Nome
do Filme : “The Florida Project”
Titulo
Inglês : “The Florida Project”
Titulo Português : "Projecto Florida"
Ano
: 2017
Duração
: 112 minutos
Género
: Drama
Realização
: Sean Baker
Produção
: Sean Baker
Elenco
: Willem Dafoe, Brooklynn Kimberly Prince, Bria Vinaite, Valeria
Cotto, Christopher Rivera, Aiden Malik, Patti Wiley, Jasineia Ramos,
Rosa Medina Perez, Mela Murder, Josie Olivo, Edward Pagan, Krystal
Gordon, Sandy Kane, Jim Coleman, Terry Allen Jones, Karren
Karagulian, Sabina Friedman Seitz, Caleb Landry Jones.
História
: Moonee tem seis anos e vive com Halley, a mãe, num motel de beira
de estrada próximo do parque da Walt Disney. Ela é alegre e
inteligente e os seus dias são passados a brincar com as crianças
que ali habitam. Já Halley é uma jovem mãe irresponsável que
sobrevive graças a subsídios estatais e alguns biscates mais ou
menos ilegais. Mas é Bobby, o gerente daqueles motéis, quem vai
garantido a segurança necessária àquelas crianças, que o olham
como se de um verdadeiro pai se tratasse.
Comentário
(Contém Spoilers) : Finalmente consegui ver um dos melhores filmes
de 2017 e digo mais, foi uma grande injustiça ele não ter estado
entre os nomeados para melhor filme, teria ganho de certeza, aliás,
foi precisamente por causa disso que ele não foi nomeado, para quem
manda garantir que ganhava aquele que já sabemos qual foi. Mas
também já sabemos que nem no mundo da sétima arte a justiça
vigora, mas isso seria assunto para um outro comentário. Após nos
ter dado filmes muito bons como “Starlet” e “Tangerine”, o
realizador e produtor Sean Baker surgiu-nos no ano passado com este
“The Florida Project”, uma fita que aborda as vidas daqueles que
são mais carenciados e mais necessitados, aqueles que o Estado não
ajuda e com quem não se preocupa minimamente. É de facto muito
triste pensarmos que a vida só é favorável e boa para aqueles que
têm dinheiro e grandes possibilidades, porque quem não os tem, fica
na merda. O filme aborda não só isso como também o drama de uma
menina em especial, sim, Moonee é a grande protagonista deste
pequeno filme independente. Moonee e Halley representam assim todos
os carenciados e necessitados deste mundo que são marginalizados por
uma sociedade profundamente egoísta e má que estará sempre
disposta a tudo para dificultar ainda mais as vidas desta gente, já
de si, bem complicadas. Senão vejamos o papel das assistentes
sociais e da polícia, sempre no lado errado da barricada, sempre à
espera de retirar injustamente os filhos aos pais, acabando por
estragar sempre a vida às crianças, mas as injustiças cometidas
pelas sociedades e pelas suas leis estúpidas seriam assunto para um
outro comentário.

Eu
gostei de quase tudo neste filme e mais, a única coisa que eu não
gostei foi da presença irritante dos helicópeteros que estavam
constantemente a aparecer. Muita gente apareceu rapidamente a
criticar de forma injusta a personagem Halley, alegando que ela é
uma péssima mãe. Claro que eu discordo desta opinião errada e
radical, ela comete erros sim, mas também queria ver o que fariam
essas pessoas que tanto a criticaram caso estivessem nas condições
de Halley, certamente, fariam a mesma coisa ou pior. Antes de
criticarmos as personagens, precisamos primeiro de nos colocarmos na
pele delas, destas pessoas que passam grandes necessidades e depois
sim, tecermos a nossa opinião final. O quadro que Sean Baker pinta
neste seu novo filme serve de alerta para a necessidade que estas
pessoas têm de serem ajudadas e nem é tanto por elas, mas sim,
pelas crianças que estão a seu cargo, que são as grandes vítimas
destas sociedades de hoje, as crianças que não pediram para nascer
e acabam sempre por sofrer e por pagar a maior fatia do bolo. O
realizador quis também mostrar que enquanto que existe gente que não
tem quase nada como Moonee e Halley, ali bem perto, há outras
pessoas que têm de quase tudo e vivem à grande e sim, vale dizer
que o sol quando nasce não é para todos, ou por outras palavras, a
vida não é justa para toda a gente. E tal como eu disse, depois
existe aquele tipo de gente que dedica o seu tempo a prejudicar ainda
mais as vidas desta camada desfavorecida, como por exemplo, as
malditas assistentes sociais, a porcaria da polícia ou mesmo o
próprio Bobby que não tinha nada a ver com a forma como Halley
ganhava a vida e o dinheiro para se manter, e ainda assim, meteu-se
na vida da jovem, prejudicando a pequena Moonee.

Mas
não me interpretem mal, eu adorei o personagem Bobby, ele era uma
espécie de pai para aquelas crianças e um grande amigo dos adultos
que albergava nos seus alojamentos. Aliás, Willem Dafoe está
excelente e maravilhoso neste personagem, há muito tempo que eu não
delirava com uma interpretação sua, muito merecida a nomeação à
estatueta dourada, infelizmente nesse ano, existia a também
excelente prestação de Sam Rockwell. E digo mais, quem me dera que
existissem mais Bobbys por esse mundo fora, pois precisamos
urgentemente deles. Seguramente, um dos melhores personagens que eu
vi num filme em muitos anos. Mas infelizmente, penso que ele cometeu
o erro de se meter demais na vida de Halley, o que acabou por trazer
problemas à vida da pequena Moonee. O realizador, mais uma vez,
filma de forma brilhante e cativante os seus personagens, aqui quase
sempre no ponto de vista das crianças, aliás, existe uma sequência
em que Moonee come num bar de um hotel, cuja forma como foi filmada e
respectivo enquadramento merecia um prémio. As cenas da mulher senil
com os peitos à mostra ou a sequência do pedófilo estão muito bem
conseguidas e só mostram como é importante o personagem Bobby para
aquelas crianças.

Passando
agora aos desconhecidos e é aqui que reside a grande surpresa do
filme. A jovem Bria Vinaite, descoberta pelo realizador numa rede
social, convenceu-me na totalidade com a sua personagem. Sim, a sua
Halley comete alguns erros e aqui não me estou a referir à maneira
como ela estava a criar a filha, mas sim à atitude injusta que ela
teve face à amiga, espancando-a e a insultando, já para não falar
dos pequenos delitos que ela comete. No entanto, ninguém tem o
direito de a criticar enquanto mãe, porque se há coisa que o filme
prova, é que Halley ama realmente a sua filha, Moonee. Sempre que
pode, ela proporciona momentos de ternura e felicidade à sua pequena
e diga-se de passagem, são as melhores cenas do filme. Todas as
crianças envolvidas neste filme estão de parabéns, o filme vive
principalmente delas, nomeadamente Moonee e Jancey, estas duas
meninas são a alma deste filme. Valeria Cotto é adorável no papel
de melhor amiga da nossa Moonee, fiquei rendido ao talento desta
ruivinha. No entanto, quem rouba totalmente a cena a todos os
personagens deste excelente filme, é a expressiva e talentosa
Brooklynn Kimberly Prince, esta linda menina de apenas sete anos,
teve não só a melhor prestação do filme inteiro, como também é
a grande estrela deste “The Florida Project” e seguramente tem um
grande futuro pela frente. Eu adorei ver esta pequena actriz a
representar a sua Moonee, aliás, a sua personagem é muito natural.
Tudo neste filme parece real, tal não é a naturalidade com que foi
filmado, parece mesmo que aconteceu e que se tratava de um
documentário. A cena do choro emociona mesmo por ser a mais
dramática do longa e pela entrega que Brooklynn Kimberly Prince deu
à sua personagem nesse momento, aquilo eram lágrimas verdadeiras. O
filme funciona bem também enquanto critica feroz às sociedades. Um
dos melhores filmes, em décadas.



