domingo, 3 de dezembro de 2017

Woodshock

Nome do Filme : “Woodshock”
Titulo Inglês : “Woodshock”
Titulo Português : “Woodshock”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Kate Mulleavy/Laura Mulleavy
Produção : Michael Costigan/Ken Kao/Ben LeClair/K. K. Barrett
Elenco : Kirsten Dunst, Joe Cole, Pilou Asbaek, Jack Kilmer, Steph DuVall, Susan Taylor, Joel McCoy, Michael Pavlicek.

História : Devastada pela morte da mãe, Theresa sente-se incapaz de reassumir o controlo da sua vida. Numa tentativa de anestesiar a dor, toma uma potente droga derivada da canábis em conjunto com outra substância. A partir desse momento, entra numa espécie de torpor que se transforma numa alucinação descontrolada que a torna incapaz de distinguir a realidade da fantasia.

Comentário : Este filme podia ter sido muito mais do que realmente foi, não é mau, mas também não é grande coisa. Diria que o principal pilar deste filme chama-se Kirsten Dunst e é a ela que se deve o melhor da fita em questão. A actriz em causa tem aqui a interpretação mais pessoal e íntima da sua carreira, ela entregou-se totalmente ao papel que lhe foi cuidadosamente atribuído pelas realizadoras e o resultado está à vista, sublime. Ela convence-nos que a sua Theresa é uma mulher atormentada pelos acontecimentos da vida e faz-nos sentir essa dor, esse estado de alma, é uma personagem muito rica, portanto. Não gostei da banda sonora, mas apreciei muito bem a fotografia e os efeitos visuais em algumas cenas. Também não gostei das personagens secundárias e das prestações dos respectivos actores que lhes dão vida, pareceu-me tudo muito artificial, foi como se eles estivessem a fazer um enorme favor em ter participado no filme. Algumas imagens são muito bonitas, por exemplo, aquelas árvores centenárias são deslumbrantes e impõem respeito. A cena da levitação final da protagonista é linda, eu adorei. A sequência do ferro de engomar também merece destaque. Claro que algumas coisas ficaram por perceber, por exemplo, porque motivo a droga que servia para tratar a mãe doente da personagem principal, provocava alucinações à filha. Outras duas ou três questões também não tiveram qualquer tipo de tratamento. É um filme que vive sobretudo às custas e por causa de Kirsten Dunst enquanto personagem e actriz, o filme pertence-lhe a todos os níveis.

Belarmino

Nome do Filme : “Belarmino”
Titulo Inglês : “Belarmino”
Titulo Português : “Belarmino”
Ano : 1964
Duração : 72 minutos
Género : Documentário/Biográfico/Drama
Realização : Fernando Lopes
Produção : António da Cunha Telles
Elenco : Belarmino Fragoso, Maria Amélia Fragoso, Ana Paula Fragoso, Maria Teresa de Noronha, Jean Pierre Gebler, Bernardo Moreira, Júlia Buisel, Albano Martins.

História : A história e a vida de Belarmino Fragoso, um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a fazer biscates, entre eles, a engraxar sapatos nas ruas de Lisboa.

Comentário : Belarmino é o retrato de um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a engraxar sapatos. É um filme sobre a solidão, o medo e a derrota. Mostra ainda o lado social de uma cidade : Lisboa. Uma cidade muito diferente da Lisboa das “comédias portuguesas”. Fernando Lopes filmou, com enormes restrições orçamentais, a vida de um pugilista que conheceu algum sucesso nos anos 60, tendo mesmo combatido no estrangeiro, mas logo regressou à miséria do “bas-fond” lisboeta. Gostei bastante deste filme e o mais engraçado foi o facto de que até à pouco tempo (meses) eu desconhecia a existência deste homem, deste desportista, tendo significado uma enorme surpresa para mim. Também gostei de ter visto um pouco da minha Lisboa de antigamente, reconheci alguns locais, outros nem por isso, mas é uma grande e linda cidade, não há dúvidas. Este filme, além de ser uma mistura de documentário com biografia, consegue ser também uma entrevista a um homem cuja maneira de ser, assemelha-se a muitos homens daquela época, um homem que passou por muitas dificuldades na vida. Através deste filme, podemos verificar que se vivia muito mal naquela altura, a maior parte das pessoas chegavam mesmo a passar fome. Era difícil arranjar algum dinheiro, só mesmo tendo um emprego certo. Eu diria mesmo que este filme mostra um lado do nosso país desconhecido para muitos e é um prazer descobri-lo. E temos que agradecer a Belarmino Fragoso por ter aceite partilhar uma parte da sua vida connosco. Neste filme, vemos também que muitos homens daquela época ganhavam a vida a engraxar sapatos pelas ruas e avenidas de Lisboa, enfim, uma triste realidade. Belarmino Fragoso nasceu a 15 de Junho de 1931 e faleceu em 19 de Abril de 1982. 


sábado, 25 de novembro de 2017

The Death Of Louis XIV

Nome do Filme : “La Mort de Louis XIV”
Titulo Inglês : “The Death Of Louis XIV”
Titulo Português : “A Morte de Luís XIV”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Albert Serra
Produção : Albert Serra/Thierry Lounas/Claire Bonnefoy/Joaquim Sapinho
Elenco : Jean-Pierre Leaud, Patrick D'Assumçao, Marc Susini, Bernard Belin, Irene Silvagni, Vicenç Altaio, Jacques Henric, Alain Lajoinie, Adrian Dunarintu, Francis Montaulard, Jacques Bontemps, Gabriel Wanner, Paul Menand, John Baille, François Bosselut, Philippe Dion, Jeanette Chevalier, Elodie Castelain, Mael Mersch, Hayarpi Saint Jal, Aksil Meznad, Clara Creus.

História : Em agosto de 1715, ao regressar de um longo passeio, Louis XIV sente uma dor aguda na perna esquerda. Durante os dias seguintes, o Rei continua a cumprir os seus deveres e obrigações, mas as suas noites vão-se tornando cada vez mais agitadas e a febre vence. O Rei mal come e vai enfraquecendo progressivamente vendo-se assim, rodeado pelos seus fiéis seguidores e pelos seus médicos, em completa agonia.

Comentário : Visualmente belíssimo e tudo graças a uma cuidada fotografia, este filme é baseado em factos verídicos e funciona ainda como uma biografia dos últimos dias do Rei Louis XIV. Adornado de cenas muito bonitas, o filme foca-se no protagonista, o Rei, e nos seus seguidores, com a camara quase sempre colada e fixada nos seus rostos. Assim, acompanhamos os últimos dias do Rei e o progressivo piorar do seu estado de saúde num lento processo de agonia, que funcionou graças à excelente prestação do actor Jean-Pierre Leaud, que é o melhor da fita. O realizador Albert Serra continua assim com o seu método muito próprio de filmar e de nos contar histórias e neste caso, não recomendo o filme aqueles espectadores que não gostam de fitas com ritmo lento, porque aqui tudo nos é contado e mostrado muito devagar, mas ainda assim é tudo muito interessante. Apesar do ritmo lento, eu nunca perdi a atenção nem o interesse daquilo que se estava a passar diante dos meus olhos. Confesso que desconhecia a história deste Rei e que gostei de ter ficado a saber esta parte da sua vida, ou do seu final de vida. As últimas cenas são nojentas e dispensáveis, senti que não acrescentaram nada à história, podiam ter terminado quando o “braço-direito” do Rei anunciou a sua morte. Gostei muito dos cães do Rei e senti falta de uma personagem feminina marcante e de peso. O guarda roupa e a caracterização dos personagens mereciam um prémio. Um filme diferente mas belo, que dificilmente agradará à maioria, mas que não fiquem dúvidas de que isto é cinema.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Fort Bliss

Nome do Filme : “Fort Bliss”
Titulo Inglês : “Fort Bliss”
Titulo Português : “Laços de Família”
Ano : 2014
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Claudia Myers
Produção : Claudia Myers
Elenco : Michelle Monaghan, Oakes Fegley, Ron Livingston, Juan Gabriel Pareja, Pablo Schreiber, Emmanuelle Chriqui, Dash Mihok, Freddy Rodriguez, Gbenga Akinnagbe, John Savage, Manolo Cardona, Michael Sirow, Richard Dimaio, Luis Bordonada, Drew Garrett.

História : Após passar um longo período no Afeganistão, uma médica do exército dos Estados Unidos se esforça para reconstruir o relacionamento com o seu filho pequeno.

Comentário : Quantas vezes assistimos a filmes que mostram homens na guerra a combater enquanto que as mulheres ficam sozinhas com os filhos pequenos a cuidar deles e da casa. Pois bem, neste filme passa-se o contrário, é o marido que está em casa a cuidar do filho enquanto que a mulher se alistou no exército e vai mesmo para a frente de combate, correndo o risco de morrer a qualquer momento. Claro que no filme em questão a situação é um pouco diferente, já que o marido está temporariamente separado da mãe do filho, tendo até uma nova companheira que o ajuda a criar o menino e a colmatar a falta da mãe ausente. É um drama intenso sim, aqui as emoções estão ao rubro e os sentimentos falam bem alto. Temos não só a melhor interpretação da actriz Michelle Monaghan até à data, como também uma excelente prestação por parte do pequeno Oakes Fegley e a empatia entre os dois nota-se e sente-se a cada momento que contracenam juntos. Temos várias prestações masculinas à altura do exigido para os seus papéis e a sequência final comove. A realizadora faz assim um bom trabalho num filme que questiona e coloca em causa o papel da mulher enquanto esposa, na função laboral e também enquanto mãe na criação e educação dos filhos. Um filme que nos põe a pensar naquilo que andamos a fazer neste mundo, sobre o nosso papel na sociedade e também como devemos agir face aos que estão dependentes de nós. Gostei. 

domingo, 19 de novembro de 2017

De Jueves A Domingo

Nome do Filme : “De Jueves A Domingo”
Titulo Inglês : “Thursday Till Sunday”
Titulo Português : “De Quinta A Domingo”
Ano : 2012
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Argumento : Dominga Sotomayor
Realização : Dominga Sotomayor
Produção : Benjamin Domenech/Gregorio Gonzalez
Elenco : Francisco Perez Bannen, Paola Giannini, Santi Ahumada, Emiliano Freifeld, Jorge Becker, Axel Dupre, Belen Celedon, Ana Lopez, Damian Hassler, Francisca Castillo.

História : Duas crianças viajam com os seus pais de Santiago até ao norte do Chile, passando quatro dias juntos. A solidão da paisagem de estrada e do campo e o confinamento do carro ajudam a trazer à tona os problemas do casal. O relacionamento é todo visto do banco de trás de um mazda 929. Assim, as crianças percebem que essa pode ser a despedida do pai, e também a última viagem dos quatro em família.

Comentário : Boa noite pessoal, com este filme regresso assim ao cinema de qualidade, aos filmes a sério, aquilo que define o cinema enquanto arte adorada por muita gente. Acabei de chegar da rua e da visualização de um dos piores filmes do ano, optando por ver um filme a sério, que apesar de ter uns anos, respira cinema por todos os poros. Apesar de simples, a história deste filme podia ser baseada em factos reais, as situações aqui trabalhadas e mostradas parecem bem reais. Trata-se de um excelente road-movie que tem o vento como uma das principais personagens, senão veja-se, como esse elemento da natureza brinca com os cabelos da nossa menina, a protagonista. O filme já começa bem, ele mostra a família do ponto de vista interior de uma das divisões da casa, eles estão a preparar o carro para a grande viagem de quatro longos e importantes dias. É um filme muito bem filmado e que respira vida, na verdade, ele mostra uma forma de viver muito peculiar e essencial. Mostra como certas pessoas sabem viver e tirar partido das coisas boas e simples da vida, o acto de viajar surge assim em destaque e o carro deles acaba também por se tornar numa personagem importante do filme.

No centro da trama, temos um casal que faz uma viagem de poucos dias com os dois filhos menores, Lúcia e Manuel, sendo o filme basicamente visto e vivido da perspectiva da miúda. Apesar dos quatro elementos da família terem o seu devido tempo de antena onde são desenvolvidos, Lúcia é a grande protagonista. O filme possui uma banda sonora com temas muito bonitos, de destacar a canção “Coração de Poeta” que é aqui cantada por Lúcia e o tema musical muito bonito que encerra o filme e abre os créditos finais. A realizadora fez assim um excelente trabalho, mostrando somente o que é necessário sobre os quatro elementos da família, e os actores que os interpretam tiveram excelentes prestações, com destaque claro para a pequena Santi Ahumada que tem na sua Lúcia a melhor coisa do filme, a miúda é a alma deste projecto. Gostei imenso de acompanhá-los naquela viagem e da interacção dos quatro com os viajantes que os iam encontrando pelo caminho. Tudo pareceu real e verdadeiro, tal como a vida. Excelente filme vindo da Holanda e do Chile, do melhor que já vi, adorei.


Loveless

Nome do Filme : “Nelyubov”
Titulo Inglês : “Loveless”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Andrey Zvyagintsev
Produção : Sergey Melkumov/Alexander Rodnyansky/Gleb Fetisov
Elenco : Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Varvara Shmykova, Matvey Novikov, Daria Pisareva, Yanina Hope, Andris Keiss, Aleksey Fateev, Maxim Stoianov, Marina Vasilyeva.

História : Como se já não bastassem os problemas conjugais que os colocaram à beira do divórcio, um casal tem ainda que lidar com o desaparecimento do filho menor.

Comentário : Que impressão me fez este filme, realmente não há amor entre estas pessoas. Vindo de um realizador que já nos deu filmes muito bons, surge-nos agora este “Loveless”, o seu novo trabalho que fala disso mesmo, da falta de amor e de sentimentos entre familiares. É uma obra fria, dura e cruel que acaba por nos dar um valente murro no estômago de tão realista que é. Um marido e uma mulher que não se amam e parece que nunca se amaram; uma mãe que nunca deu amor à filha e fez com que esta não gostasse dela; uma avó que não liga a mínima para o neto; um pai e uma mãe que não se preocupam com o filho menor e parece até que não gostam dele; pessoas que mostram uma total indiferença face a uma tragédia. Todas estas situações são aqui muito bem trabalhadas e mostradas por um director que sabe contar histórias e que sabe transmitir ao público as sensações que as suas personagens sentem, conseguindo passá-las para fora do ecrã. As atitudes destes pais face à vida do filho incomodam e mais incomoda ainda o facto de nós sabermos que estas situações existem de verdade por esse mundo fora. O que realmente aconteceu ao menino desaparecido nunca é revelado nem mostrado, mas a sequência final alusiva a essa questão principal causa em nós um impacto profundo. A última cena do pai do menino mostra bem a índole daquele homem enquanto que a última cena da mãe do menino também evidencia a frieza de uma mulher que nunca devia ser mãe. Por último, temos um menino que teve muito azar em ter calhado com aqueles pais. Um filme que mostra bem que certas pessoas não valem nada. 

Beach Rats

Nome do Filme : “Beach Rats”
Titulo Inglês : “Beach Rats”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Eliza Hittman
Produção : Brad Becker Parton/Andrew Goldman/Drew Houpt/Paul Mezey
Elenco : Harris Dickinson, Madeline Weinstein, Kate Hodge, Nicole Flyus, Neal Huff, Frank Hakaj, David Ivanov, Anton Selyaninov, Harrison Sheehan, Douglas Everett Davis, Gabriel Gans, Erik Potempa, Kris Eivers, Stephen Brantley, Giovanna Salimeni, Victoria Mattos, Lindajean Milioto.

História : Frankie é um adolescente que passa os dias sem fazer nada e as noites arranjando encontros online com homens.

Comentário : Tratando-se de uma obra que se podia basear em factos verídicos, estamos perante um filme duro que vai direito ao cerne da questão da inutilidade absoluta da vida de certos adolescentes por esse mundo fora, que ocupam o tempo na inércia e recorrem às drogas para sentirem algo de compensador, face à porcaria de vida que possuem. O filme foca ainda temas como o bullying, a violência na adolescência e a homossexualidade. A realizadora tratou bem estes temas e se formos a ver as coisas por aquilo que assistimos na peça, nem parece uma obra filmada e escrita por uma mulher. Não é um filme fácil de assistir por causa das cenas gay, embora “O Desconhecido do Lago” seja bem pior nesse aspecto. Acompanhamos assim o quotidiano de um adolescente problemático que esconde de tudo e todos que mantém encontros sexuais com homens adultos e que, através deles, consegue prazer, dinheiro e droga. Na realidade, bastava a mãe dele ser mais atenta e facilmente descobria esse segredo do filho. Ele tem também uma irmã mais nova que já namora, mas com esta, a mãe deles nem implica. No papel principal, encontramos um muito competente Harris Dickinson, ele entrega-se totalmente ao papel, as cenas de sexo gay são realistas, para além da sua prestação ser bastante convincente. Em papéis femininos de relevância, temos Madeline Weinstein (a namorada), Kate Hodge (a mãe) e Nicole Flyus (a irmã), as três com boas prestações e com a devida importância para a história. É um filme simples, mas que vai directo ao foco das questões.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

47 Meters Down

Nome do Filme : “47 Meters Down”
Titulo Inglês : “47 Meters Down”
Titulo Português : “47 Metros de Terror”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Drama/Terror
Realização : Johannes Roberts
Produção : James Harris/Mark Lane
Elenco : Mandy Moore, Claire Holt, Matthew Modine, Chris Johnson, Yani Gellman, Santiago Segura.

História : Durante uma viagem, duas irmãs decidem aventurar-se num mergulho para observar de perto os tubarões, mas tudo corre terrivelmente mal quando o cabo que prendia a jaula de observação ao barco se parte e ambas ficam presas no fundo do mar. Com enormes tubarões próximos da jaula e com botijas de oxigénio para apenas uma hora, as duas raparigas terão de descobrir uma maneira de atravessar toda aquela água para chegar ao barco acima delas.

Comentário : Mais um filme bastante tenso e aflitivo que eu tive a oportunidade de ver e embora tenha gostado, o filme não é nada de especial. Dentro deste género, gostei bem mais do bastante aceitável “The Shallows” de Jaume Collet-Serra. O vilão aqui são três grandes tubarões que passam a vida a nadar perto da jaula onde as duas protagonistas estão presas no fundo do mar. Como já disse, trata-se de um filme bem aflitivo e não aconselhável a pessoas que tenham medo de grandes quantidades de água, aliás, água é coisa que não falta por aqui. O filme mostra uma actividade que é muito usual, pessoas que gostam de mergulhar para verem a natureza. Se uma das irmãs está firme em embarcar naquela aventura, já a outra não está tão segura e muitas vezes hesita. Não se percebe porque motivo ela vai mesmo participar naquilo, se não está disposta a fazê-lo. Claro que a dada altura, as coisas pioram e não esperem uma situação fácil, porque a vida das raparigas vai complicar e muito. No papel das irmãs, Mandy Moore e Claire Holt estão muito bem, elas têm boas prestações e são bem carismáticas. Existe uma situação que não bate muito certo, a mim pareceu-me um erro de argumento, mas enfim, não quero explorar muito essa questão. Temos também uma evolução da situação que vai numa direcção, para depois ser desmentida através de uma espécie de twist, que nos mostra uma outra situação, a verdadeira. Pessoalmente, gostei desse truque narrativo. No fundo, é um filme apenas razoável, já foi feito bem melhor em outras fitas. Por exemplo, o filme “12 Feet Deep” é bem melhor. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Super Dark Times

Nome do Filme : “Super Dark Times”
Titulo Inglês : “Super Dark Times”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Kevin Phillips
Produção : Edward Parks/Richard Peete/Jett Steiger
Elenco : Owen Campbell, Charlie Tahan, Elizabeth Cappuccino, Adea Lennox, Max Talisman, Sawyer Barth, Amy Hargreaves, Ethan Botwick, Justin Rose, Samantha Jones, Anni Krueger.

História : Os adolescentes Zach e Josh são amigos desde a infância, mas um acontecimento vai alterar profundamente a relação dos dois.

Comentário : Quando se misturam dois géneros cinematográficos, as coisas nem sempre funcionam. No caso deste filme independente, a fusão do drama com o thriller resultou e temos uma fita bastante competente e que nos faculta pouco mais de hora e meia de uma história inquietante e algo perturbadora. Fiquei igualmente surpreendido com a imagem do filme, pareceu-me estar a ver algo dos anos noventa, nem parecia uma fita deste ano. A dada altura do longa, assistimos a algo que se passa entre quatro rapazes, esses acontecimentos vão originar todo um despertar de ações e as coisas nunca mais serão as mesmas. O clima de tensão acompanha todo o filme, o realizador deixa-nos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. E isso foi o mais interessante, nós nunca sabemos e nem desconfiamos do que os personagens principais vão fazer cena após cena, ou seja, o filme nunca é previsível. O filme foca o quanto irresponsáveis e cruéis podem ser os jovens. O tema principal é a amizade, neste caso entre dois rapazes que se conhecem há alguns anos e que possuem um relacionamento coeso entre eles. É também uma obra violenta e possuidora de um ritmo lento. Os jovens actores Owen Campbell e Charlie Tahan estão bem nos seus papéis e dão credibilidade aos seus personagens, embora eu tenha gostado mais da prestação do primeiro. Elizabeth Cappuccino está impecável no papel da única personagem feminina de jeito do filme inteiro. Estes três personagens funcionam bem tanto em conjunto quanto individualmente. É um filme muito interessante.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Good Time

Nome do Filme : “Good Time”
Titulo Inglês : “Good Time”
Titulo Português : “Good Time”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller
Realização : Benny Safdie/Josh Safdie
Produção : Sebastian Bear McClard/Oscar Boyson/Terry Dougas/Paris K. Latsis
Elenco : Robert Pattinson, Benny Safdie, Jennifer Jason Leigh, Taliah Lennice Webster, Barkhad Abdi, Peter Verby, Saida Mansoor, Gladys Mathon, Rose Gregorio, Hirakish Ranasaki, Maynard Nicholl, Buddy Duress, Jim Dzurenda, Kate Halpern.

História : Connie e Nick são dois irmãos que assaltam um banco, mas o plano corre mal e o irmão mais novo é detido pelas autoridades. Numa noite, Connie tudo fará para reunir uma grande quantidade de dinheiro, com a finalidade de tirar o mano da prisão.

Comentário : Na noite passada, vi este filme dramático que confesso ter gostado. O filme é realizado pelos irmãos Safdie, que imprimem nos seus filmes um cunho muito autoral. Os dois são responsáveis por filmes como “Go Get Some Rosemary” e “What Heaven Knows”, duas boas obras. O filme também estabelece um facto : ele solidifica Robert Pattinson como sendo um bom actor, sim até custa a crer, mas é verdade. Tendo recebido alguns prémios, este filme nos oferece uma entrada grátis no mundo do crime e, embora não sendo uma obra para todos os públicos, não nos atira à cara uma lição de moral. A banda sonora é aceitável, a fotografia é cativante e apelativa e o ritmo apresenta falhas, repito, adeptos de adrenalina poderão não apreciar a pegada deste filme, ele tem por vezes um ritmo lento no desenvolvimento dos acontecimentos. Tal como disse, esta obra apresenta-nos finalmente um Robert Pattinson bastante competente, o actor possui aqui o melhor desempenho da sua carreira. Apesar do seu personagem fazer coisas erradas, nós simpatizamos com ele. Benny Safdie, um dos realizadores do longa, também interpreta um papel no seu próprio filme, ele faz de irmão mais novo do protagonista, tendo uma prestação muito boa, de frisar que o seu personagem é um homem com problemas mentais. Jennifer Jason Leigh e Barkhad Abdi interpretam bem os seus papéis, mas aparecem tão pouco que não têm grande impacto na trama. A jovem Taliah Lennice Webster tem uma boa prestação de apoio ao protagonista e a química entre os dois é notável. Pode-se dizer que se trata de um filme algo peculiar. 

domingo, 5 de novembro de 2017

Ingrid Goes West

Nome do Filme : “Ingrid Goes West”
Titulo Inglês : “Ingrid Goes West”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Spicer
Produção : Aubrey Plaza
Elenco : Aubrey Plaza, Elizabeth Olsen, O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell, Pom Klementieff, Billy Magnussen, Hannah Utt, Angelica Amor, Meredith Hagner, Charlie Wright, Dennis Atlas.

História : Ingrid Thorburn é uma rapariga algo perturbada com dificuldade em fazer amigos e em manter as amizades, tendo ainda uma estranha paixão pelas redes sociais. Depois de mais um desgosto, ela é sujeita a um tratamento e decide recomeçar a vida, ganhando um incentivo que se traduz em tornar-se amiga de uma pessoa famosa.

Comentário : Hoje tive a sorte de descobrir este pequeno filme independente que confesso ter gostado bastante. Entre outras coisas, este filme serve-se do facto da recente febre das redes sociais e do sucesso rápido, para fazer passar a sua mensagem, que consiste em dar a entender que por vezes somos levados a fazer certas coisas erradas para termos um pouco de fama e sucesso, ou para nos parecermos com alguém e isso é condenável. O filme vem disfarçado de comédia que, mesmo quando o tenta ser, nunca o consegue. Temos sim uma ou outra situação engraçada, mas o cerne da questão é algo muito delicado. Aqui, estamos a lidar com temáticas como a falta de sentimentos, o desprezo humano, a carência de afectividade, a fraca auto-estima, o bullying, a maldade humana, o desprezo por si próprio, a indiferença, o desespero, o suicido, entre outros. É um filme que mistura estes temas todos de uma maneira muito leve, sem lhes fazer justiça, ou seja, sem tratar esses assuntos com a gravidade que eles têm e merecem. Aubrey Plaza é a verdadeira e merecida estrela do filme, além de ser a produtora principal do longa, ela é ainda a protagonista e acaba mesmo por ser a alma do projecto, tendo uma excelente prestação e uma personagem muito rica e complexa a nível humano. Elizabeth Olsen está razoável, mas muito longe do seu verdadeiro potencial, ela já nos facultou mais e melhor em outros filmes e com outros registos. Gostei muito do personagem de O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell só serve de personagem de apoio e Billy Magnussen desempenha muito bem o papel do nojento de serviço. Gostei imenso deste filme por causa da história, mas gostei ainda mais de ter descoberto Aubrey Plaza, actriz que eu desconhecia, adorei o trabalho que ela fez no filme.

12 Feet Deep

Nome do Filme : “12 Feet Deep”
Titulo Inglês : “12 Feet Deep”
Titulo Alternativo : “Trapped Sisters”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Eskandari
Produção : John Burd/Mark Myers/Hannah Pillemer
Elenco : Alexandra Park, Nora Jane Noone, Diane Farr, Tobin Bell, Christian Blackburn.

História : Jonna e Bree são duas irmãs com um passado problemático que, na véspera de um feriado, ficam esquecidas e presas dentro de uma piscina fechada com uma espessa e dura cobertura de vidro. Como se já não bastasse essa situação, as duas ficam ainda à mercê de uma empregada de limpeza com segundas intenções.

Comentário : Estamos perante um filme bastante tenso e aflitivo que envolve temas como a maldade humana, o suicido e a pedofilia. Embora não sejam estes os temas principais, pois o que temos aqui são duas irmãs a lutar pela sobrevivência, já que estão numa situação muito complicada e com a vida em risco. O cenário principal é uma enorme piscina e será aqui que duas personagens irão viver mais uma dura experiência, recordar um terrível passado traumático para as duas e tentar superar as divergências que nutrem uma pela a outra, tudo no sentido de se manterem vivas. Como já disse, é um filme aflitivo, que vive sobretudo graças às duas excelentes prestações das actrizes principais, que estão soberbas nos seus papéis e nos seus desempenhos. Temos água por todo o lado e uma mulher cheia de maldade, também ela com um passado trágico, mas que está disposta em fazer mal às nossas meninas, para tentar obter qualquer coisa delas. Na minha opinião, essa personagem secundária em nada acrescenta à trama, diria mesmo que se ela não estivesse no filme, não faria falta alguma, pois a situação das irmãs já era dramática o suficiente e em nada mudaria o destino delas. Não se trata de um filme de terror, mas sim de uma fita de superação, em que duas irmãs conseguem provar a elas mesmas que não só se amam de verdade, como também que são úteis uma para a outra e que precisam uma da outra. 

Le Voyage de Fanny

Nome do Filme : “Le Voyage de Fanny”
Titulo Inglês : “Fanny's Journey”
Titulo Português : “A Viagem de Fanny”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Lola Doillon
Produção : Marie de Lussigny/Saga Blanchard
Elenco : Léonie Souchaud, Fantine Harduin, Juliane Lepoureau, Anais Meiringer, Malonn Levana, Elea Korner, Lou Lambrecht, Alice D'Hauwe, Ryan Brodie, Igor Van Dessel, Cecile De France, Stephane De Groodt, Lucien Khoury, Victor Muetelet, Anna Tenta, Pascaline Crevecoeur, Julien Vargas, Jeremie Petrus, Rachel Harduin, Clementine Dandoy Crevecoeur.

História : Durante o período da Segunda Guerra Mundial, muitos pais abandonavam os seus filhos aos cuidados de instituições, na intenção das crianças ficarem a salvo da ameaça nazi. Fanny e as suas duas irmãs passaram por essa situação dolorosa. Num acto de desespero, as três irmãs reúnem um grupo de outras crianças e decidem fugir para a Suíça, enfrentando diversos medos e perigos, mas aprendendo o significado da independência.

Comentário : Se pensarmos bem no passado, o período em que durou a Segunda Guerra Mundial que foi o mesmo onde decorreram o Nazismo e do Holocausto, foi o pior da história da Humanidade. Milhares de famílias foram desfeitas e milhões de pessoas morreram às mãos dos alemães. Essas tristes realidades de há setenta e tal anos ainda hoje nos chocam e deviam envergonhar os alemães por tudo aquilo que eles fizeram e pelo mal que eles causaram no passado. Mas existe uma realidade ainda pior, que é a situação das crianças em todo esse período de horror. Por vezes, eu olho para imagens de crianças no Holocausto e de outras crianças judias daquela época, e penso o quanto devem ter sofrido aquelas alminhas : quando eram separadas dos pais ou dos familiares com quem estavam, quando assistiam à morte dos pais pelas mãos dos nazis, no que sofriam nos campos de concentração, quando eram sujeitas a experiências médicas dolorosas, mas principalmente penso em tudo aquilo que elas passaram, o horror que foram as suas existências, das que morreram de forma trágica e dolorosa ou rápida e mesmo das muitas que escaparam com vida mas que para tal viveram um verdadeiro inferno.

A Fanny desta história e as suas duas irmãs existiram de verdade, este filme é baseado em factos reais, os factos históricos aqui mencionados são verídicos e o filme está muito bem concebido. A Fanny verdadeira (foto em baixo ao lado da actriz protagonista) ainda é viva e contribuiu junto da realizadora Lola Doillon para que o filme pudesse ver a luz do dia. Apesar de ser uma história triste, as crianças enquanto personagens, deram um pouco de alegria nas brincadeiras próprias da idade em algumas cenas. Todas as crianças envolvidas tiveram prestações aceitáveis e consistentes, com principal foco para Léonie Souchaud, a pequena actriz cuja personagem tem o nome que aparece no título. É um filme triste, mas cheio de esperança, gostei bastante dele. Filmes como este e outros do género servem para que muita gente nunca se esqueça do que realmente aconteceu.

Better Watch Out

Nome do Filme : “Better Watch Out”
Titulo Inglês : “Better Watch Out”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : Chris Peckover
Produção : Sidonie Abbene/Brion Hambel/Paul Jensen/Brett Thornquest
Elenco : Olivia DeJonge, Levi Miller, Ed Oxenbould, Aleks Mikic, Dacre Montgomery, Virginia Madsen, Patrick Warburton.

História : Ashley é uma jovem que é contratada para tomar conta de um rapaz de doze anos. Como até já conhece a família e o dito rapaz, ela aceita esse trabalho, até mesmo para ganhar uns trocos. No entanto, a miúda nem sonha que vai ter a pior noite da sua vida.

Comentário : Apesar deste filme se passar no Natal, ele tem apenas o visual dessa quadra. Com algumas pitadas de comédia mas sem nunca o ser de verdade, o filme segue uma história igual a tantas outras já contadas e algumas até melhores que esta. Assim, seguimos a história de uma rapariga que é paga para tomar conta de um garoto durante uma noite, mas as coisas não corram muito bem, diria mesmo, correm muito mal. Mas eu não quero revelar mais nada, seria entregar muito spoiler. Apesar de conhecida, a história torna-se bastante interessante a partir de um twist brutal que se dá a certa altura, fazendo com que as coisas sigam um rumo totalmente inesperado, embora tolerável até certo ponto. Temos um considerável clima de tensão que percorre os quase noventa minutos, sentimos uma espécie de nervoso a percorrer-nos o corpo, muito por causa do que vai acontecendo com a protagonista e com dois amigos dela. É uma fita que dá que pensar, sem querer levantar muito a ponta do véu, quem diz que as crianças não mentem e que não têm maldade, deviam pensar duas vezes ou mesmo retirar o que dizem. No papel da miúda protagonista, temos uma bonita e competente Olivia DeJonge (The Visit), que nos convence totalmente do sofrimento e aflição que a sua personagem vive. Por seu turno, Levi Miller (Jasper Jones) está aceitável na condição do seu personagem, se no início ele é muito querido e amável, depressa se torna no pior pesadelo do Natal para Ashley. Volto a dizer, é uma fita que dá que pensar, principalmente pelos quinze minutos finais. Por último, o destino final dado à personagem feminina principal era escusado, desta vez, não me importava que as coisas corressem bem para o vilão.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

The Purge : Election Year

Nome do Filme : “The Purge : Election Year”
Titulo Inglês : “The Purge : Election Year”
Titulo Português : “A Purga : Eleição”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge, Kyle Secor, Liza Colon Zayas, Ethan Phillips, Christopher James Baker, Jared Kemp, Brittany Mirabile, Juani Feliz, Kimberly Howe, Jordan Lloyd, Naheem Garcia, Roman Blat.

História : Durante a purga anual, um guarda-costas precisa fazer de tudo para impedir que uma senadora seja assassinada na noite do crime, um período de doze horas onde todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Mais uma vez, o realizador e os produtores conseguem elevar as coisas a outro patamar. Se no segundo filme já se falava na influência e no poder do dinheiro durante o período da purga, neste terceiro filme não só isso mantém-se, como também a camada rica está a servir-se da purga para reduzir os pobres e assim poupar no orçamento. Outra coisa que já vem do segundo filme e se mantém aqui, é a existência de um grupo que é contra a purga e salva potenciais vítimas. Há também pessoas que chegam de outros países de propósito para purgar. E no meio de tudo isto, a política mete-se também no assunto e existe uma senadora que diz que se ganhar, acaba com esta noite, o que faz com que passe a não haver camadas imunes à purga, agora qualquer um pode ser assassinado. O partido oposto à senadora torna-se ele mesmo purgador e a festa começa. São tudo ideias interessantes e que neste terceiro filme funcionam muito bem. O filme não é mau, a essência da coisa continua lá, apenas sobem a parada. Tal como os outros dois, temos violência e sangue. 

Frank Grillo regressa a este universo e, apesar de manter a mesma personagem, surge com novas intenções. Infelizmente neste caso, as atenções não se centram nele, embora ele continue a ser portador de um personagem bem interessante. No papel da senadora com boa índole, Elizabeth Mitchell tem uma boa prestação, a actriz convence com a sua personagem. Também gostei da personagem e da interpretação de Betty Gabriel. Mykelti Williamson possui aqui um personagem que é do bem, é impossível não passarmos o filme quase todo a desejar que as coisas corram bem para ele. E Brittany Mirabile e Juani Feliz interpretam duas líderes de um peculiar grupo de purgadoras que representa aquilo que de mais original o filme tem. A narrativa do filme vai evoluindo a um ritmo crescente, sempre nos prendendo à cadeira e com alguns twists bem leves, tudo no sentido de não nos desviar a atenção. Até temos direito a um drone intrusivo. Vale dizer também que os trajes daqueles turistas que tentam matar a senadora são muito apelativos. Tiros e porrada não faltam, mas a fita peca por ter alguns erros, por exemplo, o personagem de Frank Grillo passa o filme inteiro vivo e na maior, apesar de ter uma ferida profunda a sangrar devido a um tiro certeiro no início da película. Eu gostei dos três filmes, mas prefiro claramente o primeiro.

The Purge : Anarchy

Nome do Filme : “The Purge : Anarchy”
Titulo Inglês : “The Purge : Anarchy”
Titulo Português : “A Purga : Anarquia”
Ano : 2014
Duração : 103 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Carmen Ejogo, Zoe Soul, Kiele Sanchez, Zach Gilford, John Beasley, Justina Machado, Noel Gugliemi, Castulo Guerra, Michael Kenneth Williams, Roberta Valderrama, Niko Nicotera, Bel Hernandez, Chad Morgan, Lily Knight.

História : Dois grupos de pessoas são ajudados por um estranho homem na noite do crime, um período de doze horas durante o qual todo e qualquer crime é permitido. Juntos, os cinco terão que fazer tudo para conseguirem sobreviver à noite da purga.

Comentário : Trata-se do segundo filme da trilogia “The Purge”, cujo primeiro filme já se encontra comentado neste espaço. Tal como disse no primeiro comentário, a ideia é original, embora eu confesse que não ia gostar se isto fosse posto em prática. No caso deste segundo filme, as coisas sobem a outro patamar. O realizador leva as coisas para a diferença entre ricos e pobres. Aqui, além de haver as pessoas habituais que querem purgar na dita noite, existem também alguns ricos que pagam a grupos de criminosos para raptarem vítimas para depois os matarem da maneira que desejarem. E penso que é daí que surge o segundo titulo do filme, ou seja, é a pura anarquia onde vale quase tudo. Visualmente, a fita é apelativa e violenta, podemos contar com cenas duras e algum sangue. Apesar disso e tal como aconteceu no primeiro, não esperem algo muito sádico como sucede na saga “Saw”, o que conta aqui é mostrar o que se pretende e passar a mensagem.

Pessoalmente, eu penso que a mensagem desta trilogia vai no sentido de que a violência e o crime não nos levam a lado nenhum, apesar dos filmes mostrarem o contrário. Gostei da prestação de Frank Grillo, de longe o meu personagem preferido, eu comprei o seu drama e os seus motivos, o que ele faz e constrói com as quatro vítimas da purga é algo maravilhoso e admirável. Carmen Ejogo é a segunda estrela a merecer o destaque, a actriz possui aqui uma boa prestação. Zoe Soul tem aqui uma personagem muito querida e interessante. Os outros, vítimas ou vilões, fizeram um bom trabalho. Podemos contar também com um forte clima de tensão e muita adrenalina, existem aqui cenas bem aflitivas. Logo no início, acontece uma sequência em que um casal se prepara para entrar no seu carro e observa um grupo de criminosos a preparar-se para a purga, é toda uma cena que mete medo e até me arrepiou. O filme também passa a triste mensagem de que o dinheiro pode quase tudo e quem o tem, pode fazer ou mandar fazer tudo o que quer. O filme tem ainda um ou dois twists bem originais, um deles eu não gostei muito e tem a ver com o facto da tal história dos ricos e da maneira estranha deles purgarem. No fundo, é um filme diferente do primeiro, mas ainda assim, está aceitável.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

São Jorge

Nome do Filme : “São Jorge”
Titulo Inglês : “Saint George”
Titulo Português : “São Jorge”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Marco Martins
Produção : François D'Artemare/Maria João Mayer
Elenco : Nuno Lopes, Mariana Nunes, David Semedo, Beatriz Batarda, Adriano Luz, José Raposo, Ligia Kellermann, Jean Pierre Martins, Ana Gonçalves, Fátima Inocêncio, Ricardo Fernandes, Rodrigo Almeida, Paulo Batata, Salvador Santos, Paulo Afonso, Gonçalo Waddington, Paulo Seco, Ivo Alexandre, Teresa Coutinho, Maria Leite.

História : Jorge é um pugilista desempregado que tenta a todo o custo encontrar formas de garantir o sustento de Susana e Nelson, a mulher e o filho. Quando ela, emigrante brasileira, decide fugir da crise financeira que se instalou em Portugal e regressar ao seu país, Jorge fica sem saber o que fazer. Como último recurso, aceita um trabalho numa empresa de cobrança de dívidas. Usando o seu corpo treinado para a luta corpo a corpo, passa a intimidar pessoas que, tal como ele, se encontram numa situação desesperada. De um momento para o outro, vê-se a atravessar a fronteira da moralidade e a entrar num mundo de criminalidade gerada pela pobreza e pela falta de alternativas.

Comentário : Existem pessoas que dizem que este filme português é sobre a crise, outros alegam ser uma fita sobre o mal que a Direita causou ao nosso povo durante quatro anos e respectivas consequências; eu acho que é uma película sobre um homem que vive uma situação muito difícil e que devido ao que se passa no seu país, por causa da crise e das medidas de dois governos irresponsáveis, vê-se ele mesmo obrigado a fazer coisas contra a sua vontade, afundando-se assim cada vez mais. Eu gostei de “Alice” e de “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, dois grandes filmes de Marco Martins e sou suspeito para vir aqui falar sobre este seu novo filme, embora saiba perfeitamente que os realizadores têm filmes bons e outros menos bons, é como em todas as profissões, por vezes acerta-se e outras vezes cometem-se erros. Mas como não há duas sem três, eu também gostei de “São Jorge”.

Não é um filme fácil, tem um ritmo muito lento e algumas sequências arrastam-se, mas vos garanto que nada está a mais neste filme, neste caso, funciona como uma espécie de puzzle, em que as peças, umas mais importantes que outras, fazem bem o seu trabalho e se completam, fazendo com que o resultado final seja bastante positivo. O filme possui mais cenas nocturnas e no escuro do que partes passadas de dia ou em ambientes claros. Se a fotografia é boa, o mesmo não se pode dizer do som, aliás, a componente sonora costuma ser quase sempre o ponto mais fraco no cinema português e neste caso, exigia-se legendas mesmo com os actores a falar a nossa língua. O realizador trabalhou bem a temática da crise. Nuno Lopes é um bom actor e aqui volta a ter uma excelente prestação. Nesse campo, Mariana Nunes também merece ser frisada, ela teve uma boa interpretação e eu gostei muito da sua personagem. Destaque também para a química existente entre os dois, deram um casal convincente. Por último, tenho que dizer que gostei bastante deste filme, principalmente porque é diferente do habitual. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jigsaw

Nome do Filme : “Jigsaw”
Titulo Inglês : “Jigsaw”
Titulo Português : “Jigsaw : O Legado de Saw”
Titulo Alternativo : “Saw VIII”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror/Mystery
Realização : Michael Spierig/Peter Spierig
Produção : James Wan/Leigh Whannell/Mark Burg/Gregg Hoffman/Oren Koules
Elenco : Tobin Bell, Matt Passmore, Hannah Emily Anderson, Laura Vandervoort, Brittany Allen, Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, Edward Ruttle, Michael Boisvert, Sam Koules, Misha Rasaiah, Keeya King.

História : Uma série de assassinatos brutais começam a assustar a população de uma cidade. À medida que as investigações começam, todas as evidências apontam para John Kramer, conhecido como Jigsaw. O principal problema das autoridades é que Jigsaw morreu há dez anos.

Comentário : E pronto, cá estamos em mais uma noite de Halloween, noite de bruxas e de coisas ligadas ao sobrenatural. E nada melhor do que comemorarmos esta noite vendo um filme de terror, e eu escolhi o oitavo capítulo de uma das mais lucrativas sagas de horror dos últimos anos. Sim, Saw está de volta, ou melhor, Jigsaw volta a testar mais pessoas e a matar. Eu confesso que adorei o primeiro filme, sim, com aquele brutal twist do cadáver perto do final. Depois, apesar dos seis filmes seguintes surpreenderem em alguns aspectos, foram simplesmente tornados cada vez mais violentos, sempre com mais explicações para a história, mais sangue e mortes, tudo mais do mesmo, portanto. Mas eu até gostei do final e da conclusão da história, conhecidos no sétimo e suposto último filme. Apesar dos filmes serem alvo de duras críticas, eles renderam muito dinheiro e era inevitável que os estúdios, mais tarde ou mais cedo, fossem avançar com mais. E eis que surge agora o oitavo e novo filme.

Antes de mais, tenho que dizer que não esperava muito deste novo filme, logo, a desilusão não foi tão grande. No entanto, é um filme que se vê bem e até chega a ser empolgante em alguns momentos, mas tenho que dizer que é um dos mais fracos da saga. Ou seja, eles deviam ter ficado quietos, para ser sincero, deviam ter ficado no primeiro filme, mas enfim. Não querendo ser mau, este filme, e os seis anteriores, foram feitos apenas para gerar mais dinheiro, mais lucro. Claro que quem venera esta saga, vai gostar deste oitavo filme. Nele, temos boas armadilhas, sem nunca surpreender. Temos sangue e muita gritaria. Temos clichés, erros e coisas mal explicadas, sendo que outras nem explicação tiveram. Na hora em que as vítimas estão a ser testadas, temos muita aflição e certas verdades aparecem. Não esperem muito gore e mortes muito chocantes, devo dizer que este filme é dos menos violentos. A história é um pouco confusa. Podem contar com confissões, revelações e twists, sendo que um deles é realmente surpreendente, envolve os tais dez anos que assinalam a morte de John Kramer, e mais não digo. As interpretações são razoáveis. O boneco a rir-se também aparece. Uma curiosidade, um dos personagens principais tem uma filha, eu pensei que iam meter crianças nos jogos, enfim, para inovar, mas ainda não foi desta. Se quiserem abstrair-se da lógica, talvez gostem deste oitavo filme, os admiradores gostarão de certeza. Enfim, foi mais um. 



The Purge

Nome do Filme : “The Purge”
Titulo Inglês : “The Purge”
Titulo Português : “A Purga”
Ano : 2013
Duração : 85 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Ethan Hawke, Lena Headey, Adelaide Kane, Max Burkholder, Edwin Hodge, Rhys Wakefield, Tony Oller, Arija Bareikis, Tom Yi, Chris Mulkey, Tisha French, Dana Bunch, John Weselcouch, Peter Gvozdas, Alicia Vela Bailey.

História : Num futuro próximo, uma pequena família é mantida refém por abrigar o alvo de um grupo assassino durante a noite do crime, um período de doze horas em que todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Primeiro filme de algo pensado como uma trilogia, mas que devido ao enorme sucesso, o realizador e os produtores já ponderam fazer um quarto capítulo. Confesso que sou um admirador desta saga e agora venho comentar este primeiro filme. A ideia principal da história até é original, imaginem que durante uma noite e madrugada inteiras, num período de doze horas, podemos cometer um crime e não sofremos consequência alguma. Claro que os crimes por vingança saltam logo à vista. Mas o filme e a trilogia em si vão mais longe, pondo em cima da mesa, questões políticas, raciais, sexuais, religiosas e outras. Todos os motivos servem para matar e até vale matar sem motivo, só porque nos apetece. E existe muita gente que gosta de purgar, gosta de exercer o seu direito, baseado numa lei estúpida e sem qualquer sentido. Estamos perante um thriller com pitadas de terror, tudo muito bem misturado. Como disse, a história é original. A dada altura, nós estamos tanto a favor da família, como nos vemos a favor do estranho ferido que é abrigado na habitação pelo filho do casal. Mas depois, ficamos mais a favor da família e achamos que, para o bem deles, é melhor o estranho ser entregue. A trama tem o papel de nos dividir e faz isso muito bem.

Se por um lado temos momentos calmos e cenas lentas que se arrastam, por outro, temos muita tensão e pânico com o desenrolar dos acontecimentos. Vale lembrar que a trama do filme decorre num futuro próximo e a ideia do crime ser legal por doze horas tem tanto de interessante como de preocupante, ou seja, dá que pensar. Lamentei que o filme fosse pequeno, eu não me importava de ver mais. Temos direito a um fantástico twist perto do final, confesso que me surpreendeu pela positiva. Ethan Hawke desempenha o pai de família, gostei da prestação dele, além de ser um excelente actor, é também muito expressivo. Nos papéis de filhos adolescentes do casal, temos uma bonita Adelaide Kane e um peculiar Max Burkholder, ambos com boas interpretações e com personagens bem interessantes, tanto a nível de visual como a nível psicológico. Os inimigos são muitos, mas quero destacar Rhys Wakefield, nos facultou um líder de assassinos aterrador e irritante, ele tem a cara ideal para o papel que lhe foi atribuído. O modo como os personagens vão morrendo é interessante, principalmente a maneira como o líder do grupo morre. O realizador conseguiu assim um bom filme, misturando o suspense, o terror e o clima de tensão. A trilogia podia ser alvo de debate. Bom filme.