segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Darkest Hour

Nome do Filme : “Darkest Hour”
Titulo Inglês : “Darkest Hour”
Titulo Português : “A Hora Mais Negra”
Ano : 2017
Duração : 125 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Joe Wright
Produção : Lisa Bruce/Eric Fellner/Anthony McCarten/Douglas Urbanski
Elenco : Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James, David Strathairn, Ronald Pickup, Stephen Dillane, Nicholas Jones, Samuel West, David Schofield, Richard Lumsden, Malcolm Storry, Hilton McRae, Benjamin Whitrow, Joe Armstrong, Adrian Rawlins, David Bamber, Paul Leonard, Eric MacLennan, Philip Martin Brown, Demetri Goritsas, Mary Antony, Bethany Muir, Anna Burnett, Jeremy Child, Brian Pettifer, Hannah Steele, Nia Gwynne, James Eeles, Richard Glover, Tom Ashley, Faye Marsay, Imogen King, Bronte Carmichael.

História : No ano de 1940, a Europa atravessa um período negro, com a Alemanha nazi a ganhar território e poder sobre as forças aliadas. Winston Churchill é um estadista brilhante que, a 10 de Maio desse mesmo ano, se vê nomeado de urgência para o cargo de primeiro-ministro britânico. Poucos dias depois da tomada de posse, depara-se com a maior e mais difícil decisão da sua vida : aceitar um tratado de paz com a Alemanha, submetendo-se às suas ordens; ou declarar guerra ao inimigo, lutando pela liberdade e independência do seu povo.

Comentário : Claramente que não podia deixar passar este novo filme de Joe Wright, um director muito dado a filmes de época, com alguns bons registos na sua ficha, mas com fracassos também. O que Joe Wright nos propõe com este seu novo trabalho é analisarmos a pessoa de Winston Churchill e aquilo que ele fez pela Inglaterra naquela época. Pessoalmente, não conheço quase nada do homem retratado neste filme e por isso não posso fazer comparações, apenas posso constatar que Gary Oldman está irreconhecível no papel daquele primeiro-ministro e teve uma das melhores prestações da sua carreira. Eu gosto do actor, ele é um verdadeiro senhor e ficou muito bem neste papel. Nota também positiva para a fantástica recriação de época, a esse nível está convincente. O filme funciona muito bem igualmente a nível técnico, com uma cuidada fotografia, veja-se a excelente cena em que o protagonista acende um fósforo no seu quarto escuro, logo no início do filme. Toda a produção está de parabéns, nota-se que houve um cuidado extremo nos detalhes, com todos os artefactos de época, mobílias, guarda-roupa e veículos, tudo perfeito e a condizer. O realizador passou bem a mensagem de que Winston Churchill nunca se curvou perante os alemães e sempre defendeu a liberdade do seu povo. Gary Oldman possui a melhor interpretação do filme e aqui vale dizer que o actor carrega o filme nos ombros com muita elegância. Kristin Scott Thomas e Lily James tentaram o que puderam, mas infelizmente, foram totalmente abafadas pelo elenco masculino, que obviamente domina nesse campo. A cena do metro consegue ser em simultâneo a mais ridícula e absurda do filme e também a mais bonita e cheia de significado. Confesso ter gostado deste filme, embora tenha ficado, no decorrer da projeção, ligeiramente cansado de o assistir, prefiro claramente o seu primo próximo : “Dunkirk” de Christopher Nolan. 


Last Flag Flying

Nome do Filme : “Last Flag Flying”
Titulo Inglês : “Last Flag Flying”
Titulo Português : “Derradeira Viagem”
Ano : 2017
Duração : 126 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Richard Linklater
Produção : Richard Linklater
Elenco : Bryan Cranston, Laurence Fishburne, Steve Carell, Tammy Tsai, J. Quinton Johnson, Deanna Reed Foster, Yul Vazquez, Graham Wolfe, Jeff Monahan, Dontez James, Richard Barlow, Cathy O'Dell, Richard Robichaux, Jerry Lee Tucker, Cicely Tyson.

História : Doc visita Sal, um ex-colega dos tempos em que esteve na Marinha. No dia seguinte, os dois vão procurar o pastor Richard, companheiro de ambos no Vietname. Ao conversarem sobre as suas vidas, Doc explica-lhes a razão do seu súbito reaparecimento : a mulher faleceu recentemente e ele precisa que o acompanhem ao funeral de Larry, o seu único filho, que foi morto no Iraque. Juntos, os três amigos vão fazer uma longa viagem que vai expor feridas que há muito julgavam saradas.

Comentário : É verdade que o realizador Richard Linklater já nos deu muito melhor, por exemplo, a trilogia “Before” ou o excelente “Boyhood”, que são quatro dos meus filmes preferidos. Mas qualquer bom realizador tem os seus altos e baixos e este seu novo trabalho não é dos seus melhores registos. O grande destaque deste filme vai totalmente para o trio de actores protagonista, cada um à sua maneira, fizeram um excelente trabalho de representação. Bryan Cranston foi o que teve o personagem mais interessante do trio, portador de mais uma boa interpretação, o actor provou que ainda tem algo para dar e convenceu no seu papel de veterano de guerra. Laurence Fishburne tem aqui o personagem menos interessante do trio, mas e apesar disso, eu gostei bastante do seu reverendo e o actor foi responsável por tiradas muito boas da parte do seu personagem. Steve Carell não tem a melhor personagem, mas é seguramente o mais complexo dos três, o seu drama é mais intenso e pesado, apesar de ser um actor mais virado para as comédias, Carell tem aqui um dos seus personagens mais consistentes.

Em tirando a componente interpretativa à qual se aliam alguns poderosos diálogos, o filme não tem mais nada a nos oferecer, sendo mais uma fita que serve para enaltecer o ego americano e a suposta bravura e bondade dos soldados seja no Vietname, no Iraque ou em qualquer outra parte do mundo. Infelizmente, trata-se de mais um filme feito por americanos que tenta passar a mensagem que os seus soldados vão sempre nas missões para praticar o bem nos países onde estão destacados, quando na realidade e na maior parte dos casos e à parte dos médicos, eles só vão para lá, tendo actos duvidosos e com a suposta superioridade face aos povos desses países; às ordens dos grandes interesses superiores e na maior parte dos casos, para morrer em combate ou para regressar a casa traumatizados de guerra e estragando as vidas aos que cá estão, tudo a troco de nada. Se por um lado temos uma excelente sequência entre os três que decorre num comboio, por outro lado e no mesmo veículo, temos igualmente as piores cenas do longa resultantes de conversas machistas. O filme é fraco, mas não culpemos o realizador por isso.

All The Money In The World

Nome do Filme : “All The Money In The World”
Titulo Inglês : “All The Money In The World”
Titulo Português : “Todo o Dinheiro do Mundo”
Ano : 2017
Duração : 132 minutos
Género : Biográfico/Crime/Drama
Realização : Ridley Scott
Produção : Ridley Scott
Elenco : Christopher Plummer, Michelle Williams, Mark Wahlberg, Romain Duris, Timothy Hutton, Charlie Plummer, Charlie Shotwell, Andrew Buchan, Marco Leonardi, Giuseppe Bonifati, Nicolas Vaporidis, Andrea Piedimonte Bodini, Guglielmo Favilla.

História : A 10 de Julho de 1973, John Paul Getty III, de 16 anos, é raptado em Roma, Itália. Um resgate é imediatamente exigido : 17 milhões de dólares em troca da vida do rapaz. Desesperada, Gail Harris, a mãe, pede ajuda ao ex-sogro, J. Paul Getty, considerado o homem mais rico do mundo. Contra todas as previsões, o patriarca recusa-se a ceder aos raptores, para evitar abrir o precedente para futuros raptos. Perdida e sem saber o que fazer, Gail encontra em Fletcher Chase, o braço direito de J. Paul Getty, o aliado de que precisa para resgatar o seu filho.

Comentário : O cinema de Ridley Scott anda pelas ruas da amargura e isso não devia ser segredo para ninguém. Se tirarmos “American Gangster” e “The Martian”, nos últimos cerca de dez anos, o homem só tem tido fracassos. Mas o que ninguém viria a supor era que Ridley Scott ia descer tão baixo como aconteceu com este “All The Money In The World” e já direi porquê. Creio que já disse num qualquer comentário anterior que temos que separar o artista e a sua obra da sua vida pessoal e da sua conduta. Isto para dizer aqui que foi indecente o que Ridley Scott fez com o actor Kevin Spacey neste filme. Independentemente daquilo que o actor tenha feito na vida real e isto falando na questão tão badalada do assédio sexual, foi uma total falta de respeito para com ele, o facto do realizador o ter eliminado do filme e substituí-lo pelo grande Christopher Plummer, voltando a filmar as cenas. Foi também uma grande falta de respeito para com o trabalho já feito de Spacey e pelo profissional que ele é, que diga-se se passagem, Kevin Spacey já deu provas mais que suficientes de que é um excelente actor.

Mas não se enganem aqueles que pensam que Ridley Scott tirou Kevin Spacey do seu filme e o substituiu por Christopher Plummer devido à suposta conduta negativa do actor, nada disso. O realizador fez isso não como forma de punição do actor pelo sucedido, mas sim porque sabia perfeitamente que o seu filme ia ser um fracasso nas bilheteiras (e não de crítica) pela presença do actor. Ou seja, tratou-se claramente de colocar à frente o interesse comercial e a obtenção de lucro em vez da questão artística e do cinema enquanto arte, o que é altamente condenável. Mas as nossas más atitudes normalmente têm consequências negativas e, neste caso, foi bem feito para Ridley Scott que o seu novo filme foi mesmo um fracasso de bilheteira e da crítica especializada. Aliás, ironia do destino, o único ponto positivo que se encontra neste filme é a presença e prestação de Christopher Plummer, mas que ainda assim, não restem dúvidas que Kevin Spacey também se saíria muito bem neste papel. Deste modo, Ridley Scott falha mais uma vez, oferecendo-nos assim um produto descartável.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

The Wound

Nome do Filme : “Inxeba”
Titulo Inglês : “The Wound”
Ano : 2017
Duração : 89 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : John Trengove
Produção : Cait Pansegrouw/Elias Ribeiro
Elenco : Nakhane Toure, Bongile Mantsai, Niza Jay Ncoyini, Thobani Mseleni, Gabriel Mini, Zwelakhe Mtsaka, Menzeleli Majola, Gamelihle Bovana, Halalisani Bradley Cebekhulu, Inga Qwede, Sibabalwe Ngqayana, Siphosethu Ngcetane, Luyanda Vongo, Thando Mhlontlo, Anga Ntsepe.

História : Xolani, um operário solitário, viaja para as montanhas rurais com os homens de sua comunidade com intuito de actuar nos rituais deles, que consiste na circuncisão de adolescentes, para que eles ingressem finalmente na vida adulta, tornando-se homens.

Comentário : Esta noite vi este filme africano que, para grande surpresa minha, acabei por gostar. Não é um filme para todos os públicos, ele possui um ritmo lento e é uma história que custa a pegar, só lá para o meio, a coisa começa a ganhar interesse. É um filme cuja ação decorre principalmente em ambientes rurais e nesse aspecto, faz bom uso das paisagens, tendo imagens muito bonitas. O filme aborda uma cultura do sul de África, alguns dos seus costumes que, podendo parecer condenáveis, são parte daquele povo. Penso que a maior parte dos actores que compõem o elenco são amadores. A homossexualidade também tem aqui lugar e tem um tratamento bem pesado, sendo vista por um dos adolescentes como algo altamente condenável. O Nakhane Toure é o protagonista do filme, ele vive dividido pela vida, se por um lado ele ensina rapazes a tornarem-se homens, por outro, foge a essa conduta, mantendo relações sexuais com outro colega. No entanto, o jovem actor possui a melhor prestação do filme. O Bongile Mantsai representa o homem vivido, ele é casado e pai de filhos, mas ainda assim, é também homossexual. O actor em questão transmite muito bem a dureza do seu personagem, bem como a incerteza daquilo que pretende para a vida. O jovem Niza Jay Ncoyini desempenha o iniciado mais inteligente de todos, para além de ser mais instruído do que a maioria dos homens que ali se encontram. Eu achei o seu personagem bastante interessante e completo. Além disso, a química entre os dois instrutores é forte e cada um dos actores que os desempenham, conseguiram transmitir os dilemas dos seus personagens. A cena da matança da cabra era desnecessária e a sequência em que Kwanda descobre os dois mentores completamente despidos e abraçados é brutal. Raramente vejo cinema africano, mas deste, gostei. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Yourself And Yours

Nome do Filme : “Dangsinjasingwa Dangsinui Geot”
Titulo Inglês : “Yourself And Yours”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Hong Sangsoo
Produção : Hong Sangsoo
Elenco : Kim Juhyuk, Lee Youyoung, Kwon Haehyo, Yoo Joonsang, Kim Euisung.

História : Youngsoo é um tipo que anda em maré de azar, ele lesionou-se numa perna e a namorada abandonou-o depois dos dois terem uma discussão fomentada pelos amigos dele. Agora, ele sente-se arrependido e só quer reaver a antiga companheira não só para lhe pedir desculpas, mas também para tentar recuperar a relação.

Comentário : Confesso que gosto bastante de cinema coreano e oriental, principalmente vindo das mãos de Hong Sangsoo, um cineasta muito acarinhado pelos nossos críticos portugueses e que rodou filmes muito bons, daqueles que abordam as relações humanas de uma maneira como nenhum outro realizador faz. Hong Sangsoo filma com paciência e é com calma que conta e mostra os seus personagens, sem pressas nem artefactos, ele sabe muito bem a história que pretende contar e o faz com empenho, ou não fosse ele um cineasta que trata por tu a sétima arte. As suas histórias têm conteúdo e respiram cinema, os seus personagens e respectivos diálogos são cheios de identidade e são ricos de substância, eles são essenciais e são o fio condutor necessário para que o realizador conclua o seu trabalho com sucesso.

E no caso deste seu recente filme, passa-se o mesmo, qualquer espectador dito leigo ou pouco dado às andanças anuais de Hong Sangsoo, entra totalmente às escuras na sala de cinema para assistir a um filme seu, e poderá sair dela quase na mesma conforme entrou. Não é fácil gostar-se do cinema de Hong Sangsoo, é verdade, mas quem segue o trabalho do director, sabe o que pode esperar dele. Pessoalmente, eu não só gosto dos seus filmes como também defendo a maneira dele filmar e contar as suas histórias, é bom ser diferente, é bom haver diversidade em todas as áreas e na sétima arte mais ainda. Mais uma vez, o elenco está de parabéns e o destaque óbvio vai para o “casal” protagonista, Kim Juhyuk é talentoso e convenceu no seu papel enquanto que Lee Youyoung é não só muito bonita, como também teve uma boa interpretação. Temos bons diálogos e sequências muito bem filmadas. É muito bom para qualquer cinéfilo assistir às relações humanas filmadas por Hong Sangsoo.

Everything Beautiful Is Far Away

Nome do Filme : “Everything Beautiful Is Far Away”
Titulo Inglês : “Everything Beautiful Is Far Away”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica
Realização : Pete Ohs/Andrea Sisson
Produção : Pete Ohs/Andrea Sisson
Elenco : Joseph Cross, Julia Garner, C. S. Lee, Jillian Mayer (voice).

História : Num futuro distópico, um homem chamado Lernert atravessa o deserto em busca de recursos, carregando consigo os mantimentos de que precisa para sobreviver e uma cabeça de um robôt que lhe é muito útil. Um dia, ele encontra uma jovem chamada Rola e isso marca o início de uma grande amizade.

Comentário : Este filme é uma obra muito independente e muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver em fitas sobre mundos distópicos, já que não tem tiros, explosões e efeitos especiais. É antes, uma obra muito contida e firme nos seus propósitos. Filmado de forma quase amadora, este filme tem apenas três personagens e uma voz activa, que é pertencente ao robôt, a única companhia e ajuda do protagonista masculino. No início, o filme parece ser muito estranho, a mim particularmente foi essa a sensação que me causou, mas depois ganhamos empatia com o que vemos diante da tela e desejamos ver mais. É uma história muito simples, não esperem grandes acontecimentos à volta destes três personagens, quase quatro, aliás, o terceiro elemento do elenco só aparece por cerca de dois ou três minutos, eu quase me arriscaria a dizer que ele não acrescenta nada ao longa.

O filme centra-se basicamente em Lernert e Rola, enquanto personagens principais e físicos, tendo o tal tobôt como espécie de auxiliar de ambos. O filme bebe muito da fonte do novo “Mad Max”, ou seja, é a prova que não precisa de grandes cenários aparatosos para causar impacto, no caso destes dois filmes, basta-nos o deserto, que funciona muito bem como cenário único e palco para a ação de desenrolar. Também não são para aqui chamados grandes efeitos especiais. Se o recente filme de George Miller recorreu ao máximo a efeitos práticos, este então leva isso ao extremo. Joseph Cross tem uma interpretação solene e razoável, é fácil nós ganharmos gosto por ele e prazer em seguir a sua jornada. Por seu lado, Julia Garner manda muito bem também, aliás, os dois juntos e o relacionamento que se estabelece entre eles é a grande mais valia do filme. A banda sonora é esquizofrénica, eu preferia que fosse um filme sem música, só com os sons do que se passa, isso seria o ideal. Por último, tenho que dizer que adorei o robôt. É um filme que vive de momentos, onde o amor que Rola passa a sentir por Lernert é a cereja no topo do bolo. 

Wonder

Nome do Filme : “Wonder”
Titulo Inglês : “Wonder”
Titulo Português : “Wonder – Encantador”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Drama
Realização : Stephen Chbosky
Produção : David Hoberman/Todd Lieberman
Elenco : Julia Roberts, Jacob Tremblay, Izabela Vidovic, Owen Wilson, Danielle Rose Russell, Elle McKinnon, Millie Davis, Mandy Patinkin, Noah Jupe, Bryce Gheisar, Daveed Diggs, Ty Consiglio, Kyle Breitkopf, James Hughes, Douglas Stewart, Nadji Jeter, Sonia Braga, Michael Alan Healy, Hannah Hoberman, Izzy Lieberman, Benjamin Ratner, Emily Delahunty, Lucia Thain, Sasha Neuhaus, William Dickinson, Lidya Jewett, Kaelyn Breitkopf, Alyssa Andronyk, Emma Tremblay, Maccie Margaret Chbosky.

História : Auggie Pullman, de dez anos, sofre de uma malformação congénita rara que se manifesta em deformações no crânio e na face. Foi operado diversas vezes ao longo da sua curta existência. Agora que está a iniciar o quinto ano de escolaridade, os pais entendem que é o momento ideal de ele deixar de estudar em casa e de se aventurar numa escola.

Comentário : Este foi o primeiro grande filme que vi neste novo ano. E este realizador acertou mais uma vez com este seu novo trabalho, ele é bom a trabalhar com crianças e jovens. É um filme terno, comovente, sincero e muito dramático, quem o vê sai dele consciente daquilo que o seu autor quis transmitir. O filme estabelece muito bem certos personagens, dando o tempo de antena necessário a cada um deles e fazendo com que o público os entenda melhor, os compreenda e depois tire as suas próprias conclusões. O argumento também ajuda nesse sentido, no fim quase tudo se encaixa devidamente, apesar do final ser um pouco cliché. Aqui são abordados temas como a indiferença, a maldade infantil, o desprezo, a fraca auto estima, a imaturidade, o bullying, a violência juvenil, a vida nas escolas, os diferentes tipos de amor, a dor da perda, o saudosismo e quase tudo é trabalhado nas devidas proporções.

A Julia Roberts e o Owen Wilson estão muito bem nestes papéis, eles incutem nos seus personagens o vigor necessário para uns pais com um filho naquela situação. O Jacob Tremblay (Room) está perfeito, mesmo com as próteses e toda aquela maquilhagem, ele consegue (em parte) transmitir quase tudo o que um menino com os seus problemas sentiria, ele é realmente um dos melhores atores mirins da actualidade. Izabela Vidovic (Homefront) desempenha a irmã mais velha do protagonista e curiosamente, é ela quem possui o personagem mais complexo da história, quem viu o filme, perceberá o que eu quero dizer. Além disso, a actriz não só possui a melhor prestação do filme, como também a sua personagem vive uma situação com a sua melhor amiga que é muito bonita e comovente. Todo o elenco infantil e juvenil esteve muito bem, com destaque para Danielle Rose Russell, Noah Jupe e Millie Davis. O filme peca apenas pelo facto de ser pouco realista e de não nos facultar a verdade, ou seja, a situação de qualquer criança com aquele problema, na vida real, seria bem pior. 

Wonderstruck

Nome do Filme : “Wonderstruck”
Titulo Inglês : “Wonderstruck”
Titulo Português : “Wonderstruck – O Museu das Maravilhas”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Todd Haynes
Produção : Pamela Koffler/John Sloss/Christine Vachon
Elenco : Julianne Moore, Michelle Williams, Millicent Simmonds, Oakes Fegley, Cory Michael Smith, Damian Young, Lauren Ridloff, Patrick Murney, James Urbaniak, Anthony Natale, Brian Berrebbi, Ekaterina Samsonov, Sawyer Niehaus, Lilianne Rojek, Jaden Michael, Morgan Turner, Tom Noonan, Amy Hargreaves, Sawyer Nunes.

História : Ben e Rose são crianças de duas eras distintas que, secretamente, desejam vidas diferentes. Ben anseia pelo pai desconhecido, enquanto Rose sonha com uma atriz. Quando Ben descobre uma pista e Rose lê uma notícia no jornal, ambos partem em jornadas que se desenrolam com uma simetria fascinante, separados por 50 anos.

Comentário : A sensação depois de ter visto este filme é de uma grande satisfação, foi uma fita que durante a sua projeção gerou um clima de mistério e isso foi impressionante porque às tantas eu estava à espera que certos acontecimentos iam convergir numa determinada situação e resultam em algo completamente diferente. O que temos aqui são duas histórias que de início parecem ser diferentes, mas que depois ficamos a saber que possuem muito em comum, apurando-se no final que ambas estão relacionadas. Pessoalmente, eu gostei imenso das duas histórias, mas a parte do menino lá no meio perde um pouco o ritmo. Já o arco que envolve a menina é bem mais interessante e é mostrado a preto e branco e quase sem som, e isso acontece devido ao facto da personagem ser surda e muda.

A jovem Millicent Simmonds é muito bonita e tem um olhar e uma expressividade muito peculiares, esta pequena actriz esteve muito bem neste papel, vale dizer que ela fica melhor com o cabelo comprido do que com ele curto. Eu fiquei mesmo surpreendido com esta jovem e estou ansioso pelo seu próximo filme que chegará em breve. Ela é a responsável pelo arco mais interessante do filme. Dono do outro arco do filme, encontramos o jovem Oakes Fegley, eu já o conhecia de outros dois filmes, e ele aqui está igualmente perfeito, ele convence na perfeição no papel de menino “perdido” e desesperado que procura por respostas. Já Julianne Moore e Michelle Williams aparecem tão pouco que é uma pena, eu gostava de ter visto mais delas nestas personagens. A fotografia deambula suavemente entre imagens a cores e cenas a preto e branco, entre épocas; 1927 e 1977 estão convincentes, ambas as recriações de época estão aceitáveis. E as revelações finais são consistentes, embora eu tenha que confessar que esperava algo mais surpreendente. É um bom filme, eu gostei bastante. 


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Lucky

Nome do Filme : “Lucky”
Titulo Inglês : “Lucky”
Titulo Português : “Lucky”
Ano : 2017
Duração : 88 minutos
Género : Drama
Realização : John Carroll Lynch
Produção : Danielle Renfrew Behrens
Elenco : Harry Dean Stanton, David Lynch, Ron Livingston, Tom Skerritt, Beth Grant, Ed Begley Jr., James Darren, Barry Shabaka Henley, Amy Claire, Yvonne Huff, Hugo Armstrong, Bertila Damas, Ana Mercedes, Sarah Cook, Ulysses Olmedo, Mikey Kampmann.

História : Lucky, de 90 anos, vive numa pequena cidade do Texas. Os seus dias seguem iguais, com a constante repetição das rotinas.

Comentário : Trata-se de um filme simples que funciona como uma última homenagem ao grande actor Harry Dean Stanton, aqui no seu último grande papel, já que viria a falecer alguns meses depois. Com este filme, o actor faz ainda uma reflexão sobre a sua vida, onde o seu personagem é um pouquinho o espelho dele mesmo. Nesta fita, Harry Dean Stanton representa-se a ele mesmo e o resultado são oitenta minutos de cenas interessantes mas que não têm grande relevância, ou pelo menos aparentemente. Aqui o foco está em acompanhar o quotidiano deste personagem, as suas conversas com os restantes personagens, testemunharmos algumas situações engraçadas e outras bastante curiosas. Eu gostei de ter revisto David Lynch e Tom Skerritt, dois verdadeiros senhores, tal como Stanton, os três a fazer cinema. Para mim, o momento mais alto do filme é aquela longa conversa que o protagonista tem com o personagem de Skerritt sobre a guerra, a ser verdade aquilo e até dá para chorar, de tão chocante e emocionante. Temos também direito a algumas piadas pelo meio, mas nada que afecte o clima de dramatismo quase sempre presente. O filme vale por tudo isto, mas vive essencialmente devido a Harry Dean Staton, é ele a grande estrela e o principal pilar desta fita. É lamentável que o actor que viveu este personagem não tenha sido reconhecido com uma nomeação ao oscar deste ano, em vez disso, temos a mesma merda do costume, é só interesses. Deste filme pode-se tirar algumas mensagens. O filme possui referências a outro grande trabalho do actor, de nome “Paris, Texas”. Também gostei da banda sonora e daquela sequência da festa de aniversário do menino, onde podemos contar com uma canção cantada pelo próprio Harry Dean Staton, que verdadeiro senhor, que descanse em paz. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cherchez La Femme

Nome do Filme : “Cherchez La Femme”
Titulo Inglês : “Some Like It Veiled”
Titulo Português : “Há Quem As Prefira de Véu”
Ano : 2017
Duração : 88 minutos
Género : Comédia Dramática/Romance
Realização : Sou Abadi
Produção : Michael Gentile
Elenco : Felix Moati, Camélia Jordana, William Lebghil, Anne Alvaro, Predrag Manojlovic, Carl Malapa, Laurent Delbecque, Oscar Copp, Oussama Kheddam, Walid Ben Mabrouk, Mostafa Habibi, Hamidreza Djavdan, Behi Djanati Atai, Leli Anvar, Sam Mirhosseini, Shohreh Sabaghy, Sohelia Azizi.

História : Armand, filho de imigrantes iranianos, apaixona-se por Leila, uma colega da faculdade, e ambos fazem planos para passarem uma temporada em Nova Iorque. Mas os planos dos dois saem furados quando o irmão de Leila regressa do Médio Oriente transformado num fundamentalista e proíbe Armand de ver a namorada., mantendo-a presa em casa. Para contornar isso, Armand decide vestir uma burqa e fazer-se passar por uma mulher para poder visitá-la. Porém, a situação complica-se bastante quando o irmão de Leila se apaixona pela suposta amiga da irmã.

Comentário : Não devia ser segredo para quem me segue aqui, que o género de comédia é o único que eu não gosto. No entanto, gostei bastante deste filme e isso deve-se ao facto da fita não ser estúpida demais e de nem ter um humor ridículo, como a maioria das comédias americanas. Foi com grande gosto que segui a jornada destes personagens, com incidência no trio principal : Armand, Leila e Mahmoud. De facto, é muito fácil gostarmos e querermos acompanhar o que se passa com estes três personagens, principalmente com Armand. É que, estes três movem-se pelo amor e é pelo amor que eles tomam as decisões. O argumento é bom e a história torna-se apelativa, pessoalmente, senti-me totalmente imerso na trama e sempre na expectativa daquilo que viria a acontecer a seguir. O filme tem também uma componente política e discussões à cerca dos migrantes, temáticas que são trazidas à baila pelos pais de Armand. Certas situações são engraçadas, repito, sem nunca cair no ridículo, embora hajam alguns erros, ou seja, certos desajustes que facilmente são visíveis. No papel de Armand, encontramos um talentoso Félix Moati, este jovem convence como mulher debaixo de um longo vestido negro, onde só são visíveis os olhos, gostei muito dos dois personagens que ele interpreta. Como Mahmoud, William Lebghil manda bem, primeiro como “tarado” e fundamentalista, e posteriormente enquanto perdidamente apaixonado por uma suposta princesa. Registar o seu processo de evolução e mudança é um dos principais atractivos do filme. Por seu lado, a bonita e sensual Camélia Jordana tem aqui o papel feminino mais forte do longa, a jovem possui uma boa prestação e vive aqui três cenas em especial que me deixaram em delírio. No fundo, estamos perante um bom filme que prova que é possível fazer-se uma comédia séria e sem cair na estupidez. 

The Light Of The Moon

Nome do Filme : “The Light Of The Moon”
Titulo Inglês : “The Light Of The Moon”
Ano : 2017
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Jessica Thompson
Produção : Jessica Thompson
Elenco : Stephanie Beatriz, Michael Stahl David, Catherine Curtin, Conrad Ricamora, Cindy Cheung, Susan Heyward, Olga Merediz, Craig Walker, Heather Simms, Christine Spang, Cara Loften, Jennifer Bareilles, Michael Cuomo, Nelly Savinon.

História : Bonnie é uma jovem latina bem sucedida no ramo da arquitectura. Andando pelas ruas em direção a casa, após umas horas bem passadas num bar, ela é abusada sexualmente. Bonnie tentar esconder o acontecido do seu namorado, Matt, mas a história acaba vindo à tona. Ela tenta negar o impacto e luta para retomar o controlo da sua vida.

Comentário : Para iniciar este segundo mês do ano, nada melhor do que ver um filme dramático baseado em histórias reais. Este drama americano independente conta a história de uma rapariga que é agredida e brutalmente violada numa rua à noite, um acontecimento que infelizmente sucede muito um pouco por todo o mundo. O filme é bastante competente no sentido em que sabe trabalhar bem este tema delicado, e para que as coisas tivessem corrido bem à cerca deste assunto, muito contribuiu o facto do longa ter sido realizado por uma mulher. A cineasta Jessica Thompson dirige assim um grupo de actores para mim desconhecidos, eu apenas conhecia o rapaz que desempenhou o papel do namorado da protagonista. Os actores foram muito bem dirigidos, gerando resultados bastante positivos no que às interpretações diz respeito. No papel principal, temos uma excelente Stephanie Beatriz que além de possuir uma espectacular prestação, consegue fazer com que nós sentíssemos a dor e a aflição que a sua personagem vive. No já referido papel do namorado da vítima, Michael Stahl David está aceitável, ele tem aqui um importante personagem, na medida em que o seu Matt é um homem carinhoso e respeitador para com ela, agindo de maneira positiva, com toda a calma do mundo e sempre com a intenção de ajudá-la a superar o trauma. Aliás, eles funcionam muito bem enquanto casal e confesso ter sido uma delícia vê-los contracenar como tal. A situação retratada neste filme abarca um assunto muito delicado que afecta muitas mulheres em todo o mundo, é uma triste realidade que só quem passa por ela, sabe avaliar e sentir. Gostei essencialmente deste filme porque a questão em causa foi muito bem trabalhada. 

domingo, 28 de janeiro de 2018

As Duas Irenes

Nome do Filme : “As Duas Irenes”
Titulo Inglês : “Two Irenes”
Titulo Português : “As Duas Irenes”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Fabio Meira
Produção : Fabio Meira
Elenco : Marco Ricca, Priscila Bittencourt, Isabela Torres, Maju Souza, Ana Reston, Suzana Ribeiro, Inês Peixoto, Marcela Moura, Teuda Bara.

História : Irene é a filha do meio de uma família tradicional do interior, que um dia descobre que o pai tem uma filha fora do casamento chamada Irene e da mesma idade que ela. Revoltada com a descoberta, Irene passa a se aproximar da sua outra irmã e da mãe dela, sem revelar a sua verdadeira identidade. As duas meninas criam uma relação de amizade.

Comentário : A seguir a ter visto “A Menina Indigo”, tive a sorte de ver este outro filme brasileiro, que confesso ter gostado mais do que do primeiro. É um filme muito simples, mas com um conteúdo muito forte. A fita aborda uma adolescente tímida que um dia faz uma importante descoberta sobre seu pai e decide tomar certas medidas. O longa fala também sobre a adolescência das meninas e das mudanças que ela implica na vida das garotas, se focando mais no gosto pela beleza e pela aparência e na questão da sexualidade. Sem penetrar muito a fundo nestas questões, temos desta forma uma abordagem leve, mas bastante eficiente ao mundo das raparigas. Possuidor de um ritmo bastante lento mas sem nunca ser aborrecido, o filme tem um bom argumento e o realizador tem imensa calma em mostrar aquilo que pretende contar com a sua obra. Eu confesso que gosto mais de cinema brasileiro do que de cinema português, apesar de nutrir uma estranha paixão pelos dois. Gostei também da banda sonora, existe um tema cantado por uma personagem que soa muito bem, eu já conhecia aquela música, mas adorei esta versão que aqui surge sem grande acompanhamento instrumental.

O filme não julga o personagem masculino principal, pelo contrário, o realizador leva a situação numa boa, como se aquilo fosse uma coisa normal, e se calhar até é banal, lá no Brasil claro. O filme possui uma beleza muito característica do chamado cinema independente, por vezes, parece que estamos a ver uma produção tipicamente americana. Temos cenas muito bonitas e paisagens admiráveis, afinal, as moradias das duas famílias situam-se fora da grande cidade, é tudo muito rural e apetecível. No papel das duas protagonistas, encontramos as lindas e extraordinariamente talentosas Priscila Bittencourt e Isabela Torres, estas duas adolescentes têm as melhores prestações do filme, para além da serem detentoras de uma química que funciona na maior parte das cenas que contracenam juntas. Marco Ricca vai muito bem no papel do homem das duas casas, embora o filme pertença totalmente às duas miúdas. As raparigas que fazem das outras filhas de Tonico também têm boas interpretações, possuem uma grande descontracção frente às camaras. Apenas se lamenta que o realizador não tenha avançado algumas coisas mais para a frente, por exemplo, a sequência em que uma delas ensina a outra a beijar na boca está mal executada. Ainda assim, é um grande filme.

Detroit

Nome do Filme : “Detroit”
Titulo Inglês : “Detroit”
Titulo Português : “Detroit”
Ano : 2017
Duração : 145 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller/Histórico
Realização : Kathryn Bigelow
Produção : Kathryn Bigelow
Elenco : Anthony Mackie, John Boyega, Will Poulter, Kaitlyn Dever, Hannah Murray, John Krasinski, Jack Reynor, Jacob Latimore, Algee Smith, Malcolm David Kelley, Jason Mitchell, Darren Goldstein, Joseph David Jones, Ephraim Sykes, Dennis Staroselsky, Barton Bund, Zurin Villanueva, Chris Chalk, Mason Alban, Bennett Deady, Tyler James Williams, Laz Alonso, Benz Veal, Ben O'Toole, Karen Pittman, Eddie Troy, Austin Hebert, Morgan Rae, Kris Sidberry, Lizan Mitchell, Glenn Fitzgerald, Jeremy Strong, Frank Wood, Samira Wiley.

História : Em julho de 1967, a cidade de Detroit viveu cinco dias de protestos e violência. O tumulto social, que ficou conhecido como “12Th Street Riot”, decorreu devido às constantes tensões raciais e problemas de exclusão da população afro-americana. Uma rusga policial a um bar acabou por desencadear uma contenda com dezenas de afro-americanos que estavam reunidos no interior. A sua detenção foi feita sob o olhar de trausentes que se apressaram a juntar-se nas ruas. Gerou-se uma espiral de violência entre polícias e manifestantes.

Comentário : Apesar de eu não simpatizar com a realizadora Kathryn Bigelow, tenho que confessar que os seus filmes são bons e este seu novo registo segue o mesmo destino. Baseado em factos reais, o filme começa por focar de uma maneira geral, o motim e a maneira como teve inicio, segue depois para a apresentação dos seus personagens centrais e secundários, partindo de seguida para uma situação em específico que causou grande impacto e, por último, mostra as consequências dessa mesma situação bem como o destino da maioria das respectivas personagens envolvidas. Claramente que não é segredo para ninguém que a polícia, em grande parte dos casos, gosta de abusar do poder que tem para afrontar os criminosos ou suspeitos de crimes. Também é verdade que esse abuso de poder incide mais quando os suspeitos ou os criminosos são pertencentes a minorias ou a uma raça diferente. Este filme foca isso muito bem, a ação do filme decorre nos anos sessenta, mas aquilo que vemos podia-se passar perfeitamente na actualidade, essa questão racial e do abuso de poder por parte das forças policiais ainda hoje existe. Algumas situações retratadas neste filme irritaram-me, a sequência do confronto entre os negros e os polícias que decorre no motel demora tempo demais. O filme é muito longo, dava perfeitamente para tirar uns vinte e cinco minutos que não ia fazer a menor diferença. A recriação de época está exemplar. Os actores principais têm boas interpretações. Mas penso que a principal intenção da realizadora com este filme foi a de nos mostrar que os Estados Unidos têm uma séria questão racial contra as minorias que nunca souberam superar e que ainda hoje se verifica. O filme foi sobre o racismo dos americanos face aos negros, mas podia ser sobre outra raça qualquer. O importante aqui é chegarmos à triste conclusão que, apesar de todos os seres humanos serem iguais em questão dos direitos humanos, grande parte deles não entendem isso e continuam a impor a sua suposta superioridade. 

A Menina Indigo

Nome do Filme : “A Menina Índigo”
Titulo Inglês : “Indigo Girl”
Titulo Português : “A Menina Índigo”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Wagner de Assis
Produção : Wagner de Assis
Elenco : Murilo Rosa, Fernanda Machado, Letícia Braga, Priscila Assum, Giovanna Toni, Débora Kalume, Xuxa Lopes, Eriberto Leão, Nika Bonfim, Paulo Figueiredo, Luis António Pillar, Nizo Neto.

História : Sofia é uma menina de sete anos de idade que vive o drama de muitas crianças, tem os pais separados. Mas Sofia tem ainda um outro problema, ou seja, ela pertence a um tipo de crianças que são conhecidas como Indigo, alguém que nasceu portador de habilidades especiais. E isso não só dificulta ainda mais a vida da menina, como também arranja problemas para a sua família.

Comentário : Crianças Indigo é o termo utilizado para descrever crianças que a pseudociência chamada parapsicologia acredita serem especiais, meninos e meninas com habilidades especiais. Eu confesso que não acreditava nisto até ler um pouco sobre o assunto e até fiquei bastante interessado pelo tema. No entanto, o que para muitos pode significar uma bênção, na realidade pode ser uma verdadeira cruz. O filme em questão aborda este tema tanto de uma maneira eficaz, como também de uma forma infantil, o que acaba por afectar o resultado final do longa. Não por culpa do elenco, aliás, o trio principal até manda muito bem. Começando pelo pai da menina, o actor Murilo Rosa convence na perfeição enquanto progenitor preocupado e cuja principal intenção é proteger a filha. Fernanda Machado é aqui a mãe da protagonista e ela também partilha da preocupação do marido : proteger a filha, a qualquer custo. A interpretação da actriz é boa e a química dela com Murilo é palpável, os dois funcionam, apesar de estarem a representar um casal separado.

A grande estrela do filme chama-se Letícia Braga, a pequena actriz que carrega o filme nos ombros como gente grande, a sua Sofia é a alma desta fita. É um filme que tem como principais alicerces os três desempenhos do trio principal, é um filme de actores. Infelizmente, um filme não vive apenas dos seus actores, porque aqui os principais problemas são o facto do argumento ser típico de novela e da fita possuir uma componente infantil muito forte, factos que fazem com que quase nada aqui se leve a sério, conforme o assunto base o exigia. Assim, “A Menina Indigo” acaba por ser um filme apenas razoável com boas prestações do seu elenco principal, mas que peca essencialmente pela falta de seriedade, que é uma das principais características do assunto retratado. Ainda assim, o filme possui uma mensagem forte e cheia de esperança. Pessoalmente, gostei do filme, até mesmo porque não me posso alongar muito mais neste comentário, porque não sei quase nada sobre o tema e não seria justo criticar algo que desconheço. 


domingo, 21 de janeiro de 2018

Insidious : The Last Key

Nome do Filme : “Insidious : The Last Key”
Titulo Inglês : “Insidious : The Last Key”
Titulo Alternativo : “Insidious : Chapter 4”
Titulo Português : “Insidious : A Última Chave”
Ano : 2018
Duração : 104 minutos
Género : Terror
Realização : Adam Robitel
Produção : James Wan/Leigh Whannell/Oren Peli/Jason Blum
Elenco : Lin Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson, Spencer Locke, Caitlin Gerard, Josh Stewart, Bruce Davison, Tessa Ferrer, Aleque Reid, Ava Kolker, Pierce Pope, Javier Botet, Kirk Acevedo, Marcus Henderson, Amanda Jaros, Hana Hayes, Thomas Robie, Melanie Gaydos, Ty Simpkins, Patrick Wilson, Rose Byrne, Joseph Bishara, Barbara Hershey, Danielle Bisutti, Brynn Bowie, Madison Bowie, Stefanie Scott.

História : Perita em fenómenos paranormais, Elise Rainier está cansada de ser assombrada por pesadelos do passado. Ela decide chamar os seus dois colegas de trabalho e os três viajam para a casa onde Elise passou a sua infância e adolescência na intenção da senhora tentar vencer de vez os demónios que a atormentaram a vida toda.

Comentário : Eu sou suspeito para vir aqui falar deste filme de terror, porque eu sou um grande admirador desta saga e gostei de todos os filmes, incluindo este. Estes filmes são adorados em parte porque têm mais efeitos práticos e artesanais do que digitais e CGI. E isso foi um acerto desde o início. A esta saga podemos perfeitamente juntar os dois filmes “Annabelle”, os dois “The Conjuring” com um terceiro a caminho e os filmes que estrearão ainda este ano : “The Nun” e “Slender Man”. Fazem todos parte do mesmo universo. Logo no início deste ano, surge-nos este novo capítulo da saga de Elise Rainier, uma especialista em fenómenos paranormais com dons de comunicar com espíritos e com um passado ligado a esses mundos. Com a ajuda dos seus sempre fiéis colegas de trabalho e pesquisa, Specs e Tucker, ela vai ajudando as pessoas. Nesse aspecto, os dois primeiros filmes seguiam esse esquema, mas o terceiro funcionou como uma espécie de prequela em que era contado e mostrado um pouco mais de Elise, do seu passado e como ela conheceu os dois colegas. 

Neste quarto capítulo e não menos importante, seguimos a continuação desse terceiro, ou seja, o que temos aqui é novamente uma prequela, podemos afirmar que temos finalmente um filme dedicado exclusivamente a Elise, ao seu passado e à sua complicada família. Nesse aspecto, as coisas até funcionam, ainda que eu tenha que confessar que o realizador podia ter aprofundado mais os demónios mais marcantes. Eles são assustadores e aqui os efeitos sonoros deram um forte contributo. Lin Shaye está impecável, ela me convenceu totalmente, é uma espécie de alicerce principal desta saga. Como alívios cómicos, Leigh Whannell e Angus Sampson têm algumas boas saídas, embora em certas alturas estraguem as coisas ao cortar o clima de tensão. Por seu lado, Spencer Locke e Caitlin Gerard, sobrinhas de Elise, são uma boa adição mas infelizmente servem em parte os propósitos do costume. Os cameos de outros filmes são bem-vindos. O clima de terror e tensão funciona mais uma vez. E o final faz a ligação com o primeiro filme. Apesar de ser o mais fraco dos quatro, está bastante aceitável. 


The Strange Ones

Nome do Filme : “The Strange Ones”
Titulo Inglês : “The Strange Ones”
Ano : 2017
Duração : 81 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Christopher Radcliff/Lauren Wolkstein
Produção : Eric Schultz/Sebastien Aubert/Shani Geva/Michael Prall
Elenco : James Freedson Jackson, Alex Pettyfer, Emily Althaus, Gene Jones, Owen Campbell, Tobias Campbell, Marin Ireland, Will Blomker, Cindy Cheung, Olivia Wang.

História : Após uma tragédia, dois irmãos iniciam uma viagem de carro pelas zonas remotas dos Estados Unidos, mas as coisas complicam-se quando estranhos acontecimentos têm lugar.

Comentário : Trata-se de um road-movie envolvido num grande clima de mistério, onde no início sabemos muito pouco e, com a continuação, ficamos certamente a conhecer mais sobre o rapaz protagonista. As primeiras cenas revelam em parte a chave da questão, mas mesmo que os factos estejam ali mesmo à nossa frente, são cenas que praticamente não nos dizem nada, porque desconhecemos o que elas nos querem dizer. Só lá para o meio ou mesmo perto do final, somos bombardeados por uma informação fundamental, que se traduz num twist sobre a verdadeira relação dos dois irmãos. Eu confesso que não estava à espera daquilo, mas foi uma boa surpresa. Por se tratar de um road-movie, parte do filme decorre numa floresta ou nas proximidades de uma, onde o carro está quase sempre presente, é esse o meio de transporte que os dois protagonistas usam para se deslocar praticamente até ao momento da tal revelação. O personagem mais novo tem uma fixação por um gato preto que surge habitualmente em algumas cenas. O filme tem imensas cenas de interiores, mas são as de exteriores que causam mais impacto, onde a fotografia tem um papel essencial. No papel do irmão mais velho, encontramos um competente Alex Pettyfer, um personagem bastante misterioso e enigmático, pessoalmente sempre tive interesse em saber mais dele, embora o seu final nunca seja devidamente esclarecido. Em certa altura, cheguei a duvidar da sua existência. Como irmão mais novo, James Freedson Jackson vai bem nesse registo, confesso que gostei bastante da sua prestação, ele é de longe o melhor personagem do filme. Algumas coisas foram mal explicadas, mas no fundo, é um bom filme independente. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Wonder Wheel

Nome do Filme : “Wonder Wheel”
Titulo Inglês : “Wonder Wheel”
Titulo Português : “Roda Gigante”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Woody Allen
Produção : Erika Aronson/Letty Aronson/Edward Walson
Elenco : Jim Belushi, Kate Winslet, Juno Temple, Justin Timberlake, Max Casella, Jack Gore, David Krumholtz, Tony Sirico, Steve Schirripa, Geneva Carr, Jenna Stern.

História : Na Nova Iorque da década de 1950, Ginny é uma ex-actriz que agora trabalha como empregada de mesa. Casada com Humpty, o operador de carrossel do Parque de Diversões de Coney Island, sente a vida passar-lhe ao lado. Um dia, conhece Mickey, um jovem e atraente nadador-salvador que sonha tornar-se escritor, por quem se apaixona perdidamente. Mas quando Carolina, a filha de Humpty, regressa inesperadamente a casa para fugir do marido, Ginny vê-se a dividir com ela a atenção do jovem amante.

Comentário : Antes de falar sobre o filme em questão, tenho que escrever umas coisas sobre um assunto que está a contagiar Hollywood. Eu acho ridículo quando uma pessoa que sempre gostou dos filmes de Woody Allen, de repente passa a dizer que detesta o seu trabalho, por causa dos problemas em que ele esteve envolvido na vida real. Eu por exemplo, sempre fui um grande admirador de Woody Allen enquanto actor, músico e realizador, gosto de muitos dos seus filmes e continuo a gostar do seu trabalho, mesmo depois de se ter ficado a saber certas coisas menos positivas da sua conduta pessoal. Eu sou adulto suficiente para saber diferenciar o homem do artista e da sua respectiva obra enquanto arte. O que um artista ou um profissional em geral faz na sua vida pessoal, é problema seu e dos visados e em caso disso, é só deixarem a justiça fazer o seu trabalho. Eu vejo as coisas desta maneira e olhem que não estou a defender estes homens – olha eu – que considero as mulheres a melhor coisa do mundo, vocês que me conhecem sabem disso, eu sou um grande defensor das raparigas. Eu penso é que cada coisa deve estar no seu devido lugar : critiquem o homem, mas respeitem e admirem a sua obra.

Mas vamos agora falar de “Wonder Wheel”, o esperado e novo filme de Woody Allen. Quase todos os filmes de Woody Allen possuem uma mensagem, aqui podemos ver que estamos perante um retrato da classe média que também se verifica na actualidade. Gostei da história e das personagens, está tudo muito bem construído, o realizador sabe trabalhar todas as guitas que compõem o tear. De destacar a banda sonora e a belíssima fotografia, veja-se como o director brinca com a cor e como usa esse procedimento no cabelo das duas actrizes, por exemplo. Woody Allen gere tudo isto com uma grande mestria e o resultado é um filme que, estando muito longe das suas melhores obras, resulta muito bem em grande parte devido a um argumento muito bem costurado e trabalhado que apenas peca por deixar algumas pontas soltas. E é com gozo que vemos um dos personagens recorrer à quebra da quarta parede, um recurso muito usado pelo realizador. Não só gostei deste filme como ficarei a aguardar com ansiedade o seu novo trabalho.

The Party

Nome do Filme : “The Party”
Titulo Inglês : “The Party”
Titulo Português : “A Festa”
Ano : 2017
Duração : 70 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Sally Potter
Produção : Christopher Sheppard
Elenco : Patricia Clarkson, Bruno Ganz, Timothy Spall, Kristin Scott Thomas, Emily Mortimer, Cherry Jones, Cillian Murphy.

História : Para festejar o novo cargo de “ministra sombra” da Saúde do partido da oposição, Janet resolve fazer uma festa em sua casa com um grupo de amigos próximos. As pessoas vão chegando, felizes com a boa-nova. Mas o que prometia ser um encontro aprazível altera-se quando Bill, o marido de Janet, decide fazer um anúncio inesperado. Em choque com o que acabaram de saber, anfitriões e convidados dão início a uma série de revelações que transformam aquela noite num autêntico pesadelo.

Comentário : Trata-se de um pequeno filme a preto e branco muito bem dirigido pela realizadora Sally Potter com sete excelentes interpretações, mas cujo resultado final podia ter sido bem melhor. Juntou-se sete bons actores num pequeno espaço, escreveu-se um argumento interessante e moderno, mas algumas frases feitas não resultaram tão bem. De facto, confesso ter gostado deste pequeno grande filme, principalmente porque todos os sete intervenientes estão impecáveis e fizeram o trabalho de forma competente, tudo para que o barco chegasse a bom porto. Pessoalmente, fui ganhando interesse pelas personagens à medida que elas iam aparecendo e iam revelando e mostrando algo de si. Gostei dos sete. A Kristin Scott Thomas desempenha muito bem a esposa dedicada ao marido, uma mulher igualmente dedicada ao trabalho, mas que esqueceu-se de tomar atenção aos sinais que ele lhe ia enviando ao longo dos últimos dois anos. Timothy Spall tem aqui um papel deveras interessante, o seu personagem fala pouco, mas soma pontos no que à sua expressividade diz respeito, ele diz muito com o olhar e com o rosto.

Patricia Clarkson, por seu turno, vai bem no papel de amiga sarcástica e que diz o que pensa de forma cínica, ela foi uma das personagens que eu mais gostei. Bruno Ganz é outro que me cativou bastante, ele veste a pele de alguém quase mágico, é fácil gostarmos do seu Gottfried. Emily Mortimer e Cherry Jones desempenham duas lésbicas que se amam, mas com intelectos bem distintos, eu gostei das duas, embora prefira a personalidade da primeira. E Cillian Murphy que é um actor que eu não gosto muito, embora reconheça que ele é um bom profissional, confesso igualmente que foi o personagem que eu menos gostei dos sete, mas o facto é que ele esteve muito bem. O filme possui alguns twists, uns funcionam bem, outros nem tanto. A revelação final surpreende, embora seja ridícula e um pouquinho descabida. Volto a dizer, o filme peca por ter frases demasiado trabalhadas e pela duração que é curta demais, pedia-se mais vinte minutos. Ainda assim, é um filme que se vê bem e que é fácil de se gostar. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Directions

Nome do Filme : “Posoki”
Titulo Inglês : “Directions”
Titulo Português : “Táxi Sófia”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Stephan Komandarev
Produção : Stephan Komandarev
Elenco : Vasil Banov, Ivan Barnev, Assen Blatechki, Stefan Denolyubov, Dobrin Dosev, Gerasim Georgiev, Troyan Gogov, Irini Jambonas, Georgi Kadurin, Anna Komandareva, Borislava Stratieva, Nikolai Urumov, Vassil Vassilev, Julian Vergov, Stefka Yanorova Trenfafilova.

História : Um taxista vê-se a braços com um aumento injustificado da sua prestação bancária. Outros taxistas, vivem as suas experiências ao volante das suas viaturas durante mais uma noite de serviço.

Comentário : Esta noite vi este filme vindo da Bulgária, uma espécie de road-movie que é tanto sobre o mundo dos taxistas quanto sobre o estado da sociedade daquele país. Assim à memória, chegam-me outros filmes do género, mas este em questão está muito bem conseguido. A primeira situação é forte e a sequência que encerra o filme deixou-me a pensar. O filme segue a um ritmo lento, embora sempre empolgante e aliciante, pessoalmente eu estava sempre na expectativa sobre que situação me ia aparecer pela frente. As situações parecem verdadeiras e isso talvez tenha a ver com o facto de serem baseadas em acontecimentos reais. O filme tem também uma componente política e social, onde o crime está presente. Filmada principalmente à noite, trata-se de uma fita com boas interpretações e eu gostei de todas as situações aqui retratadas. Confesso que houve uma altura da minha vida em que eu ambicionava ser taxista, mas já lá vão muitos anos e esse desejo foi-se esvaindo, além disso e depois de saber de umas coisas, tirei daí o sentido. De facto, é uma profissão de risco, anos mais tarde, eu percebi. A noite foi aqui muito bem filmada e representada, no fundo, é algo parecida com a de outros países, tal como os dramas humanos um pouco por todo o mundo. A parte do cão chega mesmo a emocionar. Sim, o filme é bom e eu gostei dele, mas continuo a preferir “Taxi” de Jafar Panahi.