domingo, 22 de abril de 2018

Stephanie

Nome do Filme : “Stephanie”
Titulo Inglês : “Stephanie”
Titulo Português : “Stephanie”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Akiva Goldsman
Produção : Bryan Bertino
Elenco : Frank Grillo, Anna Torv, Shree Crooks.

História : Uma menina pequena chamada Stephanie é abandonada pelos seus pais, sendo forçada a sobreviver comendo o que resta na casa e passando os dias a deambular pela enorme mansão, entretendo-se, entre outras coisas, com a sua tartaruga de peluche. Um dia, os seus pais retornam à propriedade, esperando não só receber o perdão da filha, como também protegê-la da enorme catástrofe que assolou o planeta.

Comentário : É muito bom quando vamos para um filme sem saber nada sobre ele e saímos da sessão surpreendidos com aquilo que acabamos de ver, foi isso que se passou com este filme. Eu não tinha visto qualquer trailer e muito menos lido sobre o filme em causa, aliás, somente com o decorrer do longa é que quem o vê é informado do que realmente se passa, é tudo mostrado aos poucos e dando espaço e tempo para nós absorvermos toda a informação. Até cerca de metade da projecção, apenas temos sinais de que possivelmente uma catástrofe assolou o nosso planeta, nós percebemos isso por artigos de jornal, livros e excertos que passam na televisão, coisas que a menina protagonista vivência e constata enquanto anda pela mansão. No início, tudo parece estranho, mas nunca é maçador, porque a direcção consegue nos manter sempre num crescente clima de tensão e com elevadas expectativas daquilo que irá suceder a seguir.

O facto de termos pouca informação até cerca de metade do filme, ajudou e muito para que a coisa funcionasse. Nós estranhamos imenso a relação existente entre aquela família, embora nunca cheguemos sequer a pensar naquilo que os últimos quarenta minutos nos vão revelar aos poucos. Penso que é mais ou menos assim que as coisas decorrem. Frank Grillo e Anna Torv estão bem nos seus papéis, mas aqui a grande estrela é a pequena Shree Crooks (The Glass Castle/Captain Fantastic), que com a sua tenra idade dá um verdadeiro show de representação, a miúda tem um futuro promissor pela frente, eu fiquei rendido à sua personagem, à sua Stephanie. Outras coisas que funcionaram também foi o clima de mistério e os poucos efeitos especiais que iam surgindo. Como pontos negativos, certas coisas ficaram por explicar e eu achei o filme muito curto, mais trinta minutos e seria o ideal. Mas o mais importante, é que o filme satisfaz e convence na proposta a que veio.


Wildling

Nome do Filme : “Wildling”
Titulo Inglês : “Wildling”
Ano : 2018
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Fritz Bohm
Produção : Liv Tyler/Charlotte Ubben/Trudie Styler/Celine Rattray
Elenco : Bel Powley, Liv Tyler, Brad Dourif, Collin Kelly Sordelet, James Le Gros, Kelly Lamor Wilson, Stephanie Salgado, Troy Ruptash, Charlotte Ubben, Frank Deal.

História : Anna foi raptada ainda bebé por um homem que apenas conhece por Daddy, alguém que cuidou dela e a criou ao longo de mais de quinze anos, privando-a de viver além do quarto onde passou toda a sua ainda curta e dolorosa vida. Aos 16 anos, Anna é resgatada pela xerife Ellen Cooper, que ajuda a miúda traumatizada a começar uma vida nova como uma jovem normal.

Comentário : Eu tenho que parar de ver trailer antes do filme, pois em grande parte dos casos, ao vermos o trailer, acabamos por estragar a experiência de assistirmos ao filme, simplesmente porque eles revelam muita coisa da fita, foi isso que aconteceu aqui. Eu gosto particularmente de histórias dramáticas, que envolvem pessoas raptadas por longos períodos de tempo e que depois são devolvidas à sociedade. Acompanhar a adaptação dessas pessoas à vida dita normal, é algo que me fascina, não é por acaso que um dos filmes da minha vida é “Room – O Quarto de Jack”. E de certa forma, é isso que temos aqui. Por razões que eu não vou revelar aqui, um homem mau encontra uma bebé e leva-a para casa, sem o conhecimento de mais ninguém, acabando por criar a menina à sua maneira, ou seja, de uma forma anormal. São situações que acabam por gerar uma certa revolta a quem vê, pelo menos a pessoas sensíveis como eu.

Aos 16 anos de cativeiro, acontece algo ao homem nojento e a menina é finalmente e tardiamente encontrada pela polícia. Escusado será dizer que, ao longo do filme que é muito curto, acontecem coisas estúpidas e sem sentido, mesmo tendo em consideração a situação peculiar da protagonista. Ou seja, mesmo aceitando a história que nos é apresentada, há certas coisas que não fazem sentido e outras que careciam de uma explicação. Ainda assim, temos uma excelente prestação a cargo da jovem Bel Powley, ela acaba mesmo por ser o melhor do filme, apesar dos cerca de trinta minutos finais estragarem completamente a sua personagem e o prazer de vermos a actriz actuar. Achei o filme apenas razoável e esperava algo diferente, ainda que o trailer me tenha estragado a experiência.

Gabriel e a Montanha

Nome do Filme : “Gabriel e a Montanha”
Titulo Inglês : “Gabriel And The Mountain”
Titulo Português : “Gabriel e a Montanha”
Ano : 2017
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Biográfico/Aventura
Realização : Fellipe Barbosa
Produção : Clara Linhart
Elenco : João Pedro Zappa, Caroline Abras, Alex Alembe, Rashidi Athuman, John Goodluck, Luke Mpata, Manuela Picq, Roshinah Sekeleti, Leonard Siampala.

História : Gabriel é um jovem aventureiro cheio de planos. Antes de se preparar para a vida académica na Universidade da Califórnia, ele decide ir para África. Ele opta por andar um ano em viagem para se descobrir a ele mesmo.

Comentário : Outro grande filme brasileiro que eu tive a oportunidade de ver, confesso que gostei bastante dele e o recomendo a todos aqueles que gostem do tipo de filmes desta nacionalidade, porque alguns são mesmo muito bons. E falando no filme, não dá para não destacar a fantástica edição e montagem, está tudo muito realista e parece estarmos mesmo a acompanhar a aventura desse jovem, este sim, um filme escapista. Este filme é parecido com o também aventureiro e escapista “Into The Wild” de Sean Penn, embora eles sejam algo semelhantes, são ligeiramente diferentes na mensagem que pretendem passar, mas essa eu deixarei ao critério de quem já tiver assistido aos dois filmes, tudo isto para não dar spoilers, obviamente. À cerca da comparação entre os dois filmes, quero apenas frisar que este brasileiro é mais realista do que o registo de Sean Penn, ainda assim, dois filmes muito bons. Vale destacar a prestação do jovem João Pedro Zappa, ele entregou um Gabriel firme e determinado nas suas convicções e nos seus propósitos, quem assiste à sua jornada, acredita realmente naquilo que vê, tudo é extremamente realista. A actriz que desempenhou a sua namorada também merece parabéns, ela convence com a sua personagem, nós entendemos perfeitamente os seus dilemas e as suas desvantagens em ser companheira amorosa de alguém como Gabriel. No fundo, são duas personagens muito humanas e credíveis, nós nos preocupamos com elas. Podemos também contar com imagens muito bonitas e paisagens deslumbrantes. Enfim, gostei daquilo que vi.

Pendular

Nome do Filme : “Pendular”
Titulo Inglês : “Pendular”
Titulo Português : “Pendular”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Júlia Murat
Produção : Júlia Murat/Tatiana Leite
Elenco : Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Renato Linhares, Valeria Barretta, Martina Revollo, Neto Machado, Felipe Rocha, Marcio Vito, Larissa Siqueira.

História : Em um galpão abandonado, um casal observa a arte e sua intimidade se misturarem. Aos poucos, eles vão perdendo a capacidade de distinguir o que faz parte de seus projetos e o que é a relação amorosa.

Comentário : E voltamos ao cinema brasileiro, mas desta vez eu errei. Este filme não foi totalmente do meu agrado, na verdade ele foi uma verdadeira seca para mim e isso deve-se principalmente à história que é muito fraca e sem interesse. A culpa pode não ser da realizadora, ela até nos facultou bons personagens, tanto o casal protagonista quanto os secundários são bons e quase os confundimos com pessoas da vida real. E para isso muito contribuíram as excelentes prestações de Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, eles entregaram-se de tal forma aos seus papéis que, a certa altura, pareceu-me estar a testemunhar um casal verdadeiro na vida real. O grande problema deste filme é que ele pretende ser uma homenagem às artes e às pessoas que vivem delas e para elas, mas acaba por falhar em quase todos os aspectos. Gostei de ver a personagem dela a dançar, a actriz deve perceber mesmo daquela modalidade e com ele passa-se o mesmo. As cenas de sexo estão muito bem filmadas e editadas, embora haja lá uma que se fosse retirada, nada se perdia. Outra coisa que o filme falha é em nos dar uma noção de como os artistas articulam a sua profissão com o quotidiano e com as suas vidas pessoais, apesar de ter havido um esforço nesse sentido. A protagonista é detentora de um número de dança que efectua em cuecas que é o melhor momento do filme inteiro. No fundo, trata-se de uma fita que prometeu muito, mas que não nos entregou quase nada. Basicamente, o filme vive das interpretações. Esperava mais.

Submergence

Nome do Filme : “Submergence”
Titulo Inglês : “Submergence”
Titulo Português : “Submersos”
Ano : 2017
Duração : 111 minutos
Género : Drama/Romance/Thriller
Realização : Wim Wenders
Produção : Cameron Lamb
Elenco : Alicia Vikander, James McAvoy, Reda Kateb, Alexander Siddig, Jannik Schumann, Celyn Jones, Jess Liaudin, Mohamed Hakeemshady, Andrea Guasch, Godehard Giese, Harvey Friedman, Clementine Baert, Alex Hafner, Thibaut Evrard, Adam Quintero, Matthew Gallagher, Jean Pierre Lorit, Loic Corbery, Julien Bouanich, Virgile Sicard, Adama Barry.

História : De um lado está Danielle, uma exploradora do oceano que descobre um novo desafio no abismo Ártico. De outro, James, um empreiteiro acusado de ser um espião, interrogado constantemente por terroristas. Encarando missões de vida ou morte, os dois precisam confiar na conexão emocional do relacionamento.

Comentário : Há cinco anos atrás eu vi um filme chamado “Promised Land – Terra Prometida” realizado por Gus Van Sant, mas detestei esse filme e os principais motivos foram que eu não me senti preso ao filme e que não havia encontrado nenhum traço do realizador nessa fita. Bom, o mesmo se passa aqui. Este filme que venho aqui hoje comentar foi realizado pelo excelente cineasta Wim Wenders e eu o considero o pior filme da carreira dele. É uma fita que não me prendeu minimamente à narrativa e muito menos aos acontecimentos e aqui eu também não encontrei a marca de Wenders em parte alguma da peça, ou seja, em momento algum parece estarmos a ver um filme realizado por Wim Wenders. Não tenho nada contra os realizadores inovarem no seu trabalho, mas ao menos que façam algo minimamente inovador e consistente, o que não foi o caso. Mas eu vou ainda mais longe, durante a projeção, eu não me senti envolvido na narrativa, eu não “comprei” a história e os dramas do casal protagonista, simplesmente porque o argumento é uma grande bagunça. Eu me senti cheio de tédio e foi quase um martírio assistir a este filme. Aquilo que me pareceu foi que o realizador não sabia para onde ir, para onde levar os seus personagens e muito menos o destino que lhes queria dar. Andamos ali às voltas e não “lucramos” nada com o que vemos. Mas nem tudo é mau, Alicia Vikander e James McAvoy têm boas interpretações, mas infelizmente o argumento não permite que eles desenvolvam os seus personagens. Podemos ainda contar com paisagens muito bonitas. Há, antes que me esqueça, o final é uma porcaria. É um filme que tenta ser muita coisa, mas que acaba por não ser nada.

The Book Of Love

Nome do Filme : “The Book Of Love”
Titulo Inglês : “The Book Of Love”
Titulo Alternativo : “The Devil And The Deep Blue Sea”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Bill Purple
Produção : Jessica Biel
Elenco : Jason Sudeikis, Maisie Williams, Jessica Biel, Mary Steenburgen, Orlando Jones, Richard Robichaux, Paul Reiser, Bryan Batt, Jayson Warner Smith, Christopher Gehrman, Wendy Miklovic, George Wilson, Russ Russo, Cailey Fleming.

História : Sentindo-se incapaz de lidar com a perda da esposa, um arquitecto torna-se amigo de uma adolescente introvertida e concorda em ajudá-la a construir uma grande jangada para atravessar o oceano.

Comentário : Adoro filmes de aventura, porque eles possuem algo de escapista em relação à vida que levamos. Geralmente, esses filmes fazem-nos sonhar, abandonar o nosso quotidiano e a nossa vida e embarcarmos numa jornada para fugirmos da rotina e experimentarmos algo novo e diferente. Infelizmente, neste filme, temos apenas um pouco disso, o realizador anda às voltas e nunca nos dá a aventura propriamente dita. No entanto, também não é caso para reclamarmos muito, temos um filme cheio de sentimento, cheio de vida, no sentido em que a história que Bill Purple nos propõe a acompanhar, fala basicamente de duas pobres almas que estão cansadas de sofrer e que se compreendem uma à outra, é juntas que elas se sentem bem e sabem viver, apesar das enormes diferenças entre elas. Nesse sentido o filme funciona bem, o realizador consegue assim, mesmo sem a dita aventura, nos facultar uma história escapista e que nos faz sonhar e viver algo diferente. Nos papéis principais, temos Jason Sudeikis e Maisie Williams, os dois vão muito bem e têm excelentes interpretações. Nós entendemos na perfeição os dramas de cada um deles e ficamos a desejar que tudo acabe bem para os dois. Embora o filme seja também um pouco utópico, principalmente pelo seu final, que no fundo é aquilo que estávamos à espera. Mais um cute movie.

domingo, 15 de abril de 2018

Porto

Nome do Filme : “Porto”
Titulo Inglês : “Porto”
Titulo Português : “Porto”
Ano : 2016
Duração : 77 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Gabe Klinger
Produção : Gabe Klinger
Elenco : Anton Yelchin, Lucie Lucas, Florie Auclerc, Françoise Lebrun, Paulo Calatré, Diana de Sousa, Rita Pinheiro, Aude Pepin, Leonor Brunner.

História : Em Portugal, na cidade invicta, a jovem Mati e Jake se encontrarão por acaso e viverão juntos momentos que irão mudar para sempre as suas vidas.

Comentário : Esta fita foi um dos últimos filmes que o actor Anton Yelchin interpretou antes de falecer precocemente. E é também uma co-produção entre Portugal, a França e os Estados Unidos, que confesso ter funcionado, pelo menos para mim. O filme não tem grandes classificações nos sites da especialidade e eu não conheço motivos para tal. Até é uma obra satisfatória que se vê muito bem, com excelentes desempenhos e que está muito bem filmada, aliás, a noite é aqui filmada de uma maneira que eu nunca havia visto em nenhum outro filme. Confesso que nunca fui ao Porto, uma grande falha minha, eu sou de Lisboa e amo a minha cidade, mas gostava de lá ir um dia conhecer pelo menos os locais mais importantes. Claro que o filme em causa não me deu uma noção de como são as coisas na invicta, mas despertou-me a curiosidade. A história deste filme é simples, ele fala sobre a vida e sobre a amizade e o amor, sentimentos que podem nascer ou desenvolver-se a partir do momento em que duas pessoas se conhecem num determinado local. Basicamente, é isso que acontece aqui.

O filme está dividido em três capítulos, o primeiro é dedicado a ele, o segundo é dela, enquanto que o terceiro e último pertence aos dois. Confesso que gostei imenso como esta história de amizade e amor me foi contada e mostrada, foi tudo muito credível e realista. Anton Yelchin está excelente aqui e ouvi-lo falar em português foi espectacular, aliás, eu adorei todo o trabalho do actor neste pequeno filme independente. Lucie Lucas está igualmente excelente no seu papel, eu adorei conhecer esta mulher, penso que nunca tinha ouvido falar dela e representou para mim uma agradável surpresa. Aliás, os dois estão em perfeita sintonia, a empatia entre eles sente-se, é palpável e genuína, eu comprei totalmente a história dos dois. As cenas de sexo são muito bonitas e estão muito bem orientadas e filmadas, nada é mostrado além do necessário e isso faz a fita destacar-se de outros registos. A maioria do elenco de secundários vai bem. O filme peca por não nos facultar algumas explicações sobre uns poucos factos e acontecimentos que ocorrem ao longo dos setenta minutos de imagens. Por exemplo, não sei o que aconteceu à filha da protagonista. Infelizmente, o filme é muito curto, este é daqueles casos em que se carecia um filme longo, a história assim o pedia. Embora o resultado final seja bastante positivo. 

Radiance

Nome do Filme : “Hikari”
Titulo Inglês : “Radiance”
Titulo Português : “Esplendor”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Naomi Kawase
Produção : Naoya Kinoshita/Masa Sawada/Yumiko Takebe
Elenco : Ayame Misaki, Masatoshi Nagase, Tatsuya Fuji, Kazuko Shirakawa, Misuzu Kanno, Mantaro Koichi, Chihiro Ohtsuka, Nobumitsu Onishi, Noemie Nakai.

História : Misako é uma apaixonada escritora de versões de filmes para os deficientes visuais. Numa projecção, ela conhece Nakamori, um fotógrafo muito mais velho que está lentamente a perder a visão. Misako descobre as fotografias dele, que estranhamente a fazem relembrar do passado. Juntos, vão aprender a ver um mundo esplendoroso que era invisível aos seus olhos.

Comentário : Ontem à noite vi este filme japonês de que gostei bastante. É um filme reflectivo que nos coloca a pensar na vida, nas coisas que já vivemos e é sobretudo uma fita que nos conta a bonita história de uma rapariga e um homem de meia idade que se conhecem e se apaixonam, duas pessoas bem diferentes mas que acabam por viver bons momentos juntos. Confesso que não é filme direcionado a todos os públicos, por exemplo, a camada jovem ia facilmente sair a meio da projecção, afinal, é tudo contado e mostrado a um ritmo lento e calmo, de forma a que quem vê desfrute de tudo e tire partido dos melhores momentos que o longa nos proporciona. Pessoalmente, eu adorei tudo isso. Teve uma coisa curiosa, foi que eu desconhecia a existência da profissão da protagonista feminina, e é um trabalho muito bonito, ajudar aquelas pessoas a sentir e a viver o cinema de um outro jeito. De certo modo, o filme também funciona como uma homenagem à sétima arte, principalmente devido à maneira como ela é tratada. O filme possui poucos personagens, mas eu confesso que gostei de quase todos eles, principalmente dos deficientes visuais que aparecem nas sessões da protagonista. E falando nela, eu adorei a personagem da actriz Ayame Misaki, foi a que mais me interessou. Infelizmente, não gostei muito do Nakamori de Masatoshi Nagase, ele não me convenceu. Podemos também contar com imagens muito bonitas, existe inclusive um plano ou mais que um mostrando o por do sol que é lindo. No fundo, é um filme muito bonito.

The Insult

Nome do Filme : “L'Insulte”
Titulo Inglês : “The Insult”
Titulo Português : “O Insulto”
Ano : 2017
Duração : 114 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Ziad Doueiri
Produção : Rachid Bouchareb/Jean Brehat/Julie Gayet/Nadia Turincev/A. Sehnaoui
Elenco : Rita Hayek, Adel Karam, Kamel El Basha, Diamand Bou Abboud, Camille Salameh, Christine Choueiri, Talal Jurdi, Julia Kassar, Rifaat Torbey, Carlos Chahine.

História : Toni é um cristão libanês que rotineiramente rega as plantas de sua varanda. Certo dia, acidentalmente, ele acaba molhando Yasser, um refugiado palestino, iniciando um desacordo que evolui para julgamento e toma dimensão nacional.

Comentário : Cada vez mais, nós temos que ter muito cuidado com tudo aquilo que dizemos aos outros, com tudo aquilo que escrevemos e deixamos escrito, afinal, são provas e podem ser usadas contra nós mesmos, por vezes, com consequências irreversíveis. Este filme é o último do grupo dos cinco filmes nomeados ao óscar de melhor fita estrangeira da última cerimónia da Academia e com ele, fico com todos comentados neste espaço. Após ver os cinco, confesso que os cinco são realmente muito bons e é difícil tomar partidos e eleger o melhor, porque eu adorei todos. “The Insult” aborda basicamente o que acontece quando duas pessoas se desentendem, seja por razões religiosas, políticas ou raciais. Toda a situação que nos é apresentada podia ter sido evitada se os dois elementos não tivessem tomado certas atitudes. É um filme pesado cuja tensão vai aumentando conforme os acontecimentos vão tendo lugar, embora eu confesse que talvez a coisa tivesse ido longe demais, mas eu não sou ninguém para opinar nesse sentido. As interpretações são boas e a banda sonora dá um forte contributo. Está tudo muito bem filmado e eu adorei uma cena entre os dois “rivais” que envolve o arranjo de um carro. O filme transporta uma forte componente política e histórica, que se pode resumir ou traduzir em sacrificar muitos para beneficiar os poucos grandes. Gostei bastante deste filme.

Based On A True Story

Nome do Filme : “D'Après Une Histoire Vraie”
Titulo Inglês : “Based On A True Story”
Titulo Português : “A Partir de Uma História Verdadeira”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Thriller/Mystery
Realização : Roman Polanski
Produção : Wassim Béji
Elenco : Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Perez, Dominique Pinon, Josee Dayan, Camille Chamoux, Brigitte Rouan, Noemie Lvovsky, Leonello Brandolini, Elisabeth Quin, Damien Bonnard, Saadia Bentaieb, Veronique Vasseur, Stanislas Moreau, Valerie Schiatti Monza, Anouchka Csernakova, Paul Garcia, Jean Frischmann, Charlotte Mangel, Melanie Bourgeois.

História : Delphine acabou de lançar um livro que se tornou um enorme sucesso. Durante uma sessão de autógrafos, conhece uma escritora com quem troca contactos e de quem se torna amiga. Delphine descobre nela tudo o que gostaria de ser : elegante, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. Contudo, com o passar do tempo, a relação de fascínio entre as duas mulheres transforma-se em algo tóxico, com Delphine a ser obsessivamente controlada em todos os seus movimentos e intenções.

Comentário : O realizador Roman Polanski é um homem bem polémico, mas eu confesso que não só não me importo com isso como também de que gosto bastante do seu trabalho e este seu novo filme é mais uma prova disso. Quase todo o filme é envolto num grande clima de mistério e assim o director nos mantém, sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. As grandes estrelas do filme são Emmanuelle Seigner e Eva Green, as duas estão maravilhosas aqui e vale destacar as suas excelentes prestações. Quando me chegou aos ouvidos que estas duas actrizes iam contracenar juntas num filme, eu nunca pensei que as coisas podiam dar certo e deram mesmo. Pode não ser um filme fácil para a maioria, afinal, a fita possui um ritmo lento e grande parte das cenas mostram apenas as duas protagonistas, mas é seguramente algo que se segue muito bem, pelo menos para quem aprecia a arte de se contar uma boa história. Penso que o roteiro foi muito bem escrito, para além de estar tudo bem filmado e da fotografia ser excelente, Polanski continua na sua grande forma. Os actores masculinos são aqui atirados para um justo segundo plano, afinal, é um filme sobre a essência feminina e nisso, já sabemos que este realizador é um grande especialista. O filme também pode servir como uma carinhosa e dedicada homenagem aos escritores e à arte da escrita e da leitura. Existe uma dúvida latente numa personagem em que apenas fica ou não esclarecida perante a interpretação de cada um. Gostei bastante deste filme. 

I Kill Giants

Nome do Filme : “I Kill Giants”
Titulo Inglês : “I Kill Giants”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Anders Walter
Produção : Chris Columbus
Elenco : Zoe Saldana, Madison Wolfe, Sydney Wade, Imogen Poots, Rory Jackson, Jennifer Ehle.

História : Devido à grave doença da mãe, uma menina vive fechada no seu mundo próprio.

Comentário : Esta fita é a prova de que é possível fazer-se um filme de fantasia com pouco dinheiro e com poucos recursos, sem recorrer aos grandes shows de efeitos especiais e grandes espectáculos visuais que Hollywood adora nos oferecer. Na sua essência, trata-se de uma co-produção entre a Bélgica e a Inglaterra com uma pequena ajuda dos americanos, mas não se duvide que estamos perante uma produção europeia. Por acaso, confesso que gostei bastante deste filme não só pelas razões apresentadas anteriormente, mas também porque foi uma fita que me transmitiu algumas emoções e porque me fez recordar algumas coisas da minha infância. Como já disse, não se trata de algo muito complicado e nem sofisticado, é uma obra simples mas coerente que nos oferece personagens que existem na vida real, mas cuja história vem adornada da componente de fantasia, tudo muito bem articulado. No papel da menina protagonista, temos uma bastante competente Madison Wolfe, esta jovem actriz convence totalmente no seu registo e se, de início, ela nos parece uma alucinada, com o passar dos minutos ficamos a par de quem ela é e porquê age daquela maneira. A jovem Rory Jackson faz bem o papel da vilã, ela é uma bully e cumpre bem essa missão. No papel da amiga da protagonista, Sydney Wade também convence, ela é uma das melhores personagens do longa. Já no campo dos adultos, Imogen Poots e Zoe Saldana têm actuações bem consistentes e personagens bem desenvolvidas, elas contribuíram em certa medida para que o trabalho das pequenas desse certo. Este filme foi um achado para mim, gostei. 

Vazante

Nome do Filme : “Vazante”
Titulo Inglês : “Vazante”
Titulo Português : “Vazante”
Ano : 2017
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Daniela Thomas
Produção : Maria Ionescu/Sara Silveira/Beto Amaral
Elenco : Luana Nastas, Adriano Carvalho, Sandra Corveloni, Juliana Carneiro da Cunha, Roberto Audio, Vinicius dos Anjos, Jai Baptista, Isadora Favero, Geísa Costa, Fabricio Boliveira, Alexandre da Sena, Maria Helena Dias, Dinah Feldman, Maria Aparecida de Jesus Fátima, Adão de Fátima Gomes, Kelle das Graças Lopes, Adilson Magah, Toumany Kouyate.

História : Início do século dezanove, numa fazenda imponente e decadente, situada em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém chegados de África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais e de género em um país que passa por um forte período de mudança.

Comentário : Eu gosto imenso de cinema brasileiro, inclusive, eu até já fui acusado por outros de gostar mais desse tipo de cinema do que de filmes portugueses, o que não corresponde à verdade. Mas não vou negar, eu adoro produções faladas em português, sejam elas em português de Portugal ou em brasileiro. E este filme, que é o primeiro realizado a solo pela Daniela, é assim, algo muito íntimo e surpreendente ou não fosse ele um filme de época, aliás, a fita decorre numa altura já retratada em novelas e até séries brasileiras, logo aí, foi de grande agrado para mim. Eu gostei da recriação de época, gostei do guarda roupa, gostei do ambiente e de tudo o que envolveu os personagens, desde as belíssimas paisagens naturais até aos objectos por eles usados, enfim, foi um deleite assistir a este filme. Devido a certas situações, este filme gerou uma certa polémica, mas as coisas tinham que ser mostradas assim, para termos uma ideia de como era naquela altura.

Mas sem dúvida que uma das principais coisas que me agradou foi o elenco principal, nossa, que elenco, a começar pelo português Adriano Carvalho, o actor entregou-se de corpo e alma ao seu papel e que personagem, ele mostra bem como era o pensamento do homem no início do século dezanove. Além disso, ele contracena muito bem com os outros envolvidos. Também gostei de ver a Sandra Corveloni aqui, ela dedicou-se mesmo à sua personagem. Mas quem eu amei de verdade, foi a jovem Luana Nastas, que mulher. Eu amei a sua personagem, a Beatriz, ela parece um anjo, deambulando por aquela terra esquecida no tempo, quase rastejando pelos prados e campos de cultivo, com aquele cabelo longo, sem nada que fazer, eu a entendi, apesar de não ter gostado de um aspecto, quem viu o filme certamente saberá do que eu estou a falar. O que mais importa aqui é que a Daniela nunca condena seus personagens e isso foi decisivo. Por exemplo, a última atitude de Beatriz, aquela com o bebé, prova que ela não era má pessoa, ela era natural tal como o meio que a envolvia. Enfim, um filme maravilhoso.

domingo, 8 de abril de 2018

Maria Madalena

Nome do Filme : “Mary Magdalene”
Titulo Inglês : “Mary Magdalene”
Titulo Português : “Maria Madalena”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Garth Davis
Produção : Iain Canning/Emile Sherman/Liz Watts
Elenco : Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Tahar Rahim, Chiwetel Ejiofor, Shira Haas, Denis Menochet, Ariane Labed, Lubna Azabal, Tcheky Karyo, Charles Babalola, Tawfeek Barhom, Ryan Corr, Uri Gavriel, Tsahi Halevi, Michael Moshonov, David Schofield, Irit Sheleg, Jules Sitruk, Zohar Shtrauss, Hadas Yaron, Silvia Bresciano.

História : Após assistir a um milagre realizado por Jesus de Nazaré numa pequena aldeia da Galileia, a jovem Maria fica assombrada. Desafiando os costumes da época, deixa a família e segue aquele homem carismático, tornando-se sua discípula. Com o passar dos meses, converte-se numa das mais fiéis companheiras de Jesus, testemunhando acontecimentos que deixarão marcas na história do mundo.

Comentário : Não me considero uma pessoa religiosa, mas confesso que gosto de ver filmes relacionados com isso e tinha que conferir este novo registo de Garth Davis. Gostei do que vi, embora tenha que confessar que o filme perde um pouco o foco principal que é o da personagem Maria, o realizador inicia o seu filme com ela e o termina nela, mas o meio é quase todo preenchido com base em Jesus. E isso talvez faça com que alguns espectadores não saiam muito satisfeitos da sala de cinema. O filme é muito bonito, aliás, bonito demais. A personagem de Maria, por exemplo, é toda muito limpa, quando nós sabemos que naquela altura, as pessoas não se preocupavam com isso, era tudo mais sujo e de qualquer jeito. Ainda assim, estamos perante uma história que se segue muito bem e até dá gosto acompanhar estas personagens. A Rooney Mara tem a melhor prestação e a melhor personagem do longa, é um prazer vê-la em tela, tem certas cenas em que ela parece mesmo uma santa. O Joaquin Phoenix tem uma interpretação aceitável, embora não convença como Jesus, ele podia nos ter facultado um Jesus mais firme e delicado, mais gentil e mais carinhoso. Temos ainda boas prestações a cargo de Tahar Rahim, Chiwetel Ejiofor, Shira Haas e Denis Menochet, os quatro compõem um pequeno elenco de apoio bem aceitável. O guarda roupa está capaz e a banda sonora nos embala nos momentos certos. A fotografia é excelente. Mas é como digo, é impossível considerarmos este filme como sendo uma obra biográfica ou mesmo histórica, porque ninguém sabe ao certo como as coisas aconteceram naquela época.

domingo, 1 de abril de 2018

Paradise

Nome do Filme : “Ray”
Titulo Inglês : “Paradise”
Titulo Português : “Paraíso”
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Andrei Konchalovsky
Produção : Andrei Konchalovsky
Elenco : Yuliya Vysotskaya, Christian Clauss, Philippe Duquesne, Peter Kurth, Viktor Sukhorukov, Ramona Kunze Libnow, George Lenz, Jean Denis Romer, Irina Demidkina, Jakob Diehl, Vera Voronkova, Anna Mariya Danilenko, Anastasiya Serova, Thomas Darchinger, Caroline Piette.

História : Durante a Segunda Guerra Mundial, as vidas de três pessoas acabam por se cruzar : Olga, uma aristocrata russa e membro da resistência francesa que é enviada para um campo de concentração; um francês colaborador chamado Jules e Khelmut, um oficial de alta patente dentro das tropas nazis. Mas para Olga e Khelmut, isto significará também um reencontro e uma viagem ao passado.

Comentário : Trata-se de um filme russo sobre o Holocausto que aqui se centra em três pessoas ligadas a esse polémico e complexo tema. E tal como quase todos os filmes que abordam este assunto, é uma obra pesada, filmada a preto e branco e em formato retrato. O realizador divide a narrativa entre cenas que mostram os acontecimentos da sua história e os supostos testemunhos dos três protagonistas feitos directamente para a camara, como se estivessem a ser entrevistados. Em certos momentos, o filme é bastante realista e o facto de ser exibido a preto e branco, ainda ajuda mais nesse sentido. Primeiro conhecemos o personagem de Philippe Duquesne, chama-se Jules e passamos a conhecer o seu quotidiano, a sua mulher e filho, vale referir que o actor tem uma interpretação aceitável. De seguida, somos apresentados à personagem da actriz Yuliya Vysotskaya, para além desta ter a melhor prestação do filme, ficamos também a saber que a sua Olga foi enviada para um campo de concentração porque salvava crianças judias da morte. Finalmente, ficamos a par do quotidiano do personagem do actor Christian Clauss, o seu Khelmut é um homem interessante e mais interessante ainda é o seu passado com Olga. Vale dizer que Christian Clauss tem uma interpretação boa e convincente. A recriação de época é muito boa, em certas alturas parece que estamos a ver imagens reais daquela altura. Depois de vermos o filme, descobrimos o que estas três personagens têm em comum. Um último reparo, o filme consegue transmitir o horror do Holocausto. Gostei bastante deste filme. 

Pacific Rim : Uprising

Nome do Filme : “Pacific Rim : Uprising”
Titulo Inglês : “Pacific Rim : Uprising”
Titulo Português : “Batalha do Pacífico : A Revolta”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica
Realização : Steven S. DeKnight
Produção : Guillermo Del Toro
Elenco : John Boyega, Scott Eastwood, Cailee Spaeny, Rinko Kikuchi, Burn Gorman, Charlie Day, Tian Jing, Jin Zhang, Adria Arjona, Karan Brar, Ivanna Sakhno, Wesley Wong, Lily Ji, Mackenyu, Shyrley Rodriguez, Rahart Adams, Levi Meaden, Dustin Clare, Chen Zitong, Yongchen Qian, Nick Tarabay, Shane Rangi, Jaime Slater, Kim Jeong Hoon, Stephanie Allynne, Josh Stamberg, Luke Judy, Madeleine McGraw.

História : Um criminoso e uma adolescente de quinze anos unem forças com uma equipa de jovens pilotos de Jaegers, com a intenção de salvarem o mundo da destruição total.

Comentário : Confesso que gosto bastante de filmes de monstros e este não me podia escapar. Vi e gostei. Mas o filme não fala só de monstros, ele mostra-nos que o nosso planeta está a atravessar um momento difícil, a história passa-se numa época em que robots gigantes são usados para combater monstros gigantes que aparecem nas cidades, provenientes de outra dimensão. Jovens e adultos são treinados para pilotarem esses robots que se chamam de Jaegers. Quando se pensava que as coisas tinham acalmado, surge uma nova ameaça. O governo apercebe-se que pessoas comuns começaram a roubar peças e tecnologia dos robots abandonados e construíram os seus próprios Jaegers, alguns até são usados para praticar o mal. Isto faz com que Jaegers lutem contra Jaegers, mas acaba-se por descobrir algo bem pior. Confesso que não sou um grande adepto do primeiro filme, é uma fita que não me convenceu, para além de ser machista e demasiado americana. Este segundo filme vai mais ao encontro da cultura japonesa, só o facto dos pilotos dos Jaegers serem quase todos adolescentes, é uma homenagem às séries de animação orientais em que grandes robots combatem monstros gigantes.

Os problemas deste filme é que tornaram os Jaegers mais rápidos, já não se sente o peso da luta, é tudo mais artificial, mais moderno e isso retira um pouco a essência da coisa. Os monstros também aparecem pouco e aquela situação de robots contra robots, apesar do argumento o justificar, não funciona tão bem dentro daquela que deveria ser a questão principal e central. O John Boyega vai bem no papel principal masculino, o seu personagem transmite na perfeição o peso e a responsabilidade de ser quem é, e da missão que tem pela frente. O Scott Eastwood possui a pior interpretação do filme, o seu personagem é muito fraco. O Burn Gorman está bem melhor do que o Charlie Day, eu gostei do desenvolvimento destes dois personagens nesta sequela. Mas é Cailee Spaeny que merece todos os méritos, a jovem actriz não só tem a melhor personagem do filme, como também possui a melhor prestação do longa. Foi um prazer ver a personagem Amara em ação, era algo assim que esta história precisava. Eu gostei dos kaijus que aparecem perto do fim do filme e adorei o super kaiju do confronto final. Apesar de algumas coisas mal explicadas, eu gostei mais deste segundo filme do que do primeiro, pois o filme bebe mais da cultura japonesa, é mais oriental.


Fala Comigo

Nome do Filme : “Fala Comigo”
Titulo Inglês : “The Other End”
Titulo Português : “Fala Comigo”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Felipe Sholl
Produção : Daniel Van Hoogstraten
Elenco : Karine Teles, Tom Karabachian, Denise Fraga, Anita Ferraz, Manoela Dexheimer, Emilio Mello, Daniel Rangel, Guilherme Guaral, Chico Suzano.

História : Diogo é um adolescente que tem um estranho fetiche : ele sente prazer ao ligar para as pacientes de sua mãe, que é terapeuta. Certo dia, ele liga para Ângela, uma mulher na casa dos quarenta anos que acaba de se separar do marido. Os dois iniciam uma complicada relação pelo telefone e algo mais.

Comentário : As pessoas têm a mania de criticar os outros e tudo aquilo que a sociedade condena, sem muitas vezes avaliar primeiro se é de facto correcto ou não, tem sido assim a maior parte das vezes ao longo da história. No caso deste filme, é isso que se passa. Existem dois personagens que são muito criticados porque mantêm um tipo de relação que, aos olhos da sociedade, é mal interpretada, quanto mais não seja porque um deles é menor de idade e o outro tem quarenta anos e problemas psicológicos. Pessoalmente, eu não sou contra duas pessoas de idades muito diferentes terem uma relação amorosa ou de amizade, desde que as duas partes estejam de acordo e que não sejam forçadas. Além disso, a sociedade é que determinou que só se é maior de idade a partir dos 18 anos, o que quer dizer que um dia depois desse limite, a pessoa já é adulta e pode tudo?!. É um pouco estranho, antes dessa meta, a pessoa não é capaz de nada e não pode nada, mas depois já pode tudo, é mesmo fora da caixa, mas enfim. Não faz muito sentido.

O que este filme propõe é debater precisamente isso, o porquê da imposição de certos limites e até que ponto alguém detém total poder sobre o outro, aliás, a mãe do protagonista questiona isso mesmo a determinada altura, ela não só o questiona como também confessa que um filho deixa de ser nosso aos poucos a partir do momento em que vem ao mundo. O realizador tocou um tema pesado e que as pessoas não gostam de debater, por exemplo, ainda é muito mal visto pela sociedade o facto de haverem casais formados por homens mais velhos com raparigas na casa dos vinte e tal anos, onde se enquadra perfeitamente a situação existente neste filme, só que aqui é um rapaz novo com uma mulher mais velha. Penso que o realizador trabalhou bem essas questões, havendo ainda tempo para frisar o casamento fracassado dos pais do protagonista. Karine Teles e Tom Karabachian possuem boas interpretações, eles têm ainda uma boa química, os seus personagens funcionam muito bem, juntos ou individualmente. A Denise Fraga está bem no seu papel de progenitora, a sua Clarice convence, é uma mãe que se preocupa com o filho adolescente, para além de estar também aceitável enquanto esposa desiludida e cansada de um casamento de fachada. Eu adorei a personagem da actriz Anita Ferraz. E Emilio de Mello está ok, ele convence, mas o actor possui pouco material para trabalhar. É um bom filme que cumpre o proposto. 

Bingo : O Rei das Manhãs

Nome do Filme : “Bingo : O Rei das Manhãs”
Titulo Inglês : “Bingo : The King Of The Mornings”
Titulo Português : “Bingo : O Rei das Manhãs”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Daniel Rezende
Produção : Caio Gullane/Fabiano Gullane
Elenco : Vladimir Brichta, Leandra Leal, Tainá Muller, Augusto Madeira, Ana Lúcia Torre, Cauã Martins, Pedro Bial, Domingos Montagner, Fernando Sampaio, Raul Barreto, Soren Hellerup, Ricardo Ciciliano, Emanuelle Araújo, Roberto Audio, Lila Guimarães, Thalyta Medeiros, Martha Mellinger, Natalia Viviani.

História : Augusto Mendes é um actor de filmes pornográficos que, motivado pelo filho, se torna num dos intérpretes do palhaço Bingo da televisão brasileira.

Comentário : Cinebiografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo da televisão brasileira durante a década de 1980, que alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado. Essa frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a usar essas substâncias durante os programas. Não vou mentir, este filme não me disse rigorosamente nada, mas sei perfeitamente que diz muito aos brasileiros, pois fala de algo e de alguém que significou muito para eles, e que ao ver este filme, sentiram muita nostalgia e saudosismo. Este é uma espécie de filme biográfico onde o realizador Daniel Rezende (Laços) trocou os nomes originais dos envolvidos e das emissoras por outros fictícios, tudo por questões autorais, embora o pretendido esteja lá. Eu conheço um critico de cinema que contou que a programação infantil da televisão brasileira dos anos 80 era sensacional e que o Brasil nunca mais verá algo igual. E eu, até certo ponto, partilho da opinião dele e apesar de não ter morado naquele país, eu também acompanhei e vivi nos anos 80 e sei que era espectacular aquela época.

Este filme me apanhou de surpresa porque eu fiquei a conhecer algo que eu desconhecia totalmente, mas que me senti muito satisfeito por ter ficado a saber. O filme conta a história de um homem e o seu drama com a família, com o trabalho e com os vícios que o levaram à queda. A recriação de época está impecável e o ponto mais alto disso é a forma como os programas funcionavam e como eram feitos naquele tempo, os bastidores e os métodos usados para que as coisas dessem certo, enfim, o que está por detrás da camara. Está tudo muito bem filmado, aliás, existem planos sequência e longos que são notáveis, com destaque em um especificamente, que é brutal. É um filme muito realista. O próprio Bingo é um personagem bastante convincente e para isso muito contribuiu o excelente desempenho de Vladimir Brichta, aliás, este actor arrebenta neste papel, possivelmente a melhor prestação da sua carreira. Leandra Leal está também espectacular neste filme e no seu papel, ela prova mais uma vez porque é considerada uma das melhores actrizes brasileiras da actualidade. É também focada a relação do protagonista com a mãe, com o filho, com a ex-mulher e com a chefe. Infelizmente, o terceiro acto é apressado demais e um aspecto ficou por explicar. Para terminar, o realizador estabelece bem as diferenças entre homem e personagem, bem como todas as complicações que isso abarcou na vida de Arlindo Barreto. 

Como Nossos Pais

Nome do Filme : “Como Nossos Pais”
Titulo Inglês : “Just Like Our Parents”
Titulo Português : “Como Nossos Pais”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama
Realização : Lais Bodanzky
Produção : Lais Bodanzky
Elenco : Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Sophia Valverde, Annalara Prates, Clarisse Abujamra, Felipe Rocha, Antonia Baudouin, Gabrielle Lopez, Gilda Nomacce, Jorge Mautner, Herson Capri.

História : Rosa, de 38 anos, é uma típica mulher de classe média que se esforça por conciliar a profissão com a vida familiar, mas que se sente a fracassar em todas as áreas. É casada com Dado, um antropólogo demasiado metido consigo mesmo, e com ele tem duas filhas prestes a entrar na adolescência. A sua relação com a mãe sempre foi conflituosa, cheia de amarguras e palavras por dizer. Até que um dia, durante um almoço familiar, a mãe lhe confessa algo inesperado.

Comentário : Confesso gostar bastante de filmes brasileiros e já andava há muito tempo para ver este filme. Com este seu filme, a realizadora traça um retrato da sociedade actual, o que se passa com esta família, se passará de certeza em muitas outras casas. Rosa é uma mulher rodeada de gente imbecil : a mãe é uma frustrada, o padrasto é um inútil, o pai biológico é desumano, a sua meia irmã não a respeita nem ao lar que a acolheu, o amigo é um otário e, para terminar, o marido é um nojento do piorio, Dado representa um determinado tipo de homens e acreditem, existem homens assim. Mas a realizadora costura tudo de um jeito que nunca condena nenhum dos intervenientes. No papel da grande protagonista, Maria Ribeiro está excelente, a sua Rosa convence, é praticamente impossível não ficarmos do lado dela. Nós sabemos que existem por aí muitas Rosas, que sofrem nas mãos de maridos como Dado e que não têm culpa dos pais que possuem. São tudo circunstâncias da vida, mas o facto de nós termos uma vida má e termos más pessoas ao nosso redor, isso não significa que temos que ser também maus, penso ser essa uma das mensagens da realizadora. Tem um momento em que a protagonista vai indo numa direcção, mas a realizadora a faz ir para outro lado e eu achei isso excelente, porque assim não estragou a imagem construída até então. O filme é muito bem filmado, existem planos que funcionam muito bem. Confesso ter imaginado outro final para esta história, sei lá, eu acho que Rosa devia se ter divorciado do marido e recomeçado a vida com as filhas, as três sozinhas numa nova jornada.

domingo, 25 de março de 2018

Small Town Crime

Nome do Filme : “Small Town Crime”
Titulo Inglês : “Small Town Crime”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Crime/Mystery/Thriller
Realização : Eshom Nelms/Ian Nelms
Produção : Parisa Caviani/Brad Johnson/John J. Kelly
Elenco : John Hawkes, Octavia Spencer, Anthony Anderson, Robert Forster, Clifton Collins Jr, Jeremy Ratchford, James Lafferty, Michael Vartan, Daniel Sunjata, Don Harvey, Stefanie Scott, Stefania Barr, Caity Lotz, Dale Dickey, Michelle Lang, Katie Cockrell, Sean Carrigan, Adam Johnson, Liliana Arredondo, Robyn Lively.

História : Um antigo polícia alcoólico encontra uma jovem rapariga quase morta à beira da estrada, levando-a para o Hospital, onde a miúda acaba por morrer. A partir desse momento, ele decide iniciar uma investigação por conta própria para combater a inércia das autoridades locais e na intenção de descobrir quem anda a assassinar as raparigas e com que finalidade. Ao fazê-lo, ele desconhece que está não só a por a sua vida em risco como a de todos os que lhe são mais chegados.

Comentário : Confesso gostar bastante do actor John Hawkes, logo, tinha que conferir este seu novo filme. O actor voltou a dar-nos uma boa interpretação e o seu personagem é bem interessante. Ele desempenha um homem que cometeu alguns erros no seu passado, que teve também azar em algumas situações, mas que parece querer remediar algo e essa redenção pode surgir caso ele resolva um caso onde a polícia não tem tido sucesso. O elenco possui outros nomes conhecidos como Octavia Spencer, Robert Forster ou Stefanie Scott, os três vão bem nos seus papéis e possuem bons personagens. Com excepções, o elenco de secundários também vai bem, por exemplo, os dois criminosos principais estão bastante aceitáveis. O filme aborda, entre outros assuntos, a exploração sexual de jovens raparigas que são vítimas de grandes organizações do crime que se estão a borrifar para elas. Eu vibrei com a sequência do tiroteio final, ficou espectacular. O filme trabalha bem as consequências para certos actos de alguns personagens, e o protagonista serve bem esse propósito, ele é o exemplo ideal de que os fins não justificam os meios, ou o contrário aqui é também aceitável, depende do ponto de vista de cada um. Existem aqui cenas que são muito bem filmadas, por vezes, parece estarmos a assistir a um daqueles filmes antigos que falam sobre crimes violentos e isso aqui funciona como uma espécie de elogio. Saí bastante positivo deste filme.

Welcome The Stranger

Nome do Filme : “Welcome The Stranger”
Titulo Inglês : “Welcome The Stranger”
Ano : 2018
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Justin Kelly
Produção : Justin Kelly/Riley Keough
Elenco : Abbey Lee, Caleb Landry Jones, Riley Keough, Rosemary Howard, John Clofine.

História : Depois de passarem vários anos sem se verem, dois irmãos reencontram-se para tentar fazer as pazes com o passado, mas as coisas complicam-se quando estranhos acontecimentos têm lugar.

Comentário : Cá está mais um filme bem estranho e aberto a várias interpretações. Todo o filme está envolto num grande clima de mistério, onde vemos os irmãos protagonistas a deambular pela mansão e tendo comportamentos estranhos, alguns dos quais escapam ao nosso entendimento. Temos um elenco muito reduzido composto apenas por cinco pessoas, das quais três são importantes e duas nem tanto. O realizador dá-nos a conhecer muito sobre os irmãos, mas não o necessário e isso incomoda, não ajuda à compreensão de alguns acontecimentos. Por exemplo, eu não entendi de todo o final do filme. A Abbey Lee (Mad Max) vai muito bem no papel da estranha irmã, ela é uma personagem bem enigmática e misteriosa, nota-se que ela exerce poder sobre o irmão, mas não se percebe o motivo. Além disso, a química dela com o actor que desempenha o seu irmão funciona na perfeição, os dois vivem muito um do outro. E falando nele, Caleb Landry Jones (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) vestiu muito bem a pele do irmão influenciável, primeiro pela irmã e mais tarde pela namorada, o rapaz tem a segunda melhor interpretação do filme. E Riley Keough (Mad Max) tem pouco que fazer neste filme, ela só aparece nos últimos cerca de quarenta minutos de fita e não acrescenta quase nada à trama. É um filme envolto num grande clima de mistério, onde as coisas nem sempre são o que parecem. É uma fita que podia-nos ter dado mais conteúdo, mas que sobrevive principalmente graças às presenças e prestações dos actores que vivem os irmãos protagonistas.

Ana, Mon Amour

Nome do Filme : “Ana, Mon Amour”
Titulo Inglês : “Ana, My Love”
Titulo Português : “Ana, Meu Amor”
Ano : 2017
Duração : 128 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Calin Peter Netzer
Produção : Calin Peter Netzer
Elenco : Diana Cavallioti, Mircea Postelnicu, Ioana Flora, Carmen Tanase, Vasile Muraru, Adrian Titieni, Tania Popa, Igor Caras Romanov, Ionut Caras, Vlad Ivanov, Iulia Lumanare, Razvan Vasilescu, Constantin Dinulescu.

História : Ana e Toma se conheceram quando ainda estavam na faculdade de literatura, e logo se apaixonaram e passaram a compartilhar uma vida amorosa. Mas, devido a uma doença mental de Ana, o relacionamento começa a ruir aos poucos.

Comentário : Esta noite vi este filme romeno que confesso ter gostado dos seus primeiros oitenta minutos, mas a partir daí as coisas seguiram um rumo que já não me agradou tanto. Tudo porque a protagonista evolui de um jeito que não condiz com tudo aquilo que a sua personagem deu a conhecer antes dessa marca. Ainda assim, o filme é bom e fala da vida, da amizade e do amor, das relações humanas e amorosas e do quotidiano no geral. Pode ser interpretado por muitos como sendo uma história simples, mas no meu entender, trata-se de uma narrativa nada trivial que nos permite conhecer um casal como qualquer outro. O realizador faz assim um filme firme em seus propósitos, onde funde de forma eficaz as componentes drama e romance, numa homenagem à vida. No decorrer das mais de duas horas de projecção, a narrativa dança na linha temporal, avançando e regredindo nas idades e fases do casal. Dentro do seu filme, Calin Peter Netzer trabalha muito bem o seu casal protagonista, fazendo com que ela e ele evoluam enquanto personagens e sofram ou não com as respectivas transformações ao longo desse processo.

A Ana do início do filme não é a mesma do final, assim como o Toma do princípio não é o mesmo do fim da fita e isso vê-se de várias maneiras. São duas excelentes personagens. Diana Cavallioti tem uma excelente interpretação e uma prestação física igualmente impecável, a actriz nos faculta assim uma personagem credível e convincente. Por seu turno, Mircea Postelnicu representa muito bem o papel de um homem que, contra adversidades, sempre amou Ana e sempre se dedicou a ela, esforçando-se ao máximo para que a relação desse certo. Os dois têm ainda uma química muito funcional. À excepção de um personagem irritante e desnecessário à trama, todo o elenco de apoio fez um bom trabalho. Existem cenas de sexo e de nú explícitas. Há uma cena em particular que demonstra todo o amor que Toma sente por Ana, é uma sequência muito bonita, apesar de tudo. Certas coisas ficam por esclarecer e outras por dizer, mas eu sou daqueles que não gosta de ter tudo mastigado e pronto a engolir. Mas volto a dizer, a cerca de trinta minutos do filme terminar, as coisas parecem resvalar um pouquinho e o final deixa um gosto amargo. Mas, no geral, gostei deste filme, uma fita que fala das relações humanas, do quotidiano e da vida.