domingo, 2 de julho de 2017

The Bad Batch

Nome do Filme : “The Bad Batch”
Titulo Inglês : “The Bad Batch”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Ana Lily Amirpour
Produção : Megan Ellison/Danny Gabai/Sina Sayyah
Elenco : Suki Waterhouse, Jason Momoa, Jayda Fink, Keanu Reeves, Diego Luna, Giovanni Ribisi, Yolonda Ross, Jim Carrey.

História : Num mundo apocalíptico, Arlen é uma jovem que tudo faz para sobreviver. Durante mais um passeio no deserto, ela é capturada, amarrada e torturada barbaramente por dois canibais, que lhe amputam um braço e uma perna. Mais sozinha que nunca e bastante debilitada, ela espera recuperar e elabora um plano de vingança. Pelo meio, conhece uma menina e um estranho homem que procura desesperadamente a criança.

Comentário : Este filme americano cativou-me pela positiva, tudo devido à forma como a história nos é contada e mostrada, tudo muito futurista. É um filme violento e existem cenas que, não sendo explicitas, incomodam mesmo. O filme anterior da realizadora já era bastante original e curioso e aqui a originalidade mantêm-se. Alguns cenários convencem e se certos personagens agradam, já outros deixam muito a desejar e aqui estou-me a referir a secundários ou mesmo figurantes. No centro da trama, temos uma bonita jovem que vive num mundo distópico cheio de perigos à sua volta, ela passa a vida a deambular por todo o lado em busca de comida ou outras coisas que lhe tenham utilidade. E esse papel coube à actriz Suki Waterhouse, que interpretou muito bem o seu papel. Jason Momoa tem aqui um papel interessante, eu gostei de ver a evolução do seu personagem, além do mais a sua química com a protagonista funciona. Quem também está bem é a pequena Jayda Fink, em certos momentos, fez-me lembrar a pequena Enola do fracassado “Waterworld”. Keanu Reeves tem aqui mais um papel que lhe assenta como uma luva, ele sempre teve uma maneira meio lunática de actuar, sem querer dizer mal dele, ele é um bom actor, disso não tenho dúvidas. Diego Luna e Giovanni Ribisi estão bem, embora não tenham sido bem aproveitados e desenvolvidos. E Jim Carrey, um actor que eu não suposto, tive que levar com ele, ainda assim o seu personagem desperta curiosidade. O filme é um pouquinho longo para a história que pretende contar, menos quinze minutos, não ia afectar nada. Existe ainda um bom uso da cor e da música, a directora sabe trabalhar muito bem o material que tem em mãos. Digamos que quase todos os elementos culminam em algo positivo. Claramente que existem coisas que eu discordo, mas no geral, fiquei satisfeito. O final é muito bom, aquela sequência que termina num plano aberto dos três a jantar está perfeita, que moldura linda. 

Song To Song

Nome do Filme : “Song To Song”
Titulo Inglês : “Song To Song”
Titulo Português : “Música a Música”
Ano : 2017
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Terrence Malick
Produção : Nicolas Gonda/Ken Kao
Elenco : Michael Fassbender, Ryan Gosling, Natalie Portman, Rooney Mara, Cate Blanchett, Holly Hunter, Berenice Marlohe, Olivia Grace Applegate, Val Kilmer, Lykke Li, Linda Emond, Louanne Stephens, Tom Sturridge, Brady Coleman, Dana Falconberry, Austin Amelio, Patti Smith, Iggy Pop, John Lydon, Florence Welch, Alan Palomo, Tegan Quin, Sara Quin, Anthony Kiedis, Chad Smith, Neely Bingham, Flea.

História : Com um festival de música ao vivo a acontecer na cidade, dois casais mergulham nas complicadas teias do amor.

Comentário : Com este seu novo registo, o realizador Terrence Malick prova mais uma vez que à alguns anos a esta parte não é capaz de contar boas histórias nos seus filmes, aliás aquilo que as suas últimas fitas carecem é de uma boa história, de um argumento que nos prenda. Muito sinceramente, o que temos aqui é mais do mesmo. Temos quatro personagens principais, dois homens e duas mulheres, que passam o filme todo a deambular de sítio para sítio, aos beijos uns com os outros, ora trocam de par, ora regressam aos anteriores companheiros, eles arrastam-se até mais não. Tal como o anterior filme do cineasta, andamos aqui às aranhas a tentar encontrar um fio condutor que nos faça interessar por aquilo que se passa com os quatro intervenientes, mas sem sucesso porque nada nos desperta o interesse e tudo isso por culpa de uma narrativa aleatória irritante até à medula que em nada nos convence. Há também uma grande confusão nos tempos. Não é culpa dos actores que compõem o núcleo principal, os quatro estão muito bem nos papéis, mas o material que têm para trabalhar não é suficiente para fazerem algo minimamente consistente. Michael Fassbender é um dos meus actores preferidos da actualidade e, apesar da nulidade do seu personagem, ele esteve bem. O mesmo se aplica aos outros três, com destaque para Ryan Gosling, outro actor de quem eu gosto bastante, aqui sem quase nada para fazer. Natalie Portman e Rooney Mara já estiveram muito melhor em outros registos. Temos um elenco de caras conhecidas como secundários cujos personagens ainda são mais vazios do que os principais, com destaque para Cate Blanchett, apesar de ser uma senhora muito elegante e bonita, não está a fazer rigorosamente nada neste filme. Foi um grande sacrifício assistir a este filme, duas horas bem penosas que nunca mais irei recuperar.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Okja

Nome do Filme : “Okja”
Titulo Inglês : “Okja”
Titulo Português : “Okja”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Bong Joon Ho
Produção : Bong Joon Ho
Elenco : An Seo Hyun, Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Lily Collins, Giancarlo Esposito, Shirley Henderson, Daniel Henshall, Devon Bostick, Woo Shik Choi, Steven Yeun, Byun Hee Bong.
 
História : Durante dez anos, a jovem Mija cuidou de uma adorável super porca chamada Okja. Após ela ser levada por uma corporação multi-nacional para participar de um concurso com cruéis intenções, a menina resolve ir ao resgate da sua amiga, se deparando com um outro grupo lutando pelo destino da criatura.

Comentário : Não gosto muito das produções da Netflix, logo não fui com grandes expectativas para este filme e só o vi pelo facto do realizador ser quem é. Fiz bem em ter dado uma oportunidade a esta fita, porque muito embora não seja algo grandioso, estamos perante uma obra bastante aceitável. O que mais me desagradou neste filme foi o facto de o tentarem tornar americano, seja usando actores americanos ou recorrendo aos clichés próprios de um género criado nos Estados Unidos. Mas como temos uma personagem humana natural dos países orientais como protagonista, as coisas suavizaram um pouco nesse aspecto. Eu adorei a criatura digital, Okja parece muito real e é muito ternurenta, nós ficamos até com pena dela em algumas situações. A pequena actriz que desempenha a menina amiga da criatura tem a melhor prestação do filme e a empatia e relação dela com Okja são a alma da fita. Tilda Swinton está muito bem nas duas personagens que interpreta, apesar de serem do mal. Gostei da personagem de Paul Dano, mas odiei ver Jake Gyllenhaal neste registo. O filme funciona muito bem enquanto critica ao capitalismo e ao consumismo e passa na perfeição a mensagem de que o ser humano é o pior dos seres. Existem cenas dispensáveis e outras que incomodam, estas últimas servem para nos mostrar como as coisas funcionam hoje em dia. O filme foca também a maneira cruel e desumana como alguns humanos tratam os animais e a falta de respeito e de humanidade para com eles. Os efeitos especiais são muito bons e o primeiro acto é o melhor dos três. Tem uma cena que comove e nos faz derramar umas lágrimas. Nota negativa para a banda sonora, ela não funciona muito bem nas cenas em que as músicas são inseridas. É um filme que funciona. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

The Happiest Day In The Life Of Olli Mäki

Nome do Filme : “Hymyilevä Mies”
Titulo Inglês : “The Happiest Day In The Life Of Olli Mäki”
Titulo Português : “O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki”
Ano : 2016
Duração : 92 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Juho Kuosmanen
Produção : Jussi Rantamaki
Elenco : Jarkko Lahti, Oona Airola, Eero Milonoff, Joanna Haartti, Joonas Saartamo, Mika Melender, Denis Lyons, John Bosco Jr., Deogracias Masomi, Pia Andersson, Shamuel Kohen, Antti Naakka, Petri Hytonen, Hilma Milonoff.

História : Em 1962, o pugilista amador finlandês Olli Mäki está prestes a enfrentar o americano Davey Moore, campeão mundial na categoria peso-pena. A vitória no combate pode mudar a sua vida e torná-lo numa verdadeira estrela do boxe profissional. Apesar de se sentir fisicamente preparado para o grande momento, há algo que está a fazê-lo perder a concentração : Raija, uma linda rapariga que conheceu e por quem se apaixonou perdidamente.

Comentário : Gostei bastante deste filme, apesar de não gostar muito de boxe, eu simpatizo bastante com os filmes que abordam este desporto, não sei explicar o motivo. O filme não é americano e isso também contribuiu para o admirarmos de outra maneira. Com uma belíssima fotografia a preto e branco e muito bem filmado, o filme dá-nos mesmo a sensação de estarmos nos anos sessenta. Ficamos com uma ideia de como se processam as coisas naquele mundo, de como o dinheiro é o centro de tudo, onde os grandes não se importam minimamente com os desportistas, querendo apenas que eles façam sucesso seja qual for o preço. Jarkko Lahti convence no papel principal, ele é um homem simples que tinha duas paixões na vida e que sonhava conciliar as duas. Eero Milonoff faz bem o papel de sacana interesseiro, sendo também um cobarde que se curva e humilha perante os grandes. Oona Airola é bonita o suficiente para ganhar empatia com o público, tem uma boa interpretação e foi a personagem que eu mais gostei. Além disso, a química dela com o protagonista é bem evidente. No fundo, Olli Maki estava desejoso que tudo aquilo terminasse para poder estar novamente com a sua amada. O filme não mostra o boxe como desporto violento, conforme a maioria dos filmes do género costumam fazer e isso funciona como um elogio. A recriação de época está muito boa e os melhores momentos do filme são aqueles onde Olli Maki e Raija estão juntos. Os dois funcionam muito bem. Confesso que não conhecia este pugilista e só por tê-lo descoberto desta maneira, valeu o visionamento. Lamento que o filme seja muito curto, gostava que tivesse mais trinta minutos. Bom filme.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sweet Dreams

Nome do Filme : “Fai Bei Sogni”
Titulo Inglês : “Sweet Dreams”
Titulo Português : “Sonhos Cor-de-Rosa”
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama
Realização : Marco Bellocchio
Produção : Beppe Caschetto
Elenco : Berenice Bejo, Valerio Mastandrea, Fabrizio Gifuni, Guido Caprino, Barbara Ronchi, Dario Dal Pero, Nicolo Cabras, Emmanuelle Devos, Piera Degli Esposti, Roberto De Francesco, Roberto Herlitzka, Miriam Leone, Manuela Mandracchia, Linda Messerklinger, Lorenzo Monti, Drazen Pavlovic, Arianna Scommegna, Bruno Torrisi, Ferdinando Vetere, Pier Giorgio Bellocchio.

História : Massimo é um jornalista bem conceituado que trabalha num dos mais importantes jornais de Itália. Um dia, após um trabalho particularmente difícil sobre a Guerra da Bósnia, começa a ter ataques de pânico. Simultaneamente, vê-se obrigado a tratar dos assuntos da venda da casa de família, onde viveu toda a infância. Ao encarar as memórias do passado, a situação de ansiedade piora. É então que, ao procurar ajuda profissional, conhece Elisa, alguém que o vai ajudar a superar um trauma que teve origem numa perda irreparável.

Comentário : O principal problema deste filme é o facto dele perder imenso tempo com a infância e juventude do protagonista em vez de investir mais na fase adulta dele. Eu gostei deste filme, mas queria ter visto mais do Massimo adulto e da sua relação com a médica Elisa. Aliás, a belíssima e talentosa actriz Berenice Bejo foi muito mal aproveitada aqui, vendo a sua personagem atirada para segundo plano. Por outro lado, o actor Valerio Mastandrea esteve muito bem em campo, ele tem a melhor interpretação do filme, eu gostei bastante do seu personagem e gostava de ter visto mais dele, em alguns momentos, ele parece Michael Fassbender. Apesar da narrativa se centrar mais na infância e na juventude do protagonista, a história está muito bem contada e mostrada, sempre com boas actuações de todo um grupo de secundários muito bem gerido e funcional.

O principal foco do filme é a tragédia que aconteceu a um familiar do protagonista e sobre isso apenas saberemos a verdade perto do final, eu fiquei admirado, embora não tenha entendido a reação de Massimo. Claro que o filme tem uma ou outra cena desnecessária, daquelas que não fazem falta nenhuma ou que não contribuem para o todo. O filme soma pontos também por ser muito nostálgico, eu sou uma pessoa deprimida por natureza e senti-me triste em algumas cenas que puxam mais para o sentimentalismo. A desgraça em si já é propícia a esse tipo de sentimentos. Temos também uma participação especial da actriz Emmanuelle Devos, que eu confesso ter gostado. Existe uma sequência passada na infância de Massimo entre ele e um amigo que dá que pensar, é sobre a maneira de nós tratarmos que nos ama e só sabemos dar valor quando não as temos. É um bom filme italiano que nos leva a penetrarmos nas relações entre pais e filhos com todas as sensações e sentimentos nelas contidas. Por último, tenho que dizer que lamento imenso ter perdido este filme no cinema.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Captain Phillips

Nome do Filme : “Captain Phillips”
Titulo Inglês : “Captain Phillips”
Titulo Português : “Capitão Phillips”
Ano : 2013
Duração : 135 minutos
Género : Biográfico/Drama/Thriller
Realização : Paul Greengrass
Produção : Dana Brunetti/Kevin Spacey/Michael De Luca/Scott Rudin
Elenco : Tom Hanks, Catherine Keener, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, David Warshofsky, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Max Martini, Omar Berdouni, Mohamed Ali, Issak Farah Samatar, Thomas Grube, Mark Holden, Stacha Hicks.

História : Em Abril de 2009 no Oceano Índico, um porta contentores norte-americano é atacado por piratas somali. O comandante Richard Phillips, um homem com mais de três décadas de experiência no mar, percebe a gravidade da situação e aceita ser feito refém em troca da liberdade da sua tripulação. Os dias que se seguem são de pura tensão.

Comentário : Hoje resolvi vir aqui comentar um dos grandes filmes de 2013, que apesar de ter Paul Greengrass como realizador, é uma obra muito bem concebida e cheia de tensão, eu senti-me totalmente tenso e envolvido durante mais de duas horas de projecção. O filme é baseado em acontecimentos reais, pelo menos aquilo que vemos no geral aconteceu de verdade, e a fita funciona como uma espécie de resumo dos factos. Aquilo que mais me irritou neste filme foi o facto dos americanos passarem quase sempre por heróis e são quase sempre eles que salvam tudo e todos. Além disso, o filme possui ainda alguns erros na lógica das coisas e nas ações de alguns personagens, por exemplo, não se percebe porque motivo os quatro piratas são um pouco ingénuos e se deixam enganar tão facilmente. Como aspectos positivos, temos um bom clima de tensão que está sempre presente, temos uma boa recriação dos acontecimentos, uma boa montagem e duas excelentes prestações a cargo de Tom Hanks e de Barkhad Abdi. Aliás, os quatro actores que desempenharam os principais piratas da Somália (foto em baixo) foram os que estiveram melhor, no que ao elenco diz respeito. Gostava de ver mais cenas dos piratas no navio e gostava que houvesse algumas mortes na tripulação, afim de transmitir mais realismo, mas isso estava fora de questão, porque as coisas não aconteceram dessa maneira. Nota-se que a equipa de produção deve ter tido imenso trabalho para fazer este filme, algumas coisas que se passaram ali não são fáceis de replicar. Inicialmente o filme foca tanto o comandante quanto os somalis no seu país e a preparação destes para o ataque ao navio, achei isso muito positivo. É possível que algumas coisas que vemos no filme não se tenham passado daquela forma, os americanos gostam de alterar as coisas para saírem bem na fotografia. Mas no geral, estamos perante um bom filme. 

Buster's Mal Heart

Nome do Filme : “Buster's Mal Heart”
Titulo Inglês : “Buster's Mal Heart”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Sarah Adina Smith
Produção : Travis Stevens/Jonako Donley
Elenco : Rami Malek, Kate Lyn Sheil, Sukha Belle Potter, DJ Qualls, Lin Shaye, Toby Huss, Mark Kelly, Bruce Bundy, Teresa Yenque, Jared Larson, Sandra Ellis Lafferty, Nicholas Pryor, Lily Gladstone, Gabriel Clark, Chris Torma.

História : Jonah é um funcionário de um hotel que faz todos os esforços para proporcionar à mulher e à filha de ambos uma vida melhor. No entanto, ele começa a ficar cada vez mais perturbado com a rotina, e uma desgraça estraga-lhe a vida.

Comentário : Este filme colocou-me a pensar muito sobre aquilo que somos e naquilo em que nos tornamos, devido à vida que temos actualmente. Por vezes, estamos tão penetrados na nossa vida laboral que nos esquecemos do mais importante, a nossa família e os nossos filhos. Esquecemos de viver as nossas vidas pessoais. Estamos também dentro de todo um sistema que nos rouba tempo, um sistema que nos vai consumindo aos poucos e que nos tira aquilo que mais importante temos na nossa vida. Acontece assim com a maioria das pessoas. Jonah ou Buster faz parte desse grande grupo. Não é um filme fácil, eu próprio não entendi algumas coisas, enquanto que outras não fazem muito sentido. Se existem filmes onde uma explicação fazia jeito, este é um deles. A narrativa decorre em três tempos : temos a parte da história do protagonista com a família antes da tragédia; temos a parte em que o personagem principal anda a monte, depois da tragédia e temos por último a parte do tempo actual em que ele está a ser perseguido pelas autoridades. Rami Malek possui a melhor prestação da fita enquanto que o restante elenco de secundários se limita a cumprir aquilo que foi pedido. Existe pelo menos uma sequência que se prolonga mais que o necessário. O filme tem bonitas imagens. A banda sonora por vezes irrita. A principal mensagem que se tira disto é que a maioria dos seres humanos não são livres. Não percebi o final do filme, embora perceba que está em conformidade com a história contada. 

The Belko Experiment

Nome do Filme : “The Belko Experiment”
Titulo Inglês : “The Belko Experiment”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Terror/Crime
Realização : Greg McLean
Produção : James Gunn
Elenco : John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Melonie Diaz, Adria Arjona, John C. McGinley, Michael Rooker, Sean Gunn, Owain Yeoman, Brent Sexton, Josh Brener, David Dastmalchian, Rusty Schwimmer, Gail Bean, James Earl, Abraham Benrubi, Valentine Miele, Stephen Blackehart, Maruia Shelton.

História : Nas instalações laborais da empresa Belko, num dia de trabalho igual a tantos outros, oitenta dos seus funcionários são encerrados dentro do edifício e sujeitos a uma espécie de jogo da morte, onde serão levados ao limite e obrigados a matar para não serem mortos.

Comentário : Este filme levanta questões curiosas, por exemplo, as coisas que o ser humano é capaz de fazer quando é levado ao limite. Confesso que esperava o pior em relação a este filme, é muito bom quando não vamos com expectativas nenhumas para um filme e acabamos por nos surpreender, foi o que me aconteceu aqui. O filme é tenso em muitas cenas, o argumento está aceitável, embora com algumas falhas e temos aqui uma história que se segue muito bem. Existe uma sequência em particular que está relacionada com escolhas que é muito enervante, para não dizer chocante. O realizador trabalha uma das suas personagens femininas muito bem, ele dá-lhe um desenvolvimento muito interessante, mas infelizmente não lhe sabe dar um final digno dessas promessas. O filme tem muito sangue e é violento. O mais curioso neste filme é o facto de ser um processo engraçado acompanharmos estes personagens todos, ver para onde eles vão e como evoluem, mediante o rumo dos acontecimentos. John Gallagher Jr. e Melonie Diaz são os que conseguem arrancar as melhores prestações, embora Tony Goldwyn seja muito bom enquanto vilão principal. Temos aqui ideias que funcionam muito bem, outras nem tanto. Por último, não gostei muito do final do filme, me pareceu tudo muito trapalhão, como se estivessem a despachar o assunto. Mas no geral, estamos perante um filme bastante interessante e que funciona bem na maior parte do tempo. 


A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto

Nome do Filme : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Titulo Inglês : “The Capital Of The Dead 2 : Dead World”
Titulo Português : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Ano : 2015
Duração : 72 minutos
Género : Terror
Realização : Tiago Belotti
Produção : Tiago Esmeraldo
Elenco : Lorena Aloli, Gustavo Serrate, Jazz Vasconcellos, Rany Fontelene, Morgana Santos Gama, Marília Mangueira, Ana Flavia Garcia, Renata Helena.

História : Cinco anos após ter se confrontado com os zombies, Lucas une forças com a traumatizada Denise. Juntos, eles tentam manter a sanidade, e sobreviver num mundo onde há coisas muito mais perigosas que zombies.

Comentário : Confesso que tinha mesmo que vir a este espaço comentar este filme, porque trata-se de uma obra dirigida por um crítico de cinema que eu admiro imenso, Tiago Belotti. Sempre que posso, eu assisto aos seus vídeos comentando os filmes que ele vai vendo. O primeiro filme desta história também foi realizado por ele, mas eu confesso que não gostei muito dele, talvez pelo facto de ser amador de mais, apesar da intenção ter sido boa, o primeiro filme não me convenceu. O mesmo não posso dizer deste segundo filme, ele também foi feito com um orçamento muito baixo, mas resultou melhor para mim, possivelmente porque a história me interessou mais. Foi como eu disse, este segundo filme resulta melhor porque tem um argumento mais bem elaborado e porque as personagens femininas são muito interessantes. Gustavo Serrate voltou a não convencer no papel de Lucas, apesar de estar melhor aqui, eu não comprei o drama do seu personagem.

Lorena Aloli, por seu lado, que viveu a Denise, teve a personagem mais rica do filme, durante o longa eu fiquei sempre a desejar que tudo desse certo com ela. Além disso, a miúda possui a melhor prestação da fita. O filme apresenta problemas claro, principalmente a nível técnico, por exemplo, ele é escuro demais. Gostei mais da banda sonora deste segundo filme do que no primeiro. Penso igualmente que aqui sente-se mais o clima de terror, eu vibrei com esta história, eu me senti parte da jornada da Denise e isso é muito bom. Repito, para um filme quase sem verbas, com poucos recursos e que teve muitas ajudas, ele está muito bom, eu gostei bastante. Para além dos problemas técnicos, aquilo que eu menos gostei foi do destino destas meninas, é que nós investimos tanto nestas personagens e nos interessamos tanto por elas, para depois vermos os seus finais que são muito injustos, isso me desiludiu imenso. Mas pronto, valeu o esforço. Um último reparo, eu adorei os zombies deste filme, é precisamente assim que eles deviam ser em todos os filmes do género. 

domingo, 11 de junho de 2017

The Odyssey

Nome do Filme : “L'odyssee”
Titulo Inglês : “The Odyssey”
Titulo Português : “A Odisseia”
Ano : 2016
Duração : 122 minutos
Género : Aventura/Biográfico/Drama
Realização : Jerome Salle
Produção : Philippe Godeau/Olivier Delbosc/Nathalie Gastaldo/Marc Missonnier
Elenco : Lambert Wilson, Audrey Tautou, Pierre Niney, Laurent Lucas, Benjamin Lavernhe, Chloe Hirschman, Adam Neill, Olivier Galfione, Chloe Williams, Ulysse Stein, Rafael De Ferran, Talie Mergui.

História : Em 1948, Jacques Cousteau, a sua mulher e dois filhos vivem num paraíso, uma magnífica casa com vista para o Mediterrâneo. Apesar disso, Cousteau só consegue pensar em aventuras. Graças à sua invenção, um tanque de oxigénio independente que permite aos mergulhadores respirar debaixo de água, Cousteau foi à descoberta de um novo mundo subaquático. Agora, tudo o que ele quer fazer é explorar esse mesmo mundo e, para tal, está disposto a sacrificar tudo o que até agora alcançou.

Comentário : Possivelmente a melhor estreia cinematográfica desta semana, este filme conquistou-me. Trata-se de uma espécie de biografia de Jacques Cousteau, que eu confesso que até certo momento dá uma má imagem do homem, mas depois ele se redime e passa a ser visto com outros olhos. O filme possui bonitas imagens e cenas cativantes, está muito bem filmado e consegue nos prender ao ecrã. Eu fiquei bastante interessado nesta história, em conhecer este senhor e as coisas que ele fez e em que acreditava. Claramente que aquilo que mais me revoltou nele foi o facto de ter abandonado os seus dois filhos num orfanato, enquanto ele e a mãe dos miúdos foram explorar os oceanos. Isso foi muito cruel, mas também eu não sei se tudo o que mostram neste filme sobre Cousteau é mesmo verdadeiro. Esta é a história de um homem que cometeu muitos erros ao longo da vida, mas nos últimos anos de vida decidiu alterar as coisas e passou a fazer aquilo que achava ser o mais correcto. No papel principal, o actor Lambert Wilson possui a melhor prestação do filme, é um personagem difícil e apesar da caracterização nem sempre o favorecer, eu entendi o seu Jacques Cousteau. No papel de um dos seus filhos, Pierre Niney é quem possui o arco mais interessante da fita, eu o entendi perfeitamente, ele foi abandonado pelos pais num orfanato onde sofreu bullying na infância e mesmo assim transformou-se num ser humano maravilhoso, lamentei imenso o seu destino. Por último, Audrey Tautou está bem no seu papel, é daquelas personagens que demora a entendermos, mas depois de captar a sua essência, nos tornamos zeladores da sua pessoa. No entanto, também ela é alguém que cometeu erros ao longo da sua vida, nunca nos podemos esquecer disso. O filme abarca ainda importantes mensagens ecológicas que chegam tarde e a más horas, porque a narrativa demora a expressá-las. Sendo a mais marcante : O ser humano está a destruir o planeta. Ainda assim, estamos perante um bom filme.

Paranormal Activity : The Marked Ones

Nome do Filme : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Inglês : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Português : “Atividade Paranormal – Os Escolhidos”
Ano : 2014
Duração : 80 minutos
Género : Terror
Realização : Christopher Landon
Produção : Oren Peli/Jason Blum
Elenco : Andrew Jacobs, Jorge Diaz, Gabrielle Walsh, Molly Ephraim, Renee Victor, Noemi Gonzalez, Gloria Sandoval, David Saucedo, Richard Cabral, Carlos Pratts, Juan Vasquez, Brent Gutierrez, Alonso Alvarez, Catherine Toribio, Frank Salinas, Gigi Feshold, Silvia Curiel, Micah Sloat, Katie Featherston.

História : Jesse e Hector são grandes amigos, que acabaram de se formar no ensino médio. Fascinados em filmar com uma camara portátil tudo o que acontece à sua volta, eles ficam intrigados ao ouvir sons estranhos vindos do apartamento de baixo da casa de Jesse. Lá vive Anna, uma senhora que tem fama de ser uma bruxa. Não demora muito para que os amigos passem a atormentá-la, o que faz com que Jesse seja ameaçado por ela. A súbita morte de Anna faz com que aumente ainda mais a curiosidade dos amigos, que decidem invadir a casa dela, mesmo estando lacrada pela polícia. É quando percebem que Anna pertencia a uma seita que tinha Jesse entre os seus alvos.

Comentário : Trata-se do filme mais fraco da saga, que realidade funciona como uma espécie de prequela do primeiro filme. É um filme cheio de mistério e tensão, mas que falha quando se trata de apresentar respostas, de facto, aqui quase nada é explicado. Durante setenta e cinco minutos seguimos dois amigos que se envolvem em vários problemas porque um deles está implicado numa seita, sem o saber. Em tirando o final, o filme tem pouca ligação com a saga, e não há o esforço para tentar ligar-se à história de Katie. Esta prequela não capta a essência dos outros cinco filmes. Algumas situações são toscas para não dizer ridículas e outras não parecem ter muita lógica, por exemplo, não se percebe porque motivo os jovens não largam a camara mesmo em momentos aflitivos. Mesmo a suposta ligação à saga perto do final não faz muito sentido. O filme possui alguns sustos, a maioria não assusta, embora haja um que se destaca pela positiva. A nível das interpretações, a sensação que me deu foi que eram todos actores amadores, o protagonista por exemplo, não me convenceu. Já o jovem que fez de seu melhor amigo consegue estar um pouco mais à vontade. A jovem que fez de Marisol, mesmo assim, foi a que esteve melhor. O filme falha não só pela ausência de explicações para os acontecimentos e para a história já conhecida de outros filmes, mas também por erros vários e situações ridículas, já para não falar do elenco, grande parte deles, fracos. Felizmente, temos uma aparição da boazona da Katie Featherston no final do filme. Dos seis filmes da saga, este é o mais fraco. 

The Champ

Nome do Filme : “The Champ”
Titulo Inglês : “The Champ”
Titulo Português : “O Campeão”
Ano : 1979
Duração : 121 minutos
Género : Drama
Realização : Franco Zeffirelli
Produção : Dyson Lovell
Elenco : Jon Voight, Faye Dunaway, Ricky Schroder, Jack Warden, Arthur Hill, Strother Martin, Joan Blondell, Mary Jo Catlett, Elisha Cook, Stefan Gierasch, Allan Miller.

História : Billy Flynn é um antigo lutador de boxe que vive sozinho com o filho menor, depois de ter sido abandonado pela esposa. Um dia, a mãe do menino regressa com a expectativa de conhecer melhor o filho e de tentar recuperar o tempo perdido. Assim, Billy vê a sua vida envolta em problemas e decide voltar a combater nos ringues, para provar ao filho que é dele que ele mais precisa.

Comentário : Hoje apareço com um clássico dos anos 70, apesar de não simpatizar muito com o boxe em si, eu gosto de filmes sobre este desporto e tinha que conferir esse filme. Primeiro que tudo trata-se de um filme dramático, ou não fosse ele conhecido principalmente pelas cenas finais de choro do miúdo. Jon Voight (pai de Angelina Jolie) está muito bem neste filme, ele desempenha o pugilista do título e foi um personagem que cativou o público, nomeadamente porque também era um pai que adorava o seu filho e fazia muito por ele, ele andava a criar o menino sozinho. Apesar de ter os vícios do jogo e da bebida, ele dava bem conta do recado. É um personagem com um arco forte, o actor faz com que quem o vê compre direito a sua jornada e o seu esforço para não estragar tudo feito até então. Faye Dunaway está um pouco apagada neste filme, ainda assim, consegue fazer da sua personagem, alguém interessante. Mas quem está melhor é o pequeno Ricky Schroder, nossa, esse pequeno actor devia ter ganho um bom prémio por esta sua interpretação. A química entre o menino e Voight funciona muito bem, eles convencem bastante enquanto pai e filho que se adoram. Nós ficamos a apostar que a relação deles dê certo. As cenas de combate de boxe são tensas, eu fiquei cansado com aqueles rounds, Voight entregou-se totalmente ao papel. Não foi só conversa de balcão, as cenas finais de choro de T. J. pelo seu campeão são mesmo dramáticas e causam impacto no espectador, eu só não chorei também porque não estava nos meus dias. Destaque também para a cena da queda da égua na corrida e para a cena da discussão entre pai e filho na prisão. O menino tem ainda uma cena bem dramática com Dunaway num dos quartos do barco. Se o protagonista não tivesse o destino que teve, podiam actualmente fazer um segundo filme, porque o trio ainda é vivo. Eu tornei-me num grande admirador deste filme, muito bom.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Life

Nome do Filme : “Life”
Titulo Inglês : “Life”
Titulo Português : “Vida Inteligente”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller
Realização : Daniel Espinosa
Produção : Bonnie Curtis/Dana Goldberg/Julie Lynn/David Ellison
Elenco : Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare.

História : A tripulação da Estação Espacial Internacional recolhe uma sonda vinda do planeta Marte com uma amostra de extraordinária importância : a primeira prova da existência de vida extraterrestre. De modo a não colocarem em causa o eco-sistema terrestre, antes do regresso a casa os seis tripulantes têm de estudar a fundo tudo o que se refira àquela forma de vida. Ao mesmo tempo que se dão conta que ela possui inteligência e consciência, compreendem também que as suas intenções são tudo menos amigáveis. Com a sua própria vida ameaçada, e presos na nave que se dirige para a Terra, os astronautas têm que encontrar um meio de destruir a criatura antes que ela entre em contacto com a atmosfera terrestre, chegue ao planeta e aniquile todas as formas de vida da Terra.

Comentário : Confesso que estava para não ver este filme, devido ao facto do elenco não me chamar a atenção, porque a sinopse cheirava-me a algo repetitivo e também porque as classificações não são grande coisa. Mas tenho que confessar que não só gostei do filme, como também o acho bem melhor do que o recente capítulo da saga do alien iniciada por Ridley Scott. Este filme é um bom exemplar do género ficção-científica, funciona bem como tal, embora falhe na tentativa de ser uma obra de terror. Apesar de ter cenas com sangue e mortes, eu nunca o consideraria um filme de terror. No entanto, o filme é detentor de um forte clima de tensão e de alguma claustrofobia, apesar da história se passar no maior sitio do mundo, o espaço. O filme mistura habilmente diferentes elementos do género e apresenta-nos uma criatura misteriosa, perigosa e bastante irritante. Onde o filme falha é no facto de ter clichés próprios do género e de certas ações de algumas personagens serem previsíveis, além disso o argumento apresenta pequenas falhas. A nível do elenco, Jake Gyllenhaal e Rebecca Ferguson estão bem, embora nunca deslumbrem, possuem personagens cativantes e nós ficamos a desejar que eles se safem. Ryan Reynolds está igual a si mesmo enquanto que Hiroyuki Sanada é o mais interessante e é aquele que está melhor, eu gostei do seu personagem. Já Olga Dihovichnaya e Ariyon Bakare aguentam-se minimamente. Juntos, os seis encaixam bem como uma equipa e as químicas funcionam muito bem, eles fazem-nos temer pelos seus destinos e isso é muito bom. Por último, temos um twist revoltante que nos faculta um final que de certeza que irá gerar conversa. No fundo, é um filme mediano em que no final nunca ficaremos chateados por termos investido nele quase duas horas.

Cartas a Uma Ditadura

Nome do Filme : “Cartas a Uma Ditadura”
Titulo Inglês : “Letters To A Dictatorship”
Titulo Português : “Cartas a Uma Ditadura”
Ano : 2008
Duração : 60 minutos
Género : Documentário/Histórico
Realização : Inês de Medeiros
Elenco : vários

História : Uma centena de cartas, todas escritas por mulheres portuguesas no ano de 1958, foram encontradas por acaso por um alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor. Este é o ponto de partida para uma investigação histórica sobre o universo das mulheres durante a ditadura.

Comentário : Fiquei bastante surpreendido com este filme porque eu pensava que durante o tempo em que Salazar esteve no poder as pessoas não gostavam dele devido à maneira como se vivia, mas em vez disso, a maior parte das mulheres tinha uma grande admiração e mesmo devoção pelo ditador. A realizadora entrevista algumas mulheres que viveram naquela época e arranca-lhes o testemunho pessoal daquilo que elas achavam daquele período. Temos direito a imagens de Salazar e do povo daquela época, assistimos a coisas daquele tempo e isso foi muito gratificante. Gostei de ouvir algumas coisas, outras nem tanto. Gostava de saber o que sente alguém mau que tem a consciência que pratica o mal sobre os outros e vê a admiração que essas vítimas mesmo assim nutrem por ele. Deve ser chocante. Assim como devia ser chocante aquilo que as vitimas de Mengele sentiam antes de serem parte integrante das suas experiências médicas na época no nazismo. Tudo isto a propósito do medo e do horror que certas pessoas infligem a outras e aquilo que estas sentem pelos seus carrascos. Fiquei também chocado com aquilo que uma idosa disse : “Primeiro vem Deus, depois vem a pátria e depois é que vem a família”, puxa, é revoltante, mas enfim. No entanto, existem umas poucas coisas em que elas tinham razão. Mas eu não quero opinar sobre a maneira como as pessoas eram naquela altura, simplesmente porque não a vivi. Este documentário é bom, está bem realizado e é útil para aqueles que pouco ou nada sabem da forma como se vivia naquela altura. As cartas do título eram escritas por mulheres que faziam parte de um movimento cujo objectivo era proteger e adorar Salazar, elas gostavam daquele homem. O documentário aborda também questões como a política, o casamento, a ditadura, o trabalho, a caridade, a fome, as crianças, embora basicamente seja sobre Salazar e como era ser-se mulher naquela época.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Berlin Syndrome

Nome do Filme : “Berlin Syndrome”
Titulo Inglês : “Berlin Syndrome”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Cate Shortland
Produção : Polly Staniford
Elenco : Teresa Palmer, Max Riemelt, Emma Bading, Matthias Habich, Lucie Aron, Lara Marie Muller, Elmira Bahrami.

História : Vinda da Austrália, a jovem Clare acaba de chegar a Berlin. Um dia, ela conhece Andi e, ao tornar-se sua companheira, comete o pior erro da sua vida.

Comentário : A realizadora Cate Shortland já me havia convencido que fazia bons filmes em obras como “Somersault” e “Lore”. Estava com muitas expectativas para este seu novo filme que, embora não esteja ao nível dos dois anteriores, é um bom filme. O argumento é complexo, a história segue-se muito bem. É um filme tenso e claustrofóbico, onde temos uma protagonista em apuros. No papel principal, Teresa Palmer manda muito bem, ela tem uma prestação bastante consistente e sempre consciente que a sua personagem exige muito dela. Por seu turno, Max Riemelt convence também no papel do criminoso nojento de serviço, porém, a sua química com Palmer não funciona tão bem, embora ele dê um vilão credível. Podemos também contar com uma Emma Bading bastante útil e competente. O filme não nos faculta muitas respostas, por exemplo, não se sabe o que sucedeu à antiga companheira e muito menos qual foi o destino da cadela. A cineasta podia ter exposto menos a sua actriz principal, certos planos eram desnecessários. Não entendo porque motivo a beleza da mulher é sempre exposta no cinema, é quase uma má regra. Nota positiva também para a fotografia e para o clima de tensão e claustrofobia quase sempre presentes, algumas cenas são aflitivas. O filme podia muito bem ser baseado em acontecimentos reais, as situações aqui retratadas podiam facilmente acontecer na vida real, o que não faltam por aí são homens doentes e dispostos a praticar o mal. O filme peca por ter alguns erros na lógica dos acontecimentos e uma ou outra situação que não faz muito sentido. No geral, é um bom filme. 

domingo, 28 de maio de 2017

Raw

Nome do Filme : “Grave”
Titulo Inglês : “Raw”
Titulo Português : “Raw”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Julia Ducournau
Produção : Jean Des Forets
Elenco : Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufella, Laurent Lucas, Joana Preiss, Bouli Lanners, Marion Vernoux, Thomas Mustin, Jean Louis Sbille.

História : Justine é uma jovem tímida, sensível e vegetariana, caloira na mesma faculdade de veterinária em que estuda a sua irmã, Alexia. Durante as praxes, a menina é forçada a comer carne animal e esse acto provoca mudanças extremas na sua vida.

Comentário : Em primeiro lugar, não se deixem enganar, este não é um filme de terror, conforme o querem vender, trata-se de um drama humano sobre o canibalismo, fala da transformação de uma jovem. Existe uma longa sequência na versão extensa do filme “Ninfomaníaca” do polémico Lars Von Trier que é mesmo susceptível de ferir a sensibilidade de quem a vê, a mim incomodou-me bastante e fiquei chocado. Isto para dizer que este filme não tem nada de verdadeiramente chocante, não é nada que já não tenha sido visto em filmes de terror, temos portanto apenas uma cena um pouco gore e é só. Assim, não entendo os comentários de pessoas que dizem que desmaiaram na sala de cinema e outras que se foram embora, a nível do gore, os filmes das sagas “Saw” e “Hostel” são bem piores e a esse nível, este “Raw” não lhes chega aos calcanhares. E digo mais, o único terror que vi neste filme foi o terror provocado pelas praxes académicas, essas sim, deviam acabar, é nojento haver jovens que acham que têm poder sobre os novatos e os obrigam a actos humilhantes e os forçam a participarem das suas anormalidades. Forçar ou obrigar alguém a algo contra a sua vontade ou sobre chantagem é crime. Nem imaginam o quanto esses académicos me enojam. 

Claramente que não entendo o alarido que este filme causou, repito, não há mesmo nada aqui que já não tenha sido visto em filmes de terror. “Raw” é um filme bem realizado por uma mulher que entende as adolescentes e sabe filmar aquilo que representa ser-se rapariga. Os actos da protagonista são questionáveis e apenas explicados num fabuloso twist no final do filme, eu não esperava aquilo. Existe uma parte em que Justine é humilhada pela irmã numa morgue, cena que revolta. Há algumas atitudes de certos personagens que não fazem muito sentido, por exemplo, porque motivo o único amigo da protagonista que é gay, insiste em dormir com raparigas e ter relações sexuais com elas. Garance Marillier (linda) é a estrela e a grande revelação deste filme, a miúda possui aqui uma boa prestação, ela convence no papel de alguém sem orientação. Infelizmente, Ella Rumpf, que desempenha a sua irmã, não a acompanha ao nível da qualidade interpretativa dela, fazendo com que a química entre elas simplesmente não funcione. Existe uma sequência em particular que envolve a nossa menina e um espelho que eu achei divinal, são as minhas cenas preferidas do filme. Existe uma cena de sexo exagerada que é desnecessária, ela não adianta nada ao filme. Volto a dizer, o twist final é brutal e explica quase tudo sobre o comportamento das irmãs, só não explica porque motivo a mais velha é tão má para a mais nova. É um filme razoável.

E Agora ? Lembra-me

Nome do Filme : “E Agora ? Lembra-me”
Titulo Inglês : “What Now ? Remind Me”
Titulo Português : “E Agora ? Lembra-me”
Ano : 2013
Duração : 165 minutos
Género : Biográfico/Documentário
Realização : Joaquim Pinto
Produção : Joana Ferreira
Elenco : Joaquim Pinto, Nuno Leonel.

História : Há quase duas décadas que Joaquim Pinto convive com o HIV e com o vírus da hepatite C. O cineasta teve de se afastar da carreira no cinema devido à progressão da doença. Após anos de luta, decide regressar com esta obra. Através de um documentário confessional, que segue o seu “caderno de apontamentos” sobre um ano de ensaios com medicamentos experimentais iniciados em 2011, ele faz uma reflexão sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor.

Comentário : É um filme que promove a reflexão, é um documentário muito humano sobre dois homens que se limitam a viver uma vida em comum, eles são homossexuais e são casados. Um deles é doente e o outro o ajuda a superar as dificuldades. Têm quatro cães e muita força de vida. São assim Joaquim Pinto e Nuno Leonel. Confesso que não conhecia Joaquim Pinto, nem como pessoa e muito menos enquanto realizador. Gostei de o ter ficado a conhecer, graças a este maravilhoso filme. Os dois habitam num mundo muito próprio, dando também muita importância à natureza. Naquilo em que o filme é bom é basicamente mostrar-nos o quotidiano de Joaquim Pinto, fala-nos das suas doenças e do seu trabalho, sendo também uma importante reflexão sobre a vida e uma homenagem à mesma. Naquilo que o filme é mau, é no facto de ser longo demais, dava perfeitamente para tirarmos algumas cenas, condensando tudo em 120 minutos. Existe portanto muita palha aqui. O filme falha também porque não explora os problemas de saúde do realizador como deveria, aborda pouco essa temática, quando sabemos que seria um documentário ainda melhor caso se concentrasse mais nisso. Podemos contar também com referências a filmes, a músicas e a programas de televisão. O filme tem igualmente uma componente espiritual bastante acentuada. A coisa que menos gostei aqui foi quando levavam as coisas para a componente sexual. Por outro lado, aquilo que mais gostei neste documentário foi do realizador nos ter dado a conhecer a sua vida. Estamos perante um bom documentário que pode funcionar também como uma lição de vida. 

I Am Not Your Negro

Nome do Filme : “I Am Not Your Negro”
Titulo Inglês : “I Am Not Your Negro”
Titulo Português : “Eu Não Sou O Teu Negro”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Documentário
Realização : Raoul Peck
Produção : Raoul Peck
Elenco : Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte, Shumerria Harris.

História : Em 1979, James Baldwin escreveu ao seu editor dizendo que o seu próximo projecto, “Remember This House”, seria um livro revolucionário sobre as vidas e os assassinatos de três dos seus amigos mais próximos : Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr. Quando morreu em 1987, deixou apenas trinta páginas do manuscrito.

Comentário : Tinha que ver este documentário, decididamente, não podia deixá-lo passar. O nazismo e o racismo foram coisas terríveis e ainda existem pontas deles na actualidade, infelizmente. Não conhecia o escritor James Baldwin e tenho que agradecer ao realizador Raoul Peck por ter feito este filme, caso contrário nunca teria ouvido falar dele, nem da sua ligação com aqueles três lideres negros. O racismo é uma coisa que me incomoda bastante, pessoalmente eu penso que todos somos seres humanos, independentemente da cor, religião ou tendências e descriminar alguém só porque é diferente da maioria ou não, é algo que é condenável. É um filme ou documentário que se vê e segue muito bem, somos levados pela maravilhosa voz de Samuel L. Jackson, que se expressa muito bem nas suas palavras. Temos imensas imagens de arquivo de muita gente e até somos brindados com referências a alguns filmes que poderão ou não abordar o racismo em si, mas de certeza que envolvem os negros. É um documentário de uma grande riqueza informativa. Confesso ter ficado a saber pouca coisa daquilo que eu nada conhecia de Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr., mas eu sou um ignorante no que às questões políticas diz respeito, prefiro as questões pessoais e familiares. É um documentário fulcral para se entender melhor o racismo em si, que tenta explicar o porquê desse sentimento existir, embora eu ache que isso nunca é devidamente explicado ao longo da quase hora e meia de fita. Na minha opinião, os seres humanos são racistas, simplesmente porque não toleram o que é diferente deles, lidam mal com a diferença e isso não acontece somente com as raças, acontece com tudo o que envolve ser-se humano e toda a diversidade que isso abarca. Um último reparo, tornei-me simpatizante de James Baldwin. 

The Last Princess

Nome do Filme : “Deokhyeongju”
Titulo Inglês : “The Last Princess”
Titulo Português : “A Última Princessa”
Ano : 2016
Duração : 127 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Hur Jin Ho
Produção : An Seung Ho
Elenco : Son Ye-Jin, Park Hae Il, Ra Mi Ran, Jeong Sang Hun, Ahn Nae Sang, Kim Jae Wook, Park Joo Mi, Yun Je Mun, Kim So Hyun, Shin Rin Ah.

História : A história e a vida da princesa Deok-Hye, o último membro da família real da Coreia.

Comentário : Há uma coisa que me despertou a curiosidade na ficha deste filme na IMDB, não meteram no género que se trata também de um filme histórico, o que eu acho estranho até porque no filme contam bocados da história da Coreia e do Japão. Mas não vamos por aí. Eu gostei deste filme biográfico principalmente porque é sobre alguém que eu não conhecia e que funcionou para mim como uma experiência gratificante. É um filme muito triste, devido a tudo aquilo que sucede com a personagem principal, aliás, a actriz que a viveu teve uma prestação digna de prémios, ela convenceu como protagonista. Ao mesmo tempo que nos embala ao longo de duas horas de projecção, a história consegue também nos irritar e isto deve-se ao personagem do ministro, ele chega mesmo a causar-nos repulsa, ele é um bom vilão, palmas para o actor. Também gostei bastante do personagem do amigo da protagonista, aquele que a vai buscar ao hospital, depois de anos antes ter vivido aventuras perigosas com ela. A fotografia é impecável e recriação de época está simplesmente perfeita. Notam-se alguns erros de tempo, nomeadamente em relação à idade e caracterização de algumas personagens. Um ou outro secundário não está devidamente enquadrado no contexto. E o final é pouco emotivo, pedia-se que fosse mais dramático. Ainda assim, estamos perante um filme muito bom, trata-se de uma boa biografia, fiquei muito satisfeito de ter ficado a saber da história desta princesa, uma mulher que passou a vida a sofrer.

A Cowgirl's Story

Nome do Filme : “A Cowgirl's Story”
Titulo Inglês : “A Cowgirl's Story”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Timothy Armstrong
Produção : Bailee Madison
Elenco : Bailee Madison, Chloe Lukasiak, Jade Bender, Pat Boone, Aidan Alexander, Froy Gutierrez, Robert W. Arbogast, Jake Castillo, Alicia Coppola, Quartay Denaya, Dale Gibson, Monica Lawson, Maggie McClure, Aedin Mincks, Carly Peeters, Cindy Raphael, Elise Robertson, Derrick Strickland, Hank Grover, Suzy Vaughan, James C. Victor, Jordi Vilasuso, Amy Workman.

História : Dusty Rhodes é uma linda adolescente que mora com o pai e o avô, ambos militares, e tem a mãe a combater na guerra. Ela acaba de se mudar para uma nova escola, onde de início, as coisas não correm muito bem. Dusty possui ainda uma paixão muito grande por cavalos e pelos rodeos, pelo que está disposta a convencer e reunir um pequeno número de raparigas para formarem um grupo equestre, com a intenção de participarem em competições. As coisas complicam-se para ela quando o pai é chamado a cumprir uma missão em combate.

Comentário : É a segunda vez que o realizador Timothy Armstrong dirige a actriz Bailee Madison num filme que fala de rodeos, cavalos e da vida do campo. E Bailee está como peixe na água, além de ser uma das melhores actrizes da sua geração, é também muito bonita e conhecedora do mundo equestre. A história deste filme até é interessante, mas aquilo onde peca é na preocupação do realizador em que tudo acabe bem para todos os personagens. O principal problema deste filme é mesmo esse, apesar dos altos e baixos que sucedem ao longo dos cem minutos, as coisas acabam bem demais para todos os envolvidos e essa sensação estragou todos os esforços do cineasta e do elenco. Apesar disso, eu gostei desta fita, é um bom filme, resultado de uma eficaz fusão de drama com aventura. Quase todas as personagens jovens são interessantes, já o mesmo não se aplica aos adultos, são actores muito mal dirigidos aqui, parece que o realizador trabalha melhor com a juventude do que com os adultos. Por exemplo, a personagem de Chloe Lukasiak passa por uma mudança radical de temperamento ao longo do filme e convenceu nessa transformação, fruto do excelente desempenho da jovem actriz e do seu trabalho com Timothy Armstrong. Já o veterano Pat Boone surge aqui muito mal aproveitado, é um bom personagem, mas podia ter sido mais trabalhado, podia ter resultado melhor. Bailee Madison (primeira foto em baixo) interpreta aqui a protagonista e é ela também que produz o filme, e safa-se lindamente nas duas tarefas. Tal como disse, apesar de jovem, ela é uma excelente actriz e carrega o filme todo às costas, eu adorei a sua personagem, ela é a alma desta fita. O filme possui ainda algumas situações ridículas e uma banda sonora que aparece por vezes nos momentos menos indicados. Alguns personagens adultos nada acrescentam à história e penso que o argumento podia ter sido mais adulto, complexo e dramático. A componente religiosa era dispensável aqui, ela não ajuda em nada a narrativa. Um último reparo, as cenas de choro de Bailee são intensas, o que prova mais uma vez o enorme talento desta jovem actriz. Gostei, mas estou habituado a outro tipo de filmes, mais reais, complexos e adultos. 


Colossal

Nome do Filme : “Colossal”
Titulo Inglês : “Colossal”
Titulo Português : “Colossal”
Ano : 2016
Duração : 109 minutos
Género : Ação/Comédia/Ficção
Realização : Nacho Vigalondo
Produção : Russell Levine/Zev Foreman/Nahikari Ipina/Dominic Rustam
Elenco : Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Dan Stevens, Austin Stowell, Tim Blake Nelson, Hannah Cheramy, Nathan Ellison.

História : Gloria está a atravessar um momento verdadeiramente dramático da sua vida : além de ter perdido o emprego e o namorado, parece ficar mais dependente do álcool a cada dia que passa. Incapaz de se sustentar sozinha em Nova Iorque, regressa à pequena cidade que a viu nascer. Um dia, apercebe-se de algo inacreditável : durante as saídas nocturnas, em que bebe até quase perder os sentidos, os seus gestos e acções são replicados por um monstro colossal que caminha pelas ruas de Seul, na Coreia do Sul. O monstro, que ninguém sabe de onde terá surgido, tem deixado um rasto de destruição atrás de si e lançado o pânico nas populações. Gloria fica sem saber o que fazer, embora tenha consciência que algo terá que fazer.

Comentário : Fiquei surpreendido pela positiva com este curioso filme, tem uma história interessante e é uma fita difícil de catalogar, o realizador fez bem em não seguir as regras habituais do género. Portador de alguma comédia, é um filme que mistura habilmente acção com ficção ou fantasia, como poucos o sabem fazer. Aparentemente ridícula, a premissa atinge a respectiva explicação e justificação para aqueles factos perto do final. Creio que é uma história original e diferente, pessoalmente nunca me lembraria de algo assim. Anne Hathaway vai muito bem, ela consegue aqui uma das melhores interpretações da sua carreira. Jason Sudeikis consegue irritar no papel do amigo nojento e Dan Stevens convence no seu papel, um pouco deslocado dos acontecimentos. Os efeitos especiais nem sempre resultam e algumas cenas fazem lembrar outros filmes de monstros. Volto a dizer, certas coisas aqui são mesmo estúpidas, mas acabam por funcionar devido ao contexto onde estão inseridas. A realização é bastante consistente, é possivelmente o melhor filme de Nacho Vigalondo. O filme nunca é assustador, aliás, as coisas são um pouquinho levadas para o lado da comédia, o que eu julgo que não resultou tão bem, pelo menos nas partes em que o monstro está em cena. Podiam ter mostrado mais do monstro, mas o pouco que dele deram a conhecer, fizeram com que eu simpatizasse com a criatura. O filme tem poucas personagens, por exemplo, eu senti falta de mais uma personagem feminina. Sabemos que não é um filme para ser levado a sério, mas deixem-se levar pela narrativa e terão duas horas bem passadas. Uma agradável surpresa.