domingo, 3 de junho de 2018

Mary Shelley

Nome do Filme : “Mary Shelley”
Titulo Inglês : “Mary Shelley”
Titulo Português : “Mary Shelley”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Haifaa Al-Mansour
Produção : Amy Baer/Ruth Coady
Elenco : Elle Fanning, Maisie Williams, Bel Powley, Douglas Booth, Ben Hardy, Tom Sturridge, Stephen Dillane, Joanne Froggatt, Ciara Charteris, Sarah Lamesch, Jack Hickey, Michael Cloke, Ondra Dorian, Donna Marie Sludds, Hugh O'Conor, Laurence Foster, Owen Richards, Dean Gregory, Andy McKell, Gilbert Johnston, Rasneet Kaur, Ingridi Verardo De Moraes.

História : A relação entre o carismático poeta Percy Shelley e Mary Wollstonecraft, uma linda jovem de 17 anos que viria a se tornar numa aclamada e famosa escritora.

Comentário : Antes de me referir ao filme propriamente dito, queria destacar aqui duas ou três curiosidades. O principal actor masculino deste filme chama-se Douglas Booth, que já havia interpretado um papel semelhante num outro filme de época realizado por Carlo Carlei, onde fez par romântico com a excelente actriz Hailee Steinfeld, que por sua vez é uma grande amiga de Elle Fanning, que é a actriz que desempenha também o par romântico de Douglas Booth neste filme homónimo sobre a escritora Mary Shelley. E eu sou um grande admirador dessas duas lindas raparigas, as considero excelentes actrizes e gostava de as ver juntas num mesmo filme. Mas vamos já a “Mary Shelley”. Antes de mais, quero dizer que esperava bem mais deste filme biográfico, não fiquei desiludido de todo, mas estava a contar com uma fita mais centrada na escritora do titulo, nas suas vivências, experiências e relação com a escrita. Na realidade, a protagonista escreve muito pouco ao longo das quase duas horas de projeção, aliás, a realizadora até chega a focar mais o marido da protagonista, do que ela. 

Claramente que Elle Fanning possui, ainda assim, a melhor prestação do filme. A seu lado, temos uma bastante competente Bel Powley, a sua personagem é igualmente interessante. Elle Fanning e Bel Powley possuem uma eficaz química sempre que contracenam juntas, são duas personagens que funcionam bem. Vi muito pouco de Maisie Williams, outra excelente actriz desta nova vaga, gostaria de ter visto bem mais da sua personagem, também ela interessante. Do lado masculino, o destaque vai claro para o já frisado Douglas Booth, apesar do seu personagem ser alguém odioso, imaturo e irresponsável, ele tem carisma e desenrasca-se bem, mesmo que não convença com a sua súbita mudança de carácter no final do longa. A realizadora foca também que as mulheres sempre foram as mais sacrificadas, e neste caso, a situação era de tal forma injusta, que uma mulher nem tinha o direito de assinar uma obra literária escrita por si, tinha que ser um homem. E veja-se outro exemplo, a situação da personagem vivida pela actriz Bel Powley. Gostei bastante da fotografia, do guarda roupa, da recriação de época e das ambientações, tudo foi cuidadosamente trabalhado pela realizadora. O que se pode entender do filme é que foi a dura vida, o enorme sofrimento e as más e dolorosas experiências vividas por Mary, que a motivaram e a fizeram escrever aquele livro, a miúda transformou em livro aquilo que sentia e que lhe ia na alma, aquilo em que se havia transformado. Eu gostei do filme, mas esperava que fosse uma fita unicamente centrada em Mary Shelley e no seu mundo, ainda assim, é perdoável a divagação da realizadora que optou por nos facultar outros focos e perspectivas.

The Tale

Nome do Filme : “The Tale”
Titulo Inglês : “The Tale”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Jennifer Fox
Produção : Jennifer Fox
Elenco : Laura Dern, Isabelle Nélisse, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Chelsea Alden, Jason Ritter, Frances Conroy, Isabella Amara, John Heard, Laura Allen, Matthew Rauch, Tina Parker, Jessica Sarah Flaum, Jodi Long, Jaqueline Fleming, Scott Takeda, Gretchen Koerner, Madison David, Dana Healey, Juli Erickson, Grant James, Common.

História : Uma mulher se vê forçada a reexaminar seu primeiro relacionamento amoroso e sexual e as histórias que contou para si mesma com o intuito de sobreviver a seus traumas.

Comentário : Eu estou ainda a tentar assimilar o que acabei de ver, a sério. Este foi um dos filmes que mais me custou a digerir, quem já o viu, facilmente perceberá porquê. As situações que acontecem no filme à personagem principal, interpretada de forma exímia e perfeita pela bonita e talentosa Isabelle Nélisse, sucedem infelizmente na vida real, as pessoas já o deviam saber e não é o primeiro filme que as foca. No entanto, mostrar isso e fazer questão de evidenciar esses acontecimentos, nem todos os filmes têm coragem de fazer. Pessoalmente, eu dispensava bem essas cenas e confesso mesmo que algumas partes do filme me causaram raiva e revolta, pelo facto de eu não poder ajudar e salvar Jenny, sempre que ela sofria qualquer tipo de abuso por parte daquele nojento. O título do filme é alusivo ao facto da protagonista adorar contar e escrever histórias criadas por ela. O filme foca também o quanto irresponsáveis e culpados podem ser certos pais e mães por aquilo que acontece aos seus filhos. O argumento é muito bom e está bem elaborado, a realizadora dá-nos a conhecer aos poucos, e aos poucos vai revelando o que nós queremos e precisamos saber, como se de um conta gotas se tratasse. 

O filme alerta também para o facto do bicho homem ser o pior dos seres. Eu não gostei tanto de ver Laura Dern neste filme, ou melhor, a actriz é excelente e eu adoro vê-la actuar, mas houve algo de errado com a sua personagem que me fez não me sentir à vontade com ela. Possivelmente, porque a sua personagem só se dá conta da gravidade da situação de que foi vítima, no final. Gostei das interpretações de Ellen Burstyn e Elizabeth Debicki, as duas estão aceitáveis. Não gostei dos personagens desempenhados pelos actores Jason Ritter, John Heard e Common, os dois primeiros por serem uns nojentos e o terceiro porque é alguém que não adianta nada à trama. É um filme que me fez pensar e muito, sinceramente, até o poster diz quase tudo. Filmes parecidos com este, assim à memória vem-me “Pretty Baby” de Louis Malle e “Piccole Labbra” de Mimmo Cattarinich, porque são filmes que mostram meninas de treze anos tendo relacionamentos amorosos e sexuais com homens adultos. Ainda assim, tenho que confessar que a realizadora teve muita coragem em dar a conhecer a sua história, uma parte do seu passado e tudo de forma tão dura e crua, sem enfeites. Gostei do filme, pela interpretação da miúda que conseguiu transmitir imenso com a sua personagem e também devido à história em si e, por último, agradeço a Jennifer Fox por ter escolhido o cinema como forma de expressar aquilo que lhe vai na alma. 

Thoroughbreds

Nome do Filme : “Thoroughbreds”
Titulo Inglês : “Thoroughbreds”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Cory Finley
Produção : Andrew Duncan/Nat Faxon/Jim Rash/Alex Saks/Kevin Walsh
Elenco : Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin, Kaili Vernoff, Paul Sparks, Svetlana Orlova, Stephanie Atkinson, Leah Procito, Francie Swift.

História : Duas meninas adolescentes no subúrbio de Connecticut se reconectam numa amizade improvável após muito tempo de separação. No processo, elas aprendem que nenhuma das duas é o que aparenta ser, e que um assassinato pode resolver ambos os seus problemas.

Comentário : Antes de tudo, quero dizer que este filme não é bem aquilo que eu esperava, embora tenha gostado à mesma. Esperava algo mais de terror, esperava um filme de assassinato mais sanguinário e com requintes de malvadez por parte das duas meninas protagonistas. O que vi não foi bem aquilo que eu havia idealizado no início, no entanto, o filme satisfez-me em parte porque fala da psique humana e de como complicados e complexos são os seres humanos. Houve alusão a uma matança de um animal com fotos existentes desse acontecimento, imagens essas que nunca chegam a aparecer ao longo do filme, penso que o realizador fez bem em não as mostrar, porque além delas em nada adiantarem à trama, era de mau gosto dar-lhes destaque. Outra coisa a referir é que este foi um dos últimos filmes da carreira do actor Anton Yelchin (Star Trek), que viria a falecer na vida real. Este filme foi-lhe dedicado, a primeira coisa que aparece nos créditos finais é precisamente a dizer que o filme é em sua memória.

Uma coisa que eu não percebi teve a ver com a questão temporal, embora isso não tivesse comprometido o meu entendimento do filme. Mas isso também pode ter sido apenas uma impressão minha, no entanto, penso mesmo que a questão temporal não foi muito bem trabalhada pelo realizador. O filme tem cinco personagens base, mas o foco surge principalmente em três delas : Amanda, Lily e Tim. Como Tim, Anton Yelchin manda bem nesse seu registo, ele é um criminoso medroso que cometeu um acto horrendo no passado e tem imenso medo de regressar para a cadeia. O actor é bom e termina assim a sua carreira em grande, ainda que pelos motivos mais tristes. No papel de primeira protagonista, Olivia Cooke (Me And Earl And The Dying Girl) tem uma boa prestação, ela convence enquanto rapariga traumatizada e a sua Amanda impressiona pelos piores motivos alusivos à sua personagem. Ainda assim, a moça tem uma forte presença, é bonita e uma boa actriz com um futuro promissor. No papel de Lily, encontramos a rapariga de beleza enigmática, de seu nome Anya Taylor-Joy (The Witch/Split/Glass), uma actriz que já deu que falar pelos melhores motivos no que à arte da representação diz respeito. De facto, aqui, no papel de segunda protagonista, ela tem novamente uma personagem bem peculiar e isenta de normalidade. Tal como aconteceu com Olivia Cooke, também Anya Taylor-Joy possui uma presença forte no ecrã, para além de haverem alguns planos que ajudam a tornar as duas miúdas ainda mais bonitas e sensuais. Já para não falar do facto das duas possuírem uma boa química entre elas. O filme é bom, vê-se bem, mas é como já disse, esperava outro desenvolvimento.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não Devore Meu Coração

Nome do Filme : “Não Devore Meu Coração”
Titulo Inglês : “Don't Swallow My Heart, Alligator Girl”
Titulo Português : “Não Devore Meu Coração”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Felipe Bragança
Produção : Marina Meliande/Marcos Prado
Elenco : Eduardo Macedo, Adeli Gonzales, Cauã Reymond, Cláudia Assunção, Zahy Guajajara, Leopoldo Pacheco, Ney Matogrosso, Mario Veron, Marco Lori.

História : Joca, um jovem de treze anos, descobre o amor quando conhece Basano, uma linda menina paraguaia. No entanto, para conquistá-la, Joca passará por grandes dificuldades relativas a problemas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e seu irmão Fernando, que pertence a uma perigosa gangue de motociclistas.

Comentário : Para iniciarmos este mês de Junho, eu pensei em trazer um comentário alusivo a um filme que fala de crianças e protagonizado por crianças, afinal, é o dia delas. O filme escolhido era “The Florida Project”, mas devido a problemas alheios à minha pessoa, não consegui ver esse filme, embora eu prometa que o irei ver para a semana e que brevemente, publicarei um comentário especial ao mesmo. Mas hoje, começamos um novo mês da melhor maneira, com um filme brasileiro, claro. E em certa medida, ele também está relacionado com crianças, no caso, pré-adolescentes, ou os dois protagonistas não fossem um casalinho bem peculiar. Ele é um menino brasileiro carenciado, e ela é uma linda menina paraguaia, e apesar dele se apaixonar por ela e ela não lhe ligar muito, no final, o amor vence. O filme foca também as rivalidades entre brasileiros e paraguaios, onde adultos e crianças disputam-se entre si. O irmão do protagonista é membro de uma gangue de motoqueiros liderada por um velho louco, e eles são bem violentos. Do outro lado, do lado do Paraguai, existe também uma gangue e estes dois grupos passam a vida em disputas e jogos vários.

Claramente que o meu grupo preferido de personagens são os adolescentes, aliás, por serem menores, eles são mais inocentes e menos violentos, logo, não há tanta maldade e as coisas acabam por se tolerar mais. Existem aqui cenas muito belas, aliás, tem uma sequência que decorre em ambiente de final de dia, que envolve o menino protagonista e a menina também ela personagem principal, cheia de pirilampos, que é para mim a melhor parte do filme. Dividido em capítulos, o filme aborda alguns temas, embora eu ache que o tema principal não é a rivalidade entre nacionalidades, mas sim a relação peculiar entre Joca e Basano. E falando neles, o pequeno Eduardo Macedo vai muito bem no seu papel, ele é um menino giro e apaixonado, e tudo fará pela sua índia. Por outro lado, a atriz paraguaia Adeli Gonzales ou Adeli Benitez, ela é a estrela desta fita, eu fiquei rendido à sua beleza e à sua prestação, a miúda possui algo mágico que eu não sei explicar, fiquei encantado com a sua personagem. Além disso, ela e Eduardo Macedo possuem uma linda empatia entre eles, para além de funcionarem muito bem enquanto personagens, juntos, possuem as melhores cenas da película. E vou mais longe, se o filme fosse somente sobre esses dois, seria bem melhor. Cauã Reymond vai bem, eu gostei do seu personagem e mais ainda do destino dado a ele. Apesar do filme ter muita “tanga chouriceira”, ele vale sobretudo pela história do casal adolescente protagonista.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Arábia

Nome do Filme : “Arábia”
Titulo Inglês : “Araby”
Titulo Português : “Arábia”
Ano : 2017
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Affonso Uchoa/João Dumans
Produção : Vitor Graize
Elenco : Aristides de Sousa, Renata Cabral, Murilo Caliari, Gláucia Vandeveld, Renan Rovida, Renato Novaes, Adriano Araújo, Wederson Neguinho.

História : Em Ouro Preto, Minas Gerais, um jovem encontra por acaso o diário de um operário metalúrgico que sofreu um acidente e por suas memórias embarca numa jornada pelas condições de vida de trabalhadores marginalizados.

Comentário : Hoje eu assisti a um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Sim, é um filme brasileiro e chama-se “Arábia”. Primeiro que tudo, trata-se de um filme de identidade, que fala de pessoas reais e de situações quotidianas, fala da vida de pessoas normais, é um filme muito autoral e sério. Eu confesso que, enquanto estava a ver o filme, saltaram-me à memória lembranças de coisas que eu vi no passado, de situações testemunhadas por mim e de coisas que li, algures. Tudo isto para dizer que “Arábia” é um filme tão verdadeiro e que parece tão real, que certas cenas parecem terem sido filmadas na altura em que decorreram, só para ficarem para a posteridade. E nesse sentido, “Arábia” é quase um documentário, ou antes, uma hábil mistura entre obra ficcional e peça documental.

O filme começa nos apresentando uma pequena família formada por três elementos, mas depois o foco passa para um homem, que acaba por se tornar no grande protagonista da fita, sem nunca esquecer a família inicial, tanto assim, que volta a eles no final. Entrando agora em detalhes técnicos, quero destacar a agradável banda sonora, a fotografia apelativa, alguns planos que são um deleite, e claro, a boa prestação do actor protagonista. É um filme que mostra como é dura e difícil a vida daqueles que não tiveram a oportunidade de algo melhor, que não tiveram as ajudas necessárias, e foca igualmente aqueles que não tiveram a sorte de terem nascido numa boa família. Normalmente os portugueses não gostam do seu cinema, assim como os brasileiros geralmente não gostam do cinema do seu país, eu tenho os dois ao meu dispor e confesso que tiro muito partido disso, porque eu como cinéfilo, adoro cinema português e cinema brasileiro. Mas este filme (Arábia) tocou-me muito, um dos filmes mais reais, verdadeiros e realistas que tive a sorte de ver na minha vida. Muito bom. 


Aos Teus Olhos

Nome do Filme : “Aos Teus Olhos”
Titulo Português : “Aos Teus Olhos”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Carolina Jabor
Produção : Carolina Jabor
Elenco : Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Marco Ricca, Malu Galli, Stella Rabello, Gustavo Falcão, Luiz Felipe Mello, Rodrigo dos Santos, Breno Nina, Clarissa Pinheiro.

História : Rubens é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes num clube de náutica. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex, diz à mãe que o professor lhe deu um beijo no vestiário. Alegando estar inocente, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens na internet e explode de vez quando chega ao Facebook.

Comentário : Este filme levanta questões bastante relevantes e até mesmo preocupantes que ocorrem nos dias de hoje. Recuando atrás no tempo, quando eu era jovem, eu, a minha irmã e outras crianças, nós tínhamos o hábito de brincar na rua até à noite, à vontade, éramos livres e pode-se dizer que aproveitávamos a vida. Hoje em dia, isso é impensável, o que é muito triste. Hoje em dia, e por medida de segurança, as nossas crianças não têm liberdade, elas estão “presas” num mundo de regras castradoras e impiedosas. E estas constatações vão muito ao encontro daquilo que vemos neste filme brasileiro. Antigamente, era normal um adulto fazer carinho e dar beijo em criança, hoje em dia e em tirando familiares, isso é impensável, já o acto de fotografar criança desconhecida, isso é crime hoje em dia. Outra coisa que eu queria aqui mencionar e que o filme foca, é que se for uma mulher a beijar uma criança ou fazer carinho nelas, tudo bem. Mas, se for um homem a fazer tal coisa, isso já não é aceitável, pelo contrário, é condenável. Indo mais longe, só o facto de certos homens terem profissões em que lidam com crianças, ditas profissões normalmente atribuídas a mulheres, bom, esses homens são logo olhados de um outro jeito e cujos olhares de terceiros, ainda que não pareçam, estão sempre desconfiados e alerta. São profissões de risco para os homens.

Sobre o filme em si, eu gostei, ele trabalha bem estes temas, passa bem as mensagens que a realizadora pretendia transmitir. As interpretações são boas. É um filme tenso e alarmante, mas que peca por ter um final insoso, nós ficamos sem saber no que aquilo dá. Na minha opinião, Rubens era inocente e foi a mãe do menino que interpretou mal a queixa do filho e aumentou as coisas. Outra coisa que me deixou a pensar, foi que o protagonista foi criticado e quase “crucificado”, apenas por ter como namorada uma rapariga de 19 anos, enfim, é este o mundo que temos e em que vivemos. O filme, ele mete bem o dedo na ferida e neste flagelo da pedofilia, é algo que existe e todos sabemos disso, é algo altamente condenável e os criminosos dessas práticas deviam ser severamente punidos, eu considero este tipo de crimes, os piores que existem. Se por acaso, alguém fizesse mal ou algo deste género a filhas minhas, de certeza que eu iria fazer justiça pelas próprias mãos, porque a justiça em Portugal não funciona e em certos casos, até "protege" os criminosos. É um bom filme e o facto de ter sido dirigido por uma mulher, funcionou ainda melhor.

domingo, 27 de maio de 2018

Ramiro

Nome do Filme : “Ramiro”
Titulo Português : “Ramiro”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Manuel Mozos
Produção : Sandro Aguilar/Luís Urbano
Elenco : António Mortágua, Madalena Almeida, Sofia Marques, Fernanda Neves, Vítor Correia, Cristina Carvalhal, Sara Carinhas, Américo Silva, Duarte Guimarães, Ricardo Aibéo, João Tempera, António Simão, João Pedro Bénard, Lília Lopes.

História : Ramiro é um alfarrabista que, depois de escrever um livro que se tornou um êxito, entrou em crise de inspiração. Passaram-se anos e ainda não encontrou forma de passar para a escrita as ideias que tem para uma segunda obra. Sem família, passa os dias entre a sua pequena loja, situada num dos bairros mais populares de Lisboa, e as saídas à noite com alguns amigos de copos. Mas as pessoas de quem se sente mais próximo são as vizinhas Daniela e Amélia. A primeira é uma adolescente que está grávida; a segunda é a avó da miúda, que sofreu recentemente um AVC e se encontra em fase de recuperação.

Comentário : O novo filme de Manuel Mozos é algo peculiar, sereno e muito gentil. Pessoalmente, confesso ter gostado bastante de “Ramiro”, uma fita sobre a depressão e sobre as relações humanas, que funciona também como uma homenagem ao mundo da literatura. Não é um filme direcionado para aquele público que está habituado ao cinema americano e aos blockbusters, até mesmo porque tem um ritmo muito lento ou como diria um colega meu, tem falta de ritmo. Na verdade, estamos na linha daquele tipo de cinema português com um ritmo lento e com mau som, sim, por vezes eu desejei que me fossem facultadas legendas para perceber o que os personagens diziam. Ainda assim e para mim, é um bom filme e eu gostei. O filme tem também uma boa fotografia, embora escura demais nas cenas que decorrem à noite ou em ambientes escuros, algo que pode estragar a experiência de alguns, no meu caso, não me fez diferença, estou habituado. No filme, aparece uma cena que foi filmada na Feira da Ladra (acho eu!), gostei dessa cena, é um local que eu gosto bastante e com o qual eu me identifico.

O realizador filma da maneira que sabe melhor e conta-nos esta história do seu jeito, foi um filme que eu fiquei totalmente concentrado no que estava a ver, é impressionante vermos que aquilo que uns não gostam, a outros encanta. O elenco também está de parabéns, foi bem dirigido, todos estão bem, mas vou falar apenas de dois. O António Mortágua foi uma surpresa para mim, não me lembro de o ver em outros filmes, adorei o seu Ramiro, o actor teve uma interpretação subtil, tornando o protagonista em alguém credível e muito humano. Por outro lado, temos uma linda estrelinha chamada Madalena Almeida (primeira foto em baixo), alguém que me deixou encantado. Não a conhecia das novelas, porque eu não vejo novelas. Simplesmente, um dos meus colegas de trabalho é familiar dela e falou-me da sua participação no filme. Eu fiquei rendido não só à jovem actriz, como também à sua Daniela, de longe, a melhor personagem feminina do filme. Além de ser uma menina muito bonita, Madalena Almeida, tem um enorme talento para a arte da representação e eu gostava imenso de ver mais dela no cinema. Ramiro e Daniela funcionam bem enquanto personagens. Bom filme. Gostei.


Le Redoutable

Nome do Filme : “Le Redoutable”
Titulo Alternativo : “Godard, Mon Amour”
Titulo Português : “Godard, O Temível”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática/Histórico
Realização : Michel Hazanavicius
Produção : Michel Hazanavicius/Florence Gastaud/Riad Sattouf
Elenco : Louis Garrel, Stacy Martin, Berenice Bejo, Micha Lescot, Gregory Gadebois, Felix Kysyl, Arthur Orcier, Marc Fraize, Guido Caprino, Emmanuele Aita, Matteo Martari, Philippe Girard, Quentin Dolmaire, Romain Goupil, Louise Legendre.

História : É durante a rodagem do filme “La Chinoise” que o já aclamado realizador franco-suíço Jean-Luc Godard se apaixona irremediavelmente por Anne Wiazemsky, uma actriz alemã de apenas 17 anos, que viria a tornar-se sua musa. Um ano depois, já casados, ambos parecem ter alcançado alguma estabilidade. Mas, ao perceber a péssima recepção da crítica especializada ao filme, Godard deixa-se afundar numa crise existencial que se agrava com a instabilidade social originada pela revolução de Maio de 1968. Tudo isto deixará marcas profundas na sua forma de ser e na forma como conduzirá a sua carreira daí em diante, bem como o seu casamento.

Comentário : Confesso que não conheço nada da personalidade e maneira de ser do cineasta Jean-Luc Godard e se aquilo que vemos neste filme corresponder à verdade, então ele era um homem muito complicado no passado. Confesso também que vi alguns dos seus filmes, talvez uns três, gostei mais ou menos, ele faz um cinema bem estranho. No início, eu não simpatizava muito com o actor Louis Garrel, mas depois e continuando a ver os seus filmes, passei a gostar dele e, hoje, o considero um excelente actor. Gostei muito de o ver a representar um cineasta tão famoso e peculiar, penso mesmo que ele teve a melhor prestação deste filme. Garrel interpreta um personagem que desperta dupla opinião, ou seja, ele não é muito certo, tão depressa estando bem, como no instante seguinte, está instável. Stacey Martin surpreendeu-me bastante no registo que possui neste filme, eu adorei vê-la a interpretar Anne, a actriz convence com a sua personagem, ela não só tem uma excelente interpretação como também cativa pela sua beleza, claro que aqui o seu guarda-roupa também contribuiu para isso. Berenice Bejo vai bem, ela possui uma boa interpretação e tem também uma personagem bem interessante, mas eu queria ter visto mais da sua Michele. Outra coisa a destacar é a fantástica empatia que se sente entre Louis Garrel e Stacey Martin, os dois são excelentes juntos, ainda que já o fossem individualmente. O filme possui uma forte componente histórica, mostrando ou retratando coisas ou acontecimentos da década de 1960, e quase tudo de forma eficaz. A fita aparece dividida em nove capítulos e um epílogo. Existe uma sequência a preto e branco onde aparece uma personagem, que possui imagens tão bonitas, que apetece emoldurar. É, sem dúvida, um filme interessante. 

domingo, 20 de maio de 2018

Angels Wear White

Nome do Filme : “Jia Nian Hua”
Titulo Inglês : “Angels Wear White”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Vivian Qu
Produção : Sean Chen
Elenco : Vicky Chen, Meijun Zhou, Xinyue Jiang, Le Geng, Weiwei Liu, Jing Peng, Yuexin Wang, Mengnan Li, Ke Shi, Bamboo Chu-Sheng Chen.

História : Uma funcionária ilegal de um motel testemunha aquilo que parece ser um crime. No entanto, com medo de ser demitida, resolve não contar nada. Enquanto isso, duas adolescentes vêem as suas vidas complicarem de dia para dia, tudo devido a um acontecimento de que foram vítimas.

Comentário : Esta noite resolvi ver este filme chinês que confesso ter gostado bastante. É mais um daqueles filmes que mostram que os grandes e poderosos vencem sempre os mais fracos e desprotegidos e onde o dinheiro e o poder levam a melhor. Detentor de referências ao mundo do cinema, este filme foi uma enorme surpresa para mim, na medida em que não dava nada por ele depois de ter visto o trailer. Desde a história muito interessante, passando pelas boas interpretações e terminando no interesse que as personagens principais despertam, o filme está bastante aceitável. O longa também mostra que certos pais e mães não sabem educar seus filhos e talvez não devessem ter tido filhos. Neste caso, isso acontece no momento em que uma mãe aplica dois castigos à filha completamente disparatados, quando na realidade, para além da miúda não ter tido culpa do sucedido, não é daquela maneira que se resolvem as coisas. Certos planos estão bem conseguidos. Existe um acontecimento lá mais para o final, que é tão estúpido que eu nem quero acreditar que aquilo se passa na vida real. Houve uma cena que prova bem a indignação das pessoas vítimas destas situações, estou a falar da reação daquele pai face àquela injustiça na conferência de imprensa. Vale frisar também algumas coisas que as duas vítimas dizem entre elas, que neste caso, mostra bem a ingenuidade e inocência delas. É um filme que devia ser de visionamento obrigatório para todos os pais e mães com filhas menores.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Les Gardiennes

Nome do Filme : “Les Gardiennes”
Titulo Inglês : “The Guardians”
Titulo Português : “As Guardiãs”
Ano : 2017
Duração : 136 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Beauvois
Produção : Sylvie Pialat/Benoit Quainon
Elenco : Nathalie Baye, Laura Smet, Iris Bry, Cyril Descours, Gilbert Bonneau, Olivier Rabourdin, Nicolas Giraud, Mathilde Viseux, Xavier Maly, Marie Julie Maille, Alain Artur, Adrien Denizou, Laurence Havard, Katia Henkel, Viviane Pavillon, Adele Lavauzele, Blanche Hizembert, Brigitte Aigueperse, Celine Cruveiller, Christelle Martin, Clementine Ojardias, Elsa Carvan, Isabelle Brunel, Jeanne Airaud, Lucienne Barrier, Rebecca Bounnet, Stella Cohen Hadria, Madeleine Beauvois.

História : Na França de 1915, diversas mães precisam de criar sozinhas os seus filhos e cuidar das suas casas, porque os homens da casa foram para a frente de combate. Uma dessas mulheres decide contratar uma jovem rapariga para ajudar com os serviços na fazenda de sua família.

Comentário : Confesso gostar imenso de filmes de época e este faz parte daqueles que me surpreenderam, talvez por ser uma história de mulheres, interpretada por mulheres e com uma boa mensagem como pano de fundo, que funciona. Estamos perante um filme muito bonito, mas que também consegue ser duro em alguns momentos. A época em que esta história se passa é o início do século XX e, durante cerca de mais de cinco anos, acompanha as vidas de duas mulheres em particular, uma velha e uma nova e cheia de vida. Alguns criticos dizem que a vida sempre foi difícil para as mulheres, ao longo de toda a História da Humanidade, e eu concordo com eles. Este filme mostra um pouquinho disso e, para lhes agravar ainda mais a situação, as mulheres sempre foram muito más umas para as outras. Nota bastante positiva para a recriação e para a ambientação de época, está tudo muito bem conseguido, e onde se destacam alguns detalhes. É um filme que se segue muito bem e sempre a um bom ritmo, nunca é maçador, as mais de duas horas passam a correr, caso estejamos minimamente interessados na história. Gostei das prestações das actrizes Nathalie Baye e Laura Smet, mas claramente que a actriz que mais merece o realce é a bonita e talentosa Iris Bry. Além de ter adorado a sua personagem e acreditem, é muito fácil gostarmos de Francine, a atriz tem aqui a melhor prestação do filme. Nota igualmente positiva para os momentos em que patroa e empregada trabalhavam juntas no campo, quando ainda se davam bem e se ajudavam mutuamente. Como já disse, é um filme muito bonito, com uma boa história e se formos a ver bem, as coisas até terminam bem para o lado da nossa Francine.

O Caseiro

Nome do Filme : “O Caseiro”
Titulo Inglês : “The Caretaker”
Titulo Português : “O Caseiro”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Thriller/Mystery
Realização : Julio Santi
Produção : Rita Buzzar
Elenco : Bruno Garcia, Denise Weinberg, Malu Rodrigues, Leopoldo Pacheco, Bianca Batista, Annalara Prates, Roberto Arduin, Victória Leister, Fábio Takeo, Pedro Bosnich, Mirtes Nogueira, João Segall, Julio Santi.

História : Davi, um cético professor de psicologia, é famoso por escrever um livro que explica aparições sobrenaturais através da psicanálise. Após anos sem entender alguns pacientes, ele investiga o caso de uma menina assombrada pelo fantasma de um caseiro.

Comentário : Poderá ser confundido com um filme de terror, mas não é. Este filme é antes um thriller cheio de mistério que, apesar de nos baralhar muito e nos colocar a pensar, não atinge o efeito desejado e o final nos provoca uma grande e profunda frustração. A nível técnico, com a excepção do incêndio que dá para ver que é falso, todas as outras componentes funcionam bem, nós acreditamos realmente que algo de sobrenatural se passa naquela propriedade. O director envolve-nos assim num enorme e eficaz clima de mistério e de tensão, o que faz com que fiquemos com as expectativas bem altas. Por exemplo, eu ficava me perguntando se aquilo não era um combinado para tramar Davi, do tipo, ligado ao espiritismo. E o filme fez bem em não ter ido por esse lado, afinal, isso já está muito batido. Em determinada altura, o roteiro dá também a entender que poderá não ser nada de sobrenatural, mas sim, que o problema vem da própria família, o que felizmente, também não é. Ainda que as coisas tenham ido pelo caminho certo, ou seja, que o titulo faça justiça à causa, as revelações finais envolvendo Lili, acabam por parecer demasiado previsíveis, estragando a lógica e a coerência de alguns acontecimentos ocorridos até então.

A nível das interpretações, não gostei das duas actrizes que desempenharam as irmãs adolescentes, apesar das suas personagens serem interessantes. Já as pequenas actrizes que deram vida às filhas mais novas do velho, elas fizeram um bom trabalho, Lili e Júlia convencem. Infelizmente, o protagonista não tem carisma nenhum e possui uma prestação básica, a roçar o fraco, eu não comprei o arco de Davi e foi uma pena. Por seu lado, Denise Weinberg consegue a melhor prestação do filme, embora se esperasse mais da sua personagem, o que não acontece, infelizmente. E Leopoldo Pacheco faz o que pode com o pouco material que tem em mãos, ele está aceitável, mas precisava de outro tipo de desenvolvimento, principalmente no que ao seu passado diz respeito. O mesmo se aplica ao personagem que dá título ao longa, o realizador apenas nos dá a imagem dele ser um homem mau porque sim e fica-se por aí. Este filme merecia outro tipo de desenvolvimento, algo que fugisse à previsibilidade da maioria dos filmes do género, mas, vindo do Brasil, está ok. Claro que não gostei do twist envolvendo a pequena Lili, porque mesmo que me tivesse surpreendido, mexe com alguns acontecimentos ocorridos no longa. O personagem do caseiro em si, já bastava, já dava material suficiente para trabalhar. O final pode não estragar o filme, mas incomoda e muito.

Closeness

Nome do Filme : “Tesnota”
Titulo Inglês : “Closeness”
Ano : 2017
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Kantemir Balagov
Produção : Aleksandr Sokurov
Elenco : Atrem Cipin, Olga Dragunova, Darya Zhovnar, Nazir Zhukov, Veniamin Kac.

História : Numa cidade do sul da Rússia, uma família está prestes a experimentar os momentos de maior tensão de toda a sua vida : um dos filhos, o mais novo, não voltou para casa junto com a noiva e não deixou nenhuma explicação. No dia seguinte, o recebimento de uma carta pedindo um alto resgate confirma o sequestro, e fará com que a família desista de muita coisa para tê-lo de volta.

Comentário : Baseado numa história verdadeira, este filme russo fala de uma família judia que se vê envolvida em problemas, que vão aumentando conforme os dias passam. Não conhecia este realizador e confesso que até gostei deste seu trabalho, é um filme que se segue bem, embora custe um pouco a ganharmos interesse pela história. Tudo porque e estabelecido o problema principal deles, o foco segue para o namorado da rapariga e para os seus amigos, onde se perde imenso tempo mostrando aquilo que já se sabe, como se o director quisesse forçar-nos a assimilar aquela mensagem. Ainda assim, eu gostei das personagens que compõem o núcleo central : os pais da rapariga, o seu irmão e ela própria, eles são bem interessantes e foram bem desenvolvidos. Infelizmente, o filme perde o interesse sempre que aparece o namorado da protagonista, núcleo esse que nos faculta cenas dispensáveis e sem o mínimo de interesse. O realizador foca também e de forma bem estabelecida, a cultura e a maneira de pensar daquele povo, daquela família, dando igualmente foco para o contraste entre o pensar dos pais face à mentalidade dos filhos. Aliás, nesse seguimento, existe umas frases que o marido diz para a mulher que emociona de verdade, aquilo é basicamente e infelizmente a dura realidade da vida. Penso mesmo que o principal destaque do longa reside na abismal diferença de mentalidades que existe entre pais e filhos, factor que não olha a povos ou classes sociais. E nesse aspecto, o realizador passou essa mensagem na perfeição. Por último, resta-me dizer que gostei das interpretações dos quatro que compõem o núcleo central e que eles funcionam bem juntos.

O Rastro

Nome do Filme : “O Rastro”
Titulo Inglês : “The Trace We Leave Behind”
Titulo Português : “O Rasto”
Ano : 2017
Duração : 95 minutos
Género : Mystery/Terror/Thriller/Crime
Realização : João Caetano Feyer
Produção : Malu Miranda/André Pereira
Elenco : Rafael Cardoso, Leandra Leal, Cláudia Abreu, Felipe Camargo, Natália Maciel Guedes, Alice Wegmann, Sura Berditchevsky, Shirley Cruz, Júlia Lund, Gustavo Novaes, Jonas Bloch, Érico Brás, Kelzy Ecard, Alberto Flaksman, Ricardo Ventura, Marcelo Olinto.

História : João é um médico escolhido para coordenar a remoção de pacientes de um antigo hospital prestes a ser desactivado. Na noite da transferência, uma menina de dez anos desaparece sem deixar vestígios. Quanto mais João se aproxima da verdade, mais ele mergulha em um universo obscuro.

Comentário : Para dizer a verdade, não me lembro de alguma vez ter visto um filme de terror brasileiro. Eu não desgostei deste filme, mas fiquei bastante frustrado com o seu final, que considero ser uma porcaria. O realizador soube misturar bem temas bem reais e delicados com a componente sobrenatural, ainda que, se fosse uma fita apenas sobre a vida, sem temática paranormal, a coisa talvez tivesse funcionado bem melhor. Não quero com isto dizer que o director não tornou operante essa componente mais fantasiosa, mas aqui o problema foi que ele não finalizou essa parte, ele não soube facultar um final explicativo para a personagem Júlia de Souza e isso foi um grande erro. Por outro lado, Feyer deu-nos uma boa ideia de como funcionam as coisas lá no Brasil, em que a corrupção serve para todas as áreas, neste caso com foco na Saúde.

Certamente que já se sabe que os poderosos usam os dinheiros públicos para seu benefício, em vez de os canalizar para ajudar quem mais precisa. No entanto, o realizador quis e bem focar também um outro aspecto na sua narrativa, a questão das experiências e tráfico de órgãos exercidos em crianças, para beneficiar os grandes, essa mensagem passou na perfeição e dá que pensar. A nível técnico, o filme está aceitável, ele não precisa de grandes efeitos para funcionar. Claramente que a melhor prestação do longa pertence a Leandra Leal, eu adorei a sua personagem, embora tenha detestado o seu final ou pelo menos o final que eles fizeram crer dela. Mas infelizmente, a cena final estraga as coisas, e o que vemos envolvendo o tal poderoso e um menino é das coisas mais ridículas que eu já vi em filme, uma porcaria, tal como já havia dito. Ainda assim, as mensagens a tirar do filme são fortes, actuais e reais.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ravens

Nome do Filme : “Korparna”
Titulo Inglês : “Ravens”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Jens Assur
Produção : Jens Assur
Elenco : Reine Brynolfsson, Maria Heiskanen, Jacob Nordstrom, Saga Samuelsson, Jens Jorn Spottag, Roger Storm, Gosta Viklund, Max Vobora, Peter Dalle.

História : Durante os anos 1970, um agricultor faz tudo o que pode por uma enorme fazenda, trabalhando arduamente na quinta, na esperança que o filho mais velho continue com as funções laborais, quando ele já não puder.

Comentário : Numa noite destas, vi este filme que confesso ter gostado bastante, embora não agrade muito à maioria, é seguramente uma fita direcionada a um determinado tipo de público, o chamado filme de nicho. E tudo isto porque é um filme com um ritmo extremamente lento, com poucos diálogos, com cenas que se arrastam, planos longos, sequências que demoram imenso tempo e onde não se passa muita coisa ou mesmo algo de especial. Ainda assim, trata-se de uma fita bem interessante, desde logo porque aborda temas como o casamento fracassado, o despertar da sexualidade, a modernização das técnicas de trabalho no campo e com isso o progresso, a falta de interesse dos jovens em trabalhar no campo, o primeiro amor, a falta de condições no trabalho e a carência de dinheiro. Todos estes temas foram muito bem trabalhados pela direcção do filme e, no geral, a coisa até funcionou bem. Os personagens que aqui interessam, aliás, os únicos que a narrativa trabalhou minimamente foram apenas quatro : o pai, a mãe, o filho mais velho e a amiga deste. E os quatro interpretaram bem os seus papéis. O formato em que o filme é mostrado não é o comum, aliás, diga-se de passagem, que o longa está muito bem filmado. Nesse campo, certos enquadramentos são bastante eficazes, até mesmo a nível de certas ambientações, podemos contar com cenas bem bonitas. No geral, é um bom filme, mas volto a dizer, não é para todo o tipo de público.

Revenge

Nome do Filme : “Revenge”
Titulo Inglês : “Revenge”
Titulo Português : “Vingança”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Thriller
Realização : Coralie Fargeat
Produção : Marc Etienne Schwartz/Marc Stanimirovic
Elenco : Matilda Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe, Guillaume Bouchede.

História : Três nojentos fazem o que não deviam e acabam por pagar o preço justo pelos seus actos criminosos.

Comentário : Primeiro que tudo, antes de entrarmos neste filme, temos que colocar de parte a lógica das coisas e a verossimilhança dos factos, e levar a questão para o lado sobrenatural. Quem já viu o filme irá perceber o que eu quero dizer, pelo menos foi desta forma que eu entendi o filme. Aquilo que eu mais gostei de ver aqui foi a nossa menina a castigar os nojentos de serviço, ainda assim, eu esperava mais. Estava a contar com algo do género visto nos dois primeiros filmes da trilogia “I Spit On Your Grave”, realizados por Steven R. Monroe, o que não aconteceu. No entanto, quem gosta de ver mulheres a exercer vingança e justiça sobre homens, não irá sair desiludido daqui. Eu não morri de amores pela sinopse original e resolvi improvisar uma do meu jeito, espero que tenham gostado, até mesmo porque resume e bem o que se passa na fita. Matilda Lutz (linda) é a protagonista deste filme, ela possui uma boa prestação, uma forte presença, e eu gostei do evoluir da sua personagem ao longo da fita, o filme é praticamente todo dela, vive dela e para ela.

Os três actores que fazem de inimigos dela, cumprem bem os seus papéis, com interpretações razoáveis, eles passam na perfeição a imagem daquilo que a maioria dos homens são: uns nojentos que só pensam com a cabeça de baixo e, quando as coisas não são do seu agrado ou dão para o torto para o lado deles, eles não respeitam as mulheres e mostram a sua verdadeira natureza. E não sou eu que o digo, a vida já nos deu provas disso, a História está cheia desses casos. Fazem falta mais filmes destes, fitas que dão o protagonismo e o poder às mulheres, eu gostava de ver mais filmes deste tipo. Outra coisa, se gostam de sangue, isso é o que não falta neste filme. Apesar de algumas coisas não fazerem muito sentido e de haver alguns erros, este filme segue-se muito bem e nós ficamos sempre a torcer para que tudo dê certo para a nossa protagonista. Eu adorei alguns planos e existem cenas que são muito bonitas, já para não falar da fotografia que é das melhores coisas do filme. Senti falta da cena da castração a sangue frio (Steven R. Monroe mostrou-a num dos filmes referenciados em cima). Para a história desta menina ser perfeita, só faltou ela mergulhar na piscina e sair dela limpa e bela como é. Gostei deste filme, mas queria ver mais.

domingo, 6 de maio de 2018

The Vanishing Of Sidney Hall

Nome do Filme : “The Vanishing Of Sidney Hall”
Titulo Inglês : “The Vanishing Of Sidney Hall”
Titulo Original : “Sidney Hall”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Shawn Christensen
Produção : Jonathan Schwartz
Elenco : Logan Lerman, Elle Fanning, Michelle Monaghan, Kyle Chandler, Blake Jenner, Margaret Qualley, Janina Gavankar, Nathan Lane, Tim Blake Nelson, Ariane Rinehart, Christina Brucato, Darren Pettie, Alex Karpovsky, Yahya Abdul Mateen II.

História : Ao longo de doze anos e três fases de sua vida, Sidney Hall se apaixona, escreve o livro de uma geração e depois desaparece sem deixar rasto. Um detective enigmático embarca em uma viagem para descobrir o mistério.

Comentário : Existem várias coisas que eu ainda tenho que entender, como por exemplo, porque motivo certos filmes têm dois títulos oficiais. Este que venho hoje aqui comentar tinha o titulo do personagem principal, mas meses depois, alteraram esse titulo para outro mais extenso e, recentemente, voltaram a adoptar o nome do protagonista. Claro que para mim, isso até podia ser irrelevante, mas eu tenho que escrever o titulo correcto no comentário e esta situação só complica a minha vida. Mas vamos ao filme. Eu gostei do que vi, sim, o filme tem problemas, mas de uma maneira geral, tudo acaba por encaixar nos seus sitios e o resultado até é aceitável. O principal problema deste filme é a forma como ele nos é contado e mostrado, que é uma verdadeira bagunça, a narrativa está constantemente a alterar entre tempos, passado, presente e futuro são jogados de maneira aleatória e irracional, nos confundindo em grande parte dos casos. No entanto, a história do personagem principal é bem interessante e os personagens que o rodeiam são consistentes e operantes. Confesso que adorei esta história, apesar do seu final cheio de tragédias, afinal, todo o filme em si é uma autêntica tragédia.

No papel do protagonista, Logan Lerman possui uma boa prestação, o seu Sidney Hall é alguém marcado por uma jovem existência cheia de problemas e desgraças que vão acontecendo aos seus conhecidos e familiares. Sidney Hall é daqueles personagens que, primeiro estranha-se e depois entranha-se. A Michelle Monaghan está muito bonita e sensual nesta sua personagem, há muito tempo que ela não exibia a sua beleza e sensualidade num filme, para além de nos ter facultado uma boa interpretação, neste papel difícil. O Kyle Chandler e o Blake Jenner possuem personagens que eu gostei bastante, é muito fácil nos afeiçoarmos a eles, já para não falar da química deles com o personagem principal que funciona na perfeição. A Elle Fanning, que é linda e é também uma das melhores actrizes desta geração, possui aqui outra excelente prestação, ela desempenha o interesse amoroso do protagonista. Pessoalmente, não gostei da maneira como a sua Melody foi tratada e conduzida pelo director, porque ela é uma personagem que começa de um jeito, evolui de maneira que não condiz com o apresentado sobre ela primeiramente, terminando de forma estúpida. E o pior é que a sua personagem tinha muito potencial e podia ter sido o melhor do filme, não fosse o seu mau aproveitamento. É um filme que convence, mas sem brilho.

sábado, 5 de maio de 2018

You Were Never Really Here

Nome do Filme : “You Were Never Really Here”
Titulo Inglês : “You Were Never Really Here”
Titulo Português : “Nunca Estiveste Aqui”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller/Crime
Realização : Lynne Ramsay
Produção : Lynne Ramsay
Elenco : Joaquin Phoenix, Ekaterina Samsonov, Judith Roberts, Alessandro Nivola, Vinicius Damasceno, Dante Pereira Olson, Neo Randall, Frank Pando, John Doman, Alex Manette, Claire Hsu, Tia Sophia Bush, Silvia Pena, Jason Babinsky, Jonathan Wilde, Ronan Summers, Kate Easton, Scott Price, Jalina Mercado, Ace Ramsey.

História : Um veterano de guerra é contratado para encontrar uma rapariga desaparecida, acto que gera uma série de consequências violentas e dramáticas.

Comentário : Já andava há imenso tempo para ver este filme e confesso que a espera compensou, gostei do que vi. Primeiro que tudo, é um filme muito violento, mas também, com este tipo de história, nem poderia ser de outro jeito. Detentor de uma fotografia apelativa, este filme obriga-nos a pensar sobre aquilo que vemos ao longo dos quase noventa minutos de duração, é tipo aquelas coisas que primeiro estranha-se e depois entranha-se. Apesar de ligeiramente confuso, o argumento até é interessante. Este é daqueles casos em que um filme não precisa de ter duas horas e meia para ser bom, temos aqui uma fita de apenas noventa minutos que se segue muito bem e, apesar do seu ritmo lento, quem o vê fica numa tensão crescente e com uma grande expectativa para ver o que vem a seguir. Como já disse, o filme é lento e isso pode não agradar a quem o vai ver. O tema principal do filme é bastante delicado, afinal, envolve organizações criminosas que vivem à custa da exploração sexual de jovens raparigas, algumas delas menores de idade.

Mas, por outro lado, o longa também trabalha bem o amor que existe entre um filho “perdido” e traumatizado pelo passado, e a sua mãe idosa. Joaquin Phoenix tem aqui uma excelente prestação, possivelmente uma das melhores da sua carreira, ele é o protagonista e o seu personagem é um homem marcado por uma infância dura e um passado sombrio e traumático. No papel de sua mãe, Judith Roberts desempenha bem a sua personagem e apesar de tudo, nós temos pena dela. Ekaterina Samsonov fala pouco durante as suas cenas, mas dá-nos muito devido à sua figura e à sua expressividade, a miúda parece um anjo vindo do céu, ela é linda e nós ficamos todo o tempo a torcer para que as coisas resultem bem para o lado dela. A realizadora, há alguns anos atrás, deu-nos um outro filme, também ele difícil e pesado. Nota-se claramente que o cinema de Lynne Ramsay não é fácil, custa muito a digerir, mas são filmes que compensam quem os vê. Não aconselho o seu trabalho a pessoas sensíveis. Por último, tenho que dizer que é um filme muito humano, apesar da desumanidade que se encontra na trama. Apesar de esperar um filme ainda mais dramático e complexo, o resultado final é positivo. 

In The Fade

Nome do Filme : “Aus Dem Nichts”
Titulo Inglês : “In The Fade”
Titulo Português : “Uma Mulher Não Chora”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Fatih Akin
Produção : Fatih Akin
Elenco : Diane Kruger, Denis Moschitto, Numan Acar, Samia Muriel Chancrin, Johannes Krisch, Ulrich Tukur, Ulrich Brandhoff, Hanna Hilsdorf, Adam Bousdoukos, Asim Demirel, Yannis Economides, Siir Eloglu, Aysel Iscan, Christa Krings, Jessica McIntyre, Torsten Lemke, Hartmut Loth, Karin Neuhauser, Jannis Papadopoulos, Henning Peker, Uwe Rohde, Rafael Santana.

História : Katja é casada com Nuri, um turco que cumpriu pena por tráfico de drogas. Desde que o filho de ambos nasceu que Nuri se tornou um homem de bem, com emprego fixo e uma vida totalmente dedicada à família. Até que um dia, uma grande desgraça acontece e alguém terá que tomar as medidas necessárias.

Comentário : Confesso que fiquei impressionado com este filme e sim, existe gente bem nojenta neste mundo. Trata-se de um filme sobre injustiça, aliás, sobre uma justiça que falha e sobre pessoas que perdem os entes queridos, ficando em profundo sofrimento. Eu gostei bastante deste filme, apenas não gosto de duas coisas : o ridículo titulo português e o final atribuído à protagonista. Mas, no geral, o que temos aqui é um filme dividido em alguns capítulos que aborda a vida de uma mulher, a vida de Katja. A fita também funciona e bem enquanto filme de tribunal, nesse campo, nós ficamos com uma ideia de como as coisas se passam e de como são os advogados que estão a defender os réus. Penso que a advocacia é uma profissão muito injusta. O tipo de crime que este filme aborda é o mais grave dos crimes e essa questão foi bem trabalhada. Ambos os lados da questão foram muito bem estabelecidos, nós ficamos com uma boa noção do que está em jogo. É um filme muito dramático e tenso, principalmente quando a protagonista se vê mais aflita e nervosa. E falando na protagonista, a Diane Kruger tem aqui uma das melhores interpretações da sua carreira, ela convence na perfeição no papel de vitima directa dos crimes ocorridos. O elenco de apoio está também de parabéns. A realização e a fotografia são boas. É impressionante como existe gente nojenta que ceifa vidas e estraga outras vidas por motivos ridículos. O ser humano é todo igual e temos que nos respeitar uns aos outros, todos somos diferentes e é bom haver a diferença. Basicamente, seriam estas as lições a tirar deste filme. 

This Is Our Land

Nome do Filme : “Chez Nous”
Titulo Inglês : “This Is Our Land”
Titulo Português : “Esta Terra é Nossa”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Lucas Belvaux
Produção : David Frenkel/Patrick Quinet
Elenco : Emilie Dequenne, Andre Dussollier, Guillaume Gouix, Catherine Jacob, Anne Marivin, Stephane Caillard, Coline Marcourt, Mateo Debaets, Charlotte Talpaert, Patrick Descamps, Corentin Lobet, Thibault Roux, Michel Ferracci, Cyril Descours, Julien Roy, Manon Wathelier, Evelyne El Garby Klai, Iman Amara Korba.

História : Pauline é uma mulher aparentemente feliz : tem dois filhos adoráveis, amigos e amigas que gostam dela, tem a profissão que gosta, uma boa relação familiar e, ultimamente, recuperou um antigo amor. No entanto, é subitamente convidada para ser cabeça de lista de um partido político para as próximas eleições, o que transforma a sua vida num verdadeiro inferno.

Comentário : Trata-se de mais um bom filme francês que eu tive a grande oportunidade de ver, sim é verdade, a França tem bom cinema. Talvez aquilo que me tenha desiludido mais neste filme foi a sua abordagem política, ainda assim, o realizador soube tornear a questão e fez desse tema, quase sempre secante, outro dos bons motivos para seguirmos o filme. É verdade, para o caso de desconhecerem, eu não ligo nenhuma à política, mas como o longa foca outros assuntos bem mais interessantes e importantes, eu levei tudo numa boa onda. Por exemplo, o filme aborda igualmente o problema dos migrantes e das dificuldades que eles encontram nos países onde escolhem recomeçar as suas vidas. O longa foca-se também nos grupos racistas que não aceitam que esses migrantes venham para os países viver, esses grupos não aceitam que eles tenham os mesmos direitos dos seus cidadãos, como trabalhar, o direito a cuidados de saúde e a simplesmente terem uma vida dita normal. Claro que tudo isto é muito complicado e complexo na vida real, mas o filme soube trabalhar essa seriedade e chega mesmo a ir mais longe quando as situações retratadas no longa são parecidas com realidades que a França viveu ou ainda vive. A bonita e sensual Emilie Dequenne tem a melhor personagem e também a melhor prestação do filme, ela é a alma desta fita. Todo o elenco de secundários esteve muito bem, a maioria dos personagens que eles nos facultaram são bastante credíveis. No fundo, gostei do filme e ainda gostei muito mais do destino dado a Pauline.