quarta-feira, 29 de agosto de 2018

The First Purge

Nome do Filme : “The First Purge”
Titulo Inglês : “The First Purge”
Titulo Português : “The Purge : A Primeira Noite de Crime”
Ano : 2018
Duração : 99 minutos
Género : Terror/Crime
Realização : Gerard McMurray
Produção : Michael Bay/Jason Blum/Andrew Form/Brad Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Y'lan Noel, Lex Scott Davis, Kristen Solis, Luna Lauren Velez, Mugga, Joivan Wade, Rotimi Paul, Mo McRae, Jermel Howard, Siya, Christian Robinson, Steve Harris, Derek Basco, D. K. Bowser, Mitchell Edwards, Maria Rivera, Chyna Layne, Naszir Nance, Levy Tran, Katina Forte, Melonie Diaz, Marisa Tomei.

História : Quando um novo partido político, o New Founding Fathers Of America, ascende ao poder, é anunciado um novo experimento social. São doze horas sem lei, em que o governo incentiva as pessoas a perderem toda e qualquer inibição. O experimento consiste em que, durante um período noturno de 12 horas, todo e qualquer crime é permitido, processo que nasce naquela noite e o qual se chamará de “A Purga”, que se repetirá anualmente.

Comentário : Este filme de terror é a prequela que tanto se pedia da trilogia de filmes “The Purge” que fez a delícia de muita gente nos últimos anos. O filme bebe muito da fonte recente da diversidade no cinema, a qual eu até estou de acordo, mas tenho que confessar que aqui foram longe de mais nessa intenção. Isto porque o filme tem demasiados personagens negros, dá quase a sensação que naquela cidade habitam poucos brancos. Mas eu vou mais longe, o realizador e os produtores avançam aqui por um caminho perigoso, já que quase fazem apelo ao racismo, visto que existe um grupo de criminosos brancos que se dedica a matar pessoas de raça negra. E eu considero isso um grave erro, ainda que tenha sido intencional. Outro erro que pude detectar foi que, para primeira purga e naquele que era uma espécie de processo experimental, houveram algumas coisas que me pareceram demasiado inovadoras. Nesse aspecto, penso mesmo que podiam ter feito as coisas parecer mais como se de uma primeira vez se tratasse. Por outro lado, as cenas que mostram os crimes a acontecerem estão muito realistas e convencem. Existem duas ou três situações que não funcionam por serem demasiado previsíveis. Há ainda uma situação que sucede com a principal personagem feminina que é, no mínimo, muito curiosa e sugestiva ao mesmo tempo. O filme tem muito sangue e cenas que mostram os instintos de malvadez da maioria dos personagens. Existem coisas que são parecidas com algumas situações vistas nos filmes da trilogia original. A nível das interpretações, todos cumprem os mínimos propostos, embora valha destacar a prestação da jovem e bonita Lex Scott Davis, que é mesmo a personagem que mais brilha ao longo do filme. Em resumo, é um filme razoável, embora não chegue ao nível dos três filmes da trilogia original.

Marvin

Nome do Filme : “Marvin Ou La Belle Éducation”
Titulo Inglês : “Reinventing Marvin”
Titulo Português : “Marvin”
Ano : 2017
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Anne Fontaine
Produção : Philippe Carcassonne/Jean-Louis Livi/Pierre-Alexandre Schwab
Elenco : Isabelle Huppert, Finnegan Oldfield, Jules Porier, Gregory Gadebois, Vincent Macaigne, Catherine Salee, Catherine Mouchet, Charles Berling, India Hair, Luna Lou, Cecile Rebboah, Sharif Andoura, Yannick Morzelle, Lorenzo Lefebvre, Timeo Bolland.

História : A infância e juventude de Marvin, filho de uma família operária pobre numa aldeia da Picardia, um jovem gay que sofre a rejeição e humilhação num local tomado pela homofobia.

Comentário : O filme abre logo com uma sequência onde dois rapazes exercem bullying sobre o nosso protagonista, Marvin. Ao longo da fita, a narrativa deambula constantemente entre passado e presente, entre a infância e o início da fase adulta do protagonista. É um filme que trabalha bem questões como a homossexualidade, a homofobia, o bullying, a pobreza, as carências afectivas, o primeiro amor, as dependências, a compaixão pelo o outro, o amor sob várias perspectivas, a força de vencer, as artes, entre outras coisas. No que toca à questão da homossexualidade, ela nunca é aqui mostrada de forma escandalosa como em outros filmes, mas sim da maneira mais natural possível e como algo que existe e que tem que ser tolerável e aceite. Tal como já disse, o filme divide-se constantemente entre o passado e o presente do protagonista, e os dois actores que vivem essas duas fases estão muito bem nesse papel. Tanto Finnegan Oldfield quanto Jules Porier conseguem nos transmitir na perfeição aquilo que o Marvin menino e o Marvin adulto sentem nas situações variadas em que se encontram envolvidos nas várias partes do filme. Gostei muito da prestação da actriz Catherine Mouchet, que aqui representa uma das professoras do pequeno Marvin, a sua personagem foi essencial para o desenvolvimento da personalidade adulta de Marvin. Aliás, os dois possuem uma química fantástica. Apesar de tudo, até gostei do personagem do pai de Marvin e para isso contribuiu e muito a figura de Gregory Gadebois, seja como actor ou como Dany Bijoux, ele convence na perfeição e a mudança que se dá nele é palpável. Entre as cenas de drama, existem duas em particular que se destacam por serem bem dramáticas e comoventes. Não é um filme sobre gays e muito menos sobre a homossexualidade, é antes um filme sobre sermos nós próprios e felizes como tal. Um último apontamento, este filme funciona ainda como uma homenagem ao teatro.

Slender Man

Nome do Filme : “Slender Man”
Titulo Inglês : “Slender Man”
Titulo Português : “Slender Man”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Sylvain White
Produção : Bradley Fischer/Robyn Meisinger/W. S./James Vanderbilt/Sarah Snow
Elenco : Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso, Jaz Sinclair, Taylor Richardson, Javier Botet, Alex Fitzalan, Jessica Blank, Michael Reilly Burke, Kevin Chapman, Miguel Nascimento, Eddie Frateschi, Gabrielle Lorthe, Kallie Tabor.

História : As amigas Wren, Hallie, Chloe e Katie levam uma vida entediante no colégio. Quando ouvem falar numa criatura chamada “Slender Man”, elas decidem invocá-lo por meio de um vídeo na internet. A brincadeira se transforma num perigo real quando todas começam a ter pesadelos e alucinações da tal criatura. Um dia, uma das meninas desaparece sem deixar rasto, cabendo às três amigas fazerem a sua própria busca, enfrentando os seus medos e a própria criatura.

Comentário : Antes de mais, uma contextualização que quero aqui deixar. A maioria das pessoas que se interessam por isto pensam que a lenda do Slender Man nasceu a partir de uma criação de Victor Surge Knudsen. Em 2009, ele concebeu a imagem de um homem alto, muito magro, de braços e pernas compridos e sem rosto, para um concurso de photoshop. De acordo com este suposto criador, o Slender Man foi inventado inspirado em alguns personagens de Stephen King, mas Victor já disse que não pretendia causar terror nas pessoas. A imagem supostamente criada por Knudsen ganhou a internet há alguns anos e muitos juram já ter visto aparições dessa criatura misteriosa. Supostamente, a criatura é maligna, está associada à floresta e ao campo, costuma raptar pessoas, principalmente crianças e adolescentes, causa pesadelos e alucinações aos que não consegue apanhar, causa tanto desespero às vítimas que elas acabam por enlouquecer ou mesmo suicidar-se. Esta criatura costuma até esconder-se a observar as suas vítimas, quando está próximo delas e quando as consegue apanhar, ele usa os seus braços longos que crescem como se de tentáculos se tratassem. As pessoas que são apanhadas por ele, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. Na actualidade, continua sem se saber, o que o Slender Man faz às suas vítimas. Aqui existe uma questão que merece ser falada : os relatos de aparições do Slender Man já existem muito antes da criação de Knudsem em 2009, para quem não saiba, segundo consta, o Slender Man já aparece desde o final do século XVI e foi visto pela primeira vez numa floresta na Alemanha dessa época. Já existem, inclusive, um documentário e um jogo de vídeo sobre o Slender Man, que já foram considerados como sendo bem mais interessantes do que o filme que agora estreia. Posto isto, vamos ao filme, então.

Após ter visto o filme, confesso que deve ser bem mais divertido e interessante estarmos a pesquisar na internet coisas sobre o Slender Man. Ou mesmo ocuparmos os noventa minutos a vermos o tal documentário sobre a criatura. Vamos aos aspectos negativos do filme. Bom, primeiro e penso que deve ser esse o seu principal problema, a questão da história do filme, é muito fraca e o argumento tem mais buracos do que aquele famoso queijo. Isso já para não falar dos diálogos que são tão pobres que julgo que uma criança de doze anos saberia escrever algo mais interessante para estas personagens. Outro problema do filme é o facto de não assustar quase nada, contam-se pelos dedos de apenas uma das mãos, as vezes que este filme assusta. O realizador expõe muito a criatura e aposta no medo físico em vez do medo psicológico e do desconhecido, o que neste caso é um grande erro, porque o ponto mais forte do Slender Man é aquilo que não se vê, mas que se sente e pensa, o desconhecido, lá está. Penso mesmo que a maior parte dos admiradores dos filmes de horror, preferem o terror psicológico, onde eu me incluo perfeitamente. O filme também peca por ter partes estúpidas e ridículas principalmente em algumas atitudes das meninas protagonistas, por apostar nos clichés do género, por estar sempre a alterar a figura da protagonista. Tem também maus efeitos especiais, eles são muito artificiais em vez de terem apostado nos efeitos práticos. Por último, eles inventaram coisas que nada têm a ver com o Slender Man. Nas coisas positivas, temos uma banda sonora eficaz e quatro excelentes prestações a cargo das nossas quatro actrizes principais. Joey King, Julia Goldani Telles, Annalise Basso e Jaz Sinclair são o melhor deste filme, quatro grandes personagens e quatro grandes interpretações em quatro grande actrizes. O filme também ficou prejudicado porque teve partes que foi refilmado e partes que foram retiradas e outras inseridas, a montagem sofre de problemas. Espera-se sinceramente que um realizador mais competente e com poder de decisão pegue na lenda do Slender Man e faça um filme digno do histórico e do potencial que esta criatura tem. 


Claire's Camera

Nome do Filme : “La Caméra de Claire”
Titulo Inglês : “Claire's Camera”
Titulo Português : “A Camara de Claire”
Ano : 2017
Duração : 69 minutos
Género : Drama
Realização : Hong Sang-Soo
Produção : Hong Sang-Soo
Elenco : Isabelle Huppert, Kim Min-hee, Chang Mi-hee, Jung Jin-Young, Shahira Fahmy, Yoon Heesun, Wanmin Lee, Taewoo Kang, Mark Peranson.

História : Durante uma viagem de trabalho ao Festival de Cannes, a jovem coreana Manhee é demitida após ser acusada de desonestidade. Ao mesmo tempo, Claire, uma professora e escritora francesa, anda pelas ruas da cidade fotografando com a sua camara. Por acaso, estas duas mulheres se conhecem e têm uma conexão quase instantânea.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que aprecio bastante o cinema do realizador Hong Sang-soo, ele nos faculta geralmente histórias simples, mas bem interessantes. A personagem da Isabelle Huppert é igualmente interessante, trata-se de uma mulher francesa muito culta e sempre disposta a saber mais, a adquirir mais conhecimento. Achei graça ao facto dela andar sempre de camara na mão a fotografar várias pessoas e locais por onde anda, mais curioso ainda é aquela tese dela que relaciona o olhar das pessoas e as fotos. A Kim Min-hee é muito bonita, mas não é isso apenas que a distingue, ela é também uma boa actriz, eu adorei a sua personagem, a Manhee é alguém cativante e uma boa companheira de conversa. As duas funcionam muito bem juntas, seja como actrizes ou como personagens. Aliás, as cenas em que as duas contracenam resultam nos melhores momentos do filme. Temos ainda a actriz que desempenha a patroa da protagonista coreana, ela está muito bem, mas não ao nível das duas referidas anteriormente. Do elenco masculino, apenas vale a pena frisar o actor que desempenhou o realizador coreano, gostei da sua prestação, embora ficasse a dever um pouco a qualquer uma das duas primeiras. O filme é muito curto, neste caso, não me importava de ter visto mais, mais encontros e mais conversas, assuntos não faltariam a estas personagens. E eles falam de imensa coisa, mas o principal tema é a arte. Temos também um cão muito bonito e muito original, cuja principal lamentação em relação a ele, é o facto de aparecer pouco. Podemos contar igualmente com locações muito bonitas. A única coisa que eu lamentei foi o facto de ter havido poucas referências ao Festival de Cannes. Mas no geral, o filme é muito bom, apesar de curto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Beast

Nome do Filme : “Beast”
Titulo Inglês : “Beast”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Michael Pearce
Produção : Lauren Dark/Ivana MacKinnon/Kristian Brodie
Elenco : Jessie Buckley, Johnny Flynn, Geraldine James, Hattie Gotobed, Shannon Tarbet, Emily Taaffe, Trystan Gravelle, Charley Palmer Rothwell, Olwen Fouere, Tim Woodward, Oliver Maltman, Joanna Croll, Barry Aird, Maria de Lima, Claire Rafferty.

História : Uma mulher problemática que vive numa comunidade isolada deve escolher entre uma vida controlada pela sua família opressiva e o fascínio de um estranho suspeito de ter violado e assassinado quatro raparigas adolescentes.

Comentário : Confesso ter gostado bastante deste filme inglês que tem uma forte componente policial, não no sentido de vermos a polícia a investigar ferozmente um caso, mas sim na vertente do mistério. Eu tenho que confessar que este é daqueles filmes em que, mesmo após o final, nós ficamos na dúvida sobre se foi aquilo que vimos ou se foram as opções que imaginámos ao longo da projeção. Isto porque chegamos mesmo a cogitar algumas hipóteses e teorias sobre quem realmente violou e assassinou aquelas quatro adolescentes. Afinal, o filme em si não nos dá muitas explicações e muito menos revelações, ele simplesmente se limita a nos revelar uma suposta verdade ou então nos induz de algo que poderá ou não ser verdade. Pessoalmente, eu imaginei várias coisas, embora tenha desconfiado de algo que era bem capaz de parecer demasiado absurdo, mas que talvez fizesse algum tipo de sentido dado um acontecimento da vida da personagem em questão. Por um tempo, abandonei essa tese minha, mas a última sequência voltou a acender essa chama da dúvida. Quem tiver visto o filme até ao final, entenderá aquilo que eu estou a tentar dizer. A nível das interpretações, as melhores são claramente as da protagonista e do seu par romântico. E eu adorei o cabelo dela. Assim, Jessie Buckley está perfeita no papel da rapariga problemática que vive no seio de uma família opressiva, a jovem actriz consegue nos transmitir várias impressões e elas estão em conformidade com as diversas coisas que lhe vão acontecendo. Já Johnny Flynn, ele passa muito bem a imagem de homem enigmático e misterioso que tanto pode ser uma boa pessoa, como também poderá ser um ser humano capaz das piores atrocidades e maldades. O elenco de secundários vai bem. No fundo, é um bom filme que, com o seu clima de mistério, nos passa aquilo que um filme do género deve realmente transmitir.

Our House

Nome do Filme : “Our House”
Titulo Inglês : “Our House”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Anthony Scott Burns
Produção : Karen Wookey/Lee Kim/Martin Katz/Ulf Israel
Elenco : Thomas Mann, Nicola Peltz, Kate Moyer, Percy Hynes White, John Ralston, Lucius Hoyos, Marcia Bennett, Allison Hossack, Aaron Hale, Robert B. Kennedy.

História : Um jovem acidentalmente cria um aparelho que amplifica a actividade paranormal existente na sua casa, possibilitando o retorno de espíritos de pessoas amadas e abrindo uma porta também para algo muito pior.

Comentário : Hoje vi este novo filme de terror que confesso ter gostado bastante. Na verdade, confesso que aquilo que me despertou mais a atenção foi claramente as presenças no elenco de Thomas Mann e de Nicola Peltz. Embora também me tivesse motivado o facto do filme abordar a componente paranormal. Na realidade, de início talvez quem comece a visionar o filme não dê nada por ele. Até mesmo porque tudo custa a arrancar, mas vos garanto que, a partir de uma determinada altura, as coisas levantam voo e atingem proporções consideráveis. De facto, o clima de tensão adensa-se e os últimos cerca de trinta minutos são uma autêntica “montanha-russa” de emoções. Os primeiros cerca de 60 minutos servem basicamente para o director preparar o terreno, é onde nos são dadas a conhecer as quatro personagens principais que são os três irmãos e a namorada de um deles. Somos também convidados a conhecer o aparelho que supostamente dá início ao problema, bem como as consequências de tudo isso, que se vai manifestando ao longo dos tais primeiros cerca de sessenta minutos. Aquilo que se passa é que, quem assiste a essa hora, fica realmente nervoso e preocupado para que nada de mal suceda aos irmãos, ou seja, para que tudo corra bem para o lado deles. E para isso contribuíram essas quatro prestações que são muito boas.

Já nosso conhecido de outros filmes, o Thomas Mann vai muito bem no seu papel, que se pode mesmo considerar como sendo o protagonista principal. O jovem actor dá-nos a sensação de ser alguém interessado em saber mais, mas que ao mesmo tempo, teme pelas consequências. Além disso, a empatia dele com os dois irmãos resulta muito bem, os três são bastante funcionais, seja juntos ou separadamente. A Nicola Peltz aparece pouco mas ainda assim está perfeitamente operante e representa bem sempre que dela precisamos. O Percy Hynes White está ok, ele transmite-nos bem a perspectiva de um adolescente que está confuso com as súbitas alterações que ocorrem na sua habitação. Por último, a pequena e talentosa Kate Moyer, ela representa Becca, a irmã caçula. Esta menina está espectacular neste seu registo, ela vai bem como irmã deles e como criança carente das presenças dos pais falecidos e que está em perigo. Para além da actriz ser muito querida, não me importava que fosse minha filha. No fundo, é graças a estas quatro grandes prestações e também à história bem escrita e desenvolvida, que o filme cativa e nos embala pela positiva nos primeiros cerca de sessenta minutos. Os últimos cerca de trinta minutos são muito agitados e tensos, como eu já referi. No entanto, e agora vai um pequeno spoiler : faltou saber onde estava o corpo da pequena Alice...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

The Darkest Minds

Nome do Filme : “The Darkest Minds”
Titulo Inglês : “The Darkest Minds”
Titulo Português : “Mentes Poderosas”
Ano : 2018
Duração : 105 minutos
Género : Ficção-Científica/Drama/Romance/Aventura/Thriller
Realização : Jennifer Yuh Nelson
Produção : Dan Levine/Shawn Levy
Elenco : Amandla Stenberg, Harris Dickinson, Miya Cech, Skylan Brooks, Mandy Moore, Golden Brooks, Gwendoline Christie, Patrick Gibson, Mark O'Brien, Wade Williams, Catherine Dyer, Wallace Langham, Bradley Whitford, Faye Foley, Kami King, Sammi Rotibi, Deja Dee, Ivylyn Nickel, Tegan Jones, McCarrie McCausland, Grace DeAmicis, Izabella Dzmitryieu, Larkin Campbell.

História : Num mundo pós-apocalíptico, uma estranha doença matou a maioria das crianças e adolescentes. Os que sobreviveram desenvolveram poderes sobre-humanos. Por causa disso, o governo criou vários campos de “reabilitação” onde todos são colocados. Entre eles está Ruby, uma rapariga de 16 anos que desde os dez revelou ter poderes extraordinários. Quando ela decide fugir do lugar onde passou os últimos seis anos, apercebe-se de que pelo mundo fora, outras crianças e adolescentes fugiram para tentar reencontrar as suas famílias, acabando por se juntar a mais três adolescentes. Assim, para conseguirem escapar às perseguições das autoridades e vencer as ameaças, os quatro têm que aprender a trabalhar em conjunto e a controlar seus poderes.

Comentário (Com Spoilers) : Olá meus amigos, hoje trago-vos o comentário a um filme que estreou à bem pouco tempo nas salas de cinema, ele chama-se “The Darkest Minds – Mentes Poderosas” e é uma adaptação de um primeiro livro de uma trilogia que, infelizmente, penso que os seguintes não irão ver a luz do dia no cinema. Este tipo de filmes ou sagas não é de hoje, há pelo menos mais de uma década que Hollywood vem insistindo nisso. Dentro desses filmes de adolescentes, tivemos sagas que fizeram sucesso como “Harry Potter”, “Hunger Games” ou mesmo “Narnia”, mas tivemos também outras sagas que foram fracassos como “Divergent” ou mesmo “Maze Runner”. Pessoalmente e em tirando “Divergent”, eu gostei de todas elas, sim, eu gosto muito deste tipo de filmes. São filmes que nos permitem reviver a nossa infância e adolescência e que, por cerca de duas horas, fazem-nos entrar num mundo alternativo e nós sonhamos e vivemos aquelas realidades, em que tudo funciona como que um escape para as nossas tristes e duras realidades, que é o mundo real. Posto isto, vamos ao filme.

Aquilo que eu mais gostei neste filme foi claramente a história, as quatro prestações principais e as quatro personagens respectivas que no caso, são também adolescentes. A história é parecida com a dos “X-Men”, que eu gosto bastante. A seguir ao Homem-Aranha e às super-heroínas, eles são os meus super-heróis favoritos. Neste caso, nós temos um pouco disso, porque tem uma altura em que estes quatro elementos se juntam e usam os seus poderes juntos para combater um inimigo comum. Além disso, o filme ou a realizadora souberam trabalhar e fundir muito bem os géneros da ficção-científica com o drama e com o romance. Gostei muito das cenas de ação, elas estão muito boas e bem executadas. Mas aquilo que eu mais gostei foi mesmo dos quatro personagens principais e respectivas prestações, mas em especial da Ruby. A Amandla Stenberg deu-nos a clara ideia de como seria uma jovem nas suas condições e com o passado que era portadora. Ela convence totalmente no papel da adolescente insegura que ainda não sabe controlar os seus poderes, além disso a sua química com o jovem Harris Dickinson funciona muito bem e ele é outro que está igualmente seguro e bem no seu papel. O jovem actor interpretou bem o seu boneco, tão bem, que por vezes pareceu-me estar a ver o jovem Magneto. A Miya Cech, bom, essa menina me encantou, mesmo sem proferir uma única palavra (que eu lembre) ao longo dos 100 minutos, a sua Zu é tão fôfa e ternurenta que nos deixa apaixonados pela sua personagem, principalmente devido à sua doçura e inocência. E depois temos o Skylan Brooks que, embora tenha sido o mais apagado dos quatro, foi aquele que nos despertou mais preocupação devido a uma determinada situação que sucede com ele perto do final.

Agora vou entrar em spoilers do filme, por isso, se ainda não tiverem visto o filme, é melhor que parem a leitura por aqui e vão à sala de cinema conferir o longa. Bom, é assim, o filme não é só coisa boa, é lógico que tem coisas que eu não gostei. Desde logo a duração do mesmo, 100 minutos é muito pouco para contar esta interessante história, quase todos os 22 filmes que compõem as cinco sagas mencionadas no início deste comentário têm pelo menos duas horas ou mais de duração, enquanto que este possui apenas 100 minutos, se não contar-mos com os créditos. E isso é pouco, existem coisas neste filme que mereciam ser melhor contadas, que careciam de uma explicação. Mesmo tendo em conta a intenção dos estúdios em filmar os outros 2 filmes que compõem a trilogia literária, algumas coisas ficavam melhor, caso tivessem um encerramento de arco, uma simples conclusão. Outra coisa que não fez sentido é o facto de ao longo do filme darem-nos a entender que o governo americano possui aprisionada uma criança de categoria vermelha que eles a consideram uma espécie de último recurso para conseguir vencer as batalhas e, no final, aparecem imensos jovens de categoria vermelha e que ainda por cima, não dão luta quase nenhuma.

Fiquei sem saber onde estava o potencial dos elementos dessa categoria e porque motivo eram tão temidos. Sério, fiquei a temer mais pelos laranjas, que se revelaram bem mais poderosos. Ler e controlar mentes é algo extremamente forte e quem fosse capaz de o fazer, bom, seria o ser mais poderoso do planeta. O certo para mim no final, seria aquela menina de categoria vermelha mostrando todo o seu potencial contra os nossos quatro protagonistas que dariam tudo o que têm contra ela, isso sim, seria o final perfeito. E não aquele personagem inútil do filho do presidente que além de ser bem idiota, infelizmente, continuou vivo para uma possível continuação, não faz qualquer sentido. Hollywood tem um grave problema porque gosta de manter vilões de primeiros filmes para usá-los em possíveis continuações, tudo para continuar a explorar o pavio, em vez de apostar em inimigos novos, mais interessantes e com novos desafios para os bons da fita. Também não faz sentido a Ruby ter usado aquele seu poder de apagar da memória de outros a sua existência, neste caso dos próprios pais, não entendi isso. Penso também que toda a sequência naquele acampamento do filho do presidente era desnecessária, bastava confrontá-lo com os quatro protagonistas na batalha final, tipo aliá-lo à menina de categoria vermelha, seria bem mais interessante. Além disso, o filme peca também por ter imensos clichés do género e por ter outras coisas mal explicadas e outras que podiam ter sido inseridas para benefício do longa. Mas eu gostei do que vi.


Down A Dark Hall

Nome do Filme : “Down A Dark Hall”
Titulo Inglês : “Down A Dark Hall”
Titulo Português : “Corredor Assombrado”
Ano : 2018
Duração : 96 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror
Realização : Rodrigo Cortés
Produção : Stephenie Meyer/Meghan Hibbett/Adrián Guerra/W. G./Marty Bowen
Elenco : Uma Thurman, AnnaSophia Robb, Isabelle Fuhrman, Victoria Moroles, Taylor Russell, Rosie Day, Rebecca Front, Jodhi May, Kirsty Mitchell, Julia Stresen-Reuter Ramírez, Noah Silver, Jim Sturgeon, David Elliot, Pip Torrens, Brian Bovell.

História : Katherine Gordy é enviada para o conceituado Blackwood, um colégio interno para raparigas situado numa mansão isolada, onde os pais esperam que ela aprenda a comportar-se. Assim que ali chega, conhece Madame Duret, uma mulher austera e pouco condescendente que gere a instituição com o máximo rigor. É então que Katherine e as suas quatro colegas se apercebem de que, quando a noite cai, algo de estranho começa a cercar o lugar e que estão por sua conta.

Comentário : Recentemente estreado nas salas de cinema, este é o filme de terror do momento. Sendo uma co-produção entre a Espanha e os Estados Unidos, o filme é realizado por Rodrigo Cortés (Buried), que neste seu novo filme aposta numa fotografia escura e nas interpretações das suas cinco protagonistas. Podemos contar, como eu já disse, com uma fotografia assente em tons escuros que nos faculta sequências belíssimas. Veja-se por exemplo, aquela sequência que decorre à noite num dos quartos da mansão onde as cinco raparigas se refugiam após serem vítimas de um susto, está tão bem filmada que chega mesmo a encantar, principalmente a maneira como são captados os rostos das meninas. O filme sobrevive basicamente devido aos dois primeiros actos, onde ele nos dá a conhecer a história e os problemas de cada uma das cinco raparigas e onde nos mostra e explica coisas sobre a mansão e a sua proprietária. Infelizmente, o terceiro acto acaba por estragar tudo construído até então para nos entregar uma história a mais sobre aquilo que nos foi anteriormente contado e mostrado, tudo servido com acontecimentos estúpidos e outras coisas sem nexo, já para não falar dos habituais clichés próprios do género.

A Rosie Day é Sierra, e a actriz consegue dar a conhecer-nos um pouco de si, pena é que o roteiro deu-lhe pouca substância e a faz quase desaparecer a meio do filme. A Taylor Russell é Ashley, e a actriz transmite-nos direitinho a percepção da sua personagem ser alguém perdida no mundo e desorientada à cerca daquilo que quer realmente ser ou fazer da sua vida, e tal como a anterior, fica-se a lamentar os seus destinos na história. A Victoria Moroles encarna a provocadora Veronica, e chega mesmo a ser a nina que mais curiosidade desperta ao longo da história, mas atribuem um twist ridículo à sua personagem, embora o roteiro acabe por ser seu amigo, felizmente. A Isabelle Fuhrman é Izzy, e dá gosto vê-la representar a sua personagem que é a mais enigmática das cinco, mas o seu final é uma ofensa. A AnnaSophia Robb desempenha a personagem principal (Katherine) e tem a melhor prestação das cinco, o filme desenvolve-a bem e é a única que tem o seu arco encerrado. E a Uma Thurman tem possivelmente a prestação mais plástica e artificial da sua carreira. Gostei do filme, mas esperava outro tratamento para as quatro meninas e um terceiro acto tolerável e em conformidade com os dois primeiros.

He's Out There

Nome do Filme : “He's Out There”
Titulo Inglês : “He's Out There”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Quinn Lasher
Produção : Adrienne Biddle
Elenco : Yvonne Strahovski, Anna Pniowsky, Abigail Pniowsky, Justin Bruening, Julian Bailey.

História : Uma jovem mãe chega com as suas duas filhas pequenas a uma casa de campo onde pretendem passar as férias, ficando apenas à espera do marido que chegará mais tarde com prendas para as meninas. Com o passar das horas, ela sente que algo não está bem, reparando que está incomunicável naquela região remota. Com o cair da noite, as coisas pioram e as três descobrem que estão à mercê de um psicopata que apesar de estar lá fora de casa, vai fazê-las passar a pior experiência das suas vidas.

Comentário : Felizmente que ainda existem bons filmes de terror na actualidade, sim, este é um desses filmes. Se o objectivo dos responsáveis por este filme era gerar medo a quem o visse, então ele foi cumprido, porque eu confesso que na noite em que o vi fiquei com receio de me deitar. Eu temi pela vida das personagens principais, eu preocupei-me realmente com o destino delas e isso é sinal que o filme surtiu efeito. Quando quem assiste a um filme de terror sente a preocupação para que nada de mal suceda aos personagens principais e fica nervoso ao longo de todo o processo, é porque a coisa funcionou e o longa cumpriu as metas propostas. Eu gostei deste filme não só devido a esses aspectos, como também por sentir pânico e nervosismo em algumas cenas. Em tirando as atitudes estúpidas e sem sentido do pai das meninas, eu penso que não existe muito de errado neste filme de terror. Sim, ele possui alguns clichés do género, mas o realizador soube trabalhá-los bem e o resultado é, em grande parte, bastante positivo.

Volto a dizer, existem aqui cenas bem aflitivas e que nos provocam muito nervosismo e ansiedade, para não dizer pânico. Afinal, as potenciais vítimas são duas crianças pequenas, já para não falar da mãe delas que, a dada altura, perde o controlo da situação e quando as duas meninas se encontram à mercê do mal, então está tudo estragado. A nível das interpretações, a actriz Yvonne Strahovski manda bem no seu papel, tem uma prestação bem aceitável para aquilo que lhe foi exigido, a sua Laura convence. Mas quem carrega o filme nas costas no que à representação diz respeito, são as manas Anna Pniowsky e Abigail Pniowsky, estas duas meninas deixaram-me boquiaberto com a qualidade das suas prestações, muito a cima da média para a tenra idade que têm. Espero sinceramente que a sétima arte lhes abra as portas do sucesso que elas merecem. Por último, o vilão, este está aceitável, não é nenhum “super-homem”, ele é apenas um homem cheio de maldade com um passado muito negro, alguém como muitos outros por esse mundo fora, que só se sentem bem a fazer o mal. E falando nisso, as cenas em que ele contracena com as miúdas são as mais tensas e aflitivas do filme inteiro. O final agrada pelas razões que vocês irão facilmente perceber, com a excepção de dois detalhes que deixam um gostinho amargo na boca. 

Bajo La Piel de Lobo

Nome do Filme : “Bajo La Piel de Lobo”
Titulo Inglês : “The Skin Of The Wolf”
Titulo Português : “Sob a Pele do Lobo”
Ano : 2017
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Samu Fuentes
Produção : Joseba Garmendia/Javier Pruaño
Elenco : Mario Casas, Irene Escolar, Ruth Díaz, Kandido Uranga, Josean Bengoetxea, Ainhoa Sanchez, Patricia Cid, Francisco Dominguez, Laura Cuellar, Gustavo Sanchez.

História : Isolado numa remota montanha no norte da Espanha, um caçador resolve acabar com a solidão arrumando uma esposa.

Comentário : Hoje venho aqui comentar um filme espanhol de que gostei bastante, trata-se de uma fita que, sendo feita no país vizinho, foge muito ao tipo de produções que eles costumam fazer. A ação do filme decorre inteiramente e totalmente no campo e eu confesso que não entendi em que época se passa, penso que isso não foi especificado, pelo menos foi isso que eu percebi. Ainda assim, a história é bem interessante e cativante, eu mesmo fiquei sempre concentrado na tela e na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. O filme tem poucos diálogos, aliás, aqui os poucos personagens só falam quando é realmente necessário. Temos paisagens e imagens belíssimas, a fotografia é também um dos pontos altos do longa. Também podemos contar com cenas de matança de animais e com cenas de sexo, estas últimas são apresentadas de forma muito crua, sem contemplações. Sim, é uma fita dura e crua, afinal, tudo se passa em meio rural, as pessoas têm poucos recursos e ocupam o tempo da maneira como podem e sabem. A nível das interpretações, a melhor de todas pertence ao nosso protagonista, Mario Casas está brutal neste seu registo, o actor convence totalmente. As duas mulheres relevantes aqui, também têm interpretações consistentes e aceitáveis, embora a mais nova esteja melhor. Confesso que lamentei o destino do protagonista, penso mesmo que ele merecia ser feliz. Mas o filme é muito bom mesmo, gostei realmente.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

The Villainess

Nome do Filme : “Aknyeo”
Titulo Inglês : “The Villainess”
Titulo Português : “A Vilã”
Ano : 2017
Duração : 125 minutos
Género : Ação/Drama
Realização : Byung-gil Jung
Elenco : Ok-bin Kim, Ha-kyun Shin, Jun Sung, Seo-hyeong Kim, Eun-ji Jo, Ye-Ji Min, Hae-Kyun Jung, Yun-Woo Kim, Seung-Joo Lee, Cheol-min Park, Min-Ji Son.

História : Uma assassina altamente treinada e sedenta por vingança deve dez anos de serviço a uma organização governamental para obter a sua liberdade.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que prefiro os filmes de artes marciais coreanos, chineses e japoneses do que os americanos e quem acompanha estas quatro ou duas maneiras de fazer esse tipo de filmes deve facilmente perceber as razões . Nos últimos dez anos, surgiu no cinema americano de ação uma maneira de filmar as cenas que se traduz numa técnica que muitos e bem afirmam como ter sido responsável por ter estragado o já referido cinema de ação. Essa técnica consiste em filmar os movimentos dos actores nas cenas de luta de maneira muito rápida, cheia de cortes e montagens, originando que quem vê essas cenas, não entenda muito bem aquilo que se está a passar, o que gera muita confusão. Claro que essa foi uma maneira que os estúdios arranjaram para esconder eventuais erros, camuflar as incorreções de alguns efeitos especiais, para além de não nos facultar uma locação muito nítida. E isso desagradou a imensa gente, grupo esse onde eu me incluo. Mas no cinema oriental, isso raramente acontece, porque se passa exactamente o contrário, aqui a ação é filmada de forma perfeita, nós ficamos inteiramente por dentro daquilo que se está a passar e não vale a pena estar aqui a citar exemplos dessas duas faces da moeda.

Assim, este “A Vilã” é uma delícia como filme de ação, aliás, gostava de saber como certas cenas foram filmadas. Claro que tem situações absurdas, mas isso é normal neste tipo de filmes. Eu adorei a protagonista deste filme, eu gosto muito de personagens femininas fortes e poderosas, apesar de também gostar imenso quando elas são sensíveis e bondosas. Enfim, a protagonista deste filme tem personalidade e a actriz que a desempenha fez um bom trabalho de representação, seja interpretativo ou físico. O acompanhar da evolução e do desenvolvimento desta protagonista é uma das melhores coisas do longa, ela é alguém cheia de camadas e bem complexa. Além disso, este filme prova como se faz bem um filme parecido com um jogo de vídeo, a sequência de abertura de 7 minutos é fenomenal. Infelizmente, a história tem alguns furos, onde o constante vai e vem da narrativa torna as coisas confusas. Mas, como filme de ação, ele funciona bem.

Severina

Nome do Filme : “Severina”
Titulo Inglês : “Severina”
Titulo Português : “Severina”
Ano : 2017
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : Felipe Hirsch
Produção : Rodrigo Teixeira
Elenco : Javier Drolas, Carla Quevedo, Alfredo Castro, Alejandro Awada, Daniel Hendler, Mirella Pascual, Alfonso Tort, Nestor Guzzini, Gonzalo Delgado, Hugo Piccinini, Pedro Dalton, Nuria Fló, Susana Groisman, Anaclara Ferreyra Palfy.

História : O proprietário de uma livraria se encanta por uma rapariga que visita a sua loja e volta dia após dia para cometer furtos. Inicialmente ele não reage, ficando até excitado com a situação. Mas, numa das vezes, mais interessado em puxar conversa do que recuperar o prejuízo, ele a encurrala. Ela passa então a pegar livros em outros estabelecimentos, porém ele não está disposto a se libertar daquela misteriosa obsessão.

Comentário : É impressionante como por vezes e do nada, nasce uma relação entre um homem e uma mulher, este filme fez-me pensar muito sobre isso. O filme em questão é uma co-produção entre o Brasil e o Uruguai e é escrito e dirigido por Felipe Hirsch, que se sai muito bem nestas duas funções. A história é bem interessante e o filme está muito bem filmado, na maior parte das cenas com a camara focada no rosto dos actores principais. No começo, quase nada nos é revelado à cerca da personagem feminina principal e penso ter sido esse o truque para que nós tivéssemos ficado concentrados na maior parte do tempo, já que no decorrer do longa, vão sendo reveladas coisas sobre ela, o que também fez com que gostássemos dela. Não sendo um thriller, o filme acaba por nos envolver num clima de tensão, porque ficamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O filme tem duas ou três sequências que podiam ter sido facilmente retiradas na pós-produção, penso que elas não adiantam nem contribuem nada para o todo. No papel principal, vemos um bastante aceitável Javier Drolas, eu simpatizei com o seu personagem logo de início, ele tem um rosto pelo qual nos é fácil afeiçoar. Também Carla Quevedo está muito bem aqui, ela não só possui uma boa interpretação, como também mantém uma boa química com o seu par de actuação. Por último, tenho que confessar que já esperava aquele final, dado a natureza da protagonista feminina.

sábado, 18 de agosto de 2018

First Reformed

Nome do Filme : “First Reformed”
Titulo Inglês : “First Reformed”
Titulo Português : “No Coração da Escuridão”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Schrader
Elenco : Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric Kyles, Victoria Hill, Michael Gaston, Philip Ettinger, Van Hansis, Kristin Villanueva, Krystina Alabado, Bill Hoag, Satchel Eden Bell, Sue Jean Kim, Frank Murray, Gary Lee Mahmoud, Michael Metta, Frank Rodriguez, Ramon Nunez, Mahaleia Gray, Joseph Anthony Jerez, Tyler Bourke.

História : Ernest Toller é um ex-militar que, após a morte do filho na Guerra do Iraque, se refugiou na fé. É assim que, tornado pastor, acaba por ser colocado numa pequena localidade a norte de New York. Lá, conhece Mary, uma jovem a atravessar um momento difícil com o marido, um ambientalista radical. Através deles, Toller descobre uma série de negócios obscuros entre a Igreja que representa e algumas empresas pouco escrupulosas da região.

Comentário : Tal como o filme anterior, este também não nos joga à cara a religião, segue antes pela temática ecológica e pela problemática da crise em que o nosso planeta vive. Sendo assim, não é segredo para ninguém que o ser humano está a dar cabo do planeta Terra aos poucos devido às suas atitudes, tendo principal incidência nos grandes e poderosos, como grandes empresas e altos interesses. E felizmente que este filme segue por esse caminho, metendo o dedo na ferida, coisa que acontece não só um pouco por todo o filme, mas sendo mais evidente numa sequência em especial que confronta num café o nosso protagonista com o nojento proprietário de uma mega empresa. E foi lamentável que esse confronto não se tivesse repetido na sequência final na Igreja. Confesso ter gostado deste filme, ele possui todo um clima de uma suave tensão que está quase sempre presente. Mas afirmo, trata-se de uma obra com um ritmo muito lento, dificilmente irá agradar à maioria, eu pessoalmente, gostei muito, aprecio imenso este tipo de cinema. O realizador é bom e faz bons filmes, é veterano e isso nota-se neste seu último registo. Destaque também para o formato em que o filme nos é apresentado, tipo quadrado, aliás, está tudo muito bem filmado. Ethan Hawke é um excelente actor e aqui prova isso mais uma vez, eu gostei bastante do seu personagem. Amanda Seyfried aparece aqui bem discreta, mas a sua personagem é a mais interessante do longa, o seu drama é abertamente palpável. Infelizmente, o filme perde muito devido ao seu final, um desfecho ridículo, diria mesmo, estúpido, aliás o filme não tem final. A meio de uma cena, tudo fica escuro e começam a aparecer os créditos finais, fazendo com que a fita não tenha uma conclusão. Eu fiquei mesmo danado com isso, mas ainda assim, tenho que dizer que até à marca dos cem minutos, o filme é muito bom.

The Apparition

Nome do Filme : “L'Apparition”
Titulo Inglês : “The Apparition”
Titulo Português : “A Aparição”
Ano : 2018
Duração : 145 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Giannoli
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Vincent Lindon, Galatea Bellugi, Alicia Hava, Elina Lowensohn, Patrick D'Assumção, Anatole Taubman, Claude Leveque, Gerard Dessalles, Bruno Georis, Candice Bouchet, Marie-Helene Aubert, Aurore Broutin, Geoffroy De La Taille, Sandrine Ferraro, Cidney Khosta, Marc Raffray, Axelle Simon.

História : Jacques é jornalista num grande jornal regional de França. Sua reputação como um investigador atrai a atenção do Vaticano, que o recruta para integrar uma equipa de investigação canônica.

Comentário : Olá meus amigos, sejam bem-vindos a mais um comentário a um filme. Desta vez, resolvi comentar um filme que tem uma componente religiosa, mas que tem o mérito de não nos impingir isso, ou seja, vai muito na linha de outros filmes com essa temática já comentados por mim neste espaço que não o fazem. Sim, eu gostei deste filme, entre outras coisas, porque ele trabalhou bem o seu tema principal e também porque os dois personagens principais resultaram muito bem, seja juntos ou de maneira separada. Dividido em seis capítulos, este filme segue a um ritmo lento que não irá agradar à maioria, ele não é um produto de Hollywood, nada disso, é cinema europeu e do melhor. Nos principais papéis, encontramos um sempre bestial Vincent Lindon, este actor é excelente lá por aquelas bandas e volta a fazer aqui um trabalho exemplar, o seu personagem é contagiante e convincente. A seu lado, vemos a jovem Galatea Bellugi, actriz vista pela primeira vez por mim num filme comentado aqui recentemente, e mais uma vez, ela volta a cativar com a sua personagem. Aliás, são as cenas em que estes dois contracenam que resultam nos melhores momentos do longa. O filme possui paisagens muito bonitas, algumas locações são no campo, o que dá à fita um tom mais natural e especial. Ao longo de duas horas, somos cuidadosamente envolvidos num enorme clima de mistério e dúvida sobre duas das questões principais, onde acabamos por ser esclarecidos no final do quinto capítulo e durante o último capítulo, respectivamente. Volto a dizer, não é um filme fácil de assistir, por exemplo, não recomendo aqueles jovens que gostam de filmes mexidos americanos a visioná-lo, não é da onda deles. Mas a todos aqueles que gostam de um bom drama envolvente, que admiram cinema a sério, então recomendo o filme, porque ele é de qualidade e é bom.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Foxtrot

Nome do Filme : “Foxtrot”
Titulo Inglês : “Foxtrot”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Drama
Realização : Samuel Maoz
Produção : Michael Weber
Elenco : Lior Ashkenazi, Sarah Adler, Shira Haas, Yonaton Shiray, Dekel Adin, Yehuda Almagor, Shaul Amir, Gefen Barkai, Ran Buxenbaum, Rami Buzaglo, Aryeh Cherner, Eden Daniel, Yael Eisenberg, Itay Exlroad, Eden Gmliel, Ilia Grosz, Sabine Hellstorff, Irit Kaplan, Noam Lugasy, Imani Reiser, Ruti Tamir, Karin Ugowski, Itamar Rotschild, Roi Miller, Nimrod Levi, Gony Lidror, Firas Nassar, Yaakov Zada Daniel.

História : Michael e Daphna, que moram em Tel Aviv, estão enfrentando um grande sofrimento pela perda do filho, que morreu no cumprimento do dever. Os dois precisam reaprender a viver com a tragédia que mudou as suas vidas.

Comentário : Dado a estas andanças da guerra em Israel e depois do magnífico “Líbano”, Samuel Maoz aparece-nos agora com este “Foxtrot”, um trabalho que não chega aos calcanhares do registo referido anteriormente. Este filme só não foi uma total desilusão para mim, porque possui um primeiro e um terceiro acto muito bons, ao contrário do segundo acto que eu detestei bastante. O filme segue a um ritmo bem penetrante e prende-nos a atenção até mais ou menos à marca dos cerca de trinta e cinco minutos para depois cortar de repente o que vemos e nos convidar e mal a conhecer o outro lado da história que, diga-se de passagem, não é nada interessante e só quebra a nossa imersão naquilo que nos estava a ser magistralmente contado e mostrado no primeiro acto. E o pior é que é tudo servido de situações estúpidas e sem o mínimo de interesse, pelo menos para mim. Felizmente, pela marca dos cerca de oitenta minutos, regressamos à história inicial e o filme voltou a cativar-me. Esta é a história de todos aqueles pais e mães que perdem os seus filhos para a porcaria da guerra, que é algo que só tem dois fins : preencher os interesses dos grandes e poderosos e fazer milhares de vitimas inocentes que, sob a idiotice do lema “ter que servir o país”, perdem as suas vidas em vão. De entre as interpretações, apenas se destacam três : as da família, claro. Lior Ashkenazi está muito bem no registo de pai do soldado morto, ele convence ao mostrar o enorme desespero do seu personagem. Quem também está muito bem é a elegante Sarah Adler, no papel da mãe da vítima, aliás, ela e ele convencem perfeitamente enquanto casal. Sem esquecer a bonita e jovem Shira Haas que, apesar de pouco aparecer, nos encanta com a sua beleza e com a ternura da sua prestação. Enfim, podia ter gostado mais do filme, mas as coisas boas superaram as más, felizmente.

Keeper

Nome do Filme : “Keeper”
Titulo Inglês : “Keeper”
Ano : 2015
Duração : 94 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Guillaume Senez
Produção : Isabelle Truc
Elenco : Kacey Mottet Klein, Galatea Bellugi, Catherine Salee, Laetitia Dosch, Sam Louwyck, Cedric Vieira, Vincent Sornaga, Dominique Baeyens, Beatrice Didier, Corentin Lobet, Aaron Duqaine, Leopold Buchsbaum, Sophia Leboutte, Mounia Raoui, Theo Dardenne, Alain Bellot, Sarah Ber, Emmanuelle Gilles-Rousseau, Karol Tatiana Ararat Mora, Bastien Rempp, Helene Kapako, Paloma Garcia Martens, Mathilde Warnier, Zoé De Smet.

História : Maxime e Mélanie têm ambos 15 anos de idade e apaixonam-se. Quase a completarem quatro meses de namoro, Mélanie descobre estar grávida dele. Depois de muito pensarem e de quase desistirem de terem a criança, os dois decidem que vão levar a gravidez para a frente. No entanto, o casal não contava com o poder das suas respectivas mães e com as duras leis da sociedade.

Comentário : Aos olhos de muitas sociedades, uma rapariga que engravida na fase da adolescência ou mesmo no início da idade adulta, é quase um crime e algo totalmente intolerável, razão pela qual são os pais e mães das meninas grávidas que ditam o destino desses bebés que é quase sempre o aborto. Infelizmente é o que temos. Claro que aquilo que se passa neste pequeno filme de noventa minutos é quase isso, e embora não sendo isso, vai dar ao mesmo, a mãe da menina grávida arranjou maneira de se livrar do neto e da responsabilidade de o criar. E quem perdeu mais no meio deste processo foram os pais do bebé. O filme evoca imenso estas duras realidades, embora neste caso seja de louvar o facto do pai da criança estar disposto a assumir o filho e todas as responsabilidades e tarefas que isso acarreta. E tudo podia ter dado certo, com a ajuda os avós paternos e não fosse a maldade da avó materna. Desculpem-me estes spoilers, mas infelizmente não existe outra maneira de comentar isto que vi, até porque eu não me revejo neste tipo de sociedades. Quem gosta deste tipo de história, certamente vai querer ver à mesma este filme, apesar de eu ter vomitado aqui alguns spoilers. Claramente que as melhores interpretações desta produção estão a cargo do casal protagonista, Kacey Mottet Klein e Galatea Bellugi estão espectaculares aqui e a empatia entre eles é o ponto mais alto do longa. Parecem um casal de verdade. Podemos contar também com uma boa fotografia que aqui age sempre a favor do filme e não o contrário. Penso que o filme podia ter tido uma carga dramática ainda maior, mas eu fiquei muito satisfeito com aquilo que vi.

A Ciambra

Nome do Filme : “A Ciambra”
Titulo Inglês : “The Ciambra”
Titulo Português : “Ciganos da Ciambra”
Ano : 2017
Duração : 118 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Jonas Carpignano
Produção : Paolo Carpignano/Martin Scorsese
Elenco : Pio Amato, Iolanda Amato, Patrizia Amato, Susanna Amato, Damiano Amato, Rocco Amato, Francesco Pio Amato, Damiano Nicolas Amato, Riccardo Amato, Gesuele Massimo Amato, Cosimo Damiano Amato, Massimo Amato, Antonella Amato, Simona Amato, Marcello Amato, Rocco Pio Amato, Donatella Amato, Enzo Amato, Fabrizio Addolorata Amato, Maria Addolorata Amato, Cristina Amato, Francesca Pia Amato, Maria Amato, Vincenzo Amato, Koudous Seihon, Pasquale Alampi, U Ciccarredù, Francisco Berlingeri, Maria Rusinova Asenova, Faith Uchenna Uburu, Michele Bovalino, Simona Asenova, Vincenzo Sposato, Francesco Papasergio, Nino Papasergio, Joy Odundia, Mark Benjamin, Vincenzo Fazzolari, Maria Swamy Rotolo.

História : Numa comunidade romani na Calabria, Pio Amato, um jovem de 14 anos, vive uma vida de rua. Relaciona-se tanto com italianos como com refugiados africanos, mas também com marginais. Tendo como modelo o irmão mais velho, Cosimo, cedo recorre, tal como ele, ao crime como estratégia de sobrevivência. Mas, um dia, Cosimo desaparece do pedaço e o ainda miúdo é obrigado a crescer e tornar-se o homem que continuadamente tentou provar ser.

Comentário : Aviso já que não darei qualquer tipo de opinião sobre o que acho do povo cigano, tal como nunca me pronunciei à cerca do povo africano ou de qualquer outro. O que aqui interessa é o cinema enquanto arte, e neste caso o que interessa mesmo é o que eu achei deste filme. Adorei este filme, apesar de ele conter uma ou duas coisas que eu não simpatizei tanto, mas vou interpretá-las como sendo conveniências de roteiro. Já devem ter reparado que os nomes da maioria dos actores são os mesmos dos seus personagens, foi como se a família Amato aceitasse ser filmada ou como se estivessem a representá-los a eles mesmos. Sem mais rodeios, este é um dos filmes mais realistas que eu já vi, tudo o que vemos parece estar mesmo a acontecer, como se o elenco não soubesse que estava a ser filmado. Eu adorei o Pio Amato deste filme, ele não é apenas o melhor personagem do longa, como também é um rapaz com imenso carisma e estilo. Mesmo sabendo que grande parte das coisas que ele faz estão erradas e não se deviam fazer, ainda assim, nós simpatizamos imenso com ele, nós gostamos realmente dele. No fundo, ele é uma espécie de espírito livre, e penso ser essa a verdadeira essência da maioria dos ciganos. Nesse sentido, não penso que o realizador nos dê uma má imagem deles, nada disso, em vez de tal, ele nos faculta a ideia deles serem seres humanos como quaisquer outros, e de serem também mais carenciados e vítimas de discriminação do que outros povos. Eu gostei bastante de acompanhar os Amato, apesar da fita se centrar mais em Pio, eu gostei também da Patrizia e da matriarca da família, Iolanda. Tal como disse, em tirando duas situações que não fizeram muito sentido para mim, eu gostei bastante deste filme alternativo, mas penso que se trata de um objecto direcionado a um “nicho”, ele tem um ritmo muito lento. Gostei desta experiência cinematográfica.

The Girl With All The Gifts

Nome do Filme : “The Girl With All The Gifts”
Titulo Inglês : “The Girl With All The Gifts”
Titulo Português : “A Menina Com Todos os Dons”
Ano : 2016
Duração : 111 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Colm McCarthy
Produção : Camille Gatin/Angus Lamont
Elenco : Sennia Nanua, Gemma Arterton, Paddy Considine, Glenn Close, Anthony Welsh, Anamaria Marinca, Fisayo Akinade, Dominique Tipper, Joe Lomas, Eli Lane, Connor Pratt, Grace McGee, Tessa Morris, Mia Garcha.

História : Num futuro próximo, um estranho vírus transforma pessoas em insaciáveis zumbis, agindo de maneira diferente em relação às crianças. Entre essas crianças, encontra-se uma menina que os cientistas acreditam ter a cura que salvará a humanidade.

Comentário : Não vou negar, gosto bastante de filmes de zumbis, embora confesse que prefiro os recentes, porque aqueles de antigamente, em tirando os filmes do falecido George Romero, não gosto muito. E este filme que venho aqui comentar agora não é mau. No fundo, é uma fita que funde o drama, o thriller e o terror, resultando numa mistura bastante eficaz que nos mantém sempre concentrado durante quase duas horas. Na componente de thriller, podemos contar com um pequeno grupo de pessoas que percorrem uma terra destruída e repleta de mortos-vivos com a intenção de sobreviverem e de encontrarem um porto seguro. Por outro lado e na componente dramática, acompanhamos a relação ternurenta e empática entre a menina do titulo e uma jovem mulher que jurou protegê-la dos interesses maléficos dos cientistas. Por fim, na componente de terror, temos todos os elementos desse pequeno grupo a tentarem defender-se dos zumbis e a matá-los, se necessário, tudo dentro de um clima de grande tensão. E por falar em tensão, o filme tem sim os seus grandes momentos dela, basta vermos a sequência em que eles enfrentam um grupo de crianças selvagens que pretendem matá-los e alimentarem-se deles. A nível das interpretações, os quatro principais do grupo estão muito bem e aceitáveis para este tipo de produção. Particularmente, eu gostei imenso da prestação da protagonista, a pequena Sennia Nanua vai muito bem no seu registo, a miúda possui não só uma boa interpretação como também uma excelente prestação física. Não querendo terminar este comentário sem um conselho, peço a quem ainda não viu o filme que não veja o trailer antes, porque existe uma situação em especial que estraga uma determinada surpresa a certa altura do filme. Há, e o final, eu não gostei do final, achei-o nada credível, muito infantil e totalmente inverossímil.

Tully

Nome do Filme : “Tully”
Titulo Inglês : “Tully”
Titulo Português: “Tully”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Jason Reitman
Produção : Jason Reitman/Charlize Theron/Diablo Cody
Elenco : Charlize Theron, Mackenzie Davis, Ron Livingston, Mark Duplass, Lia Frankland, Elaine Tan, Asher Miles Fallica, Tattiawna Jones, Maddie Dixon Poirier, Bella Star Choy, Gameela Wright, Dominic Good, Joshua Pak, Emily Haine, Colleen Wheeler, Steven Roberts, Xantha Radley, Kevin Clash, Katie Hayashida.

História : Com o nascimento do seu terceiro filho, Marlo sente-se absolutamente esgotada. Quando vê que atingiu o limite das suas capacidades, aceita um conselho do irmão e contrata uma ama para cuidar da bebé durante a noite. É assim que Tully, uma jovem doce e bem intencionada, entra na vida daquela família. Percebendo os efeitos de uma boa noite de sono, Marlo sente-se revigorada. Entre as duas mulheres nasce então uma amizade estreita, baseada numa confiança e companheirismo inesperado que dará a Marlo a força e esperança que tanto necessitava.

Comentário : Confesso que não gostei nada de “Juno” e que ainda não vi “Young Adult”, mas não sei porquê, deu-me muita vontade de ver este filme, talvez porque a fita aborda, entre outros assuntos, o tema da maternidade. Mas sim, devido ao facto de eu não ter gostado nada da forma como o realizador tratou este tema em “Juno”, seria de esperar que não sentisse a mínima vontade de conferir este seu novo filme. Mas a critica foi razoável, principalmente devido à brutal interpretação de Charlize Theron que, sejamos sinceros, está fenomenal neste registo, com um corpo quase irreconhecível e totalmente convincente no papel de uma mãe assolada por uma depressão. Mas não se enganem, este não é um filme dirigido unicamente às mulheres, afinal, o personagem do marido da protagonista também desempenha um papel muito importante, ele representa muitos maridos por esse mundo fora, existem imensos homens assim. E depois, temos a personagem que dá nome ao título do longa, que é alguém com quem nós ganhamos facilmente empatia, eu adorei realmente a Tully. E depois temos outra questão, ao contrário de “Juno”, este “Tully” é um filme praticamente sem humor negro e sem maldade. Também ao contrário de “Juno”, este “Tully” é um filme que remete aos valores humanos e é quase um elogio à maternidade, tanto é assim, que se podem facilmente retirar bonitas mensagens deste novo registo de Reitman, todas alusivas a esse tão abençoado tema. Enfim, é um filme competente e detentor de um fantástico twist, gostei.