domingo, 17 de junho de 2018

Werewolf

Nome do Filme : “Werewolf”
Titulo Inglês : “Werewolf”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Ashley McKenzie
Produção : Ashley McKenzie/Nelson MacDonald
Elenco : Bhreagh MacNeil, Andrew Gillis.

História : Vanessa e Blaise são toxicodependentes totalmente marginalizados numa cidade pequena. Sem teto, eles sobrevivem batendo de porta em porta se oferecendo para cortar a relva dos jardins. Amarrados um ao outro e com Blaise quase entrando em colapso, os sonhos de mudar de vida parecem distantes.

Comentário : Quando eu era adolescente, costumava imaginar como seria o meu futuro, se ia obter bons resultados na escola ou na faculdade, se ia conseguir um bom emprego, se ia ter um bom vencimento, se ia arranjar casa, uma rapariga e filhos, enfim, eram sonhos de jovem, como qualquer outro saudável. Mas havia uma coisa que me fascinava : a sétima arte, os filmes. Infelizmente, não consegui quase nada indicado em cima e muito menos algo ligado ao cinema. Tudo isto para chegar a este pequeno filme. Quando pretendo ver um filme, eu procuro uma boa história, bons personagens que têm que ser igualmente apelativos e, a cima de tudo, algo minimamente consistente. E estas três características eu encontrei neste filme. Esta pequena fita fala de jovens com vidas estragadas, sem quaisquer perspectivas de futuro, sem eira nem beira. E isto coloca-me a pensar como é que adolescentes chegam a esta situação, o que acontece realmente nas vidas destes jovens e dos seus pais para que as coisas sejam assim. Se é suposto os pais amarem seus filhos, os ajudarem e os protegerem, como é possível que eles cheguem ao nível e à situação de uma Vanessa ou de um Blaise ? A resposta é só uma : durante esse processo de educação de um filho que deve demorar, normalmente, 18 anos, algo quebra. Basicamente, é isto que acontece entre pais e filhos : numa determinada altura, algo quebra. Sim, a vida é triste e muito injusta e nem sempre estamos preparados para enfrentar certas situações.

Eu trabalho num local que lida com a problemática da toxicodependência e sei perfeitamente que é extremamente difícil para um jovem largar o vício das drogas, mas sei igualmente que não é por falta de aviso por parte de muita gente sobre os perigos das drogas e reais consequências. Em grande parte dos casos, os jovens que se metem nas drogas, fazem-no numa tentativa de escaparem ou esquecerem de problemas pessoais ou familiares que possuem, possivelmente, numa tentativa de desespero. Claramente que não é uma saída válida ou aceitável, mas é em parte aquela que eles encontram, ou são as drogas ou é o suicídio. Isto é tudo muito complexo para ser tratado e trabalhado aqui neste espaço, serviu apenas para que vocês tenham uma noção do que se trata realmente este filme. Adorei a maneira como o filme foi filmado, com planos e enquadramentos fechados nos rostos do casal protagonista. Isto é cinema independente do melhor. Eu adorei a personagem Vanessa, aqui vivida e interpretada na perfeição pela jovem Bhreagh MacNeil (linda), gostei da sua figura e da sua coragem. Andrew Gillis também esteve muito bem, aliás, os dois funcionam bem juntos enquanto casal. Viver não é fácil, a própria vida é a prova viva disso mesmo. Um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Le Fils de Jean

Nome do Filme : “Le Fils de Jean”
Titulo Inglês : “A Kid”
Titulo Português : “O Filho de Jean”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Drama
Realização : Philippe Lioret
Produção : Philippe Lioret/Marielle Duigou
Elenco : Pierre Deladonchamps, Gabriel Arcand, Catherine de Léan, Marie-Thérèse Fortin, Pierre-Yves Cardinal, Patrick Hivon, Lilou Moreau-Champagne, Milla Moreau-Champagne, Hortense Monsaingeon, Romane Portail, Timothé Vom Dorp, Martin Laroche, Jean-Pierre Andréani, Loudia Gentil, Hubert Dupuy, Emmanuelle Dupuy.

História : Mathieu só foi descobrir quem era seu verdadeiro pai aos 30 anos e da pior maneira possível : sendo informado do seu falecimento. Além disso, recebe também a notícia de que tem dois irmãos e decide viajar até Montreal, para saber coisas sobre o pai e para conhecer a outra parte da família.

Comentário : Com este filme francês, regressamos ao cinema de qualidade e aos filmes que valem realmente a pena. É um filme que fala das relações familiares e como complicadas e complexas elas podem ser. Uma das coisas que reparei ao longo do longa, foi que o argumento é bom e funcional, nos proporcionando um filme e uma história bastante agradáveis. Responsável pelo excelente filme “Welcome”, o realizador Philippe Lioret assina desta vez uma fita que trabalha bem as questões a que se propunha, originando também um protagonista consistente e com o qual, nós facilmente ganhamos empatia, o que faz com que nos importemos com ele. De facto, o actor Pierre Deladonchamps, que desempenha o personagem principal, é bem carismático e possui uma excelente interpretação, eu gostei bastante do seu Mathieu. A maneira como ele se relaciona com os restantes personagens também merece destaque, com foco no avô das gémeas e na mãe das miúdas. Podemos ainda contar com cenas muito bonitas, por exemplo, as que decorrem num rio merecem ser mencionadas. É um filme que nos põe a pensar na vida, nas escolhas que fazemos e nas consequências das mesmas. Com este filme, ficamos também a matutar nas partidas que a vida nos pode pregar ao longo da nossa existência. Mas penso que a grande mensagem que se pode tirar desta película é o facto de que devemos aproveitar as pessoas e as coisas enquanto as temos. 

Annihilation

Nome do Filme : “Annihilation”
Titulo Inglês : “Annihilation”
Titulo Português : “Aniquilação”
Ano : 2018
Duração : 116 minutos
Género : Aventura/Drama/Ficção-Científica
Realização : Alex Garland
Produção : Andrew Macdonald/Scott Rudin/Allon Reich/Eli Bush
Elenco : Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Gina Rodriguez, Tuva Novotny, Oscar Isaac, Benedict Wong.

História : Uma bióloga se junta a uma expedição secreta com outras quatro mulheres numa região conhecida como Área X, um local isolado da civilização onde as leis da natureza não se aplicam. Lá, ela precisa lidar com uma misteriosa contaminação e ainda procurar por pistas de colegas que desaparecem, incluindo o seu marido.

Comentário (Comentário + Entendendo o filme – Com Spoilers) : Cá está mais um filme que fala de invasões alienígenas, embora esta aqui seja feita de uma maneira muito diferente das demais e nunca vista em outros filmes do género. Sim, eu gostei bastante deste filme, uma fita de ficção-científica com significados abertos a várias interpretações. Não é um filme fácil de se assistir, quem vem para aqui certo de que vai ver um enorme espectáculo de ação e efeitos visuais e sonoros de encher os sentidos, irá sair bastante desiludido. Todo o filme possui um ritmo muito lento, cenas que se arrastam e poucas cenas de ação. Em vez disso, estamos perante um filme visualmente muito bonito e apelativo, detentor de uma história complexa mas muito interessante e cujo final só é acessível e só será da compreensão daqueles que estiverem com mais atenção durante as quase duas horas de projeção. O realizador Alex Garland (Ex Machina) reaparece diante de nós com este seu novo projecto, que é tão bom quanto o seu anterior trabalho, são dois filmes protagonizados por mulheres, actrizes que nos facultam personagens bem interessantes e com muito conteúdo.

Em “Aniquilação”, falamos de uma invasão alienígena, um ser que chega à Terra através de um meteorito e se instala, criando um campo de forças a que os humanos chamam de “Brilho” e que vai transformando todas as formas de vida dentro dele em outro tipo de vida. E vai crescendo cada vez mais, aumentando o “brilho” e abrangendo mais território. No fundo, ele aniquila as formas de vida que vai encontrando e as transforma em outros seres vivos, misturando o ADN de pessoas, plantas e animais, criando várias misturas com eles. Muitas pessoas que viram o filme precisaram que outros lhes explicassem o filme, mas eu confesso ter entendido o que realmente ele conta. É praticamente impossível falarmos de “Aniquilação”, sem entrarmos em spoilers. No final, o ser alienígena cria um clone do marido da protagonista e faz com que esta dê a entender que conseguiu destruir a ameaça, quando na verdade, também ela não é a mesma que entrou no “brilho” com as outras raparigas, Lena mudou de outra forma, ela também já tem o ADN do alienígena mesclado no seu corpo. Quando ela e o marido se abraçam, os dois possuem um estranho brilho nos olhos, mostrando que não são os humanos do início do filme. O alienígena conseguiu assim o seu objectivo : misturar-se com os seres humanos para, desse modo, prosseguir a sua proliferação pelo planeta. É um excelente filme. Gostei, um filme capaz e com alma. 

La Región Salvaje

Nome do Filme : “La Región Salvaje”
Titulo Inglês : “The Untamed”
Titulo Português : “A Região Selvagem”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Amat Escalante
Produção : Amat Escalante/Fernanda De La Peza/Jaime Romandia
Elenco : Ruth Ramos, Simone Bucio, Eden Villavicencio, Jesus Meza, Andrea Pelaez, Bernarda Trueba, Oscar Escalante, Kenny Johnston, Fernando Corona.

História : Alejandra é uma jovem que vive com o seu marido e com os dois filhos de ambos. Não sendo feliz no casamento, Alejandra faz o que pode para levar uma vida decente. Certo dia, ela descobre que o marido mantinha uma relação homossexual com o seu irmão, que entretanto foi atacado e está em coma numa maca de hospital. Cada vez mais desesperada, Alejandra conhece uma jovem chamada Vera e aceita a sua ajuda. Mas Alejandra não estava preparada para aquilo que viria a descobrir numa cabana, algo que mudou a sua vida de forma bastante inesperada.

Comentário : Esta noite vi este filme mexicano que confesso ter gostado bastante. Na realidade, não dava nada por ele, as classificações nos sites da especialidade até nem são más, mas não é uma fita muito conhecida, eu próprio nunca tinha ouvido falar dele, razão pela qual quis conferir e ver se realmente valia a pena. De facto, é um filme bastante aceitável, ele segue-se muito bem durante cerca de hora e meia, nós acompanhamos o quotidiano e a luta da bela Alejandra por uma vida melhor, uma jovem que não é feliz com aquele homem e que, apesar de gostar muito dos filhos menores, está um pouco cansada daquela existência. Claro que os minutos iniciais dão destaque a uma outra personagem, Vera, aliás é esta personagem igualmente curiosa que conduz a nossa Alejandra à questão central do filme. Mas ainda bem que o foco abandona Vera e se centra em Alejandra, de longe, a personagem mais interessante do filme. Aliás, a actriz que a desempenha, Ruth Ramos, tem uma excelente prestação e também uma presença muito viva no longa, a sua beleza e sensualidade exóticas, enchem as cenas em que ela aparece, nós ficamos rapidamente a torcer por ela. Vale também frisar a interpretação da jovem Simone Bucio, eu gostei também do seu desempenho, a sua personagem é essencial para a evolução da trama. Também gostei do actor Eden Villavicencio, para além de ter uns olhos muito bonitos, possui ainda a melhor prestação masculina da fita. O filme pedia mais dez minutos, pelo menos que explicassem algumas coisas que careciam de um esclarecimento. Apesar de ter gostado bastante deste filme de Amat Escalante, continuo a preferir o seu “Heli”. Por último, tenho que dizer que é um dos filmes mais estranhos que vi, tem uma cena de sexo em particular que nos deixa de queixo caído.


domingo, 10 de junho de 2018

Rio Mumbai

Nome do Filme : “Rio Mumbai”
Titulo Português : “Rio Mumbai”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Pedro Sodré/Gabriel Mellin
Produção : Bebel Mesquita/Giovanna Lucas/Felipe Britto.
Elenco : Pedro Sodré, Clara Choveaux, Bruce Gomlevsky, Marcos Fritsch, Jonathan Haagensen, João Leporage, Paulo Maia, Conrado Nilo, Babu Santana, Vandre Silveira, Christiana Ubach, Davi Dias, Bento Coimbra, Valentina Gomlevsky, Sérgio Siviero, Bruno Cezario, Nina Barros.

História : Nelson, um jornalista cético e desiludido, está tendo experiências estranhas. O velho cientista que mora no seu prédio tenta o convencer de que esses acontecimentos estão ligados a um antigo estudo sobre viagens no tempo. Maria, esposa de Nelson, recebe um diário de bordo que revela uma comunicação atemporal entre eles.

Comentário : E assim voltamos ao cinema brasileiro, desta vez com muito misticismo, secretismo e um pouquinho de confusão. Primeiro que tudo, trata-se de um filme introspectivo, ele nos convida a reflectir e a pensar, sobre a vida, sobre aquilo que fizemos e andamos a fazer, sobre os nossos actos, sobre a nossa função, o que comemos e ao que nos apegamos, enfim, à nossa passagem pela vida. E nesses aspectos, é onde o filme mais soma pontos, ele nos mostra a jornada de um homem, nós acompanhamos um personagem principal, conforme um outro personagem vai lendo o diário escrito pelo primeiro. O personagem do velho, por exemplo, ele representa o mistério  que o filme nos proporciona, ainda que apareça pouco. Ele é como que a motivação do protagonista, o seu fio condutor, assim como o diário, eles são uma espécie de catalisadores. Eu vou ser sincero, não esperava quase nada deste filme e ele acabou me dando muita coisa, a começar pela paz, ele me transmitiu imensa paz e isso sucedeu não só nas partes em que o protagonista viaja pela Índia, como e principalmente nas sequências em que ele contracena com aquele velho indiano que é uma espécie de ancião. É também um filme que fala de viagens, seja viagens no tempo ou viagens físicas de um local para o outro. Todas estas questões escritas anteriormente foram muito bem trabalhadas neste filme. A interpretação do actor que dá vida a Nelson é bem consistente e realista. É também um filme muito bonito a nível visual. Podemos tirar bonitas lições daqui, eu gostei bastante deste filme, pequeno mas bom.

Black Hollow Cage

Nome do Filme : “Black Hollow Cage”
Titulo Inglês : “Black Hollow Cage”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Sadrac Gonzalez-Perellon
Produção : Sadrac Gonzalez-Perellon
Elenco : Lowena McDonell, Julian Nicholson, Haydee Lysander, Marc Puiggener, Will Hudson, Daniel Jacobs, Lucy Tillett.

História : Alice é uma adolescente que vive numa casa isolada em uma enorme e densa floresta com o seu pai e um enorme cão branco que ela identifica como sendo a sua mãe. Um dia, ao dar um passeio, ela encontra entre as árvores um enorme cubo misterioso, mas a situação complica-se bastante para o lado dela, quando o pai leva para casa uma menina espancada e um rapaz mudo, crianças que ele encontrara na floresta.

Comentário : Filme dividido em cinco capítulos, em que o quarto é uma autêntica confusão e balança um pouco tudo visto até então. Confesso que até ao final do terceiro capítulo eu estava a gostar do que via, mas depois as coisas tornam-se realmente confusas, ainda que o quinto capítulo remende algumas coisas, acabam por faltar muitas explicações e respostas. O filme é espanhol e não é das piores produções vindas das mãos dos nossos vizinhos, mas o roteiro podia ter ficado mais amarrado e sem tantas pontas soltas. Não sou daqueles que gosta de tudo bem mastigado e pronto e engolir, mas às vezes, algumas poucas explicações ou respostas ajudam a entender o todo e contribuem para que gostemos ainda mais do filme que estamos a ver. Feitas as contas, o filme possui apenas seis personagens humanos e um personagem canino, onde o maior destaque interpretativo vai claramente para a jovem Lowena McDonell que é muito simpática e ao mesmo tempo enigmática, possui uma boa prestação e tem ainda a melhor personagem do longa. É muito fácil gostarmos da sua Alice, destaque também para o seu guarda roupa, parece que a miúda está sempre com a mesma roupa. O cão é lindo. Tem uma personagem que é bem estranha fisicamente. O filme possui cenas violentas. Um detalhe curioso, a personagem protagonista não tem metade de um braço, pelo que usa uma prótese biónica. No fundo, é um filme curioso, mas que não satisfaz essa mesma curiosidade. Ficamos assim pela prestação e forte presença da miúda protagonista que é a alma do filme.

Every Day

Nome do Filme : “Every Day”
Titulo Inglês : “Every Day”
Titulo Português : “A Cada Dia”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Michael Sucsy
Produção : Anthony Bregman/Peter Cron/Christian Grass/Paul Trijbits
Elenco : Maria Bello, Angourie Rice, Debby Ryan, Owen Teague, Amanda Arcuri, Michael Cram, Justice Smith, Jeni Ross, Lucas Jade Zumann, Rory McDonald, Katie Douglas, Jacob Batalon, Ian Alexander, Sean Jones, Colin Ford, Jake Sim, Nicole Law, Karena Evans, Hannah Alissa Richardson, Charles Vandervaart, Keana Bastidas.

História : Um rapaz tem o incrível dom de acordar todos os dias num corpo diferente, independente do género. E deve se adaptar ao seu novo corpo, ainda que somente por um dia. Mas a sua triste rotina muda quando acorda no corpo de Justin e acaba se apaixonando pela namorada dele, Rhiannon.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por David Levithan e conta a história de uma alma itinerante que tem a particularidade de encarnar um corpo diferente a cada 24 horas e que um dia apaixona-se de verdade por uma menina de 16 anos de idade, fazendo com que ela se apaixone também por ele. Apesar do filme ser fraco a nível do todo, eu gostei bastante dele, porque adorei a sua história e porque assim de repente não me lembro de ter assistido a algo parecido, embora já tivesse pensado na situação aqui retratada. Basicamente, o que temos aqui é uma história de amor, mas em moldes diferentes do habitual. O filme levanta a questão de sermos mais alguma coisa para além do corpo, se quando morremos a nossa alma ainda sobrevive e transforma-se em espírito e que papel andamos a fazer enquanto vivemos. A banda sonora é agradável, bem como o clima que envolve todo o filme, o realizador soube trabalhar bem a jovialidade presente no longa. Claro que existem falhas no argumento e alguns erros na lógica das coisas, mas eu consegui colocar isso de lado e admirar o filme enquanto romance juvenil e tenho que admitir que funciona muito bem enquanto tal. Angourie Rice (These Final Hours) está muito bem neste filme, a jovem actriz consegue uma boa interpretação e também ter uma forte presença no ecrã, pertencem a ela as melhores cenas e os melhores enquadramentos do longa. Não sendo um filme que irá agradar a um público adulto, eu sinto-me bem por ter gostado dele. 

Napoli Velata

Nome do Filme : “Napoli Velata”
Titulo Inglês : “Naples In Veils”
Titulo Português : “Nápoles Velada”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Thriller/Mystery/Drama/Crime
Realização : Ferzan Ozpetek
Produção : Tilde Corsi/Gianni Romoli
Elenco : Giovanna Mezzogiorno, Isabella Ferrari, Luisa Ranieri, Anna Bonaiuto, Alessandro Borghi, Maria Pia Calzone, Loredana Cannata, Daniele Foresi, Carmine Recano, Lina Sastri, Biagio Forestieri, Peppe Barra, Giada Pecorelli.

História : Numa Nápoles suspensa entre magia e superstição, loucura e racionalidade, um mistério envolve a existência de Adriana, subjugada por um amor repentino e um crime violento.

Comentário : Este filme italiano é composto por duas componentes básicas : de um lado temos a história central que envolve a protagonista Adriana e a sua vida quotidiana; e por outro lado temos as partes que mostram outras personagens que não são assim tão interessantes e que se fossem tiradas da edição final, não faziam falta alguma e até nos facultava uma fita mais enxuta e fácil de se acompanhar. Não quero com isto dizer que o filme é mau, nada disso, eu próprio gostei bastante do que vi ao longo das quase duas horas, mas aquilo que pretendo demonstrar com este meu raciocínio é que a fita em causa desvia-se por vezes do seu foco principal, o que faz com que quem a esteja a ver, também fique desconcentrada e com isso, fique aborrecida e perca o interesse. Embora isso comigo não tenha acontecido, aquilo que mais me agradou nesta película foi ter acompanhado a história de Adriana desde aquelas cenas iniciais dela em criança até aos momentos finais que mostram-na surpresa com a revelação da porteira. Se ignorarmos as tais partes ditas desnecessárias com personagens secundárias que apenas estão ali para encher a fita, então temos um filme consistente, envolto num clima de mistério e cujas revelações vão surgindo de vem em quando. E para isso muito contribuiu a excelente prestação da actriz Giovanna Mezzogiorno, não conhecia esta artista italiana e gostei de a ter descoberto. Gostei também do personagem amigo dela que morre de ataque cardíaco e do policia que se torna num cúmplice seu. Em resumo, é um bom filme que possui uma protagonista forte e que usa as suas qualidades para tornar tudo mais grandioso e feliz. Uma última anotação, a foto em baixo mostra o momento em que a protagonista apanha o trauma que lhe estragou a vida.

The Escape

Nome do Filme : “The Escape”
Titulo Inglês : “The Escape”
Titulo Português: “A Fuga”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Dominic Savage
Produção : Guy Heeley
Elenco : Gemma Arterton, Dominic Cooper, Frances Barber, Marthe Keller, Jalil Lespert.

História : Uma dona de casa e mãe de família cansa-se da existência que tem e decide tomar uma decisão radical com intenção de mudar a sua vida para sempre.

Comentário : Em certa parte, eu me revi na pele da protagonista deste filme escapista, mas isso era assunto para um outro comentário. Hoje, trago um comentário a um filme protagonizado por uma actriz que eu gosto bastante : Gemma Arterton, além de muito bonita, ela é boa a representar. E neste filme, não podia estar melhor. Gostei da sua personagem, ela é uma mulher sofrida e muito infeliz, que se saturou do casamento, do marido e dos filhos, enfim, ela não vê sentido algum na sua existência actual, quer mudar radicalmente de vida e tudo fará para o conseguir. Eu percebi perfeitamente o desespero da protagonista, existem por aí muitas mulheres como ela, a infelicidade no casamento é motivo para um divórcio. O filme trabalha muito bem todos estes temas, fiquei surpreendido nesse sentido, porque não é fácil mexer com estas temáticas no cinema. Dominic Cooper vai bem no seu papel, mas a nível dos personagens masculinos, de quem eu gostei mesmo foi do personagem e da actuação de Jalil Lespert, quem já viu o filme, facilmente perceberá porquê. Apesar da sua atitude condenável, ele é alguém carismático e enigmático, tornando-o bastante apelativo e já para não falar da sua química com a protagonista que funciona bem e sente-se na medida certa. A banda sonora é muito boa, aquelas melodias melancólicas e calmas foram verdadeira música para os meus ouvidos. É um filme bom, com uma boa e actual história e que nos ensina que só nós mesmos temos o poder de mudar a nossa vida, basta querermos. 

domingo, 3 de junho de 2018

Un Beau Soleil Intérieur

Nome do Filme : “Un Beau Soleil Intérieur”
Titulo Inglês : “Let The Sun Shine In”
Titulo Português : “O Meu Belo Sol Interior”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Claire Denis
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Gerard Depardieu, Josiane Balasko, Sandrine Dumas, Philippe Katerine, Nicolas Duvauchelle, Alex Descas, Laurent Grevill, Bruno Podalydes, Paul Blain, Claire Tran, Valeria Bruni Tedeschi.

História : Isabelle é uma mulher inteligente e sofisticada a viver em Paris. Divorciada há já vários anos, ela sente que, agora que chegou aos cinquenta anos e encontrou a estabilidade em várias áreas da sua vida, terá chegado o momento de procurar o amor verdadeiro. Porém, entre uma relação e outra, ela dá-se conta do quanto é difícil encontrar alguém que a preencha verdadeiramente.

Comentário : Para terminar os meus comentários deste fim-de-semana, escolhi um filme francês que, apesar de não ser grande coisa, mostra muito e tem muito a ver com a actriz protagonista. Ela é o filme. De facto, Juliette Binoche não precisava de ter entrado num filme como este para provar que é uma excelente actriz, ela não precisa de provar nada a ninguém sobre a arte da representação. Ainda assim, a mulher brilha imenso no papel de Isabelle, tal como o titulo do filme refere. No entanto, a sua personagem não possui brilho nenhum, pelo contrário, ela está sempre em sofrimento e sem conseguir vencer no campo amoroso, eu diria mesmo que se trata de um filme muito deprimente. As personagens são deprimentes, os cenários são tristes, os relacionamentos são voláteis, o clima está desagradável, enfim, tudo está a culminar em algo desolador e deprimente. Até a noite é aqui filmada de modo soturno e pesado.

Apesar de Juliette Binoche ter a melhor prestação do filme, eu adorei rever Gerard Depardieu aqui, sim, ele tem pouco tempo de antena, mas o seu personagem é muito interessante e essencial, tendo a influência necessária na vida da protagonista. O facto da relação da protagonista com a filha não ter sido aprofundada, não lhe deu uma boa imagem e não a favoreceu enquanto mãe. É também um filme muito calmo, nós em momento algum nos sentimos tensos ou aborrecidos, tudo se segue muito bem, graças ao argumento que apesar de simples, foca coisas complexas. Coisas complexas que se traduzem nos comportamentos humanos e nas relações que estabelecemos uns com os outros. Penso ser esse o principal tema deste filme e a realizadora trabalhou isso muito bem e nos facultou uma reflexão sobre o que define o ser humano e toda a sua complexidade. Confesso que me senti muito bem enquanto via este filme. É como eu disse, Juliette Binoche é o filme. 

Mary Shelley

Nome do Filme : “Mary Shelley”
Titulo Inglês : “Mary Shelley”
Titulo Português : “Mary Shelley”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Haifaa Al-Mansour
Produção : Amy Baer/Ruth Coady
Elenco : Elle Fanning, Maisie Williams, Bel Powley, Douglas Booth, Ben Hardy, Tom Sturridge, Stephen Dillane, Joanne Froggatt, Ciara Charteris, Sarah Lamesch, Jack Hickey, Michael Cloke, Ondra Dorian, Donna Marie Sludds, Hugh O'Conor, Laurence Foster, Owen Richards, Dean Gregory, Andy McKell, Gilbert Johnston, Rasneet Kaur, Ingridi Verardo De Moraes.

História : A relação entre o carismático poeta Percy Shelley e Mary Wollstonecraft, uma linda jovem de 17 anos que viria a se tornar numa aclamada e famosa escritora.

Comentário : Antes de me referir ao filme propriamente dito, queria destacar aqui duas ou três curiosidades. O principal actor masculino deste filme chama-se Douglas Booth, que já havia interpretado um papel semelhante num outro filme de época realizado por Carlo Carlei, onde fez par romântico com a excelente actriz Hailee Steinfeld, que por sua vez é uma grande amiga de Elle Fanning, que é a actriz que desempenha também o par romântico de Douglas Booth neste filme homónimo sobre a escritora Mary Shelley. E eu sou um grande admirador dessas duas lindas raparigas, as considero excelentes actrizes e gostava de as ver juntas num mesmo filme. Mas vamos já a “Mary Shelley”. Antes de mais, quero dizer que esperava bem mais deste filme biográfico, não fiquei desiludido de todo, mas estava a contar com uma fita mais centrada na escritora do titulo, nas suas vivências, experiências e relação com a escrita. Na realidade, a protagonista escreve muito pouco ao longo das quase duas horas de projeção, aliás, a realizadora até chega a focar mais o marido da protagonista, do que ela. 

Claramente que Elle Fanning possui, ainda assim, a melhor prestação do filme. A seu lado, temos uma bastante competente Bel Powley, a sua personagem é igualmente interessante. Elle Fanning e Bel Powley possuem uma eficaz química sempre que contracenam juntas, são duas personagens que funcionam bem. Vi muito pouco de Maisie Williams, outra excelente actriz desta nova vaga, gostaria de ter visto bem mais da sua personagem, também ela interessante. Do lado masculino, o destaque vai claro para o já frisado Douglas Booth, apesar do seu personagem ser alguém odioso, imaturo e irresponsável, ele tem carisma e desenrasca-se bem, mesmo que não convença com a sua súbita mudança de carácter no final do longa. A realizadora foca também que as mulheres sempre foram as mais sacrificadas, e neste caso, a situação era de tal forma injusta, que uma mulher nem tinha o direito de assinar uma obra literária escrita por si, tinha que ser um homem. E veja-se outro exemplo, a situação da personagem vivida pela actriz Bel Powley. Gostei bastante da fotografia, do guarda roupa, da recriação de época e das ambientações, tudo foi cuidadosamente trabalhado pela realizadora. O que se pode entender do filme é que foi a dura vida, o enorme sofrimento e as más e dolorosas experiências vividas por Mary, que a motivaram e a fizeram escrever aquele livro, a miúda transformou em livro aquilo que sentia e que lhe ia na alma, aquilo em que se havia transformado. Eu gostei do filme, mas esperava que fosse uma fita unicamente centrada em Mary Shelley e no seu mundo, ainda assim, é perdoável a divagação da realizadora que optou por nos facultar outros focos e perspectivas.

The Tale

Nome do Filme : “The Tale”
Titulo Inglês : “The Tale”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Jennifer Fox
Produção : Jennifer Fox
Elenco : Laura Dern, Isabelle Nélisse, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Chelsea Alden, Jason Ritter, Frances Conroy, Isabella Amara, John Heard, Laura Allen, Matthew Rauch, Tina Parker, Jessica Sarah Flaum, Jodi Long, Jaqueline Fleming, Scott Takeda, Gretchen Koerner, Madison David, Dana Healey, Juli Erickson, Grant James, Common.

História : Uma mulher se vê forçada a reexaminar seu primeiro relacionamento amoroso e sexual e as histórias que contou para si mesma com o intuito de sobreviver a seus traumas.

Comentário : Eu estou ainda a tentar assimilar o que acabei de ver, a sério. Este foi um dos filmes que mais me custou a digerir, quem já o viu, facilmente perceberá porquê. As situações que acontecem no filme à personagem principal, interpretada de forma exímia e perfeita pela bonita e talentosa Isabelle Nélisse, sucedem infelizmente na vida real, as pessoas já o deviam saber e não é o primeiro filme que as foca. No entanto, mostrar isso e fazer questão de evidenciar esses acontecimentos, nem todos os filmes têm coragem de fazer. Pessoalmente, eu dispensava bem essas cenas e confesso mesmo que algumas partes do filme me causaram raiva e revolta, pelo facto de eu não poder ajudar e salvar Jenny, sempre que ela sofria qualquer tipo de abuso por parte daquele nojento. O título do filme é alusivo ao facto da protagonista adorar contar e escrever histórias criadas por ela. O filme foca também o quanto irresponsáveis e culpados podem ser certos pais e mães por aquilo que acontece aos seus filhos. O argumento é muito bom e está bem elaborado, a realizadora dá-nos a conhecer aos poucos, e aos poucos vai revelando o que nós queremos e precisamos saber, como se de um conta gotas se tratasse. 

O filme alerta também para o facto do bicho homem ser o pior dos seres. Eu não gostei tanto de ver Laura Dern neste filme, ou melhor, a actriz é excelente e eu adoro vê-la actuar, mas houve algo de errado com a sua personagem que me fez não me sentir à vontade com ela. Possivelmente, porque a sua personagem só se dá conta da gravidade da situação de que foi vítima, no final. Gostei das interpretações de Ellen Burstyn e Elizabeth Debicki, as duas estão aceitáveis. Não gostei dos personagens desempenhados pelos actores Jason Ritter, John Heard e Common, os dois primeiros por serem uns nojentos e o terceiro porque é alguém que não adianta nada à trama. É um filme que me fez pensar e muito, sinceramente, até o poster diz quase tudo. Filmes parecidos com este, assim à memória vem-me “Pretty Baby” de Louis Malle e “Piccole Labbra” de Mimmo Cattarinich, porque são filmes que mostram meninas de treze anos tendo relacionamentos amorosos e sexuais com homens adultos. Ainda assim, tenho que confessar que a realizadora teve muita coragem em dar a conhecer a sua história, uma parte do seu passado e tudo de forma tão dura e crua, sem enfeites. Gostei do filme, pela interpretação da miúda que conseguiu transmitir imenso com a sua personagem e também devido à história em si e, por último, agradeço a Jennifer Fox por ter escolhido o cinema como forma de expressar aquilo que lhe vai na alma. 

Thoroughbreds

Nome do Filme : “Thoroughbreds”
Titulo Inglês : “Thoroughbreds”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Cory Finley
Produção : Andrew Duncan/Nat Faxon/Jim Rash/Alex Saks/Kevin Walsh
Elenco : Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin, Kaili Vernoff, Paul Sparks, Svetlana Orlova, Stephanie Atkinson, Leah Procito, Francie Swift.

História : Duas meninas adolescentes no subúrbio de Connecticut se reconectam numa amizade improvável após muito tempo de separação. No processo, elas aprendem que nenhuma das duas é o que aparenta ser, e que um assassinato pode resolver ambos os seus problemas.

Comentário : Antes de tudo, quero dizer que este filme não é bem aquilo que eu esperava, embora tenha gostado à mesma. Esperava algo mais de terror, esperava um filme de assassinato mais sanguinário e com requintes de malvadez por parte das duas meninas protagonistas. O que vi não foi bem aquilo que eu havia idealizado no início, no entanto, o filme satisfez-me em parte porque fala da psique humana e de como complicados e complexos são os seres humanos. Houve alusão a uma matança de um animal com fotos existentes desse acontecimento, imagens essas que nunca chegam a aparecer ao longo do filme, penso que o realizador fez bem em não as mostrar, porque além delas em nada adiantarem à trama, era de mau gosto dar-lhes destaque. Outra coisa a referir é que este foi um dos últimos filmes da carreira do actor Anton Yelchin (Star Trek), que viria a falecer na vida real. Este filme foi-lhe dedicado, a primeira coisa que aparece nos créditos finais é precisamente a dizer que o filme é em sua memória.

Uma coisa que eu não percebi teve a ver com a questão temporal, embora isso não tivesse comprometido o meu entendimento do filme. Mas isso também pode ter sido apenas uma impressão minha, no entanto, penso mesmo que a questão temporal não foi muito bem trabalhada pelo realizador. O filme tem cinco personagens base, mas o foco surge principalmente em três delas : Amanda, Lily e Tim. Como Tim, Anton Yelchin manda bem nesse seu registo, ele é um criminoso medroso que cometeu um acto horrendo no passado e tem imenso medo de regressar para a cadeia. O actor é bom e termina assim a sua carreira em grande, ainda que pelos motivos mais tristes. No papel de primeira protagonista, Olivia Cooke (Me And Earl And The Dying Girl) tem uma boa prestação, ela convence enquanto rapariga traumatizada e a sua Amanda impressiona pelos piores motivos alusivos à sua personagem. Ainda assim, a moça tem uma forte presença, é bonita e uma boa actriz com um futuro promissor. No papel de Lily, encontramos a rapariga de beleza enigmática, de seu nome Anya Taylor-Joy (The Witch/Split/Glass), uma actriz que já deu que falar pelos melhores motivos no que à arte da representação diz respeito. De facto, aqui, no papel de segunda protagonista, ela tem novamente uma personagem bem peculiar e isenta de normalidade. Tal como aconteceu com Olivia Cooke, também Anya Taylor-Joy possui uma presença forte no ecrã, para além de haverem alguns planos que ajudam a tornar as duas miúdas ainda mais bonitas e sensuais. Já para não falar do facto das duas possuírem uma boa química entre elas. O filme é bom, vê-se bem, mas é como já disse, esperava outro desenvolvimento.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não Devore Meu Coração

Nome do Filme : “Não Devore Meu Coração”
Titulo Inglês : “Don't Swallow My Heart, Alligator Girl”
Titulo Português : “Não Devore Meu Coração”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Felipe Bragança
Produção : Marina Meliande/Marcos Prado
Elenco : Eduardo Macedo, Adeli Gonzales, Cauã Reymond, Cláudia Assunção, Zahy Guajajara, Leopoldo Pacheco, Ney Matogrosso, Mario Veron, Marco Lori.

História : Joca, um jovem de treze anos, descobre o amor quando conhece Basano, uma linda menina paraguaia. No entanto, para conquistá-la, Joca passará por grandes dificuldades relativas a problemas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e seu irmão Fernando, que pertence a uma perigosa gangue de motociclistas.

Comentário : Para iniciarmos este mês de Junho, eu pensei em trazer um comentário alusivo a um filme que fala de crianças e protagonizado por crianças, afinal, é o dia delas. O filme escolhido era “The Florida Project”, mas devido a problemas alheios à minha pessoa, não consegui ver esse filme, embora eu prometa que o irei ver para a semana e que brevemente, publicarei um comentário especial ao mesmo. Mas hoje, começamos um novo mês da melhor maneira, com um filme brasileiro, claro. E em certa medida, ele também está relacionado com crianças, no caso, pré-adolescentes, ou os dois protagonistas não fossem um casalinho bem peculiar. Ele é um menino brasileiro carenciado, e ela é uma linda menina paraguaia, e apesar dele se apaixonar por ela e ela não lhe ligar muito, no final, o amor vence. O filme foca também as rivalidades entre brasileiros e paraguaios, onde adultos e crianças disputam-se entre si. O irmão do protagonista é membro de uma gangue de motoqueiros liderada por um velho louco, e eles são bem violentos. Do outro lado, do lado do Paraguai, existe também uma gangue e estes dois grupos passam a vida em disputas e jogos vários.

Claramente que o meu grupo preferido de personagens são os adolescentes, aliás, por serem menores, eles são mais inocentes e menos violentos, logo, não há tanta maldade e as coisas acabam por se tolerar mais. Existem aqui cenas muito belas, aliás, tem uma sequência que decorre em ambiente de final de dia, que envolve o menino protagonista e a menina também ela personagem principal, cheia de pirilampos, que é para mim a melhor parte do filme. Dividido em capítulos, o filme aborda alguns temas, embora eu ache que o tema principal não é a rivalidade entre nacionalidades, mas sim a relação peculiar entre Joca e Basano. E falando neles, o pequeno Eduardo Macedo vai muito bem no seu papel, ele é um menino giro e apaixonado, e tudo fará pela sua índia. Por outro lado, a atriz paraguaia Adeli Gonzales ou Adeli Benitez, ela é a estrela desta fita, eu fiquei rendido à sua beleza e à sua prestação, a miúda possui algo mágico que eu não sei explicar, fiquei encantado com a sua personagem. Além disso, ela e Eduardo Macedo possuem uma linda empatia entre eles, para além de funcionarem muito bem enquanto personagens, juntos, possuem as melhores cenas da película. E vou mais longe, se o filme fosse somente sobre esses dois, seria bem melhor. Cauã Reymond vai bem, eu gostei do seu personagem e mais ainda do destino dado a ele. Apesar do filme ter muita “tanga chouriceira”, ele vale sobretudo pela história do casal adolescente protagonista.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Arábia

Nome do Filme : “Arábia”
Titulo Inglês : “Araby”
Titulo Português : “Arábia”
Ano : 2017
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Affonso Uchoa/João Dumans
Produção : Vitor Graize
Elenco : Aristides de Sousa, Renata Cabral, Murilo Caliari, Gláucia Vandeveld, Renan Rovida, Renato Novaes, Adriano Araújo, Wederson Neguinho.

História : Em Ouro Preto, Minas Gerais, um jovem encontra por acaso o diário de um operário metalúrgico que sofreu um acidente e por suas memórias embarca numa jornada pelas condições de vida de trabalhadores marginalizados.

Comentário : Hoje eu assisti a um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Sim, é um filme brasileiro e chama-se “Arábia”. Primeiro que tudo, trata-se de um filme de identidade, que fala de pessoas reais e de situações quotidianas, fala da vida de pessoas normais, é um filme muito autoral e sério. Eu confesso que, enquanto estava a ver o filme, saltaram-me à memória lembranças de coisas que eu vi no passado, de situações testemunhadas por mim e de coisas que li, algures. Tudo isto para dizer que “Arábia” é um filme tão verdadeiro e que parece tão real, que certas cenas parecem terem sido filmadas na altura em que decorreram, só para ficarem para a posteridade. E nesse sentido, “Arábia” é quase um documentário, ou antes, uma hábil mistura entre obra ficcional e peça documental.

O filme começa nos apresentando uma pequena família formada por três elementos, mas depois o foco passa para um homem, que acaba por se tornar no grande protagonista da fita, sem nunca esquecer a família inicial, tanto assim, que volta a eles no final. Entrando agora em detalhes técnicos, quero destacar a agradável banda sonora, a fotografia apelativa, alguns planos que são um deleite, e claro, a boa prestação do actor protagonista. É um filme que mostra como é dura e difícil a vida daqueles que não tiveram a oportunidade de algo melhor, que não tiveram as ajudas necessárias, e foca igualmente aqueles que não tiveram a sorte de terem nascido numa boa família. Normalmente os portugueses não gostam do seu cinema, assim como os brasileiros geralmente não gostam do cinema do seu país, eu tenho os dois ao meu dispor e confesso que tiro muito partido disso, porque eu como cinéfilo, adoro cinema português e cinema brasileiro. Mas este filme (Arábia) tocou-me muito, um dos filmes mais reais, verdadeiros e realistas que tive a sorte de ver na minha vida. Muito bom. 


Aos Teus Olhos

Nome do Filme : “Aos Teus Olhos”
Titulo Português : “Aos Teus Olhos”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Carolina Jabor
Produção : Carolina Jabor
Elenco : Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Marco Ricca, Malu Galli, Stella Rabello, Gustavo Falcão, Luiz Felipe Mello, Rodrigo dos Santos, Breno Nina, Clarissa Pinheiro.

História : Rubens é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes num clube de náutica. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex, diz à mãe que o professor lhe deu um beijo no vestiário. Alegando estar inocente, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens na internet e explode de vez quando chega ao Facebook.

Comentário : Este filme levanta questões bastante relevantes e até mesmo preocupantes que ocorrem nos dias de hoje. Recuando atrás no tempo, quando eu era jovem, eu, a minha irmã e outras crianças, nós tínhamos o hábito de brincar na rua até à noite, à vontade, éramos livres e pode-se dizer que aproveitávamos a vida. Hoje em dia, isso é impensável, o que é muito triste. Hoje em dia, e por medida de segurança, as nossas crianças não têm liberdade, elas estão “presas” num mundo de regras castradoras e impiedosas. E estas constatações vão muito ao encontro daquilo que vemos neste filme brasileiro. Antigamente, era normal um adulto fazer carinho e dar beijo em criança, hoje em dia e em tirando familiares, isso é impensável, já o acto de fotografar criança desconhecida, isso é crime hoje em dia. Outra coisa que eu queria aqui mencionar e que o filme foca, é que se for uma mulher a beijar uma criança ou fazer carinho nelas, tudo bem. Mas, se for um homem a fazer tal coisa, isso já não é aceitável, pelo contrário, é condenável. Indo mais longe, só o facto de certos homens terem profissões em que lidam com crianças, ditas profissões normalmente atribuídas a mulheres, bom, esses homens são logo olhados de um outro jeito e cujos olhares de terceiros, ainda que não pareçam, estão sempre desconfiados e alerta. São profissões de risco para os homens.

Sobre o filme em si, eu gostei, ele trabalha bem estes temas, passa bem as mensagens que a realizadora pretendia transmitir. As interpretações são boas. É um filme tenso e alarmante, mas que peca por ter um final insoso, nós ficamos sem saber no que aquilo dá. Na minha opinião, Rubens era inocente e foi a mãe do menino que interpretou mal a queixa do filho e aumentou as coisas. Outra coisa que me deixou a pensar, foi que o protagonista foi criticado e quase “crucificado”, apenas por ter como namorada uma rapariga de 19 anos, enfim, é este o mundo que temos e em que vivemos. O filme, ele mete bem o dedo na ferida e neste flagelo da pedofilia, é algo que existe e todos sabemos disso, é algo altamente condenável e os criminosos dessas práticas deviam ser severamente punidos, eu considero este tipo de crimes, os piores que existem. Se por acaso, alguém fizesse mal ou algo deste género a filhas minhas, de certeza que eu iria fazer justiça pelas próprias mãos, porque a justiça em Portugal não funciona e em certos casos, até "protege" os criminosos. É um bom filme e o facto de ter sido dirigido por uma mulher, funcionou ainda melhor.

domingo, 27 de maio de 2018

Ramiro

Nome do Filme : “Ramiro”
Titulo Português : “Ramiro”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Manuel Mozos
Produção : Sandro Aguilar/Luís Urbano
Elenco : António Mortágua, Madalena Almeida, Sofia Marques, Fernanda Neves, Vítor Correia, Cristina Carvalhal, Sara Carinhas, Américo Silva, Duarte Guimarães, Ricardo Aibéo, João Tempera, António Simão, João Pedro Bénard, Lília Lopes.

História : Ramiro é um alfarrabista que, depois de escrever um livro que se tornou um êxito, entrou em crise de inspiração. Passaram-se anos e ainda não encontrou forma de passar para a escrita as ideias que tem para uma segunda obra. Sem família, passa os dias entre a sua pequena loja, situada num dos bairros mais populares de Lisboa, e as saídas à noite com alguns amigos de copos. Mas as pessoas de quem se sente mais próximo são as vizinhas Daniela e Amélia. A primeira é uma adolescente que está grávida; a segunda é a avó da miúda, que sofreu recentemente um AVC e se encontra em fase de recuperação.

Comentário : O novo filme de Manuel Mozos é algo peculiar, sereno e muito gentil. Pessoalmente, confesso ter gostado bastante de “Ramiro”, uma fita sobre a depressão e sobre as relações humanas, que funciona também como uma homenagem ao mundo da literatura. Não é um filme direcionado para aquele público que está habituado ao cinema americano e aos blockbusters, até mesmo porque tem um ritmo muito lento ou como diria um colega meu, tem falta de ritmo. Na verdade, estamos na linha daquele tipo de cinema português com um ritmo lento e com mau som, sim, por vezes eu desejei que me fossem facultadas legendas para perceber o que os personagens diziam. Ainda assim e para mim, é um bom filme e eu gostei. O filme tem também uma boa fotografia, embora escura demais nas cenas que decorrem à noite ou em ambientes escuros, algo que pode estragar a experiência de alguns, no meu caso, não me fez diferença, estou habituado. No filme, aparece uma cena que foi filmada na Feira da Ladra (acho eu!), gostei dessa cena, é um local que eu gosto bastante e com o qual eu me identifico.

O realizador filma da maneira que sabe melhor e conta-nos esta história do seu jeito, foi um filme que eu fiquei totalmente concentrado no que estava a ver, é impressionante vermos que aquilo que uns não gostam, a outros encanta. O elenco também está de parabéns, foi bem dirigido, todos estão bem, mas vou falar apenas de dois. O António Mortágua foi uma surpresa para mim, não me lembro de o ver em outros filmes, adorei o seu Ramiro, o actor teve uma interpretação subtil, tornando o protagonista em alguém credível e muito humano. Por outro lado, temos uma linda estrelinha chamada Madalena Almeida (primeira foto em baixo), alguém que me deixou encantado. Não a conhecia das novelas, porque eu não vejo novelas. Simplesmente, um dos meus colegas de trabalho é familiar dela e falou-me da sua participação no filme. Eu fiquei rendido não só à jovem actriz, como também à sua Daniela, de longe, a melhor personagem feminina do filme. Além de ser uma menina muito bonita, Madalena Almeida, tem um enorme talento para a arte da representação e eu gostava imenso de ver mais dela no cinema. Ramiro e Daniela funcionam bem enquanto personagens. Bom filme. Gostei.


Le Redoutable

Nome do Filme : “Le Redoutable”
Titulo Alternativo : “Godard, Mon Amour”
Titulo Português : “Godard, O Temível”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática/Histórico
Realização : Michel Hazanavicius
Produção : Michel Hazanavicius/Florence Gastaud/Riad Sattouf
Elenco : Louis Garrel, Stacy Martin, Berenice Bejo, Micha Lescot, Gregory Gadebois, Felix Kysyl, Arthur Orcier, Marc Fraize, Guido Caprino, Emmanuele Aita, Matteo Martari, Philippe Girard, Quentin Dolmaire, Romain Goupil, Louise Legendre.

História : É durante a rodagem do filme “La Chinoise” que o já aclamado realizador franco-suíço Jean-Luc Godard se apaixona irremediavelmente por Anne Wiazemsky, uma actriz alemã de apenas 17 anos, que viria a tornar-se sua musa. Um ano depois, já casados, ambos parecem ter alcançado alguma estabilidade. Mas, ao perceber a péssima recepção da crítica especializada ao filme, Godard deixa-se afundar numa crise existencial que se agrava com a instabilidade social originada pela revolução de Maio de 1968. Tudo isto deixará marcas profundas na sua forma de ser e na forma como conduzirá a sua carreira daí em diante, bem como o seu casamento.

Comentário : Confesso que não conheço nada da personalidade e maneira de ser do cineasta Jean-Luc Godard e se aquilo que vemos neste filme corresponder à verdade, então ele era um homem muito complicado no passado. Confesso também que vi alguns dos seus filmes, talvez uns três, gostei mais ou menos, ele faz um cinema bem estranho. No início, eu não simpatizava muito com o actor Louis Garrel, mas depois e continuando a ver os seus filmes, passei a gostar dele e, hoje, o considero um excelente actor. Gostei muito de o ver a representar um cineasta tão famoso e peculiar, penso mesmo que ele teve a melhor prestação deste filme. Garrel interpreta um personagem que desperta dupla opinião, ou seja, ele não é muito certo, tão depressa estando bem, como no instante seguinte, está instável. Stacey Martin surpreendeu-me bastante no registo que possui neste filme, eu adorei vê-la a interpretar Anne, a actriz convence com a sua personagem, ela não só tem uma excelente interpretação como também cativa pela sua beleza, claro que aqui o seu guarda-roupa também contribuiu para isso. Berenice Bejo vai bem, ela possui uma boa interpretação e tem também uma personagem bem interessante, mas eu queria ter visto mais da sua Michele. Outra coisa a destacar é a fantástica empatia que se sente entre Louis Garrel e Stacey Martin, os dois são excelentes juntos, ainda que já o fossem individualmente. O filme possui uma forte componente histórica, mostrando ou retratando coisas ou acontecimentos da década de 1960, e quase tudo de forma eficaz. A fita aparece dividida em nove capítulos e um epílogo. Existe uma sequência a preto e branco onde aparece uma personagem, que possui imagens tão bonitas, que apetece emoldurar. É, sem dúvida, um filme interessante. 

domingo, 20 de maio de 2018

Angels Wear White

Nome do Filme : “Jia Nian Hua”
Titulo Inglês : “Angels Wear White”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Vivian Qu
Produção : Sean Chen
Elenco : Vicky Chen, Meijun Zhou, Xinyue Jiang, Le Geng, Weiwei Liu, Jing Peng, Yuexin Wang, Mengnan Li, Ke Shi, Bamboo Chu-Sheng Chen.

História : Uma funcionária ilegal de um motel testemunha aquilo que parece ser um crime. No entanto, com medo de ser demitida, resolve não contar nada. Enquanto isso, duas adolescentes vêem as suas vidas complicarem de dia para dia, tudo devido a um acontecimento de que foram vítimas.

Comentário : Esta noite resolvi ver este filme chinês que confesso ter gostado bastante. É mais um daqueles filmes que mostram que os grandes e poderosos vencem sempre os mais fracos e desprotegidos e onde o dinheiro e o poder levam a melhor. Detentor de referências ao mundo do cinema, este filme foi uma enorme surpresa para mim, na medida em que não dava nada por ele depois de ter visto o trailer. Desde a história muito interessante, passando pelas boas interpretações e terminando no interesse que as personagens principais despertam, o filme está bastante aceitável. O longa também mostra que certos pais e mães não sabem educar seus filhos e talvez não devessem ter tido filhos. Neste caso, isso acontece no momento em que uma mãe aplica dois castigos à filha completamente disparatados, quando na realidade, para além da miúda não ter tido culpa do sucedido, não é daquela maneira que se resolvem as coisas. Certos planos estão bem conseguidos. Existe um acontecimento lá mais para o final, que é tão estúpido que eu nem quero acreditar que aquilo se passa na vida real. Houve uma cena que prova bem a indignação das pessoas vítimas destas situações, estou a falar da reação daquele pai face àquela injustiça na conferência de imprensa. Vale frisar também algumas coisas que as duas vítimas dizem entre elas, que neste caso, mostra bem a ingenuidade e inocência delas. É um filme que devia ser de visionamento obrigatório para todos os pais e mães com filhas menores.