sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Summer Of 84

Nome do Filme : “Summer Of 84”
Titulo Inglês : “Summer Of 84”
Titulo Português : “Verão de 84”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror/Aventura
Realização : Anouk Whissell/François Simard/Yoann-Karl Whissell
Produção : Matt Leslie/J. P./Shawn Williamson/Cody Zwieg/Van Toffler
Elenco : Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter-Andrew, Tiera Skovbye, Shauna Johannessen, Susie Castillo, Rich Sommer, Jason Gray-Stanford, William MacDonald, Harrison Houde, Aren Buchholz, Reilly Jacob.

História : Crescendo no subúrbio, Davey está cansado da mesmice de rodar a cidade de bicicleta com os seus amigos e espionar Nikki, a sua linda e querida vizinha que adora fazer topless. Até que um dia, os quatro amigos desconfiam que algo se passa com um famoso vizinho e resolvem mover uma investigação serrada, mas controlada.

Comentário : Este filme vai muito na vibe actual de filmes e séries cuja ação decorre nos anos 80, numa tentativa de abranger também outro tipo de público. Mas calma, eu já o vi e asseguro que este filme é mesmo bom. Claro que o maior problema deste filme é vir dotado de quase todos os clichés do género. Mas, neste caso, isso não é prejudicial ao filme. E mesmo apesar de ele ser bem previsível em algumas situações, tudo isso acaba por ter o efeito contrário, já que, nos faz ficar concentrados naquilo que está a acontecer diante dos nossos olhos e ficarmos sempre na expectativa daquilo que irá suceder a seguir. Sim, o filme é bem tenso e tem bastante suspense. Eu próprio, cheguei a duvidar da identidade do assassino em algum momento do longa, embora tivesse sempre um bichinho no meu ouvido a sussurar que era o fulano tal. E infelizmente, o filme nunca nos tira isso da cabeça, o que acaba por estragar a experiência daqueles que já estiverem muito habituados a este tipo de produções. Por isso e apesar de ser previsível e de ter clichés, a trama nos envolve num crescendo de tensão e dúvidas, tudo fruto de um argumento muito bem escrito e redondo, parece que foi tudo cuidadosamente arquitectado com régua e esquadro. Em relação ao elenco, os adultos quase nunca aparecem e, sinceramente, eles não fazem falta nenhuma à história, só mesmo perto do final. Sobre o elenco jovem, os cinco principais actores mirins desempenharam bem seus papéis, eu gostei muito de cada um destes cinco personagens. O Eats é um menino muito avançado para idade a nível hormonal, mas tem a mania que é bom e que tem estilo, ele é muito convencido, mas funciona bem. O Farraday é um garoto inteligente e sabedor, ele é o mais cuidadoso mas também o menos expressivo do grupo. O Woody é o gordinho do grupo, ele é amoroso e cuida da mãe que está doente, ele pode ser “burro”, mas nunca deixa o seu melhor amigo mal, eu fiquei bastante surpreso e revoltado com o destino que lhe deram. A Nikki é uma menina mais velha do que qualquer membro do grupo masculino, mas é muito firme nas suas convicções e amiga do seu amigo. E o Davey é o herói da história e o verdadeiro líder do grupo, ele é seguramente o meu personagem preferido do filme. No final do terceiro acto, nós pensamos que o filme acabou, mas o trio de realizadores ainda nos reservou uns últimos 15 minutos, que apesar de terem algumas falhas, são determinantes e marcantes, nos deixando a pensar sobre como será o futuro de Davey. Bom filme.

At First Light

Nome do Filme : “At First Light”
Titulo Inglês : “At First Light”
Titulo Alternativo : “First Light”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller/Mystery/Drama
Realização : Jason Stone
Produção : Michael Baker/Chris Ferguson
Elenco : Stefanie Scott, Theodore Pellerin, Percy Hynes White, Ingrid Dion, Kristin Booth, Kate Burton, Josh Cruddas, Sean Devine, Tony Hart, John Koensgen, Said Taghmaoui, Miller Timlin, James Wotherspoon, Meagan Parker, Alexander Gomez.

História : Alex Lainey é uma aluna do ensino médio que começa a desenvolver estranhas habilidades após um encontro com luzes misteriosas. Ela rapidamente desenvolve os seus poderes e com a ajuda do seu amigo, Sean, eles precisam fugir de uma organização secreta do governo e Sean tem que decidir se vale a pena arriscar a sua vida para desvendar a verdade sobre o que realmente aconteceu com Alex.

Comentário (Muito emocionado) : Boas noites, pessoal. Sabem quando nós não damos nada por um filme e ele acaba por nos surpreender em tudo, pois bem, foi o que me aconteceu com este e, não sendo um dos melhores filmes do ano, ele é seguramente um dos melhores filmes que vi até hoje. Eu estou realmente emocionado, eu adoro a jovem actriz Stefanie Scott (Insidious) e é sempre um prazer assistir a um filme novo com ela. Mas não é por causa dela e da presença dela, que eu adorei este filme, não, nada disso. Aquilo que eu vos posso dizer é porque motivos eu adorei este filme, e vou passar já a nomeá-los. Para já, a história, ela é uma mistura daqueles filminhos de ficção-científica que davam no final dos anos 80 e durante os anos 90 que eu adorava com aquelas histórias de alienígenas que eu amo ver e ler, sim, eu sempre fui um “louco” pela temática extra-terrestre. Em segundo lugar, porque se trata de um filme de baixo orçamento que vale bem mais do que muitos filmes comerciais envolvendo grandes quantias que se vêm por aí. Temos também poucos personagens, o que é muito bom, porque permite que nos foquemos unicamente neles, neste caso, os únicos que nos interessam são a miúda principal e o seu amigo. Temos uma boa banda sonora, repleta de melodias que vão oscilando entre o forte e o leve e que ajudam à concentração imediata no filme. Os efeitos especiais, apesar de simples, convencem muito mais do que os grandiosos efeitos visuais vistos num dito blockbuster estreado recentemente. O filme tem toda uma atmosfera envolvente que nos faz ficar totalmente concentrados naquilo que estamos a ver. Os personagens secundários não são descartáveis, eles valem alguma coisa e servem mesmo para algo, eles têm as suas funções. O argumento é todo amarradinho e o realizador consegue ainda o feito de nos convencer à cerca do tipo de alienígenas patente no seu filme. Eu adorei o personagem Sean, mesmo sabendo que a amiga vai acabar por dar cabo dele, o rapaz nunca desiste dela e luta até ao fim, fazendo tudo por ela, a fim de a salvar da porcaria do governo americano. E por último, temos a cereja no topo do bolo, que é Stefanie Scott (miúda linda e adorável), e a sua Alex, que é a alma deste filme. Pessoalmente, eu fiquei a torcer para que tudo desse certo com ela. Gostava de ter visto mais da Alex, mas tudo bem, no fundo, o mistério faz parte da magia. Excelente filme.


Moana


Comentário : Quem me acompanha neste espaço já sabe que eu adoro animação japonesa e não ligo muito aos filmes animados que os estúdios americanos produzem. No entanto, existem uns que chamam a atenção, como é o caso deste. Outra coisa, não percebo esta insistência, e eu já não falo em tendência, de alterarem geralmente para pior os títulos originais da maioria dos filmes ou por vezes de acrescentar sub-títulos. Neste caso, se o titulo do filme é o nome de uma pessoa, porque motivo alterar drasticamente, gostava que quem manda me respondesse a isto. Eu gostei imenso deste filme de animação : pela história e pela mensagem nele contidas; pelo visual do filme que é estonteante; pelo facto da personagem principal parecer humana; pelos cenários e vivacidade da água onde tudo parece verdadeiro; pela qualidade da imagem e, por último, por causa da própria Moana, eu adorei esta personagem e tudo nela me encantou. Ela é uma personagem cheia de vida, cativante, envolvente, corajosa, bonita, encantadora, consegue que quem a vê ganhe facilmente empatia com ela e seja a favor da sua jornada e entenda as suas decisões e motivações. E o mais importante, Moana não está em busca de um príncipe encantado, a adolescente não tem qualquer interesse amoroso, ela ama a vida e nasceu para ser livre. Nos aspectos negativos, temos excesso de cenas musicais, humor a mais e um caracol brilhante muito enervante. Para espanto meu, gostei bastante deste filme, mas são muito poucos os filmes de animação americanos que eu gosto. Para finalizar, claramente que não me podia ir embora sem dizer que a jovem Auli'i Cravalho é linda. Há, um último apontamento : Eu não gosto da Disney.

Nota : Pessoal, com este post, eu reabro o meu quadro de comentar filmes de animação neste blogue, coisa que eu deixei de fazer há muito tempo. Pelo que eliminei todos os comentários referentes a este género, numa tentativa de recomeçar e de um outro jeito. Assim, as postagens referentes a filmes de animação não terão as fichas técnicas dos filmes comentados. Serão formadas por : Titulo do filme; Imagem de um poster alusivo ao filme; Comentário; Uma ou outra foto alusivas ao filme comentado. As postagens a filmes de ficção ou documentários mantêm-se no formato de sempre. “Moana” é o primeiro, mas a ele se seguirão muitos mais, se tudo correr bem, claro está.

Abraços Cinéfilos.

The Little Mermaid

Nome do Filme : “The Little Mermaid”
Titulo Inglês : “The Little Mermaid”
Titulo Português : “A Pequena Sereia”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Drama
Realização : Blake Harris
Produção : Armando Gutierrez/Robert Molloy
Elenco : Poppy Drayton, William Moseley, Loreto Peralta, Shirley MacLaine, Lexy Kolker, Claire Ryann Crosby, Armando Gutierrez, Gina Gershon, Shanna Collins, Chris Young, Jo Marie Payton, Tom Nowicki, Jared Sandler, Hunter Gomez, Peter Groverman, Alexis Balliro, Joey Martinez, Antoni Corone, James Bernstein, Gianna Morris, Charli Head.

História : Um repórter vai, com a sua sobrinha, em busca de histórias para publicar. Num circo, vê uma sereia num tanque e fica fascinado. Nos bastidores, descobre que ela não é uma mera encenação. Mas, também, que traz consigo uma maldição e que um feiticeiro quer roubar-lhe a alma.

Comentário : É assim, eu não vejo problema em fazerem filmes de live-action direcionados às crianças, mas sinceramente, façam esses filmes sem insultar a criança que o está assistindo. Façam um filme decente, usem fantasia e exageros sem problema, afinal, isso faz parte, mas não abusem no ridículo e na idiotice, por amor de Deus, não tratem as crianças como sendo estúpidas e burras, sendo que elas são precisamente o contrário disso. E mais, é um verdadeiro suplício para qualquer pai ou mãe estar a assistir a esses filmes com seus filhos, é um castigo, porque para além do adulto estar a detestar aquilo que está a ver, ele se sente nessa obrigação, simplesmente, porque os estúdios assim o determinam, e estes sabem que, como a criança não pode ir ao cinema sem os adultos, é mais dinheiro que entra nos bolsos, é uma fonte, uma mina. Posto isto, tenho que dizer que, infelizmente, eu fiquei bastante dividido em relação a este filme. Por um lado, eu gostei do filme não ser um produto Disney, e isso já é uma mais valia. Eu gostei da história, ela tem uma certa magia e nos encanta principalmente devido à personagem do titulo, a sereia. A minha personagem preferida deste filme foi claramente a sereia, a menina que a interpretou teve uma prestação bastante aceitável. Shirley MacLaine é uma verdadeira senhora, gostei de a rever, ainda que ela apareça muito pouco. E a menina que fez de Elle, também convence. E infelizmente, isto são as únicas coisas que se safam no filme. Há, eu gostei da pegada mutante. Tudo o resto é um autêntico desperdício de ideias e de recursos. O filme peca desde logo por ser curto demais, os seus efeitos especiais são péssimos do nível “Power Rangers”, o argumento é uma lástima, o filme possui imensos clichés do género, há muitas conveniências e coincidências de roteiro, em tirando as prestações positivas referidas em cima todas as outras são muito fracas, e o pior do filme – o vilão. Eu juro para vocês, se eu fizesse uma lista de piores vilões vistos em filme, o deste filme estaria seguramente no top 10, minha nossa senhora, que coisa horrorosa, mal feita, ridícula e que é um verdadeiro insulto à inteligência de quem assiste ao filme. Eu odiei o vilão deste filme, me senti mal mesmo, que lixo. Enfim, para a criança comum, acredito que o filme resulte e seja uma boa experiência, mas o cinéfilo comum, vai seguramente lamentar o dinheiro do ingresso. Para mim, o filme vale essencialmente pela sereia e por Poppy Drayton.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

The Captain

Nome do Filme : “Der Hauptmann”
Titulo Inglês : “The Captain”
Titulo Português : “O Capitão”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Robert Schwentke
Produção : Frieder Schlaich
Elenco : Max Hubacher, Milan Peschel, Frederick Lau, Bernd Holscher, Waldemar Kobus, Alexander Fehling, Samuel Finzi, Wolfram Koch, Eugenie Anselin, Hendrik Arnst, Rike Eckermann, Marko Dyrlich, Sascha Alexander Gersak, Britta Hammelstein, Alexander Horbe, Stefan Kolosko, Annina Polivka, Kordian Rekowski, David Scheller, Jakub Sierenberg, Shannon Staller, Damian Ul, Laurean Wagner.

História : No ano de 1945, com a chegada dos aliados, a guerra na Europa está prestes a chegar ao fim. Vários soldados alemães, conscientes da derrota, optam por desertar. Um deles é Willi Herold, de 19 anos. Na sua fuga, o rapaz depara-se com um automóvel abandonado onde encontra uma mala com um uniforme de capitão. Então, ele decide despir as roupas estragadas que tinha, veste aquela farda de oficial e assume a identidade do desconhecido.

Comentário : Pessoal, esta noite ainda tive tempo para ver este filme que eu julgo ser alemão, corrijam se eu estiver enganado, e que como filme, é bem melhor do que o filme comentado por mim antes deste. Este filme é baseado em factos reais, embora eu desconheça até que ponto vai o seu nível histórico, isso nunca nos é revelado no filme. Ainda que no início dos créditos finais, surjam legendas a contar o que aconteceu depois com o personagem principal. E acreditem, foi bom ficar a saber daquilo e do seu destino. O filme é mostrado a preto e branco, com uma fotografia bem apelativa e tendo apenas uma parte a cores. Eu quero vos dar uma dica : não vejam o trailer e muito menos leiam sobre o filme, se realmente o quiserem ver e ter surpresas, vão totalmente no escuro assistir a ele e vos garanto que irão ter uma experiência bem melhor. Claro que quero dizer com isto que o trailer revela muita coisa e a sinopse também. E há muita coisa a descobrir ao longo das duas horas de duração. Existe um pequeno pormenor envolvendo um dos desertores que nunca nos é explicado ao longo da fita, e eu interpreto isso como sendo um erro de roteiro. Por outro lado, também não gostei da mudança repentina no comportamento do personagem principal, ele fica mau de maneira muito rápida, sem nenhuma explicação minimamente credível e acreditem que muitas das coisas más que ele faz ou que acontecem com terceiros, podiam bem ter sido evitadas por ele próprio. O problema aqui é que ele usa o seu suposto poder somente para praticar o mal, em vez de se servir dele para aplicar o bem, afinal, a situação e a época assim o exigiam. Posto isto, não gostei muito da interpretação do actor que desempenhou o “capitão” do título, por vezes, ele me pareceu falso e muito forçado. Dei por mim a rir-me em algumas cenas, é um filme que tanto se leva a sério, como também é bem inverossímil em algumas partes. Vale frisar que o realizador nunca fez um filme que fosse bom, sendo este o seu melhor trabalho. Gostei, mas queria ter visto algo mais duro e realista, afinal, trata-se de um filme histórico, dizem eles.

The Children Act

Nome do Filme : “The Children Act”
Titulo Inglês : “The Children Act”
Titulo Português : “A Balada de Adam Henry”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Richard Eyre
Produção : Duncan Kenworthy
Elenco : Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead, Ben Chaplin, Eileen Walsh, Angela Holmes, Jason Watkins, Nikki Amuka-Bird, Rosie Cavaliero, Anthony Calf, Rupert Vansitttart, Nicholas Jones, Dominic Carter, Andrew Havill, Paul Jesson, Daniel Eghan, Raphael Desprez, Micah Balfour, Michele Austin, Toni Beard, Stacha Hicks, Daniel Tuite, Wendy Nottingham, Naomi Frederick, Rosie Boore, Melody Green, Cathy Howse.

História : Uma juíza tem de julgar o caso de um adolescente de 17 anos com leucemia que é testemunha de Jeová e se recusa, por motivos religiosos, a receber uma transfusão de sangue que o poderá ajudar a salvar a vida. Isto enquanto o seu casamento se está a desmoronar.

Comentário : Pessoal, antes de qualquer coisa, quero aqui dizer que eu considero Emma Thompson uma das melhores actrizes em actividade e que, mais uma vez, ela provou em filme do que é capaz, nos facultando não só o melhor do longa como também uma das suas melhores personagens. Posto isto, vamos ao filme. Nem sei por onde começar. Eu achei esse filme bem medíocre. Não estou dizendo com isto que ele é um dos piores filmes do ano, nada disso, ele até se vê bem. Mas para isso eu tive que desligar o cérebro durante essa hora e quarenta minutos e ignorar a lógica e a verossimilhança das coisas. Sim, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu. A primeira meia hora é bem sofrível, desde a apresentação da rotina da juíza com nomeação de vários outros casos, passando pelo marido machão que acha que o sexo é a coisa mais importante numa relação e que se envolve com uma mulher bem mais nova e ao aliviar-se com ela regressa a casa como se nada fosse, e terminando naquela imagem sempre limpa de que a justiça americana é impecável e que fazem tudo supostamente pelo lado correcto. A segunda meia hora é bem mais aliciante, tudo porque entra finalmente em cena o caso de que o filme realmente fala e em que se centra verdadeiramente, e isso compensa os sofríveis primeiros trinta minutos. Mas a partir do início da terceira meia hora, a coisa volta a piorar e passamos a ver um recém adulto que tem uma tara pela juíza que o salvou, e vemos também uma senhora que, só viu esse recém adulto apenas duas ou três vezes, o considera a pessoa mais importante da sua vida, e isto é tão ridículo que só vendo. Eu fartei-me de rir num filme onde não é suposto rirmos, isto pela temática complexa e dramática que ele aborda. Logicamente, o argumento é a pior coisa do filme. Ainda não entendi o que Stanley Tucci está a fazer neste filme, este personagem nada tem a ver com o actor, com o seu estilo de representar. Fionn Whitehead está razoável, confesso que lamento o destino do seu personagem, ele podia ter ficado como um conhecido da protagonista, e não mais que isso. E já para não falar das pontas soltas que o filme deixa. É isso, pessoal, é incrível, como permitem que filmes como este passem numa sala de cinema, ele é bem medíocre, talvez para sessão da tarde em casa, para além de ser ainda preciso gostar-se muito de Emma Thompson.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Leave No Trace

Nome do Filme : “Leave No Trace”
Titulo Inglês : “Leave No Trace”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Debra Granik
Produção : Anne Harrison/Linda Reisman/Anne Rosellini
Elenco : Ben Foster, Thomasin Harcourt McKenzie, Dale Dickey, Dana Millican, Jeffery Rifflard, Derek John Drescher, Michael Draper, Alyssa McKay, Ryan Joiner, Michael Prosser, Jeff Kober, Spencer Hanley, Bob Werfelman, Isaiah Stone.

História : Um pai e a sua filha adolescente mantêm um estilo de vida desejado e ideal para eles, numa vasta floresta em Portland, nos Estados Unidos. Um dia, são apanhados e detidos. No entanto, os dois sonham fugir da civilização e regressar à vida que tinham, obtendo a tão desejada e querida liberdade.

Comentário : Da autoria da mesma realizadora que nos deu bons filmes como “Down To The Bone” e “Winter's Bone”, chega-nos este “Leave No Trace”, um filme que se encontra ao mesmo nível dos dois anteriores trabalhos de Debra Granik, uma directora habituada a mexer com as emoções humanas no limite. Pessoalmente, eu me encontro muitas vezes a pensar se este modelo de vida que nos foi imposto e obrigado pela sociedade, é ou não o ideal. Se calhar, se tivéssemos um pouco mais de liberdade e se não estivéssemos tão “presos” nas nossas supostas obrigações, possivelmente viveríamos bem melhor e poderíamos desfrutar mais daquilo que a Natureza nos pode oferecer. Isto não é uma intenção minha, claro está, isto é somente um pensamento meu, um desabafo e uma simples reflexão. Com produção totalmente feminina e igual à realização, estamos perante um filme pacífico, com um ritmo muito lento e que não irá agradar à maioria, mas que certamente irá mexer com aqueles que amam o verdadeiro cinema e a arte de contar e mostrar boas histórias. Eu comprei direitinho as intenções e o modo de vida dos dois protagonistas, ele é um pai que ama a sua filha e que, após a morte da mãe da miúda, prometeu-lhe que iria cuidar e proteger sempre a menina. E ela é uma rapariga adolescente que segue carinhosamente o pai, que confia nele e que abraça aquele estilo de vida, embora questione por vezes, se aquilo que fazem é o mais correcto ou não. Ela segue o pai naquela demanda, não só porque ama verdadeiramente ele mas também porque tem e vê nele a única pessoa que lhe resta e que pode protegê-la de um mundo totalmente desconhecido para ela. E é essa a verdadeira força deste filme, a relação pai-filha que a realizadora e o seu filme estabelecem. Nos principais papéis, Ben Foster e Thomasin McKenzie têm poderosas interpretações, bem como uma forte empatia enquanto personagens e calculo que também a partilhem enquanto actor e actriz. Destaques também para as paisagens, as locações e algumas imagens, outros trunfos desta fita. Este filme é já outra das grandes surpresas deste ano que está quase a terminar.

Berenice Procura

Nome do Filme : “Berenice Procura”
Titulo Português : “Berenice Procura”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Allan Fiterman
Produção : Elisa Tolomelli
Elenco : Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis, Caio Manhente, Vera Holtz, Emilio Dantas, Valentina Sampaio, Leonardo Brício, Carol Marra, Gabi Katz, Guta Ruiz.

História : A taxista Berenice está acostumada a passar horas e horas pelo trânsito caótico da cidade do Rio de Janeiro e de seu bairro natal, Copacabana. Consumida pela profissão, o pouco tempo que tem de sobra, ela se divide entre a criação do filho, Tiago, um adolescente descobrindo a sua sexualidade, e sua conturbada relação com o marido, um repórter policial. Até que o assassinato de Isabelle, um transsexual, desperta um lado seu investigativo, mudando a sua vida e abrindo novos horizontes.

Comentário : Pessoal, vocês sabiam que, entre um casal, se a mulher não quiser fazer amor com o companheiro e este mesmo assim praticar o acto com o silêncio e a quietude dela, isso é considerado ainda assim, uma violação, pois é. Mas vamos ao filme, vamos lá. Com este meu comentário eu regresso assim ao cinema brasileiro, e ainda bem, porque este filme é muito bom, apesar das muitas conveniências e coincidências que tem, mas já lá vamos. O filme centra-se basicamente em três personagens centrais : um marido, uma mãe e o filho. De um lado, temos Berenice, uma bonita mulher que tornou-se taxista assumindo a profissão do falecido pai e que desconhece muito da vida do filho; por outro, temos um marido que é um nojento e um falso de primeira água que sempre que pode gosta de violar a esposa e que nunca lhe dá o devido valor; por último, temos um filho que é apaixonado por um transsexual e que mantém uma vida dupla, muito longe do conhecimento dos pais. E cada um destes personagens é aqui muito bem trabalhado e desenvolvido, sendo que Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis e Caio Manhente possuem interpretações muito boas nesses respectivos papéis. Nesse aspecto, nada existe a reclamar. Gostei de ter revisto a veterana Vera Holtz aqui, ela está bem, mas podiam ter dado mais humildade à sua personagem. Emilio Dantas foi uma grande surpresa para mim, não o conhecia e gostei do actor e da sua prestação. E Valentina Sampaio foi outra boa e enorme surpresa para mim. O problema deste filme é que é tudo muito amarradinho e o argumento originou muitas conveniências e coincidências, podia ter havido uma divagação aqui, quando se descobre quem foi o verdadeiro assassino, a gente não fica admirado, mas pensamos “havia mesmo necessidade disto?”. Eu vou mais longe e acho mesmo que não faz nenhum sentido o criminoso ser quem é, isso vai totalmente contra aquilo que o realizador estabeleceu do personagem em questão. E isso já para não falar das muitas conveniências e outras coincidências do roteiro, enfim, muitas oportunidades foram aqui desperdiçadas. Ainda assim, gostei bastante deste filme. 


Eighth Grade

Nome do Filme : “Eighth Grade”
Titulo Inglês : “Eighth Grade”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Bo Burnham
Produção : Lila Yacoub/Eli Bush/Scott Rudin/Christopher Storer
Elenco : Elsie Fisher, Josh Hamilton, Emily Robinson, Catherine Oliviere, Nora Mullins, Jake Ryan, Daniel Zolghadri, Fred Hechinger, Imani Lewis, Luke Prael, Gerald Jones, Shacha Temirov, Missy Yager, Thomas O'Reilly, Tiffany Grossfeld, David Shih, Trinity Goscinsky-Lynch, Natalie Carter, Kevin Free, Deborah Unger.

História : Kayla Day é uma adolescente bastante introvertida que é praticamente ignorada por todos os colegas da escola, mas que está feliz e curiosa ao mesmo tempo, por ir para o Ensino Médio.

Comentário : Pessoal, sempre que encontro um filme novo que esteja muito bem classificado nos sites de cinema, eu fico muito curioso não só para ver o filme, mas principalmente se essas classificações correspondem ao que o filme realmente é. E no caso deste “Eighth Grade”, eu posso vos garantir que condizem, o filme é realmente muito bom, possivelmente um dos melhores filmes que vi até agora neste ano. O filme foi realizado pelo jovem director, Bo Burnham, que só havia feito produções para a televisão, esta é a sua primeira longa-metragem, é o seu primeiro filme. E por se tratar de uma primeira obra realizada, bom, o cara é um génio, porque o principal trunfo desta fita é a sua narrativa, a história foi escrita e desenvolvida também por ele, bem como a maneira como tudo nos é cuidadosamente contado e mostrado. É caso para dizer que ele foi directo ao ponto e acertou em cheio, porque “Eighth Grade” é cativante e interessante do princípio ao fim. Claro que para isso ter funcionado bem, valeu a poderosa participação da jovem Elsie Fisher, que teve não só a melhor prestação do longa, como também é ela quem carrega o filme quase todo nos ombros. Se isto resultou bem e resultou mesmo, foi fruto da relação laboral entre realizador e actriz, os dois estão de parabéns, fizeram um excelente trabalho, cada um do seu jeito e à sua maneira. Enquanto protagonista, esta jovem actriz conseguiu transmitir na perfeição o que é ser uma adolescente nas suas condições e com todos os seus problemas. Todo o elenco juvenil esteve bem, apesar de eu achar que a actriz Catherine Oliviere poderia ter tido na sua personagem mais tempo de antena, mais falas. O mesmo se pode dizer da bonita Emily Robinson, eu adorei a sua personagem, mas queria ter visto mais dela. Por último, vale frisar que, perto do final, temos uma sequência que além de ser a melhor do filme, foi também um dos melhores momentos entre personagens que eu vi num filme até hoje. Adorei este filme, ele é essencial para quem queira perceber o que se passa na cabeça de um adolescente, seja menino ou menina. Decididamente e seguramente, um dos melhores filmes que 2018 nos deu.

domingo, 30 de setembro de 2018

Jeune Femme

Nome do Filme : “Jeune Femme”
Titulo Inglês : “Montparnasse Bienvenue”
Titulo Português : “Jovem Mulher”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Léonor Serraille
Produção : Sandra da Fonseca
Elenco : Laetitia Dosch, Gregoire Monsaingeon, Souleymane Seye Ndiaye, Leonie Simaga, Erika Sainte, Lila-Rose Gilberti, Nathalie Richard, Marie Remond, Lou Valentini, Emma Benestan, Audrey Bonnet, Agathe Desche, Ahmed Zirek.

História : Paula decidiu seguir o seu companheiro até Paris, após longa ausência. No local, ela acaba sendo deixada por ele após dez anos de relacionamento. Apesar de tudo, ela não é uma mulher melancólica e nostálgica. Ela decide permanecer nesta cidade desconhecida e ser engolida por ela, aproveitar tudo que for possível. Mas a sua solidão e encontros fugazes acaba fazendo ela repensar as certezas que possuía.

Comentário : Este filme francês é a primeira longa-metragem da realizadora Léonor Serraille, antes disto, ela apenas tinha filmado uma curta, e confesso que para primeiro filme, este “Jeune Femme” não está nada mau. O filme conta a história de uma mulher de trinta anos que não gosta da cidade onde vive, na verdade, nem ela própria sabe aquilo que quer para a sua vida. E acaba por ser este último requisito que dá alma ao longa. Sim, as incertezas da protagonista é aquilo que move o filme quase todo, e graças à excelente prestação de Laetitia Dosch, nós somos levados durante cerca de hora e meia numa aventura pessoal e muito rica vivida por uma jovem mulher cuja única certeza é que quer viver. Todo o filme é recheado de locações bem apelativas, diria mesmo que certos enquadramentos merecem destaque, parece que a realizadora quis realmente embelezar as imagens que captava e sendo ela uma estreante, isso pode significar muito no que diz respeito a futuros projectos. O filme funciona também como uma espécie de homenagem às mulheres, que podem desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo e serem eficazes em todas elas. O gatinho do amante da personagem principal é lindo, sendo ele um gato persa, confesso que sempre quis ter um. A personagem principal é a melhor e a mais cativante das personagens do filme, ao contrário da personagem da mãe da menina, que é bem irritante e um pouco desumana. O personagem do segurança do centro comercial é o melhor personagem masculino do longa, não me importava que ele ficasse com Paula, enquanto casal. Estes três personagens secundários que eu frisei agora foram muito bem interpretados pelos respectivos profissionais que os desempenharam. Por outro lado, não gostei do personagem do amante da protagonista e muito menos da prestação do actor que lhe deu corpo e voz. O filme funciona muito bem como um todo, penso que o seu único problema foi não ter facultado a Paula, um final digno, ela bem merecia.

I Think We're Alone Now

Nome do Filme : “I Think We're Alone Now”
Titulo Inglês : “I Think We're Alone Now”
Titulo Português : “Agora Estamos Sozinhos”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Reed Morano
Produção : Peter Dinklage
Elenco : Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsbourg, Paul Giamatti.

História : Num futuro não muito distante, algo deixou o planeta devastado. Durante muito tempo, Del julga-se o último representante da humanidade. Habituado à solidão, ele quase se sente feliz com a tranquilidade dos dias. Até que, inesperadamente, o seu caminho se cruza com Grace, uma linda jovem vinda de nenhures. A partir desse momento toda a existência de Del, até aí tão calma e silenciosa, se altera completamente.

Comentário : Estamos perante o novo filme de Elle Fanning, uma actriz que eu gosto bastante. Mas o filme tem outro actor que eu gosto bastante também, que é o Peter Dinklage. E eu tenho que confessar que no caso deste filme e desta história, apesar dos dois serem muito diferentes, eles funcionam na perfeição e são mesmo o melhor do filme, a relação dos dois é o ponto mais forte do longa. A realizadora dá-nos pouca informação sobre aquilo que originou a situação que ocorre no filme, nós apenas somos levados a saber que algo de muito grave sucedeu aos humanos e possivelmente aos animais, e que sobraram poucas pessoas ou quase nenhumas. A inserção da personagem Grace não é um problema à trama principal, diria mesmo que ela é essencial para que as coisas avancem no sentido certo e também para que fiquemos a saber bem mais do personagem Del e daquilo que realmente se passa no planeta. Já as outras duas personagens, bom, isso sim, é o pior do filme, diria mesmo, é esse o maior e grande problema do longa, simplesmente porque não faziam falta nenhuma. Quero com isto dizer que adorei os primeiros 60 minutos, sim, a primeira hora de filme é muito consistente e cativante, foi empolgante e fabuloso seguirmos as histórias de Del e Grace, que são os responsáveis para que o filme resulte. Mas a última meia hora só não estraga totalmente o longa, precisamente porque a realizadora deu um excelente final ao seu filme. E com tudo isto que disse, nem vale a pena elogiar as interpretações de Peter Dinklage e de Elle Fanning, porque os dois são excelentes actores e dispensam quaisquer tipo de galanteios, os dois estão perfeitos aqui, com excelentes prestações e são, tal como já o disse, o principal alicerce do filme. É um filme cheio de pequenos e grandes momentos, depende das vossas perspectivas. Eu, pessoalmente, gostei do que vi e embora os últimos 30 minutos me tenham irritado, não foram suficientes para me estragarem totalmente a experiência.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Allure

Nome do Filme : “Allure”
Titulo Inglês : “Allure”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Romance/Thriller
Realização : Carlos Sanchez/Jason Sanchez
Produção : Kim McCraw/Luc Dery
Elenco : Evan Rachel Wood, Julia Sarah Stone, Denis O'Hare, Maxim Roy, Joe Cobden.

História : Laura é uma lésbica estabelecida na vida que trabalha numa empresa com o pai. Um dia, num dos seus biscates alternativos, Laura conhece uma adolescente de 16 anos, Eva, com grandes aspirações a pianista e inicia uma relação amorosa com a miúda. O grande problema é que Laura mantém Eva praticamente refém em sua casa, dando a entender à mãe da miúda e a toda a gente que a jovem simplesmente desapareceu sem deixar rasto.

Comentário : Confesso que até à pouco tempo, eu não tinha conhecimento nenhum à cerca da existência deste filme. Foi até através de um colega meu do trabalho que fiquei a par dele. Fiquei logo ansioso para o ver, principalmente quando vi o trailer e percebi que se tratava de um romance entre duas mulheres, eu adoro filmes dramáticos sobre lésbicas. Mas não foi só por isso, foi também porque eu gosto bastante da actriz Evan Rachel Wood, eu acompanho o seu trabalho desde muito cedo e tinha que conferir este seu novo registo. E, quando terminei de ver o filme, comprovei tudo aquilo que havia expectado. De facto, Evan Rachel Wood está fantástica neste seu papel, possivelmente uma das suas melhores prestações, nota-se claramente que ela deu muito de si neste registo. Julia Sarah Stone também vai muito bem no seu papel, apesar de ser muito jovem, também ela, deu muito de si aqui. Além disso, pude apurar que a empatia entre as duas raparigas ficou bastante presente e foi notável, as duas funcionam muito bem juntas. O filme possui algum suspense, e isso deveu-se ao tipo de narrativa que aqui foi contada. Eu gostei da história, parece uma simples relação de abuso, mas é algo mais sério. Talvez por se tratar da relação entre duas raparigas, eu não achei muito chocante, se calhar se fosse um homem adulto com uma miúda, então aí sim, eu seria bem mais critico. Existe uma outra coisa que me faz muita confusão, são as péssimas classificações ao filme nos sites da especialidade, sinceramente, não as compreendo. O filme também faz uma critica à forma como certos pais são egoístas face aos verdadeiros interesses dos seus filhos, tratando os rebentos, por vezes, como meros objectos. Podemos contar com cenas muito bonitas entre as duas meninas e com uma fotografia bem apelativa, para além de se tratar de um excelente primeiro trabalho a quatro mãos. Um filme que fala de relações humanas, cuja mensagem principal que nos passa é que, por vezes, precisamos unicamente de um carinho, de calor humano para que tudo fique bem novamente. Bom filme.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Dogman

Nome do Filme : “Dogman”
Titulo Inglês : “Dogman”
Ano : 2018
Duração : 102 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller
Realização : Matteo Garrone
Produção : Matteo Garrone/Paolo Del Brocco/Jean Labadie/Jeremy Thomas
Elenco : Marcello Fonte, Alida Baldari Calabria, Edoardo Pesce, Laura Pizzirani, Nunzia Schiano, Adamo Dionisi, Giancarlo Porcacchia, Aniello Arena, Mirko Frezza.

História : Num subúrbio de uma periferia entre a metrópole e o deserto, onde a única lei parece ser a do mais forte, Marcello é um homem pequeno e gentil que divide os seus dias entre o trabalho no seu modesto salão de beleza para cães, o amor por sua filha, Alida, e uma relação ambígua de submissão com Simoncino, um ex-boxeur que aterroriza todo o bairro. Farto de ser humilhado, e determinado a reafirmar a sua dignidade, Marcello idealiza uma inesperada e feroz vingança.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que foi realizado pelo mesmo director de filmes como “Gomorra” e “Reality” e embora não sendo tão bom quanto o primeiro, é ainda assim, um filme que se vê muito bem. O filme funciona também como uma espécie de apelo à violência, quando não existe mais nada a fazer perante uma determinada situação. E esse é o grande dilema do personagem principal, Marcello, um homem humilde e trabalhador que, por força das circunstâncias se vê obrigado a tornar-se criminoso face ao homem que lhe estragou a vida. Confesso ter gostado bem mais deste filme do que de “Reality”, mas continuo logicamente a preferir “Gomorra”. Embora não seja muito fácil tolerarmos a figura do protagonista, por outro lado e conforme a projeção vai avançando, acabamos obrigatoriamente por ficar do lado dele e torcermos para que tudo dê certo para ele. Afinal, apesar dos seus erros, ele é boa pessoa, mas é apenas um dos tipos mais azarados do mundo. Nesse complicado papel, Marcello Fonte está perfeito, ele tem a figura ideal para este personagem, tendo igualmente uma prestação digna de uma premiação. E se a tudo isto, juntarmos o facto dele ser um bom pai e de ter uma relação fantástica com a sua filha pequena, então temos o tipo de pessoa a quem facilmente perdoamos um crime de vingança. Vale também frisar o desempenho de Edoardo Pesce, aqui no papel do homem mais malvado desta história, ele convence, não só devido ao seu enorme corpanzil, mas também por causa do comportamento do seu personagem, um autêntico monstro. Destaque também para todas as cenas em que pai e filha vivem momentos juntos, seguramente, as melhores cenas do filme, tudo graças à empatia existente entre o veterano e a pequena actriz. Uma das mensagens é que, violência gera violência. O filme estreia perto do fim deste ano no nosso país e já tem nota positiva da minha parte.

domingo, 23 de setembro de 2018

Las Hijas de Abril

Nome do Filme : “Las Hijas de Abril”
Titulo Inglês : “April's Daughter”
Titulo Português : “As Filhas de Abril”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Michel Franco
Produção : Michel Franco/Lorenzo Vigas/Moises Zonana
Elenco : Emma Suárez, Ana Valeria Becerril, Joanna Larequi, Enrique Arrizon, Hernan Mendoza, Tony Dalton, Ivan Cortes, Mario Escalante, Maria Sandoval.

História : Valeria tem 17 anos, vive com a sua irmã, Clara, em Puerto Vallarta, no México, e está grávida. Dada a condição económica de ambas, apesar de não querer, Valeria tem de pedir ajuda a Abril, a sua mãe ausente. Prefere não revelar que está grávida, mas a irmã acaba por contar. Quando os pais do companheiro de Valeria, que também não sabem da futura criança, descobrem, tentam articular, juntamente com Abril, um plano para se desfazerem da bebé.

Comentário : Depois de ter visto este filme, passei a entender as suas fracas classificações nos sites da especialidade, apesar de ter gostado do filme, confesso que ele podia ter sido bem melhor, ou por outra, pensei que ele podia e devia ter sido algo muito diferente. Até certa altura, eu estava a gostar do desenrolar da trama, estava a ser contada uma história normal de uma adolescente grávida, cuja mãe não era muito a favor de tal, mas a partir do momento em que a criança nasce, as coisas tomam um rumo totalmente sem nexo e a coisa descamba totalmente. A Joanna Larequi desempenha a irmã mais velha de Valeria, a actriz faz bem o seu trabalho, mas infelizmente foi-lhe dado pouco material para trabalhar, eu gostaria de ter visto mais da sua personagem neste filme e não da sua mãe. Por falar na mãe das miúdas, bom, ela chama-se Abril e, deixem-me dizer que ela é uma nojenta, uma mulher cruel e desumana que não olha a meios para atingir os seus fins e a mim, até me custa a crer que hajam pessoas como ela neste mundo; embora Emma Suárez tenha feito um excelente trabalho nesse triste registo e é isso que importa. Por seu turno, a Ana Valeria Becerril acaba por ter na sua personagem, a verdadeira protagonista do longa e é para ela que desejamos que tudo de bom aconteça à sua personagem. Eu gostei imenso da interpretação desta jovem actriz, ela é a verdadeira estrela do filme. Já o actor que desempenha o pai da criança, bom, o seu personagem também é do mal, ele não presta para nada e devido a isso, nós estamos nitidamente a borrifar para o seu destino. Apesar do filme ter terminado bem, eu queria ter acabado o filme, vendo Valeria e a filha num patamar de segurança bem melhor do que aquele que fechou o longa, mas tudo bem. Penso que o realizador não se deve ter empenhado totalmente desta vez, e apesar do filme sofrer de muitos problemas, vale pela primeira meia hora. Pessoalmente, eu preferia ter visto um “La Hija de Valeria”, mas ok, a interpretação, a personagem e a presença de Ana Valeria Becerril já valem o filme inteiro. 

Searching

Nome do Filme : “Searching”
Titulo Inglês : “Searching”
Titulo Português : “Pesquisa Obsessiva”
Titulo Brasileiro : “Buscando... “
Ano : 2018
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Aneesh Chaganty
Produção : Sev Ohanian/Natalie Qasabian/Adam Sidman/Timur Bekmambetov
Elenco : John Cho, Michelle La, Sara Sohn, Alex Jayne Go, Megan Liu, Kya Dawn Lau, Joseph Lee, Debra Messing, Dominic Hoffman, Sylvia Minassian, Melissa Disney, Connor McRaith, Colin Woodell, Ashley Edner, Joseph John Schirle, Courtney Lauren Cummings, Kenneth Mosley, Briana McLean, Ben Pierce, Reed Buck, Franchesca Maia, Thomas Barbusca, Erica Jenkins, Julie Nathanson, Kristin Herold, Rasha Goel, Katie Rowe, Bryce Branagan, Roy Abramsohn, Johnno Wilson, Erin Henriques, Gage Biltoft, Steven Michael Eich, LaSaundra Gibson, John Macey, Shanyn Ellison.

História : Após uma adolescente desaparecer, seu pai David Kim, pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

Comentário : E se um dos filmes anteriores foi uma surpresa positiva para mim, este agora representou uma ainda maior. É bom inovar, mostrar novas formas de exercer cinema, novas formas de comunicação e o formato visto neste filme, embora não sendo inédito, explora ao máximo todas as potencialidades dele. Basicamente, é como se não houvesse camara oficial, já que tudo o que vemos nos é mostrado através de pequenas camaras, de telemóvel, de TV, de pequenos dispositivos, de imagens de arquivo, de vídeos caseiros, de camaras de vigilância, da própria tela do computador, enfim, de tudo o que actualmente é usado para captar imagens, menos da camara do realizador. O filme tem muitas mensagens : a internet pode ser prejudicial porque não sabemos quem está do outro lado, não conhecemos totalmente os nossos filhos nem aquilo que eles fazem, os nossos filhos nunca estão protegidos, ter acesso à internet é como se tivéssemos o mundo quase todo nas nossas mãos, uma pessoa desaparecida começa a ser famosa quando o caso é divulgado nas redes sociais e nos media, entre outras. Mas a principal mensagem a retirar deste filme é que a Internet pode ser usada para o mal, mas também pode ser utilizada para combater esse mal, para ajudar a descobrir as verdades e para exercer o bem.

O modo como o filme nos é apresentado também nos permite sentir o que aquele pai sente, permite-nos acompanhar e seguir todos os seus passos, todas as suas descobertas, enfim, vivermos todo o seu processo. Os primeiros cerca de dez minutos de filme são essenciais para percebermos tudo o resto. Existe uma cena em particular que dói imenso, só quem é pai, irá entender essa dor (essa cena está relacionada com a imagem em baixo...). John Cho carrega o filme todo nos ombros, ele é a grande estrela do longa, o seu desespero e o seu amor de pai transpiram vida, é tudo muito humano, muito realista. Vale frisar também que a montagem e a edição deste filme devem ter sido as tarefas mais complicadas deste realizador e olhem que isto não é trabalho de Hollywood. É um filme que nos deixa a pensar à cerca de imensa coisa, mas principalmente, que nos coloca a pensar na vida. Acredito que, depois de verem este filme, muita gente se questione se vale ou não a pena pormos filhos neste mundo. Existe muita gente má por esse mundo fora. Escolhi colocar também o titulo brasileiro porque é bem melhor do que o nosso. Até a banda sonora resulta, existe uma melodia que casa muito bem com os momentos mais ternos e dramáticos da narrativa. Vale também frisar a história, que é muito interessante e cheia de reviravoltas. O filme começa a levar-nos para um caminho, para nos segundos seguintes, nos atirar para um outro caminho totalmente diferente e isso acontece várias vezes, as coisas raramente são aquilo que parecem. A imagem que aparece retratada no poster representou a sequência mais perturbadora e tensa do filme inteiro, porque bastava um procedimento dele naquela altura, para solucionar tudo naquela noite e isso é muito inquietante, quem viu o filme entenderá perfeitamente o que quero dizer. É um excelente filme, aflitivo, importante, urgente, actual, verdadeiro, realista, tenso, cheio de sentimento e de reviravoltas, enfim, um dos melhores filmes de 2018, que possivelmente ou tristemente passará despercebido por cá.

What Will People Say

Nome do Filme : “Hva Vil Folk Si”
Titulo Inglês : “What Will People Say”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Iram Haq
Produção : Maria Ekerhovd
Elenco : Maria Mozhdah, Adil Hussain, Ekavali Khanna, Rohit Saraf, Ali Arfan, Sheeba Chaddha, Lalit Parimoo, Nokokure Dahl, Isak Lie Harr, Jannat Zubair Rahmani.

História : Uma adolescente paquistanesa é vítima das duras leis e tradições do seu povo.

Comentário : Estamos perante outro filme que aborda a questão da vida difícil que certas raparigas têm em alguns países, onde o facto de ser-se rapariga ou mulher, já é em si, um grande problema. E este filme trabalha muito bem essa componente. Claro que já existem muitos filmes que abordam estas questões, mas nunca é demais vermos e consumirmos mais sobre determinados assuntos, toda a nova informação é sempre bem vinda. Por vezes, eu me ponho a pensar sobre o que é que as raparigas e mulheres desses países, pensam à cerca do modo de vida e daquilo a que as sujeitam. E das duas uma : ou elas aceitam e acatam tudo aquilo sentindo que é mesmo assim; ou então sofrem bastante e são infelizes para o resto dos seus dias. E eu julgo que deve ser isto, ou uma destas realidades, ou as duas, ou mesmo uma mistura das duas. Eu gostei deste filme, ele tanto pode servir como um alerta de consciências, ou como uma forma de contar e mostrar aos ocidentais como funcionam as coisas nesses países, ou ainda como uma espécie de entrave a esses comportamentos, visto que são cada vez mais falados e evidenciados. Todo o elenco está bem neste filme, mas o destaque vai claramente para a jovem que desempenha a personagem principal, muito bem interpretada pela actriz Maria Mozhdah, eu gostei bastante do trabalho que ela fez aqui. Gostei também do personagem do pai dela, houve uma cena que mostra que alguns homens destes, no fundo, devem ter a perfeita consciência que o que fazem às mulheres é muito errado, mas que têm que o fazer, devido ao passado do seu povo, país e leis. Houve uma ou outra coisa que eu não entendi tão bem, mas está tudo bem, problemas, todos os filmes têm. Bom filme.

Sierra Burgess Is A Loser

Nome do Filme : “Sierra Burgess Is A Loser”
Titulo Inglês : “Sierra Burgess Is A Loser”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Ian Samuels
Produção : Molly Smith/Rachel Smith/Thad Luckinbill/Trent Luckinbill
Elenco : Shannon Purser, Kristine Froseth, Noah Centineo, RJ Cyler, Alice Lee, Giorgia Whigham, Loretta Devine, Lea Thompson, Alan Ruck, Mary Pat Gleason, Chrissy Metz, Elizabeth Tovey, Mariam Tovey, Matt Malloy, Geoff Stults, Shoniqua Shandai, Joey Bell, Mario Revolori, Cochise Zornoza, Joey Morgan, JT Neal, Wolfgang Novogratz, Brandon Thomas Lee.

História : Duas raparigas bem diferentes uma da outra que são inimigas no colégio, resolvem tornar-se nas melhores amigas por causa de um rapaz.

Comentário : Uns quantos pontos a cima de “Love, Simon”, esta nova produção da Netflix é mais uma que prova que a empresa sabe trabalhar bem com a temática adolescente e produz bons filmes sobre essa geração, ao contrário do que acontece com filmes de ficção-científica. Eu gostei bastante deste filme, claro que ele tem uma ou outra situação bem ridícula e muitos clichés deste género, mas aqui aquilo que conta realmente é a história, que convenhamos, é um dos pontos mais altos do longa. Pois bem, imaginem duas adolescentes chamadas Sierra e Veronica. Enquanto que a segunda é a rapariga mais linda do colégio e da cidade, que é objecto de desejo da maioria dos rapazes e faz parte dos sonhos molhados de uns outros tantos; já a primeira é uma jovem obesa, pouco delicada e desajeitada, que sofre bullying na escola. As duas não têm quase nada em comum e odeiam-se mesmo, onde a situação chega ao ponto de Veronica exercer sobre Sierra, bullying e humilhações várias. Até ao dia em que, inesperadamente, estas duas lindas meninas tornam-se nas melhores amigas, tudo por causa de um rapaz, o gato mais bonito do colégio. Claro que foi esta premissa que aqui aparece sob a forma de super twist que me agradou totalmente e me fez adorar este filme e segui-lo durante quase duas horas. Shannon Purser é um doce de menina, uma das melhores pessoas que vocês alguma vez irão conhecer, esta actriz gordinha tem aqui a melhor prestação do longa. Mas não está sozinha, porque a linda Kristine Froseth divide o pódio de melhor interpretação do filme com ela. As duas são a alma do filme. E é uma delícia ver estas duas personagens contracenarem juntas, ver os opostos a darem-se bem e a se ajudarem mutuamente, outrora nutriam ódio uma pela outra, agora sentem uma grande amizade, melhor que certas irmãs. Apesar de ligeiramente inverossímil e feliz, o final até se tolera, devido à ternura das últimas cenas. Um filme que prova que todos merecem uma oportunidade e todos merecem ser felizes, apesar das diferenças. Outra das grandes surpresas deste ano.

Love, Simon

Nome do Filme : “Love, Simon”
Titulo Inglês : “Love, Simon”
Titulo Português : “Com Amor, Simon”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Greg Berlanti
Produção : Pouya Shahbazian/Marty Bowen/Wyck Godfrey/Isaac Klausner
Elenco : Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Logan Miller, Keiynan Lonsdale, Jorge Lendeborg Jr, Talitha Eliana Bateman, Tony Hale, Natasha Rothwell, Miles Heizer, Joey Pollari, Clark Moore, Drew Starkey, Mackenzie Lintz, Cassady McClincy, Terayle Hill.

História : Simon, um adolescente, tem uma vida feliz com uma família e amigos amorosos, mas ele é gay e opta por manter isso em segredo, até que um relacionamento virtual e anónimo o faz reavaliar essa decisão.

Comentário : É sempre bom vermos um filme super libertador que não condena as opções dos seus personagens e que termina bem. Sim, é o caso deste filme. E eu vou logo à coisa que mais me desagradou neste filme, que foi precisamente isso, ele termina bem de mais. Quando na realidade, são raros os casos em que as coisas terminam bem, isto falando na situação retratada aqui. As sociedades ainda são muito preconceituosas em relação à homossexualidade e embora isso esteja mais falado e discutido, ainda é tabu, essas pessoas ainda são alvo de bullying, discriminação e humilhações, e infelizmente que ainda é assim. Pois, independentemente de ser uma doença como dizem ou não, cada pessoa tem o direito a ser feliz, a ser como é, sem ser “condenada” por isso. Nesse aspecto, penso que este filme passa bem essas mensagens. Confesso ter ficado desiludido com a verdadeira identidade do “Blue”, mas feliz por saber que ele e o protagonista finalmente serão felizes. Jennifer Garner e Josh Duhamel não convencem enquanto pais que sabem ter um filho gay, a coisa podia ter sido elaborada de um outro jeito, mais natural. O Nick Robinson é o melhor acerto do filme, ele tem não só a melhor prestação do longa, como também abarca em si a sua personagem mais consistente. A Katherine Langford vai bem no papel da melhor amiga do personagem principal, a química entre os dois é outro dos grandes factores positivos da fita. O alívio cómico que aqui é o vice-director do colégio, não funciona, ele é ridículo e infantil. A Alexandra Shipp tem uma forte presença no ecrã, a miúda irradia energia e é bastante carismática. O Logan Miller teve no seu personagem, uma das grandes surpresas para mim, até não me importava que fosse ele o tal “Blue”. E a pequena Talitha Eliana Bateman (Annabelle : Creation), se Hollywood for seu amigo, terá um grande futuro pela frente. Embora não estando ao nível de excelentes filmes como “To All The Boys I've Loved Before” e “The Edge Of Seventeen”, “Love, Simon” é um grande filme. 

To All The Boys I've Loved Before

Nome do Filme : “To All The Boys I've Loved Before”
Titulo Inglês : “To All The Boys I've Loved Before”
Titulo Português : “A Todos os Rapazes que Amei”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Susan Johnson
Elenco : Lana Condor, Noah Centineo, Anna Cathcart, Janel Parrish, Madeleine Arthur, Emilija Baranac, Andrew Bachelor, Trezzo Mahoro, Israel Broussard, John Corbett.

História : Lara Jean escreve cartas secretas para todos os cinco rapazes que já amou. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando a vida da adolescente de cabeça para baixo.

Comentário : Meus amigos, cá está mais um dos grandes e melhores filmes deste ano, sim, este filme foi uma enorme surpresa para mim e tudo pela positiva. Adaptado de um livro de grande sucesso, o novo filme de Susan Johnson (Carrie Pilby) é bem melhor do que o seu primeiro registo e funciona muito bem enquanto fita sobre a adolescência, fugindo e bem a temas já muito batidos como o bullying e a decadência moral juvenil. Esta é uma história credível sobre uma rapariga de 16 anos que se vê confrontada com uma situação bem embaraçosa. E o que a realizadora não consegue a nível de um modo de imagem eficaz, obtém-no pelas mãos do seu excelente elenco. A Janel Parrish vai muito bem no papel da irmã mais velha, mesmo que vejamos e tenhamos pouco dela no meio do filme, essa sua ausência é-nos compensada nos últimos 20 minutos. A Anna Cathcart desempenha a irmã mais nova da protagonista, ela é uma miúda cheia de personalidade e, embora a “condenemos” pela sua atitude inicial, facilmente a perdoamos por um dos seus procedimentos finais, que será decisivo, além disso, eu gostei muito desta jovem actriz porque ela é muito parecida com alguém que me é muito próxima.

A Madeleine Arthur representa aqui a melhor amiga da protagonista e o faz muito bem, a sua personagem nunca parece falsa, para além de servir como um dos melhores apoios a Lara Jean. A Emilija Baranac vive a inimiga da personagem principal, ela convence nesse registo, mas o problema é que a realizadora guarda para ela uma pequena trama que podia ter resultado muito bem, mas infelizmente chega tarde demais. O Noah Centineo é um dos cinco apaixonados da nossa menina, aliás, é aquele que tem mais tempo de antena, o actor usou esse tempo muito bem, porque é o melhor personagem masculino do longa e a sua empatia com a actriz protagonista é palpável na maioria das cenas que contracenam juntos. O Israel Broussard vai bem, ele está aceitável, mas pedia-se mais do seu personagem, por momentos, ele parece um pouco forçado e disperso. O Trezzo Mahoro e o Andrew Bachelor estão ok, cada um à sua maneira, os dois possuem tempo suficiente com a principal. O John Corbett está perfeito no papel de pai solteiro ou viúvo, a sua química com as três meninas é excelente, e o filme reserva-lhe pelo menos dois momentos que mostram como um pai de verdade deve ser para a sua filha. Mas a grande estrela do filme chama-se Lana Condor, ela é o alicerce mais coeso desta construção, e é ela a contribuição mais forte para que tudo isto funcione. Ela convence totalmente enquanto rapariga de 16 anos e passa a 100% todas as emoções de uma. Por último, o cenário do quarto de Lara Jean, parece realmente o ambiente habitável de uma rapariga adolescente. Seguramente, um dos melhores filmes de 2018.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Beauty Mark

Nome do Filme : “Beauty Mark”
Titulo Inglês : “Beauty Mark”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Harris Doran
Produção : Harris Doran
Elenco : Auden Thornton, Catherine Curtin, Laura Bell Bundy, Madison Iseman, Jeff Kober, Deirdre Lovejoy, Ben Curtis, Paten Hughes, Bridget Berger, Wynn Reichert, Kristina Ives, Timothy Morton, Allie Spetalnick, Jon Arthur, Jameson Fowler.

História : Angie é uma jovem mãe solteira que vive na pobreza e tem ainda que sustentar a mãe que se recusa a trabalhar. Um dia, a vida complica para Angie, quando ela perde a casa e tem ainda que lidar com um trauma profundo do passado.

Comentário : Baseado em factos verídicos, este é um profundo drama humano que aborda temas como o abuso sexual de menores, o desemprego, a pobreza, a exploração sexual, o ganho de dinheiro fácil, o abafo de crimes cometidos por instituição, a falta de amor para com o outro, o machismo, entre outros. Devido a certos assuntos que o filme trabalha, este poderá não ser do agrado da maioria, possuindo até um ritmo lento e onde algumas coisas demoram para acontecer. Todo o elenco de secundários vai bem, mas o grande e merecido destaque vai para a jovem Auden Thornton, que além de ter a melhor prestação do longa, nos convence totalmente do drama que a sua personagem atravessa. Já para não falar da sua figura, existe qualquer coisa nela que me agrada bastante. Por outro lado, a personagem da mãe dela, representa os parasitas da sociedade. É praticamente impossível não sentirmos pena de Angie, a vida dela é um verdadeiro inferno. Apesar de uma ou outra atitude dela menos aceitável, nós compramos o seu drama e torcemos para que tudo resulte bem para o lado dela. Este filme devia ser alvo de debates.