domingo, 18 de novembro de 2018

Burning

Nome do Filme : “Beoning”
Titulo Inglês : “Burning”
Ano : 2018
Duração : 148 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Lee Chang-dong
Produção : Lee Chang-dong/Gwang-hee Ok/Joon-dong Lee
Elenco : Ah-In Yoo, Jong-seo Jeon, Steven Yeun, Soo-Kyung Kim, Seung-ho Choi, Seong-kun Mun, Bok-gi Min, Soo-Jeong Lee, Hye-ra Ban, Mi-Kyung Cha, Bong-ryeon Lee, Wonhyeong Jang, Seok-Chan Jeon, Joong-ok Lee, Ja-Yeon Ok.

História : Durante um dia normal de trabalho como entregador, Jong-soo reencontra Hae-mi, uma antiga amiga que vivia no mesmo bairro que ele. A jovem está com uma viagem marcada para o exterior e pede para Jong-soo cuidar do seu gato de estimação enquanto está longe. Passados uns tempos, Hae-mi volta para casa na companhia de Ben, um homem misterioso que conheceu em África. No entanto, o forasteiro tem um hobby peculiar, que está prestes a ser revelado aos amigos.

Comentário : E para terminar mais um fim-de-semana em grande, resolvi fazê-lo vendo um filme coreano, que confesso ter gostado bastante. Antes de mais, tenho que dizer que este não é um filme para todos os tipos de público, tudo devido a ser não só uma obra muito simples como também por ser detentora de um ritmo muito lento, não é por isso uma narrativa que agrade à maioria. Outro factor que também irá desagradar a todos aqueles que adoram as grandes produções americanas, é o facto deste filme ser muito longo, são quase duas horas e meia de uma história que nos é contada e mostrada muito lentamente e aparentemente sem grande coisa a acontecer durante esse tempo. Mas a todos aqueles que amam o verdadeiro cinema e estiverem dispostos a conhecer uma nova história, poderão embarcar nesta aventura cheia de mistério e imagens bonitas. O filme tem uma excelente fotografia e está muito bem filmado.

Alguns defendem que se o realizador tirasse algumas cenas a fim de deixar o filme mais enxuto, as coisas seriam melhores. Claro que eu não concordo com isso, eu gostei de cada uma das cenas deste filme e embora algumas tivessem parecido demasiado simples, certamente terão o devido significado para o todo, penso realmente que nada estava ali ao acaso ou para preencher espaços. O que eu quero dizer com isto é que não senti que alguma cena estivesse a mais no filme, todas as cenas contribuíram e bem para culminar naquele final e serviram principalmente para compreendermos minimamente as três personagens centrais. A cena do gato na garagem é uma das melhores do filme, pelo seu significado. Mas todo o filme está cheio de bons momentos e de cenas muito bonitas. A nível das interpretações, eu adorei o registo da actriz Jong-seo Jeon, ela representa muito bem o papel da amiga de infância do protagonista, para além de possuir uma personagem bem agradável e fácil de empatizar. E como protagonista masculino, Ah-In Yoo, está soberbo nesse papel, eu adorei o seu personagem, já para não falar da química dele com ela que é perfeita e funcional. Sobre o final, confesso que não estava nada à espera daquilo, mas adorei o que Jong-soo fez para que houvesse justiça. Sem dúvidas, um dos grandes filmes deste ano.


Cam

Nome do Filme : “Cam”
Titulo Inglês : “Cam”
Ano : 2018
Duração : 94 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller
Realização : Daniel Goldhaber
Produção : Isabelle Link-Levy/John H. Lang/Adam Hendricks/Greg Gilreath
Elenco : Madeline Brewer, Patch Darragh, Melora Walters, Devin Druid, Imani Hakim, Michael Dempsey, Flora Diaz, Samantha Robinson, Jessica Parker Kennedy, Linda Griffin, Quei Tann, Clint Jung, Carl Donelson, Brayden Skoglund, Emily Berry.

História : Uma “cam girl” com a popularidade em alta tem a sua conta roubada por uma sósia e precisa identificar a farsante para reaver a sua identidade.

Comentário : A sétima arte está sempre a arranjar maneira de reinventar-se, buscando novas formas de contar histórias e mesmo de mostrar os seus filmes. Este “Cam” é mais dessa intenção, estamos mais ou menos perante uma história inédita. Aquilo que acontece aqui à nossa protagonista podia acontecer a qualquer pessoa que se aventura na internet. E tendo isso em conta, vale frisar o comentário de um personagem do filme em determinada altura : “se não queres problemas, não vás à Internet, deixa isso”. Eu não sei se esse mesmo personagem tem ou não razão ou se é assim tão fácil, mas o facto é que se alguém não quer ter problemas, basta para isso não se meter nas coisas, não se envolver. A maneira de ganhar a vida que a protagonista tem, é já de si, bem peculiar, quem assiste ao filme, fica pasmado com certas situações. E as coisas tendem sempre a piorar e acreditem, no caso de Alice, as coisas vão mesmo atingir proporções verdadeiramente preocupantes.

O filme é muito confuso, eu próprio não percebi umas duas ou três coisas. É também uma fita com um visual muito agressivo, sendo o quarto da protagonista o melhor cenário do filme, a mim, apetecia-me lá estar com ela a participar daquelas brincadeiras e a envolver-me nelas. Houveram pessoas que levaram a coisa para o lado sobrenatural, eu não concordo com isso, acredito fielmente que aquilo podia acontecer, hoje em dia a tecnologia já está muito avançada e roubos de identidade já existem. Ainda assim, algumas coisas não fizeram muito sentido e outras careciam de uma explicação. Madeline Brewer desempenhou muito bem a sua Alice e a sua Lola, as prestações desta jovem actriz estão bastante aceitáveis. O elenco de secundários é competente. Sobre o final, tenho que dizer que fiquei boquiaberto com tudo o que Alice fez para tentar resolver o problema de vez. A internet tem muita coisa de positivo, mas também tem imensa coisa má, temos que estar bem atentos. O filme mostra que, mesmo tendo muito cuidado, essas coisas podem acontecer à mesma.

sábado, 17 de novembro de 2018

Cold War

Nome do Filme : “Zimna Wojna”
Titulo Inglês : “Cold War”
Titulo Português : “Guerra Fria”
Ano : 2018
Duração : 88 minutos
Género : Drama/Romance/Histórico
Realização : Pawel Pawlikowski
Produção : Ewa Puszczynska/Tanya Seghatchian
Elenco : Joanna Kulig, Tomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza, Cedric Kahn, Jeanne Balibar, Adam Woronowicz, Adam Ferency, Anna Zagorska.

História : Durante a Guerra Fria, entre a Polónia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.

Comentário : Boas noites, meus amigos, hoje trago um filme polaco, algo que é aquilo que de melhor se faz a nível de cinema pela Europa. A realização é de Pawel Pawlikowski, que ganhou 1 óscar de melhor longa metragem com o seu “Ida” de 2013, um dos meus filmes preferidos. Tal como o referido filme, também este “Cold War” é a preto e branco e num formato diferente e muito apelativo. Mas este filme possui uma componente musical mais presente e confesso que isso em nada atrapalhou a experiência. E nesse sentido, foi com grande prazer que eu testemunhei o nascimento e a evolução do grupo musical “Mazurka”, mas infelizmente a dada altura do filme, isso é deixado de lado para se focar na relação entre o “casal” protagonista. A recriação de época está simplesmente perfeita, aliás, em determinadas cenas parece mesmo que estamos a ver imagens reais daquele período. E voltando a falar na fotografia, ao contrário do que costuma acontecer com alguns filmes recentes, o preto e branco contribuiu bastante para tornar tudo mais real e mágico, realmente, eu adoro a magia do cinema. A banda sonora é de luxo, com destaque evidente para as canções e prestações das “Mazurka”, tudo é agradável aos nossos ouvidos, convém para isso assistir a este filme com o som bem alto. A nível das interpretações, a Joanna Kulig está de parabéns, esta actriz não só se safa a cantar como também representa muito bem o seu papel e acaba por nos oferecer a melhor prestação do filme. No entanto, eu não gostei muito do evoluir da sua personagem, mas a vida é assim mesmo, não é justa. No papel do “companheiro” dela, encontramos um muito bom Tomasz Kot, eu confesso que ele foi o segundo melhor personagem deste filme. Além disso, a química existente entre estes dois é palpável, sente-se em cada frame que contracenam juntos. Vou confessar uma coisa, costumo rever o filme “Ida” quando tenho saudades dele e tal como ele, considero este “Cold War” como sendo um dos melhores filmes que vi.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Porcupine Lake

Nome do Filme : “Porcupine Lake”
Titulo Inglês : “Porcupine Lake”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Ingrid Veninger
Produção : Ingrid Veninger
Elenco : Charlotte Salisbury, Lucinda Armstrong Hall, Christopher Bolton, Delphine Roussel, Maxime Robin, Harrison Tanner, Jacqui Brown, Hallie Switzer, Cassaundra Sloan, Brad Linton, Grace Cowden, Walker Fournier, Aliisa Lehto, Pam Martin, Tracey Devine, Jocelyne Lehto, Eric Lehto, Doug Mclean, Kerri Rutledge, Jean Gendron, Mika Amonsen, Perry Gendron, Keri Bailey, Shauna Bailey, Gwyllym Siberry.

História : Bea é uma adolescente cujos pais estão em crise. Depois de três meses separados, os seus pais decidem tentar novamente e Bea e a mãe vão passar o verão à casa dele, que reside numa zona rural. Sem quase nada para fazer além de brincar e passear com o seu cão, Bea conhece uma menina da sua idade chamada Kate, e as duas tornam-se amigas. Nos próximos tempos, Bea terá em Kate não só a sua maior amizade já conquistada como também a sua primeira experiência amorosa.

Comentário : Hoje trago-vos um filme muito interessante sobre a relação entre duas raparigas, tudo muito inocente, diga-se se passagem. O tema da adolescência no cinema já não é novidade para ninguém, está até bastante velho, mas é sempre bom conhecermos mais uma história. O filme fala não só da relação entre duas melhores amigas, como também da complicada relação amorosa existente entre os pais de uma delas, da nossa menina protagonista. Temos algumas cenas interessantes, todas elas entre as duas amigas, de facto, é impressionante testemunharmos como as jovens, de uma maneira geral, interpretam as suas descobertas e o despertar da respectiva sexualidade. O actor que desempenha o papel do pai de Bea tem uma interpretação razoável, no entanto, o roteiro peca pelo facto de nos dar uma determinada ideia dele, para depois nos atirar à cara uma revelação algo forçada também sobre ele, tudo para justificar o fracasso da sua relação com a esposa. Eu não engoli essa espécie de twist. No papel da mãe da protagonista, Delphine Roussel vai bem, ela interpreta uma mãe um pouco egoísta que não liga para a boa relação que a filha tem com o pai, sendo também uma mulher problemática e que implica com a nova amiga da filha, sem motivo aparente. Aquilo que me pareceu foi que a mulher não se preocupa com a felicidade da família. No papel da protagonista, Charlotte Salisbury manda muito bem no seu registo, é muito fácil nos apegarmos à sua personagem e torcermos para que tudo dê certo para a sua Bea. A bonita Lucinda Armstrong Hall consegue a melhor prestação do longa, no papel da melhor amiga e algo mais de Bea, a sua Kate convence e as duas jovens actrizes possuem uma boa química entre elas. É também estabelecida as diferenças entre uma família normal e uma família disfuncional, tudo medido numa balança que nunca escolhe um lado e que também não condena nenhuma das duas. O filme é assim uma agradável descoberta.



domingo, 11 de novembro de 2018

Overlord

Nome do Filme : “Overlord”
Titulo Inglês : “Overlord”
Titulo Português : “Operação Overlord”
Ano : 2018
Duração : 109 minutos
Género : Guerra/Mystery/Terror
Realização : Julius Avery
Produção : J. J. Abrams
Elenco : Jovan Adepo, Mathilde Ollivier, Wyatt Russell, Pilou Asbaek, John Magaro, Iain De Caestecker, Jacob Anderson, Dominic Applewhite, Bokeem Woodbine, Gianny Taufer, Joseph Quinn, Erich Redman, Mark McKenna, Marc Rissmann, Michael Epp, Tom Mothersdale, Ross Tomlinson, Ben Tavassoli, Shubham Saraf, Andy Wareham.

História : Nos dias anteriores às operações de desembarque na Normandia, em 1944, um grupo de pára-quedistas americanos “aterra” perto de uma aldeia francesa ocupada pelos alemães. A missão é simples mas fundamental : destruir um transmissor de rádio no topo de uma igreja. Mas o que eles vão descobrir num laboratório médico nazi situado debaixo do edifício vai não só surpreendê-los como também colocar em risco a missão para a qual foram destacados.

Comentário : Mais do que uma referência às horríveis experiências médicas que Josef Mengele e outros médicos e cientistas nazis faziam em muitos judeus (alguns deles crianças), este é a cima de tudo um filme de guerra arquitectado em três géneros : o inferno da Guerra, o perfeito clima de Mistério e o inferno do Terror pelo desconhecido que ocupa praticamente todo o terceiro acto do filme. Estamos perante um filme competente e isso deve-se não por causa do seu realizador mas devido ao seu produtor, J. J. Abrams, o homem responsável pelas novas trilogias de “Star Trek” e “Star Wars”, que convinhamos, muito sucesso da crítica e do público têm feito. O elenco é todo masculino, à excepção de uma personagem feminina que tem uma grande utilidade para a trama. E por falar nela, Mathilde Ollivier está muito boa nesta sua personagem, tem cenas dela que são um deleite. O Jovan Adepo vai muito bem no papel do soldado bom que se encontra num ambiente que em nada o caracteriza, mas quando é preciso ir à luta, ele vai a fundo. E o Wyatt Russell está apenas operante, o que ele faz de melhor é mostrar o dilema de ser alguém que tem que fazer de tudo para cumprir a sua missão. É um filme muito violento, existem cenas bem nojentas, não o aconselho a mentes mais sensíveis. As cenas de guerra estão impecáveis e realistas, os efeitos especiais convencem e o som é espectacular. Mas o realizador usa e abusa do gore e da violência e estes elementos quando são usados em demasia, perdem o seu impacto e deixam de surtir o efeito desejado. O filme peca por isso, por ter muito exagero e alguns clichés. Existe toda uma sequência que envolve uma criança que é bem tensa e aflitiva. Por último, temos aquilo que mais me irrita nos filmes, o humor e aqui ele não tem utilidade nenhuma. Quando um filme é dramático e sério, ele não necessita de ter piadas e humor, porque na vida real, as coisas não funcionam assim. Mas no geral, é um filme competente.

The Miseducation Of Cameron Post

Nome do Filme : “The Miseducation Of Cameron Post”
Titulo Inglês : “The Miseducation Of Cameron Post”
Titulo Português : “A Deseducação de Cameron Post”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Desiree Akhavan
Produção : Michael Clark/Cecilia Frugiuele/Jonathan Montepare/Alex Turtletaub
Elenco : Chloe Grace Moretz, Quinn Shephard, Sasha Lane, Steven Hauck, Kerry Butler, Dalton Harrod, McCabe Slye, Dale Soules, John Gallagher Jr, Emily Skeggs, Marin Ireland, Forrest Goodluck, Melanie Ehrlich, Owen Campbell, Christopher Dylan White, Isaac Jin Solstein, Jennifer Ehle, Andre Blake, Francesca Noel, Christina Karabiyik, Chloe Roe.

História : Uma adolescente é vítima de uma sociedade profundamente inquisidora que a renega e a envia para uma espécie de centro de conversão de género, apenas porque gosta de raparigas e por ter sido apanhada no meio de uma relação sexual com a sua melhor amiga.

Comentário : Em primeiro lugar e penso não ser segredo para quem já me segue neste espaço há algum tempo, eu detesto aqueles filmes que nos impingem a religião, seja ela qual for, à força, e este filme faz isso quase na sua totalidade. Claro que não gostei nada desta experiência, não só devido a isso, como também ao facto da história ser uma porcaria. Imaginem uma miúda que é “apanhada” a ter relações íntimas com a melhor amiga e que sofre várias condenações morais. A situação chega ao ponto dela ser renegada pela sociedade e colocada num centro religioso, onde não só a querem obrigar a ser cristã, como também pretendem transformar a sua orientação sexual, a obrigando a gostar de rapazes. Tudo isto servido com um conjunto de falsos moralismos e todo um grupo de personagens absolutamente ridículos e irritantes. Basicamente, é isto que temos neste filme.

A situação chega ao ponto da nossa protagonista se questionar sobre se aquilo que fez com a amiga estava correcto e de se sentir culpada, ao ponto de querer pedir-lhe desculpa pelo sucedido. Isto para mim, é um verdadeiro insulto à liberdade de expressão e à própria liberdade do individuo em si, naquilo que vai totalmente contra não só ao que conquistámos nas últimas décadas como também à nossa essência enquanto seres humanos. Tal como já o disse, temos personagens bem irritantes, sendo o pior a parceira de quarto da protagonista. Temos não só dois monitores profundamente autoritários e incapazes de orientar minimamente os jovens que têm em mãos, como também casos de pais irresponsáveis e que não sabem ser pais. A ação do longa decorre no início dos anos 1990, daí certos comportamentos se verificarem, ainda assim, não justificáveis. A questão da religião está quase sempre presente, chegando mesmo a nos irritar profundamente e nessa onda, alguns personagens tornam-se repulsivos. A nível das interpretações, a única que me agradou foi claramente Chloe Grace Moretz, apesar da Sasha Lane me ter despertado algum interesse na sua personagem. É um filme muito aborrecido e irritante, em momento algum eu me mantive interessado pelas suas personagens. As únicas coisas que gostei neste filme foram as prestações de Chloe Grace Moretz e de Sasha Lane e também todas as cenas entre Cameron e Coley.

sábado, 10 de novembro de 2018

Un Couteau Dans Le Coeur

Nome do Filme : “Un Couteau Dans Le Coeur”
Titulo Inglês : “Knife + Heart”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Yann Gonzalez
Produção : Charles Gillibert
Elenco : Vanessa Paradis, Kate Moran, Nicolas Maury, Jonathan Genet, Felix Maritaud, Khaled Alouach, Bertrand Mandico, Bastien Waultier, Pierre Pirol, Thibault Serviere, Pierre Emo, Jules Ritmanic, Noe Hernandez, Dourane Fall, Simon Thiebaut.

História : Na Paris do final da década de 1970, Anne é uma produtora de filmes pornográficos que sofre com o fim do seu relacionamento com a editora Lois. Os negócios não andam bem, e são ainda mais prejudicados quando um estranho assassino mascarado começa a atacar e a matar os seus principais actores. Revoltada com a passividade da polícia Anne tem uma ideia genial : fazer um filme onde encena as mortes em versão pornográfica.

Comentário : Estamos em mais um fim-de-semana, possas, como eu adoro os fins-de-semana. Hoje resolvi ver e comentar um filme francês, neste caso, o novo filme de Yann Gonzalez, que usa aqui coisas do seu filme anterior. Por exemplo, uma das actrizes que aqui entra já vem desse seu filme anterior e isso é bom, porque é sinal que os actores gostaram de trabalhar com o director, mostra confiança e competência, a cima de tudo. Sobre Vanessa Paridis, eu tenho que dizer que quando ela lançou aquele clip “Be My Babe”, naquela época, ela era linda, mas desde que se juntou com aquele nojento que já sabemos, foi sempre a piorar, o seu aspecto actual não é dos melhores. Apesar disso, Vanessa consegue aqui a melhor prestação do filme e isso só abona a favor dela. Recorde-se que a filha da actriz também já ingressou no mundo da sétima arte. No início, eu estranhei imenso este filme, o seu começo não cativa. E mesmo lá pelo meio, temos cenas que eram bem dispensáveis, mas enfim. Todo o elenco masculino está aceitável, se eles não forem gays, então imitam muito bem. O filme consegue passar a imagem correcta de como as coisas se passam naquele meio. Gostei da história de vida do personagem do assassino, é bem interessante. É igualmente um filme violento, embora não seja muito expositivo naquelas partes que já se sabe quais são, não vale a pena aqui as mencionar. A recriação de época está ok. Tem uma personagem que eu detestei, mas ainda assim, consegui achar-lhe a sua piada, pelo seu aspecto e função, claramente. É uma fita com uma forte componente sexual. Teve cenas que eu gostei bastante e a própria história em si, chega mesmo a despertar muito interesse. Vê-se bem, mas não será do agrado da maioria, por ter um ritmo lento, próprio deste tipo de produções de baixo orçamento.

domingo, 4 de novembro de 2018

La Douleur

Nome do Filme : “La Douleur”
Titulo Inglês : “Memoir Of War”
Titulo Português : “Memórias da Guerra”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama/Biográfico/Histórico
Realização : Emmanuel Finkiel
Elenco : Melanie Thierry, Benoit Magimel, Benjamin Biolay, Emmanuel Bourdieu, Gregoire Leprince-Ringuet, Anne Lise Heimburger, Patrick Lizana, Shulamit Adar, Joanna Grudzinska, Elsa Amiel, Emilien Mathey, Adele Sher, Camille Lepers.

História : Os momentos de tensão passados em 1944, quando a França estava sob a ocupação nazi e Robert, marido de Marguerite e grande activista da resistência, havia sido preso e deportado.

Comentário : Nunca é demais assistirmos a filmes ou a documentários que falem da Segunda Guerra Mundial ou do Holocausto e foi com grande prazer que vi este outro filme que aborda esses temas, pelo que gostei bastante desta fita. Desde já quero dizer que este não é um filme para qualquer um, ele possui um ritmo super lento e poderá por isso desmotivar, já que a maioria não está habituada a este tipo de cinema. A mim, quando soube do que o filme falava, despertou-me logo a atenção, afinal, ele tinha uma componente histórica e se formos a ver bem, quase tudo o que aqui vemos deve ter acontecido mesmo na vida real. Até porque o próprio filme é em si, baseado numa espécie de semi-biografia da autora, veja-se que ela e a protagonista partilham até o mesmo nome. Pode-se considerar este um filme biográfico e histórico, portanto. A recriação de época está perfeita, em certas cenas, parece que estamos mesmo naquela altura e naqueles locais, tal não é a naturalidade das coisas e dos cenários. Através de certos personagens, nós sentimos o drama real daquelas pessoas que tinham familiares presos nos campos de concentração.

A nível das interpretações, o Benjamin Biolay vai bem no papel de melhor amigo da protagonista, ele possui uma boa interpretação e a dada altura, eu questionei se foi ele quem denunciou o marido da autora. O Benoit Magimel desempenha um policia alemão, eu gostei deste personagem, porque apesar dele ser do mal, eu senti realmente que ele tinha um certo carinho e uma admiração pela protagonista. E Melanie Thierry está excelente no papel da protagonista, ou seja, da própria Marguerite Duras, a actriz tem não só a melhor prestação do filme, como lhe pertence exclusivamente a melhor personagem desta fita. Como aspectos negativos, eu gostava de ter visto o aspecto do marido da protagonista quando os amigos o trouxeram para casa, sempre daria mais uma perspectiva de como as coisas eram naquela época. Também não gostei dos monólogos em pensamento da protagonista, porque me desviava a atenção do que estava a acontecer, eu saía da narrativa principal e isso não é bom. Penso mesmo que o realizador podia ter intercalado as cenas do quotidiano da protagonista com cenas daquilo que se ia passando com o seu marido, tornaria o filme mais interessante. Mas, no geral, é um filme de época bem interessante, gostei bastante.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Transit

Nome do Filme : “Transit”
Titulo Inglês : “Transit”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Christian Petzold
Produção : Florian Koerner Von Gustorf/Antonin Dedet
Elenco : Paula Beer, Franz Rogowski, Godehard Giese, Maryam Zaree, Lilien Batman, Barbara Auer, Matthias Brandt, Sebastian Hulk, Emilie de Preissac, Antoine Oppenheim, Louison Tresallet, Justus Von Dohnanyi, Alex Brendemuhl, Trystan Putter, Ronald Kukulies, Agnes Regolo, Thierry Otin, Gregoire Monsaingeon, Brahim El Abdouni, Jean-Jerome Esposito, Stina Soliva, Elisa Voisin.

História : Quando Georg tenta fugir da França após a invasão nazista, ele rouba os manuscritos de um autor falecido e assume a sua identidade. Preso em Marseille, acaba conhecendo Marie, que está desesperada para encontrar o seu marido desaparecido, o mesmo que Georg está fingindo ser. Para complicar ainda mais as coisas, ele começa a se apaixonar por ela.

Comentário : Este novo filme do realizador Christian Petzold passa-se durante o nazismo e fala sobre refugiados e migrantes que procuravam uma vida melhor em outros países. Mas o filme não vive apenas do drama, ele também possui uma ligeira componente romântica, ainda que não se trate propriamente de um romance. É igualmente um filme que vive muito das relações que se estabelecem entre cinco personagens principais, aqui tudo muito bem trabalhado pelo director e por cinco fantásticos actores, onde eu destaco Franz Rogowski e obviamente Paula Beer. O primeiro desempenha o papel do protagonista, ele tornou o seu personagem bastante convincente, o seu Georg é um homem firme e determinado nos seus propósitos e dá gosto vê-lo contracenar com Marie. Esta é muito bem interpretada pela sempre competente Paula Beer, que tem nesta sua personagem uma mulher cheia de sofrimento e ternura, mas também muito amor para dar. Aliás, o elo que se vai criando entre Marie e Georg é o melhor do filme, mas infelizmente aparece muito tarde.

Tudo porque o argumento fez o protagonista conhecer duas pessoas que apesar de terem peso emocional na trama, em nada adiantam para a história principal. Mesmo assim, eu gostei imenso dessas duas personagens descartáveis. Nota igualmente positiva para a recriação de época que está perfeita, sendo que toda a ambientação do filme é cativante e nos envolve durante cerca de noventa minutos. A coisa funciona tão bem que, por momentos, parece estarmos lá, naquela época e na companhia daquelas pessoas. Porque no fundo, aquilo que vemos no filme aconteceu de verdade, existiram pessoas que passaram por todos aqueles dramas nas suas vidas pessoais. Por último, tenho mesmo que dizer que o final em aberto não condiz em nada com aquilo que vimos durante um filme inteiro, aquele fim não era de todo o mais desejado para a narrativa que o realizador teceu. Posto tudo isto, este “Transit” não é o melhor filme de Christian Petzold, mas é uma fita bastante razoável que aborda algumas das consequências do pior acontecimento da história da Humanidade. Um dos filmes mais interessantes do ano, portanto.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bohemian Rhapsody

Nome do Filme : “Bohemian Rhapsody”
Titulo Inglês : “Bohemian Rhapsody”
Titulo Português : “Bohemian Rhapsody”
Ano : 2018
Duração : 134 minutos
Género : Biográfico/Drama/Music
Realização : Bryan Singer/Dexter Fletcher
Produção : Jim Beach/Graham King
Elenco : Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aidan Gillen, Allen Leech, Tom Hollander, Aaron McCusker, Meneka Das, Ace Bhatti, Priya Blackburn, Dermot Murphy, Dickie Beau, Max Bennett, Jess Radomska, Leila Crerar.

História : Freddie Mercury e quinze anos da trajétoria de uma das maiores bandas musicais de todos os tempos.

Comentário : Pessoal, deixem-me explicar uma coisa : eu sei que o Bryan Singer é aquele que surge creditado como realizador do filme, mas seria uma grande injustiça não frisar também o realizador Dexter Fletcher. Aquilo que aconteceu foi que Bryan Singer realizou metade do longa, mas não o fez da melhor forma, ele faltava durante dias das filmagens, tinha um mau comportamento e desapareceu mesmo do set de filmagens, razão pela qual chamaram o também realizador Dexter Fletcher para filmar aquilo que faltava do filme e ele aceitou, e isso foi muito bom, porque permitiu que “Bohemian Rhapsody” visse a luz do dia enquanto produção cinematográfica, enquanto filme. E para grande alegria dos demais, no caso deste filme, não se sentiu aquele efeito sentido no filme “Liga da Justiça”, em que este pareceu mesmo um filho de dois pais, ou seja, uma obra com duas visões e extremamente picotada. Bom, posto isto, vamos ao filme.

Em primeiro lugar, eu estava muito receoso deste filme, porque fazer uma fita que retratasse a carreira e as vidas dos quatro elementos desta banda musical e dos Queen enquanto conjunto, não é uma tarefa nada fácil, tanto que assim, que este filme sofreu inúmeros problemas e demorou imenso a ser filmado e produzido. E na minha opinião, eu não podia estar mais correcto. Confesso que me senti muito bem ao vê-lo, me diverti bastante durante o longa e vibrei com as músicas e com os espectáculos, mas meus amigos, como filme que fala dos Queen e das relações entre os seus quatro membros ou mesmo como homenagem à banda, o filme falha redondamente. Quanto muito, este filme mostra e aborda um pouco daquilo que foi o grande Freddie Mercury, enquanto que sobre a banda é tudo muito superficial. É um filme com pouco conteúdo informativo ou biográfico, portanto. Este não é seguramente o filme sobre os Queen e sobre Freddy Mercury que os admiradores desta banda e deste vocalista queriam ver, nós queríamos mais e isso não se verificou. No entanto, o filme tem muitos méritos : o som e os espectáculos retratados no filme são muito bons e nesse aspecto a acústica da sala de cinema conta muito, os figurinos estão excelentes, todo o aspecto visual e mesmo técnico está perfeito fazendo com que o filme seja bastante apelativo e cativante. As interpretações são boas, com destaque para Rami Malek que, apesar de eu ter preferido ver Sacha Baron Cohen no papel, está muito bem e chega a parecer Freddie na maior parte de tempo em cena. O Gwilym Lee está igual ao Brian May, eu fiquei chocado. E o melhor do longa é o concerto final – Live Aid – que encerra o filme.


BlacKkKlansman

Nome do Filme : “BlacKkKlansman”
Titulo Inglês : “BlacKkKlansman”
Titulo Português : “BlacKkKlansman : O Infiltrado”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Biográfico/Crime/Histórico/Drama
Realização : Spike Lee
Produção : Spike Lee/Jordan Peele/Jason Blum
Elenco : John David Washington, Adam Driver, Alec Baldwin, Laura Harrier, Isiah Whitlock Jr, Michael Buscemi, Damaris Lewis, Corey Hawkins, Ryan Eggold, Topher Grace, Jasper Paakkonen, Paul Walter Hauser, Ashlie Atkinson, Robert John Burke, Ken Garito, Frederick Weller, Ato Blankson-Wood, Nicholas Turturro, Ryan Preimesberger, Harry Belafonte.

História : No final da década de 1970, Estados Unidos, Ron Stallworth torna-se o primeiro detective negro a entrar na polícia de Colorado Springs, o que não é fácil em termos da forma como é recebido e tratado pelos colegas. Um dia, acaba por se infiltrar na secção local do Ku Klux Klan, falando ao telefone com os líderes, ganhando o respeito deles e mandando ir às reuniões em seu lugar um colega que é branco e judeu. Ao mesmo tempo, vai-se apaixonando por uma líder local dos direitos civis.

Comentário : Antes de mais, tenho que confessar que nunca gostei muito do cinema de Spike Lee, embora respeite muito o homem em questão bem como o seu trabalho pela sétima arte. Este seu novo filme fez-me arrepender de ter ignorado o seu trabalho ao longo de todos esses anos. Eu adorei este filme e já o considero um dos melhores deste ano. Trata-se não só de um drama biográfico, como também de uma obra de cariz histórico, visto que isto que aqui vemos aconteceu de verdade. E eu fiquei mais rico culturalmente depois de ter assistido a este filme, devo isso a Spike Lee. Gostei bastante de ter conhecido esta história e de ter mais uma prova de que o ser humano é o pior dos seres, temos vários exemplos e provas disso ao longo de toda a história da Humanidade e este filme foca-se no racismo e na intolerância. O filme mostra brancos que odeiam negros, a maioria não tem motivo para isso, eles os odeiam simplesmente porque sim e porque foram ensinados a isso. No centro da trama, temos um negro que tem o sonho de se tornar um polícia e de praticar o bem. No entanto, ele encontra muitas entraves nesse caminho, por exemplo, o colega nojento que faz bullying com ele ou ainda, perto do final, quando dois colegas seus não acreditam nele e quase contribuem para que suceda uma tragédia. A recriação de época está fenomenal e a banda sonora é nossa amiga. A nível das interpretações, claro que John David Washington está perfeito no papel do protagonista, ele é totalmente crível. Adam Driver é também um excelente profissional e está óptimo neste registo. A Laura Harrier manda bem com a sua personagem, embora eu não goste muito de a ver com aquele visual, gostei mais de a ver em “Homecoming”. Todos os secundários estão de parabéns, principalmente o actor Jasper Paakkonen, o seu personagem me irritou bastante. Por último, resta-me apenas dizer que o filme possui muitas mensagens, sendo a principal aquela que eu frisei no inicio do comentário, mas a ela pode juntar-se o facto de os americanos serem, por influência, um dos piores povos do mundo e também o facto dos seres humanos serem não só os piores dos seres, como também serem dotados de muita estupidez por não perceberem que somos todos iguais, independentemente das diferenças. Grande filme.

domingo, 28 de outubro de 2018

Halloween

Nome do Filme : “Halloween”
Titulo Inglês : “Halloween”
Titulo Português : “Halloween”
Ano : 2018
Duração : 106 minutos
Género : Terror
Realização : David Gordon Green
Produção : Malek Akkad/Bill Block/Jason Blum
Elenco : Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton, James Jude Courtney, Nick Castle, Haluk Bilginer, Rhian Rees, Virginia Gardner, Jefferson Hall, Toby Huss, Dylan Arnold, Miles Robbins, Jibrail Nantambu, Sophia Miller.

História : Faz agora quarenta anos que Laurie Strode foi vítima do terrível Michael Myers, que foi capturado e passou essas quatro décadas encerrado num hospital psiquiátrico. Ao longo desse tempo, Laurie fez tudo o que esteve ao seu alcance para se preparar para um possível reencontro com o homem que quase a assassinou. Ela sabe que apenas a morte de um deles poderá terminar o pesadelo onde ele a tem mantido durante todos esses anos.

Comentário : E pronto, temos mais uma noite de Halloween à porta, faltam poucos dias ou poucas noites para a grande noite das bruxas e é isso, meus amigos, vamos ver filmes de terror, é a época disso. E eu, este ano, resolvi não esperar pela tal noite e trago mais cedo o grande filme do momento, o filme indicado para se ver nesta quadra. Esqueçam todas as sequelas do filme original de 1978 e ignorem também o díptico de Rob Zombie. Este “Halloween” de 2018 é uma sequela directa do primeiro filme, ele se passa precisamente quarenta anos após o massacre de Michael Myers, seguindo também a personagem principal daquela época e daquele filme. Sinceramente, eu não sei como foi possível o psicopata ter sobrevivido à quantidade de tiros que levou no primeiro confronto, mas o facto é que ele está bem vivo. E coincidência, ele foge precisamente no dia do Halloween e na data precisa em que se assinala os quarenta anos do massacre por ele perpetrado. Este novo filme é também muito violento, embora eu esperasse mais sangue e mais violência, eles tinham tudo para fazer deste, um filme memorável e que fosse uma grande homenagem ao filme de 78.

Em vez disso, o realizador e os produtores dão-nos um filme razoável e cheio dos clichés próprios deste tipo de filmes e desta saga. Eles não inovaram grande coisa. Continuam a existir personagens estúpidos com atitudes igualmente patéticas. O realizador perde muito tempo com personagens secundários que em nada adiantam ao filme, em vez de aprofundar mais a relação da protagonista com a filha e com a neta. A maior falha deste filme foi essa, não terem focado mais as relações entre estas três mulheres. O argumento é algo repetitivo, com as falhas e erros do costume. Apesar de terem acertado no factor nostalgia ao ambientarem o longa numa onda de anos 70, penso que isso foi um erro, afinal, passaram quarenta anos, muita coisa mudou. Voltei a gostar da nossa protagonista e gostei muito da personagem da neta dela. O mesmo não posso dizer da personagem da filha de Laurie, achei-a bem distante. O filme possui bons momentos de tensão e de terror, mas nada de novo. Espero mesmo que Michael Myers tenha morrido de vez, estas sagas já cansam. Apesar do filme ser apenas razoável e nada de especial é, ainda assim, uma boa proposta para a noite deste Halloween.



Desejo a todos uma boa noite de Halloween. 

The Night Comes For Us

Nome do Filme : “The Night Comes For Us”
Titulo Inglês : “The Night Comes For Us”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Thriller/Drama/Ação
Realização : Timo Tjahjanto
Produção : Timo Tjahjanto
Elenco : Iko Uwais, Joe Taslim, Julie Estelle, Asha Kenyeri Bermudez, Sunny Pang, Zack Lee, Hannah Al Rashid, Dian Sastrowardoyo, Salvita Decorte.

História : Ito era um lutador profissional, membro de um perigoso grupo que trabalhava para grandes criminosos. Um dia, Ito assina a sua própria sentença de morte ao salvar a vida de uma menina pequena que estava marcada para morrer numa das missões. Agora, Ito tem gente muito perigosa que o quer apanhar para o matar. Ao mesmo tempo que tem que se manter vivo, Ito terá ainda que proteger a menina a todo o custo. Para complicar ainda mais as coisas, Ito tem também que resolver uma questão pessoal e mortal com outro membro do grupo, Arian. Mas, na missão de proteger a criança, Ito apenas contará com a preciosa ajuda de uma misteriosa mulher que supostamente nada tem a ver com toda aquela história.

Comentário : Este filme é mais uma razão pela qual eu prefiro os filmes de ação orientais do que os americanos. Trata-se de cinema da Indonésia e tenho que confessar que os americanos deviam aprender a filmar cenas de ação e de luta com esta gente, porque eles são uns mestres neste conceito. No caso destes filmes, nós conseguimos ver o que está a acontecer, nós acompanhamos a ação e os acontecimentos tal como eles estão a passar-se. Ao contrário dos filmes americanos, que são cenas muito rápidas e cheias de cortes, onde quase ficamos enjoados com a confusão das mesmas. Claro que o filme tem exageros, tal como outros, mas está tudo muito bem executado e os erros não se notam. As cenas de luta estão muito bem feitas e filmadas, nota-se que houve um cuidado muito grande para que tudo saísse em condições. É um filme muito violento, nesse aspeto, os indonésios não têm nada a esconder, tudo nos é mostrado de forma crua e dura. Temos muito sangue e muitas cenas de luta, onde nos é mostrada a beleza das artes marciais. É tudo muito realista.

Temos também mulheres fortes e letais, o filme destaca três delas. Infelizmente, a história podia ser melhor. Estando ocupados em nos facultar um excelente espectáculo visual, o realizador e os produtores se esqueceram de caprichar no argumento e o filme peca por ter uma história fraca, que acaba por ser uma regra única na maioria deste tipo de filmes. Mas isso não chega para estragar o filme, eu adorei este filme, tal como gosto também dos seus semelhantes no panorama oriental, claramente. Temos ideias muito boas e que funcionam bem quando são aplicadas. Eu gostei das quatro personagens principais : Ito, Arian, Reina e a rapariga que os ajuda, e os quatro profissionais que os desempenham vão muito bem nos seus papéis, têm prestações bem convincentes. Destaque também para a relação de Ito com Reina, os dois convencem na sua empatia, que funciona muito bem, como um tio e uma sobrinha que se gostam de verdade. O filme funde de forma hábil o drama com a ação e o resultado é uma obra com alma e coração que nos prova que até o pior dos assassinos pode ter sentimentos por alguém considerado inferior aos olhos das sociedades. Depois de ter visto “A Vilã”, este filme veio aumentar o meu gostinho por este tipo de produções não americanas. Adorei.

Animal World

Nome do Filme : “Dong Wu Shi Jie”
Titulo Inglês : “Animal World”
Titulo Português : “Mundo Animal”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Aventura/Thriller
Realização : Yan Han
Produção : Yedda Zhixi Chen
Elenco : Yi Feng Li, Dongyu Zhou, Bingkun Cao, Keith Shillitoe, Michael Douglas.

História : Zheng Kaisi é um jovem adulto que tem um trauma profundo devido ao que sucedeu com os pais e que desenvolveu uma espécie de loucura. Um dia, ele é enganado e passa a dever uma enorme quantia monetária a um homem sem escrúpulos. Agora, ele aceita participar num jogo a bordo de um navio para tentar recuperar o dinheiro e a casa da mãe.

Comentário : Aqui está um daqueles casos em que o trailer prometia algo de espectacular e diferente, mas em vez disso, o filme além de não ser nada disso, revela-se ainda como sendo uma verdadeira seca. A China já se infiltrou no mercado cinematográfico americano há algum tempo e já tivemos outros actores de Hollywood em produções chinesas e Michael Douglas é o mais recente que se mete nessas andanças. Este “Animal World”, ele é uma produção chinesa, mas com cenários dignos de uma produção típica de Hollywood e uma história que em certa medida, está também relacionada aos americanos. Pelo trailer, eu pensei que ia ver algo de novo, algo que me ia surpreender pela positiva, talvez uma mistura de vários elementos já vistos em outros filmes bem conhecidos, onde o resultado era claramente positivo. Mas não, infelizmente, temos um filme bem secante e que surpreende muito pouco ou quase nada. O melhor deste filme e com base na proposta do trailer, são claramente os primeiros cerca de trinta minutos, e é curiosamente nesta meia hora que assistimos ao grande diferencial do longa, face aos demais. Mas, a partir do momento em que o protagonista entra no maldito barco e o jogo começa, credo, vira uma autêntica desgraça. O tal jogo a que o protagonista e dezenas de tipos são sujeitos é chato, monótono, lento e confuso e ocupa o resto do filme, é uma verdadeira seca. Esqueçam tudo aquilo que vimos na primeira meia hora, aquilo é abandonado e resta-nos apenas o jogo, que torna o filme desinteressante e penoso de assistir. Como pontos positivos, destaco a fotografia que é muito bonita, alguns efeitos especiais que são impressionantes, a maneira como certas cenas da primeira meia hora foram filmadas e as interpretações do casal protagonista. Pode-se dizer que a nível técnico, esta produção está impecável, mas faltou conteúdo e uma história mais interessante e importante. Há, temos também direito a um lindo tigre.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Don't Worry, He Won't Get Far On Foot

Nome do Filme : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Inglês : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Português : “Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé”
Ano : 2018
Duração : 114 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática
Realização : Gus Van Sant
Produção : Charles-Marie Anthony/M. B./Nicolas Lhermitte/Steve Golin
Elenco : Joaquin Phoenix, Jonah Hill, Rooney Mara, Jack Black, Tony Greenhand, Beth Ditto, Mark Webber, Ronnie Adrian, Kim Gordon, Udo Kier, Carrie Brownstein, Emilio Rivera, Angelique Rivera, Rebecca Rittenhouse, Anne Lane, Jessica Jade Andres, Rebecca Field, Olivia Hamilton, Peter Banifaz, Santina Muha, Christopher Thornton, Ron Perkins, Heather Matarazzo, Ayden Mayeri, Aleu Moana.

História : John Callahan, boémio e alcoólico, tem um acidente de automóvel que quase o leva a perder a vida. Apesar de parcialmente paralisado e de cadeira de rodas, recusa-se a deixar de beber. Um dia, a custo, mas com o apoio de Annu, uma terapeuta, e do amigo Donnie, aceita fazer um tratamento. É nessa altura que descobre o seu potencial como cartoonista. Começando a publicar em jornais, torna-se, por um lado, uma voz para aqueles com deficiências motoras, adquirindo um estatuto de culto. Por outro, é vítima de boicotes, por ser considerado politicamente incorrecto. Mas, graças a tudo isto, ganha visibilidade e reconhecimento.

Comentário : Pessoal, hoje vi o novo filme de Gus Van Sant, um realizador que eu gosto bastante, com este filme e depois dos seus dois últimos fracassos, vi o director regressar à sua boa forma. Trata-se de uma realização muito competente, logo, o filme é muito bom e possui algumas mensagens bem importantes, sendo a principal, que a maioria das pessoas só dá valor às coisas quando as perdem. E, em parte, foi isso também que aconteceu com o personagem do Joaquin Phoenix. É um filme biográfico que resulta numa muito funcional fusão entre o drama e a comédia. O genérico inicial é muito engraçado e podemos contar com sequências de animação durante o longa. No início, a coisa demora a arrancar, mas a partir do momento em que o protagonista sofre o tal acidente, as coisas melhoram e ganhamos o máximo interesse pelo filme e por aquilo que vemos diante dos nossos olhos. Eu adorei o personagem do Joaquin Phoenix neste filme, o actor está excelente neste registo e passa-nos na perfeição o seu drama. Ele é um homem que era algo antes do acidente, sofreu uma profunda transformação e tornou-se numa coisa bem diferente após o dito cujo, ele transformou-se numa pessoa melhor. E Joaquin Phoenix fez isso muito bem, a sua prestação nos convence daquilo que o John Callahan passou. Gostei igualmente de ter visto Jonah Hill num registo dramático, posso estar enganado, mas não me recordo dele num papel dramático, ele é um actor associado à comédia. O Jack Black aparece pouco, mas está bem no seu papel, eu gostei mais do seu personagem do pós-acidente do que do antes. E Rooney Mara faz aquilo que sabe fazer melhor, que é dar o seu melhor ao encarnar uma personagem, seja ela qual for. Por vezes, é necessário levarmos um tombo na vida, para aprendermos algo e nos voltarmos a erguer, às vezes, temos que sofrer muito para mudarmos e para darmos valor à vida, tornando-nos melhores pessoas. No final do filme, ficam duas coisas : as mensagens e o personagem de Joaquin Phoenix.

O Animal Cordial

Nome do Filme : “O Animal Cordial”
Titulo Inglês : “Friendly Beast”
Titulo Português : “O Animal Cordial”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Gabriela Amaral
Produção : Rodrigo Teixeira
Elenco : Murilo Benício, Luciana Paes, Irandhir Santos, Camila Morgado, Jiddu Pinheiro, Ernani Moraes, Humberto Carrão, Ariclenes Barroso, Eduardo Gomes, Diego Avelino, Thais Aguiar.

História : Inácio é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com punho de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro, Djair. Quando o estabelecimento é assaltado, Inácio e uma das funcionárias precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa.

Comentário : O Halloween está à porta e eu, por esta altura, costumo ver e comentar filmes de terror, sendo este o terceiro. Trata-se de um filme brasileiro, mais um, mas este é bem melhor do que o anterior. Ainda assim, existiram coisas que eu não entendi muito bem e na realidade, nem quero perceber, aquilo que eu quero muito sinceramente, é esquecer estes dois filmes o mais rapidamente possível. O filme é realizado por uma mulher e brevemente vai estrear o seu novo filme, que julgo ser um bom filme, pelo menos a sinopse e o trailer assim o fazem parecer. Este “O Animal Cordial” é daqueles filmes que não aquece nem arrefece, é uma fita básica que conta uma história igualmente básica e cujo resultado final assemelha-se a um pão sem sal. Gostei das interpretações, aqui com destaque para Murilo Benício, Irandhir Santos e Luciana Paes, cada um no seu respetivo papel, os três fizeram um bom trabalho, seja individual ou em grupo. Os outros também estão bem, vale lembrar que este é um filme com poucos actores, ele tem um elenco muito pequeno. A história é confusa, principalmente no que toca ao comportamento e à maneira de ser de Inácio, nós não sabemos direito como aquela cabeça funciona e muito menos aquilo que havemos de esperar dele. Sim, Murilo Benício desempenha alguém que não é certo das ideias, o tipo não sabe o que quer da vida. É uma fita detentora de muita tensão, aliás, o clima de suspense está quase sempre presente. A ambientação é boa, podem ser cenários de teatro, mas são críveis e parece mesmo que se trata de um restaurante a sério. O filme tem violência e cenas de nudez e de sexo. A nível de cinema brasileiro, confesso que já vi muito melhor, pode-se mesmo dizer que este “O Animal Cordial” é bem fraco. No entanto, como proposta para o Halloween, este filme funciona muito melhor do que o anterior aqui comentado.

Mal Nosso

Nome do Filme : “Mal Nosso”
Titulo Inglês : “Our Evil”
Titulo Português : “Mal Nosso”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Samuel Galli
Produção : Samuel Galli/Tato Siansi/Victor Molin
Elenco : Ademir Esteves, Ricardo Casella, Luara Pepita, Sónia Moreno, Maria Clara Gonçalves, Maria Galves, Fernando Cardoso, Antony Mello, Gabriela Grecco, Maysa Pettes, Shirley Viana, William Salles, Walderrama Dos Santos, Thais Prates.

História : Um espiritualista é avisado de que um poder demoníaco deseja destruir a alma de sua filha. Ele contrata um assassino para tentar protegê-la, ou não.

Comentário : Continuando numa de Halloween e agora com um filme de terror brasileiro, eu confesso que esperava muito mais deste filme, e a fita acabou por ser uma grande desilusão. Eu achei a história confusa e confesso que não entendi a essência da coisa. Por exemplo, se o personagem principal contratou o tal criminoso para que este protegesse a sua filha, então não percebo porque motivo ele fez o que fez com ela. Por favor, peço a quem já tenha visto o filme que deixe aqui nos comentários a explicação para isso. O filme é muito violento, pessoalmente, penso que a cena em que o criminoso tortura e mata aquela mulher naquela cama era desnecessária, certamente que havia uma outra maneira de mostrar que o tipo era mau. Eu gostei da interpretação de Ademir Esteves no papel do pai da miúda, mas isso não significa que tenha gostado do seu personagem, pelo contrário, achei-o bem nojento. Trata-se de uma produção independente e de baixos recursos, daí que os efeitos visuais, apesar de serem práticos, eram básicos e não surtiram o efeito pretendido. O filme prima pelo seu ambiente de mistério e tensão, que estão sempre presentes ao longo de quase hora e meia de projeção. O factor do enigmático também funciona aqui muito bem. Penso que faltou ao filme aprofundar mais a relação pai e filha, eu gostaria de ter ficado a saber mais destes dois personagens. O personagem do criminoso também não foi devidamente explorado. Em resumo, era um filme que tinha muito potencial, mas que na minha opinião, deixou muito a desejar.

domingo, 21 de outubro de 2018

Errementari

Nome do Filme : “Errementari”
Titulo Inglês : “Errementari : The Blacksmith And The Devil”
Titulo Português : “Errementari : O Ferreiro e o Diabo”
Ano : 2017
Duração : 99 minutos
Género : Fantasia/Terror
Realização : Paul Urkijo Alijo
Produção : Paul Urkijo Alijo/Álex de la Iglesia
Elenco : Uma Bracaglia, Kandido Uranga, Eneko Sagardoy, Ramon Aguirre, José Ramon Argoitia, Josean Bengoetxea, Gotzon Sanchez, Aitor Urcelai, Maite Bastos, Inigo de la Iglesia, Unax Gonzalez, Jon Ander Alonso, Itziar Ituno, Ortzi Acosta, Zigor Bilbao, Naia Garcia, Haizea Garcia.

História : Na terceira década do século XIX, Usue é uma menina de oito anos cuja mãe cometeu suicídio quando ela nasceu e que por isso, é uma criança rejeitada por quase todos. Ela mora numa aldeia cujos habitantes temem um ferreiro que habita isolado numa enorme mansão no interior de uma densa floresta. Um dia, chega à aldeia um comissário do governo que reclama o ouro que esse ferreiro supostamente roubou durante a guerra. Mas a situação agrava-se quando Usue se infiltra na habitação do temido homem, fazendo com que ele se torne na pior pessoa do mundo aos olhos dos habitantes e governantes da aldeia.

Comentário : Pessoal, estamos muito perto da época do Halloween e no comentário de hoje, vamos falar de um filme de terror, na realidade, é uma co-produção entre a Espanha e a França, um filme de poucos recursos e de baixo orçamento. E o facto do filme ser de orçamento reduzido, isso nota-se claramente em certas cenas. O filme tem uma história bem cativante e embora os primeiros sete minutos não sejam muito interessantes, isso depois passa e nós nos encontramos bem mais interessados em vê-lo. Temos uma excelente recriação de época, uma ambientação muito boa e as personagens convencem, mesmo que algumas interpretações dos secundários não sejam por aí além. Vale dizer que o filme, ele é baseado em uma fábula antiga e tem uma componente religiosa muito forte, sem nunca nos jogar isso na cara. Os figurinos convencem, todo o guarda-roupa está bem conseguido. Sobre as interpretações principais, pouco existe a dizer, apenas que o actor que faz de ferreiro está razoável e a menina que desempenha a protagonista, ela fez um bom trabalho, tendo em conta a sua pouca idade. A equipa fez um bom trabalho de maquiagem, eu gostei bastante, principalmente do personagem do demónio Sartael. A nota negativa vai para alguns erros e para os fracos efeitos especiais. Apesar de terem usado efeitos práticos em algumas cenas, eles nem sempre resultaram, mas como se trata de um filme de orçamento muito reduzido, isso facilmente se perdoa. O realizador trabalhou muito bem a fusão da fantasia com o terror. Volto a dizer, a história é bem interessante. Tem uma sequência em especial que pareceu que eu estava a ver todos os criminosos do nosso país e os nossos políticos corruptos a caminharem para um determinado local, foi hilariante. Este filme é uma boa proposta para o início do Halloween, ele funciona como filme de terror, apesar de não ter sustos. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme e o recomendo.

Calibre

Nome do Filme : “Calibre”
Titulo Inglês : “Calibre”
Titulo Português : “Calibre”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Thriller
Realização : Matt Palmer
Produção : Anna Griffin/Alastair Clark
Elenco : Jack Lowden, Martin McCann, Kate Bracken, Kitty Lovett, Olivia Morgan, Ian Pirie, George Anton, Therese Bradley, Joe Cassidy, Cameron Jack, Rob McGillivray, Cody Mitchell, Ben Stranahan, Donald McLeary, Cal MacAninch, Clare Yuille.

História : Vaughn e Marcus são dois grandes amigos que a certa altura decidem fazer uma viagem para caçar. Uma vez lá, Vaughn comete o pior acto da sua vida e as coisas complicam-se de vez para os dois amigos.

Comentário : Este filme é um dos melhores thrillers que eu vi nos últimos anos não só devido à situação em que os dois protagonistas se encontram envolvidos, como também por causa do enorme clima de tensão e nervos que passarão a estar sempre presentes a partir de um determinado momento. A cena que marca o início da sucessão de eventos que passam a acompanhar os dois protagonistas é uma das mais aflitivas que eu vi em filme e acreditem, não existe nenhuma cena de gore que bata esta, devido à condição da vítima. Eu nem queria acreditar quando vi. Este é daqueles raros casos em que eu fiquei o tempo todo contra os protagonistas e na esperança que eles fossem mortos no final, era o que eles mereciam depois do que fizeram, quem já viu o filme saberá porque motivo eu penso assim. Não gostei do final do filme, ou seja, da forma como resolveram a questão, penso que não faz sentido nenhum. Em tirando isso, estamos perante um thriller bastante aceitável, que nos consegue prender a atenção e nos dar cabo dos nervos até perto do final. A nível das interpretações, os actores que desempenham os dois amigos protagonistas, estiveram muito bem, embora eu tivesse gostado mais da prestação do mais novo. É mais um filme que mostra como o ser humano é o pior dos seres vivos. “Calibre” junta-se assim a “Hold The Dark” e a “Apostle”como sendo os melhores filmes da Netflix que vi nos últimos tempos.

Lazzaro Felice

Nome do Filme : “Lazzaro Felice”
Titulo Inglês : “Happy As Lazzaro”
Titulo Português : “Feliz Como Lazzaro”
Ano : 2018
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Alice Rohrwacher
Produção : Carlo Cresto-Dina/Gregory Gajos/Tiziana Soudani/Michael Weber
Elenco : Adriano Tardiolo, Nicoletta Braschi, Tommaso Ragno, Alba Rohrwacher, Sergi Lopez, Agnese Graziani, Luca Chikovani, Natalino Balasso, Daria Pascal Attolini, Maddalena Baiocco, Giulia Caccavello, Annunziata Capretto, Davide Denci, Alessandro Genovesi, Carlo Massimino, Edoardo Montalto, Gala Othero Winter, Leonardo Nigro, Iris Pulvano, Ettore Scarpa, Pasqualina Scuncia, Carlo Tarmati.

História : Lazzaro é um jovem simples, trabalhador e sempre pronto a sacrificar-se pelos outros. A sua brandura faz dele uma presa fácil de todos os que, de uma forma ou outra, desejam aproveitar-se da sua inocência – seja Tancredi, um jovem nobre de intenções duvidosas, ou a terrível Marquesa Alfonsina de Luna, proprietária das terras onde ele vive com a família e que mantém os seus trabalhadores presos a rituais antigos, de forma a isolá-los do progresso. Quando Tancredi convence Lazzaro a ajudá-lo fingir o seu próprio rapto, ele não imagina o quanto isso vai alterar a sua forma de vida.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que recebeu prémios em festivais, confesso que já andava há algum tempo para ver esta fita e que gostei bastante do que vi. Trata-se de um filme italiano dirigido pela mesma realizadora que nos deu um filme igualmente bom chamado “As Maravilhas”, que penso já haver critica dele aqui neste espaço. O roteiro é bem peculiar, eu fiquei mesmo surpreso com aquilo que acontece na segunda hora do filme, é como se a fita tivesse apenas dois actos ou duas partes divididas pelas duas horas de duração do longa. O filme é mostrado em modo retrato, isso não é novidade para mim, já vi alguns filmes nesse formato, mas confesso que aprecio bastante essa maneira de exibição. É um filme de drama com uma pitada de fantasia, mas sem nunca cair no exagero. Alguns actores aqui são repetentes do filme anterior da realizadora. Este filme funciona também como uma crítica à sociedade no geral, o final é a dura e crua prova disso mesmo. Eu gostei imenso do personagem principal, aquele que dá nome ao título do filme, achei que ele teve uma forte e carismática presença no ecrã, ele fala muito pouco e eu gostava de ter visto mais do seu Lazzaro nesse sentido. Mas a sua expressividade é excelente. A Nicoletta Braschi está praticamente irreconhecível enquanto que o Sergi Lopez continua o mesmo dos filmes recentes em que participou. Gostei bastante do lobo que aparece em três momentos específicos do filme, mas fiquei na dúvida se era um lobo verdadeiro ou antes, um cão arraçado. Destaque também para a química entre os actores principais, é muito boa e os seus personagens convencem. O trabalho da realizadora é notável. Pessoalmente, gostaria que outras raparigas se tornassem realizadoras e apresentassem os seus trabalhos, as mulheres possuem uma visão diferente dos homens sobre este mundo. Volto a dizer, gostei bastante do protagonista deste filme, fez-me lembrar uma certa pessoa...