segunda-feira, 14 de agosto de 2017

The Transfiguration

Nome do Filme : “The Transfiguration”
Titulo Inglês : “The Transfiguration”
Ano : 2016
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Michael O'Shea
Produção : Susan Leber
Elenco : Chloe Levine, Eric Ruffin, Aaron Moten, Anna Friedman, Andrea Cordaro, Danny Flaherty, Jada Jarvis, Lloyd Kaufman, James Lorinz, Dangelo Bonneli, Tarikk Pagan, Carter Redwood, Tyler Rossell, Luis Scott, Charlotte Schweiger.

História : Milo é um adolescente problemático que é vítima de bullying e que mora com o irmão mais velho. Ele tem um estranho fascínio por tudo o que estiver relacionado com vampiros, mas é também um rapaz solitário que vive no seu mundo próprio. Um dia, Milo conhece uma bonita rapariga chamada Sophie e os dois iniciam uma estranha amizade.

Comentário : Gosto bastante quando começo a ver um filme sem grandes expectativas e fico surpreendido no final, foi o que me aconteceu aqui. Trata-se de um filme simples e que ao principio nada damos por ele, mas à medida que os minutos avançam e apesar do seu ritmo lento, vamos acompanhando as personagens a desenvolverem-se. O filme tenta ser de terror, mas nunca o é. Filmado de maneira quase amadora, esta fita serve-se bastante do cariz próprio do actor principal e o usa para fazer do seu personagem aquilo que pretende. De facto, o jovem Eric Ruffin é bastante competente e convincente no seu papel, pessoalmente, nunca suspeitei daquilo que realmente se passava, praticamente até ao twist final. A acompanhá-lo está a bonita Chloe Levine que faz uma dupla bastante eficaz com o rapaz. Os dois funcionam de forma quase simbiótica, a empatia entre eles funciona na perfeição e é por conta deles que temos as melhores cenas do filme. Mas não é somente nas interpretações principais que o elenco sai triunfante, temos um muito competente grupo de secundários que estão bastante realistas e ajudaram a que a história surtisse efeito. Claro que existem umas pequenas coisas que não são explicadas ou que parecem não fazerem muito sentido, mas isso não estraga o trabalho do realizador. Eu passei o filme todo confiante num determinado sentido, mas fico feliz pelo facto do argumento me ter levado noutra direção. Gostei bastante do destino dado à personagem da Sophie. Gostava de ter visto o personagem do irmão do protagonista ser mais desenvolvido, mas pronto. Não venham para este filme à espera de uma obra sobre vampiros, porque irão sair desiludidos, não é disso que se trata. Esta é uma fita sobre a complicada vida dos adolescentes, de como eles vivem as suas vidas e a forma como os seus passados os moldaram. Um último reparo, a banda sonora, se é que se pode chamar assim, é bem estranha. É um filme que primeiro estranha-se e depois entranha-se. 


sábado, 12 de agosto de 2017

The Other Side Of Hope

Nome do Filme : “Toivon Tuolla Puolen”
Titulo Inglês : “The Other Side Of Hope”
Titulo Português : “O Outro Lado da Esperança”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Aki Kaurismaki
Produção : Aki Kaurismaki
Elenco : Sakari Kuosmanen, Sherwan Haji, Niroz Haji, Ilkka Koivula, Janne Hyytiainen, Nuppu Koivu, Kaija Pakarinen, Lauri Untamo, Mirja Oksanen, Tommi Korpela, Kati Outinen, Ville Virtanen, Maria Jarvenhelmi, Jorn Donner.

História : Wikstrom é um excelente jogador de poker que trabalha no negócio de venda de roupa e que acabou de se separar da esposa. Após ganhar uma avultada quantia de dinheiro num último jogo, ele decide usar esse dinheiro para realizar um dos seus sonhos : entrar a fundo no negócio da restauração. Khaled é um refugiado que acaba de chegar à Finlândia vindo de um país que está em guerra, mas não é bem recebido naquela pátria. Ele pretende reencontrar a irmã, também ela desaparecida no meio do conflito. É então que o destino decide aproximar estes dois homens muito diferentes.

Comentário : Este comentário não vai ter muitas vistas, mas é bom vermos outro tipo de cinema, o chamado cinema europeu e do mundo, então, vamos lá. Ontem à noite vi este filme que é uma co-produção entre a Finlândia e a Alemanha, uma fita que eu gostei bastante. Eu já conhecia este realizador, o seu trabalho não é estranho para mim, ele tem bons filmes, tudo bem que não são filmes que agradem à maioria, mas são sempre registos interessantes. Na ficha técnica do filme vem mencionado que este pertence também ao género comédia dramática, mas eu discordo disto, o filme tem pitadas de humor sim, mas não chegam para o fundirem com a componente dramática e ser considerado desse género, no fundo, trata-se sim de um drama e apenas isso. Por exemplo, o filme tem uma sequência bem interessante que envolve um dos protagonistas e um jogo de poker, cenas essas que têm diálogos bem interessantes e que tornam toda a situação única. Outras situações há que apesar de serem um pouco cómicas, nunca caem no ridículo. O filme tem dois protagonistas : por um lado temos o senhor Wikstrom que é aqui muito bem vivido pelo actor veterano Sakari Kuosmanen, eu adorei o arco do seu personagem, embora haja uma ou outra coisa que eu não tenha entendido sobre ele. Por outro lado, temos Khaled, desempenhado de forma brilhante por Sherwan Haji, é ele quem tem o arco mais interessante, a forma convincente como o actor interpreta o seu personagem dá bastante credibilidade aos seus actos. Mas tal como aconteceu com o primeiro protagonista, também este segundo teve algumas atitudes que eu não entendi. Por último, a jovem Niroz Haji, que faz de irmã de Khaled, apesar de aparecer pouco, é uma personagem interessante, embora eu ache que podia ter sido mais desenvolvida. Podemos também contar com bons momentos musicais e com aquele tom especial de filme antigo que aqui lhe acenta como uma luva. Gostei bastante.

Illegitimate

Nome do Filme : “Ilegitim”
Titulo Inglês : “Illegitimate”
Titulo Português : “Ilegítimo”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Adrian Sitaru
Produção : Anamaria Antoci
Elenco : Adrian Titieni, Alina Grigore, Robi Urs, Bogdan Albulescu, Cristina Olteanu, Miruna Dumitrescu, Liviu Vizitiu, Mihaela Perianu, Adrian Iacov, Andrei Iordache, Anastasia Passerotti, Liviu Florescu, Radu Andrei Micu.

História : Dois irmãos partilham uma relação peculiar numa família à beira do colapso.

Comentário : Isto é cinema romeno no seu melhor. Gostei deste filme e confesso até que os temas que trata são bem complicados e complexos, duvido que o cinema comercial americano soubesse abordar tão bem os assuntos abordados neste filme como o cinema europeu e do mundo o faz. Detentor de duas excelentes interpretações, este filme possui uma história muito bem contada, que se segue muito bem, e que não consegue chocar quando o deveria fazer. O filme tem duas sequências que albergam discussões que estão muito bem conseguidas, para além de estarem bem convincentes. Portador da primeira grande prestação da fita, encontramos um Adrian Titieni bastante competente no seu papel, ele é um duro homem de família com um passado obscuro. A segunda e última grande prestação deste longa fica justamente a cargo da jovem Alina Grigore (foto em baixo), aqui no papel da rapariga irresponsável mas consciente do erro que cometera. Como irmão dela, o actor Robi Urs tem aqui um personagem ainda mais irresponsável do que a irmã, tendo umas tiragens menos felizes. Sem esquecer Bogdan Albulescu, um actor que possui neste filme um personagem muito justo e interessante, sempre mal interpretado pelo pai. Daquilo que eu tenho lido nos últimos anos, a situação principal retratada no filme não está muito longe da realidade, existem por esse mundo fora, irmãos que têm relações amorosas e sexuais, actos incestuosos, muitos deles, nunca saem da porta de casa. Infelizmente, acontece. Não entendi o final do filme, visto que as coisas iam noutro sentido, depois temos um corte e passamos logo para uma reunião familiar onde se passa o contrário daquilo que era suposto ter acontecido. 

sábado, 5 de agosto de 2017

24 Weeks

Nome do Filme : “24 Wochen”
Titulo Inglês : “24 Weeks”
Titulo Português : “24 Semanas”
Ano : 2016
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Anne Zohra Berrached
Produção : Melanie Berke/Thomas Kufus/Tobias Buchner
Elenco : Julia Jentsch, Bjarne Madel, Emilia Pieske, Johanna Gastdorf, Maria Victoria Dragus, Mila Bruk, Barbara Focke, Julia Golembiowski, Felicity Grist, Karina Plachetka, Martin Reik, Florian Kleine, Christian Muller, Wolfgang Zarnack, Sabine Wolf.

História : Astrid é uma mulher dedicada aos palcos e à vida da rádio e da televisão que vive há mais de oito anos com um homem, de quem tem uma filha. Quando engravida de uma segunda criança, ela vê-se confrontada com dois graves problemas e a situação desta família complica-se quando chega a hora de tomarem uma decisão muito difícil.

Comentário : Existem filmes que arrasam connosco, que nos deixam completamente caídos por terra e que nos chocam, este é um deles, definitivamente. Trata-se de um filme alemão, que é um drama intenso e que funciona muito bem como tal. No entanto, eu não o aconselho aos mais sensíveis, devido à temática que aborda. Sim, é um tema complexo, possivelmente o tema mais complicado que existe e que aqui surge agravado por outros motivos. Neste caso, é metido o dedo directamente na ferida, e toma lá e cala-te, a realizadora obriga-nos a penetrar nesta questão e a seguir estes personagens envoltos num grande drama. E quando chega a tal situação, felizmente, não nos atiram à cara com quase todos os detalhes, como certos filmes o fazem. É portanto, um filme bem complicado de se seguir, nós vivemos junto com os protagonistas todo o drama da sua situação. No papel da protagonista, temos uma muito competente Julia Jentsch, que se entrega totalmente à sua personagem e nos oferece a melhor interpretação do filme inteiro. Na pele do companheiro da personagem principal, Bjarne Madel convence e, em conjunto com ela, dão-nos a sensação exacta de como se sente um casal naquela situação. Para complemento da família, a veterana Johanna Gastdorf e a pequena Emilia Pieske estão também muito bem nos seus papéis e compõem muito bem as suas personagens. Estes quatro actores conseguiram parecer verdadeira esta família fictícia, mas que podia ser real, situações como as que este filme retrata acontecem muito por esse mundo fora, infelizmente. Claro que o filme tem aspectos negativos, as imagens que mostram o bebé dentro do ventre da mãe são totalmente desnecessárias, certas situações são um pouco descabidas e o filme peca também por ter cerca de 10 minutos além do necessário. Em tirando estes três aspectos menos positivos, estamos perante um bom filme. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Phoenix Forgotten

Nome do Filme : “Phoenix Forgotten”
Titulo Inglês : “Phoenix Forgotten”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Ficção-Científica/Mystery
Realização : Justin Barber
Produção : Ridley Scott/Wes Ball
Elenco : Florence Hartigan, Luke Spencer Roberts, Chelsea Lopez, Justin Matthews, Clint Jordan, Cyd Strittmatter, Jeanine Jackson, Matt Biedel, Ana Dela Cruz, Richard Cansino, David Carrera, Roberto Medina, Serendipity Lilliana.

História : Vinte anos depois de três adolescentes terem desaparecido misteriosamente de uma localidade do Arizona, a irmã de um deles regressa à terra natal com a intenção de tentar descobrir o que realmente aconteceu ao irmão e aos dois melhores amigos dele.

Comentário : Creio que já o disse aqui, mas gosto imenso do género “found footage”, mesmo sabendo que a maioria é mentira e são falsas imagens, as coisas que vemos parecem tão verdadeiras que algumas chegam mesmo a impressionar. No caso deste filme, eu confesso ter ficado surpreendido com o rumo que a história leva, mas atenção, não esperem grandes revelações, porque não saberão o que sucedeu aos três jovens. As imagens mostram alguma coisa, mas o que realmente aconteceu aos corpos e a eles, nunca nos é revelado. É um filme curto, mas também não se pedia mais, o tempo que a fita dura é o suficiente, penso que não dava para acrescentar mais nada ali. As prestações são aceitáveis, com destaque para a actriz que desempenha a irmã do jovem principal. O constante clima de mistério também resulta muito bem. Chega a empolgar em alguns momentos, noutros as coisas não resultam tão bem. Temos algumas coisas que não são devidamente explicadas, mas como se trata de um filme de mistério, isso releva-se. Para género de camara na mão, até que o filme está muito bem filmado. Tudo bem que eu gosto de saber o que se passou neste tipo de filmes, mas se cair tudo numa de mistério e de incertezas sem grandes revelações, também não é grave, afinal o truque é esse. Já li muitas criticas negativas a este filme e até entendo parte delas, mas é como vos digo, este género não é para qualquer um, há que entender que isto apesar de ser treta da maior parte dos casos, é preciso termos respeito, porque pelo mundo, desaparece imensa gente misteriosamente e, algumas, nunca mais são encontradas. E depois temos o enorme secretismo e o “abafar” dos casos pelos governos e principalmente pelos grandes que compõem o poderio norte-americano. Está tudo dito, portanto. 

Atomic Blonde

Nome do Filme : “Atomic Blonde”
Titulo Inglês : “Atomic Blonde”
Titulo Português : “Atomic Blonde – Agente Especial”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Ação/Thriller
Realização : David Leitch
Produção : Charlize Theron
Elenco : Charlize Theron, James McAvoy, John Goodman, Eddie Marsan, Toby Jones, Sofia Boutella, Bill Skarsgard, James Faulkner, Roland Moller, Sam Hargrave, Til Schweiger.

História : Lorraine Broughton é uma agente secreta do MI6 que chega a Berlim, uma cidade conturbada pela recente queda do muro, com uma missão : recuperar um documento roubado por uma perigosa rede criminosa. Esse documento, altamente confidencial, contém uma lista onde são reveladas as identidades de agentes duplos das mais importantes agências secretas do ocidente. Para evitar que esses nomes se tornem públicos, ela terá que se tornar na excelente profissional que é.

Comentário : A linda Charlize Theron não só é uma das mulheres mais bonitas da actualidade, como também é uma excelente actriz. E neste filme volta a prová-lo. A sua personagem é letal e muito ágil, para além de ser muito boa naquilo que se mete. Mas o filme não está à altura da grandiosidade desta mulher e a isso deve-se um mau realizador, um elenco principal demasiado conhecido e convencido e uma história fraca que se arrasta penosamente por quase duas horas. As cenas de luta estão aceitáveis, mas já tudo visto melhor em outros filmes do género. Charlize Theron, que também é a principal produtora da fita, tem aqui a única interpretação de jeito, enquanto que os outros conhecidos limitam-se a cumprir os mínimos, nada de novo. Temos um beijo lésbico e uma sequência de sexo entre a protagonista e outra personagem feminina, mas que está muito mal filmada, tudo muito amador, volta Kechiche, estás perdoado. Dá gosto e até algum prazer ver Charlize Theron ou qualquer outra mulher bonita a espancar tipos sem escrúpulos, principalmente em cinema e se forem ver este filme por essa razão, não sairão desiludidos. Mas, se como eu, forem em busca de uma história consistente com personagens minimamente interessantes, esqueçam, porque o filme em causa é igual a tantos outros do género, a única diferença é que aqui temos uma mulher no papel do durão de serviço, aliás, é essa a grande mais valia deste filme. Depois, resta-nos boas cenas de ação e mais nada. Mas asseguro-vos que só para ver Charlize Theron em grande destaque, espancando nojentos em cenas espectaculares, vale a pena ver este filme.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Uncertain Glory

Nome do Filme : “Incerta Glòria”
Titulo Inglês : “Uncertain Glory”
Titulo Português : “Glória Incerta”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama
Realização : Agusti Villaronga
Produção : Alba Forn/Elisa Plaza
Elenco : Nuria Prims, Marcel Borras, Oriol Pla, Bruna Cusí, Terele Pavez, Luisa Gavasa, Roger Casamajor, Juan Diego, Bruno Bergonzini, Fernando Esteso, Jorge Uson, Oscar Foronda, Francesca Pinon, David Bages, Quimet Pla, Hamid Krim.

História : Numa Espanha assolada pela guerra, Lluís é um jovem que nunca se quis casar com a namorada, de quem tem um filho menor. Certo dia, ele conhece uma viúva detentora de um passado obscuro. Apesar de gostar dessa mulher, ele será colocado por ela num dilema que custará o preço de uma vida.

Comentário : Gostei bastante de dois filmes anteriores deste realizador e, após ter visto este terceiro registo seu, só comprovei que o cinema espanhol está bom e recomenda-se. Estamos perante uma obra fria e devastadora que apesar de não chocar, nos surpreende pelo teor do argumento que é coeso e nos faculta uma história que nos consome aos poucos. Foi realmente muito agradável seguir os acontecimentos desta história ao longo de quase duas horas, para culminar no tal dilema do protagonista masculino, que se avizinha algo brutal. No papel do principal personagem masculino, o actor Marcel Borras convence não só com a sua expressividade, como também nos oferecendo a segunda melhor interpretação do longa. Como protagonista feminina, Nuria Prims aufere desta maneira a melhor prestação da fita, é a ela que devemos os melhores momentos desta longa metragem. Como melhor amigo do protagonista, Oriol Pla dá-nos um desempenho contido e com algum humor, mas essas qualidades acabam por o favorecer e são essenciais na composição do seu personagem. Como namorada de Lluis, Bruna Cusí consegue ter uma forte presença que se assinala mais a partir da segunda parte do filme. Os quatro estabelecem um quadro bastante forte e que é um dos principais alicerces da fita. A crueldade de uma das personagens centrais é justificada pelo seu passado sofredor. Podemos contar com duas cenas desnecessárias. Destaque também para a fotografia e para o guarda-roupa. É um filme que se segue muito bem, eu próprio estive sempre atento ao desenrolar desta história e sempre na expectativa daquilo que ia acontecer a seguir. O filme não tem muita violência nem cenas de sexo gratuitas. Tudo segue a um ritmo lento, mas sempre interessante. Foi um dos filmes que mais me deixou satisfeito ultimamente.

Dunkirk

Nome do Filme : “Dunkirk”
Titulo Inglês : “Dunkirk”
Titulo Português : “Dunkirk”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Histórico/Guerra
Realização : Christopher Nolan
Produção : Christopher Nolan/Emma Thomas
Elenco : Mark Rylance, Tom Hardy, Barry Keoghan, Fionn Whitehead, Aneurin Barnard, Harry Styles, Jack Lowden, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Tom Glynn Carney, James D'Arcy, Michael Fox.

História : A Batalha de Dunquerque, em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial cuidadosamente vista a partir de três perspectivas diferentes : Na praia, os soldados esperam o resgate que tarda, no mar, marinha e civis fazem os possíveis para salvar os compatriotas, no ar, os pilotos britânicos tentam abater os inimigos no combate aéreo. Todos juntos numa luta contra o tempo.

Comentário : O realizador Christopher Nolan está de regresso à sétima arte, desta vez, com um filme de guerra e baseado em acontecimentos históricos. Estamos perante um filme de grande orçamento que sabe honrar as origens do cinema, sem banhos de sangue, mas filmado de maneira peculiar. O cineasta funde habilmente o cinema comercial com o seu cunho autoral. Por terra, por mar e no ar, a camara de Christopher Nolan segue o que se passa de três perspectivas e em linhas temporais diferentes. Mas o filme é muito mais que isso. A montagem está perfeita e resulta muito bem enquanto que a banda sonora de Hans Zimmer funciona bem na maioria das sequências, embora incomode um pouco em alguns momentos. A fotografia é outra coisa que está memorável, existem no filme imensos planos aéreos belíssimos e outros que mostram a crueldade da guerra de forma muito realista. A nível das interpretações, o maior destaque vai para o elenco jovem com Fionn Whitehead, Aneurin Barnard e Harry Styles a serem a grande mais valia da fita no que à representação diz respeito. Os três são os rostos que mais nos dizem ao longo de pouco mais de hora e meia. Temos também aqui Tom Hardy que passa o filme quase todo com uma máscara na cara, mas ainda assim, o actor consegue ter uma forte presença. As cenas de voo em que ele sobrevoa as praias são magistrais. Cillian Murphy dá-nos o retrato ideal do soldado que traz consigo o trauma da guerra. Por último e não menos importantes, o veterano Mark Rylance e o jovem Barry Keoghan abarcam a componente da salvação, ou seja, eles saem do porto inglês numa embarcação e acabam por salvar alguns soldados que lhes surgem no mar. Sem esquecer Kenneth Branagh que tem aqui uma presença muito serena e importante, nos facultando cenas bem emotivas. Volto a dizer, o filme está muito bem filmado e tem uma cinematografia linda. Praticamente não aparecem mulheres ao longo da fita, é um filme de homens, sendo também uma das obras mais curtas de Nolan. Um último reparo, é necessário ter muita paciência para assistir a este filme. Confesso que não sou grande adepto de filmes de guerra, mas este conquistou o meu sentido cinéfilo. Outro dos grandes filmes deste ano. 

The Sense Of An Ending

Nome do Filme : “The Sense Of An Ending”
Titulo Inglês : “The Sense Of An Ending”
Titulo Português : “O Sentido do Fim”
Ano : 2017
Duração : 109 minutos
Género : Drama
Realização : Ritesh Batra
Produção : Ed Rubin/David M. Thompson
Elenco : Jim Broadbent, Charlotte Rampling, Emily Mortimer, Matthew Goode, Michelle Dockery, Harriet Walter, Freya Mavor, James Wilby, Edward Holcroft, Billy Howle, Joe Alwyn, Peter Wight, Hilton McRae, Timothy Innes, Karina Fernandez.

História : Anthony Webster é um idoso cuja existência tranquila é perturbada quando recebe uma carta de um advogado a comunicar que alguém lhe deixou um diário em testamento. Essa circunstância vai reavivar memórias com mais de cinco décadas : os companheiros da faculdade e a lembrança de um grande amor, mas também as terríveis consequências de acções impensadas da sua já tão distante juventude.

Comentário : O realizador desta obra cinematográfica fez um filme muito bom chamado “A Lancheira”, que eu gostei bastante. Sobre este seu novo trabalho, vou já adiantar que não é tão bom quanto o referido anteriormente, mas ainda assim, é um bom filme mas que foi estragado por um factor. Ao longo de quase duas horas, o filme divide-se em duas narrativas : uma decorre no tempo presente com o protagonista já velho e a viver a sua vida pacífica; já a segunda parte narrada vive muito do flashback, ou seja, de imagens do seu passado e da sua juventude. A cerca de quarenta minutos do final, essas duas narrativas fundem-se na história principal e gera umas situações curiosas. Claramente que o veterano Jim Broadbent possui a melhor interpretação do filme, por outro lado, eu adorei mais uma vez ter visto Charlotte Rampling num filme, ainda que ache que a sua personagem tenha sido tratada de maneira muito injusta. O filme tenta ser um romance mas nunca funciona como tal. O argumento tem uns poucos furos, mas nada que estrague o todo. O tal factor que estraga o filme é um twist que muda tudo sobre um acontecimento do passado do personagem principal, eu fiquei muito desapontado com essa mudança porque altera imenso um procedimento negativo dele e que fazia todo o sentido. Ainda assim, é um filme bastante aceitável, mas que fique bem claro que o director é capaz de muito melhor e já o provou.

Heal The Living

Nome do Filme : “Reparer Les Vivants”
Titulo Inglês : “Heal The Living”
Titulo Português : “Cuidar dos Vivos”
Ano : 2016
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Katell Quillévéré
Produção : Philippe Martin/Justin Taurand/David Thion
Elenco : Tahar Rahim, Emmanuelle Seigner, Anne Dorval, Bouli Lanners, Monia Chokri, Kool Shen, Alice Taglioni, Karim Leklou, Finnegan Oldfield, Alice De Lencquesaing, Theo Cholbi, Gabin Verdet, Galatea Bellugi, Titouan Alda, Andranic Manet, Irina Muluile, Danielle Arbid, Amandine Ji, Kevin Mangovo, Neelesh Dhuny, Severine Veyrieres, Thelma Garcia, Rebecca Dereims, Camille Tillier.

História : Depois de uma tarde a surfar com os amigos, Simon, de 19 anos, sofre um acidente de automóvel. Internado no hospital com um traumatismo craniano grave, depressa o seu estado evolui para morte cerebral. É então que, ainda incapazes de aceitar o trágico desfecho, os pais se vêem obrigados a tomar uma difícil decisão : permitir a doação de órgãos. Mesmo sabendo que nada há a fazer para salvar o filho, aceitar retirar-lhe os órgãos que o mantêm preso à vida, revela-se um acto de coragem e abnegação quase insuportável.

Comentário : Existem filmes que nos fazem reflectir sobre a vida, que por vezes, falam de alguém que leva uma vida normal, vive numa boa, mas de repente acontece algo que muda por completo esse cenário de normalidade e transforma por completo a vivência dessa pessoa. Isto que acabei de escrever pode dizer-se que resume a proposta deste filme, neste caso, acompanhamos as experiências de um jovem que leva uma vida normal, mas o destino prega-lhe uma partida. Detentor de um ritmo lento, estamos perante um filme com um argumento muito bem escrito, inclusive foi adaptado de um livro de sucesso, mas podia muito bem ser baseado numa história verídica. Quero com isto dizer que as situações retratadas neste filme podiam ter acontecido na realidade. Todos possuem aqui brilhantes interpretações, com destaque para Emmanuelle Seigner e Anne Dorval. Também gostei de ter visto o actor Tahar Rahim neste registo. A fita está dividida em três actos, mas todos estão relacionados com o ponto principal. Existem aqui cenas de cirurgias que não são aconselháveis aos mais sensíveis, eu pessoalmente, não gosto quando essas cenas aparecem nos filmes. É também um filme que trabalha bem os sentimentos humanos em situações limite e nesse aspecto, os dois actores que desempenham os pais do rapaz acidentado passam na perfeição a imagem da situação em que os seus personagens estão envolvidos. A banda sonora é boa e as imagens passadas no mar são muito bonitas. Temos aqui cenas muito bem filmadas, tem até uma cena em que os pais do rapaz têm uma conversa com um dos médicos que é bem sufocante. No fundo, é um filme que passa muito bem a mensagem de que esta vida é uma passagem e que nós não temos controlo sobre ela.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Amar

Nome do Filme : “Amar”
Titulo Inglês : “Loving”
Titulo Português : “Amar”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Esteban Crespo
Produção : Stefan Schmitz/Maria Zamora
Elenco : Maria Pedraza, Pol Monen, Natalia Tena, Greta Fernandez, Nacho Fresneda, Gustavo Salmeron, Sonia Almarcha, Marta Belenguer, Antonio Valero, Celso Bugallo, Maria Caballero, Jorge Silvestre.

História : Laura e Carlos são dois adolescentes que aparentemente estão apaixonados, embora tenham uma relação muito estranha. Os dois decidem interromper o namoro e dar um tempo ao relacionamento, o que será determinante não só para testarem a relação mas também para provarem se realmente se amam um ao outro.

Comentário : Confesso gostar bastante de cinema espanhol, não por causa deles serem nossos vizinhos de fronteira, mas sim porque tenho uma simpatia cinéfila por eles. E este filme é um bom exemplar desse cinema. De certa forma, estamos perante um tipo de cinema que é um pouco parecido com o cinema que se faz em Portugal ou mesmo no Brasil, a maioria desses filmes falam-nos, de forma eficaz, directamente ao nosso coração. O cineasta Pedro Almodovar também o sabe fazer muito bem. No centro desta trama temos um casal de jovens namorados que gostam de ter relações sexuais em locais menos próprios e arriscados, mas que ainda têm que provar a eles mesmos que se amam realmente. É algo parecido com a saída da era da juventude para entrarem a fundo na vida adulta. E nesse aspecto, apesar de ambos serem irresponsáveis, ela ainda consegue pensar melhor naquilo que quer para a sua vida, diria que ele é mais infantil que ela.

O realizador gere bem os tempos e nos faculta uma história interessante com um argumento bem escrito e coeso, recheado de bons momentos amorosos. Ele não só trabalha bem a relação do casal protagonista, como também estabelece de forma cordata o tipo de vida que os pais de cada um dos jovens levam, articulando a relação dos adultos com os jovens de forma muito eficiente. As cenas de sexo nunca são explícitas aqui e no caso deste filme, achei bem, o amor entre adolescentes é bonito e inocente demais para ser estragado com exposições menos próprias, principalmente quando se pretende passar a imagem que aquilo que os protagonistas vivem é genuíno e verdadeiro. Maria Pedraza (foto em baixo) e Pol Monen possuem as melhores prestações deste filme e a química entre os dois funcionou muito bem. Apesar de duas ou três cenas menos felizes, estamos perante um filme que me agradou bastante e cuja história me cativou. Um filme de baixo orçamento que trata o amor como só os bons filmes o sabem fazer. 

Beyond Sleep

Nome do Filme : “Beyond Sleep”
Titulo Inglês : “Beyond Sleep”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Boudewijn Koole
Produção : Hans De Wolf/Hanneke Niens
Elenco : Reinout Scholten Van Aschat, Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Thorbjorn Harr, Maria Annette Tandero Berglyd, Zoi Gorman.

História : Alfred é um geólogo holandês que se encontra na Noruega para fazer uma pesquisa sobre montanhas e crateras onde supostamente caíram meteoritos. No decorrer dessa aventura, ele conhece outros três homens que se juntam a ele nessa odisseia. No entanto, Alfred acaba por se apegar mais a um deles e os dois iniciam uma longa jornada sozinhos.

Comentário : Esta co-produção entre a Holanda e a Noruega é um filme interessante, reflectivo e relaxante. Com uma banda sonora magnética, é uma obra cinematográfica firme no propósito de nos colocar a pensar sobre o que andamos a fazer neste mundo ou qual é o nosso papel nesta vida. Temos um protagonista que passa o tempo do filme quase todo numa espécie de delírio acordado, como se estivesse sob o efeito de drogas. Não quero com isto dizer que a interpretação do actor seja má, não se trata disso, ele até representa bem o seu papel, mas no meio de tanto delírio, quem assiste a essas cenas quase perde o interesse de continuar a ver o filme. Dava para tirar cerca de vinte minutos ao filme que não se perdia nada. Eu confesso que não entendi o que essas cenas de delírio significavam, mas achei sinceramente que esticaram o filme além do necessário e nada adiantaram. Por exemplo, se colassem a cena em que Alfred segue o companheiro no desfiladeiro com a cena em que ele o reencontra no topo da montanha, as coisas iam dar no mesmo.

O filme também faz referência a uma situação do passado do protagonista que envolve o seu pai, embora isso nunca seja devidamente explicado. Gostei daquela cena que se passa no sonho do protagonista que envolve uma mulher, logo no início do filme, é muito sugestiva. Os mosquitos possuem um papel a destacar nesta fita e não pelas melhores razões. Podemos contar com imagens muito bonitas, afinal, quase tudo são cenários naturais. A natureza é realmente muito bonita e encantadora e assume aqui um papel determinante, ela é quase uma personagem. O actor que dá corpo ao protagonista deve ter tido imenso trabalho a desempenhar o seu papel, existem pelo menos duas ou três cenas em particular que lhe devem ter custado muito a filmar. Embora ligeiramente disfarçado, o tema da amizade também é aqui referido e mostrado no relacionamento de Alfred com Arne, foi curioso ver o avançar da relação dos dois, que culmina de forma digna desse sentimento. Um último destaque para o final, é muito tocante e comovente, quando a miúda lê um pequeno excerto do caderno de anotações de Arne para Alfred, é uma sequência muito bonita que encerra o filme com chave de ouro. 

sábado, 15 de julho de 2017

Fuocoammare

Nome do Filme : “Fuocoammare”
Titulo Inglês : “Fire At Sea”
Titulo Português : “Fogo no Mar”
Ano : 2016
Duração : 114 minutos
Género : Documentário
Realização : Gianfranco Rosi
Produção : Gianfranco Rosi
Elenco : Samuele Caruana, Maria Costa, Maria Signorello, Pietro Bartolo, Samuele Pucillo, Francesco Mannino, Francesco Paterna, Guiseppe Fragapane, Mattias Cucina.

História : Samuele tem doze anos e vive numa ilha do mar Mediterrâneo. Como muitos rapazes da sua idade, vai à escola e passa o tempo livre pela ilha, a brincar. À volta dele, existe mar, e existem homens, mulheres e crianças que tentam atravessá-lo a partir de África, em pequenos barcos sem as mínimas condições. A ilha onde Samuele vive é Lampedusa, uma fronteira simbólica da Europa, à qual tentam chegar milhares de migrantes que procuram liberdade e esperança. Os habitantes de Lampedusa testemunham diariamente uma das maiores tragédias humanitárias dos nossos tempos.

Comentário : Finalmente estamos perante um documentário oficial que aborda o grave problema dos migrantes, e aqui a questão não é saber se é um bom filme, mas sim, se o filme seguiu na direção certa e se conseguiu o seu objectivo. A minha resposta é não, infelizmente, não temos grande coisa a aprender aqui, o resultado ficou muito além das expectativas. Primeiro porque o tema central deste filme devia ser unicamente os migrantes ou refugiados, como lhe queiram chamar. O documentário devia esclarecer quais os motivos que levam estas pessoas a abandonarem os seus lares para arriscarem as suas vidas no oceano, o realizador devia ter como prioridade nos mostrar como era a vida deles antes de embarcarem nesta luta pela sobrevivência e depois revelar-nos com detalhes como é esta travessia e as condições em que é feita. E só depois mostrar o destino deles.

Pois bem, não é isso que se passa neste documentário. Ou melhor, temos muito pouco disso tudo que eu acabei de mencionar sobre aquilo que o filme devia ser, na realidade, eles mostram embarcações precárias de migrantes a navegar nas águas e alguém a resgatar alguns, para somente nos últimos vinte minutos nos mostrarem o procedimento de ajuda e salvamento real de uma embarcação cheia de migrantes, imagens que culminam mostrando alguns doentes e outros mortos. E é só. Porque pelo meio, somos obrigados a acompanhar um irritante miúdo de doze anos que passa os tempos livres a brincar com um amigo também ele enervante, os dois divertem-se entre outras coisas a destruírem plantas e a causar danos na natureza. O realizador perde igualmente tempo a mostrar-nos o dia a dia desse miúdo, a sua relação com a família, os seus problemas, enfim, coisas que não nos interessam para rigorosamente nada. Eu e muita gente estamos a borrifar-nos para esse miúdo e para a sua vida nessa ilha, aquilo que nós queríamos ter visto era mais dos migrantes, mais do drama dos refugiados e da missão complicada das pessoas qualificadas no terreno que ajudam e lidam com estes migrantes, isso sim, seria bem mais interessante do que aquilo que ocupa cerca de 70% do documentário. Sendo assim, o filme não resulta e é lamentável que assim seja, embora eu tenha gostado de ter visto o pouco de interessante que o filme tem.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Kedi

Nome do Filme : “Kedi”
Titulo Inglês : “Nine Lives : Cats In Istanbul”
Titulo Português : “Gatos”
Ano : 2016
Duração : 79 minutos
Género : Documentário
Realização : Ceyda Torun
Produção : Ceyda Torun/Charlie Wuppermann
Elenco : Sari, Bengu, Deniz, Aslan Parçasi, Psikopat, Gamsiz, Duman.

História : Há mais de mil anos os gatos fazem parte do dia a dia da maior cidade turca, agora e por meio de alguns deles, somos levados a perceber a relação única que os habitantes de Istambul têm com estes fantásticos animais.

Comentário : Já devo ter dito em outros comentários que os felinos são os meus animais preferidos e neles estão inseridos os gatos, logo, era mesmo necessário eu ver este filme, que confesso ter gostado bastante. Neste pequeno documentário, somos apresentados a alguns gatos turcos com destaque para sete. A realizadora mostra-nos não só como vivem esses sete gatos, mas também como os habitantes daquela cidade olham e lidam com estes animais. É uma jornada engraçada, seguirmos estas vivências e testemunharmos coisas que nem sequer imaginamos. Com bons planos dos felinos e uma espectacular fotografia, o filme é eficaz e cumpre o seu propósito que é dar-nos a conhecer uma realidade. Os felinos que compõem o elenco principal são muito bonitos e queridos e foi um prazer para mim conhecê-los. O filme nunca nos aborrece, ele tem um ritmo próprio que a maioria dos documentários costumam ter, tudo se desenrola perante os nossos olhos e apenas temos que nos deixar levar e aprender mais alguma coisa. Talvez o documentário seja o mais importante dos géneros cinematográficos, porque é o único que apresenta realidades, é aquele que mostra a vida como ela é. Este em especial deve ter dado imenso trabalho a fazer, não é fácil trabalhar com animais. Os realizadores de cinema costumam dizer que é difícil trabalhar com crianças e animais. Este filme não é só uma carta de amor aos gatos, ele funciona principalmente para mostrar os sentimentos que existem entre estes pequenos felinos e os humanos dentro daquela cidade. É muito gratificante testemunharmos o vínculo que ambos partilham. Onde o filme falha é na pouca informação histórica sobre o motivo para esta situação ser assim naquela cidade. Mas é muito bom na arte de personificação, o filme foca na perfeição o facto dos sete gatos visados terem personalidades bem diferentes e podem acreditar que ficamos mesmo a conhecê-los bem. No fundo, é um documentário que vale a pena ser visto.

terça-feira, 11 de julho de 2017

The Tribe

Nome do Filme : “Plemya”
Titulo Inglês : “The Tribe”
Titulo Português : “A Tribo”
Ano : 2014
Duração : 133 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Myroslav Slaboshpytskyi
Produção : Myroslav Slaboshpytskyi/Valentyn Vasyanovych
Elenco : Hryhoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy, Oleksandr Dsiadevych, Yaroslav Biletskiy, Ivan Tishko, Oleksandr Osadchyi, Oleksandr Sydelnykov, Oleksandr Panivan, Maryna Panivan, Kyrylo Koshyk, Tetyana Radchenko, Liudmyla Rudenko.

História : Num colégio interno para surdos-mudos há toda uma hierarquia de crime e corrupção, com roubo e prostituição à mistura, a que o jovem Sergei é exposto quando chega e na qual tenta encontrar o seu lugar.

Comentário : Este filme não possui diálogos, legendas ou banda sonora. É portanto uma experiência única que eu tive o prazer de viver, quero com isto dizer que gostei bastante do filme. Os diálogos existem sim, mas são através de linguagem gestual, o que complicou imenso a tarefa de percebermos algumas coisas, ou seja, apesar das ações dos envolvidos mostrarem o que se estava a passar, ficamos sem saber algumas coisas que eles diziam entre eles. Mas nada disso faz deste um mau filme, nem pensar, o filme é uma excelente experiência cinematográfica e apesar de não ter nada a ver com os filmes mudos, é algo totalmente diferente de tudo o que eu vi até à data. Estamos também perante um filme violento e agressivo, o realizador não nos poupa na hora de mostrar o que tem que ser mostrado. Existe uma morosa sequência onde mostram um aborto a ser feito a uma adolescente que podia ter sido cortada, essas cenas apenas estão no filme para impressionar. Todo o elenco possui boas prestações, mesmo desconhecendo se eles são mesmo surdos-mudos, estão todos muito à vontade naquilo que fazem, com destaque para o protagonista vivido por Grigoriy Fesenko e para a sua jovem “namorada”, desempenhada de forma exímia pela adolescente Yana Novikova. É um filme que dá que pensar, não só por aquilo que mostra, mas também pela mensagem que pretende transmitir, que se limita a dizer que este mundo está perdido. O filme é também composto por longos planos, alguns deles bastante sugestivos, outros nem por isso. A descontração com que estes jovens representam os seus papéis é brutal, parece tudo muito real, é um filme realista portanto. Trata-se de um retrato da juventude, de como certos jovens vivem as suas vidas, misturam o que é certo com o que é errado com grande facilidade. Poucos filmes falam da camada jovem como este. As cenas de sexo estão muito bem filmadas. A sequência final no dormitório deixa-nos um aperto no estômago. Não sendo um filme fácil, é sim mais uma das grandes fitas que estrearam por cá neste ano.

Lady Macbeth

Nome do Filme : “Lady Macbeth”
Titulo Inglês : “Lady Macbeth”
Titulo Português : “Lady Macbeth”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : William Oldroyd
Produção : Fodhla Cronin O'Reilly
Elenco : Florence Pugh, Cosmo Jarvis, Naomi Ackie, Golda Rosheuvel, Paul Hilton, Christopher Fairbank, Anton Palmer, Rebecca Manley, Fleur Houdijk, Cliff Burnett, David Kirkbride, Bill Fellows, Nicholas Lumley, Raymond Finn, Ian Conningham.

História : Na Inglaterra rural de 1865, Katherine vive oprimida pelo seu casamento de conveniência com um homem azedo e com o dobro da sua idade e pelo pai deste, um homem frio e impiedoso. Quando se envolve com um jovem trabalhador, sente libertar-se dentro de si uma força tão poderosa que nada a deterá para conseguir o que deseja.

Comentário : Eis outro filme que me encheu as medidas. Estamos perante um poderoso filme de época muito bem escrito e construído. Detentor de uma fiel reconstrução de época, o filme segue sempre a um ritmo lento mas sempre empolgante, eu confesso ter ficado preso ao ecrã durante quase hora e meia. Com uma excelente fotografia granulada, bons planos e um argumento coeso, esta fita leva-nos numa fantástica viagem a uma época romântica, onde grande parte das mulheres sofriam nas mãos dos homens que as sustentavam e que não as respeitavam. Não era fácil ser mulher naquela altura. E a nossa protagonista está incluída nesse grupo, ela vivia debaixo da tirania do sogro e sem qualquer tipo de amor por parte do marido. Até ao dia em que decide ela mesma tomar as rédeas e o controlo da situação e executar as decisões que acha serem melhor para ela. Nesse papel, encontramos uma excelente Florence Pugh (The Falling), que aqui consegue uma prestação muito boa e consistente. Apesar das atitudes dela (apenas no caso do infanticídio eu fiquei contra ela), eu estive sempre do seu lado, é impossível não zelarmos para que Katherine se saia bem das situações. A miúda só está a defender o que é dela. Existe uma cena de provocação em particular que é praticamente impossível não fazer tesão ao mais sereno dos homens. Se esta belíssima actriz não se perder nos meandros do cinema comercial americano, tem um futuro promissor à sua frente. A história empolgou-me bastante desde aquela cena inicial do casamento até à cena final onde a protagonista está sentada no seu sofá preferido da mansão, grávida e confiante no futuro. Podemos contar também com um felino muito agradável que se passeia pela casa, sempre muito senhor de si. No fundo, pode-se dizer que Katherine teve muito azar com os homens que lhe apareceram pela frente : um sogro nojento, um marido inútil e um amante estúpido e cobarde. Quanto à linda Florence Pugh, ela brilhou em cada fotograma que apareceu, sendo a alma deste belíssimo filme de época. Sem dúvidas, mais um dos grandes filmes do ano. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Staying Vertical

Nome do Filme : “Rester Vertical”
Titulo Inglês : “Staying Vertical”
Titulo Português : “Na Vertical”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Alain Guiraudie
Produção : Sylvie Pialat/Benoit Quainon
Elenco : Damien Bonnard, India Hair, Raphael Thiery, Christian Bouillette, Basile Meilleurat, Laure Calamy, Sebastien Novac, Baptiste Roques, Adrien Marsal, Tangi Belbeoc'h, Jakez Andre, Mathieu Milella, Charles Beneat, Mathieu Philibert, Joan Jacq, Stephane Leucart, Estelle Bourget, Stephanie Finot.

História : Leo é um argumentista que tem uma paixão por lobos. Para isso, passeia-se pela planície de Lozère na França, em busca desse maravilhoso animal. Certo dia, conhece Marie, uma jovem pastora. Os dois envolvem-se, originando algo que os mudará drasticamente.

Comentário : Uma coisa que define os filmes deste realizador é o facto de raramente percebermos as mensagens neles contidas e com este filme passa-se o mesmo. Curiosamente, notei o esforço do cineasta para tentar passar alguma mensagem, mas infelizmente, não o conseguiu. O filme funciona como uma espécie de puzzle, tendo um fio condutor repleto de situações caricatas e que raramente convencem, visto que as justificações para tais acontecimentos são quase nulas. Mas é um filme que se vê bem, apesar de ter duas cenas que eram dispensáveis, uma mostra um parto e a outra apresenta uma relação homossexual bem nojenta. Claramente que essas duas sequências foram inseridas para chocar, elas não acrescentam nada ao filme. Volto a dizer, o filme possui cenas que não fazem grande sentido, por exemplo, o protagonista está a ser atacado na cidade e de repente, para o salvar surgem do nada dois personagens do campo, tipo, não era suposto os dois estarem ali, ou por outra, o que eles estavam ali a fazer ?. No papel principal, encontramos um Damien Bonnard bastante competente e depois temos uma bonita actriz chamada India Hair, que tem a melhor prestação do filme. As atitudes destes dois personagens raramente são explicadas, eles agem vagamente e sem terem noção das consequências dos seus actos. O filme tem um twist muito mal explicado. Sem querer arriscar, diria que existe aqui uma componente cómica disfarçada, mas isso é tema para outra conversa. O final, apesar de bem tosco, agrada pela beleza dos animais envolvidos.

The Student

Nome do Filme : “(M)uchenik”
Titulo Inglês : “The Student”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Kirill Serebrennikov
Produção : Diana Safarova/Ilya Stewart/Yuriy Kozyrev
Elenco : Pyotr Skvortsov, Viktoriya Isakova, Yuliya Aug, Aleksandra Revenko, Aleksandr Gorchilin, Anton Vasilev, Svetlana Bragarnik, Irina Rudniktskaya, Nikolay Roshchin.

História : Um adolescente começa a revelar um estranho comportamento e a ficar viciado na religião, o que provoca sérios problemas não só com a mãe, mas também com todos os que o rodeiam.

Comentário : Um filme russo que eu pensava tratar-se de um drama colegial entre adolescentes e afinal revelou-se ser uma coisa muito diferente. Não quero com isto dizer que fiquei desiludido com o que vi, nada disso, apenas preferia que se tratasse de outra coisa. Detentor de uma boa fotografia, o filme trabalha temas como o fanatismo religioso, a ostentação, a homossexualidade, a loucura, o divórcio, o bullying e muita alienação. Existem coisas que não fazem muito sentido, por exemplo, não se percebe porque quem gere o colégio “acata” os pensamentos do protagonista, existe uma parte em que o jovem revela que acha mal as raparigas irem de bikini para as aulas de natação e a gerência da escola simplesmente as obriga a virem de fato de banho completo. Ou ainda não se entende porque motivo algumas personagens alinham nas parvoíces religiosas do jovem alienado. Existe um personagem que faz de colega aleijado do protagonista que não faz falta nenhuma à história. Por outro lado, a personagem da professora principal é uma peça essencial para que o filme funcione, ela teve o arco narrativo mais interessante da fita. Também gostei da mãe do protagonista, embora ache que ela podia ter sido mais desenvolvida, afinal, era a personagem mais ligada a ele. Nos diálogos, estão constantemente a surgir citações da bíblia, o que a partir de dado momento começa a irritar. A situação da cruz de madeira não acrescenta nada e aquela cena final da professora a pregar-se ao chão da sala de aula é simplesmente ridícula. Eu adorei uma cena em que uma aluna agride o protagonista, ela é hilariante e justa. Por último, tenho que confessar que o cinema russo me encanta, mas apesar de ter gostado deste filme, ele não me impressionou o suficiente, ele é bom mas não deslumbra.

Les Malheurs De Sophie

Nome do Filme : “Les Malheurs De Sophie”
Titulo Inglês : “Sophie's Misfortunes”
Titulo Português : “Os Desastres de Sofia”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Aventura/Comédia Dramática
Realização : Christophe Honore
Produção : Philippe Martin/David Thion
Elenco : Caroline Grant, Anais Demoustier, Golshifteh Farahani, Muriel Robin, Celeste Carrale, Aelys Le Neve, Tristan Farge, Justine Morin, Marlene Saldana, Jean Charles Clichet, David Prat, Laetitia Dosch, Michel Fau, Elsa Lepoivre, Annie Mercier, Lionel Dray, Robert Cantarella, Marie Christine Orry, Maria Rosa Brito, Paulette Honore Peyre, Pauline Belle, Greta Esdraffo, Julie Gouet, Julia Marty, Carole Perisse.

História : No seu palácio, a pequena Sophie não consegue resistir à tentação do que é proibido, e o que mais gosta é de fazer diabruras com o primo. Quando os seus pais decidem partir para a América, Sophie fica encantada. Um ano mais tarde, ela está de regresso a França com a sua horrível madrasta, a Madame Fichini. Mas Sophie vai poder contar com a ajuda das suas amigas, e da mãe de ambas, Madame de Fleurville, para se salvar das garras dessa mulher.

Comentário : Este filme é uma adaptação do livro “Os Desastres de Sofia”, de Condessa de Ségur, um clássico do mundo infanto-juvenil que marcou a infância de muitas gerações. É também o novo filme do conhecido realizador Christophe Honoré, que nos surge aqui com uma obra muito diferente do seu registo habitual. Ainda assim, ele consegue neste seu novo filme usar a justa fórmula que caracteriza o seu cinema, abarcando desta forma vários elementos que sempre o definiram. Com uns toques de animação, este filme cumpre no seu propósito de nos oferecer uma história divertida e sincera, onde o elenco infantil rouba por completo a cena do elenco adulto. E aqui o grande destaque vai todo para a pequena Caroline Grant, uma menina cheia de vida que dá corpo à grande protagonista da fita e que nos faculta uma personagem principal digna desse estatuto, ela nunca desilude e é ela a alma deste filme. A seu lado, temos todo um elenco infantil que cumpre tudo que lhe foi pedido e que servem muito bem de apoio à coqueluche que dá nome ao título. No elenco adulto, o feminino também impera. Anais Demoustier e Golshifteh Farahani estão impecáveis nos seus papéis, apesar da infantilidade dos mesmos, elas penetraram neste mundo de forma perfeita. O filme soma igualmente pontos nos cenários e no guarda roupa, sem esquecer a componente musical. Não conheço o livro que serviu de base a esta fita, mas penso que deve ter sido uma adaptação bastante fiel do mesmo, nesse aspecto o cinema europeu é bem melhor do que o americano. O filme trabalha bem os géneros de aventura e comédia, nos facultando um pouco de ambos, sem nunca cair no ridículo, apesar das infantilidades próprias da história. No fundo, estamos perante um registo apelativo e eficaz que nos ocupa maravilhosamente durante cerca de duas horas. Gostei bastante.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Brain On Fire

Nome do Filme : “Brain On Fire”
Titulo Inglês : “Brain On Fire”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Gerard Barrett
Produção : Charlize Theron
Elenco : Chloe Grace Moretz, Thomas Mann, Richard Armitage, Carrie Anne Moss, Jenny Slate, Tyler Perry, Alex Zahara, Jenn MacLean Angus, Navid Negahban.

História : Susannah Cahalan é uma jovem de 21 anos que é feliz à sua maneira : tem uns pais que gostam dela, o emprego que sonhou, um namorado que a adora e um futuro brilhante pela frente. Até ao dia em que o destino lhe prega uma partida.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que gostei muito de ter ficado a saber desta história verídica e depois de ter visto o filme fui investigar. O cérebro humano é um órgão muito poderoso e com coisas ainda por descobrir. No fundo, penso que uma das mensagens do filme também é esta. Ao longo do filme, acompanhamos a história da protagonista e vivemos com ela, observando o seu estado de saúde a degradar-se cada vez mais. E confesso que não é uma tarefa nada fácil, quem passa por estas coisas deve ter um sofrimento tal, que não nos é possível a nós sequer imaginar. O argumento decrescente está muito bem escrito e digo isto porque o estado de saúde da personagem principal está sempre a decair. E tudo parece mesmo verdade diante dos nossos olhos. Para isso contribuiu e muito o excelente desempenho de uma sempre competente Chloe Grace Moretz, esta jovem tem futuro. Ela está totalmente convincente no seu papel. Quem me surpreendeu foi o jovem Thomas Mann, vê-lo num registo tão dramático e responsável como este foi muito gratificante. Os dois são auxiliados por um elenco de secundários bastante eficazes. Apesar de penosa para quem assiste, a jornada da protagonista segue-se bem e nunca tiramos os olhos do ecrã. É impressionante vermos como a pessoa era antes da doença e como se apresenta durante a enfermidade. Impressionante e chocante mesmo é testemunharmos a negligência de alguns médicos. O filme funciona porque nos dá um retrato credível sobre uma situação real.

domingo, 2 de julho de 2017

The Dancer

Nome do Filme : “La Danseuse”
Titulo Inglês : “The Dancer”
Titulo Português : “A Dançarina”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Stephanie Di Giusto
Produção : Alain Attal
Elenco : Soko, Gaspard Ulliel, Melanie Thierry, Lily Rose Depp, François Damiens, Amanda Plummer, Louis Do De Lencquesaing, Denis Menochet, Tamzin Merchant, Charlie Morgan, William Houston, Camille Rutherford, Bert Haelvoet, Daniel Kramer.

História : Marie Louise Fuller nasceu na América em 1962. Ligada à dança desde muito nova, desenvolveu as suas próprias técnicas naturais de improvisação. Usando longos vestidos de seda, inventou a “dança serpentina”, uma combinação inovadora de cor, luz e fluidez de movimento. Cedo se tornou famosa no seu país, com as suas belas e revolucionárias coreografias. Mas sentia que não era levada a sério pelo público americano, que a considerava apenas uma actriz. Em Paris, pelo contrário, sentiu-se acolhida como uma verdadeira artista, o que a levou a permanecer em França até ao fim da sua vida.

Comentário : Eu confesso que desde que chegou ao meu conhecimento no ano passado a existência deste filme, eu mostrei logo uma enorme curiosidade em vê-lo, primeiro porque sou admirador de Soko (foto em baixo) e depois porque gosto de todo aquele mundo da dança e da arte. Trata-se de um filme biográfico porque relata e mostra a história de uma dançarina que existiu de verdade e que impulsionou o mundo da dança naquela época. É sempre bom conhecermos novas pessoas e novos mundos, o cinema tem essa vantagem, ele permite ampliar os nossos conhecimentos, ele faz-nos sonhar e penetrarmos em novos campos, tudo de uma forma única que se não fosse pela sétima arte, não seria possível ver. No caso deste filme, eu gostei da história, o argumento está bem esgalhado e não notei muitas falhas, a coisa escorre sempre a um bom ritmo e as coisas vão sucedendo normalmente. Gostei do tipo de dança a que o filme se refere, tipo borboleta, achei aquilo tudo muito mágico e deslumbrante. A banda sonora é poderosa e os efeitos visuais que auxiliam as coreografias da protagonista são uma delícia para os nossos olhos. Destaque também para a caracterização da personagem principal, ela evolui de uma forma muito real, parece que estamos mesmo a assistir à sua decadência, é tudo muito palpável. Soko tem a melhor prestação do filme e Gaspard Ulliel consegue aqui arrancar a melhor interpretação masculina do elenco. Melanie Thierry esteve também espectacular, o mesmo não se pode dizer de Lily Rose Depp, a miúda tem uma personagem que não adianta nada para a história, se a tirassem não ia fazer qualquer diferença, Isadora não acrescenta nada. Além disso, pareceu-me que a jovem não é uma boa actriz, é bonita e dança bem, mas para representar não serve. Gostei bastante deste filme e o recomendo a todos aqueles que pretendem descobrir algo novo. 

The Survivalist

Nome do Filme : “The Survivalist”
Titulo Inglês : “The Survivalist”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Stephen Fingleton
Produção : David Gilbery/Robert Jones/Wayne Marc Godfrey
Elenco : Martin McCann, Mia Goth, Olwen Fouere.

História : Numa Terra assolada pela fome, um dos sobreviventes vive num terreno escondido no interior de uma densa floresta. Quando duas mulheres que procuram abrigo e comida descobrem a sua fazenda, ele vê a sua existência ameaçada.

Comentário : Este é um filme de sobrevivência muito fora daquela onda de fitas tipicamente americanas, cheias de fogo de artifício e efeitos especiais. É um filme muito simples que não promete nada e nos dá muito. Prosseguindo sempre a um ritmo lento, este é um filme com uma história interessante e com alguns momentos curiosos e para isso contribuiu imenso a excelente fotografia. Temos aqui uma cena que podia ter resultado em algo muito aflitivo e ainda bem que não foi mais longe, a dita personagem não avançou no procedimento. Por falar nisso, a jovem Mia Goth tem aqui uma boa prestação, eu entendi muito bem a sua personagem, ela é uma rapariga instruída para uma missão que só a descobrimos na cena final, é ela também que possui o melhor arco dos três protagonistas. No papel do personagem masculino principal, encontramos Martin McCann, detentor de uma poderosa prestação, foi gratificante seguir a sua jornada e vermos onde tudo vai parar. Aliás, a química dele com as duas personagens femininas funciona na perfeição, principalmente com a mais nova. Por último, Olwen Fouere tem uma interpretação igualmente convincente, embora eu não tenha percebido o destino que deram à sua personagem. Também não entendi porque motivo a primeira coisa que o protagonista masculino faz com a miúda é ter relações sexuais e com a agravante de ter o consentimento tanto da jovem quanto da sua mãe. É algo que não faz sentido. Temos cenários naturais e bonitas paisagens, o aparecimento daquele grupo de criminosos perto do final era totalmente desnecessário e o twist final, apesar de aceitável, não se mostrou ao nível de tudo mostrado até então.