domingo, 1 de outubro de 2017

Una

Nome do Filme : “Una”
Titulo Inglês : “Una”
Titulo Português : “Negra Sedução”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Benedict Andrews
Produção : Maya Amsellem/Patrick Daly/Jean Doumanian
Elenco : Rooney Mara, Ben Mendelsohn, Ruby Stokes, Riz Ahmed, Tara Fitzgerald, Xanthe Gibson, Ciaran McMenamin, Katie Money, Emilee Roscamp, Isobelle Molloy, Jessica Jean Harland Stubbs, Grainne Keenan, Dan Ball, Indira Varma, Sophie Stanton, Natasha Little, Sydney Wade, Tobias Menzies.

História : Um homem adulto e uma rapariga de treze anos mantêm um relacionamento amoroso que dura três meses, quinze anos depois reencontram-se e ela decide confrontá-lo sobre os noventa dias que lhe estragaram a vida.

Comentário : Não esperem disto um filme choque sobre a pedofilia, na verdade nem lhe chega perto. O realizador mete o dedo levemente na ferida, sem nunca mergulhar profundamente no abismo complexo que deve ser o verdadeiro drama destas vítimas. Não quero com isto dizer que não gostei do filme, não é isso, simplesmente podia ter sido uma história mais dramática, mais realista e mais profunda para as duas personagens principais. Falando nisso, não gostei da prestação do actor Ben Mendelsohn, ele não me convenceu na pele de abusador de menores. Já Rooney Mara, está muito bem no papel de mulher traumatizada devido a um passado de horrores, eu comprei perfeitamente o drama da sua personagem, a sua Una é uma mulher cheia de incertezas, ela não tem um rumo definido. E Ruby Stokes limitou-se a fazer os mínimos do que lhe foi pedido, se não fosse a personagem de Rooney Mara a relatar o que lhe aconteceu aos treze anos e até punha em dúvida se ela realmente sofreu abusos sexuais, visto que a sua pequena Una não nos mostra nada, nós temos que deduzir tudo. Gostei do clima de tensão que está sempre presente, algumas cenas resultam muito bem, os personagens secundários deram conta do recado, o terceiro acto talvez seja o menos interessante e o final do filme deixa muito a desejar. Por último, tenho que dizer aqui que acho totalmente condenável este tipo de crimes e lamento que este filme não soubesse trabalhar e desenvolver um tema tão complexo e difícil como este, outros filmes já o fizeram bem melhor. Gostei deste filme, mas esperava algo mais revelador, mais profundo e mais realista.

domingo, 24 de setembro de 2017

The Glass Castle

Nome do Filme : “The Glass Castle”
Titulo Inglês : “The Glass Castle”
Titulo Português : “O Castelo de Vidro”
Ano : 2017
Duração : 128 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Destin Daniel Cretton
Produção : Ken Kao/Gil Netter
Elenco : Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts, Ella Anderson, Chandler Head, Sarah Snook, Sadie Sink, Olivia Kate Rice, Brigette Lundy Paine, Shree Crooks, Eden Grace Redfield, Josh Caras, Charlie Shotwell, Iain Armitage, Tessa Mossey, Max Greenfield, Robin Bartlett, Joe Pingue, A. J. Henderson, Dominic Bogart, Chris Gillett, Brenda Kamino, Vlasta Vrana, Sandra Flores, Kyra Harper, Sarah Camacho, Alanna Bale, Sabrina Campilli, Andrew Shaver, Ross Partridge. 
 
História : Uma menina atinge a maioridade numa família disfuncional de nómadas inconformados, com uma mãe que é uma artista excêntrica e um pai alcoólatra que tenta despertar a imaginação das crianças com a esperança que elas se abstraiam da pobreza em que vivem.

Comentário : Ser pai não é só colocar no mundo e já está, para além de ser uma grande responsabilidade, é todo um processo evolutivo de tarefas e descobertas que podem ser boas e más, nós temos que estar preparados para tudo, mas a cima de tudo trata-se de alterarmos a nossa vida radicalmente e passarmos a viver em função de alguém, cuidar de alguém. Aquilo que se passa no novo filme de Destin Daniel Cretton é o oposto, esta é a história de um casal irresponsável e negligente enquanto pais e que não o sabem ser, mas é também um filme baseado em factos reais, ou seja, é uma história que aconteceu de verdade, assim, existe sempre o tom de veracidade que está sempre presente, pessoalmente, eu gostei de ter descoberto a história de Jeannette Walls. Não é um filme fácil, existem aqui cenas bem dramáticas, por exemplo, há uma parte em que o pai das crianças para ensinar a protagonista a nadar, atira a menina para dentro da piscina por três vezes, fiquei incomodado com isso.  Vale lembrar que a verdadeira Jeannette Walls escreveu um livro sobre a sua história, cujo título tem dois significados : por um lado é sobre uma promessa que o pai fez às crianças de construir uma mansão segura e confortável para toda a família, coisa que ele nunca cumpriu; e por outro lado trata-se de uma metáfora para a fragilidade da relação familiar que pode sempre quebrar.

Como eu disse, este filme mostra dois pais totalmente irresponsáveis que não têm a mínima noção de como criar as crianças que possuem em mãos, cometendo uma série de parvoíces para tentar remediar certas situações bem graves. Como não conheço o material de origem, limitei-me a ver e a aceitar aquilo que o realizador e o elenco me mostravam. Woody Harrelson e Naomi Watts desempenham muito bem os dois trastes progenitores, é impressionante assistirmos ao que eles fazem e o mais chocante é saber que existem por esse mundo fora muitos pais iguais a eles, pessoas que nem deviam ser pais. No papel da protagonista, Brie Larson (“Short Term 12”, “Room”) é um actriz completa, ela tem aqui uma excelente interpretação, eu adoro esta actriz. Todas as crianças envolvidas tiveram bem nos seus papéis, com destaque para a jovem Ella Anderson, esta pequena teve a melhor prestação do elenco infantil e juvenil. O filme decorre entre o passado e o presente das personagens, é um filme de época que deambula facilmente entre alturas temporais e o faz de maneira aceitável. Mais do que um filme sobre pais inúteis, é sobretudo um longa sobre quatro crianças que sofreram bastante durante a infância e a adolescência, passando necessidades e carências. A fita peca por se perder em cenas que em nada adiantam para a história. Gostei, mas esperava uma fita ainda mais dura, triste, cruel, realista e dramática. Ainda assim, é mais um filme que entra para a minha lista de preferências.



Mother!

Nome do Filme : “Mother!”
Titulo Inglês : “Mother”
Titulo Português : “Mãe!”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Mystery/Fantasia
Realização : Darren Aronofsky
Produção : Darren Aronofsky
Elenco : Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Domhnall Gleeson, Brian Gleeson.

História : A vida de um casal fica perturbada quando estranhos invadem a sua casa.

Comentário (Com Spoilers) : Antes de mais, tenho que confessar que sempre estive dividido em relação a Darren Aronofsky enquanto realizador, já para não falar enquanto pessoa. Nos seus filmes, dá para ver que o tipo não tem qualquer respeito nem consideração pela mulher, pelo ser feminino. Mas isso é assunto para outro comentário. Tem filmes dele que eu gostei, estou a falar unicamente das fitas : “The Wrestler” e “Black Swan”; tem outros que eu achei irrelevantes, estou a referir-me aos longas : “Pi” e “Noah” e tem ainda dois outros filmes que eu odiei, sim, a palavra é mesma essa, claramente que estou a pensar no ridículo “The Fountain” e no execrável “Requiem For A Dream”, este último considerado por mim como um dos piores filmes que eu vi na vida. Mas falemos agora do seu novo filme. Tenho que dizer que este filme junta-se aos dois últimos frisados anteriormente e encerra assim a minha trilogia pessoal da indiferença que eu sinto por Darren Aronofsky, me atrevo até a dizer que o pessoal valoriza demais os seus filmes.

Eu interpreto este filme como sendo uma peça cinematográfica cheia de significados, metáforas e alegorias bíblicas, sim, se formos a pensar bem, a personagem da Jennifer Lawrence (boa em tudo como sempre) representa a Mãe Natureza, o personagem do Javier Bardem representa o Criador, o Ed Harris faz de Adão enquanto que a Michelle Pfeiffer encarna uma Eva absolutamente desprezível e metediça, uma verdadeira cobra, e Domhnall Gleeson e Brian Gleeson são os seus filhos Caim e Abel. Tanto é assim, que todos eles não possuem nome próprio na ficha técnica. A casa é como se fosse o planeta, a Terra, aquilo que o Criador concebeu. Depois é só juntar dois mais dois. O Criador e a Mãe Natureza vivem bem na casa, daí surge Adão e Eva que começam a perturbar a harmonia do “casal”, gerando alterações na sua vivência. Esses dois invasores têm relações sexuais, simbolizando o pecado, inclusive o elemento masculino tem uma lesão nas costas, alusiva à costela de Adão. Depois vêm os dois filhos e há uma morte em que um dos irmãos mata o outro devido a ciúmes, como na bíblia. A seguir, a casa enche-se de pessoas que representam os seres humanos, quase sempre invadindo tudo, destruindo e não respeitando o que não lhes pertence, mas adorando falsamente o Criador e matando os filhos da Mãe Natureza. Aliás, o facto dele ser escritor é uma metáfora para Criador, ou seja, a história nova que este poeta escreve e da qual obtém sucesso pode simbolizar o novo testamento. Por último, a Mãe Natureza revolta-se contra os humanos e contra o seu Criador e destrói tudo, representando assim o apocalipse, mas o Criador sai ileso e retira uma das melhores coisas que ela tinha, reconstruíndo tudo novamente para um novo ciclo. Aliás, a cena que abre o filme é semelhante com a que o encerra, pelo menos a intenção é essa. Esta é a visão pessimista do realizador sobre o estado das coisas e sobre aquilo que supostamente voltará a acontecer. Mas eu vomito nisso tudo. Existem outras metáforas isoladas espalhadas pelo filme e este pode ter outras interpretações. Foi um filme que me causou muita irritação e foram duas horas perdidas da minha existência que eu nunca mais irei recuperar. É um filme que se gosta ou se detesta, eu me encaixo na segunda categoria, sem dúvidas, um dos piores filmes que vi na vida. Um último reparo, só vim aqui falar deste filme, como forma de descarrego da raiva que acumulei ao vê-lo.

sábado, 23 de setembro de 2017

A Ghost Story

Nome do Filme : “A Ghost Story”
Titulo Inglês : “A Ghost Story”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : David Lowery
Produção : Adam Donaghey/Toby Halbrooks/James M. Johnston
Elenco : Rooney Mara, Casey Affleck, Liz Franke, Sonia Acevedo, Yasmina Gutierrez, Carlos Bermudez, Will Oldham, Brea Grant.

História : Enquanto que uma jovem mulher tenta seguir com a sua vida depois da morte do companheiro, um espírito permanece no mesmo local, a observar tudo o que se passa.

Comentário : Confesso que fui totalmente às escuras para este pequeno filme, desconhecendo portanto do que se tratava, no final, foi uma experiência positiva, eu gostei bastante daquilo que vi. No fundo, trata-se de um filme hipnótico, algo muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver em outras fitas. Não é uma obra onde o foco permaneça na vida do casal, aqui o principal destaque vai para a personagem do fantasma que é uma espécie de observador de tudo o que se passa e das mudanças que o local onde está a casa do casal vai sofrendo ao longo dos anos. É igualmente um filme reflectivo que banaliza a vida em si, o simples acto de viver é aqui homenageado de forma perfeita. O modo como a fita nos é apresentada e mostrada é bastante peculiar, fez-me lembrar o filme “Jauja”. O filme tem também uma boa fotografia e algumas imagens são bem bonitas, o contraste do figurino do fantasma com alguns cenários é bem cativante, eu gostei bastante da ideia. Claro que existe uma ou outra coisa que não ficou devidamente explicada, mas eu não me vou alongar mais aqui para não revelar algo que possa comprometer a vossa experiência. A nível do elenco, não existe praticamente nada de relevante a destacar, neste campo apenas quero dizer que Rooney Mara está bem no seu papel, embora ela tenha pouco que fazer com o material que tem em mãos. Infelizmente, o filme é muito curto, são cerca de noventa minutos que passam a correr, mas durante essa hora e meia, eu senti-me totalmente abrangido por aquilo que estava a ver, é uma história muito apelativa e interessante. Por último, há que referir que o filme tem um ritmo muito lento, que não agradará a maioria, para mim, foi uma boa experiência cinematográfica. 

Paris, Texas

Nome do Filme : “Paris, Texas”
Titulo Inglês : “Paris Texas”
Titulo Português : “Paris, Texas”
Ano : 1984
Duração : 145 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Produção : Anatole Dauman/Don Guest
Elenco : Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski, Hunter Carson, Dean Stockwell, Aurore Clement.

História : Travis Henderson esteve cerca de quatro anos perdido e longe da pouca família que tinha, sendo encontrado pelo irmão que se mostra firme em ajudá-lo a reencontrar o rumo para a sua vida.

Comentário : Há muitos anos que não via este belíssimo filme, ontem ele passou no melhor canal da televisão nacional em homenagem ao actor principal que falecera recentemente, e eu felizmente tive a oportunidade de o rever, voltei a ter uma das melhores experiências cinematográficas com aquele que é um dos meus filmes preferidos. É uma obra repleta de bons momentos e cenas cativantes, muito por culpa dos actores envolvidos que fizeram um excelente trabalho. É muito gratificante acompanharmos as suas jornadas, vivermos os seus dramas e conhecermos as suas vidas, nomeadamente do protagonista, eu falo por mim, eu amei o personagem de Travis Henderson. Wim Wenders é um excelente realizador, eu adoro a maioria dos seus trabalhos e apenas lamento não ter acessibilidade aos seus filmes mais emblemáticos, apesar de terem passado recentemente no Cinema Nimas, por motivos de agenda laboral, não pude vê-los ou revê-los, embora já tenha cinco filmes dele comentados neste espaço. “Paris, Texas” é uma obra grandiosa com uma história muito interessante, diria mesmo, apaixonante e é uma fita que fala basicamente das relações entre pessoas, dos sentimentos e das constantes partidas que a vida nos prega.

No papel do protagonista, encontramos um excelente actor chamado Harry Dean Stanton, que tem nesta fita uma excelente interpretação, ele faz de alguém que já viveu anos bons na companhia do irmão e da esposa, de quem perdeu o contacto e andou durante cerca de quatro anos a deambular sozinho, sem dar noticias a ninguém, ele meio que perdeu o sentido da vida. O actor tem aqui possivelmente o melhor desempenho da sua carreira, ele é um excelente profissional na arte da representação e este seu papel é mais uma prova disso. Nastassja Kinski está muito bem no papel de mulher do protagonista, eu gostei igualmente da sua personagem, inclusive os dois possuem cenas bem emotivas lá mais para o final do filme. O jovem Hunter Carson é adorável no papel de filho único do casal, ele protagoniza excelentes momentos com o personagem principal e, no final, temos uma também óptima sequência entre o pequeno e a sua “mãe”. É um filme que fala da vida, do modo como nós próprios a complicamos e somos responsáveis por aquilo que nos acontece, a história deste trio aborda isso mesmo, o quanto complicada a vida é. Diria mesmo que este filme é um hino à vida. O filme aparece em listas de melhores filmes de vários críticos e é isso que se trata, “Paris, Texas” é uma obra reflectiva sobre aquilo que somos, aquilo que vivemos e aquilo em que nos tornamos. Sem dúvidas, um dos filmes da minha vida. 


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Noces

Nome do Filme : “Noces”
Titulo Inglês : “A Wedding”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Stephan Streker
Produção : Michael Goldberg/Boris Van Gils
Elenco : Lina El Arabi, Babak Karimi, Nina Kulkarni, Rania Mellouli, Aurora Marion, Sebastien Houbani, Olivier Gourmet, Alice De Lencquesaing, Bilel Ghommidh, Zacharie Chasseriaud, Harmandeep Palminder, Sandor Funtek, François Baldassare.

História : Uma jovem paquistanesa de dezoito anos chamada Zahira vive com a família em território ocidental e é obrigada a seguir a tradição do seu povo. Zahira terá que escolher um futuro marido e com ele casar, indo viver para o Paquistão. Mas a jovem não parece querer seguir os caminhos que os pais ditaram para ela e entra em total confronto com os progenitores.

Comentário : Esta noite vi este filme de que gostei, embora me tenha deixado com uma grande tristeza. É um filme que mostra uma triste realidade, jovens que têm casamentos marcados com alguém que nunca conheceram pessoalmente, esses arranjos são feitos pelos pais de ambos e têm que seguir a tradição, isso infelizmente ainda acontece em certos países e com algumas culturas. Neste filme, seguimos a jovem Zahira e aquilo que ela faz para tentar escapar à sua pouca sorte. O realizador gere e trabalha tão bem o seu elenco principal, que quem assiste ao filme, por momentos, esquece que se trata de fita e sente realmente aquele drama familiar. Eu entendi tanto o ponto de vista da jovem protagonista, como também a perspectiva da sua família, apesar de estar sempre do lado de Zahira, obviamente. Lina El Arabi convence totalmente enquanto menina paquistanesa condicionada a uma tradição, nós sentimos o drama e a aflição dela, entendemos a sua situação bem delicada, a miúda tem a melhor prestação do filme. Gostei bastante do casal de atores que interpretou os pais dela, os dois muito realistas. O ator que desempenhou o irmão da protagonista esteve também muito bem. Os secundários estiveram igualmente à altura do desafio. Há uma situação que envolve a personagem principal, algo que a deixa perante duas opções bem distintas, essa sequência é bem aflitiva e deixou-me a mim igualmente bastante dividido. É um filme que mostra bem os dois lados da barricada, sem nunca dar preferência a um deles, ambos são tratados de igual modo e respeitados enquanto tal. E depois temos aquele final, que me deixou muito angustiado, sinceramente, eu não esperava aquilo, sabia que algo parecido ia acontecer, mas jamais imaginava que fosse daquele jeito. Gostei do filme, embora tenha que confessar que deixa um gosto amargo na boca.


domingo, 17 de setembro de 2017

Till We Meet Again

Nome do Filme : “Till We Meet Again”
Titulo Inglês : “Till We Meet Again”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Bank Tangjaitrong
Produção : Johan Matton
Elenco : Johan Matton, Linnea Larsdotter, Emrhys Cooper, Astrea Campbell Cobb, Elly Han, Timothy Ryan Hickernell, Rachel Rossin, Vithaya Pansringarm.

História : Erik e Joanna são um jovem casal cuja relação amorosa enfrenta alguns problemas, os dois decidem viajar para tentar que as coisas se componham. No entanto e devido a uns mal entendidos, os dois acabam ainda mais separados.

Comentário : Este filme independente americano representou um verdadeiro achado para mim, primeiro porque não tinha depositado qualquer expectativa nele e depois porque as classificações e as críticas não são lá grande coisa. Claro que me surpreendi pela positiva, porque se trata de um filme cujo tema principal eu adoro : as relações entre pessoas, o lado humano. Tema esse que foi aqui muito bem representado. Durante pouco mais de hora e meia, somos levados a conhecer um casal numa fase complicada do seu relacionamento e como uma série de acontecimentos pode alterar por completo a relação dos dois. O realizador leva-nos a conhecer cada um dos membros do casal, tanto Erik quanto Joanna são devidamente apresentados e depois seguimos a sua jornada e a sua aventura. Assim, ficamos com uma boa noção de como os dois se relacionam, aquilo que preferem na relação, bem como o estado em que a mesma se encontra. E se em alguns casos, a distância entre dois amantes funciona no sentido de os voltar a aproximar, neste caso, isso não aconteceu.

No papel do protagonista masculino, Johan Matton que é também o principal produtor do filme, está muito bem, gostei bastante do seu personagem. O mesmo não se pode dizer de Linnea Larsdotter que, apesar de ter uma boa interpretação, alguns dos seus actos não foram muito bem recebidos por mim. Temos ainda no elenco principal Emrhys Cooper e Astrea Campbell Cobb que funcionam como uma espécie de parceiros alternativos dos dois protagonistas, ambos com bons desempenhos, embora eu tenha ficado na dúvida em relação às verdadeiras intenções do personagem do primeiro. E em papéis secundários, encontramos Elly Han e Timothy Ryan Hickernell, os dois lindamente enquanto personagens de apoio, no geral, é bastante fácil gostarmos de todos estes seis personagens. É igualmente uma película que nos fala da vida em si, de como é bom fazermos uma pausa nas nossas vidas, fazer uma viagem sozinhos ou acompanhados, conhecer pessoas novas e novos locais. É um filme que transpira vida por todos os poros, uma obra simples que nos transmite muito bem toda a sua essência e nos deixa com uma sensação boa de termos assistido a algo inspirador e de termos tido uma excelente experiência.

Voyage à Travers Le Cinéma Français

Nome do Filme : “Voyage à Travers Le Cinéma Français”
Titulo Inglês : “My Journey Through French Cinema”
Titulo Português : “Uma Viagem Pelo Cinema Francês Com Bertrand Tavernier”
Ano : 2016
Duração : 195 minutos
Género : Documentário/Histórico
Realização : Bertrand Tavernier
Produção : Frederic Bourboulon
Elenco : Bertrand Tavernier, Thierry Fremaux, Jean Paul Belmondo, André Marcon.

História : Bertrand Tavernier, cinéfilo inveterado, ex-crítico e realizador, faz uma viagem pelo cinema francês, detendo-se em algumas “escalas” importantes e em outros pontos mais obscuros ou menos prestigiosos. Numa incursão que é um ato de gratidão para com todos os realizadores, escritores, atores e músicos que surgiram na vida de Tavernier.

Comentário : Trata-se de um documentário de grande importância sobre certos aspectos do cinema francês. Basicamente, o realizador Bertrand Tavernier surge aqui a falar-nos de filmes, de cineastas, de actores e actrizes, de produtores, músicos, encenadores, modos de filmar, a amizade entre cinéfilos, enfim, sobre cinema e a sétima arte em si. Pessoalmente, gostei bastante deste documentário. Tavernier recorre a referências e excertos de dezenas de filmes para compor o seu documentário, tudo muito bem montado e editado. Eu fiquei a conhecer filmes que desconhecia. Ele faz também a comparação entre o cinema francês e o cinema americano, comparando-os em várias vertentes. Fala também da sua preocupação em preservar os filmes antigos e do importante papel da Cinemateca francesa nessa matéria. Por último, ele relata-nos o prazer de entrar numa sala de cinema para descobrir um filme, e eu aqui revi-me nele. Existem pelo menos três prazeres em ir ao cinema : entrar na sala, ver o filme e o depois da sessão. Não é somente de cinema que o filme fala, são abordadas igualmente artes como a escrita, o teatro, a música e a fotografia. Para os grandes admiradores do cinema francês, este documentário é um prato cheio. O responsável por este filme fala ainda um pouco sobre a sua vida pessoal e o modo como o cinema o fez crescer e o tornou no homem que é hoje. Este documentário peca apenas por ser muito longo e repetitivo na referência a alguns filmes, ele podia ter variado mais nos títulos e nos realizadores. Repito, para os verdadeiros amantes da sétima arte, este documentário é um titulo indispensável e de visionamento obrigatório. Sem dúvidas, o melhor documentário que vi este ano. 

domingo, 10 de setembro de 2017

It

Nome do Filme : “It”
Titulo Inglês : “It”
Titulo Alternativo : "It : Chapter One"
Titulo Português : “It”
Ano : 2017
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Andres Muschietti
Produção : Barbara Muschietti
Elenco : Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Nicholas Hamilton, Jake Sim, Logan Thompson, Owen Teague, Jackson Robert Scott, Megan Charpentier, Bill Skarsgard, Stephen Bogaert, Stuart Hughes, Geoffrey Pounsett, Pip Dwyer, Molly Atkinson, Steven Williams, Elizabeth Saunders, Joe Bostick, Ari Cohen, Anthony Ulc, Javier Botet, Katie Lunman, Tatum Lee, Neil Crone, Sonia Gascon, Janet Porter, Isabelle Nelisse.

História : Após o desaparecimento de algumas crianças na cidade de Derry, no Maine, um grupo de adolescentes é confrontado com os seus maiores medos quando inicia um confronto com o maquiavélico Pennywise, cujo historial de crimes e violência tem origem há séculos.

Comentário : Este filme tem como base um livro de grande sucesso escrito por Stephen King que eu não li e já ouve um filme antigo adaptado desse livro, filme esse que eu também não vi. Por isso, irei aqui fazer uma espécie de critica imparcial e independente deste filme. O filme foi construído em duas bases bem sólidas e que são os seus principais alicerces : o drama e o terror. O realizador Andres Muschietti (Mama) soube trabalhar essas duas componentes, mas somente quando elas estão unidas, quando uma ajuda a outra, apoiando-se mutuamente. Ou seja, ele trabalhou muito bem a primeira componente – o drama – nos mostrando os personagens principais (os sete miúdos do grupo) e os seus dramas/medos pessoais, dando espaço a cada um para ser devidamente desenvolvido e realçou bem não só as relações entre cada um dos sete membros, como de todos enquanto grupo. E soube articular bem essa vertente dramática com o terror das situações em que eles se envolviam, quer seja sobre a figura sobrenatural ou quando se tratava do bullying que dois personagens fora do grupo praticavam. Aqui, apesar de haver um grupo de quatro rapazes que humilham e agridem os nossos sete protagonistas, fora desse núcleo de agressores, existe ainda uma menina que adora maltratar a rapariga protagonista.

No entanto e é aqui que o caldo entorna, o director falhou na componente de terror quando esta surge separada do drama, e na forma como a exibiu, ou seja, o Pennywise não assusta em nada, ele não impõe medo nem respeito pela sua figura, ele roça o ridículo e é profundamente irritante enquanto boneco. Algumas cenas de sustos e de terror não causam esses mesmos efeitos, eu assisti a essas partes completamente indiferente, não tiveram qualquer impacto em mim. As figuras paternas dos personagens principais foram aqui mostradas quase como se fossem também vilões, muito pela maneira como tratavam os filhos e pelo facto de se estarem a borrifar para aquilo que eles faziam ou viviam. O director podia ter mostrado mais cenas com adultos e era suposto tornar o papel da cidade, face aos acontecimentos, mais marcante. O filme tem ainda alguns erros na lógica das coisas e cenas que não fazem sentido. A nível das interpretações, os sete miúdos principais estiveram excelentes, com destaque para a personagem da única rapariga do grupo, a sua história e o seu drama são os mais interessantes da trama. É um filme muito violento e tem algum humor, duas componentes que funcionaram. Destaque também para a excelente fotografia e para os efeitos sonoros. O filme não é sobre um palhaço que mata crianças, mas sim sobre crianças desajustadas que encontram força e consolo umas nas noutras. Neste aspecto, o director acertou em cheio, aquilo que ele fez de melhor foi mostrar as relações entre os sete miúdos e as suas personalidades, o lado humano aqui funcionou. Por fim, o terceiro acto é um desastre. No geral, gostei do filme, mas esperava muito mais. 


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

The Beguiled

Nome do Filme : “The Beguiled”
Titulo Inglês : “The Beguiled”
Ano : 2017
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Sofia Coppola
Produção : Sofia Coppola
Elenco : Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning, Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard, Colin Farrell.

História : Numa casa interna para raparigas em 1864, durante a guerra civil americana, um soldado ferido é encontrado nas redondezas e levado para a mansão para receber cuidados médicos. A partir daí, cada uma das internas lida com a situação de maneira diferente e a rotina daquela habitação altera-se por completo.

Comentário : Confesso que adoro a maioria dos filmes que Sofia Coppola faz e gostei também deste seu novo trabalho. Trata-se de um filme passado durante a Guerra Civil Americana e nesse aspecto a recriação de época está perfeita. A mansão onde elas moram quase que funciona como uma personagem secundária e é um elemento que enriquece a história, afinal, é no seu interior que decorrem a maioria dos acontecimentos. As cenas no exterior também estão muito bem filmadas, algumas são bem cativantes. A incursão do personagem de Colin Farrell na história vai agitar as marés daquela mansão para o bem e para o mal. Aquelas mulheres, que não estão acostumadas com uma presença masculina permanente, quase que não conseguem lidar com aquela situação e cada uma delas, seja mulher ou menina, vai reagindo de maneira bem distinta. Desta feita, destacam-se claramente as mais velhas, é uma história contada a partir do ponto de vista das mulheres. E Sofia Coppola dirige o elenco de forma brilhante, com cada uma das personagens femininas a dar-se a conhecer ao espectador, muito por causa da maneira como, uma por uma, vai lidando com a personagem de Colin Farrell, são todas muito bem desenvolvidas.

Em relação ao elenco, eu vou começar pelo menos interessante, Colin Farrell, ao contrário do que costuma acontecer com ele na maioria dos filmes onde entra, o actor encontra-se aqui numa das raras vezes em que está bem. A maneira como ele lê cada uma das mulheres da casa, faz com que lide com elas de maneira diferente uma da outra. A Nicole Kidman regressa também às excelentes interpretações, tendo assim, a melhor prestação do longa, ela vive uma mulher dividida em convicções. A Kirsten Dunst tem aqui a melhor personagem do filme, a actriz está tão bem que passa para o espectador a imagem credível daquilo que a realizadora pretendia dela. Elle Fanning transmite na perfeição a beleza, a sensualidade e a ingénua malícia próprias da adolescência. As restantes quatro meninas possuem personagens igualmente interessantes e cada uma delas está aceitável no seu papel. A directora oferece-nos ainda um filme detentor de uma excelente fotografia, um guarda-roupa muito rico, uma boa iluminação e caprichou nos detalhes do figurino de cada uma das sete actrizes. É um filme delicado e com silêncios que funcionam muito bem. É uma obra muito envolvente, nós nos sentimos totalmente dentro do filme e da história, devido ao seu ambiente sensual, sereno e acolhedor. Há cenas muito interessantes aqui e eu confesso que adorei o final do filme. O filme peca pelo facto de ser curto, eu estava disposto a ver mais uma hora daquilo. Outro dos grandes filmes que vi este ano. 



Hounds Of Love

Nome do Filme : “Hounds Of Love”
Titulo Inglês : “Hounds Of Love”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime
Realização : Ben Young
Produção : Melissa Kelly
Elenco : Ashleigh Cummings, Emma Booth, Stephen Curry, Susie Porter, Damian Montemas, Harrison Gilbertson, Fletcher Humphrys, Steve Turner, Holly Jones, Michael Muntz, Marko Jovanovic, Liam Graham, Eileen Colocott, Alla Hand.

História : Vicki Maloney é uma bonita adolescente, mas com problemas em casa. Um dia, ela contraria uma ordem a ela imposta e sai de casa sem permissão. Nessa noite, a jovem comete um grave erro e é raptada, sendo mantida em cárcere por um casal que a maltrata, tortura e abusa dela.

Comentário : Baseado em factos verídicos, chega-nos este filme australiano muito bem conseguido que conta a história de um casal de lunáticos que tem o hábito de raptar adolescentes, causar-lhes horrores e depois matá-las e enterrá-las na floresta. Ao ver este filme, é praticamente impossível que não nos venham à memória a quantidade de pessoas que desaparecem sem deixar rasto e, a maioria delas nunca mais aparece. Confesso que estas situações fazem-me muita confusão. Devem existir por esse mundo fora muitas vítimas mantidas secretamente em casas e caves, e essas matas devem esconder muitos corpos. É portanto, uma realidade muito assustadora. Este filme mostra também que a instabilidade do casal raptor afecta os procedimentos que eles infligem à rapariga. Existe também uma espécie de jogo do gato e do rato entre o trio protagonista, se por um lado temos a jovem vítima que tenta colocar ela contra ele para tirar benefício e usa também as fragilidades emocionais da raptora para a afectar psicologicamente, por outro lado temos o desgaste gradual da relação dos dois criminosos que vai fazendo com que os dois tomem decisões precipitadas e sem pensar. Além disso, certas ações de alguns personagens não fazem muito sentido. Ashleigh Cummings está perfeita no papel de vítima e a caracterização da sua personagem está credível e muito bem feita. Emma Booth interpreta muito bem o papel de mulher cheia de problemas e dúvidas pessoais que entra em confronto com ela mesma. Por último, temos Stephen Curry que desempenha muito bem o papel do criminoso nojento. Algumas cenas são aflitivas e outras bem tensas, o drama da adolescente raptada surge aqui muito bem representado.

In Guerra Per Amore

Nome do Filme : “In Guerra Per Amore”
Titulo Inglês : “At War For Love”
Titulo Português : “Em Guerra Por Amor”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Comédia Dramática/Histórico
Realização : Pier Francesco Diliberto
Produção : Fausto Brizzi/Mario Gianani/Lorenzo Mieli
Elenco : Pier Francesco Diliberto, Miriam Leone, Stella Egitto, Andrea Di Stefano, Vincent Riotta, Maurizio Marchetti, Sergio Vespertino, Maurizio Bologna, Samuele Segreto, Mario Pupella, Orazio Stracuzzi, Aurora Quattrocchi, David Mitchum Brown, Forest Baker, Rosario Minardi, Salvatore Ragusa, Domenico Centamore, Lorenzo Patane.

História : Durante a Segunda Guerra Mundial, um italiano alista-se no exército americano com a intenção de ir a Sicília encontrar o pai da sua amada e pedir-lhe a mão da filha em casamento. No entanto, ele vê-se envolvido em situações que poderão ou não ajudá-lo nessa complicada tarefa.

Comentário : Gostei bastante deste pequeno grande filme italiano, tal como havia gostado do filme anterior do realizador, homem polivalente que atende pelo nome artístico de Pif, inclusive, ele é também o protagonista dos dois filmes. O filme é muito interessante porque trata a realidade da guerra e das tragédias que dela resultam com muito humor. Ao contrário do que costuma acontecer com os filmes americanos deste género, aqui a maior parte das piadas funcionam, onde existe quase sempre um elemento de verdade. É uma fita que retrata a união das forças americanas com a máfia italiana. Pessoalmente, eu gostei bastante da história do filme, porque mistura factos verídicos com ficção e confesso que aqui as coisas resultaram muito bem, mais uma vez, mérito do director. Realizador e protagonista, Pier Francesco Diliberto convence nestas duas tarefas, ele não só é a melhor personagem do longa, como também possui a melhor prestação deste. Miriam Leone, Andrea Di Stefano e Stella Egitto possuem boas interpretações de apoio, os três aqui com personagens muito interessantes. Temos também um dueto de personagens masculinos que funciona muito bem enquanto alivio cómico. Existem cenas muito bem conseguidas e que funcionam dentro da narrativa, a recriação de época é sensacional e alguns planos deslumbram. Os cenários são apelativos e a banda sonora parece brincar, principalmente nas cenas mais sérias. No fundo, é um filme que se diverte com situações históricas devidamente inseridas na comédia dramática, mistura essa que resultou na perfeição. Eu não gosto de comédias, mas esta é seguramente uma das várias excepções. Um dos melhores filmes que o cinema italiano nos facultou este ano.

Megan Leavey

Nome do Filme : “Megan Leavey”
Titulo Inglês : “Megan Leavey”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Biográfico/Drama/Guerra
Realização : Gabriela Cowperthwaite
Produção : Jennifer Monroe/Pete Shilaimon/Mickey Liddell
Elenco : Kate Mara, Ramon Rodriguez, Tom Felton, Will Patton, Edie Falco, Common, Bradley Whitford, Miguel Gomez, Damson Idris, Jonathan Howard, Sam Keeley, Phil Dunster, Mish Boyko, George Webster, Luke Neal, Callum Adams, Tyler Buckingham, Geraldine James.

História : A agente dos marines americanos, Megan Leavey, é uma especialista em treinamento de cães para detectar bombas. Ela é enviada ao Iraque, onde forma uma boa parceria com um cão chamado Rex. Mas Megan é ferida e afastada do campo de batalha. Enquanto isso, o cão permanece em actividade, e ela espera a aposentadoria do animal para poder adoptá-lo. Antes desse prazo, no entanto, a ex-agente descobre que o cachorro sofrerá uma eutanásia e luta para reverter essa decisão.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que gostei bastante deste filme, porque me fez conhecer uma história que eu desconhecia. Uma história de coragem e sofrimento sobre alguém que tudo fez para alcançar os seus objectivos, mas que também acabou por salvar alguém muito importante para ela. O filme volta a mostrar novamente que existem animais muito inteligentes que podem auxiliar os humanos em tarefas para beneficio da humanidade. E esta fita fala também da relação que se estabelece entre os soldados e os cães que são usados por eles nas missões militares. Quanto a estes aspectos, este filme cumpriu o seu dever. A nível do elenco, o maior e merecido destaque vai para Kate Mara, que teve uma prestação muito boa e notou-se que ela se dedicou ao papel que lhe foi atribuído. A fita peca por focar questões que não acrescentam nada para a história principal e isso podia ter sido evitado. Outra coisa que eu notei, foi que podiam ter mostrado mais momentos entre a protagonista e o cão, pois eu achei que as coisas aconteceram depressa demais, ela passa do ponto ”A” para o ponto “C”, sendo que o ponto “B” foi muito mal trabalhado e mal desenvolvido. Mas em tirando estes dois aspectos negativos, estamos perante um filme bastante eficaz e convincente que cumpre fielmente os seus propósitos. A questão do conflito em países problemáticos também foi devidamente sinalizada aqui, isso ficou bem patente. A sequência da explosão que atinge a protagonista e o cão está muito bem conseguida e é bastante realista. O filme foca muito bem a importância que estes cães têm naquela área, bem como, faz a distinção perfeita entre a vida civil e a vida militar. Em baixo, fica a fotografia da verdadeira heroína desta história, acompanhada do seu bravo companheiro canino.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Annabelle : Creation

Nome do Filme : “Annabelle : Creation”
Titulo Inglês : “Annabelle : Creation”
Titulo Português : “Annabelle : A Criação do Mal”
Titulo Alternativo : “Annabelle 2”
Ano : 2017
Duração : 109 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : David F. Sandberg
Produção : James Wan
Elenco : Anthony LaPaglia, Miranda Otto, Samara Lee, Talitha Bateman, Lulu Wilson, Grace Fulton, Philippa Coulthard, Lou Lou Safran, Tayler Buck, Stephanie Sigman, Brad Greenquist, Mark Bramhall, Brian Howe, Kerry O'Malley.

História : Doze anos após a filha pequena ter morrido atropelada, um fabricante de bonecas e a mulher recebem em casa uma freira com um grupo de seis meninas sem lugar para ficar desde o fecho do orfanato onde viviam. Uma das meninas vê-se atraída pelo quarto da falecida filha do casal e descobre dentro de um armário uma boneca possuída por um espírito maligno. Esse espírito pretende possuir essa menina e semear o terror na mansão.

Comentário : Este filme é uma prequela do filme “Annabelle”, que por sua vez, é uma prequela do excelente “The Conjuring”. Claramente que este novo filme é melhor do que o primeiro capítulo sobre a boneca demoníaca, mas ainda assim, está muito longe da qualidade da fita que iniciou este franchise de terror. Eu gostei, confesso que aprecio bastante este género de filmes e esta fita pode-se dizer que se insere naquelas com resultado positivo. O realizador usa aqui um verdadeiro arsenal de truques para que as coisas saiam como ele pretende e o resultado é um filme que assusta em alguns momentos, mas que em outros é bastante previsível. De facto, alguns sustos resultam, enquanto que outros são um pouco forçados e a coisa não alcança o efeito desejado. Podemos contar também com cenas ridículas e outras exageradas, por exemplo, a parte final da sequência do poço é um disparate. A boneca continua assustadora. A história é bem melhor do que a do filme anterior e as personagens bem mais interessantes. Existe uma cena com CGI em particular que está muito mal feita. No entanto, alguns efeitos práticos resultam bem melhor.

A nível do elenco, este divide-se em duas partes. No lado dos adultos, Anthony LaPaglia e Stephanie Sigman vão muito bem nos seus papéis, ele como artesão de bonecas convence no papel de pai atormentado pela morte da filha, já ela enquanto freira, dá-nos uma interpretação aceitável. Já Miranda Otto começa bem, mas a sua personagem torna-se secundária demais e acaba esquecível. No campo das jovens, as sete meninas estiveram muito bem nos seus papéis, com destaque para Talitha Bateman, Lulu Wilson e Samara Lee, esta última esteve impecável nos primeiros cerca de doze minutos de filme. Talitha Bateman e Lulu Wilson partilham aqui o mérito de terem as melhores prestações do filme, enquanto que a primeira convence no papel da escolhida do demónio e dá-nos ainda uma boa prestação física devido às características da sua personagem; a segunda menina está quase sempre com o olhar de assustada e está muito credível enquanto habitante de uma mansão com um ambiente hostil. Por último, tenho que referir a excelente fotografia e os convincentes efeitos sonoros. 


Voice From The Stone

Nome do Filme : “Voice From The Stone”
Titulo Inglês : “Voice From The Stone”
Titulo Português : “Pedras Sombrias”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Eric Dennis Howell
Produção : Stefano Gallini Durante/Dean Zanuck
Elenco : Emilia Clarke, Marton Csokas, Caterina Murino, Edward Dring, Remo Girone, Lisa Gastoni, Duccio Camerini, Nicole Cadeddu, Antonella Britti, Giampiero Judica, Kate Linder.

História : Na década de 1950, numa mansão na Toscânia, um rapaz de nove anos não fala desde a morte da mãe. Verena, uma enfermeira, é contratada para o ajudar.

Comentário : Aqui está o exemplo de um filme que nos ensina a gostarmos dele até certo momento, para depois nos desiludir fortemente. A história agrada : seguimos uma jovem mulher cujo trabalho é andar de casa em casa a ajudar crianças com problemas, serviço esse que representa muito para ela. Chegada a mais uma habitação, ela é colocada a par do caso de um menino que passou a ter um comportamento estranho e até deixou de falar porque a mãe falecera. A mulher decide usar o seu método, recusando compactuar com o miúdo e querendo conhecer mais daquela estranha família. Até aqui tudo bem, eu estava a gostar do filme. O problema tem início a partir do momento em que ela começa a divagar e as coisas caem na estupidez absoluta com aquele twist perto do final. Claro que o argumentista e o realizador são livres para fazerem a história que quiserem e darem ao filme o rumo desejado, mas o que se passou neste caso foi que as coisas seguiram um caminho que deita tudo construído até então por terra e encerra o filme à pressa e de um modo forçado. Apesar disso, aceito as coisas como elas são. Emilia Clarke (Game Of Thrones) está soberba neste filme, ela não só tem a melhor interpretação da fita, como também abarca em si a personagem mais interessante do longa, possuindo cenas bem sensuais e outras em que surge destacada a sua beleza. Marton Csokas tem uma prestação contida e aceitável. E o pequeno Edward Dring tem aqui uma excelente expressividade, ele faz um jogo de olhos incrível. Gostei do filme até à marca dos cinquenta minutos, a última meia hora estragou tudo. Mas, pela presença de Emilia Clarke, vale a pena ver este filme.

domingo, 3 de setembro de 2017

It Comes At Night

Nome do Filme : “It Comes At Night”
Titulo Inglês : “It Comes At Night”
Titulo Português : “Ao Cair da Noite”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Mystery/Thriller/Drama
Realização : Trey Edward Shults
Produção : Andrea Roa/David Kaplan
Elenco : Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Kelvin Harrison Jr., Griffin Robert Faulkner, David Pendleton, Mikey.

História : Em um mundo pós-apocalíptico assolado por uma terrível doença, duas famílias precisam tentar coexistir superando desconfiança e paranóia.

Comentário : Antes de mais tenho que dizer que este não é um filme de terror, é antes um thriller muito bem conseguido, onde a banda sonora e a fotografia são dois dos seus alicerces mais fortes. Se gostaram do filme “The Witch – A Bruxa” ou mesmo do anterior filme do realizador, então vão gostar desta fita, se não for esse o caso, então passem bem longe dela. Durante a projeção, temos acesso a pouca informação daquilo que se passa, apenas ficamos a saber o que o director quer que saibamos. Penso mesmo que a maioria das pessoas que o irão ver, não vai gostar porque o filme não nos dá grandes respostas, deixando muita coisa em aberto. Mas às vezes é bom estarmos na situação de apanharmos apenas as migalhas e termos de tirar as nossas próprias conclusões. Penso que o argumento não é tão feliz quanto seria de esperar, embora alguns momentos convençam. Penso que não é muito convincente o facto da segunda família ter aceite tão rapidamente as regras da primeira, foi tudo muito fácil. Inclusive, a trama deixa-nos dúvidas sobre as verdadeiras intenções de ambas as famílias. Existe também factos relacionados com um cão que nunca são devidamente explicados.

A nível do elenco, também existem problemas. Joel Edgerton é seguramente o actor que está melhor no filme, por culpa da sua boa prestação, nós compramos muito bem as decisões do seu personagem. Mas ficam por justificar as suas ações finais, mesmo que tenham sido tomadas em clima de desespero. Christopher Abbott também convence com a sua interpretação, ele dá a entender que apenas pretende manter-se a si e à sua família vivos e saudáveis. A sua relação de companheirismo com o “rival” masculino também resulta. Infelizmente, Kelvin Harrison Jr. não me convenceu em nada com o seu personagem, além da maioria dos seus sonhos serem profundamente irritantes, eu vou mais longe e penso mesmo que se ele não existisse no filme, não se sentiria falta nenhuma. Ele não acrescenta nada à trama, apesar de ter uma das cenas mais interessantes da fita em conjunto com a personagem de Riley Keough. Esta última e a actriz Carmen Ejogo têm no filme de Trey Edward Shults as suas personagens muito mal desenvolvidas, o realizador não trabalhou bem o lado feminino nesta fita. O que não se justifica, porque ele sabe dirigir mulheres muito bem, viu-se isso no filme anterior a este. Insisto no que disse no princípio deste meu comentário, penso que a maioria dos espectadores não vão gostar deste filme, assim como também não gostaram muito do filme “The Witch – A Bruxa”, mas que não restem dúvidas de que ambos os filmes são muito bons, não são registos de terror, mas funcionam como incitadores ao género, onde o mistério é rei e senhor. 


Clash

Nome do Filme : “Eshtebak”
Titulo Inglês : “Clash”
Titulo Português : “Clash”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Mohamed Diab
Produção : Remi Burah/Mohamed Hefzy/Eric Legesse/Moez Masoud
Elenco : May Elghety, Nelly Karim, Hani Adel, Sebaii Mohamed, Ahmed Abdelhamid Hefny, Waleed Abdel Ghany, Tarek Abdel Aziz, Hosny Sheta, Ahmed Dash, Ahmed Malek, Mohamed Abdel Azim, Gamil Barsoum, Mohamed Tarek, Mohamed Gamal Kalbaz, Ashraf Hamdi, Amr Elqady, Ali Eltayeb, Mahmoud Gomaa, Mohamed Salah, Mohamed Alaa Jamaica, Mohamed Abu Elsoa'ud, Ahmed El Turky, Mohamed Radwan.

História : Dentro de uma carrinha da polícia, durante os protestos de rua que assolaram o Egipto em 2013 e enquanto uma multidão se manifesta nas ruas, estão detidas sob um calor abrasador várias pessoas dos dois lados do conflito. Sem água nem acesso a cuidados sanitários, estão algumas dessas pessoas, como um repórter e um fotógrafo, acusadas de pertencerem à Irmandade Muçulmana. A partir de um determinado momento, a confusão instala-se.

Comentário : Do mesmo realizador do filme “Cairo 678” e resultado de uma co-produção entre o Egipto e a França, este filme é uma fonte de tensão. Posso dizer que as coisas aqui resultaram muito bem e em vários sentidos. Muitos realizadores americanos deviam colocar os olhos em Mohamed Diab e aprender alguma coisa com ele. Muito bem filmado e por estar praticamente confinado ao interior da uma carrinha policial, o filme possui uma boa história que é também baseada em acontecimentos reais. E aqui a única coisa a lamentar é o facto do filme ser muito curto, estamos a falar de apenas hora e meia. Talvez, se a fita fosse meia hora mais longa, certas personagens tivessem mais tempo de antena e vissem as suas histórias serem mais desenvolvidas. Existem aqui situações bem tensas e aflitivas, bem como todo um ambiente de claustrofobia que está e vigora em quase toda a duração do filme.

De referir que este trabalho de Mohamed Diab recebeu alguns prémios e distinções. Podemos também contar com bons planos e uma fotografia muito apelativa. Quase todo o elenco é preenchido por homens, existem apenas duas mulheres aqui e neste caso, tanto Nelly Karim quanto a jovem May Elghety estão de parabéns, as duas representaram bem o lado feminino. Quanto aos homens, quase todos estão muito bem, embora e eu aqui volto a bater na mesma tecla, os dramas deles podiam ter sido mais desenvolvidos, caso tivessem mais tempo de antena. É tudo muito condensado, embora fiquemos com uma boa, mas curta perspectiva daquilo que alguns pensam e querem. O filme aborda igualmente questões políticas e religiosas, em que alguns elementos chegam mesmo a entrar em conflito. O realizador insere cuidadosamente alguns temas fortes na sua narrativa, alguns deles funcionam bem, um ou dois nem tanto. O filme também tem violência e aqui ela aparece ligeiramente justificável, pelo menos entre os elementos detidos no interior da carrinha, é lá dentro que as coisas estão a ser levadas ao limite. No fundo, é um filme para pensar e que funciona muito bem. 

Boys In The Trees

Nome do Filme : “Boys In The Trees”
Titulo Inglês : “Boys In The Trees”
Titulo Português : "Rapazes Nas Árvores" 
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Nicholas Verso
Produção : John Molloy
Elenco : Toby Wallace, Gulliver McGrath, Mitzi Ruhlmann, Justin Holborow, Ellen McManus, Trevor Jamieson, Ezra Barry, Winta McGrath, Georgie Brinkworth, Amalia Krueger, Charlie Kay.

História : Durante uma noite de Halloween, um jovem tenta fazer as pazes com o seu passado.

Comentário : Hoje vi este filme de origem australiana de que gostei bastante. Trata-se de um drama com uns toques de fantasia, mas tudo muito bem composto. Os primeiros cerca de vinte minutos são bem desinteressantes, embora revelem factos importantes para a história, são momentos bem maçadores. A partir do momento em que o protagonista se separa do grupo e parte com o amigo de infância, as coisas tornam-se bem mais cativantes e interessantes. Apesar da época em que a ação da fita decorre, não estamos perante um filme de terror, nada disso. Esta é a história de um jovem adulto que resolve reflectir sobre o seu passado durante uma estranha noite. Temas como a infância, a juventude, o amor, o bullying e a delinquência juvenil caminham aqui de mãos dadas e tudo está muito bem orquestrado, fruto de um argumento muito bem escrito e desenvolvido. Pessoalmente, senti-me totalmente abrangido pelo ambiente contagiante do filme e aqui este vai beber um pouquinho ao género do thriller, sem nunca o ser. Toby Wallace e Gulliver McGrath oferecem-nos boas interpretações enquanto que a jovem e bonita Mitzi Ruhlmann tem aqui uma personagem bem interessante e convenceu com a sua doce prestação. No papel de um vilão atabalhoado, Justin Holborow trás pouco de novidade, mas nos faculta uma das cenas mais comoventes do filme bem perto do final. O filme possui cenas bem interessantes. A meia hora da fita terminar, temos até direito a um twist que me deixou de queixo caído. Confesso ter ficado um cadinho desiludido com esse novo dado revelado, mas aceitei resignado e segui em frente. Apesar de não ter percebido uma ou duas coisas, no geral, gostei do que vi, foram quase duas horas bem passadas. E viva a juventude. Bom filme.