbit), estreou esta semana nas salas de cinema este filme de aventura futurista cuja ideia até é interessante, pena é que na prática as coisas não funcionaram tão bem. Eu considero este “Mortal Engines” um filme razoável, mas com alguns problemas. Pontos positivos : os efeitos especiais são muito bons e fazem com que visualmente o filme seja belíssimo, a protagonista é a única que convence devido ao seu estilo e carisma, a criação de mundo é impecável e isso faz com que aquelas máquinas andantes pareçam bem reais, tem boas cenas de ação e de confronto entre as máquinas, as personagens femininas foram muito bem desenvolvidas e convencem, os momentos dramáticos são eficazes. Como aspectos negativos : temos situações bem previsíveis e outras onde aparece o “Deus Ex-Machina”, alguns erros na lógica da coisas e muita inverossimilhança, o argumento é básico e com a agravante de que se esperava bem mais desta premissa, o terceiro acto é praticamente todo de noite e isso não só ajuda a disfarçar os eventuais erros como também dificulta um pouco a nossa percepção daquilo que se está a passar, o vilão principal é caricato demais e igual a tantos outros, temos todos os clichés deste tipo de produções e, por último, temos as sempre atitudes de algumas personagens que não fazem muito sentido. No elenco, o grande e merecido destaque vai para Hera Hilmar que abraça a sua personagem com toda a garra e afinco exigidos pelo roteiro, ela é a grande estrela do filme. Já a Hugo Weaving era pedido muito mais do que o vilão genérico e caricato que ele entregou e por isso, o seu Valentine é totalmente esquecível. Não sendo um dos piores filmes do ano, “Mortal Engines” é assim, um projecto com um enorme potencial desperdiçado.

Mowgli

Nome do Filme : “Mowgli”
Titulo Inglês : “Mowgli”
Titulo Português : “Mogli: A Lenda da Selva”
Ano : 2018
Duração : 104 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Andy Serkis
Produção : David Barron/Steve Kloves/Jonathan Cavendish
Elenco : Rohan Chand, Freida Pinto, Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Naomie Harris, Peter Mullan, Jack Reynor, Matthew Rhys, Eddie Marsan, Tom Hollander, Louis Ashbourne Serkis, Andy Serkis, Amara Motala.

História : Criado por uma alcateia no meio de uma enorme floresta da India, Mogli vive com os animais da selva e conta com a amizade especial de um urso e de uma pantera. Ele é aceite por quase todos os animais, excepto por um tigre muito temido. Mogli se depara também com as suas origens humanas e perigos maiores do que a rixa com o tal tigre.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que gostei muito mais desta versão de Andy Serkis do que da versão de 2016 a cargo de Jon Favreau. Este filme de Andy Serkis está muito mais realista e é mais cru e duro do que o anterior. A única coisa que eu não gostei neste filme foi da falta de realismo da maioria dos animais, sendo a cobra a única que parece verdadeira. Mas ainda assim, eu gostei imenso de ver os animais deste filme, bem como o interface deles, seja entre os próprios ou com Mowgli. Eu devo confessar que os meus animais preferidos são os felinos e os golfinhos, pelo que custa-me sempre que vejo filmes em que os primeiros representam o perigo ou o inimigo. Mas como o tigre deste filme não se parece muito com um verdadeiro, não me fez muita diferença. As hienas já são feias por natureza e aqui o realizador conseguiu torná-las ainda mais feias, gostei desse pormenor. Adorei a pantera.

O elenco que dá voz aos animais vai bem, embora os humanos estejam bem fracos, principalmente Freida Pinto que está aqui muito apagada. Além da cobra e da pantera, quem mais brilha neste filme é ele, sim, Mowgli, ele é a verdadeira estrela desta película. Não só pelo pequeno e talentoso actor que lhe dá vida, mas também pela fantástica versão desta personagem que Rohan Chand interpreta e representa, e visto por esses prismas, o miúdo está excelente. Eu adorei o Mowgli desta versão de Andy Serkis, Rohan Chand está perfeito em todos os frames que aparece : o cabelo, as feições, as expressões, o estilo, o ser uma criança na selva, o interface com os animais digitais (a primeira cena com o elefante é linda), a prestação física e a sua interpretação, e a terminar no facto de ser muito bonito, em algumas alturas parece uma menina – ele foi seguramente a melhor escolha para o papel. Podem-se retirar importantes mensagens deste filme. O filme só não entrará para a lista dos melhores trinta filmes vistos por mim neste ano, porque todos esses trinta são mesmo muito bons na minha opinião, claro. Esta é a minha versão preferida do Mowgli.


Spider-Man: Into The Spider-Verse

Era inevitável, mais cedo ou mais tarde e depois de terem já arrecadado milhões no cinema com seis filmes do Homem-Aranha em imagem real, os estúdios decidirem apostar num filme de animação lançado nas salas de cinema. Realizado por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, este filme de quase duas horas de duração, é uma verdadeira pérola para todos os admiradores não só deste super-herói como também daquela série de animação que passava há cerca de duas décadas, onde eu também me incluo obviamente. Aquilo que eu não gostei neste filme foi da história, ou seja, do facto de envolver realidades alternativas ou universos alternativos, onde praticamente tudo é possível. Para mim, bastava uma narrativa linear que contava e mostrava apenas mais uma história do teioso, mesmo com vários vilões, mas uma história mais simples e sem grandes doses de fantasia, mas como se trata de um filme de animação, eu tenho que me calar, afinal, isto não é um filme de animação japonês com histórias pesadas e dramáticas. E perante o disparate feito pelo principal vilão, não temos 1, mas seis versões do herói aracnídeo : O Miles Morales, um Peter Parker mais velho, o Homem-Aranha Noir, a Gwen Stacy ou Gwen-Aranha, a pequena Peni Parker, e o Porco-Aranha. É lógico que dei mais importância ao Miles Morales e às duas versões femininas do “Homem-Aranha” (Peni e Gwen), porque foram as três personagens que mais gostei do filme. Stan Lee tem até uma versão animada de si neste filme, ele é o dono de uma loja.

Podemos contar com uma excelente qualidade do tipo de animação usada aqui, temos espectaculares cenas de ação ou não fosse este já considerado como o melhor filme de animação do ano por muitos críticos. Repito, a qualidade da animação deste filme é excelente, muito superior à maioria dos filmes de animação que Hollywood cospe cá para fora anualmente. Os vilões são praticamente aqueles que conhecemos da série de animação dos anos 90, embora com algumas alterações e não todos os vilões, mas a seleção deles até foi boa. Existem aqui algumas cenas que apetece imprimir e meter na parede de tão bonito que é. Toda a maneira como os vários personagens se relacionam também é um factor a ter em atenção. O filme tem referências quer à série de animação dos anos 90, aos quadrinhos e também aos filmes do teioso que foram lançados para o cinema. Temos também um humor muito presente, o que originou cenas bem divertidas. Praticamente quase tudo aqui resultou bem, até mesmo os clichés que são usados neste filme a favor da narrativa acabam por ter um resultado bem positivo. As personagens secundárias que rodeiam o nosso protagonista também estão muito bem conseguidas e quase todas possuem a sua utilidade específica. O elenco que dá voz aos personagens é recheado de caras conhecidas, com destaque para a Lily Tomlin, o Nicolas Cage e a Hailee Steinfeld, sem esquecermos a Zoe Kravitz, o Shameik Moore e o Chris Pine. E temos também drama que casa bem com as cenas em que ele é aplicado. E como eu não consegui ver nenhum filme de animação japonesa neste ano, este primeiro filme animado de um novo franchise acabou de se tornar o melhor filme de animação que vi em 2018. Embora o Homem-Aranha oficial não apareça neste filme de animação, o longa funciona como uma homenagem a este super-herói criado por Stan Lee.



O Fim da Inocência

Nome do Filme : “O Fim da Inocência”
Titulo Inglês : “The End Of Innocence”
Ano : 2017
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Joaquim Leitão
Produção : Ana Costa
Elenco : Oksana Tkach, Joana Aguiar, Francisco Fernandez, Rodrigo Paganelli, David Gomes, Joana Barradas, Raquel de Oliveira, João Alves, Vírgilio Castelo, Sofia Alves, Leonor Vasconcelos, Raquel Franco, Ana Marta Ferreira, Ricardo Sá, Luís Garcia, Catarina Matos, Marco Paiva, Sara Graça, Sandra Celas, Sónia Costa, Cátia Guerra, Ângela Gomes, Ana Machado, India Branquinho, Ana Costa.

História : Inês é uma adolescente com uma vida aparentemente perfeita. Oriunda de uma família abastada, frequenta um dos melhores colégios do país e convive quase exclusivamente com gente do seu estrato social. Porém, depois das aulas, sem que nenhum adulto à sua volta se aperceba, ela e os “amigos” mais próximos participam em arriscados jogos sexuais, utilizam a internet de forma compulsiva e frequentam a vida noturna de Lisboa, onde consomem regularmente vários tipos de drogas.

Comentário : Tal como no mundo dos adultos, em que a maioria dos homens para além de não respeitar as mulheres as consideram como sendo inferiores a eles, também nos jovens isso se verifica. Não por causa disso – coisa que eu já sabia – confesso que fiquei chocado com este filme, ou com aquilo que vi neste filme. Sei também que os miúdos de hoje não são os mesmos de quando eu era adolescente e as coisas que eles fazem em nada têm a ver com as que eu fazia com os meus amigos, mas aquilo que o tão famoso livro nos dá a ler e que agora este filme nos mostra, é tão à frente, mas tão à frente, que até custa a acreditar que as coisas se passem realmente assim com certos adolescentes. Mas não é por causa do facto de eu não ter gostado daquilo que vi nesta fita que o considero um mau filme, nada disso, e digo mais, o cinema português precisa de mais filmes como este, filmes de denúncia e de alerta, filmes obrigatórios para qualquer pai ou mãe que se interesse minimamente pelos seus filhos. E a reboque de “O Fim da Inocência”, surgem os também filmes de denúncia “Encontro Silencioso”, “Carga” e “Leviano”, três filmes que eu não vi ainda, mas que espero colmatar essa falha brevemente. Neste “O Fim da Inocência”, acompanhamos a jornada de descoberta de uma miúda chamada Inês, mas que representa muitas raparigas por esse país fora. É difícil ver esta Inês a sofrer e mais difícil se torna vê-la passar por todas aquelas situações nefastas que nenhuma rapariga menor devia passar. Todas as interpretações do elenco jovem vistas aqui são do nível “novela da televisão portuguesa”, com a excepção de Joana Aguiar que é uma profissional e da revelação Oksana Tkach, que sendo modelo, representou melhor do que muita malta jovem que desfila por essas já frisadas novelas. Este filme funciona ainda como um terror para qualquer pai que tem uma filha na adolescência e nos tempos que correm. Ter filhos e criar uma filha é a tarefa que abarca maior responsabilidade na vida de um ser humano. É lamentável sabermos que certas raparigas passam por aquilo que Inês, Mónica e Rita passam. E é a ouvirmos o refrão de um dos cânticos criados pelos rapazes - “A Nós, A Elas, A Nós Dentro Delas” - que facilmente percebemos as mentalidades daquelas bestas que dizem ser amigos delas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

The Meg

Nome do Filme : “The Meg”
Titulo Inglês : “The Meg”
Titulo Português : “Meg : Tubarão Gigante”
Ano : 2018
Duração : 113 minutos
Género : Aventura/Ação
Realização : Jon Turteltaub
Produção : Colin Wilson/Belle Avery/Lorenzo Di Bonaventura
Elenco : Jason Statham, Bingbing Li, Shuya Sophia Cai, Jessica McNamee, Ruby Rose, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Winston Chao, Page Kennedy, Robert Taylor, Masi Oka.

História : Nas profundezas do oceano, um grupo de cientistas efectua uma expedição integrada num programa internacional de vigilância submarina. Quando o submersível onde se encontram é parcialmente destruído por um megalodonte, um tubarão de vinte metros, dado como extinto há mais de dois milhões de anos, os tripulantes ficam encarcerados no fundo do oceano. É então que o oceanógrafo responsável pela missão contacta Jonas, um mergulhador americano especializado em resgates em águas profundas, para resolver a situação.

Comentário : A meio deste ano estreou nas salas de cinema este filme de monstro que, apesar de não ser lá grande coisa e de ser também mais do mesmo no que a este género diz respeito, é uma fita muito divertida de se ver. Na verdade, eu me prontifiquei a acompanhar durante quase duas horas, a história de um tubarão gigante que se libertou de uma espécie de “cave” existente abaixo do fundo do oceano. E basicamente é a isto que o tema central do filme se resume, porque o que temos a seguir é mais do mesmo, um grupo de humanos à caça do bicho para o matar. No entanto, tenho que confessar que este “Meg” tem coisas bem interessantes. Desde logo o facto de haver toda uma plataforma ou base debaixo de água, isso ficou muito bem conseguido. Ainda sobre essa estrutura, existem coisas nela que resultaram em imagens muito bonitas, a equipa de efeitos especiais está de parabéns. Existe uma cena em particular que envolve uma criança, um vidro e o megalodonte que está espectacular, mas isso não é novidade, pois essa cena aparece num dos trailers do filme. O próprio megalodonte em si, é um espanto, porque mesmo que nós saibamos que ele já não existe, o bicho parece real de tão bem feito que está, causando mesmo um certo impacto em determinadas cenas. Este filme acaba também por funcionar como uma espécie de homenagem ao filme de Steven Spielberg. O argumento é fraco e apresenta alguns furos, enquanto que a maioria das interpretações é muito problemática, destacando obviamente Bingbing Li como única referência positiva nesse campo. Gostei daquela sequência em que o bicho movimenta-se dentro de água e em cima estão dezenas de pessoas a curtir a praia. Mas lá está, é um filme básico, para se desligar o cérebro e curtir o que ele tem para nos dar. Um último reparo : se não fossem as regras do estúdio, este podia ter sido um filme bem diferente.


domingo, 9 de dezembro de 2018

Aquaman

Nome do Filme : “Aquaman”
Titulo Inglês : “Aquaman”
Titulo Português : “Aquaman”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Ação
Realização : James Wan
Produção : Rob Cowan/Peter Safran
Elenco : Jason Momoa, Amber Heard, Nicole Kidman, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Dolph Lundgren, Temuera Morrison, Yahya Abdul Mateen II, Ludi Lin, Michael Beach, Randall Park, Graham McTavish, Tainui Kirkwood, Tamor Kirkwood, Kaan Guldur, Otis Dhanji, Julie Andrews, John Rhys Davies, Djimon Hounsou, Sophia Forrest, Natalia Safran.

História : Fruto do amor entre um humano e a raínha de Atlantis, Arthur Curry viveu toda a sua vida na superfície terrestre. Com uma estranha capacidade de comunicar com criaturas aquáticas e manipular marés, ele sempre se sentiu diferente de todos em seu redor. Até que um dia é contactado por Mera, uma jovem atlante que lhe diz que Orm, seu meio irmão e actual rei de Atlantis, está decidido a reunir os governantes dos sete mares e atacar o mundo à superfície antes que a poluição os destrua. Para o impedir, Arthur Curry tem de assumir o trono, proteger o seu povo, e evitar uma catástrofe sem precedentes que ameaça a extinção de toda a vida na Terra.

Comentário : Sim, pode-se considerar como sendo um dos melhores filmes da DC Comics, pelo menos desta nova leva de filmes que começou em “Homem de Aço”. Este “Aquaman” apenas fica a trás de “Mulher Maravilha”. O filme é realizado por James Wan, que é um bom director, eu gosto da maioria dos seus filmes. E ele aqui fez um bom trabalho. Este “Aquaman” apenas peca pelo humor por vezes ridículo, pelas piadas desnecessárias e aplicadas em contextos onde não eram para ser ditas e pelos erros e exageros habituais neste tipo de produções. A nível visual, “Aquaman” é excelente, é um deleite ver cenas a acontecerem debaixo de água, ver as personagens a conversarem e a lutarem dentro de água e com água e peixes à sua volta. A história é razoável e chega mesmo a ser aceitável, dada a raíz da sua fonte, os quadrinhos. Jason Momoa está impecável como Arthur Curry ou Aquaman, nós já tínhamos tido um pouquinho deste personagem no filme de união “Liga da Justiça”, um dos piores filmes da DC. Momoa consegue ainda imprimir bastante estilo ao seu personagem, ele convence no papel do protagonista. Além disso, a química entre Momoa e Amber Heard é boa, Aquaman e Mera funcionam muito bem juntos, é também um deleite vê-los contracenar. Nicole Kidman e Willem Dafoe são aqueles que mais se destacam do elenco de secundários. Como vilão principal, Patrick Wilson não é genérico, mas consegue o mérito de ser o melhor vilão dos seis filmes. O filme tem sequências de ação extraordinárias e muito bem filmadas e conseguidas. Os efeitos especiais são muito bons, nos facultando sequências belíssimas. O filme tem ainda bons momentos protagonizados pelos seus personagens. Eu adorei os peixes, monstros e demais criaturas aquáticas vistas neste filme. A cena em que Arthur e Mera entram e estão dentro da baleia e toda a sequência com ele e aquele super monstro no covil do trident são as melhores do longa. Eu me emocionei no momento em que o Aquaman surge da água vestido com o uniforme novo e com o trident poderoso na mão. Não atingindo ainda a qualidade dos melhores filmes da Marvel e mesmo de “Mulher Maravilha”, Aquaman é um dos melhores filmes de super-herói vindos da DC Comics.