quinta-feira, 5 de julho de 2018

Downrange

Nome do Filme : “Downrange”
Titulo Inglês : “Downrange”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Terror/Drama
Realização : Ryûhei Kitamura
Produção : Ryûhei Kitamura/Tarô Maki/Ko Mori
Elenco : Kelly Connaire, Stephanie Pearson, Alexa Yeames, Rod Hernandez, Anthony Kirlew, Jason Tobias, Eric Matuschek, Ikumi Yoshimatsu, Hana Burson, Chris Powell, Nick Burson, Emory Lawrence, Graham Skipper, Aion Boyd.

História : Numa estrada deserta e pouco frequentada, depois do pneu do carro rebentar, seis adolescentes tornam-se nos alvos de um atirador enigmático e muito bem escondido. Agora, meninas e meninos terão que tudo fazer para sobreviverem e o pior é que não podem se afastar muito do local, tendo o veículo inutilizado como único refúgio.

Comentário : Confesso que já vi este filme há algumas semanas, mas como ele não é assim tão bom, não me apeteceu comentar naquela altura, então agora e como não tenho mais comentários para publicar, optei por este. Eu esperava bem mais deste filme, devido à sua premissa, que é interessante. De facto, o filme segue-se até muito bem ao longo dos noventa minutos, mas aquilo que me fez achá-lo apenas uma obra razoável foi o facto do vilão ter sido pouco desenvolvido, também porque existem alguns erros e por último e não menos importante, o facto do final deixar muito a desejar. Mas há coisas interessantes por aqui. Temos um ritmo de tensão que está quase sempre presente, uma boa fotografia, bons planos e enquadramentos, uma história empolgante, uma sensação de perigo quase sempre instalada e claro, boas interpretações dos seis principais personagens. Mas os twists são poucos, o terror é básico e pedia-se mais situações aflitivas, a dada altura, três dos seis personagens ficam posicionados numa determinada situação e durante esses longos minutos, pouco evolui. Como disse, existem uns poucos erros que são imperdoáveis, furos no roteiro. O vilão é enigmático demais e o pouco que ele aparece não convence minimamente. E depois temos aquele final, confesso que as coisas até iam mais ou menos, mas o final estraga praticamente tudo. Porque tem lá um determinado acontecimento relacionado com uma das personagens femininas que é tão ridículo que até ofende quem assiste. O director teve uma grande oportunidade de terminar o seu filme de uma maneira bem aceitável, mas infelizmente, jogou essa chance fora e resolveu estragar a história, nos facultando um fecho insultuoso. Apesar dos erros, gostei do primeiro e do segundo acto, mas a meio do terceiro acto e o final estragaram o filme e a minha experiência.

domingo, 1 de julho de 2018

The Bookshop

Nome do Filme : “The Bookshop”
Titulo Inglês : “The Bookshop”
Titulo Português : “A Livraria”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Drama
Realização : Isabel Coixet
Produção : Jaume Banacolocha/Joan Bas/Chris Curling/Albert Sagalés/Adolfo Blanco
Elenco : Emily Mortimer, Bill Nighy, Patricia Clarkson, Honor Kneafsey, Hunter Tremayne, Frances Barber, Reg Wilson, James Lance, Michael Fitzgerald, Lucy Beckwith, Nigel O'Neill, Jorge Suquet, Harvey Bennett, Lana O'Kell, Adie Allen, Lucy Tillett, Toby Gibson, Gary Piquer, Sophie Heydel, Mary O'Driscoll, Karen Ardiff, Charlotte Vega, Barry Barnes, James Murphy, Nick Devlin, Richard Felix, Robbie Beggs, Franchesca McGill, Emily Gruhl.

História : Na década de 1950, Florence Green, uma viúva culta e educada, chega à pacata cidade de Hardborough, no litoral da Inglaterra, e, decide abrir uma livraria. Porém, contra todas as expectativas, esta sua atitude vai incomodar a vida da comunidade local, muito conservadora e fechada sobre si mesma. Mas, ao dar-se conta da resistência da população, Florence decide lutar contra todas as adversidades, mostrando de que forma os livros podem abrir portas para o mundo...

Comentário : Belíssimo filme de época este que mostra o quanto más e insensíveis podem ser certas pessoas. Confesso que desconhecia a existência deste filme até ao momento em que um colega meu do emprego me falou nele e do assunto que tratava. Claramente que fiquei rapidamente interessado no filme e fui à sua procura, assim que o encontrei, fui logo vê-lo, ainda que o trailer não me tivesse dado uma boa impressão do longa. Gostei do filme, ele nos oferece um bonito e cuidado retrato daquela época, se os exteriores são favorecidos pela paisagem circundante, já os interiores foram muito bem trabalhados pela equipa de produção, quase tudo funciona muito bem aqui. Geralmente, quando um forasteiro chega a uma localidade e quer propor ideias novas ou inovadoras, é sempre olhado de maneira hostil e em grande parte dos casos, proibido de colocar em prática essas inovações, impedimentos esses que provêm dos grandes ou do povo fomentado e alimentado pela maldade e pelos interesses desses mesmos grandes. É a sociedade que tivemos e que ainda temos, infelizmente. Neste filme, a grande estrela chama-se Emily Mortimer, que aqui consegue uma boa prestação, esta excelente actriz casa muito bem com a personagem que interpreta. Bill Nighy é um verdadeiro senhor, ele sai-se muito bem em quase todos os papéis que desempenha, eu adorei o seu personagem neste filme. E Patricia Clarkson está odiosa no papel que lhe atribuíram, penso mesmo que é a primeira vez que detesto uma personagem sua, mesmo se tratando de uma excelente actriz como ela. Por último, tenho que referir e elogiar a jovem Honor Kneafsey, esta menina teve muito bem no seu papel e a sua empatia com a protagonista é carinhosamente palpável. Eu entendi perfeitamente porque motivo ela fez aquilo à livraria, de facto, a maioria daquela gente não era digna da cultura que lhes estavam a facultar. Além disso, a miúda estava chateada porque foi usada e serviram-se dela no processo da segunda livraria. Tenho que dizer que não dava nada pelo filme depois de ter visto o trailer, mas motivado pelo meu colega, fui vê-lo e fiquei bastante surpreendido pela positiva. Muito bom.

Hereditary

Nome do Filme : “Hereditary”
Titulo Inglês : “Hereditary”
Titulo Português : “Hereditário”
Ano : 2018
Duração : 127 minutos
Género : Drama/Mystery/Terror
Realização : Ari Aster
Produção : Kevin Scott Frakes/Lars Knudsen/Buddy Patrick
Elenco : Toni Collette, Gabriel Byrne, Milly Shapiro, Alex Wolff, Mallory Bechtel, Ann Dowd, Jake Brown, Christy Summerhays, Morgan Lund, Moises Tovar, Jarrod Phillips, Brock McKinney, Bus Riley, Harrison Nell, BriAnn Rachele, Heidi Mendez.

História : Depois da morte da matriarca da família Graham, Annie, a sua única filha, tenta a todo o custo fazer as pazes com o passado. Com uma relação muito conflituosa com a mãe, Annie teve uma infância difícil e sabe que subsistem muitos traumas por superar. Porém, mesmo após o seu falecimento, a presença da velha senhora continua a pairar por todo o lado, manifestando-se especialmente em Charlie, a neta adolescente com quem sempre tivera um elo muito especial. Com o agravar da situação, um terror crescente toma conta de toda a família, com cada um a aperceber-se do terrível legado que herdou e para o qual parece não existir escapatória.

Comentário : Pessoal, vamos com muita calma, eu sei que este é um filme bem difícil de assistir e que não é certamente para todos os públicos. Sim, é mais um filme pertencente ao género “pós-terror”, que viu surgir vários outros filmes nos últimos anos. E que se traduz basicamente por se tratar de um terror mais pesado e complexo, mas sem ser muito violento, é mais do tipo que decorre a um ritmo lento, que nos deixa a pensar e que é aberto a várias interpretações. Eu gosto bastante deste género de filmes, tem muita gente que detesta, mas vamos lá. Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que este filme é bem tenso e tem algum suspense e muito mistério. No entanto e ao contrário do que costuma suceder com os demais, aqui até ficamos a ganhar, porque o longa nos dá muitas respostas, sem ser demasiado expositivo. Ainda assim, é notável que o realizador quis com este seu primeiro trabalho, trilhá-lo em dois sentidos : ou alguns acontecimentos são explicados pela componente sobrenatural, ou então eles dão-se por conta das doenças mentais, sim, existe um histórico de transtornos mentais em quase todos os elementos da família Graham, daí o titulo do filme – o factor hereditário. 

Por conta disso, cabe a cada um decidir qual o caminho a escolher para explicar as coisas que estão vendo na tela. Pessoalmente, eu acho que é uma mistura desses dois caminhos, afinal, ambos explicam facilmente quase todos os acontecimentos estranhos do filme. A Toni Collette possui a melhor prestação do filme, não tem jeito, ela é uma excelente actriz e aqui se sai muito bem. O Gabriel Byrne é uma espécie de alicerce fundamental daquela família, o seu personagem é a única pessoa normal dentro dos Graham. O Alex Wolff vai muito bem no papel de filho problemático, mas nos últimos cerca de vinte minutos, perde-se um pouco. E Milly Shapiro está excelente no papel do membro mais perturbado da família, a sua Charlie é uma personagem que funciona muito bem. No fundo, é um filme sério e com alguma violência. Como eu disse, o filme aborda o sobrenatural, o oculto e o espiritismo, bem como as doenças mentais. Mas o filme fala também sobre a dor de perder alguém, o tema do luto é aqui muito bem trabalhado. Repito, não é uma fita acessível à maioria, principalmente por ter um ritmo muito lento. Mas é seguramente um dos melhores filmes deste novo género.

The Workshop

Nome do Filme : “L'Atelier”
Titulo Inglês : “The Workshop”
Titulo Português : “O Workshop”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Drama
Realização : Laurent Cantet
Produção : Denis Freyd
Elenco : Marina Fois, Matthieu Lucci, Mélissa Guilbert, Warda Rammach, Florian Beaujean, Mamadou Doumbia, Julien Souve, Issam Talbi, Charlie Barde, Marie Tarabella, Marianne Esposito, Olivier Thouret, Youcef Agal, Thibaut Hernandez, Axel Caillet, Lény Sellam, Anne-Sophie Fayolle, Cédric Martinez, Jorys Leuthreau, Pierre Bouvier, François Cottrelle, Véronique Delclos, Téva Agobian, Chiara Fauvel.

História : É verão em La Ciotat, uma cidade costeira próxima de Marselha. Um grupo de jovens inicia um curso de escrita criativa com a célebre Olivia Dejazet. Entre eles está Antoine, um rapaz revoltado, de origem humilde, que ali se encontra a contragosto. A ideia do curso é desenvolver entre eles um romance policial que inclua aspectos da cidade e da comunidade em que cada um se insere. Mas quando, num rasgo de inspiração, Antoine apresenta à turma um texto de teor racista, vê-se imediatamente ostracizado por todos os outros adolescentes. Olivia, apesar de desagradada com o tema, vê nessas palavras um pedido de ajuda e interessa-se pelo rapaz.

Comentário : Em primeiro lugar, queria dizer que este filme me fez relembrar os meus tempos de escola, me fez “recuar” no tempo e reviver algumas das coisas que eu mais gostava naquele tempo. Mas vamos deixar isso para lá, até porque não tem muito a ver com o filme, embora seja esse o principal motivo pelo qual eu gostei muito desta fita. Trata-se do novo filme do bom Laurent Cantet (A Turma), um realizador habituado a estas andanças. O seu filme é bem interessante, quanto mais não seja porque aborda temas e assuntos igualmente bem interessantes, e onde quase tudo foi muito bem trabalhado. A única coisa que eu não gostei deste longa, foi uma sequência morosa perto do final, que no meu entender, não acrescenta nada à trama e podia facilmente ter sido eliminada na pós-produção.

O argumento deste novo filme de Laurent Cantet é o ponto mais alto do longa, mas o filme não teria funcionado sem o seu fabuloso elenco de jovens (foto do grupo em baixo). Claramente que eu gostei das interpretações de todos eles, mas o grande e merecido destaque vai obviamente para o intrigante Matthieu Lucci (primeira foto em baixo). Eu não só adorei o seu personagem, como também estou convencido de que o actor teve a melhor prestação do filme, e aqui peço que a actriz Marina Fois me desculpe, ainda que ela, sempre uma verdadeira senhora, estivesse perfeita no seu papel de escritora e professora. Quero também destacar a beleza e a expressividade de uma das jovens colegas de Antoine, de seu nome Lola ou Mélissa Guilbert (segunda foto em baixo), uma quase Pocahontas. O filme aborda temas que vão desde as condições árduas de trabalho no passado até ao racismo e ao terrorismo, embora trate outros assuntos mais. Tudo aqui é trabalhado de forma cordata e equilibrada. Pessoalmente, adorei este filme e já o considero um dos melhores registos do ano passado. 



sábado, 30 de junho de 2018

Dark River

Nome do Filme : “Dark River”
Titulo Inglês : “Dark River”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Clio Barnard
Produção : Tracy O'Riordan
Elenco : Ruth Wilson, Mark Stanley, Sean Bean, Esme Creed-Miles, Aiden McCullough, Shane Attwooll, Steve Garti, Dean Andrews, Jonah Russell, Paul Roberson, Joe Dempsie, Mike Noble, William Travis, Una McNulty.

História : Profundamente traumatizada devido a acontecimentos decorridos na sua infância e adolescência, Alice regressa à fazenda onde crescera, devido ao falecimento do pai e disposta a ajudar o irmão nas tarefas da quinta.

Comentário : Hoje vi este filme inglês que me conquistou, tudo devido à sua história e à respectiva protagonista, ambas me convenceram e fizeram viver noventa minutos bem passados. Adornado de lindas paisagens e cenas belíssimas, o filme acaba por encantar também por causa disso mesmo, todo o seu lado visual que é uma delícia para os nossos olhos, ou não se passasse no campo. A história me encantou porque para além de nos mostrar uma personagem com um passado terrível, que convence, ela ainda carrega toda a esperança em conseguir uma vida melhor. Aparentemente simples, é antes uma história pesada e complexa que nos faz mergulhar na vida de uma mulher que carrega um trauma profundo e do qual nunca se irá livrar. E falando nessa mulher, a representá-la está uma actriz que eu não conhecia, Ruth Wilson. Esta jovem tem neste filme uma poderosa prestação, a sua Alice é totalmente convincente e faz com que quem a veja, fique a torcer por ela o tempo todo, principalmente quando descobrirmos o motivo do seu trauma. No papel do seu irmão trabalhador, encontramos um competente Mark Stanley, gostei do seu personagem, aquilo que ele faz pela irmã no final do filme prova que ele era um bom homem. E Sean Bean, um actor razoável, consegue aqui o personagem mais nojento da sua carreira. Voltando aos irmãos, Ruth Wilson e Mark Stanley conseguiram com que os seus personagens tivessem uma boa química, eles funcionam muito bem como manos na história. O rio também tem aqui um papel a desempenhar e não vou revelar qual a sua relação com a história. No fundo, é um bom filme que consegue os seus objectivos, sendo o principal : contar uma boa história com dois personagens convincentes. Gostei bastante.

How To Talk To Girls At Parties

Nome do Filme : “How To Talk To Girls At Parties”
Titulo Inglês : “How To Talk To Girls At Parties”
Titulo Português : “Como Falar Com Raparigas em Festas”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Comédia Romântica/Comédia Musical
Realização : John Cameron Mitchell
Produção : John Cameron Mitchell
Elenco : Nicole Kidman, Elle Fanning, Ruth Wilson, Alex Sharp, Elarica Johnson, Alice Sanders, Hebe Beardsall, Ethan Lawrence, Lara Peake, Tom Brooke, Edward Petherbridge, Joey Ansah, Abraham Lewis, Renah Gallagher, Rory Nolan, Marina Bye, Natalie Lauren, Andrew Horton, Stephanie Hazel, Hinako Matsumoto.

História : Na década de 1970, depois de um concerto de música punk, três rapazes vão a uma festa privada. O objectivo é conhecer raparigas e, quem sabe, ter uma noite de sexo. É lá que se cruzam com Zan, uma jovem muito especial que resolve seguir à aventura com eles e perceber as singularidades do seu estranho mundo.

Comentário : Trata-se de um filme muito curioso sobre invasões alienígenas e o seu relacionamento com os seres humanos, mas aqui surge tudo feito de maneira muito original e até mesmo peculiar. Confesso que após ver o trailer, eu nada dava por este filme, mas após vê-lo, confesso que gostei bastante do que vi e o recomendo a vocês, minhas amigas e meus amigos. Não sendo uma obra de ficção-científica, é antes um filme que nos apresenta uma raça alienígena muito especial e bem interessante em alguns aspectos. O realizador faz um trabalho bastante eficaz com as cores e com o guarda-roupa, tudo em perfeita sintonia. No campo das interpretações, o destaque vai para Elle Fanning e Alex Sharp, estes dois fazem maravilhas juntos, eles são seguramente o melhor do filme. Realce merecido para uma Nicole Kidman quase irreconhecível, ainda assim, deliciosa para a idade. A ideia até é simples, ainda assim muito bem trabalhada pelo director e pelos produtores, aqui fortemente alicerçada por recursos consideráveis, visto tratar-se de um filme de baixo orçamento. Confesso que o final é aquele de que esperava, nada de novo. O filme triunfa igualmente na variedade de ideias que se propõe a estabelecer, algumas delas bem trabalhadas e desenvolvidas, por exemplo, é a melhor delas o facto dos alienígenas virem ao nosso planeta não para consumir recursos mas sim unicamente e principalmente para procriar. Um filme ousado e original, mas igualmente funcional. 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Gauguin

Nome do Filme : “Gauguin – Voyage de Tahiti”
Titulo Inglês : “Gauguin : Voyage To Tahiti”
Titulo Português : “Gauguin”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Edouard Deluc
Produção : Bruno Levy
Elenco : Vincent Cassel, Tuhei Adams, Pernille Bergendorff, Malik Zidi, Pua-Tai Hikutini, Marc Barbe, Paul Jeanson, Cedric Eeckhout, Samuel Jouy, Scali Delpeyrat, Jean-Pierre Tchan, Teiva Monoi, Tiare Hoata, Ponirau Maiau, Rainer Ley, Noa Lucas, Christian Richmond, Sandrine Molaro, Taurua Teriitehau, Haurani Marurai, Antoine Battini, Philippe Rebbot, Richard Tehaeura, Babette Kjaer, Mathis Kjaer.

História : O artista Paul Gauguin decide, por conta própria e depois de uma série de feitos, ir para o exílio no Taiti. Lá, ele espera reencontrar sua pintura livre, selvagem, longe dos códigos morais, políticos e estéticos da Europa dita civilizada. Mas, no local, acaba se afundando na selva, enfrentando a solidão, pobreza e a doença, mas também muita vida. E conhece Tehura, que se tornou sua esposa e sua principal fonte de inspiração para a pintura.

Comentário : Olá minhas amigas e meus amigos. Hoje trago-vos o meu comentário a um filme biográfico que eu vi e que tem o excelente actor Vincent Cassel no papel do protagonista e do artista aqui retratado. Confesso que tinha intenção de publicar o comentário a este filme na mesma altura em que vi um outro filme biográfico chamado “Rodin”, mas infelizmente, os dois filmes não ficaram disponíveis ao mesmo tempo. Mas como vale mais tarde do que nunca, finalmente consegui ver este filme que embora não tão bom quanto o referido em cima, mas ainda assim, um também grande filme. Este “Gauguin” é daqueles filmes que não é fácil o espectador comum apreciar, primeiro que tudo é necessário que a pessoa esteja minimamente disposta a conhecer uma figura, descobrir alguém. E isso o filme faz muito bem. E indo por aí, o realizador não nos dá uma imagem muito boa deste homem, embora demonstre que ele era um excelente artista. A irresponsabilidade das suas atitudes e em certa medida o azar resultante de outras, é algo que o filme mostra e faz questão que o espectador guarde isso bem na memória. Ainda assim, Vincent Cassel está excelente aqui, ele é um actor muito bom e aqui volta a ter uma prestação muito convincente. Destaque também para a bonita e sensual Tuhei Adams, aqui no papel da segunda esposa do protagonista, a jovem não só possui uma boa prestação, como também tem uma forte presença no ecrã. Aliás, a química entre o casal é boa, embora eles não funcionem muito bem enquanto par romântico. Temos também bonitas paisagens e imagens admiráveis. Mas lá está, o filme não se preocupa em dignificar Gauguin enquanto homem, mostra-o vulgar e irresponsável, embora um grande artista. 


domingo, 24 de junho de 2018

Que Le Diable Nous Emporte

Nome do Filme : “Que Le Diable Nous Emporte”
Titulo Inglês : “Tempting Devils”
Titulo Português : “Que o Diabo Nos Carregue”
Ano : 2018
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Jean-Claude Brisseau
Produção : Jean-Claude Brisseau/Gael Teicher
Elenco : Anna Sigalevitch, Fabienne Babe, Isabelle Prim, Anna Zaverihua, Marie-Thérèse Eychard, François Eychard, Fabrice Deville, Jean-Christophe Bouvet, Jean-Claude Brisseau.

História : Camille, de 40 anos, encontra um telemóvel perdido numa estação de comboios. Quando Suzy, a dona, liga para o próprio número, Camille atende. As duas mulheres marcam assim um encontro para a devolução do telefone. Naquele momento, sem que o pudessem imaginar, as suas vidas entrelaçam-se irrevogavelmente.

Comentário : Os filmes deste realizador não costumam ser grande coisa, mas acabam sempre por entreter devido aos assuntos que trata e pelo seu conteúdo, em grande parte, erótico e romântico. E este seu último filme não é diferente, eu gostei do que vi, embora não tivesse testemunhado uma história elaborada, nem minimamente consistente. Ainda assim, existe um twist lá pelo meio que eu não esperava e que me surpreendeu bastante, confesso. Se bem me lembro, o último filme do realizador foi rodado em grande parte no apartamento do próprio por falta de recursos. Penso que o mesmo se deve ter passado com este, disso não tenho a certeza. Eu gostei bastante da actriz Isabelle Prim e da sua Suzy, é mesmo a minha personagem preferida deste filme. No entanto, devo acrescentar que as personagens das actrizes Anna Sigalevitch e Fabienne Babe são igualmente cativantes, mas sem causar o interesse que Suzy desperta. Devo dizer também que as três personagens funcionam muito bem juntas ou separadamente. As cenas de sexo estão bem dirigidas e são interessantes, embora sejam mais do mesmo habitualmente visto em produções do género. Ainda sobre elas, existe uma montagem de fundo que, não sendo grande coisa, funciona. Volto a dizer, a determinado momento do filme existe um twist envolvendo as personagens Clara e o namorado de Suzy que é de longe a coisa mais interessante do longa. Os poucos efeitos especiais que aparecem estão mal conseguidos, mas vale lembrar que o director trabalha com poucos recursos nos seus filmes. Eu gostei deste filme, mas reconheço que não irá agradar a muita gente.

domingo, 17 de junho de 2018

As Boas Maneiras

Nome do Filme : “As Boas Maneiras”
Titulo Inglês : “Good Manners”
Titulo Português : “As Boas Maneiras”
Ano : 2017
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Juliana Rojas/Marco Dutra
Produção : Sara Silveira/Frederic Corvez/Clement Duboin/Maria Ionescu
Elenco : Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira, Andrea Marquee, Nina Medeiros, Felipe Kenji, Neusa Velasco, Gilda Nomacce, Adriana Mendonça, Eduardo Gomes, Hugo Villavicenzio, Germano Melo, Naloana Lima, Caetano Gotardo, Lilian Blanc, Letícia Moreira, Renata Roberta, Raphaella Paes, Zua Mutange, José Blanc, José Lacerda, Rony Koren, Guilherme Gorski, Gato Guigui.

História : Ana, uma jovem rica ostracizada pela família, contrata Clara para empregada e ama do seu filho por nascer. À medida que a gravidez avança, Ana começa a revelar um comportamento bizarro, especialmente durante as noites de lua-cheia. As duas mulheres terão que se organizar e que se ajudar mutuamente, para que tudo corra bem.

Comentário : Para encerrar mais uma semana, trago o comentário a mais um filme brasileiro. Mas é um filme brasileiro diferente de tudo aquilo que eu já vi vindo deste país. Primeiro que tudo é um filme de terror e nós sabemos que os brasileiros apostam pouco neste género, e fazem mal, porque em certa medida até têm jeito para a coisa. Este filme divide-se em duas partes e eu confesso ter gostado muito mais da segunda parte, é de longe a mais interessante. Embora na primeira parte também encontremos focos de interesse e aqui o grande destaque vai claramente para as duas personagens principais e para as actrizes que as desempenham. Tanto Marjorie Estiano quanto Isabel Zuaa possuem prestações bastante aceitáveis, para além de terem uma química bastante funcional juntas. Eu apenas não engoli a questão do romance repentino das duas, tudo acontece depressa demais. Além disso, nunca gostei de empregada que se mete demais na vida da patroa e Clara, nesse sentido, é um pouco abusada. Tal como eu disse, foi a segunda parte que me agradou mais. Tudo porque existe uma evolução na personagem de Clara, que é bem interessante. Por outro lado, entra em cena um personagem chamado Joel, que se transforma e bem no principal foco do filme. E nesse campo, vale dizer que o jovem actor Miguel Lobo esteve muito bem no seu papel. Claro que houve coisas que me surpreenderam, outras nem tanto. Tem uma personagem chamada Amélia que é simplesmente detestável e abusada, eu não suporto pessoas que contrariam ordens dos pais face aos filhos. O filme peca por não ter explorado o personagem do pai do menino, existem apenas escassas referências a ele, o que não abona nada a favor da história e do longa em si. Para filme brasileiro, a história até é original e a intenção da dupla de realizadores foi boa. Gostei bastante deste filme, é diferente, mas bom. 

The Florida Project

Nome do Filme : “The Florida Project”
Titulo Inglês : “The Florida Project” 
Titulo Português : "Projecto Florida" 
Ano : 2017
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Sean Baker
Produção : Sean Baker
Elenco : Willem Dafoe, Brooklynn Kimberly Prince, Bria Vinaite, Valeria Cotto, Christopher Rivera, Aiden Malik, Patti Wiley, Jasineia Ramos, Rosa Medina Perez, Mela Murder, Josie Olivo, Edward Pagan, Krystal Gordon, Sandy Kane, Jim Coleman, Terry Allen Jones, Karren Karagulian, Sabina Friedman Seitz, Caleb Landry Jones.

História : Moonee tem seis anos e vive com Halley, a mãe, num motel de beira de estrada próximo do parque da Walt Disney. Ela é alegre e inteligente e os seus dias são passados a brincar com as crianças que ali habitam. Já Halley é uma jovem mãe irresponsável que sobrevive graças a subsídios estatais e alguns biscates mais ou menos ilegais. Mas é Bobby, o gerente daqueles motéis, quem vai garantido a segurança necessária àquelas crianças, que o olham como se de um verdadeiro pai se tratasse.

Comentário (Contém Spoilers) : Finalmente consegui ver um dos melhores filmes de 2017 e digo mais, foi uma grande injustiça ele não ter estado entre os nomeados para melhor filme, teria ganho de certeza, aliás, foi precisamente por causa disso que ele não foi nomeado, para quem manda garantir que ganhava aquele que já sabemos qual foi. Mas também já sabemos que nem no mundo da sétima arte a justiça vigora, mas isso seria assunto para um outro comentário. Após nos ter dado filmes muito bons como “Starlet” e “Tangerine”, o realizador e produtor Sean Baker surgiu-nos no ano passado com este “The Florida Project”, uma fita que aborda as vidas daqueles que são mais carenciados e mais necessitados, aqueles que o Estado não ajuda e com quem não se preocupa minimamente. É de facto muito triste pensarmos que a vida só é favorável e boa para aqueles que têm dinheiro e grandes possibilidades, porque quem não os tem, fica na merda. O filme aborda não só isso como também o drama de uma menina em especial, sim, Moonee é a grande protagonista deste pequeno filme independente. Moonee e Halley representam assim todos os carenciados e necessitados deste mundo que são marginalizados por uma sociedade profundamente egoísta e má que estará sempre disposta a tudo para dificultar ainda mais as vidas desta gente, já de si, bem complicadas. Senão vejamos o papel das assistentes sociais e da polícia, sempre no lado errado da barricada, sempre à espera de retirar injustamente os filhos aos pais, acabando por estragar sempre a vida às crianças, mas as injustiças cometidas pelas sociedades e pelas suas leis estúpidas seriam assunto para um outro comentário.

Eu gostei de quase tudo neste filme e mais, a única coisa que eu não gostei foi da presença irritante dos helicópeteros que estavam constantemente a aparecer. Muita gente apareceu rapidamente a criticar de forma injusta a personagem Halley, alegando que ela é uma péssima mãe. Claro que eu discordo desta opinião errada e radical, ela comete erros sim, mas também queria ver o que fariam essas pessoas que tanto a criticaram caso estivessem nas condições de Halley, certamente, fariam a mesma coisa ou pior. Antes de criticarmos as personagens, precisamos primeiro de nos colocarmos na pele delas, destas pessoas que passam grandes necessidades e depois sim, tecermos a nossa opinião final. O quadro que Sean Baker pinta neste seu novo filme serve de alerta para a necessidade que estas pessoas têm de serem ajudadas e nem é tanto por elas, mas sim, pelas crianças que estão a seu cargo, que são as grandes vítimas destas sociedades de hoje, as crianças que não pediram para nascer e acabam sempre por sofrer e por pagar a maior fatia do bolo. O realizador quis também mostrar que enquanto que existe gente que não tem quase nada como Moonee e Halley, ali bem perto, há outras pessoas que têm de quase tudo e vivem à grande e sim, vale dizer que o sol quando nasce não é para todos, ou por outras palavras, a vida não é justa para toda a gente. E tal como eu disse, depois existe aquele tipo de gente que dedica o seu tempo a prejudicar ainda mais as vidas desta camada desfavorecida, como por exemplo, as malditas assistentes sociais, a porcaria da polícia ou mesmo o próprio Bobby que não tinha nada a ver com a forma como Halley ganhava a vida e o dinheiro para se manter, e ainda assim, meteu-se na vida da jovem, prejudicando a pequena Moonee.

Mas não me interpretem mal, eu adorei o personagem Bobby, ele era uma espécie de pai para aquelas crianças e um grande amigo dos adultos que albergava nos seus alojamentos. Aliás, Willem Dafoe está excelente e maravilhoso neste personagem, há muito tempo que eu não delirava com uma interpretação sua, muito merecida a nomeação à estatueta dourada, infelizmente nesse ano, existia a também excelente prestação de Sam Rockwell. E digo mais, quem me dera que existissem mais Bobbys por esse mundo fora, pois precisamos urgentemente deles. Seguramente, um dos melhores personagens que eu vi num filme em muitos anos. Mas infelizmente, penso que ele cometeu o erro de se meter demais na vida de Halley, o que acabou por trazer problemas à vida da pequena Moonee. O realizador, mais uma vez, filma de forma brilhante e cativante os seus personagens, aqui quase sempre no ponto de vista das crianças, aliás, existe uma sequência em que Moonee come num bar de um hotel, cuja forma como foi filmada e respectivo enquadramento merecia um prémio. As cenas da mulher senil com os peitos à mostra ou a sequência do pedófilo estão muito bem conseguidas e só mostram como é importante o personagem Bobby para aquelas crianças. 

Passando agora aos desconhecidos e é aqui que reside a grande surpresa do filme. A jovem Bria Vinaite, descoberta pelo realizador numa rede social, convenceu-me na totalidade com a sua personagem. Sim, a sua Halley comete alguns erros e aqui não me estou a referir à maneira como ela estava a criar a filha, mas sim à atitude injusta que ela teve face à amiga, espancando-a e a insultando, já para não falar dos pequenos delitos que ela comete. No entanto, ninguém tem o direito de a criticar enquanto mãe, porque se há coisa que o filme prova, é que Halley ama realmente a sua filha, Moonee. Sempre que pode, ela proporciona momentos de ternura e felicidade à sua pequena e diga-se de passagem, são as melhores cenas do filme. Todas as crianças envolvidas neste filme estão de parabéns, o filme vive principalmente delas, nomeadamente Moonee e Jancey, estas duas meninas são a alma deste filme. Valeria Cotto é adorável no papel de melhor amiga da nossa Moonee, fiquei rendido ao talento desta ruivinha. No entanto, quem rouba totalmente a cena a todos os personagens deste excelente filme, é a expressiva e talentosa Brooklynn Kimberly Prince, esta linda menina de apenas sete anos, teve não só a melhor prestação do filme inteiro, como também é a grande estrela deste “The Florida Project” e seguramente tem um grande futuro pela frente. Eu adorei ver esta pequena actriz a representar a sua Moonee, aliás, a sua personagem é muito natural. Tudo neste filme parece real, tal não é a naturalidade com que foi filmado, parece mesmo que aconteceu e que se tratava de um documentário. A cena do choro emociona mesmo por ser a mais dramática do longa e pela entrega que Brooklynn Kimberly Prince deu à sua personagem nesse momento, aquilo eram lágrimas verdadeiras. O filme funciona bem também enquanto critica feroz às sociedades. Um dos melhores filmes, em décadas.



La Nuit A Dévoré Le Monde

Nome do Filme : “La Nuit A Dévoré Le Monde”
Titulo Inglês : “The Night Eats The World”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Terror
Realização : Dominique Rocher
Produção : Carole Scotta
Elenco : Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, Denis Lavant, Sigrid Bouaziz, David Kammenos, Jean-Yves Cylly, Nancy Murillo, Lina-Rose Djedje, Victor Van Der Woerd, Léo Poulet, Déborah Marique, Tess Osscini Boudebesse Bejjani, Fabien Houssaye, Jean-Louis Priou, Marie-Thérèse Priou, Choukri Essadi, Clémence Chatagnon, Nina Van Der Pyl, Mathieu Musualu, Marie Bourjala, Maya Eymeri.

História : Sam é um jovem adulto que vai a casa de uma antiga namorada buscar uma caixa que contém cassettes áudio e que ao chegar lá, depara-se com uma festa. Ao chegar ao escritório do pai da rapariga, Sam encontra a caixa, mas sente-se cansado e adormece numa cadeira, acabando por dormir até à manhã seguinte. Ao acordar, ele apercebe-se que se encontra sozinho no apartamento e que as pessoas nas ruas comportam-se como zombies. Agora, Sam terá que fazer de tudo para se manter vivo e também para impedir que os mortos vivos entrem no prédio.

Comentário : Isto é a França a provar que também sabe fazer filmes de zombies e não precisa de abusar no sangue, no gore e na maldade para que o resultado seja positivo. Gostei mesmo daquilo que vi e mais, gostava muito de ver mais produções do género vindas de território francês. Mas há que dizer muito sinceramente que este não é um filme para agradar à maioria e principalmente aos que preferem fitas mais sanguinárias, estando mais no registo daquelas fitas recentes que têm aparecido e que alguns apelidam de serem pertencentes ao pós-terror. Para além de ter um titulo muito original, este filme tem momentos bem peculiares e interessantes, por exemplo, a estranha amizade que o protagonista mantém com um zombie preso num elevador. Mas há outras cenas bem interessantes, não falarei mais sobre isto para não estragar a surpresa a quem estiver motivado para ver o filme. Esta fita possui um ritmo lento e soma pontos no argumento, além de ter ideias bastante originais, quase tudo foi bem costurado no sentido de haver poucas falhas. Claro que existem aqui erros, mas nada que atrapalhe a experiência, repito, é um filme que prima em certa parte pela originalidade. O actor principal vai bem no seu registo e possui uma interpretação consistente. O mesmo se pode dizer de Golshifteh Farahani, embora no caso desta, pedia-se um maior tempo em cena ou mesmo que não tivesse um destino tão tosco. Denis Lavant é espectacular, seguramente o melhor zombie do filme. Não gostei do destino do gato. No fundo, estamos perante um filme muito consistente e bem conseguido, pede-se urgentemente aos realizadores franceses que nos facultem mais titulos como este. Muito bom.

Werewolf

Nome do Filme : “Werewolf”
Titulo Inglês : “Werewolf”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Ashley McKenzie
Produção : Ashley McKenzie/Nelson MacDonald
Elenco : Bhreagh MacNeil, Andrew Gillis.

História : Vanessa e Blaise são toxicodependentes totalmente marginalizados numa cidade pequena. Sem teto, eles sobrevivem batendo de porta em porta se oferecendo para cortar a relva dos jardins. Amarrados um ao outro e com Blaise quase entrando em colapso, os sonhos de mudar de vida parecem distantes.

Comentário : Quando eu era adolescente, costumava imaginar como seria o meu futuro, se ia obter bons resultados na escola ou na faculdade, se ia conseguir um bom emprego, se ia ter um bom vencimento, se ia arranjar casa, uma rapariga e filhos, enfim, eram sonhos de jovem, como qualquer outro saudável. Mas havia uma coisa que me fascinava : a sétima arte, os filmes. Infelizmente, não consegui quase nada indicado em cima e muito menos algo ligado ao cinema. Tudo isto para chegar a este pequeno filme. Quando pretendo ver um filme, eu procuro uma boa história, bons personagens que têm que ser igualmente apelativos e, a cima de tudo, algo minimamente consistente. E estas três características eu encontrei neste filme. Esta pequena fita fala de jovens com vidas estragadas, sem quaisquer perspectivas de futuro, sem eira nem beira. E isto coloca-me a pensar como é que adolescentes chegam a esta situação, o que acontece realmente nas vidas destes jovens e dos seus pais para que as coisas sejam assim. Se é suposto os pais amarem seus filhos, os ajudarem e os protegerem, como é possível que eles cheguem ao nível e à situação de uma Vanessa ou de um Blaise ? A resposta é só uma : durante esse processo de educação de um filho que deve demorar, normalmente, 18 anos, algo quebra. Basicamente, é isto que acontece entre pais e filhos : numa determinada altura, algo quebra. Sim, a vida é triste e muito injusta e nem sempre estamos preparados para enfrentar certas situações.

Eu trabalho num local que lida com a problemática da toxicodependência e sei perfeitamente que é extremamente difícil para um jovem largar o vício das drogas, mas sei igualmente que não é por falta de aviso por parte de muita gente sobre os perigos das drogas e reais consequências. Em grande parte dos casos, os jovens que se metem nas drogas, fazem-no numa tentativa de escaparem ou esquecerem de problemas pessoais ou familiares que possuem, possivelmente, numa tentativa de desespero. Claramente que não é uma saída válida ou aceitável, mas é em parte aquela que eles encontram, ou são as drogas ou é o suicídio. Isto é tudo muito complexo para ser tratado e trabalhado aqui neste espaço, serviu apenas para que vocês tenham uma noção do que se trata realmente este filme. Adorei a maneira como o filme foi filmado, com planos e enquadramentos fechados nos rostos do casal protagonista. Isto é cinema independente do melhor. Eu adorei a personagem Vanessa, aqui vivida e interpretada na perfeição pela jovem Bhreagh MacNeil (linda), gostei da sua figura e da sua coragem. Andrew Gillis também esteve muito bem, aliás, os dois funcionam bem juntos enquanto casal. Viver não é fácil, a própria vida é a prova viva disso mesmo. Um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Le Fils de Jean

Nome do Filme : “Le Fils de Jean”
Titulo Inglês : “A Kid”
Titulo Português : “O Filho de Jean”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Drama
Realização : Philippe Lioret
Produção : Philippe Lioret/Marielle Duigou
Elenco : Pierre Deladonchamps, Gabriel Arcand, Catherine de Léan, Marie-Thérèse Fortin, Pierre-Yves Cardinal, Patrick Hivon, Lilou Moreau-Champagne, Milla Moreau-Champagne, Hortense Monsaingeon, Romane Portail, Timothé Vom Dorp, Martin Laroche, Jean-Pierre Andréani, Loudia Gentil, Hubert Dupuy, Emmanuelle Dupuy.

História : Mathieu só foi descobrir quem era seu verdadeiro pai aos 30 anos e da pior maneira possível : sendo informado do seu falecimento. Além disso, recebe também a notícia de que tem dois irmãos e decide viajar até Montreal, para saber coisas sobre o pai e para conhecer a outra parte da família.

Comentário : Com este filme francês, regressamos ao cinema de qualidade e aos filmes que valem realmente a pena. É um filme que fala das relações familiares e como complicadas e complexas elas podem ser. Uma das coisas que reparei ao longo do longa, foi que o argumento é bom e funcional, nos proporcionando um filme e uma história bastante agradáveis. Responsável pelo excelente filme “Welcome”, o realizador Philippe Lioret assina desta vez uma fita que trabalha bem as questões a que se propunha, originando também um protagonista consistente e com o qual, nós facilmente ganhamos empatia, o que faz com que nos importemos com ele. De facto, o actor Pierre Deladonchamps, que desempenha o personagem principal, é bem carismático e possui uma excelente interpretação, eu gostei bastante do seu Mathieu. A maneira como ele se relaciona com os restantes personagens também merece destaque, com foco no avô das gémeas e na mãe das miúdas. Podemos ainda contar com cenas muito bonitas, por exemplo, as que decorrem num rio merecem ser mencionadas. É um filme que nos põe a pensar na vida, nas escolhas que fazemos e nas consequências das mesmas. Com este filme, ficamos também a matutar nas partidas que a vida nos pode pregar ao longo da nossa existência. Mas penso que a grande mensagem que se pode tirar desta película é o facto de que devemos aproveitar as pessoas e as coisas enquanto as temos. 

Annihilation

Nome do Filme : “Annihilation”
Titulo Inglês : “Annihilation”
Titulo Português : “Aniquilação”
Ano : 2018
Duração : 116 minutos
Género : Aventura/Drama/Ficção-Científica
Realização : Alex Garland
Produção : Andrew Macdonald/Scott Rudin/Allon Reich/Eli Bush
Elenco : Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Gina Rodriguez, Tuva Novotny, Oscar Isaac, Benedict Wong.

História : Uma bióloga se junta a uma expedição secreta com outras quatro mulheres numa região conhecida como Área X, um local isolado da civilização onde as leis da natureza não se aplicam. Lá, ela precisa lidar com uma misteriosa contaminação e ainda procurar por pistas de colegas que desaparecem, incluindo o seu marido.

Comentário (Comentário + Entendendo o filme – Com Spoilers) : Cá está mais um filme que fala de invasões alienígenas, embora esta aqui seja feita de uma maneira muito diferente das demais e nunca vista em outros filmes do género. Sim, eu gostei bastante deste filme, uma fita de ficção-científica com significados abertos a várias interpretações. Não é um filme fácil de se assistir, quem vem para aqui certo de que vai ver um enorme espectáculo de ação e efeitos visuais e sonoros de encher os sentidos, irá sair bastante desiludido. Todo o filme possui um ritmo muito lento, cenas que se arrastam e poucas cenas de ação. Em vez disso, estamos perante um filme visualmente muito bonito e apelativo, detentor de uma história complexa mas muito interessante e cujo final só é acessível e só será da compreensão daqueles que estiverem com mais atenção durante as quase duas horas de projeção. O realizador Alex Garland (Ex Machina) reaparece diante de nós com este seu novo projecto, que é tão bom quanto o seu anterior trabalho, são dois filmes protagonizados por mulheres, actrizes que nos facultam personagens bem interessantes e com muito conteúdo.

Em “Aniquilação”, falamos de uma invasão alienígena, um ser que chega à Terra através de um meteorito e se instala, criando um campo de forças a que os humanos chamam de “Brilho” e que vai transformando todas as formas de vida dentro dele em outro tipo de vida. E vai crescendo cada vez mais, aumentando o “brilho” e abrangendo mais território. No fundo, ele aniquila as formas de vida que vai encontrando e as transforma em outros seres vivos, misturando o ADN de pessoas, plantas e animais, criando várias misturas com eles. Muitas pessoas que viram o filme precisaram que outros lhes explicassem o filme, mas eu confesso ter entendido o que realmente ele conta. É praticamente impossível falarmos de “Aniquilação”, sem entrarmos em spoilers. No final, o ser alienígena cria um clone do marido da protagonista e faz com que esta dê a entender que conseguiu destruir a ameaça, quando na verdade, também ela não é a mesma que entrou no “brilho” com as outras raparigas, Lena mudou de outra forma, ela também já tem o ADN do alienígena mesclado no seu corpo. Quando ela e o marido se abraçam, os dois possuem um estranho brilho nos olhos, mostrando que não são os humanos do início do filme. O alienígena conseguiu assim o seu objectivo : misturar-se com os seres humanos para, desse modo, prosseguir a sua proliferação pelo planeta. É um excelente filme. Gostei, um filme capaz e com alma. 

La Región Salvaje

Nome do Filme : “La Región Salvaje”
Titulo Inglês : “The Untamed”
Titulo Português : “A Região Selvagem”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Amat Escalante
Produção : Amat Escalante/Fernanda De La Peza/Jaime Romandia
Elenco : Ruth Ramos, Simone Bucio, Eden Villavicencio, Jesus Meza, Andrea Pelaez, Bernarda Trueba, Oscar Escalante, Kenny Johnston, Fernando Corona.

História : Alejandra é uma jovem que vive com o seu marido e com os dois filhos de ambos. Não sendo feliz no casamento, Alejandra faz o que pode para levar uma vida decente. Certo dia, ela descobre que o marido mantinha uma relação homossexual com o seu irmão, que entretanto foi atacado e está em coma numa maca de hospital. Cada vez mais desesperada, Alejandra conhece uma jovem chamada Vera e aceita a sua ajuda. Mas Alejandra não estava preparada para aquilo que viria a descobrir numa cabana, algo que mudou a sua vida de forma bastante inesperada.

Comentário : Esta noite vi este filme mexicano que confesso ter gostado bastante. Na realidade, não dava nada por ele, as classificações nos sites da especialidade até nem são más, mas não é uma fita muito conhecida, eu próprio nunca tinha ouvido falar dele, razão pela qual quis conferir e ver se realmente valia a pena. De facto, é um filme bastante aceitável, ele segue-se muito bem durante cerca de hora e meia, nós acompanhamos o quotidiano e a luta da bela Alejandra por uma vida melhor, uma jovem que não é feliz com aquele homem e que, apesar de gostar muito dos filhos menores, está um pouco cansada daquela existência. Claro que os minutos iniciais dão destaque a uma outra personagem, Vera, aliás é esta personagem igualmente curiosa que conduz a nossa Alejandra à questão central do filme. Mas ainda bem que o foco abandona Vera e se centra em Alejandra, de longe, a personagem mais interessante do filme. Aliás, a actriz que a desempenha, Ruth Ramos, tem uma excelente prestação e também uma presença muito viva no longa, a sua beleza e sensualidade exóticas, enchem as cenas em que ela aparece, nós ficamos rapidamente a torcer por ela. Vale também frisar a interpretação da jovem Simone Bucio, eu gostei também do seu desempenho, a sua personagem é essencial para a evolução da trama. Também gostei do actor Eden Villavicencio, para além de ter uns olhos muito bonitos, possui ainda a melhor prestação masculina da fita. O filme pedia mais dez minutos, pelo menos que explicassem algumas coisas que careciam de um esclarecimento. Apesar de ter gostado bastante deste filme de Amat Escalante, continuo a preferir o seu “Heli”. Por último, tenho que dizer que é um dos filmes mais estranhos que vi, tem uma cena de sexo em particular que nos deixa de queixo caído.


domingo, 10 de junho de 2018

Rio Mumbai

Nome do Filme : “Rio Mumbai”
Titulo Português : “Rio Mumbai”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Pedro Sodré/Gabriel Mellin
Produção : Bebel Mesquita/Giovanna Lucas/Felipe Britto.
Elenco : Pedro Sodré, Clara Choveaux, Bruce Gomlevsky, Marcos Fritsch, Jonathan Haagensen, João Leporage, Paulo Maia, Conrado Nilo, Babu Santana, Vandre Silveira, Christiana Ubach, Davi Dias, Bento Coimbra, Valentina Gomlevsky, Sérgio Siviero, Bruno Cezario, Nina Barros.

História : Nelson, um jornalista cético e desiludido, está tendo experiências estranhas. O velho cientista que mora no seu prédio tenta o convencer de que esses acontecimentos estão ligados a um antigo estudo sobre viagens no tempo. Maria, esposa de Nelson, recebe um diário de bordo que revela uma comunicação atemporal entre eles.

Comentário : E assim voltamos ao cinema brasileiro, desta vez com muito misticismo, secretismo e um pouquinho de confusão. Primeiro que tudo, trata-se de um filme introspectivo, ele nos convida a reflectir e a pensar, sobre a vida, sobre aquilo que fizemos e andamos a fazer, sobre os nossos actos, sobre a nossa função, o que comemos e ao que nos apegamos, enfim, à nossa passagem pela vida. E nesses aspectos, é onde o filme mais soma pontos, ele nos mostra a jornada de um homem, nós acompanhamos um personagem principal, conforme um outro personagem vai lendo o diário escrito pelo primeiro. O personagem do velho, por exemplo, ele representa o mistério  que o filme nos proporciona, ainda que apareça pouco. Ele é como que a motivação do protagonista, o seu fio condutor, assim como o diário, eles são uma espécie de catalisadores. Eu vou ser sincero, não esperava quase nada deste filme e ele acabou me dando muita coisa, a começar pela paz, ele me transmitiu imensa paz e isso sucedeu não só nas partes em que o protagonista viaja pela Índia, como e principalmente nas sequências em que ele contracena com aquele velho indiano que é uma espécie de ancião. É também um filme que fala de viagens, seja viagens no tempo ou viagens físicas de um local para o outro. Todas estas questões escritas anteriormente foram muito bem trabalhadas neste filme. A interpretação do actor que dá vida a Nelson é bem consistente e realista. É também um filme muito bonito a nível visual. Podemos tirar bonitas lições daqui, eu gostei bastante deste filme, pequeno mas bom.

Black Hollow Cage

Nome do Filme : “Black Hollow Cage”
Titulo Inglês : “Black Hollow Cage”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Sadrac Gonzalez-Perellon
Produção : Sadrac Gonzalez-Perellon
Elenco : Lowena McDonell, Julian Nicholson, Haydee Lysander, Marc Puiggener, Will Hudson, Daniel Jacobs, Lucy Tillett.

História : Alice é uma adolescente que vive numa casa isolada em uma enorme e densa floresta com o seu pai e um enorme cão branco que ela identifica como sendo a sua mãe. Um dia, ao dar um passeio, ela encontra entre as árvores um enorme cubo misterioso, mas a situação complica-se bastante para o lado dela, quando o pai leva para casa uma menina espancada e um rapaz mudo, crianças que ele encontrara na floresta.

Comentário : Filme dividido em cinco capítulos, em que o quarto é uma autêntica confusão e balança um pouco tudo visto até então. Confesso que até ao final do terceiro capítulo eu estava a gostar do que via, mas depois as coisas tornam-se realmente confusas, ainda que o quinto capítulo remende algumas coisas, acabam por faltar muitas explicações e respostas. O filme é espanhol e não é das piores produções vindas das mãos dos nossos vizinhos, mas o roteiro podia ter ficado mais amarrado e sem tantas pontas soltas. Não sou daqueles que gosta de tudo bem mastigado e pronto e engolir, mas às vezes, algumas poucas explicações ou respostas ajudam a entender o todo e contribuem para que gostemos ainda mais do filme que estamos a ver. Feitas as contas, o filme possui apenas seis personagens humanos e um personagem canino, onde o maior destaque interpretativo vai claramente para a jovem Lowena McDonell que é muito simpática e ao mesmo tempo enigmática, possui uma boa prestação e tem ainda a melhor personagem do longa. É muito fácil gostarmos da sua Alice, destaque também para o seu guarda roupa, parece que a miúda está sempre com a mesma roupa. O cão é lindo. Tem uma personagem que é bem estranha fisicamente. O filme possui cenas violentas. Um detalhe curioso, a personagem protagonista não tem metade de um braço, pelo que usa uma prótese biónica. No fundo, é um filme curioso, mas que não satisfaz essa mesma curiosidade. Ficamos assim pela prestação e forte presença da miúda protagonista que é a alma do filme.

Every Day

Nome do Filme : “Every Day”
Titulo Inglês : “Every Day”
Titulo Português : “A Cada Dia”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Michael Sucsy
Produção : Anthony Bregman/Peter Cron/Christian Grass/Paul Trijbits
Elenco : Maria Bello, Angourie Rice, Debby Ryan, Owen Teague, Amanda Arcuri, Michael Cram, Justice Smith, Jeni Ross, Lucas Jade Zumann, Rory McDonald, Katie Douglas, Jacob Batalon, Ian Alexander, Sean Jones, Colin Ford, Jake Sim, Nicole Law, Karena Evans, Hannah Alissa Richardson, Charles Vandervaart, Keana Bastidas.

História : Um rapaz tem o incrível dom de acordar todos os dias num corpo diferente, independente do género. E deve se adaptar ao seu novo corpo, ainda que somente por um dia. Mas a sua triste rotina muda quando acorda no corpo de Justin e acaba se apaixonando pela namorada dele, Rhiannon.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por David Levithan e conta a história de uma alma itinerante que tem a particularidade de encarnar um corpo diferente a cada 24 horas e que um dia apaixona-se de verdade por uma menina de 16 anos de idade, fazendo com que ela se apaixone também por ele. Apesar do filme ser fraco a nível do todo, eu gostei bastante dele, porque adorei a sua história e porque assim de repente não me lembro de ter assistido a algo parecido, embora já tivesse pensado na situação aqui retratada. Basicamente, o que temos aqui é uma história de amor, mas em moldes diferentes do habitual. O filme levanta a questão de sermos mais alguma coisa para além do corpo, se quando morremos a nossa alma ainda sobrevive e transforma-se em espírito e que papel andamos a fazer enquanto vivemos. A banda sonora é agradável, bem como o clima que envolve todo o filme, o realizador soube trabalhar bem a jovialidade presente no longa. Claro que existem falhas no argumento e alguns erros na lógica das coisas, mas eu consegui colocar isso de lado e admirar o filme enquanto romance juvenil e tenho que admitir que funciona muito bem enquanto tal. Angourie Rice (These Final Hours) está muito bem neste filme, a jovem actriz consegue uma boa interpretação e também ter uma forte presença no ecrã, pertencem a ela as melhores cenas e os melhores enquadramentos do longa. Não sendo um filme que irá agradar a um público adulto, eu sinto-me bem por ter gostado dele.