quarta-feira, 17 de outubro de 2018

First Man

Nome do Filme : “First Man”
Titulo Inglês : “First Man”
Titulo Português : “O Primeiro Homem na Lua”
Ano : 2018
Duração : 140 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Damien Chazelle
Produção : Damien Chazelle
Elenco : Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Patrick Fugit, Christopher Abbott, Ciaran Hinds, Lukas Haas, Shea Whigham, Pablo Schreiber, Ethan Embry, Corey Stoll, Brian d'Arcy James, Cory Michael Smith, Olivia Hamilton.

História : A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong e a sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação durante uma das mais perigosas missões na história das viagens espaciais.

Comentário : Com este filme, apanhei uma das maiores secas da minha vida, mas isso não significa que o filme seja mau, longe disso, é uma fita bem aceitável e apresentável. O realizador Damien Chazelle tem no seu reportório dois excelentes filmes, era muito difícil falhar à terceira, e embora este “First Man” não esteja à altura dos outros dois títulos, é um filme muito bem conseguido e que, a nível técnico, roça a perfeição. No entanto, o director abusa da técnica de camara na mão, nos facultando muitas cenas de planos fechados na cara dos personagens e sempre a tremer, o que quase chega a enjoar, ou seja, torna-se uma tarefa quase exaustiva assistir a esses momentos. Algumas sequências são filmadas em género de documentário, aliás, este filme possui uma veia muito documental. Outras vezes, parece estarmos a assistir a gravações em super 8 daquela época. Vale também frisar a excelente fotografia, o filme está muito bem filmado e existem algumas cenas que dá gosto assistir, visualmente é muito bonito e cativante.

Por exemplo, as melhores partes do filme são precisamente aquelas que mostram os momentos familiares e pessoais do protagonista. Se vão para este filme para verem a exploração da Lua por parte dos astronautas, vão ficar desiludidos, isso só acontece nos últimos quinze minutos. E se as cenas em família do protagonista resultam nos melhores momentos do longa, já aquelas partes em que ele está a preparar-se para a viagem ou as reuniões dos graúdos representam o pior do filme, é tudo muito aborrecido, chato e entediante, a mim, causou-me transtorno. Temos um elenco de luxo, mas eu quero apenas destacar Ryan Gosling, que é um dos meus atores preferidos, ele tem aqui uma boa prestação, embora eu já o tenha visto fazer bem melhor. Seria uma injustiça não falar de Claire Foy, ela não só tem a melhor prestação do filme, como também é o grande pilar do personagem principal, eles funcionam muito bem enquanto casal. Se não fosse a esposa, Neil Armstrong talvez não tivesse sido o grande homem que foi. Ao contrário do que me costuma acontecer, desta vez, achei o filme muito longo, talvez se tivessem cortado aquelas partes que eu achei aborrecidas, se focando na componente pessoal e familiar do protagonista e passando a seguir logo para a chegada à Lua e momentos seguintes, talvez assim, a experiência fosse melhor para mim. Ainda assim, é um bom filme.

domingo, 14 de outubro de 2018

Apostle

Nome do Filme : “Apostle”
Titulo Inglês : “Apostle”
Titulo Português : “Apóstolo”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller/Drama
Realização : Gareth Evans
Produção : Gareth Evans
Elenco : Dan Stevens, Kristine Froseth, Lucy Boynton, Michael Sheen, Elen Rhys, Bill Milner, Paul Higgins, Mark Lewis Jones, Sharon Morgan, Ioan Hefin, Richard Elfyn.

História : No ano de 1905, Thomas Richardson viaja para uma ilha remota em busca da sua irmã. Um misterioso culto religioso a raptou e agora pede uma grande quantia de dinheiro pelo seu resgate. Porém, eles percebem que mexer com Thomas foi um grande erro, já que ele começa a desvendar todas as mentiras e todos os segredos sob os quais o culto foi construído.

Comentário : E depois de duas grandes desilusões, nada melhor do que um bom filme para alimentar o nosso ego cinéfilo. É assim, de vez em quando surge um filme do qual nós não esperamos quase nada e se revela algo muito positivo. Primeiro que tudo, este é um filme de terror que reúne praticamente todas as características desse género. Mesmo sofrendo de alguns clichés deste tipo de filmes, esta fita agrada principalmente devido ao seu clima de mistério bem presente ao longo das duas horas de projeção. Apesar do seu ritmo lento, nós assistimos com agrado ao desenrolar dos acontecimentos conforme eles nos vão sucedendo diante dos olhos. E para isso, muito contribuíram os twists e as revelações súbitas que adornam a narrativa e o filme em si. O filme também serve como alarme para a existência e para as práticas de cultos religiosos criminosos, e mesmo da própria religião em si, como fruto de alienação de massas e desculpa para a prática de crimes, a História está cheia deles, o passado e o actual fanatismo religioso. O filme está muito bem editado e montado e para isso muito contribuiu a excelente realização do hábil e talentoso Gareth Evans. Apesar do argumento ter alguns furos, a história é muito boa e desperta o devido interesse, nós estamos sempre agarrados ao ecrã. Além disso, o filme tem uma excelente ambientação, por vezes, apetecia estar naquela ilha, cenários muito bem escolhidos e trabalhados. É um filme muito violento e com muito sangue. A nível das interpretações, os principais da trama estão muito bem, com destaque merecido para Dan Stevens, que desempenha o grande protagonista do filme. Ele possui não só a melhor prestação do longa, como cabe em si, a melhor personagem da fita. Fica-se a lamentar as mortes de três personagens importantes à trama. Gostei de ter visto Kristine Froseth neste filme, a sua personagem é boa e tem uma trama bem interessante, mas o realizador joga tudo no lixo. O filme ajuda-nos a reflectir à cerca da maldade existente no ser humano. Felizmente, não ficaram muitas pontas soltas. Temos cenas aflitivas e uma em especial que é bem nojenta e de pura maldade. “Apostle” é mais uma das grandes surpresas positivas deste ano.

A Star Is Born

Nome do Filme : “A Star Is Born”
Titulo Inglês : “A Star Is Born”
Titulo Português : “Assim Nasce Uma Estrela”
Ano : 2018
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Bradley Cooper
Produção : Bradley Cooper
Elenco : Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Anthony Ramos, Rafi Gavron, Ron Rifkin, Barry Shabaka Henley, Michael Roberts, Michael Harney, Rebecca Field, Derek Kevin Jones, William Belli, Dennis Tong, Josh Wells, Greg Grunberg, Drena De Niro, Eddie Griffin, Dave Chappelle, Sanaa Chapelle, Leandro De Niro Rodriguez, Jacob Schick, Gabe Fazio.

História : Apesar de sobreviver à custa de um ordenado miserável como empregada de mesa, Ally nunca abandonou o sonho de se tornar uma estrela musical. Um dia, conhece Jackson Maine, um cantor consagrado com tendências autodestrutivas que reconhece o seu enorme talento e resolve ajudá-la.

Comentário : Boa noite pessoal, cá estamos para mais uma critica e deixem-me dizer que vi finalmente este filme de que se tem falado muito. Pessoal, é assim, eu confesso que não partilho do entusiasmo e da satisfação da maioria daqueles que viram este filme. Sim, é verdade, eu não gostei deste “A Star Is Born”, que no fundo é o terceiro remake de um filme de 1937 realizado por William A. Wellman, com Janet Gaynor e Fredric March nos principais papéis. Vale lembrar que este terceiro remake era inicialmente para ter sido realizado por Clint Eastwood e protagonizado por Beyoncé, sim, é verdade, para aqueles que desconheciam, aqui fica a nota. Mas agora, vamos ao ponto : as razões pelas quais eu não gostei deste filme. Bom, em primeiro lugar, quero aqui falar da única coisa que eu gostei. Eu nunca gostei da pessoa Lady Gaga, nunca fui à bola com ela, apesar de reconhecer que ela é uma boa cantora. Mas, devo dizer que a Lady Gaga é a melhor coisa deste filme, é isso mesmo, curiosamente, esta mulher consegue ser aquilo que de melhor o filme tem para oferecer. Sendo assim, eu admito e reconheço que Lady Gaga teve uma boa interpretação e uma boa prestação neste filme, finalmente, ela provou ser uma actriz.

Mas infelizmente, o filme sofre de vários problemas. Desde logo, os clichés, porra, este terceiro remake tem todos os clichés e lugares comuns característicos deste género de filmes, sendo tudo mais do mesmo. Assim, é tudo muito repetitivo e igual ao que já vimos em outros filmes com a agravante deste não ser um musical, mas sim um filme sobre música, e é bom que as pessoas percebam a diferença. Não gostei de alguns personagens secundários, eles não transmitem nenhuma naturalidade ou realismo quando os representam, ou seja, eles dão a ideia de estarem ali apenas a desempenhar os seus papéis. Outro dos principais problemas deste filme é Bradley Cooper, apesar da produção do filme parecer estar aceitável, a sua realização é duvidosa, o filme tem uma montagem sofrível e cortes a mais em algumas locações, para além de ter havido coisas que simplesmente não funcionaram. O argumento é básico, sofrendo de diálogos mastigados e vomitados, algo já visto outras tantas vezes. Eu adoro Bradley Cooper como actor, mas aqui ele não está muito bem, eu não gostei nem do seu personagem e muito menos da sua prestação, além disso, a química dele com Lady Gaga é algo forçada. A banda sonora, apesar de haver temas feitos de propósito para o filme, é banal, ou seja, nenhuma canção me ficou na cabeça. E este é o tipo de história já visto em muitos outros filmes que abordam estas temáticas. Aplicando o ditado “vira o disco e toca o mesmo”, estamos perante um filme desnecessário. Prefiro o filme “Once” de John Carney.

domingo, 7 de outubro de 2018

Hold The Dark

Nome do Filme : “Hold The Dark”
Titulo Inglês : “Hold The Dark”
Titulo Português : “Para a Escuridão”
Ano : 2018
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Aventura/Mystery/Crime/Thriller
Realização : Jeremy Saulnier
Produção : Russell Ackerman/Eva Maria Daniels/Neil Kopp/J. S./Anish Savjani
Elenco : Riley Keough, Jeffrey Wright, Alexander Skarsgard, Michael Tayles, Beckam Crawford, Tantoo Cardinal, Issac Bird, Joseph Whitebird, Zandus Snow, Julian Black Antelope, Conor Boru, Anabel Kutay, Clarence Hoof, Savannah Bird, Karen Powderface, James Badge Dale, Brian Martell, Jonathan Whitesell, Savonna Spracklin.

História : No Alasca, ocorreu uma tragédia : foram encontrados os corpos de três crianças supostamente mortas por uma alcateia de lobos, e desapareceu um menino, filho de um casal da região. Com o marido ausente, a mãe do garoto contratou um escritor e naturalista, entendido em lobos, para encontrar o seu filho.

Comentário : Na onda de filmes como “Hell Or High Water” e “Wind River”, que são bons filmes, chega-nos agora “Hold The Dark”, um filme que muita gente detestou ou não o entendeu. Pessoalmente, eu gostei bastante. Pois é, então, penso que o grande problema desta fita é que deixa muitas pontas soltas, onde muita coisa ficou por explicar. Na verdade, eu penso que essas coisas que ficaram por contar, mostrar ou explicar, estão no filme, a pessoa precisa é de estar muito atenta aos pequenos detalhes e depreender essas mesmas coisas, que estão escondidas. Por exemplo, uma simples fotografia pode mostrar algo importantíssimo, uma revelação brutal. Claro que também me ajudou algumas pesquisas que fiz no YouTube, inclusive, existe um youtuber, que dissecou o filme e o explicou para aqueles que precisavam de ajuda. Lembram-se daqueles dois bons filmes que eu frisei no início do comentário, pois bem, eles e este “Hold The Dark”, possuem muito em comum. E embora isso seja conhecido de quem já viu os três filmes, aquilo que eles mais partilham é a excelência técnica dos mesmos, nesse nível, estes três filmes roçam a perfeição.

Temos belíssimas paisagens, um som do melhor, excelentes planos e tomadas aéreas de grande impacto, uma fotografia impecável e exímia, excelentes locações, está tudo muito bem filmado, editado e montado, temos uma ambientação que é perfeita, excelentes interpretações, muito realismo e naturalismo, enfim, tudo foi cuidadosamente trabalhado e feito a preceito, para que desse resultado e deu, nos três casos. Mas ao contrário dos dois primeiros, este não é para todos devido àquilo que eu já falei, a falta de explicações e um argumento confuso onde temos poucas respostas para as muitas perguntas que ficam no ar. Mas, se pensarem bem, tudo fará sentido no final, ainda que certas atitudes dos personagens pareçam não o fazer. Temos quatro interpretações principais que são muito boas: o marido, a mulher, o escritor e o xerife. Temos uma longa sequência de um tiroteio que é espectacular e causa impacto. Temos muita violência, é um filme com um ritmo muito lento, tal como os outros dois. E temos muitos lobos, animais lindos e adoráveis. Um último reparo, por vezes, não é necessário um filme ser todo explicado, basta estarmos atentos e talvez iremos perceber grande parte das coisas. Bom filme, outra das grandes surpresas deste ano.

Mandy

Nome do Filme : “Mandy”
Titulo Inglês : “Mandy”
Titulo Português : “Mandy”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Terror/Thriller/Ação
Realização : Panos Cosmatos
Produção : Elijah Wood
Elenco : Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Line Pillet, Olwen Fouere, Ned Dennehy, Richard Brake, Bill Duke, Clement Baronnet, Alexis Julemont, Stephan Fraser, Ivailo Dimitrov, Kalin Kerin, Tamas Hagyuo, Hayley Saywell, Corfu.

História : Dois grupos de nojentos sequestram a esposa de um pacífico lenhador, a torturam e a queimam viva à frente do seu marido. Sem grande alternativa, o marido da lojista inicia um plano de vingança que consiste em matar de forma selvática cada um dos membros dos tais dois grupos de nojentos.

Comentário : Cá está mais um filme divisor de opiniões, em que muitos detestaram e outros adoraram, eu confesso que pertenço ao segundo grupo, ainda que com algumas reservas. Primeiro, o filme tem o Nicolas Cage como actor principal, ainda que o titulo seja alusivo à personagem da esposa dele. E por falar em mulher do protagonista masculino, bom, eu confesso que gostei desta actriz em outros filmes, mas não gostei nada dela nesta fita, não entendo porque motivo ela aqui está tão horrorosa. Além disso, a interpretação dela neste filme não é grande coisa. Não podemos dizer que Nicolas Cage é um mau actor, até porque ele já foi vencedor de 1 oscar da academia para melhor interpretação num filme. Ele está bem neste “Mandy”, tem mesmo a melhor prestação do longa, mas também isso não é difícil, eu gostei do seu personagem e da súbita mudança que se dá nele. O filme, ele conta uma história que se passa nos anos 80 numa floresta montanhosa, e relata a vivência pacífica entre uma lojista e um lenhador, eles vivem juntos e amam-se muito. Mas, uns nojentos, sim – existe sempre gente nojenta para atrapalhar, chatear e exercer o mal sob quem quer estar sossegado e na paz – eles aparecem e cometem o pior dos actos face àquele casal.

O filme tem muito de anos 80, desde a banda sonora, passando pelas cores saturadas e terminando nas muitas referências a filmes dessa época, ele mesmo se passa em 1983. É um filme de baixo orçamento, por vezes isso é perceptível, noutras nem tanto. Não conhecia este realizador e fiquei satisfeito com este seu trabalho. Este filme tem gore, muita ação, muita violência e muita maldade, faz alusão ao fanatismo religioso e quanto prejudicial pode ser uma religião na vida de uma pessoa, aborda também a maldade que pode existir num ser humano, para além de funcionar igualmente como uma homenagem ao amor. Temos personagens bem irritantes e que nos geram repulsa por elas. Gostei do destino dado a todos os personagens, menos daquele que deram à pobre Mandy, claramente. Gostei do protagonista ter poupado a vida da miúda, quem já viu o filme, facilmente entenderá porquê. Gostei do facto do personagem principal ter criado a sua arma pessoal. Infelizmente, existem algumas coisas bem previsíveis e outras conveniências de roteiro. É um filme trash, cheio de estilo, uma fita de terror diferente de muita coisa que temos visto nos últimos anos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Summer Of 84

Nome do Filme : “Summer Of 84”
Titulo Inglês : “Summer Of 84”
Titulo Português : “Verão de 84”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror/Aventura
Realização : Anouk Whissell/François Simard/Yoann-Karl Whissell
Produção : Matt Leslie/J. P./Shawn Williamson/Cody Zwieg/Van Toffler
Elenco : Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter-Andrew, Tiera Skovbye, Shauna Johannessen, Susie Castillo, Rich Sommer, Jason Gray-Stanford, William MacDonald, Harrison Houde, Aren Buchholz, Reilly Jacob.

História : Crescendo no subúrbio, Davey está cansado da mesmice de rodar a cidade de bicicleta com os seus amigos e espionar Nikki, a sua linda e querida vizinha que adora fazer topless. Até que um dia, os quatro amigos desconfiam que algo se passa com um famoso vizinho e resolvem mover uma investigação serrada, mas controlada.

Comentário : Este filme vai muito na vibe actual de filmes e séries cuja ação decorre nos anos 80, numa tentativa de abranger também outro tipo de público. Mas calma, eu já o vi e asseguro que este filme é mesmo bom. Claro que o maior problema deste filme é vir dotado de quase todos os clichés do género. Mas, neste caso, isso não é prejudicial ao filme. E mesmo apesar de ele ser bem previsível em algumas situações, tudo isso acaba por ter o efeito contrário, já que, nos faz ficar concentrados naquilo que está a acontecer diante dos nossos olhos e ficarmos sempre na expectativa daquilo que irá suceder a seguir. Sim, o filme é bem tenso e tem bastante suspense. Eu próprio, cheguei a duvidar da identidade do assassino em algum momento do longa, embora tivesse sempre um bichinho no meu ouvido a sussurar que era o fulano tal. E infelizmente, o filme nunca nos tira isso da cabeça, o que acaba por estragar a experiência daqueles que já estiverem muito habituados a este tipo de produções. Por isso e apesar de ser previsível e de ter clichés, a trama nos envolve num crescendo de tensão e dúvidas, tudo fruto de um argumento muito bem escrito e redondo, parece que foi tudo cuidadosamente arquitectado com régua e esquadro. Em relação ao elenco, os adultos quase nunca aparecem e, sinceramente, eles não fazem falta nenhuma à história, só mesmo perto do final. Sobre o elenco jovem, os cinco principais actores mirins desempenharam bem seus papéis, eu gostei muito de cada um destes cinco personagens. O Eats é um menino muito avançado para idade a nível hormonal, mas tem a mania que é bom e que tem estilo, ele é muito convencido, mas funciona bem. O Farraday é um garoto inteligente e sabedor, ele é o mais cuidadoso mas também o menos expressivo do grupo. O Woody é o gordinho do grupo, ele é amoroso e cuida da mãe que está doente, ele pode ser “burro”, mas nunca deixa o seu melhor amigo mal, eu fiquei bastante surpreso e revoltado com o destino que lhe deram. A Nikki é uma menina mais velha do que qualquer membro do grupo masculino, mas é muito firme nas suas convicções e amiga do seu amigo. E o Davey é o herói da história e o verdadeiro líder do grupo, ele é seguramente o meu personagem preferido do filme. No final do terceiro acto, nós pensamos que o filme acabou, mas o trio de realizadores ainda nos reservou uns últimos 15 minutos, que apesar de terem algumas falhas, são determinantes e marcantes, nos deixando a pensar sobre como será o futuro de Davey. Bom filme.

At First Light

Nome do Filme : “At First Light”
Titulo Inglês : “At First Light”
Titulo Alternativo : “First Light”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller/Mystery/Drama
Realização : Jason Stone
Produção : Michael Baker/Chris Ferguson
Elenco : Stefanie Scott, Theodore Pellerin, Percy Hynes White, Ingrid Dion, Kristin Booth, Kate Burton, Josh Cruddas, Sean Devine, Tony Hart, John Koensgen, Said Taghmaoui, Miller Timlin, James Wotherspoon, Meagan Parker, Alexander Gomez.

História : Alex Lainey é uma aluna do ensino médio que começa a desenvolver estranhas habilidades após um encontro com luzes misteriosas. Ela rapidamente desenvolve os seus poderes e com a ajuda do seu amigo, Sean, eles precisam fugir de uma organização secreta do governo e Sean tem que decidir se vale a pena arriscar a sua vida para desvendar a verdade sobre o que realmente aconteceu com Alex.

Comentário (Muito emocionado) : Boas noites, pessoal. Sabem quando nós não damos nada por um filme e ele acaba por nos surpreender em tudo, pois bem, foi o que me aconteceu com este e, não sendo um dos melhores filmes do ano, ele é seguramente um dos melhores filmes que vi até hoje. Eu estou realmente emocionado, eu adoro a jovem actriz Stefanie Scott (Insidious) e é sempre um prazer assistir a um filme novo com ela. Mas não é por causa dela e da presença dela, que eu adorei este filme, não, nada disso. Aquilo que eu vos posso dizer é porque motivos eu adorei este filme, e vou passar já a nomeá-los. Para já, a história, ela é uma mistura daqueles filminhos de ficção-científica que davam no final dos anos 80 e durante os anos 90 que eu adorava com aquelas histórias de alienígenas que eu amo ver e ler, sim, eu sempre fui um “louco” pela temática extra-terrestre. Em segundo lugar, porque se trata de um filme de baixo orçamento que vale bem mais do que muitos filmes comerciais envolvendo grandes quantias que se vêm por aí. Temos também poucos personagens, o que é muito bom, porque permite que nos foquemos unicamente neles, neste caso, os únicos que nos interessam são a miúda principal e o seu amigo. Temos uma boa banda sonora, repleta de melodias que vão oscilando entre o forte e o leve e que ajudam à concentração imediata no filme. Os efeitos especiais, apesar de simples, convencem muito mais do que os grandiosos efeitos visuais vistos num dito blockbuster estreado recentemente. O filme tem toda uma atmosfera envolvente que nos faz ficar totalmente concentrados naquilo que estamos a ver. Os personagens secundários não são descartáveis, eles valem alguma coisa e servem mesmo para algo, eles têm as suas funções. O argumento é todo amarradinho e o realizador consegue ainda o feito de nos convencer à cerca do tipo de alienígenas patente no seu filme. Eu adorei o personagem Sean, mesmo sabendo que a amiga vai acabar por dar cabo dele, o rapaz nunca desiste dela e luta até ao fim, fazendo tudo por ela, a fim de a salvar da porcaria do governo americano. E por último, temos a cereja no topo do bolo, que é Stefanie Scott (miúda linda e adorável), e a sua Alex, que é a alma deste filme. Pessoalmente, eu fiquei a torcer para que tudo desse certo com ela. Gostava de ter visto mais da Alex, mas tudo bem, no fundo, o mistério faz parte da magia. Excelente filme.


Moana


Comentário : Quem me acompanha neste espaço já sabe que eu adoro animação japonesa e não ligo muito aos filmes animados que os estúdios americanos produzem. No entanto, existem uns que chamam a atenção, como é o caso deste. Outra coisa, não percebo esta insistência, e eu já não falo em tendência, de alterarem geralmente para pior os títulos originais da maioria dos filmes ou por vezes de acrescentar sub-títulos. Neste caso, se o titulo do filme é o nome de uma pessoa, porque motivo alterar drasticamente, gostava que quem manda me respondesse a isto. Eu gostei imenso deste filme de animação : pela história e pela mensagem nele contidas; pelo visual do filme que é estonteante; pelo facto da personagem principal parecer humana; pelos cenários e vivacidade da água onde tudo parece verdadeiro; pela qualidade da imagem e, por último, por causa da própria Moana, eu adorei esta personagem e tudo nela me encantou. Ela é uma personagem cheia de vida, cativante, envolvente, corajosa, bonita, encantadora, consegue que quem a vê ganhe facilmente empatia com ela e seja a favor da sua jornada e entenda as suas decisões e motivações. E o mais importante, Moana não está em busca de um príncipe encantado, a adolescente não tem qualquer interesse amoroso, ela ama a vida e nasceu para ser livre. Nos aspectos negativos, temos excesso de cenas musicais, humor a mais e um caracol brilhante muito enervante. Para espanto meu, gostei bastante deste filme, mas são muito poucos os filmes de animação americanos que eu gosto. Para finalizar, claramente que não me podia ir embora sem dizer que a jovem Auli'i Cravalho é linda. Há, um último apontamento : Eu não gosto da Disney.

Nota : Pessoal, com este post, eu reabro o meu quadro de comentar filmes de animação neste blogue, coisa que eu deixei de fazer há muito tempo. Pelo que eliminei todos os comentários referentes a este género, numa tentativa de recomeçar e de um outro jeito. Assim, as postagens referentes a filmes de animação não terão as fichas técnicas dos filmes comentados. Serão formadas por : Titulo do filme; Imagem de um poster alusivo ao filme; Comentário; Uma ou outra foto alusivas ao filme comentado. As postagens a filmes de ficção ou documentários mantêm-se no formato de sempre. “Moana” é o primeiro, mas a ele se seguirão muitos mais, se tudo correr bem, claro está.

Abraços Cinéfilos.

The Little Mermaid

Nome do Filme : “The Little Mermaid”
Titulo Inglês : “The Little Mermaid”
Titulo Português : “A Pequena Sereia”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Drama
Realização : Blake Harris
Produção : Armando Gutierrez/Robert Molloy
Elenco : Poppy Drayton, William Moseley, Loreto Peralta, Shirley MacLaine, Lexy Kolker, Claire Ryann Crosby, Armando Gutierrez, Gina Gershon, Shanna Collins, Chris Young, Jo Marie Payton, Tom Nowicki, Jared Sandler, Hunter Gomez, Peter Groverman, Alexis Balliro, Joey Martinez, Antoni Corone, James Bernstein, Gianna Morris, Charli Head.

História : Um repórter vai, com a sua sobrinha, em busca de histórias para publicar. Num circo, vê uma sereia num tanque e fica fascinado. Nos bastidores, descobre que ela não é uma mera encenação. Mas, também, que traz consigo uma maldição e que um feiticeiro quer roubar-lhe a alma.

Comentário : É assim, eu não vejo problema em fazerem filmes de live-action direcionados às crianças, mas sinceramente, façam esses filmes sem insultar a criança que o está assistindo. Façam um filme decente, usem fantasia e exageros sem problema, afinal, isso faz parte, mas não abusem no ridículo e na idiotice, por amor de Deus, não tratem as crianças como sendo estúpidas e burras, sendo que elas são precisamente o contrário disso. E mais, é um verdadeiro suplício para qualquer pai ou mãe estar a assistir a esses filmes com seus filhos, é um castigo, porque para além do adulto estar a detestar aquilo que está a ver, ele se sente nessa obrigação, simplesmente, porque os estúdios assim o determinam, e estes sabem que, como a criança não pode ir ao cinema sem os adultos, é mais dinheiro que entra nos bolsos, é uma fonte, uma mina. Posto isto, tenho que dizer que, infelizmente, eu fiquei bastante dividido em relação a este filme. Por um lado, eu gostei do filme não ser um produto Disney, e isso já é uma mais valia. Eu gostei da história, ela tem uma certa magia e nos encanta principalmente devido à personagem do titulo, a sereia. A minha personagem preferida deste filme foi claramente a sereia, a menina que a interpretou teve uma prestação bastante aceitável. Shirley MacLaine é uma verdadeira senhora, gostei de a rever, ainda que ela apareça muito pouco. E a menina que fez de Elle, também convence. E infelizmente, isto são as únicas coisas que se safam no filme. Há, eu gostei da pegada mutante. Tudo o resto é um autêntico desperdício de ideias e de recursos. O filme peca desde logo por ser curto demais, os seus efeitos especiais são péssimos do nível “Power Rangers”, o argumento é uma lástima, o filme possui imensos clichés do género, há muitas conveniências e coincidências de roteiro, em tirando as prestações positivas referidas em cima todas as outras são muito fracas, e o pior do filme – o vilão. Eu juro para vocês, se eu fizesse uma lista de piores vilões vistos em filme, o deste filme estaria seguramente no top 10, minha nossa senhora, que coisa horrorosa, mal feita, ridícula e que é um verdadeiro insulto à inteligência de quem assiste ao filme. Eu odiei o vilão deste filme, me senti mal mesmo, que lixo. Enfim, para a criança comum, acredito que o filme resulte e seja uma boa experiência, mas o cinéfilo comum, vai seguramente lamentar o dinheiro do ingresso. Para mim, o filme vale essencialmente pela sereia e por Poppy Drayton.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

The Captain

Nome do Filme : “Der Hauptmann”
Titulo Inglês : “The Captain”
Titulo Português : “O Capitão”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Robert Schwentke
Produção : Frieder Schlaich
Elenco : Max Hubacher, Milan Peschel, Frederick Lau, Bernd Holscher, Waldemar Kobus, Alexander Fehling, Samuel Finzi, Wolfram Koch, Eugenie Anselin, Hendrik Arnst, Rike Eckermann, Marko Dyrlich, Sascha Alexander Gersak, Britta Hammelstein, Alexander Horbe, Stefan Kolosko, Annina Polivka, Kordian Rekowski, David Scheller, Jakub Sierenberg, Shannon Staller, Damian Ul, Laurean Wagner.

História : No ano de 1945, com a chegada dos aliados, a guerra na Europa está prestes a chegar ao fim. Vários soldados alemães, conscientes da derrota, optam por desertar. Um deles é Willi Herold, de 19 anos. Na sua fuga, o rapaz depara-se com um automóvel abandonado onde encontra uma mala com um uniforme de capitão. Então, ele decide despir as roupas estragadas que tinha, veste aquela farda de oficial e assume a identidade do desconhecido.

Comentário : Pessoal, esta noite ainda tive tempo para ver este filme que eu julgo ser alemão, corrijam se eu estiver enganado, e que como filme, é bem melhor do que o filme comentado por mim antes deste. Este filme é baseado em factos reais, embora eu desconheça até que ponto vai o seu nível histórico, isso nunca nos é revelado no filme. Ainda que no início dos créditos finais, surjam legendas a contar o que aconteceu depois com o personagem principal. E acreditem, foi bom ficar a saber daquilo e do seu destino. O filme é mostrado a preto e branco, com uma fotografia bem apelativa e tendo apenas uma parte a cores. Eu quero vos dar uma dica : não vejam o trailer e muito menos leiam sobre o filme, se realmente o quiserem ver e ter surpresas, vão totalmente no escuro assistir a ele e vos garanto que irão ter uma experiência bem melhor. Claro que quero dizer com isto que o trailer revela muita coisa e a sinopse também. E há muita coisa a descobrir ao longo das duas horas de duração. Existe um pequeno pormenor envolvendo um dos desertores que nunca nos é explicado ao longo da fita, e eu interpreto isso como sendo um erro de roteiro. Por outro lado, também não gostei da mudança repentina no comportamento do personagem principal, ele fica mau de maneira muito rápida, sem nenhuma explicação minimamente credível e acreditem que muitas das coisas más que ele faz ou que acontecem com terceiros, podiam bem ter sido evitadas por ele próprio. O problema aqui é que ele usa o seu suposto poder somente para praticar o mal, em vez de se servir dele para aplicar o bem, afinal, a situação e a época assim o exigiam. Posto isto, não gostei muito da interpretação do actor que desempenhou o “capitão” do título, por vezes, ele me pareceu falso e muito forçado. Dei por mim a rir-me em algumas cenas, é um filme que tanto se leva a sério, como também é bem inverossímil em algumas partes. Vale frisar que o realizador nunca fez um filme que fosse bom, sendo este o seu melhor trabalho. Gostei, mas queria ter visto algo mais duro e realista, afinal, trata-se de um filme histórico, dizem eles.

The Children Act

Nome do Filme : “The Children Act”
Titulo Inglês : “The Children Act”
Titulo Português : “A Balada de Adam Henry”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Richard Eyre
Produção : Duncan Kenworthy
Elenco : Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead, Ben Chaplin, Eileen Walsh, Angela Holmes, Jason Watkins, Nikki Amuka-Bird, Rosie Cavaliero, Anthony Calf, Rupert Vansitttart, Nicholas Jones, Dominic Carter, Andrew Havill, Paul Jesson, Daniel Eghan, Raphael Desprez, Micah Balfour, Michele Austin, Toni Beard, Stacha Hicks, Daniel Tuite, Wendy Nottingham, Naomi Frederick, Rosie Boore, Melody Green, Cathy Howse.

História : Uma juíza tem de julgar o caso de um adolescente de 17 anos com leucemia que é testemunha de Jeová e se recusa, por motivos religiosos, a receber uma transfusão de sangue que o poderá ajudar a salvar a vida. Isto enquanto o seu casamento se está a desmoronar.

Comentário : Pessoal, antes de qualquer coisa, quero aqui dizer que eu considero Emma Thompson uma das melhores actrizes em actividade e que, mais uma vez, ela provou em filme do que é capaz, nos facultando não só o melhor do longa como também uma das suas melhores personagens. Posto isto, vamos ao filme. Nem sei por onde começar. Eu achei esse filme bem medíocre. Não estou dizendo com isto que ele é um dos piores filmes do ano, nada disso, ele até se vê bem. Mas para isso eu tive que desligar o cérebro durante essa hora e quarenta minutos e ignorar a lógica e a verossimilhança das coisas. Sim, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu. A primeira meia hora é bem sofrível, desde a apresentação da rotina da juíza com nomeação de vários outros casos, passando pelo marido machão que acha que o sexo é a coisa mais importante numa relação e que se envolve com uma mulher bem mais nova e ao aliviar-se com ela regressa a casa como se nada fosse, e terminando naquela imagem sempre limpa de que a justiça americana é impecável e que fazem tudo supostamente pelo lado correcto. A segunda meia hora é bem mais aliciante, tudo porque entra finalmente em cena o caso de que o filme realmente fala e em que se centra verdadeiramente, e isso compensa os sofríveis primeiros trinta minutos. Mas a partir do início da terceira meia hora, a coisa volta a piorar e passamos a ver um recém adulto que tem uma tara pela juíza que o salvou, e vemos também uma senhora que, só viu esse recém adulto apenas duas ou três vezes, o considera a pessoa mais importante da sua vida, e isto é tão ridículo que só vendo. Eu fartei-me de rir num filme onde não é suposto rirmos, isto pela temática complexa e dramática que ele aborda. Logicamente, o argumento é a pior coisa do filme. Ainda não entendi o que Stanley Tucci está a fazer neste filme, este personagem nada tem a ver com o actor, com o seu estilo de representar. Fionn Whitehead está razoável, confesso que lamento o destino do seu personagem, ele podia ter ficado como um conhecido da protagonista, e não mais que isso. E já para não falar das pontas soltas que o filme deixa. É isso, pessoal, é incrível, como permitem que filmes como este passem numa sala de cinema, ele é bem medíocre, talvez para sessão da tarde em casa, para além de ser ainda preciso gostar-se muito de Emma Thompson.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Leave No Trace

Nome do Filme : “Leave No Trace”
Titulo Inglês : “Leave No Trace”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Debra Granik
Produção : Anne Harrison/Linda Reisman/Anne Rosellini
Elenco : Ben Foster, Thomasin Harcourt McKenzie, Dale Dickey, Dana Millican, Jeffery Rifflard, Derek John Drescher, Michael Draper, Alyssa McKay, Ryan Joiner, Michael Prosser, Jeff Kober, Spencer Hanley, Bob Werfelman, Isaiah Stone.

História : Um pai e a sua filha adolescente mantêm um estilo de vida desejado e ideal para eles, numa vasta floresta em Portland, nos Estados Unidos. Um dia, são apanhados e detidos. No entanto, os dois sonham fugir da civilização e regressar à vida que tinham, obtendo a tão desejada e querida liberdade.

Comentário : Da autoria da mesma realizadora que nos deu bons filmes como “Down To The Bone” e “Winter's Bone”, chega-nos este “Leave No Trace”, um filme que se encontra ao mesmo nível dos dois anteriores trabalhos de Debra Granik, uma directora habituada a mexer com as emoções humanas no limite. Pessoalmente, eu me encontro muitas vezes a pensar se este modelo de vida que nos foi imposto e obrigado pela sociedade, é ou não o ideal. Se calhar, se tivéssemos um pouco mais de liberdade e se não estivéssemos tão “presos” nas nossas supostas obrigações, possivelmente viveríamos bem melhor e poderíamos desfrutar mais daquilo que a Natureza nos pode oferecer. Isto não é uma intenção minha, claro está, isto é somente um pensamento meu, um desabafo e uma simples reflexão. Com produção totalmente feminina e igual à realização, estamos perante um filme pacífico, com um ritmo muito lento e que não irá agradar à maioria, mas que certamente irá mexer com aqueles que amam o verdadeiro cinema e a arte de contar e mostrar boas histórias. Eu comprei direitinho as intenções e o modo de vida dos dois protagonistas, ele é um pai que ama a sua filha e que, após a morte da mãe da miúda, prometeu-lhe que iria cuidar e proteger sempre a menina. E ela é uma rapariga adolescente que segue carinhosamente o pai, que confia nele e que abraça aquele estilo de vida, embora questione por vezes, se aquilo que fazem é o mais correcto ou não. Ela segue o pai naquela demanda, não só porque ama verdadeiramente ele mas também porque tem e vê nele a única pessoa que lhe resta e que pode protegê-la de um mundo totalmente desconhecido para ela. E é essa a verdadeira força deste filme, a relação pai-filha que a realizadora e o seu filme estabelecem. Nos principais papéis, Ben Foster e Thomasin McKenzie têm poderosas interpretações, bem como uma forte empatia enquanto personagens e calculo que também a partilhem enquanto actor e actriz. Destaques também para as paisagens, as locações e algumas imagens, outros trunfos desta fita. Este filme é já outra das grandes surpresas deste ano que está quase a terminar.

Berenice Procura

Nome do Filme : “Berenice Procura”
Titulo Português : “Berenice Procura”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Allan Fiterman
Produção : Elisa Tolomelli
Elenco : Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis, Caio Manhente, Vera Holtz, Emilio Dantas, Valentina Sampaio, Leonardo Brício, Carol Marra, Gabi Katz, Guta Ruiz.

História : A taxista Berenice está acostumada a passar horas e horas pelo trânsito caótico da cidade do Rio de Janeiro e de seu bairro natal, Copacabana. Consumida pela profissão, o pouco tempo que tem de sobra, ela se divide entre a criação do filho, Tiago, um adolescente descobrindo a sua sexualidade, e sua conturbada relação com o marido, um repórter policial. Até que o assassinato de Isabelle, um transsexual, desperta um lado seu investigativo, mudando a sua vida e abrindo novos horizontes.

Comentário : Pessoal, vocês sabiam que, entre um casal, se a mulher não quiser fazer amor com o companheiro e este mesmo assim praticar o acto com o silêncio e a quietude dela, isso é considerado ainda assim, uma violação, pois é. Mas vamos ao filme, vamos lá. Com este meu comentário eu regresso assim ao cinema brasileiro, e ainda bem, porque este filme é muito bom, apesar das muitas conveniências e coincidências que tem, mas já lá vamos. O filme centra-se basicamente em três personagens centrais : um marido, uma mãe e o filho. De um lado, temos Berenice, uma bonita mulher que tornou-se taxista assumindo a profissão do falecido pai e que desconhece muito da vida do filho; por outro, temos um marido que é um nojento e um falso de primeira água que sempre que pode gosta de violar a esposa e que nunca lhe dá o devido valor; por último, temos um filho que é apaixonado por um transsexual e que mantém uma vida dupla, muito longe do conhecimento dos pais. E cada um destes personagens é aqui muito bem trabalhado e desenvolvido, sendo que Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis e Caio Manhente possuem interpretações muito boas nesses respectivos papéis. Nesse aspecto, nada existe a reclamar. Gostei de ter revisto a veterana Vera Holtz aqui, ela está bem, mas podiam ter dado mais humildade à sua personagem. Emilio Dantas foi uma grande surpresa para mim, não o conhecia e gostei do actor e da sua prestação. E Valentina Sampaio foi outra boa e enorme surpresa para mim. O problema deste filme é que é tudo muito amarradinho e o argumento originou muitas conveniências e coincidências, podia ter havido uma divagação aqui, quando se descobre quem foi o verdadeiro assassino, a gente não fica admirado, mas pensamos “havia mesmo necessidade disto?”. Eu vou mais longe e acho mesmo que não faz nenhum sentido o criminoso ser quem é, isso vai totalmente contra aquilo que o realizador estabeleceu do personagem em questão. E isso já para não falar das muitas conveniências e outras coincidências do roteiro, enfim, muitas oportunidades foram aqui desperdiçadas. Ainda assim, gostei bastante deste filme. 


Eighth Grade

Nome do Filme : “Eighth Grade”
Titulo Inglês : “Eighth Grade”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Bo Burnham
Produção : Lila Yacoub/Eli Bush/Scott Rudin/Christopher Storer
Elenco : Elsie Fisher, Josh Hamilton, Emily Robinson, Catherine Oliviere, Nora Mullins, Jake Ryan, Daniel Zolghadri, Fred Hechinger, Imani Lewis, Luke Prael, Gerald Jones, Shacha Temirov, Missy Yager, Thomas O'Reilly, Tiffany Grossfeld, David Shih, Trinity Goscinsky-Lynch, Natalie Carter, Kevin Free, Deborah Unger.

História : Kayla Day é uma adolescente bastante introvertida que é praticamente ignorada por todos os colegas da escola, mas que está feliz e curiosa ao mesmo tempo, por ir para o Ensino Médio.

Comentário : Pessoal, sempre que encontro um filme novo que esteja muito bem classificado nos sites de cinema, eu fico muito curioso não só para ver o filme, mas principalmente se essas classificações correspondem ao que o filme realmente é. E no caso deste “Eighth Grade”, eu posso vos garantir que condizem, o filme é realmente muito bom, possivelmente um dos melhores filmes que vi até agora neste ano. O filme foi realizado pelo jovem director, Bo Burnham, que só havia feito produções para a televisão, esta é a sua primeira longa-metragem, é o seu primeiro filme. E por se tratar de uma primeira obra realizada, bom, o cara é um génio, porque o principal trunfo desta fita é a sua narrativa, a história foi escrita e desenvolvida também por ele, bem como a maneira como tudo nos é cuidadosamente contado e mostrado. É caso para dizer que ele foi directo ao ponto e acertou em cheio, porque “Eighth Grade” é cativante e interessante do princípio ao fim. Claro que para isso ter funcionado bem, valeu a poderosa participação da jovem Elsie Fisher, que teve não só a melhor prestação do longa, como também é ela quem carrega o filme quase todo nos ombros. Se isto resultou bem e resultou mesmo, foi fruto da relação laboral entre realizador e actriz, os dois estão de parabéns, fizeram um excelente trabalho, cada um do seu jeito e à sua maneira. Enquanto protagonista, esta jovem actriz conseguiu transmitir na perfeição o que é ser uma adolescente nas suas condições e com todos os seus problemas. Todo o elenco juvenil esteve bem, apesar de eu achar que a actriz Catherine Oliviere poderia ter tido na sua personagem mais tempo de antena, mais falas. O mesmo se pode dizer da bonita Emily Robinson, eu adorei a sua personagem, mas queria ter visto mais dela. Por último, vale frisar que, perto do final, temos uma sequência que além de ser a melhor do filme, foi também um dos melhores momentos entre personagens que eu vi num filme até hoje. Adorei este filme, ele é essencial para quem queira perceber o que se passa na cabeça de um adolescente, seja menino ou menina. Decididamente e seguramente, um dos melhores filmes que 2018 nos deu.

domingo, 30 de setembro de 2018

Jeune Femme

Nome do Filme : “Jeune Femme”
Titulo Inglês : “Montparnasse Bienvenue”
Titulo Português : “Jovem Mulher”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Léonor Serraille
Produção : Sandra da Fonseca
Elenco : Laetitia Dosch, Gregoire Monsaingeon, Souleymane Seye Ndiaye, Leonie Simaga, Erika Sainte, Lila-Rose Gilberti, Nathalie Richard, Marie Remond, Lou Valentini, Emma Benestan, Audrey Bonnet, Agathe Desche, Ahmed Zirek.

História : Paula decidiu seguir o seu companheiro até Paris, após longa ausência. No local, ela acaba sendo deixada por ele após dez anos de relacionamento. Apesar de tudo, ela não é uma mulher melancólica e nostálgica. Ela decide permanecer nesta cidade desconhecida e ser engolida por ela, aproveitar tudo que for possível. Mas a sua solidão e encontros fugazes acaba fazendo ela repensar as certezas que possuía.

Comentário : Este filme francês é a primeira longa-metragem da realizadora Léonor Serraille, antes disto, ela apenas tinha filmado uma curta, e confesso que para primeiro filme, este “Jeune Femme” não está nada mau. O filme conta a história de uma mulher de trinta anos que não gosta da cidade onde vive, na verdade, nem ela própria sabe aquilo que quer para a sua vida. E acaba por ser este último requisito que dá alma ao longa. Sim, as incertezas da protagonista é aquilo que move o filme quase todo, e graças à excelente prestação de Laetitia Dosch, nós somos levados durante cerca de hora e meia numa aventura pessoal e muito rica vivida por uma jovem mulher cuja única certeza é que quer viver. Todo o filme é recheado de locações bem apelativas, diria mesmo que certos enquadramentos merecem destaque, parece que a realizadora quis realmente embelezar as imagens que captava e sendo ela uma estreante, isso pode significar muito no que diz respeito a futuros projectos. O filme funciona também como uma espécie de homenagem às mulheres, que podem desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo e serem eficazes em todas elas. O gatinho do amante da personagem principal é lindo, sendo ele um gato persa, confesso que sempre quis ter um. A personagem principal é a melhor e a mais cativante das personagens do filme, ao contrário da personagem da mãe da menina, que é bem irritante e um pouco desumana. O personagem do segurança do centro comercial é o melhor personagem masculino do longa, não me importava que ele ficasse com Paula, enquanto casal. Estes três personagens secundários que eu frisei agora foram muito bem interpretados pelos respectivos profissionais que os desempenharam. Por outro lado, não gostei do personagem do amante da protagonista e muito menos da prestação do actor que lhe deu corpo e voz. O filme funciona muito bem como um todo, penso que o seu único problema foi não ter facultado a Paula, um final digno, ela bem merecia.

I Think We're Alone Now

Nome do Filme : “I Think We're Alone Now”
Titulo Inglês : “I Think We're Alone Now”
Titulo Português : “Agora Estamos Sozinhos”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Reed Morano
Produção : Peter Dinklage
Elenco : Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsbourg, Paul Giamatti.

História : Num futuro não muito distante, algo deixou o planeta devastado. Durante muito tempo, Del julga-se o último representante da humanidade. Habituado à solidão, ele quase se sente feliz com a tranquilidade dos dias. Até que, inesperadamente, o seu caminho se cruza com Grace, uma linda jovem vinda de nenhures. A partir desse momento toda a existência de Del, até aí tão calma e silenciosa, se altera completamente.

Comentário : Estamos perante o novo filme de Elle Fanning, uma actriz que eu gosto bastante. Mas o filme tem outro actor que eu gosto bastante também, que é o Peter Dinklage. E eu tenho que confessar que no caso deste filme e desta história, apesar dos dois serem muito diferentes, eles funcionam na perfeição e são mesmo o melhor do filme, a relação dos dois é o ponto mais forte do longa. A realizadora dá-nos pouca informação sobre aquilo que originou a situação que ocorre no filme, nós apenas somos levados a saber que algo de muito grave sucedeu aos humanos e possivelmente aos animais, e que sobraram poucas pessoas ou quase nenhumas. A inserção da personagem Grace não é um problema à trama principal, diria mesmo que ela é essencial para que as coisas avancem no sentido certo e também para que fiquemos a saber bem mais do personagem Del e daquilo que realmente se passa no planeta. Já as outras duas personagens, bom, isso sim, é o pior do filme, diria mesmo, é esse o maior e grande problema do longa, simplesmente porque não faziam falta nenhuma. Quero com isto dizer que adorei os primeiros 60 minutos, sim, a primeira hora de filme é muito consistente e cativante, foi empolgante e fabuloso seguirmos as histórias de Del e Grace, que são os responsáveis para que o filme resulte. Mas a última meia hora só não estraga totalmente o longa, precisamente porque a realizadora deu um excelente final ao seu filme. E com tudo isto que disse, nem vale a pena elogiar as interpretações de Peter Dinklage e de Elle Fanning, porque os dois são excelentes actores e dispensam quaisquer tipo de galanteios, os dois estão perfeitos aqui, com excelentes prestações e são, tal como já o disse, o principal alicerce do filme. É um filme cheio de pequenos e grandes momentos, depende das vossas perspectivas. Eu, pessoalmente, gostei do que vi e embora os últimos 30 minutos me tenham irritado, não foram suficientes para me estragarem totalmente a experiência.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Allure

Nome do Filme : “Allure”
Titulo Inglês : “Allure”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Romance/Thriller
Realização : Carlos Sanchez/Jason Sanchez
Produção : Kim McCraw/Luc Dery
Elenco : Evan Rachel Wood, Julia Sarah Stone, Denis O'Hare, Maxim Roy, Joe Cobden.

História : Laura é uma lésbica estabelecida na vida que trabalha numa empresa com o pai. Um dia, num dos seus biscates alternativos, Laura conhece uma adolescente de 16 anos, Eva, com grandes aspirações a pianista e inicia uma relação amorosa com a miúda. O grande problema é que Laura mantém Eva praticamente refém em sua casa, dando a entender à mãe da miúda e a toda a gente que a jovem simplesmente desapareceu sem deixar rasto.

Comentário : Confesso que até à pouco tempo, eu não tinha conhecimento nenhum à cerca da existência deste filme. Foi até através de um colega meu do trabalho que fiquei a par dele. Fiquei logo ansioso para o ver, principalmente quando vi o trailer e percebi que se tratava de um romance entre duas mulheres, eu adoro filmes dramáticos sobre lésbicas. Mas não foi só por isso, foi também porque eu gosto bastante da actriz Evan Rachel Wood, eu acompanho o seu trabalho desde muito cedo e tinha que conferir este seu novo registo. E, quando terminei de ver o filme, comprovei tudo aquilo que havia expectado. De facto, Evan Rachel Wood está fantástica neste seu papel, possivelmente uma das suas melhores prestações, nota-se claramente que ela deu muito de si neste registo. Julia Sarah Stone também vai muito bem no seu papel, apesar de ser muito jovem, também ela, deu muito de si aqui. Além disso, pude apurar que a empatia entre as duas raparigas ficou bastante presente e foi notável, as duas funcionam muito bem juntas. O filme possui algum suspense, e isso deveu-se ao tipo de narrativa que aqui foi contada. Eu gostei da história, parece uma simples relação de abuso, mas é algo mais sério. Talvez por se tratar da relação entre duas raparigas, eu não achei muito chocante, se calhar se fosse um homem adulto com uma miúda, então aí sim, eu seria bem mais critico. Existe uma outra coisa que me faz muita confusão, são as péssimas classificações ao filme nos sites da especialidade, sinceramente, não as compreendo. O filme também faz uma critica à forma como certos pais são egoístas face aos verdadeiros interesses dos seus filhos, tratando os rebentos, por vezes, como meros objectos. Podemos contar com cenas muito bonitas entre as duas meninas e com uma fotografia bem apelativa, para além de se tratar de um excelente primeiro trabalho a quatro mãos. Um filme que fala de relações humanas, cuja mensagem principal que nos passa é que, por vezes, precisamos unicamente de um carinho, de calor humano para que tudo fique bem novamente. Bom filme.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Dogman

Nome do Filme : “Dogman”
Titulo Inglês : “Dogman”
Ano : 2018
Duração : 102 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller
Realização : Matteo Garrone
Produção : Matteo Garrone/Paolo Del Brocco/Jean Labadie/Jeremy Thomas
Elenco : Marcello Fonte, Alida Baldari Calabria, Edoardo Pesce, Laura Pizzirani, Nunzia Schiano, Adamo Dionisi, Giancarlo Porcacchia, Aniello Arena, Mirko Frezza.

História : Num subúrbio de uma periferia entre a metrópole e o deserto, onde a única lei parece ser a do mais forte, Marcello é um homem pequeno e gentil que divide os seus dias entre o trabalho no seu modesto salão de beleza para cães, o amor por sua filha, Alida, e uma relação ambígua de submissão com Simoncino, um ex-boxeur que aterroriza todo o bairro. Farto de ser humilhado, e determinado a reafirmar a sua dignidade, Marcello idealiza uma inesperada e feroz vingança.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que foi realizado pelo mesmo director de filmes como “Gomorra” e “Reality” e embora não sendo tão bom quanto o primeiro, é ainda assim, um filme que se vê muito bem. O filme funciona também como uma espécie de apelo à violência, quando não existe mais nada a fazer perante uma determinada situação. E esse é o grande dilema do personagem principal, Marcello, um homem humilde e trabalhador que, por força das circunstâncias se vê obrigado a tornar-se criminoso face ao homem que lhe estragou a vida. Confesso ter gostado bem mais deste filme do que de “Reality”, mas continuo logicamente a preferir “Gomorra”. Embora não seja muito fácil tolerarmos a figura do protagonista, por outro lado e conforme a projeção vai avançando, acabamos obrigatoriamente por ficar do lado dele e torcermos para que tudo dê certo para ele. Afinal, apesar dos seus erros, ele é boa pessoa, mas é apenas um dos tipos mais azarados do mundo. Nesse complicado papel, Marcello Fonte está perfeito, ele tem a figura ideal para este personagem, tendo igualmente uma prestação digna de uma premiação. E se a tudo isto, juntarmos o facto dele ser um bom pai e de ter uma relação fantástica com a sua filha pequena, então temos o tipo de pessoa a quem facilmente perdoamos um crime de vingança. Vale também frisar o desempenho de Edoardo Pesce, aqui no papel do homem mais malvado desta história, ele convence, não só devido ao seu enorme corpanzil, mas também por causa do comportamento do seu personagem, um autêntico monstro. Destaque também para todas as cenas em que pai e filha vivem momentos juntos, seguramente, as melhores cenas do filme, tudo graças à empatia existente entre o veterano e a pequena actriz. Uma das mensagens é que, violência gera violência. O filme estreia perto do fim deste ano no nosso país e já tem nota positiva da minha parte.

domingo, 23 de setembro de 2018

Las Hijas de Abril

Nome do Filme : “Las Hijas de Abril”
Titulo Inglês : “April's Daughter”
Titulo Português : “As Filhas de Abril”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Michel Franco
Produção : Michel Franco/Lorenzo Vigas/Moises Zonana
Elenco : Emma Suárez, Ana Valeria Becerril, Joanna Larequi, Enrique Arrizon, Hernan Mendoza, Tony Dalton, Ivan Cortes, Mario Escalante, Maria Sandoval.

História : Valeria tem 17 anos, vive com a sua irmã, Clara, em Puerto Vallarta, no México, e está grávida. Dada a condição económica de ambas, apesar de não querer, Valeria tem de pedir ajuda a Abril, a sua mãe ausente. Prefere não revelar que está grávida, mas a irmã acaba por contar. Quando os pais do companheiro de Valeria, que também não sabem da futura criança, descobrem, tentam articular, juntamente com Abril, um plano para se desfazerem da bebé.

Comentário : Depois de ter visto este filme, passei a entender as suas fracas classificações nos sites da especialidade, apesar de ter gostado do filme, confesso que ele podia ter sido bem melhor, ou por outra, pensei que ele podia e devia ter sido algo muito diferente. Até certa altura, eu estava a gostar do desenrolar da trama, estava a ser contada uma história normal de uma adolescente grávida, cuja mãe não era muito a favor de tal, mas a partir do momento em que a criança nasce, as coisas tomam um rumo totalmente sem nexo e a coisa descamba totalmente. A Joanna Larequi desempenha a irmã mais velha de Valeria, a actriz faz bem o seu trabalho, mas infelizmente foi-lhe dado pouco material para trabalhar, eu gostaria de ter visto mais da sua personagem neste filme e não da sua mãe. Por falar na mãe das miúdas, bom, ela chama-se Abril e, deixem-me dizer que ela é uma nojenta, uma mulher cruel e desumana que não olha a meios para atingir os seus fins e a mim, até me custa a crer que hajam pessoas como ela neste mundo; embora Emma Suárez tenha feito um excelente trabalho nesse triste registo e é isso que importa. Por seu turno, a Ana Valeria Becerril acaba por ter na sua personagem, a verdadeira protagonista do longa e é para ela que desejamos que tudo de bom aconteça à sua personagem. Eu gostei imenso da interpretação desta jovem actriz, ela é a verdadeira estrela do filme. Já o actor que desempenha o pai da criança, bom, o seu personagem também é do mal, ele não presta para nada e devido a isso, nós estamos nitidamente a borrifar para o seu destino. Apesar do filme ter terminado bem, eu queria ter acabado o filme, vendo Valeria e a filha num patamar de segurança bem melhor do que aquele que fechou o longa, mas tudo bem. Penso que o realizador não se deve ter empenhado totalmente desta vez, e apesar do filme sofrer de muitos problemas, vale pela primeira meia hora. Pessoalmente, eu preferia ter visto um “La Hija de Valeria”, mas ok, a interpretação, a personagem e a presença de Ana Valeria Becerril já valem o filme inteiro.