segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Voice From The Stone

Nome do Filme : “Voice From The Stone”
Titulo Inglês : “Voice From The Stone”
Titulo Português : “Pedras Sombrias”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Eric Dennis Howell
Produção : Stefano Gallini Durante/Dean Zanuck
Elenco : Emilia Clarke, Marton Csokas, Caterina Murino, Edward Dring, Remo Girone, Lisa Gastoni, Duccio Camerini, Nicole Cadeddu, Antonella Britti, Giampiero Judica, Kate Linder.

História : Na década de 1950, numa mansão na Toscânia, um rapaz de nove anos não fala desde a morte da mãe. Verena, uma enfermeira, é contratada para o ajudar.

Comentário : Aqui está o exemplo de um filme que nos ensina a gostarmos dele até certo momento, para depois nos desiludir fortemente. A história agrada : seguimos uma jovem mulher cujo trabalho é andar de casa em casa a ajudar crianças com problemas, serviço esse que representa muito para ela. Chegada a mais uma habitação, ela é colocada a par do caso de um menino que passou a ter um comportamento estranho e até deixou de falar porque a mãe falecera. A mulher decide usar o seu método, recusando compactuar com o miúdo e querendo conhecer mais daquela estranha família. Até aqui tudo bem, eu estava a gostar do filme. O problema tem início a partir do momento em que ela começa a divagar e as coisas caem na estupidez absoluta com aquele twist perto do final. Claro que o argumentista e o realizador são livres para fazerem a história que quiserem e darem ao filme o rumo desejado, mas o que se passou neste caso foi que as coisas seguiram um caminho que deita tudo construído até então por terra e encerra o filme à pressa e de um modo forçado. Apesar disso, aceito as coisas como elas são. Emilia Clarke (Game Of Thrones) está soberba neste filme, ela não só tem a melhor interpretação da fita, como também abarca em si a personagem mais interessante do longa, possuindo cenas bem sensuais e outras em que surge destacada a sua beleza. Marton Csokas tem uma prestação contida e aceitável. E o pequeno Edward Dring tem aqui uma excelente expressividade, ele faz um jogo de olhos incrível. Gostei do filme até à marca dos cinquenta minutos, a última meia hora estragou tudo. Mas, pela presença de Emilia Clarke, vale a pena ver este filme.

domingo, 3 de setembro de 2017

It Comes At Night

Nome do Filme : “It Comes At Night”
Titulo Inglês : “It Comes At Night”
Titulo Português : “Ao Cair da Noite”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Mystery/Thriller/Drama
Realização : Trey Edward Shults
Produção : Andrea Roa/David Kaplan
Elenco : Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Kelvin Harrison Jr., Griffin Robert Faulkner, David Pendleton, Mikey.

História : Em um mundo pós-apocalíptico assolado por uma terrível doença, duas famílias precisam tentar coexistir superando desconfiança e paranóia.

Comentário : Antes de mais tenho que dizer que este não é um filme de terror, é antes um thriller muito bem conseguido, onde a banda sonora e a fotografia são dois dos seus alicerces mais fortes. Se gostaram do filme “The Witch – A Bruxa” ou mesmo do anterior filme do realizador, então vão gostar desta fita, se não for esse o caso, então passem bem longe dela. Durante a projeção, temos acesso a pouca informação daquilo que se passa, apenas ficamos a saber o que o director quer que saibamos. Penso mesmo que a maioria das pessoas que o irão ver, não vai gostar porque o filme não nos dá grandes respostas, deixando muita coisa em aberto. Mas às vezes é bom estarmos na situação de apanharmos apenas as migalhas e termos de tirar as nossas próprias conclusões. Penso que o argumento não é tão feliz quanto seria de esperar, embora alguns momentos convençam. Penso que não é muito convincente o facto da segunda família ter aceite tão rapidamente as regras da primeira, foi tudo muito fácil. Inclusive, a trama deixa-nos dúvidas sobre as verdadeiras intenções de ambas as famílias. Existe também factos relacionados com um cão que nunca são devidamente explicados.

A nível do elenco, também existem problemas. Joel Edgerton é seguramente o actor que está melhor no filme, por culpa da sua boa prestação, nós compramos muito bem as decisões do seu personagem. Mas ficam por justificar as suas ações finais, mesmo que tenham sido tomadas em clima de desespero. Christopher Abbott também convence com a sua interpretação, ele dá a entender que apenas pretende manter-se a si e à sua família vivos e saudáveis. A sua relação de companheirismo com o “rival” masculino também resulta. Infelizmente, Kelvin Harrison Jr. não me convenceu em nada com o seu personagem, além da maioria dos seus sonhos serem profundamente irritantes, eu vou mais longe e penso mesmo que se ele não existisse no filme, não se sentiria falta nenhuma. Ele não acrescenta nada à trama, apesar de ter uma das cenas mais interessantes da fita em conjunto com a personagem de Riley Keough. Esta última e a actriz Carmen Ejogo têm no filme de Trey Edward Shults as suas personagens muito mal desenvolvidas, o realizador não trabalhou bem o lado feminino nesta fita. O que não se justifica, porque ele sabe dirigir mulheres muito bem, viu-se isso no filme anterior a este. Insisto no que disse no princípio deste meu comentário, penso que a maioria dos espectadores não vão gostar deste filme, assim como também não gostaram muito do filme “The Witch – A Bruxa”, mas que não restem dúvidas de que ambos os filmes são muito bons, não são registos de terror, mas funcionam como incitadores ao género, onde o mistério é rei e senhor. 


Clash

Nome do Filme : “Eshtebak”
Titulo Inglês : “Clash”
Titulo Português : “Clash”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Mohamed Diab
Produção : Remi Burah/Mohamed Hefzy/Eric Legesse/Moez Masoud
Elenco : May Elghety, Nelly Karim, Hani Adel, Sebaii Mohamed, Ahmed Abdelhamid Hefny, Waleed Abdel Ghany, Tarek Abdel Aziz, Hosny Sheta, Ahmed Dash, Ahmed Malek, Mohamed Abdel Azim, Gamil Barsoum, Mohamed Tarek, Mohamed Gamal Kalbaz, Ashraf Hamdi, Amr Elqady, Ali Eltayeb, Mahmoud Gomaa, Mohamed Salah, Mohamed Alaa Jamaica, Mohamed Abu Elsoa'ud, Ahmed El Turky, Mohamed Radwan.

História : Dentro de uma carrinha da polícia, durante os protestos de rua que assolaram o Egipto em 2013 e enquanto uma multidão se manifesta nas ruas, estão detidas sob um calor abrasador várias pessoas dos dois lados do conflito. Sem água nem acesso a cuidados sanitários, estão algumas dessas pessoas, como um repórter e um fotógrafo, acusadas de pertencerem à Irmandade Muçulmana. A partir de um determinado momento, a confusão instala-se.

Comentário : Do mesmo realizador do filme “Cairo 678” e resultado de uma co-produção entre o Egipto e a França, este filme é uma fonte de tensão. Posso dizer que as coisas aqui resultaram muito bem e em vários sentidos. Muitos realizadores americanos deviam colocar os olhos em Mohamed Diab e aprender alguma coisa com ele. Muito bem filmado e por estar praticamente confinado ao interior da uma carrinha policial, o filme possui uma boa história que é também baseada em acontecimentos reais. E aqui a única coisa a lamentar é o facto do filme ser muito curto, estamos a falar de apenas hora e meia. Talvez, se a fita fosse meia hora mais longa, certas personagens tivessem mais tempo de antena e vissem as suas histórias serem mais desenvolvidas. Existem aqui situações bem tensas e aflitivas, bem como todo um ambiente de claustrofobia que está e vigora em quase toda a duração do filme.

De referir que este trabalho de Mohamed Diab recebeu alguns prémios e distinções. Podemos também contar com bons planos e uma fotografia muito apelativa. Quase todo o elenco é preenchido por homens, existem apenas duas mulheres aqui e neste caso, tanto Nelly Karim quanto a jovem May Elghety estão de parabéns, as duas representaram bem o lado feminino. Quanto aos homens, quase todos estão muito bem, embora e eu aqui volto a bater na mesma tecla, os dramas deles podiam ter sido mais desenvolvidos, caso tivessem mais tempo de antena. É tudo muito condensado, embora fiquemos com uma boa, mas curta perspectiva daquilo que alguns pensam e querem. O filme aborda igualmente questões políticas e religiosas, em que alguns elementos chegam mesmo a entrar em conflito. O realizador insere cuidadosamente alguns temas fortes na sua narrativa, alguns deles funcionam bem, um ou dois nem tanto. O filme também tem violência e aqui ela aparece ligeiramente justificável, pelo menos entre os elementos detidos no interior da carrinha, é lá dentro que as coisas estão a ser levadas ao limite. No fundo, é um filme para pensar e que funciona muito bem. 

Boys In The Trees

Nome do Filme : “Boys In The Trees”
Titulo Inglês : “Boys In The Trees”
Titulo Português : "Rapazes Nas Árvores" 
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Nicholas Verso
Produção : John Molloy
Elenco : Toby Wallace, Gulliver McGrath, Mitzi Ruhlmann, Justin Holborow, Ellen McManus, Trevor Jamieson, Ezra Barry, Winta McGrath, Georgie Brinkworth, Amalia Krueger, Charlie Kay.

História : Durante uma noite de Halloween, um jovem tenta fazer as pazes com o seu passado.

Comentário : Hoje vi este filme de origem australiana de que gostei bastante. Trata-se de um drama com uns toques de fantasia, mas tudo muito bem composto. Os primeiros cerca de vinte minutos são bem desinteressantes, embora revelem factos importantes para a história, são momentos bem maçadores. A partir do momento em que o protagonista se separa do grupo e parte com o amigo de infância, as coisas tornam-se bem mais cativantes e interessantes. Apesar da época em que a ação da fita decorre, não estamos perante um filme de terror, nada disso. Esta é a história de um jovem adulto que resolve reflectir sobre o seu passado durante uma estranha noite. Temas como a infância, a juventude, o amor, o bullying e a delinquência juvenil caminham aqui de mãos dadas e tudo está muito bem orquestrado, fruto de um argumento muito bem escrito e desenvolvido. Pessoalmente, senti-me totalmente abrangido pelo ambiente contagiante do filme e aqui este vai beber um pouquinho ao género do thriller, sem nunca o ser. Toby Wallace e Gulliver McGrath oferecem-nos boas interpretações enquanto que a jovem e bonita Mitzi Ruhlmann tem aqui uma personagem bem interessante e convenceu com a sua doce prestação. No papel de um vilão atabalhoado, Justin Holborow trás pouco de novidade, mas nos faculta uma das cenas mais comoventes do filme bem perto do final. O filme possui cenas bem interessantes. A meia hora da fita terminar, temos até direito a um twist que me deixou de queixo caído. Confesso ter ficado um cadinho desiludido com esse novo dado revelado, mas aceitei resignado e segui em frente. Apesar de não ter percebido uma ou duas coisas, no geral, gostei do que vi, foram quase duas horas bem passadas. E viva a juventude. Bom filme.

Harmonium

Nome do Filme : “Fuchi Ni Tatsu”
Titulo Inglês : “Harmonium”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Koji Fukada
Produção : Hiroshi Niimura/Yosshito Ohyama/Tsuyoshi Toyama/Masa Sawada
Elenco : Kanji Furutachi, Mariko Tsutsui, Momone Shinokawa, Tadanobu Asano, Kana Mahiro, Takahiro Miura, Taiga.

História : Toshio, um homem cujo casamento com Akie não anda muito bem, complica ainda mais as coisas em sua vida quando resolve dar uma segunda oportunidade a Yasaka, um antigo amigo seu que acaba de sair da prisão e que será seu novo empregado. No entanto, Yasaka logo começa a se intrometer na vida daquela família.

Comentário : Continuando numa de cinema oriental, este filme japonês agradou-me em algumas coisas, outras nem tanto. No geral, eu gostei desta história, apesar de a partir de certa altura ser aflitivo continuar a ver devido a uma determinada situação. O titulo do filme é alusivo ao instrumento musical que a filha do casal protagonista toca. Toda a história é contada e mostrada através de um ritmo quase lento, mas sempre agradável, eu nunca perdi a concentração daquilo que estava a ver. A fechar a primeira parte do filme, temos um triste acontecimento, mas o realizador foi sacana ao nunca revelar o que realmente sucedeu com aquela personagem, fiquei mesmo revoltado com isso. Penso que o principal motivo pelo qual um filme é bom, é a sua história e neste caso, ele tem um bom argumento. O elenco é pequeno, mas muito bom. Gostei da interpretação do actor que fez de marido, a actriz que desempenhou a esposa também esteve muito bem, possivelmente a melhor personagem do longa. As duas jovens que desempenharam a filha do casal nas suas duas fases estiveram à altura do desafio, a mais pequena contagiou com a sua energia, enquanto que a mais velha impressionou com a sua prestação física. No papel do estranho e simpático amigo do protagonista, temos um actor que convence também no seu registo, mas eu insisto que fiquei irritado por não termos visto o que realmente aconteceu entre ele e a miúda naquele parque. O filme tem cenas apelativas, umas bem interessantes e umas quantas que impressionam pela aflição contida na tal situação de uma das personagens. É um filme que fala sobre a vida no geral, sobre as decisões que tomamos e como elas afectam o nosso futuro e é uma fita que aborda igualmente o desgaste do casamento. Eu gostei de ter entrado no mundo do mais recente filme de Koji Fukada, é uma obra bastante aceitável.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Hide And Seek

Nome do Filme : “Zhuo Mi Cang”
Titulo Inglês : “Hide And Seek”
Ano : 2016
Duração : 104 minutos
Género : Mystery/Thriller
Realização : Jie Liu
Produção : Lizhi Chen/Gigi Qi
Elenco : Wallace Huo, Hailu Qin, Regina Wan, Zijian Dong, Jessie Li

História : Um homem com um passado problemático vê-se a si e à sua família perseguidos por um estranho vestido de negro, que ele julga ser alguém à procura de vingança.

Comentário : Vindo da China, chega-nos este thriller que supostamente conta a história de uma vingança. Confesso que fui para este filme sem saber o que esperar e muito menos sabia em que direção o filme me ia levar. Assim, deixei-me levar ao longo de pouco mais de hora e meia. Estamos perante um thriller bastante eficaz onde boa parte do tempo andamos às voltas com uma narrativa repleta de mistério que nos envolve. Eu fiquei surpreso em algumas partes e indignado em outras, até porque algumas atitudes dos personagens não fazem muito sentido, elas quase que servem o propósito de levar as coisas a algo previsível. O director parece que nos faz avançar numa determinada direção, para depois nos atirar à cara com um twist que altera grande parte das coisas entendidas até então, nos sujeitando praticamente a uma nova história. Claro que eu gostei desse twist, embora confesse que preferia a primeira história, ou seja, a tal do personagem do passado do protagonista. Mas eu não quero entrar aqui em detalhes. A nível das interpretações, o actor que desempenhou o protagonista tem a melhor prestação da fita, mas a actriz que fez de sua esposa também não esteve nada mal, apesar das incoerências que a sua personagem faz. Destaque também para a menina que representou a filha do casal, a pequena convence no papel de criança em perigo e numa situação muito complicada e aflitiva. Existem dois ou três personagens que não foram bem desenvolvidos, nós não sabemos as motivações deles. Temos igualmente um personagem que deveria ser importante para a trama ou pelo menos a primeira parte do longa assim o dá a entender, mas que depois é jogado para último plano e com um final indigno. O filme faz também alusão à pobreza daquele país e às complicadas condições de vida em que muita gente vive. No geral, gostei bastante deste filme. 


domingo, 27 de agosto de 2017

The Case For Christ

Nome do Filme : “The Case For Christ”
Titulo Inglês : “The Case For Christ”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : Jon Gunn
Produção : Brittany Yost
Elenco : Mike Vogel, Erika Christensen, Haley Rosenwasser, Faye Dunaway, Robert Forster, Frankie Faison, L. Scott Caldwell, Brett Rice, Matthew Brenher, Rus Blackwell, Jordan Cox, Renell Gibbs, Cindy Hogan, Linda Latona, Judd Lormand, Tom Nowicki, Wayne Pere, Kevin Sizemore, Michael Provost, Kelly Lamor Wilson.

História : Lee Strobel é um jornalista ateu que vive com a mulher e a filha de ambos, com a família prestes a aumentar. Aparentemente, a sua vida parece estar a correr bem até ao dia em que a esposa decide tornar-se cristã praticante e a confusão instala-se na vida daquela família. A situação complica-se quando Lee decide iniciar uma investigação que desmente aquilo em que os crentes acreditam.

Comentário : Confesso que não sabia o que esperar de um filme onde o protagonista fica fazendo tudo errado o tempo todo, sim, foi uma fita que me irritou em alguns momentos, mas como resultado final, agradou-me, mesmo que o modo como terminou tenha sido demasiado previsível. Este filme é baseado numa história verídica, o Lee Strobel desta narrativa existe e grande parte das coisas aqui mostradas, de uma maneira ou de outra, aconteceram, pelo menos é isto que o realizador pretende demonstrar. O filme possui um ritmo aceitável, a narrativa vai fluindo, nos mostrando os acontecimentos que envolvem os personagens, se centrando mais no casal protagonista. Eu creio que já disse isto em anteriores comentários, mas eu odeio quando os filmes nos jogam à cara a temática da religião e isso aqui acontece um pouco, sem nunca cair na pretensão.

Tal como disse no começo, esta é também a história de um homem idiota que faz tudo errado e com isso coloca em risco a sua vida familiar e a continuação do casamento. O tipo inicia a tal investigação por mero capricho só para provar à esposa que ela estava errada, não existe um motivo consistente e plausível que justifique aquela investigação, que não seja afrontar a esposa. Chega mesmo a ser ridículo da parte dele, bastava ele deixar a mulher em paz, ela não estava a prejudicar ninguém nem a meter o matrimónio em causa. No papel do casal protagonista, encontramos Mike Vogel e Erika Christensen, dois bons actores que convencem com os seus personagens, além disso, a empatia entre eles funcionou muito bem, estão aceitáveis enquanto marido e mulher. Existe uma cena bem dramática que decorre logo após a morte do pai do protagonista. O realizador trabalhou bem as três principais questões do filme : a investigação sobre a religião; a peça jornalística sobre o crime do polícia e a relação do casal protagonista. No geral, gostei deste filme. 

Heartstone

Nome do Filme : “Hjartasteinn”
Titulo Inglês : “Heartstone”
Titulo Português : “Corações de Pedra”
Ano : 2016
Duração : 129 minutos
Género : Drama
Realização : Gudmundur Arnar Gudmundsson
Produção : Gudmundur Arnar Gudmundsson
Elenco : Baldur Einarsson, Blaer Hinriksson, Dilja Valsdottir, Katla Njalsdottir, Ran Ragnarsdottir, Jonina Tordis Karlsdottir, Nina Dogg Filippusdottir, Sveinn Olafur Gunnarsson, Nanna Kristin Magnusdottir, Soren Malling, Gunnar Jonsson, Daniel Hans Erlendsson, Theodor Palsson, Sveinn Sigurbjornsson, Arni Fridriksson, Eyvindur Agust Runolfsson, Magnus Torri Jokulsson, Viktor Agustsson.

História : Thor e Kristjan são amigos inseparáveis. Quando o verão se inicia, percorrem a pequena aldeia onde vivem, em distracções e brincadeiras próprias da adolescência. Enquanto um tenta conquistar o coração de uma amiga por quem se apaixonou, o outro desperta para sentimentos homossexuais inesperados que começa a sentir pelo melhor amigo. Mas, com a chegada do inverno, que vem modificar a paisagem em redor, vão dar-se conta de profundas transformações dentro de si, num súbito e inevitável despertar para a idade adulta.

Comentário : Vindo da Islândia, chega-nos este excelente filme dramático sobre a adolescência, a fase mais complicada do ser humano. Este é o meu tipo de filme preferido, são filmes que mostram o quanto complicadas são as relações humanas, principalmente nestas idades, em que tudo parece estar de pernas para o ar. Esta fita foca questões como a homossexualidade, a complexidade da adolescência, as famílias disfuncionais, a sensualidade e a beleza do ser feminino, a paixão e o amor na adolescência, a violência nos jovens, o despertar da sexualidade, as humilhações que as meninas gostam de sujeitar os rapazes, as alterações nos corpos, o bullying, a amizade, as relações entre irmãos, as relações entre pais e filhos e entre mães e filhas, a violência infligida a animais, a falta de compaixão pelo o outro, o suicídio, as diferenças entre meninos e meninas, o maravilhoso e desolador mundo dos sentimentos, enfim, posso dizer que o realizador soube trabalhar todos estes temas no seu filme de forma bastante eficaz. É uma obra dura e realista, principalmente na maneira como tudo nos é contado e mostrado, sem lições de moral. Estes jovens não têm vidas fáceis. É um reflexo da juventude da actualidade na maior parte dos países. Está tudo no seu devido lugar, onde o excelente argumento e a fotografia exímia têm um papel fulcral. Existem aqui cenas muito bem filmadas, lindas paisagens e planos muito bonitos, sendo que alguns são bem interessantes.

As grandes estrelas de serviço são os adolescentes, elas e eles, com destaque para seis deles, dois rapazes e quatro raparigas. Não foi somente o facto da história ter sido muito bem contada que ajudou a que as coisas tivessem resultado da melhor maneira. Podemos também agradecer aos seis jovens em questão. Nos papéis dos dois protagonistas, temos os bastante competentes, Baldur Einarsson e Blaer Hinriksson, estes dois rapazes estiveram à altura daquilo que lhes foi proposto, os seus Thor e Kristjan são dois personagens credíveis e quem os vê fica realmente preocupado com aquilo que se passa com eles. Os seus receios e as suas personalidades surgem aqui devidamente marcados por incríveis interpretações. Nós entendemos na perfeição os dramas dos dois, principalmente o sofrimento do mais velho. No campo feminino, temos quatro lindas raparigas que estiveram à altura dos rapazes, elas também estão perfeitas nos seus papéis. Assim, encontramos mais precisamente, Dilja Valsdottir (Beta), Katla Njalsdottir (Hanna), Ran Ragnarsdottir (Hafdis) e Jonina Tordis Karlsdottir (Rakel), com destaque merecido para a primeira que desempenha a menina por quem Thor se apaixona de forma primária, aliás a relação que se desenvolve entre os dois é bem inocente. Beta e Hanna são as melhores amigas e dão-se bem com Thor e Kristjan, os quatro formam um grupo de amizade, embora fiquem melhor enquanto casais do mesmo sexo. Já Rakel e Hafdis são as irmãs de Thor, o relacionamento dos três é um pouco instável, mas na hora do sofrimento, eles são bastante unidos. Dos rapazes eu gosto mais do Thor, enquanto que das meninas, eu prefiro claramente a Beta.

Tal como já disse anteriormente, o director trabalhou muito bem a história do filme que pretendia contar e para isso contribuiu o excelente argumento. Para tal, contou com seis jovens, seis bons actores em início de carreira que em muito contribuíram para que o resultado final fosse positivo. Os actores adultos também tiveram um importante trabalho a desempenhar, mas sem nunca alcançar a importância e relevância do elenco jovem. Do lado adulto, o maior destaque vai para a actriz que fez de mãe de Thor, o drama dela parece real aos nossos olhos. É muito interessante acompanharmos o evoluir da relação entre Thor e Beta, é tudo tão bonito e inocente que nos comove, com destaque para a cena que decorre na cama da miúda, em que eles perdem a virgindade, apesar dessa sequência não mostrar o que supostamente aconteceu entre os dois, são os melhores momentos do filme. Claro que a relação entre Thor e Kristjan é o foco principal do filme e é muito interessante acompanharmos essa amizade, mas eu senti mais empatia com a história de Thor e Beta, é mais saudável e bonita. Existe também uma sequência bem aflitiva num desfiladeiro. Há ainda uma tentativa do realizador em nos dar a conhecer o maravilhoso mundo das raparigas, mas nunca passa disso mesmo, uma pequena amostra desse universo, nunca anda lá perto e não chega para nos encantar. Mas claramente que o melhor deste filme é acompanharmos a vida destes seis adolescentes. Um último reparo, o filme possui um ritmo bem lento, que irá incomodar a maioria, mas a mim, agradou-me bastante, o filme segue-se muito bem.  Adorei este filme, possivelmente a melhor fita que vi este ano. 


My Cousin Rachel

Nome do Filme : “My Cousin Rachel”
Titulo Inglês : “My Cousin Rachel”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Roger Michell
Produção : Kevin Loader
Elenco : Sam Claflin, Rachel Weisz, Holliday Grainger, Iain Glen, Poppy Lee Friar, Katherine Pearce, Andrew Havill, Bobby Scott Freeman, Simon Russell Beale, Tim Barlow, Vicki Pepperdine, Tristram Davies, Adam Loxley, Andrew Knott, Harrie Hayes.

História : Philip é um generoso homem e excelente trabalhador que foi criado pelo primo mais velho. Quando ele morre, Philip ouve boatos que afirmam que a esposa do primo fora a responsável pelo seu calvário, jurando um dia vingar-se da viúva. No entanto, quando ela chega à mansão, algo acontece com Philip.

Comentário : Vou confessar que ultimamente perdi um pouco o interesse nos filmes interpretados pela atriz Rachel Weisz, mesmo porque ela não é das minhas atrizes preferidas. E aqui ela nos oferece uma personagem bem irritante e que quase nos tira do sério. Se por um lado, o director quer que sigamos nesse sentido, tem cenas que nos tentam provar o contrário, nos deixando no final numa enorme dúvida. Quem já viu o filme, sabe do que eu estou a falar. Rachel Weisz tem aqui mais uma grande interpretação e o mesmo se pode dizer de Sam Claflin, aliás, os dois se sustentam e apoiam muito bem um ao outro. Além disso, a empatia entre eles resulta muito bem, seja nas cenas onde eles estão calmos, quer nos momentos de mais tensão. E Holliday Grainger junto com Iain Glen funcionam igualmente bem enquanto elenco de apoio. Trata-se de um filme de época com bonitas cenas e uma boa fotografia, todo o lado técnico funciona aqui muito bem. O aprumado guarda-roupa também ajudou. Mas foi como seu disse anteriormente, a personagem da viúva incomoda por vezes, ela surge no filme como uma vilã subtil e manhosa, embora lá para o final, as coisas tentem contrariar essa imagem estabelecida até então. Outra coisa que não está credível é a mudança repentina do personagem de Sam Claflin, num momento ele é de um jeito, no momento seguinte, ele pensa num modo completamente diferente, é o oposto, nos oferecendo um homem estúpido e cujas ações são bem toscas. E isso descredibiliza um pouco a história. O director podia ter aprofundado mais a relação da viúva com aquele personagem italiano e existe uma atitude dela que nunca nos é explicada. Funciona como filme de época, mas falha na narrativa que pretendia contar. A conclusão da história e a veracidade de alguns factos ficam ao critério de cada um. 

The Effect Of Gamma Rays On Man-In-The-Moon Marigolds

Nome do Filme : “The Effect Of Gamma Rays On Man-In-The-Moon Marigolds”
Titulo Inglês : “The Effect Of Gamma Rays On Man In The Moon Marigolds”
Titulo Português : “A Influência dos Raios Gama no Comportamento das Margaridas”
Ano : 1972
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Newman
Produção : Paul Newman
Elenco : Joanne Woodward, Nell Potts, Roberta Wallach, Estelle Omens, Judith Lowry, David Spielberg, Richard Venture, Carolyn Coates, Will Hare, Ellen Dano, Lynne Rogers, Roger Serbagi, Michael Kearney, Dee Victor.

História : Beatrice Hunsdorfer é uma excêntrica viúva, de meia idade. Toda a sua vida, como a sua figura, é desalinhada. Apesar de mal preparada para enfrentar os problemas do quotidiano, ela sempre se conseguiu safar, bem ou mal. Até na educação das duas filhas, Ruth e Matilda, que cria sozinha. Ruth é epilética e o protótipo da adolescente rebelde cujos traços parecem condená-la aos mesmos erros da mãe. Já a serena Matilda, a mais nova, refugia-se de todo este desalinho nos seus animais e nos trabalhos da escola.

Comentário : Hoje optei por vir comentar um filme antigo, um clássico. Antes de mais, tenho que dizer que o titulo deste filme é alusivo a um trabalho de estudo que a filha mais nova da protagonista está a fazer e serve como metáfora da forma como a vida afecta cada um de maneiras diferentes. Como alguns conseguem encontrar oportunidades nas adversidades e como outros, nas mesmas condições, apenas sucumbem. É basicamente isto que encontramos neste filme, uma das pequenas tem um enorme azar na mãe que teve e tem uma vida bem problemática, e mesmo assim consegue ter sucesso onde a progenitora falhou, naquela mesma escola. Sim, estas miúdas sofrem imenso com esta mãe e a situação é bem grave. Se tem filmes onde ficamos arrasados com aquilo que acabamos de ver, este é seguramente um deles. Além das suas mensagens que são bem fortes, é um filme muito bem concebido e que algumas das situações aqui retratadas ainda se passam nos dias de hoje.

Uma das questões aqui é o facto de que muitas mães o são e não estão preparadas para o ser, eu vou mais longe, nunca o deviam ter sido. O filme foca também esse aspecto, devido à maneira como esta mãe convive e lida com as duas filhas adolescentes. No papel da mãe irresponsável, temos uma excelente Joanne Woodward, eu detestei esta personagem, mas isso aqui serve de elogio, pois a intenção era essa, ou seja, foi um bom trabalho da actriz. Como filha mais nova, é impossível que não nos venham umas lágrimas aos olhos com a prestação da jovem Nell Potts, a miúda está impecável no seu papel, existem duas cenas em particular que nos despedaçam o coração : uma em que mãe e filha falam sobre a forma como a progenitora irá reagir quando subir ao palco da escola e uma outra em que a menina coloca o coelho morto à porta de casa. Já Roberta Wallach desempenha na perfeição uma adolescente com uma doença grave, mas que está quase sempre do lado da irmã mais nova, ela percebe que não pode contar com aquela mãe para nada. Quanto a Matilda, limita-se a sofrer em silêncio. Nunca tinha visto este filme, representou para mim uma grande surpresa. 

domingo, 20 de agosto de 2017

The Diary Of Anne Frank

Nome do Filme : “Das Tagebuch Der Anne Frank”
Titulo Inglês : “The Diary Of Anne Frank”
Titulo Português : “O Diário de Anne Frank”
Ano : 2016
Duração : 130 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Hans Steinbichler
Produção : Johanna Behre/Walid Nakschbandi/Michael Souvignier
Elenco : Lea Van Acken, Stella Kunkat, Ulrich Noethen, Martina Gedeck, Ella Frey, Andre Jung, Margarita Broich, Leonard Carow, Gerti Drassl, Arthur Klemt, Stefan Merki, Jamie Bick, Maximilian Lowenstein, Michael A. Grimm, Michael Kranz, Florian Teichtmeister, Marcus Widmann, Mareile Blendl, Barbara Melzl.

História : A vida da judia Anne Frank desde a sua infância até à morte precoce na adolescência, durante a Segunda Guerra Mundial.

Comentário : Não vou negar, é verdade que de todos os povos, os alemães são os únicos que eu não gosto, mas também é verdade que estes filmes sobre o holocausto mexem muito comigo. Este filme é mais um sobre esse complexo tema e mais uma vez, me deixou arrasado. Confesso que nunca li o livro em questão e muito me arrependo disso. Deve ser uma leitura bem interessante. O holocausto foi o pior acontecimento da história da humanidade e os alemães deviam se envergonhar do seu passado, mas não, grande parte deles e principalmente os seus governos ainda agem como se fossem superiores aos demais povos. Filmes como este, e felizmente já se fizeram bastantes, servem para mostrar aos nossos jovens aquilo de determinados grupos de seres humanos sofreram e são um alerta para que uma situação destas não volte a acontecer. Este filme chega mesmo a transmitir-nos agonia, angústia e desespero em algumas cenas e a forma como a protagonista se apresenta e nos dá a conhecer o que aconteceu, contribuiu muito para isso. A história já é conhecida e até já fora adaptada algumas vezes para filme e para peças de teatro, mas nunca é demais falarmos e vermos coisas sobre este período da história.

O argumento e grande parte das coisas que vemos neste filme foi tirado de escritos elaborados naquela altura e mesmo do próprio diário da protagonista falecida desta história. É um filme duro, cruel e quase desumano na maneira como nos mostra os acontecimentos, sem nunca chocar e sem nunca deslizar para o factor gratuito. Hans Steinbichler concebeu assim uma obra cordata e serena sobre a vivência de uma família judaica, aqui vista pelos olhos de duas jovens raparigas, Anne Frank e a irmã mais velha, com principal foco na primeira e no diário que viria a tornar-se num dos livros mais famosos e vendidos da história. No papel da menina protagonista, temos uma muito competente Lea Van Acken (Stations Of The Cross), uma jovem actriz que consegue aqui a melhor prestação do filme, o seu olhar inocente, a sua determinação e as suas expressões faciais dão total credibilidade à sua personagem. Ela é a alma desta película, o centro de tudo. A seu lado e no papel de irmã mais velha, Stella Kunkat também manda muito bem, num desempenho bastante consistente. A empatia entre as duas é notável e funcionou na perfeição. Esta é a minha versão cinematográfica preferida desta história, muito pela forma como tudo nos é contado e mostrado. Mais uma grande surpresa deste ano. 


A Quiet Passion

Nome do Filme : “A Quiet Passion”
Titulo Inglês : “A Quiet Passion”
Ano : 2016
Duração : 125 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Terence Davies
Produção : Roy Boulter/Sol Papadopoulos
Elenco : Cynthia Nixon, Keith Carradine, Joanna Bacon, Jennifer Ehle, Duncan Duff, Catherine Bailey, Emma Bell, Rose Williams, Benjamin Wainwright, Annette Badland, Maarten Ketels, Eric Loren, Simone Milsdochter, Yasmin Dewilde, Verona Verbakel, Turlough Convery, Miles Richardson, Jodhi May, Steve Dan Mills, Marieke Bresseleers, Sara Vertongen, Tom Kemp, Ross MacDonald, Trevor Cooper.

História : A vida sofrida da poetisa americana Emily Dickinson desde a sua juventude até à sua morte.

Comentário : Já não devia ser segredo para ninguém que eu gosto bastante de filmes de época, este filme foi para mim um prato cheio. Muito bem realizado pelo conceituado Terence Davies, este filme segue-se muito bem durante duas horas, a sua narrativa fluente deixa-nos agarrados ao ecrã e é com enorme prazer que acompanhamos a evolução dos acontecimentos. Podemos contar também com um excelente guarda-roupa e uma cuidada fotografia, tudo em sintonia com o restante tom do filme. Temos também bonitas paisagens e lindas imagens que parecem quadros, dando vontade de os fotografar e colocar em molduras. Confesso que dos últimos filmes que vi este é mesmo o meu preferido deles. Detentor de um ritmo bastante lento, penso que este filme não irá agradar à maioria, pelo menos as camadas jovens devem fugir dele. Mas eu o recebi muito bem, isto é cinema. Trata-se de uma co-produção entre a Inglaterra e a Bélgica, juntos, fizeram um excelente trabalho, principalmente no que à recriação de época diz respeito. No papel da protagonista, encontramos uma excelente Cynthia Nixon, ela teve a melhor prestação do filme, passou na perfeição a imagem da atormentada vida que levava. Mas as personagens que eu mais gostei foram os seus pais. Keith Carradine e Joanna Bacon estão magníficos aqui, principalmente ela, a mãe da protagonista é a minha personagem preferida do filme. Na pele dos irmãos de Emily, temos um casal bastante competente a cargo dos profissionais Duncan Duff e Jennifer Ehle, dois personagens que deram um bom auxílio de elenco a Emily Dickinson. De história eu não pesco nada, mas este filme deu perfeitamente para eu ter uma ideia de como foi a vida desta poetisa, pelo menos uma breve noção. Uns últimos apontamentos, esta fita tem excelentes diálogos, que funcionam como uma espécie de homenagem pura e sincera à poesia e à arte da escrita. É um filme muito bonito e honesto, adorei.

Fátima

Nome do Filme : “Fátima”
Titulo Português : “Fátima”
Ano : 2017
Duração : 153 minutos
Género : Drama
Realização : João Canijo
Produção : Pedro Borges/François D'Artemare
Elenco : Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Márcia Breia, Vera Barreto, Teresa Madruga, Teresa Tavares, Ana Bustorff, Alexandra Rosa, Íris Macedo, Sara Norte.

História : No início de maio de 2016, um grupo de onze mulheres parte de Vinhais, em Trás-os-Montes, em peregrinação a Fátima. Durante nove dias, e ao longo de quatrocentos quilómetros, fazem o seu caminho a pé, superando as adversidades com estoicismo, coragem e fé.

Comentário : Trata-se do filme mais recente do cineasta português João Canijo onde ele não quis falar da fé e da religião, mas sim de pessoas, de mulheres. Até porque o filme perde o interesse a partir do momento em que elas chegam a Fátima. Em tirando uma cena, os últimos cerca de dez minutos são dispensáveis. O filme é longo mas eu confesso que estava tão concentrado naquilo que estava a ver, que para mim o tempo passou a correr. Apesar de ser um filme de mulheres, nunca o é só para mulheres, é sim uma obra abrangente onde aquilo que mais interessa são as histórias destas mulheres e aquilo que as move : fazer quase tudo para alcançar um objectivo. O filme está bem filmado e existem cenas comoventes e outras muito significativas. As relações entre estas mulheres são os principais alicerces deste filme. Com um palavreado pouco próprio para beatas, estas personagens são muito reais e tudo devido ao talento das actrizes que as vivem. Os destaques vão para Rita Blanco, Anabela Moreira e Sara Norte.

O realizador nunca nos revela quais os motivos e promessas de cada uma destas nove mulheres para estarem a fazer esta peregrinação, aliás o filme em si não é nenhuma homenagem à fé e muito menos uma experiência religiosa. E são esses os seus maiores trunfos. Volto a dizer, a coisa mais importante deste filme são as personagens e aquilo que elas passam e vivem ao longo destes 140 minutos de projecção. O filme tem também longas sequências das mulheres a andarem na estrada em que nada sucede, eu gostei disso, porque torna isto mais realista. A personagem da velha professora não serve para nada, se ela não estivesse no filme, nenhuma falta faria. Gostei das cenas das discussões e não gostei nada daquele homem ter entrado na história e no grupo, foi um pouco forçado. Este filme é o resultado de vários anos de trabalho em que estas actrizes participaram em peregrinações reais e antes da rodagem num estágio prolongado em Trás-os-Montes. Um último reparo, o filme tem uma versão estendida com cerca de mais cinquenta minutos. 


Pokot

Nome do Filme : “Pokot”
Titulo Inglês : “Spoor”
Ano : 2017
Duração : 128 minutos
Género : Drama/Crime/Mystery
Realização : Agnieszka Holland
Produção : Janusz Wachala/Krzysztof Zanussi
Elenco : Agnieszka Mandat Grabka, Wiktor Zborowski, Jakub Gierszal, Katarzyna Herman, Miroslav Krobot, Borys Szyc, Patrycja Volny, Tomasz Kot, Andrzej Grabowski, Marcin Bosak, Andrzej Konopka, Sebastian Pawlak, Katarzyna Skarzanka, Katarzyna Bednarz, Klaudia Cygon, Izabela Maciuszek, Zofia Wichlacz.

História : Janina Duszejko é uma idosa que mora numa localidade onde um grupo de moradores não possui qualquer tipo de respeito pelos animais nem pela natureza no geral. No dia em que desaparecem as suas adoráveis cadelas, ela decide agir.

Comentário : Outro filme que me agradou, este mais do que os dois últimos. É um filme que aborda questões como o respeito pela natureza e pelos animais, fala também do fanatismo da religião e do uso desta para se cometer atrocidades, vemos também aqui abordado o tema do abuso de poder e o desrespeito pela vida em geral. A fita possui coisas bem interessantes, por exemplo, bonitas imagens, belas paisagens e uma protagonista verdadeiramente original, perto do final do filme é graças a ela que temos um twist bombástico. Eu confesso que nunca suspeitei daquilo. De facto, é tudo uma questão de estarmos atentos, as coisas são de um jeito até uma dada coisa acontecer, e viram outra completamente diferente após esse acontecimento, mas é tudo tão subtil, que mal damos por ela, foi o que aconteceu comigo. Ajudada por um elenco de secundários bastante competente, temos uma excelente veterana de nome Agnieska Mandat-Grabka, ela tem aqui a melhor prestação do filme inteiro. E que bem que ela fica vestida de lobo. Os animais também têm um papel de destaque no filme, ainda que de forma indirecta. Lá pelo meio temos um personagem bem interessante. Nota também positiva para a excelente fotografia, por vezes, com tons de cinza bem delineados e brilhante durante as cenas que decorrem no campo. O final é muito bonito e bastante aceitável, dado tudo aquilo que aconteceu antes. Gostei bastante, um filme diferente.

Jasper Jones

Nome do Filme : “Jasper Jones”
Titulo Inglês : “Jasper Jones”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Rachel Perkins
Produção : David Jowsey/Vincent Sheehan
Elenco : Hugo Weaving, Toni Collette, Levi Miller, Angourie Rice, Aaron L. McGrath, Matt Nable, Dan Wyllie, Myles Pollard, Susan Prior, Wilson Moore, Sam Longley,.

História : Charlie Bucktin é um jovem que é metido numa confusão por um amigo que é mal visto na localidade onde moram. Quando dá por ele, Charlie vê-se envolvido numa história que envolve assassinato, adultério e um amor de colégio.

Comentário : À uns dias vi este filme australiano que, não sendo nada de especial, está bastante aceitável a alguns níveis. Temos uma história bem tolerável que vem adornada de um interessante twist a cerca de vinte minutos do final. O clima de mistério está sempre presente, o que origina cenas bem significativas, algumas que nos proporcionam momentos de suspense e de tensão. Temos bonitas sequências a céu aberto, algumas que resultam muito bem. Existe um aspecto curioso, o titulo do filme não corresponde ao personagem principal, mas sim ao seu melhor amigo. E por falar em personagem principal, Levi Miller com os seus lindos olhos, possui aqui uma prestação muito consistente e determinada, ele é de longe o personagem mais interessante da fita. Como sua mãe, Toni Collette está aceitável e a evolução da sua personagem convence. Enquanto personagem que dá titulo ao filme, o actor Aaron L. McGrath abarca aqui uma mistura de interpretação com expressão física, mais facial, ele consegue convencer de que é um jovem problemático e afectado a vários níveis. Na pele de um homem estranhamente ligado a ele, Hugo Weaving está impecável, eu adorei vê-lo aqui, o que ele faz com o rosto e com a expressividade numa sequência em particular é um espectáculo. Por último e não menos importante, a jovem Angourie Rice desempenha aqui a melhor amiga de Charlie que é também o seu interesse amoroso, a miúda já deu provas em outros filmes que sabe representar e aqui está muito bem, ela é dona de uma personagem bem interessante e intrigante. O filme peca por ter algumas situações que não fazem muito sentido e outras que careciam de uma melhor explicação, existem momentos também que nos dá vontade de perguntar : “O que é que se passou mesmo?”, mas em tirando esses aspectos menos bons, estamos perante um filme de jovens que resulta bem e que se segue de forma muito agradável. 

Killing Ground

Nome do Filme : “Killing Ground”
Titulo Inglês : “Killing Ground”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Damien Power
Produção : Lisa Shaunessy/Joe Weatherstone
Elenco : Aaron Pedersen, Aaron Glenane, Harriet Dyer, Ian Meadows, Tiarnie Coupland, Maya Stange, Airlie Dodds, Julian Garner, Stephen Hunter, Mitzi Ruhlmann, Liam Parkes, Riley Parkes.

História : Sam e Ian são um casal que está de férias e resolvem acampar numa zona remota ao lado de uma praia escondida. Ao chegarem ao local, deparam-se com um carro estacionado e uma tenda que não tem ninguém e que parece estar abandonada. Aos poucos, eles irão constatar que algo mais se passa ao mesmo tempo que estão muito longe de pensar no que está para vir.

Comentário : Estamos perante um filme bastante aceitável até certo ponto, porque a cerca de trinta minutos do final, as coisas deslizam e começa a rolar um mar de clichés, situações bem previsíveis e atitudes incompreensíveis por parte de alguns personagens. É o tipo de filme de sobrevivência, que começa muito bem e temos aqui uma situação curiosa, a narrativa deambula entre o tempo presente com o casal de Sam e Ian e o passado que mostra o casal que anteriormente esteve ali acampado e que é dono da tenda que os primeiros encontram. Tudo se vai tornando tenso e misterioso até certo ponto, depois temos mais do mesmo. Nos papéis dos inimigos, Aaron Pedersen e Aaron Glenane convencem como maus da fita e um deles chega mesmo a causar repulsa e asco devido a algumas atitudes que toma. No entanto e tal como eu havia dito no princípio, este último tem atitudes que não fazem muito sentido, por exemplo, porque motivo ele insiste em manter dois personagens vivos, mesmo depois de tudo o que ele fez, não se compreende.

Na pele do casal protagonista, Harriet Dyer e Ian Meadows convencem igualmente e as suas prestações causam tanto impacto, que quem vê o filme, fica a torcer para que tudo dê certo com eles. Já a jovem Tiarnie Coupland aparece pouco, mas consegue ainda assim passar a sensação de aflição numa cena dentro de um carro em que se vê encurralada. O casal que desempenha os pais dela estão mais ou menos, com destaque para ela. Existe também aqui um bebé que se fosse retirado da história, não faria falta alguma, o mesmo não se pode dizer do cão do dueto de criminosos que fez um trabalho curioso e mais nada irei adiantar sobre isso. No entanto, a partir de um certo momento, mais precisamente, quando o casal protagonista é encontrado pelos malfeitores, as coisas caem no cliché e num conjunto de situações bem ridículas que estragam tudo visto até então. E é lamentável que assim seja, porque com o material que o realizador tinha em mãos, podia ter resultado num bom filme. Fica a intenção. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

The Transfiguration

Nome do Filme : “The Transfiguration”
Titulo Inglês : “The Transfiguration”
Ano : 2016
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Michael O'Shea
Produção : Susan Leber
Elenco : Chloe Levine, Eric Ruffin, Aaron Moten, Anna Friedman, Andrea Cordaro, Danny Flaherty, Jada Jarvis, Lloyd Kaufman, James Lorinz, Dangelo Bonneli, Tarikk Pagan, Carter Redwood, Tyler Rossell, Luis Scott, Charlotte Schweiger.

História : Milo é um adolescente problemático que é vítima de bullying e que mora com o irmão mais velho. Ele tem um estranho fascínio por tudo o que estiver relacionado com vampiros, mas é também um rapaz solitário que vive no seu mundo próprio. Um dia, Milo conhece uma bonita rapariga chamada Sophie e os dois iniciam uma estranha amizade.

Comentário : Gosto bastante quando começo a ver um filme sem grandes expectativas e fico surpreendido no final, foi o que me aconteceu aqui. Trata-se de um filme simples e que ao principio nada damos por ele, mas à medida que os minutos avançam e apesar do seu ritmo lento, vamos acompanhando as personagens a desenvolverem-se. O filme tenta ser de terror, mas nunca o é. Filmado de maneira quase amadora, esta fita serve-se bastante do cariz próprio do actor principal e o usa para fazer do seu personagem aquilo que pretende. De facto, o jovem Eric Ruffin é bastante competente e convincente no seu papel, pessoalmente, nunca suspeitei daquilo que realmente se passava, praticamente até ao twist final. A acompanhá-lo está a bonita Chloe Levine que faz uma dupla bastante eficaz com o rapaz. Os dois funcionam de forma quase simbiótica, a empatia entre eles funciona na perfeição e é por conta deles que temos as melhores cenas do filme. Mas não é somente nas interpretações principais que o elenco sai triunfante, temos um muito competente grupo de secundários que estão bastante realistas e ajudaram a que a história surtisse efeito. Claro que existem umas pequenas coisas que não são explicadas ou que parecem não fazerem muito sentido, mas isso não estraga o trabalho do realizador. Eu passei o filme todo confiante num determinado sentido, mas fico feliz pelo facto do argumento me ter levado noutra direção. Gostei bastante do destino dado à personagem da Sophie. Gostava de ter visto o personagem do irmão do protagonista ser mais desenvolvido, mas pronto. Não venham para este filme à espera de uma obra sobre vampiros, porque irão sair desiludidos, não é disso que se trata. Esta é uma fita sobre a complicada vida dos adolescentes, de como eles vivem as suas vidas e a forma como os seus passados os moldaram. Um último reparo, a banda sonora, se é que se pode chamar assim, é bem estranha. É um filme que primeiro estranha-se e depois entranha-se. 


sábado, 12 de agosto de 2017

The Other Side Of Hope

Nome do Filme : “Toivon Tuolla Puolen”
Titulo Inglês : “The Other Side Of Hope”
Titulo Português : “O Outro Lado da Esperança”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Aki Kaurismaki
Produção : Aki Kaurismaki
Elenco : Sakari Kuosmanen, Sherwan Haji, Niroz Haji, Ilkka Koivula, Janne Hyytiainen, Nuppu Koivu, Kaija Pakarinen, Lauri Untamo, Mirja Oksanen, Tommi Korpela, Kati Outinen, Ville Virtanen, Maria Jarvenhelmi, Jorn Donner.

História : Wikstrom é um excelente jogador de poker que trabalha no negócio de venda de roupa e que acabou de se separar da esposa. Após ganhar uma avultada quantia de dinheiro num último jogo, ele decide usar esse dinheiro para realizar um dos seus sonhos : entrar a fundo no negócio da restauração. Khaled é um refugiado que acaba de chegar à Finlândia vindo de um país que está em guerra, mas não é bem recebido naquela pátria. Ele pretende reencontrar a irmã, também ela desaparecida no meio do conflito. É então que o destino decide aproximar estes dois homens muito diferentes.

Comentário : Este comentário não vai ter muitas vistas, mas é bom vermos outro tipo de cinema, o chamado cinema europeu e do mundo, então, vamos lá. Ontem à noite vi este filme que é uma co-produção entre a Finlândia e a Alemanha, uma fita que eu gostei bastante. Eu já conhecia este realizador, o seu trabalho não é estranho para mim, ele tem bons filmes, tudo bem que não são filmes que agradem à maioria, mas são sempre registos interessantes. Na ficha técnica do filme vem mencionado que este pertence também ao género comédia dramática, mas eu discordo disto, o filme tem pitadas de humor sim, mas não chegam para o fundirem com a componente dramática e ser considerado desse género, no fundo, trata-se sim de um drama e apenas isso. Por exemplo, o filme tem uma sequência bem interessante que envolve um dos protagonistas e um jogo de poker, cenas essas que têm diálogos bem interessantes e que tornam toda a situação única. Outras situações há que apesar de serem um pouco cómicas, nunca caem no ridículo. O filme tem dois protagonistas : por um lado temos o senhor Wikstrom que é aqui muito bem vivido pelo actor veterano Sakari Kuosmanen, eu adorei o arco do seu personagem, embora haja uma ou outra coisa que eu não tenha entendido sobre ele. Por outro lado, temos Khaled, desempenhado de forma brilhante por Sherwan Haji, é ele quem tem o arco mais interessante, a forma convincente como o actor interpreta o seu personagem dá bastante credibilidade aos seus actos. Mas tal como aconteceu com o primeiro protagonista, também este segundo teve algumas atitudes que eu não entendi. Por último, a jovem Niroz Haji, que faz de irmã de Khaled, apesar de aparecer pouco, é uma personagem interessante, embora eu ache que podia ter sido mais desenvolvida. Podemos também contar com bons momentos musicais e com aquele tom especial de filme antigo que aqui lhe acenta como uma luva. Gostei bastante.

Illegitimate

Nome do Filme : “Ilegitim”
Titulo Inglês : “Illegitimate”
Titulo Português : “Ilegítimo”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Adrian Sitaru
Produção : Anamaria Antoci
Elenco : Adrian Titieni, Alina Grigore, Robi Urs, Bogdan Albulescu, Cristina Olteanu, Miruna Dumitrescu, Liviu Vizitiu, Mihaela Perianu, Adrian Iacov, Andrei Iordache, Anastasia Passerotti, Liviu Florescu, Radu Andrei Micu.

História : Dois irmãos partilham uma relação peculiar numa família à beira do colapso.

Comentário : Isto é cinema romeno no seu melhor. Gostei deste filme e confesso até que os temas que trata são bem complicados e complexos, duvido que o cinema comercial americano soubesse abordar tão bem os assuntos abordados neste filme como o cinema europeu e do mundo o faz. Detentor de duas excelentes interpretações, este filme possui uma história muito bem contada, que se segue muito bem, e que não consegue chocar quando o deveria fazer. O filme tem duas sequências que albergam discussões que estão muito bem conseguidas, para além de estarem bem convincentes. Portador da primeira grande prestação da fita, encontramos um Adrian Titieni bastante competente no seu papel, ele é um duro homem de família com um passado obscuro. A segunda e última grande prestação deste longa fica justamente a cargo da jovem Alina Grigore (foto em baixo), aqui no papel da rapariga irresponsável mas consciente do erro que cometera. Como irmão dela, o actor Robi Urs tem aqui um personagem ainda mais irresponsável do que a irmã, tendo umas tiragens menos felizes. Sem esquecer Bogdan Albulescu, um actor que possui neste filme um personagem muito justo e interessante, sempre mal interpretado pelo pai. Daquilo que eu tenho lido nos últimos anos, a situação principal retratada no filme não está muito longe da realidade, existem por esse mundo fora, irmãos que têm relações amorosas e sexuais, actos incestuosos, muitos deles, nunca saem da porta de casa. Infelizmente, acontece. Não entendi o final do filme, visto que as coisas iam noutro sentido, depois temos um corte e passamos logo para uma reunião familiar onde se passa o contrário daquilo que era suposto ter acontecido.