quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Pin Cushion

Nome do Filme : “Pin Cushion”
Titulo Inglês : “Pin Cushion”
Ano : 2017
Duração : 81 minutos
Género : Drama
Realização : Deborah Haywood
Produção : Maggie Monteith/Gavin Humphries
Elenco : Lily Newmark, Joanna Scanlan, Bethany Antonia, Sacha Cordy-Nice, Saskia Paige Martin, Loris Scarpa, Sophia Tuckey, John Henshaw, Lennon Bradley, Aury Wayne, Charlie Frances, Isy Suttie, Lee Jacob.

História : Iona é uma adolescente que acaba de se mudar para uma nova cidade, na companhia da mãe, uma senhora com perturbações mentais. Mas desde logo, a rapariga percebe que as coisas não são como deviam ser e passa logo a ser alvo de bullying por parte de duas colegas que não irão descansar enquanto não derem cabo dela.

Comentário : No fundo, é um filme muito triste que mostra a maldade do ser humano e, tratando-se de maldade praticada por raparigas, é ainda mais chocante. É um filme inglês, a miúda protagonista até é bonita e tem um cabelo lindo, pelo que a actriz que a interpreta consegue convencer daquilo que a sua personagem passa. Sim, Lily Newmark é muito expressiva e emotiva, nós conseguimos até sentir sofrimento, quando a sua Iona está a sofrer e acreditem, que a miúda farta-se de sofrer ao longo da fita. Keeley e Stacie são as colegas malvadas dela e as actrizes que as desempenham, cumprem esse papel na perfeição, elas chegam mesmo a transmitir raiva pelas suas atitudes. Não gostei da personagem da mãe da protagonista, achei-a bem irritante e enervante. Além disso, notei que não existe grande química entre esta mãe e esta filha. A realizadora faz um bom uso da cor, certos enquadramentos funcionam muito bem. Mas lá está, existem coisas aqui que simplesmente não encaixam e penso mesmo que podiam ter dado algumas explicações para certas atitudes de alguns personagens. Mas não dá para não termos pena de Iona, principalmente depois daquilo que lhe fazem perto do final do filme. Felizmente para Iona, Chelsea resolveu tornar-se na sua melhor amiga.

Taste Of Cherry

Nome do Filme : “Ta'm e Guilass”
Titulo Inglês : “Taste Of Cherry”
Titulo Português : “O Sabor da Cereja”
Ano : 1997
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Abbas Kiarostami
Produção : Abbas Kiarostami/Alain Depardieu
Elenco : Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Mir Hossein Noori, Ahmad Ansari.

História : Badii, é um homem de meia-idade que guia um “Range Rover” pelas ruas de Teerão em busca de um candidato para um trabalho invulgar. Badii planeia o seu suicídio e procura alguém que o possa enterrar.

Comentário : Este filme venceu a Palma de Ouro em Cannes, mas como eu desconheço todos os filmes que concorreram nessa altura, não posso dizer se foi ou não uma vitória justa. No entanto, posso dizer que gostei bastante deste filme, ainda que, tenha que confessar que esperava algo mais realista e dramático. Bem, eu resolvi trazer-vos hoje este filme ou o comentário a ele aqui, não só porque ele está a comemorar mais de vinte anos desde a sua produção, como também porque quero aqui frisar e assinalar a morte do seu realizador, que nos deixou em Julho de 2016, fazer deste comentário, uma espécie de homenagem. Abbas Kiarostami foi um bom realizador iraniano, ele não era apenas director de longas-metragens, ele juntava em si, muitas outras funções, como poeta, roteirista, produtor, fotógrafo e viajante, era um homem muito versátil e este foi considerado um dos seus melhores filmes. Pessoalmente, eu vi outros trabalhos seus, confesso que são filmes que não agradam à maioria, como é lógico, não é um tipo de cinema universal. E neste filme em especial, fala-se de política e de, entre outras coisas, do suicídio, de desistir da vida, enfim, esse tema bem complexo e que ainda é tabu em muitos outros países por esse mundo fora. Mas o realizador soube trabalhar bem esse tema, procedendo bem em não o tornar tão pesado. Eu gostei da forma como o filme se apresenta, como uma espécie de “road-movie”, gostei da prestação do actor principal, ele é bastante credível, e embora eu não tenha gostado muito de uma situação ou outra, o balanço final é bastante positivo, foi um filme que me agradou bastante, tem um ritmo lento que funciona. Seguramente, um dos grandes títulos de Abbas Kiarostami, para ver ou rever.

domingo, 9 de setembro de 2018

What Keeps You Alive

Nome do Filme : “What Keeps You Alive”
Titulo Inglês : “What Keeps You Alive”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Terror/Thriller/Crime
Realização : Colin Minihan
Produção : Colin Minihan/Chris Ball/Ben Knechtel/Kurtis David Harder
Elenco : Hannah Emily Anderson, Brittany Allen, Martha MacIsaac, Charlotte Lindsay Marron, Joey Klein.

História : O casal de lésbicas Jackie e Jules vem passar uns dias numa casa de campo, onde a primeira passou a sua infância e parte da adolescência. Elas vão celebrar um ano de convivência, e se divertir na natureza. Lá, elas encontram Sarah, com quem Jackie se dava na infância e adolescência, e ela, ao que parece, não está muito feliz em ver sua velha amiga. Depois de conversar com Sarah, Jules descobre os detalhes que ela não sabia sobre a vida passada da companheira.

Comentário : Podia muito bem ter sido mais um daqueles romances entre duas lésbicas, mas não é, trata-se antes de um pequeno filme de terror que estabelece ao longo da sua duração uma espécie de jogo de gato e rato. Penso que o filme podia ter resultado ainda melhor, não fosse a imortalidade de uma das personagens centrais, aliás, a cena ou o som que encerra a fita é um insulto a quem assistiu a esta produção. Não sou muito a favor quando o mau da fita vence, mas neste caso, não me importava que isso tivesse acontecido, porque a vilã aqui é bem consistente, a melhor personagem do longa. Ainda assim, achei o seu final muito poético e bonito. Um dos principais erros, foi que eu achei que tudo aconteceu depressa demais, de uma hora para a outra, Jackie passa de boa a má, o motivo apresentado pelo director não me convenceu totalmente. Ainda assim, Hannah Emily Anderson obteve uma excelente interpretação, eu gostei de a ver como vilã. Por seu turno, Brittany Allen vai bem no seu papel de vítima, ela cumpre realmente quase todos os objectivos propostos. Existem aqui cenas bem tensas, mas também há coisas que não fazem muito sentido. Nunca foi explicado porque motivo a vilã tinha uma obsessão pela barraca destruída do lago. Vale também frisar a fantástica química que as duas meninas possuem, as suas personagens funcionam bem graças a isso, seja como actrizes ou enquanto parceiras na história. Temos algumas cenas que são violentas, embora o filme pudesse ter mais gore e mais sangue, faltou aqui o factor choque. Existe uma sequência que envolve um lago e dois barcos a remos que está sensacional. Apesar de nos preocuparmos minimamente pelo destino destas poucas personagens, a única coisa que eu fiquei a lamentar foi o destino da pequena Jenny.

A Gentle Creature

Nome do Filme : “Krotkaya”
Titulo Inglês : “A Gentle Creature”
Titulo Português : “Uma Mulher Doce”
Ano : 2017
Duração : 143 minutos
Género : Drama
Realização : Sergey Loznitsa
Produção : Marianne Slot
Elenco : Vasilina Makovtseva, Valeriu Andriuta, Svetlana Kolesova, Liya Akhedzhakova, Boris Kamorzin, Sergey Russkin, Sergey Kolesov, Roza Khayrullina, Viktor Nemets, Sergey Fedorov, Nikolai Kolyada, Vadim Dubovsky, Alexander Zamuraev, Alisa Kravtsova, Konstantin Itunin, Anton Makushin, Marina Kleshcheva.

História : Numa pequena aldeia, uma mulher recebe uma encomenda que tinha enviado ao marido, actualmente a cumprir pena numa prisão russa. Perturbada com a devolução, decide deixar tudo para trás e ir até ao local onde ele se encontra para tentar perceber o que se terá passado. Enfrentando vários tipos de violência e humilhações que caracterizam as instituições de justiça daquele país, ela tenta uma estóica luta contra a injustiça.

Comentário : Fruto de uma co-produção entre vários países, “Uma Mulher Doce”, é um drama duro e cru que funciona como uma espécie de parábola satírica e caricatural política sobre a falta de humanidade do sistema judicial russo ou mesmo do povo desse país que age sem quaisquer escrúpulos morais ou éticos. Não é um filme fácil de assistir, sendo mesmo restrito a um determinado tipo de público. Esta é a história de uma mulher que passa um verdadeiro calvário nas mãos de um povo que não conhece, tudo apenas porque pretendia visitar o marido que se encontra preso numa das prisões do maior país do mundo. Em tirando a protagonista e uma das prostitutas, eu detestei todos os personagens deste filme. São incapazes de nos fazer sentir o que quer que seja em relação a eles. A actriz que vive a protagonista acaba assim por ter a melhor interpretação do longa e consegue facilmente toda a nossa empatia por ela. Perto do final, dá-se um twist e eu fiquei sem saber o que realmente aconteceu com ela. O filme é longo demais para aquilo que pretende contar, existem aqui longas sequências de pessoas a cantar que podiam facilmente ter sido eliminadas na pós-produção, porque não fazem falta nenhuma nem adiantam nada. Sinceramente, eu até nem achei esta história muito interessante, aqui, aquilo que importou para mim, foi seguir a dolorosa jornada da protagonista, torcer por ela e para que tudo dê certo na sua missão. Há inclusive uma sequência em que mostram como se faz a revisão das ofertas que os familiares enviam para os detidos, procedimentos esses que eu achei simplesmente ridículos. Às vezes, alguns filmes servem para mostrar como os homens são estúpidos ou maus, este é mais um desses registos. Gostei do filme, mas esperava outra coisa.

The Nun

Nome do Filme : “The Nun”
Titulo Inglês : “The Nun”
Titulo Português : “The Nun – A Freira”
Ano : 2018
Duração : 96 minutos
Género : Terror/Mystery/Thriller
Realização : Corin Hardy
Produção : James Wan
Elenco : Demian Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet, Bonnie Aarons, Ingrid Bisu, Charlotte Hope, Sandra Teles, August Maturo, Jack Falk, Lynnette Gaza, Ani Sava, Michael Smiley, Gabrielle Downey, David Horovitch, Tudor Munteanu, Lili Bordán, Scarlett Hicks, Izzie Coffey, Jared Morgan, Manuela Ciucur, Beatrice Peter, Ana Udroiu, Andreea Sovan, Dana Voicu, Andreea Moldovianu, Beatrice Rubica, Claudia Susanu, Mark Steger, Flynn Hayward, Lidiya Korotko.

História : Na Roménia de 1952, um padre e uma noviça foram enviados pelo Vaticano para investigar o suicídio de uma jovem freira que aconteceu num enorme convento daquele escuro país.

Comentário : Boa noite, meus caros cinéfilos. Eu gosto muito de filmes de terror e para mim, um bom filme de terror, tem que conseguir os seus objectivos principais : assustar e causar medo. E este “A Freira” não me assustou em momento algum e não me causou medo, pelo contrário, me fez rir em algumas cenas, e quando nos rimos em filmes de terror, então algo está muito errado. Eu gostei bastante dos dois filmes “The Conjuring” e achei o segundo “Annabelle” apenas razoável, sendo que acho que o primeiro filme da boneca demoníaca é mesmo o pior dos cinco filmes conhecidos até à data. Este “The Nun”, é ainda assim, um filme muito fraco, estando apenas alguns pontos a cima do primeiro filme de “Annabelle”. O filme “A Freira” é um filme que não assusta como eu já disse, ele nos dá sustos fáceis e forçados, abusa nos clichés do género, tem um argumento que é uma porcaria, as interpretações são pobres, algumas cenas estão mal montadas ou filmadas, tem humor a mais. Um filme de terror não é para ter humor, não é para ser devertido, sendo que o personagem alívio cómico, é mesmo o pior deste filme, ele é totalmente inútil e descartável. Só para vocês terem uma pequena noção, a freira que aparece naquela curta cena do segundo “Conjuring” é muito melhor do que a freira que aparece durante este filme inteiro. Com este filme, eles destruíram completamente a imagem da freira que nos tinha sido apresentada antes. E ao contrário do que se pensa, o filme não é baseado numa história real, o demónio Valak está mesmo registado, mas nunca foi uma freira. O que é baseado em factos reais, são os dois filmes “Conjuring”, existiu mesmo um casal de investigadores do paranormal que fazia aquilo que esses dois filmes mostram. Ainda sobre este “A Freira”, muita coisa foi mal explicada e faltou dar explicações e respostas a questões colocadas anteriormente. Há coisas que não fazem muito sentido. Como pontos positivos, temos uma excelente ambientação, uma boa fotografia, bons cenários ainda que mal trabalhados e uma soberba prestação a cargo de Taissa Farmiga. “A Freira” é já para mim, outra das grandes desilusões do ano.

Western

Nome do Filme : “Western”
Titulo Inglês : “Western”
Titulo Português : “Western”
Ano :2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Valeska Grisebach
Produção : Valeska Grisebach/Maren Ade/Janine Jackowski/J. D./Michel Merkt
Elenco : Meinhard Neumann, Reinhardt Wetrek, Syuleyman Alilov Letifov, Veneta Fragnova, Viara Borisova, Kevin Bashev, Aliosman Deliev, Momchil Sinanov, Robert Gawellek, Jens Klein, Waldemar Zang, Detlef Schaich, Sascha Diener, Enrico Mantei, Gulzet Zyulfov, Kostadin Kerenchev, Katerina Dermendzhieva, Ivanka Popova.

História : Um grupo de trabalhadores alemães chega a uma zona remota da Bulgária para construir uma central hidroeléctrica. Ali, a maioria deles adopta uma atitude de superioridade em relação aos habitantes locais, o que rapidamente os torna indesejados. A única expepção é Meinhard, um homem bem formado e tranquilo que, por isso mesmo, depressa começa a ser ostracizado pelos colegas. Com o tempo, Meinhard começa a fazer algumas amizades junto da população. Com eles, apesar das diferenças culturais e da barreira linguística, vai descobrir um sentimento de comunidade que nunca tinha experenciado na sua própria terra.

Comentário : De todos os povos da Europa, o alemão é o único que eu detesto, devido ao seu passado e à sua constante mania de superioridade. E este filme realizado por uma mulher fala também um pouco disso. Os tipos, onde chegam, acham-se os donos daquilo tudo, são até um pouco parecidos com os norte-americanos. O filme não só mostra um retrato fiel dos homens alemães, como também tece as dificuldades de quem chega a um país diferente para ganhar a vida e tem um caminho duro pela frente. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, sinceramente, não há assim muito a dizer e a falar sobre ele. A cena do chapéu no rio é apenas uma das provas que o povo alemão tem a mania de que é o melhor. Mas há mais. Veja-se, por exemplo, as constantes investidas e insistência de um dos alemães face a uma garota que nada quer com ele. A ação do filme decorre toda em meio campestre, e isso funciona como uma mais valia a favor do longa. As interpretações são boas, com destaque para o actor que desempenha o protagonista, eu gostei bastante do seu personagem. É também uma fita que fala das diferenças entre países, em que muitas vezes, as pessoas de ambos os lados não se entendem, mas que se houver um pequeno esforço de ambas as partes, possivelmente, as coisas acabam por correr bem. Confesso ainda que apanhei um pouco de seca com este filme, mas gostei dele, apesar do seu final ser mais insonso do que arroz sem sal.

Beauty And The Dogs

Nome do Filme : “Aala Kaf Ifrit”
Titulo Inglês : “Beauty And The Dogs”
Titulo Português : “A Bela e os Cães”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama/Thriller
Realização : Kaouther Ben Hania
Produção : Nadim Cheikhrouha/Habib Attia
Elenco : Mariam Al Ferjani, Ghanem Zrelli, Noomen Hamda.

História : Durante uma festa de adolescentes estudantes num bar da Tunísia, uma das jovens, de nome Mariam, ausenta-se para ir passear na praia com um jovem conhecido. Conforme esse passeio, a jovem é abordada por três polícias, acabando por ser brutalmente violada por dois deles e abandonada no areal. Contando apenas com a ajuda inútil do tal conhecido, Mariam encontra-se sozinha num mundo desumano, onde os homens ditam todas as regras.

Comentário : Baseado em várias histórias reais mas incidindo num caso em particular, esta é a história de Mariam que, por ser mulher num dos vários países onde as mulheres são vistas e tratadas como meros objectos sexuais e de utilidades várias, é vítima de uma violação e passa de vítima a criminosa, devido a todo o sistema criminoso machista de corrupção que vigora na Tunísia. Sim, existem países onde as mulheres não são minimamente respeitadas e eu aqui vou mais longe, países onde as mulheres simplesmente não possuem direitos. E sim, este é mais um filme que prova que a maioria dos homens não prestam. Foi um filme que me gerou muita raiva e muita revolta, é impressionante acompanharmos certas cenas deste filme sem nos enervarmos, afinal, nós queremos tomar partido da protagonista, protegê-la e nos vemos completamente impotentes face a tais barbaridades. Para um defensor das mulheres como eu sou, foi realmente muito duro assistir a este filme, mas é esta a dura realidade que temos e não é só nestes países atrasados, nos ditos países civilizados, a mulher ainda é olhada como ser inferior, infelizmente, quando na verdade, está provado que elas são superiores aos homens em quase tudo, menos na força bruta. A nível das interpretações, vou apenas falar da jovem Mariam Al Ferjani, que está brutal neste filme, se formos pessoas minimamente humanas, não é difícil ficarmos do lado dela. Em tirando os primeiros cerca de 15 minutos de filme, a miúda passa o filme inteiro em sofrimento. Adorei a última cena, que na verdade é uma longa e bonita sequência em que Mariam sai de uma sala onde estão três nojentos e percorre parte da delegacia até à rua, sempre com um enorme véu sobre as costas, como se de uma capa de super-heroína se tratasse, tudo muito simbólico. Um filme aflitivo e enervante, mas essencial.

domingo, 2 de setembro de 2018

Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht

Nome do Filme : “Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht”
Titulo Inglês : “Heimat – Home From Home : Chronicle Of A Vision”
Titulo Português : “Heimat – Crónica de Uma Nostalgia”
Ano : 2013
Duração : 230 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Edgar Reitz
Produção : Christian Reitz
Elenco : Jan Dieter Schneider, Philine Lembeck, Antonia Bill, Maximilian Scheidt, Marita Breuer, Rudiger Kriese, Melanie Fouche, Eva Zeidler, Barbara Philipp, Reinhard Paulus, Christoph Luser, Rainer Kuhn, Andreas Kulzer, Julia Prochnow, Kathy Becker, Dettmer Fischbeck, Klaus Meininger, Jan Peter Nowak, Konstantin Buchholz, Martin Schleimer, Zoé Wolf, Werner Klockner, Jurgen Thelen, Astrid Roth, Claudia Michel, Helma Hammen, Michaela Schmitt, Michaela Janser, Saskia Lampman, Iris Kossmann, Salome Kammer, Mara Pougin, Anna Lena Peitz, Michelle Roth, Alina Schmitt, Jasmin Schmitt, Emma Batz, Clara Batz, Sarah Bast.

História : Uma Alemanha fragilizada pelo rigor climatérico, pela escassez de alimentos e pelas investidas da Prússia. Assim, Jakob sonha com uma nova vida para si e para a sua família nesse país.

Comentário : Antes que tudo vou deixar-vos com uma curiosidade bem interessante sobre a história que me levou a ver este filme, que é excelente. Todas as semanas eu costumo ir à FNAC ver das novidades, nomeadamente em DVD. Numa dessas vezes, vi na loja um dos homens mais inteligentes e cultos do país, que comprou o DVD duplo deste filme. Intrigado com isso, comprei também o dito filme, mas guardei-o em casa e esqueci-o por anos. Hoje, resolvi vê-lo e, qual não é o meu espanto, é já um dos melhores filmes que vi na minha vida, sim, é verdade, quem diria. Este filme tem uma história muito boa e bonita, cheia de detalhes e está muito bem contada e mostrada. A fotografia é um dos pontos mais altos do filme, é linda e imaculada. O filme é-nos apresentado a preto e branco, apenas com alguns objectos a cores muito de vez em quando. A ação do filme decorre a partir de 1842, penso eu, onde a recriação de época e o guarda-roupa são perfeitos, nota-se claramente que foi tudo pensado ao detalhe. Não conhecia ninguém do vasto elenco e fiquei surpreendido com todos eles, excelentes interpretações. É um filme que fala da família, dos sentimentos e da vida no geral. A trama decorre toda no campo e as paisagens, apesar de terem sido filmadas a preto e branco, são belíssimas. Há portanto imagens muito bonitas aqui. A banda sonora é apenas razoável. Devido à sua duração, o filme foi apresentado e exibido em Portugal em duas partes, infelizmente, porque deve ter-se perdido muito da magia do mesmo. Vê-lo todo de seguida como eu fiz, é seguramente a melhor opção. Foi uma óptima sensação para mim, acompanhar a jornada de Jakob e da sua família de gente trabalhadora. Foi muito curioso ver como, no início do filme, o pai de Jakob tem dele uma má imagem e discute com ele sistematicamente, mas perto do filme acabar e depois de muita coisa acontecer pelo meio, a opinião daquele pai muda radicalmente e ele até confessa : “Jakob, tenho muito orgulho em ti, filho” - Brutal. Sem dúvidas, eu gostei de tudo neste filme, não tenho apontamentos negativos ao mesmo. Este filme foi uma das melhores experiências cinematográficas que já tive, isto é cinema.



sábado, 1 de setembro de 2018

Jupiter's Moon

Nome do Filme : “Jupiter Holdja”
Titulo Inglês : “Jupiter's Moon”
Titulo Português : “A Lua de Júpiter”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Kornél Mundruczó
Produção : Viola Fugen/Michel Merkt/Viktória Petrányi/Michael Weber
Elenco : Merab Ninidze, Zsombor Jeger, Gyorgy Cserhalmi, Mónika Balsai, Majd Asmi, Akos Birkas, Soma Boronkay, Peter Haumann, Sousa Haz, Barbara Hegedus, Katalin Homonnai, Kornelia Horvath, Alexandra Horvath, Zsombor Barna, Szabolcs Bede Fazekas, Matyas Bodor, Brigitta Egyed, Tamas Hirt, Rita Kerkay, Judit Meszlery, Eniko Mihalik, Vanessa Nagy, Veronika Nemes-Jeles, Hella Roszik, Imola Racz, Natasa Stork, Anna Sipos, Tamas Szabo Kimmel, Sandor Terhes, Anita Toth, Lajos Valazsik, David Yengibarian, Stella Abel, Éva Mundruczó.

História : Aryan Dashni é um jovem sírio que, para escapar às atrocidades da guerra do seu país, tenta passar a fronteira húngara. Ao ser descoberto por um guarda é baleado. Surpreendido, Aryan descobre que não morreu dos ferimentos e que adquiriu o poder de levitação. Colocado num campo para refugiados, o rapaz acaba por despertar o interesse do Dr. Gábor Stern, que pretende descobrir o segredo que lhe permite levitar. Fascinado com tudo aquilo e decidido a aproveitar-se do extraordinário dom de Aryan, o médico leva o jovem imigrante para Budapeste.

Comentário : Mais do que um filme sobre migração, este foi um dos filmes mais estranhos que vi até hoje. Trata-se de uma produção húngara e eu confesso que está muito bem conseguida. É assim, houve uma situação que eu não entendi muito bem e estava relacionada com as capacidades do protagonista e com um prédio que a dada altura ele visita, mas enfim. Nem tudo aquilo que os filmes mostram, tem que ser compreendido, certo. Eu diria que até faz parte da coisa, ficarmos na dúvida e na incerteza sobre alguns aspectos, trata-se da própria magia dos filmes em si. Voltando a ele, eu gostei da história, é invulgar, nunca nos é explicado porque motivo o jovem adquiriu aquela capacidade, aquele poder, aquele dom. Por um lado, eu gostei disso. Gostei bastante do personagem principal, ele é intrigante e ao mesmo tempo, simpático e humilde, ele não pretende tirar partido nem vantagens daquele estranho dom. Pelo contrário, o seu “amigo” médico já quer unicamente ganhar muito dinheiro às custas do jovem. Mas como esse médico se redime perto do final do longa, a gente perdoa-o. O que não se perdoa é claramente o outro personagem, aquele parasita que passa o filme todo a perseguir o nosso prodígio, que homem mais repugnante e asqueroso, sinceramente, se ele não estivesse no filme, falta nenhuma faria. Um erro foi o facto do filme não ter tido uma personagem feminina relevante, tem algumas mulheres sim, mas elas estão em papéis tão secundários que quase não damos por elas. Apesar de confuso no início, o filme acaba por se tornar bem interessante e a mim, conquistou-me. Mas vale frisar de que não é um filme para todos os públicos.

Le Divan de Staline

Nome do Filme : “Le Divan de Staline”
Titulo Inglês : “Stalin's Couch”
Titulo Português : “O Divã de Estaline”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : Fanny Ardant
Produção : Paulo Branco
Elenco : Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Paul Hamy, François Chattot, Tudor Istodor, Xavier Maly, Luna Picoli-Truffaut, Alexis Manenti, Miguel Monteiro, Lídia Franco, Philippe Leroux, Marta Barahona Abreu, João Cunha, Mónica Ferreira, Beolinda Gaspar, Carla Guilherme, Sérgio Marafona, Tiago Guimarães, Daniel Louro, Tiago Sarmento, Daniyil Ushakov, Joana de Verona.

História : Envelhecido e de saúde debilitada, Estaline – líder da União Soviética desde 1922 até à sua morte em 1953 – resolve seguir os conselhos médicos e recolhe-se num palácio isolado durante alguns dias. A sua amante de há várias décadas, acompanha-o nessa viagem.

Comentário : Esta é mais uma produção de Paulo Branco que significou nesse campo, mais uma surpresa para mim. Não admira que o homem não tenha dinheiro para fazer obras no Cinema Monumental, gasta-o em parte nestas produções. Mas, no meu caso, ainda bem que ele o faz, porque eu não gosto daquelas salas de cinema e a única coisa que me interessa são os filmes. Desconheço a verdadeira índole do senhor em questão, mas posso afirmar que ele é um bom produtor cinematográfico. Gostei bastante deste filme, o terceiro a cargo da realizadora Fanny Ardant, sendo ainda assim o seu primeiro registo, o melhor dos três. Emmanuelle Seigner e Paul Hamy estão muito bem aqui nos seus papéis e possuem uma boa química enquanto personagens, mas quem brilha verdadeiramente é o grande Gérard Depardieu, um dos meus actores preferidos, que é também um dos melhores profissionais na área da representação ainda em actividade. Apesar das nuvens negras que pairam sobre ele, Gérard Depardieu é e continuará a ser um verdadeiro senhor. Aqui, ele possui não só uma poderosa presença, como também a melhor prestação do longa. Temos ainda direito a curtas aparições a cargo da talentosa Joana de Verona e uma participação especial de Lídia Franco. O filme tem ainda bonitas locações de um grande jardim, que no caso, nos proporciona lindas imagens, já para não falar dos interiores, parece realmente uma mansão e objectos com mais de meio século.Vale realçar uma fantástica sequência que ocorre perto de uma espécie de piscina ou lago termal, cujas águas estão sempre a expelir vapor, foi filmada de forma magistral, acabando por nos facultar os melhores momentos do filme.

Jeunesse

Nome do Filme : “Jeunesse”
Titulo Inglês : “The Young One”
Titulo Português : “Juventude”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Julien Samani
Produção : Paulo Branco
Elenco : Kevin Azais, Samir Guesmi, Jean-François Stevenin, Lazare Minoungou, David Chour, Bastien Ughetto, Miguel Borges, António Simão, Paulino Monteiro, Michel Pincaro, Helder Silva, Victor Hugo, Camille Polet.

História : Um aspirante a marinheiro embarca na sua primeira grande viagem.

Comentário : Para uma produção de Paulo Branco, até que este filme não está mesmo nada mal. Pelo contrário, é uma boa obra, muito bem filmada e montada. Esta é a história de um jovem que, não tendo realmente nada para fazer e para ocupar o tempo, mete-se num navio de carga e convence o pessoal da embarcação que também quer fazer parte da tripulação e viajar pelo mundo, ajudando-os ao mesmo tempo em tudo o que eles precisarem. E o filme resulta bem precisamente por causa disso, por ser tudo muito espontâneo e realista. Parece mesmo que eles estão em alto mar. Podemos contar com cenas bem realistas e momentos de verdadeira tensão. Nesse sentido, temos o actor Kevin Azais no papel do protagonista, este jovem deu tanta autenticidade ao seu personagem, que convence na perfeição em relação ao pretendido. Zico parece mesmo um jovem sem eira nem beira, à mercê do destino, quantos Zicos não existirão por esse mundo fora. Também gostei imenso da prestação do veterano Jean-François Stevenin, embora do seu personagem nem tanto. E depois temos Samir Guesmi, aqui num registo bem louco, mas essencial dentro do contexto. O barco também pode ser considerado um dos personagens, visto que é nele que decorre grande parte da ação do longa. Sinceramente, um dos melhores filmes vistos ultimamente.

À Jamais

Nome do Filme : “À Jamais”
Titulo Inglês : “Never Ever”
Titulo Português : “Até Nunca”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Benoit Jacquot
Produção : Paulo Branco
Elenco : Mathieu Amalric, Julia Roy, Jeanne Balibar, Victoria Guerra, Elmano Sancho, José Neto, Hugo Pedro, Rui Morisson, Diogo Andrade.

História : Laura, uma artista performativa de 20 e poucos anos, envolve-se com Rey, um realizador de meia idade que ainda não esqueceu a ex-amante.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste pequeno filme, não só porque um dos personagens é interpretado pelo grande Mathieu Amalric, como também porque me deu a conhecer uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Além disso, a história é bem interessante. Basicamente, trata-se de uma história de amor bem peculiar. Tal como já disse, eu tenho Mathieu Amalric como um dos meus actores preferidos e o seu trabalho aqui, mais uma vez, é muito bom. Apesar de nunca se conhecer a verdadeira razão de uma das suas atitudes, o seu personagem é muito rico em conteúdo, ele nos transmite várias emoções, mesmo quando não fala. A sua presença em si, já tem o seu peso e significado. Por outro lado, temos a tal mulher linda, sim, estou a referir-me à jovem actriz Julia Roy. Esta rapariga não só é dona de uma beleza bem exótica e sensual, como também é responsável pela melhor prestação do longa. Além disso, ela e Amalric funcionam na perfeição, que casal. Jeanne Balibar está bem, mas no seu caso, lamenta-se que tenha aparecido muito pouco. Já a nossa Victoria Guerra, bom, aparece apenas em duas ou três cenas, a sua personagem em nada acrescenta ao produto final. O filme foi filmado em Lisboa, gostei dessa particularidade, é sempre bom vermos a nossa cidade mostrada lá fora. Vale ainda frisar que o rosto de Julia Roy surge às vezes, muito bem enquadrado no ecrã, parece quase um anjo. Existe uma sequência que envolve um telemóvel e um velório que é delirante. Temos também uma sequência que mostra uma masturbação dupla que é divinal. Mais de metade do filme decorre no interior de uma mansão, por instantes, pareceu-me ouvir o comboio numa das cenas, e porque se vê o mar, penso que a propriedade se deve situar entre Algés e Oeiras. Apesar de ter sido produzido por Paulo Branco, é seguramente um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que é uma verdadeira homenagem ao amor.

La Forêt de Quinconces

Nome do Filme : “La Forêt de Quinconces”
Titulo Inglês : “Fool Moon”
Titulo Português : “O Bosque dos Quincôncios”
Ano : 2016
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Grégoire Leprince-Ringuet
Produção : Paulo Branco
Elenco : Grégoire Leprince-Ringuet, Pauline Caupenne, Amandine Truffy, Marilyne Canto, Antoine Chappey, Thierry Hancisse, Heloise Godet, Caterina Barone.

História : Durante muito tempo, Ondine e Paul viveram uma intensa história de amor. Um dia, farta dos excessos dele e da sensação de impotência que constantemente sentia, Ondine decide terminar a relação. Paul, de coração partido, resolve que nunca mais amará ninguém e que se vingará de todas as mulheres que se cruzarem no seu caminho. Porém, quando chega a bela e enigmática Camille, vê-se novamente enredado no feitiço do amor. Mas a lembrança de Ondine teima em persegui-lo.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante cujo tema principal é basicamente o amor. Nele, acompanhamos a história de um homem que amou muito uma jovem e esta a ele, os dois praticamente fizeram-se adultos um ao outro, mas que devido a atitudes dele, os dois acabam por se separar. Infelizmente para ele, não demora muito até encontrar uma mulher que diz amá-lo de verdade, mas será que isso é verdade. O filme possui ideias muito boas, por exemplo, o feitiço que Camille lança a Paul, deixando-o praticamente a seus pés. De facto, devo confessar que Camille foi uma personagem que me causou excitação e desejo. Por outro lado, a personagem de Ondine, despertou-me o desejo de me aventurar com uma rapariga desconhecida. Aliás, as duas são bem bonitas e interessantes. No papel principal, Grégoire Leprince-Ringuet que além de interpretar o protagonista, é também o realizador da fita, teve uma prestação bem aceitável, dado o material que tinha em mãos. Ele passou-me a impressão de ser alguém desorientado ou mesmo perdido nas suas intenções. Por outro lado, Pauline Caupenne cumpriu aquilo que lhe foi proposto, a sua Camille funciona quase como sendo o objecto de desejo do protagonista, a sua fonte de perdição. Já a Amandine Truffy vai muito bem também, mas como par romantico do protagonista, ela é encantadora e nunca será esquecida por ele. É um filme apelativo e muito interessante, embora eu tenha detestado o seu final.

Les Beaux Jours d'Aranjuez

Nome do Filme : “Les Beaux Jours d'Aranjuez”
Titulo Inglês : “The Beautiful Days Of Aranjuez”
Titulo Português : “Os Belos Dias de Aranjuez”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Produção : Wim Wenders/Gian-Piero Ringel/Paulo Branco
Elenco : Reda Kateb, Sophie Semin, Jens Harzer, Peter Handke, Nick Cave.

História : No norte da França, um escritor começa a fazer esboços para o seu próximo livro e desenvolve, como ponto de partida, um diálogo entre um homem e uma mulher, que se encontram num enorme jardim. Eles discutem, entre outras coisas, questões como sexualidade, amor, infância, juventude e também suas memórias e a vida em si.

Comentário : Perto do final deste filme, um dos personagens diz o seguinte : “Estivemos aqui para nada”, e no fundo penso mesmo que o longa se resume a essa frase. Este é talvez o pior filme do grande e conceituado Wim Wenders. Detentor de longos diálogos poéticos, o filme de certo não irá agradar à maioria, daí as péssimas classificações nos sites da especialidade. Pessoalmente e penso não estar a exagerar, por vezes, as conversas entre o casal protagonista, parecem conversas de malucos. Parecem conversas sem sentido, por vezes cheias de exageros e outras vezes soam a falas de cariz quase infantil. Apesar de eu gostar bastante de filmes com ritmo lento, no caso deste, não gostei nada, tornou ainda mais ridícula toda aquela situação. O personagem do escritor não parece real, quase sem qualquer tipo de expressão, é todo muito artificial e ridículo. O cenário não altera muito e se isso resulta em algumas fitas, no caso desta, em nada abonou a favor da mesma. Enfim, foi uma verdadeira seca para mim assistir a este filme, e vindo de um director como Wim Wenders, muito me surpreendeu. Mas existem alguns aspectos positivos. Por exemplo, as interpretações de Reda Kateb e de Sophie Semin, apesar dos seus personagens “não dizerem pão” na maior parte dos seus diálogos, estão bastante aceitáveis para o material que tinham em mãos, ou seja, no guião. Por último, temos um bonito cenário, apesar de repetitivo e também podemos contar com três boas músicas no decorrer do filme. Visto que os seus mais recentes filmes também não são grande coisa e se os aliarmos a este, então eu recomendo a Wim Wenders que se reforme. Ainda assim, continua a ser um dos meus realizadores preferidos. Mas como o filme é baseado numa peça de um autor importante, se calhar, o ignorante aqui sou eu...

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Cold November

Nome do Filme : “Cold November”
Titulo Inglês : “Cold November”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Aventura/Mystery
Realização : Karl Jacob
Produção : Karl Jacob/Jessica Bergren
Elenco : Bijou Abas, Karl Jacob, Anna Klemp, Heidi Fellner, Mary Kay Fortier-Spalding, Alaina Lucy Rivera, Raymond Brandstrom, Tanner Cape, Bill Cooper.

História : Florence é uma garota que acaba de entrar na adolescência, altura em que terá que enfrentar também um rito de passagem tradicional na sua família : aprender a caçar. O manuseio das armas de fogo e a sobrevivência na natureza selvagem são alguns dos desafios que também a impelem a vencer o trauma da morte da irmã.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste pequeno filme independente sobre a passagem da infância para a adolescência de uma rapariga. Em tirando duas sequências que eu facilmente dispensava, gostei de tudo neste filme. Aquilo que eu mais gostei foi de acompanhar a trajectória da menina protagonista, bem como vê-la atingir os seus objectivos. Além disso, é engraçado vermos raparigas tão novas segurando uma arma de fogo e disparar, é algo que não se vê todos os dias. Vale lembrar que a família também tem um importante papel a desempenhar nestes casos, tanto a nível de ajuda como de incentivo. Houve uma situação que, apesar de explicada, não fez qualquer sentido, mas enfim. O filme foi escrito, produzido e realizado por Karl Jacob, que também desempenha um papel no longa, ele é o tio da nossa menina. Pouco se sabe sobre a irmã da protagonista que falecera, particularmente, achei bem esse mistério, deu mais crédito à história principal. Existem três cenas que marcam a passagem da infância para a adolescência de Flor, cenas essas que estão bem vincadas no longa. A nível das interpretações, o destaque merecido vai logicamente para a jovem Bijou Abas, que tem aqui não só a personagem mais forte e importante do filme, como também aquela que merece mais atenção. Podemos contar com bonitas imagens, afinal, quase todo o filme decorre na floresta, com ambientações campesinas. Por outro lado, temos algumas cenas que chegam a meter algum nojo, que são aquelas que mostram os cervos a serem esventrados e esfolados. O filme passa ainda a sensação e bem de que a vida daquelas pessoas não é nada fácil, principalmente para as adolescentes. Apesar do seu ritmo lento, eu curti bastante este filme. Muito bom.

Utoya 22 Juli

Nome do Filme : “Utoya 22 Juli”
Titulo Inglês : “U-July 22”
Titulo Português : “Utoya, 22 de Julho”
Ano : 2018
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller/Terror/Histórico
Realização : Erik Poppe
Produção : Finn Gjerdrum/Stein B. Kvae/Ravn Wikhaug/Erik Poppe
Elenco : Andrea Berntzen, Elli Rhiannon Muller Osbourne, Ingeborg Enes, Ada Eide, Tamanna Agnihotri, Karoline Petronella Ulfsdatter Schau, Mariann Gjerdsbakk, Aleksander Holmen, Brede Fristad, Solveig Koloen Birkeland, Jenny Svennevig, Sorosh Sadat, Daniel Sang Tran, Torkel Dommersnes Soldal, Yngve Berven, Belinda Sorensen, Ann Iren Odeby, Hang Tran, Magnus Moen.

História : Kaja, uma das muitas raparigas adolescentes presentes na ilha de Utoya em período de férias, no dia 22 de Julho de 2011, vê-se obrigada a lutar pela sua sobrevivência, e tenta, ao mesmo tempo, encontrar a irmã perdida na floresta durante os piores 72 minutos da sua existência.

Comentário : Proveniente do mesmo país de onde aconteceu este atentado, o filme em questão é baseado em acontecimentos reais e foi feito tendo em conta os relatos e os testemunhos de alguns dos sobreviventes do massacre. Eu confesso que já estava há bastante tempo para ver este filme e penso até que ele chegará às nossas salas de cinema em Novembro deste ano. Um ataque terrorista é sempre mau e quem sofre mais são as suas vítimas, seja em que país for. E aqui, as coisas não podiam ser diferentes. Com a particularidade das vitimas serem adolescentes que estavam a passar férias numa ilha norueguesa e, do grupo dos 500, faleceram cerca de 68 jovens. A banda sonora deste filme é preenchida com o som dos tiros e com os sons de tudo aquilo que se passa no local onde os visados estão. Todos os personagens são fictícios, por uma questão de respeito aos mortos. É um filme bastante aflitivo, algumas cenas chegam a causar nervosismo a quem as assiste, devido à sensação de impotência de quem vê aquilo acontecer. Está tudo muito bem filmado, aliás, deve ter dado imenso trabalho filmar e mesmo fazer este filme.

Os jovens actores deram tudo de si nesta produção, deu para constatar isso. Está tudo muito realista. Claro que eu não sou ninguém para criticar isto, mas custa-me a perceber como 1 único homem foi capaz de fazer aquilo, devia ter vindo munido com um saco grande carregado de munições, porque durante setenta minutos de filme, ouvem-se constantemente tiros. Todos os jovens, sendo actores ou amadores, fizeram um excelente trabalho. Mas claro que vale destacar a presença e a poderosa prestação da menina protagonista, a Kaja, brilhantemente interpretada por Andrea Berntzen. Esta jovem actriz esteve perfeita e cumpriu todos os objectivos, sendo o principal : fazer com que, quem a veja a lutar pela sobrevivência e na busca pela irmã, temer pela sua vida e zelar para que tudo corra bem com ela. Eu detestei o final atribuído a Kaja, porque nós a acompanhamos durante mais de oitenta minutos e é triste chegarmos à conclusão que toda aquela preocupação e investimento depositados nela foram em vão. Ainda assim, um dos melhores filmes que vi este ano, uma produção extremamente realista, profunda e que devia ser alvo de um estudo e de um debate. Grande filme.

The First Purge

Nome do Filme : “The First Purge”
Titulo Inglês : “The First Purge”
Titulo Português : “The Purge : A Primeira Noite de Crime”
Ano : 2018
Duração : 99 minutos
Género : Terror/Crime
Realização : Gerard McMurray
Produção : Michael Bay/Jason Blum/Andrew Form/Brad Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Y'lan Noel, Lex Scott Davis, Kristen Solis, Luna Lauren Velez, Mugga, Joivan Wade, Rotimi Paul, Mo McRae, Jermel Howard, Siya, Christian Robinson, Steve Harris, Derek Basco, D. K. Bowser, Mitchell Edwards, Maria Rivera, Chyna Layne, Naszir Nance, Levy Tran, Katina Forte, Melonie Diaz, Marisa Tomei.

História : Quando um novo partido político, o New Founding Fathers Of America, ascende ao poder, é anunciado um novo experimento social. São doze horas sem lei, em que o governo incentiva as pessoas a perderem toda e qualquer inibição. O experimento consiste em que, durante um período noturno de 12 horas, todo e qualquer crime é permitido, processo que nasce naquela noite e o qual se chamará de “A Purga”, que se repetirá anualmente.

Comentário : Este filme de terror é a prequela que tanto se pedia da trilogia de filmes “The Purge” que fez a delícia de muita gente nos últimos anos. O filme bebe muito da fonte recente da diversidade no cinema, a qual eu até estou de acordo, mas tenho que confessar que aqui foram longe de mais nessa intenção. Isto porque o filme tem demasiados personagens negros, dá quase a sensação que naquela cidade habitam poucos brancos. Mas eu vou mais longe, o realizador e os produtores avançam aqui por um caminho perigoso, já que quase fazem apelo ao racismo, visto que existe um grupo de criminosos brancos que se dedica a matar pessoas de raça negra. E eu considero isso um grave erro, ainda que tenha sido intencional. Outro erro que pude detectar foi que, para primeira purga e naquele que era uma espécie de processo experimental, houveram algumas coisas que me pareceram demasiado inovadoras. Nesse aspecto, penso mesmo que podiam ter feito as coisas parecer mais como se de uma primeira vez se tratasse. Por outro lado, as cenas que mostram os crimes a acontecerem estão muito realistas e convencem. Existem duas ou três situações que não funcionam por serem demasiado previsíveis. Há ainda uma situação que sucede com a principal personagem feminina que é, no mínimo, muito curiosa e sugestiva ao mesmo tempo. O filme tem muito sangue e cenas que mostram os instintos de malvadez da maioria dos personagens. Existem coisas que são parecidas com algumas situações vistas nos filmes da trilogia original. A nível das interpretações, todos cumprem os mínimos propostos, embora valha destacar a prestação da jovem e bonita Lex Scott Davis, que é mesmo a personagem que mais brilha ao longo do filme. Em resumo, é um filme razoável, embora não chegue ao nível dos três filmes da trilogia original.

Marvin

Nome do Filme : “Marvin Ou La Belle Éducation”
Titulo Inglês : “Reinventing Marvin”
Titulo Português : “Marvin”
Ano : 2017
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Anne Fontaine
Produção : Philippe Carcassonne/Jean-Louis Livi/Pierre-Alexandre Schwab
Elenco : Isabelle Huppert, Finnegan Oldfield, Jules Porier, Gregory Gadebois, Vincent Macaigne, Catherine Salee, Catherine Mouchet, Charles Berling, India Hair, Luna Lou, Cecile Rebboah, Sharif Andoura, Yannick Morzelle, Lorenzo Lefebvre, Timeo Bolland.

História : A infância e juventude de Marvin, filho de uma família operária pobre numa aldeia da Picardia, um jovem gay que sofre a rejeição e humilhação num local tomado pela homofobia.

Comentário : O filme abre logo com uma sequência onde dois rapazes exercem bullying sobre o nosso protagonista, Marvin. Ao longo da fita, a narrativa deambula constantemente entre passado e presente, entre a infância e o início da fase adulta do protagonista. É um filme que trabalha bem questões como a homossexualidade, a homofobia, o bullying, a pobreza, as carências afectivas, o primeiro amor, as dependências, a compaixão pelo o outro, o amor sob várias perspectivas, a força de vencer, as artes, entre outras coisas. No que toca à questão da homossexualidade, ela nunca é aqui mostrada de forma escandalosa como em outros filmes, mas sim da maneira mais natural possível e como algo que existe e que tem que ser tolerável e aceite. Tal como já disse, o filme divide-se constantemente entre o passado e o presente do protagonista, e os dois actores que vivem essas duas fases estão muito bem nesse papel. Tanto Finnegan Oldfield quanto Jules Porier conseguem nos transmitir na perfeição aquilo que o Marvin menino e o Marvin adulto sentem nas situações variadas em que se encontram envolvidos nas várias partes do filme. Gostei muito da prestação da actriz Catherine Mouchet, que aqui representa uma das professoras do pequeno Marvin, a sua personagem foi essencial para o desenvolvimento da personalidade adulta de Marvin. Aliás, os dois possuem uma química fantástica. Apesar de tudo, até gostei do personagem do pai de Marvin e para isso contribuiu e muito a figura de Gregory Gadebois, seja como actor ou como Dany Bijoux, ele convence na perfeição e a mudança que se dá nele é palpável. Entre as cenas de drama, existem duas em particular que se destacam por serem bem dramáticas e comoventes. Não é um filme sobre gays e muito menos sobre a homossexualidade, é antes um filme sobre sermos nós próprios e felizes como tal. Um último apontamento, este filme funciona ainda como uma homenagem ao teatro.

Slender Man

Nome do Filme : “Slender Man”
Titulo Inglês : “Slender Man”
Titulo Português : “Slender Man”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Sylvain White
Produção : Bradley Fischer/Robyn Meisinger/W. S./James Vanderbilt/Sarah Snow
Elenco : Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso, Jaz Sinclair, Taylor Richardson, Javier Botet, Alex Fitzalan, Jessica Blank, Michael Reilly Burke, Kevin Chapman, Miguel Nascimento, Eddie Frateschi, Gabrielle Lorthe, Kallie Tabor.

História : As amigas Wren, Hallie, Chloe e Katie levam uma vida entediante no colégio. Quando ouvem falar numa criatura chamada “Slender Man”, elas decidem invocá-lo por meio de um vídeo na internet. A brincadeira se transforma num perigo real quando todas começam a ter pesadelos e alucinações da tal criatura. Um dia, uma das meninas desaparece sem deixar rasto, cabendo às três amigas fazerem a sua própria busca, enfrentando os seus medos e a própria criatura.

Comentário : Antes de mais, uma contextualização que quero aqui deixar. A maioria das pessoas que se interessam por isto pensam que a lenda do Slender Man nasceu a partir de uma criação de Victor Surge Knudsen. Em 2009, ele concebeu a imagem de um homem alto, muito magro, de braços e pernas compridos e sem rosto, para um concurso de photoshop. De acordo com este suposto criador, o Slender Man foi inventado inspirado em alguns personagens de Stephen King, mas Victor já disse que não pretendia causar terror nas pessoas. A imagem supostamente criada por Knudsen ganhou a internet há alguns anos e muitos juram já ter visto aparições dessa criatura misteriosa. Supostamente, a criatura é maligna, está associada à floresta e ao campo, costuma raptar pessoas, principalmente crianças e adolescentes, causa pesadelos e alucinações aos que não consegue apanhar, causa tanto desespero às vítimas que elas acabam por enlouquecer ou mesmo suicidar-se. Esta criatura costuma até esconder-se a observar as suas vítimas, quando está próximo delas e quando as consegue apanhar, ele usa os seus braços longos que crescem como se de tentáculos se tratassem. As pessoas que são apanhadas por ele, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. Na actualidade, continua sem se saber, o que o Slender Man faz às suas vítimas. Aqui existe uma questão que merece ser falada : os relatos de aparições do Slender Man já existem muito antes da criação de Knudsem em 2009, para quem não saiba, segundo consta, o Slender Man já aparece desde o final do século XVI e foi visto pela primeira vez numa floresta na Alemanha dessa época. Já existem, inclusive, um documentário e um jogo de vídeo sobre o Slender Man, que já foram considerados como sendo bem mais interessantes do que o filme que agora estreia. Posto isto, vamos ao filme, então.

Após ter visto o filme, confesso que deve ser bem mais divertido e interessante estarmos a pesquisar na internet coisas sobre o Slender Man. Ou mesmo ocuparmos os noventa minutos a vermos o tal documentário sobre a criatura. Vamos aos aspectos negativos do filme. Bom, primeiro e penso que deve ser esse o seu principal problema, a questão da história do filme, é muito fraca e o argumento tem mais buracos do que aquele famoso queijo. Isso já para não falar dos diálogos que são tão pobres que julgo que uma criança de doze anos saberia escrever algo mais interessante para estas personagens. Outro problema do filme é o facto de não assustar quase nada, contam-se pelos dedos de apenas uma das mãos, as vezes que este filme assusta. O realizador expõe muito a criatura e aposta no medo físico em vez do medo psicológico e do desconhecido, o que neste caso é um grande erro, porque o ponto mais forte do Slender Man é aquilo que não se vê, mas que se sente e pensa, o desconhecido, lá está. Penso mesmo que a maior parte dos admiradores dos filmes de horror, preferem o terror psicológico, onde eu me incluo perfeitamente. O filme também peca por ter partes estúpidas e ridículas principalmente em algumas atitudes das meninas protagonistas, por apostar nos clichés do género, por estar sempre a alterar a figura da protagonista. Tem também maus efeitos especiais, eles são muito artificiais em vez de terem apostado nos efeitos práticos. Por último, eles inventaram coisas que nada têm a ver com o Slender Man. Nas coisas positivas, temos uma banda sonora eficaz e quatro excelentes prestações a cargo das nossas quatro actrizes principais. Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso e Jaz Sinclair são o melhor deste filme, quatro grandes personagens e quatro grandes interpretações em quatro grande actrizes. O filme também ficou prejudicado porque teve partes que foi refilmado e partes que foram retiradas e outras inseridas, a montagem sofre de problemas. Espera-se sinceramente que um realizador mais competente e com poder de decisão pegue na lenda do Slender Man e faça um filme digno do histórico e do potencial que esta criatura tem. 


Claire's Camera

Nome do Filme : “La Caméra de Claire”
Titulo Inglês : “Claire's Camera”
Titulo Português : “A Camara de Claire”
Ano : 2017
Duração : 69 minutos
Género : Drama
Realização : Hong Sang-Soo
Produção : Hong Sang-Soo
Elenco : Isabelle Huppert, Kim Min-hee, Chang Mi-hee, Jung Jin-Young, Shahira Fahmy, Yoon Heesun, Wanmin Lee, Taewoo Kang, Mark Peranson.

História : Durante uma viagem de trabalho ao Festival de Cannes, a jovem coreana Manhee é demitida após ser acusada de desonestidade. Ao mesmo tempo, Claire, uma professora e escritora francesa, anda pelas ruas da cidade fotografando com a sua camara. Por acaso, estas duas mulheres se conhecem e têm uma conexão quase instantânea.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que aprecio bastante o cinema do realizador Hong Sang-soo, ele nos faculta geralmente histórias simples, mas bem interessantes. A personagem da Isabelle Huppert é igualmente interessante, trata-se de uma mulher francesa muito culta e sempre disposta a saber mais, a adquirir mais conhecimento. Achei graça ao facto dela andar sempre de camara na mão a fotografar várias pessoas e locais por onde anda, mais curioso ainda é aquela tese dela que relaciona o olhar das pessoas e as fotos. A Kim Min-hee é muito bonita, mas não é isso apenas que a distingue, ela é também uma boa actriz, eu adorei a sua personagem, a Manhee é alguém cativante e uma boa companheira de conversa. As duas funcionam muito bem juntas, seja como actrizes ou como personagens. Aliás, as cenas em que as duas contracenam resultam nos melhores momentos do filme. Temos ainda a actriz que desempenha a patroa da protagonista coreana, ela está muito bem, mas não ao nível das duas referidas anteriormente. Do elenco masculino, apenas vale a pena frisar o actor que desempenhou o realizador coreano, gostei da sua prestação, embora ficasse a dever um pouco a qualquer uma das duas primeiras. O filme é muito curto, neste caso, não me importava de ter visto mais, mais encontros e mais conversas, assuntos não faltariam a estas personagens. E eles falam de imensa coisa, mas o principal tema é a arte. Temos também um cão muito bonito e muito original, cuja principal lamentação em relação a ele, é o facto de aparecer pouco. Podemos contar igualmente com locações muito bonitas. A única coisa que eu lamentei foi o facto de ter havido poucas referências ao Festival de Cannes. Mas no geral, o filme é muito bom, apesar de curto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Beast

Nome do Filme : “Beast”
Titulo Inglês : “Beast”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Michael Pearce
Produção : Lauren Dark/Ivana MacKinnon/Kristian Brodie
Elenco : Jessie Buckley, Johnny Flynn, Geraldine James, Hattie Gotobed, Shannon Tarbet, Emily Taaffe, Trystan Gravelle, Charley Palmer Rothwell, Olwen Fouere, Tim Woodward, Oliver Maltman, Joanna Croll, Barry Aird, Maria de Lima, Claire Rafferty.

História : Uma mulher problemática que vive numa comunidade isolada deve escolher entre uma vida controlada pela sua família opressiva e o fascínio de um estranho suspeito de ter violado e assassinado quatro raparigas adolescentes.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste filme inglês que tem uma forte componente policial, não no sentido de vermos a polícia a investigar ferozmente um caso, mas sim na vertente do mistério. Eu tenho que confessar que este é daqueles filmes em que, mesmo após o final, nós ficamos na dúvida sobre se foi aquilo que vimos ou se foram as opções que imaginámos ao longo da projeção. Isto porque chegamos mesmo a cogitar algumas hipóteses e teorias sobre quem realmente violou e assassinou aquelas quatro adolescentes. Afinal, o filme em si não nos dá muitas explicações e muito menos revelações, ele simplesmente se limita a nos revelar uma suposta verdade ou então nos induz de algo que poderá ou não ser verdade. Pessoalmente, eu imaginei várias coisas, embora tenha desconfiado de algo que era bem capaz de parecer demasiado absurdo, mas que talvez fizesse algum tipo de sentido dado um acontecimento da vida da personagem em questão. Por um tempo, abandonei essa tese minha, mas a última sequência voltou a acender essa chama da dúvida. Quem tiver visto o filme até ao final, entenderá aquilo que eu estou a tentar dizer. A nível das interpretações, as melhores são claramente as da protagonista e do seu par romântico. E eu adorei o cabelo dela. Assim, Jessie Buckley está perfeita no papel da rapariga problemática que vive no seio de uma família opressiva, a jovem actriz consegue nos transmitir várias impressões e elas estão em conformidade com as diversas coisas que lhe vão acontecendo. Já Johnny Flynn, ele passa muito bem a imagem de homem enigmático e misterioso que tanto pode ser uma boa pessoa, como também poderá ser um ser humano capaz das piores atrocidades e maldades. O elenco de secundários vai bem. No fundo, é um bom filme que, com o seu clima de mistério, nos passa aquilo que um filme do género deve realmente transmitir.