segunda-feira, 12 de março de 2018

Le Fidèle

Nome do Filme : “Le Fidèle”
Titulo Inglês : “Racer And The Jailbird”
Titulo Português : “Fidelidade Sem Limite”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Michael R. Roskam
Produção : Pierre Ange Le Pogam/Bart Van Langendonck
Elenco : Matthias Schoenaerts, Adele Exarchopoulos, Nathalie Van Tongelen, Eric De Staercke, Jean Benoit Ugeux, Nabil Missoumi, Thomas Coumans, Fabien Magry, Kerem Can, Gianni La Rocca, Dimitry Loubry, Gael Maleux, Anaelle Potdevin.

História : Num circuito de corridas ilegais, Gigi, um homem com ligações ao submundo do crime, conhece Bibi, uma jovem condutora. A atracção entre ambos é instantânea. Com vidas tão distintas, eles sabem que aquela relação tem tudo para correr mal. Apesar disso, dão início a um relacionamento pelo qual lutarão com todas as suas forças, mesmo sabendo que essa decisão colocará em risco não apenas as suas vidas, mas também as dos que lhes são mais chegados.

Comentário : Cá está um filme que tinha tudo para dar certo, mas que não funcionou muito para mim. Vamos por partes, temos aspectos positivos e negativos. É um filme que está muito bem filmado e dirigido. Temos excelentes interpretações a cargo de Matthias Schoenaerts e de Adele Exarchopoulos. O personagem dele faz tudo errado o tempo todo, é impressionante como ele não faz uma coisa digna de louvar. Já ela, lamenta-se que tenha uma personagem estúpida, que fica com a vida estragada por causa dele. Aliás, a sua personagem é muito “maltratada” neste filme e isso incomoda. Outra coisa a lamentar é o facto que não existe química entre o casal protagonista, é impossível terem feito as audições e não terem percebido que os dois juntos não funcionavam. Já agora, deixem-me que vos diga que os produtores dos filmes da saga “Velocidade Furiosa” deviam ver este filme e tentar aprender alguma coisa, por muitos defeitos que este filme tenha, a história está perfeitamente articulada com as cenas de ação e com as corridas de carros. Eu gostei dos dois primeiros actos do filme, mas as coisas resvalam no terceiro acto e o filme segue um rumo que nada tem a ver com tudo contado até então, não se percebe o que aconteceu subitamente à protagonista e muito menos o destino dado à sua personagem. Percebe-se menos ainda porque motivo ele teve o destino que teve, visto que ela era a única pessoa com humanidade e inteligência do filme inteiro. Resta-nos assim rever o excelente “A Vida de Adele”, o filme onde a belíssima Adele Exarchopoulos possui a melhor prestação da sua carreira.

Star Wars : The Last Jedi

Nome do Filme : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Original : “Star Wars : Episode VIII – The Last Jedi”
Titulo Inglês : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Português : “Star Wars : Os Últimos Jedi”
Ano : 2017
Duração : 152 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica/Drama
Realização : Rian Johnson
Produção : J. J. Abrams
Elenco : Daisy Ridley, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Oscar Isaac, John Boyega, Andy Serkis, Laura Dern, Domhnall Gleeson, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Billie Lourd, Lupita Nyong'o, Anthony Daniels, Joonas Suotamo, Jimmy Vee, Frank Oz, Tim Rose, Tom Kane, Amanda Lawrence, Justin Theroux, Adrian Edmondson, Mark Lewis Jones, Veronica Ngo, Paul Kasey, Andrew Jack, Lily Cole, Warwick Davis, Benicio Del Toro.

História : Enquanto Rey inicia o seu treino com Luke Skywalker, a Primeira Ordem e a Resistência preparam-se para um último confronto.

Comentário (com spoilers) : Eu gostei bastante do episódio 7 e este episódio 8, apesar de ser diferente em alguns aspectos, também me fez gostar dele. Digamos que os dois filmes se completam na perfeição. Recuso fazer comparações com as duas anteriores trilogias e vou-me focar unicamente nestes dois últimos episódios, mais concretamente, neste “Os Últimos Jedi”. Quando há dois anos terminara o episódio 7, eu queria ver mais dele e agora J. J. Abrams deu-me aquilo que eu precisava naquela altura, uma conclusão para esta história, com a preciosa ajuda de Rian Johnson (Brick). Este último, com as devidas ajudas, fez um trabalho exímio neste oitavo episódio, temos assim uma excelente realização. Claro que ele alterou algumas coisas que já estavam estabelecidas sobre os Jedi, mas enfim. O filme segue com os seus passos vagarosos bem do jeito de Rian Johnson, tudo graças a um argumento muito bem escrito, embora alterando algumas coisas escritas por Abrams. Os efeitos especiais e sonoros são excelentes, originando batalhas espaciais espectaculares, aliás, todo o visual do filme é uma delícia para os nossos olhos. A banda sonora, sempre a cargo de John Williams, é perfeita e é um deleite para os nossos ouvidos. A criação de mundos e de ambientes é perfeita. Tudo parece real e palpável. Adorei todas as criaturas, com destaque máximo para os porgs e para as raposas de cristal.

Tal como já disse, este oitavo episódio mostra novas facetas da Força e ainda bem que eles inovaram nesse sentido, já estava um pouco cansado de ver sempre o mesmo. O filme tem muitas personagens e quase todas têm o seu tempo, quase todas. É um filme sobre os Skywalker, sobre a Rey e sobre a eterna luta entre o bem e o mal, neste caso, entre a Resistência e a Primeira Ordem. O filme divide-se principalmente entre o arco de Rey, Luke e Kylo Ren e o arco que mostra a luta da Primeira Ordem contra a Resistência, e os dois acabam por convergir muito bem. Claro que a minha personagem preferida desta história é a Rey, ela é a alma desta trilogia e neste oitavo episódio podemos vê-la a tornar-se num jedi, para isso ajudou a excelente prestação da linda Daisy Ridley. Mark Hamill está excelente como Luke Skywalker, ele possui um personagem detentor de uma carga dramática bem acentuada, ele foi marcado por um passado sofredor e exilou-se com os seus próprios pensamentos. Embora custe a acreditar que o Luke da trilogia antiga seja o mesmo Luke que faz o que faz nesta nova história. Rey, Luke e Kylo Ren são os personagens mais interessantes deste filme, os três funcionam tão bem quer juntos, quer em arcos separados, aliás, o próprio filme trabalha muito bem os dramas pessoais de cada um destes três intervenientes. Além disso, ver Rey aos comandos da nave de Han Solo é um prazer, finalmente temos uma protagonista feminina em Star Wars.

Gostei da ilha onde Luke está exilado que é onde fica situado o Templo Jedi e gostei ainda de saber mais sobre o local e sobre os jedi. Infelizmente, esperava uma história mais complexa e mais dramática envolvendo o passado de Luke com Kylo Ren, foi tudo muito superficial, repito, o Luke do passado não é o mesmo do actual, a maneira de ser e de agir não condizem. Fiquei satisfeito por Rey não ter nenhuma ligação aos Skywalker, ela é usuária da Força simplesmente porque sim, a última cena do filme, com aquele menino, prova nitidamente que qualquer um pode ser usuário da Força. Neste filme é finalmente dito quem são os pais da Rey, a origem da miúda é assim finalmente revelada, eles eram pessoas simples que renegaram a filha. Eu acho a Rey uma personagem linda e perfeita e a única coisa que eu critico é que ela passa os dois filmes com o cabelo apanhado, eu adoraria vê-la neste filme com o cabelo totalmente solto, mostrando assim toda a feminidade e beleza da rapariga enquanto personagem. Existe ainda uma cena envolvendo Luke, R2-D2 e um holograma que é uma das melhores coisas do filme.

Gostei de ter revisto Leia novamente, eu adoro esta personagem e ela aqui tem um papel marcante, tendo cenas em que mostra que também é uma forte usuária da Força, embora eu ache a cena do espaço muito ridícula. Leia possui ainda uma sequência de pequenas cenas com Luke e eu confesso que gostei de ter visto o final dado à sua personagem, foi louvável não usarem a morte da actriz para darem um fim trágico à sua personagem. Luke e Leia têm cenas muito bonitas e ternurentas em determinada altura do filme. Kylo Ren continua indeciso neste oitavo episódio, uma hora ele protege Rey, outra hora quer matá-la, mas nos minutos finais ele revela a sua verdadeira índole e transforma-se no vilão desumano que Luke havia previsto. Kylo Ren é ainda um personagem bem complexo, ele quer ocupar o seu lugar no espaço, ele quer destruir os jedi, os sith, enfim o passado e o antigo, ele pretende instaurar o novo.

Não gostei de Finn nem de Rose, eles têm demasiado tempo em cena, partilham cenas bem ridículas e algumas desnecessárias, eles podiam ter morrido durante o filme que nada se perdia. Podiam ter colocado um membro da resistência a fazer aqueles procedimentos de maneira séria e sem palhaçadas. A Phasma e o Hux são outros personagens bem problemáticos, também podiam ter morrido no episódio 7 que não se perdia nada. O filme peca também pelo humor em demasia, em algumas situações de tensão certos personagens soltam uma piada que corta o clima e quase estraga a cena. Os estúdios têm que perceber que piadas e humor em momentos de tensão e aflição não funcionam. E depois temos Benicio Del Toro, eu detestei vê-lo neste universo, foi um erro metê-lo ali, um actor desconhecido a fazer o que ele fez, de certeza que causaria um melhor efeito. O filme possui imagens muito bonitas e planos fantásticos, a fotografia é magistral, volto a dizer, as batalhas espaciais e a batalha terrestre são fenomenais, posso mesmo dizer que a nível técnico, o filme roça a perfeição. Tem imensos twists, a maior parte deles são surpreendentes.

Tal como no episódio 7, este oitavo capítulo também funciona como uma carinhosa homenagem à saga clássica. Ambos os filmes têm várias referências aos episódios 4, 5 e 6. Gostei de voltar a ver o Yoda clássico e também gostaria que o Obi-Wan Kennobi fizesse uma aparição. Aliás, eu adorei todas as cenas passadas entre Luke e Yoda neste filme, são momentos muito bonitos e nostálgicos. BB-8 continua aceitável e gostaria que Chewbacca, R2-D2 e C-3PO tivessem mais tempo de antena. Existe uma sequência longa e empolgante cheia de cenas espectaculares envolvendo Rey, Kylo Ren, Snoke e os soldados do líder maléfico que pode bem ser a melhor parte do filme inteiro. Eu adorei o modo como Snoke morre, que espectáculo, foi uma morte que já veio muito tarde, o gajo já podia ter morrido no episódio 7. Temos uma batalha final no planeta do sal que, apesar de curta, está espectacular. As lutas de sabres de luz estão espantosas. Eu adorei todo o combate final entre Luke e a Primeira Ordem, e com o próprio Kylo Ren em específico, aquilo que vemos é colossal e poderoso, o irmão de Leia prova daquele jeito que é um verdadeiro mestre Jedi e momentos depois na ilha, ele faz o mesmo procedimento que Obi-Wan Kennobi e Yoda fizeram para se unir à Força. Luke cumpriu assim a sua missão, tornando-se numa lenda para as crianças da galáxia, tal como as últimas cenas o mostram.

Achei patética toda aquela relação súbita de telepatia entre Rey e Kylo Ren, mas depois foi muito bem explicado o porquê daquilo ter acontecido. No final do filme, Rey transforma-se na heroína da saga enquanto que Kylo Ren vira o verdadeiro e único vilão da história. Algumas passagens podem ter outras interpretações, algumas filosóficas ou mesmo oníricas e alegóricas. Gostava de ter tido mais algumas respostas, mas tudo bem. J. J. Abrams vai realizar o episódio 9, que encerrará esta trilogia, se se ficassem por este episódio 8, as coisas ficariam bem, mas eles é que sabem. Cá ficarei à espera do capítulo que fechará a história de Rey, até porque a própria Daisy Ridley já confirmou que depois do episódio 9, não fará mais nada ligado a este universo, só prova que a miúda tem juizo. Mas eu gosto imenso deste oitavo capítulo, tal como gosto imenso do episódio 7, dois excelentes filmes que são uma carinhosa, sincera e bonita homenagem aos episódios 4, 5 e 6. Este oitavo e novo filme tem um final muito bonito que nos apresenta uma boa conclusão para a história iniciada no sétimo filme. Um último reparo, eu amo a Rey enquanto personagem, os grandes estúdios deviam apostar mais em protagonistas femininas e mesmo em personagens femininas fortes nos seus filmes.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Lady Bird

Nome do Filme : “Lady Bird”
Titulo Inglês : “Lady Bird”
Titulo Português : “Lady Bird”
Ano : 2017
Duração : 94 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Greta Gerwig
Produção : Evelyn O'Neill/Scott Rudin/Eli Bush
Elenco : Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Beanie Feldstein, Odeya Rush, Timothee Chalamet, Lucas Hedges, Jordan Rodrigues, Laura Marano, Lois Smith, Stephen Henderson, Marielle Scott, Bayne Gibby, Andy Buckley, Kathryn Newton, Marietta DePrima, Daniel Zovatto, Kristen Cloke, Jake McDorman, Sabrina Schloss.

História : Quase a terminar o liceu, Christine McPherson – ou Lady Bird, como prefere ser chamada – mal pode esperar por entrar na faculdade, de preferência bem longe de Sacramento, a cidade de onde nunca saiu. A mãe, uma enfermeira incansável que se desdobra em empregos para pagar as despesas familiares, acha a ideia absurda e despropositada. A relação entre mãe e filha entra assim em crise.

Comentário : Depois de ver este filme que funciona quase como uma auto-biografia da própria realizadora, confesso ter gostado bastante do que vi. É um filme simples e com uma história simples, mas poderoso no conteúdo e nas mensagens que pretende passar. Escrito e realizado por uma mulher (excelente Greta Gerwig), o filme fala da adolescência e da vontade que os jovens têm de abandonar a casa dos pais, a tão desejada “hora de voar para fora do ninho”, a obtenção da liberdade e da independência. Quase todos os jovens passam por isto, logo, a Lady Bird do titulo representa esses adolescentes que querem ser livres. Detentor de um argumento dado a detalhes, o filme está muito bem filmado e montado, a directora teve um cuidado especial na hora de criar a sua primeira obra enquanto realizadora. E se Greta Gerwig já deu provas de que é uma boa actriz, com “Lady Bird” provou também que é boa atrás da camara. Ao acompanharem o quotidiano de Lady Bird, a maioria dos adolescentes podem até se rever em algumas das suas atitudes e situações. É um pequeno filme independente que fala da vida, de nos tornarmos adultos, da tal passagem da noite.

Saoirse Ronan é a grande protagonista, mais uma vez esta excelente actriz tem aqui uma prestação memorável, para além de estar convincente no seu papel, é dela a melhor personagem do filme. Laurie Metcalf vai muito bem no papel de mãe da protagonista, aliás, isso vai de encontro ao outro assunto do filme que é a complicada e complexa relação entre pais e filhos, as duas actrizes exemplificam isso muito bem. O Timothee Chalamet manda bem no seu papel secundário, mas eu queria ter visto mais do seu personagem. Nunca gostei do actor Lucas Hedges, como tal, também não gostei da interpretação dele aqui, penso que ele não é um bom actor. O Tracy Letts está bastante aceitável como pai e amigo da protagonista. A Beanie Feldstein compõe aqui a melhor amiga da protagonista e o faz muito bem, é fácil simpatizarmos com ela. A Odeya Rush imprime muito bem vida, beleza e sensualidade à sua personagem, aliás, isso não é dificil pois são características naturais da jovem actriz, eu amei a sua Jenna. Por último, vale dizer que gostei imenso do personagem de Stephen Henderson, ele é simplesmente adorável. Gostei bastante deste filme, fez-me pensar no passado. 

domingo, 4 de março de 2018

Polina

Nome do Filme : “Polina, Danser Sa Vie”
Titulo Inglês : “Polina”
Titulo Português : “Polina”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Valerie Muller/Angelin Preljocaj
Produção : Maxim Ajjawi/Gaelle Bayssiere/Didier Creste/Wim Goossens
Elenco : Juliette Binoche, Anastasia Shevtsova, Veronika Zhovnytska, Oriana Jimenez, Kseniya Kutepova, Aleksey Guskov, Niels Schneider, Miglen Mirtchev, Jeremie Belingard, Sergio Diaz, Gennadiy Fomin, Elef Zack, Hans Peter Dahl, Valentin Patry, Virginie Caussin, Jean Charles Dumay, Baptiste Coissieu, Lisa Le Meur, Thea Ratledge, Oxane Divaret, Liza Paturel.

História : Desde muito pequena que o objectivo de Polina é tornar-se primeira bailarina no reputado Teatro Bolshoi, em Moscovo. Mas ao crescer afasta-se desse caminho por causa da pressão que os pais depositam nela e por descobrir a dança contemporânea, acabando por se mudar para França para seguir um rumo muito diferente.

Comentário : Na noite passada, vi este filme francês que me agradou bastante. É um filme sobre dança e sobre como complicada se pode tornar a vida de alguém. Neste caso, seguimos a trajectória de uma jovem cuja vida segue um caminho diferente daquele que supostamente estava traçado para ela. De facto, a história é boa e segue-se com bastante interesse o evoluir da narrativa, bem como o desenrolar dos acontecimentos, ficamos sempre na expectativa daquilo que irá suceder a seguir. O filme é realizado a quatro mãos e embora alguns enquadramentos não sejam muito felizes, ainda assim, está tudo muito bem filmado. Sempre que a protagonista dançava, eu entrava numa espécie de transe e deixava-me levar pela beleza da jovem actriz, pela sensualidade dos seus movimentos e pela excelente forma como ela executava os seus números de dança contemporânea. Não sei se ela é mesmo bailarina na vida real, mas não me admirava nada se o fosse. Anastasia Shevtsova, é este o nome dessa linda jovem, e ela convenceu-me no seu papel, a miúda consegue passar na perfeição a imagem e a evolução da sua Polina. Juliette Binoche está mais uma vez excelente, mas eu já vi muito melhor da parte dela em outros registos. No elenco masculino, Aleksey Guskov, Niels Schneider e Jeremie Belingard vão bem, mas eu preferi o personagem do último. Aliás, este e a nossa protagonista são os responsáveis pelo excelente número de dança que encerra o filme que, diga-se de passagem, é a melhor sequência do filme inteiro. É um filme muito simples que nos encanta pela sua beleza e pelo profissionalismo e angelicalidade da linda Anastasia Shevtsova. 

Novitiate

Nome do Filme : “Novitiate”
Titulo Inglês : “Novitiate”
Titulo Português : “Noviciado”
Ano : 2017
Duração : 124 minutos
Género : Drama
Realização : Margaret Betts
Produção : Carole Peterman/Celine Rattray/Trudie Styler
Elenco : Melissa Leo, Liana Liberato, Margaret Qualley, Morgan Saylor, Dianna Agron, Julianne Nicholson, Eline Powell, Maddie Hasson, Ashley Bell, Rebecca Dayan, Chelsea Lopez, Lacy Hartselle, Chris Zylka, Denis O'Hare, Marco St. John, Marshall Chapman, Lisa Stewart, Adele Marie Pomerenke, Sasha Mason, Neva Swiney, Hannah Renee Jackson, Angela Fox, Rachel Mae Moore.

História : A jornada de uma adolescente que decide se tornar freira na década de 1960, numa altura em que a Igreja Católica estabelecia novas regras para a sua instituição.

Comentário : Confesso que há bastante tempo que eu andava para ver este filme. Não fiquei nada desiludido, pelo contrário, foi um filme que me deixou bastante satisfeito. A fita aborda não só a jornada de várias raparigas para se tornarem freiras com foco numa em específico, como também fala das inovações a que a Igreja Católica foi sujeita no decorrer da década de 1960. A realizadora conseguiu articular muito bem a ficção com a componente histórica e o resultado é um filme coeso e consistente, detentor de boas interpretações e que conseguiu o seu grande objectivo : mostrar algo que aconteceu da forma como aconteceu. Gostei da história e achei o argumento bastante aceitável. O filme mostra também como funcionava a mentalidade da maioria das pessoas daquela altura, principalmente das freiras superioras, aquelas que estavam muito enraizadas na religião e que não toleravam mudanças. Nesse aspecto, a excelente actriz Melissa Leo tem aqui a melhor prestação do longa, ela imprimiu à sua personagem, a rigidez e a altivez certas que o seu papel exigia. Existe uma sequência que a envolve a ela e a uma noviça que é bastante aflitiva, é quase uma tortura. Margaret Qualley, Liana Liberato e Morgan Saylor desempenham as três noviças principais e possuem interpretações bastante aceitáveis. Gostei muito de ver estas adolescentes vestidas de freiras, por acaso até lhes fica bem, embora eu prefira vê-las com roupas normais, claramente. No fundo, é um bom filme que funciona principalmente devido às prestações das miúdas e a uma realização feminina bastante competente. 


sexta-feira, 2 de março de 2018

On Body And Soul

Nome do Filme : “Testrol Es Lelekrol”
Titulo Inglês : “On Body And Soul”
Titulo Português : “Corpo e Alma”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Ildiko Enyedi
Produção : Andras Muhi/Monica Mecs/Erno Mesterhazy
Elenco : Geza Morcsanyi, Alexandra Borbely, Ervin Nagy, Zoltan Schneider, Reka Tenki, Julia Nyako, Itala Bekes, Tamas Jordan, Zsuzsa Jaro, Eva Bata, Zsofi Bodi, Hanna Csata, Attila Fritz, Abel Galambos, Nora Rainer Micsinyei, Rozi Szekely.

História : Maria e Endre trabalham num matadouro em Budapeste. Ele é director financeiro; ela é inspectora de qualidade. São ambos pessoas tímidas e reservadas. Todas as noites eles têm o mesmo sonho : são um casal de cervos apaixonado que se encontra numa floresta coberta de neve. Ao descobrir que partilham a mesma fantasia, ficam perturbados mas tentam descobrir o motivo.

Comentário : Da Hungria, chega-nos este filme bastante peculiar que é um dos cinco candidatos ao óscar de melhor filme estrangeiro. E o filme é bom. A realizadora fez uma fita coesa onde nos apresenta duas pessoas bem invulgares, sendo que a personagem feminina é bem mais estranha do que a masculina, mas ambas são bem peculiares. Na realidade, a personagem feminina principal assemelha-se quase a uma alienígena, devido ao seu comportamento estranho que se mantém durante quase todo o filme. No entanto, eu gostei bastante da sua personagem e Alexandra Borbely, a actriz que lhe dá corpo, teve não só a melhor prestação do longa como também tem uma presença muito forte. Já Geza Morcsanyi tem aqui uma interpretação bem contida, ainda que seja o melhor desempenho masculino de todo o elenco. E eu tenho que confessar que gostei bastante da personagem da actriz Reka Tenki, é alguém que trouxe vigor e sensualidade à narrativa. O filme possui duas situações bem gráficas e eu talvez não o aconselharia a pessoas sensíveis, embora tenha também que dizer que, dessas duas situações, numa delas existe uma cena que é totalmente desnecessária e que não acrescenta nada ao que está a ser contado. Uma das cenas de sexo não foi filmada da melhor maneira, apesar de nos dar uma excelente perspectiva da mulher envolvida. As cenas que decorrem na floresta coberta de neve e que envolvem o casal de cervos estão verdadeiramente deslumbrantes e são uma delícia para os olhos. Gostei da canção que Maria escolheu para ser o seu tema. Por último, tenho que dizer que não gostei muito do final dado às personagens de Maria e Endre.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Mom And Dad

Nome do Filme : “Mom And Dad”
Titulo Inglês : “Mom And Dad”
Ano : 2017
Duração : 86 minutos
Género : Terror/Thriller/Suspense
Realização : Brian Taylor
Produção : Tim Zajaros/Christopher Lemole
Elenco : Nicolas Cage, Selma Blair, Anne Winters, Zackary Arthur, Olivia Crocicchia, Robert Cunningham, Lance Henriksen, Marilyn Dodds Frank, Samantha Lemole, Rachel Melvin, Bobby Richards, Sharon Gee, Edwin Lee Gibson, Brionne Davis, Mehmet Oz, Grant Morrison, Joseph Reitman, Adin Alexa Steckler, Jennifer Roopenian, Sheri Carbone, Angela Weathers, Cassidy Slaughter Mason.

História : Carly e Josh são dois irmãos que vivem com os pais num bairro calmo. Um dia, todos os pais e mães têm um surto e enlouquecem, tendo como único objectivo : matar seus filhos. Agora, Carly e Josh têm que lutar pela sobrevivência a todo o custo.

Comentário : No campo da sétima arte, a vida do actor Nicolas Cage anda pelas ruas da amargura e ainda não é com este filme que ele dá a volta por cima e regressa à boa forma cinéfila. Vi este pequeno filme de terror na semana passada e confesso que esperava bem mais dele, ainda assim não chegou para ter sido uma desilusão. O filme até tem uma premissa interessante : imaginem que um dia, por qualquer motivo, os homens e as mulheres que são pais e mães, enlouqueciam e passavam a querer assassinar os seus próprios filhos, assim, sem mais nem menos e de uma hora para a outra. Pois é, é isso que vemos neste filme quase independente, onde Nicolas Cage e Selma Blair desempenham os pais de uma adolescente muito bonita e sensual e de um menino bem pacífico. O realizador trabalha bem as componentes de terror e thriller e o resultado é algo bem consistente no que ao desenrolar da ação diz respeito. Infelizmente, temos mais do mesmo, onde abundam os clichés próprios do género e algumas situações bem previsíveis, para além de existirem umas poucas cenas que mereciam uma melhor explicação. Ainda assim, Nicolas Cage está minimamente aceitável, embora se tivesse notado que o actor podia ter dado mais de si e que não tivesse sido tão caricato. A Selma Blair está razoável, ela entrega bem o papel de uma mãe afectada por algo que é superior a ela. E Anne Winters possui a melhor prestação e presença do filme, quando a sua Carly passa a ser a protectora do irmão, então temos mesmo a melhor e mais interessante personagem da fita. Um filme que funciona basicamente pelos seus momentos de tensão e pela presença de Anne Winters.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

The Shape Of Water

Nome do Filme : “The Shape Of Water”
Titulo Inglês : “The Shape Of Water”
Titulo Português : “A Forma da Água”
Ano : 2017
Duração : 123 minutos
Género : Drama/Aventura/Romance/Thriller
Realização : Guillermo Del Toro
Produção : Guillermo Del Toro
Elenco : Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy, Nigel Bennett, Stewart Arnott, Martin Roach, Lauren Lee Smith, Madison Ferguson, Jayden Greig, Allegra Fulton, John Kapelos, Morgan Kelly, Deney Forrest, Brandon McKnight.

História : No início da década de 1960, Elisa Esposito é uma mulher muda que trabalha como empregada de limpeza num laboratório de segurança máxima em Baltimore, nos Estados Unidos. A sua vida altera-se quando ali chega um humanóide anfíbio capturado nas águas da Amazónia que é mantido em cativeiro e usado em vários testes laboratoriais. Com o passar do tempo, Elisa começa a afeiçoar-se a ele e entre os dois surge o amor.

Comentário : Este filme é o exemplo claro de quando nós depositamos uma enorme expectativa em algo, para depois chegarmos à conclusão que as coisas afinal não eram assim tão grandiosas. Se eu dissesse que fiquei desiludido com este filme, estava a mentir. Eu gostei bastante do que vi, o novo filme de Guillermo Del Toro é um romance em fórmula de fábula. O filme possui uma exímia fotografia dominada pelo azul e pelo verde, onde o director faz um excelente uso das cores para ajudar a contar e a mostrar a sua história. Apesar da banda sonora ser boa, o filme tem um número musical que eu não gostei. O realizador destaca as minorias, onde os personagens principais são quase todos vítimas de discriminação. A protagonista é olhada de lado por ser muda e mulher da limpeza; o vizinho dela é rejeitado por ser homossexual; a colega de trabalho é vista como inferior por ser negra e a criatura é tratada como uma coisa porque é diferente de tudo aquilo que o olho humano já vira. Estes quatro personagens funcionam assim como uma espécie de personagem único que representa por si só a discriminação.

Apesar de a nível técnico o filme estar impecável, os efeitos especiais estão apenas aceitáveis, eles nunca deslumbram. A Sally Hawkins tem a melhor prestação do filme, ela diz muito e transmite imensas emoções só com o rosto e as mãos, tudo sem nunca pronunciar uma única palavra. O Michael Shannon vai bem no seu papel de nojento odioso, ele é a representação do homem enquanto ser masculino, ele é o verdadeiro monstro do filme. Não gostei da personagem da Octavia Spencer, aqui é ela novamente no mesmo papel de sempre. O Doug Jones está perfeito no papel da criatura, está bastante credível. O filme tem muitos clichés, muita coisa é previsível aqui, algumas situações não fazem muito sentido e umas poucas eram desnecessárias. É um filme muito violento, mas essa violência é aqui necessária para mostrar que o homem é cruel por natureza, que o homem não respeita aquilo que é diferente e muitas das vezes prefere destruir, explorar e tirar proveito em vez de compreender e aceitar. O filme possui referências a outras obras do realizador e funciona ainda como uma bonita homenagem à sétima arte. É um bom filme e eu gostei dele, mas tenho que confessar que estão a atribuir-lhe demasiado valor e ênfase.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A Fantastic Woman

Nome do Filme : “Una Mujer Fantastica”
Titulo Inglês : “A Fantastic Woman”
Titulo Português : “Uma Mulher Fantástica”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Sebastian Lelio
Produção : Sebastian Lelio/Pablo Larrain
Elenco : Daniela Vega, Francisco Reyes, Aline Kuppenheim, Luis Gnecco, Amparo Noguera, Nicolas Saavedra, Trinidad Gonzalez, Nestor Cantillana, Antonia Zegers, Alejandro Goic, Sergio Hernandez, Roberto Farias, Cristian Chaparro, Diana Cassis, Eduardo Paxeco, Paola Lattus, Felipe Zambrano, Erto Pantoja, Fabiola Zamora, Pablo Cerda, Barbara Mundt, Veronica Garcia Huidobro, Paulina Hunt, Hugo Moraga, Marcial Tagle, Loreto Leonvendagar, José Antonio Raffo, Pablo Greene, Alonso Torres, Moises Angulo, Senen Selim, Francisco Gonzalez, Diabla.

História : Marina Vidal é uma jovem trangénero aspirante a cantora. Certo dia conhece Orlando, um homem bastante mais velho, por quem se apaixona. Os dois amam-se profundamente e são felizes. Mas quando Orlando morre repentinamente, Marina vê-se obrigada a enfrentar a família dele, que nunca reconheceu aquela relação e que é incapaz de aceitar a rapariga.

Comentário : Este filme foi quase como se eu tivesse levado um murro no estômago, que grande filme. É sem dúvidas, um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos. Através desta obra, nós confirmamos que o ser humano é muito cruel e não respeita quem é diferente. Existem aqui cenas que nos deixam a pensar, temos planos bem interessantes, imagens que são usadas exclusivamente para destacar a protagonista. E digo mais, para aquilo que é, ela é muito mais mulher do que muitas que andam por aí. Só o facto de ela ter aceitado se expor daquela maneira, ela simplesmente deixou-se humilhar e apesar de ter servido um propósito, não havia necessidade. Ainda nessa sequência, o realizador podia ter optado por ir mais longe e tenho a certeza que grande parte das pessoas que viu o filme estava a desejar isso, mas ainda bem que não aconteceu, em vez disso, o director vira a camara e deixa-nos a supor e a imaginar o que aconteceu. Não é filme para todos os públicos, o seu ritmo lento não irá agradar a grande parte de quem o for ver, mas para quem gosta de cinema a sério, este filme é um prato cheio. É incrível como, na vida real, existem pessoas que sofrem bastante com o preconceito e que não são respeitadas por serem diferentes. A Daniela Vega é a grande estrela da fita, ela carrega o filme todo nos ombros, para além de se expor mais do que o necessário, ela possui uma excelente prestação e dá uma mulher bastante aceitável, a actriz convence com a sua personagem, só lhe faltam as curvas. Existe uma sequência musical numa discoteca que eu não gostei, penso que era desnecessária. A cadela é muito bonita. Todo o elenco de secundários está de parabéns, estiveram à altura do desafio. A sequência final é linda. Um filme que todo o verdadeiro amante da sétima arte devia ver. 

A Woman's Life

Nome do Filme : “Une Vie”
Titulo Inglês : “A Woman's Life”
Titulo Português : “A Vida de Uma Mulher”
Ano : 2016
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Stephane Brize
Produção : Milena Poylo/Gilles Sacuto
Elenco : Judith Chemla, Jean Pierre Darroussin, Yolande Moreau, Nina Meurisse, Swann Arlaud, Olivier Perrier, Clotilde Hesme, Alain Beigel, Finnegan Oldfield, Lucette Beudin, Jerome Lanne, Melie Deneuve, Lise Lametrie, Sarah Durand, Henri Hucheloup, Remi Bontemps, Martin de Mondaye, Jean François Jonval.

História : Jeanne, uma jovem mulher, regressa a casa dos pais após concluir os estudos num convento. Com uma existência limitada à vida em clausura e a cabeça cheia de sonhos, ela tem uma visão pueril e romanceada sobre as relações humanas. Nada preparada para a vida adulta, aceita casar-se com Julien de Lamare, por quem se apaixona e com quem espera viver uma grande história de amor. Contudo, após o casamento, ele revela-se distante, avarento, machista e infiel.

Comentário : O título desta obra é exactamente aquilo que o filme mostra ao longo de quase duas horas, ele conta a história de uma mulher desde o momento em que ela regressa a casa e fica noiva até, décadas depois, quando ela acaba na falência, sozinha e com a neta nos braços. Não vou mentir, é um filme muito triste e deprimente, em tirando os primeiros cerca de quinze minutos, a nossa protagonista passa o resto do filme sempre em sofrimento, devido às constantes desilusões que vai tendo. A nível visual, é tudo muito bonito, a ação do filme decorre totalmente no campo e isso permite-nos ter cenas muito belas. No entanto, os interiores também são muito bem filmados. Existe uma sequência que decorre à noite que está muito mal conseguida. Além disso, nota-se perfeitamente que é uma fita de baixo orçamento.

Trata-se de um filme de época e a realização realça muito bem a maneira de agir das pessoas daquele tempo, bem como a forma deles verem as coisas, quase nada é deixado ao acaso aqui. As cenas em que a protagonista está triste e deprimida são cruzadas com imagens de alturas do passado em que ela foi feliz. A Judith Chemla está muito bem neste filme, além de possuir a melhor prestação do longa, a actriz consegue transmitir na perfeição o peso do sofrimento que ela acumulou ao longo de décadas, ela é uma mulher profundamente marcada pelo desgosto e pelas amarguras. O actor que desempenha o marido dela passa na perfeição a imagem da maioria dos homens casados daquela época, em que ao principio corre tudo muito bem, mas a partir de certa altura, transformam as vidas das esposas num verdadeiro inferno. Yolande Moreau e Nina Meurisse dão excelentes personagens secundárias, elas são um bom apoio à protagonista. No fundo, é um bom filme de época.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Lover For A Day

Nome do Filme : “L'Amant D'un Jour”
Titulo Inglês : “Lover For A Day”
Titulo Português : “O Amante de Um Dia”
Ano : 2017
Duração : 76 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Philippe Garrel
Produção : Said Ben Said/Michel Merkt
Elenco : Eric Caravaca, Louise Chevillotte, Esther Garrel, Paul Toucang, Felix Kysyl, Nicolas Bridet, Marie Sergeant, Justine Bachelet, Laetitia Spigarelli.

História : Gilles, professor de filosofia, namora e vive com uma das suas alunas, Ariane. Tudo vai bem até ao dia em que a filha de Gilles, Jeanne, da mesma idade de Arianne, vai morar com eles após acabar a relação amorosa em que estava.

Comentário : Antes de mais, quero dizer que gosto do papel que a família Garrel desempenha no cinema, e no caso de Philippe, ele é um dos melhores realizadores a trabalhar em França. Sendo eu um grande apreciador de cinema europeu e mesmo já tendo visto alguns filmes de Philippe Garrel, fui para este filme com uma enorme expectativa, afinal, ultimamente, os seus filmes são quase todos bons. E as suspeitas confirmaram-se, estamos perante mais um grande filme do realizador. Mais uma vez, ele oferece-nos um filme a preto e branco, eu confesso que gosto tanto dos filmes dele, quer sejam a cores ou a preto e branco e aqui, a fotografia das suas obras é sempre de qualidade. O realizador sentiu-se mais uma vez à vontade para nos contar a sua nova história e novamente nos faculta uma narrativa que envolve algumas emoções humanas. O amor, a traição, o conforto de uma relação estável, a dor da perda, o fim de uma relação, as carências afectivas, a necessidade de termos ou não um companheiro amoroso, a irrelevância da diferença de idades ou a amizade. Enfim, estes e outros temas, são todos muito bem trabalhados e desenvolvidos pelo cineasta que quase transforma o seu filme num cocktail de emoções.

Eric Caravaca vai bem no papel do homem de quarenta anos, divorciado e que mantém um caso amoroso com uma rapariga que podia ser sua filha, a interpretação do actor é boa, ele transmite muito bem a insegurança própria de alguém no seu lugar, ou seja, a qualquer momento, ele está sujeito que a sua menina o traia com um rapaz da idade dela. A Louise Chevillotte representa muito bem a rapariga extrovertida e cheia de vida, que acha que pode tudo e que é livre, só porque namora e vive com um homem vivido que tudo fará para a proteger e estimar e que jamais a deixará. Esther Garrel, por seu turno, tem também uma interpretação bastante consistente, ela convence na figura da rapariga que foi abandonada pelo namorado e que está a sofrer esse desgosto. De frisar também que as duas actrizes funcionam bem juntas, possuem uma boa química. As cenas de sexo estão bem filmadas e a cuidada banda sonora nos embala devidamente neste curioso triângulo quase familiar. Vale lembrar que Esther Garrel é neta do actor Maurice Garrel, é filha do realizador Philippe Garrel e é irmã do famoso actor Louis Garrel. Com “O Amante de Um Dia”, Philippe Garrel completa assim a sua chamada “trilogia do amor”, iniciada em 2013 com “Ciúme” e continuada dois anos depois com “À Sombras das Mulheres”. Ficarei à espera do seu próximo filme.

Churchill

Nome do Filme : “Churchill”
Titulo Inglês : “Churchill”
Titulo Português : “Churchill”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Jonathan Teplitzky
Produção : Claudia Bluemhuber/Nick Taussig/Piers Tempest/Paul Van Carter
Elenco : Brian Cox, Miranda Richardson, Ella Purnell, John Slattery, Julian Wadham, Richard Durden, James Purefoy, Danny Webb, Jonathan Aris, George Anton, Steven Cree, Peter Ormond, Kevin Findlay, Miro Teplitzky, Angela Costello, Penny Sharp.

História : Às vésperas da Operação Overlord, quando tropas aliadas desembarcaram na Normandia para enfrentar os nazis, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill batalha para que a ação militar seja cancelada.

Comentário : No mesmo ano, tivemos dois filmes sobre Winston Churchill e dois actores a representá-lo : Brian Cox e Gary Oldman. Como já vi os dois filmes, sou livre para fazer comparações, mas não o farei e apenas me limitarei ao básico, tudo porque cada filme é único e além do mais, as duas fitas, apesar de falarem do mesmo homem e de terem algumas semelhanças, abordam períodos diferentes. Agora, se me perguntarem de qual eu mais gostei, respondo claramente que gostei dos dois, mas prefiro o filme de Joe Wright. Enquanto que “Darkest Hour” abordava o período em que Winston Churchill estava no começo do seu mandato como primeiro-ministro britânico, este “Churchill” passa-se cerca de quatro anos depois, já quando a guerra estava quase a terminar. O que têm em comum, bom, em ambos os filmes, Winston Churchill é visto como alguém firme nas suas convicções e determinado em impedir um massacre envolvendo jovens soldados. Em resumo, os dois filmes apresentam Winston Churchill como sendo um homem da paz. No entanto, isto é a imagem que estes dois filmes pintam dele, porque um amigo meu já me disse que se os americanos não viessem ajudá-los, a coisa dava para o torto e Churchill passava a ser conhecido como um dos piores britânicos de sempre em vez de um dos melhores como é actualmente interpretado, e tudo isto com consequências drásticas e dramáticas para a Europa. Esse meu amigo até foi mais longe e disse que se aquela guerra fosse ganha pelos alemães, hoje em dia estaríamos todos a falar alemão como língua dominante. Este filme protagonizado por Brian Cox é mais curto do que deveria, ainda assim a nível técnico, está muito bem conseguido.

A direcção de atores é muito boa, sendo a realização apenas razoável, nota-se claramente que não se trata de uma grande produção. Como eu já disse, a nível técnico, o filme está muito bom. O guarda roupa está impecável, a fotografia dá-nos uma ideia de como eram os ambientes naquela época, a banda sonora é agradável e temos bons planos. O Brian Cox está excelente neste papel, ele convence com a sua maneira de andar pesada e lenta, a maquilhagem que ele carrega faz dele um Churchill marcado pelo quotidiano, além do mais, ele interpreta muito bem o papel. A Miranda Richardson está impecável como esposa de Churchill, ela diz ao marido aquilo que ele precisa de ouvir mas não quer ouvir, a actriz mostra com a sua interpretação que é uma mulher cansada da vida de casada, mas ainda assim, ama o marido. A Ella Purnell vai bem no papel de secretária pessoal de Winston Churchill, a miúda é muito bonita e teve uma boa prestação, as roupas de época ficam-lhe muito bem, além disso, a sua personagem partilha com Churchill uma das sequências mais dramáticas e fortes do filme. E o John Slattery cumpre bem o papel de militar altivo e insensível, disposto a sacrificar centenas de jovens soldados em nome de uma causa, em nome de uma guerra inútil. No fundo, trata-se de um bom filme biográfico que, tal como “Darkest Hour”, prova que a Guerra é inútil, mata inocentes, serve os grandes interesses e alimenta os poderosos. 


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

The Disaster Artist

Nome do Filme : “The Disaster Artist”
Titulo Inglês : “The Disaster Artist”
Titulo Português : “Um Desastre de Artista”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Biográfico/Comédia
Realização : James Franco
Produção : James Franco
Elenco : James Franco, Dave Franco, Seth Rogen, Alison Brie, Ari Graynor, Jacki Weaver, Paul Scheer, Josh Hutcherson, Zac Efron, June Diane Raphael, Megan Mullally, Andrew Santino, Jason Mantzoukas, Nathan Fielder, Joe Mande, Sharon Stone, Melanie Griffith, John Early, Charlyne Yi, Megan Ferguson, Kelly Oxford, Tommy Wiseau.

História : Um aspirante a actor e o seu estranho amigo decidem fazer um filme que, pelos piores motivos, se tornou num grande sucesso e viria a transformar-se numa obra de culto.

Comentário : Em 2003, “The Room”, um filme realizado, protagonizado, escrito, produzido e financiado por Tommy Wiseau, um misterioso homem que alegava ser americano, estreou-se em apenas duas salas de cinema de Los Angeles. Foi um enorme desastre de bilheteira. Mas tornou-se num filme de culto, com sessões especiais regulares que continuam até hoje. E tudo pela forma incompetente e incoerente como o filme foi feito. O realizador James Franco faz assim um filme biográfico onde mostra o trabalho de Tommy Wiseau, um homem desconhecido, cuja idade, família e origem são igualmente desconhecidas e onde se desconhece onde ele arranjou todo aquele dinheiro para produzir e realizar “The Room”. Franco interpreta assim o próprio Wiseau, enquanto o seu irmão, Dave Franco desempenha o seu amigo, Greg Sestero. Eu confesso que não vi o tal filme que é considerado como um dos piores filmes da história do cinema. Ainda assim, ri algumas vezes durante este filme de James Franco, tudo porque este está idêntico ao Tommy Wiseau, até no detalhe do olho. Dave Franco está apenas razoável. Ainda assim, tenho que dizer que os dois possuem uma boa química enquanto personagens, eles funcionam muito bem juntos, mesmo nos momentos em que discutem. Eu adorei ver os manos Franco trabalharem juntos, muito sinceramente. Na minha opinião, James Franco é um bom profissional e eu gosto imenso do seu trabalho, seja como actor ou como realizador e estou-me nas tintas para aquilo que dizem dele. E digo mais, depois de ver este seu novo filme, fiquei com vontade de ver “The Room”, talvez um dia lhe dê atenção. James Franco consegue assim a segunda melhor interpretação da sua carreira e foi injusto não o terem nomeado este ano para melhor actor nos oscars. 

God's Own Country

Nome do Filme : “God's Own Country”
Titulo Inglês : “God's Own Country”
Ano : 2017
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Francis Lee
Produção : Manon Ardisson/Jack Tarling
Elenco : Josh O'Connor, Alec Secareanu, Gemma Jones, Ian Hart, Melanie Kilburn, Sarah White, Patsy Ferran, Liam Thomas, Naveed Choudhry, Harry Lister Smith.

História : Um jovem chamado Johnny Saxby ajuda os pais na quinta da família, mas ele esconde um segredo. Quando o pai adoece, é chamado à propriedade para trabalhar como interno um jovem chamado Gheorghe. Quando menos espera e graças a Gheorghe, Johnny Saxby vê o seu segredo vir à tona.

Comentário : Quaisquer semelhanças entre este filme e a obra “Brokeback Mountain” é pura coincidência. Na verdade, os dois filmes são muito parecidos, mas este que venho agora aqui analisar soma pontos porque os protagonistas são atores desconhecidos do grande público, o que torna tudo mais real. Apesar de não me agradar muito este tipo de situação, eu respeito este tipo de relação e gostei de ver este filme, afinal, o meu tipo preferido de filmes, são aqueles que mostram as relações humanas. E sobre esse aspecto, este filme faz isso na perfeição. O realizador trabalha e desenvolve muito bem a relação dos dois rapazes e transforma-os em dois personagens cheios de camadas. Existe uma boa dinâmica entre Josh O'Connor e Alec Secareanu, os actores são bons e graças às suas prestações, ofereceram-nos dois personagens muito humanos e credíveis, eu importei-me realmente por eles e fiquei a torcer para que ficassem juntos. Adornado de imagens muito bonitas e de outras um pouco desnecessárias, o filme soma pontos também no que ao argumento diz respeito, já para não falar na qualidade da fotografia que é praticamente exímia. Por me causarem impressão, não gostei nada das cenas dos nascimentos das cabras e das ovelhas nem dos exames que os protagonistas faziam aos animais. Existe aqui uma cena muito bonita e bastante emotiva que decorre numa banheira e que envolve o personagem principal e o seu pai já muito doente. Claro que se isto fosse uma história de amor heterossexual ou lésbica, eu iria gostar muito mais, mas é o que temos, o resultado final é positivo. 

Rodin

Nome do Filme : “Rodin”
Titulo Inglês : “Rodin”
Titulo Português : “Rodin”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Jacques Doillon
Produção : Kristina Larsen
Elenco : Vincent Lindon, Izia Higelin, Severine Caneele, Pauline Cousty, Louise Le Pape, Nia Acosta, Guylene Pean, Lea Jackson, Morgane de Vargas, Cendrine Gourbin, Patricia Mazuy, Magdalena Malina, Olivia Baes, Svetlana Semusheva, Cleo Senia, Bernard Verley, Anders Danielsen Lie, Laurent Poitrenaux, Arthur Nauzyciel, Olivier Cadiot, Pascal Casanova, Edouard Duthuille, Anthony Bajon, Maxence Tual.

História : A vida e a obra de Auguste Rodin e a sua relação com a artista Camille Claudel.

Comentário : Confesso que me estou a borrifar para as criticas muito negativas que este filme auferiu, porque eu adorei esta fita, a todos os níveis. É um filme calmo e reflectivo, que segue a um ritmo lento mas nunca secante, com imagens contemplativas e muito bonitas, certamente não é um filme para todos os públicos. Passadas duas horas do seu começo, eu vibrava de satisfação por ter “conhecido” um artista do qual eu não sabia nada, nem escultor famoso eu sabia que ele tinha sido. O filme funciona também como sendo um folheto visual e informativo sobre a vida de um homem muito peculiar e que nos facultou obras que ainda hoje são admiradas, as cenas que encerram o filme provam isso. É caso para dizer : Vai-se o homem, fica a sua obra. O filme foca também as mulheres na vida de Rodin, com principal incidência para Rose e para a sua eterna amada Camille Claudel, também ela artista, os dois eram excelentes escultores, o filme mostra e fala disso também.

E se como protagonista, Vincent Lindon tem uma das melhores prestações da sua carreira, também Izia Higelin consegue o mesmo feito, além de muito bonita e sensual, a actriz convence totalmente no papel da artista que fez Rodin suspirar de amor. O filme mostra também que Rodin não sabia muito bem lidar com as mulheres, apesar de ter grande sucesso junto delas, na arte, na amizade e no amor. Para Rodin, era difícil assumir os filhos que ia fazendo nas mulheres com quem tinha relações, mas era muito fácil tomar as suas obras como se de descendentes seus se tratassem. A fita dá-nos várias referências a outros artistas da época e fora dela. Temos muitas imagens de mulheres nuas, mas tudo aqui é levado para o lado artístico. Gosto muito dos filmes deste realizador e gostei mais ainda da maneira como ele nos apresentou as suas versões de Auguste Rodin e de Camille Claudel.

Molly's Game

Nome do Filme : “Molly's Game”
Titulo Inglês : “Molly's Game”
Titulo Português : “Jogo da Alta-Roda”
Ano : 2017
Duração : 140 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama
Realização : Aaron Sorkin
Produção : Amy Pascal/Matt Jackson/Mark Gordon
Elenco : Jessica Chastain, Kevin Costner, Idris Elba, Jeremy Strong, Michael Cera, Chris O'Dowd, J. C. Mackenzie, Bill Camp, Graham Greene, Brian d'Arcy James, Justin Kirk, Angela Gots, Natalie Krill, Stephanie Herfield, Madison McKinley, Claire Rankin, Whitney Peak, Khalid Klein, Matthew Matteo, Jacob Blair, Chris Boyle, Duane Murray, Jeff Kassel, Jason Weinberg, Rachel Skarsten, Moti Yona, Piper Howell, Samantha Isler.

História : No início dos anos 2000, Molly Bloom gere, entre Los Angeles e Nova Iorque, um importante jogo de póquer com apostas altas, em que participa um grupo altamente exclusivo de celebridades de Hollywood, do mundo do desporto, dos negócios e até da máfia russa. Quase dez anos depois, é apanhada pelo FBI e tenta defender-se.

Comentário : Aqui está um filme que, quando eu comecei a vê-lo, não dava nada por ele, mas com a continuação e apesar de lá pelo meio as coisas terem ficado chatas, acabei por gostar do que vi e não me arrependo nada de o ter visto. Trata-se de um filme biográfico, logo aí, Aaron Sorkin teve de ter cuidado para não passar para a tela nenhuma informação que comprometesse os visados. De facto, este estreante realizador saiu-se muito bem neste seu primeiro trabalho, escolhendo a história real de uma mulher extremamente inteligente que fugiu do caminho que era suposto trilhar e tomou uma direção que podia até conduzi-la à morte, afinal ela andava envolvida com peixe graúdo, gente criminosa ao mais alto nível. Gostei muito de ter ficado a saber desta história. Tal como disse, o filme é chato em algumas partes, por exemplo, nas sequências em que eles estão a jogar, mas tudo é devidamente compensado com os poderosos diálogos dos dois personagens principais, com a melhor sequência da fita a envolver uma conversa comovente e poderosa entre pai e filha que nos deixa boquiabertos.

A Jessica Chastain está perfeita neste filme, a sua personagem é complexa, inteligente e cativante, apesar do que ela faz ser condenável, nós acabamos por estar sempre do seu lado e isso deve-se também ao carisma da actriz. O Idris Elba tem aqui possivelmente a personagem em que eu mais gostei de vê-lo, é da boca dele que saem os melhores diálogos proferidos nesta fita, já para não falar que o actor tem uma forte presença no ecrã, para além de ser dele um discurso com dois investigadores que me deixou sem fôlego. E a química entre Chastain e Elba funciona na perfeição, os dois foram as escolhas perfeitas para estes papéis. Kevin Costner tem aqui uma presença muito paternal, ele desempenha o pai da protagonista, ele não é só um excelente actor como também é um verdadeiro senhor, dá prazer vê-lo a representar. A jovem Samantha Isler, que representa a adolescência da protagonista, tem uma sequência que envolve um interrogatório feito pelo pai, cujos conteúdos das respostas face às perguntas coincidem com aquilo que ela viveu na fase adulta e com aquilo que ela é, é de arrepiar. No fundo, trata-se de um filme muito bem conseguido e cuja história e respectivo desfecho nos deixa a pensar. 

The Post

Nome do Filme : “The Post”
Titulo Inglês : “The Post”
Titulo Português : “The Post”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Histórico
Realização : Steven Spielberg
Produção : Steven Spielberg
Elenco : Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Alison Brie, Michael Stuhlbarg, Bob Odenkirk, Tracy Letts, Bradley Whitford, Bruce Greenwood, Matthew Rhys, Carrie Coon, Jesse Plemons, David Cross, Zach Woods, Pat Healy, John Rue, Rick Holmes, Philip Casnoff, Jessie Mueller, Stark Sands, Michael Cyril Creighton, Will Denton, Deirdre Lovejoy, Michael Devine, Kelly Miller, Jennifer Dundas, Austyn Johnson, Coral Peña, Deborah Green, Juliana Davies, Hazel Mason, Ginger Mason.

História : A posição assumida por Katharine Graham, proprietária do “The Washington Post”, quando o governo de Nixon tentou impedir o jornal de prosseguir com a publicação de uma extensa e ultra-secreta documentação sobre o envolvimento americano na Guerra do Vietname que Daniel Ellsberg, um funcionário do Pentágono, fizera chegar clandestinamente à imprensa. O braço-de-ferro entre a Casa Branca e a imprensa desembocou numa histórica decisão do Supremo Tribunal, que considerou inconstitucionais os mandados emitidos para impedir a publicação dos documentos, autorizando os jornais a prosseguirem a sua divulgação.

Comentário : Finalmente temos um filme sobre a liberdade de imprensa e o quanto vital ela é para a democracia. E temos assim não um dos melhores filmes do ano, mas sim um dos filmes mais importantes do ano e Spielberg fez bem ao ter insistido em levar este projecto até ao fim. O director nos apresenta assim uma obra cheia de diálogos sobre política, burocracia, jornalismo e liberdade. No centro de tudo, temos uma empatia fantástica entre os personagens de Meryl Streep e Tom Hanks, aliás, o relacionamento dos dois é um dos pontos mais importantes e positivos do filme. Nota-se claramente o respeito que um tem pelo o outro, basicamente, eles querem a mesma coisa para o jornal, mas discordam em quase tudo. A Meryl Streep merece e bem mais uma nomeação, ela está impecável aqui, interpretando uma mulher quase sempre rodeada por homens, o que a actriz faz com a sua personagem é sensacional, nos oferecendo as melhores cenas do filme, a sequência do telefone é a cereja no topo do bolo. O Tom Hanks não precisava de entrar neste filme para provar mais uma vez o que vale, ele é um excelente actor e aqui está novamente brilhante. O elenco de apoio é recheado de actores conhecidos e todos possuem personagens relevantes e desenvolvidas, ninguém está de graça ali. Eu adorei a sequência em que as máquinas começam a trabalhar e todo o escritório estremece. O filme passa bem a mensagem de que os líderes políticos e os grandes interesses erram muitas vezes e tudo fazem para silenciar e abafar os casos, querendo impedir a todo o custo que se saiba a verdade. A vitória da imprensa daquela altura teve repercussões até aos dias de hoje. Repito, não sendo um dos melhores filmes do ano, é seguramente um dos filmes mais importantes e obrigatórios do ano que passou.