domingo, 2 de setembro de 2018

Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht

Nome do Filme : “Die Andere Heimat – Chronik Einer Sehnsucht”
Titulo Inglês : “Heimat – Home From Home : Chronicle Of A Vision”
Titulo Português : “Heimat – Crónica de Uma Nostalgia”
Ano : 2013
Duração : 230 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Edgar Reitz
Produção : Christian Reitz
Elenco : Jan Dieter Schneider, Philine Lembeck, Antonia Bill, Maximilian Scheidt, Marita Breuer, Rudiger Kriese, Melanie Fouche, Eva Zeidler, Barbara Philipp, Reinhard Paulus, Christoph Luser, Rainer Kuhn, Andreas Kulzer, Julia Prochnow, Kathy Becker, Dettmer Fischbeck, Klaus Meininger, Jan Peter Nowak, Konstantin Buchholz, Martin Schleimer, Zoé Wolf, Werner Klockner, Jurgen Thelen, Astrid Roth, Claudia Michel, Helma Hammen, Michaela Schmitt, Michaela Janser, Saskia Lampman, Iris Kossmann, Salome Kammer, Mara Pougin, Anna Lena Peitz, Michelle Roth, Alina Schmitt, Jasmin Schmitt, Emma Batz, Clara Batz, Sarah Bast.

História : Uma Alemanha fragilizada pelo rigor climatérico, pela escassez de alimentos e pelas investidas da Prússia. Assim, Jakob sonha com uma nova vida para si e para a sua família nesse país.

Comentário : Antes que tudo vou deixar-vos com uma curiosidade bem interessante sobre a história que me levou a ver este filme, que é excelente. Todas as semanas eu costumo ir à FNAC ver das novidades, nomeadamente em DVD. Numa dessas vezes, vi na loja um dos homens mais inteligentes e cultos do país, que comprou o DVD duplo deste filme. Intrigado com isso, comprei também o dito filme, mas guardei-o em casa e esqueci-o por anos. Hoje, resolvi vê-lo e, qual não é o meu espanto, é já um dos melhores filmes que vi na minha vida, sim, é verdade, quem diria. Este filme tem uma história muito boa e bonita, cheia de detalhes e está muito bem contada e mostrada. A fotografia é um dos pontos mais altos do filme, é linda e imaculada. O filme é-nos apresentado a preto e branco, apenas com alguns objectos a cores muito de vez em quando. A ação do filme decorre a partir de 1842, penso eu, onde a recriação de época e o guarda-roupa são perfeitos, nota-se claramente que foi tudo pensado ao detalhe. Não conhecia ninguém do vasto elenco e fiquei surpreendido com todos eles, excelentes interpretações. É um filme que fala da família, dos sentimentos e da vida no geral. A trama decorre toda no campo e as paisagens, apesar de terem sido filmadas a preto e branco, são belíssimas. Há portanto imagens muito bonitas aqui. A banda sonora é apenas razoável. Devido à sua duração, o filme foi apresentado e exibido em Portugal em duas partes, infelizmente, porque deve ter-se perdido muito da magia do mesmo. Vê-lo todo de seguida como eu fiz, é seguramente a melhor opção. Foi uma óptima sensação para mim, acompanhar a jornada de Jakob e da sua família de gente trabalhadora. Foi muito curioso ver como, no início do filme, o pai de Jakob tem dele uma má imagem e discute com ele sistematicamente, mas perto do filme acabar e depois de muita coisa acontecer pelo meio, a opinião daquele pai muda radicalmente e ele até confessa : “Jakob, tenho muito orgulho em ti, filho” - Brutal. Sem dúvidas, eu gostei de tudo neste filme, não tenho apontamentos negativos ao mesmo. Este filme foi uma das melhores experiências cinematográficas que já tive, isto é cinema.



sábado, 1 de setembro de 2018

Jupiter's Moon

Nome do Filme : “Jupiter Holdja”
Titulo Inglês : “Jupiter's Moon”
Titulo Português : “A Lua de Júpiter”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Kornél Mundruczó
Produção : Viola Fugen/Michel Merkt/Viktória Petrányi/Michael Weber
Elenco : Merab Ninidze, Zsombor Jeger, Gyorgy Cserhalmi, Mónika Balsai, Majd Asmi, Akos Birkas, Soma Boronkay, Peter Haumann, Sousa Haz, Barbara Hegedus, Katalin Homonnai, Kornelia Horvath, Alexandra Horvath, Zsombor Barna, Szabolcs Bede Fazekas, Matyas Bodor, Brigitta Egyed, Tamas Hirt, Rita Kerkay, Judit Meszlery, Eniko Mihalik, Vanessa Nagy, Veronika Nemes-Jeles, Hella Roszik, Imola Racz, Natasa Stork, Anna Sipos, Tamas Szabo Kimmel, Sandor Terhes, Anita Toth, Lajos Valazsik, David Yengibarian, Stella Abel, Éva Mundruczó.

História : Aryan Dashni é um jovem sírio que, para escapar às atrocidades da guerra do seu país, tenta passar a fronteira húngara. Ao ser descoberto por um guarda é baleado. Surpreendido, Aryan descobre que não morreu dos ferimentos e que adquiriu o poder de levitação. Colocado num campo para refugiados, o rapaz acaba por despertar o interesse do Dr. Gábor Stern, que pretende descobrir o segredo que lhe permite levitar. Fascinado com tudo aquilo e decidido a aproveitar-se do extraordinário dom de Aryan, o médico leva o jovem imigrante para Budapeste.

Comentário : Mais do que um filme sobre migração, este foi um dos filmes mais estranhos que vi até hoje. Trata-se de uma produção húngara e eu confesso que está muito bem conseguida. É assim, houve uma situação que eu não entendi muito bem e estava relacionada com as capacidades do protagonista e com um prédio que a dada altura ele visita, mas enfim. Nem tudo aquilo que os filmes mostram, tem que ser compreendido, certo. Eu diria que até faz parte da coisa, ficarmos na dúvida e na incerteza sobre alguns aspectos, trata-se da própria magia dos filmes em si. Voltando a ele, eu gostei da história, é invulgar, nunca nos é explicado porque motivo o jovem adquiriu aquela capacidade, aquele poder, aquele dom. Por um lado, eu gostei disso. Gostei bastante do personagem principal, ele é intrigante e ao mesmo tempo, simpático e humilde, ele não pretende tirar partido nem vantagens daquele estranho dom. Pelo contrário, o seu “amigo” médico já quer unicamente ganhar muito dinheiro às custas do jovem. Mas como esse médico se redime perto do final do longa, a gente perdoa-o. O que não se perdoa é claramente o outro personagem, aquele parasita que passa o filme todo a perseguir o nosso prodígio, que homem mais repugnante e asqueroso, sinceramente, se ele não estivesse no filme, falta nenhuma faria. Um erro foi o facto do filme não ter tido uma personagem feminina relevante, tem algumas mulheres sim, mas elas estão em papéis tão secundários que quase não damos por elas. Apesar de confuso no início, o filme acaba por se tornar bem interessante e a mim, conquistou-me. Mas vale frisar de que não é um filme para todos os públicos.

Le Divan de Staline

Nome do Filme : “Le Divan de Staline”
Titulo Inglês : “Stalin's Couch”
Titulo Português : “O Divã de Estaline”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : Fanny Ardant
Produção : Paulo Branco
Elenco : Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Paul Hamy, François Chattot, Tudor Istodor, Xavier Maly, Luna Picoli-Truffaut, Alexis Manenti, Miguel Monteiro, Lídia Franco, Philippe Leroux, Marta Barahona Abreu, João Cunha, Mónica Ferreira, Beolinda Gaspar, Carla Guilherme, Sérgio Marafona, Tiago Guimarães, Daniel Louro, Tiago Sarmento, Daniyil Ushakov, Joana de Verona.

História : Envelhecido e de saúde debilitada, Estaline – líder da União Soviética desde 1922 até à sua morte em 1953 – resolve seguir os conselhos médicos e recolhe-se num palácio isolado durante alguns dias. A sua amante de há várias décadas, acompanha-o nessa viagem.

Comentário : Esta é mais uma produção de Paulo Branco que significou nesse campo, mais uma surpresa para mim. Não admira que o homem não tenha dinheiro para fazer obras no Cinema Monumental, gasta-o em parte nestas produções. Mas, no meu caso, ainda bem que ele o faz, porque eu não gosto daquelas salas de cinema e a única coisa que me interessa são os filmes. Desconheço a verdadeira índole do senhor em questão, mas posso afirmar que ele é um bom produtor cinematográfico. Gostei bastante deste filme, o terceiro a cargo da realizadora Fanny Ardant, sendo ainda assim o seu primeiro registo, o melhor dos três. Emmanuelle Seigner e Paul Hamy estão muito bem aqui nos seus papéis e possuem uma boa química enquanto personagens, mas quem brilha verdadeiramente é o grande Gérard Depardieu, um dos meus actores preferidos, que é também um dos melhores profissionais na área da representação ainda em actividade. Apesar das nuvens negras que pairam sobre ele, Gérard Depardieu é e continuará a ser um verdadeiro senhor. Aqui, ele possui não só uma poderosa presença, como também a melhor prestação do longa. Temos ainda direito a curtas aparições a cargo da talentosa Joana de Verona e uma participação especial de Lídia Franco. O filme tem ainda bonitas locações de um grande jardim, que no caso, nos proporciona lindas imagens, já para não falar dos interiores, parece realmente uma mansão e objectos com mais de meio século.Vale realçar uma fantástica sequência que ocorre perto de uma espécie de piscina ou lago termal, cujas águas estão sempre a expelir vapor, foi filmada de forma magistral, acabando por nos facultar os melhores momentos do filme.

Jeunesse

Nome do Filme : “Jeunesse”
Titulo Inglês : “The Young One”
Titulo Português : “Juventude”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Julien Samani
Produção : Paulo Branco
Elenco : Kevin Azais, Samir Guesmi, Jean-François Stevenin, Lazare Minoungou, David Chour, Bastien Ughetto, Miguel Borges, António Simão, Paulino Monteiro, Michel Pincaro, Helder Silva, Victor Hugo, Camille Polet.

História : Um aspirante a marinheiro embarca na sua primeira grande viagem.

Comentário : Para uma produção de Paulo Branco, até que este filme não está mesmo nada mal. Pelo contrário, é uma boa obra, muito bem filmada e montada. Esta é a história de um jovem que, não tendo realmente nada para fazer e para ocupar o tempo, mete-se num navio de carga e convence o pessoal da embarcação que também quer fazer parte da tripulação e viajar pelo mundo, ajudando-os ao mesmo tempo em tudo o que eles precisarem. E o filme resulta bem precisamente por causa disso, por ser tudo muito espontâneo e realista. Parece mesmo que eles estão em alto mar. Podemos contar com cenas bem realistas e momentos de verdadeira tensão. Nesse sentido, temos o actor Kevin Azais no papel do protagonista, este jovem deu tanta autenticidade ao seu personagem, que convence na perfeição em relação ao pretendido. Zico parece mesmo um jovem sem eira nem beira, à mercê do destino, quantos Zicos não existirão por esse mundo fora. Também gostei imenso da prestação do veterano Jean-François Stevenin, embora do seu personagem nem tanto. E depois temos Samir Guesmi, aqui num registo bem louco, mas essencial dentro do contexto. O barco também pode ser considerado um dos personagens, visto que é nele que decorre grande parte da ação do longa. Sinceramente, um dos melhores filmes vistos ultimamente.

À Jamais

Nome do Filme : “À Jamais”
Titulo Inglês : “Never Ever”
Titulo Português : “Até Nunca”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Benoit Jacquot
Produção : Paulo Branco
Elenco : Mathieu Amalric, Julia Roy, Jeanne Balibar, Victoria Guerra, Elmano Sancho, José Neto, Hugo Pedro, Rui Morisson, Diogo Andrade.

História : Laura, uma artista performativa de 20 e poucos anos, envolve-se com Rey, um realizador de meia idade que ainda não esqueceu a ex-amante.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste pequeno filme, não só porque um dos personagens é interpretado pelo grande Mathieu Amalric, como também porque me deu a conhecer uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Além disso, a história é bem interessante. Basicamente, trata-se de uma história de amor bem peculiar. Tal como já disse, eu tenho Mathieu Amalric como um dos meus actores preferidos e o seu trabalho aqui, mais uma vez, é muito bom. Apesar de nunca se conhecer a verdadeira razão de uma das suas atitudes, o seu personagem é muito rico em conteúdo, ele nos transmite várias emoções, mesmo quando não fala. A sua presença em si, já tem o seu peso e significado. Por outro lado, temos a tal mulher linda, sim, estou a referir-me à jovem actriz Julia Roy. Esta rapariga não só é dona de uma beleza bem exótica e sensual, como também é responsável pela melhor prestação do longa. Além disso, ela e Amalric funcionam na perfeição, que casal. Jeanne Balibar está bem, mas no seu caso, lamenta-se que tenha aparecido muito pouco. Já a nossa Victoria Guerra, bom, aparece apenas em duas ou três cenas, a sua personagem em nada acrescenta ao produto final. O filme foi filmado em Lisboa, gostei dessa particularidade, é sempre bom vermos a nossa cidade mostrada lá fora. Vale ainda frisar que o rosto de Julia Roy surge às vezes, muito bem enquadrado no ecrã, parece quase um anjo. Existe uma sequência que envolve um telemóvel e um velório que é delirante. Temos também uma sequência que mostra uma masturbação dupla que é divinal. Mais de metade do filme decorre no interior de uma mansão, por instantes, pareceu-me ouvir o comboio numa das cenas, e porque se vê o mar, penso que a propriedade se deve situar entre Algés e Oeiras. Apesar de ter sido produzido por Paulo Branco, é seguramente um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que é uma verdadeira homenagem ao amor.

La Forêt de Quinconces

Nome do Filme : “La Forêt de Quinconces”
Titulo Inglês : “Fool Moon”
Titulo Português : “O Bosque dos Quincôncios”
Ano : 2016
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Grégoire Leprince-Ringuet
Produção : Paulo Branco
Elenco : Grégoire Leprince-Ringuet, Pauline Caupenne, Amandine Truffy, Marilyne Canto, Antoine Chappey, Thierry Hancisse, Heloise Godet, Caterina Barone.

História : Durante muito tempo, Ondine e Paul viveram uma intensa história de amor. Um dia, farta dos excessos dele e da sensação de impotência que constantemente sentia, Ondine decide terminar a relação. Paul, de coração partido, resolve que nunca mais amará ninguém e que se vingará de todas as mulheres que se cruzarem no seu caminho. Porém, quando chega a bela e enigmática Camille, vê-se novamente enredado no feitiço do amor. Mas a lembrança de Ondine teima em persegui-lo.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante cujo tema principal é basicamente o amor. Nele, acompanhamos a história de um homem que amou muito uma jovem e esta a ele, os dois praticamente fizeram-se adultos um ao outro, mas que devido a atitudes dele, os dois acabam por se separar. Infelizmente para ele, não demora muito até encontrar uma mulher que diz amá-lo de verdade, mas será que isso é verdade. O filme possui ideias muito boas, por exemplo, o feitiço que Camille lança a Paul, deixando-o praticamente a seus pés. De facto, devo confessar que Camille foi uma personagem que me causou excitação e desejo. Por outro lado, a personagem de Ondine, despertou-me o desejo de me aventurar com uma rapariga desconhecida. Aliás, as duas são bem bonitas e interessantes. No papel principal, Grégoire Leprince-Ringuet que além de interpretar o protagonista, é também o realizador da fita, teve uma prestação bem aceitável, dado o material que tinha em mãos. Ele passou-me a impressão de ser alguém desorientado ou mesmo perdido nas suas intenções. Por outro lado, Pauline Caupenne cumpriu aquilo que lhe foi proposto, a sua Camille funciona quase como sendo o objecto de desejo do protagonista, a sua fonte de perdição. Já a Amandine Truffy vai muito bem também, mas como par romantico do protagonista, ela é encantadora e nunca será esquecida por ele. É um filme apelativo e muito interessante, embora eu tenha detestado o seu final.

Les Beaux Jours d'Aranjuez

Nome do Filme : “Les Beaux Jours d'Aranjuez”
Titulo Inglês : “The Beautiful Days Of Aranjuez”
Titulo Português : “Os Belos Dias de Aranjuez”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Produção : Wim Wenders/Gian-Piero Ringel/Paulo Branco
Elenco : Reda Kateb, Sophie Semin, Jens Harzer, Peter Handke, Nick Cave.

História : No norte da França, um escritor começa a fazer esboços para o seu próximo livro e desenvolve, como ponto de partida, um diálogo entre um homem e uma mulher, que se encontram num enorme jardim. Eles discutem, entre outras coisas, questões como sexualidade, amor, infância, juventude e também suas memórias e a vida em si.

Comentário : Perto do final deste filme, um dos personagens diz o seguinte : “Estivemos aqui para nada”, e no fundo penso mesmo que o longa se resume a essa frase. Este é talvez o pior filme do grande e conceituado Wim Wenders. Detentor de longos diálogos poéticos, o filme de certo não irá agradar à maioria, daí as péssimas classificações nos sites da especialidade. Pessoalmente e penso não estar a exagerar, por vezes, as conversas entre o casal protagonista, parecem conversas de malucos. Parecem conversas sem sentido, por vezes cheias de exageros e outras vezes soam a falas de cariz quase infantil. Apesar de eu gostar bastante de filmes com ritmo lento, no caso deste, não gostei nada, tornou ainda mais ridícula toda aquela situação. O personagem do escritor não parece real, quase sem qualquer tipo de expressão, é todo muito artificial e ridículo. O cenário não altera muito e se isso resulta em algumas fitas, no caso desta, em nada abonou a favor da mesma. Enfim, foi uma verdadeira seca para mim assistir a este filme, e vindo de um director como Wim Wenders, muito me surpreendeu. Mas existem alguns aspectos positivos. Por exemplo, as interpretações de Reda Kateb e de Sophie Semin, apesar dos seus personagens “não dizerem pão” na maior parte dos seus diálogos, estão bastante aceitáveis para o material que tinham em mãos, ou seja, no guião. Por último, temos um bonito cenário, apesar de repetitivo e também podemos contar com três boas músicas no decorrer do filme. Visto que os seus mais recentes filmes também não são grande coisa e se os aliarmos a este, então eu recomendo a Wim Wenders que se reforme. Ainda assim, continua a ser um dos meus realizadores preferidos. Mas como o filme é baseado numa peça de um autor importante, se calhar, o ignorante aqui sou eu...

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Cold November

Nome do Filme : “Cold November”
Titulo Inglês : “Cold November”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Aventura/Mystery
Realização : Karl Jacob
Produção : Karl Jacob/Jessica Bergren
Elenco : Bijou Abas, Karl Jacob, Anna Klemp, Heidi Fellner, Mary Kay Fortier-Spalding, Alaina Lucy Rivera, Raymond Brandstrom, Tanner Cape, Bill Cooper.

História : Florence é uma garota que acaba de entrar na adolescência, altura em que terá que enfrentar também um rito de passagem tradicional na sua família : aprender a caçar. O manuseio das armas de fogo e a sobrevivência na natureza selvagem são alguns dos desafios que também a impelem a vencer o trauma da morte da irmã.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste pequeno filme independente sobre a passagem da infância para a adolescência de uma rapariga. Em tirando duas sequências que eu facilmente dispensava, gostei de tudo neste filme. Aquilo que eu mais gostei foi de acompanhar a trajectória da menina protagonista, bem como vê-la atingir os seus objectivos. Além disso, é engraçado vermos raparigas tão novas segurando uma arma de fogo e disparar, é algo que não se vê todos os dias. Vale lembrar que a família também tem um importante papel a desempenhar nestes casos, tanto a nível de ajuda como de incentivo. Houve uma situação que, apesar de explicada, não fez qualquer sentido, mas enfim. O filme foi escrito, produzido e realizado por Karl Jacob, que também desempenha um papel no longa, ele é o tio da nossa menina. Pouco se sabe sobre a irmã da protagonista que falecera, particularmente, achei bem esse mistério, deu mais crédito à história principal. Existem três cenas que marcam a passagem da infância para a adolescência de Flor, cenas essas que estão bem vincadas no longa. A nível das interpretações, o destaque merecido vai logicamente para a jovem Bijou Abas, que tem aqui não só a personagem mais forte e importante do filme, como também aquela que merece mais atenção. Podemos contar com bonitas imagens, afinal, quase todo o filme decorre na floresta, com ambientações campesinas. Por outro lado, temos algumas cenas que chegam a meter algum nojo, que são aquelas que mostram os cervos a serem esventrados e esfolados. O filme passa ainda a sensação e bem de que a vida daquelas pessoas não é nada fácil, principalmente para as adolescentes. Apesar do seu ritmo lento, eu curti bastante este filme. Muito bom.

Utoya 22 Juli

Nome do Filme : “Utoya 22 Juli”
Titulo Inglês : “U-July 22”
Titulo Português : “Utoya, 22 de Julho”
Ano : 2018
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller/Terror/Histórico
Realização : Erik Poppe
Produção : Finn Gjerdrum/Stein B. Kvae/Ravn Wikhaug/Erik Poppe
Elenco : Andrea Berntzen, Elli Rhiannon Muller Osbourne, Ingeborg Enes, Ada Eide, Tamanna Agnihotri, Karoline Petronella Ulfsdatter Schau, Mariann Gjerdsbakk, Aleksander Holmen, Brede Fristad, Solveig Koloen Birkeland, Jenny Svennevig, Sorosh Sadat, Daniel Sang Tran, Torkel Dommersnes Soldal, Yngve Berven, Belinda Sorensen, Ann Iren Odeby, Hang Tran, Magnus Moen.

História : Kaja, uma das muitas raparigas adolescentes presentes na ilha de Utoya em período de férias, no dia 22 de Julho de 2011, vê-se obrigada a lutar pela sua sobrevivência, e tenta, ao mesmo tempo, encontrar a irmã perdida na floresta durante os piores 72 minutos da sua existência.

Comentário : Proveniente do mesmo país de onde aconteceu este atentado, o filme em questão é baseado em acontecimentos reais e foi feito tendo em conta os relatos e os testemunhos de alguns dos sobreviventes do massacre. Eu confesso que já estava há bastante tempo para ver este filme e penso até que ele chegará às nossas salas de cinema em Novembro deste ano. Um ataque terrorista é sempre mau e quem sofre mais são as suas vítimas, seja em que país for. E aqui, as coisas não podiam ser diferentes. Com a particularidade das vitimas serem adolescentes que estavam a passar férias numa ilha norueguesa e, do grupo dos 500, faleceram cerca de 68 jovens. A banda sonora deste filme é preenchida com o som dos tiros e com os sons de tudo aquilo que se passa no local onde os visados estão. Todos os personagens são fictícios, por uma questão de respeito aos mortos. É um filme bastante aflitivo, algumas cenas chegam a causar nervosismo a quem as assiste, devido à sensação de impotência de quem vê aquilo acontecer. Está tudo muito bem filmado, aliás, deve ter dado imenso trabalho filmar e mesmo fazer este filme.

Os jovens actores deram tudo de si nesta produção, deu para constatar isso. Está tudo muito realista. Claro que eu não sou ninguém para criticar isto, mas custa-me a perceber como 1 único homem foi capaz de fazer aquilo, devia ter vindo munido com um saco grande carregado de munições, porque durante setenta minutos de filme, ouvem-se constantemente tiros. Todos os jovens, sendo actores ou amadores, fizeram um excelente trabalho. Mas claro que vale destacar a presença e a poderosa prestação da menina protagonista, a Kaja, brilhantemente interpretada por Andrea Berntzen. Esta jovem actriz esteve perfeita e cumpriu todos os objectivos, sendo o principal : fazer com que, quem a veja a lutar pela sobrevivência e na busca pela irmã, temer pela sua vida e zelar para que tudo corra bem com ela. Eu detestei o final atribuído a Kaja, porque nós a acompanhamos durante mais de oitenta minutos e é triste chegarmos à conclusão que toda aquela preocupação e investimento depositados nela foram em vão. Ainda assim, um dos melhores filmes que vi este ano, uma produção extremamente realista, profunda e que devia ser alvo de um estudo e de um debate. Grande filme.

The First Purge

Nome do Filme : “The First Purge”
Titulo Inglês : “The First Purge”
Titulo Português : “The Purge : A Primeira Noite de Crime”
Ano : 2018
Duração : 99 minutos
Género : Terror/Crime
Realização : Gerard McMurray
Produção : Michael Bay/Jason Blum/Andrew Form/Brad Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Y'lan Noel, Lex Scott Davis, Kristen Solis, Luna Lauren Velez, Mugga, Joivan Wade, Rotimi Paul, Mo McRae, Jermel Howard, Siya, Christian Robinson, Steve Harris, Derek Basco, D. K. Bowser, Mitchell Edwards, Maria Rivera, Chyna Layne, Naszir Nance, Levy Tran, Katina Forte, Melonie Diaz, Marisa Tomei.

História : Quando um novo partido político, o New Founding Fathers Of America, ascende ao poder, é anunciado um novo experimento social. São doze horas sem lei, em que o governo incentiva as pessoas a perderem toda e qualquer inibição. O experimento consiste em que, durante um período noturno de 12 horas, todo e qualquer crime é permitido, processo que nasce naquela noite e o qual se chamará de “A Purga”, que se repetirá anualmente.

Comentário : Este filme de terror é a prequela que tanto se pedia da trilogia de filmes “The Purge” que fez a delícia de muita gente nos últimos anos. O filme bebe muito da fonte recente da diversidade no cinema, a qual eu até estou de acordo, mas tenho que confessar que aqui foram longe de mais nessa intenção. Isto porque o filme tem demasiados personagens negros, dá quase a sensação que naquela cidade habitam poucos brancos. Mas eu vou mais longe, o realizador e os produtores avançam aqui por um caminho perigoso, já que quase fazem apelo ao racismo, visto que existe um grupo de criminosos brancos que se dedica a matar pessoas de raça negra. E eu considero isso um grave erro, ainda que tenha sido intencional. Outro erro que pude detectar foi que, para primeira purga e naquele que era uma espécie de processo experimental, houveram algumas coisas que me pareceram demasiado inovadoras. Nesse aspecto, penso mesmo que podiam ter feito as coisas parecer mais como se de uma primeira vez se tratasse. Por outro lado, as cenas que mostram os crimes a acontecerem estão muito realistas e convencem. Existem duas ou três situações que não funcionam por serem demasiado previsíveis. Há ainda uma situação que sucede com a principal personagem feminina que é, no mínimo, muito curiosa e sugestiva ao mesmo tempo. O filme tem muito sangue e cenas que mostram os instintos de malvadez da maioria dos personagens. Existem coisas que são parecidas com algumas situações vistas nos filmes da trilogia original. A nível das interpretações, todos cumprem os mínimos propostos, embora valha destacar a prestação da jovem e bonita Lex Scott Davis, que é mesmo a personagem que mais brilha ao longo do filme. Em resumo, é um filme razoável, embora não chegue ao nível dos três filmes da trilogia original.

Marvin

Nome do Filme : “Marvin Ou La Belle Éducation”
Titulo Inglês : “Reinventing Marvin”
Titulo Português : “Marvin”
Ano : 2017
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Anne Fontaine
Produção : Philippe Carcassonne/Jean-Louis Livi/Pierre-Alexandre Schwab
Elenco : Isabelle Huppert, Finnegan Oldfield, Jules Porier, Gregory Gadebois, Vincent Macaigne, Catherine Salee, Catherine Mouchet, Charles Berling, India Hair, Luna Lou, Cecile Rebboah, Sharif Andoura, Yannick Morzelle, Lorenzo Lefebvre, Timeo Bolland.

História : A infância e juventude de Marvin, filho de uma família operária pobre numa aldeia da Picardia, um jovem gay que sofre a rejeição e humilhação num local tomado pela homofobia.

Comentário : O filme abre logo com uma sequência onde dois rapazes exercem bullying sobre o nosso protagonista, Marvin. Ao longo da fita, a narrativa deambula constantemente entre passado e presente, entre a infância e o início da fase adulta do protagonista. É um filme que trabalha bem questões como a homossexualidade, a homofobia, o bullying, a pobreza, as carências afectivas, o primeiro amor, as dependências, a compaixão pelo o outro, o amor sob várias perspectivas, a força de vencer, as artes, entre outras coisas. No que toca à questão da homossexualidade, ela nunca é aqui mostrada de forma escandalosa como em outros filmes, mas sim da maneira mais natural possível e como algo que existe e que tem que ser tolerável e aceite. Tal como já disse, o filme divide-se constantemente entre o passado e o presente do protagonista, e os dois actores que vivem essas duas fases estão muito bem nesse papel. Tanto Finnegan Oldfield quanto Jules Porier conseguem nos transmitir na perfeição aquilo que o Marvin menino e o Marvin adulto sentem nas situações variadas em que se encontram envolvidos nas várias partes do filme. Gostei muito da prestação da actriz Catherine Mouchet, que aqui representa uma das professoras do pequeno Marvin, a sua personagem foi essencial para o desenvolvimento da personalidade adulta de Marvin. Aliás, os dois possuem uma química fantástica. Apesar de tudo, até gostei do personagem do pai de Marvin e para isso contribuiu e muito a figura de Gregory Gadebois, seja como actor ou como Dany Bijoux, ele convence na perfeição e a mudança que se dá nele é palpável. Entre as cenas de drama, existem duas em particular que se destacam por serem bem dramáticas e comoventes. Não é um filme sobre gays e muito menos sobre a homossexualidade, é antes um filme sobre sermos nós próprios e felizes como tal. Um último apontamento, este filme funciona ainda como uma homenagem ao teatro.

Slender Man

Nome do Filme : “Slender Man”
Titulo Inglês : “Slender Man”
Titulo Português : “Slender Man”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Sylvain White
Produção : Bradley Fischer/Robyn Meisinger/W. S./James Vanderbilt/Sarah Snow
Elenco : Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso, Jaz Sinclair, Taylor Richardson, Javier Botet, Alex Fitzalan, Jessica Blank, Michael Reilly Burke, Kevin Chapman, Miguel Nascimento, Eddie Frateschi, Gabrielle Lorthe, Kallie Tabor.

História : As amigas Wren, Hallie, Chloe e Katie levam uma vida entediante no colégio. Quando ouvem falar numa criatura chamada “Slender Man”, elas decidem invocá-lo por meio de um vídeo na internet. A brincadeira se transforma num perigo real quando todas começam a ter pesadelos e alucinações da tal criatura. Um dia, uma das meninas desaparece sem deixar rasto, cabendo às três amigas fazerem a sua própria busca, enfrentando os seus medos e a própria criatura.

Comentário : Antes de mais, uma contextualização que quero aqui deixar. A maioria das pessoas que se interessam por isto pensam que a lenda do Slender Man nasceu a partir de uma criação de Victor Surge Knudsen. Em 2009, ele concebeu a imagem de um homem alto, muito magro, de braços e pernas compridos e sem rosto, para um concurso de photoshop. De acordo com este suposto criador, o Slender Man foi inventado inspirado em alguns personagens de Stephen King, mas Victor já disse que não pretendia causar terror nas pessoas. A imagem supostamente criada por Knudsen ganhou a internet há alguns anos e muitos juram já ter visto aparições dessa criatura misteriosa. Supostamente, a criatura é maligna, está associada à floresta e ao campo, costuma raptar pessoas, principalmente crianças e adolescentes, causa pesadelos e alucinações aos que não consegue apanhar, causa tanto desespero às vítimas que elas acabam por enlouquecer ou mesmo suicidar-se. Esta criatura costuma até esconder-se a observar as suas vítimas, quando está próximo delas e quando as consegue apanhar, ele usa os seus braços longos que crescem como se de tentáculos se tratassem. As pessoas que são apanhadas por ele, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. Na actualidade, continua sem se saber, o que o Slender Man faz às suas vítimas. Aqui existe uma questão que merece ser falada : os relatos de aparições do Slender Man já existem muito antes da criação de Knudsem em 2009, para quem não saiba, segundo consta, o Slender Man já aparece desde o final do século XVI e foi visto pela primeira vez numa floresta na Alemanha dessa época. Já existem, inclusive, um documentário e um jogo de vídeo sobre o Slender Man, que já foram considerados como sendo bem mais interessantes do que o filme que agora estreia. Posto isto, vamos ao filme, então.

Após ter visto o filme, confesso que deve ser bem mais divertido e interessante estarmos a pesquisar na internet coisas sobre o Slender Man. Ou mesmo ocuparmos os noventa minutos a vermos o tal documentário sobre a criatura. Vamos aos aspectos negativos do filme. Bom, primeiro e penso que deve ser esse o seu principal problema, a questão da história do filme, é muito fraca e o argumento tem mais buracos do que aquele famoso queijo. Isso já para não falar dos diálogos que são tão pobres que julgo que uma criança de doze anos saberia escrever algo mais interessante para estas personagens. Outro problema do filme é o facto de não assustar quase nada, contam-se pelos dedos de apenas uma das mãos, as vezes que este filme assusta. O realizador expõe muito a criatura e aposta no medo físico em vez do medo psicológico e do desconhecido, o que neste caso é um grande erro, porque o ponto mais forte do Slender Man é aquilo que não se vê, mas que se sente e pensa, o desconhecido, lá está. Penso mesmo que a maior parte dos admiradores dos filmes de horror, preferem o terror psicológico, onde eu me incluo perfeitamente. O filme também peca por ter partes estúpidas e ridículas principalmente em algumas atitudes das meninas protagonistas, por apostar nos clichés do género, por estar sempre a alterar a figura da protagonista. Tem também maus efeitos especiais, eles são muito artificiais em vez de terem apostado nos efeitos práticos. Por último, eles inventaram coisas que nada têm a ver com o Slender Man. Nas coisas positivas, temos uma banda sonora eficaz e quatro excelentes prestações a cargo das nossas quatro actrizes principais. Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso e Jaz Sinclair são o melhor deste filme, quatro grandes personagens e quatro grandes interpretações em quatro grande actrizes. O filme também ficou prejudicado porque teve partes que foi refilmado e partes que foram retiradas e outras inseridas, a montagem sofre de problemas. Espera-se sinceramente que um realizador mais competente e com poder de decisão pegue na lenda do Slender Man e faça um filme digno do histórico e do potencial que esta criatura tem. 


Claire's Camera

Nome do Filme : “La Caméra de Claire”
Titulo Inglês : “Claire's Camera”
Titulo Português : “A Camara de Claire”
Ano : 2017
Duração : 69 minutos
Género : Drama
Realização : Hong Sang-Soo
Produção : Hong Sang-Soo
Elenco : Isabelle Huppert, Kim Min-hee, Chang Mi-hee, Jung Jin-Young, Shahira Fahmy, Yoon Heesun, Wanmin Lee, Taewoo Kang, Mark Peranson.

História : Durante uma viagem de trabalho ao Festival de Cannes, a jovem coreana Manhee é demitida após ser acusada de desonestidade. Ao mesmo tempo, Claire, uma professora e escritora francesa, anda pelas ruas da cidade fotografando com a sua camara. Por acaso, estas duas mulheres se conhecem e têm uma conexão quase instantânea.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que aprecio bastante o cinema do realizador Hong Sang-soo, ele nos faculta geralmente histórias simples, mas bem interessantes. A personagem da Isabelle Huppert é igualmente interessante, trata-se de uma mulher francesa muito culta e sempre disposta a saber mais, a adquirir mais conhecimento. Achei graça ao facto dela andar sempre de camara na mão a fotografar várias pessoas e locais por onde anda, mais curioso ainda é aquela tese dela que relaciona o olhar das pessoas e as fotos. A Kim Min-hee é muito bonita, mas não é isso apenas que a distingue, ela é também uma boa actriz, eu adorei a sua personagem, a Manhee é alguém cativante e uma boa companheira de conversa. As duas funcionam muito bem juntas, seja como actrizes ou como personagens. Aliás, as cenas em que as duas contracenam resultam nos melhores momentos do filme. Temos ainda a actriz que desempenha a patroa da protagonista coreana, ela está muito bem, mas não ao nível das duas referidas anteriormente. Do elenco masculino, apenas vale a pena frisar o actor que desempenhou o realizador coreano, gostei da sua prestação, embora ficasse a dever um pouco a qualquer uma das duas primeiras. O filme é muito curto, neste caso, não me importava de ter visto mais, mais encontros e mais conversas, assuntos não faltariam a estas personagens. E eles falam de imensa coisa, mas o principal tema é a arte. Temos também um cão muito bonito e muito original, cuja principal lamentação em relação a ele, é o facto de aparecer pouco. Podemos contar igualmente com locações muito bonitas. A única coisa que eu lamentei foi o facto de ter havido poucas referências ao Festival de Cannes. Mas no geral, o filme é muito bom, apesar de curto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Beast

Nome do Filme : “Beast”
Titulo Inglês : “Beast”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Michael Pearce
Produção : Lauren Dark/Ivana MacKinnon/Kristian Brodie
Elenco : Jessie Buckley, Johnny Flynn, Geraldine James, Hattie Gotobed, Shannon Tarbet, Emily Taaffe, Trystan Gravelle, Charley Palmer Rothwell, Olwen Fouere, Tim Woodward, Oliver Maltman, Joanna Croll, Barry Aird, Maria de Lima, Claire Rafferty.

História : Uma mulher problemática que vive numa comunidade isolada deve escolher entre uma vida controlada pela sua família opressiva e o fascínio de um estranho suspeito de ter violado e assassinado quatro raparigas adolescentes.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste filme inglês que tem uma forte componente policial, não no sentido de vermos a polícia a investigar ferozmente um caso, mas sim na vertente do mistério. Eu tenho que confessar que este é daqueles filmes em que, mesmo após o final, nós ficamos na dúvida sobre se foi aquilo que vimos ou se foram as opções que imaginámos ao longo da projeção. Isto porque chegamos mesmo a cogitar algumas hipóteses e teorias sobre quem realmente violou e assassinou aquelas quatro adolescentes. Afinal, o filme em si não nos dá muitas explicações e muito menos revelações, ele simplesmente se limita a nos revelar uma suposta verdade ou então nos induz de algo que poderá ou não ser verdade. Pessoalmente, eu imaginei várias coisas, embora tenha desconfiado de algo que era bem capaz de parecer demasiado absurdo, mas que talvez fizesse algum tipo de sentido dado um acontecimento da vida da personagem em questão. Por um tempo, abandonei essa tese minha, mas a última sequência voltou a acender essa chama da dúvida. Quem tiver visto o filme até ao final, entenderá aquilo que eu estou a tentar dizer. A nível das interpretações, as melhores são claramente as da protagonista e do seu par romântico. E eu adorei o cabelo dela. Assim, Jessie Buckley está perfeita no papel da rapariga problemática que vive no seio de uma família opressiva, a jovem actriz consegue nos transmitir várias impressões e elas estão em conformidade com as diversas coisas que lhe vão acontecendo. Já Johnny Flynn, ele passa muito bem a imagem de homem enigmático e misterioso que tanto pode ser uma boa pessoa, como também poderá ser um ser humano capaz das piores atrocidades e maldades. O elenco de secundários vai bem. No fundo, é um bom filme que, com o seu clima de mistério, nos passa aquilo que um filme do género deve realmente transmitir.

Our House

Nome do Filme : “Our House”
Titulo Inglês : “Our House”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Anthony Scott Burns
Produção : Karen Wookey/Lee Kim/Martin Katz/Ulf Israel
Elenco : Thomas Mann, Nicola Peltz, Kate Moyer, Percy Hynes White, John Ralston, Lucius Hoyos, Marcia Bennett, Allison Hossack, Aaron Hale, Robert B. Kennedy.

História : Um jovem acidentalmente cria um aparelho que amplifica a actividade paranormal existente na sua casa, possibilitando o retorno de espíritos de pessoas amadas e abrindo uma porta também para algo muito pior.

Comentário : Hoje vi este novo filme de terror que confesso ter gostado bastante. Na verdade, confesso que aquilo que me despertou mais a atenção foi claramente as presenças no elenco de Thomas Mann e de Nicola Peltz. Embora também me tivesse motivado o facto do filme abordar a componente paranormal. Na realidade, de início talvez quem comece a visionar o filme não dê nada por ele. Até mesmo porque tudo custa a arrancar, mas vos garanto que, a partir de uma determinada altura, as coisas levantam voo e atingem proporções consideráveis. De facto, o clima de tensão adensa-se e os últimos cerca de trinta minutos são uma autêntica “montanha-russa” de emoções. Os primeiros cerca de 60 minutos servem basicamente para o director preparar o terreno, é onde nos são dadas a conhecer as quatro personagens principais que são os três irmãos e a namorada de um deles. Somos também convidados a conhecer o aparelho que supostamente dá início ao problema, bem como as consequências de tudo isso, que se vai manifestando ao longo dos tais primeiros cerca de sessenta minutos. Aquilo que se passa é que, quem assiste a essa hora, fica realmente nervoso e preocupado para que nada de mal suceda aos irmãos, ou seja, para que tudo corra bem para o lado deles. E para isso contribuíram essas quatro prestações que são muito boas.

Já nosso conhecido de outros filmes, o Thomas Mann vai muito bem no seu papel, que se pode mesmo considerar como sendo o protagonista principal. O jovem actor dá-nos a sensação de ser alguém interessado em saber mais, mas que ao mesmo tempo, teme pelas consequências. Além disso, a empatia dele com os dois irmãos resulta muito bem, os três são bastante funcionais, seja juntos ou separadamente. A Nicola Peltz aparece pouco mas ainda assim está perfeitamente operante e representa bem sempre que dela precisamos. O Percy Hynes White está ok, ele transmite-nos bem a perspectiva de um adolescente que está confuso com as súbitas alterações que ocorrem na sua habitação. Por último, a pequena e talentosa Kate Moyer, ela representa Becca, a irmã caçula. Esta menina está espectacular neste seu registo, ela vai bem como irmã deles e como criança carente das presenças dos pais falecidos e que está em perigo. Para além da actriz ser muito querida, não me importava que fosse minha filha. No fundo, é graças a estas quatro grandes prestações e também à história bem escrita e desenvolvida, que o filme cativa e nos embala pela positiva nos primeiros cerca de sessenta minutos. Os últimos cerca de trinta minutos são muito agitados e tensos, como eu já referi. No entanto, e agora vai um pequeno spoiler : faltou saber onde estava o corpo da pequena Alice...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

The Darkest Minds

Nome do Filme : “The Darkest Minds”
Titulo Inglês : “The Darkest Minds”
Titulo Português : “Mentes Poderosas”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Ficção-Científica/Drama/Romance/Aventura/Thriller
Realização : Jennifer Yuh Nelson
Produção : Dan Levine/Shawn Levy
Elenco : Amandla Stenberg, Harris Dickinson, Miya Cech, Skylan Brooks, Mandy Moore, Golden Brooks, Gwendoline Christie, Patrick Gibson, Mark O'Brien, Wade Williams, Catherine Dyer, Wallace Langham, Bradley Whitford, Faye Foley, Kami King, Sammi Rotibi, Deja Dee, Ivylyn Nickel, Tegan Jones, McCarrie McCausland, Grace DeAmicis, Izabella Dzmitryieu, Larkin Campbell.

História : Num mundo pós-apocalíptico, uma estranha doença matou a maioria das crianças e adolescentes. Os que sobreviveram desenvolveram poderes sobre-humanos. Por causa disso, o governo criou vários campos de “reabilitação” onde todos são colocados. Entre eles está Ruby, uma rapariga de 16 anos que desde os dez revelou ter poderes extraordinários. Quando ela decide fugir do lugar onde passou os últimos seis anos, apercebe-se de que pelo mundo fora, outras crianças e adolescentes fugiram para tentar reencontrar as suas famílias, acabando por se juntar a mais três adolescentes. Assim, para conseguirem escapar às perseguições das autoridades e vencer as ameaças, os quatro têm que aprender a trabalhar em conjunto e a controlar seus poderes.

Comentário (Com Spoilers) : Olá meus amigos, hoje trago-vos o comentário a um filme que estreou à bem pouco tempo nas salas de cinema, ele chama-se “The Darkest Minds – Mentes Poderosas” e é uma adaptação de um primeiro livro de uma trilogia que, infelizmente, penso que os seguintes não irão ver a luz do dia no cinema. Este tipo de filmes ou sagas não é de hoje, há pelo menos mais de uma década que Hollywood vem insistindo nisso. Dentro desses filmes de adolescentes, tivemos sagas que fizeram sucesso como “Harry Potter”, “Hunger Games” ou mesmo “Narnia”, mas tivemos também outras sagas que foram fracassos como “Divergent” ou mesmo “Maze Runner”. Pessoalmente e em tirando “Divergent”, eu gostei de todas elas, sim, eu gosto muito deste tipo de filmes. São filmes que nos permitem reviver a nossa infância e adolescência e que, por cerca de duas horas, fazem-nos entrar num mundo alternativo e nós sonhamos e vivemos aquelas realidades, em que tudo funciona como que um escape para as nossas tristes e duras realidades, que é o mundo real. Posto isto, vamos ao filme.

Aquilo que eu mais gostei neste filme foi claramente a história, as quatro prestações principais e as quatro personagens respectivas que no caso, são também adolescentes. A história é parecida com a dos “X-Men”, que eu gosto bastante. A seguir ao Homem-Aranha e às super-heroínas, eles são os meus super-heróis favoritos. Neste caso, nós temos um pouco disso, porque tem uma altura em que estes quatro elementos se juntam e usam os seus poderes juntos para combater um inimigo comum. Além disso, o filme ou a realizadora souberam trabalhar e fundir muito bem os géneros da ficção-científica com o drama e com o romance. Gostei muito das cenas de ação, elas estão muito boas e bem executadas. Mas aquilo que eu mais gostei foi mesmo dos quatro personagens principais e respectivas prestações, mas em especial da Ruby. A Amandla Stenberg deu-nos a clara ideia de como seria uma jovem nas suas condições e com o passado que era portadora. Ela convence totalmente no papel da adolescente insegura que ainda não sabe controlar os seus poderes, além disso a sua química com o jovem Harris Dickinson funciona muito bem e ele é outro que está igualmente seguro e bem no seu papel. O jovem actor interpretou bem o seu boneco, tão bem, que por vezes pareceu-me estar a ver o jovem Magneto. A Miya Cech, bom, essa menina me encantou, mesmo sem proferir uma única palavra (que eu lembre) ao longo dos 100 minutos, a sua Zu é tão fôfa e ternurenta que nos deixa apaixonados pela sua personagem, principalmente devido à sua doçura e inocência. E depois temos o Skylan Brooks que, embora tenha sido o mais apagado dos quatro, foi aquele que nos despertou mais preocupação devido a uma determinada situação que sucede com ele perto do final.

Agora vou entrar em spoilers do filme, por isso, se ainda não tiverem visto o filme, é melhor que parem a leitura por aqui e vão à sala de cinema conferir o longa. Bom, é assim, o filme não é só coisa boa, é lógico que tem coisas que eu não gostei. Desde logo a duração do mesmo, 100 minutos é muito pouco para contar esta interessante história, quase todos os 22 filmes que compõem as cinco sagas mencionadas no início deste comentário têm pelo menos duas horas ou mais de duração, enquanto que este possui apenas 100 minutos, se não contar-mos com os créditos. E isso é pouco, existem coisas neste filme que mereciam ser melhor contadas, que careciam de uma explicação. Mesmo tendo em conta a intenção dos estúdios em filmar os outros 2 filmes que compõem a trilogia literária, algumas coisas ficavam melhor, caso tivessem um encerramento de arco, uma simples conclusão. Outra coisa que não fez sentido é o facto de ao longo do filme darem-nos a entender que o governo americano possui aprisionada uma criança de categoria vermelha que eles a consideram uma espécie de último recurso para conseguir vencer as batalhas e, no final, aparecem imensos jovens de categoria vermelha e que ainda por cima, não dão luta quase nenhuma.

Fiquei sem saber onde estava o potencial dos elementos dessa categoria e porque motivo eram tão temidos. Sério, fiquei a temer mais pelos laranjas, que se revelaram bem mais poderosos. Ler e controlar mentes é algo extremamente forte e quem fosse capaz de o fazer, bom, seria o ser mais poderoso do planeta. O certo para mim no final, seria aquela menina de categoria vermelha mostrando todo o seu potencial contra os nossos quatro protagonistas que dariam tudo o que têm contra ela, isso sim, seria o final perfeito. E não aquele personagem inútil do filho do presidente que além de ser bem idiota, infelizmente, continuou vivo para uma possível continuação, não faz qualquer sentido. Hollywood tem um grave problema porque gosta de manter vilões de primeiros filmes para usá-los em possíveis continuações, tudo para continuar a explorar o pavio, em vez de apostar em inimigos novos, mais interessantes e com novos desafios para os bons da fita. Também não faz sentido a Ruby ter usado aquele seu poder de apagar da memória de outros a sua existência, neste caso dos próprios pais, não entendi isso. Penso também que toda a sequência naquele acampamento do filho do presidente era desnecessária, bastava confrontá-lo com os quatro protagonistas na batalha final, tipo aliá-lo à menina de categoria vermelha, seria bem mais interessante. Além disso, o filme peca também por ter imensos clichés do género e por ter outras coisas mal explicadas e outras que podiam ter sido inseridas para benefício do longa. Mas eu gostei do que vi.


Down A Dark Hall

Nome do Filme : “Down A Dark Hall”
Titulo Inglês : “Down A Dark Hall”
Titulo Português : “Corredor Assombrado”
Ano : 2018
Duração : 96 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror
Realização : Rodrigo Cortés
Produção : Stephenie Meyer/Meghan Hibbett/Adrián Guerra/W. G./Marty Bowen
Elenco : Uma Thurman, AnnaSophia Robb, Isabelle Fuhrman, Victoria Moroles, Taylor Russell, Rosie Day, Rebecca Front, Jodhi May, Kirsty Mitchell, Julia Stresen-Reuter Ramírez, Noah Silver, Jim Sturgeon, David Elliot, Pip Torrens, Brian Bovell.

História : Katherine Gordy é enviada para o conceituado Blackwood, um colégio interno para raparigas situado numa mansão isolada, onde os pais esperam que ela aprenda a comportar-se. Assim que ali chega, conhece Madame Duret, uma mulher austera e pouco condescendente que gere a instituição com o máximo rigor. É então que Katherine e as suas quatro colegas se apercebem de que, quando a noite cai, algo de estranho começa a cercar o lugar e que estão por sua conta.

Comentário : Recentemente estreado nas salas de cinema, este é o filme de terror do momento. Sendo uma co-produção entre a Espanha e os Estados Unidos, o filme é realizado por Rodrigo Cortés (Buried), que neste seu novo filme aposta numa fotografia escura e nas interpretações das suas cinco protagonistas. Podemos contar, como eu já disse, com uma fotografia assente em tons escuros que nos faculta sequências belíssimas. Veja-se por exemplo, aquela sequência que decorre à noite num dos quartos da mansão onde as cinco raparigas se refugiam após serem vítimas de um susto, está tão bem filmada que chega mesmo a encantar, principalmente a maneira como são captados os rostos das meninas. O filme sobrevive basicamente devido aos dois primeiros actos, onde ele nos dá a conhecer a história e os problemas de cada uma das cinco raparigas e onde nos mostra e explica coisas sobre a mansão e a sua proprietária. Infelizmente, o terceiro acto acaba por estragar tudo construído até então para nos entregar uma história a mais sobre aquilo que nos foi anteriormente contado e mostrado, tudo servido com acontecimentos estúpidos e outras coisas sem nexo, já para não falar dos habituais clichés próprios do género.

A Rosie Day é Sierra, e a actriz consegue dar a conhecer-nos um pouco de si, pena é que o roteiro deu-lhe pouca substância e a faz quase desaparecer a meio do filme. A Taylor Russell é Ashley, e a actriz transmite-nos direitinho a percepção da sua personagem ser alguém perdida no mundo e desorientada à cerca daquilo que quer realmente ser ou fazer da sua vida, e tal como a anterior, fica-se a lamentar os seus destinos na história. A Victoria Moroles encarna a provocadora Veronica, e chega mesmo a ser a nina que mais curiosidade desperta ao longo da história, mas atribuem um twist ridículo à sua personagem, embora o roteiro acabe por ser seu amigo, felizmente. A Isabelle Fuhrman é Izzy, e dá gosto vê-la representar a sua personagem que é a mais enigmática das cinco, mas o seu final é uma ofensa. A AnnaSophia Robb desempenha a personagem principal (Katherine) e tem a melhor prestação das cinco, o filme desenvolve-a bem e é a única que tem o seu arco encerrado. E a Uma Thurman tem possivelmente a prestação mais plástica e artificial da sua carreira. Gostei do filme, mas esperava outro tratamento para as quatro meninas e um terceiro acto tolerável e em conformidade com os dois primeiros.

He's Out There

Nome do Filme : “He's Out There”
Titulo Inglês : “He's Out There”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Quinn Lasher
Produção : Adrienne Biddle
Elenco : Yvonne Strahovski, Anna Pniowsky, Abigail Pniowsky, Justin Bruening, Julian Bailey.

História : Uma jovem mãe chega com as suas duas filhas pequenas a uma casa de campo onde pretendem passar as férias, ficando apenas à espera do marido que chegará mais tarde com prendas para as meninas. Com o passar das horas, ela sente que algo não está bem, reparando que está incomunicável naquela região remota. Com o cair da noite, as coisas pioram e as três descobrem que estão à mercê de um psicopata que apesar de estar lá fora de casa, vai fazê-las passar a pior experiência das suas vidas.

Comentário : Felizmente que ainda existem bons filmes de terror na actualidade, sim, este é um desses filmes. Se o objectivo dos responsáveis por este filme era gerar medo a quem o visse, então ele foi cumprido, porque eu confesso que na noite em que o vi fiquei com receio de me deitar. Eu temi pela vida das personagens principais, eu preocupei-me realmente com o destino delas e isso é sinal que o filme surtiu efeito. Quando quem assiste a um filme de terror sente a preocupação para que nada de mal suceda aos personagens principais e fica nervoso ao longo de todo o processo, é porque a coisa funcionou e o longa cumpriu as metas propostas. Eu gostei deste filme não só devido a esses aspectos, como também por sentir pânico e nervosismo em algumas cenas. Em tirando as atitudes estúpidas e sem sentido do pai das meninas, eu penso que não existe muito de errado neste filme de terror. Sim, ele possui alguns clichés do género, mas o realizador soube trabalhá-los bem e o resultado é, em grande parte, bastante positivo.

Volto a dizer, existem aqui cenas bem aflitivas e que nos provocam muito nervosismo e ansiedade, para não dizer pânico. Afinal, as potenciais vítimas são duas crianças pequenas, já para não falar da mãe delas que, a dada altura, perde o controlo da situação e quando as duas meninas se encontram à mercê do mal, então está tudo estragado. A nível das interpretações, a actriz Yvonne Strahovski manda bem no seu papel, tem uma prestação bem aceitável para aquilo que lhe foi exigido, a sua Laura convence. Mas quem carrega o filme nas costas no que à representação diz respeito, são as manas Anna Pniowsky e Abigail Pniowsky, estas duas meninas deixaram-me boquiaberto com a qualidade das suas prestações, muito a cima da média para a tenra idade que têm. Espero sinceramente que a sétima arte lhes abra as portas do sucesso que elas merecem. Por último, o vilão, este está aceitável, não é nenhum “super-homem”, ele é apenas um homem cheio de maldade com um passado muito negro, alguém como muitos outros por esse mundo fora, que só se sentem bem a fazer o mal. E falando nisso, as cenas em que ele contracena com as miúdas são as mais tensas e aflitivas do filme inteiro. O final agrada pelas razões que vocês irão facilmente perceber, com a excepção de dois detalhes que deixam um gostinho amargo na boca.