domingo, 10 de junho de 2018

Rio Mumbai

Nome do Filme : “Rio Mumbai”
Titulo Português : “Rio Mumbai”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Pedro Sodré/Gabriel Mellin
Produção : Bebel Mesquita/Giovanna Lucas/Felipe Britto.
Elenco : Pedro Sodré, Clara Choveaux, Bruce Gomlevsky, Marcos Fritsch, Jonathan Haagensen, João Leporage, Paulo Maia, Conrado Nilo, Babu Santana, Vandre Silveira, Christiana Ubach, Davi Dias, Bento Coimbra, Valentina Gomlevsky, Sérgio Siviero, Bruno Cezario, Nina Barros.

História : Nelson, um jornalista cético e desiludido, está tendo experiências estranhas. O velho cientista que mora no seu prédio tenta o convencer de que esses acontecimentos estão ligados a um antigo estudo sobre viagens no tempo. Maria, esposa de Nelson, recebe um diário de bordo que revela uma comunicação atemporal entre eles.

Comentário : E assim voltamos ao cinema brasileiro, desta vez com muito misticismo, secretismo e um pouquinho de confusão. Primeiro que tudo, trata-se de um filme introspectivo, ele nos convida a reflectir e a pensar, sobre a vida, sobre aquilo que fizemos e andamos a fazer, sobre os nossos actos, sobre a nossa função, o que comemos e ao que nos apegamos, enfim, à nossa passagem pela vida. E nesses aspectos, é onde o filme mais soma pontos, ele nos mostra a jornada de um homem, nós acompanhamos um personagem principal, conforme um outro personagem vai lendo o diário escrito pelo primeiro. O personagem do velho, por exemplo, ele representa o mistério  que o filme nos proporciona, ainda que apareça pouco. Ele é como que a motivação do protagonista, o seu fio condutor, assim como o diário, eles são uma espécie de catalisadores. Eu vou ser sincero, não esperava quase nada deste filme e ele acabou me dando muita coisa, a começar pela paz, ele me transmitiu imensa paz e isso sucedeu não só nas partes em que o protagonista viaja pela Índia, como e principalmente nas sequências em que ele contracena com aquele velho indiano que é uma espécie de ancião. É também um filme que fala de viagens, seja viagens no tempo ou viagens físicas de um local para o outro. Todas estas questões escritas anteriormente foram muito bem trabalhadas neste filme. A interpretação do actor que dá vida a Nelson é bem consistente e realista. É também um filme muito bonito a nível visual. Podemos tirar bonitas lições daqui, eu gostei bastante deste filme, pequeno mas bom.

Black Hollow Cage

Nome do Filme : “Black Hollow Cage”
Titulo Inglês : “Black Hollow Cage”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Sadrac Gonzalez-Perellon
Produção : Sadrac Gonzalez-Perellon
Elenco : Lowena McDonell, Julian Nicholson, Haydee Lysander, Marc Puiggener, Will Hudson, Daniel Jacobs, Lucy Tillett.

História : Alice é uma adolescente que vive numa casa isolada em uma enorme e densa floresta com o seu pai e um enorme cão branco que ela identifica como sendo a sua mãe. Um dia, ao dar um passeio, ela encontra entre as árvores um enorme cubo misterioso, mas a situação complica-se bastante para o lado dela, quando o pai leva para casa uma menina espancada e um rapaz mudo, crianças que ele encontrara na floresta.

Comentário : Filme dividido em cinco capítulos, em que o quarto é uma autêntica confusão e balança um pouco tudo visto até então. Confesso que até ao final do terceiro capítulo eu estava a gostar do que via, mas depois as coisas tornam-se realmente confusas, ainda que o quinto capítulo remende algumas coisas, acabam por faltar muitas explicações e respostas. O filme é espanhol e não é das piores produções vindas das mãos dos nossos vizinhos, mas o roteiro podia ter ficado mais amarrado e sem tantas pontas soltas. Não sou daqueles que gosta de tudo bem mastigado e pronto e engolir, mas às vezes, algumas poucas explicações ou respostas ajudam a entender o todo e contribuem para que gostemos ainda mais do filme que estamos a ver. Feitas as contas, o filme possui apenas seis personagens humanos e um personagem canino, onde o maior destaque interpretativo vai claramente para a jovem Lowena McDonell que é muito simpática e ao mesmo tempo enigmática, possui uma boa prestação e tem ainda a melhor personagem do longa. É muito fácil gostarmos da sua Alice, destaque também para o seu guarda roupa, parece que a miúda está sempre com a mesma roupa. O cão é lindo. Tem uma personagem que é bem estranha fisicamente. O filme possui cenas violentas. Um detalhe curioso, a personagem protagonista não tem metade de um braço, pelo que usa uma prótese biónica. No fundo, é um filme curioso, mas que não satisfaz essa mesma curiosidade. Ficamos assim pela prestação e forte presença da miúda protagonista que é a alma do filme.

Every Day

Nome do Filme : “Every Day”
Titulo Inglês : “Every Day”
Titulo Português : “A Cada Dia”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Michael Sucsy
Produção : Anthony Bregman/Peter Cron/Christian Grass/Paul Trijbits
Elenco : Maria Bello, Angourie Rice, Debby Ryan, Owen Teague, Amanda Arcuri, Michael Cram, Justice Smith, Jeni Ross, Lucas Jade Zumann, Rory McDonald, Katie Douglas, Jacob Batalon, Ian Alexander, Sean Jones, Colin Ford, Jake Sim, Nicole Law, Karena Evans, Hannah Alissa Richardson, Charles Vandervaart, Keana Bastidas.

História : Um rapaz tem o incrível dom de acordar todos os dias num corpo diferente, independente do género. E deve se adaptar ao seu novo corpo, ainda que somente por um dia. Mas a sua triste rotina muda quando acorda no corpo de Justin e acaba se apaixonando pela namorada dele, Rhiannon.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por David Levithan e conta a história de uma alma itinerante que tem a particularidade de encarnar um corpo diferente a cada 24 horas e que um dia apaixona-se de verdade por uma menina de 16 anos de idade, fazendo com que ela se apaixone também por ele. Apesar do filme ser fraco a nível do todo, eu gostei bastante dele, porque adorei a sua história e porque assim de repente não me lembro de ter assistido a algo parecido, embora já tivesse pensado na situação aqui retratada. Basicamente, o que temos aqui é uma história de amor, mas em moldes diferentes do habitual. O filme levanta a questão de sermos mais alguma coisa para além do corpo, se quando morremos a nossa alma ainda sobrevive e transforma-se em espírito e que papel andamos a fazer enquanto vivemos. A banda sonora é agradável, bem como o clima que envolve todo o filme, o realizador soube trabalhar bem a jovialidade presente no longa. Claro que existem falhas no argumento e alguns erros na lógica das coisas, mas eu consegui colocar isso de lado e admirar o filme enquanto romance juvenil e tenho que admitir que funciona muito bem enquanto tal. Angourie Rice (These Final Hours) está muito bem neste filme, a jovem actriz consegue uma boa interpretação e também ter uma forte presença no ecrã, pertencem a ela as melhores cenas e os melhores enquadramentos do longa. Não sendo um filme que irá agradar a um público adulto, eu sinto-me bem por ter gostado dele. 

Napoli Velata

Nome do Filme : “Napoli Velata”
Titulo Inglês : “Naples In Veils”
Titulo Português : “Nápoles Velada”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Thriller/Mystery/Drama/Crime
Realização : Ferzan Ozpetek
Produção : Tilde Corsi/Gianni Romoli
Elenco : Giovanna Mezzogiorno, Isabella Ferrari, Luisa Ranieri, Anna Bonaiuto, Alessandro Borghi, Maria Pia Calzone, Loredana Cannata, Daniele Foresi, Carmine Recano, Lina Sastri, Biagio Forestieri, Peppe Barra, Giada Pecorelli.

História : Numa Nápoles suspensa entre magia e superstição, loucura e racionalidade, um mistério envolve a existência de Adriana, subjugada por um amor repentino e um crime violento.

Comentário : Este filme italiano é composto por duas componentes básicas : de um lado temos a história central que envolve a protagonista Adriana e a sua vida quotidiana; e por outro lado temos as partes que mostram outras personagens que não são assim tão interessantes e que se fossem tiradas da edição final, não faziam falta alguma e até nos facultava uma fita mais enxuta e fácil de se acompanhar. Não quero com isto dizer que o filme é mau, nada disso, eu próprio gostei bastante do que vi ao longo das quase duas horas, mas aquilo que pretendo demonstrar com este meu raciocínio é que a fita em causa desvia-se por vezes do seu foco principal, o que faz com que quem a esteja a ver, também fique desconcentrada e com isso, fique aborrecida e perca o interesse. Embora isso comigo não tenha acontecido, aquilo que mais me agradou nesta película foi ter acompanhado a história de Adriana desde aquelas cenas iniciais dela em criança até aos momentos finais que mostram-na surpresa com a revelação da porteira. Se ignorarmos as tais partes ditas desnecessárias com personagens secundárias que apenas estão ali para encher a fita, então temos um filme consistente, envolto num clima de mistério e cujas revelações vão surgindo de vem em quando. E para isso muito contribuiu a excelente prestação da actriz Giovanna Mezzogiorno, não conhecia esta artista italiana e gostei de a ter descoberto. Gostei também do personagem amigo dela que morre de ataque cardíaco e do policia que se torna num cúmplice seu. Em resumo, é um bom filme que possui uma protagonista forte e que usa as suas qualidades para tornar tudo mais grandioso e feliz. Uma última anotação, a foto em baixo mostra o momento em que a protagonista apanha o trauma que lhe estragou a vida.

The Escape

Nome do Filme : “The Escape”
Titulo Inglês : “The Escape”
Titulo Português: “A Fuga”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Dominic Savage
Produção : Guy Heeley
Elenco : Gemma Arterton, Dominic Cooper, Frances Barber, Marthe Keller, Jalil Lespert.

História : Uma dona de casa e mãe de família cansa-se da existência que tem e decide tomar uma decisão radical com intenção de mudar a sua vida para sempre.

Comentário : Em certa parte, eu me revi na pele da protagonista deste filme escapista, mas isso era assunto para um outro comentário. Hoje, trago um comentário a um filme protagonizado por uma actriz que eu gosto bastante : Gemma Arterton, além de muito bonita, ela é boa a representar. E neste filme, não podia estar melhor. Gostei da sua personagem, ela é uma mulher sofrida e muito infeliz, que se saturou do casamento, do marido e dos filhos, enfim, ela não vê sentido algum na sua existência actual, quer mudar radicalmente de vida e tudo fará para o conseguir. Eu percebi perfeitamente o desespero da protagonista, existem por aí muitas mulheres como ela, a infelicidade no casamento é motivo para um divórcio. O filme trabalha muito bem todos estes temas, fiquei surpreendido nesse sentido, porque não é fácil mexer com estas temáticas no cinema. Dominic Cooper vai bem no seu papel, mas a nível dos personagens masculinos, de quem eu gostei mesmo foi do personagem e da actuação de Jalil Lespert, quem já viu o filme, facilmente perceberá porquê. Apesar da sua atitude condenável, ele é alguém carismático e enigmático, tornando-o bastante apelativo e já para não falar da sua química com a protagonista que funciona bem e sente-se na medida certa. A banda sonora é muito boa, aquelas melodias melancólicas e calmas foram verdadeira música para os meus ouvidos. É um filme bom, com uma boa e actual história e que nos ensina que só nós mesmos temos o poder de mudar a nossa vida, basta querermos. 

domingo, 3 de junho de 2018

Un Beau Soleil Intérieur

Nome do Filme : “Un Beau Soleil Intérieur”
Titulo Inglês : “Let The Sun Shine In”
Titulo Português : “O Meu Belo Sol Interior”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Claire Denis
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Gerard Depardieu, Josiane Balasko, Sandrine Dumas, Philippe Katerine, Nicolas Duvauchelle, Alex Descas, Laurent Grevill, Bruno Podalydes, Paul Blain, Claire Tran, Valeria Bruni Tedeschi.

História : Isabelle é uma mulher inteligente e sofisticada a viver em Paris. Divorciada há já vários anos, ela sente que, agora que chegou aos cinquenta anos e encontrou a estabilidade em várias áreas da sua vida, terá chegado o momento de procurar o amor verdadeiro. Porém, entre uma relação e outra, ela dá-se conta do quanto é difícil encontrar alguém que a preencha verdadeiramente.

Comentário : Para terminar os meus comentários deste fim-de-semana, escolhi um filme francês que, apesar de não ser grande coisa, mostra muito e tem muito a ver com a actriz protagonista. Ela é o filme. De facto, Juliette Binoche não precisava de ter entrado num filme como este para provar que é uma excelente actriz, ela não precisa de provar nada a ninguém sobre a arte da representação. Ainda assim, a mulher brilha imenso no papel de Isabelle, tal como o titulo do filme refere. No entanto, a sua personagem não possui brilho nenhum, pelo contrário, ela está sempre em sofrimento e sem conseguir vencer no campo amoroso, eu diria mesmo que se trata de um filme muito deprimente. As personagens são deprimentes, os cenários são tristes, os relacionamentos são voláteis, o clima está desagradável, enfim, tudo está a culminar em algo desolador e deprimente. Até a noite é aqui filmada de modo soturno e pesado.

Apesar de Juliette Binoche ter a melhor prestação do filme, eu adorei rever Gerard Depardieu aqui, sim, ele tem pouco tempo de antena, mas o seu personagem é muito interessante e essencial, tendo a influência necessária na vida da protagonista. O facto da relação da protagonista com a filha não ter sido aprofundada, não lhe deu uma boa imagem e não a favoreceu enquanto mãe. É também um filme muito calmo, nós em momento algum nos sentimos tensos ou aborrecidos, tudo se segue muito bem, graças ao argumento que apesar de simples, foca coisas complexas. Coisas complexas que se traduzem nos comportamentos humanos e nas relações que estabelecemos uns com os outros. Penso ser esse o principal tema deste filme e a realizadora trabalhou isso muito bem e nos facultou uma reflexão sobre o que define o ser humano e toda a sua complexidade. Confesso que me senti muito bem enquanto via este filme. É como eu disse, Juliette Binoche é o filme. 

Mary Shelley

Nome do Filme : “Mary Shelley”
Titulo Inglês : “Mary Shelley”
Titulo Português : “Mary Shelley”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Haifaa Al-Mansour
Produção : Amy Baer/Ruth Coady
Elenco : Elle Fanning, Maisie Williams, Bel Powley, Douglas Booth, Ben Hardy, Tom Sturridge, Stephen Dillane, Joanne Froggatt, Ciara Charteris, Sarah Lamesch, Jack Hickey, Michael Cloke, Ondra Dorian, Donna Marie Sludds, Hugh O'Conor, Laurence Foster, Owen Richards, Dean Gregory, Andy McKell, Gilbert Johnston, Rasneet Kaur, Ingridi Verardo De Moraes.

História : A relação entre o carismático poeta Percy Shelley e Mary Wollstonecraft, uma linda jovem de 17 anos que viria a se tornar numa aclamada e famosa escritora.

Comentário : Antes de me referir ao filme propriamente dito, queria destacar aqui duas ou três curiosidades. O principal actor masculino deste filme chama-se Douglas Booth, que já havia interpretado um papel semelhante num outro filme de época realizado por Carlo Carlei, onde fez par romântico com a excelente actriz Hailee Steinfeld, que por sua vez é uma grande amiga de Elle Fanning, que é a actriz que desempenha também o par romântico de Douglas Booth neste filme homónimo sobre a escritora Mary Shelley. E eu sou um grande admirador dessas duas lindas raparigas, as considero excelentes actrizes e gostava de as ver juntas num mesmo filme. Mas vamos já a “Mary Shelley”. Antes de mais, quero dizer que esperava bem mais deste filme biográfico, não fiquei desiludido de todo, mas estava a contar com uma fita mais centrada na escritora do titulo, nas suas vivências, experiências e relação com a escrita. Na realidade, a protagonista escreve muito pouco ao longo das quase duas horas de projeção, aliás, a realizadora até chega a focar mais o marido da protagonista, do que ela. 

Claramente que Elle Fanning possui, ainda assim, a melhor prestação do filme. A seu lado, temos uma bastante competente Bel Powley, a sua personagem é igualmente interessante. Elle Fanning e Bel Powley possuem uma eficaz química sempre que contracenam juntas, são duas personagens que funcionam bem. Vi muito pouco de Maisie Williams, outra excelente actriz desta nova vaga, gostaria de ter visto bem mais da sua personagem, também ela interessante. Do lado masculino, o destaque vai claro para o já frisado Douglas Booth, apesar do seu personagem ser alguém odioso, imaturo e irresponsável, ele tem carisma e desenrasca-se bem, mesmo que não convença com a sua súbita mudança de carácter no final do longa. A realizadora foca também que as mulheres sempre foram as mais sacrificadas, e neste caso, a situação era de tal forma injusta, que uma mulher nem tinha o direito de assinar uma obra literária escrita por si, tinha que ser um homem. E veja-se outro exemplo, a situação da personagem vivida pela actriz Bel Powley. Gostei bastante da fotografia, do guarda roupa, da recriação de época e das ambientações, tudo foi cuidadosamente trabalhado pela realizadora. O que se pode entender do filme é que foi a dura vida, o enorme sofrimento e as más e dolorosas experiências vividas por Mary, que a motivaram e a fizeram escrever aquele livro, a miúda transformou em livro aquilo que sentia e que lhe ia na alma, aquilo em que se havia transformado. Eu gostei do filme, mas esperava que fosse uma fita unicamente centrada em Mary Shelley e no seu mundo, ainda assim, é perdoável a divagação da realizadora que optou por nos facultar outros focos e perspectivas.

The Tale

Nome do Filme : “The Tale”
Titulo Inglês : “The Tale”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Jennifer Fox
Produção : Jennifer Fox
Elenco : Laura Dern, Isabelle Nélisse, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Chelsea Alden, Jason Ritter, Frances Conroy, Isabella Amara, John Heard, Laura Allen, Matthew Rauch, Tina Parker, Jessica Sarah Flaum, Jodi Long, Jaqueline Fleming, Scott Takeda, Gretchen Koerner, Madison David, Dana Healey, Juli Erickson, Grant James, Common.

História : Uma mulher se vê forçada a reexaminar seu primeiro relacionamento amoroso e sexual e as histórias que contou para si mesma com o intuito de sobreviver a seus traumas.

Comentário : Eu estou ainda a tentar assimilar o que acabei de ver, a sério. Este foi um dos filmes que mais me custou a digerir, quem já o viu, facilmente perceberá porquê. As situações que acontecem no filme à personagem principal, interpretada de forma exímia e perfeita pela bonita e talentosa Isabelle Nélisse, sucedem infelizmente na vida real, as pessoas já o deviam saber e não é o primeiro filme que as foca. No entanto, mostrar isso e fazer questão de evidenciar esses acontecimentos, nem todos os filmes têm coragem de fazer. Pessoalmente, eu dispensava bem essas cenas e confesso mesmo que algumas partes do filme me causaram raiva e revolta, pelo facto de eu não poder ajudar e salvar Jenny, sempre que ela sofria qualquer tipo de abuso por parte daquele nojento. O título do filme é alusivo ao facto da protagonista adorar contar e escrever histórias criadas por ela. O filme foca também o quanto irresponsáveis e culpados podem ser certos pais e mães por aquilo que acontece aos seus filhos. O argumento é muito bom e está bem elaborado, a realizadora dá-nos a conhecer aos poucos, e aos poucos vai revelando o que nós queremos e precisamos saber, como se de um conta gotas se tratasse. 

O filme alerta também para o facto do bicho homem ser o pior dos seres. Eu não gostei tanto de ver Laura Dern neste filme, ou melhor, a actriz é excelente e eu adoro vê-la actuar, mas houve algo de errado com a sua personagem que me fez não me sentir à vontade com ela. Possivelmente, porque a sua personagem só se dá conta da gravidade da situação de que foi vítima, no final. Gostei das interpretações de Ellen Burstyn e Elizabeth Debicki, as duas estão aceitáveis. Não gostei dos personagens desempenhados pelos actores Jason Ritter, John Heard e Common, os dois primeiros por serem uns nojentos e o terceiro porque é alguém que não adianta nada à trama. É um filme que me fez pensar e muito, sinceramente, até o poster diz quase tudo. Filmes parecidos com este, assim à memória vem-me “Pretty Baby” de Louis Malle e “Piccole Labbra” de Mimmo Cattarinich, porque são filmes que mostram meninas de treze anos tendo relacionamentos amorosos e sexuais com homens adultos. Ainda assim, tenho que confessar que a realizadora teve muita coragem em dar a conhecer a sua história, uma parte do seu passado e tudo de forma tão dura e crua, sem enfeites. Gostei do filme, pela interpretação da miúda que conseguiu transmitir imenso com a sua personagem e também devido à história em si e, por último, agradeço a Jennifer Fox por ter escolhido o cinema como forma de expressar aquilo que lhe vai na alma. 

Thoroughbreds

Nome do Filme : “Thoroughbreds”
Titulo Inglês : “Thoroughbreds”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Cory Finley
Produção : Andrew Duncan/Nat Faxon/Jim Rash/Alex Saks/Kevin Walsh
Elenco : Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin, Kaili Vernoff, Paul Sparks, Svetlana Orlova, Stephanie Atkinson, Leah Procito, Francie Swift.

História : Duas meninas adolescentes no subúrbio de Connecticut se reconectam numa amizade improvável após muito tempo de separação. No processo, elas aprendem que nenhuma das duas é o que aparenta ser, e que um assassinato pode resolver ambos os seus problemas.

Comentário : Antes de tudo, quero dizer que este filme não é bem aquilo que eu esperava, embora tenha gostado à mesma. Esperava algo mais de terror, esperava um filme de assassinato mais sanguinário e com requintes de malvadez por parte das duas meninas protagonistas. O que vi não foi bem aquilo que eu havia idealizado no início, no entanto, o filme satisfez-me em parte porque fala da psique humana e de como complicados e complexos são os seres humanos. Houve alusão a uma matança de um animal com fotos existentes desse acontecimento, imagens essas que nunca chegam a aparecer ao longo do filme, penso que o realizador fez bem em não as mostrar, porque além delas em nada adiantarem à trama, era de mau gosto dar-lhes destaque. Outra coisa a referir é que este foi um dos últimos filmes da carreira do actor Anton Yelchin (Star Trek), que viria a falecer na vida real. Este filme foi-lhe dedicado, a primeira coisa que aparece nos créditos finais é precisamente a dizer que o filme é em sua memória.

Uma coisa que eu não percebi teve a ver com a questão temporal, embora isso não tivesse comprometido o meu entendimento do filme. Mas isso também pode ter sido apenas uma impressão minha, no entanto, penso mesmo que a questão temporal não foi muito bem trabalhada pelo realizador. O filme tem cinco personagens base, mas o foco surge principalmente em três delas : Amanda, Lily e Tim. Como Tim, Anton Yelchin manda bem nesse seu registo, ele é um criminoso medroso que cometeu um acto horrendo no passado e tem imenso medo de regressar para a cadeia. O actor é bom e termina assim a sua carreira em grande, ainda que pelos motivos mais tristes. No papel de primeira protagonista, Olivia Cooke (Me And Earl And The Dying Girl) tem uma boa prestação, ela convence enquanto rapariga traumatizada e a sua Amanda impressiona pelos piores motivos alusivos à sua personagem. Ainda assim, a moça tem uma forte presença, é bonita e uma boa actriz com um futuro promissor. No papel de Lily, encontramos a rapariga de beleza enigmática, de seu nome Anya Taylor-Joy (The Witch/Split/Glass), uma actriz que já deu que falar pelos melhores motivos no que à arte da representação diz respeito. De facto, aqui, no papel de segunda protagonista, ela tem novamente uma personagem bem peculiar e isenta de normalidade. Tal como aconteceu com Olivia Cooke, também Anya Taylor-Joy possui uma presença forte no ecrã, para além de haverem alguns planos que ajudam a tornar as duas miúdas ainda mais bonitas e sensuais. Já para não falar do facto das duas possuírem uma boa química entre elas. O filme é bom, vê-se bem, mas é como já disse, esperava outro desenvolvimento.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não Devore Meu Coração

Nome do Filme : “Não Devore Meu Coração”
Titulo Inglês : “Don't Swallow My Heart, Alligator Girl”
Titulo Português : “Não Devore Meu Coração”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Felipe Bragança
Produção : Marina Meliande/Marcos Prado
Elenco : Eduardo Macedo, Adeli Gonzales, Cauã Reymond, Cláudia Assunção, Zahy Guajajara, Leopoldo Pacheco, Ney Matogrosso, Mario Veron, Marco Lori.

História : Joca, um jovem de treze anos, descobre o amor quando conhece Basano, uma linda menina paraguaia. No entanto, para conquistá-la, Joca passará por grandes dificuldades relativas a problemas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e seu irmão Fernando, que pertence a uma perigosa gangue de motociclistas.

Comentário : Para iniciarmos este mês de Junho, eu pensei em trazer um comentário alusivo a um filme que fala de crianças e protagonizado por crianças, afinal, é o dia delas. O filme escolhido era “The Florida Project”, mas devido a problemas alheios à minha pessoa, não consegui ver esse filme, embora eu prometa que o irei ver para a semana e que brevemente, publicarei um comentário especial ao mesmo. Mas hoje, começamos um novo mês da melhor maneira, com um filme brasileiro, claro. E em certa medida, ele também está relacionado com crianças, no caso, pré-adolescentes, ou os dois protagonistas não fossem um casalinho bem peculiar. Ele é um menino brasileiro carenciado, e ela é uma linda menina paraguaia, e apesar dele se apaixonar por ela e ela não lhe ligar muito, no final, o amor vence. O filme foca também as rivalidades entre brasileiros e paraguaios, onde adultos e crianças disputam-se entre si. O irmão do protagonista é membro de uma gangue de motoqueiros liderada por um velho louco, e eles são bem violentos. Do outro lado, do lado do Paraguai, existe também uma gangue e estes dois grupos passam a vida em disputas e jogos vários.

Claramente que o meu grupo preferido de personagens são os adolescentes, aliás, por serem menores, eles são mais inocentes e menos violentos, logo, não há tanta maldade e as coisas acabam por se tolerar mais. Existem aqui cenas muito belas, aliás, tem uma sequência que decorre em ambiente de final de dia, que envolve o menino protagonista e a menina também ela personagem principal, cheia de pirilampos, que é para mim a melhor parte do filme. Dividido em capítulos, o filme aborda alguns temas, embora eu ache que o tema principal não é a rivalidade entre nacionalidades, mas sim a relação peculiar entre Joca e Basano. E falando neles, o pequeno Eduardo Macedo vai muito bem no seu papel, ele é um menino giro e apaixonado, e tudo fará pela sua índia. Por outro lado, a atriz paraguaia Adeli Gonzales ou Adeli Benitez, ela é a estrela desta fita, eu fiquei rendido à sua beleza e à sua prestação, a miúda possui algo mágico que eu não sei explicar, fiquei encantado com a sua personagem. Além disso, ela e Eduardo Macedo possuem uma linda empatia entre eles, para além de funcionarem muito bem enquanto personagens, juntos, possuem as melhores cenas da película. E vou mais longe, se o filme fosse somente sobre esses dois, seria bem melhor. Cauã Reymond vai bem, eu gostei do seu personagem e mais ainda do destino dado a ele. Apesar do filme ter muita “tanga chouriceira”, ele vale sobretudo pela história do casal adolescente protagonista.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Arábia

Nome do Filme : “Arábia”
Titulo Inglês : “Araby”
Titulo Português : “Arábia”
Ano : 2017
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Affonso Uchoa/João Dumans
Produção : Vitor Graize
Elenco : Aristides de Sousa, Renata Cabral, Murilo Caliari, Gláucia Vandeveld, Renan Rovida, Renato Novaes, Adriano Araújo, Wederson Neguinho.

História : Em Ouro Preto, Minas Gerais, um jovem encontra por acaso o diário de um operário metalúrgico que sofreu um acidente e por suas memórias embarca numa jornada pelas condições de vida de trabalhadores marginalizados.

Comentário : Hoje eu assisti a um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Sim, é um filme brasileiro e chama-se “Arábia”. Primeiro que tudo, trata-se de um filme de identidade, que fala de pessoas reais e de situações quotidianas, fala da vida de pessoas normais, é um filme muito autoral e sério. Eu confesso que, enquanto estava a ver o filme, saltaram-me à memória lembranças de coisas que eu vi no passado, de situações testemunhadas por mim e de coisas que li, algures. Tudo isto para dizer que “Arábia” é um filme tão verdadeiro e que parece tão real, que certas cenas parecem terem sido filmadas na altura em que decorreram, só para ficarem para a posteridade. E nesse sentido, “Arábia” é quase um documentário, ou antes, uma hábil mistura entre obra ficcional e peça documental.

O filme começa nos apresentando uma pequena família formada por três elementos, mas depois o foco passa para um homem, que acaba por se tornar no grande protagonista da fita, sem nunca esquecer a família inicial, tanto assim, que volta a eles no final. Entrando agora em detalhes técnicos, quero destacar a agradável banda sonora, a fotografia apelativa, alguns planos que são um deleite, e claro, a boa prestação do actor protagonista. É um filme que mostra como é dura e difícil a vida daqueles que não tiveram a oportunidade de algo melhor, que não tiveram as ajudas necessárias, e foca igualmente aqueles que não tiveram a sorte de terem nascido numa boa família. Normalmente os portugueses não gostam do seu cinema, assim como os brasileiros geralmente não gostam do cinema do seu país, eu tenho os dois ao meu dispor e confesso que tiro muito partido disso, porque eu como cinéfilo, adoro cinema português e cinema brasileiro. Mas este filme (Arábia) tocou-me muito, um dos filmes mais reais, verdadeiros e realistas que tive a sorte de ver na minha vida. Muito bom. 


Aos Teus Olhos

Nome do Filme : “Aos Teus Olhos”
Titulo Português : “Aos Teus Olhos”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Carolina Jabor
Produção : Carolina Jabor
Elenco : Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Marco Ricca, Malu Galli, Stella Rabello, Gustavo Falcão, Luiz Felipe Mello, Rodrigo dos Santos, Breno Nina, Clarissa Pinheiro.

História : Rubens é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes num clube de náutica. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex, diz à mãe que o professor lhe deu um beijo no vestiário. Alegando estar inocente, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens na internet e explode de vez quando chega ao Facebook.

Comentário : Este filme levanta questões bastante relevantes e até mesmo preocupantes que ocorrem nos dias de hoje. Recuando atrás no tempo, quando eu era jovem, eu, a minha irmã e outras crianças, nós tínhamos o hábito de brincar na rua até à noite, à vontade, éramos livres e pode-se dizer que aproveitávamos a vida. Hoje em dia, isso é impensável, o que é muito triste. Hoje em dia, e por medida de segurança, as nossas crianças não têm liberdade, elas estão “presas” num mundo de regras castradoras e impiedosas. E estas constatações vão muito ao encontro daquilo que vemos neste filme brasileiro. Antigamente, era normal um adulto fazer carinho e dar beijo em criança, hoje em dia e em tirando familiares, isso é impensável, já o acto de fotografar criança desconhecida, isso é crime hoje em dia. Outra coisa que eu queria aqui mencionar e que o filme foca, é que se for uma mulher a beijar uma criança ou fazer carinho nelas, tudo bem. Mas, se for um homem a fazer tal coisa, isso já não é aceitável, pelo contrário, é condenável. Indo mais longe, só o facto de certos homens terem profissões em que lidam com crianças, ditas profissões normalmente atribuídas a mulheres, bom, esses homens são logo olhados de um outro jeito e cujos olhares de terceiros, ainda que não pareçam, estão sempre desconfiados e alerta. São profissões de risco para os homens.

Sobre o filme em si, eu gostei, ele trabalha bem estes temas, passa bem as mensagens que a realizadora pretendia transmitir. As interpretações são boas. É um filme tenso e alarmante, mas que peca por ter um final insoso, nós ficamos sem saber no que aquilo dá. Na minha opinião, Rubens era inocente e foi a mãe do menino que interpretou mal a queixa do filho e aumentou as coisas. Outra coisa que me deixou a pensar, foi que o protagonista foi criticado e quase “crucificado”, apenas por ter como namorada uma rapariga de 19 anos, enfim, é este o mundo que temos e em que vivemos. O filme, ele mete bem o dedo na ferida e neste flagelo da pedofilia, é algo que existe e todos sabemos disso, é algo altamente condenável e os criminosos dessas práticas deviam ser severamente punidos, eu considero este tipo de crimes, os piores que existem. Se por acaso, alguém fizesse mal ou algo deste género a filhas minhas, de certeza que eu iria fazer justiça pelas próprias mãos, porque a justiça em Portugal não funciona e em certos casos, até "protege" os criminosos. É um bom filme e o facto de ter sido dirigido por uma mulher, funcionou ainda melhor.

domingo, 27 de maio de 2018

Ramiro

Nome do Filme : “Ramiro”
Titulo Português : “Ramiro”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Manuel Mozos
Produção : Sandro Aguilar/Luís Urbano
Elenco : António Mortágua, Madalena Almeida, Sofia Marques, Fernanda Neves, Vítor Correia, Cristina Carvalhal, Sara Carinhas, Américo Silva, Duarte Guimarães, Ricardo Aibéo, João Tempera, António Simão, João Pedro Bénard, Lília Lopes.

História : Ramiro é um alfarrabista que, depois de escrever um livro que se tornou um êxito, entrou em crise de inspiração. Passaram-se anos e ainda não encontrou forma de passar para a escrita as ideias que tem para uma segunda obra. Sem família, passa os dias entre a sua pequena loja, situada num dos bairros mais populares de Lisboa, e as saídas à noite com alguns amigos de copos. Mas as pessoas de quem se sente mais próximo são as vizinhas Daniela e Amélia. A primeira é uma adolescente que está grávida; a segunda é a avó da miúda, que sofreu recentemente um AVC e se encontra em fase de recuperação.

Comentário : O novo filme de Manuel Mozos é algo peculiar, sereno e muito gentil. Pessoalmente, confesso ter gostado bastante de “Ramiro”, uma fita sobre a depressão e sobre as relações humanas, que funciona também como uma homenagem ao mundo da literatura. Não é um filme direcionado para aquele público que está habituado ao cinema americano e aos blockbusters, até mesmo porque tem um ritmo muito lento ou como diria um colega meu, tem falta de ritmo. Na verdade, estamos na linha daquele tipo de cinema português com um ritmo lento e com mau som, sim, por vezes eu desejei que me fossem facultadas legendas para perceber o que os personagens diziam. Ainda assim e para mim, é um bom filme e eu gostei. O filme tem também uma boa fotografia, embora escura demais nas cenas que decorrem à noite ou em ambientes escuros, algo que pode estragar a experiência de alguns, no meu caso, não me fez diferença, estou habituado. No filme, aparece uma cena que foi filmada na Feira da Ladra (acho eu!), gostei dessa cena, é um local que eu gosto bastante e com o qual eu me identifico.

O realizador filma da maneira que sabe melhor e conta-nos esta história do seu jeito, foi um filme que eu fiquei totalmente concentrado no que estava a ver, é impressionante vermos que aquilo que uns não gostam, a outros encanta. O elenco também está de parabéns, foi bem dirigido, todos estão bem, mas vou falar apenas de dois. O António Mortágua foi uma surpresa para mim, não me lembro de o ver em outros filmes, adorei o seu Ramiro, o actor teve uma interpretação subtil, tornando o protagonista em alguém credível e muito humano. Por outro lado, temos uma linda estrelinha chamada Madalena Almeida (primeira foto em baixo), alguém que me deixou encantado. Não a conhecia das novelas, porque eu não vejo novelas. Simplesmente, um dos meus colegas de trabalho é familiar dela e falou-me da sua participação no filme. Eu fiquei rendido não só à jovem actriz, como também à sua Daniela, de longe, a melhor personagem feminina do filme. Além de ser uma menina muito bonita, Madalena Almeida, tem um enorme talento para a arte da representação e eu gostava imenso de ver mais dela no cinema. Ramiro e Daniela funcionam bem enquanto personagens. Bom filme. Gostei.


Le Redoutable

Nome do Filme : “Le Redoutable”
Titulo Alternativo : “Godard, Mon Amour”
Titulo Português : “Godard, O Temível”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática/Histórico
Realização : Michel Hazanavicius
Produção : Michel Hazanavicius/Florence Gastaud/Riad Sattouf
Elenco : Louis Garrel, Stacy Martin, Berenice Bejo, Micha Lescot, Gregory Gadebois, Felix Kysyl, Arthur Orcier, Marc Fraize, Guido Caprino, Emmanuele Aita, Matteo Martari, Philippe Girard, Quentin Dolmaire, Romain Goupil, Louise Legendre.

História : É durante a rodagem do filme “La Chinoise” que o já aclamado realizador franco-suíço Jean-Luc Godard se apaixona irremediavelmente por Anne Wiazemsky, uma actriz alemã de apenas 17 anos, que viria a tornar-se sua musa. Um ano depois, já casados, ambos parecem ter alcançado alguma estabilidade. Mas, ao perceber a péssima recepção da crítica especializada ao filme, Godard deixa-se afundar numa crise existencial que se agrava com a instabilidade social originada pela revolução de Maio de 1968. Tudo isto deixará marcas profundas na sua forma de ser e na forma como conduzirá a sua carreira daí em diante, bem como o seu casamento.

Comentário : Confesso que não conheço nada da personalidade e maneira de ser do cineasta Jean-Luc Godard e se aquilo que vemos neste filme corresponder à verdade, então ele era um homem muito complicado no passado. Confesso também que vi alguns dos seus filmes, talvez uns três, gostei mais ou menos, ele faz um cinema bem estranho. No início, eu não simpatizava muito com o actor Louis Garrel, mas depois e continuando a ver os seus filmes, passei a gostar dele e, hoje, o considero um excelente actor. Gostei muito de o ver a representar um cineasta tão famoso e peculiar, penso mesmo que ele teve a melhor prestação deste filme. Garrel interpreta um personagem que desperta dupla opinião, ou seja, ele não é muito certo, tão depressa estando bem, como no instante seguinte, está instável. Stacey Martin surpreendeu-me bastante no registo que possui neste filme, eu adorei vê-la a interpretar Anne, a actriz convence com a sua personagem, ela não só tem uma excelente interpretação como também cativa pela sua beleza, claro que aqui o seu guarda-roupa também contribuiu para isso. Berenice Bejo vai bem, ela possui uma boa interpretação e tem também uma personagem bem interessante, mas eu queria ter visto mais da sua Michele. Outra coisa a destacar é a fantástica empatia que se sente entre Louis Garrel e Stacey Martin, os dois são excelentes juntos, ainda que já o fossem individualmente. O filme possui uma forte componente histórica, mostrando ou retratando coisas ou acontecimentos da década de 1960, e quase tudo de forma eficaz. A fita aparece dividida em nove capítulos e um epílogo. Existe uma sequência a preto e branco onde aparece uma personagem, que possui imagens tão bonitas, que apetece emoldurar. É, sem dúvida, um filme interessante. 

domingo, 20 de maio de 2018

Angels Wear White

Nome do Filme : “Jia Nian Hua”
Titulo Inglês : “Angels Wear White”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Vivian Qu
Produção : Sean Chen
Elenco : Vicky Chen, Meijun Zhou, Xinyue Jiang, Le Geng, Weiwei Liu, Jing Peng, Yuexin Wang, Mengnan Li, Ke Shi, Bamboo Chu-Sheng Chen.

História : Uma funcionária ilegal de um motel testemunha aquilo que parece ser um crime. No entanto, com medo de ser demitida, resolve não contar nada. Enquanto isso, duas adolescentes vêem as suas vidas complicarem de dia para dia, tudo devido a um acontecimento de que foram vítimas.

Comentário : Esta noite resolvi ver este filme chinês que confesso ter gostado bastante. É mais um daqueles filmes que mostram que os grandes e poderosos vencem sempre os mais fracos e desprotegidos e onde o dinheiro e o poder levam a melhor. Detentor de referências ao mundo do cinema, este filme foi uma enorme surpresa para mim, na medida em que não dava nada por ele depois de ter visto o trailer. Desde a história muito interessante, passando pelas boas interpretações e terminando no interesse que as personagens principais despertam, o filme está bastante aceitável. O longa também mostra que certos pais e mães não sabem educar seus filhos e talvez não devessem ter tido filhos. Neste caso, isso acontece no momento em que uma mãe aplica dois castigos à filha completamente disparatados, quando na realidade, para além da miúda não ter tido culpa do sucedido, não é daquela maneira que se resolvem as coisas. Certos planos estão bem conseguidos. Existe um acontecimento lá mais para o final, que é tão estúpido que eu nem quero acreditar que aquilo se passa na vida real. Houve uma cena que prova bem a indignação das pessoas vítimas destas situações, estou a falar da reação daquele pai face àquela injustiça na conferência de imprensa. Vale frisar também algumas coisas que as duas vítimas dizem entre elas, que neste caso, mostra bem a ingenuidade e inocência delas. É um filme que devia ser de visionamento obrigatório para todos os pais e mães com filhas menores.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Les Gardiennes

Nome do Filme : “Les Gardiennes”
Titulo Inglês : “The Guardians”
Titulo Português : “As Guardiãs”
Ano : 2017
Duração : 136 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Beauvois
Produção : Sylvie Pialat/Benoit Quainon
Elenco : Nathalie Baye, Laura Smet, Iris Bry, Cyril Descours, Gilbert Bonneau, Olivier Rabourdin, Nicolas Giraud, Mathilde Viseux, Xavier Maly, Marie Julie Maille, Alain Artur, Adrien Denizou, Laurence Havard, Katia Henkel, Viviane Pavillon, Adele Lavauzele, Blanche Hizembert, Brigitte Aigueperse, Celine Cruveiller, Christelle Martin, Clementine Ojardias, Elsa Carvan, Isabelle Brunel, Jeanne Airaud, Lucienne Barrier, Rebecca Bounnet, Stella Cohen Hadria, Madeleine Beauvois.

História : Na França de 1915, diversas mães precisam de criar sozinhas os seus filhos e cuidar das suas casas, porque os homens da casa foram para a frente de combate. Uma dessas mulheres decide contratar uma jovem rapariga para ajudar com os serviços na fazenda de sua família.

Comentário : Confesso gostar imenso de filmes de época e este faz parte daqueles que me surpreenderam, talvez por ser uma história de mulheres, interpretada por mulheres e com uma boa mensagem como pano de fundo, que funciona. Estamos perante um filme muito bonito, mas que também consegue ser duro em alguns momentos. A época em que esta história se passa é o início do século XX e, durante cerca de mais de cinco anos, acompanha as vidas de duas mulheres em particular, uma velha e uma nova e cheia de vida. Alguns criticos dizem que a vida sempre foi difícil para as mulheres, ao longo de toda a História da Humanidade, e eu concordo com eles. Este filme mostra um pouquinho disso e, para lhes agravar ainda mais a situação, as mulheres sempre foram muito más umas para as outras. Nota bastante positiva para a recriação e para a ambientação de época, está tudo muito bem conseguido, e onde se destacam alguns detalhes. É um filme que se segue muito bem e sempre a um bom ritmo, nunca é maçador, as mais de duas horas passam a correr, caso estejamos minimamente interessados na história. Gostei das prestações das actrizes Nathalie Baye e Laura Smet, mas claramente que a actriz que mais merece o realce é a bonita e talentosa Iris Bry. Além de ter adorado a sua personagem e acreditem, é muito fácil gostarmos de Francine, a atriz tem aqui a melhor prestação do filme. Nota igualmente positiva para os momentos em que patroa e empregada trabalhavam juntas no campo, quando ainda se davam bem e se ajudavam mutuamente. Como já disse, é um filme muito bonito, com uma boa história e se formos a ver bem, as coisas até terminam bem para o lado da nossa Francine.

O Caseiro

Nome do Filme : “O Caseiro”
Titulo Inglês : “The Caretaker”
Titulo Português : “O Caseiro”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Thriller/Mystery
Realização : Julio Santi
Produção : Rita Buzzar
Elenco : Bruno Garcia, Denise Weinberg, Malu Rodrigues, Leopoldo Pacheco, Bianca Batista, Annalara Prates, Roberto Arduin, Victória Leister, Fábio Takeo, Pedro Bosnich, Mirtes Nogueira, João Segall, Julio Santi.

História : Davi, um cético professor de psicologia, é famoso por escrever um livro que explica aparições sobrenaturais através da psicanálise. Após anos sem entender alguns pacientes, ele investiga o caso de uma menina assombrada pelo fantasma de um caseiro.

Comentário : Poderá ser confundido com um filme de terror, mas não é. Este filme é antes um thriller cheio de mistério que, apesar de nos baralhar muito e nos colocar a pensar, não atinge o efeito desejado e o final nos provoca uma grande e profunda frustração. A nível técnico, com a excepção do incêndio que dá para ver que é falso, todas as outras componentes funcionam bem, nós acreditamos realmente que algo de sobrenatural se passa naquela propriedade. O director envolve-nos assim num enorme e eficaz clima de mistério e de tensão, o que faz com que fiquemos com as expectativas bem altas. Por exemplo, eu ficava me perguntando se aquilo não era um combinado para tramar Davi, do tipo, ligado ao espiritismo. E o filme fez bem em não ter ido por esse lado, afinal, isso já está muito batido. Em determinada altura, o roteiro dá também a entender que poderá não ser nada de sobrenatural, mas sim, que o problema vem da própria família, o que felizmente, também não é. Ainda que as coisas tenham ido pelo caminho certo, ou seja, que o titulo faça justiça à causa, as revelações finais envolvendo Lili, acabam por parecer demasiado previsíveis, estragando a lógica e a coerência de alguns acontecimentos ocorridos até então.

A nível das interpretações, não gostei das duas actrizes que desempenharam as irmãs adolescentes, apesar das suas personagens serem interessantes. Já as pequenas actrizes que deram vida às filhas mais novas do velho, elas fizeram um bom trabalho, Lili e Júlia convencem. Infelizmente, o protagonista não tem carisma nenhum e possui uma prestação básica, a roçar o fraco, eu não comprei o arco de Davi e foi uma pena. Por seu lado, Denise Weinberg consegue a melhor prestação do filme, embora se esperasse mais da sua personagem, o que não acontece, infelizmente. E Leopoldo Pacheco faz o que pode com o pouco material que tem em mãos, ele está aceitável, mas precisava de outro tipo de desenvolvimento, principalmente no que ao seu passado diz respeito. O mesmo se aplica ao personagem que dá título ao longa, o realizador apenas nos dá a imagem dele ser um homem mau porque sim e fica-se por aí. Este filme merecia outro tipo de desenvolvimento, algo que fugisse à previsibilidade da maioria dos filmes do género, mas, vindo do Brasil, está ok. Claro que não gostei do twist envolvendo a pequena Lili, porque mesmo que me tivesse surpreendido, mexe com alguns acontecimentos ocorridos no longa. O personagem do caseiro em si, já bastava, já dava material suficiente para trabalhar. O final pode não estragar o filme, mas incomoda e muito.

Closeness

Nome do Filme : “Tesnota”
Titulo Inglês : “Closeness”
Ano : 2017
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Kantemir Balagov
Produção : Aleksandr Sokurov
Elenco : Atrem Cipin, Olga Dragunova, Darya Zhovnar, Nazir Zhukov, Veniamin Kac.

História : Numa cidade do sul da Rússia, uma família está prestes a experimentar os momentos de maior tensão de toda a sua vida : um dos filhos, o mais novo, não voltou para casa junto com a noiva e não deixou nenhuma explicação. No dia seguinte, o recebimento de uma carta pedindo um alto resgate confirma o sequestro, e fará com que a família desista de muita coisa para tê-lo de volta.

Comentário : Baseado numa história verdadeira, este filme russo fala de uma família judia que se vê envolvida em problemas, que vão aumentando conforme os dias passam. Não conhecia este realizador e confesso que até gostei deste seu trabalho, é um filme que se segue bem, embora custe um pouco a ganharmos interesse pela história. Tudo porque e estabelecido o problema principal deles, o foco segue para o namorado da rapariga e para os seus amigos, onde se perde imenso tempo mostrando aquilo que já se sabe, como se o director quisesse forçar-nos a assimilar aquela mensagem. Ainda assim, eu gostei das personagens que compõem o núcleo central : os pais da rapariga, o seu irmão e ela própria, eles são bem interessantes e foram bem desenvolvidos. Infelizmente, o filme perde o interesse sempre que aparece o namorado da protagonista, núcleo esse que nos faculta cenas dispensáveis e sem o mínimo de interesse. O realizador foca também e de forma bem estabelecida, a cultura e a maneira de pensar daquele povo, daquela família, dando igualmente foco para o contraste entre o pensar dos pais face à mentalidade dos filhos. Aliás, nesse seguimento, existe umas frases que o marido diz para a mulher que emociona de verdade, aquilo é basicamente e infelizmente a dura realidade da vida. Penso mesmo que o principal destaque do longa reside na abismal diferença de mentalidades que existe entre pais e filhos, factor que não olha a povos ou classes sociais. E nesse aspecto, o realizador passou essa mensagem na perfeição. Por último, resta-me dizer que gostei das interpretações dos quatro que compõem o núcleo central e que eles funcionam bem juntos.

O Rastro

Nome do Filme : “O Rastro”
Titulo Inglês : “The Trace We Leave Behind”
Titulo Português : “O Rasto”
Ano : 2017
Duração : 95 minutos
Género : Mystery/Terror/Thriller/Crime
Realização : João Caetano Feyer
Produção : Malu Miranda/André Pereira
Elenco : Rafael Cardoso, Leandra Leal, Cláudia Abreu, Felipe Camargo, Natália Maciel Guedes, Alice Wegmann, Sura Berditchevsky, Shirley Cruz, Júlia Lund, Gustavo Novaes, Jonas Bloch, Érico Brás, Kelzy Ecard, Alberto Flaksman, Ricardo Ventura, Marcelo Olinto.

História : João é um médico escolhido para coordenar a remoção de pacientes de um antigo hospital prestes a ser desactivado. Na noite da transferência, uma menina de dez anos desaparece sem deixar vestígios. Quanto mais João se aproxima da verdade, mais ele mergulha em um universo obscuro.

Comentário : Para dizer a verdade, não me lembro de alguma vez ter visto um filme de terror brasileiro. Eu não desgostei deste filme, mas fiquei bastante frustrado com o seu final, que considero ser uma porcaria. O realizador soube misturar bem temas bem reais e delicados com a componente sobrenatural, ainda que, se fosse uma fita apenas sobre a vida, sem temática paranormal, a coisa talvez tivesse funcionado bem melhor. Não quero com isto dizer que o director não tornou operante essa componente mais fantasiosa, mas aqui o problema foi que ele não finalizou essa parte, ele não soube facultar um final explicativo para a personagem Júlia de Souza e isso foi um grande erro. Por outro lado, Feyer deu-nos uma boa ideia de como funcionam as coisas lá no Brasil, em que a corrupção serve para todas as áreas, neste caso com foco na Saúde.

Certamente que já se sabe que os poderosos usam os dinheiros públicos para seu benefício, em vez de os canalizar para ajudar quem mais precisa. No entanto, o realizador quis e bem focar também um outro aspecto na sua narrativa, a questão das experiências e tráfico de órgãos exercidos em crianças, para beneficiar os grandes, essa mensagem passou na perfeição e dá que pensar. A nível técnico, o filme está aceitável, ele não precisa de grandes efeitos para funcionar. Claramente que a melhor prestação do longa pertence a Leandra Leal, eu adorei a sua personagem, embora tenha detestado o seu final ou pelo menos o final que eles fizeram crer dela. Mas infelizmente, a cena final estraga as coisas, e o que vemos envolvendo o tal poderoso e um menino é das coisas mais ridículas que eu já vi em filme, uma porcaria, tal como já havia dito. Ainda assim, as mensagens a tirar do filme são fortes, actuais e reais.