terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jigsaw

Nome do Filme : “Jigsaw”
Titulo Inglês : “Jigsaw”
Titulo Português : “Jigsaw : O Legado de Saw”
Titulo Alternativo : “Saw VIII”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror/Mystery
Realização : Michael Spierig/Peter Spierig
Produção : James Wan/Leigh Whannell/Mark Burg/Gregg Hoffman/Oren Koules
Elenco : Tobin Bell, Matt Passmore, Hannah Emily Anderson, Laura Vandervoort, Brittany Allen, Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, Edward Ruttle, Michael Boisvert, Sam Koules, Misha Rasaiah, Keeya King.

História : Uma série de assassinatos brutais começam a assustar a população de uma cidade. À medida que as investigações começam, todas as evidências apontam para John Kramer, conhecido como Jigsaw. O principal problema das autoridades é que Jigsaw morreu há dez anos.

Comentário : E pronto, cá estamos em mais uma noite de Halloween, noite de bruxas e de coisas ligadas ao sobrenatural. E nada melhor do que comemorarmos esta noite vendo um filme de terror, e eu escolhi o oitavo capítulo de uma das mais lucrativas sagas de horror dos últimos anos. Sim, Saw está de volta, ou melhor, Jigsaw volta a testar mais pessoas e a matar. Eu confesso que adorei o primeiro filme, sim, com aquele brutal twist do cadáver perto do final. Depois, apesar dos seis filmes seguintes surpreenderem em alguns aspectos, foram simplesmente tornados cada vez mais violentos, sempre com mais explicações para a história, mais sangue e mortes, tudo mais do mesmo, portanto. Mas eu até gostei do final e da conclusão da história, conhecidos no sétimo e suposto último filme. Apesar dos filmes serem alvo de duras críticas, eles renderam muito dinheiro e era inevitável que os estúdios, mais tarde ou mais cedo, fossem avançar com mais. E eis que surge agora o oitavo e novo filme.

Antes de mais, tenho que dizer que não esperava muito deste novo filme, logo, a desilusão não foi tão grande. No entanto, é um filme que se vê bem e até chega a ser empolgante em alguns momentos, mas tenho que dizer que é um dos mais fracos da saga. Ou seja, eles deviam ter ficado quietos, para ser sincero, deviam ter ficado no primeiro filme, mas enfim. Não querendo ser mau, este filme, e os seis anteriores, foram feitos apenas para gerar mais dinheiro, mais lucro. Claro que quem venera esta saga, vai gostar deste oitavo filme. Nele, temos boas armadilhas, sem nunca surpreender. Temos sangue e muita gritaria. Temos clichés, erros e coisas mal explicadas, sendo que outras nem explicação tiveram. Na hora em que as vítimas estão a ser testadas, temos muita aflição e certas verdades aparecem. Não esperem muito gore e mortes muito chocantes, devo dizer que este filme é dos menos violentos. A história é um pouco confusa. Podem contar com confissões, revelações e twists, sendo que um deles é realmente surpreendente, envolve os tais dez anos que assinalam a morte de John Kramer, e mais não digo. As interpretações são razoáveis. O boneco a rir-se também aparece. Uma curiosidade, um dos personagens principais tem uma filha, eu pensei que iam meter crianças nos jogos, enfim, para inovar, mas ainda não foi desta. Se quiserem abstrair-se da lógica, talvez gostem deste oitavo filme, os admiradores gostarão de certeza. Enfim, foi mais um. 



The Purge

Nome do Filme : “The Purge”
Titulo Inglês : “The Purge”
Titulo Português : “A Purga”
Ano : 2013
Duração : 85 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Ethan Hawke, Lena Headey, Adelaide Kane, Max Burkholder, Edwin Hodge, Rhys Wakefield, Tony Oller, Arija Bareikis, Tom Yi, Chris Mulkey, Tisha French, Dana Bunch, John Weselcouch, Peter Gvozdas, Alicia Vela Bailey.

História : Num futuro próximo, uma pequena família é mantida refém por abrigar o alvo de um grupo assassino durante a noite do crime, um período de doze horas em que todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Primeiro filme de algo pensado como uma trilogia, mas que devido ao enorme sucesso, o realizador e os produtores já ponderam fazer um quarto capítulo. Confesso que sou um admirador desta saga e agora venho comentar este primeiro filme. A ideia principal da história até é original, imaginem que durante uma noite e madrugada inteiras, num período de doze horas, podemos cometer um crime e não sofremos consequência alguma. Claro que os crimes por vingança saltam logo à vista. Mas o filme e a trilogia em si vão mais longe, pondo em cima da mesa, questões políticas, raciais, sexuais, religiosas e outras. Todos os motivos servem para matar e até vale matar sem motivo, só porque nos apetece. E existe muita gente que gosta de purgar, gosta de exercer o seu direito, baseado numa lei estúpida e sem qualquer sentido. Estamos perante um thriller com pitadas de terror, tudo muito bem misturado. Como disse, a história é original. A dada altura, nós estamos tanto a favor da família, como nos vemos a favor do estranho ferido que é abrigado na habitação pelo filho do casal. Mas depois, ficamos mais a favor da família e achamos que, para o bem deles, é melhor o estranho ser entregue. A trama tem o papel de nos dividir e faz isso muito bem.

Se por um lado temos momentos calmos e cenas lentas que se arrastam, por outro, temos muita tensão e pânico com o desenrolar dos acontecimentos. Vale lembrar que a trama do filme decorre num futuro próximo e a ideia do crime ser legal por doze horas tem tanto de interessante como de preocupante, ou seja, dá que pensar. Lamentei que o filme fosse pequeno, eu não me importava de ver mais. Temos direito a um fantástico twist perto do final, confesso que me surpreendeu pela positiva. Ethan Hawke desempenha o pai de família, gostei da prestação dele, além de ser um excelente actor, é também muito expressivo. Nos papéis de filhos adolescentes do casal, temos uma bonita Adelaide Kane e um peculiar Max Burkholder, ambos com boas interpretações e com personagens bem interessantes, tanto a nível de visual como a nível psicológico. Os inimigos são muitos, mas quero destacar Rhys Wakefield, nos facultou um líder de assassinos aterrador e irritante, ele tem a cara ideal para o papel que lhe foi atribuído. O modo como os personagens vão morrendo é interessante, principalmente a maneira como o líder do grupo morre. O realizador conseguiu assim um bom filme, misturando o suspense, o terror e o clima de tensão. A trilogia podia ser alvo de debate. Bom filme.


domingo, 29 de outubro de 2017

Leatherface

Nome do Filme : “Leatherface”
Titulo Inglês : “Leatherface”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Alexandre Bustillo/Julien Maury
Produção : Christa Campbell/Lati Grobman/Carl Mazzocone/Les Weldon
Elenco : Vanessa Grasse, Stephen Dorff, Lili Taylor, Sam Strike, Finn Jones, Sam Coleman, Jessica Madsen, James Bloor, Christopher Adamson, Dimo Alexiev, Nathan Cooper, Deyan Angelov, Boris Kabakchiev, Lorina Kamburova, Julian Kostov, Ian Fisher, Nicole Andrews, Lilia Ivanova.

História : Um miúdo violento escapa de uma instituição psiquiátrica junto com outros jovens igualmente desequilibrados. Na fuga, eles sequestram uma jovem enfermeira e são perseguidos por um polícia perturbado.

Comentário : Muito sinceramente, não esperava grande coisa deste filme sobre o famoso assassino da serra eléctrica. Sim, o personagem já era conhecido, mas desta vez, os realizadores quiseram mostrar os acontecimentos da infância e da juventude do criminoso que o levaram a tornar-se naquilo que ele supostamente foi. Claramente que no interior dos Estados Unidos deve haver imensa gente criminosa e muita coisa nunca se chega a saber, mas fazerem passar a ideia que a história deste homem é baseada em factos reais, isso já cheira a abuso e a estratégia de marketing. Tal como nos outros filmes deste personagem, aqui temos novamente muita violência e muito sangue, podemos contar também com cenas bem nojentas e com alguns erros e vários clichés, estes últimos não ajudaram em nada o filme propriamente dito. Volto a dizer, o filme é muito violento, parece que a intenção dos directores não foi contar uma história, mas sim, chocar, só porque podiam. Além disso, algumas coisas aqui vistas não fazem muito sentido.

Lili Taylor tem aqui uma personagem que podia ter sido melhor desenvolvida, a actriz é boa, mas tem pouco que fazer. Stephen Dorff até tem um arco interessante, mas é totalmente desperdiçado, tudo porque lhe foi atribuído um personagem que se limita a praticar o mal, cujas acções são justificadas porque ele teve uma filha que foi assassinada pela família em questão. Sam Strike até cuida bem do seu personagem, mas este possui uma mudança tão repentina do seu modo de pensar, que deita por terra todo o trabalho feito até então pelo actor. E Vanessa Grasse tem aqui a melhor prestação do filme, mas infelizmente a sua personagem apenas serve os propósitos do costume, ela é aquilo que se pode chamar de personagem cliché. O filme vale sobretudo pela adrenalina de algumas cenas, peca pela história fraca e nós só temos que nos entreter durante cerca de oitenta minutos, depois disso, passamos para outra e esquecemos depressa o que vimos. Este “Leatherface” é um filme fraco, com clichés e erros próprios do género, vê-se uma vez e pronto. No entanto, para quem nunca o viu, serve perfeitamente para termos uma noite de Halloween bem passada, porque é uma fita que cumpre os objectivos mínimos.


Wait Till Helen Comes

Nome do Filme : “Wait Till Helen Comes”
Titulo Inglês : “Wait Till Helen Comes”
Titulo Alternativo : “Little Girl's Secret”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Terror/Mystery
Realização : Dominic James
Produção : Scott Mednick
Elenco : Maria Bello, Callum Keith Rennie, Sophie Nelisse, Isabelle Nelisse, William Dickinson, Abigail Pniowsky, John B. Lowe, Frank Adamson, Tom Young, Mary Downing Hahn, Kally Berard, Jerni Stewart, Cassandra Tusa.

História : Uma família com traumas profundos muda-se de Baltimore para uma localidade rural, mais concretamente para irem morar numa igreja. As coisas mudam para pior quando na habitação começam a acontecer coisas estranhas e a filha mais velha vê-se na obrigação de proteger e salvar a irmã mais nova.

Comentário : Mais um filme indicado para ser visto na próxima noite de Halloween, trata-se de uma história de fantasmas. E como qualquer conto de fantasmas digno desse género, podemos contar com cenas assustadoras onde eu destaco uma em especial, em que a filha mais velha do casal observa a irmã mais nova a conversar com uma entidade espiritual numas ruínas, claro que o som ajudou a que as coisas tivessem resultado da melhor maneira. Pode-se dizer que trata-se de uma família disfuncional, a esposa tem uma filha adolescente e vive com o marido, que por sua vez, tem uma filha mais nova que viveu o drama de ter visto a morte da mãe, estando traumatizada por isso. Ambas as miúdas, apesar das diferenças próprias das idades, possuem coisas em comum, como por exemplo, os dons de ver e sentir a presença de espíritos, pessoas que já morreram. O filme tem algumas cenas que são aflitivas e outras que nos provocam sustos, mas nunca chega a ser uma obra violenta, pelo contrário, é antes um conto bem sombrio e discreto sobre uma família que morreu à muitos anos.

Maria Bello tem aqui uma boa interpretação e o mesmo se pode dizer do actor que desempenha o seu marido, embora ela tenha estado bem melhor, tem mais presença. Mas quem merece todos os méritos são as jovens Sophie Nélisse (“Monsieur Lazhar” e “The Book Thief”) e Isabelle Nélisse (“Mama” e “Mommy”), duas actrizes que são mesmo irmãs na vida real e fazem de irmãs no filme, assim, a química entre as duas é perfeita e as coisas não podiam ter resultado melhor. Sophie e Isabelle ou Molly e Heather são as almas deste filme, as meninas tiveram não só excelentes prestações, como também uma forte presença no ecrã. Esta fita está envolta num grande clima de mistério e o realizador soube mantê-lo até ao final. O principal trunfo deste filme consiste no facto de nos manter sempre presos ao ecrã, com curiosidade para ver o que irá acontecer a seguir. A história é muito interessante e as coisas estão feitas de modo a que quem vê o filme tem a necessidade de zelar para que tudo dê certo com as irmãs protagonistas. O lado sobrenatural foi muito bem trabalhado aqui, o realizador teve muito respeito pelo tema e por tudo o que isso implica. Pessoalmente, vi poucos erros e poucos clichés, sendo um filme que foge ligeiramente ao que se costuma ver em outras obras do género. Gostei bastante deste filme, vi-o à noite e fui para a cama a pensar nesta história. 

First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers

Nome do Filme : “First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers”
Titulo Inglês : “First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers”
Titulo Alternativo : “First They Killed My Father”
Ano : 2017
Duração : 137 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Angelina Jolie
Produção : Angelina Jolie
Elenco : Sareum Srey Moch, Phoeung Kompheak, Mun Kimhak, Sveng Socheata, Heng Dara, Khoun Sothea, Sarun Nika, Run Malyna, Oun Srey Neang, Mony Ros, Tharoth Sam, Nout Sophal.

História : Os horrores sofridos por um povo durante o regime comunista conhecido como o Khmer Vermelho, através dos olhos de uma menina durante os dois anos que mudaram a sua vida para sempre.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por Loung Ung, com base na vida da mesma e que foi adaptado para o cinema pelas mãos de Angelina Jolie, aliás, este é o seu melhor trabalho atrás das camaras. É um livro baseado em acontecimentos reais, portanto. Eu gostei bastante deste filme porque me mostrou algo que eu não sabia na sua generalidade, eu sabia mais ou menos que algo de mau tinha acontecido com aquele povo, mas através do que vi, pude ter uma ideia de como as coisas se passaram. E é impressionante chegarmos à conclusão que a história da humanidade está repleta de casos de violência e de dor que seres humanos infligem a outros da sua espécie, seja por motivos políticos, religiosos ou raciais. Mas é assim, o ser humano é o pior dos seres. Sobre este filme, tirando os primeiros minutos, não se trata de uma obra de cariz político, mas sim de uma fita que nos atira à cara uma dura realidade que se passou nos anos 1970 e que originou a morte de cerca de um quarto da população daquele país. É um filme realista, violento, objectivo e que pode funcionar como objecto de denúncia, para não fazer esquecer a quem interessa aquilo que sucedeu num passado trágico.

Muito bem filmado, o filme possui cenas marcantes, desde belíssimos planos aéreos quase silenciosos, passando por sequências realistas ou tensas e terminando em cenas violentas que ilustram bem o sofrimento sentido por aquele povo. Podemos contar também com sequências que se passam dentro da cabeça da protagonista, ou seja, que mostram os seus sonhos ou pensamentos, muitas vezes relacionados com as situações por ela vividas. Muitos dizem que o filme é longo, eu discordo, penso sinceramente que nada é descartável, tudo o que lá está serve um propósito. O filme possui poucos diálogos, quase tudo é filmado ao nível da altura da personagem principal e isto serve para frisar que se trata de uma realidade passada, que nos é mostrada através dos olhos de uma criança. A realizadora foca ainda a camara directamente na cara da menina, muitos planos são assim e servem para nos mostrar o seu drama perante aquilo que se está a passar. A pequena Sareum Srey Moch é a alma deste filme, o seu olhar, os seus choros, a sua prestação física, a sua expressão facial, a sua postura, enfim, todo o seu desempenho é brutal, tudo isto envolto numa interpretação pura, a miúda devia receber um prémio grande por tudo o que fez aos mandos de Angelina Jolie. Pessoalmente, adorei esta história dramática, porque me foi mostrada por alguém inocente e vale dizer aqui que Sareum Srey Moch representou bem a verdadeira Loung Ung.

The History Of Love

Nome do Filme : “The History Of Love”
Titulo Inglês : “The History Of Love”
Titulo Português : “A História do Amor”
Ano : 2016
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Radu Mihaileanu
Produção : Radu Mihaileanu
Elenco : Gemma Arterton, Derek Jacobi, Sophie Nelisse, Elliott Gould, Torri Higginson, Corneliu Ulici, Mark Rendall, Lynn Marocola, Alex Ozerov, Jamie Bloch, William Ainscough, Julian Bailey.

História : Um livro antigo, há muito perdido, é descoberto e acaba por ligar duas pessoas que à partida não teriam muito em comum : Leo, um velho homem polaco a viver em Nova Iorque, e Alma, uma adolescente firme em descobrir a verdade. O livro, sobre o amor, foi escrito pelo homem há sessenta anos, antes de ter fugido aos nazis e deixando o amor da sua vida, que também se chamava Alma. A mãe de Alma, a jovem, começa a traduzi-lo, e é assim que os dois se conhecem, num encontro que acaba por mudar a vida dos dois.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante, mas que se poderá tornar um pouco confuso para quem não estiver devidamente concentrado nele. Primeiro que tudo, é um filme sobre a vida e sobre o amor, dois temas muito bem trabalhados aqui pelo realizador. A narrativa segue por dois caminhos que se cruzam ao longo de mais de duas horas, onde vemos a história do nosso protagonista no passado e também somos levados a conhecer o seu tempo presente, depois de imensa coisa ter acontecido. É também um filme sobre as partidas que a vida nos prega ao longo da nossa existência, estamos quase sempre a ser postos à prova e quando menos esperamos, somos surpreendidos. Nesta história, passado e presente interessaram-me de igual modo, eu me entreguei totalmente a este filme, sempre disposto a descobrir o seu final. E o final me satisfez, confesso ter sido do meu agrado, apesar de tudo.

No papel principal, encontramos um veterano que é um excelente actor, seu nome é Derek Jacobi, este senhor tem aqui a melhor interpretação do longa, totalmente convincente, o homem esteve tão bem no seu papel, que eu estive sempre a zelar para que o seu personagem atingisse o seu grande objectivo. Quem também se destaca é a jovem Sophie Nelisse, ela representou a personagem feminina mais importante do filme, a miúda teve assim uma boa prestação e foi nela que se concentraram uma grande variedade de factos interessantes. Ela é a típica adolescente dos nossos tempos. Nos papéis do casal protagonista na fase da sua juventude, temos um Mark Rendall e uma Gemma Arterton bastante competentes, eu gostei de ter conhecido a história de amor deles, apesar daquilo que lhes aconteceu ao longo das suas vidas não ter sido totalmente do meu agrado. A empatia existente entre eles é notável e convincente. Por último, temos um Elliot Gould em excelente forma. Bom filme. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

American Romance

Nome do Filme : “American Romance”
Titulo Inglês : “American Romance”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Thriller/Crime/Romance
Realização : Zackary Adler
Produção : Crawford Anderson Dillon/Roger Mayer/Gary Sugarman
Elenco : Daveigh Chase, John Savage, Nolan Gerard Funk, James Duval, Diane Farr, Mei Melançon, Mark Boone Junior, Barlow Jacobs, Kent Kimball, Brian Leone, Rebecca Cook, Elana Krausz, Blanca Blanco, Sofia Mali.

História : Um jovem casal viaja pela América de carro, enquanto que a polícia investiga a fundo uma série de mortes, em que as vítimas são sempre casais barbaramente assassinados.

Comentário : Na noite passada vi este thriller que, mesmo não me desiludindo, me deixou à espera de mais. O filme funde-se em três narrativas temporais : primeiro acompanhamos um jovem casal e a maneira dele lidar com dois moradores; vemos uma agente do FBI e um oficial da autoridade local a tentar desvendar o mistério por detrás de um assassino em série e, por último, testemunhamos um xerife a relatar o que supostamente aconteceu. Estamos perante uma fita intrigante, pelo início, nunca suspeitamos que as coisas iam suceder da maneira que aconteceu. Confesso ter ficado surpreendido com esse twist. É uma obra violenta, embora eu já tenha visto bem pior. O realizador fez um trabalho razoável, pessoalmente, senti-me sempre ansioso para ver o que ia acontecer a seguir. Alguns momentos são de tensão. Mas eu senti que as coisas podiam ter ido ainda mais longe, faltou qualquer coisa.

No papel de elemento masculino do casal, o jovem Nolan Gerard Funk teve uma prestação minimamente aceitável, apesar de alguns deslizes, o seu personagem impõe respeito, mesmo que passe pouco a imagem daquilo que ele realmente era. O veterano John Savage (segunda foto em baixo) dá-nos a melhor prestação masculina do elenco, o seu Emery está credível. Mas quem está de parabéns no que à representação diz respeito é a actriz Daveigh Chase (primeira foto em baixo), que teve o melhor desempenhado do filme, nos facultando uma linda jovem provocante e sensual, aliás, o director faculta-nos planos da sua Krissy bastante apelativos e interessantes. Outro dos méritos da fita é o facto de nos manter presos à cadeira num clima de tensão, enquanto que os seus principais problemas consistem não só numa história fraca como também no facto de ser uma obra com pouco para nos oferecer, além de ter um final pobre. Um último reparo, eu queria ter visto o drama de infância de Krissy mais desenvolvido, faltou o aprofundar do passado dela. 


domingo, 22 de outubro de 2017

El Jugador de Ajedrez

Nome do Filme : “El Jugador de Ajedrez”
Titulo Inglês : “The Chessplayer”
Titulo Português : “O Jogador de Xadrez”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Luis Oliveros
Produção : Juan Antonio Casado/Julio Castedo/Gerardo Herrero
Elenco : Marc Clotet, Melina Matthews, Iris Valles Torres, Alejo Sauras, Lionel Auguste, Stefan Weinert, Pau Dura, Mike Hoffmann, Maarten Dannenberg, Christian Stamm, Andres Gertrudix, Juan Del Santo, Peter Geltz, Eric Bonicatto, Blanca Zurdo.

História : A pedido da esposa, o jogador de xadrez Diego Padilla muda de país e os dois iniciam uma nova vida com a filha pequena de ambos. Com o surgimento da Segunda Guerra Mundial, ele é preso e acusado de ser um espião. Esse facto altera a sua tranquila existência por completo, estragando-lhe a vida.

Comentário : Gostei bastante deste filme espanhol, principalmente porque tem uma história muito interessante e que se segue muito bem. O filme decorre nos finais dos anos 1930 e inícios dos anos 1940, lá bem no centro da Segunda Grande Guerra. Sim, é mais uma fita que mostra o quanto maus eram os nazis, mas aqui o mais interessante é verificarmos como um simples homem sem tendências políticas é envolvido injustamente em questões desse teor, e como lhe conseguem estragar a vida. É verdade, os alemães têm muito que se envergonhar do seu passado. A história é perfeitamente tolerável e eu senti-me totalmente atento ao desenrolar dos acontecimentos, sempre na expectativa daquilo que ia acontecer a seguir. Por vezes, o filme mostra acontecimentos que nos irritam, existem cenas bem enervantes, é fácil ficarmos do lado do nosso protagonista e isso também se deve à poderosa prestação do actor Marc Clotet, que manda muito bem aqui. Destaque também para a actriz Melina Matthews, que fez a mulher dele, apesar do rumo que a sua personagem levou, a sua interpretação consegue fazer-nos zelar pelo seu destino na história. Os actores que desempenharam os nazis estiveram bastante convincentes. A recriação de época está impecável, pessoalmente, eu senti-me inserido naquele tempo negro, pode-se dizer assim. É impressionante vermos mais ou menos como as coisas eram naquela época e o nosso jogador de xadrez nem era judeu e nem estava envolvido em questões políticas, ele era unicamente um homem simples com uma vida normal, casado e com uma filha, enfim, ele queria apenas levar a sua vida perfeitamente vulgar e ser feliz com a sua família. E aqui, o mais curioso foi testemunhar como o xadrez salvou a vida de um homem. Um último reparo, este filme retrata a vida do xadrezista russo Alexander Alekhine, aqui personificado com o nome de Diego Padilla.

sábado, 21 de outubro de 2017

Walking Out

Nome do Filme : “Walking Out”
Titulo Inglês : “Walking Out”
Ano : 2017
Duração : 95 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Alex Smith/Andrew Smith
Produção : Laura Ivey/Brunson Green
Elenco : Josh Wiggins, Matt Bomer, Bill Pullman, Lily Gladstone, Alex Neustaedter,

História : David é um adolescente que vai passar umas férias com o pai que já não via à meses. O que pareciam ser uns longos dias bem passados em que os dois se iam conhecer melhor, depressa se transforma numa dura jornada que fará o jovem crescer à força e tornar-se num adulto.

Comentário : Há filmes assim, que começam bem e que parece estar tudo a correr de forma simples, mas que com o avançar dos minutos, as coisas vão-se tornando cada vez mais sombrias e o final traduz-se num verdadeiro murro no estômago. Foi isso que aconteceu aqui. Detentor de um ritmo muito lento, o filme segue a jornada de descoberta entre um pai e um filho que decidem se aventurar nas montanhas geladas e que não irão sair delas da mesma maneira como entraram. Confesso ter gostado do filme, não tenho nada contra narrativas lentas, pelo contrário, até nutro um certo gosto por elas e esta película prendeu-me à cadeira durante os seus noventa minutos. Os realizadores facultam-nos lindas paisagens, uma banda sonora penetrante e cenas verdadeiramente lindas. Existe uma cena em particular que envolve o pai do miúdo e um animal, enfim, foi algo simplesmente magnífico, para mim, a melhor cena do filme. O filme conta não só o passado daquele pai, como também nos relata a transformação que se vai dar no jovem protagonista, tudo culminando num final bem dramático. Josh Wiggins possui aqui a melhor interpretação do longa, para além de ter uma excelente prestação física, o jovem rouba as cenas aos dois adultos que mais aparecem na fita. Matt Bomer vai bem no papel do pai que conhece pouco da mentalidade actual do filho, aliás, os dois actores de diferentes idades possuem uma boa química, a relação que cresce entre eles é convincente e credível. E Bill Pullman dá um óptimo apoio aos dois protagonistas. Algumas cenas estão muito realistas e o final deixa-nos com uma estranha sensação no estômago. Um filme muito gelado e muito bom que faz da natureza uma das suas personagens centrais.

domingo, 15 de outubro de 2017

Wind River

Nome do Filme : “Wind River”
Titulo Inglês : “Wind River”
Titulo Português : “Wind River”
Ano : 2017
Duração : 107 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Taylor Sheridan
Produção : Peter Berg
Elenco : Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Graham Greene, Julia Jones, Gil Birmingham, Teo Briones, Tantoo Cardinal, Eric Lange, Althea Sam, Tokala Clifford, Martin Sensmeier, Tyler Laracca, Ian Bohen, Hugh Dillon, Matthew Del Negro, James Jordan, Jon Bernthal, Blake Robbins, Norman Lehnert, Kelsey Asbille.

História : Uma agente do FBI, Jane Banner, une forças com um caçador local atormentado pelo passado para investigar um homicídio ocorrido numa remota Reserva de Nativos Americanos. Com o decorrer da investigação, Jane espera conseguir vingar a morte da vítima, uma jovem rapariga.

Comentário : Estamos perante um filme de suspense que me surpreendeu pela positiva em quase tudo. Primeiro porque é um filme baseado em histórias reais, logo aí o realizador corria o risco que as coisas não resultassem bem, mas eu entendi perfeitamente onde ele pretendeu chegar. É um filme muito bem escrito e filmado, aliás a fita tem argumento de Taylor Sheridan, que também realizou o longa. E ele sai-se muito bem nessas duas funções. O argumento deixa-nos sempre na expectativa daquilo que acontecerá a seguir, existem aqui cenas bem tensas e irritantes, no bom sentido, claro está. Logo no inicio, e isso não é spoiler, somos apresentados a algo que se supõe como sendo um assassinato, uma jovem é encontrada morta na neve. O que se segue é todo um trabalho de investigação exercido pela tal agente do FBI e pelo caçador profissional que se torna seu colega no processo. A banda sonora incomoda por vezes, particularmente, eu senti-me enervado com aquelas melodias fortes e enjoativas. A fotografia é muito boa e podemos também contar com imagens muito bonitas. Aliás, o filme possui uma excelente realização.

O director mete o dedo na ferida à cerca da questão dos nativos não serem considerados cidadãos americanos por estes e de não serem respeitados enquanto tal. Nesse aspecto, Taylor Sheridan foi bastante incisivo. O filme é todo envolvido num rigoroso clima de mistério e tensão que funciona na perfeição, eu mesmo, teci a minha própria tese do que supostamente teria acontecido e fiquei surpreendido pela positiva quando descobri o que realmente se passou. Infelizmente, faltou saber-se uma coisa e isso me deixou irritado. Sem querer exagerar, Jeremy Renner possui aqui a melhor interpretação da sua carreira, o homem é tão emotivo que convence-nos perfeitamente do drama intenso que o seu personagem vive. Elizabeth Olsen vai bem, mas já a vi fazer melhor num ou noutro papel. É um filme muito frio, aliás, eu diria mesmo que o clima invernal e a própria natureza funcionam quase como personagens secundárias, tal não é o forte contributo que facultam à obra. Em relação aos vilões e sem querer revelar muito, eles representam fielmente até que ponto os humanos podem ser maus para com os seus semelhantes e neste caso, os seus actos podiam servir de debate, em particular o nojento principal, eu adorei o fim do seu personagem. Este filme foi mais uma agradável surpresa deste ano. 

domingo, 8 de outubro de 2017

The Eagle Huntress

Nome do Filme : “The Eagle Huntress”
Titulo Inglês : “The Eagle Huntress”
Titulo Português : “A Caçadora e a Águia”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Documentário/Aventura
Realização : Otto Bell
Produção : Otto Bell/Sharon Chang/Stacey Reiss
Elenco : Daisy Ridley (voice), Aisholpan Nurgaiv, Rys Nurgaiv.

História : Há mais de mil anos que alguns povos nómadas de certas regiões da Mongólia se habituaram a caçar com águias-reais. Manda a tradição que essa actividade seja realizada por homens. Mas Aisholpan, uma jovem de treze anos, quer quebrar essa regra ancestral e tornar-se a primeira mulher a fazê-lo, tal como antes fizeram os homens da sua família. Para isso, além de ter de lutar contra preconceitos profundamente enraizados, tem de dedicar todo o seu tempo e esforço a aprender as técnicas necessárias. Uma delas, talvez a principal, é encontrar e domesticar o seu próprio animal.

Comentário : Esta semana, trago este belíssimo documentário que eu tive a sorte de ver. Como eu disse, é um filme muito bonito, com imagens lindas e paisagens cativantes. É tudo tão natural que apetece atravessar o ecrã para o lado de lá e fazer parte de tudo aquilo. Trata-se de um mundo maravilhoso que aqui nos é apresentado, com toda a sua liberdade e beleza, adorei conhecer aquele povo e o modo como vivem, como levam a vida, o oposto do tipo de vida do Ocidente. O realizador dá-nos assim a conhecer uma menina de treze anos chamada Aisholpan, que quer seguir a tradição do seu povo, enfim, trilhar o mesmo caminho do seu pai, do seu avô, dos seus antepassados. E a miúda não só se dedica a fundo e tem jeito para aquilo, como também possui uma grande e admirável força de vontade. O filme é apresentado em modo de narrativa crescente, nós assistimos à evolução de Aisholpan enquanto treinadora e ser humano, quase todos os passos são aqui devidamente mostrados e é com uma enorme satisfação que vemos tudo isso.

Por se tratar de um documentário, é tudo muito realista, o que vemos foi o que aconteceu na realidade. Gostei muito de ver a relação entre as águias e os humanos, é tudo muito bonito e natural, parece que ambos se compreendem mutuamente. O pai da miúda deve nutrir um orgulho muito grande por aquela filha e por tudo aquilo que ela representa. Destaque não menos importante para a belíssima fotografia e para a camara penetrante que insiste e bem em nos mostrar o essencial, por vezes, através de planos magníficos. A mensagem que se pretende transmitir passa na perfeição, mais do que uma história sobre uma miúda que quer afirmar-se no mundo dos homens, este filme é essencialmente sobre uma rapariga que quer realizar o seu maior sonho. Um último reparo, quase não dá para acreditar que uma águia consegue vencer e matar uma raposa, mas é verdade. À parte dos clichés próprios dos documentários deste género, estamos perante uma belíssima obra cinematográfica detentora de uma beleza visual notável.

domingo, 1 de outubro de 2017

Una

Nome do Filme : “Una”
Titulo Inglês : “Una”
Titulo Português : “Negra Sedução”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Benedict Andrews
Produção : Maya Amsellem/Patrick Daly/Jean Doumanian
Elenco : Rooney Mara, Ben Mendelsohn, Ruby Stokes, Riz Ahmed, Tara Fitzgerald, Xanthe Gibson, Ciaran McMenamin, Katie Money, Emilee Roscamp, Isobelle Molloy, Jessica Jean Harland Stubbs, Grainne Keenan, Dan Ball, Indira Varma, Sophie Stanton, Natasha Little, Sydney Wade, Tobias Menzies.

História : Um homem adulto e uma rapariga de treze anos mantêm um relacionamento amoroso que dura três meses, quinze anos depois reencontram-se e ela decide confrontá-lo sobre os noventa dias que lhe estragaram a vida.

Comentário : Não esperem disto um filme choque sobre a pedofilia, na verdade nem lhe chega perto. O realizador mete o dedo levemente na ferida, sem nunca mergulhar profundamente no abismo complexo que deve ser o verdadeiro drama destas vítimas. Não quero com isto dizer que não gostei do filme, não é isso, simplesmente podia ter sido uma história mais dramática, mais realista e mais profunda para as duas personagens principais. Falando nisso, não gostei da prestação do actor Ben Mendelsohn, ele não me convenceu na pele de abusador de menores. Já Rooney Mara, está muito bem no papel de mulher traumatizada devido a um passado de horrores, eu comprei perfeitamente o drama da sua personagem, a sua Una é uma mulher cheia de incertezas, ela não tem um rumo definido. E Ruby Stokes limitou-se a fazer os mínimos do que lhe foi pedido, se não fosse a personagem de Rooney Mara a relatar o que lhe aconteceu aos treze anos e até punha em dúvida se ela realmente sofreu abusos sexuais, visto que a sua pequena Una não nos mostra nada, nós temos que deduzir tudo. Gostei do clima de tensão que está sempre presente, algumas cenas resultam muito bem, os personagens secundários deram conta do recado, o terceiro acto talvez seja o menos interessante e o final do filme deixa muito a desejar. Por último, tenho que dizer aqui que acho totalmente condenável este tipo de crimes e lamento que este filme não soubesse trabalhar e desenvolver um tema tão complexo e difícil como este, outros filmes já o fizeram bem melhor. Gostei deste filme, mas esperava algo mais revelador, mais profundo e mais realista.

domingo, 24 de setembro de 2017

The Glass Castle

Nome do Filme : “The Glass Castle”
Titulo Inglês : “The Glass Castle”
Titulo Português : “O Castelo de Vidro”
Ano : 2017
Duração : 128 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Destin Daniel Cretton
Produção : Ken Kao/Gil Netter
Elenco : Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts, Ella Anderson, Chandler Head, Sarah Snook, Sadie Sink, Olivia Kate Rice, Brigette Lundy Paine, Shree Crooks, Eden Grace Redfield, Josh Caras, Charlie Shotwell, Iain Armitage, Tessa Mossey, Max Greenfield, Robin Bartlett, Joe Pingue, A. J. Henderson, Dominic Bogart, Chris Gillett, Brenda Kamino, Vlasta Vrana, Sandra Flores, Kyra Harper, Sarah Camacho, Alanna Bale, Sabrina Campilli, Andrew Shaver, Ross Partridge. 
 
História : Uma menina atinge a maioridade numa família disfuncional de nómadas inconformados, com uma mãe que é uma artista excêntrica e um pai alcoólatra que tenta despertar a imaginação das crianças com a esperança que elas se abstraiam da pobreza em que vivem.

Comentário : Ser pai não é só colocar no mundo e já está, para além de ser uma grande responsabilidade, é todo um processo evolutivo de tarefas e descobertas que podem ser boas e más, nós temos que estar preparados para tudo, mas a cima de tudo trata-se de alterarmos a nossa vida radicalmente e passarmos a viver em função de alguém, cuidar de alguém. Aquilo que se passa no novo filme de Destin Daniel Cretton é o oposto, esta é a história de um casal irresponsável e negligente enquanto pais e que não o sabem ser, mas é também um filme baseado em factos reais, ou seja, é uma história que aconteceu de verdade, assim, existe sempre o tom de veracidade que está sempre presente, pessoalmente, eu gostei de ter descoberto a história de Jeannette Walls. Não é um filme fácil, existem aqui cenas bem dramáticas, por exemplo, há uma parte em que o pai das crianças para ensinar a protagonista a nadar, atira a menina para dentro da piscina por três vezes, fiquei incomodado com isso.  Vale lembrar que a verdadeira Jeannette Walls escreveu um livro sobre a sua história, cujo título tem dois significados : por um lado é sobre uma promessa que o pai fez às crianças de construir uma mansão segura e confortável para toda a família, coisa que ele nunca cumpriu; e por outro lado trata-se de uma metáfora para a fragilidade da relação familiar que pode sempre quebrar.

Como eu disse, este filme mostra dois pais totalmente irresponsáveis que não têm a mínima noção de como criar as crianças que possuem em mãos, cometendo uma série de parvoíces para tentar remediar certas situações bem graves. Como não conheço o material de origem, limitei-me a ver e a aceitar aquilo que o realizador e o elenco me mostravam. Woody Harrelson e Naomi Watts desempenham muito bem os dois trastes progenitores, é impressionante assistirmos ao que eles fazem e o mais chocante é saber que existem por esse mundo fora muitos pais iguais a eles, pessoas que nem deviam ser pais. No papel da protagonista, Brie Larson (“Short Term 12”, “Room”) é um actriz completa, ela tem aqui uma excelente interpretação, eu adoro esta actriz. Todas as crianças envolvidas tiveram bem nos seus papéis, com destaque para a jovem Ella Anderson, esta pequena teve a melhor prestação do elenco infantil e juvenil. O filme decorre entre o passado e o presente das personagens, é um filme de época que deambula facilmente entre alturas temporais e o faz de maneira aceitável. Mais do que um filme sobre pais inúteis, é sobretudo um longa sobre quatro crianças que sofreram bastante durante a infância e a adolescência, passando necessidades e carências. A fita peca por se perder em cenas que em nada adiantam para a história. Gostei, mas esperava uma fita ainda mais dura, triste, cruel, realista e dramática. Ainda assim, é mais um filme que entra para a minha lista de preferências.



Mother!

Nome do Filme : “Mother!”
Titulo Inglês : “Mother”
Titulo Português : “Mãe!”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Mystery/Fantasia
Realização : Darren Aronofsky
Produção : Darren Aronofsky
Elenco : Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Domhnall Gleeson, Brian Gleeson.

História : A vida de um casal fica perturbada quando estranhos invadem a sua casa.

Comentário (Com Spoilers) : Antes de mais, tenho que confessar que sempre estive dividido em relação a Darren Aronofsky enquanto realizador, já para não falar enquanto pessoa. Nos seus filmes, dá para ver que o tipo não tem qualquer respeito nem consideração pela mulher, pelo ser feminino. Mas isso é assunto para outro comentário. Tem filmes dele que eu gostei, estou a falar unicamente das fitas : “The Wrestler” e “Black Swan”; tem outros que eu achei irrelevantes, estou a referir-me aos longas : “Pi” e “Noah” e tem ainda dois outros filmes que eu odiei, sim, a palavra é mesma essa, claramente que estou a pensar no ridículo “The Fountain” e no execrável “Requiem For A Dream”, este último considerado por mim como um dos piores filmes que eu vi na vida. Mas falemos agora do seu novo filme. Tenho que dizer que este filme junta-se aos dois últimos frisados anteriormente e encerra assim a minha trilogia pessoal da indiferença que eu sinto por Darren Aronofsky, me atrevo até a dizer que o pessoal valoriza demais os seus filmes.

Eu interpreto este filme como sendo uma peça cinematográfica cheia de significados, metáforas e alegorias bíblicas, sim, se formos a pensar bem, a personagem da Jennifer Lawrence (boa em tudo como sempre) representa a Mãe Natureza, o personagem do Javier Bardem representa o Criador, o Ed Harris faz de Adão enquanto que a Michelle Pfeiffer encarna uma Eva absolutamente desprezível e metediça, uma verdadeira cobra, e Domhnall Gleeson e Brian Gleeson são os seus filhos Caim e Abel. Tanto é assim, que todos eles não possuem nome próprio na ficha técnica. A casa é como se fosse o planeta, a Terra, aquilo que o Criador concebeu. Depois é só juntar dois mais dois. O Criador e a Mãe Natureza vivem bem na casa, daí surge Adão e Eva que começam a perturbar a harmonia do “casal”, gerando alterações na sua vivência. Esses dois invasores têm relações sexuais, simbolizando o pecado, inclusive o elemento masculino tem uma lesão nas costas, alusiva à costela de Adão. Depois vêm os dois filhos e há uma morte em que um dos irmãos mata o outro devido a ciúmes, como na bíblia. A seguir, a casa enche-se de pessoas que representam os seres humanos, quase sempre invadindo tudo, destruindo e não respeitando o que não lhes pertence, mas adorando falsamente o Criador e matando os filhos da Mãe Natureza. Aliás, o facto dele ser escritor é uma metáfora para Criador, ou seja, a história nova que este poeta escreve e da qual obtém sucesso pode simbolizar o novo testamento. Por último, a Mãe Natureza revolta-se contra os humanos e contra o seu Criador e destrói tudo, representando assim o apocalipse, mas o Criador sai ileso e retira uma das melhores coisas que ela tinha, reconstruíndo tudo novamente para um novo ciclo. Aliás, a cena que abre o filme é semelhante com a que o encerra, pelo menos a intenção é essa. Esta é a visão pessimista do realizador sobre o estado das coisas e sobre aquilo que supostamente voltará a acontecer. Mas eu vomito nisso tudo. Existem outras metáforas isoladas espalhadas pelo filme e este pode ter outras interpretações. Foi um filme que me causou muita irritação e foram duas horas perdidas da minha existência que eu nunca mais irei recuperar. É um filme que se gosta ou se detesta, eu me encaixo na segunda categoria, sem dúvidas, um dos piores filmes que vi na vida. Um último reparo, só vim aqui falar deste filme, como forma de descarrego da raiva que acumulei ao vê-lo.

sábado, 23 de setembro de 2017

A Ghost Story

Nome do Filme : “A Ghost Story”
Titulo Inglês : “A Ghost Story”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : David Lowery
Produção : Adam Donaghey/Toby Halbrooks/James M. Johnston
Elenco : Rooney Mara, Casey Affleck, Liz Franke, Sonia Acevedo, Yasmina Gutierrez, Carlos Bermudez, Will Oldham, Brea Grant.

História : Enquanto que uma jovem mulher tenta seguir com a sua vida depois da morte do companheiro, um espírito permanece no mesmo local, a observar tudo o que se passa.

Comentário : Confesso que fui totalmente às escuras para este pequeno filme, desconhecendo portanto do que se tratava, no final, foi uma experiência positiva, eu gostei bastante daquilo que vi. No fundo, trata-se de um filme hipnótico, algo muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver em outras fitas. Não é uma obra onde o foco permaneça na vida do casal, aqui o principal destaque vai para a personagem do fantasma que é uma espécie de observador de tudo o que se passa e das mudanças que o local onde está a casa do casal vai sofrendo ao longo dos anos. É igualmente um filme reflectivo que banaliza a vida em si, o simples acto de viver é aqui homenageado de forma perfeita. O modo como a fita nos é apresentada e mostrada é bastante peculiar, fez-me lembrar o filme “Jauja”. O filme tem também uma boa fotografia e algumas imagens são bem bonitas, o contraste do figurino do fantasma com alguns cenários é bem cativante, eu gostei bastante da ideia. Claro que existe uma ou outra coisa que não ficou devidamente explicada, mas eu não me vou alongar mais aqui para não revelar algo que possa comprometer a vossa experiência. A nível do elenco, não existe praticamente nada de relevante a destacar, neste campo apenas quero dizer que Rooney Mara está bem no seu papel, embora ela tenha pouco que fazer com o material que tem em mãos. Infelizmente, o filme é muito curto, são cerca de noventa minutos que passam a correr, mas durante essa hora e meia, eu senti-me totalmente abrangido por aquilo que estava a ver, é uma história muito apelativa e interessante. Por último, há que referir que o filme tem um ritmo muito lento, que não agradará a maioria, para mim, foi uma boa experiência cinematográfica. 

Paris, Texas

Nome do Filme : “Paris, Texas”
Titulo Inglês : “Paris Texas”
Titulo Português : “Paris, Texas”
Ano : 1984
Duração : 145 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Produção : Anatole Dauman/Don Guest
Elenco : Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski, Hunter Carson, Dean Stockwell, Aurore Clement.

História : Travis Henderson esteve cerca de quatro anos perdido e longe da pouca família que tinha, sendo encontrado pelo irmão que se mostra firme em ajudá-lo a reencontrar o rumo para a sua vida.

Comentário : Há muitos anos que não via este belíssimo filme, ontem ele passou no melhor canal da televisão nacional em homenagem ao actor principal que falecera recentemente, e eu felizmente tive a oportunidade de o rever, voltei a ter uma das melhores experiências cinematográficas com aquele que é um dos meus filmes preferidos. É uma obra repleta de bons momentos e cenas cativantes, muito por culpa dos actores envolvidos que fizeram um excelente trabalho. É muito gratificante acompanharmos as suas jornadas, vivermos os seus dramas e conhecermos as suas vidas, nomeadamente do protagonista, eu falo por mim, eu amei o personagem de Travis Henderson. Wim Wenders é um excelente realizador, eu adoro a maioria dos seus trabalhos e apenas lamento não ter acessibilidade aos seus filmes mais emblemáticos, apesar de terem passado recentemente no Cinema Nimas, por motivos de agenda laboral, não pude vê-los ou revê-los, embora já tenha cinco filmes dele comentados neste espaço. “Paris, Texas” é uma obra grandiosa com uma história muito interessante, diria mesmo, apaixonante e é uma fita que fala basicamente das relações entre pessoas, dos sentimentos e das constantes partidas que a vida nos prega.

No papel do protagonista, encontramos um excelente actor chamado Harry Dean Stanton, que tem nesta fita uma excelente interpretação, ele faz de alguém que já viveu anos bons na companhia do irmão e da esposa, de quem perdeu o contacto e andou durante cerca de quatro anos a deambular sozinho, sem dar noticias a ninguém, ele meio que perdeu o sentido da vida. O actor tem aqui possivelmente o melhor desempenho da sua carreira, ele é um excelente profissional na arte da representação e este seu papel é mais uma prova disso. Nastassja Kinski está muito bem no papel de mulher do protagonista, eu gostei igualmente da sua personagem, inclusive os dois possuem cenas bem emotivas lá mais para o final do filme. O jovem Hunter Carson é adorável no papel de filho único do casal, ele protagoniza excelentes momentos com o personagem principal e, no final, temos uma também óptima sequência entre o pequeno e a sua “mãe”. É um filme que fala da vida, do modo como nós próprios a complicamos e somos responsáveis por aquilo que nos acontece, a história deste trio aborda isso mesmo, o quanto complicada a vida é. Diria mesmo que este filme é um hino à vida. O filme aparece em listas de melhores filmes de vários críticos e é isso que se trata, “Paris, Texas” é uma obra reflectiva sobre aquilo que somos, aquilo que vivemos e aquilo em que nos tornamos. Sem dúvidas, um dos filmes da minha vida. 


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Noces

Nome do Filme : “Noces”
Titulo Inglês : “A Wedding”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Stephan Streker
Produção : Michael Goldberg/Boris Van Gils
Elenco : Lina El Arabi, Babak Karimi, Nina Kulkarni, Rania Mellouli, Aurora Marion, Sebastien Houbani, Olivier Gourmet, Alice De Lencquesaing, Bilel Ghommidh, Zacharie Chasseriaud, Harmandeep Palminder, Sandor Funtek, François Baldassare.

História : Uma jovem paquistanesa de dezoito anos chamada Zahira vive com a família em território ocidental e é obrigada a seguir a tradição do seu povo. Zahira terá que escolher um futuro marido e com ele casar, indo viver para o Paquistão. Mas a jovem não parece querer seguir os caminhos que os pais ditaram para ela e entra em total confronto com os progenitores.

Comentário : Esta noite vi este filme de que gostei, embora me tenha deixado com uma grande tristeza. É um filme que mostra uma triste realidade, jovens que têm casamentos marcados com alguém que nunca conheceram pessoalmente, esses arranjos são feitos pelos pais de ambos e têm que seguir a tradição, isso infelizmente ainda acontece em certos países e com algumas culturas. Neste filme, seguimos a jovem Zahira e aquilo que ela faz para tentar escapar à sua pouca sorte. O realizador gere e trabalha tão bem o seu elenco principal, que quem assiste ao filme, por momentos, esquece que se trata de fita e sente realmente aquele drama familiar. Eu entendi tanto o ponto de vista da jovem protagonista, como também a perspectiva da sua família, apesar de estar sempre do lado de Zahira, obviamente. Lina El Arabi convence totalmente enquanto menina paquistanesa condicionada a uma tradição, nós sentimos o drama e a aflição dela, entendemos a sua situação bem delicada, a miúda tem a melhor prestação do filme. Gostei bastante do casal de atores que interpretou os pais dela, os dois muito realistas. O ator que desempenhou o irmão da protagonista esteve também muito bem. Os secundários estiveram igualmente à altura do desafio. Há uma situação que envolve a personagem principal, algo que a deixa perante duas opções bem distintas, essa sequência é bem aflitiva e deixou-me a mim igualmente bastante dividido. É um filme que mostra bem os dois lados da barricada, sem nunca dar preferência a um deles, ambos são tratados de igual modo e respeitados enquanto tal. E depois temos aquele final, que me deixou muito angustiado, sinceramente, eu não esperava aquilo, sabia que algo parecido ia acontecer, mas jamais imaginava que fosse daquele jeito. Gostei do filme, embora tenha que confessar que deixa um gosto amargo na boca.


domingo, 17 de setembro de 2017

Till We Meet Again

Nome do Filme : “Till We Meet Again”
Titulo Inglês : “Till We Meet Again”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Bank Tangjaitrong
Produção : Johan Matton
Elenco : Johan Matton, Linnea Larsdotter, Emrhys Cooper, Astrea Campbell Cobb, Elly Han, Timothy Ryan Hickernell, Rachel Rossin, Vithaya Pansringarm.

História : Erik e Joanna são um jovem casal cuja relação amorosa enfrenta alguns problemas, os dois decidem viajar para tentar que as coisas se componham. No entanto e devido a uns mal entendidos, os dois acabam ainda mais separados.

Comentário : Este filme independente americano representou um verdadeiro achado para mim, primeiro porque não tinha depositado qualquer expectativa nele e depois porque as classificações e as críticas não são lá grande coisa. Claro que me surpreendi pela positiva, porque se trata de um filme cujo tema principal eu adoro : as relações entre pessoas, o lado humano. Tema esse que foi aqui muito bem representado. Durante pouco mais de hora e meia, somos levados a conhecer um casal numa fase complicada do seu relacionamento e como uma série de acontecimentos pode alterar por completo a relação dos dois. O realizador leva-nos a conhecer cada um dos membros do casal, tanto Erik quanto Joanna são devidamente apresentados e depois seguimos a sua jornada e a sua aventura. Assim, ficamos com uma boa noção de como os dois se relacionam, aquilo que preferem na relação, bem como o estado em que a mesma se encontra. E se em alguns casos, a distância entre dois amantes funciona no sentido de os voltar a aproximar, neste caso, isso não aconteceu.

No papel do protagonista masculino, Johan Matton que é também o principal produtor do filme, está muito bem, gostei bastante do seu personagem. O mesmo não se pode dizer de Linnea Larsdotter que, apesar de ter uma boa interpretação, alguns dos seus actos não foram muito bem recebidos por mim. Temos ainda no elenco principal Emrhys Cooper e Astrea Campbell Cobb que funcionam como uma espécie de parceiros alternativos dos dois protagonistas, ambos com bons desempenhos, embora eu tenha ficado na dúvida em relação às verdadeiras intenções do personagem do primeiro. E em papéis secundários, encontramos Elly Han e Timothy Ryan Hickernell, os dois lindamente enquanto personagens de apoio, no geral, é bastante fácil gostarmos de todos estes seis personagens. É igualmente uma película que nos fala da vida em si, de como é bom fazermos uma pausa nas nossas vidas, fazer uma viagem sozinhos ou acompanhados, conhecer pessoas novas e novos locais. É um filme que transpira vida por todos os poros, uma obra simples que nos transmite muito bem toda a sua essência e nos deixa com uma sensação boa de termos assistido a algo inspirador e de termos tido uma excelente experiência.