domingo, 21 de janeiro de 2018

Insidious : The Last Key

Nome do Filme : “Insidious : The Last Key”
Titulo Inglês : “Insidious : The Last Key”
Titulo Alternativo : “Insidious : Chapter 4”
Titulo Português : “Insidious : A Última Chave”
Ano : 2018
Duração : 104 minutos
Género : Terror
Realização : Adam Robitel
Produção : James Wan/Leigh Whannell/Oren Peli/Jason Blum
Elenco : Lin Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson, Spencer Locke, Caitlin Gerard, Josh Stewart, Bruce Davison, Tessa Ferrer, Aleque Reid, Ava Kolker, Pierce Pope, Javier Botet, Kirk Acevedo, Marcus Henderson, Amanda Jaros, Hana Hayes, Thomas Robie, Melanie Gaydos, Ty Simpkins, Patrick Wilson, Rose Byrne, Joseph Bishara, Barbara Hershey, Danielle Bisutti, Brynn Bowie, Madison Bowie, Stefanie Scott.

História : Perita em fenómenos paranormais, Elise Rainier está cansada de ser assombrada por pesadelos do passado. Ela decide chamar os seus dois colegas de trabalho e os três viajam para a casa onde Elise passou a sua infância e adolescência na intenção da senhora tentar vencer de vez os demónios que a atormentaram a vida toda.

Comentário : Eu sou suspeito para vir aqui falar deste filme de terror, porque eu sou um grande admirador desta saga e gostei de todos os filmes, incluindo este. Estes filmes são adorados em parte porque têm mais efeitos práticos e artesanais do que digitais e CGI. E isso foi um acerto desde o início. A esta saga podemos perfeitamente juntar os dois filmes “Annabelle”, os dois “The Conjuring” com um terceiro a caminho e os filmes que estrearão ainda este ano : “The Nun” e “Slender Man”. Fazem todos parte do mesmo universo. Logo no início deste ano, surge-nos este novo capítulo da saga de Elise Rainier, uma especialista em fenómenos paranormais com dons de comunicar com espíritos e com um passado ligado a esses mundos. Com a ajuda dos seus sempre fiéis colegas de trabalho e pesquisa, Specs e Tucker, ela vai ajudando as pessoas. Nesse aspecto, os dois primeiros filmes seguiam esse esquema, mas o terceiro funcionou como uma espécie de prequela em que era contado e mostrado um pouco mais de Elise, do seu passado e como ela conheceu os dois colegas. 

Neste quarto capítulo e não menos importante, seguimos a continuação desse terceiro, ou seja, o que temos aqui é novamente uma prequela, podemos afirmar que temos finalmente um filme dedicado exclusivamente a Elise, ao seu passado e à sua complicada família. Nesse aspecto, as coisas até funcionam, ainda que eu tenha que confessar que o realizador podia ter aprofundado mais os demónios mais marcantes. Eles são assustadores e aqui os efeitos sonoros deram um forte contributo. Lin Shaye está impecável, ela me convenceu totalmente, é uma espécie de alicerce principal desta saga. Como alívios cómicos, Leigh Whannell e Angus Sampson têm algumas boas saídas, embora em certas alturas estraguem as coisas ao cortar o clima de tensão. Por seu lado, Spencer Locke e Caitlin Gerard, sobrinhas de Elise, são uma boa adição mas infelizmente servem em parte os propósitos do costume. Os cameos de outros filmes são bem-vindos. O clima de terror e tensão funciona mais uma vez. E o final faz a ligação com o primeiro filme. Apesar de ser o mais fraco dos quatro, está bastante aceitável. 


The Strange Ones

Nome do Filme : “The Strange Ones”
Titulo Inglês : “The Strange Ones”
Ano : 2017
Duração : 81 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Christopher Radcliff/Lauren Wolkstein
Produção : Eric Schultz/Sebastien Aubert/Shani Geva/Michael Prall
Elenco : James Freedson Jackson, Alex Pettyfer, Emily Althaus, Gene Jones, Owen Campbell, Tobias Campbell, Marin Ireland, Will Blomker, Cindy Cheung, Olivia Wang.

História : Após uma tragédia, dois irmãos iniciam uma viagem de carro pelas zonas remotas dos Estados Unidos, mas as coisas complicam-se quando estranhos acontecimentos têm lugar.

Comentário : Trata-se de um road-movie envolvido num grande clima de mistério, onde no início sabemos muito pouco e, com a continuação, ficamos certamente a conhecer mais sobre o rapaz protagonista. As primeiras cenas revelam em parte a chave da questão, mas mesmo que os factos estejam ali mesmo à nossa frente, são cenas que praticamente não nos dizem nada, porque desconhecemos o que elas nos querem dizer. Só lá para o meio ou mesmo perto do final, somos bombardeados por uma informação fundamental, que se traduz num twist sobre a verdadeira relação dos dois irmãos. Eu confesso que não estava à espera daquilo, mas foi uma boa surpresa. Por se tratar de um road-movie, parte do filme decorre numa floresta ou nas proximidades de uma, onde o carro está quase sempre presente, é esse o meio de transporte que os dois protagonistas usam para se deslocar praticamente até ao momento da tal revelação. O personagem mais novo tem uma fixação por um gato preto que surge habitualmente em algumas cenas. O filme tem imensas cenas de interiores, mas são as de exteriores que causam mais impacto, onde a fotografia tem um papel essencial. No papel do irmão mais velho, encontramos um competente Alex Pettyfer, um personagem bastante misterioso e enigmático, pessoalmente sempre tive interesse em saber mais dele, embora o seu final nunca seja devidamente esclarecido. Em certa altura, cheguei a duvidar da sua existência. Como irmão mais novo, James Freedson Jackson vai bem nesse registo, confesso que gostei bastante da sua prestação, ele é de longe o melhor personagem do filme. Algumas coisas foram mal explicadas, mas no fundo, é um bom filme independente. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Wonder Wheel

Nome do Filme : “Wonder Wheel”
Titulo Inglês : “Wonder Wheel”
Titulo Português : “Roda Gigante”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Woody Allen
Produção : Erika Aronson/Letty Aronson/Edward Walson
Elenco : Jim Belushi, Kate Winslet, Juno Temple, Justin Timberlake, Max Casella, Jack Gore, David Krumholtz, Tony Sirico, Steve Schirripa, Geneva Carr, Jenna Stern.

História : Na Nova Iorque da década de 1950, Ginny é uma ex-actriz que agora trabalha como empregada de mesa. Casada com Humpty, o operador de carrossel do Parque de Diversões de Coney Island, sente a vida passar-lhe ao lado. Um dia, conhece Mickey, um jovem e atraente nadador-salvador que sonha tornar-se escritor, por quem se apaixona perdidamente. Mas quando Carolina, a filha de Humpty, regressa inesperadamente a casa para fugir do marido, Ginny vê-se a dividir com ela a atenção do jovem amante.

Comentário : Antes de falar sobre o filme em questão, tenho que escrever umas coisas sobre um assunto que está a contagiar Hollywood. Eu acho ridículo quando uma pessoa que sempre gostou dos filmes de Woody Allen, de repente passa a dizer que detesta o seu trabalho, por causa dos problemas em que ele esteve envolvido na vida real. Eu por exemplo, sempre fui um grande admirador de Woody Allen enquanto actor, músico e realizador, gosto de muitos dos seus filmes e continuo a gostar do seu trabalho, mesmo depois de se ter ficado a saber certas coisas menos positivas da sua conduta pessoal. Eu sou adulto suficiente para saber diferenciar o homem do artista e da sua respectiva obra enquanto arte. O que um artista ou um profissional em geral faz na sua vida pessoal, é problema seu e dos visados e em caso disso, é só deixarem a justiça fazer o seu trabalho. Eu vejo as coisas desta maneira e olhem que não estou a defender estes homens – olha eu – que considero as mulheres a melhor coisa do mundo, vocês que me conhecem sabem disso, eu sou um grande defensor das raparigas. Eu penso é que cada coisa deve estar no seu devido lugar : critiquem o homem, mas respeitem e admirem a sua obra.

Mas vamos agora falar de “Wonder Wheel”, o esperado e novo filme de Woody Allen. Quase todos os filmes de Woody Allen possuem uma mensagem, aqui podemos ver que estamos perante um retrato da classe média que também se verifica na actualidade. Gostei da história e das personagens, está tudo muito bem construído, o realizador sabe trabalhar todas as guitas que compõem o tear. De destacar a banda sonora e a belíssima fotografia, veja-se como o director brinca com a cor e como usa esse procedimento no cabelo das duas actrizes, por exemplo. Woody Allen gere tudo isto com uma grande mestria e o resultado é um filme que, estando muito longe das suas melhores obras, resulta muito bem em grande parte devido a um argumento muito bem costurado e trabalhado que apenas peca por deixar algumas pontas soltas. E é com gozo que vemos um dos personagens recorrer à quebra da quarta parede, um recurso muito usado pelo realizador. Não só gostei deste filme como ficarei a aguardar com ansiedade o seu novo trabalho.

The Party

Nome do Filme : “The Party”
Titulo Inglês : “The Party”
Titulo Português : “A Festa”
Ano : 2017
Duração : 70 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Sally Potter
Produção : Christopher Sheppard
Elenco : Patricia Clarkson, Bruno Ganz, Timothy Spall, Kristin Scott Thomas, Emily Mortimer, Cherry Jones, Cillian Murphy.

História : Para festejar o novo cargo de “ministra sombra” da Saúde do partido da oposição, Janet resolve fazer uma festa em sua casa com um grupo de amigos próximos. As pessoas vão chegando, felizes com a boa-nova. Mas o que prometia ser um encontro aprazível altera-se quando Bill, o marido de Janet, decide fazer um anúncio inesperado. Em choque com o que acabaram de saber, anfitriões e convidados dão início a uma série de revelações que transformam aquela noite num autêntico pesadelo.

Comentário : Trata-se de um pequeno filme a preto e branco muito bem dirigido pela realizadora Sally Potter com sete excelentes interpretações, mas cujo resultado final podia ter sido bem melhor. Juntou-se sete bons actores num pequeno espaço, escreveu-se um argumento interessante e moderno, mas algumas frases feitas não resultaram tão bem. De facto, confesso ter gostado deste pequeno grande filme, principalmente porque todos os sete intervenientes estão impecáveis e fizeram o trabalho de forma competente, tudo para que o barco chegasse a bom porto. Pessoalmente, fui ganhando interesse pelas personagens à medida que elas iam aparecendo e iam revelando e mostrando algo de si. Gostei dos sete. A Kristin Scott Thomas desempenha muito bem a esposa dedicada ao marido, uma mulher igualmente dedicada ao trabalho, mas que esqueceu-se de tomar atenção aos sinais que ele lhe ia enviando ao longo dos últimos dois anos. Timothy Spall tem aqui um papel deveras interessante, o seu personagem fala pouco, mas soma pontos no que à sua expressividade diz respeito, ele diz muito com o olhar e com o rosto.

Patricia Clarkson, por seu turno, vai bem no papel de amiga sarcástica e que diz o que pensa de forma cínica, ela foi uma das personagens que eu mais gostei. Bruno Ganz é outro que me cativou bastante, ele veste a pele de alguém quase mágico, é fácil gostarmos do seu Gottfried. Emily Mortimer e Cherry Jones desempenham duas lésbicas que se amam, mas com intelectos bem distintos, eu gostei das duas, embora prefira a personalidade da primeira. E Cillian Murphy que é um actor que eu não gosto muito, embora reconheça que ele é um bom profissional, confesso igualmente que foi o personagem que eu menos gostei dos sete, mas o facto é que ele esteve muito bem. O filme possui alguns twists, uns funcionam bem, outros nem tanto. A revelação final surpreende, embora seja ridícula e um pouquinho descabida. Volto a dizer, o filme peca por ter frases demasiado trabalhadas e pela duração que é curta demais, pedia-se mais vinte minutos. Ainda assim, é um filme que se vê bem e que é fácil de se gostar. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Directions

Nome do Filme : “Posoki”
Titulo Inglês : “Directions”
Titulo Português : “Táxi Sófia”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Stephan Komandarev
Produção : Stephan Komandarev
Elenco : Vasil Banov, Ivan Barnev, Assen Blatechki, Stefan Denolyubov, Dobrin Dosev, Gerasim Georgiev, Troyan Gogov, Irini Jambonas, Georgi Kadurin, Anna Komandareva, Borislava Stratieva, Nikolai Urumov, Vassil Vassilev, Julian Vergov, Stefka Yanorova Trenfafilova.

História : Um taxista vê-se a braços com um aumento injustificado da sua prestação bancária. Outros taxistas, vivem as suas experiências ao volante das suas viaturas durante mais uma noite de serviço.

Comentário : Esta noite vi este filme vindo da Bulgária, uma espécie de road-movie que é tanto sobre o mundo dos taxistas quanto sobre o estado da sociedade daquele país. Assim à memória, chegam-me outros filmes do género, mas este em questão está muito bem conseguido. A primeira situação é forte e a sequência que encerra o filme deixou-me a pensar. O filme segue a um ritmo lento, embora sempre empolgante e aliciante, pessoalmente eu estava sempre na expectativa sobre que situação me ia aparecer pela frente. As situações parecem verdadeiras e isso talvez tenha a ver com o facto de serem baseadas em acontecimentos reais. O filme tem também uma componente política e social, onde o crime está presente. Filmada principalmente à noite, trata-se de uma fita com boas interpretações e eu gostei de todas as situações aqui retratadas. Confesso que houve uma altura da minha vida em que eu ambicionava ser taxista, mas já lá vão muitos anos e esse desejo foi-se esvaindo, além disso e depois de saber de umas coisas, tirei daí o sentido. De facto, é uma profissão de risco, anos mais tarde, eu percebi. A noite foi aqui muito bem filmada e representada, no fundo, é algo parecida com a de outros países, tal como os dramas humanos um pouco por todo o mundo. A parte do cão chega mesmo a emocionar. Sim, o filme é bom e eu gostei dele, mas continuo a preferir “Taxi” de Jafar Panahi.

Ama-San

Nome do Filme : “Ama-San”
Titulo Português : “Ama-San”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Documentário
Realização : Cláudia Varejão
Produção : Pedro Pinho
Elenco : Matsumi Koiso, Mayumi Mitsuhashi, Masumi Shibahara.

História : A vida de mulheres que trabalham arriscando as suas próprias vidas, elas mergulham até ao fundo do mar para recolher o abalone. Uma tarefa que acontece no Japão há mais de 2000 anos pelas mãos das Ama-San.

Comentário : Entre todos os géneros cinematográficos, o documentário é possivelmente o que abarca mais realismo, afinal, normalmente aquilo que vemos corresponde à realidade e a informação que passa para nós relata e fala sobre o que nos é mostrado. No entanto, o documentário é o género que menos procura tem. Visto que o documentário permite-nos conhecer outras vivências e outras culturas, enfim, outras coisas, trata-se de um tipo de filmes que tem imenso para nos ensinar. E no caso deste “Ama-San”, isso também se verifica. Realizado por uma mulher portuguesa, este documentário é importante na medida em que nos dá a conhecer algo que muitos desconhecem e que é muito gratificante de se ficar a saber. Os factos narrados e mostrados aqui decorrem no Japão e contam a história de mulheres que arriscam as próprias vidas em mergulhos até ao fundo do mar para recolher aquilo que as sustenta e que permite a sobrevivência delas e dos seus filhos. Pode-se dizer que é um documentário de grande valor, eu mesmo, não conhecia nada disto e adorei conhecer esta realidade. Está tudo muito bem montado e mostrado, para além de estar muito bem filmado. A realizadora penetra a fundo nas vidas e nos quotidianos destas mulheres, centrando-se em particular em três delas e o resultado é bastante satisfatório. De lamentar é o facto de termos poucos momentos dedicados aos mergulhos e em vez disso, temos demasiado tempo facultado às vidas pessoais das três visadas. As sequências de mergulho são apenas três e isto durante quase duas horas, mas essas poucas são de uma beleza avassaladora e é tudo muito bonito, são cenas que funcionam. De frisar ainda que estas mulheres não usam nenhum tipo de equipamento de mergulho ou de segurança, é tudo feito de forma natural e usando apenas panos e uma máscara na cara. Pessoalmente, adorei este documentário.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Wet Woman In The Wind

Nome do Filme : “Kaze Ni Nureta Onna”
Titulo Inglês : “Wet Woman In The Wind”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Akihiko Shiota
Produção : Naoko Komuro
Elenco : Tasuku Nagaoka, Yuki Mamiya, Michiko Suzuki, Ryushin Tei, Takahiro Kato.

História : Um homem vê a sua vida virada do avesso quando uma linda e estranha rapariga entra subitamente na sua existência.

Comentário : Esta noite vi este filme japonês que confesso ter gostado e cuja história me despertou um interesse muito particular. Quem já viu este filme pode até achar que se trata de uma fita banal sobre sexo, mas deixem-me dizer que estão enganados. No fundo, trata-se de um filme que funciona como uma espécie de sátira aos filmes porno que se faziam durante os anos 1970 no Japão. Ainda assim, gostei bastante da história, mesmo que as cenas de sexo não sejam nada de especial. Detentoras de algum exagero e também alguma falsidade, as cenas de sexo apesar de estarem bem filmadas, servem um propósito que é o de complementar a história que se pretende contar e mostrar. Algumas personagens secundárias que surgem a meio da trama não adiantam nada, se o filme fosse unicamente sobre o casal protagonista, seria mais que suficiente. Grande parte do filme decorre no campo e isto fez com que a história fosse mais cativante. Como actor principal, encontramos um competente Tasuku Nagaoka, ele interpretou bem o seu papel, confesso ter gostado bastante do seu personagem. A linda Yuki Mamiya foi quem teve a melhor prestação feminina do longa, além de ter gostado muito da sua personagem, confesso que ela se entregou totalmente ao seu papel, a sua Shiori é bem intrigante, sensual e peculiar. Além disso, os dois funcionam muito bem juntos enquanto actores e personagens. A propósito, espero que não voltem a deixar o tigre fugir.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Two Lovers And A Bear

Nome do Filme : “Two Lovers And A Bear”
Titulo Inglês : “Two Lovers And A Bear”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Romance/Aventura
Realização : Kim Nguyen
Produção : Roger Frappier
Elenco : Dane DeHaan, Tatiana Maslany, Gordon Pinsent, Joel Gagne, Phoenix Wilson, Jeffrey R. Smith, Ash Catherwood, Johnny Issaluk, Joseph Nakogee, Yvonne E. Davidson, Jennifer Soucie, Marie Belleau, Janet Hilliar, Kakki Peter, Bernice Clarke.

História : Lucy e Roman são um jovem casal de namorados prestes a iniciar uma vida a dois. Residentes num mundo gelado, Lucy e Roman sofrem na actualidade com um passado bem traumático devido ao mal que os seus pais lhes fizeram. Quando Lucy decide regressar à cidade para prosseguir os seus estudos, Roman fica desesperado e os dois embarcam numa perigosa aventura que irá decidir os seus futuros.

Comentário : Outro filme independente que eu tive a sorte de ver e este é bem peculiar, senão vejamos, o protagonista masculino tem a capacidade de falar com ursos e os dois têm pelo menos duas sequências em que travam uma conversa. Eu achei isso muito interessante e divertido. No centro da trama, temos dois protagonistas que formam um casal de namorados, cada um deles com um passado traumático devido às suas figuras paternas, mas não vou revelar mais nada. No inicio, as coisas custam a arrancar sem nunca ser cansativo, nós seguimos bem a rotina dos dois elementos do casal. Pode-se dizer que o filme é constituído por dois actos, primeiro somos apresentados aos personagens e respectivas características e dramas e depois somos levados a conhecer a sua jornada. Funciona também como uma espécie de road-movie, só que aqui temos duas motos esqui em vez de carros e neve em vez de estrada. Mas asseguro que é muito lucrativo acompanharmos a viagem dos nossos protagonistas. Dane DeHaan vai muito bem no papel de jovem irresponsável, enquanto que Tatiana Maslany tem a melhor prestação em cena, a empatia entre os dois é notável, são dois actores que funcionam na perfeição enquanto personagens e casal. O frio e a neve são duas personagens secundárias, quase palpáveis. O urso é lindo. O clima de romance também é bem-vindo num filme que peca apenas por ter alguns erros no roteiro e um final triste e inesperado. 

The Tribes Of Palos Verdes

Nome do Filme : “The Tribes Of Palos Verdes”
Titulo Inglês : “The Tribes Of Palos Verdes”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Brendan Malloy/Emmett Malloy
Produção : Karen Croner/Robbie Brenner
Elenco : Maika Monroe, Cody Fern, Jennifer Garner, Justin Kirk, Noah Silver, Stevie Lynn Jones, Natalie Loren Kwatinetz, Brice Fisher, Milo Gibson, Sarah Schroeder Matzkin, Kaili Thorne, Amber Townsend, Alicia Silverstone, Goran Visnjic.

História : Um casal e os dois filhos adolescentes mudam-se para uma nova cidade, mas estão longe de saber que a situação deles vai ser sempre a piorar dali para a frente.

Comentário : Hoje venho aqui comentar um filme independente de que gostei bastante, quem já o viu pode achar que se trata de uma obra simples e nada de mais, mas eu achei bem relevante e é uma fita que explora o funcionamento de uma família, onde as coisas correm mal e têm tendência para piorar de dia para dia. Nesse campo, confesso que os realizadores fizeram um bom trabalho, é impressionante vermos como as pessoas vão caindo cada vez mais e prejudicando os outros membros da família. Filmado de modo quase amador, este filme tem um bom roteiro, em certo ponto, as coisas seguem uma linha crescente de tensão e de aflição, dos quatro elementos da família, existem dois que estão sempre a piorar. E por falar neles, Jennifer Garner tem aqui uma boa prestação, fazia muito tempo que não a via num papel tão sério e consistente. Ela nos convence na pele de uma mulher vítima de um colapso nervoso, alguém descontrolado e quase à beira da loucura. Também o jovem Cody Fern vai bem no papel de surfista drogado que, apesar de ter uma boa relação com a mãe e com a irmã, tende para fazer patifarias. Noah Silver desempenha o namorado atencioso e carinhoso da protagonista, gostei do seu personagem. No entanto, a nível do elenco, o grande e merecido destaque vai para a linda e talentosa Maika Monroe que não só possui a melhor prestação do filme, como também tem a personagem mais interessante da história. O final é muito triste, embora eu tenha que confessar que gostei do destino que deram a Medina.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Hollow In The Land

Nome do Filme : “Hollow In The Land”
Titulo Inglês : “Hollow In The Land”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Scooter Corkle
Produção : Marlaina Mah/Jesse Savath
Elenco : Dianna Agron, Shawn Ashmore, Rachelle Lefevre, Sarah Dugdale, Jared Abrahamson, Brent Stait, Jessica McLeod, Michael Rogers, Glynis Davies, Marilyn Norry, David Lennon, Michael Gray, John Sampson, Laena Brown.

História : Carregando o nome manchado da família, uma jovem tem que fazer de tudo para tentar evitar que o irmão siga o mesmo caminho, tudo numa terra hostil pronta a condená-los a qualquer momento.

Comentário : E para terminar as primeiras publicações do ano, trago o comentário a um filme independente canadiano que não prometia nada, mas que se revelou como sendo uma fita bastante aceitável e interessante. No centro da trama temos uma jovem mulher que carrega o peso do nome manchado da família, tendo um pai que está preso por ter cometido um crime grave e um irmão delinquente que passa a vida a ser detido por pequenos crimes. Sozinha, ela tenta levar a situação, sempre marcada pela opinião dos habitantes da região que não resistem a fazer-lhes a vida negra sempre que podem. Por ser um filme independente, os recursos disponíveis para o realizador Scooter Corkle não eram muitos e o director fez o que pode com o pouco material que tinha em mãos e aqui, vale lembrar que ele também escreveu o argumento. O resultado final é positivo, estamos perante um filme bem arrumado, que segue sempre a um bom ritmo e que nos mantém em constante clima de tensão, afinal trata-se também de um thriller. Pessoalmente, confesso ter gostado bastante desta história e para isso contribuiu o roteiro muito bem escrito pelo cineasta responsável por esta fita dramática.

Temos também outros factores que fazem deste filme uma obra bastante aceitável. Por exemplo, podemos contar com uma fotografia amadora e escura na maior parte dos casos, mas que aqui funciona como um elogio, visto que embeleza os ambientes em que as cenas decorrem. Temos pequenas cenas de ação, uma ou outra está ok, já uma em particular não funciona tão bem, devido a alguns erros. Apesar disso, o filme está muito bem filmado, o realizador soube o que fazer com a camara. No papel da protagonista, encontramos Dianna Agron que carrega o filme quase todo nos ombros, ela possui a melhor prestação da fita e é graças a ela que sentimos o peso real da situação em que aquela família abarca. No papel do polícia, temos um Shawn Ashmore competente e com uma interpretação aceitável e de acordo com o combinado. Por seu lado, Rachelle Lefevre dá-nos uma personagem consistente e marcada pela vida, ela convence. Para terminar a questão do elenco, não podia faltar a jovem e linda Sarah Dugdale (foto em cima), que vive aqui uma personagem que tem tanto de querida quanto de corajosa, determinada e forte, a miúda tem aqui umas cenas com uma arma que são brutais. É igualmente um filme que transmite a ideia de que basta um elemento de um núcleo familiar cometer um crime, para que toda a família fique marcada e manchada, a vida é cruel. Grande filme. 

Breath

Nome do Filme : “Nafas”
Titulo Inglês : “Breath”
Titulo Português : “Respiro”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Narges Abyar
Produção : Mohammad Hossein Ghasemi/Abouzar Pour Mohammadi
Elenco : Sareh Nour Mousavi, Mehran Ahmadi, Gelare Abasi, Pantea Panahiha, Shabnam Moghadami, Jamshid Hashempur.

História : Uma menina chamada Bahar vive em Yazd, no Irão, com o seu pai, seus irmãos e sua avó. São tempos difíceis. Primeiro a Revolução Iraniana e, depois, a longa guerra entre o Irão e o Iraque. Mas Bahar tem os seus pensamentos mergulhados nos livros e imersos nas suas próprias fantasias para tentar fazer com que o mundo à sua volta faça sentido.

Comentário : Logo a seguir a ter visto “Almost Friends”, resolvi ver este “Nafas” ou “Breath”, um filme iraniano que eu sabia que me ia interessar e o resultado foi bastante positivo. A ação do filme decorre ao longo dos anos 1970 e acompanha uma família iraniana, com todos os problemas aliados à sua condição. E todos os elementos desta família são bem interessantes. Temos o pai que sofre de asma, ele é viúvo e está a criar, com a ajuda da mãe, quatro crianças que a esposa lhe deixou. Ele é trabalhador e gosta muito dos seus filhos, embora nem sempre tenha atitudes correctas para com eles, ou seja, por vezes questionamos se a educação dos pequenos é mesmo a mais correcta. Temos a avó que é uma pessoa um pouco alterada e também ligeiramente agressiva para os netos, ela tem pouca paciência, embora goste muito deles e isso nota-se. Depois temos quatro crianças, dois meninos e duas meninas, são crianças normais com a sua rebeldia, onde o destaque vai claramente para a personagem principal – a pequena Bahar.

A pequena Bahar é uma menina com cerca de onze anos que vive no seu mundo próprio de fantasia em que os livros e as histórias que cria na sua mente são os seus refúgios. Por vezes maltratada pela avó e pelo seu rude professor, ela vive os seus problemas de forma bem peculiar. É muito bem interpretada pela pequena Sareh Nour Mousavi, é impressionante a descontração com que esta pequena actriz vive e compõe a sua personagem, nós sentimos os seus dramas e as suas poucas alegrias, sim porque ao longo do filme, aquilo que a menina mais faz é sofrer. Uma curiosidade da sua personagem, como o seu pai sofre de asma, ela quer ser médica quando for grande para poder curar a doença dele, pode ser ingénuo mas é muito genuíno. E quando ela chora, meus Deus, parece mesmo que está a chorar de verdade, é tudo tão real. Temos bonitas paisagens, temos planos muito bem filmados e certas cenas são filmadas de camara na mão, o que só confere mais realismo às situações. Existe uma ou outra situação caricata ou cómica, mas nada que estrague o todo, no fundo, é um filme muito bem pensado e elaborado, isto é, para uma fita feita no Irão, confesso que até está muito bem conseguido, com os poucos meios que eles possuem, pode-se considerar um excelente filme. 

Queen Of Earth

Nome do Filme : “Queen Of Earth”
Titulo Inglês : “Queen Of Earth”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Alex Ross Perry
Produção : Alex Ross Perry
Elenco : Elisabeth Moss, Katherine Waterston, Patrick Fugit, Kentucker Audley, Keith Poulson, Craig Butta.

História : Duas melhores amigas que cresceram juntas encontram-se durante uns dias numa casa de campo para reflectir, mas certos acontecimentos do passado acabam por perturbar a relação das duas.

Comentário : Trata-se de um filme algo parecido com o “Persona” de Ingmar Bergman, mas não tão confuso. O realizador conta esta sua história com uma narrativa que aqui é marcada pela contagem dos dias da semana, como se de um diário se tratasse. É tudo filmado de forma quase amadora, com a imagem granulada e em 16mm, o que funcionou como sendo uma jogada muito inteligente do realizador. Temos igualmente planos sensacionais das duas protagonistas, com a camara quase sempre centrada e focada no rosto das duas actrizes. Tem uma sequência muito interessante que deve durar uns oito minutos em que as duas contam momentos seus uma à outra e a camara quase que brinca com elas. O filme dura somente noventa minutos, mas o seu ritmo lento faz com que pareça ter duas horas, pelo menos. No entanto, é uma história que se segue muito bem, pessoalmente, nunca me senti cansado daquilo que estava a ver. O filme peca por ser bastante inquietante, ele possui um clima de suspense e tensão e uma banda sonora que nos suga a paz e nos enerva suavemente e para isso contribuiu o excelente desempenho das duas meninas de serviço. Elisabeth Moss possui aqui a melhor prestação do filme, ela transmite muito bem o retrato de alguém à beira de um colapso nervoso. Katherine Waterston vai bem no papel de amiga da protagonista, as duas têm aqui uma química funcionável, é um prazer ver estas duas grandes actrizes trabalharem juntas em dois papéis muito cativantes e interessantes. Aliás, as duas fazem aqui um excelente trabalho de grupo, elas são a grande força e alma do filme. É um filme muito interessante e peculiar que passou-me despercebido naquela altura, mas que gostei imenso de o ter visto agora.

Almost Friends

Nome do Filme : “Almost Friends”
Titulo Inglês : “Almost Friends”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jake Goldberger
Produção : Jim Young/Tony Lee/Alex A. Ginzburg
Elenco : Freddie Highmore, Odeya Rush, Haley Joel Osment, Jake Abel, Christopher Meloni, Rita Volk, Marg Helgenberger, Taylor John Smith, Christie McNab, Gary Ray Moore, Carlton Byrd, David Chattam, Jonathan DePew, Grant Springate, Jon Hayden.

História : Charlie é um jovem que está prestes a iniciar a sua vida adulta, ele ainda mora com a mãe, apesar de ter um emprego fixo. A sua vida ganha outro vigor quando conhece uma rapariga firme e decidida chamada Amber.

Comentário : Para iniciar este novo ano, eu resolvi ver um filme um pouco diferente, trata-se de uma mistura agradável de drama com romance, que eu gostei bastante. Tudo bem, não é um grande filme, mas cumpre os mínimos propostos e o resultado final é uma obra um pouco divertida que aborda o início da idade adulta e as respectivas responsabilidades. Durante pouco mais de hora e meia, somos levados a entrar na vida de uma família onde um jovem vive com a mãe, o padrasto e o irmão mais novo. O que se segue é a relação desse jovem com esses familiares e com os amigos. Mas é aqui que surge em cena o melhor do filme : Amber. Charlie e Amber acabam mesmo por ser as personagens mais interessantes e fortes do filme, é incrível como os dois funcionam e para ajudar à festa, os actores que lhes dão vida são super talentosos. Assim, Freddie Highmore tem aqui no seu protagonista, uma interpretação muito boa, ele nos convence realmente dos dramas que o seu personagem atravessa. Por seu lado, a linda Odeya Rush possui a melhor prestação feminina do longa, a miúda faculta-nos dessa maneira uma personagem bem consistente e que parece quase real, existe uma cena passada num WC que está impecável. Temos ainda uma cena num elevador que, apesar de ser cliché, funciona muito bem devido aquilo que as personagens intervenientes dizem e transparecem com as suas atitudes. O humor é leve e eficaz na maior parte dos casos. A maioria do pessoal secundário vai bem, mas eu quero destacar o actor Haley Joel Osment, adorei rever o menino de “O Sexto Sentido” aqui, ele está um homem. No fundo, é um bom filme que fala da vida, coisa que nós estamos a reiniciar hoje. 


domingo, 31 de dezembro de 2017

Blade Runner 2049

Nome do Filme : “Blade Runner 2049”
Titulo Inglês : “Blade Runner 2049”
Titulo Português : “Blade Runner 2049”
Ano : 2017
Duração : 164 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Denis Villeneuve
Produção : Ridley Scott
Elenco : Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Jared Leto, Edward James Olmos, Mark Arnold, Dave Bautista, David Dastmalchian, Wood Harris, Tomas Lemarquis, Hiam Abbass, Mackenzie Davis, Krista Kosonen, Elarica Johnson, Lennie James, Carla Juri, Barkhad Abdi, Sean Young, Loren Peta.

História : Na Califórnia de 2049, existem “blade runners”, agentes da Polícia especializados em distinguir e capturar replicantes – humanóides criados artificialmente para serem usados como escravos – dos verdadeiros seres humanos. Quando o agente K descobre um segredo que poderá levar à destruição da Humanidade, resolve procurar Rick Deckard, um antigo “blade runner” que há três décadas se encontra desaparecido e que parece ser a única pessoa capaz de o ajudar a encontrar as respostas de que necessita.

Comentário : Não me podia despedir de 2017 sem deixar neste espaço o comentário ao meu filme preferido deste ano que agora termina. Em relação a este filme, eu gostei de quase tudo. Apenas fiquei triste em relação a uma coisa, quem já viu o filme e me conhece minimamente, saberá ao que eu me estou a referir. Este filme está muito bem concebido e conseguido. Eu gostei da banda sonora que é hipnótica e estremece os nossos sentidos. Adorei a fotografia, possivelmente, a melhor que já vi num filme e não estou a exagerar. Aliás, a nível técnico e visual, o filme é perfeito. Este filme é o exemplo ideal de que é possível fazer-se um blockbuster e um filme de grande orçamento sem recorrer às directivas e regras habituais deste tipo de produções, como prova temos uma fita detentora de um ritmo lento e com pouca ação. Apesar dos efeitos visuais serem excelentes, as características deste filme mostram porque motivo o público em geral não gostou, mas a critica profissional adorou e já o consideram como sendo um dos melhores filmes do ano. 

O realizador Denis Villeneuve é um excelente director e só tem bons filmes no seu historial, ele não deu o filme que as grandes massas queriam, ele deu-nos o filme que um bom cinéfilo quer ver, quer sentir. A questão dos replicantes face aos humanos foi muito bem trabalhada e desenvolvida. Adoro o actor Ryan Gosling e ele está muito bem enquanto protagonista, eu gostei bastante do seu personagem, bem como do final dele que foi poético. Gostei igualmente de rever Harrison Ford, ele é um bom actor e foi um prazer vê-lo aqui. Ana de Armas é linda e foi a minha personagem preferida deste filme, a empatia dela com o personagem de Ryan Gosling é palpável e perfeita, o final que deram à miúda é muito triste, mesmo se tratando de um holograma. Robin Wright está impecável no filme. Existem alguns secundários que são conhecidos, mas com papéis interessantes. E sim, eu tive a melhor experiência cinematográfica deste ano ao ver “Blade Runner 2049”, ao lado de “Paterson” de Jim Jarmusch, são os meus filmes preferidos de 2017. “Blade Runner 2049” é um filme artístico, é cinema enquanto arte. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

The Killing Of A Sacred Deer

Nome do Filme : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Inglês : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Português : “O Sacrifício de Um Cervo Sagrado”
Ano : 2017
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Raffey Cassidy, Barry Keoghan, Sunny Suljic, Bill Camp.

História : Steven é um cardiologista conceituado que é casado com Anna, com quem tem dois filhos : Kim e Bob. Já há algum tempo ele mantém contacto frequente com Martin, um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven.

Comentário : Sem sombra para dúvidas que este foi um dos filmes que mais me enervou até hoje. E não é à toa. Primeiro porque é um filme muito misterioso e só aí se pode depreender que essa ausência de informação nos causa ansiedade e interesse em saber mais. Segundo porque o filme possui dois personagens bem irritantes que nunca chegam a pagar pelos seus erros. E depois porque é uma história fraca em explicações, o que neste caso dificulta a nossa compreensão para alguns acontecimentos e mesmo certas atitudes dos cinco personagens centrais da obra. Eu sei que não é obrigatório os filmes terem todas as explicações que desejamos, aliás, certos filmes possuem até um certo encanto pelo facto de deixarem questões por responder, mas neste caso, uma explicação para o problema central daria muito jeito. Outra coisa que me irritou foi a banda sonora, que aqui vem adornada de batidas fortes em certas cenas e aumentos de volume em outras. O filme está muito bem filmado e apesar de existirem aqui cenas bem bonitas, já outras são bem aflitivas.

O realizador já tinha trabalhado com o actor principal no seu filme anterior, logo, este, ao contrário do que sucedeu no filme anterior, aqui deve ter aceitado bem o papel. E falando de Colin Farrell (muito irritante aqui), não gostei nada de o ver na pele deste personagem, apesar de reconhecer que ele tem uma boa interpretação. Nicole Kidman também vai bem no seu papel e a química entre ela e Farrell funcionou muito bem. Os jovens Raffey Cassidy e Sunny Suljicc, que aqui fazem de irmãos filhos do casal referido anteriormente, têm boas prestações, quer sejam interpretações artísticas dos seus papéis ou exibições físicas, embora ela desempenhe uma personagem com algumas atitudes que não batem muito certo. Barry Keoghan é um dos personagens mais irritantes que eu já vi em filme, enquanto que ainda nos resta uma Alicia Silverstone irreconhecível e com pouco que fazer ao longo das duas horas. O filme também pode ter outras interpretações ou leituras, podemos ver certos acontecimentos como sendo alegorias ou representações filosóficas. Apesar disto tudo, gostei do filme, embora prefira “The Lobster”. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Thelma

Nome do Filme : “Thelma”
Titulo Inglês : “Thelma”
Titulo Português : “Thelma”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Mystery/Romance
Realização : Joachim Trier
Produção : Thomas Robsahm
Elenco : Eili Harboe, Kaya Wilkins, Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Grethe Eltervag, Marte Magnusdotter Solem, Anders Mossling, Vanessa Borgli, Steinar Klouman Hallert, Ingrid Giaever, Oskar Pask, Gorm Alexander Foss Gromer, Camilla Belsvik, Martha Kjorven, Ingrid Jorgensen Dragland, Lars Berge, Vibeke Lundquist, Isabel Christine Andreasen, Irina Eidsvold Toien, Tommy Larsson.

História : Uma jovem tímida vê o seu modo de viver e a sua independência postos em causa devido a uma família extremamente opressiva, conservadora e controladora que insiste em meter-se na sua vida.

Comentário : Na sinopse deste filme eu não me quis alongar muito para não dar spoilers. Eu gostei deste filme na maioria dos seus aspectos, mas outras coisas nem tanto. Este realizador tem filmes bons, logo, as expectativas para este seu novo registo eram altas. Não me desiludi, embora tenha que confessar que esperava um final mais esclarecedor. É uma obra que mistura eficazmente o drama com o mistério, juntando também uma pitada de romance, diga-se se passagem, este último ingrediente é o responsável pelas melhores cenas da fita. Eu adorei as cenas lésbicas que o longa mostra, mesmo que as duas meninas nunca cheguem aos finalmentes, é um deleite vê-las a namorar. Sobre a família dela, gostei do twist que envolve o seu modo de agir com a filha; se nos primeiros sessenta minutos dão-nos a entender uma coisa, depois ficamos a saber algo sobre a protagonista que muda radicalmente a percepção que tínhamos daqueles pais. E isso me agradou bastante. Esse factor ajuda também a entender a sequência inicial do filme que decorre num passeio de caça entre pai e filha. 

Como protagonista, Eili Harboe possui a melhor interpretação do filme e Kaya Wilkins não lhe fica nada atrás no papel de sua amiga e namorada não assumida. A química entre as duas meninas resulta na perfeição. O filme acaba por nos revelar que Thelma é uma mutante, mas trabalha muito mal essa faceta da protagonista e o resultado são acções dela que nunca têm a devida explicação. Talvez por isso eu não gostei do final, não explicaram como Anja reapareceu na vida de Thelma, foi como se nada tivesse acontecido. Ainda assim, gostei bastante do filme no geral, é uma história cheia de mistério e drama que se segue bem, mas repito, as prestações das duas meninas e as cenas sensuais protagonizadas pelas duas são os principais alicerces deste filme enigmático. Trata-se de um filme muito bem feito e conseguido que nos mantém sempre colados ao ecrã e na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir, mas que no entanto, falha no sentido de nos facultar as respostas que precisávamos, o que apesar de não estragar o todo, deixa-nos com uma certa carência na mente, como se sentíssemos a falta de qualquer coisa importante. 


Lumière

Nome do Filme : “Lumière!”
Titulo Inglês : “Lumière!”
Titulo Alternativo : “Lumière! – L'Aventure Commence”
Titulo Português : “Lumière! - A Aventura Começa”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Documentário
Realização : Thierry Frémaux
Produção : Thierry Frémaux/Bertrand Tavernier
Elenco : François Clerc, Benoit Duval, Leopoldo Fregoli, Loie Fuller, Madeleine Koehler, Auguste Lumière, Louis Lumière, Andrée Lumière.

História : O director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, Thierry Frémaux, seleccionou mais de 100 obras restauradas dos Irmãos Lumière, que ordenou por temas, numa homenagem à Sétima Arte e aos cinéfilos de todas as idades.

Comentário : Depois de tomarem conhecimento do cinetoscópio – que resultava em imagens em movimento dentro de uma pequena caixa escura com um buraco por onde espreitava uma pessoa de cada vez – Auguste e Louis Lumière entregaram-se ao estudo e aperfeiçoamento da técnica de projecção de imagens. O aparelho idealizado, a que chamaram cinematógrafo, tomou forma e foi registado. A invenção era, na verdade, a síntese de pesquisas realizadas por vários investigadores desde o início do século XIX. Depois de melhorarem a técnica do seu aparelho, empenharam-se em produzir filmes. Até que, no dia 28 de Dezembro de 1895, fizeram uma exibição pública em que apresentaram, perante um grupo de pessoas numa sala do Grand Café, no Boulevard des Capucines em Paris, um programa que incluía vários documentários e o seu famoso filme “La Sortie de L'Usine Lumière à Lyon”. Para muitos, esse foi o dia em que o cinema nasceu.

Eu não me considero um grande conhecedor de cinema, mas amo a sétima arte e claro que tinha que vir aqui comentar este excelente filme, um documentário que funciona não só como uma grande homenagem à Sétima Arte como também pode ser considerado o tributo actual que os Irmãos Lumière tiveram. Não devia ser segredo para quem acompanha este espaço que ver filmes é das coisas que mais me dá prazer na vida e assistir aos pequenos filmes que aparecem neste longa foi um privilégio. São pequenos filmes de cerca de cinquenta segundos cada que foram filmados à mais de 100 anos, são coisas que já não existem, pessoas e animais que já morreram, confesso até que isso me causou uma certa impressão, mas isso sempre aconteceu com a minha pessoa, faz-me muita confusão ver imagens e filmes com pessoas que já morreram. E é preciso ter um enorme respeito por estes trabalhos dos irmãos Lumière, praticamente eles foram os pioneiros do cinema. Filmes como “A Chegada do Comboio à Estação”, “Saída da Fábrica Lumière” ou “O Gato e a Criança” são hoje grandes clássicos supremos da história do cinema, confesso que apenas se lamenta que sejam filmes muito pequenos, se eles tivessem feito longas-metragens, a situação seria ainda melhor. Tal como já disse, ver estes pequenos filmes onde mostram situações passadas, pessoas e animais que já morreram, é uma grande honra para mim.

Na minha opinião, este filme é um documentário muito importante e um objecto cinematográfico precioso, funciona mesmo como um resumo do trabalho dos Lumiére. O filme é composto por onze capítulos que mostram a diversidade dos Lumière, mostram também que eles foram pioneiros em várias técnicas de filmar que muitos realizadores da actualidade aplicam nos seus filmes. E isso foi muito interessante. Ao longo de quase hora e meia, somos convidados a conhecer muitos filmes destes irmãos realizadores, filmes não somente dirigidos por eles, mas por colegas de trabalho ligados à firma. Todos são muito interessantes. Ter a grande oportunidade de assistir a este documentário é quase um acontecimento histórico, tal não é a riqueza do seu conteúdo e daquilo que ele representa. O primeiro personagem da história do cinema foi o povo, sim, os trabalhadores que saíam da fábrica. A sensação de susto de quem assistia na sala de cinema ao filme da chegada do comboio à estação, tudo isto é mágico e admirável. Existe até um filme que mostra os Lumière a usar os primeiros efeitos especiais da história do cinema, em que aparece um mendigo a ser atropelado e mais tarde ressuscitado. Mas volto a repetir, assistir aquelas situações e ver aquelas pessoas a mexerem e a se relacionarem mais de 100 anos após aquilo ter acontecido, até causa arrepios. O Cinema é mesmo a mais brilhante das artes, quase parecida com a fotografia, porque gravam coisas e pessoas que aconteceram e viveram na vida, é a prova mais importante que algo realmente existiu e aconteceu. Um dos melhores, mais importantes e mais interessantes documentários que vi na vida. 


Sweet Virginia

Nome do Filme : “Sweet Virginia”
Titulo Inglês : “Sweet Virginia”
Ano : 2017
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jamie M. Dagg
Produção : Chris Ferguson/Fernando Loureiro/Roberto Vasconcelos/Brian Jones
Elenco : Jon Bernthal, Christopher Abbott, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt, Odessa Young, Jared Abrahamson, Joseph Lyle Taylor, Darcy Laurie, Theres Amee, Victoria Bidewell, Cameron Hilts, Scott A. McGillivray, Jason Groves.

História : O dono de um motel com um passado sinistro, sem saber, faz amizade com um jovem assassino responsável por uma onda de violência que, de repente, tomou conta de uma pequena cidade.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que não dava nada por este filme, mas acabei por gostar bastante dele. Não é um filme muito fácil de se seguir, ele possui um ritmo lento e certas coisas demoram para acontecer, algumas cenas se arrastam, mas não receiem porque tudo isto favorece a história, parece que o realizador montou cuidadosamente todas as peças do seu puzzle e o resultado é bastante positivo. Podemos contar ainda com uma banda sonora nauseante, no bom sentido, claramente, são melodias que penetram directamente nos nossos ouvidos e nos estremecem suavemente os tímpanos. O filme tem ainda um forte clima de tensão e todo um ambiente sombrio, duas coisas que também o favorecem bastante, penso mesmo que todos os factores foram muito bem trabalhados de forma a que tudo saísse bem na conclusão final. No papel principal, encontramos um excelente Jon Bernthal que tem aqui a melhor prestação do filme, o actor fez tão bem o seu trabalho e compôs tão bem o seu personagem que quem vê a fita, fica a torcer por ele o tempo todo. Como vilão principal, Christopher Abbott vai bem nesse registo, chega a ser temível em alguns momentos. Na componente feminina, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt e Odessa Young têm personagens boas e que servem na perfeição de auxílio ao protagonista, com destaque para a terceira que, em conjunto com o personagem principal, possuem as cenas mais emotivas do longa. A sequência de abertura no café é poderosa e fria. É um filme forte e é um thriller que, para quem gosta do género, não o deixará indiferente.


War For The Planet Of The Apes

Nome do Filme : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Inglês : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Português : “Planeta dos Macacos : A Guerra”
Ano : 2017
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Matt Reeves
Produção : Amanda Silver/Peter Chernin/Dylan Clark/Rick Jaffa
Elenco : Andy Serkis, Woody Harrelson, Amiah Miller, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria, Judy Greer, Sara Canning, Devyn Dalton, Aleks Paunovic, Alessandro Juliani, Max Lloyd Jones, Timothy Webber, Roger Cross, Chad Rook, Mercedes De La Zerda.

História : Caesar e o seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel.

Comentário : Uma coisa curiosa sobre esta trilogia é que, a cada novo filme eles melhoram sempre e em nada ficam a dever ao filme anterior. Sim, eu gostei bastante deste filme, mas também tenho que confessar que fiquei desiludido com a conclusão que deram à história. A nível técnico, este filme é quase perfeito, os efeitos especiais e a concepção de criaturas (macacos) são do melhor desde “Avatar” e Andy Serkis já devia ter recebido um prémio a sério por este tipo de desempenhos, eu adoro o seu Caesar, um dos meus personagens de computação preferidos. Os macacos deste filme parecem reais, tal não foi a maneira como esta técnica evoluiu. Amiah Miller tem uma presença angelical, eu adorei a sua Nova. O filme possui momentos muito bons e cenas espectaculares. No entanto, existe aqui uma coisa fulcral que julgo ter sido o motivo pelo qual eu me desiludi com este filme.

O realizador tinha duas opções a dada altura : avançar para o lado da guerra aberta ou se direcionar para a componente dramática, como pudemos ver, ele escolheu a segunda via, e eu achei isso muito bem. Mas na minha opinião, essa segunda via não foi muito bem trabalhada, por exemplo, quase metade do longa decorre na base do coronel com cenas que enrolam e enrolam, sem nada adiantar para o todo. Eles andam ali às voltas, com clichés vários que costumam existir neste tipo de produções, em vez de nos mostrar outras coisas e algo novo, por exemplo, podiam nos dar mais sobre o modo de vida dos macacos ou terem desenvolvido e aprofundado mais a relação de Nova com os quatro macacos que a encontram. Outros exemplos, não faz sentido Caesar ir sozinho enfrentar a base do coronel; não faz sentido o coronel aparecer de madrugada na base dos macacos para enfrentar Caesar; não faz sentido o coronel ter macacos a ajudar os seus homens a combater; não faz sentido nenhum os soldados terem capturado todos os macacos que tinham fugido para outras paragens; não faz sentido o final dado a Caesar, depois de o terem salvo das explosões na base dos humanos. Enfim, penso mesmo que foram pelo caminho errado e concluíram mal esta trilogia. Mas lá está, trata-se de um filme muito bom, eu gostei de o ter visto, mas esperava algo mais adulto, dramático e consistente. Mas no geral, é uma excelente trilogia.