sábado, 28 de abril de 2018

Avengers : Infinity War

Nome do Filme : “Avengers : Infinity War”
Titulo Inglês : “Avengers : Infinity War”
Titulo Original : “Avengers : Infinity War - Part 1"
Titulo Português : “Vingadores : Guerra do Infinito”
Ano : 2018
Duração : 150 minutos
Género : Fantasia/Ação/Drama
Realização : Anthony Russo/Joe Russo
Produção : Kevin Feige
Elenco : Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Chris Pratt, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Zoe Saldana, Karen Gillan, Paul Bettany, Sebastian Stan, Pom Klementieff, Gwyneth Paltrow, Danai Gurira, Idris Elba, Peter Dinklage, Benedict Wong, Dave Bautista, Letitia Wright, Benicio Del Toro, Jacob Batalon, Josh Brolin, Bradley Cooper, Vin Diesel, William Hurt, Terry Notary, Carrie Coon, Michael James Shaw, Tom Vaughan Lawlor, Winston Duke, Florence Kasumba, Tiffany Espensen, Isabella Amara, Ethan Dizon, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Ross Marquand, Monique Ganderton, Ariana Greenblatt, Stan Lee.

História : O planeta Terra enfrenta a sua maior ameaça alienígena : Thanos, um tirano intergaláctico que chega com o objectivo de reunir as jóias do infinito que lhe faltam e depois eliminar metade das formas de vida do Universo. Para o enfrentar, os Vingadores e alguns seres com habilidades especiais têm que reunir forças com os Guardiões da Galáxia para juntos, deterem Thanos e o seu exército.

Comentário : Sejamos sinceros, este tipo de filmes e demais blockbusters destinam-se principalmente a um público mais jovem ou então a adultos que gostam deste tipo de produções. Pessoalmente, confesso que prefiro os blockbusters mais sérios, mais dramáticos e que nos façam pensar, e sim, eles são raros. Apesar de ter uma simpatia pelo segundo e pelo terceiro filmes do capitão América, os meus filmes preferidos da Marvel no cinema são “Spider-Man : Homecoming” e “Black Panther”. O primeiro porque o super-herói que eu mais gostava em criança era o Homem-Aranha, e o segundo porque é o filme mais sério e dramático do estúdio. Mas confesso que, no geral, os filmes da Marvel no cinema até não são muito maus, pecam principalmente pelo facto de terem muito humor, mas não é o humor em si que me incomoda, mas sim, aquele humor que se caracteriza por piadas ditas em momentos sérios ou dramáticos, coisa que estraga totalmente o momento em questão. Já agora, o meu vingador preferido é claramente o Tony Stark ou Iron Man, este personagem e o actor que lhe veste a pele são a alma desta saga composta por 21 filmes, três ainda faltam estrear. A Marvel também peca por dar pouco protagonismo ou destaque às mulheres ou às heroínas, o que é mau. Já para não falar em incoerências no elenco e no argumento.

Confesso que fui ver este novo filme dos “Vingadores” com uma expectativa bastante elevada e não podia ter mais razão, pois o filme superou-as todas. Eu adorei este filme, mas continuo a preferir o “Black Panther” e a considerá-lo o meu filme preferido da Marvel no cinema. No entanto, tenho que confessar que em termos de espectáculo e tendo em conta a história dos vingadores e as jóias do Infinito, este é seguramente o melhor filme da Marvel, até agora. Muitos nerds vieram para aí dizer que este filme é sobre Thanos e que ele é o personagem principal do longa. Não concordo, este é um filme sobre a luta de alguns dos seres mais poderosos do Universo para tentar evitar que um alienígena louco e genocida cometa a pior das atrocidades. Fiquei chocado quando vi e ouvi outros a dizerem que a motivação de Thanos é aceitável e mais, disseram que até entendiam o tirano, alegando que ele queria fazer o certo seguindo o pior caminho, que disparate, mas enfim. Ele é realmente um grande vilão, louco e genocida, mas ainda assim, o maior e mais desenvolvido vilão dos filmes de quadrinhos que já teve em cinema, desculpa Joker. E é graças a Thanos que sentimos, pela primeira vez, o perigo a sério e o medo num filme de quadrinhos, desta vez é para doer.

Eu gostei de quase tudo no filme, com excepção dos vilões e do final, mas não desgostei de todo o final em si, apenas do facto do filme acabar em aberto e termos que esperar um ano para podermos assistir à conclusão desta longa história composta por 21 filmes no total. E sim, eu não considero o filme protagonizado por Edward Norton como parte integrante das três primeiras fases do MCU. “Vingadores : Guerra do Infinito” é um filme muito bem conseguido, nota-se claramente que o estúdio organizou tudo muito bem ao longo de dez anos, apesar de algumas falhas, por exemplo, não se percebe porque motivo os interesses amorosos dos principais vingadores não aparecem nos filmes de conjunto, ou mais grave ainda, por onde andou a Captain Marvel ao longo deste tempo todo e porque Nick Fury nunca mencionou ela para os heróis. Espero que esta última questão seja explicada no filme a solo da super-heroína ou na parte 2 deste filme. Fiquei um pouco chateado com o facto do Homem-Formiga, do Gavião Arqueiro e da Supergiant (quarta filha do Thanos e quinto membro da Ordem Negra) não terem aparecido neste filme. Nota-se ainda que existe uma versão longa deste filme, devido ao facto de durante este primeiro, verificar-se alguns cortes. Mas perdoa-se porque os dois filmes foram filmados ao mesmo tempo.

Apesar dos efeitos especiais deixarem a desejar num determinado local para onde alguns personagens vão, de uma maneira geral, toda a componente visual está impecável neste filme, com destaque para as partes em que os heróis contracenam juntos. Aliás, eu adorei ver a maioria dos encontros entre personagens diferentes, emocionou. Gostei das novidades de alguns personagens. Vibrei com os combates e gostei mais ainda sempre que os heróis se uniam para enfrentar algo mais poderoso. As cenas de luta estão boas. A banda sonora empolga em alguns momentos, mas confesso que podia ter sido mais imponente. Os quatro filhos de Thanos que compõem a Ordem Negra foram bem usados, apesar de não terem muita profundidade. O exército de Thanos convence e cumpre o seu papel, apesar de dever pouco à inteligência. A acção não decorre apenas na Terra, os outros locais visitados estão bem conseguidos, com a excepção de um. A nível das interpretações, penso não haver nada a dizer, já vimos do que quase todos são capazes nos filmes anteriores. 

Apesar da história ser básica, facilmente se desculpa até porque era muito complicado meter a conclusão de algo que foi construído durante tantos filmes, em apenas dois. Infelizmente e mais uma vez, as mulheres têm aqui pouco destaque, com excepção da Scarlet Witch e da Gamora, as duas únicas personagens femininas com peso dramático, com importância e com um papel importante a desempenhar na trama. Como já disse, é o melhor filme da Marvel no cinema em termos de avançar com a história, é também o mais dramático e eu confesso estar ansioso para ver o último filme, para ficar a saber como eles vão dar a volta à situação com que o filme terminou. Penso que essa solução vai passar pelo personagem do Homem-Formiga e algo mais. Estou também ansioso para ver o filme da Captain Marvel, talvez explique mais coisas e amarre mais pontas soltas. Este terceiro “Vingadores” explicou muita coisa e amarrou algumas pontas, mas ainda há coisas que precisam de uma resolução. Gostei de quase todos os personagens, com a excepção de Thanos e dos seus quatro asquerosos filhos. Por último, vale dizer umas coisas, se as coisas que aconteceram no filme forem para valer, então tudo bem. Mas se no último filme, os heróis arranjarem maneira de reverter e corrigir tudo, então vou ficar muito chateado, porque então este filme não tem peso nenhum e nós nos importámos com aqueles personagens para nada. Se tudo correr bem, em Maio do próximo ano, voltaremos a conversar.


A Saga dos Vingadores e as Jóias do Infinito no Cinema – 21 Filmes :


Iron Man (Jon Favreau)
Iron Man 2 (Jon Favreau)
Thor (Kenneth Branagh)
Captain America : The First Avenger (Joe Johnston)
The Avengers (Joss Whedon)

Iron Man 3 (Shane Black)
Thor : The Dark World (Alan Taylor)
Captain America : The Winter Soldier (Anthony Russo/Joe Russo)
Guardians Of The Galaxy (James Gunn)
Avengers : Age Of Ultron (Joss Whedon)
Ant-Man (Peyton Reed)

Captain America : Civil War (Anthony Russo/Joe Russo)
Doctor Strange (Scott Derrickson)
Guardians Of The Galaxy – Volume 2 (James Gunn)
Spider-Man : Homecoming (Jon Watts)
Thor : Ragnarok (Taika Waititi)
Black Panther (Ryan Coogler)
Avengers : Infinity War (Anthony Russo/Joe Russo)
Ant-Man And The Wasp (Peyton Reed)
Captain Marvel (Anna Boden/Ryan Fleck)
Avengers : Endgame (Anthony Russo/Joe Russo)


Black Panther

Nome do Filme : “Black Panther”
Titulo Inglês : “Black Panther”
Titulo Português : “Pantera Negra”
Ano : 2018
Duração : 134 minutos
Género : Aventura/Ação/Drama
Realização : Ryan Coogler
Produção : Kevin Feige
Elenco : Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Letitia Wright, Danai Gurira, Angela Bassett, Daniel Kaluuya, Winston Duke, Forest Whitaker, Sterling K. Brown, Nabiyah Be, Florence Kasumba, Martin Freeman, Andy Serkis, John Kani, Dorothy Steel, Connie Chiume, Isaach De Bankole, Danny Sapani, Sydelle Noel, Marija Juliette Abney, Zola Williams, Janeshia Adams Ginyard, Maria Hippolyte, Marie Mouroum, Jenel Stevens, Sope Aluko, Lidya Jewett, Stan Lee.

História : Após a morte do pai, T'Challa é o próximo a ocupar o trono como rei de Wakanda. No entanto, existe alguém que diz saber o que é melhor para o país e decide fazer o que estiver ao seu alcançe para tirar T'Challa do poder e reclamar o trono para si.

Comentário : Confesso que até gostei deste filme do Pantera Negra, simplesmente porque é um filme diferente da fórmula Marvel e que diverge bastante daquilo que os grandes estúdios nos costumam vender e mostrar. Contando com os dois filmes que estreiam no ano que vem (Captain Marvel e Avengers4), a Marvel produziu nos últimos dez anos cerca de 21 filmes sobre esta história dos Vingadores, e as jóias do Infinito. Com isto, arrisco-me a dizer que este “Black Panther” é o melhor filme da Marvel e tudo porque o estúdio resolveu apostar em algo fora das regras por ele definidas e também porque deram liberdade ao realizador Ryan Coogler para fazer o filme segundo a sua visão autoral; um pouco como aquilo que a DC Comics conseguiu com Christopher Nolan e a sua trilogia do Batman. No caso deste filme da Marvel, Ryan Coogler, ainda com algumas características do estúdio, deu-nos assim um filme de super-heróis diferente dos anteriores da saga, um filme com alma, com uma boa história, com o melhor vilão da Marvel no cinema (Erik Killmonger), com boas prestações, enfim, um filme rico na maior parte das suas características. O ponto que mais se destaca é o facto do realizador ter apostado num elenco quase todo composto por negros, atirando e bem os brancos para segundo plano. Onde o filme falha é no acto final, nos oferecendo o habitual último confronto entre herói e vilão e a famosa e confusa batalha final, tudo servido com maus efeitos especiais e com o fogo de artifício do costume. 

O filme destaca-se positivamente naquilo que pretende contar e mostrar, é uma história capaz, com bons personagens e isso é bom, porque nós nos importamos com eles. A trama é cativante e bastante apelativa, tendo personagens com substância. O realizador fez bem em dar destaque ao elenco feminino, as mulheres são realmente importantes neste filme. O estúdio viu que a diversidade num filme é bom e o público gosta, vendo isso não só na importância do elenco feminino como também na aposta em actores negros como únicos protagonistas. E nesses campos, as coisas não podiam ter corrido melhor. O Chadwick Boseman é o protagonista e o super-herói do filme e está excelente nesses registos, o actor foi a escolha acertada para rei de Wakanda e Pantera Negra. O Michael B. Jordan desempenha o já mencionado vilão do filme e é de longe o melhor (mas não o maior) vilão criado para um filme da Marvel. O Erik Killmonger é um excelente vilão, cheio de camadas, ele não é mau só porque sim, ele tem os seus motivos e as suas razões, e em certo ponto, nós até o compreendemos, mesmo que ele seja um criminoso. O Daniel Kaluuya e o Winston Duke possuem bons personagens. Sobre o elenco feminino, Lupita Nyong'o, Danai Gurira e Angela Bassett não só possuem excelentes prestações como também são detentoras de personagens totalmente relevantes para a história que está a ser contada, elas têm um peso muito forte no filme. E Letitia Wright tem simplesmente a minha personagem preferida do filme, a sua Shuri é fantástica, ela é linda, extremamente inteligente e é um dos pilares fundamentais e necessários para que a fita funcione. Posto tudo isto, resta-me dizer que gostei deste filme porque ele tem uma boa história, bons personagens e porque foge às regras da maioria destes filmes. E sim, são raros os blockbusters que me agradam. 

La Ragazza Nella Nebbia

Nome do Filme : “La Ragazza Nella Nebbia”
Titulo Inglês : “The Girl In The Fog”
Titulo Português : “A Rapariga no Nevoeiro”
Ano : 2017
Duração : 128 minutos
Género : Crime/Thriller/Mystery
Realização : Donato Carrisi
Produção : Maurizio Totti/Alessandro Usai
Elenco : Ekaterina Buscemi, Toni Servillo, Jean Reno, Greta Scacchi, Alessio Boni, Lorenzo Richelmy, Galatea Ranzi, Michela Cescon, Lucrezia Guidone, Daniela Piazza, Sabrina Martina, Jacopo Olmo Antinori, Marina Occhionero, Antonio Gerardi.

História : Anna Lou, uma bonita adolescente de 16 anos, nasceu e cresceu numa aldeia italiana situada perto de uma grande montanha. Quando, num dia aparentemente igual aos outros, ela tarda a regressar a casa, os pais contactam a polícia. Sem quaisquer vestígios da rapariga após buscas exaustivas, as autoridades chamam o detective Vogel, conhecido pela invulgar inteligência mas também pelo uso de métodos pouco ortodoxos.

Comentário : Não devia ser segredo para quem me acompanha neste espaço que eu adoro filmes de mistério e que sejam detentores de uma boa história. No caso desta fita, o filme começa nos apresentando uma boa história, possui muito mistério ao longo de boa parte do seu tempo, mas termina com um final que não faz justiça ao todo. É um filme com pouco drama, por exemplo, os pais da jovem desaparecida são muito mal desenvolvidos, o realizador recorre pouco a eles para dar impacto ao acontecimento que se traduz no desaparecimento de Anna Lou e penso que isso é uma falha. A trama centra-se principalmente na investigação que Vogel move e, mais tarde, foca-se também no personagem do suspeito do rapto, articulando muito bem estas duas vertentes. Por aquilo que se vê da personagem de Anna Lou, ela é uma jovem que tinha pouco afecto e pouca atenção dentro de sua casa, ou seja, os pais não exerciam essa sua função. Algumas cenas são intrigantes, outras aflitivas e as poucas descobertas que se vão tendo são bem-vindas. Tal como disse, o clima de tensão e principalmente de mistério estão patentes em grande parte do filme, existe inclusive, duas ou três situações que impressionam. O assunto abordado neste filme é bastante delicado e o argumento trabalhou isso de forma devida. No campo das interpretações, Toni Servillo é quem merece o destaque, ele está muito bem no seu papel, o seu personagem convence. Eu gostava de ter visto mais flashbacks de Anna Lou, penso que isso podia ajudar a entender melhor a relação que ela tinha com a família. Infelizmente, não gostei do final porque estraga aquilo que foi montado até então e a revelação envolvendo o personagem de Jean Reno, simplesmente não funcionou para mim.

Piuma

Nome do Filme : “Piuma”
Titulo Inglês : “Feather”
Titulo Português : “Piuma”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Roan Johnson
Produção : Nicola Serra/Carlo Degli Esposti
Elenco : Blu Yoshimi (Blu Di Martino), Luigi Fedele, Michela Cescon, Sergio Pierattini, Francesco Colella, Francesca Antonelli, Brando Pacitto, Clara Alonso, Bruno Squeglia, Francesca Turrini, Massimo Reale, Luca Arseni, Piero Gimondo, Bruno Pavoncello.

História : Cate é uma adolescente que vive uma relação aparentemente feliz com Ferro, o seu namorado irresponsável. Um dia, ao descobrir que está grávida dele, vê a sua vida piorar e os problemas com a família aumentarem.

Comentário : Primeiro filme que venho comentar neste último fim-de-semana de Maio e desta vez, trago cinema europeu. As classificações do filme nos sites da especialidade não são nada de especial, mas eu nunca vou pelas notas dadas aos filmes e tinha que conferir este, não me arrependo. Trata-se de uma fita divertida e dramática, aliás, devo dizer que estes dois géneros foram muito bem trabalhados e misturados pelo cineasta e o resultado é bastante positivo. A história até é interessante, apesar de já estar muito batida, existe aqui um suave interesse em seguir a jornada do casal protagonista. E falando neles, Blu Yoshimi (Blu Di Martino) vai muito bem no papel da adolescente grávida, ela passa na perfeição a instabilidade que uma rapariga na sua situação costuma ter, ela nos faculta uma personagem credível, nós entendemos o drama da sua Cate. Por seu lado, Luigi Fedele também convence, mas aqui no papel de um rapaz irresponsável e imaturo que não dá valor à namorada e muito menos tem consciência que a sua vida mudou e que existem mudanças a serem feitas. Do elenco de secundários todos vão bem, mas eu confesso que adorei o personagem do pai de Ferro. Por outro lado, detestei o pai de Cate. Elas também vão muito bem. Perto do final, a narrativa decide ir num determinado sentido, mas ainda bem que se dá um acontecimento que impede isso. No fundo, trata-se de uma obra apelativa que tem como ponto negativo o facto de haver situações onde o humor não funciona tão bem.

domingo, 22 de abril de 2018

Casa Grande

Nome do Filme : “Casa Grande”
Titulo Português : “Casa Grande”
Ano : 2014
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Fellipe Barbosa
Produção : Iafa Britz
Elenco : Marcello Novaes, Suzana Pires, Thales Cavalcanti, Alice Melo, Bruna Amaya, Clarissa Pinheiro, Marília Coelho, Gentil Cordeiro, Georgiana Goes, Lucas Mendes, Sandro Rocha, Christian Gazzetta, Rodrigo Mazza, Lucas Cassano, Sandra Gamarano, Marcia Pedrosa, Carol Amato, Elisa Martins, Flora Dias, Marina Haikal, Nina Zonis, Alice Coelho, Andressa Coelho, Indianara Sousa, Suzana Aquino, Thallita Flor.

História : Sónia e Hugo são um casal da alta burguesia carioca e levam uma vida bastante confortável. Aos poucos vão à falência, mas ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho Jean, que faz de tudo para se desenvencilhar dos pais protectores. Para se manter, o casal corta despesas e ele, que só se preocupava com sexo e diversão, enfrenta pela primeira vez a dura realidade.

Comentário : Decididamente, o melhor filme que vi ultimamente, que mete o dedo directamente na ferida do problema que decorre na sociedade actual, principalmente no Brasil. Não é um filme fácil de se acompanhar, mesmo porque conta-nos a história de uma família em decadência moral e financeira, já para não falar do seu ritmo lento, o público mais jovem irá achar uma seca. Pessoalmente, eu adorei acompanhar estes personagens e esta história, a família do filme representa muitas outras, são situações da vida real e comum que podem bem acontecer no quotidiano, seja do Brasil ou mesmo de Portugal, apesar da situação dos dois países serem muito diferentes. Apesar disso, existem coisas que são iguais, por exemplo, a questão racial, aqui representada pelo namoro de Jean com Luíza, ou a questão social, aqui vivida pelas diferenças entre patrões e empregados. Ou ainda a questão financeira, que se vê pela situação das famílias e também na questão do procedimento do pai do protagonista face ao funcionário que despediu. Mas poderia ficar aqui a citar muitos mais exemplos, o filme é cheio deles.

O protagonista é aqui muito bem interpretado pelo jovem Thales Cavalcanti, este rapaz esteve à altura do desafio, eu adorei o seu personagem, apesar de um ou dois deslizes. O Marcello Novaes vai bem, mas eu já o vi a fazer melhor, ainda assim ele representa muito bem o seu personagem, ele exemplifica correctamente o tipo de homem que o realizador pretendeu mostrar. A Suzana Pires também manda muito bem, ela representa bem o papel da esposa alheia aos problemas da família, principalmente, muito longe de saber dos verdadeiros problemas dos filhos. No papel da empregada ordinária, Clarissa Pinheiro está impecável, aliás, ela recebeu um prémio pela sua prestação neste filme. Alice Melo cumpre bem o papel da irmã que é jogada para segundo plano pelos pais, mas que tem a perfeita noção do que se passa naquela casa e naquela família. Sem esquecer, Bruna Amaya, esta miúda tem aqui a melhor prestação feminina do filme, é a ela que se devem as melhores cenas e é ela quem possui a melhor personagem da fita. Eu adorei vê-la a contracenar com Thales Cavalcanti, os dois fazem magia. No fundo, este filme agradou-me imenso porque mostra bem como é a vida de alguns actualmente.

Ismael's Ghosts

Nome do Filme : “Les Fantômes D'Ismaël”
Titulo Inglês : “Ismael's Ghosts”
Titulo Português : “Os Fantasmas de Ismael”
Ano : 2017
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Arnaud Desplechin
Produção : Pascal Caucheteux
Elenco : Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel, Hippolyte Girardot, Alba Rohrwacher, Laszlo Szabo, Jacques Nolot, Catherine Mouchet, Samir Guesmi, Melodie Richard, Marc Prin, Bruno Todeschini.

História : Há 20 anos, Carlotta, a mulher de Ismael, desapareceu sem deixar rasto. Ele, julgando-a morta, viveu momentos terríveis. Depois de muito tempo à deriva, encontrou Sylvia, que o ensinou a voltar a amar e com quem vive feliz há dois anos. Um dia, sem qualquer explicação, a mulher que ele sempre julgara perdida regressa. Profundamente abalado com a sua aparição, vê-se a pôr tudo em causa, inclusivamente o seu afecto pelas duas mulheres.

Comentário : Já há algum tempo que eu não via um filme em que entrasse Mathieu Amalric, um actor que eu gosto bastante. E este filme serviu na perfeição para eu matar saudades dele. Além disso, o longa tem outros nomes bem conhecidos, actores e actrizes que eu gosto bastante e que gostei de os ver actuar mais uma vez. Para começar, este é um filme que fala de pessoas e de sentimentos, duas componentes que eu adoro ver trabalhadas em filme. E o realizador, mais uma vez um excelente Arnaud Desplechin, trabalhou-as como sempre o faz, sempre com a sua mestria habitual e soube combiná-las muito bem, sendo o resultado um drama humano com muito sentimento. Na maior parte do tempo, gostei da história e da forma como os acontecimentos se iam desenrolando. Infelizmente e aqui é onde reside o principal problema do longa, existem alturas em que o cineasta divaga muito e nos apresenta cenas que, a meu ver, nada acrescentam à história inicial e principal. Existe muita palha aqui e isso nota-se de forma bastante descarada. Mas no geral, trata-se de uma boa história de amores e se nos abstrairmos da gordura do filme, passamos um bom bocado e temos um filme bastante aceitável. Mathieu Amalric, Marion Cotillard e Charlotte Gainsbourg possuem excelentes interpretações e foi um enorme gosto vê-los neste filme, eles funcionam tão bem juntos quanto individualmente, são três excelentes profissionais. Infelizmente e apesar de eu gostar de os ver actuar, Louis Garrel e Alba Rohrwacher vão bem, embora os seus personagens não acrescentem grande coisa à trama principal. Já Hippolyte Girardot e Laszlo Szabo estão mais uma vez excelentes, dá prazer ver estes senhores a actuar. No fundo, o filme resultou bem para mim e eu gostei dele, mas tem coisas a mais.

Stephanie

Nome do Filme : “Stephanie”
Titulo Inglês : “Stephanie”
Titulo Português : “Stephanie”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Akiva Goldsman
Produção : Bryan Bertino
Elenco : Frank Grillo, Anna Torv, Shree Crooks.

História : Uma menina pequena chamada Stephanie é abandonada pelos seus pais, sendo forçada a sobreviver comendo o que resta na casa e passando os dias a deambular pela enorme mansão, entretendo-se, entre outras coisas, com a sua tartaruga de peluche. Um dia, os seus pais retornam à propriedade, esperando não só receber o perdão da filha, como também protegê-la da enorme catástrofe que assolou o planeta.

Comentário : É muito bom quando vamos para um filme sem saber nada sobre ele e saímos da sessão surpreendidos com aquilo que acabamos de ver, foi isso que se passou com este filme. Eu não tinha visto qualquer trailer e muito menos lido sobre o filme em causa, aliás, somente com o decorrer do longa é que quem o vê é informado do que realmente se passa, é tudo mostrado aos poucos e dando espaço e tempo para nós absorvermos toda a informação. Até cerca de metade da projecção, apenas temos sinais de que possivelmente uma catástrofe assolou o nosso planeta, nós percebemos isso por artigos de jornal, livros e excertos que passam na televisão, coisas que a menina protagonista vivência e constata enquanto anda pela mansão. No início, tudo parece estranho, mas nunca é maçador, porque a direcção consegue nos manter sempre num crescente clima de tensão e com elevadas expectativas daquilo que irá suceder a seguir.

O facto de termos pouca informação até cerca de metade do filme, ajudou e muito para que a coisa funcionasse. Nós estranhamos imenso a relação existente entre aquela família, embora nunca cheguemos sequer a pensar naquilo que os últimos quarenta minutos nos vão revelar aos poucos. Penso que é mais ou menos assim que as coisas decorrem. Frank Grillo e Anna Torv estão bem nos seus papéis, mas aqui a grande estrela é a pequena Shree Crooks (The Glass Castle/Captain Fantastic), que com a sua tenra idade dá um verdadeiro show de representação, a miúda tem um futuro promissor pela frente, eu fiquei rendido à sua personagem, à sua Stephanie. Outras coisas que funcionaram também foi o clima de mistério e os poucos efeitos especiais que iam surgindo. Como pontos negativos, certas coisas ficaram por explicar e eu achei o filme muito curto, mais trinta minutos e seria o ideal. Mas o mais importante, é que o filme satisfaz e convence na proposta a que veio.


Wildling

Nome do Filme : “Wildling”
Titulo Inglês : “Wildling”
Ano : 2018
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Fritz Bohm
Produção : Liv Tyler/Charlotte Ubben/Trudie Styler/Celine Rattray
Elenco : Bel Powley, Liv Tyler, Brad Dourif, Collin Kelly Sordelet, James Le Gros, Kelly Lamor Wilson, Stephanie Salgado, Troy Ruptash, Charlotte Ubben, Frank Deal.

História : Anna foi raptada ainda bebé por um homem que apenas conhece por Daddy, alguém que cuidou dela e a criou ao longo de mais de quinze anos, privando-a de viver além do quarto onde passou toda a sua ainda curta e dolorosa vida. Aos 16 anos, Anna é resgatada pela xerife Ellen Cooper, que ajuda a miúda traumatizada a começar uma vida nova como uma jovem normal.

Comentário : Eu tenho que parar de ver trailer antes do filme, pois em grande parte dos casos, ao vermos o trailer, acabamos por estragar a experiência de assistirmos ao filme, simplesmente porque eles revelam muita coisa da fita, foi isso que aconteceu aqui. Eu gosto particularmente de histórias dramáticas, que envolvem pessoas raptadas por longos períodos de tempo e que depois são devolvidas à sociedade. Acompanhar a adaptação dessas pessoas à vida dita normal, é algo que me fascina, não é por acaso que um dos filmes da minha vida é “Room – O Quarto de Jack”. E de certa forma, é isso que temos aqui. Por razões que eu não vou revelar aqui, um homem mau encontra uma bebé e leva-a para casa, sem o conhecimento de mais ninguém, acabando por criar a menina à sua maneira, ou seja, de uma forma anormal. São situações que acabam por gerar uma certa revolta a quem vê, pelo menos a pessoas sensíveis como eu.

Aos 16 anos de cativeiro, acontece algo ao homem nojento e a menina é finalmente e tardiamente encontrada pela polícia. Escusado será dizer que, ao longo do filme que é muito curto, acontecem coisas estúpidas e sem sentido, mesmo tendo em consideração a situação peculiar da protagonista. Ou seja, mesmo aceitando a história que nos é apresentada, há certas coisas que não fazem sentido e outras que careciam de uma explicação. Ainda assim, temos uma excelente prestação a cargo da jovem Bel Powley, ela acaba mesmo por ser o melhor do filme, apesar dos cerca de trinta minutos finais estragarem completamente a sua personagem e o prazer de vermos a actriz actuar. Achei o filme apenas razoável e esperava algo diferente, ainda que o trailer me tenha estragado a experiência.

Gabriel e a Montanha

Nome do Filme : “Gabriel e a Montanha”
Titulo Inglês : “Gabriel And The Mountain”
Titulo Português : “Gabriel e a Montanha”
Ano : 2017
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Biográfico/Aventura
Realização : Fellipe Barbosa
Produção : Clara Linhart
Elenco : João Pedro Zappa, Caroline Abras, Alex Alembe, Rashidi Athuman, John Goodluck, Luke Mpata, Manuela Picq, Roshinah Sekeleti, Leonard Siampala.

História : Gabriel é um jovem aventureiro cheio de planos. Antes de se preparar para a vida académica na Universidade da Califórnia, ele decide ir para África. Ele opta por andar um ano em viagem para se descobrir a ele mesmo.

Comentário : Outro grande filme brasileiro que eu tive a oportunidade de ver, confesso que gostei bastante dele e o recomendo a todos aqueles que gostem do tipo de filmes desta nacionalidade, porque alguns são mesmo muito bons. E falando no filme, não dá para não destacar a fantástica edição e montagem, está tudo muito realista e parece estarmos mesmo a acompanhar a aventura desse jovem, este sim, um filme escapista. Este filme é parecido com o também aventureiro e escapista “Into The Wild” de Sean Penn, embora eles sejam algo semelhantes, são ligeiramente diferentes na mensagem que pretendem passar, mas essa eu deixarei ao critério de quem já tiver assistido aos dois filmes, tudo isto para não dar spoilers, obviamente. À cerca da comparação entre os dois filmes, quero apenas frisar que este brasileiro é mais realista do que o registo de Sean Penn, ainda assim, dois filmes muito bons. Vale destacar a prestação do jovem João Pedro Zappa, ele entregou um Gabriel firme e determinado nas suas convicções e nos seus propósitos, quem assiste à sua jornada, acredita realmente naquilo que vê, tudo é extremamente realista. A actriz que desempenhou a sua namorada também merece parabéns, ela convence com a sua personagem, nós entendemos perfeitamente os seus dilemas e as suas desvantagens em ser companheira amorosa de alguém como Gabriel. No fundo, são duas personagens muito humanas e credíveis, nós nos preocupamos com elas. Podemos também contar com imagens muito bonitas e paisagens deslumbrantes. Enfim, gostei daquilo que vi.

Pendular

Nome do Filme : “Pendular”
Titulo Inglês : “Pendular”
Titulo Português : “Pendular”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Júlia Murat
Produção : Júlia Murat/Tatiana Leite
Elenco : Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Renato Linhares, Valeria Barretta, Martina Revollo, Neto Machado, Felipe Rocha, Marcio Vito, Larissa Siqueira.

História : Em um galpão abandonado, um casal observa a arte e sua intimidade se misturarem. Aos poucos, eles vão perdendo a capacidade de distinguir o que faz parte de seus projetos e o que é a relação amorosa.

Comentário : E voltamos ao cinema brasileiro, mas desta vez eu errei. Este filme não foi totalmente do meu agrado, na verdade ele foi uma verdadeira seca para mim e isso deve-se principalmente à história que é muito fraca e sem interesse. A culpa pode não ser da realizadora, ela até nos facultou bons personagens, tanto o casal protagonista quanto os secundários são bons e quase os confundimos com pessoas da vida real. E para isso muito contribuíram as excelentes prestações de Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, eles entregaram-se de tal forma aos seus papéis que, a certa altura, pareceu-me estar a testemunhar um casal verdadeiro na vida real. O grande problema deste filme é que ele pretende ser uma homenagem às artes e às pessoas que vivem delas e para elas, mas acaba por falhar em quase todos os aspectos. Gostei de ver a personagem dela a dançar, a actriz deve perceber mesmo daquela modalidade e com ele passa-se o mesmo. As cenas de sexo estão muito bem filmadas e editadas, embora haja lá uma que se fosse retirada, nada se perdia. Outra coisa que o filme falha é em nos dar uma noção de como os artistas articulam a sua profissão com o quotidiano e com as suas vidas pessoais, apesar de ter havido um esforço nesse sentido. A protagonista é detentora de um número de dança que efectua em cuecas que é o melhor momento do filme inteiro. No fundo, trata-se de uma fita que prometeu muito, mas que não nos entregou quase nada. Basicamente, o filme vive das interpretações. Esperava mais.

Submergence

Nome do Filme : “Submergence”
Titulo Inglês : “Submergence”
Titulo Português : “Submersos”
Ano : 2017
Duração : 111 minutos
Género : Drama/Romance/Thriller
Realização : Wim Wenders
Produção : Cameron Lamb
Elenco : Alicia Vikander, James McAvoy, Reda Kateb, Alexander Siddig, Jannik Schumann, Celyn Jones, Jess Liaudin, Mohamed Hakeemshady, Andrea Guasch, Godehard Giese, Harvey Friedman, Clementine Baert, Alex Hafner, Thibaut Evrard, Adam Quintero, Matthew Gallagher, Jean Pierre Lorit, Loic Corbery, Julien Bouanich, Virgile Sicard, Adama Barry.

História : De um lado está Danielle, uma exploradora do oceano que descobre um novo desafio no abismo Ártico. De outro, James, um empreiteiro acusado de ser um espião, interrogado constantemente por terroristas. Encarando missões de vida ou morte, os dois precisam confiar na conexão emocional do relacionamento.

Comentário : Há cinco anos atrás eu vi um filme chamado “Promised Land – Terra Prometida” realizado por Gus Van Sant, mas detestei esse filme e os principais motivos foram que eu não me senti preso ao filme e que não havia encontrado nenhum traço do realizador nessa fita. Bom, o mesmo se passa aqui. Este filme que venho aqui hoje comentar foi realizado pelo excelente cineasta Wim Wenders e eu o considero o pior filme da carreira dele. É uma fita que não me prendeu minimamente à narrativa e muito menos aos acontecimentos e aqui eu também não encontrei a marca de Wenders em parte alguma da peça, ou seja, em momento algum parece estarmos a ver um filme realizado por Wim Wenders. Não tenho nada contra os realizadores inovarem no seu trabalho, mas ao menos que façam algo minimamente inovador e consistente, o que não foi o caso. Mas eu vou ainda mais longe, durante a projeção, eu não me senti envolvido na narrativa, eu não “comprei” a história e os dramas do casal protagonista, simplesmente porque o argumento é uma grande bagunça. Eu me senti cheio de tédio e foi quase um martírio assistir a este filme. Aquilo que me pareceu foi que o realizador não sabia para onde ir, para onde levar os seus personagens e muito menos o destino que lhes queria dar. Andamos ali às voltas e não “lucramos” nada com o que vemos. Mas nem tudo é mau, Alicia Vikander e James McAvoy têm boas interpretações, mas infelizmente o argumento não permite que eles desenvolvam os seus personagens. Podemos ainda contar com paisagens muito bonitas. Há, antes que me esqueça, o final é uma porcaria. É um filme que tenta ser muita coisa, mas que acaba por não ser nada.

The Book Of Love

Nome do Filme : “The Book Of Love”
Titulo Inglês : “The Book Of Love”
Titulo Alternativo : “The Devil And The Deep Blue Sea”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Bill Purple
Produção : Jessica Biel
Elenco : Jason Sudeikis, Maisie Williams, Jessica Biel, Mary Steenburgen, Orlando Jones, Richard Robichaux, Paul Reiser, Bryan Batt, Jayson Warner Smith, Christopher Gehrman, Wendy Miklovic, George Wilson, Russ Russo, Cailey Fleming.

História : Sentindo-se incapaz de lidar com a perda da esposa, um arquitecto torna-se amigo de uma adolescente introvertida e concorda em ajudá-la a construir uma grande jangada para atravessar o oceano.

Comentário : Adoro filmes de aventura, porque eles possuem algo de escapista em relação à vida que levamos. Geralmente, esses filmes fazem-nos sonhar, abandonar o nosso quotidiano e a nossa vida e embarcarmos numa jornada para fugirmos da rotina e experimentarmos algo novo e diferente. Infelizmente, neste filme, temos apenas um pouco disso, o realizador anda às voltas e nunca nos dá a aventura propriamente dita. No entanto, também não é caso para reclamarmos muito, temos um filme cheio de sentimento, cheio de vida, no sentido em que a história que Bill Purple nos propõe a acompanhar, fala basicamente de duas pobres almas que estão cansadas de sofrer e que se compreendem uma à outra, é juntas que elas se sentem bem e sabem viver, apesar das enormes diferenças entre elas. Nesse sentido o filme funciona bem, o realizador consegue assim, mesmo sem a dita aventura, nos facultar uma história escapista e que nos faz sonhar e viver algo diferente. Nos papéis principais, temos Jason Sudeikis e Maisie Williams, os dois vão muito bem e têm excelentes interpretações. Nós entendemos na perfeição os dramas de cada um deles e ficamos a desejar que tudo acabe bem para os dois. Embora o filme seja também um pouco utópico, principalmente pelo seu final, que no fundo é aquilo que estávamos à espera. Mais um cute movie.

domingo, 15 de abril de 2018

Porto

Nome do Filme : “Porto”
Titulo Inglês : “Porto”
Titulo Português : “Porto”
Ano : 2016
Duração : 77 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Gabe Klinger
Produção : Gabe Klinger
Elenco : Anton Yelchin, Lucie Lucas, Florie Auclerc, Françoise Lebrun, Paulo Calatré, Diana de Sousa, Rita Pinheiro, Aude Pepin, Leonor Brunner.

História : Em Portugal, na cidade invicta, a jovem Mati e Jake se encontrarão por acaso e viverão juntos momentos que irão mudar para sempre as suas vidas.

Comentário : Esta fita foi um dos últimos filmes que o actor Anton Yelchin interpretou antes de falecer precocemente. E é também uma co-produção entre Portugal, a França e os Estados Unidos, que confesso ter funcionado, pelo menos para mim. O filme não tem grandes classificações nos sites da especialidade e eu não conheço motivos para tal. Até é uma obra satisfatória que se vê muito bem, com excelentes desempenhos e que está muito bem filmada, aliás, a noite é aqui filmada de uma maneira que eu nunca havia visto em nenhum outro filme. Confesso que nunca fui ao Porto, uma grande falha minha, eu sou de Lisboa e amo a minha cidade, mas gostava de lá ir um dia conhecer pelo menos os locais mais importantes. Claro que o filme em causa não me deu uma noção de como são as coisas na invicta, mas despertou-me a curiosidade. A história deste filme é simples, ele fala sobre a vida e sobre a amizade e o amor, sentimentos que podem nascer ou desenvolver-se a partir do momento em que duas pessoas se conhecem num determinado local. Basicamente, é isso que acontece aqui.

O filme está dividido em três capítulos, o primeiro é dedicado a ele, o segundo é dela, enquanto que o terceiro e último pertence aos dois. Confesso que gostei imenso como esta história de amizade e amor me foi contada e mostrada, foi tudo muito credível e realista. Anton Yelchin está excelente aqui e ouvi-lo falar em português foi espectacular, aliás, eu adorei todo o trabalho do actor neste pequeno filme independente. Lucie Lucas está igualmente excelente no seu papel, eu adorei conhecer esta mulher, penso que nunca tinha ouvido falar dela e representou para mim uma agradável surpresa. Aliás, os dois estão em perfeita sintonia, a empatia entre eles sente-se, é palpável e genuína, eu comprei totalmente a história dos dois. As cenas de sexo são muito bonitas e estão muito bem orientadas e filmadas, nada é mostrado além do necessário e isso faz a fita destacar-se de outros registos. A maioria do elenco de secundários vai bem. O filme peca por não nos facultar algumas explicações sobre uns poucos factos e acontecimentos que ocorrem ao longo dos setenta minutos de imagens. Por exemplo, não sei o que aconteceu à filha da protagonista. Infelizmente, o filme é muito curto, este é daqueles casos em que se carecia um filme longo, a história assim o pedia. Embora o resultado final seja bastante positivo. 

Radiance

Nome do Filme : “Hikari”
Titulo Inglês : “Radiance”
Titulo Português : “Esplendor”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Naomi Kawase
Produção : Naoya Kinoshita/Masa Sawada/Yumiko Takebe
Elenco : Ayame Misaki, Masatoshi Nagase, Tatsuya Fuji, Kazuko Shirakawa, Misuzu Kanno, Mantaro Koichi, Chihiro Ohtsuka, Nobumitsu Onishi, Noemie Nakai.

História : Misako é uma apaixonada escritora de versões de filmes para os deficientes visuais. Numa projecção, ela conhece Nakamori, um fotógrafo muito mais velho que está lentamente a perder a visão. Misako descobre as fotografias dele, que estranhamente a fazem relembrar do passado. Juntos, vão aprender a ver um mundo esplendoroso que era invisível aos seus olhos.

Comentário : Ontem à noite vi este filme japonês de que gostei bastante. É um filme reflectivo que nos coloca a pensar na vida, nas coisas que já vivemos e é sobretudo uma fita que nos conta a bonita história de uma rapariga e um homem de meia idade que se conhecem e se apaixonam, duas pessoas bem diferentes mas que acabam por viver bons momentos juntos. Confesso que não é filme direcionado a todos os públicos, por exemplo, a camada jovem ia facilmente sair a meio da projecção, afinal, é tudo contado e mostrado a um ritmo lento e calmo, de forma a que quem vê desfrute de tudo e tire partido dos melhores momentos que o longa nos proporciona. Pessoalmente, eu adorei tudo isso. Teve uma coisa curiosa, foi que eu desconhecia a existência da profissão da protagonista feminina, e é um trabalho muito bonito, ajudar aquelas pessoas a sentir e a viver o cinema de um outro jeito. De certo modo, o filme também funciona como uma homenagem à sétima arte, principalmente devido à maneira como ela é tratada. O filme possui poucos personagens, mas eu confesso que gostei de quase todos eles, principalmente dos deficientes visuais que aparecem nas sessões da protagonista. E falando nela, eu adorei a personagem da actriz Ayame Misaki, foi a que mais me interessou. Infelizmente, não gostei muito do Nakamori de Masatoshi Nagase, ele não me convenceu. Podemos também contar com imagens muito bonitas, existe inclusive um plano ou mais que um mostrando o por do sol que é lindo. No fundo, é um filme muito bonito.

The Insult

Nome do Filme : “L'Insulte”
Titulo Inglês : “The Insult”
Titulo Português : “O Insulto”
Ano : 2017
Duração : 114 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Ziad Doueiri
Produção : Rachid Bouchareb/Jean Brehat/Julie Gayet/Nadia Turincev/A. Sehnaoui
Elenco : Rita Hayek, Adel Karam, Kamel El Basha, Diamand Bou Abboud, Camille Salameh, Christine Choueiri, Talal Jurdi, Julia Kassar, Rifaat Torbey, Carlos Chahine.

História : Toni é um cristão libanês que rotineiramente rega as plantas de sua varanda. Certo dia, acidentalmente, ele acaba molhando Yasser, um refugiado palestino, iniciando um desacordo que evolui para julgamento e toma dimensão nacional.

Comentário : Cada vez mais, nós temos que ter muito cuidado com tudo aquilo que dizemos aos outros, com tudo aquilo que escrevemos e deixamos escrito, afinal, são provas e podem ser usadas contra nós mesmos, por vezes, com consequências irreversíveis. Este filme é o último do grupo dos cinco filmes nomeados ao óscar de melhor fita estrangeira da última cerimónia da Academia e com ele, fico com todos comentados neste espaço. Após ver os cinco, confesso que os cinco são realmente muito bons e é difícil tomar partidos e eleger o melhor, porque eu adorei todos. “The Insult” aborda basicamente o que acontece quando duas pessoas se desentendem, seja por razões religiosas, políticas ou raciais. Toda a situação que nos é apresentada podia ter sido evitada se os dois elementos não tivessem tomado certas atitudes. É um filme pesado cuja tensão vai aumentando conforme os acontecimentos vão tendo lugar, embora eu confesse que talvez a coisa tivesse ido longe demais, mas eu não sou ninguém para opinar nesse sentido. As interpretações são boas e a banda sonora dá um forte contributo. Está tudo muito bem filmado e eu adorei uma cena entre os dois “rivais” que envolve o arranjo de um carro. O filme transporta uma forte componente política e histórica, que se pode resumir ou traduzir em sacrificar muitos para beneficiar os poucos grandes. Gostei bastante deste filme.

Based On A True Story

Nome do Filme : “D'Après Une Histoire Vraie”
Titulo Inglês : “Based On A True Story”
Titulo Português : “A Partir de Uma História Verdadeira”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Thriller/Mystery
Realização : Roman Polanski
Produção : Wassim Béji
Elenco : Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Perez, Dominique Pinon, Josee Dayan, Camille Chamoux, Brigitte Rouan, Noemie Lvovsky, Leonello Brandolini, Elisabeth Quin, Damien Bonnard, Saadia Bentaieb, Veronique Vasseur, Stanislas Moreau, Valerie Schiatti Monza, Anouchka Csernakova, Paul Garcia, Jean Frischmann, Charlotte Mangel, Melanie Bourgeois.

História : Delphine acabou de lançar um livro que se tornou um enorme sucesso. Durante uma sessão de autógrafos, conhece uma escritora com quem troca contactos e de quem se torna amiga. Delphine descobre nela tudo o que gostaria de ser : elegante, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. Contudo, com o passar do tempo, a relação de fascínio entre as duas mulheres transforma-se em algo tóxico, com Delphine a ser obsessivamente controlada em todos os seus movimentos e intenções.

Comentário : O realizador Roman Polanski é um homem bem polémico, mas eu confesso que não só não me importo com isso como também de que gosto bastante do seu trabalho e este seu novo filme é mais uma prova disso. Quase todo o filme é envolto num grande clima de mistério e assim o director nos mantém, sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. As grandes estrelas do filme são Emmanuelle Seigner e Eva Green, as duas estão maravilhosas aqui e vale destacar as suas excelentes prestações. Quando me chegou aos ouvidos que estas duas actrizes iam contracenar juntas num filme, eu nunca pensei que as coisas podiam dar certo e deram mesmo. Pode não ser um filme fácil para a maioria, afinal, a fita possui um ritmo lento e grande parte das cenas mostram apenas as duas protagonistas, mas é seguramente algo que se segue muito bem, pelo menos para quem aprecia a arte de se contar uma boa história. Penso que o roteiro foi muito bem escrito, para além de estar tudo bem filmado e da fotografia ser excelente, Polanski continua na sua grande forma. Os actores masculinos são aqui atirados para um justo segundo plano, afinal, é um filme sobre a essência feminina e nisso, já sabemos que este realizador é um grande especialista. O filme também pode servir como uma carinhosa e dedicada homenagem aos escritores e à arte da escrita e da leitura. Existe uma dúvida latente numa personagem em que apenas fica ou não esclarecida perante a interpretação de cada um. Gostei bastante deste filme. 

I Kill Giants

Nome do Filme : “I Kill Giants”
Titulo Inglês : “I Kill Giants”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Anders Walter
Produção : Chris Columbus
Elenco : Zoe Saldana, Madison Wolfe, Sydney Wade, Imogen Poots, Rory Jackson, Jennifer Ehle.

História : Devido à grave doença da mãe, uma menina vive fechada no seu mundo próprio.

Comentário : Esta fita é a prova de que é possível fazer-se um filme de fantasia com pouco dinheiro e com poucos recursos, sem recorrer aos grandes shows de efeitos especiais e grandes espectáculos visuais que Hollywood adora nos oferecer. Na sua essência, trata-se de uma co-produção entre a Bélgica e a Inglaterra com uma pequena ajuda dos americanos, mas não se duvide que estamos perante uma produção europeia. Por acaso, confesso que gostei bastante deste filme não só pelas razões apresentadas anteriormente, mas também porque foi uma fita que me transmitiu algumas emoções e porque me fez recordar algumas coisas da minha infância. Como já disse, não se trata de algo muito complicado e nem sofisticado, é uma obra simples mas coerente que nos oferece personagens que existem na vida real, mas cuja história vem adornada da componente de fantasia, tudo muito bem articulado. No papel da menina protagonista, temos uma bastante competente Madison Wolfe, esta jovem actriz convence totalmente no seu registo e se, de início, ela nos parece uma alucinada, com o passar dos minutos ficamos a par de quem ela é e porquê age daquela maneira. A jovem Rory Jackson faz bem o papel da vilã, ela é uma bully e cumpre bem essa missão. No papel da amiga da protagonista, Sydney Wade também convence, ela é uma das melhores personagens do longa. Já no campo dos adultos, Imogen Poots e Zoe Saldana têm actuações bem consistentes e personagens bem desenvolvidas, elas contribuíram em certa medida para que o trabalho das pequenas desse certo. Este filme foi um achado para mim, gostei. 

Vazante

Nome do Filme : “Vazante”
Titulo Inglês : “Vazante”
Titulo Português : “Vazante”
Ano : 2017
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Daniela Thomas
Produção : Maria Ionescu/Sara Silveira/Beto Amaral
Elenco : Luana Nastas, Adriano Carvalho, Sandra Corveloni, Juliana Carneiro da Cunha, Roberto Audio, Vinicius dos Anjos, Jai Baptista, Isadora Favero, Geísa Costa, Fabricio Boliveira, Alexandre da Sena, Maria Helena Dias, Dinah Feldman, Maria Aparecida de Jesus Fátima, Adão de Fátima Gomes, Kelle das Graças Lopes, Adilson Magah, Toumany Kouyate.

História : Início do século dezanove, numa fazenda imponente e decadente, situada em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém chegados de África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais e de género em um país que passa por um forte período de mudança.

Comentário : Eu gosto imenso de cinema brasileiro, inclusive, eu até já fui acusado por outros de gostar mais desse tipo de cinema do que de filmes portugueses, o que não corresponde à verdade. Mas não vou negar, eu adoro produções faladas em português, sejam elas em português de Portugal ou em brasileiro. E este filme, que é o primeiro realizado a solo pela Daniela, é assim, algo muito íntimo e surpreendente ou não fosse ele um filme de época, aliás, a fita decorre numa altura já retratada em novelas e até séries brasileiras, logo aí, foi de grande agrado para mim. Eu gostei da recriação de época, gostei do guarda roupa, gostei do ambiente e de tudo o que envolveu os personagens, desde as belíssimas paisagens naturais até aos objectos por eles usados, enfim, foi um deleite assistir a este filme. Devido a certas situações, este filme gerou uma certa polémica, mas as coisas tinham que ser mostradas assim, para termos uma ideia de como era naquela altura.

Mas sem dúvida que uma das principais coisas que me agradou foi o elenco principal, nossa, que elenco, a começar pelo português Adriano Carvalho, o actor entregou-se de corpo e alma ao seu papel e que personagem, ele mostra bem como era o pensamento do homem no início do século dezanove. Além disso, ele contracena muito bem com os outros envolvidos. Também gostei de ver a Sandra Corveloni aqui, ela dedicou-se mesmo à sua personagem. Mas quem eu amei de verdade, foi a jovem Luana Nastas, que mulher. Eu amei a sua personagem, a Beatriz, ela parece um anjo, deambulando por aquela terra esquecida no tempo, quase rastejando pelos prados e campos de cultivo, com aquele cabelo longo, sem nada que fazer, eu a entendi, apesar de não ter gostado de um aspecto, quem viu o filme certamente saberá do que eu estou a falar. O que mais importa aqui é que a Daniela nunca condena seus personagens e isso foi decisivo. Por exemplo, a última atitude de Beatriz, aquela com o bebé, prova que ela não era má pessoa, ela era natural tal como o meio que a envolvia. Enfim, um filme maravilhoso.

domingo, 8 de abril de 2018

Maria Madalena

Nome do Filme : “Mary Magdalene”
Titulo Inglês : “Mary Magdalene”
Titulo Português : “Maria Madalena”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Garth Davis
Produção : Iain Canning/Emile Sherman/Liz Watts
Elenco : Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Tahar Rahim, Chiwetel Ejiofor, Shira Haas, Denis Menochet, Ariane Labed, Lubna Azabal, Tcheky Karyo, Charles Babalola, Tawfeek Barhom, Ryan Corr, Uri Gavriel, Tsahi Halevi, Michael Moshonov, David Schofield, Irit Sheleg, Jules Sitruk, Zohar Shtrauss, Hadas Yaron, Silvia Bresciano.

História : Após assistir a um milagre realizado por Jesus de Nazaré numa pequena aldeia da Galileia, a jovem Maria fica assombrada. Desafiando os costumes da época, deixa a família e segue aquele homem carismático, tornando-se sua discípula. Com o passar dos meses, converte-se numa das mais fiéis companheiras de Jesus, testemunhando acontecimentos que deixarão marcas na história do mundo.

Comentário : Não me considero uma pessoa religiosa, mas confesso que gosto de ver filmes relacionados com isso e tinha que conferir este novo registo de Garth Davis. Gostei do que vi, embora tenha que confessar que o filme perde um pouco o foco principal que é o da personagem Maria, o realizador inicia o seu filme com ela e o termina nela, mas o meio é quase todo preenchido com base em Jesus. E isso talvez faça com que alguns espectadores não saiam muito satisfeitos da sala de cinema. O filme é muito bonito, aliás, bonito demais. A personagem de Maria, por exemplo, é toda muito limpa, quando nós sabemos que naquela altura, as pessoas não se preocupavam com isso, era tudo mais sujo e de qualquer jeito. Ainda assim, estamos perante uma história que se segue muito bem e até dá gosto acompanhar estas personagens. A Rooney Mara tem a melhor prestação e a melhor personagem do longa, é um prazer vê-la em tela, tem certas cenas em que ela parece mesmo uma santa. O Joaquin Phoenix tem uma interpretação aceitável, embora não convença como Jesus, ele podia nos ter facultado um Jesus mais firme e delicado, mais gentil e mais carinhoso. Temos ainda boas prestações a cargo de Tahar Rahim, Chiwetel Ejiofor, Shira Haas e Denis Menochet, os quatro compõem um pequeno elenco de apoio bem aceitável. O guarda roupa está capaz e a banda sonora nos embala nos momentos certos. A fotografia é excelente. Mas é como digo, é impossível considerarmos este filme como sendo uma obra biográfica ou mesmo histórica, porque ninguém sabe ao certo como as coisas aconteceram naquela época.

domingo, 1 de abril de 2018

Paradise

Nome do Filme : “Ray”
Titulo Inglês : “Paradise”
Titulo Português : “Paraíso”
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Andrei Konchalovsky
Produção : Andrei Konchalovsky
Elenco : Yuliya Vysotskaya, Christian Clauss, Philippe Duquesne, Peter Kurth, Viktor Sukhorukov, Ramona Kunze Libnow, George Lenz, Jean Denis Romer, Irina Demidkina, Jakob Diehl, Vera Voronkova, Anna Mariya Danilenko, Anastasiya Serova, Thomas Darchinger, Caroline Piette.

História : Durante a Segunda Guerra Mundial, as vidas de três pessoas acabam por se cruzar : Olga, uma aristocrata russa e membro da resistência francesa que é enviada para um campo de concentração; um francês colaborador chamado Jules e Khelmut, um oficial de alta patente dentro das tropas nazis. Mas para Olga e Khelmut, isto significará também um reencontro e uma viagem ao passado.

Comentário : Trata-se de um filme russo sobre o Holocausto que aqui se centra em três pessoas ligadas a esse polémico e complexo tema. E tal como quase todos os filmes que abordam este assunto, é uma obra pesada, filmada a preto e branco e em formato retrato. O realizador divide a narrativa entre cenas que mostram os acontecimentos da sua história e os supostos testemunhos dos três protagonistas feitos directamente para a camara, como se estivessem a ser entrevistados. Em certos momentos, o filme é bastante realista e o facto de ser exibido a preto e branco, ainda ajuda mais nesse sentido. Primeiro conhecemos o personagem de Philippe Duquesne, chama-se Jules e passamos a conhecer o seu quotidiano, a sua mulher e filho, vale referir que o actor tem uma interpretação aceitável. De seguida, somos apresentados à personagem da actriz Yuliya Vysotskaya, para além desta ter a melhor prestação do filme, ficamos também a saber que a sua Olga foi enviada para um campo de concentração porque salvava crianças judias da morte. Finalmente, ficamos a par do quotidiano do personagem do actor Christian Clauss, o seu Khelmut é um homem interessante e mais interessante ainda é o seu passado com Olga. Vale dizer que Christian Clauss tem uma interpretação boa e convincente. A recriação de época é muito boa, em certas alturas parece que estamos a ver imagens reais daquela altura. Depois de vermos o filme, descobrimos o que estas três personagens têm em comum. Um último reparo, o filme consegue transmitir o horror do Holocausto. Gostei bastante deste filme. 

Pacific Rim : Uprising

Nome do Filme : “Pacific Rim : Uprising”
Titulo Inglês : “Pacific Rim : Uprising”
Titulo Português : “Batalha do Pacífico : A Revolta”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica
Realização : Steven S. DeKnight
Produção : Guillermo Del Toro
Elenco : John Boyega, Scott Eastwood, Cailee Spaeny, Rinko Kikuchi, Burn Gorman, Charlie Day, Tian Jing, Jin Zhang, Adria Arjona, Karan Brar, Ivanna Sakhno, Wesley Wong, Lily Ji, Mackenyu, Shyrley Rodriguez, Rahart Adams, Levi Meaden, Dustin Clare, Chen Zitong, Yongchen Qian, Nick Tarabay, Shane Rangi, Jaime Slater, Kim Jeong Hoon, Stephanie Allynne, Josh Stamberg, Luke Judy, Madeleine McGraw.

História : Um criminoso e uma adolescente de quinze anos unem forças com uma equipa de jovens pilotos de Jaegers, com a intenção de salvarem o mundo da destruição total.

Comentário : Confesso que gosto bastante de filmes de monstros e este não me podia escapar. Vi e gostei. Mas o filme não fala só de monstros, ele mostra-nos que o nosso planeta está a atravessar um momento difícil, a história passa-se numa época em que robots gigantes são usados para combater monstros gigantes que aparecem nas cidades, provenientes de outra dimensão. Jovens e adultos são treinados para pilotarem esses robots que se chamam de Jaegers. Quando se pensava que as coisas tinham acalmado, surge uma nova ameaça. O governo apercebe-se que pessoas comuns começaram a roubar peças e tecnologia dos robots abandonados e construíram os seus próprios Jaegers, alguns até são usados para praticar o mal. Isto faz com que Jaegers lutem contra Jaegers, mas acaba-se por descobrir algo bem pior. Confesso que não sou um grande adepto do primeiro filme, é uma fita que não me convenceu, para além de ser machista e demasiado americana. Este segundo filme vai mais ao encontro da cultura japonesa, só o facto dos pilotos dos Jaegers serem quase todos adolescentes, é uma homenagem às séries de animação orientais em que grandes robots combatem monstros gigantes.

Os problemas deste filme é que tornaram os Jaegers mais rápidos, já não se sente o peso da luta, é tudo mais artificial, mais moderno e isso retira um pouco a essência da coisa. Os monstros também aparecem pouco e aquela situação de robots contra robots, apesar do argumento o justificar, não funciona tão bem dentro daquela que deveria ser a questão principal e central. O John Boyega vai bem no papel principal masculino, o seu personagem transmite na perfeição o peso e a responsabilidade de ser quem é, e da missão que tem pela frente. O Scott Eastwood possui a pior interpretação do filme, o seu personagem é muito fraco. O Burn Gorman está bem melhor do que o Charlie Day, eu gostei do desenvolvimento destes dois personagens nesta sequela. Mas é Cailee Spaeny que merece todos os méritos, a jovem actriz não só tem a melhor personagem do filme, como também possui a melhor prestação do longa. Foi um prazer ver a personagem Amara em ação, era algo assim que esta história precisava. Eu gostei dos kaijus que aparecem perto do fim do filme e adorei o super kaiju do confronto final. Apesar de algumas coisas mal explicadas, eu gostei mais deste segundo filme do que do primeiro, pois o filme bebe mais da cultura japonesa, é mais oriental.