terça-feira, 21 de agosto de 2018

He's Out There

Nome do Filme : “He's Out There”
Titulo Inglês : “He's Out There”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Quinn Lasher
Produção : Adrienne Biddle
Elenco : Yvonne Strahovski, Anna Pniowsky, Abigail Pniowsky, Justin Bruening, Julian Bailey.

História : Uma jovem mãe chega com as suas duas filhas pequenas a uma casa de campo onde pretendem passar as férias, ficando apenas à espera do marido que chegará mais tarde com prendas para as meninas. Com o passar das horas, ela sente que algo não está bem, reparando que está incomunicável naquela região remota. Com o cair da noite, as coisas pioram e as três descobrem que estão à mercê de um psicopata que apesar de estar lá fora de casa, vai fazê-las passar a pior experiência das suas vidas.

Comentário : Felizmente que ainda existem bons filmes de terror na actualidade, sim, este é um desses filmes. Se o objectivo dos responsáveis por este filme era gerar medo a quem o visse, então ele foi cumprido, porque eu confesso que na noite em que o vi fiquei com receio de me deitar. Eu temi pela vida das personagens principais, eu preocupei-me realmente com o destino delas e isso é sinal que o filme surtiu efeito. Quando quem assiste a um filme de terror sente a preocupação para que nada de mal suceda aos personagens principais e fica nervoso ao longo de todo o processo, é porque a coisa funcionou e o longa cumpriu as metas propostas. Eu gostei deste filme não só devido a esses aspectos, como também por sentir pânico e nervosismo em algumas cenas. Em tirando as atitudes estúpidas e sem sentido do pai das meninas, eu penso que não existe muito de errado neste filme de terror. Sim, ele possui alguns clichés do género, mas o realizador soube trabalhá-los bem e o resultado é, em grande parte, bastante positivo.

Volto a dizer, existem aqui cenas bem aflitivas e que nos provocam muito nervosismo e ansiedade, para não dizer pânico. Afinal, as potenciais vítimas são duas crianças pequenas, já para não falar da mãe delas que, a dada altura, perde o controlo da situação e quando as duas meninas se encontram à mercê do mal, então está tudo estragado. A nível das interpretações, a actriz Yvonne Strahovski manda bem no seu papel, tem uma prestação bem aceitável para aquilo que lhe foi exigido, a sua Laura convence. Mas quem carrega o filme nas costas no que à representação diz respeito, são as manas Anna Pniowsky e Abigail Pniowsky, estas duas meninas deixaram-me boquiaberto com a qualidade das suas prestações, muito a cima da média para a tenra idade que têm. Espero sinceramente que a sétima arte lhes abra as portas do sucesso que elas merecem. Por último, o vilão, este está aceitável, não é nenhum “super-homem”, ele é apenas um homem cheio de maldade com um passado muito negro, alguém como muitos outros por esse mundo fora, que só se sentem bem a fazer o mal. E falando nisso, as cenas em que ele contracena com as miúdas são as mais tensas e aflitivas do filme inteiro. O final agrada pelas razões que vocês irão facilmente perceber, com a excepção de dois detalhes que deixam um gostinho amargo na boca. 

Bajo La Piel de Lobo

Nome do Filme : “Bajo La Piel de Lobo”
Titulo Inglês : “The Skin Of The Wolf”
Titulo Português : “Sob a Pele do Lobo”
Ano : 2017
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Samu Fuentes
Produção : Joseba Garmendia/Javier Pruaño
Elenco : Mario Casas, Irene Escolar, Ruth Díaz, Kandido Uranga, Josean Bengoetxea, Ainhoa Sanchez, Patricia Cid, Francisco Dominguez, Laura Cuellar, Gustavo Sanchez.

História : Isolado numa remota montanha no norte da Espanha, um caçador resolve acabar com a solidão arrumando uma esposa.

Comentário : Hoje venho aqui comentar um filme espanhol de que gostei bastante, trata-se de uma fita que, sendo feita no país vizinho, foge muito ao tipo de produções que eles costumam fazer. A ação do filme decorre inteiramente e totalmente no campo e eu confesso que não entendi em que época se passa, penso que isso não foi especificado, pelo menos foi isso que eu percebi. Ainda assim, a história é bem interessante e cativante, eu mesmo fiquei sempre concentrado na tela e na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. O filme tem poucos diálogos, aliás, aqui os poucos personagens só falam quando é realmente necessário. Temos paisagens e imagens belíssimas, a fotografia é também um dos pontos altos do longa. Também podemos contar com cenas de matança de animais e com cenas de sexo, estas últimas são apresentadas de forma muito crua, sem contemplações. Sim, é uma fita dura e crua, afinal, tudo se passa em meio rural, as pessoas têm poucos recursos e ocupam o tempo da maneira como podem e sabem. A nível das interpretações, a melhor de todas pertence ao nosso protagonista, Mario Casas está brutal neste seu registo, o actor convence totalmente. As duas mulheres relevantes aqui, também têm interpretações consistentes e aceitáveis, embora a mais nova esteja melhor. Confesso que lamentei o destino do protagonista, penso mesmo que ele merecia ser feliz. Mas o filme é muito bom mesmo, gostei realmente.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

The Villainess

Nome do Filme : “Aknyeo”
Titulo Inglês : “The Villainess”
Titulo Português : “A Vilã”
Ano : 2017
Duração : 125 minutos
Género : Ação/Drama
Realização : Byung-gil Jung
Elenco : Ok-bin Kim, Ha-kyun Shin, Jun Sung, Seo-hyeong Kim, Eun-ji Jo, Ye-Ji Min, Hae-Kyun Jung, Yun-Woo Kim, Seung-Joo Lee, Cheol-min Park, Min-Ji Son.

História : Uma assassina altamente treinada e sedenta por vingança deve dez anos de serviço a uma organização governamental para obter a sua liberdade.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que prefiro os filmes de artes marciais coreanos, chineses e japoneses do que os americanos e quem acompanha estas quatro ou duas maneiras de fazer esse tipo de filmes deve facilmente perceber as razões . Nos últimos dez anos, surgiu no cinema americano de ação uma maneira de filmar as cenas que se traduz numa técnica que muitos e bem afirmam como ter sido responsável por ter estragado o já referido cinema de ação. Essa técnica consiste em filmar os movimentos dos actores nas cenas de luta de maneira muito rápida, cheia de cortes e montagens, originando que quem vê essas cenas, não entenda muito bem aquilo que se está a passar, o que gera muita confusão. Claro que essa foi uma maneira que os estúdios arranjaram para esconder eventuais erros, camuflar as incorreções de alguns efeitos especiais, para além de não nos facultar uma locação muito nítida. E isso desagradou a imensa gente, grupo esse onde eu me incluo. Mas no cinema oriental, isso raramente acontece, porque se passa exactamente o contrário, aqui a ação é filmada de forma perfeita, nós ficamos inteiramente por dentro daquilo que se está a passar e não vale a pena estar aqui a citar exemplos dessas duas faces da moeda.

Assim, este “A Vilã” é uma delícia como filme de ação, aliás, gostava de saber como certas cenas foram filmadas. Claro que tem situações absurdas, mas isso é normal neste tipo de filmes. Eu adorei a protagonista deste filme, eu gosto muito de personagens femininas fortes e poderosas, apesar de também gostar imenso quando elas são sensíveis e bondosas. Enfim, a protagonista deste filme tem personalidade e a actriz que a desempenha fez um bom trabalho de representação, seja interpretativo ou físico. O acompanhar da evolução e do desenvolvimento desta protagonista é uma das melhores coisas do longa, ela é alguém cheia de camadas e bem complexa. Além disso, este filme prova como se faz bem um filme parecido com um jogo de vídeo, a sequência de abertura de 7 minutos é fenomenal. Infelizmente, a história tem alguns furos, onde o constante vai e vem da narrativa torna as coisas confusas. Mas, como filme de ação, ele funciona bem.

Severina

Nome do Filme : “Severina”
Titulo Inglês : “Severina”
Titulo Português : “Severina”
Ano : 2017
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : Felipe Hirsch
Produção : Rodrigo Teixeira
Elenco : Javier Drolas, Carla Quevedo, Alfredo Castro, Alejandro Awada, Daniel Hendler, Mirella Pascual, Alfonso Tort, Nestor Guzzini, Gonzalo Delgado, Hugo Piccinini, Pedro Dalton, Nuria Fló, Susana Groisman, Anaclara Ferreyra Palfy.

História : O proprietário de uma livraria se encanta por uma rapariga que visita a sua loja e volta dia após dia para cometer furtos. Inicialmente ele não reage, ficando até excitado com a situação. Mas, numa das vezes, mais interessado em puxar conversa do que recuperar o prejuízo, ele a encurrala. Ela passa então a pegar livros em outros estabelecimentos, porém ele não está disposto a se libertar daquela misteriosa obsessão.

Comentário : É impressionante como por vezes e do nada, nasce uma relação entre um homem e uma mulher, este filme fez-me pensar muito sobre isso. O filme em questão é uma co-produção entre o Brasil e o Uruguai e é escrito e dirigido por Felipe Hirsch, que se sai muito bem nestas duas funções. A história é bem interessante e o filme está muito bem filmado, na maior parte das cenas com a camara focada no rosto dos actores principais. No começo, quase nada nos é revelado à cerca da personagem feminina principal e penso ter sido esse o truque para que nós tivéssemos ficado concentrados na maior parte do tempo, já que no decorrer do longa, vão sendo reveladas coisas sobre ela, o que também fez com que gostássemos dela. Não sendo um thriller, o filme acaba por nos envolver num clima de tensão, porque ficamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O filme tem duas ou três sequências que podiam ter sido facilmente retiradas na pós-produção, penso que elas não adiantam nem contribuem nada para o todo. No papel principal, vemos um bastante aceitável Javier Drolas, eu simpatizei com o seu personagem logo de início, ele tem um rosto pelo qual nos é fácil afeiçoar. Também Carla Quevedo está muito bem aqui, ela não só possui uma boa interpretação, como também mantém uma boa química com o seu par de actuação. Por último, tenho que confessar que já esperava aquele final, dado a natureza da protagonista feminina.

sábado, 18 de agosto de 2018

First Reformed

Nome do Filme : “First Reformed”
Titulo Inglês : “First Reformed”
Titulo Português : “No Coração da Escuridão”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Schrader
Elenco : Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric Kyles, Victoria Hill, Michael Gaston, Philip Ettinger, Van Hansis, Kristin Villanueva, Krystina Alabado, Bill Hoag, Satchel Eden Bell, Sue Jean Kim, Frank Murray, Gary Lee Mahmoud, Michael Metta, Frank Rodriguez, Ramon Nunez, Mahaleia Gray, Joseph Anthony Jerez, Tyler Bourke.

História : Ernest Toller é um ex-militar que, após a morte do filho na Guerra do Iraque, se refugiou na fé. É assim que, tornado pastor, acaba por ser colocado numa pequena localidade a norte de New York. Lá, conhece Mary, uma jovem a atravessar um momento difícil com o marido, um ambientalista radical. Através deles, Toller descobre uma série de negócios obscuros entre a Igreja que representa e algumas empresas pouco escrupulosas da região.

Comentário : Tal como o filme anterior, este também não nos joga à cara a religião, segue antes pela temática ecológica e pela problemática da crise em que o nosso planeta vive. Sendo assim, não é segredo para ninguém que o ser humano está a dar cabo do planeta Terra aos poucos devido às suas atitudes, tendo principal incidência nos grandes e poderosos, como grandes empresas e altos interesses. E felizmente que este filme segue por esse caminho, metendo o dedo na ferida, coisa que acontece não só um pouco por todo o filme, mas sendo mais evidente numa sequência em especial que confronta num café o nosso protagonista com o nojento proprietário de uma mega empresa. E foi lamentável que esse confronto não se tivesse repetido na sequência final na Igreja. Confesso ter gostado deste filme, ele possui todo um clima de uma suave tensão que está quase sempre presente. Mas afirmo, trata-se de uma obra com um ritmo muito lento, dificilmente irá agradar à maioria, eu pessoalmente, gostei muito, aprecio imenso este tipo de cinema. O realizador é bom e faz bons filmes, é veterano e isso nota-se neste seu último registo. Destaque também para o formato em que o filme nos é apresentado, tipo quadrado, aliás, está tudo muito bem filmado. Ethan Hawke é um excelente actor e aqui prova isso mais uma vez, eu gostei bastante do seu personagem. Amanda Seyfried aparece aqui bem discreta, mas a sua personagem é a mais interessante do longa, o seu drama é abertamente palpável. Infelizmente, o filme perde muito devido ao seu final, um desfecho ridículo, diria mesmo, estúpido, aliás o filme não tem final. A meio de uma cena, tudo fica escuro e começam a aparecer os créditos finais, fazendo com que a fita não tenha uma conclusão. Eu fiquei mesmo danado com isso, mas ainda assim, tenho que dizer que até à marca dos cem minutos, o filme é muito bom.

The Apparition

Nome do Filme : “L'Apparition”
Titulo Inglês : “The Apparition”
Titulo Português : “A Aparição”
Ano : 2018
Duração : 145 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Giannoli
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Vincent Lindon, Galatea Bellugi, Alicia Hava, Elina Lowensohn, Patrick D'Assumção, Anatole Taubman, Claude Leveque, Gerard Dessalles, Bruno Georis, Candice Bouchet, Marie-Helene Aubert, Aurore Broutin, Geoffroy De La Taille, Sandrine Ferraro, Cidney Khosta, Marc Raffray, Axelle Simon.

História : Jacques é jornalista num grande jornal regional de França. Sua reputação como um investigador atrai a atenção do Vaticano, que o recruta para integrar uma equipa de investigação canônica.

Comentário : Olá meus amigos, sejam bem-vindos a mais um comentário a um filme. Desta vez, resolvi comentar um filme que tem uma componente religiosa, mas que tem o mérito de não nos impingir isso, ou seja, vai muito na linha de outros filmes com essa temática já comentados por mim neste espaço que não o fazem. Sim, eu gostei deste filme, entre outras coisas, porque ele trabalhou bem o seu tema principal e também porque os dois personagens principais resultaram muito bem, seja juntos ou de maneira separada. Dividido em seis capítulos, este filme segue a um ritmo lento que não irá agradar à maioria, ele não é um produto de Hollywood, nada disso, é cinema europeu e do melhor. Nos principais papéis, encontramos um sempre bestial Vincent Lindon, este actor é excelente lá por aquelas bandas e volta a fazer aqui um trabalho exemplar, o seu personagem é contagiante e convincente. A seu lado, vemos a jovem Galatea Bellugi, actriz vista pela primeira vez por mim num filme comentado aqui recentemente, e mais uma vez, ela volta a cativar com a sua personagem. Aliás, são as cenas em que estes dois contracenam que resultam nos melhores momentos do longa. O filme possui paisagens muito bonitas, algumas locações são no campo, o que dá à fita um tom mais natural e especial. Ao longo de duas horas, somos cuidadosamente envolvidos num enorme clima de mistério e dúvida sobre duas das questões principais, onde acabamos por ser esclarecidos no final do quinto capítulo e durante o último capítulo, respectivamente. Volto a dizer, não é um filme fácil de assistir, por exemplo, não recomendo aqueles jovens que gostam de filmes mexidos americanos a visioná-lo, não é da onda deles. Mas a todos aqueles que gostam de um bom drama envolvente, que admiram cinema a sério, então recomendo o filme, porque ele é de qualidade e é bom.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Foxtrot

Nome do Filme : “Foxtrot”
Titulo Inglês : “Foxtrot”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Drama
Realização : Samuel Maoz
Produção : Michael Weber
Elenco : Lior Ashkenazi, Sarah Adler, Shira Haas, Yonaton Shiray, Dekel Adin, Yehuda Almagor, Shaul Amir, Gefen Barkai, Ran Buxenbaum, Rami Buzaglo, Aryeh Cherner, Eden Daniel, Yael Eisenberg, Itay Exlroad, Eden Gmliel, Ilia Grosz, Sabine Hellstorff, Irit Kaplan, Noam Lugasy, Imani Reiser, Ruti Tamir, Karin Ugowski, Itamar Rotschild, Roi Miller, Nimrod Levi, Gony Lidror, Firas Nassar, Yaakov Zada Daniel.

História : Michael e Daphna, que moram em Tel Aviv, estão enfrentando um grande sofrimento pela perda do filho, que morreu no cumprimento do dever. Os dois precisam reaprender a viver com a tragédia que mudou as suas vidas.

Comentário : Dado a estas andanças da guerra em Israel e depois do magnífico “Líbano”, Samuel Maoz aparece-nos agora com este “Foxtrot”, um trabalho que não chega aos calcanhares do registo referido anteriormente. Este filme só não foi uma total desilusão para mim, porque possui um primeiro e um terceiro acto muito bons, ao contrário do segundo acto que eu detestei bastante. O filme segue a um ritmo bem penetrante e prende-nos a atenção até mais ou menos à marca dos cerca de trinta e cinco minutos para depois cortar de repente o que vemos e nos convidar e mal a conhecer o outro lado da história que, diga-se de passagem, não é nada interessante e só quebra a nossa imersão naquilo que nos estava a ser magistralmente contado e mostrado no primeiro acto. E o pior é que é tudo servido de situações estúpidas e sem o mínimo de interesse, pelo menos para mim. Felizmente, pela marca dos cerca de oitenta minutos, regressamos à história inicial e o filme voltou a cativar-me. Esta é a história de todos aqueles pais e mães que perdem os seus filhos para a porcaria da guerra, que é algo que só tem dois fins : preencher os interesses dos grandes e poderosos e fazer milhares de vitimas inocentes que, sob a idiotice do lema “ter que servir o país”, perdem as suas vidas em vão. De entre as interpretações, apenas se destacam três : as da família, claro. Lior Ashkenazi está muito bem no registo de pai do soldado morto, ele convence ao mostrar o enorme desespero do seu personagem. Quem também está muito bem é a elegante Sarah Adler, no papel da mãe da vítima, aliás, ela e ele convencem perfeitamente enquanto casal. Sem esquecer a bonita e jovem Shira Haas que, apesar de pouco aparecer, nos encanta com a sua beleza e com a ternura da sua prestação. Enfim, podia ter gostado mais do filme, mas as coisas boas superaram as más, felizmente.

Keeper

Nome do Filme : “Keeper”
Titulo Inglês : “Keeper”
Ano : 2015
Duração : 94 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Guillaume Senez
Produção : Isabelle Truc
Elenco : Kacey Mottet Klein, Galatea Bellugi, Catherine Salee, Laetitia Dosch, Sam Louwyck, Cedric Vieira, Vincent Sornaga, Dominique Baeyens, Beatrice Didier, Corentin Lobet, Aaron Duqaine, Leopold Buchsbaum, Sophia Leboutte, Mounia Raoui, Theo Dardenne, Alain Bellot, Sarah Ber, Emmanuelle Gilles-Rousseau, Karol Tatiana Ararat Mora, Bastien Rempp, Helene Kapako, Paloma Garcia Martens, Mathilde Warnier, Zoé De Smet.

História : Maxime e Mélanie têm ambos 15 anos de idade e apaixonam-se. Quase a completarem quatro meses de namoro, Mélanie descobre estar grávida dele. Depois de muito pensarem e de quase desistirem de terem a criança, os dois decidem que vão levar a gravidez para a frente. No entanto, o casal não contava com o poder das suas respectivas mães e com as duras leis da sociedade.

Comentário : Aos olhos de muitas sociedades, uma rapariga que engravida na fase da adolescência ou mesmo no início da idade adulta, é quase um crime e algo totalmente intolerável, razão pela qual são os pais e mães das meninas grávidas que ditam o destino desses bebés que é quase sempre o aborto. Infelizmente é o que temos. Claro que aquilo que se passa neste pequeno filme de noventa minutos é quase isso, e embora não sendo isso, vai dar ao mesmo, a mãe da menina grávida arranjou maneira de se livrar do neto e da responsabilidade de o criar. E quem perdeu mais no meio deste processo foram os pais do bebé. O filme evoca imenso estas duras realidades, embora neste caso seja de louvar o facto do pai da criança estar disposto a assumir o filho e todas as responsabilidades e tarefas que isso acarreta. E tudo podia ter dado certo, com a ajuda os avós paternos e não fosse a maldade da avó materna. Desculpem-me estes spoilers, mas infelizmente não existe outra maneira de comentar isto que vi, até porque eu não me revejo neste tipo de sociedades. Quem gosta deste tipo de história, certamente vai querer ver à mesma este filme, apesar de eu ter vomitado aqui alguns spoilers. Claramente que as melhores interpretações desta produção estão a cargo do casal protagonista, Kacey Mottet Klein e Galatea Bellugi estão espectaculares aqui e a empatia entre eles é o ponto mais alto do longa. Parecem um casal de verdade. Podemos contar também com uma boa fotografia que aqui age sempre a favor do filme e não o contrário. Penso que o filme podia ter tido uma carga dramática ainda maior, mas eu fiquei muito satisfeito com aquilo que vi.

A Ciambra

Nome do Filme : “A Ciambra”
Titulo Inglês : “The Ciambra”
Titulo Português : “Ciganos da Ciambra”
Ano : 2017
Duração : 118 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Jonas Carpignano
Produção : Paolo Carpignano/Martin Scorsese
Elenco : Pio Amato, Iolanda Amato, Patrizia Amato, Susanna Amato, Damiano Amato, Rocco Amato, Francesco Pio Amato, Damiano Nicolas Amato, Riccardo Amato, Gesuele Massimo Amato, Cosimo Damiano Amato, Massimo Amato, Antonella Amato, Simona Amato, Marcello Amato, Rocco Pio Amato, Donatella Amato, Enzo Amato, Fabrizio Addolorata Amato, Maria Addolorata Amato, Cristina Amato, Francesca Pia Amato, Maria Amato, Vincenzo Amato, Koudous Seihon, Pasquale Alampi, U Ciccarredù, Francisco Berlingeri, Maria Rusinova Asenova, Faith Uchenna Uburu, Michele Bovalino, Simona Asenova, Vincenzo Sposato, Francesco Papasergio, Nino Papasergio, Joy Odundia, Mark Benjamin, Vincenzo Fazzolari, Maria Swamy Rotolo.

História : Numa comunidade romani na Calabria, Pio Amato, um jovem de 14 anos, vive uma vida de rua. Relaciona-se tanto com italianos como com refugiados africanos, mas também com marginais. Tendo como modelo o irmão mais velho, Cosimo, cedo recorre, tal como ele, ao crime como estratégia de sobrevivência. Mas, um dia, Cosimo desaparece do pedaço e o ainda miúdo é obrigado a crescer e tornar-se o homem que continuadamente tentou provar ser.

Comentário : Aviso já que não darei qualquer tipo de opinião sobre o que acho do povo cigano, tal como nunca me pronunciei à cerca do povo africano ou de qualquer outro. O que aqui interessa é o cinema enquanto arte, e neste caso o que interessa mesmo é o que eu achei deste filme. Adorei este filme, apesar de ele conter uma ou duas coisas que eu não simpatizei tanto, mas vou interpretá-las como sendo conveniências de roteiro. Já devem ter reparado que os nomes da maioria dos actores são os mesmos dos seus personagens, foi como se a família Amato aceitasse ser filmada ou como se estivessem a representá-los a eles mesmos. Sem mais rodeios, este é um dos filmes mais realistas que eu já vi, tudo o que vemos parece estar mesmo a acontecer, como se o elenco não soubesse que estava a ser filmado. Eu adorei o Pio Amato deste filme, ele não é apenas o melhor personagem do longa, como também é um rapaz com imenso carisma e estilo. Mesmo sabendo que grande parte das coisas que ele faz estão erradas e não se deviam fazer, ainda assim, nós simpatizamos imenso com ele, nós gostamos realmente dele. No fundo, ele é uma espécie de espírito livre, e penso ser essa a verdadeira essência da maioria dos ciganos. Nesse sentido, não penso que o realizador nos dê uma má imagem deles, nada disso, em vez de tal, ele nos faculta a ideia deles serem seres humanos como quaisquer outros, e de serem também mais carenciados e vítimas de discriminação do que outros povos. Eu gostei bastante de acompanhar os Amato, apesar da fita se centrar mais em Pio, eu gostei também da Patrizia e da matriarca da família, Iolanda. Tal como disse, em tirando duas situações que não fizeram muito sentido para mim, eu gostei bastante deste filme alternativo, mas penso que se trata de um objecto direcionado a um “nicho”, ele tem um ritmo muito lento. Gostei desta experiência cinematográfica.

The Girl With All The Gifts

Nome do Filme : “The Girl With All The Gifts”
Titulo Inglês : “The Girl With All The Gifts”
Titulo Português : “A Menina Com Todos os Dons”
Ano : 2016
Duração : 111 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Colm McCarthy
Produção : Camille Gatin/Angus Lamont
Elenco : Sennia Nanua, Gemma Arterton, Paddy Considine, Glenn Close, Anthony Welsh, Anamaria Marinca, Fisayo Akinade, Dominique Tipper, Joe Lomas, Eli Lane, Connor Pratt, Grace McGee, Tessa Morris, Mia Garcha.

História : Num futuro próximo, um estranho vírus transforma pessoas em insaciáveis zumbis, agindo de maneira diferente em relação às crianças. Entre essas crianças, encontra-se uma menina que os cientistas acreditam ter a cura que salvará a humanidade.

Comentário : Não vou negar, gosto bastante de filmes de zumbis, embora confesse que prefiro os recentes, porque aqueles de antigamente, em tirando os filmes do falecido George Romero, não gosto muito. E este filme que venho aqui comentar agora não é mau. No fundo, é uma fita que funde o drama, o thriller e o terror, resultando numa mistura bastante eficaz que nos mantém sempre concentrado durante quase duas horas. Na componente de thriller, podemos contar com um pequeno grupo de pessoas que percorrem uma terra destruída e repleta de mortos-vivos com a intenção de sobreviverem e de encontrarem um porto seguro. Por outro lado e na componente dramática, acompanhamos a relação ternurenta e empática entre a menina do titulo e uma jovem mulher que jurou protegê-la dos interesses maléficos dos cientistas. Por fim, na componente de terror, temos todos os elementos desse pequeno grupo a tentarem defender-se dos zumbis e a matá-los, se necessário, tudo dentro de um clima de grande tensão. E por falar em tensão, o filme tem sim os seus grandes momentos dela, basta vermos a sequência em que eles enfrentam um grupo de crianças selvagens que pretendem matá-los e alimentarem-se deles. A nível das interpretações, os quatro principais do grupo estão muito bem e aceitáveis para este tipo de produção. Particularmente, eu gostei imenso da prestação da protagonista, a pequena Sennia Nanua vai muito bem no seu registo, a miúda possui não só uma boa interpretação como também uma excelente prestação física. Não querendo terminar este comentário sem um conselho, peço a quem ainda não viu o filme que não veja o trailer antes, porque existe uma situação em especial que estraga uma determinada surpresa a certa altura do filme. Há, e o final, eu não gostei do final, achei-o nada credível, muito infantil e totalmente inverossímil.

Tully

Nome do Filme : “Tully”
Titulo Inglês : “Tully”
Titulo Português: “Tully”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Jason Reitman
Produção : Jason Reitman/Charlize Theron/Diablo Cody
Elenco : Charlize Theron, Mackenzie Davis, Ron Livingston, Mark Duplass, Lia Frankland, Elaine Tan, Asher Miles Fallica, Tattiawna Jones, Maddie Dixon Poirier, Bella Star Choy, Gameela Wright, Dominic Good, Joshua Pak, Emily Haine, Colleen Wheeler, Steven Roberts, Xantha Radley, Kevin Clash, Katie Hayashida.

História : Com o nascimento do seu terceiro filho, Marlo sente-se absolutamente esgotada. Quando vê que atingiu o limite das suas capacidades, aceita um conselho do irmão e contrata uma ama para cuidar da bebé durante a noite. É assim que Tully, uma jovem doce e bem intencionada, entra na vida daquela família. Percebendo os efeitos de uma boa noite de sono, Marlo sente-se revigorada. Entre as duas mulheres nasce então uma amizade estreita, baseada numa confiança e companheirismo inesperado que dará a Marlo a força e esperança que tanto necessitava.

Comentário : Confesso que não gostei nada de “Juno” e que ainda não vi “Young Adult”, mas não sei porquê, deu-me muita vontade de ver este filme, talvez porque a fita aborda, entre outros assuntos, o tema da maternidade. Mas sim, devido ao facto de eu não ter gostado nada da forma como o realizador tratou este tema em “Juno”, seria de esperar que não sentisse a mínima vontade de conferir este seu novo filme. Mas a critica foi razoável, principalmente devido à brutal interpretação de Charlize Theron que, sejamos sinceros, está fenomenal neste registo, com um corpo quase irreconhecível e totalmente convincente no papel de uma mãe assolada por uma depressão. Mas não se enganem, este não é um filme dirigido unicamente às mulheres, afinal, o personagem do marido da protagonista também desempenha um papel muito importante, ele representa muitos maridos por esse mundo fora, existem imensos homens assim. E depois, temos a personagem que dá nome ao título do longa, que é alguém com quem nós ganhamos facilmente empatia, eu adorei realmente a Tully. E depois temos outra questão, ao contrário de “Juno”, este “Tully” é um filme praticamente sem humor negro e sem maldade. Também ao contrário de “Juno”, este “Tully” é um filme que remete aos valores humanos e é quase um elogio à maternidade, tanto é assim, que se podem facilmente retirar bonitas mensagens deste novo registo de Reitman, todas alusivas a esse tão abençoado tema. Enfim, é um filme competente e detentor de um fantástico twist, gostei.

domingo, 12 de agosto de 2018

A Prayer Before Dawn

Nome do Filme : “A Prayer Before Dawn”
Titulo Inglês : “A Prayer Before Dawn”
Titulo Português : “Prece Ao Nascer do Dia”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Biográfico/Crime
Realização : Jean-Stephane Sauvaire
Produção : Rita Dagher/Roy Boulter/Nicholas Simon/Sol Papadopoulos
Elenco : Joe Cole, Pornchanok Mabklang, Panya Yimmumphai, Vithaya Pansringarm, Nicolas Shake, Sura Sirmalai, Somlock Kamsing, Sakda Niamhom, Komsan Polsan, Chaloemporn Sawatsuk

História : Encarcerado numa das prisões mais bárbaras e mortais do planeta, na Tailândia, Billy Moore está em busca de meios para se manter vivo e passar por todos aqueles problemas naquele verdadeiro inferno. Sendo assim, para sobreviver, decide ingressar na arte da luta e no mundo do Muay Thai.

Comentário : Confesso que gosto de filmes cuja história possui partes que acontecem numa prisão ou mesmo que seja esse o tema principal. E este que eu venho aqui mencionar mete a um canto muitas produções americanas do género. O filme em questão contém cenas bem violentas e aflitivas e, ao não nos dar muito drama, acaba por nos facultar algo bem credível e muito próximo da realidade. Ou não fosse porque se trata de um filme biográfico, ou seja, aquilo que vemos aconteceu de verdade, não exactamente da maneira retratada e mostrada no longa, mas muito próximo daquilo. E nesse aspecto, vale frisar a coragem, força e resistência do homem que passou por isto. Em tirando umas poucas falhas no roteiro, eu não encontrei quase nada de mal nesta produção, aliás, a jornada do personagem principal é convincente e a prestação do actor é tão boa que nós nos encontramos a torcer por ele o tempo todo. Basicamente é um filme de homens, é tudo muito masculino, estamos praticamente num mundo de homens e, meus amigos, aquela prisão chega a causar medo. Eu diria mesmo que se existe inferno, aquele local na Tailândia deve ser bem parecido com ele. Destaque também para as cenas de luta e para dois combates em especial, tudo muito bem montado e trabalhado, e o resultado não podia ter sido melhor. Apesar de ter sido um filme que me causou alguma aflição, eu gostei bastante dele. Eu não queria ir embora sem deixar umas reflexões : este é mais um daqueles filmes que provam que existem pessoas que têm vivências terríveis, que sofrem muito durante a vida e que, sinceramente, se nós pararmos para pensar, quando nos queixamos das nossas vidas, bom, elas são bem leves se comparadas às vidas dessas pessoas.

domingo, 5 de agosto de 2018

The Rider

Nome do Filme : “The Rider”
Titulo Inglês : “The Rider”
Ano : 2017
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Western
Realização : Chloé Zhao
Produção : Chloé Zhao
Elenco : Brady Jandreau, Tim Jandreau, Lilly Jandreau, Cat Clifford, Lane Scott, Terri Dawn Pourier, Tanner Langdeau, James Calhoon, Derrick Janis, Greg Barber, Marshal Byrne, Steven DeWolfe, Kevin Hunter, Leroy Pourier, Allen Reddy, Jordon Slick Phelps, Frank Steele, Donnie Whirlwind Horse, Cameron Wright.

História : Após um acidente num rodeo que quase lhe tirou a vida, um cowboy só pensa em regressar ao activo, mesmo que isso seja prejudicial para a sua precária saúde. Ele tem ainda que cuidar do pai reformado e de dois irmãos deficientes.

Comentário : Este é daqueles filmes que tem originado muita conversa em torno dele, eu confesso que ando cansado de filmes com cavalos, geralmente eles giram quase todos à volta do mesmo e este filme também vai beber um pouco a essa fonte. É a típica história de um cavaleiro que sofre um acidente que quase o atira para a morte e que terá que recuperar para tentar seguir o seu sonho, que é quase sempre o mesmo de sempre. Aquilo que mais gostei neste filme foi logicamente da prestação de todo o elenco principal, todos me deram a sensação de pertencerem realmente aquele mundo rural. Está tudo muito realista. O protagonista vivido pelo jovem Brady Jandreau é quem se ajeita melhor nestas andanças, ele parece que nasceu para aquilo, tem aqui a melhor prestação do longa, é muito fácil entendermos o seu drama e a cruz que carrega. As duas piores coisas que se podem tirar a um ser humano são a visão e a liberdade e o nosso personagem principal perdeu a segunda. Gostei muito das interpretações do homem que desempenhou o pai dele e da jovem que representou a sua irmã problemática, mas muito amável. Aliás, eles os dois deram um bom suporte ao protagonista. Fiquei também muito sensibilizado e emocionado com o personagem do outro irmão dele, é impressionante as forças que arranjamos para tentar superar algo que nos dificulta a vida. Apesar de tudo, gostei dos cavalos que vi. É um filme que tinha muito potencial, mas que ficou-se pela razoabilidade, pelo menos é a minha humilde opinião, mas gostei à mesma. 

Hot Summer Nights

Nome do Filme : “Hot Summer Nights”
Titulo Inglês : “Hot Summer Nights”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Elijah Bynum
Produção : Dan Friedkin/Ryan Friedkin/Bradley Thomas
Elenco : Timothée Chalamet, Maika Monroe, Alex Roe, Maia Mitchell, Thomas Jane, Emory Cohen, William Fichtner, Jeanine Serralles, Reece Ennis, Thomas Blake Jr, Alexander Biglane, Rebecca Koon, Ezra Bynum, Brian Kurlander, Hannah Kraar, Rebecca Weil, Simone Faoro, Jessie Andrews, Rebecca Ray, Caroline Arapoglou.

História : No Verão de 1991, em Massachusetts, um jovem solitário acaba fazendo amizade com o rebelde da cidade, se apaixonando pela garota mais linda do local e se envolvendo num ambiente de drogas.

Comentário : Mais um filme que vi, este bem mais leve que o anterior, mas não melhor que ele. Tal como disse, é um filme leve sobre dois rufias que ganham a vida à custa do crime, basicamente, eles traficam droga, vendem-na a vários tipos de clientes, obtendo muito dinheiro com essas vendas. No inicio da fita, fazem questão de nos informar que este filme é baseado em acontecimentos reais. Depois disso, somos logo apresentados ao personagem principal, aqui muito bem interpretado por Timothée Chalamet (Call Me By Your Name), este jovem é demais. Aliás, é dele a melhor prestação deste filme. Na pele do seu “amigo” traficante, encontramos Alex Roe, aqui no melhor papel da sua carreira. Os dois funcionam muito bem juntos. Gostei imenso do personagem vivido pelo actor Thomas Jane. Se em relação a eles, tudo vai bem; o mesmo não se pode dizer delas. Todas as personagens femininas têm pouco que fazer neste filme e as duas principais foram muito mal usadas, culpa do roteiro que faz delas umas inúteis. Eu sou um grande admirador de Maika Monroe (It Follows) e de Maia Mitchell (Never Goin Back/The Fosters), mas elas aqui não tiveram papéis à sua altura, eu senti que elas serviram apenas de muleta para engrandecer os seus respectivos pares na fita. E é pena, porque elas são duas boas actrizes, já o provaram em outros registos. E são também muito bonitas. Mas sobre o filme, posso dizer que gostei dele de uma maneira geral, agradou-me imenso a banda sonora com sons que remeteram à minha adolescência, passei cem minutos bem passados.

Invisible

Nome do Filme : “Invisible”
Titulo Inglês : “Invisible”
Titulo Português : “Invisível”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Pablo Giorgelli
Produção : Ariel Rotter/Juan Pablo Miller
Elenco : Mora Arenillas, Diego Cremonesi, Paula Fernandez Mbarak

História : Eloisa é uma adolescente que vive com a mãe num pequeno apartamento em um conjunto habitacional localizado no bairro de La Boca, na Argentina. Ela mantém uma relação distante com a sua mãe e leva uma rotina pesada, se dividindo entre as actividades domésticas, a escola e o trabalho diário numa pet shop. Tudo muda quando ela descobre estar grávida do seu próprio chefe, um homem casado e com filhos menores.

Comentário : Olá pessoal, espero que estejam bem. Hoje trago-vos o comentário a um filme argentino. De entre vários temas que o filme aborda, o principal é bastante delicado, neste caso é a gravidez na adolescência. Ainda assim, não é daqueles filmes que choca, nada disso, é antes uma produção bem simples que nos propõe apenas contar uma história. E é quase uma história real, quantas raparigas adolescentes por esse mundo fora engravidam de homens adultos e depois querem se livrar da situação. Sim, já é uma história muito batida, diria mesmo, é praticamente um cliché neste tipo de filmes. Embora tenha que dizer que o sucesso e aceitação deste tipo de produções depende da protagonista, da actuação da actriz e se nos convence ou não. No caso deste filme, pelo menos para mim, as coisas resultaram porque eu comprei o drama de Ely, e aqui o mérito é da jovem Mora Arenillas que convence enquanto alguém que tem uma vida complicada e também possui uma boa prestação no papel de uma miúda que está metida num enorme sarilho, do qual também tem a sua parte de culpa, mas que ao mesmo tempo, foi vitima de alguém mal intencionado. E aqui, poderíamos ter um debate. Tudo bem que o filme dá a entender que Ely nunca foi obrigada a ter relações sexuais com o patrão, mas temos que ter em conta que ele é um homem adulto e com a agravante de que é casado e com família estabelecida, ele cometeu um erro muito grave, ele devia ter juízo. Destaque também para a personagem da mãe da protagonista, ela representa alguém que desistiu de viver. Ao longo do filme, ouvimos nas rádios e na televisão sobre a crise financeira e o modo de vida difícil que vigora na Argentina, como se o realizador quisesse nos aliviar e distrair do clima pesado do tema central. Gostei bastante deste filme, principalmente porque adorei acompanhar o quotidiano de Ely, que personagem e que vida.

Apostasy

Nome do Filme : “Apostasy”
Titulo Inglês : “Apostasy”
Ano : 2017
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Daniel Kokotajlo
Produção : Andrea Cornwell/Marcie MacLellan
Elenco : Siobhan Finneran, Sacha Parkinson, Molly Wright, Robert Emms, Bronwyn James, Steve Evets, James Quinn, Claire Hackett, Aqib Khan, Jessica Baglow, Clare McGlinn, Jacqueline Pilton, Wasim Zakir, Kathleen Robb, Daisy Cooper-Kelly.

História : As irmãs Alex e Luisa e a sua mãe, Ivanna, são testemunhas de Jeová. Alex admira a sua irmã mais velha e se esforça para seguir os passos da mãe e ser também uma boa testemunha. Mas Luisa começa a questionar o conselho dos Anciões e comete uma transgressão que ameaça expulsá-la da congregação. Enquanto Ivanna e Alex não conseguirem convencer Luisa a voltar atrás, devem evitá-la completamente.

Comentário : Mais um bom filme que tive a sorte de ver. Esta produção trabalha vários assuntos, sendo os principais : os laços familiares e o fanatismo religioso. Para todos aqueles que amam a família e a consideram um dos bens mais preciosos que temos na vida, este não será o filme mais indicado, até porque isso está quase sempre a ser colocado em causa. Aliás, o filme move uma viagem aos meandros da religião Jeová e aponta o dedo directamente às coisas que eles possuem de errado. Por exemplo, é um grande insulto, dentro  daquilo que nos representa como sendo humanos, o facto deles repudiarem um familiar, apenas porque este se recusa a seguir as regras da religião. É ainda mais grave vermos o que a avó do filme pretendia para o futuro da neta, contrariando a vontade da mãe. Mas casos destes existem imenso por esse mundo fora, pessoas que não respeitam a maneira de ser do outro e querem mandar nele e moldá-lo à sua imagem e impor-lhe as suas regras, não tendo assim o mínimo de respeito por essa pessoa. Penso que o filme focou bem esses aspectos e deu-nos uma imagem clara sobre o que são de facto estas religiões, porque no fundo, são todas iguais, é o poder do mais forte sobre o mais fraco e desprotegido. O filme até chega, em alguns momentos, a nos fazer sentir alguma raiva por aquelas pessoas. Eu não suporto aqueles filmes que nos querem jogar na cara a religião e penso que aqui houve um cuidado do realizador em não fazê-lo. A dada altura do filme, acontece uma morte que é um twist que nos deixa de queixo caído, mas que no fundo, adianta pouco à questão de fundo. Siobhan Finneran, Sacha Parkinson e Molly Wright são as protagonistas desta produção e as três convencem em seus papéis, tendo boas prestações. É um bom filme.

domingo, 29 de julho de 2018

Custody

Nome do Filme : “Jusqu'à La Garde”
Titulo Inglês : “Custody”
Titulo Português : “Custódia Partilhada”
Ano : 2017
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Legrand
Produção : Alexandre Gavras
Elenco : Denis Menochet, Lea Drucker, Thomas Gioria, Mathilde Auneveux, Florence Janas, Mathieu Saikaly, Saadia Bentaieb, Coralie Russier, Sophie Pincemaille, Emilie Incerti-Formentini, Jenny Bellay, Martine Vandeville, Jean-Marie Winling, Martine Schambacher, Jean-Claude Leguay, Julien Lucas, Noemie Verot, Sabrina Larderet.

História : O casal Miriam e Antoine Besson acaba de se divorciar. E para garantir a proteção de seu filho do pai, que ela acusa de ser violento, Miriam pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia partilhada aos dois.

Comentário : Pessoal, eu ando muito cansado e a precisar de férias, razão pela qual esta semana apenas publico este único comentário, porque foi realmente o único filme que vi ultimamente. Mas quero deixar bem claro que gostei bastante deste filme francês que aborda assuntos bem complexos e delicados. Que não restem dúvidas de que, num divórcio em que existam filhos menores, as crianças são sempre as que mais sofrem. E isso é pior quando uma das partes, geralmente, as mães, dificultam as vidas aos antigos companheiros na questão de verem ou não seus filhos. Embora seja um pouco isso que acontece aqui, essas decisões acabam justificadas pela maneira de ser do pai dos miúdos, quem já viu o longa saberá porque motivo eu digo isto. Embora exista de tudo um pouco. A história é boa, o argumento apresenta poucas lacunas, e foi graças a ele que o realizador conseguiu nos transmitir as mensagens pretendidas. O filme possui quatro personagens centrais : a mãe, o ex-marido e o casal de filhos de ambos. Algumas cenas são bem irritantes, por exemplo, algumas em que pai e filho discutem e quase chegam à agressão. Muito por causa disso, o veterano Denis Menochet possui a melhor prestação do longa, seguido depois do jovem Thomas Gioria, que está muito aceitável para o seu papel, que é bem exigente. Lea Drucker está credível no papel de mulher fragilizada, a actriz consegue passar na perfeição a imagem da maioria das mulheres que passam por esta delicada situação. E Mathilde Auneveux tem pouco que fazer no seu registo, aliás, diria mesmo que a sua personagem é praticamente nula, se não existisse, não faria falta nenhuma. No fundo, é um filme delicado e credível que nos apresenta um retrato do machismo que ainda hoje vigora e que ilustra bem o quanto indefesas estão as mulheres e as crianças face a estes verdadeiros monstros. Bom filme.

domingo, 22 de julho de 2018

Princess Cyd

Nome do Filme : “Princess Cyd”
Titulo Inglês : “Princess Cyd”
Ano : 2017
Duração : 96 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Stephen Cone
Produção : Stephen Cone/Madison Ginsberg/Grace Hahn/Bryan Hart
Elenco : Jessie Pinnick, Rebecca Spence, Malic White, James Vincent Meredith, Matthew Quattrocki, Oksana Fedunyszyn, Paul Fagen, Dane Loperena, Keith Kupferer, Bryan Bosque, Max Fabian, Tyler Ross, Lily Mojekwu, Kelvin Roston, Gary Houston, Alma Washington, Laura Fisher, Bryce Gangel, Pat Whalen.

História : Cyd Loughlin é uma bonita rapariga de 16 anos cuja mãe e irmão mais velho morreram quando ela tinha apenas oito anos de idade, sendo então criada pelo pai, cuja relação nunca foi fácil. Seguindo um conselho dele, Cyd aceita ir passar umas semanas com uma tia que é uma escritora famosa. Juntas, as duas vão descobrir mais sobre elas mesmas e quem sabe, ajudar-se mutuamente nesta dura jornada que é a vida.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que adorei este pequeno filme independente. É um filme onde as mulheres dominam praticamente toda a narrativa, a história pertence-lhes na totalidade e eu adorei a protagonista deste filme, que personagem. Existem muitos momentos neste filme que eu adorei, quase todos relacionados com a personagem principal, Cyd. Na realidade, é impossível não ficarmos rendidos a esta menina e à linda actriz que a interpreta. Quando o filme terminou, eu queria ver mais da sua Cyd, queria ver como era a vida dela na sua cidade, seu quotidiano e vida com o pai, saber mais sobre ela. E isso acontece comigo muito raramente, só quando eu gosto realmente de um filme. Assim, Jessie Pinnick tem não só uma forte presença no ecrã, como também lhe pertence a melhor personagem e prestação do filme inteiro. É muito fácil, ganharmos empatia com ela, só aquele seu sorriso, ai, é de colocar qualquer um aos pés dela. E ao contrário do que ela diz, ela até tem uns pés bem bonitos.

A actriz que desempenha a sua tia famosa também mandou muito bem, neste caso, palmas para Rebecca Spence que representou muito bem o seu papel, aliás, a sua química com a sobrinha resultou na perfeição, já para não falar de algumas cenas entre as duas que resultam em bons momentos. Quem já teve a sorte de ter visto este filme, saberá onde eu pretendo chegar. Existem também duas cenas de sexo relevantes : uma heterossexual e uma outra lésbica, as duas muito bem filmadas e encenadas. Aliás, eu quero aqui frisar uma cena em especial com a nossa menina protagonista, que é quando uma participante do sarau lhe pergunta do que ela gosta a nível sexual, ao qual a miúda lhe responde : “Eu gosto de tudo”, simplesmente brutal. Fiquei com pena que uma situação entre Cyd e um personagem chamado Ridley não tivesse chegado aos finalmentes, foi lamentável porque podia ter resultado favoravelmente para o lado da protagonista. Pessoalmente, gosto bastante de filmes com personagens lésbicas e este não foi excepção, gostei de acompanhar a relação de Cyd com Katie, apesar destas duas personagens não terem muito a ver uma com a outra, aparentemente. Jessie Pinnick e a sua Cyd entraram já para a minha lista de preferências, boa actriz e boa personagem. Seguramente, um filme que representou para mim uma boa surpresa.


Menashe

Nome do Filme : “Menashe”
Titulo Inglês : “Menashe”
Ano : 2017
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Joshua Z. Weinstein
Produção : Joshua Z. Weinstein
Elenco : Menashe Lustig, Ruben Niborsk, Yoel Falkowitz, Hershy Fishman, Meyer Schwartz, Ariel Vaysman, Yoel Weisshaus.

História : Menashe é um funcionário infeliz da mercearia, que fica no coração da comunidade judaica de Nova York. Desde a morte da sua esposa Leah, ele está lutando para sobreviver e ser um bom pai para o filho de ambos, Riven. A tradição proíbe Menashe de criar uma criança sozinha, e o menino é adoptado pelo parente mais próximo de Menashe – o irmão da sua falecida esposa e tio de Riven. Começa então uma dura “batalha” de um pai não só pela conquista do amor do filho como também em provar que é capaz de criar o seu rebento sozinho.

Comentário : Ainda há pouco tempo tinha visto um filme sobre uma comunidade judaica e agora, surge este, que é bem mais sério e complexo. Eu gosto bastante deste assunto e de ler sobre os judeus, mesmo não concordando com certas coisas praticadas por eles, ainda assim, é admirável vermos e acompanharmos povos diferentes com culturas diferentes, nós aprendemos sempre qualquer coisa. E neste filme, o tema principal é a paternidade, nós acompanhamos a luta de um pai viúvo para tentar ficar e criar o filho da melhor maneira que pode. Claro, tudo contra o rigor e as regras do seu exigente povo. E olhem que ele se esforça bastante, mas o problema é que Menashe é um homem muito azarado e irresponsável, as coisas correm mal praticamente o tempo todo para ele. No entanto, gostei muito de ver o personagem do pai e o personagem do filho contracenarem, os dois funcionam muito bem naquelas funções, os dois são mesmo o melhor do filme. O realizador consegue dar-nos uma boa imagem daquele povo e como as coisas acontecem e funcionam entre eles em determinadas situações, onde facilmente concluímos que não deve ser nada fácil vivermos naquelas condições e com aquelas regras. Mas não são só as prestações de pai e filho que comovem, todos os outros personagens são credíveis e tudo graças a actores que encarnaram bem os seus papéis. Gostei do guarda-roupa, mas repito, não concordo com certas coisas deles, mas respeito. É um filme de homens, poucas mulheres aparecem ao longo da fita, me arrisco mesmo a dizer que apenas uma possui um papel minimamente relevante para a trama, mas é rapidamente esquecida. Gostei muito deste filme, embora tenha que confessar que preferia que ele fosse maior, umas duas horas, seria a duração ideal.

Sage Femme

Nome do Filme : “Sage Femme”
Titulo Inglês : “The Midwife”
Titulo Português : “Duas Mulheres, Um Encontro”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Martin Provost
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Catherine Deneuve, Catherine Frot, Olivier Gourmet, Mylene Demongeot, Quentin Dolmaire, Pauline Etienne, Pauline Parigot, Marie Gili-Pierre, Jeanne Rosa, Elise Oppong, Jacques Mechelany, Ana Rodriguez, Jisca Kalvanda, Fayçal Safi, Marc Prin, Nicolas Grandhomme, Melchior Carrelet, Margot Luciarte, Cecile Dominjon, Adou Khan, Sebastien Chassagne, Quentin Leopold, Anthony Dechaux, Audrey Dana, Karidja Touré, Marie Paquim.

História : Generosa, íntegra e bem-intencionada, Claire é uma mãe solteira de 49 anos que dedicou toda a vida ao filho e à profissão de parteira. Na mesma altura em que se debate com o possível encerramento da maternidade onde sempre trabalhou, depara-se com o súbito reaparecimento de Béatrice, a ex-namorada do seu falecido pai, de quem não tinha notícias há décadas. Ao contrário dela, Béatrice é exuberante, superficial e autocentrada. Este encontro vem causar algum desequilíbrio à vida de Claire, que nunca lhe perdoou o facto de ter levado o pai ao suicídio. Mesmo que a princípio o relacionamento entre elas se revele difícil, aos poucos vão criando laços e, apesar das diferenças óbvias, ambas sabem que têm muito a aprender uma com a outra.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que Catherine Deneuve é uma excelente actriz, que eu gosto bastante dela, embora respeite quem não gosta, por exemplo, conheço uma senhora de trato muito difícil e que não é lá grande pessoa, que não gosta desta actriz, mas enfim, isso não é para aqui chamado, foi só um desabafo. No entanto, quem mais me surpreendeu foi a actriz Catherine Frot, que eu confesso não me lembrar de a ter visto em outros filmes, mas que fiquei totalmente rendido a ela, que profissional, que mulher. A Claire de Catherine Frot foi a personagem que eu mais gostei neste filme, gostei dela, da sua personalidade, da sua maneira de ser e da excelente interpretação de Frot. Por outro lado, também a já frisada Catherine Deneuve está maravilhosa aqui, mais uma vez, esta senhora é encantadora. Gostei igualmente da prestação de Olivier Gourmet, aqui com um personagem bem interessante e relevante para a trama. Além de outros assuntos, o filme fala também de uma das mais belas e importantes profissões do mundo : parteira. E o faz de uma maneira exemplar, aliás, a fita abre com uma sequência alusiva a isso. É um filme que vive de momentos muito bonitos e outros bem sérios, ou a personagem de Deneuve não estivesse às portas da morte. A banda sonora é também generosa. A química entre as duas protagonistas é magistral, sente-se e vive-se na perfeição e isso deve-se e muito ao trabalho das duas excelentes actrizes. As cenas de amor entre uma das protagonistas e o personagem de Gourmet são muito bonitas, sem mostrar muito, transmitem o amor e o carinho que eles sentem um pelo outro. Sem dúvidas, foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. 

domingo, 15 de julho de 2018

Figlia Mia

Nome do Filme : “Figlia Mia”
Titulo Inglês : “Daughter Of Mine”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Laura Bispuri
Produção : Marta Donzelli/Gregorio Paonessa
Elenco : Valeria Golino, Alba Rohrwacher, Sara Casu, Udo Kier, Michele Carboni, Fiorenzo Mattu, Julia Radovic.

História : A guarda de uma menina está sendo disputada por duas mães, a de criação e a biológica, que almeja tê-la de volta. No centro do conflito, Vittoria, se vê obrigada a lidar com questões existenciais muito acima do seu suposto nível de maturidade, e está também prestes a fazer uma escolha que afectará a sua vida para sempre.

Comentário : E para terminar mais uma semana de comentários, nada melhor do que um filme italiano, que eu confesso ter gostado bastante, embora tivesse odiado o seu final. O filme aborda temas muito sérios e complexos, pelo que eu já vi outros filmes que abordavam isto e o souberam trabalhar bem melhor, quero com isto dizer que a realizadora não foi ao fundo da questão, nos dando uma trama bem superficial. Não quero com isto dizer que o filme seja mau, muito longe disso, trata-se de uma obra bem consistente e agradável, eu fiquei sempre penetrado naquilo que estava a acontecer perante os meus olhos. Na verdade, é um filme bem eficaz que mete o dedo directamente na ferida e expõe aquilo que de mais irresponsável o ser humano pode ter. É, ser mãe, não é para todas e nesse aspecto, a personagem Angelica, é uma perfeita nulidade, até chega a fazer impressão certas atitudes que ela tem com a filha.

Por outro lado, a personagem Tina, é o pilar mais estabelecido do filme inteiro, ela parece ser a única pessoa normal e séria da trama, alguém que tem todos contra ela e tem que remar sozinha contra uma maré bem forte, eu adorei esta personagem. Já Vittoria, bom, é uma criança de dez anos, não sabe quase nada da vida, temos que perdoá-la pelas más atitudes, afinal, ela é a grande vítima desta embrulhada. Com as duas personagens referidas em cima, Valeria Golino e Alba Rohrwacher possuem interpretações muito boas, aliás, o filme pertence a estas três mulheres, já que para a idade, também Sara Casu tem aqui uma boa prestação. Existe uma cena em especial envolvendo a menina que me causou muita impressão, confesso que nem sei como ela se safou daquilo sem se magoar a sério. Mas existe uma sequência envolvendo musica que funcionou na perfeição. Tal como disse, o final é uma porcaria, eu pedia algo mais sério e verossímil. Penso que a realizadora falhou nesses dois aspectos : em não ter aprofundado mais a questão central e dar-nos algo mais complexo, e também falhou em não nos facultar um final digno para esta sua história que se apresentou boa e consistente até então. Ainda assim, gostei bastante desta fita, foi um filme que funcionou bem para mim.