domingo, 4 de novembro de 2018

La Douleur

Nome do Filme : “La Douleur”
Titulo Inglês : “Memoir Of War”
Titulo Português : “Memórias da Guerra”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama/Biográfico/Histórico
Realização : Emmanuel Finkiel
Elenco : Melanie Thierry, Benoit Magimel, Benjamin Biolay, Emmanuel Bourdieu, Gregoire Leprince-Ringuet, Anne Lise Heimburger, Patrick Lizana, Shulamit Adar, Joanna Grudzinska, Elsa Amiel, Emilien Mathey, Adele Sher, Camille Lepers.

História : Os momentos de tensão passados em 1944, quando a França estava sob a ocupação nazi e Robert, marido de Marguerite e grande activista da resistência, havia sido preso e deportado.

Comentário : Nunca é demais assistirmos a filmes ou a documentários que falem da Segunda Guerra Mundial ou do Holocausto e foi com grande prazer que vi este outro filme que aborda esses temas, pelo que gostei bastante desta fita. Desde já quero dizer que este não é um filme para qualquer um, ele possui um ritmo super lento e poderá por isso desmotivar, já que a maioria não está habituada a este tipo de cinema. A mim, quando soube do que o filme falava, despertou-me logo a atenção, afinal, ele tinha uma componente histórica e se formos a ver bem, quase tudo o que aqui vemos deve ter acontecido mesmo na vida real. Até porque o próprio filme é em si, baseado numa espécie de semi-biografia da autora, veja-se que ela e a protagonista partilham até o mesmo nome. Pode-se considerar este um filme biográfico e histórico, portanto. A recriação de época está perfeita, em certas cenas, parece que estamos mesmo naquela altura e naqueles locais, tal não é a naturalidade das coisas e dos cenários. Através de certos personagens, nós sentimos o drama real daquelas pessoas que tinham familiares presos nos campos de concentração.

A nível das interpretações, o Benjamin Biolay vai bem no papel de melhor amigo da protagonista, ele possui uma boa interpretação e a dada altura, eu questionei se foi ele quem denunciou o marido da autora. O Benoit Magimel desempenha um policia alemão, eu gostei deste personagem, porque apesar dele ser do mal, eu senti realmente que ele tinha um certo carinho e uma admiração pela protagonista. E Melanie Thierry está excelente no papel da protagonista, ou seja, da própria Marguerite Duras, a actriz tem não só a melhor prestação do filme, como lhe pertence exclusivamente a melhor personagem desta fita. Como aspectos negativos, eu gostava de ter visto o aspecto do marido da protagonista quando os amigos o trouxeram para casa, sempre daria mais uma perspectiva de como as coisas eram naquela época. Também não gostei dos monólogos em pensamento da protagonista, porque me desviava a atenção do que estava a acontecer, eu saía da narrativa principal e isso não é bom. Penso mesmo que o realizador podia ter intercalado as cenas do quotidiano da protagonista com cenas daquilo que se ia passando com o seu marido, tornaria o filme mais interessante. Mas, no geral, é um filme de época bem interessante, gostei bastante.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Transit

Nome do Filme : “Transit”
Titulo Inglês : “Transit”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Christian Petzold
Produção : Florian Koerner Von Gustorf/Antonin Dedet
Elenco : Paula Beer, Franz Rogowski, Godehard Giese, Maryam Zaree, Lilien Batman, Barbara Auer, Matthias Brandt, Sebastian Hulk, Emilie de Preissac, Antoine Oppenheim, Louison Tresallet, Justus Von Dohnanyi, Alex Brendemuhl, Trystan Putter, Ronald Kukulies, Agnes Regolo, Thierry Otin, Gregoire Monsaingeon, Brahim El Abdouni, Jean-Jerome Esposito, Stina Soliva, Elisa Voisin.

História : Quando Georg tenta fugir da França após a invasão nazista, ele rouba os manuscritos de um autor falecido e assume a sua identidade. Preso em Marseille, acaba conhecendo Marie, que está desesperada para encontrar o seu marido desaparecido, o mesmo que Georg está fingindo ser. Para complicar ainda mais as coisas, ele começa a se apaixonar por ela.

Comentário : Este novo filme do realizador Christian Petzold passa-se durante o nazismo e fala sobre refugiados e migrantes que procuravam uma vida melhor em outros países. Mas o filme não vive apenas do drama, ele também possui uma ligeira componente romântica, ainda que não se trate propriamente de um romance. É igualmente um filme que vive muito das relações que se estabelecem entre cinco personagens principais, aqui tudo muito bem trabalhado pelo director e por cinco fantásticos actores, onde eu destaco Franz Rogowski e obviamente Paula Beer. O primeiro desempenha o papel do protagonista, ele tornou o seu personagem bastante convincente, o seu Georg é um homem firme e determinado nos seus propósitos e dá gosto vê-lo contracenar com Marie. Esta é muito bem interpretada pela sempre competente Paula Beer, que tem nesta sua personagem uma mulher cheia de sofrimento e ternura, mas também muito amor para dar. Aliás, o elo que se vai criando entre Marie e Georg é o melhor do filme, mas infelizmente aparece muito tarde.

Tudo porque o argumento fez o protagonista conhecer duas pessoas que apesar de terem peso emocional na trama, em nada adiantam para a história principal. Mesmo assim, eu gostei imenso dessas duas personagens descartáveis. Nota igualmente positiva para a recriação de época que está perfeita, sendo que toda a ambientação do filme é cativante e nos envolve durante cerca de noventa minutos. A coisa funciona tão bem que, por momentos, parece estarmos lá, naquela época e na companhia daquelas pessoas. Porque no fundo, aquilo que vemos no filme aconteceu de verdade, existiram pessoas que passaram por todos aqueles dramas nas suas vidas pessoais. Por último, tenho mesmo que dizer que o final em aberto não condiz em nada com aquilo que vimos durante um filme inteiro, aquele fim não era de todo o mais desejado para a narrativa que o realizador teceu. Posto tudo isto, este “Transit” não é o melhor filme de Christian Petzold, mas é uma fita bastante razoável que aborda algumas das consequências do pior acontecimento da história da Humanidade. Um dos filmes mais interessantes do ano, portanto.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bohemian Rhapsody

Nome do Filme : “Bohemian Rhapsody”
Titulo Inglês : “Bohemian Rhapsody”
Titulo Português : “Bohemian Rhapsody”
Ano : 2018
Duração : 134 minutos
Género : Biográfico/Drama/Music
Realização : Bryan Singer/Dexter Fletcher
Produção : Jim Beach/Graham King
Elenco : Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aidan Gillen, Allen Leech, Tom Hollander, Aaron McCusker, Meneka Das, Ace Bhatti, Priya Blackburn, Dermot Murphy, Dickie Beau, Max Bennett, Jess Radomska, Leila Crerar.

História : Freddie Mercury e quinze anos da trajétoria de uma das maiores bandas musicais de todos os tempos.

Comentário : Pessoal, deixem-me explicar uma coisa : eu sei que o Bryan Singer é aquele que surge creditado como realizador do filme, mas seria uma grande injustiça não frisar também o realizador Dexter Fletcher. Aquilo que aconteceu foi que Bryan Singer realizou metade do longa, mas não o fez da melhor forma, ele faltava durante dias das filmagens, tinha um mau comportamento e desapareceu mesmo do set de filmagens, razão pela qual chamaram o também realizador Dexter Fletcher para filmar aquilo que faltava do filme e ele aceitou, e isso foi muito bom, porque permitiu que “Bohemian Rhapsody” visse a luz do dia enquanto produção cinematográfica, enquanto filme. E para grande alegria dos demais, no caso deste filme, não se sentiu aquele efeito sentido no filme “Liga da Justiça”, em que este pareceu mesmo um filho de dois pais, ou seja, uma obra com duas visões e extremamente picotada. Bom, posto isto, vamos ao filme.

Em primeiro lugar, eu estava muito receoso deste filme, porque fazer uma fita que retratasse a carreira e as vidas dos quatro elementos desta banda musical e dos Queen enquanto conjunto, não é uma tarefa nada fácil, tanto que assim, que este filme sofreu inúmeros problemas e demorou imenso a ser filmado e produzido. E na minha opinião, eu não podia estar mais correcto. Confesso que me senti muito bem ao vê-lo, me diverti bastante durante o longa e vibrei com as músicas e com os espectáculos, mas meus amigos, como filme que fala dos Queen e das relações entre os seus quatro membros ou mesmo como homenagem à banda, o filme falha redondamente. Quanto muito, este filme mostra e aborda um pouco daquilo que foi o grande Freddie Mercury, enquanto que sobre a banda é tudo muito superficial. É um filme com pouco conteúdo informativo ou biográfico, portanto. Este não é seguramente o filme sobre os Queen e sobre Freddy Mercury que os admiradores desta banda e deste vocalista queriam ver, nós queríamos mais e isso não se verificou. No entanto, o filme tem muitos méritos : o som e os espectáculos retratados no filme são muito bons e nesse aspecto a acústica da sala de cinema conta muito, os figurinos estão excelentes, todo o aspecto visual e mesmo técnico está perfeito fazendo com que o filme seja bastante apelativo e cativante. As interpretações são boas, com destaque para Rami Malek que, apesar de eu ter preferido ver Sacha Baron Cohen no papel, está muito bem e chega a parecer Freddie na maior parte de tempo em cena. O Gwilym Lee está igual ao Brian May, eu fiquei chocado. E o melhor do longa é o concerto final – Live Aid – que encerra o filme.


BlacKkKlansman

Nome do Filme : “BlacKkKlansman”
Titulo Inglês : “BlacKkKlansman”
Titulo Português : “BlacKkKlansman : O Infiltrado”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Biográfico/Crime/Histórico/Drama
Realização : Spike Lee
Produção : Spike Lee/Jordan Peele/Jason Blum
Elenco : John David Washington, Adam Driver, Alec Baldwin, Laura Harrier, Isiah Whitlock Jr, Michael Buscemi, Damaris Lewis, Corey Hawkins, Ryan Eggold, Topher Grace, Jasper Paakkonen, Paul Walter Hauser, Ashlie Atkinson, Robert John Burke, Ken Garito, Frederick Weller, Ato Blankson-Wood, Nicholas Turturro, Ryan Preimesberger, Harry Belafonte.

História : No final da década de 1970, Estados Unidos, Ron Stallworth torna-se o primeiro detective negro a entrar na polícia de Colorado Springs, o que não é fácil em termos da forma como é recebido e tratado pelos colegas. Um dia, acaba por se infiltrar na secção local do Ku Klux Klan, falando ao telefone com os líderes, ganhando o respeito deles e mandando ir às reuniões em seu lugar um colega que é branco e judeu. Ao mesmo tempo, vai-se apaixonando por uma líder local dos direitos civis.

Comentário : Antes de mais, tenho que confessar que nunca gostei muito do cinema de Spike Lee, embora respeite muito o homem em questão bem como o seu trabalho pela sétima arte. Este seu novo filme fez-me arrepender de ter ignorado o seu trabalho ao longo de todos esses anos. Eu adorei este filme e já o considero um dos melhores deste ano. Trata-se não só de um drama biográfico, como também de uma obra de cariz histórico, visto que isto que aqui vemos aconteceu de verdade. E eu fiquei mais rico culturalmente depois de ter assistido a este filme, devo isso a Spike Lee. Gostei bastante de ter conhecido esta história e de ter mais uma prova de que o ser humano é o pior dos seres, temos vários exemplos e provas disso ao longo de toda a história da Humanidade e este filme foca-se no racismo e na intolerância. O filme mostra brancos que odeiam negros, a maioria não tem motivo para isso, eles os odeiam simplesmente porque sim e porque foram ensinados a isso. No centro da trama, temos um negro que tem o sonho de se tornar um polícia e de praticar o bem. No entanto, ele encontra muitas entraves nesse caminho, por exemplo, o colega nojento que faz bullying com ele ou ainda, perto do final, quando dois colegas seus não acreditam nele e quase contribuem para que suceda uma tragédia. A recriação de época está fenomenal e a banda sonora é nossa amiga. A nível das interpretações, claro que John David Washington está perfeito no papel do protagonista, ele é totalmente crível. Adam Driver é também um excelente profissional e está óptimo neste registo. A Laura Harrier manda bem com a sua personagem, embora eu não goste muito de a ver com aquele visual, gostei mais de a ver em “Homecoming”. Todos os secundários estão de parabéns, principalmente o actor Jasper Paakkonen, o seu personagem me irritou bastante. Por último, resta-me apenas dizer que o filme possui muitas mensagens, sendo a principal aquela que eu frisei no inicio do comentário, mas a ela pode juntar-se o facto de os americanos serem, por influência, um dos piores povos do mundo e também o facto dos seres humanos serem não só os piores dos seres, como também serem dotados de muita estupidez por não perceberem que somos todos iguais, independentemente das diferenças. Grande filme.

domingo, 28 de outubro de 2018

Halloween

Nome do Filme : “Halloween”
Titulo Inglês : “Halloween”
Titulo Português : “Halloween”
Ano : 2018
Duração : 106 minutos
Género : Terror
Realização : David Gordon Green
Produção : Malek Akkad/Bill Block/Jason Blum
Elenco : Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton, James Jude Courtney, Nick Castle, Haluk Bilginer, Rhian Rees, Virginia Gardner, Jefferson Hall, Toby Huss, Dylan Arnold, Miles Robbins, Jibrail Nantambu, Sophia Miller.

História : Faz agora quarenta anos que Laurie Strode foi vítima do terrível Michael Myers, que foi capturado e passou essas quatro décadas encerrado num hospital psiquiátrico. Ao longo desse tempo, Laurie fez tudo o que esteve ao seu alcance para se preparar para um possível reencontro com o homem que quase a assassinou. Ela sabe que apenas a morte de um deles poderá terminar o pesadelo onde ele a tem mantido durante todos esses anos.

Comentário : E pronto, temos mais uma noite de Halloween à porta, faltam poucos dias ou poucas noites para a grande noite das bruxas e é isso, meus amigos, vamos ver filmes de terror, é a época disso. E eu, este ano, resolvi não esperar pela tal noite e trago mais cedo o grande filme do momento, o filme indicado para se ver nesta quadra. Esqueçam todas as sequelas do filme original de 1978 e ignorem também o díptico de Rob Zombie. Este “Halloween” de 2018 é uma sequela directa do primeiro filme, ele se passa precisamente quarenta anos após o massacre de Michael Myers, seguindo também a personagem principal daquela época e daquele filme. Sinceramente, eu não sei como foi possível o psicopata ter sobrevivido à quantidade de tiros que levou no primeiro confronto, mas o facto é que ele está bem vivo. E coincidência, ele foge precisamente no dia do Halloween e na data precisa em que se assinala os quarenta anos do massacre por ele perpetrado. Este novo filme é também muito violento, embora eu esperasse mais sangue e mais violência, eles tinham tudo para fazer deste, um filme memorável e que fosse uma grande homenagem ao filme de 78.

Em vez disso, o realizador e os produtores dão-nos um filme razoável e cheio dos clichés próprios deste tipo de filmes e desta saga. Eles não inovaram grande coisa. Continuam a existir personagens estúpidos com atitudes igualmente patéticas. O realizador perde muito tempo com personagens secundários que em nada adiantam ao filme, em vez de aprofundar mais a relação da protagonista com a filha e com a neta. A maior falha deste filme foi essa, não terem focado mais as relações entre estas três mulheres. O argumento é algo repetitivo, com as falhas e erros do costume. Apesar de terem acertado no factor nostalgia ao ambientarem o longa numa onda de anos 70, penso que isso foi um erro, afinal, passaram quarenta anos, muita coisa mudou. Voltei a gostar da nossa protagonista e gostei muito da personagem da neta dela. O mesmo não posso dizer da personagem da filha de Laurie, achei-a bem distante. O filme possui bons momentos de tensão e de terror, mas nada de novo. Espero mesmo que Michael Myers tenha morrido de vez, estas sagas já cansam. Apesar do filme ser apenas razoável e nada de especial é, ainda assim, uma boa proposta para a noite deste Halloween.



Desejo a todos uma boa noite de Halloween. 

The Night Comes For Us

Nome do Filme : “The Night Comes For Us”
Titulo Inglês : “The Night Comes For Us”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Thriller/Drama/Ação
Realização : Timo Tjahjanto
Produção : Timo Tjahjanto
Elenco : Iko Uwais, Joe Taslim, Julie Estelle, Asha Kenyeri Bermudez, Sunny Pang, Zack Lee, Hannah Al Rashid, Dian Sastrowardoyo, Salvita Decorte.

História : Ito era um lutador profissional, membro de um perigoso grupo que trabalhava para grandes criminosos. Um dia, Ito assina a sua própria sentença de morte ao salvar a vida de uma menina pequena que estava marcada para morrer numa das missões. Agora, Ito tem gente muito perigosa que o quer apanhar para o matar. Ao mesmo tempo que tem que se manter vivo, Ito terá ainda que proteger a menina a todo o custo. Para complicar ainda mais as coisas, Ito tem também que resolver uma questão pessoal e mortal com outro membro do grupo, Arian. Mas, na missão de proteger a criança, Ito apenas contará com a preciosa ajuda de uma misteriosa mulher que supostamente nada tem a ver com toda aquela história.

Comentário : Este filme é mais uma razão pela qual eu prefiro os filmes de ação orientais do que os americanos. Trata-se de cinema da Indonésia e tenho que confessar que os americanos deviam aprender a filmar cenas de ação e de luta com esta gente, porque eles são uns mestres neste conceito. No caso destes filmes, nós conseguimos ver o que está a acontecer, nós acompanhamos a ação e os acontecimentos tal como eles estão a passar-se. Ao contrário dos filmes americanos, que são cenas muito rápidas e cheias de cortes, onde quase ficamos enjoados com a confusão das mesmas. Claro que o filme tem exageros, tal como outros, mas está tudo muito bem executado e os erros não se notam. As cenas de luta estão muito bem feitas e filmadas, nota-se que houve um cuidado muito grande para que tudo saísse em condições. É um filme muito violento, nesse aspeto, os indonésios não têm nada a esconder, tudo nos é mostrado de forma crua e dura. Temos muito sangue e muitas cenas de luta, onde nos é mostrada a beleza das artes marciais. É tudo muito realista.

Temos também mulheres fortes e letais, o filme destaca três delas. Infelizmente, a história podia ser melhor. Estando ocupados em nos facultar um excelente espectáculo visual, o realizador e os produtores se esqueceram de caprichar no argumento e o filme peca por ter uma história fraca, que acaba por ser uma regra única na maioria deste tipo de filmes. Mas isso não chega para estragar o filme, eu adorei este filme, tal como gosto também dos seus semelhantes no panorama oriental, claramente. Temos ideias muito boas e que funcionam bem quando são aplicadas. Eu gostei das quatro personagens principais : Ito, Arian, Reina e a rapariga que os ajuda, e os quatro profissionais que os desempenham vão muito bem nos seus papéis, têm prestações bem convincentes. Destaque também para a relação de Ito com Reina, os dois convencem na sua empatia, que funciona muito bem, como um tio e uma sobrinha que se gostam de verdade. O filme funde de forma hábil o drama com a ação e o resultado é uma obra com alma e coração que nos prova que até o pior dos assassinos pode ter sentimentos por alguém considerado inferior aos olhos das sociedades. Depois de ter visto “A Vilã”, este filme veio aumentar o meu gostinho por este tipo de produções não americanas. Adorei.

Animal World

Nome do Filme : “Dong Wu Shi Jie”
Titulo Inglês : “Animal World”
Titulo Português : “Mundo Animal”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Aventura/Thriller
Realização : Yan Han
Produção : Yedda Zhixi Chen
Elenco : Yi Feng Li, Dongyu Zhou, Bingkun Cao, Keith Shillitoe, Michael Douglas.

História : Zheng Kaisi é um jovem adulto que tem um trauma profundo devido ao que sucedeu com os pais e que desenvolveu uma espécie de loucura. Um dia, ele é enganado e passa a dever uma enorme quantia monetária a um homem sem escrúpulos. Agora, ele aceita participar num jogo a bordo de um navio para tentar recuperar o dinheiro e a casa da mãe.

Comentário : Aqui está um daqueles casos em que o trailer prometia algo de espectacular e diferente, mas em vez disso, o filme além de não ser nada disso, revela-se ainda como sendo uma verdadeira seca. A China já se infiltrou no mercado cinematográfico americano há algum tempo e já tivemos outros actores de Hollywood em produções chinesas e Michael Douglas é o mais recente que se mete nessas andanças. Este “Animal World”, ele é uma produção chinesa, mas com cenários dignos de uma produção típica de Hollywood e uma história que em certa medida, está também relacionada aos americanos. Pelo trailer, eu pensei que ia ver algo de novo, algo que me ia surpreender pela positiva, talvez uma mistura de vários elementos já vistos em outros filmes bem conhecidos, onde o resultado era claramente positivo. Mas não, infelizmente, temos um filme bem secante e que surpreende muito pouco ou quase nada. O melhor deste filme e com base na proposta do trailer, são claramente os primeiros cerca de trinta minutos, e é curiosamente nesta meia hora que assistimos ao grande diferencial do longa, face aos demais. Mas, a partir do momento em que o protagonista entra no maldito barco e o jogo começa, credo, vira uma autêntica desgraça. O tal jogo a que o protagonista e dezenas de tipos são sujeitos é chato, monótono, lento e confuso e ocupa o resto do filme, é uma verdadeira seca. Esqueçam tudo aquilo que vimos na primeira meia hora, aquilo é abandonado e resta-nos apenas o jogo, que torna o filme desinteressante e penoso de assistir. Como pontos positivos, destaco a fotografia que é muito bonita, alguns efeitos especiais que são impressionantes, a maneira como certas cenas da primeira meia hora foram filmadas e as interpretações do casal protagonista. Pode-se dizer que a nível técnico, esta produção está impecável, mas faltou conteúdo e uma história mais interessante e importante. Há, temos também direito a um lindo tigre.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Don't Worry, He Won't Get Far On Foot

Nome do Filme : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Inglês : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Português : “Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé”
Ano : 2018
Duração : 114 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática
Realização : Gus Van Sant
Produção : Charles-Marie Anthony/M. B./Nicolas Lhermitte/Steve Golin
Elenco : Joaquin Phoenix, Jonah Hill, Rooney Mara, Jack Black, Tony Greenhand, Beth Ditto, Mark Webber, Ronnie Adrian, Kim Gordon, Udo Kier, Carrie Brownstein, Emilio Rivera, Angelique Rivera, Rebecca Rittenhouse, Anne Lane, Jessica Jade Andres, Rebecca Field, Olivia Hamilton, Peter Banifaz, Santina Muha, Christopher Thornton, Ron Perkins, Heather Matarazzo, Ayden Mayeri, Aleu Moana.

História : John Callahan, boémio e alcoólico, tem um acidente de automóvel que quase o leva a perder a vida. Apesar de parcialmente paralisado e de cadeira de rodas, recusa-se a deixar de beber. Um dia, a custo, mas com o apoio de Annu, uma terapeuta, e do amigo Donnie, aceita fazer um tratamento. É nessa altura que descobre o seu potencial como cartoonista. Começando a publicar em jornais, torna-se, por um lado, uma voz para aqueles com deficiências motoras, adquirindo um estatuto de culto. Por outro, é vítima de boicotes, por ser considerado politicamente incorrecto. Mas, graças a tudo isto, ganha visibilidade e reconhecimento.

Comentário : Pessoal, hoje vi o novo filme de Gus Van Sant, um realizador que eu gosto bastante, com este filme e depois dos seus dois últimos fracassos, vi o director regressar à sua boa forma. Trata-se de uma realização muito competente, logo, o filme é muito bom e possui algumas mensagens bem importantes, sendo a principal, que a maioria das pessoas só dá valor às coisas quando as perdem. E, em parte, foi isso também que aconteceu com o personagem do Joaquin Phoenix. É um filme biográfico que resulta numa muito funcional fusão entre o drama e a comédia. O genérico inicial é muito engraçado e podemos contar com sequências de animação durante o longa. No início, a coisa demora a arrancar, mas a partir do momento em que o protagonista sofre o tal acidente, as coisas melhoram e ganhamos o máximo interesse pelo filme e por aquilo que vemos diante dos nossos olhos. Eu adorei o personagem do Joaquin Phoenix neste filme, o actor está excelente neste registo e passa-nos na perfeição o seu drama. Ele é um homem que era algo antes do acidente, sofreu uma profunda transformação e tornou-se numa coisa bem diferente após o dito cujo, ele transformou-se numa pessoa melhor. E Joaquin Phoenix fez isso muito bem, a sua prestação nos convence daquilo que o John Callahan passou. Gostei igualmente de ter visto Jonah Hill num registo dramático, posso estar enganado, mas não me recordo dele num papel dramático, ele é um actor associado à comédia. O Jack Black aparece pouco, mas está bem no seu papel, eu gostei mais do seu personagem do pós-acidente do que do antes. E Rooney Mara faz aquilo que sabe fazer melhor, que é dar o seu melhor ao encarnar uma personagem, seja ela qual for. Por vezes, é necessário levarmos um tombo na vida, para aprendermos algo e nos voltarmos a erguer, às vezes, temos que sofrer muito para mudarmos e para darmos valor à vida, tornando-nos melhores pessoas. No final do filme, ficam duas coisas : as mensagens e o personagem de Joaquin Phoenix.

O Animal Cordial

Nome do Filme : “O Animal Cordial”
Titulo Inglês : “Friendly Beast”
Titulo Português : “O Animal Cordial”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Gabriela Amaral
Produção : Rodrigo Teixeira
Elenco : Murilo Benício, Luciana Paes, Irandhir Santos, Camila Morgado, Jiddu Pinheiro, Ernani Moraes, Humberto Carrão, Ariclenes Barroso, Eduardo Gomes, Diego Avelino, Thais Aguiar.

História : Inácio é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com punho de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro, Djair. Quando o estabelecimento é assaltado, Inácio e uma das funcionárias precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa.

Comentário : O Halloween está à porta e eu, por esta altura, costumo ver e comentar filmes de terror, sendo este o terceiro. Trata-se de um filme brasileiro, mais um, mas este é bem melhor do que o anterior. Ainda assim, existiram coisas que eu não entendi muito bem e na realidade, nem quero perceber, aquilo que eu quero muito sinceramente, é esquecer estes dois filmes o mais rapidamente possível. O filme é realizado por uma mulher e brevemente vai estrear o seu novo filme, que julgo ser um bom filme, pelo menos a sinopse e o trailer assim o fazem parecer. Este “O Animal Cordial” é daqueles filmes que não aquece nem arrefece, é uma fita básica que conta uma história igualmente básica e cujo resultado final assemelha-se a um pão sem sal. Gostei das interpretações, aqui com destaque para Murilo Benício, Irandhir Santos e Luciana Paes, cada um no seu respetivo papel, os três fizeram um bom trabalho, seja individual ou em grupo. Os outros também estão bem, vale lembrar que este é um filme com poucos actores, ele tem um elenco muito pequeno. A história é confusa, principalmente no que toca ao comportamento e à maneira de ser de Inácio, nós não sabemos direito como aquela cabeça funciona e muito menos aquilo que havemos de esperar dele. Sim, Murilo Benício desempenha alguém que não é certo das ideias, o tipo não sabe o que quer da vida. É uma fita detentora de muita tensão, aliás, o clima de suspense está quase sempre presente. A ambientação é boa, podem ser cenários de teatro, mas são críveis e parece mesmo que se trata de um restaurante a sério. O filme tem violência e cenas de nudez e de sexo. A nível de cinema brasileiro, confesso que já vi muito melhor, pode-se mesmo dizer que este “O Animal Cordial” é bem fraco. No entanto, como proposta para o Halloween, este filme funciona muito melhor do que o anterior aqui comentado.

Mal Nosso

Nome do Filme : “Mal Nosso”
Titulo Inglês : “Our Evil”
Titulo Português : “Mal Nosso”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Samuel Galli
Produção : Samuel Galli/Tato Siansi/Victor Molin
Elenco : Ademir Esteves, Ricardo Casella, Luara Pepita, Sónia Moreno, Maria Clara Gonçalves, Maria Galves, Fernando Cardoso, Antony Mello, Gabriela Grecco, Maysa Pettes, Shirley Viana, William Salles, Walderrama Dos Santos, Thais Prates.

História : Um espiritualista é avisado de que um poder demoníaco deseja destruir a alma de sua filha. Ele contrata um assassino para tentar protegê-la, ou não.

Comentário : Continuando numa de Halloween e agora com um filme de terror brasileiro, eu confesso que esperava muito mais deste filme, e a fita acabou por ser uma grande desilusão. Eu achei a história confusa e confesso que não entendi a essência da coisa. Por exemplo, se o personagem principal contratou o tal criminoso para que este protegesse a sua filha, então não percebo porque motivo ele fez o que fez com ela. Por favor, peço a quem já tenha visto o filme que deixe aqui nos comentários a explicação para isso. O filme é muito violento, pessoalmente, penso que a cena em que o criminoso tortura e mata aquela mulher naquela cama era desnecessária, certamente que havia uma outra maneira de mostrar que o tipo era mau. Eu gostei da interpretação de Ademir Esteves no papel do pai da miúda, mas isso não significa que tenha gostado do seu personagem, pelo contrário, achei-o bem nojento. Trata-se de uma produção independente e de baixos recursos, daí que os efeitos visuais, apesar de serem práticos, eram básicos e não surtiram o efeito pretendido. O filme prima pelo seu ambiente de mistério e tensão, que estão sempre presentes ao longo de quase hora e meia de projeção. O factor do enigmático também funciona aqui muito bem. Penso que faltou ao filme aprofundar mais a relação pai e filha, eu gostaria de ter ficado a saber mais destes dois personagens. O personagem do criminoso também não foi devidamente explorado. Em resumo, era um filme que tinha muito potencial, mas que na minha opinião, deixou muito a desejar.

domingo, 21 de outubro de 2018

Errementari

Nome do Filme : “Errementari”
Titulo Inglês : “Errementari : The Blacksmith And The Devil”
Titulo Português : “Errementari : O Ferreiro e o Diabo”
Ano : 2017
Duração : 99 minutos
Género : Fantasia/Terror
Realização : Paul Urkijo Alijo
Produção : Paul Urkijo Alijo/Álex de la Iglesia
Elenco : Uma Bracaglia, Kandido Uranga, Eneko Sagardoy, Ramon Aguirre, José Ramon Argoitia, Josean Bengoetxea, Gotzon Sanchez, Aitor Urcelai, Maite Bastos, Inigo de la Iglesia, Unax Gonzalez, Jon Ander Alonso, Itziar Ituno, Ortzi Acosta, Zigor Bilbao, Naia Garcia, Haizea Garcia.

História : Na terceira década do século XIX, Usue é uma menina de oito anos cuja mãe cometeu suicídio quando ela nasceu e que por isso, é uma criança rejeitada por quase todos. Ela mora numa aldeia cujos habitantes temem um ferreiro que habita isolado numa enorme mansão no interior de uma densa floresta. Um dia, chega à aldeia um comissário do governo que reclama o ouro que esse ferreiro supostamente roubou durante a guerra. Mas a situação agrava-se quando Usue se infiltra na habitação do temido homem, fazendo com que ele se torne na pior pessoa do mundo aos olhos dos habitantes e governantes da aldeia.

Comentário : Pessoal, estamos muito perto da época do Halloween e no comentário de hoje, vamos falar de um filme de terror, na realidade, é uma co-produção entre a Espanha e a França, um filme de poucos recursos e de baixo orçamento. E o facto do filme ser de orçamento reduzido, isso nota-se claramente em certas cenas. O filme tem uma história bem cativante e embora os primeiros sete minutos não sejam muito interessantes, isso depois passa e nós nos encontramos bem mais interessados em vê-lo. Temos uma excelente recriação de época, uma ambientação muito boa e as personagens convencem, mesmo que algumas interpretações dos secundários não sejam por aí além. Vale dizer que o filme, ele é baseado em uma fábula antiga e tem uma componente religiosa muito forte, sem nunca nos jogar isso na cara. Os figurinos convencem, todo o guarda-roupa está bem conseguido. Sobre as interpretações principais, pouco existe a dizer, apenas que o actor que faz de ferreiro está razoável e a menina que desempenha a protagonista, ela fez um bom trabalho, tendo em conta a sua pouca idade. A equipa fez um bom trabalho de maquiagem, eu gostei bastante, principalmente do personagem do demónio Sartael. A nota negativa vai para alguns erros e para os fracos efeitos especiais. Apesar de terem usado efeitos práticos em algumas cenas, eles nem sempre resultaram, mas como se trata de um filme de orçamento muito reduzido, isso facilmente se perdoa. O realizador trabalhou muito bem a fusão da fantasia com o terror. Volto a dizer, a história é bem interessante. Tem uma sequência em especial que pareceu que eu estava a ver todos os criminosos do nosso país e os nossos políticos corruptos a caminharem para um determinado local, foi hilariante. Este filme é uma boa proposta para o início do Halloween, ele funciona como filme de terror, apesar de não ter sustos. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme e o recomendo.

Calibre

Nome do Filme : “Calibre”
Titulo Inglês : “Calibre”
Titulo Português : “Calibre”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Thriller
Realização : Matt Palmer
Produção : Anna Griffin/Alastair Clark
Elenco : Jack Lowden, Martin McCann, Kate Bracken, Kitty Lovett, Olivia Morgan, Ian Pirie, George Anton, Therese Bradley, Joe Cassidy, Cameron Jack, Rob McGillivray, Cody Mitchell, Ben Stranahan, Donald McLeary, Cal MacAninch, Clare Yuille.

História : Vaughn e Marcus são dois grandes amigos que a certa altura decidem fazer uma viagem para caçar. Uma vez lá, Vaughn comete o pior acto da sua vida e as coisas complicam-se de vez para os dois amigos.

Comentário : Este filme é um dos melhores thrillers que eu vi nos últimos anos não só devido à situação em que os dois protagonistas se encontram envolvidos, como também por causa do enorme clima de tensão e nervos que passarão a estar sempre presentes a partir de um determinado momento. A cena que marca o início da sucessão de eventos que passam a acompanhar os dois protagonistas é uma das mais aflitivas que eu vi em filme e acreditem, não existe nenhuma cena de gore que bata esta, devido à condição da vítima. Eu nem queria acreditar quando vi. Este é daqueles raros casos em que eu fiquei o tempo todo contra os protagonistas e na esperança que eles fossem mortos no final, era o que eles mereciam depois do que fizeram, quem já viu o filme saberá porque motivo eu penso assim. Não gostei do final do filme, ou seja, da forma como resolveram a questão, penso que não faz sentido nenhum. Em tirando isso, estamos perante um thriller bastante aceitável, que nos consegue prender a atenção e nos dar cabo dos nervos até perto do final. A nível das interpretações, os actores que desempenham os dois amigos protagonistas, estiveram muito bem, embora eu tivesse gostado mais da prestação do mais novo. É mais um filme que mostra como o ser humano é o pior dos seres vivos. “Calibre” junta-se assim a “Hold The Dark” e a “Apostle”como sendo os melhores filmes da Netflix que vi nos últimos tempos.

Lazzaro Felice

Nome do Filme : “Lazzaro Felice”
Titulo Inglês : “Happy As Lazzaro”
Titulo Português : “Feliz Como Lazzaro”
Ano : 2018
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Alice Rohrwacher
Produção : Carlo Cresto-Dina/Gregory Gajos/Tiziana Soudani/Michael Weber
Elenco : Adriano Tardiolo, Nicoletta Braschi, Tommaso Ragno, Alba Rohrwacher, Sergi Lopez, Agnese Graziani, Luca Chikovani, Natalino Balasso, Daria Pascal Attolini, Maddalena Baiocco, Giulia Caccavello, Annunziata Capretto, Davide Denci, Alessandro Genovesi, Carlo Massimino, Edoardo Montalto, Gala Othero Winter, Leonardo Nigro, Iris Pulvano, Ettore Scarpa, Pasqualina Scuncia, Carlo Tarmati.

História : Lazzaro é um jovem simples, trabalhador e sempre pronto a sacrificar-se pelos outros. A sua brandura faz dele uma presa fácil de todos os que, de uma forma ou outra, desejam aproveitar-se da sua inocência – seja Tancredi, um jovem nobre de intenções duvidosas, ou a terrível Marquesa Alfonsina de Luna, proprietária das terras onde ele vive com a família e que mantém os seus trabalhadores presos a rituais antigos, de forma a isolá-los do progresso. Quando Tancredi convence Lazzaro a ajudá-lo fingir o seu próprio rapto, ele não imagina o quanto isso vai alterar a sua forma de vida.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que recebeu prémios em festivais, confesso que já andava há algum tempo para ver esta fita e que gostei bastante do que vi. Trata-se de um filme italiano dirigido pela mesma realizadora que nos deu um filme igualmente bom chamado “As Maravilhas”, que penso já haver critica dele aqui neste espaço. O roteiro é bem peculiar, eu fiquei mesmo surpreso com aquilo que acontece na segunda hora do filme, é como se a fita tivesse apenas dois actos ou duas partes divididas pelas duas horas de duração do longa. O filme é mostrado em modo retrato, isso não é novidade para mim, já vi alguns filmes nesse formato, mas confesso que aprecio bastante essa maneira de exibição. É um filme de drama com uma pitada de fantasia, mas sem nunca cair no exagero. Alguns actores aqui são repetentes do filme anterior da realizadora. Este filme funciona também como uma crítica à sociedade no geral, o final é a dura e crua prova disso mesmo. Eu gostei imenso do personagem principal, aquele que dá nome ao título do filme, achei que ele teve uma forte e carismática presença no ecrã, ele fala muito pouco e eu gostava de ter visto mais do seu Lazzaro nesse sentido. Mas a sua expressividade é excelente. A Nicoletta Braschi está praticamente irreconhecível enquanto que o Sergi Lopez continua o mesmo dos filmes recentes em que participou. Gostei bastante do lobo que aparece em três momentos específicos do filme, mas fiquei na dúvida se era um lobo verdadeiro ou antes, um cão arraçado. Destaque também para a química entre os actores principais, é muito boa e os seus personagens convencem. O trabalho da realizadora é notável. Pessoalmente, gostaria que outras raparigas se tornassem realizadoras e apresentassem os seus trabalhos, as mulheres possuem uma visão diferente dos homens sobre este mundo. Volto a dizer, gostei bastante do protagonista deste filme, fez-me lembrar uma certa pessoa...

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

First Man

Nome do Filme : “First Man”
Titulo Inglês : “First Man”
Titulo Português : “O Primeiro Homem na Lua”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Damien Chazelle
Produção : Damien Chazelle
Elenco : Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Patrick Fugit, Christopher Abbott, Ciaran Hinds, Lukas Haas, Shea Whigham, Pablo Schreiber, Ethan Embry, Corey Stoll, Brian d'Arcy James, Cory Michael Smith, Olivia Hamilton.

História : A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong e a sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação durante uma das mais perigosas missões na história das viagens espaciais.

Comentário : Com este filme, apanhei uma das maiores secas da minha vida, mas isso não significa que o filme seja mau, longe disso, é uma fita bem aceitável e apresentável. O realizador Damien Chazelle tem no seu reportório dois excelentes filmes, era muito difícil falhar à terceira, e embora este “First Man” não esteja à altura dos outros dois títulos, é um filme muito bem conseguido e que, a nível técnico, roça a perfeição. No entanto, o director abusa da técnica de camara na mão, nos facultando muitas cenas de planos fechados na cara dos personagens e sempre a tremer, o que quase chega a enjoar, ou seja, torna-se uma tarefa quase exaustiva assistir a esses momentos. Algumas sequências são filmadas em género de documentário, aliás, este filme possui uma veia muito documental. Outras vezes, parece estarmos a assistir a gravações em super 8 daquela época. Vale também frisar a excelente fotografia, o filme está muito bem filmado e existem algumas cenas que dá gosto assistir, visualmente é muito bonito e cativante.

Por exemplo, as melhores partes do filme são precisamente aquelas que mostram os momentos familiares e pessoais do protagonista. Se vão para este filme para verem a exploração da Lua por parte dos astronautas, vão ficar desiludidos, isso só acontece nos últimos quinze minutos. E se as cenas em família do protagonista resultam nos melhores momentos do longa, já aquelas partes em que ele está a preparar-se para a viagem ou as reuniões dos graúdos representam o pior do filme, é tudo muito aborrecido, chato e entediante, a mim, causou-me transtorno. Temos um elenco de luxo, mas eu quero apenas destacar Ryan Gosling, que é um dos meus atores preferidos, ele tem aqui uma boa prestação, embora eu já o tenha visto fazer bem melhor. Seria uma injustiça não falar de Claire Foy, ela não só tem a melhor prestação do filme, como também é o grande pilar do personagem principal, eles funcionam muito bem enquanto casal. Se não fosse a esposa, Neil Armstrong talvez não tivesse sido o grande homem que foi. Ao contrário do que me costuma acontecer, desta vez, achei o filme muito longo, talvez se tivessem cortado aquelas partes que eu achei aborrecidas, se focando na componente pessoal e familiar do protagonista e passando a seguir logo para a chegada à Lua e momentos seguintes, talvez assim, a experiência fosse melhor para mim. Ainda assim, é um bom filme.

domingo, 14 de outubro de 2018

Apostle

Nome do Filme : “Apostle”
Titulo Inglês : “Apostle”
Titulo Português : “Apóstolo”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller/Drama
Realização : Gareth Evans
Produção : Gareth Evans
Elenco : Dan Stevens, Kristine Froseth, Lucy Boynton, Michael Sheen, Elen Rhys, Bill Milner, Paul Higgins, Mark Lewis Jones, Sharon Morgan, Ioan Hefin, Richard Elfyn.

História : No ano de 1905, Thomas Richardson viaja para uma ilha remota em busca da sua irmã. Um misterioso culto religioso a raptou e agora pede uma grande quantia de dinheiro pelo seu resgate. Porém, eles percebem que mexer com Thomas foi um grande erro, já que ele começa a desvendar todas as mentiras e todos os segredos sob os quais o culto foi construído.

Comentário : E depois de duas grandes desilusões, nada melhor do que um bom filme para alimentar o nosso ego cinéfilo. É assim, de vez em quando surge um filme do qual nós não esperamos quase nada e se revela algo muito positivo. Primeiro que tudo, este é um filme de terror que reúne praticamente todas as características desse género. Mesmo sofrendo de alguns clichés deste tipo de filmes, esta fita agrada principalmente devido ao seu clima de mistério bem presente ao longo das duas horas de projeção. Apesar do seu ritmo lento, nós assistimos com agrado ao desenrolar dos acontecimentos conforme eles nos vão sucedendo diante dos olhos. E para isso, muito contribuíram os twists e as revelações súbitas que adornam a narrativa e o filme em si. O filme também serve como alarme para a existência e para as práticas de cultos religiosos criminosos, e mesmo da própria religião em si, como fruto de alienação de massas e desculpa para a prática de crimes, a História está cheia deles, o passado e o actual fanatismo religioso. O filme está muito bem editado e montado e para isso muito contribuiu a excelente realização do hábil e talentoso Gareth Evans. Apesar do argumento ter alguns furos, a história é muito boa e desperta o devido interesse, nós estamos sempre agarrados ao ecrã. Além disso, o filme tem uma excelente ambientação, por vezes, apetecia estar naquela ilha, cenários muito bem escolhidos e trabalhados. É um filme muito violento e com muito sangue. A nível das interpretações, os principais da trama estão muito bem, com destaque merecido para Dan Stevens, que desempenha o grande protagonista do filme. Ele possui não só a melhor prestação do longa, como cabe em si, a melhor personagem da fita. Fica-se a lamentar as mortes de três personagens importantes à trama. Gostei de ter visto Kristine Froseth neste filme, a sua personagem é boa e tem uma trama bem interessante, mas o realizador joga tudo no lixo. O filme ajuda-nos a reflectir à cerca da maldade existente no ser humano. Felizmente, não ficaram muitas pontas soltas. Temos cenas aflitivas e uma em especial que é bem nojenta e de pura maldade. “Apostle” é mais uma das grandes surpresas positivas deste ano.

A Star Is Born

Nome do Filme : “A Star Is Born”
Titulo Inglês : “A Star Is Born”
Titulo Português : “Assim Nasce Uma Estrela”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Bradley Cooper
Produção : Bradley Cooper
Elenco : Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Anthony Ramos, Rafi Gavron, Ron Rifkin, Barry Shabaka Henley, Michael Roberts, Michael Harney, Rebecca Field, Derek Kevin Jones, William Belli, Dennis Tong, Josh Wells, Greg Grunberg, Drena De Niro, Eddie Griffin, Dave Chappelle, Sanaa Chapelle, Leandro De Niro Rodriguez, Jacob Schick, Gabe Fazio.

História : Apesar de sobreviver à custa de um ordenado miserável como empregada de mesa, Ally nunca abandonou o sonho de se tornar uma estrela musical. Um dia, conhece Jackson Maine, um cantor consagrado com tendências autodestrutivas que reconhece o seu enorme talento e resolve ajudá-la.

Comentário : Boa noite pessoal, cá estamos para mais uma critica e deixem-me dizer que vi finalmente este filme de que se tem falado muito. Pessoal, é assim, eu confesso que não partilho do entusiasmo e da satisfação da maioria daqueles que viram este filme. Sim, é verdade, eu não gostei deste “A Star Is Born”, que no fundo é o terceiro remake de um filme de 1937 realizado por William A. Wellman, com Janet Gaynor e Fredric March nos principais papéis. Vale lembrar que este terceiro remake era inicialmente para ter sido realizado por Clint Eastwood e protagonizado por Beyoncé, sim, é verdade, para aqueles que desconheciam, aqui fica a nota. Mas agora, vamos ao ponto : as razões pelas quais eu não gostei deste filme. Bom, em primeiro lugar, quero aqui falar da única coisa que eu gostei. Eu nunca gostei da pessoa Lady Gaga, nunca fui à bola com ela, apesar de reconhecer que ela é uma boa cantora. Mas, devo dizer que a Lady Gaga é a melhor coisa deste filme, é isso mesmo, curiosamente, esta mulher consegue ser aquilo que de melhor o filme tem para oferecer. Sendo assim, eu admito e reconheço que Lady Gaga teve uma boa interpretação e uma boa prestação neste filme, finalmente, ela provou ser uma actriz.

Mas infelizmente, o filme sofre de vários problemas. Desde logo, os clichés, porra, este terceiro remake tem todos os clichés e lugares comuns característicos deste género de filmes, sendo tudo mais do mesmo. Assim, é tudo muito repetitivo e igual ao que já vimos em outros filmes com a agravante deste não ser um musical, mas sim um filme sobre música, e é bom que as pessoas percebam a diferença. Não gostei de alguns personagens secundários, eles não transmitem nenhuma naturalidade ou realismo quando os representam, ou seja, eles dão a ideia de estarem ali apenas a desempenhar os seus papéis. Outro dos principais problemas deste filme é Bradley Cooper, apesar da produção do filme parecer estar aceitável, a sua realização é duvidosa, o filme tem uma montagem sofrível e cortes a mais em algumas locações, para além de ter havido coisas que simplesmente não funcionaram. O argumento é básico, sofrendo de diálogos mastigados e vomitados, algo já visto outras tantas vezes. Eu adoro Bradley Cooper como actor, mas aqui ele não está muito bem, eu não gostei nem do seu personagem e muito menos da sua prestação, além disso, a química dele com Lady Gaga é algo forçada. A banda sonora, apesar de haver temas feitos de propósito para o filme, é banal, ou seja, nenhuma canção me ficou na cabeça. E este é o tipo de história já visto em muitos outros filmes que abordam estas temáticas. Aplicando o ditado “vira o disco e toca o mesmo”, estamos perante um filme desnecessário. Prefiro o filme “Once” de John Carney.

domingo, 7 de outubro de 2018

Hold The Dark

Nome do Filme : “Hold The Dark”
Titulo Inglês : “Hold The Dark”
Titulo Português : “Para a Escuridão”
Ano : 2018
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Aventura/Mystery/Crime/Thriller
Realização : Jeremy Saulnier
Produção : Russell Ackerman/Eva Maria Daniels/Neil Kopp/J. S./Anish Savjani
Elenco : Riley Keough, Jeffrey Wright, Alexander Skarsgard, Michael Tayles, Beckam Crawford, Tantoo Cardinal, Issac Bird, Joseph Whitebird, Zandus Snow, Julian Black Antelope, Conor Boru, Anabel Kutay, Clarence Hoof, Savannah Bird, Karen Powderface, James Badge Dale, Brian Martell, Jonathan Whitesell, Savonna Spracklin.

História : No Alasca, ocorreu uma tragédia : foram encontrados os corpos de três crianças supostamente mortas por uma alcateia de lobos, e desapareceu um menino, filho de um casal da região. Com o marido ausente, a mãe do garoto contratou um escritor e naturalista, entendido em lobos, para encontrar o seu filho.

Comentário : Na onda de filmes como “Hell Or High Water” e “Wind River”, que são bons filmes, chega-nos agora “Hold The Dark”, um filme que muita gente detestou ou não o entendeu. Pessoalmente, eu gostei bastante. Pois é, então, penso que o grande problema desta fita é que deixa muitas pontas soltas, onde muita coisa ficou por explicar. Na verdade, eu penso que essas coisas que ficaram por contar, mostrar ou explicar, estão no filme, a pessoa precisa é de estar muito atenta aos pequenos detalhes e depreender essas mesmas coisas, que estão escondidas. Por exemplo, uma simples fotografia pode mostrar algo importantíssimo, uma revelação brutal. Claro que também me ajudou algumas pesquisas que fiz no YouTube, inclusive, existe um youtuber, que dissecou o filme e o explicou para aqueles que precisavam de ajuda. Lembram-se daqueles dois bons filmes que eu frisei no início do comentário, pois bem, eles e este “Hold The Dark”, possuem muito em comum. E embora isso seja conhecido de quem já viu os três filmes, aquilo que eles mais partilham é a excelência técnica dos mesmos, nesse nível, estes três filmes roçam a perfeição.

Temos belíssimas paisagens, um som do melhor, excelentes planos e tomadas aéreas de grande impacto, uma fotografia impecável e exímia, excelentes locações, está tudo muito bem filmado, editado e montado, temos uma ambientação que é perfeita, excelentes interpretações, muito realismo e naturalismo, enfim, tudo foi cuidadosamente trabalhado e feito a preceito, para que desse resultado e deu, nos três casos. Mas ao contrário dos dois primeiros, este não é para todos devido àquilo que eu já falei, a falta de explicações e um argumento confuso onde temos poucas respostas para as muitas perguntas que ficam no ar. Mas, se pensarem bem, tudo fará sentido no final, ainda que certas atitudes dos personagens pareçam não o fazer. Temos quatro interpretações principais que são muito boas: o marido, a mulher, o escritor e o xerife. Temos uma longa sequência de um tiroteio que é espectacular e causa impacto. Temos muita violência, é um filme com um ritmo muito lento, tal como os outros dois. E temos muitos lobos, animais lindos e adoráveis. Um último reparo, por vezes, não é necessário um filme ser todo explicado, basta estarmos atentos e talvez iremos perceber grande parte das coisas. Bom filme, outra das grandes surpresas deste ano.

Mandy

Nome do Filme : “Mandy”
Titulo Inglês : “Mandy”
Titulo Português : “Mandy”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Terror/Thriller/Ação
Realização : Panos Cosmatos
Produção : Elijah Wood
Elenco : Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Line Pillet, Olwen Fouere, Ned Dennehy, Richard Brake, Bill Duke, Clement Baronnet, Alexis Julemont, Stephan Fraser, Ivailo Dimitrov, Kalin Kerin, Tamas Hagyuo, Hayley Saywell, Corfu.

História : Dois grupos de nojentos sequestram a esposa de um pacífico lenhador, a torturam e a queimam viva à frente do seu marido. Sem grande alternativa, o marido da lojista inicia um plano de vingança que consiste em matar de forma selvática cada um dos membros dos tais dois grupos de nojentos.

Comentário : Cá está mais um filme divisor de opiniões, em que muitos detestaram e outros adoraram, eu confesso que pertenço ao segundo grupo, ainda que com algumas reservas. Primeiro, o filme tem o Nicolas Cage como actor principal, ainda que o titulo seja alusivo à personagem da esposa dele. E por falar em mulher do protagonista masculino, bom, eu confesso que gostei desta actriz em outros filmes, mas não gostei nada dela nesta fita, não entendo porque motivo ela aqui está tão horrorosa. Além disso, a interpretação dela neste filme não é grande coisa. Não podemos dizer que Nicolas Cage é um mau actor, até porque ele já foi vencedor de 1 oscar da academia para melhor interpretação num filme. Ele está bem neste “Mandy”, tem mesmo a melhor prestação do longa, mas também isso não é difícil, eu gostei do seu personagem e da súbita mudança que se dá nele. O filme, ele conta uma história que se passa nos anos 80 numa floresta montanhosa, e relata a vivência pacífica entre uma lojista e um lenhador, eles vivem juntos e amam-se muito. Mas, uns nojentos, sim – existe sempre gente nojenta para atrapalhar, chatear e exercer o mal sob quem quer estar sossegado e na paz – eles aparecem e cometem o pior dos actos face àquele casal.

O filme tem muito de anos 80, desde a banda sonora, passando pelas cores saturadas e terminando nas muitas referências a filmes dessa época, ele mesmo se passa em 1983. É um filme de baixo orçamento, por vezes isso é perceptível, noutras nem tanto. Não conhecia este realizador e fiquei satisfeito com este seu trabalho. Este filme tem gore, muita ação, muita violência e muita maldade, faz alusão ao fanatismo religioso e quanto prejudicial pode ser uma religião na vida de uma pessoa, aborda também a maldade que pode existir num ser humano, para além de funcionar igualmente como uma homenagem ao amor. Temos personagens bem irritantes e que nos geram repulsa por elas. Gostei do destino dado a todos os personagens, menos daquele que deram à pobre Mandy, claramente. Gostei do protagonista ter poupado a vida da miúda, quem já viu o filme, facilmente entenderá porquê. Gostei do facto do personagem principal ter criado a sua arma pessoal. Infelizmente, existem algumas coisas bem previsíveis e outras conveniências de roteiro. É um filme trash, cheio de estilo, uma fita de terror diferente de muita coisa que temos visto nos últimos anos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Summer Of 84

Nome do Filme : “Summer Of 84”
Titulo Inglês : “Summer Of 84”
Titulo Português : “Verão de 84”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror/Aventura
Realização : Anouk Whissell/François Simard/Yoann-Karl Whissell
Produção : Matt Leslie/J. P./Shawn Williamson/Cody Zwieg/Van Toffler
Elenco : Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter-Andrew, Tiera Skovbye, Shauna Johannessen, Susie Castillo, Rich Sommer, Jason Gray-Stanford, William MacDonald, Harrison Houde, Aren Buchholz, Reilly Jacob.

História : Crescendo no subúrbio, Davey está cansado da mesmice de rodar a cidade de bicicleta com os seus amigos e espionar Nikki, a sua linda e querida vizinha que adora fazer topless. Até que um dia, os quatro amigos desconfiam que algo se passa com um famoso vizinho e resolvem mover uma investigação serrada, mas controlada.

Comentário : Este filme vai muito na vibe actual de filmes e séries cuja ação decorre nos anos 80, numa tentativa de abranger também outro tipo de público. Mas calma, eu já o vi e asseguro que este filme é mesmo bom. Claro que o maior problema deste filme é vir dotado de quase todos os clichés do género. Mas, neste caso, isso não é prejudicial ao filme. E mesmo apesar de ele ser bem previsível em algumas situações, tudo isso acaba por ter o efeito contrário, já que, nos faz ficar concentrados naquilo que está a acontecer diante dos nossos olhos e ficarmos sempre na expectativa daquilo que irá suceder a seguir. Sim, o filme é bem tenso e tem bastante suspense. Eu próprio, cheguei a duvidar da identidade do assassino em algum momento do longa, embora tivesse sempre um bichinho no meu ouvido a sussurar que era o fulano tal. E infelizmente, o filme nunca nos tira isso da cabeça, o que acaba por estragar a experiência daqueles que já estiverem muito habituados a este tipo de produções. Por isso e apesar de ser previsível e de ter clichés, a trama nos envolve num crescendo de tensão e dúvidas, tudo fruto de um argumento muito bem escrito e redondo, parece que foi tudo cuidadosamente arquitectado com régua e esquadro. Em relação ao elenco, os adultos quase nunca aparecem e, sinceramente, eles não fazem falta nenhuma à história, só mesmo perto do final. Sobre o elenco jovem, os cinco principais actores mirins desempenharam bem seus papéis, eu gostei muito de cada um destes cinco personagens. O Eats é um menino muito avançado para idade a nível hormonal, mas tem a mania que é bom e que tem estilo, ele é muito convencido, mas funciona bem. O Farraday é um garoto inteligente e sabedor, ele é o mais cuidadoso mas também o menos expressivo do grupo. O Woody é o gordinho do grupo, ele é amoroso e cuida da mãe que está doente, ele pode ser “burro”, mas nunca deixa o seu melhor amigo mal, eu fiquei bastante surpreso e revoltado com o destino que lhe deram. A Nikki é uma menina mais velha do que qualquer membro do grupo masculino, mas é muito firme nas suas convicções e amiga do seu amigo. E o Davey é o herói da história e o verdadeiro líder do grupo, ele é seguramente o meu personagem preferido do filme. No final do terceiro acto, nós pensamos que o filme acabou, mas o trio de realizadores ainda nos reservou uns últimos 15 minutos, que apesar de terem algumas falhas, são determinantes e marcantes, nos deixando a pensar sobre como será o futuro de Davey. Bom filme.