domingo, 9 de dezembro de 2018

Fantastic Beasts : The Crimes Of Grindelwald

Nome do Filme : “Fantastic Beasts : The Crimes Of Grindelwald”
Titulo Inglês : “Fantastic Beasts : The Crimes Of Grindelwald”
Titulo Português : “Monstros Fantásticos : Os Crimes de Grindelwald”
Ano : 2018
Duração : 134 minutos
Género : Aventura/Fantasia
Realização : David Yates
Produção : J. K. Rowling
Elenco : Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Jude Law, Alison Sudol, Zoe Kravitz, Johnny Depp, Ezra Miller, Carmen Ejogo, Claudia Kim, Dan Fogler, Callum Turner, Victoria Yeates, Kevin Guthrie, Olafur Darri Olafsson, Fiona Glascott, Jessica Williams, Poppy Corby-Tuech, Derek Riddell, Sabine Crossen, Brontis Jodorowsky, Ingvar Eggert Sigurdsson, Olwen Fouere, Donna Preston, David Sakurai, Nasir Jama, Liv Hansen, Alexandra Ford, Adam Ewan, Isaura Barbe-Brown, Jamie Campbell Bower.

História : O excêntrico magizoologista Newt Scamander é recrutado por Albus Dumbledore, seu antigo professor em Hogwarts, para enfrentar o terrível Grindelwald, considerado um dos mais poderosos feiticeiros de todos os tempos, que escapou da prisão. Como prometido quando foi capturado pelo Congresso Mágico, Grindelwald pretende reunir feiticeiros de todo o mundo e assim dominar toda a população “não-mágica”. Caberá a Newt Scamander e aos seus companheiros resolver a situação, antes que seja tarde demais.

Comentário : Confesso que estava muito indeciso sobre se vinha ou não aqui comentar o filme mais recente que vi, este novo capítulo adaptado dos livros da escritora J. K. Rowling. É lamentável que tanta gente dê dinheiro para assistir a estes filmes no cinema, porque além de não o canalizarem para filmes a sério, ainda estão a contribuir para encher os bolsos aos grandes estúdios e a todos aqueles mafiosos e ladrões que gerem este negócio há décadas. E quando eu digo que são filmes de estúdio, é a pura verdade. Onde as versões dos realizadores são quase sempre alteradas de forma a enquadrar certos padrões instituídos pelos grandes estúdios com a finalidade de lucrar o mais possível. Num negócio onde não existe o mínimo de respeito pelas obras originais em que os filmes se baseiam, onde os direitos dos espectadores não são respeitados, tudo em nome dos grandes estúdios que só têm uma única finalidade : fazer dinheiro em vez de facultar bons filmes com boas histórias. Mas infelizmente, as pessoas “papam” quase todo o lixo que os cinemas lhes vendem e enquanto for assim, quem gosta do verdadeiro cinema, sairá sempre a perder.

Confesso também que gostei imenso dos filmes do Harry Potter e, recentemente, passei esta minha paixão à minha sobrinha mais velha. Gosto imenso de a ver apaixonar-se pelos mesmos filmes que me fizeram feliz, porque esses oito filmes, apesar de terem o mesmo objectivo de todos os outros blockbusters, eram filmes bem executados. Vale frisar que eu fui contra a divisão do sétimo livro em dois filmes, cuja única finalidade foi a de gerar mais dinheiro. Mas neste caso deu para desenvolver mais a história e isso foi positivo para nós. Agora, e numa tentativa de repetir a proeza conseguida com os filmes do Harry Potter, os estúdios pegaram num único livro da escritora e dividiram-no em cinco filmes, claro que isto representa um verdadeiro insulto para quem gosta não só do livro e da história, como também é apaixonado por este mundo bem complexo. Este segundo filme desta nova saga foi também realizado por David Yates e o que temos aqui é mais do mesmo. Esta história existe em livro, quem gosta deste mundo, tem o livro como base da história. Assim, pedia-se apenas 1 único filme longo que resumisse esta obra literária e não que o dividissem em cinco filmes que durará cerca de dez anos. Enfim, eu considero isto uma vergonha. A questão principal é : será que era mesmo perciso isto. Não seria melhor adaptarem para filme o último livro do Harry Potter : “Harry Potter And The Cursed Child”, eu penso que seria mais inteligente, e a seguir faziam apenas 1 longo filme adaptado de “Fantastic Beasts And Where To Find Them”.

Confesso por fim, que não gostei nada do primeiro filme de “Animais Fantásticos” e embora ache este segundo filme bem melhor, ainda assim, é um filme que repete as mesmas fórmulas dos anteriores, cheio dos mesmos clichés, não oferece nada de novo daquilo que os filmes do Harry Potter já haviam entregado, é portanto tudo mais do mesmo. Aquilo que este segundo filme ganha face ao primeiro, é a sua história ou trama que é bastante complexa com mais personagens e onde muitos consideravam o maior problema do filme, eu não partilho dessa ideia. Pessoalmente, eu acho mesmo que isso só enriquece o filme. Para mim, o principal problema deste segundo filme é a mesmice, é o “vira o disco e toca o mesmo”. Continuo a não gostar nem do personagem e nem da prestação de Eddie Redmayne, eles não convencem em nada. Outra coisa que me desagrada é a troca de elenco principal jovem por elenco principal adulto, os personagens destes novos filmes não despertam qualquer tipo de interesse e quem os vê, está-se a borrifar para aquilo que lhes possa acontecer, tudo porque a história do depois já é conhecida e é bem mais interessante. Johnny Depp (excelente actor) já se devia ter reformado ou então se dedicado a filmes sérios ou dramáticos. O Jude Law como Dumbledore não convence, simplesmente porque custa a acreditar que aquele velhinho dos oito filmes anteriores foi em jovem adulto aquilo que apresentam agora (a mesma coisa) e que somos obrigados a acompanhar, porque nos foi impingido. Como pontos positivos, apenas tenho que referir que a nível técnico o filme roça a perfeição, desde a espectacular fotografia, passando por todo o lado artístico e terminando nos fabulosos efeitos especiais, já que a nível visual, este filme encanta. Mas isso é o mínimo que se pedia, já que as tecnologias de agora assim o permitem, condenável seria o contrário. Há, adorei ver a Nagini nas suas duas formas!. O filme peca ainda por responder a poucas perguntas de filmes anteriores, para além de ser um filme que apenas serve de “ponte” para nos preparar para aquilo que iremos encontrar nos próximos três filmes e isso é uma pena. Um último reparo, gostei de ter voltado a ver Hogwarts e os seus alunos, que saudades.


Spider-Man : Homecoming

Nome do Filme : “Spider-Man : Homecoming”
Titulo Inglês : “Spider-Man : Homecoming”
Titulo Português : “Homem-Aranha: Regresso a Casa”
Ano : 2017
Duração : 133 minutos
Género : Aventura/Ação
Realização : Jon Watts
Produção : Kevin Feige
Elenco : Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton, Marisa Tomei, Laura Harrier, Jacob Batalon, Jon Favreau, Donald Glover, Gwyneth Paltrow, Tony Revolori, Bokeem Woodbine, Michael Chernus, Angourie Rice, Garcelle Beauvais, Kenneth Choi, Abraham Attah, Tyne Daly, Hannibal Buress, Selenis Leyva, Martin Starr, Michael Mando, Logan Marshall Green, Jorge Lendeborg Jr., Tiffany Espensen, Isabella Amara, Michael Barbieri, Zendaya, Stan Lee.

História : Depois da sua experiência numa missão de apoio aos Vingadores, Peter Parker regressa a casa e recebe uma oferta do meu mentor Tony Stark : um uniforme tecnológico muito à sua medida. Com alguma dificuldade em distanciar-se das aventuras vividas com os super-heróis e encarar a relativa normalidade do seu dia a dia, vai lutando contra o crime nas proximidades, ajudando os vizinhos a enfrentar os seus problemas com os marginais. É então que, ao deparar-se com o terrível Vulture, um vilão que pretende prejudicar Tony Stark, encontra a oportunidade por que esperava para provar ao seu mentor, que é muito mais do que um simples adolescente com poderes e que, pela sua coragem e determinação, merece um lugar na equipa dos Vingadores.

Comentário : O Homem-Aranha é o meu super-herói preferido quando eu era mais jovem. De certa forma, penso que o filme até está bem conseguido e a principal razão de eu gostar bastante dele é o facto de mostrar um Peter Parker adolescente. Neste “Homecoming”, encontramos Peter Parker na sua adolescência, com os dilemas e problemas próprios da adolescência, com personagens na sua maioria jovens, lidando com os problemas da vizinhança e resolvendo pequenos delitos. Este sim, é o Peter Parker/Homem-Aranha que eu sempre quis ver no cinema. O actor principal, Tom Holland, foi uma excelente escolha para o papel, ele convenceu-me enquanto Peter Parker, e é isso que interessa. Gostei também de terem incluído Tony Stark no filme, ele foi muito bem inserido na história, não ocupa demasiado tempo, apenas o necessário. Gostei de quase todo o elenco jovem do filme, penso que todos estão bem nos seus papéis, com excepção da Zendaya, eu não gostei nada da sua personagem. Como vilão, Michael Keaton até não está mal, ele convence nas suas motivações, ainda assim, muito longe de ser um grande vilão como Thanos ou mesmo Erik Killmonger. O filme não aposta muito em grandes cenas de ação, como sucedeu em outros filmes do estúdio, mas faz bem em nos facultar uma história mais pé no chão com problemas um pouco mais reais, e com as respectivas consequências. Estão finalizadas as gravações do segundo filme desta nova trilogia do Homem-Aranha, o título é “Spider-Man: Far From Home” e irá estrear em Julho do próximo ano. O filme irá oficialmente abrir a quarta fase do MCU, onde supostamente irá começar uma nova história.

Ant-Man And The Wasp

Nome do Filme : “Ant-Man And The Wasp”
Titulo Inglês : “Ant-Man And The Wasp”
Titulo Português : “Homem-Formiga e a Vespa”
Ano : 2018
Duração : 119 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica/Ação
Realização : Peyton Reed
Produção : Kevin Feige
Elenco : Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Hannah John-Kamen, Abby Ryder Fortson, Michael Pena, Walton Goggins, Bobby Cannavale, Judy Greer, Randall Park, Laurence Fishburne, David Dastmalchian, Tip Harris, Divian Ladwa, Goran Kostic, Rob Archer, Sean Kleier, Benjamin Byron Davis, Michael Cerveris, Riann Steele, Dax Griffin, Hayley Lovitt, Langston Fishburne, RaeLynn Bratten, Madeleine McGraw.

História : Scott Lang lida com as consequências das suas escolhas tanto como super-herói membro dos Vingadores quanto como pai da pequena Cassie. Enquanto tenta reequilibrar a sua vida pessoal com suas responsabilidades como Homem-Formiga, ele é confrontado por Hank Pym e pela sua filha, Hope Van Dyne, com uma missão urgente : resgastar a verdadeira super-heroína Vespa e esposa de Pym, do Reino Quântico, onde ela está presa há décadas. Ao mesmo tempo, Scott Lang deve mais uma vez vestir o uniforme e aprender a lutar ao lado de Hope, para tentarem impedir um novo vilão chamado “Ghost” de cumprir os seus objectivos, aparentemente nefastos.

Comentário : Vamos falar de “Homem-Formiga e a Vespa”, um dos últimos filmes que compõem o MCU, com estas suas primeiras três fases. Depois do grandioso “Vingadores : Guerra do Infinito”, nós ficamos num patamar muito alto e exigente no que diz respeito aos filmes de super-heróis da Marvel. Logo, muitos irão sair desiludidos deste segundo filme do Homem-Formiga, porque é um filme menor, ele não tem nada de grandioso e de espectacular, é uma fita simples e que serve como uma ponte muito pequena para “Avengers : End Game”. Penso que é melhor do que o primeiro filme do pequeno vingador, tem uma história mais interessante e melhores efeitos visuais, com cenas de ação muito boas, aliás, os conceitos e as cenas de escalas são aqui muito bem trabalhados. As personagens também são mais consistentes, principalmente a Hope, o Hank Pym e o próprio Scott Lang. Temos uma vilã que na verdade não é um vilão, a Ava ou a Ghost, é uma rapariga com um passado trágico e cujas motivações são perfeitamente aceitáveis e compreensíveis. O Paul Rudd está mais uma vez muito bem no papel principal, mas quem lhe rouba a cena é Evangeline Lilly no papel da nova Vespa, a super-heroína formada neste segundo filme. O Michael Pena vai bem no papel cómico, embora exagere por vezes. Temos novamente a pequena Abby Ryder Fortson no papel da filha do protagonista, aqui dando mais da sua querida personagem, a química entre Cassie e Scott Lang surge mais acentuada neste segundo filme. Aliás, este é seguramente o filme mais familiar da Marvel. Existem ainda rumores de Kevin Feige que talvez Cassie integre uma equipa de Jovens Vingadores na quarta fase dos filmes do MCU. “Homem-Formiga e a Vespa” é um bom filme, melhor do que o primeiro, e apenas peca pelo excesso de humor e pela pequena ligação que possui com “Avengers : End Game”, já que se pedia muito mais.

Guardians Of The Galaxy Vol. 2

Nome do Filme : “Guardians Of The Galaxy Vol. 2”
Titulo Inglês : “Guardians Of The Galaxy Vol. 2”
Titulo Português : “Guardiões da Galáxia – Volume 2”
Ano : 2017
Duração : 137 minutos
Género : Ação/Aventura/Ficção-Científica
Realização : James Gunn
Produção : Kevin Feige
Elenco : Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Pom Klementieff, Karen Gillan, Kurt Russell, Sylvester Stallone, Elizabeth Debicki, Sean Gunn, Chris Sullivan, Tommy Flanagan, Laura Haddock, Alex Klein, Evan Jones, Joe Fria, Terence Rosemore, Stephen Blackehart, Rob Zombie, Seth Green, Ving Rhames, Michelle Yeoh, Michael Rosenbaum, Jeff Goldblum, Stan Lee.

História : Os Guardiões continuam as suas aventuras pela Galáxia, enquanto que novos acontecimentos ameaçam o laço que existe entre eles.

Comentário : Eu gostei um pouco do primeiro volume e assim se mantém neste segundo volume, ambos os filmes não são os que eu mais gosto do universo da Marvel e eu confesso que não gosto das histórias dos Guardiões, mas curto bastante estas personagens. Uma coisa que eu tenho que frisar, eu lido mal com o humor neste tipo de filmes, penso que os estúdios e os realizadores podiam levar as coisas mais a sério, tipo o excelente trabalho que Christopher Nolan fez com o Batman. E neste filme dos guardiões, o estúdio e o próprio James Gunn levam as coisas a patamares verdadeiramente estúpidos, se o primeiro volume já era ridículo a nível das piadas e do humor, este segundo volume possui o dobro da estupidez. É compreensível que o estúdio queira agradar às massas e a um público pouco exigente que não pretende ver cinema mas sim diversão, mas não é aceitável que tornem as coisas demasiado estúpidas e acreditem, este filme possui humor a mais, nada se leva a sério. Além de termos um péssimo argumento. No entanto, a nível visual é estonteante e o filme faz ainda muitas referências a personagens, principalmente aos anos 80, com novas músicas e outros.

Voltando aos personagens, porque são eles aquilo que o filme tem de melhor. Visto que todos os actores estão bem nos seus papéis, vamos às personagens propriamente ditas. Peter Quill está demais no seu papel, foi com prazer que o vi regressar em grande forma, gosto bastante do seu personagem. Gamora é uma das minhas personagens femininas preferidas do universo Marvel e gostei imenso de a voltar a ver, ela tem uma cena muito bonita com Nebula, que é uma personagem que também funciona muito bem nestes filmes. Drax é possivelmente o personagem masculino mais interessante deste volume. Rocket é um dos meus personagens digitais preferidos do cinema e neste segundo volume está ainda mais hilariante, o bicho é adorável e é um mimo. O Baby Groot é a melhor personagem deste segundo volume, ele é ainda melhor do que a sua versão adulta. Yondu é outro personagem espectacular, eu adorei vê-lo mais neste segundo volume do que no primeiro. Por último, Mantis encanta, eu fiquei rendido aos encantos desta alienígena, bonita e ternurenta, ela é a melhor aquisição de James Gunn para este segundo volume, eu gostava de ver mais dela. E mais uma vez, temos um vilão que é uma porcaria, a Marvel não sabia fazer vilões no cinema até “Black Panther”.


domingo, 25 de novembro de 2018

Blue My Mind

Nome do Filme : “Blue My Mind”
Titulo Inglês : “Blue My Mind”
Ano : 2017
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Lisa Bruhlmann
Produção : Katrin Renz/Stefan Jager
Elenco : Luna Wedler, Zoe Pastelle Holthuizen, Lou Haltinner, Una Rusca, Yael Meier, Regula Grauwiller, Georg Scharegg, David Oberholzer, Timon Kiefer, Benjamin Dangel, Martin Rapold, Dominik Locher, Rachel Braunschweig, Ruth Schwegler.

História : Mia, de 15 anos, está enfrentando uma transformação esmagadora que questiona a sua existência. O seu corpo está a mudar radicalmente e, apesar das tentativas desesperadas de parar o processo, ela logo é obrigada a aceitar que a natureza é muito mais poderosa.

Comentário : Boa noite pessoal, ultimamente eu ando muito irritado, a vida não está fácil, felizmente ainda não perdi a vontade de ver filmes, que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida. Eu já andava há bastante tempo para ver este filme e agora que o conferi, confesso que levei um verdadeiro murro no estômago. O filme é suíço, é cinema europeu de qualidade e eu gostei bastante, a Disney devia ver esta produção antes de passar a filme uma das suas melhores histórias clássicas, talvez tirassem algumas ideias interessantes e úteis para fazerem uma adaptação decente para imagem real de um dos seus contos infantis. No fundo, trata-se de um filme que começa de uma maneira e que termina em algo totalmente diferente, diria mesmo o oposto. A realizadora começa por nos mostrar a história de uma adolescente com todos os seus problemas e respectiva complexidade, para depois nos atirar à cara algo muito fora do normal que se pode resumir como uma criança desorientada. E praticamente é isso que temos, apesar de ser bem mais drástico, dramático e radical.

Confesso que dou por mim, à noite, a pensar que os pais, muitas das vezes, desconhecem o que as suas filhas andam a fazer quando não estão em casa ou até mesmo quando estão fechadas nos seus quartos agarradas aos portáteis na internet. E isso sempre foi algo que me fez imensa confusão, porque hoje em dia, existe pouco diálogo nas famílias, muitas das vezes, os pais não se interessam pelos quotidianos das suas filhas e estas também não “puxam” conversa com os seus progenitores. Quando são crianças, as meninas são compensadas pelos pais com brinquedos e outras coisas, no intuito de preencher a falta de atenção, de conversa e mesmo de amor. E isso é o mal de grande parte das sociedades actuais. Quase tudo o que acabei de escrever verifica-se neste filme dramático, ele funciona como uma espécie de alerta. E a mim, custa-me muito saber e ter conhecimento que existem muitas raparigas por esse mundo fora que se metem nestas confusões e não possuem respeito por elas próprias. Foi por isso que este filme me chocou e não por aquilo que aconteceu com Mia, embora outros filmes já tivessem sortido em mim o mesmo efeito e passado estas mensagens. Os pais “normais” tentam proteger as suas filhas da maneira como podem, mas este mundo é muito cruel, injusto e mau. Vale dizer que Luna Wedler e Zoe Pastelle Holtuizen estão excelentes nas suas interpretações, seguramente as melhores personagens do filme. Apesar de não nos dar as devidas respostas, o filme é muito bom e tem um final lindo. Adorei.



We The Animals

Nome do Filme : “We The Animals”
Titulo Inglês : “We The Animals”
Titulo Português : “Nós, Os Animais”
Ano : 2018
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Realização : Jeremiah Zagar
Produção : Christina King/Andrew Goldman/Jeremy Yaches/Paul Mezey
Elenco : Sheila Vand, Raul Castillo, Evan Rosado, Isaiah Kristian, Josiah Gabriel.

História : Manny, Joel e Jonah são três irmãos trilhando os seus caminhos pela infância. Seus pais possuem um amor volátil, que faz e desfaz a família várias vezes, deixando os garotos por sua conta. Enquanto Manny e Joel vão se endurecendo e se tornando versões do seu pai, o mais novo e sonhador Jonah se torna cada vez mais consciente da necessidade de escapar daquele lugar e voar para bem longe dali.

Comentário : O filme fala basicamente de uma família quase disfuncional e muito pobre. São cinco, um casal e três filhos rapazes, mas o homem da casa está quase sempre em conflitos com a esposa, chegando mesmo a agredi-la algumas vezes, eles passam necessidades e fome, vivem de forma precária, tudo isto diante dos menores. Claro que a coisa só podia dar para o torto. Filmado de maneira quase amadora, este filme independente é um retrato de muitas famílias por esse mundo fora, e funciona muito bem nesse sentido. O filme tem apenas 88 minutos de imagens, mas parece demorar umas três horas e isso não se deve unicamente ao seu ritmo lento, mas também aos acontecimentos retratados dentro do próprio longa, ao mesmo tempo que acontece muita coisa, parece que nada acontece, é quase como se andássemos à roda e não saíssemos do mesmo sítio. Mas não se enganem, para uma das cinco personagens centrais, a história termina muito diferente da maneira como começou. Temos uma cena bem nojenta, mas que se torna bonita pela maneira como quase termina. Existe uma cena que está no trailer, mas que não aparece no filme, há, se puderem evitem ver o trailer, porque mostra quase tudo de relevante que o filme possui. A nível das interpretações, os adultos estão muito bem, Sheila Vand e Raul Castillo desempenham quase na perfeição o tipo de pais que se pretende mostrar, eles podem-se mesmo considerar vítimas de uma sociedade e de um tempo difícil. Os meninos também estão muito bem, com destaque óbvio para o mais novo, Evan Rosado é um achado e eu considero o seu Jonah, o melhor personagem do filme. Mesmo quando se descobre o conteúdo de grande parte do seu caderno, nós continuamos do seu lado devido às suas reais circunstâncias. É um filme muito realista e com alma.

Sabrina

Nome do Filme : “Sabrina”
Titulo Inglês : “Sabrina”
Ano : 2018
Duração : 113 minutos
Género : Terror
Realização : Rocky Soraya
Produção : Rocky Soraya/Raam Soraya
Elenco : Richelle Georgette Skornicki, Luna Maya, Christian Sugiono, Sara Wijayanto, Jeremy Thomas, Asri Handayani, Rizky Hanggono, Demian Aditya, Sahil Shah.

História : Vanya nunca aceitou a morte da mãe, sendo adoptada pelo tio e pela mulher dele. Como o tio é um fabricante de bonecas, Vanya recebe dele um modelo mais avançado da boneca que actualmente está a fazer muito sucesso e a encher-lhe os bolsos, de seu nome Sabrina. Mas com o passar do tempo, começam a acontecer coisas estranhas na casa onde os três residem e tudo leva a crer que se trata de um espírito que entrou nas vidas deles sem pedir permissão.

Comentário : Este filme não é um filme de terror americano, felizmente, ele é da Indonésia, ou seja, é sempre bom vermos e experimentarmos cinema de outros países, com outras propostas, possivelmente com ideias originais e com outras perspectivas. E por falar nisso, este “Sabrina”, ele é realizado por Rocky Soraya, um tipo que está muito dentro da onda de filmes de terror, e de fitas que falam de bonecas demoníacas. Aliás, este realizador já havia dirigido outros dois filmes com este mesmo tema : “The Doll” de 2016 e “The Doll 2” de 2017, e o mais curioso é que ele trouxe para este “Sabrina” uma personagem desses dois filmes anteriores, a Laras, ela é uma espécie de “caçadora de espíritos”, a função dela é ir a casa das pessoas e fazer com que os espíritos e os demónios abandonem aquelas casas e aquelas respectivas famílias. Rocky Soraya entra em “Sabrina” com o mesmo registo, esta é mais uma história de demónios e fantasmas, mas aqui com um argumento bem mais elaborado. Eu confesso que este é o primeiro filme que vejo dele. Nota-se claramente que é um filme de baixo orçamento, onde os efeitos especiais não são grande coisa, o roteiro tem furos, algumas partes são ridículas e existem alguns erros bem graves. E falando em erros, sem querer dar spoilers, existe uma cena em que uma personagem leva uma facada na barriga e um outro personagem leva também uma facada bem perto do coração, pois bem, ao longo dos próximos cerca de trinta minutos, esses dois personagens continuam as suas vidas, fazem imensa coisa, tudo como se não tivessem sido feridos com aquela gravidade. A boneca do título é horrenda, qualquer pessoa minimamente saudável não ia querer aquilo dentro de sua casa, muito menos oferecer algo assim a uma criança. A ideia do tablet identificador de entidades é gira. As interpretações são boas, com destaque para a menina pequena. Temos um twist que funciona muito bem e que explica muita coisa. Mas apesar destas três coisas positivas, estamos ainda assim, perante um filme bem fraco.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Cuori Puri

Nome do Filme : “Cuori Puri”
Titulo Inglês : “Pure Hearts”
Título Português : “Coração Puro”
Ano : 2017
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Roberto De Paolis
Produção : Roberto De Paolis/Carla Altieri
Elenco : Selene Caramazza, Simone Liberati, Barbora Bobulova, Stefano Fresi, Edoardo Pesce, Antonella Attili, Federico Pacifici, Isabella Delle Monache, Ruben Anello, Sara Borsarelli, Susanna Bugatti, Andrea Giannini, Alexia Murray, Ivano Negri, Nick Nicolosi, Francesco Primavera, Denise Priscilla Sciacca, Romano Talevi, Daniele Natali, Daniele Muzi.

História : Agnese e Stefano não podiam ser mais diferentes. Ela é uma rapariga de 18 anos recatada e religiosa que vive com a mãe, que a controla em praticamente tudo, elas são da classe média. Ele é extremamente pobre, tem um emprego precário, vive com a mãe e com um pai que não lhe liga nenhuma. Um dia, os dois conhecem-se numa situação bem peculiar e, mais tarde, tornam-se amigos, se apaixonando de seguida. Apesar de manter uma certa distância entre Stefano e a mãe, Agnese acaba por se envolver de forma íntima com ele, o que no entender da miúda, é como se a vida dela estivesse estragada.

Comentário : Nesta quarta-feira vi este filme italiano que confesso ter gostado bastante, é uma fita que fala do amor, neste caso, de uma maneira específica de amar, a maneira de amar de Agnese. Mas como o amor é o melhor dos sentimentos, tudo é compreensível. Inicialmente, o filme tem uma narrativa dividida em dois segmentos que vão intercalando constantemente, de um lado nos é proposto conhecer Agnese e a vida dela enquanto que do outro, passamos a acompanhar Stefano e como ele vive. A partir do momento em que os dois se apaixonam, os ponteiros são imediatamente acertados e temos história a sério. E em se tratando de uma história de amor, todos os ingredientes estão cuidadosamente reunidos. Penso que o realizador “cozinhou” muito bem tudo o que tinha em mãos, ou não fosse ele também o produtor principal do filme. Este filme é daqueles casos em que, mesmo abordando também a religião, nunca nos joga à cara isso, pelo contrário, trabalha essa questão tão importante na dosagem certa, sem fazê-la passar cá para fora, é tudo falado e trabalhado dentro do filme e assim não fere sensibilidades. Recordo que outros filmes costumam fazer o contrário, coisa que me irrita profundamente. O filme foca igualmente as diferenças entre classes sociais, bem como a pobreza em si. Somos também abordados sobre o facto da justiça e das leis não serem aplicadas a uma determinada etnia. Como romance, ele funciona na perfeição, a sequência de sexo chega a impressionar, simplesmente pela forma como tudo nos é mostrado e também pelo facto da rapariga ser uma virgem acabada de completar 18 anos e ser totalmente inexperiente a nível amoroso e sexual. E com tudo isto, Selene Caramazza e Simone Liberati possuem interpretações muito boas e uma excelente química sempre que estão juntos.

The Clovehitch Killer

Nome do Filme : “The Clovehitch Killer”
Titulo Inglês : “The Clovehitch Killer”
Ano : 2018
Duração : 109 minutos
Género : Thriller/Drama/Mystery
Realização : Duncan Skiles
Produção : Duncan Skiles
Elenco : Dylan McDermott, Charlie Plummer, Madisen Beaty, Samantha Mathis, Brenna Sherman, Lance Chantiles-Wertz.

História : Um jovem faz uma descoberta cujas consequências vão alterar a sua vida para sempre.

Comentário : Este é mais um bom filme que tive a sorte de ver, apesar de ser mais um filme sobre um assassino em série, ele possui coisas bem interessantes na sua história e três fantásticos twists que me encheram as medidas. Um dos principais trunfos deste filme é o seu clima de mistério que está sempre presente durante quase duas horas de duração. Temos também muita tensão e nesse sentido vale voltar a frisar que podemos contar com vários pequenos twists, mas existem três deles que são fantásticos. Confesso que eu adivinhei algumas coisas, sim, existem coisas previsíveis aqui, mas isso aconteceu comigo possivelmente porque eu já vi muitos filmes deste género. É um filme que dá que pensar, afinal, existem muitos homens como Don por esse mundo fora, o grande problema é que muitos desses nojentos nunca são descobertos e aqueles que o são, raramente chegam a pagar por tudo aquilo que fizeram. Em muitos países, a justiça ou nunca é feita ou então é demasiado branda, é realmente muito triste e injusto.

O roteiro chega-nos a pregar algumas partidas, por vezes, nós julgamos que vai acontecer algo a alguém ou alguma coisa, mas tudo acaba por ir em outra direção. Claro que existem aqui alguns clichés e existe perto do final, uma coisa que ficou muito mal explicada para mim. Dylan McDermott está muito bem no papel do nojento de serviço, ele cumpre bem as suas “duas personagens”, quem viu o filme saberá do que eu estou a falar. Charlie Plummer está impecável no papel do filho do nojento, ele convence enquanto alguém que descobre que o homem em que sempre confiou e que sempre o protegeu, não é nada daquilo que ele pensava. E aqui vale frisar que o jovem actor soube não só trabalhar a sua expressividade como também conseguiu imprimir no seu personagem sentimentos como desgosto, desespero, insegurança, medo, desprezo e principalmente amor. E Madisen Beaty tem aqui a melhor personagem feminina do filme, eu adorei a sua Kassi, ela é não só uma espécie de personagem “chave”, como também um factor importante e determinante para a resolução de tudo isto. Vale frisar também a fantástica química que existe entre Tyler e Kassi, estes dois personagens funcionam muito bem juntos, embora cada um deles funcione também em separado. Em relação ao final, foi uma surpresa para mim, mas eu gostei da maneira como tudo terminou.

Benzinho

Nome do Filme : “Benzinho”
Titulo Inglês : “Loveling”
Titulo Português : “Benzinho”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Gustavo Pizzi
Produção : Gustavo Pizzi/Tatiana Leite
Elenco : Karine Teles, Adriana Esteves, Octávio Muller, Konstantinos Sarris, Arthur Teles Pizzi, Francisco Teles Pizzi, César Troncoso, Mateus Solano, Pablo Riera.

História : O primogénito de uma família de classe média é convidado para estudar na Alemanha e lança a sua mãe numa espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã, lidar com os problemas de casa, conviver com as instabilidades do marido e se desdobrar para dar atenção e cuidar dos seus outros três filhos, ela terá de enfrentar a sua partida antes de estar preparada para tal.

Comentário : Com alguns filmes bons para serem inscritos na lista do pré-óscar de melhor filme estrangeiro deste ano, não se entende que o escolhido tenha sido um filme tão fraco que eu nem me apetece vir aqui comentar, e o mesmo se passa com o nosso país, nós temos filmes bem melhores do que aquele que nos vai representar lá fora na grande cerimónia das estatuetas douradas, mas enfim. Tudo isto para dizer que este “Benzinho” podia muito bem ser o escolhido, não só por ser um filme bem melhor como também por ser um filme muito humano e realista. Pessoalmente, eu gostei bastante de ter conhecido a história desta família, em que o foco se concentra mais na mulher da casa, uma esposa e mãe bem desesperada. Ao olharmos bem para esta mulher, é muito fácil percebermos que aquilo que se passa com ela não difere muito do que acontece em outras casas. No início, é tudo muito bonito, mas quando os maridos se acomodam à vida de casados e quando os filhos começam a crescer, chegam os problemas. Eu próprio, já testemunhei duas ou três situações que vi aqui em outros locais e até mesmo uma determinada situação em particular na minha casa há uns bons anos. E com isso, é muito fácil para qualquer espectador se identificar com cada um dos elementos que compõem esta família. É também muito fácil nós ficarmos do lado desta mãe, anormal seria o contrário, e acreditem, esta mulher vive uma situação bem complicada e desesperante. No papel principal, encontramos uma muito profissional Karine Teles, esta actriz veterana tem aqui a melhor prestação do longa, como eu já frisei anteriormente, é muito fácil ficarmos do seu lado, porque ela é bastante convincente e representa o real. Adriana Esteves é uma das melhores actrizes brasileiras, ela aqui está a fazer aquilo que sabe fazer melhor, representar bem. Octávio Muller passa bem a mensagem de como são grande parte dos maridos de hoje, ou seja, uns incompetentes. E Konstantinos Sarris manda bem no papel do filho ingrato e irresponsável. No geral, estamos perante uma obra eficaz, um filme sobre a família muito actual.

domingo, 18 de novembro de 2018

Burning

Nome do Filme : “Beoning”
Titulo Inglês : “Burning”
Ano : 2018
Duração : 148 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Lee Chang-dong
Produção : Lee Chang-dong/Gwang-hee Ok/Joon-dong Lee
Elenco : Ah-In Yoo, Jong-seo Jeon, Steven Yeun, Soo-Kyung Kim, Seung-ho Choi, Seong-kun Mun, Bok-gi Min, Soo-Jeong Lee, Hye-ra Ban, Mi-Kyung Cha, Bong-ryeon Lee, Wonhyeong Jang, Seok-Chan Jeon, Joong-ok Lee, Ja-Yeon Ok.

História : Durante um dia normal de trabalho como entregador, Jong-soo reencontra Hae-mi, uma antiga amiga que vivia no mesmo bairro que ele. A jovem está com uma viagem marcada para o exterior e pede para Jong-soo cuidar do seu gato de estimação enquanto está longe. Passados uns tempos, Hae-mi volta para casa na companhia de Ben, um homem misterioso que conheceu em África. No entanto, o forasteiro tem um hobby peculiar, que está prestes a ser revelado aos amigos.

Comentário : E para terminar mais um fim-de-semana em grande, resolvi fazê-lo vendo um filme coreano, que confesso ter gostado bastante. Antes de mais, tenho que dizer que este não é um filme para todos os tipos de público, tudo devido a ser não só uma obra muito simples como também por ser detentora de um ritmo muito lento, não é por isso uma narrativa que agrade à maioria. Outro factor que também irá desagradar a todos aqueles que adoram as grandes produções americanas, é o facto deste filme ser muito longo, são quase duas horas e meia de uma história que nos é contada e mostrada muito lentamente e aparentemente sem grande coisa a acontecer durante esse tempo. Mas a todos aqueles que amam o verdadeiro cinema e estiverem dispostos a conhecer uma nova história, poderão embarcar nesta aventura cheia de mistério e imagens bonitas. O filme tem uma excelente fotografia e está muito bem filmado.

Alguns defendem que se o realizador tirasse algumas cenas a fim de deixar o filme mais enxuto, as coisas seriam melhores. Claro que eu não concordo com isso, eu gostei de cada uma das cenas deste filme e embora algumas tivessem parecido demasiado simples, certamente terão o devido significado para o todo, penso realmente que nada estava ali ao acaso ou para preencher espaços. O que eu quero dizer com isto é que não senti que alguma cena estivesse a mais no filme, todas as cenas contribuíram e bem para culminar naquele final e serviram principalmente para compreendermos minimamente as três personagens centrais. A cena do gato na garagem é uma das melhores do filme, pelo seu significado. Mas todo o filme está cheio de bons momentos e de cenas muito bonitas. A nível das interpretações, eu adorei o registo da actriz Jong-seo Jeon, ela representa muito bem o papel da amiga de infância do protagonista, para além de possuir uma personagem bem agradável e fácil de empatizar. E como protagonista masculino, Ah-In Yoo, está soberbo nesse papel, eu adorei o seu personagem, já para não falar da química dele com ela que é perfeita e funcional. Sobre o final, confesso que não estava nada à espera daquilo, mas adorei o que Jong-soo fez para que houvesse justiça. Sem dúvidas, um dos grandes filmes deste ano.


Cam

Nome do Filme : “Cam”
Titulo Inglês : “Cam”
Ano : 2018
Duração : 94 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller
Realização : Daniel Goldhaber
Produção : Isabelle Link-Levy/John H. Lang/Adam Hendricks/Greg Gilreath
Elenco : Madeline Brewer, Patch Darragh, Melora Walters, Devin Druid, Imani Hakim, Michael Dempsey, Flora Diaz, Samantha Robinson, Jessica Parker Kennedy, Linda Griffin, Quei Tann, Clint Jung, Carl Donelson, Brayden Skoglund, Emily Berry.

História : Uma “cam girl” com a popularidade em alta tem a sua conta roubada por uma sósia e precisa identificar a farsante para reaver a sua identidade.

Comentário : A sétima arte está sempre a arranjar maneira de reinventar-se, buscando novas formas de contar histórias e mesmo de mostrar os seus filmes. Este “Cam” é mais dessa intenção, estamos mais ou menos perante uma história inédita. Aquilo que acontece aqui à nossa protagonista podia acontecer a qualquer pessoa que se aventura na internet. E tendo isso em conta, vale frisar o comentário de um personagem do filme em determinada altura : “se não queres problemas, não vás à Internet, deixa isso”. Eu não sei se esse mesmo personagem tem ou não razão ou se é assim tão fácil, mas o facto é que se alguém não quer ter problemas, basta para isso não se meter nas coisas, não se envolver. A maneira de ganhar a vida que a protagonista tem, é já de si, bem peculiar, quem assiste ao filme, fica pasmado com certas situações. E as coisas tendem sempre a piorar e acreditem, no caso de Alice, as coisas vão mesmo atingir proporções verdadeiramente preocupantes.

O filme é muito confuso, eu próprio não percebi umas duas ou três coisas. É também uma fita com um visual muito agressivo, sendo o quarto da protagonista o melhor cenário do filme, a mim, apetecia-me lá estar com ela a participar daquelas brincadeiras e a envolver-me nelas. Houveram pessoas que levaram a coisa para o lado sobrenatural, eu não concordo com isso, acredito fielmente que aquilo podia acontecer, hoje em dia a tecnologia já está muito avançada e roubos de identidade já existem. Ainda assim, algumas coisas não fizeram muito sentido e outras careciam de uma explicação. Madeline Brewer desempenhou muito bem a sua Alice e a sua Lola, as prestações desta jovem actriz estão bastante aceitáveis. O elenco de secundários é competente. Sobre o final, tenho que dizer que fiquei boquiaberto com tudo o que Alice fez para tentar resolver o problema de vez. A internet tem muita coisa de positivo, mas também tem imensa coisa má, temos que estar bem atentos. O filme mostra que, mesmo tendo muito cuidado, essas coisas podem acontecer à mesma.

sábado, 17 de novembro de 2018

Cold War

Nome do Filme : “Zimna Wojna”
Titulo Inglês : “Cold War”
Titulo Português : “Guerra Fria”
Ano : 2018
Duração : 88 minutos
Género : Drama/Romance/Histórico
Realização : Pawel Pawlikowski
Produção : Ewa Puszczynska/Tanya Seghatchian
Elenco : Joanna Kulig, Tomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza, Cedric Kahn, Jeanne Balibar, Adam Woronowicz, Adam Ferency, Anna Zagorska.

História : Durante a Guerra Fria, entre a Polónia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.

Comentário : Boas noites, meus amigos, hoje trago um filme polaco, algo que é aquilo que de melhor se faz a nível de cinema pela Europa. A realização é de Pawel Pawlikowski, que ganhou 1 óscar de melhor longa metragem com o seu “Ida” de 2013, um dos meus filmes preferidos. Tal como o referido filme, também este “Cold War” é a preto e branco e num formato diferente e muito apelativo. Mas este filme possui uma componente musical mais presente e confesso que isso em nada atrapalhou a experiência. E nesse sentido, foi com grande prazer que eu testemunhei o nascimento e a evolução do grupo musical “Mazurka”, mas infelizmente a dada altura do filme, isso é deixado de lado para se focar na relação entre o “casal” protagonista. A recriação de época está simplesmente perfeita, aliás, em determinadas cenas parece mesmo que estamos a ver imagens reais daquele período. E voltando a falar na fotografia, ao contrário do que costuma acontecer com alguns filmes recentes, o preto e branco contribuiu bastante para tornar tudo mais real e mágico, realmente, eu adoro a magia do cinema. A banda sonora é de luxo, com destaque evidente para as canções e prestações das “Mazurka”, tudo é agradável aos nossos ouvidos, convém para isso assistir a este filme com o som bem alto. A nível das interpretações, a Joanna Kulig está de parabéns, esta actriz não só se safa a cantar como também representa muito bem o seu papel e acaba por nos oferecer a melhor prestação do filme. No entanto, eu não gostei muito do evoluir da sua personagem, mas a vida é assim mesmo, não é justa. No papel do “companheiro” dela, encontramos um muito bom Tomasz Kot, eu confesso que ele foi o segundo melhor personagem deste filme. Além disso, a química existente entre estes dois é palpável, sente-se em cada frame que contracenam juntos. Vou confessar uma coisa, costumo rever o filme “Ida” quando tenho saudades dele e tal como ele, considero este “Cold War” como sendo um dos melhores filmes que vi.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Porcupine Lake

Nome do Filme : “Porcupine Lake”
Titulo Inglês : “Porcupine Lake”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Ingrid Veninger
Produção : Ingrid Veninger
Elenco : Charlotte Salisbury, Lucinda Armstrong Hall, Christopher Bolton, Delphine Roussel, Maxime Robin, Harrison Tanner, Jacqui Brown, Hallie Switzer, Cassaundra Sloan, Brad Linton, Grace Cowden, Walker Fournier, Aliisa Lehto, Pam Martin, Tracey Devine, Jocelyne Lehto, Eric Lehto, Doug Mclean, Kerri Rutledge, Jean Gendron, Mika Amonsen, Perry Gendron, Keri Bailey, Shauna Bailey, Gwyllym Siberry.

História : Bea é uma adolescente cujos pais estão em crise. Depois de três meses separados, os seus pais decidem tentar novamente e Bea e a mãe vão passar o verão à casa dele, que reside numa zona rural. Sem quase nada para fazer além de brincar e passear com o seu cão, Bea conhece uma menina da sua idade chamada Kate, e as duas tornam-se amigas. Nos próximos tempos, Bea terá em Kate não só a sua maior amizade já conquistada como também a sua primeira experiência amorosa.

Comentário : Hoje trago-vos um filme muito interessante sobre a relação entre duas raparigas, tudo muito inocente, diga-se se passagem. O tema da adolescência no cinema já não é novidade para ninguém, está até bastante velho, mas é sempre bom conhecermos mais uma história. O filme fala não só da relação entre duas melhores amigas, como também da complicada relação amorosa existente entre os pais de uma delas, da nossa menina protagonista. Temos algumas cenas interessantes, todas elas entre as duas amigas, de facto, é impressionante testemunharmos como as jovens, de uma maneira geral, interpretam as suas descobertas e o despertar da respectiva sexualidade. O actor que desempenha o papel do pai de Bea tem uma interpretação razoável, no entanto, o roteiro peca pelo facto de nos dar uma determinada ideia dele, para depois nos atirar à cara uma revelação algo forçada também sobre ele, tudo para justificar o fracasso da sua relação com a esposa. Eu não engoli essa espécie de twist. No papel da mãe da protagonista, Delphine Roussel vai bem, ela interpreta uma mãe um pouco egoísta que não liga para a boa relação que a filha tem com o pai, sendo também uma mulher problemática e que implica com a nova amiga da filha, sem motivo aparente. Aquilo que me pareceu foi que a mulher não se preocupa com a felicidade da família. No papel da protagonista, Charlotte Salisbury manda muito bem no seu registo, é muito fácil nos apegarmos à sua personagem e torcermos para que tudo dê certo para a sua Bea. A bonita Lucinda Armstrong Hall consegue a melhor prestação do longa, no papel da melhor amiga e algo mais de Bea, a sua Kate convence e as duas jovens actrizes possuem uma boa química entre elas. É também estabelecida as diferenças entre uma família normal e uma família disfuncional, tudo medido numa balança que nunca escolhe um lado e que também não condena nenhuma das duas. O filme é assim uma agradável descoberta.



domingo, 11 de novembro de 2018

Overlord

Nome do Filme : “Overlord”
Titulo Inglês : “Overlord”
Titulo Português : “Operação Overlord”
Ano : 2018
Duração : 109 minutos
Género : Guerra/Mystery/Terror
Realização : Julius Avery
Produção : J. J. Abrams
Elenco : Jovan Adepo, Mathilde Ollivier, Wyatt Russell, Pilou Asbaek, John Magaro, Iain De Caestecker, Jacob Anderson, Dominic Applewhite, Bokeem Woodbine, Gianny Taufer, Joseph Quinn, Erich Redman, Mark McKenna, Marc Rissmann, Michael Epp, Tom Mothersdale, Ross Tomlinson, Ben Tavassoli, Shubham Saraf, Andy Wareham.

História : Nos dias anteriores às operações de desembarque na Normandia, em 1944, um grupo de pára-quedistas americanos “aterra” perto de uma aldeia francesa ocupada pelos alemães. A missão é simples mas fundamental : destruir um transmissor de rádio no topo de uma igreja. Mas o que eles vão descobrir num laboratório médico nazi situado debaixo do edifício vai não só surpreendê-los como também colocar em risco a missão para a qual foram destacados.

Comentário : Mais do que uma referência às horríveis experiências médicas que Josef Mengele e outros médicos e cientistas nazis faziam em muitos judeus (alguns deles crianças), este é a cima de tudo um filme de guerra arquitectado em três géneros : o inferno da Guerra, o perfeito clima de Mistério e o inferno do Terror pelo desconhecido que ocupa praticamente todo o terceiro acto do filme. Estamos perante um filme competente e isso deve-se não por causa do seu realizador mas devido ao seu produtor, J. J. Abrams, o homem responsável pelas novas trilogias de “Star Trek” e “Star Wars”, que convinhamos, muito sucesso da crítica e do público têm feito. O elenco é todo masculino, à excepção de uma personagem feminina que tem uma grande utilidade para a trama. E por falar nela, Mathilde Ollivier está muito boa nesta sua personagem, tem cenas dela que são um deleite. O Jovan Adepo vai muito bem no papel do soldado bom que se encontra num ambiente que em nada o caracteriza, mas quando é preciso ir à luta, ele vai a fundo. E o Wyatt Russell está apenas operante, o que ele faz de melhor é mostrar o dilema de ser alguém que tem que fazer de tudo para cumprir a sua missão. É um filme muito violento, existem cenas bem nojentas, não o aconselho a mentes mais sensíveis. As cenas de guerra estão impecáveis e realistas, os efeitos especiais convencem e o som é espectacular. Mas o realizador usa e abusa do gore e da violência e estes elementos quando são usados em demasia, perdem o seu impacto e deixam de surtir o efeito desejado. O filme peca por isso, por ter muito exagero e alguns clichés. Existe toda uma sequência que envolve uma criança que é bem tensa e aflitiva. Por último, temos aquilo que mais me irrita nos filmes, o humor e aqui ele não tem utilidade nenhuma. Quando um filme é dramático e sério, ele não necessita de ter piadas e humor, porque na vida real, as coisas não funcionam assim. Mas no geral, é um filme competente.

The Miseducation Of Cameron Post

Nome do Filme : “The Miseducation Of Cameron Post”
Titulo Inglês : “The Miseducation Of Cameron Post”
Titulo Português : “A Deseducação de Cameron Post”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Desiree Akhavan
Produção : Michael Clark/Cecilia Frugiuele/Jonathan Montepare/Alex Turtletaub
Elenco : Chloe Grace Moretz, Quinn Shephard, Sasha Lane, Steven Hauck, Kerry Butler, Dalton Harrod, McCabe Slye, Dale Soules, John Gallagher Jr, Emily Skeggs, Marin Ireland, Forrest Goodluck, Melanie Ehrlich, Owen Campbell, Christopher Dylan White, Isaac Jin Solstein, Jennifer Ehle, Andre Blake, Francesca Noel, Christina Karabiyik, Chloe Roe.

História : Uma adolescente é vítima de uma sociedade profundamente inquisidora que a renega e a envia para uma espécie de centro de conversão de género, apenas porque gosta de raparigas e por ter sido apanhada no meio de uma relação sexual com a sua melhor amiga.

Comentário : Em primeiro lugar e penso não ser segredo para quem já me segue neste espaço há algum tempo, eu detesto aqueles filmes que nos impingem a religião, seja ela qual for, à força, e este filme faz isso quase na sua totalidade. Claro que não gostei nada desta experiência, não só devido a isso, como também ao facto da história ser uma porcaria. Imaginem uma miúda que é “apanhada” a ter relações íntimas com a melhor amiga e que sofre várias condenações morais. A situação chega ao ponto dela ser renegada pela sociedade e colocada num centro religioso, onde não só a querem obrigar a ser cristã, como também pretendem transformar a sua orientação sexual, a obrigando a gostar de rapazes. Tudo isto servido com um conjunto de falsos moralismos e todo um grupo de personagens absolutamente ridículos e irritantes. Basicamente, é isto que temos neste filme.

A situação chega ao ponto da nossa protagonista se questionar sobre se aquilo que fez com a amiga estava correcto e de se sentir culpada, ao ponto de querer pedir-lhe desculpa pelo sucedido. Isto para mim, é um verdadeiro insulto à liberdade de expressão e à própria liberdade do individuo em si, naquilo que vai totalmente contra não só ao que conquistámos nas últimas décadas como também à nossa essência enquanto seres humanos. Tal como já o disse, temos personagens bem irritantes, sendo o pior a parceira de quarto da protagonista. Temos não só dois monitores profundamente autoritários e incapazes de orientar minimamente os jovens que têm em mãos, como também casos de pais irresponsáveis e que não sabem ser pais. A ação do longa decorre no início dos anos 1990, daí certos comportamentos se verificarem, ainda assim, não justificáveis. A questão da religião está quase sempre presente, chegando mesmo a nos irritar profundamente e nessa onda, alguns personagens tornam-se repulsivos. A nível das interpretações, a única que me agradou foi claramente Chloe Grace Moretz, apesar da Sasha Lane me ter despertado algum interesse na sua personagem. É um filme muito aborrecido e irritante, em momento algum eu me mantive interessado pelas suas personagens. As únicas coisas que gostei neste filme foram as prestações de Chloe Grace Moretz e de Sasha Lane e também todas as cenas entre Cameron e Coley.

sábado, 10 de novembro de 2018

Un Couteau Dans Le Coeur

Nome do Filme : “Un Couteau Dans Le Coeur”
Titulo Inglês : “Knife + Heart”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Yann Gonzalez
Produção : Charles Gillibert
Elenco : Vanessa Paradis, Kate Moran, Nicolas Maury, Jonathan Genet, Felix Maritaud, Khaled Alouach, Bertrand Mandico, Bastien Waultier, Pierre Pirol, Thibault Serviere, Pierre Emo, Jules Ritmanic, Noe Hernandez, Dourane Fall, Simon Thiebaut.

História : Na Paris do final da década de 1970, Anne é uma produtora de filmes pornográficos que sofre com o fim do seu relacionamento com a editora Lois. Os negócios não andam bem, e são ainda mais prejudicados quando um estranho assassino mascarado começa a atacar e a matar os seus principais actores. Revoltada com a passividade da polícia Anne tem uma ideia genial : fazer um filme onde encena as mortes em versão pornográfica.

Comentário : Estamos em mais um fim-de-semana, possas, como eu adoro os fins-de-semana. Hoje resolvi ver e comentar um filme francês, neste caso, o novo filme de Yann Gonzalez, que usa aqui coisas do seu filme anterior. Por exemplo, uma das actrizes que aqui entra já vem desse seu filme anterior e isso é bom, porque é sinal que os actores gostaram de trabalhar com o director, mostra confiança e competência, a cima de tudo. Sobre Vanessa Paridis, eu tenho que dizer que quando ela lançou aquele clip “Be My Babe”, naquela época, ela era linda, mas desde que se juntou com aquele nojento que já sabemos, foi sempre a piorar, o seu aspecto actual não é dos melhores. Apesar disso, Vanessa consegue aqui a melhor prestação do filme e isso só abona a favor dela. Recorde-se que a filha da actriz também já ingressou no mundo da sétima arte. No início, eu estranhei imenso este filme, o seu começo não cativa. E mesmo lá pelo meio, temos cenas que eram bem dispensáveis, mas enfim. Todo o elenco masculino está aceitável, se eles não forem gays, então imitam muito bem. O filme consegue passar a imagem correcta de como as coisas se passam naquele meio. Gostei da história de vida do personagem do assassino, é bem interessante. É igualmente um filme violento, embora não seja muito expositivo naquelas partes que já se sabe quais são, não vale a pena aqui as mencionar. A recriação de época está ok. Tem uma personagem que eu detestei, mas ainda assim, consegui achar-lhe a sua piada, pelo seu aspecto e função, claramente. É uma fita com uma forte componente sexual. Teve cenas que eu gostei bastante e a própria história em si, chega mesmo a despertar muito interesse. Vê-se bem, mas não será do agrado da maioria, por ter um ritmo lento, próprio deste tipo de produções de baixo orçamento.

domingo, 4 de novembro de 2018

La Douleur

Nome do Filme : “La Douleur”
Titulo Inglês : “Memoir Of War”
Titulo Português : “Memórias da Guerra”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama/Biográfico/Histórico
Realização : Emmanuel Finkiel
Elenco : Melanie Thierry, Benoit Magimel, Benjamin Biolay, Emmanuel Bourdieu, Gregoire Leprince-Ringuet, Anne Lise Heimburger, Patrick Lizana, Shulamit Adar, Joanna Grudzinska, Elsa Amiel, Emilien Mathey, Adele Sher, Camille Lepers.

História : Os momentos de tensão passados em 1944, quando a França estava sob a ocupação nazi e Robert, marido de Marguerite e grande activista da resistência, havia sido preso e deportado.

Comentário : Nunca é demais assistirmos a filmes ou a documentários que falem da Segunda Guerra Mundial ou do Holocausto e foi com grande prazer que vi este outro filme que aborda esses temas, pelo que gostei bastante desta fita. Desde já quero dizer que este não é um filme para qualquer um, ele possui um ritmo super lento e poderá por isso desmotivar, já que a maioria não está habituada a este tipo de cinema. A mim, quando soube do que o filme falava, despertou-me logo a atenção, afinal, ele tinha uma componente histórica e se formos a ver bem, quase tudo o que aqui vemos deve ter acontecido mesmo na vida real. Até porque o próprio filme é em si, baseado numa espécie de semi-biografia da autora, veja-se que ela e a protagonista partilham até o mesmo nome. Pode-se considerar este um filme biográfico e histórico, portanto. A recriação de época está perfeita, em certas cenas, parece que estamos mesmo naquela altura e naqueles locais, tal não é a naturalidade das coisas e dos cenários. Através de certos personagens, nós sentimos o drama real daquelas pessoas que tinham familiares presos nos campos de concentração.

A nível das interpretações, o Benjamin Biolay vai bem no papel de melhor amigo da protagonista, ele possui uma boa interpretação e a dada altura, eu questionei se foi ele quem denunciou o marido da autora. O Benoit Magimel desempenha um policia alemão, eu gostei deste personagem, porque apesar dele ser do mal, eu senti realmente que ele tinha um certo carinho e uma admiração pela protagonista. E Melanie Thierry está excelente no papel da protagonista, ou seja, da própria Marguerite Duras, a actriz tem não só a melhor prestação do filme, como lhe pertence exclusivamente a melhor personagem desta fita. Como aspectos negativos, eu gostava de ter visto o aspecto do marido da protagonista quando os amigos o trouxeram para casa, sempre daria mais uma perspectiva de como as coisas eram naquela época. Também não gostei dos monólogos em pensamento da protagonista, porque me desviava a atenção do que estava a acontecer, eu saía da narrativa principal e isso não é bom. Penso mesmo que o realizador podia ter intercalado as cenas do quotidiano da protagonista com cenas daquilo que se ia passando com o seu marido, tornaria o filme mais interessante. Mas, no geral, é um filme de época bem interessante, gostei bastante.