domingo, 23 de setembro de 2018

Las Hijas de Abril

Nome do Filme : “Las Hijas de Abril”
Titulo Inglês : “April's Daughter”
Titulo Português : “As Filhas de Abril”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Michel Franco
Produção : Michel Franco/Lorenzo Vigas/Moises Zonana
Elenco : Emma Suárez, Ana Valeria Becerril, Joanna Larequi, Enrique Arrizon, Hernan Mendoza, Tony Dalton, Ivan Cortes, Mario Escalante, Maria Sandoval.

História : Valeria tem 17 anos, vive com a sua irmã, Clara, em Puerto Vallarta, no México, e está grávida. Dada a condição económica de ambas, apesar de não querer, Valeria tem de pedir ajuda a Abril, a sua mãe ausente. Prefere não revelar que está grávida, mas a irmã acaba por contar. Quando os pais do companheiro de Valeria, que também não sabem da futura criança, descobrem, tentam articular, juntamente com Abril, um plano para se desfazerem da bebé.

Comentário : Depois de ter visto este filme, passei a entender as suas fracas classificações nos sites da especialidade, apesar de ter gostado do filme, confesso que ele podia ter sido bem melhor, ou por outra, pensei que ele podia e devia ter sido algo muito diferente. Até certa altura, eu estava a gostar do desenrolar da trama, estava a ser contada uma história normal de uma adolescente grávida, cuja mãe não era muito a favor de tal, mas a partir do momento em que a criança nasce, as coisas tomam um rumo totalmente sem nexo e a coisa descamba totalmente. A Joanna Larequi desempenha a irmã mais velha de Valeria, a actriz faz bem o seu trabalho, mas infelizmente foi-lhe dado pouco material para trabalhar, eu gostaria de ter visto mais da sua personagem neste filme e não da sua mãe. Por falar na mãe das miúdas, bom, ela chama-se Abril e, deixem-me dizer que ela é uma nojenta, uma mulher cruel e desumana que não olha a meios para atingir os seus fins e a mim, até me custa a crer que hajam pessoas como ela neste mundo; embora Emma Suárez tenha feito um excelente trabalho nesse triste registo e é isso que importa. Por seu turno, a Ana Valeria Becerril acaba por ter na sua personagem, a verdadeira protagonista do longa e é para ela que desejamos que tudo de bom aconteça à sua personagem. Eu gostei imenso da interpretação desta jovem actriz, ela é a verdadeira estrela do filme. Já o actor que desempenha o pai da criança, bom, o seu personagem também é do mal, ele não presta para nada e devido a isso, nós estamos nitidamente a borrifar para o seu destino. Apesar do filme ter terminado bem, eu queria ter acabado o filme, vendo Valeria e a filha num patamar de segurança bem melhor do que aquele que fechou o longa, mas tudo bem. Penso que o realizador não se deve ter empenhado totalmente desta vez, e apesar do filme sofrer de muitos problemas, vale pela primeira meia hora. Pessoalmente, eu preferia ter visto um “La Hija de Valeria”, mas ok, a interpretação, a personagem e a presença de Ana Valeria Becerril já valem o filme inteiro. 

Searching

Nome do Filme : “Searching”
Titulo Inglês : “Searching”
Titulo Português : “Pesquisa Obsessiva”
Titulo Brasileiro : “Buscando... “
Ano : 2018
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Aneesh Chaganty
Produção : Sev Ohanian/Natalie Qasabian/Adam Sidman/Timur Bekmambetov
Elenco : John Cho, Michelle La, Sara Sohn, Alex Jayne Go, Megan Liu, Kya Dawn Lau, Joseph Lee, Debra Messing, Dominic Hoffman, Sylvia Minassian, Melissa Disney, Connor McRaith, Colin Woodell, Ashley Edner, Joseph John Schirle, Courtney Lauren Cummings, Kenneth Mosley, Briana McLean, Ben Pierce, Reed Buck, Franchesca Maia, Thomas Barbusca, Erica Jenkins, Julie Nathanson, Kristin Herold, Rasha Goel, Katie Rowe, Bryce Branagan, Roy Abramsohn, Johnno Wilson, Erin Henriques, Gage Biltoft, Steven Michael Eich, LaSaundra Gibson, John Macey, Shanyn Ellison.

História : Após uma adolescente desaparecer, seu pai David Kim, pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

Comentário : E se um dos filmes anteriores foi uma surpresa positiva para mim, este agora representou uma ainda maior. É bom inovar, mostrar novas formas de exercer cinema, novas formas de comunicação e o formato visto neste filme, embora não sendo inédito, explora ao máximo todas as potencialidades dele. Basicamente, é como se não houvesse camara oficial, já que tudo o que vemos nos é mostrado através de pequenas camaras, de telemóvel, de TV, de pequenos dispositivos, de imagens de arquivo, de vídeos caseiros, de camaras de vigilância, da própria tela do computador, enfim, de tudo o que actualmente é usado para captar imagens, menos da camara do realizador. O filme tem muitas mensagens : a internet pode ser prejudicial porque não sabemos quem está do outro lado, não conhecemos totalmente os nossos filhos nem aquilo que eles fazem, os nossos filhos nunca estão protegidos, ter acesso à internet é como se tivéssemos o mundo quase todo nas nossas mãos, uma pessoa desaparecida começa a ser famosa quando o caso é divulgado nas redes sociais e nos media, entre outras. Mas a principal mensagem a retirar deste filme é que a Internet pode ser usada para o mal, mas também pode ser utilizada para combater esse mal, para ajudar a descobrir as verdades e para exercer o bem.

O modo como o filme nos é apresentado também nos permite sentir o que aquele pai sente, permite-nos acompanhar e seguir todos os seus passos, todas as suas descobertas, enfim, vivermos todo o seu processo. Os primeiros cerca de dez minutos de filme são essenciais para percebermos tudo o resto. Existe uma cena em particular que dói imenso, só quem é pai, irá entender essa dor (essa cena está relacionada com a imagem em baixo...). John Cho carrega o filme todo nos ombros, ele é a grande estrela do longa, o seu desespero e o seu amor de pai transpiram vida, é tudo muito humano, muito realista. Vale frisar também que a montagem e a edição deste filme devem ter sido as tarefas mais complicadas deste realizador e olhem que isto não é trabalho de Hollywood. É um filme que nos deixa a pensar à cerca de imensa coisa, mas principalmente, que nos coloca a pensar na vida. Acredito que, depois de verem este filme, muita gente se questione se vale ou não a pena pormos filhos neste mundo. Existe muita gente má por esse mundo fora. Escolhi colocar também o titulo brasileiro porque é bem melhor do que o nosso. Até a banda sonora resulta, existe uma melodia que casa muito bem com os momentos mais ternos e dramáticos da narrativa. Vale também frisar a história, que é muito interessante e cheia de reviravoltas. O filme começa a levar-nos para um caminho, para nos segundos seguintes, nos atirar para um outro caminho totalmente diferente e isso acontece várias vezes, as coisas raramente são aquilo que parecem. A imagem que aparece retratada no poster representou a sequência mais perturbadora e tensa do filme inteiro, porque bastava um procedimento dele naquela altura, para solucionar tudo naquela noite e isso é muito inquietante, quem viu o filme entenderá perfeitamente o que quero dizer. É um excelente filme, aflitivo, importante, urgente, actual, verdadeiro, realista, tenso, cheio de sentimento e de reviravoltas, enfim, um dos melhores filmes de 2018, que possivelmente ou tristemente passará despercebido por cá.

What Will People Say

Nome do Filme : “Hva Vil Folk Si”
Titulo Inglês : “What Will People Say”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Iram Haq
Produção : Maria Ekerhovd
Elenco : Maria Mozhdah, Adil Hussain, Ekavali Khanna, Rohit Saraf, Ali Arfan, Sheeba Chaddha, Lalit Parimoo, Nokokure Dahl, Isak Lie Harr, Jannat Zubair Rahmani.

História : Uma adolescente paquistanesa é vítima das duras leis e tradições do seu povo.

Comentário : Estamos perante outro filme que aborda a questão da vida difícil que certas raparigas têm em alguns países, onde o facto de ser-se rapariga ou mulher, já é em si, um grande problema. E este filme trabalha muito bem essa componente. Claro que já existem muitos filmes que abordam estas questões, mas nunca é demais vermos e consumirmos mais sobre determinados assuntos, toda a nova informação é sempre bem vinda. Por vezes, eu me ponho a pensar sobre o que é que as raparigas e mulheres desses países, pensam à cerca do modo de vida e daquilo a que as sujeitam. E das duas uma : ou elas aceitam e acatam tudo aquilo sentindo que é mesmo assim; ou então sofrem bastante e são infelizes para o resto dos seus dias. E eu julgo que deve ser isto, ou uma destas realidades, ou as duas, ou mesmo uma mistura das duas. Eu gostei deste filme, ele tanto pode servir como um alerta de consciências, ou como uma forma de contar e mostrar aos ocidentais como funcionam as coisas nesses países, ou ainda como uma espécie de entrave a esses comportamentos, visto que são cada vez mais falados e evidenciados. Todo o elenco está bem neste filme, mas o destaque vai claramente para a jovem que desempenha a personagem principal, muito bem interpretada pela actriz Maria Mozhdah, eu gostei bastante do trabalho que ela fez aqui. Gostei também do personagem do pai dela, houve uma cena que mostra que alguns homens destes, no fundo, devem ter a perfeita consciência que o que fazem às mulheres é muito errado, mas que têm que o fazer, devido ao passado do seu povo, país e leis. Houve uma ou outra coisa que eu não entendi tão bem, mas está tudo bem, problemas, todos os filmes têm. Bom filme.

Sierra Burgess Is A Loser

Nome do Filme : “Sierra Burgess Is A Loser”
Titulo Inglês : “Sierra Burgess Is A Loser”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Ian Samuels
Produção : Molly Smith/Rachel Smith/Thad Luckinbill/Trent Luckinbill
Elenco : Shannon Purser, Kristine Froseth, Noah Centineo, RJ Cyler, Alice Lee, Giorgia Whigham, Loretta Devine, Lea Thompson, Alan Ruck, Mary Pat Gleason, Chrissy Metz, Elizabeth Tovey, Mariam Tovey, Matt Malloy, Geoff Stults, Shoniqua Shandai, Joey Bell, Mario Revolori, Cochise Zornoza, Joey Morgan, JT Neal, Wolfgang Novogratz, Brandon Thomas Lee.

História : Duas raparigas bem diferentes uma da outra que são inimigas no colégio, resolvem tornar-se nas melhores amigas por causa de um rapaz.

Comentário : Uns quantos pontos a cima de “Love, Simon”, esta nova produção da Netflix é mais uma que prova que a empresa sabe trabalhar bem com a temática adolescente e produz bons filmes sobre essa geração, ao contrário do que acontece com filmes de ficção-científica. Eu gostei bastante deste filme, claro que ele tem uma ou outra situação bem ridícula e muitos clichés deste género, mas aqui aquilo que conta realmente é a história, que convenhamos, é um dos pontos mais altos do longa. Pois bem, imaginem duas adolescentes chamadas Sierra e Veronica. Enquanto que a segunda é a rapariga mais linda do colégio e da cidade, que é objecto de desejo da maioria dos rapazes e faz parte dos sonhos molhados de uns outros tantos; já a primeira é uma jovem obesa, pouco delicada e desajeitada, que sofre bullying na escola. As duas não têm quase nada em comum e odeiam-se mesmo, onde a situação chega ao ponto de Veronica exercer sobre Sierra, bullying e humilhações várias. Até ao dia em que, inesperadamente, estas duas lindas meninas tornam-se nas melhores amigas, tudo por causa de um rapaz, o gato mais bonito do colégio. Claro que foi esta premissa que aqui aparece sob a forma de super twist que me agradou totalmente e me fez adorar este filme e segui-lo durante quase duas horas. Shannon Purser é um doce de menina, uma das melhores pessoas que vocês alguma vez irão conhecer, esta actriz gordinha tem aqui a melhor prestação do longa. Mas não está sozinha, porque a linda Kristine Froseth divide o pódio de melhor interpretação do filme com ela. As duas são a alma do filme. E é uma delícia ver estas duas personagens contracenarem juntas, ver os opostos a darem-se bem e a se ajudarem mutuamente, outrora nutriam ódio uma pela outra, agora sentem uma grande amizade, melhor que certas irmãs. Apesar de ligeiramente inverossímil e feliz, o final até se tolera, devido à ternura das últimas cenas. Um filme que prova que todos merecem uma oportunidade e todos merecem ser felizes, apesar das diferenças. Outra das grandes surpresas deste ano.

Love, Simon

Nome do Filme : “Love, Simon”
Titulo Inglês : “Love, Simon”
Titulo Português : “Com Amor, Simon”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Greg Berlanti
Produção : Pouya Shahbazian/Marty Bowen/Wyck Godfrey/Isaac Klausner
Elenco : Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Logan Miller, Keiynan Lonsdale, Jorge Lendeborg Jr, Talitha Eliana Bateman, Tony Hale, Natasha Rothwell, Miles Heizer, Joey Pollari, Clark Moore, Drew Starkey, Mackenzie Lintz, Cassady McClincy, Terayle Hill.

História : Simon, um adolescente, tem uma vida feliz com uma família e amigos amorosos, mas ele é gay e opta por manter isso em segredo, até que um relacionamento virtual e anónimo o faz reavaliar essa decisão.

Comentário : É sempre bom vermos um filme super libertador que não condena as opções dos seus personagens e que termina bem. Sim, é o caso deste filme. E eu vou logo à coisa que mais me desagradou neste filme, que foi precisamente isso, ele termina bem de mais. Quando na realidade, são raros os casos em que as coisas terminam bem, isto falando na situação retratada aqui. As sociedades ainda são muito preconceituosas em relação à homossexualidade e embora isso esteja mais falado e discutido, ainda é tabu, essas pessoas ainda são alvo de bullying, discriminação e humilhações, e infelizmente que ainda é assim. Pois, independentemente de ser uma doença como dizem ou não, cada pessoa tem o direito a ser feliz, a ser como é, sem ser “condenada” por isso. Nesse aspecto, penso que este filme passa bem essas mensagens. Confesso ter ficado desiludido com a verdadeira identidade do “Blue”, mas feliz por saber que ele e o protagonista finalmente serão felizes. Jennifer Garner e Josh Duhamel não convencem enquanto pais que sabem ter um filho gay, a coisa podia ter sido elaborada de um outro jeito, mais natural. O Nick Robinson é o melhor acerto do filme, ele tem não só a melhor prestação do longa, como também abarca em si a sua personagem mais consistente. A Katherine Langford vai bem no papel da melhor amiga do personagem principal, a química entre os dois é outro dos grandes factores positivos da fita. O alívio cómico que aqui é o vice-director do colégio, não funciona, ele é ridículo e infantil. A Alexandra Shipp tem uma forte presença no ecrã, a miúda irradia energia e é bastante carismática. O Logan Miller teve no seu personagem, uma das grandes surpresas para mim, até não me importava que fosse ele o tal “Blue”. E a pequena Talitha Eliana Bateman (Annabelle : Creation), se Hollywood for seu amigo, terá um grande futuro pela frente. Embora não estando ao nível de excelentes filmes como “To All The Boys I've Loved Before” e “The Edge Of Seventeen”, “Love, Simon” é um grande filme. 

To All The Boys I've Loved Before

Nome do Filme : “To All The Boys I've Loved Before”
Titulo Inglês : “To All The Boys I've Loved Before”
Titulo Português : “A Todos os Rapazes que Amei”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Susan Johnson
Elenco : Lana Condor, Noah Centineo, Anna Cathcart, Janel Parrish, Madeleine Arthur, Emilija Baranac, Andrew Bachelor, Trezzo Mahoro, Israel Broussard, John Corbett.

História : Lara Jean escreve cartas secretas para todos os cinco rapazes que já amou. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando a vida da adolescente de cabeça para baixo.

Comentário : Meus amigos, cá está mais um dos grandes e melhores filmes deste ano, sim, este filme foi uma enorme surpresa para mim e tudo pela positiva. Adaptado de um livro de grande sucesso, o novo filme de Susan Johnson (Carrie Pilby) é bem melhor do que o seu primeiro registo e funciona muito bem enquanto fita sobre a adolescência, fugindo e bem a temas já muito batidos como o bullying e a decadência moral juvenil. Esta é uma história credível sobre uma rapariga de 16 anos que se vê confrontada com uma situação bem embaraçosa. E o que a realizadora não consegue a nível de um modo de imagem eficaz, obtém-no pelas mãos do seu excelente elenco. A Janel Parrish vai muito bem no papel da irmã mais velha, mesmo que vejamos e tenhamos pouco dela no meio do filme, essa sua ausência é-nos compensada nos últimos 20 minutos. A Anna Cathcart desempenha a irmã mais nova da protagonista, ela é uma miúda cheia de personalidade e, embora a “condenemos” pela sua atitude inicial, facilmente a perdoamos por um dos seus procedimentos finais, que será decisivo, além disso, eu gostei muito desta jovem actriz porque ela é muito parecida com alguém que me é muito próxima.

A Madeleine Arthur representa aqui a melhor amiga da protagonista e o faz muito bem, a sua personagem nunca parece falsa, para além de servir como um dos melhores apoios a Lara Jean. A Emilija Baranac vive a inimiga da personagem principal, ela convence nesse registo, mas o problema é que a realizadora guarda para ela uma pequena trama que podia ter resultado muito bem, mas infelizmente chega tarde demais. O Noah Centineo é um dos cinco apaixonados da nossa menina, aliás, é aquele que tem mais tempo de antena, o actor usou esse tempo muito bem, porque é o melhor personagem masculino do longa e a sua empatia com a actriz protagonista é palpável na maioria das cenas que contracenam juntos. O Israel Broussard vai bem, ele está aceitável, mas pedia-se mais do seu personagem, por momentos, ele parece um pouco forçado e disperso. O Trezzo Mahoro e o Andrew Bachelor estão ok, cada um à sua maneira, os dois possuem tempo suficiente com a principal. O John Corbett está perfeito no papel de pai solteiro ou viúvo, a sua química com as três meninas é excelente, e o filme reserva-lhe pelo menos dois momentos que mostram como um pai de verdade deve ser para a sua filha. Mas a grande estrela do filme chama-se Lana Condor, ela é o alicerce mais coeso desta construção, e é ela a contribuição mais forte para que tudo isto funcione. Ela convence totalmente enquanto rapariga de 16 anos e passa a 100% todas as emoções de uma. Por último, o cenário do quarto de Lara Jean, parece realmente o ambiente habitável de uma rapariga adolescente. Seguramente, um dos melhores filmes de 2018.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Beauty Mark

Nome do Filme : “Beauty Mark”
Titulo Inglês : “Beauty Mark”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Harris Doran
Produção : Harris Doran
Elenco : Auden Thornton, Catherine Curtin, Laura Bell Bundy, Madison Iseman, Jeff Kober, Deirdre Lovejoy, Ben Curtis, Paten Hughes, Bridget Berger, Wynn Reichert, Kristina Ives, Timothy Morton, Allie Spetalnick, Jon Arthur, Jameson Fowler.

História : Angie é uma jovem mãe solteira que vive na pobreza e tem ainda que sustentar a mãe que se recusa a trabalhar. Um dia, a vida complica para Angie, quando ela perde a casa e tem ainda que lidar com um trauma profundo do passado.

Comentário : Baseado em factos verídicos, este é um profundo drama humano que aborda temas como o abuso sexual de menores, o desemprego, a pobreza, a exploração sexual, o ganho de dinheiro fácil, o abafo de crimes cometidos por instituição, a falta de amor para com o outro, o machismo, entre outros. Devido a certos assuntos que o filme trabalha, este poderá não ser do agrado da maioria, possuindo até um ritmo lento e onde algumas coisas demoram para acontecer. Todo o elenco de secundários vai bem, mas o grande e merecido destaque vai para a jovem Auden Thornton, que além de ter a melhor prestação do longa, nos convence totalmente do drama que a sua personagem atravessa. Já para não falar da sua figura, existe qualquer coisa nela que me agrada bastante. Por outro lado, a personagem da mãe dela, representa os parasitas da sociedade. É praticamente impossível não sentirmos pena de Angie, a vida dela é um verdadeiro inferno. Apesar de uma ou outra atitude dela menos aceitável, nós compramos o seu drama e torcemos para que tudo resulte bem para o lado dela. Este filme devia ser alvo de debates.

Pin Cushion

Nome do Filme : “Pin Cushion”
Titulo Inglês : “Pin Cushion”
Ano : 2017
Duração : 81 minutos
Género : Drama
Realização : Deborah Haywood
Produção : Maggie Monteith/Gavin Humphries
Elenco : Lily Newmark, Joanna Scanlan, Bethany Antonia, Sacha Cordy-Nice, Saskia Paige Martin, Loris Scarpa, Sophia Tuckey, John Henshaw, Lennon Bradley, Aury Wayne, Charlie Frances, Isy Suttie, Lee Jacob.

História : Iona é uma adolescente que acaba de se mudar para uma nova cidade, na companhia da mãe, uma senhora com perturbações mentais. Mas desde logo, a rapariga percebe que as coisas não são como deviam ser e passa logo a ser alvo de bullying por parte de duas colegas que não irão descansar enquanto não derem cabo dela.

Comentário : No fundo, é um filme muito triste que mostra a maldade do ser humano e, tratando-se de maldade praticada por raparigas, é ainda mais chocante. É um filme inglês, a miúda protagonista até é bonita e tem um cabelo lindo, pelo que a actriz que a interpreta consegue convencer daquilo que a sua personagem passa. Sim, Lily Newmark é muito expressiva e emotiva, nós conseguimos até sentir sofrimento, quando a sua Iona está a sofrer e acreditem, que a miúda farta-se de sofrer ao longo da fita. Keeley e Stacie são as colegas malvadas dela e as actrizes que as desempenham, cumprem esse papel na perfeição, elas chegam mesmo a transmitir raiva pelas suas atitudes. Não gostei da personagem da mãe da protagonista, achei-a bem irritante e enervante. Além disso, notei que não existe grande química entre esta mãe e esta filha. A realizadora faz um bom uso da cor, certos enquadramentos funcionam muito bem. Mas lá está, existem coisas aqui que simplesmente não encaixam e penso mesmo que podiam ter dado algumas explicações para certas atitudes de alguns personagens. Mas não dá para não termos pena de Iona, principalmente depois daquilo que lhe fazem perto do final do filme. Felizmente para Iona, Chelsea resolveu tornar-se na sua melhor amiga.

Taste Of Cherry

Nome do Filme : “Ta'm e Guilass”
Titulo Inglês : “Taste Of Cherry”
Titulo Português : “O Sabor da Cereja”
Ano : 1997
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Abbas Kiarostami
Produção : Abbas Kiarostami/Alain Depardieu
Elenco : Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Mir Hossein Noori, Ahmad Ansari.

História : Badii, é um homem de meia-idade que guia um “Range Rover” pelas ruas de Teerão em busca de um candidato para um trabalho invulgar. Badii planeia o seu suicídio e procura alguém que o possa enterrar.

Comentário : Este filme venceu a Palma de Ouro em Cannes, mas como eu desconheço todos os filmes que concorreram nessa altura, não posso dizer se foi ou não uma vitória justa. No entanto, posso dizer que gostei bastante deste filme, ainda que, tenha que confessar que esperava algo mais realista e dramático. Bem, eu resolvi trazer-vos hoje este filme ou o comentário a ele aqui, não só porque ele está a comemorar mais de vinte anos desde a sua produção, como também porque quero aqui frisar e assinalar a morte do seu realizador, que nos deixou em Julho de 2016, fazer deste comentário, uma espécie de homenagem. Abbas Kiarostami foi um bom realizador iraniano, ele não era apenas director de longas-metragens, ele juntava em si, muitas outras funções, como poeta, roteirista, produtor, fotógrafo e viajante, era um homem muito versátil e este foi considerado um dos seus melhores filmes. Pessoalmente, eu vi outros trabalhos seus, confesso que são filmes que não agradam à maioria, como é lógico, não é um tipo de cinema universal. E neste filme em especial, fala-se de política e de, entre outras coisas, do suicídio, de desistir da vida, enfim, esse tema bem complexo e que ainda é tabu em muitos outros países por esse mundo fora. Mas o realizador soube trabalhar bem esse tema, procedendo bem em não o tornar tão pesado. Eu gostei da forma como o filme se apresenta, como uma espécie de “road-movie”, gostei da prestação do actor principal, ele é bastante credível, e embora eu não tenha gostado muito de uma situação ou outra, o balanço final é bastante positivo, foi um filme que me agradou bastante, tem um ritmo lento que funciona. Seguramente, um dos grandes títulos de Abbas Kiarostami, para ver ou rever.

domingo, 9 de setembro de 2018

What Keeps You Alive

Nome do Filme : “What Keeps You Alive”
Titulo Inglês : “What Keeps You Alive”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Terror/Thriller/Crime
Realização : Colin Minihan
Produção : Colin Minihan/Chris Ball/Ben Knechtel/Kurtis David Harder
Elenco : Hannah Emily Anderson, Brittany Allen, Martha MacIsaac, Charlotte Lindsay Marron, Joey Klein.

História : O casal de lésbicas Jackie e Jules vem passar uns dias numa casa de campo, onde a primeira passou a sua infância e parte da adolescência. Elas vão celebrar um ano de convivência, e se divertir na natureza. Lá, elas encontram Sarah, com quem Jackie se dava na infância e adolescência, e ela, ao que parece, não está muito feliz em ver sua velha amiga. Depois de conversar com Sarah, Jules descobre os detalhes que ela não sabia sobre a vida passada da companheira.

Comentário : Podia muito bem ter sido mais um daqueles romances entre duas lésbicas, mas não é, trata-se antes de um pequeno filme de terror que estabelece ao longo da sua duração uma espécie de jogo de gato e rato. Penso que o filme podia ter resultado ainda melhor, não fosse a imortalidade de uma das personagens centrais, aliás, a cena ou o som que encerra a fita é um insulto a quem assistiu a esta produção. Não sou muito a favor quando o mau da fita vence, mas neste caso, não me importava que isso tivesse acontecido, porque a vilã aqui é bem consistente, a melhor personagem do longa. Ainda assim, achei o seu final muito poético e bonito. Um dos principais erros, foi que eu achei que tudo aconteceu depressa demais, de uma hora para a outra, Jackie passa de boa a má, o motivo apresentado pelo director não me convenceu totalmente. Ainda assim, Hannah Emily Anderson obteve uma excelente interpretação, eu gostei de a ver como vilã. Por seu turno, Brittany Allen vai bem no seu papel de vítima, ela cumpre realmente quase todos os objectivos propostos. Existem aqui cenas bem tensas, mas também há coisas que não fazem muito sentido. Nunca foi explicado porque motivo a vilã tinha uma obsessão pela barraca destruída do lago. Vale também frisar a fantástica química que as duas meninas possuem, as suas personagens funcionam bem graças a isso, seja como actrizes ou enquanto parceiras na história. Temos algumas cenas que são violentas, embora o filme pudesse ter mais gore e mais sangue, faltou aqui o factor choque. Existe uma sequência que envolve um lago e dois barcos a remos que está sensacional. Apesar de nos preocuparmos minimamente pelo destino destas poucas personagens, a única coisa que eu fiquei a lamentar foi o destino da pequena Jenny.

A Gentle Creature

Nome do Filme : “Krotkaya”
Titulo Inglês : “A Gentle Creature”
Titulo Português : “Uma Mulher Doce”
Ano : 2017
Duração : 143 minutos
Género : Drama
Realização : Sergey Loznitsa
Produção : Marianne Slot
Elenco : Vasilina Makovtseva, Valeriu Andriuta, Svetlana Kolesova, Liya Akhedzhakova, Boris Kamorzin, Sergey Russkin, Sergey Kolesov, Roza Khayrullina, Viktor Nemets, Sergey Fedorov, Nikolai Kolyada, Vadim Dubovsky, Alexander Zamuraev, Alisa Kravtsova, Konstantin Itunin, Anton Makushin, Marina Kleshcheva.

História : Numa pequena aldeia, uma mulher recebe uma encomenda que tinha enviado ao marido, actualmente a cumprir pena numa prisão russa. Perturbada com a devolução, decide deixar tudo para trás e ir até ao local onde ele se encontra para tentar perceber o que se terá passado. Enfrentando vários tipos de violência e humilhações que caracterizam as instituições de justiça daquele país, ela tenta uma estóica luta contra a injustiça.

Comentário : Fruto de uma co-produção entre vários países, “Uma Mulher Doce”, é um drama duro e cru que funciona como uma espécie de parábola satírica e caricatural política sobre a falta de humanidade do sistema judicial russo ou mesmo do povo desse país que age sem quaisquer escrúpulos morais ou éticos. Não é um filme fácil de assistir, sendo mesmo restrito a um determinado tipo de público. Esta é a história de uma mulher que passa um verdadeiro calvário nas mãos de um povo que não conhece, tudo apenas porque pretendia visitar o marido que se encontra preso numa das prisões do maior país do mundo. Em tirando a protagonista e uma das prostitutas, eu detestei todos os personagens deste filme. São incapazes de nos fazer sentir o que quer que seja em relação a eles. A actriz que vive a protagonista acaba assim por ter a melhor interpretação do longa e consegue facilmente toda a nossa empatia por ela. Perto do final, dá-se um twist e eu fiquei sem saber o que realmente aconteceu com ela. O filme é longo demais para aquilo que pretende contar, existem aqui longas sequências de pessoas a cantar que podiam facilmente ter sido eliminadas na pós-produção, porque não fazem falta nenhuma nem adiantam nada. Sinceramente, eu até nem achei esta história muito interessante, aqui, aquilo que importou para mim, foi seguir a dolorosa jornada da protagonista, torcer por ela e para que tudo dê certo na sua missão. Há inclusive uma sequência em que mostram como se faz a revisão das ofertas que os familiares enviam para os detidos, procedimentos esses que eu achei simplesmente ridículos. Às vezes, alguns filmes servem para mostrar como os homens são estúpidos ou maus, este é mais um desses registos. Gostei do filme, mas esperava outra coisa.

The Nun

Nome do Filme : “The Nun”
Titulo Inglês : “The Nun”
Titulo Português : “The Nun – A Freira”
Ano : 2018
Duração : 96 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller
Realização : Corin Hardy
Produção : James Wan
Elenco : Demian Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet, Bonnie Aarons, Ingrid Bisu, Charlotte Hope, Sandra Teles, August Maturo, Jack Falk, Lynnette Gaza, Ani Sava, Michael Smiley, Gabrielle Downey, David Horovitch, Tudor Munteanu, Lili Bordán, Scarlett Hicks, Izzie Coffey, Jared Morgan, Manuela Ciucur, Beatrice Peter, Ana Udroiu, Andreea Sovan, Dana Voicu, Andreea Moldovianu, Beatrice Rubica, Claudia Susanu, Mark Steger, Flynn Hayward, Lidiya Korotko.

História : Na Roménia de 1952, um padre e uma noviça foram enviados pelo Vaticano para investigar o suicídio de uma jovem freira que aconteceu num enorme convento daquele escuro país.

Comentário : Boa noite, meus caros cinéfilos. Eu gosto muito de filmes de terror e para mim, um bom filme de terror, tem que conseguir os seus objectivos principais : assustar e causar medo. E este “A Freira” não me assustou em momento algum e não me causou medo, pelo contrário, me fez rir em algumas cenas, e quando nos rimos em filmes de terror, então algo está muito errado. Eu gostei bastante dos dois filmes “The Conjuring” e achei o segundo “Annabelle” apenas razoável, sendo que acho que o primeiro filme da boneca demoníaca é mesmo o pior dos cinco filmes conhecidos até à data. Este “The Nun”, é ainda assim, um filme muito fraco, estando apenas alguns pontos a cima do primeiro filme de “Annabelle”. O filme “A Freira” é um filme que não assusta como eu já disse, ele nos dá sustos fáceis e forçados, abusa nos clichés do género, tem um argumento que é uma porcaria, as interpretações são pobres, algumas cenas estão mal montadas ou filmadas, tem humor a mais. Um filme de terror não é para ter humor, não é para ser devertido, sendo que o personagem alívio cómico, é mesmo o pior deste filme, ele é totalmente inútil e descartável. Só para vocês terem uma pequena noção, a freira que aparece naquela curta cena do segundo “Conjuring” é muito melhor do que a freira que aparece durante este filme inteiro. Com este filme, eles destruíram completamente a imagem da freira que nos tinha sido apresentada antes. E ao contrário do que se pensa, o filme não é baseado numa história real, o demónio Valak está mesmo registado, mas nunca foi uma freira. O que é baseado em factos reais, são os dois filmes “Conjuring”, existiu mesmo um casal de investigadores do paranormal que fazia aquilo que esses dois filmes mostram. Ainda sobre este “A Freira”, muita coisa foi mal explicada e faltou dar explicações e respostas a questões colocadas anteriormente. Há coisas que não fazem muito sentido. Como pontos positivos, temos uma excelente ambientação, uma boa fotografia, bons cenários ainda que mal trabalhados e uma soberba prestação a cargo de Taissa Farmiga. “A Freira” é já para mim, outra das grandes desilusões do ano.

Western

Nome do Filme : “Western”
Titulo Inglês : “Western”
Titulo Português : “Western”
Ano :2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Valeska Grisebach
Produção : Valeska Grisebach/Maren Ade/Janine Jackowski/J. D./Michel Merkt
Elenco : Meinhard Neumann, Reinhardt Wetrek, Syuleyman Alilov Letifov, Veneta Fragnova, Viara Borisova, Kevin Bashev, Aliosman Deliev, Momchil Sinanov, Robert Gawellek, Jens Klein, Waldemar Zang, Detlef Schaich, Sascha Diener, Enrico Mantei, Gulzet Zyulfov, Kostadin Kerenchev, Katerina Dermendzhieva, Ivanka Popova.

História : Um grupo de trabalhadores alemães chega a uma zona remota da Bulgária para construir uma central hidroeléctrica. Ali, a maioria deles adopta uma atitude de superioridade em relação aos habitantes locais, o que rapidamente os torna indesejados. A única expepção é Meinhard, um homem bem formado e tranquilo que, por isso mesmo, depressa começa a ser ostracizado pelos colegas. Com o tempo, Meinhard começa a fazer algumas amizades junto da população. Com eles, apesar das diferenças culturais e da barreira linguística, vai descobrir um sentimento de comunidade que nunca tinha experenciado na sua própria terra.

Comentário : De todos os povos da Europa, o alemão é o único que eu detesto, devido ao seu passado e à sua constante mania de superioridade. E este filme realizado por uma mulher fala também um pouco disso. Os tipos, onde chegam, acham-se os donos daquilo tudo, são até um pouco parecidos com os norte-americanos. O filme não só mostra um retrato fiel dos homens alemães, como também tece as dificuldades de quem chega a um país diferente para ganhar a vida e tem um caminho duro pela frente. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, sinceramente, não há assim muito a dizer e a falar sobre ele. A cena do chapéu no rio é apenas uma das provas que o povo alemão tem a mania de que é o melhor. Mas há mais. Veja-se, por exemplo, as constantes investidas e insistência de um dos alemães face a uma garota que nada quer com ele. A ação do filme decorre toda em meio campestre, e isso funciona como uma mais valia a favor do longa. As interpretações são boas, com destaque para o actor que desempenha o protagonista, eu gostei bastante do seu personagem. É também uma fita que fala das diferenças entre países, em que muitas vezes, as pessoas de ambos os lados não se entendem, mas que se houver um pequeno esforço de ambas as partes, possivelmente, as coisas acabam por correr bem. Confesso ainda que apanhei um pouco de seca com este filme, mas gostei dele, apesar do seu final ser mais insonso do que arroz sem sal.

Beauty And The Dogs

Nome do Filme : “Aala Kaf Ifrit”
Titulo Inglês : “Beauty And The Dogs”
Titulo Português : “A Bela e os Cães”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama/Thriller
Realização : Kaouther Ben Hania
Produção : Nadim Cheikhrouha/Habib Attia
Elenco : Mariam Al Ferjani, Ghanem Zrelli, Noomen Hamda.

História : Durante uma festa de adolescentes estudantes num bar da Tunísia, uma das jovens, de nome Mariam, ausenta-se para ir passear na praia com um jovem conhecido. Conforme esse passeio, a jovem é abordada por três polícias, acabando por ser brutalmente violada por dois deles e abandonada no areal. Contando apenas com a ajuda inútil do tal conhecido, Mariam encontra-se sozinha num mundo desumano, onde os homens ditam todas as regras.

Comentário : Baseado em várias histórias reais mas incidindo num caso em particular, esta é a história de Mariam que, por ser mulher num dos vários países onde as mulheres são vistas e tratadas como meros objectos sexuais e de utilidades várias, é vítima de uma violação e passa de vítima a criminosa, devido a todo o sistema criminoso machista de corrupção que vigora na Tunísia. Sim, existem países onde as mulheres não são minimamente respeitadas e eu aqui vou mais longe, países onde as mulheres simplesmente não possuem direitos. E sim, este é mais um filme que prova que a maioria dos homens não prestam. Foi um filme que me gerou muita raiva e muita revolta, é impressionante acompanharmos certas cenas deste filme sem nos enervarmos, afinal, nós queremos tomar partido da protagonista, protegê-la e nos vemos completamente impotentes face a tais barbaridades. Para um defensor das mulheres como eu sou, foi realmente muito duro assistir a este filme, mas é esta a dura realidade que temos e não é só nestes países atrasados, nos ditos países civilizados, a mulher ainda é olhada como ser inferior, infelizmente, quando na verdade, está provado que elas são superiores aos homens em quase tudo, menos na força bruta. A nível das interpretações, vou apenas falar da jovem Mariam Al Ferjani, que está brutal neste filme, se formos pessoas minimamente humanas, não é difícil ficarmos do lado dela. Em tirando os primeiros cerca de 15 minutos de filme, a miúda passa o filme inteiro em sofrimento. Adorei a última cena, que na verdade é uma longa e bonita sequência em que Mariam sai de uma sala onde estão três nojentos e percorre parte da delegacia até à rua, sempre com um enorme véu sobre as costas, como se de uma capa de super-heroína se tratasse, tudo muito simbólico. Um filme aflitivo e enervante, mas essencial.

domingo, 2 de setembro de 2018

Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht

Nome do Filme : “Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht”
Titulo Inglês : “Heimat – Home From Home : Chronicle Of A Vision”
Titulo Português : “Heimat – Crónica de Uma Nostalgia”
Ano : 2013
Duração : 230 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Edgar Reitz
Produção : Christian Reitz
Elenco : Jan Dieter Schneider, Philine Lembeck, Antonia Bill, Maximilian Scheidt, Marita Breuer, Rudiger Kriese, Melanie Fouche, Eva Zeidler, Barbara Philipp, Reinhard Paulus, Christoph Luser, Rainer Kuhn, Andreas Kulzer, Julia Prochnow, Kathy Becker, Dettmer Fischbeck, Klaus Meininger, Jan Peter Nowak, Konstantin Buchholz, Martin Schleimer, Zoé Wolf, Werner Klockner, Jurgen Thelen, Astrid Roth, Claudia Michel, Helma Hammen, Michaela Schmitt, Michaela Janser, Saskia Lampman, Iris Kossmann, Salome Kammer, Mara Pougin, Anna Lena Peitz, Michelle Roth, Alina Schmitt, Jasmin Schmitt, Emma Batz, Clara Batz, Sarah Bast.

História : Uma Alemanha fragilizada pelo rigor climatérico, pela escassez de alimentos e pelas investidas da Prússia. Assim, Jakob sonha com uma nova vida para si e para a sua família nesse país.

Comentário : Antes que tudo vou deixar-vos com uma curiosidade bem interessante sobre a história que me levou a ver este filme, que é excelente. Todas as semanas eu costumo ir à FNAC ver das novidades, nomeadamente em DVD. Numa dessas vezes, vi na loja um dos homens mais inteligentes e cultos do país, que comprou o DVD duplo deste filme. Intrigado com isso, comprei também o dito filme, mas guardei-o em casa e esqueci-o por anos. Hoje, resolvi vê-lo e, qual não é o meu espanto, é já um dos melhores filmes que vi na minha vida, sim, é verdade, quem diria. Este filme tem uma história muito boa e bonita, cheia de detalhes e está muito bem contada e mostrada. A fotografia é um dos pontos mais altos do filme, é linda e imaculada. O filme é-nos apresentado a preto e branco, apenas com alguns objectos a cores muito de vez em quando. A ação do filme decorre a partir de 1842, penso eu, onde a recriação de época e o guarda-roupa são perfeitos, nota-se claramente que foi tudo pensado ao detalhe. Não conhecia ninguém do vasto elenco e fiquei surpreendido com todos eles, excelentes interpretações. É um filme que fala da família, dos sentimentos e da vida no geral. A trama decorre toda no campo e as paisagens, apesar de terem sido filmadas a preto e branco, são belíssimas. Há portanto imagens muito bonitas aqui. A banda sonora é apenas razoável. Devido à sua duração, o filme foi apresentado e exibido em Portugal em duas partes, infelizmente, porque deve ter-se perdido muito da magia do mesmo. Vê-lo todo de seguida como eu fiz, é seguramente a melhor opção. Foi uma óptima sensação para mim, acompanhar a jornada de Jakob e da sua família de gente trabalhadora. Foi muito curioso ver como, no início do filme, o pai de Jakob tem dele uma má imagem e discute com ele sistematicamente, mas perto do filme acabar e depois de muita coisa acontecer pelo meio, a opinião daquele pai muda radicalmente e ele até confessa : “Jakob, tenho muito orgulho em ti, filho” - Brutal. Sem dúvidas, eu gostei de tudo neste filme, não tenho apontamentos negativos ao mesmo. Este filme foi uma das melhores experiências cinematográficas que já tive, isto é cinema.



sábado, 1 de setembro de 2018

Jupiter's Moon

Nome do Filme : “Jupiter Holdja”
Titulo Inglês : “Jupiter's Moon”
Titulo Português : “A Lua de Júpiter”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Kornél Mundruczó
Produção : Viola Fugen/Michel Merkt/Viktória Petrányi/Michael Weber
Elenco : Merab Ninidze, Zsombor Jeger, Gyorgy Cserhalmi, Mónika Balsai, Majd Asmi, Akos Birkas, Soma Boronkay, Peter Haumann, Sousa Haz, Barbara Hegedus, Katalin Homonnai, Kornelia Horvath, Alexandra Horvath, Zsombor Barna, Szabolcs Bede Fazekas, Matyas Bodor, Brigitta Egyed, Tamas Hirt, Rita Kerkay, Judit Meszlery, Eniko Mihalik, Vanessa Nagy, Veronika Nemes-Jeles, Hella Roszik, Imola Racz, Natasa Stork, Anna Sipos, Tamas Szabo Kimmel, Sandor Terhes, Anita Toth, Lajos Valazsik, David Yengibarian, Stella Abel, Éva Mundruczó.

História : Aryan Dashni é um jovem sírio que, para escapar às atrocidades da guerra do seu país, tenta passar a fronteira húngara. Ao ser descoberto por um guarda é baleado. Surpreendido, Aryan descobre que não morreu dos ferimentos e que adquiriu o poder de levitação. Colocado num campo para refugiados, o rapaz acaba por despertar o interesse do Dr. Gábor Stern, que pretende descobrir o segredo que lhe permite levitar. Fascinado com tudo aquilo e decidido a aproveitar-se do extraordinário dom de Aryan, o médico leva o jovem imigrante para Budapeste.

Comentário : Mais do que um filme sobre migração, este foi um dos filmes mais estranhos que vi até hoje. Trata-se de uma produção húngara e eu confesso que está muito bem conseguida. É assim, houve uma situação que eu não entendi muito bem e estava relacionada com as capacidades do protagonista e com um prédio que a dada altura ele visita, mas enfim. Nem tudo aquilo que os filmes mostram, tem que ser compreendido, certo. Eu diria que até faz parte da coisa, ficarmos na dúvida e na incerteza sobre alguns aspectos, trata-se da própria magia dos filmes em si. Voltando a ele, eu gostei da história, é invulgar, nunca nos é explicado porque motivo o jovem adquiriu aquela capacidade, aquele poder, aquele dom. Por um lado, eu gostei disso. Gostei bastante do personagem principal, ele é intrigante e ao mesmo tempo, simpático e humilde, ele não pretende tirar partido nem vantagens daquele estranho dom. Pelo contrário, o seu “amigo” médico já quer unicamente ganhar muito dinheiro às custas do jovem. Mas como esse médico se redime perto do final do longa, a gente perdoa-o. O que não se perdoa é claramente o outro personagem, aquele parasita que passa o filme todo a perseguir o nosso prodígio, que homem mais repugnante e asqueroso, sinceramente, se ele não estivesse no filme, falta nenhuma faria. Um erro foi o facto do filme não ter tido uma personagem feminina relevante, tem algumas mulheres sim, mas elas estão em papéis tão secundários que quase não damos por elas. Apesar de confuso no início, o filme acaba por se tornar bem interessante e a mim, conquistou-me. Mas vale frisar de que não é um filme para todos os públicos.

Le Divan de Staline

Nome do Filme : “Le Divan de Staline”
Titulo Inglês : “Stalin's Couch”
Titulo Português : “O Divã de Estaline”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : Fanny Ardant
Produção : Paulo Branco
Elenco : Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Paul Hamy, François Chattot, Tudor Istodor, Xavier Maly, Luna Picoli-Truffaut, Alexis Manenti, Miguel Monteiro, Lídia Franco, Philippe Leroux, Marta Barahona Abreu, João Cunha, Mónica Ferreira, Beolinda Gaspar, Carla Guilherme, Sérgio Marafona, Tiago Guimarães, Daniel Louro, Tiago Sarmento, Daniyil Ushakov, Joana de Verona.

História : Envelhecido e de saúde debilitada, Estaline – líder da União Soviética desde 1922 até à sua morte em 1953 – resolve seguir os conselhos médicos e recolhe-se num palácio isolado durante alguns dias. A sua amante de há várias décadas, acompanha-o nessa viagem.

Comentário : Esta é mais uma produção de Paulo Branco que significou nesse campo, mais uma surpresa para mim. Não admira que o homem não tenha dinheiro para fazer obras no Cinema Monumental, gasta-o em parte nestas produções. Mas, no meu caso, ainda bem que ele o faz, porque eu não gosto daquelas salas de cinema e a única coisa que me interessa são os filmes. Desconheço a verdadeira índole do senhor em questão, mas posso afirmar que ele é um bom produtor cinematográfico. Gostei bastante deste filme, o terceiro a cargo da realizadora Fanny Ardant, sendo ainda assim o seu primeiro registo, o melhor dos três. Emmanuelle Seigner e Paul Hamy estão muito bem aqui nos seus papéis e possuem uma boa química enquanto personagens, mas quem brilha verdadeiramente é o grande Gérard Depardieu, um dos meus actores preferidos, que é também um dos melhores profissionais na área da representação ainda em actividade. Apesar das nuvens negras que pairam sobre ele, Gérard Depardieu é e continuará a ser um verdadeiro senhor. Aqui, ele possui não só uma poderosa presença, como também a melhor prestação do longa. Temos ainda direito a curtas aparições a cargo da talentosa Joana de Verona e uma participação especial de Lídia Franco. O filme tem ainda bonitas locações de um grande jardim, que no caso, nos proporciona lindas imagens, já para não falar dos interiores, parece realmente uma mansão e objectos com mais de meio século.Vale realçar uma fantástica sequência que ocorre perto de uma espécie de piscina ou lago termal, cujas águas estão sempre a expelir vapor, foi filmada de forma magistral, acabando por nos facultar os melhores momentos do filme.

Jeunesse

Nome do Filme : “Jeunesse”
Titulo Inglês : “The Young One”
Titulo Português : “Juventude”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Julien Samani
Produção : Paulo Branco
Elenco : Kevin Azais, Samir Guesmi, Jean-François Stevenin, Lazare Minoungou, David Chour, Bastien Ughetto, Miguel Borges, António Simão, Paulino Monteiro, Michel Pincaro, Helder Silva, Victor Hugo, Camille Polet.

História : Um aspirante a marinheiro embarca na sua primeira grande viagem.

Comentário : Para uma produção de Paulo Branco, até que este filme não está mesmo nada mal. Pelo contrário, é uma boa obra, muito bem filmada e montada. Esta é a história de um jovem que, não tendo realmente nada para fazer e para ocupar o tempo, mete-se num navio de carga e convence o pessoal da embarcação que também quer fazer parte da tripulação e viajar pelo mundo, ajudando-os ao mesmo tempo em tudo o que eles precisarem. E o filme resulta bem precisamente por causa disso, por ser tudo muito espontâneo e realista. Parece mesmo que eles estão em alto mar. Podemos contar com cenas bem realistas e momentos de verdadeira tensão. Nesse sentido, temos o actor Kevin Azais no papel do protagonista, este jovem deu tanta autenticidade ao seu personagem, que convence na perfeição em relação ao pretendido. Zico parece mesmo um jovem sem eira nem beira, à mercê do destino, quantos Zicos não existirão por esse mundo fora. Também gostei imenso da prestação do veterano Jean-François Stevenin, embora do seu personagem nem tanto. E depois temos Samir Guesmi, aqui num registo bem louco, mas essencial dentro do contexto. O barco também pode ser considerado um dos personagens, visto que é nele que decorre grande parte da ação do longa. Sinceramente, um dos melhores filmes vistos ultimamente.

À Jamais

Nome do Filme : “À Jamais”
Titulo Inglês : “Never Ever”
Titulo Português : “Até Nunca”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Benoit Jacquot
Produção : Paulo Branco
Elenco : Mathieu Amalric, Julia Roy, Jeanne Balibar, Victoria Guerra, Elmano Sancho, José Neto, Hugo Pedro, Rui Morisson, Diogo Andrade.

História : Laura, uma artista performativa de 20 e poucos anos, envolve-se com Rey, um realizador de meia idade que ainda não esqueceu a ex-amante.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste pequeno filme, não só porque um dos personagens é interpretado pelo grande Mathieu Amalric, como também porque me deu a conhecer uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Além disso, a história é bem interessante. Basicamente, trata-se de uma história de amor bem peculiar. Tal como já disse, eu tenho Mathieu Amalric como um dos meus actores preferidos e o seu trabalho aqui, mais uma vez, é muito bom. Apesar de nunca se conhecer a verdadeira razão de uma das suas atitudes, o seu personagem é muito rico em conteúdo, ele nos transmite várias emoções, mesmo quando não fala. A sua presença em si, já tem o seu peso e significado. Por outro lado, temos a tal mulher linda, sim, estou a referir-me à jovem actriz Julia Roy. Esta rapariga não só é dona de uma beleza bem exótica e sensual, como também é responsável pela melhor prestação do longa. Além disso, ela e Amalric funcionam na perfeição, que casal. Jeanne Balibar está bem, mas no seu caso, lamenta-se que tenha aparecido muito pouco. Já a nossa Victoria Guerra, bom, aparece apenas em duas ou três cenas, a sua personagem em nada acrescenta ao produto final. O filme foi filmado em Lisboa, gostei dessa particularidade, é sempre bom vermos a nossa cidade mostrada lá fora. Vale ainda frisar que o rosto de Julia Roy surge às vezes, muito bem enquadrado no ecrã, parece quase um anjo. Existe uma sequência que envolve um telemóvel e um velório que é delirante. Temos também uma sequência que mostra uma masturbação dupla que é divinal. Mais de metade do filme decorre no interior de uma mansão, por instantes, pareceu-me ouvir o comboio numa das cenas, e porque se vê o mar, penso que a propriedade se deve situar entre Algés e Oeiras. Apesar de ter sido produzido por Paulo Branco, é seguramente um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que é uma verdadeira homenagem ao amor.

La Forêt de Quinconces

Nome do Filme : “La Forêt de Quinconces”
Titulo Inglês : “Fool Moon”
Titulo Português : “O Bosque dos Quincôncios”
Ano : 2016
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Grégoire Leprince-Ringuet
Produção : Paulo Branco
Elenco : Grégoire Leprince-Ringuet, Pauline Caupenne, Amandine Truffy, Marilyne Canto, Antoine Chappey, Thierry Hancisse, Heloise Godet, Caterina Barone.

História : Durante muito tempo, Ondine e Paul viveram uma intensa história de amor. Um dia, farta dos excessos dele e da sensação de impotência que constantemente sentia, Ondine decide terminar a relação. Paul, de coração partido, resolve que nunca mais amará ninguém e que se vingará de todas as mulheres que se cruzarem no seu caminho. Porém, quando chega a bela e enigmática Camille, vê-se novamente enredado no feitiço do amor. Mas a lembrança de Ondine teima em persegui-lo.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante cujo tema principal é basicamente o amor. Nele, acompanhamos a história de um homem que amou muito uma jovem e esta a ele, os dois praticamente fizeram-se adultos um ao outro, mas que devido a atitudes dele, os dois acabam por se separar. Infelizmente para ele, não demora muito até encontrar uma mulher que diz amá-lo de verdade, mas será que isso é verdade. O filme possui ideias muito boas, por exemplo, o feitiço que Camille lança a Paul, deixando-o praticamente a seus pés. De facto, devo confessar que Camille foi uma personagem que me causou excitação e desejo. Por outro lado, a personagem de Ondine, despertou-me o desejo de me aventurar com uma rapariga desconhecida. Aliás, as duas são bem bonitas e interessantes. No papel principal, Grégoire Leprince-Ringuet que além de interpretar o protagonista, é também o realizador da fita, teve uma prestação bem aceitável, dado o material que tinha em mãos. Ele passou-me a impressão de ser alguém desorientado ou mesmo perdido nas suas intenções. Por outro lado, Pauline Caupenne cumpriu aquilo que lhe foi proposto, a sua Camille funciona quase como sendo o objecto de desejo do protagonista, a sua fonte de perdição. Já a Amandine Truffy vai muito bem também, mas como par romantico do protagonista, ela é encantadora e nunca será esquecida por ele. É um filme apelativo e muito interessante, embora eu tenha detestado o seu final.

Les Beaux Jours d'Aranjuez

Nome do Filme : “Les Beaux Jours d'Aranjuez”
Titulo Inglês : “The Beautiful Days Of Aranjuez”
Titulo Português : “Os Belos Dias de Aranjuez”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Produção : Wim Wenders/Gian-Piero Ringel/Paulo Branco
Elenco : Reda Kateb, Sophie Semin, Jens Harzer, Peter Handke, Nick Cave.

História : No norte da França, um escritor começa a fazer esboços para o seu próximo livro e desenvolve, como ponto de partida, um diálogo entre um homem e uma mulher, que se encontram num enorme jardim. Eles discutem, entre outras coisas, questões como sexualidade, amor, infância, juventude e também suas memórias e a vida em si.

Comentário : Perto do final deste filme, um dos personagens diz o seguinte : “Estivemos aqui para nada”, e no fundo penso mesmo que o longa se resume a essa frase. Este é talvez o pior filme do grande e conceituado Wim Wenders. Detentor de longos diálogos poéticos, o filme de certo não irá agradar à maioria, daí as péssimas classificações nos sites da especialidade. Pessoalmente e penso não estar a exagerar, por vezes, as conversas entre o casal protagonista, parecem conversas de malucos. Parecem conversas sem sentido, por vezes cheias de exageros e outras vezes soam a falas de cariz quase infantil. Apesar de eu gostar bastante de filmes com ritmo lento, no caso deste, não gostei nada, tornou ainda mais ridícula toda aquela situação. O personagem do escritor não parece real, quase sem qualquer tipo de expressão, é todo muito artificial e ridículo. O cenário não altera muito e se isso resulta em algumas fitas, no caso desta, em nada abonou a favor da mesma. Enfim, foi uma verdadeira seca para mim assistir a este filme, e vindo de um director como Wim Wenders, muito me surpreendeu. Mas existem alguns aspectos positivos. Por exemplo, as interpretações de Reda Kateb e de Sophie Semin, apesar dos seus personagens “não dizerem pão” na maior parte dos seus diálogos, estão bastante aceitáveis para o material que tinham em mãos, ou seja, no guião. Por último, temos um bonito cenário, apesar de repetitivo e também podemos contar com três boas músicas no decorrer do filme. Visto que os seus mais recentes filmes também não são grande coisa e se os aliarmos a este, então eu recomendo a Wim Wenders que se reforme. Ainda assim, continua a ser um dos meus realizadores preferidos. Mas como o filme é baseado numa peça de um autor importante, se calhar, o ignorante aqui sou eu...