quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Don't Worry, He Won't Get Far On Foot

Nome do Filme : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Inglês : “Don't Worry, He Won't Get Far On Foot”
Titulo Português : “Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé”
Ano : 2018
Duração : 114 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática
Realização : Gus Van Sant
Produção : Charles-Marie Anthony/M. B./Nicolas Lhermitte/Steve Golin
Elenco : Joaquin Phoenix, Jonah Hill, Rooney Mara, Jack Black, Tony Greenhand, Beth Ditto, Mark Webber, Ronnie Adrian, Kim Gordon, Udo Kier, Carrie Brownstein, Emilio Rivera, Angelique Rivera, Rebecca Rittenhouse, Anne Lane, Jessica Jade Andres, Rebecca Field, Olivia Hamilton, Peter Banifaz, Santina Muha, Christopher Thornton, Ron Perkins, Heather Matarazzo, Ayden Mayeri, Aleu Moana.

História : John Callahan, boémio e alcoólico, tem um acidente de automóvel que quase o leva a perder a vida. Apesar de parcialmente paralisado e de cadeira de rodas, recusa-se a deixar de beber. Um dia, a custo, mas com o apoio de Annu, uma terapeuta, e do amigo Donnie, aceita fazer um tratamento. É nessa altura que descobre o seu potencial como cartoonista. Começando a publicar em jornais, torna-se, por um lado, uma voz para aqueles com deficiências motoras, adquirindo um estatuto de culto. Por outro, é vítima de boicotes, por ser considerado politicamente incorrecto. Mas, graças a tudo isto, ganha visibilidade e reconhecimento.

Comentário : Pessoal, hoje vi o novo filme de Gus Van Sant, um realizador que eu gosto bastante, com este filme e depois dos seus dois últimos fracassos, vi o director regressar à sua boa forma. Trata-se de uma realização muito competente, logo, o filme é muito bom e possui algumas mensagens bem importantes, sendo a principal, que a maioria das pessoas só dá valor às coisas quando as perdem. E, em parte, foi isso também que aconteceu com o personagem do Joaquin Phoenix. É um filme biográfico que resulta numa muito funcional fusão entre o drama e a comédia. O genérico inicial é muito engraçado e podemos contar com sequências de animação durante o longa. No início, a coisa demora a arrancar, mas a partir do momento em que o protagonista sofre o tal acidente, as coisas melhoram e ganhamos o máximo interesse pelo filme e por aquilo que vemos diante dos nossos olhos. Eu adorei o personagem do Joaquin Phoenix neste filme, o actor está excelente neste registo e passa-nos na perfeição o seu drama. Ele é um homem que era algo antes do acidente, sofreu uma profunda transformação e tornou-se numa coisa bem diferente após o dito cujo, ele transformou-se numa pessoa melhor. E Joaquin Phoenix fez isso muito bem, a sua prestação nos convence daquilo que o John Callahan passou. Gostei igualmente de ter visto Jonah Hill num registo dramático, posso estar enganado, mas não me recordo dele num papel dramático, ele é um actor associado à comédia. O Jack Black aparece pouco, mas está bem no seu papel, eu gostei mais do seu personagem do pós-acidente do que do antes. E Rooney Mara faz aquilo que sabe fazer melhor, que é dar o seu melhor ao encarnar uma personagem, seja ela qual for. Por vezes, é necessário levarmos um tombo na vida, para aprendermos algo e nos voltarmos a erguer, às vezes, temos que sofrer muito para mudarmos e para darmos valor à vida, tornando-nos melhores pessoas. No final do filme, ficam duas coisas : as mensagens e o personagem de Joaquin Phoenix.

O Animal Cordial

Nome do Filme : “O Animal Cordial”
Titulo Inglês : “Friendly Beast”
Titulo Português : “O Animal Cordial”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Gabriela Amaral
Produção : Rodrigo Teixeira
Elenco : Murilo Benício, Luciana Paes, Irandhir Santos, Camila Morgado, Jiddu Pinheiro, Ernani Moraes, Humberto Carrão, Ariclenes Barroso, Eduardo Gomes, Diego Avelino, Thais Aguiar.

História : Inácio é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com punho de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro, Djair. Quando o estabelecimento é assaltado, Inácio e uma das funcionárias precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa.

Comentário : O Halloween está à porta e eu, por esta altura, costumo ver e comentar filmes de terror, sendo este o terceiro. Trata-se de um filme brasileiro, mais um, mas este é bem melhor do que o anterior. Ainda assim, existiram coisas que eu não entendi muito bem e na realidade, nem quero perceber, aquilo que eu quero muito sinceramente, é esquecer estes dois filmes o mais rapidamente possível. O filme é realizado por uma mulher e brevemente vai estrear o seu novo filme, que julgo ser um bom filme, pelo menos a sinopse e o trailer assim o fazem parecer. Este “O Animal Cordial” é daqueles filmes que não aquece nem arrefece, é uma fita básica que conta uma história igualmente básica e cujo resultado final assemelha-se a um pão sem sal. Gostei das interpretações, aqui com destaque para Murilo Benício, Irandhir Santos e Luciana Paes, cada um no seu respetivo papel, os três fizeram um bom trabalho, seja individual ou em grupo. Os outros também estão bem, vale lembrar que este é um filme com poucos actores, ele tem um elenco muito pequeno. A história é confusa, principalmente no que toca ao comportamento e à maneira de ser de Inácio, nós não sabemos direito como aquela cabeça funciona e muito menos aquilo que havemos de esperar dele. Sim, Murilo Benício desempenha alguém que não é certo das ideias, o tipo não sabe o que quer da vida. É uma fita detentora de muita tensão, aliás, o clima de suspense está quase sempre presente. A ambientação é boa, podem ser cenários de teatro, mas são críveis e parece mesmo que se trata de um restaurante a sério. O filme tem violência e cenas de nudez e de sexo. A nível de cinema brasileiro, confesso que já vi muito melhor, pode-se mesmo dizer que este “O Animal Cordial” é bem fraco. No entanto, como proposta para o Halloween, este filme funciona muito melhor do que o anterior aqui comentado.

Mal Nosso

Nome do Filme : “Mal Nosso”
Titulo Inglês : “Our Evil”
Titulo Português : “Mal Nosso”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Samuel Galli
Produção : Samuel Galli/Tato Siansi/Victor Molin
Elenco : Ademir Esteves, Ricardo Casella, Luara Pepita, Sónia Moreno, Maria Clara Gonçalves, Maria Galves, Fernando Cardoso, Antony Mello, Gabriela Grecco, Maysa Pettes, Shirley Viana, William Salles, Walderrama Dos Santos, Thais Prates.

História : Um espiritualista é avisado de que um poder demoníaco deseja destruir a alma de sua filha. Ele contrata um assassino para tentar protegê-la, ou não.

Comentário : Continuando numa de Halloween e agora com um filme de terror brasileiro, eu confesso que esperava muito mais deste filme, e a fita acabou por ser uma grande desilusão. Eu achei a história confusa e confesso que não entendi a essência da coisa. Por exemplo, se o personagem principal contratou o tal criminoso para que este protegesse a sua filha, então não percebo porque motivo ele fez o que fez com ela. Por favor, peço a quem já tenha visto o filme que deixe aqui nos comentários a explicação para isso. O filme é muito violento, pessoalmente, penso que a cena em que o criminoso tortura e mata aquela mulher naquela cama era desnecessária, certamente que havia uma outra maneira de mostrar que o tipo era mau. Eu gostei da interpretação de Ademir Esteves no papel do pai da miúda, mas isso não significa que tenha gostado do seu personagem, pelo contrário, achei-o bem nojento. Trata-se de uma produção independente e de baixos recursos, daí que os efeitos visuais, apesar de serem práticos, eram básicos e não surtiram o efeito pretendido. O filme prima pelo seu ambiente de mistério e tensão, que estão sempre presentes ao longo de quase hora e meia de projeção. O factor do enigmático também funciona aqui muito bem. Penso que faltou ao filme aprofundar mais a relação pai e filha, eu gostaria de ter ficado a saber mais destes dois personagens. O personagem do criminoso também não foi devidamente explorado. Em resumo, era um filme que tinha muito potencial, mas que na minha opinião, deixou muito a desejar.

domingo, 21 de outubro de 2018

Errementari

Nome do Filme : “Errementari”
Titulo Inglês : “Errementari : The Blacksmith And The Devil”
Titulo Português : “Errementari : O Ferreiro e o Diabo”
Ano : 2017
Duração : 99 minutos
Género : Fantasia/Terror
Realização : Paul Urkijo Alijo
Produção : Paul Urkijo Alijo/Álex de la Iglesia
Elenco : Uma Bracaglia, Kandido Uranga, Eneko Sagardoy, Ramon Aguirre, José Ramon Argoitia, Josean Bengoetxea, Gotzon Sanchez, Aitor Urcelai, Maite Bastos, Inigo de la Iglesia, Unax Gonzalez, Jon Ander Alonso, Itziar Ituno, Ortzi Acosta, Zigor Bilbao, Naia Garcia, Haizea Garcia.

História : Na terceira década do século XIX, Usue é uma menina de oito anos cuja mãe cometeu suicídio quando ela nasceu e que por isso, é uma criança rejeitada por quase todos. Ela mora numa aldeia cujos habitantes temem um ferreiro que habita isolado numa enorme mansão no interior de uma densa floresta. Um dia, chega à aldeia um comissário do governo que reclama o ouro que esse ferreiro supostamente roubou durante a guerra. Mas a situação agrava-se quando Usue se infiltra na habitação do temido homem, fazendo com que ele se torne na pior pessoa do mundo aos olhos dos habitantes e governantes da aldeia.

Comentário : Pessoal, estamos muito perto da época do Halloween e no comentário de hoje, vamos falar de um filme de terror, na realidade, é uma co-produção entre a Espanha e a França, um filme de poucos recursos e de baixo orçamento. E o facto do filme ser de orçamento reduzido, isso nota-se claramente em certas cenas. O filme tem uma história bem cativante e embora os primeiros sete minutos não sejam muito interessantes, isso depois passa e nós nos encontramos bem mais interessados em vê-lo. Temos uma excelente recriação de época, uma ambientação muito boa e as personagens convencem, mesmo que algumas interpretações dos secundários não sejam por aí além. Vale dizer que o filme, ele é baseado em uma fábula antiga e tem uma componente religiosa muito forte, sem nunca nos jogar isso na cara. Os figurinos convencem, todo o guarda-roupa está bem conseguido. Sobre as interpretações principais, pouco existe a dizer, apenas que o actor que faz de ferreiro está razoável e a menina que desempenha a protagonista, ela fez um bom trabalho, tendo em conta a sua pouca idade. A equipa fez um bom trabalho de maquiagem, eu gostei bastante, principalmente do personagem do demónio Sartael. A nota negativa vai para alguns erros e para os fracos efeitos especiais. Apesar de terem usado efeitos práticos em algumas cenas, eles nem sempre resultaram, mas como se trata de um filme de orçamento muito reduzido, isso facilmente se perdoa. O realizador trabalhou muito bem a fusão da fantasia com o terror. Volto a dizer, a história é bem interessante. Tem uma sequência em especial que pareceu que eu estava a ver todos os criminosos do nosso país e os nossos políticos corruptos a caminharem para um determinado local, foi hilariante. Este filme é uma boa proposta para o início do Halloween, ele funciona como filme de terror, apesar de não ter sustos. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme e o recomendo.

Calibre

Nome do Filme : “Calibre”
Titulo Inglês : “Calibre”
Titulo Português : “Calibre”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Thriller
Realização : Matt Palmer
Produção : Anna Griffin/Alastair Clark
Elenco : Jack Lowden, Martin McCann, Kate Bracken, Kitty Lovett, Olivia Morgan, Ian Pirie, George Anton, Therese Bradley, Joe Cassidy, Cameron Jack, Rob McGillivray, Cody Mitchell, Ben Stranahan, Donald McLeary, Cal MacAninch, Clare Yuille.

História : Vaughn e Marcus são dois grandes amigos que a certa altura decidem fazer uma viagem para caçar. Uma vez lá, Vaughn comete o pior acto da sua vida e as coisas complicam-se de vez para os dois amigos.

Comentário : Este filme é um dos melhores thrillers que eu vi nos últimos anos não só devido à situação em que os dois protagonistas se encontram envolvidos, como também por causa do enorme clima de tensão e nervos que passarão a estar sempre presentes a partir de um determinado momento. A cena que marca o início da sucessão de eventos que passam a acompanhar os dois protagonistas é uma das mais aflitivas que eu vi em filme e acreditem, não existe nenhuma cena de gore que bata esta, devido à condição da vítima. Eu nem queria acreditar quando vi. Este é daqueles raros casos em que eu fiquei o tempo todo contra os protagonistas e na esperança que eles fossem mortos no final, era o que eles mereciam depois do que fizeram, quem já viu o filme saberá porque motivo eu penso assim. Não gostei do final do filme, ou seja, da forma como resolveram a questão, penso que não faz sentido nenhum. Em tirando isso, estamos perante um thriller bastante aceitável, que nos consegue prender a atenção e nos dar cabo dos nervos até perto do final. A nível das interpretações, os actores que desempenham os dois amigos protagonistas, estiveram muito bem, embora eu tivesse gostado mais da prestação do mais novo. É mais um filme que mostra como o ser humano é o pior dos seres vivos. “Calibre” junta-se assim a “Hold The Dark” e a “Apostle”como sendo os melhores filmes da Netflix que vi nos últimos tempos.

Lazzaro Felice

Nome do Filme : “Lazzaro Felice”
Titulo Inglês : “Happy As Lazzaro”
Titulo Português : “Feliz Como Lazzaro”
Ano : 2018
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Alice Rohrwacher
Produção : Carlo Cresto-Dina/Gregory Gajos/Tiziana Soudani/Michael Weber
Elenco : Adriano Tardiolo, Nicoletta Braschi, Tommaso Ragno, Alba Rohrwacher, Sergi Lopez, Agnese Graziani, Luca Chikovani, Natalino Balasso, Daria Pascal Attolini, Maddalena Baiocco, Giulia Caccavello, Annunziata Capretto, Davide Denci, Alessandro Genovesi, Carlo Massimino, Edoardo Montalto, Gala Othero Winter, Leonardo Nigro, Iris Pulvano, Ettore Scarpa, Pasqualina Scuncia, Carlo Tarmati.

História : Lazzaro é um jovem simples, trabalhador e sempre pronto a sacrificar-se pelos outros. A sua brandura faz dele uma presa fácil de todos os que, de uma forma ou outra, desejam aproveitar-se da sua inocência – seja Tancredi, um jovem nobre de intenções duvidosas, ou a terrível Marquesa Alfonsina de Luna, proprietária das terras onde ele vive com a família e que mantém os seus trabalhadores presos a rituais antigos, de forma a isolá-los do progresso. Quando Tancredi convence Lazzaro a ajudá-lo fingir o seu próprio rapto, ele não imagina o quanto isso vai alterar a sua forma de vida.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que recebeu prémios em festivais, confesso que já andava há algum tempo para ver esta fita e que gostei bastante do que vi. Trata-se de um filme italiano dirigido pela mesma realizadora que nos deu um filme igualmente bom chamado “As Maravilhas”, que penso já haver critica dele aqui neste espaço. O roteiro é bem peculiar, eu fiquei mesmo surpreso com aquilo que acontece na segunda hora do filme, é como se a fita tivesse apenas dois actos ou duas partes divididas pelas duas horas de duração do longa. O filme é mostrado em modo retrato, isso não é novidade para mim, já vi alguns filmes nesse formato, mas confesso que aprecio bastante essa maneira de exibição. É um filme de drama com uma pitada de fantasia, mas sem nunca cair no exagero. Alguns actores aqui são repetentes do filme anterior da realizadora. Este filme funciona também como uma crítica à sociedade no geral, o final é a dura e crua prova disso mesmo. Eu gostei imenso do personagem principal, aquele que dá nome ao título do filme, achei que ele teve uma forte e carismática presença no ecrã, ele fala muito pouco e eu gostava de ter visto mais do seu Lazzaro nesse sentido. Mas a sua expressividade é excelente. A Nicoletta Braschi está praticamente irreconhecível enquanto que o Sergi Lopez continua o mesmo dos filmes recentes em que participou. Gostei bastante do lobo que aparece em três momentos específicos do filme, mas fiquei na dúvida se era um lobo verdadeiro ou antes, um cão arraçado. Destaque também para a química entre os actores principais, é muito boa e os seus personagens convencem. O trabalho da realizadora é notável. Pessoalmente, gostaria que outras raparigas se tornassem realizadoras e apresentassem os seus trabalhos, as mulheres possuem uma visão diferente dos homens sobre este mundo. Volto a dizer, gostei bastante do protagonista deste filme, fez-me lembrar uma certa pessoa...

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

First Man

Nome do Filme : “First Man”
Titulo Inglês : “First Man”
Titulo Português : “O Primeiro Homem na Lua”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Damien Chazelle
Produção : Damien Chazelle
Elenco : Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Patrick Fugit, Christopher Abbott, Ciaran Hinds, Lukas Haas, Shea Whigham, Pablo Schreiber, Ethan Embry, Corey Stoll, Brian d'Arcy James, Cory Michael Smith, Olivia Hamilton.

História : A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong e a sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação durante uma das mais perigosas missões na história das viagens espaciais.

Comentário : Com este filme, apanhei uma das maiores secas da minha vida, mas isso não significa que o filme seja mau, longe disso, é uma fita bem aceitável e apresentável. O realizador Damien Chazelle tem no seu reportório dois excelentes filmes, era muito difícil falhar à terceira, e embora este “First Man” não esteja à altura dos outros dois títulos, é um filme muito bem conseguido e que, a nível técnico, roça a perfeição. No entanto, o director abusa da técnica de camara na mão, nos facultando muitas cenas de planos fechados na cara dos personagens e sempre a tremer, o que quase chega a enjoar, ou seja, torna-se uma tarefa quase exaustiva assistir a esses momentos. Algumas sequências são filmadas em género de documentário, aliás, este filme possui uma veia muito documental. Outras vezes, parece estarmos a assistir a gravações em super 8 daquela época. Vale também frisar a excelente fotografia, o filme está muito bem filmado e existem algumas cenas que dá gosto assistir, visualmente é muito bonito e cativante.

Por exemplo, as melhores partes do filme são precisamente aquelas que mostram os momentos familiares e pessoais do protagonista. Se vão para este filme para verem a exploração da Lua por parte dos astronautas, vão ficar desiludidos, isso só acontece nos últimos quinze minutos. E se as cenas em família do protagonista resultam nos melhores momentos do longa, já aquelas partes em que ele está a preparar-se para a viagem ou as reuniões dos graúdos representam o pior do filme, é tudo muito aborrecido, chato e entediante, a mim, causou-me transtorno. Temos um elenco de luxo, mas eu quero apenas destacar Ryan Gosling, que é um dos meus atores preferidos, ele tem aqui uma boa prestação, embora eu já o tenha visto fazer bem melhor. Seria uma injustiça não falar de Claire Foy, ela não só tem a melhor prestação do filme, como também é o grande pilar do personagem principal, eles funcionam muito bem enquanto casal. Se não fosse a esposa, Neil Armstrong talvez não tivesse sido o grande homem que foi. Ao contrário do que me costuma acontecer, desta vez, achei o filme muito longo, talvez se tivessem cortado aquelas partes que eu achei aborrecidas, se focando na componente pessoal e familiar do protagonista e passando a seguir logo para a chegada à Lua e momentos seguintes, talvez assim, a experiência fosse melhor para mim. Ainda assim, é um bom filme.

domingo, 14 de outubro de 2018

Apostle

Nome do Filme : “Apostle”
Titulo Inglês : “Apostle”
Titulo Português : “Apóstolo”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller/Drama
Realização : Gareth Evans
Produção : Gareth Evans
Elenco : Dan Stevens, Kristine Froseth, Lucy Boynton, Michael Sheen, Elen Rhys, Bill Milner, Paul Higgins, Mark Lewis Jones, Sharon Morgan, Ioan Hefin, Richard Elfyn.

História : No ano de 1905, Thomas Richardson viaja para uma ilha remota em busca da sua irmã. Um misterioso culto religioso a raptou e agora pede uma grande quantia de dinheiro pelo seu resgate. Porém, eles percebem que mexer com Thomas foi um grande erro, já que ele começa a desvendar todas as mentiras e todos os segredos sob os quais o culto foi construído.

Comentário : E depois de duas grandes desilusões, nada melhor do que um bom filme para alimentar o nosso ego cinéfilo. É assim, de vez em quando surge um filme do qual nós não esperamos quase nada e se revela algo muito positivo. Primeiro que tudo, este é um filme de terror que reúne praticamente todas as características desse género. Mesmo sofrendo de alguns clichés deste tipo de filmes, esta fita agrada principalmente devido ao seu clima de mistério bem presente ao longo das duas horas de projeção. Apesar do seu ritmo lento, nós assistimos com agrado ao desenrolar dos acontecimentos conforme eles nos vão sucedendo diante dos olhos. E para isso, muito contribuíram os twists e as revelações súbitas que adornam a narrativa e o filme em si. O filme também serve como alarme para a existência e para as práticas de cultos religiosos criminosos, e mesmo da própria religião em si, como fruto de alienação de massas e desculpa para a prática de crimes, a História está cheia deles, o passado e o actual fanatismo religioso. O filme está muito bem editado e montado e para isso muito contribuiu a excelente realização do hábil e talentoso Gareth Evans. Apesar do argumento ter alguns furos, a história é muito boa e desperta o devido interesse, nós estamos sempre agarrados ao ecrã. Além disso, o filme tem uma excelente ambientação, por vezes, apetecia estar naquela ilha, cenários muito bem escolhidos e trabalhados. É um filme muito violento e com muito sangue. A nível das interpretações, os principais da trama estão muito bem, com destaque merecido para Dan Stevens, que desempenha o grande protagonista do filme. Ele possui não só a melhor prestação do longa, como cabe em si, a melhor personagem da fita. Fica-se a lamentar as mortes de três personagens importantes à trama. Gostei de ter visto Kristine Froseth neste filme, a sua personagem é boa e tem uma trama bem interessante, mas o realizador joga tudo no lixo. O filme ajuda-nos a reflectir à cerca da maldade existente no ser humano. Felizmente, não ficaram muitas pontas soltas. Temos cenas aflitivas e uma em especial que é bem nojenta e de pura maldade. “Apostle” é mais uma das grandes surpresas positivas deste ano.

A Star Is Born

Nome do Filme : “A Star Is Born”
Titulo Inglês : “A Star Is Born”
Titulo Português : “Assim Nasce Uma Estrela”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Bradley Cooper
Produção : Bradley Cooper
Elenco : Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Anthony Ramos, Rafi Gavron, Ron Rifkin, Barry Shabaka Henley, Michael Roberts, Michael Harney, Rebecca Field, Derek Kevin Jones, William Belli, Dennis Tong, Josh Wells, Greg Grunberg, Drena De Niro, Eddie Griffin, Dave Chappelle, Sanaa Chapelle, Leandro De Niro Rodriguez, Jacob Schick, Gabe Fazio.

História : Apesar de sobreviver à custa de um ordenado miserável como empregada de mesa, Ally nunca abandonou o sonho de se tornar uma estrela musical. Um dia, conhece Jackson Maine, um cantor consagrado com tendências autodestrutivas que reconhece o seu enorme talento e resolve ajudá-la.

Comentário : Boa noite pessoal, cá estamos para mais uma critica e deixem-me dizer que vi finalmente este filme de que se tem falado muito. Pessoal, é assim, eu confesso que não partilho do entusiasmo e da satisfação da maioria daqueles que viram este filme. Sim, é verdade, eu não gostei deste “A Star Is Born”, que no fundo é o terceiro remake de um filme de 1937 realizado por William A. Wellman, com Janet Gaynor e Fredric March nos principais papéis. Vale lembrar que este terceiro remake era inicialmente para ter sido realizado por Clint Eastwood e protagonizado por Beyoncé, sim, é verdade, para aqueles que desconheciam, aqui fica a nota. Mas agora, vamos ao ponto : as razões pelas quais eu não gostei deste filme. Bom, em primeiro lugar, quero aqui falar da única coisa que eu gostei. Eu nunca gostei da pessoa Lady Gaga, nunca fui à bola com ela, apesar de reconhecer que ela é uma boa cantora. Mas, devo dizer que a Lady Gaga é a melhor coisa deste filme, é isso mesmo, curiosamente, esta mulher consegue ser aquilo que de melhor o filme tem para oferecer. Sendo assim, eu admito e reconheço que Lady Gaga teve uma boa interpretação e uma boa prestação neste filme, finalmente, ela provou ser uma actriz.

Mas infelizmente, o filme sofre de vários problemas. Desde logo, os clichés, porra, este terceiro remake tem todos os clichés e lugares comuns característicos deste género de filmes, sendo tudo mais do mesmo. Assim, é tudo muito repetitivo e igual ao que já vimos em outros filmes com a agravante deste não ser um musical, mas sim um filme sobre música, e é bom que as pessoas percebam a diferença. Não gostei de alguns personagens secundários, eles não transmitem nenhuma naturalidade ou realismo quando os representam, ou seja, eles dão a ideia de estarem ali apenas a desempenhar os seus papéis. Outro dos principais problemas deste filme é Bradley Cooper, apesar da produção do filme parecer estar aceitável, a sua realização é duvidosa, o filme tem uma montagem sofrível e cortes a mais em algumas locações, para além de ter havido coisas que simplesmente não funcionaram. O argumento é básico, sofrendo de diálogos mastigados e vomitados, algo já visto outras tantas vezes. Eu adoro Bradley Cooper como actor, mas aqui ele não está muito bem, eu não gostei nem do seu personagem e muito menos da sua prestação, além disso, a química dele com Lady Gaga é algo forçada. A banda sonora, apesar de haver temas feitos de propósito para o filme, é banal, ou seja, nenhuma canção me ficou na cabeça. E este é o tipo de história já visto em muitos outros filmes que abordam estas temáticas. Aplicando o ditado “vira o disco e toca o mesmo”, estamos perante um filme desnecessário. Prefiro o filme “Once” de John Carney.

domingo, 7 de outubro de 2018

Hold The Dark

Nome do Filme : “Hold The Dark”
Titulo Inglês : “Hold The Dark”
Titulo Português : “Para a Escuridão”
Ano : 2018
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Aventura/Mystery/Crime/Thriller
Realização : Jeremy Saulnier
Produção : Russell Ackerman/Eva Maria Daniels/Neil Kopp/J. S./Anish Savjani
Elenco : Riley Keough, Jeffrey Wright, Alexander Skarsgard, Michael Tayles, Beckam Crawford, Tantoo Cardinal, Issac Bird, Joseph Whitebird, Zandus Snow, Julian Black Antelope, Conor Boru, Anabel Kutay, Clarence Hoof, Savannah Bird, Karen Powderface, James Badge Dale, Brian Martell, Jonathan Whitesell, Savonna Spracklin.

História : No Alasca, ocorreu uma tragédia : foram encontrados os corpos de três crianças supostamente mortas por uma alcateia de lobos, e desapareceu um menino, filho de um casal da região. Com o marido ausente, a mãe do garoto contratou um escritor e naturalista, entendido em lobos, para encontrar o seu filho.

Comentário : Na onda de filmes como “Hell Or High Water” e “Wind River”, que são bons filmes, chega-nos agora “Hold The Dark”, um filme que muita gente detestou ou não o entendeu. Pessoalmente, eu gostei bastante. Pois é, então, penso que o grande problema desta fita é que deixa muitas pontas soltas, onde muita coisa ficou por explicar. Na verdade, eu penso que essas coisas que ficaram por contar, mostrar ou explicar, estão no filme, a pessoa precisa é de estar muito atenta aos pequenos detalhes e depreender essas mesmas coisas, que estão escondidas. Por exemplo, uma simples fotografia pode mostrar algo importantíssimo, uma revelação brutal. Claro que também me ajudou algumas pesquisas que fiz no YouTube, inclusive, existe um youtuber, que dissecou o filme e o explicou para aqueles que precisavam de ajuda. Lembram-se daqueles dois bons filmes que eu frisei no início do comentário, pois bem, eles e este “Hold The Dark”, possuem muito em comum. E embora isso seja conhecido de quem já viu os três filmes, aquilo que eles mais partilham é a excelência técnica dos mesmos, nesse nível, estes três filmes roçam a perfeição.

Temos belíssimas paisagens, um som do melhor, excelentes planos e tomadas aéreas de grande impacto, uma fotografia impecável e exímia, excelentes locações, está tudo muito bem filmado, editado e montado, temos uma ambientação que é perfeita, excelentes interpretações, muito realismo e naturalismo, enfim, tudo foi cuidadosamente trabalhado e feito a preceito, para que desse resultado e deu, nos três casos. Mas ao contrário dos dois primeiros, este não é para todos devido àquilo que eu já falei, a falta de explicações e um argumento confuso onde temos poucas respostas para as muitas perguntas que ficam no ar. Mas, se pensarem bem, tudo fará sentido no final, ainda que certas atitudes dos personagens pareçam não o fazer. Temos quatro interpretações principais que são muito boas: o marido, a mulher, o escritor e o xerife. Temos uma longa sequência de um tiroteio que é espectacular e causa impacto. Temos muita violência, é um filme com um ritmo muito lento, tal como os outros dois. E temos muitos lobos, animais lindos e adoráveis. Um último reparo, por vezes, não é necessário um filme ser todo explicado, basta estarmos atentos e talvez iremos perceber grande parte das coisas. Bom filme, outra das grandes surpresas deste ano.

Mandy

Nome do Filme : “Mandy”
Titulo Inglês : “Mandy”
Titulo Português : “Mandy”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Terror/Thriller/Ação
Realização : Panos Cosmatos
Produção : Elijah Wood
Elenco : Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Line Pillet, Olwen Fouere, Ned Dennehy, Richard Brake, Bill Duke, Clement Baronnet, Alexis Julemont, Stephan Fraser, Ivailo Dimitrov, Kalin Kerin, Tamas Hagyuo, Hayley Saywell, Corfu.

História : Dois grupos de nojentos sequestram a esposa de um pacífico lenhador, a torturam e a queimam viva à frente do seu marido. Sem grande alternativa, o marido da lojista inicia um plano de vingança que consiste em matar de forma selvática cada um dos membros dos tais dois grupos de nojentos.

Comentário : Cá está mais um filme divisor de opiniões, em que muitos detestaram e outros adoraram, eu confesso que pertenço ao segundo grupo, ainda que com algumas reservas. Primeiro, o filme tem o Nicolas Cage como actor principal, ainda que o titulo seja alusivo à personagem da esposa dele. E por falar em mulher do protagonista masculino, bom, eu confesso que gostei desta actriz em outros filmes, mas não gostei nada dela nesta fita, não entendo porque motivo ela aqui está tão horrorosa. Além disso, a interpretação dela neste filme não é grande coisa. Não podemos dizer que Nicolas Cage é um mau actor, até porque ele já foi vencedor de 1 oscar da academia para melhor interpretação num filme. Ele está bem neste “Mandy”, tem mesmo a melhor prestação do longa, mas também isso não é difícil, eu gostei do seu personagem e da súbita mudança que se dá nele. O filme, ele conta uma história que se passa nos anos 80 numa floresta montanhosa, e relata a vivência pacífica entre uma lojista e um lenhador, eles vivem juntos e amam-se muito. Mas, uns nojentos, sim – existe sempre gente nojenta para atrapalhar, chatear e exercer o mal sob quem quer estar sossegado e na paz – eles aparecem e cometem o pior dos actos face àquele casal.

O filme tem muito de anos 80, desde a banda sonora, passando pelas cores saturadas e terminando nas muitas referências a filmes dessa época, ele mesmo se passa em 1983. É um filme de baixo orçamento, por vezes isso é perceptível, noutras nem tanto. Não conhecia este realizador e fiquei satisfeito com este seu trabalho. Este filme tem gore, muita ação, muita violência e muita maldade, faz alusão ao fanatismo religioso e quanto prejudicial pode ser uma religião na vida de uma pessoa, aborda também a maldade que pode existir num ser humano, para além de funcionar igualmente como uma homenagem ao amor. Temos personagens bem irritantes e que nos geram repulsa por elas. Gostei do destino dado a todos os personagens, menos daquele que deram à pobre Mandy, claramente. Gostei do protagonista ter poupado a vida da miúda, quem já viu o filme, facilmente entenderá porquê. Gostei do facto do personagem principal ter criado a sua arma pessoal. Infelizmente, existem algumas coisas bem previsíveis e outras conveniências de roteiro. É um filme trash, cheio de estilo, uma fita de terror diferente de muita coisa que temos visto nos últimos anos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Summer Of 84

Nome do Filme : “Summer Of 84”
Titulo Inglês : “Summer Of 84”
Titulo Português : “Verão de 84”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror/Aventura
Realização : Anouk Whissell/François Simard/Yoann-Karl Whissell
Produção : Matt Leslie/J. P./Shawn Williamson/Cody Zwieg/Van Toffler
Elenco : Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter-Andrew, Tiera Skovbye, Shauna Johannessen, Susie Castillo, Rich Sommer, Jason Gray-Stanford, William MacDonald, Harrison Houde, Aren Buchholz, Reilly Jacob.

História : Crescendo no subúrbio, Davey está cansado da mesmice de rodar a cidade de bicicleta com os seus amigos e espionar Nikki, a sua linda e querida vizinha que adora fazer topless. Até que um dia, os quatro amigos desconfiam que algo se passa com um famoso vizinho e resolvem mover uma investigação serrada, mas controlada.

Comentário : Este filme vai muito na vibe actual de filmes e séries cuja ação decorre nos anos 80, numa tentativa de abranger também outro tipo de público. Mas calma, eu já o vi e asseguro que este filme é mesmo bom. Claro que o maior problema deste filme é vir dotado de quase todos os clichés do género. Mas, neste caso, isso não é prejudicial ao filme. E mesmo apesar de ele ser bem previsível em algumas situações, tudo isso acaba por ter o efeito contrário, já que, nos faz ficar concentrados naquilo que está a acontecer diante dos nossos olhos e ficarmos sempre na expectativa daquilo que irá suceder a seguir. Sim, o filme é bem tenso e tem bastante suspense. Eu próprio, cheguei a duvidar da identidade do assassino em algum momento do longa, embora tivesse sempre um bichinho no meu ouvido a sussurar que era o fulano tal. E infelizmente, o filme nunca nos tira isso da cabeça, o que acaba por estragar a experiência daqueles que já estiverem muito habituados a este tipo de produções. Por isso e apesar de ser previsível e de ter clichés, a trama nos envolve num crescendo de tensão e dúvidas, tudo fruto de um argumento muito bem escrito e redondo, parece que foi tudo cuidadosamente arquitectado com régua e esquadro. Em relação ao elenco, os adultos quase nunca aparecem e, sinceramente, eles não fazem falta nenhuma à história, só mesmo perto do final. Sobre o elenco jovem, os cinco principais actores mirins desempenharam bem seus papéis, eu gostei muito de cada um destes cinco personagens. O Eats é um menino muito avançado para idade a nível hormonal, mas tem a mania que é bom e que tem estilo, ele é muito convencido, mas funciona bem. O Farraday é um garoto inteligente e sabedor, ele é o mais cuidadoso mas também o menos expressivo do grupo. O Woody é o gordinho do grupo, ele é amoroso e cuida da mãe que está doente, ele pode ser “burro”, mas nunca deixa o seu melhor amigo mal, eu fiquei bastante surpreso e revoltado com o destino que lhe deram. A Nikki é uma menina mais velha do que qualquer membro do grupo masculino, mas é muito firme nas suas convicções e amiga do seu amigo. E o Davey é o herói da história e o verdadeiro líder do grupo, ele é seguramente o meu personagem preferido do filme. No final do terceiro acto, nós pensamos que o filme acabou, mas o trio de realizadores ainda nos reservou uns últimos 15 minutos, que apesar de terem algumas falhas, são determinantes e marcantes, nos deixando a pensar sobre como será o futuro de Davey. Bom filme.

At First Light

Nome do Filme : “At First Light”
Titulo Inglês : “At First Light”
Titulo Alternativo : “First Light”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller/Mystery/Drama
Realização : Jason Stone
Produção : Michael Baker/Chris Ferguson
Elenco : Stefanie Scott, Theodore Pellerin, Percy Hynes White, Ingrid Dion, Kristin Booth, Kate Burton, Josh Cruddas, Sean Devine, Tony Hart, John Koensgen, Said Taghmaoui, Miller Timlin, James Wotherspoon, Meagan Parker, Alexander Gomez.

História : Alex Lainey é uma aluna do ensino médio que começa a desenvolver estranhas habilidades após um encontro com luzes misteriosas. Ela rapidamente desenvolve os seus poderes e com a ajuda do seu amigo, Sean, eles precisam fugir de uma organização secreta do governo e Sean tem que decidir se vale a pena arriscar a sua vida para desvendar a verdade sobre o que realmente aconteceu com Alex.

Comentário (Muito emocionado) : Boas noites, pessoal. Sabem quando nós não damos nada por um filme e ele acaba por nos surpreender em tudo, pois bem, foi o que me aconteceu com este e, não sendo um dos melhores filmes do ano, ele é seguramente um dos melhores filmes que vi até hoje. Eu estou realmente emocionado, eu adoro a jovem actriz Stefanie Scott (Insidious) e é sempre um prazer assistir a um filme novo com ela. Mas não é por causa dela e da presença dela, que eu adorei este filme, não, nada disso. Aquilo que eu vos posso dizer é porque motivos eu adorei este filme, e vou passar já a nomeá-los. Para já, a história, ela é uma mistura daqueles filminhos de ficção-científica que davam no final dos anos 80 e durante os anos 90 que eu adorava com aquelas histórias de alienígenas que eu amo ver e ler, sim, eu sempre fui um “louco” pela temática extra-terrestre. Em segundo lugar, porque se trata de um filme de baixo orçamento que vale bem mais do que muitos filmes comerciais envolvendo grandes quantias que se vêm por aí. Temos também poucos personagens, o que é muito bom, porque permite que nos foquemos unicamente neles, neste caso, os únicos que nos interessam são a miúda principal e o seu amigo. Temos uma boa banda sonora, repleta de melodias que vão oscilando entre o forte e o leve e que ajudam à concentração imediata no filme. Os efeitos especiais, apesar de simples, convencem muito mais do que os grandiosos efeitos visuais vistos num dito blockbuster estreado recentemente. O filme tem toda uma atmosfera envolvente que nos faz ficar totalmente concentrados naquilo que estamos a ver. Os personagens secundários não são descartáveis, eles valem alguma coisa e servem mesmo para algo, eles têm as suas funções. O argumento é todo amarradinho e o realizador consegue ainda o feito de nos convencer à cerca do tipo de alienígenas patente no seu filme. Eu adorei o personagem Sean, mesmo sabendo que a amiga vai acabar por dar cabo dele, o rapaz nunca desiste dela e luta até ao fim, fazendo tudo por ela, a fim de a salvar da porcaria do governo americano. E por último, temos a cereja no topo do bolo, que é Stefanie Scott (miúda linda e adorável), e a sua Alex, que é a alma deste filme. Pessoalmente, eu fiquei a torcer para que tudo desse certo com ela. Gostava de ter visto mais da Alex, mas tudo bem, no fundo, o mistério faz parte da magia. Excelente filme.


Moana


Comentário : Quem me acompanha neste espaço já sabe que eu adoro animação japonesa e não ligo muito aos filmes animados que os estúdios americanos produzem. No entanto, existem uns que chamam a atenção, como é o caso deste. Outra coisa, não percebo esta insistência, e eu já não falo em tendência, de alterarem geralmente para pior os títulos originais da maioria dos filmes ou por vezes de acrescentar sub-títulos. Neste caso, se o titulo do filme é o nome de uma pessoa, porque motivo alterar drasticamente, gostava que quem manda me respondesse a isto. Eu gostei imenso deste filme de animação : pela história e pela mensagem nele contidas; pelo visual do filme que é estonteante; pelo facto da personagem principal parecer humana; pelos cenários e vivacidade da água onde tudo parece verdadeiro; pela qualidade da imagem e, por último, por causa da própria Moana, eu adorei esta personagem e tudo nela me encantou. Ela é uma personagem cheia de vida, cativante, envolvente, corajosa, bonita, encantadora, consegue que quem a vê ganhe facilmente empatia com ela e seja a favor da sua jornada e entenda as suas decisões e motivações. E o mais importante, Moana não está em busca de um príncipe encantado, a adolescente não tem qualquer interesse amoroso, ela ama a vida e nasceu para ser livre. Nos aspectos negativos, temos excesso de cenas musicais, humor a mais e um caracol brilhante muito enervante. Para espanto meu, gostei bastante deste filme, mas são muito poucos os filmes de animação americanos que eu gosto. Para finalizar, claramente que não me podia ir embora sem dizer que a jovem Auli'i Cravalho é linda. Há, um último apontamento : Eu não gosto da Disney.

Nota : Pessoal, com este post, eu reabro o meu quadro de comentar filmes de animação neste blogue, coisa que eu deixei de fazer há muito tempo. Pelo que eliminei todos os comentários referentes a este género, numa tentativa de recomeçar e de um outro jeito. Assim, as postagens referentes a filmes de animação não terão as fichas técnicas dos filmes comentados. Serão formadas por : Titulo do filme; Imagem de um poster alusivo ao filme; Comentário; Uma ou outra foto alusivas ao filme comentado. As postagens a filmes de ficção ou documentários mantêm-se no formato de sempre. “Moana” é o primeiro, mas a ele se seguirão muitos mais, se tudo correr bem, claro está.

Abraços Cinéfilos.

The Little Mermaid

Nome do Filme : “The Little Mermaid”
Titulo Inglês : “The Little Mermaid”
Titulo Português : “A Pequena Sereia”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Drama
Realização : Blake Harris
Produção : Armando Gutierrez/Robert Molloy
Elenco : Poppy Drayton, William Moseley, Loreto Peralta, Shirley MacLaine, Lexy Kolker, Claire Ryann Crosby, Armando Gutierrez, Gina Gershon, Shanna Collins, Chris Young, Jo Marie Payton, Tom Nowicki, Jared Sandler, Hunter Gomez, Peter Groverman, Alexis Balliro, Joey Martinez, Antoni Corone, James Bernstein, Gianna Morris, Charli Head.

História : Um repórter vai, com a sua sobrinha, em busca de histórias para publicar. Num circo, vê uma sereia num tanque e fica fascinado. Nos bastidores, descobre que ela não é uma mera encenação. Mas, também, que traz consigo uma maldição e que um feiticeiro quer roubar-lhe a alma.

Comentário : É assim, eu não vejo problema em fazerem filmes de live-action direcionados às crianças, mas sinceramente, façam esses filmes sem insultar a criança que o está assistindo. Façam um filme decente, usem fantasia e exageros sem problema, afinal, isso faz parte, mas não abusem no ridículo e na idiotice, por amor de Deus, não tratem as crianças como sendo estúpidas e burras, sendo que elas são precisamente o contrário disso. E mais, é um verdadeiro suplício para qualquer pai ou mãe estar a assistir a esses filmes com seus filhos, é um castigo, porque para além do adulto estar a detestar aquilo que está a ver, ele se sente nessa obrigação, simplesmente, porque os estúdios assim o determinam, e estes sabem que, como a criança não pode ir ao cinema sem os adultos, é mais dinheiro que entra nos bolsos, é uma fonte, uma mina. Posto isto, tenho que dizer que, infelizmente, eu fiquei bastante dividido em relação a este filme. Por um lado, eu gostei do filme não ser um produto Disney, e isso já é uma mais valia. Eu gostei da história, ela tem uma certa magia e nos encanta principalmente devido à personagem do titulo, a sereia. A minha personagem preferida deste filme foi claramente a sereia, a menina que a interpretou teve uma prestação bastante aceitável. Shirley MacLaine é uma verdadeira senhora, gostei de a rever, ainda que ela apareça muito pouco. E a menina que fez de Elle, também convence. E infelizmente, isto são as únicas coisas que se safam no filme. Há, eu gostei da pegada mutante. Tudo o resto é um autêntico desperdício de ideias e de recursos. O filme peca desde logo por ser curto demais, os seus efeitos especiais são péssimos do nível “Power Rangers”, o argumento é uma lástima, o filme possui imensos clichés do género, há muitas conveniências e coincidências de roteiro, em tirando as prestações positivas referidas em cima todas as outras são muito fracas, e o pior do filme – o vilão. Eu juro para vocês, se eu fizesse uma lista de piores vilões vistos em filme, o deste filme estaria seguramente no top 10, minha nossa senhora, que coisa horrorosa, mal feita, ridícula e que é um verdadeiro insulto à inteligência de quem assiste ao filme. Eu odiei o vilão deste filme, me senti mal mesmo, que lixo. Enfim, para a criança comum, acredito que o filme resulte e seja uma boa experiência, mas o cinéfilo comum, vai seguramente lamentar o dinheiro do ingresso. Para mim, o filme vale essencialmente pela sereia e por Poppy Drayton.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

The Captain

Nome do Filme : “Der Hauptmann”
Titulo Inglês : “The Captain”
Titulo Português : “O Capitão”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Robert Schwentke
Produção : Frieder Schlaich
Elenco : Max Hubacher, Milan Peschel, Frederick Lau, Bernd Holscher, Waldemar Kobus, Alexander Fehling, Samuel Finzi, Wolfram Koch, Eugenie Anselin, Hendrik Arnst, Rike Eckermann, Marko Dyrlich, Sascha Alexander Gersak, Britta Hammelstein, Alexander Horbe, Stefan Kolosko, Annina Polivka, Kordian Rekowski, David Scheller, Jakub Sierenberg, Shannon Staller, Damian Ul, Laurean Wagner.

História : No ano de 1945, com a chegada dos aliados, a guerra na Europa está prestes a chegar ao fim. Vários soldados alemães, conscientes da derrota, optam por desertar. Um deles é Willi Herold, de 19 anos. Na sua fuga, o rapaz depara-se com um automóvel abandonado onde encontra uma mala com um uniforme de capitão. Então, ele decide despir as roupas estragadas que tinha, veste aquela farda de oficial e assume a identidade do desconhecido.

Comentário : Pessoal, esta noite ainda tive tempo para ver este filme que eu julgo ser alemão, corrijam se eu estiver enganado, e que como filme, é bem melhor do que o filme comentado por mim antes deste. Este filme é baseado em factos reais, embora eu desconheça até que ponto vai o seu nível histórico, isso nunca nos é revelado no filme. Ainda que no início dos créditos finais, surjam legendas a contar o que aconteceu depois com o personagem principal. E acreditem, foi bom ficar a saber daquilo e do seu destino. O filme é mostrado a preto e branco, com uma fotografia bem apelativa e tendo apenas uma parte a cores. Eu quero vos dar uma dica : não vejam o trailer e muito menos leiam sobre o filme, se realmente o quiserem ver e ter surpresas, vão totalmente no escuro assistir a ele e vos garanto que irão ter uma experiência bem melhor. Claro que quero dizer com isto que o trailer revela muita coisa e a sinopse também. E há muita coisa a descobrir ao longo das duas horas de duração. Existe um pequeno pormenor envolvendo um dos desertores que nunca nos é explicado ao longo da fita, e eu interpreto isso como sendo um erro de roteiro. Por outro lado, também não gostei da mudança repentina no comportamento do personagem principal, ele fica mau de maneira muito rápida, sem nenhuma explicação minimamente credível e acreditem que muitas das coisas más que ele faz ou que acontecem com terceiros, podiam bem ter sido evitadas por ele próprio. O problema aqui é que ele usa o seu suposto poder somente para praticar o mal, em vez de se servir dele para aplicar o bem, afinal, a situação e a época assim o exigiam. Posto isto, não gostei muito da interpretação do actor que desempenhou o “capitão” do título, por vezes, ele me pareceu falso e muito forçado. Dei por mim a rir-me em algumas cenas, é um filme que tanto se leva a sério, como também é bem inverossímil em algumas partes. Vale frisar que o realizador nunca fez um filme que fosse bom, sendo este o seu melhor trabalho. Gostei, mas queria ter visto algo mais duro e realista, afinal, trata-se de um filme histórico, dizem eles.

The Children Act

Nome do Filme : “The Children Act”
Titulo Inglês : “The Children Act”
Titulo Português : “A Balada de Adam Henry”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Richard Eyre
Produção : Duncan Kenworthy
Elenco : Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead, Ben Chaplin, Eileen Walsh, Angela Holmes, Jason Watkins, Nikki Amuka-Bird, Rosie Cavaliero, Anthony Calf, Rupert Vansitttart, Nicholas Jones, Dominic Carter, Andrew Havill, Paul Jesson, Daniel Eghan, Raphael Desprez, Micah Balfour, Michele Austin, Toni Beard, Stacha Hicks, Daniel Tuite, Wendy Nottingham, Naomi Frederick, Rosie Boore, Melody Green, Cathy Howse.

História : Uma juíza tem de julgar o caso de um adolescente de 17 anos com leucemia que é testemunha de Jeová e se recusa, por motivos religiosos, a receber uma transfusão de sangue que o poderá ajudar a salvar a vida. Isto enquanto o seu casamento se está a desmoronar.

Comentário : Pessoal, antes de qualquer coisa, quero aqui dizer que eu considero Emma Thompson uma das melhores actrizes em actividade e que, mais uma vez, ela provou em filme do que é capaz, nos facultando não só o melhor do longa como também uma das suas melhores personagens. Posto isto, vamos ao filme. Nem sei por onde começar. Eu achei esse filme bem medíocre. Não estou dizendo com isto que ele é um dos piores filmes do ano, nada disso, ele até se vê bem. Mas para isso eu tive que desligar o cérebro durante essa hora e quarenta minutos e ignorar a lógica e a verossimilhança das coisas. Sim, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu. A primeira meia hora é bem sofrível, desde a apresentação da rotina da juíza com nomeação de vários outros casos, passando pelo marido machão que acha que o sexo é a coisa mais importante numa relação e que se envolve com uma mulher bem mais nova e ao aliviar-se com ela regressa a casa como se nada fosse, e terminando naquela imagem sempre limpa de que a justiça americana é impecável e que fazem tudo supostamente pelo lado correcto. A segunda meia hora é bem mais aliciante, tudo porque entra finalmente em cena o caso de que o filme realmente fala e em que se centra verdadeiramente, e isso compensa os sofríveis primeiros trinta minutos. Mas a partir do início da terceira meia hora, a coisa volta a piorar e passamos a ver um recém adulto que tem uma tara pela juíza que o salvou, e vemos também uma senhora que, só viu esse recém adulto apenas duas ou três vezes, o considera a pessoa mais importante da sua vida, e isto é tão ridículo que só vendo. Eu fartei-me de rir num filme onde não é suposto rirmos, isto pela temática complexa e dramática que ele aborda. Logicamente, o argumento é a pior coisa do filme. Ainda não entendi o que Stanley Tucci está a fazer neste filme, este personagem nada tem a ver com o actor, com o seu estilo de representar. Fionn Whitehead está razoável, confesso que lamento o destino do seu personagem, ele podia ter ficado como um conhecido da protagonista, e não mais que isso. E já para não falar das pontas soltas que o filme deixa. É isso, pessoal, é incrível, como permitem que filmes como este passem numa sala de cinema, ele é bem medíocre, talvez para sessão da tarde em casa, para além de ser ainda preciso gostar-se muito de Emma Thompson.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Leave No Trace

Nome do Filme : “Leave No Trace”
Titulo Inglês : “Leave No Trace”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Debra Granik
Produção : Anne Harrison/Linda Reisman/Anne Rosellini
Elenco : Ben Foster, Thomasin Harcourt McKenzie, Dale Dickey, Dana Millican, Jeffery Rifflard, Derek John Drescher, Michael Draper, Alyssa McKay, Ryan Joiner, Michael Prosser, Jeff Kober, Spencer Hanley, Bob Werfelman, Isaiah Stone.

História : Um pai e a sua filha adolescente mantêm um estilo de vida desejado e ideal para eles, numa vasta floresta em Portland, nos Estados Unidos. Um dia, são apanhados e detidos. No entanto, os dois sonham fugir da civilização e regressar à vida que tinham, obtendo a tão desejada e querida liberdade.

Comentário : Da autoria da mesma realizadora que nos deu bons filmes como “Down To The Bone” e “Winter's Bone”, chega-nos este “Leave No Trace”, um filme que se encontra ao mesmo nível dos dois anteriores trabalhos de Debra Granik, uma directora habituada a mexer com as emoções humanas no limite. Pessoalmente, eu me encontro muitas vezes a pensar se este modelo de vida que nos foi imposto e obrigado pela sociedade, é ou não o ideal. Se calhar, se tivéssemos um pouco mais de liberdade e se não estivéssemos tão “presos” nas nossas supostas obrigações, possivelmente viveríamos bem melhor e poderíamos desfrutar mais daquilo que a Natureza nos pode oferecer. Isto não é uma intenção minha, claro está, isto é somente um pensamento meu, um desabafo e uma simples reflexão. Com produção totalmente feminina e igual à realização, estamos perante um filme pacífico, com um ritmo muito lento e que não irá agradar à maioria, mas que certamente irá mexer com aqueles que amam o verdadeiro cinema e a arte de contar e mostrar boas histórias. Eu comprei direitinho as intenções e o modo de vida dos dois protagonistas, ele é um pai que ama a sua filha e que, após a morte da mãe da miúda, prometeu-lhe que iria cuidar e proteger sempre a menina. E ela é uma rapariga adolescente que segue carinhosamente o pai, que confia nele e que abraça aquele estilo de vida, embora questione por vezes, se aquilo que fazem é o mais correcto ou não. Ela segue o pai naquela demanda, não só porque ama verdadeiramente ele mas também porque tem e vê nele a única pessoa que lhe resta e que pode protegê-la de um mundo totalmente desconhecido para ela. E é essa a verdadeira força deste filme, a relação pai-filha que a realizadora e o seu filme estabelecem. Nos principais papéis, Ben Foster e Thomasin McKenzie têm poderosas interpretações, bem como uma forte empatia enquanto personagens e calculo que também a partilhem enquanto actor e actriz. Destaques também para as paisagens, as locações e algumas imagens, outros trunfos desta fita. Este filme é já outra das grandes surpresas deste ano que está quase a terminar.

Berenice Procura

Nome do Filme : “Berenice Procura”
Titulo Português : “Berenice Procura”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Allan Fiterman
Produção : Elisa Tolomelli
Elenco : Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis, Caio Manhente, Vera Holtz, Emilio Dantas, Valentina Sampaio, Leonardo Brício, Carol Marra, Gabi Katz, Guta Ruiz.

História : A taxista Berenice está acostumada a passar horas e horas pelo trânsito caótico da cidade do Rio de Janeiro e de seu bairro natal, Copacabana. Consumida pela profissão, o pouco tempo que tem de sobra, ela se divide entre a criação do filho, Tiago, um adolescente descobrindo a sua sexualidade, e sua conturbada relação com o marido, um repórter policial. Até que o assassinato de Isabelle, um transsexual, desperta um lado seu investigativo, mudando a sua vida e abrindo novos horizontes.

Comentário : Pessoal, vocês sabiam que, entre um casal, se a mulher não quiser fazer amor com o companheiro e este mesmo assim praticar o acto com o silêncio e a quietude dela, isso é considerado ainda assim, uma violação, pois é. Mas vamos ao filme, vamos lá. Com este meu comentário eu regresso assim ao cinema brasileiro, e ainda bem, porque este filme é muito bom, apesar das muitas conveniências e coincidências que tem, mas já lá vamos. O filme centra-se basicamente em três personagens centrais : um marido, uma mãe e o filho. De um lado, temos Berenice, uma bonita mulher que tornou-se taxista assumindo a profissão do falecido pai e que desconhece muito da vida do filho; por outro, temos um marido que é um nojento e um falso de primeira água que sempre que pode gosta de violar a esposa e que nunca lhe dá o devido valor; por último, temos um filho que é apaixonado por um transsexual e que mantém uma vida dupla, muito longe do conhecimento dos pais. E cada um destes personagens é aqui muito bem trabalhado e desenvolvido, sendo que Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis e Caio Manhente possuem interpretações muito boas nesses respectivos papéis. Nesse aspecto, nada existe a reclamar. Gostei de ter revisto a veterana Vera Holtz aqui, ela está bem, mas podiam ter dado mais humildade à sua personagem. Emilio Dantas foi uma grande surpresa para mim, não o conhecia e gostei do actor e da sua prestação. E Valentina Sampaio foi outra boa e enorme surpresa para mim. O problema deste filme é que é tudo muito amarradinho e o argumento originou muitas conveniências e coincidências, podia ter havido uma divagação aqui, quando se descobre quem foi o verdadeiro assassino, a gente não fica admirado, mas pensamos “havia mesmo necessidade disto?”. Eu vou mais longe e acho mesmo que não faz nenhum sentido o criminoso ser quem é, isso vai totalmente contra aquilo que o realizador estabeleceu do personagem em questão. E isso já para não falar das muitas conveniências e outras coincidências do roteiro, enfim, muitas oportunidades foram aqui desperdiçadas. Ainda assim, gostei bastante deste filme. 


Eighth Grade

Nome do Filme : “Eighth Grade”
Titulo Inglês : “Eighth Grade”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Bo Burnham
Produção : Lila Yacoub/Eli Bush/Scott Rudin/Christopher Storer
Elenco : Elsie Fisher, Josh Hamilton, Emily Robinson, Catherine Oliviere, Nora Mullins, Jake Ryan, Daniel Zolghadri, Fred Hechinger, Imani Lewis, Luke Prael, Gerald Jones, Shacha Temirov, Missy Yager, Thomas O'Reilly, Tiffany Grossfeld, David Shih, Trinity Goscinsky-Lynch, Natalie Carter, Kevin Free, Deborah Unger.

História : Kayla Day é uma adolescente bastante introvertida que é praticamente ignorada por todos os colegas da escola, mas que está feliz e curiosa ao mesmo tempo, por ir para o Ensino Médio.

Comentário : Pessoal, sempre que encontro um filme novo que esteja muito bem classificado nos sites de cinema, eu fico muito curioso não só para ver o filme, mas principalmente se essas classificações correspondem ao que o filme realmente é. E no caso deste “Eighth Grade”, eu posso vos garantir que condizem, o filme é realmente muito bom, possivelmente um dos melhores filmes que vi até agora neste ano. O filme foi realizado pelo jovem director, Bo Burnham, que só havia feito produções para a televisão, esta é a sua primeira longa-metragem, é o seu primeiro filme. E por se tratar de uma primeira obra realizada, bom, o cara é um génio, porque o principal trunfo desta fita é a sua narrativa, a história foi escrita e desenvolvida também por ele, bem como a maneira como tudo nos é cuidadosamente contado e mostrado. É caso para dizer que ele foi directo ao ponto e acertou em cheio, porque “Eighth Grade” é cativante e interessante do princípio ao fim. Claro que para isso ter funcionado bem, valeu a poderosa participação da jovem Elsie Fisher, que teve não só a melhor prestação do longa, como também é ela quem carrega o filme quase todo nos ombros. Se isto resultou bem e resultou mesmo, foi fruto da relação laboral entre realizador e actriz, os dois estão de parabéns, fizeram um excelente trabalho, cada um do seu jeito e à sua maneira. Enquanto protagonista, esta jovem actriz conseguiu transmitir na perfeição o que é ser uma adolescente nas suas condições e com todos os seus problemas. Todo o elenco juvenil esteve bem, apesar de eu achar que a actriz Catherine Oliviere poderia ter tido na sua personagem mais tempo de antena, mais falas. O mesmo se pode dizer da bonita Emily Robinson, eu adorei a sua personagem, mas queria ter visto mais dela. Por último, vale frisar que, perto do final, temos uma sequência que além de ser a melhor do filme, foi também um dos melhores momentos entre personagens que eu vi num filme até hoje. Adorei este filme, ele é essencial para quem queira perceber o que se passa na cabeça de um adolescente, seja menino ou menina. Decididamente e seguramente, um dos melhores filmes que 2018 nos deu.