quarta-feira, 14 de junho de 2017

Buster's Mal Heart

Nome do Filme : “Buster's Mal Heart”
Titulo Inglês : “Buster's Mal Heart”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Sarah Adina Smith
Produção : Travis Stevens/Jonako Donley
Elenco : Rami Malek, Kate Lyn Sheil, Sukha Belle Potter, DJ Qualls, Lin Shaye, Toby Huss, Mark Kelly, Bruce Bundy, Teresa Yenque, Jared Larson, Sandra Ellis Lafferty, Nicholas Pryor, Lily Gladstone, Gabriel Clark, Chris Torma.

História : Jonah é um funcionário de um hotel que faz todos os esforços para proporcionar à mulher e à filha de ambos uma vida melhor. No entanto, ele começa a ficar cada vez mais perturbado com a rotina, e uma desgraça estraga-lhe a vida.

Comentário : Este filme colocou-me a pensar muito sobre aquilo que somos e naquilo em que nos tornamos, devido à vida que temos actualmente. Por vezes, estamos tão penetrados na nossa vida laboral que nos esquecemos do mais importante, a nossa família e os nossos filhos. Esquecemos de viver as nossas vidas pessoais. Estamos também dentro de todo um sistema que nos rouba tempo, um sistema que nos vai consumindo aos poucos e que nos tira aquilo que mais importante temos na nossa vida. Acontece assim com a maioria das pessoas. Jonah ou Buster faz parte desse grande grupo. Não é um filme fácil, eu próprio não entendi algumas coisas, enquanto que outras não fazem muito sentido. Se existem filmes onde uma explicação fazia jeito, este é um deles. A narrativa decorre em três tempos : temos a parte da história do protagonista com a família antes da tragédia; temos a parte em que o personagem principal anda a monte, depois da tragédia e temos por último a parte do tempo actual em que ele está a ser perseguido pelas autoridades. Rami Malek possui a melhor prestação da fita enquanto que o restante elenco de secundários se limita a cumprir aquilo que foi pedido. Existe pelo menos uma sequência que se prolonga mais que o necessário. O filme tem bonitas imagens. A banda sonora por vezes irrita. A principal mensagem que se tira disto é que a maioria dos seres humanos não são livres. Não percebi o final do filme, embora perceba que está em conformidade com a história contada. 

The Belko Experiment

Nome do Filme : “The Belko Experiment”
Titulo Inglês : “The Belko Experiment”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Terror/Crime
Realização : Greg McLean
Produção : James Gunn
Elenco : John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Melonie Diaz, Adria Arjona, John C. McGinley, Michael Rooker, Sean Gunn, Owain Yeoman, Brent Sexton, Josh Brener, David Dastmalchian, Rusty Schwimmer, Gail Bean, James Earl, Abraham Benrubi, Valentine Miele, Stephen Blackehart, Maruia Shelton.

História : Nas instalações laborais da empresa Belko, num dia de trabalho igual a tantos outros, oitenta dos seus funcionários são encerrados dentro do edifício e sujeitos a uma espécie de jogo da morte, onde serão levados ao limite e obrigados a matar para não serem mortos.

Comentário : Este filme levanta questões curiosas, por exemplo, as coisas que o ser humano é capaz de fazer quando é levado ao limite. Confesso que esperava o pior em relação a este filme, é muito bom quando não vamos com expectativas nenhumas para um filme e acabamos por nos surpreender, foi o que me aconteceu aqui. O filme é tenso em muitas cenas, o argumento está aceitável, embora com algumas falhas e temos aqui uma história que se segue muito bem. Existe uma sequência em particular que está relacionada com escolhas que é muito enervante, para não dizer chocante. O realizador trabalha uma das suas personagens femininas muito bem, ele dá-lhe um desenvolvimento muito interessante, mas infelizmente não lhe sabe dar um final digno dessas promessas. O filme tem muito sangue e é violento. O mais curioso neste filme é o facto de ser um processo engraçado acompanharmos estes personagens todos, ver para onde eles vão e como evoluem, mediante o rumo dos acontecimentos. John Gallagher Jr. e Melonie Diaz são os que conseguem arrancar as melhores prestações, embora Tony Goldwyn seja muito bom enquanto vilão principal. Temos aqui ideias que funcionam muito bem, outras nem tanto. Por último, não gostei muito do final do filme, me pareceu tudo muito trapalhão, como se estivessem a despachar o assunto. Mas no geral, estamos perante um filme bastante interessante e que funciona bem na maior parte do tempo. 


A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto

Nome do Filme : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Titulo Inglês : “The Capital Of The Dead 2 : Dead World”
Titulo Português : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Ano : 2015
Duração : 72 minutos
Género : Terror
Realização : Tiago Belotti
Produção : Tiago Esmeraldo
Elenco : Lorena Aloli, Gustavo Serrate, Jazz Vasconcellos, Rany Fontelene, Morgana Santos Gama, Marília Mangueira, Ana Flavia Garcia, Renata Helena.

História : Cinco anos após ter se confrontado com os zombies, Lucas une forças com a traumatizada Denise. Juntos, eles tentam manter a sanidade, e sobreviver num mundo onde há coisas muito mais perigosas que zombies.

Comentário : Confesso que tinha mesmo que vir a este espaço comentar este filme, porque trata-se de uma obra dirigida por um crítico de cinema que eu admiro imenso, Tiago Belotti. Sempre que posso, eu assisto aos seus vídeos comentando os filmes que ele vai vendo. O primeiro filme desta história também foi realizado por ele, mas eu confesso que não gostei muito dele, talvez pelo facto de ser amador de mais, apesar da intenção ter sido boa, o primeiro filme não me convenceu. O mesmo não posso dizer deste segundo filme, ele também foi feito com um orçamento muito baixo, mas resultou melhor para mim, possivelmente porque a história me interessou mais. Foi como eu disse, este segundo filme resulta melhor porque tem um argumento mais bem elaborado e porque as personagens femininas são muito interessantes. Gustavo Serrate voltou a não convencer no papel de Lucas, apesar de estar melhor aqui, eu não comprei o drama do seu personagem.

Lorena Aloli, por seu lado, que viveu a Denise, teve a personagem mais rica do filme, durante o longa eu fiquei sempre a desejar que tudo desse certo com ela. Além disso, a miúda possui a melhor prestação da fita. O filme apresenta problemas claro, principalmente a nível técnico, por exemplo, ele é escuro demais. Gostei mais da banda sonora deste segundo filme do que no primeiro. Penso igualmente que aqui sente-se mais o clima de terror, eu vibrei com esta história, eu me senti parte da jornada da Denise e isso é muito bom. Repito, para um filme quase sem verbas, com poucos recursos e que teve muitas ajudas, ele está muito bom, eu gostei bastante. Para além dos problemas técnicos, aquilo que eu menos gostei foi do destino destas meninas, é que nós investimos tanto nestas personagens e nos interessamos tanto por elas, para depois vermos os seus finais que são muito injustos, isso me desiludiu imenso. Mas pronto, valeu o esforço. Um último reparo, eu adorei os zombies deste filme, é precisamente assim que eles deviam ser em todos os filmes do género. 

domingo, 11 de junho de 2017

The Odyssey

Nome do Filme : “L'odyssee”
Titulo Inglês : “The Odyssey”
Titulo Português : “A Odisseia”
Ano : 2016
Duração : 122 minutos
Género : Aventura/Biográfico/Drama
Realização : Jerome Salle
Produção : Philippe Godeau/Olivier Delbosc/Nathalie Gastaldo/Marc Missonnier
Elenco : Lambert Wilson, Audrey Tautou, Pierre Niney, Laurent Lucas, Benjamin Lavernhe, Chloe Hirschman, Adam Neill, Olivier Galfione, Chloe Williams, Ulysse Stein, Rafael De Ferran, Talie Mergui.

História : Em 1948, Jacques Cousteau, a sua mulher e dois filhos vivem num paraíso, uma magnífica casa com vista para o Mediterrâneo. Apesar disso, Cousteau só consegue pensar em aventuras. Graças à sua invenção, um tanque de oxigénio independente que permite aos mergulhadores respirar debaixo de água, Cousteau foi à descoberta de um novo mundo subaquático. Agora, tudo o que ele quer fazer é explorar esse mesmo mundo e, para tal, está disposto a sacrificar tudo o que até agora alcançou.

Comentário : Possivelmente a melhor estreia cinematográfica desta semana, este filme conquistou-me. Trata-se de uma espécie de biografia de Jacques Cousteau, que eu confesso que até certo momento dá uma má imagem do homem, mas depois ele se redime e passa a ser visto com outros olhos. O filme possui bonitas imagens e cenas cativantes, está muito bem filmado e consegue nos prender ao ecrã. Eu fiquei bastante interessado nesta história, em conhecer este senhor e as coisas que ele fez e em que acreditava. Claramente que aquilo que mais me revoltou nele foi o facto de ter abandonado os seus dois filhos num orfanato, enquanto ele e a mãe dos miúdos foram explorar os oceanos. Isso foi muito cruel, mas também eu não sei se tudo o que mostram neste filme sobre Cousteau é mesmo verdadeiro. Esta é a história de um homem que cometeu muitos erros ao longo da vida, mas nos últimos anos de vida decidiu alterar as coisas e passou a fazer aquilo que achava ser o mais correcto. No papel principal, o actor Lambert Wilson possui a melhor prestação do filme, é um personagem difícil e apesar da caracterização nem sempre o favorecer, eu entendi o seu Jacques Cousteau. No papel de um dos seus filhos, Pierre Niney é quem possui o arco mais interessante da fita, eu o entendi perfeitamente, ele foi abandonado pelos pais num orfanato onde sofreu bullying na infância e mesmo assim transformou-se num ser humano maravilhoso, lamentei imenso o seu destino. Por último, Audrey Tautou está bem no seu papel, é daquelas personagens que demora a entendermos, mas depois de captar a sua essência, nos tornamos zeladores da sua pessoa. No entanto, também ela é alguém que cometeu erros ao longo da sua vida, nunca nos podemos esquecer disso. O filme abarca ainda importantes mensagens ecológicas que chegam tarde e a más horas, porque a narrativa demora a expressá-las. Sendo a mais marcante : O ser humano está a destruir o planeta. Ainda assim, estamos perante um bom filme.

Paranormal Activity : The Marked Ones

Nome do Filme : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Inglês : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Português : “Atividade Paranormal – Os Escolhidos”
Ano : 2014
Duração : 80 minutos
Género : Terror
Realização : Christopher Landon
Produção : Oren Peli/Jason Blum
Elenco : Andrew Jacobs, Jorge Diaz, Gabrielle Walsh, Molly Ephraim, Renee Victor, Noemi Gonzalez, Gloria Sandoval, David Saucedo, Richard Cabral, Carlos Pratts, Juan Vasquez, Brent Gutierrez, Alonso Alvarez, Catherine Toribio, Frank Salinas, Gigi Feshold, Silvia Curiel, Micah Sloat, Katie Featherston.

História : Jesse e Hector são grandes amigos, que acabaram de se formar no ensino médio. Fascinados em filmar com uma camara portátil tudo o que acontece à sua volta, eles ficam intrigados ao ouvir sons estranhos vindos do apartamento de baixo da casa de Jesse. Lá vive Anna, uma senhora que tem fama de ser uma bruxa. Não demora muito para que os amigos passem a atormentá-la, o que faz com que Jesse seja ameaçado por ela. A súbita morte de Anna faz com que aumente ainda mais a curiosidade dos amigos, que decidem invadir a casa dela, mesmo estando lacrada pela polícia. É quando percebem que Anna pertencia a uma seita que tinha Jesse entre os seus alvos.

Comentário : Trata-se do filme mais fraco da saga, que realidade funciona como uma espécie de prequela do primeiro filme. É um filme cheio de mistério e tensão, mas que falha quando se trata de apresentar respostas, de facto, aqui quase nada é explicado. Durante setenta e cinco minutos seguimos dois amigos que se envolvem em vários problemas porque um deles está implicado numa seita, sem o saber. Em tirando o final, o filme tem pouca ligação com a saga, e não há o esforço para tentar ligar-se à história de Katie. Esta prequela não capta a essência dos outros cinco filmes. Algumas situações são toscas para não dizer ridículas e outras não parecem ter muita lógica, por exemplo, não se percebe porque motivo os jovens não largam a camara mesmo em momentos aflitivos. Mesmo a suposta ligação à saga perto do final não faz muito sentido. O filme possui alguns sustos, a maioria não assusta, embora haja um que se destaca pela positiva. A nível das interpretações, a sensação que me deu foi que eram todos actores amadores, o protagonista por exemplo, não me convenceu. Já o jovem que fez de seu melhor amigo consegue estar um pouco mais à vontade. A jovem que fez de Marisol, mesmo assim, foi a que esteve melhor. O filme falha não só pela ausência de explicações para os acontecimentos e para a história já conhecida de outros filmes, mas também por erros vários e situações ridículas, já para não falar do elenco, grande parte deles, fracos. Felizmente, temos uma aparição da boazona da Katie Featherston no final do filme. Dos seis filmes da saga, este é o mais fraco. 

The Champ

Nome do Filme : “The Champ”
Titulo Inglês : “The Champ”
Titulo Português : “O Campeão”
Ano : 1979
Duração : 121 minutos
Género : Drama
Realização : Franco Zeffirelli
Produção : Dyson Lovell
Elenco : Jon Voight, Faye Dunaway, Ricky Schroder, Jack Warden, Arthur Hill, Strother Martin, Joan Blondell, Mary Jo Catlett, Elisha Cook, Stefan Gierasch, Allan Miller.

História : Billy Flynn é um antigo lutador de boxe que vive sozinho com o filho menor, depois de ter sido abandonado pela esposa. Um dia, a mãe do menino regressa com a expectativa de conhecer melhor o filho e de tentar recuperar o tempo perdido. Assim, Billy vê a sua vida envolta em problemas e decide voltar a combater nos ringues, para provar ao filho que é dele que ele mais precisa.

Comentário : Hoje apareço com um clássico dos anos 70, apesar de não simpatizar muito com o boxe em si, eu gosto de filmes sobre este desporto e tinha que conferir esse filme. Primeiro que tudo trata-se de um filme dramático, ou não fosse ele conhecido principalmente pelas cenas finais de choro do miúdo. Jon Voight (pai de Angelina Jolie) está muito bem neste filme, ele desempenha o pugilista do título e foi um personagem que cativou o público, nomeadamente porque também era um pai que adorava o seu filho e fazia muito por ele, ele andava a criar o menino sozinho. Apesar de ter os vícios do jogo e da bebida, ele dava bem conta do recado. É um personagem com um arco forte, o actor faz com que quem o vê compre direito a sua jornada e o seu esforço para não estragar tudo feito até então. Faye Dunaway está um pouco apagada neste filme, ainda assim, consegue fazer da sua personagem, alguém interessante. Mas quem está melhor é o pequeno Ricky Schroder, nossa, esse pequeno actor devia ter ganho um bom prémio por esta sua interpretação. A química entre o menino e Voight funciona muito bem, eles convencem bastante enquanto pai e filho que se adoram. Nós ficamos a apostar que a relação deles dê certo. As cenas de combate de boxe são tensas, eu fiquei cansado com aqueles rounds, Voight entregou-se totalmente ao papel. Não foi só conversa de balcão, as cenas finais de choro de T. J. pelo seu campeão são mesmo dramáticas e causam impacto no espectador, eu só não chorei também porque não estava nos meus dias. Destaque também para a cena da queda da égua na corrida e para a cena da discussão entre pai e filho na prisão. O menino tem ainda uma cena bem dramática com Dunaway num dos quartos do barco. Se o protagonista não tivesse o destino que teve, podiam actualmente fazer um segundo filme, porque o trio ainda é vivo. Eu tornei-me num grande admirador deste filme, muito bom.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Life

Nome do Filme : “Life”
Titulo Inglês : “Life”
Titulo Português : “Vida Inteligente”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller
Realização : Daniel Espinosa
Produção : Bonnie Curtis/Dana Goldberg/Julie Lynn/David Ellison
Elenco : Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare.

História : A tripulação da Estação Espacial Internacional recolhe uma sonda vinda do planeta Marte com uma amostra de extraordinária importância : a primeira prova da existência de vida extraterrestre. De modo a não colocarem em causa o eco-sistema terrestre, antes do regresso a casa os seis tripulantes têm de estudar a fundo tudo o que se refira àquela forma de vida. Ao mesmo tempo que se dão conta que ela possui inteligência e consciência, compreendem também que as suas intenções são tudo menos amigáveis. Com a sua própria vida ameaçada, e presos na nave que se dirige para a Terra, os astronautas têm que encontrar um meio de destruir a criatura antes que ela entre em contacto com a atmosfera terrestre, chegue ao planeta e aniquile todas as formas de vida da Terra.

Comentário : Confesso que estava para não ver este filme, devido ao facto do elenco não me chamar a atenção, porque a sinopse cheirava-me a algo repetitivo e também porque as classificações não são grande coisa. Mas tenho que confessar que não só gostei do filme, como também o acho bem melhor do que o recente capítulo da saga do alien iniciada por Ridley Scott. Este filme é um bom exemplar do género ficção-científica, funciona bem como tal, embora falhe na tentativa de ser uma obra de terror. Apesar de ter cenas com sangue e mortes, eu nunca o consideraria um filme de terror. No entanto, o filme é detentor de um forte clima de tensão e de alguma claustrofobia, apesar da história se passar no maior sitio do mundo, o espaço. O filme mistura habilmente diferentes elementos do género e apresenta-nos uma criatura misteriosa, perigosa e bastante irritante. Onde o filme falha é no facto de ter clichés próprios do género e de certas ações de algumas personagens serem previsíveis, além disso o argumento apresenta pequenas falhas. A nível do elenco, Jake Gyllenhaal e Rebecca Ferguson estão bem, embora nunca deslumbrem, possuem personagens cativantes e nós ficamos a desejar que eles se safem. Ryan Reynolds está igual a si mesmo enquanto que Hiroyuki Sanada é o mais interessante e é aquele que está melhor, eu gostei do seu personagem. Já Olga Dihovichnaya e Ariyon Bakare aguentam-se minimamente. Juntos, os seis encaixam bem como uma equipa e as químicas funcionam muito bem, eles fazem-nos temer pelos seus destinos e isso é muito bom. Por último, temos um twist revoltante que nos faculta um final que de certeza que irá gerar conversa. No fundo, é um filme mediano em que no final nunca ficaremos chateados por termos investido nele quase duas horas.

Cartas a Uma Ditadura

Nome do Filme : “Cartas a Uma Ditadura”
Titulo Inglês : “Letters To A Dictatorship”
Titulo Português : “Cartas a Uma Ditadura”
Ano : 2008
Duração : 60 minutos
Género : Documentário/Histórico
Realização : Inês de Medeiros
Elenco : vários

História : Uma centena de cartas, todas escritas por mulheres portuguesas no ano de 1958, foram encontradas por acaso por um alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor. Este é o ponto de partida para uma investigação histórica sobre o universo das mulheres durante a ditadura.

Comentário : Fiquei bastante surpreendido com este filme porque eu pensava que durante o tempo em que Salazar esteve no poder as pessoas não gostavam dele devido à maneira como se vivia, mas em vez disso, a maior parte das mulheres tinha uma grande admiração e mesmo devoção pelo ditador. A realizadora entrevista algumas mulheres que viveram naquela época e arranca-lhes o testemunho pessoal daquilo que elas achavam daquele período. Temos direito a imagens de Salazar e do povo daquela época, assistimos a coisas daquele tempo e isso foi muito gratificante. Gostei de ouvir algumas coisas, outras nem tanto. Gostava de saber o que sente alguém mau que tem a consciência que pratica o mal sobre os outros e vê a admiração que essas vítimas mesmo assim nutrem por ele. Deve ser chocante. Assim como devia ser chocante aquilo que as vitimas de Mengele sentiam antes de serem parte integrante das suas experiências médicas na época no nazismo. Tudo isto a propósito do medo e do horror que certas pessoas infligem a outras e aquilo que estas sentem pelos seus carrascos. Fiquei também chocado com aquilo que uma idosa disse : “Primeiro vem Deus, depois vem a pátria e depois é que vem a família”, puxa, é revoltante, mas enfim. No entanto, existem umas poucas coisas em que elas tinham razão. Mas eu não quero opinar sobre a maneira como as pessoas eram naquela altura, simplesmente porque não a vivi. Este documentário é bom, está bem realizado e é útil para aqueles que pouco ou nada sabem da forma como se vivia naquela altura. As cartas do título eram escritas por mulheres que faziam parte de um movimento cujo objectivo era proteger e adorar Salazar, elas gostavam daquele homem. O documentário aborda também questões como a política, o casamento, a ditadura, o trabalho, a caridade, a fome, as crianças, embora basicamente seja sobre Salazar e como era ser-se mulher naquela época.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Berlin Syndrome

Nome do Filme : “Berlin Syndrome”
Titulo Inglês : “Berlin Syndrome”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Cate Shortland
Produção : Polly Staniford
Elenco : Teresa Palmer, Max Riemelt, Emma Bading, Matthias Habich, Lucie Aron, Lara Marie Muller, Elmira Bahrami.

História : Vinda da Austrália, a jovem Clare acaba de chegar a Berlin. Um dia, ela conhece Andi e, ao tornar-se sua companheira, comete o pior erro da sua vida.

Comentário : A realizadora Cate Shortland já me havia convencido que fazia bons filmes em obras como “Somersault” e “Lore”. Estava com muitas expectativas para este seu novo filme que, embora não esteja ao nível dos dois anteriores, é um bom filme. O argumento é complexo, a história segue-se muito bem. É um filme tenso e claustrofóbico, onde temos uma protagonista em apuros. No papel principal, Teresa Palmer manda muito bem, ela tem uma prestação bastante consistente e sempre consciente que a sua personagem exige muito dela. Por seu turno, Max Riemelt convence também no papel do criminoso nojento de serviço, porém, a sua química com Palmer não funciona tão bem, embora ele dê um vilão credível. Podemos também contar com uma Emma Bading bastante útil e competente. O filme não nos faculta muitas respostas, por exemplo, não se sabe o que sucedeu à antiga companheira e muito menos qual foi o destino da cadela. A cineasta podia ter exposto menos a sua actriz principal, certos planos eram desnecessários. Não entendo porque motivo a beleza da mulher é sempre exposta no cinema, é quase uma má regra. Nota positiva também para a fotografia e para o clima de tensão e claustrofobia quase sempre presentes, algumas cenas são aflitivas. O filme podia muito bem ser baseado em acontecimentos reais, as situações aqui retratadas podiam facilmente acontecer na vida real, o que não faltam por aí são homens doentes e dispostos a praticar o mal. O filme peca por ter alguns erros na lógica dos acontecimentos e uma ou outra situação que não faz muito sentido. No geral, é um bom filme. 

domingo, 28 de maio de 2017

Raw

Nome do Filme : “Grave”
Titulo Inglês : “Raw”
Titulo Português : “Raw”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Julia Ducournau
Produção : Jean Des Forets
Elenco : Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufella, Laurent Lucas, Joana Preiss, Bouli Lanners, Marion Vernoux, Thomas Mustin, Jean Louis Sbille.

História : Justine é uma jovem tímida, sensível e vegetariana, caloira na mesma faculdade de veterinária em que estuda a sua irmã, Alexia. Durante as praxes, a menina é forçada a comer carne animal e esse acto provoca mudanças extremas na sua vida.

Comentário : Em primeiro lugar, não se deixem enganar, este não é um filme de terror, conforme o querem vender, trata-se de um drama humano sobre o canibalismo, fala da transformação de uma jovem. Existe uma longa sequência na versão extensa do filme “Ninfomaníaca” do polémico Lars Von Trier que é mesmo susceptível de ferir a sensibilidade de quem a vê, a mim incomodou-me bastante e fiquei chocado. Isto para dizer que este filme não tem nada de verdadeiramente chocante, não é nada que já não tenha sido visto em filmes de terror, temos portanto apenas uma cena um pouco gore e é só. Assim, não entendo os comentários de pessoas que dizem que desmaiaram na sala de cinema e outras que se foram embora, a nível do gore, os filmes das sagas “Saw” e “Hostel” são bem piores e a esse nível, este “Raw” não lhes chega aos calcanhares. E digo mais, o único terror que vi neste filme foi o terror provocado pelas praxes académicas, essas sim, deviam acabar, é nojento haver jovens que acham que têm poder sobre os novatos e os obrigam a actos humilhantes e os forçam a participarem das suas anormalidades. Forçar ou obrigar alguém a algo contra a sua vontade ou sobre chantagem é crime. Nem imaginam o quanto esses académicos me enojam. 

Claramente que não entendo o alarido que este filme causou, repito, não há mesmo nada aqui que já não tenha sido visto em filmes de terror. “Raw” é um filme bem realizado por uma mulher que entende as adolescentes e sabe filmar aquilo que representa ser-se rapariga. Os actos da protagonista são questionáveis e apenas explicados num fabuloso twist no final do filme, eu não esperava aquilo. Existe uma parte em que Justine é humilhada pela irmã numa morgue, cena que revolta. Há algumas atitudes de certos personagens que não fazem muito sentido, por exemplo, porque motivo o único amigo da protagonista que é gay, insiste em dormir com raparigas e ter relações sexuais com elas. Garance Marillier (linda) é a estrela e a grande revelação deste filme, a miúda possui aqui uma boa prestação, ela convence no papel de alguém sem orientação. Infelizmente, Ella Rumpf, que desempenha a sua irmã, não a acompanha ao nível da qualidade interpretativa dela, fazendo com que a química entre elas simplesmente não funcione. Existe uma sequência em particular que envolve a nossa menina e um espelho que eu achei divinal, são as minhas cenas preferidas do filme. Existe uma cena de sexo exagerada que é desnecessária, ela não adianta nada ao filme. Volto a dizer, o twist final é brutal e explica quase tudo sobre o comportamento das irmãs, só não explica porque motivo a mais velha é tão má para a mais nova. É um filme razoável.

E Agora ? Lembra-me

Nome do Filme : “E Agora ? Lembra-me”
Titulo Inglês : “What Now ? Remind Me”
Titulo Português : “E Agora ? Lembra-me”
Ano : 2013
Duração : 165 minutos
Género : Biográfico/Documentário
Realização : Joaquim Pinto
Produção : Joana Ferreira
Elenco : Joaquim Pinto, Nuno Leonel.

História : Há quase duas décadas que Joaquim Pinto convive com o HIV e com o vírus da hepatite C. O cineasta teve de se afastar da carreira no cinema devido à progressão da doença. Após anos de luta, decide regressar com esta obra. Através de um documentário confessional, que segue o seu “caderno de apontamentos” sobre um ano de ensaios com medicamentos experimentais iniciados em 2011, ele faz uma reflexão sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor.

Comentário : É um filme que promove a reflexão, é um documentário muito humano sobre dois homens que se limitam a viver uma vida em comum, eles são homossexuais e são casados. Um deles é doente e o outro o ajuda a superar as dificuldades. Têm quatro cães e muita força de vida. São assim Joaquim Pinto e Nuno Leonel. Confesso que não conhecia Joaquim Pinto, nem como pessoa e muito menos enquanto realizador. Gostei de o ter ficado a conhecer, graças a este maravilhoso filme. Os dois habitam num mundo muito próprio, dando também muita importância à natureza. Naquilo em que o filme é bom é basicamente mostrar-nos o quotidiano de Joaquim Pinto, fala-nos das suas doenças e do seu trabalho, sendo também uma importante reflexão sobre a vida e uma homenagem à mesma. Naquilo que o filme é mau, é no facto de ser longo demais, dava perfeitamente para tirarmos algumas cenas, condensando tudo em 120 minutos. Existe portanto muita palha aqui. O filme falha também porque não explora os problemas de saúde do realizador como deveria, aborda pouco essa temática, quando sabemos que seria um documentário ainda melhor caso se concentrasse mais nisso. Podemos contar também com referências a filmes, a músicas e a programas de televisão. O filme tem igualmente uma componente espiritual bastante acentuada. A coisa que menos gostei aqui foi quando levavam as coisas para a componente sexual. Por outro lado, aquilo que mais gostei neste documentário foi do realizador nos ter dado a conhecer a sua vida. Estamos perante um bom documentário que pode funcionar também como uma lição de vida. 

I Am Not Your Negro

Nome do Filme : “I Am Not Your Negro”
Titulo Inglês : “I Am Not Your Negro”
Titulo Português : “Eu Não Sou O Teu Negro”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Documentário
Realização : Raoul Peck
Produção : Raoul Peck
Elenco : Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte, Shumerria Harris.

História : Em 1979, James Baldwin escreveu ao seu editor dizendo que o seu próximo projecto, “Remember This House”, seria um livro revolucionário sobre as vidas e os assassinatos de três dos seus amigos mais próximos : Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr. Quando morreu em 1987, deixou apenas trinta páginas do manuscrito.

Comentário : Tinha que ver este documentário, decididamente, não podia deixá-lo passar. O nazismo e o racismo foram coisas terríveis e ainda existem pontas deles na actualidade, infelizmente. Não conhecia o escritor James Baldwin e tenho que agradecer ao realizador Raoul Peck por ter feito este filme, caso contrário nunca teria ouvido falar dele, nem da sua ligação com aqueles três lideres negros. O racismo é uma coisa que me incomoda bastante, pessoalmente eu penso que todos somos seres humanos, independentemente da cor, religião ou tendências e descriminar alguém só porque é diferente da maioria ou não, é algo que é condenável. É um filme ou documentário que se vê e segue muito bem, somos levados pela maravilhosa voz de Samuel L. Jackson, que se expressa muito bem nas suas palavras. Temos imensas imagens de arquivo de muita gente e até somos brindados com referências a alguns filmes que poderão ou não abordar o racismo em si, mas de certeza que envolvem os negros. É um documentário de uma grande riqueza informativa. Confesso ter ficado a saber pouca coisa daquilo que eu nada conhecia de Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr., mas eu sou um ignorante no que às questões políticas diz respeito, prefiro as questões pessoais e familiares. É um documentário fulcral para se entender melhor o racismo em si, que tenta explicar o porquê desse sentimento existir, embora eu ache que isso nunca é devidamente explicado ao longo da quase hora e meia de fita. Na minha opinião, os seres humanos são racistas, simplesmente porque não toleram o que é diferente deles, lidam mal com a diferença e isso não acontece somente com as raças, acontece com tudo o que envolve ser-se humano e toda a diversidade que isso abarca. Um último reparo, tornei-me simpatizante de James Baldwin. 

The Last Princess

Nome do Filme : “Deokhyeongju”
Titulo Inglês : “The Last Princess”
Titulo Português : “A Última Princessa”
Ano : 2016
Duração : 127 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Hur Jin Ho
Produção : An Seung Ho
Elenco : Son Ye-Jin, Park Hae Il, Ra Mi Ran, Jeong Sang Hun, Ahn Nae Sang, Kim Jae Wook, Park Joo Mi, Yun Je Mun, Kim So Hyun, Shin Rin Ah.

História : A história e a vida da princesa Deok-Hye, o último membro da família real da Coreia.

Comentário : Há uma coisa que me despertou a curiosidade na ficha deste filme na IMDB, não meteram no género que se trata também de um filme histórico, o que eu acho estranho até porque no filme contam bocados da história da Coreia e do Japão. Mas não vamos por aí. Eu gostei deste filme biográfico principalmente porque é sobre alguém que eu não conhecia e que funcionou para mim como uma experiência gratificante. É um filme muito triste, devido a tudo aquilo que sucede com a personagem principal, aliás, a actriz que a viveu teve uma prestação digna de prémios, ela convenceu como protagonista. Ao mesmo tempo que nos embala ao longo de duas horas de projecção, a história consegue também nos irritar e isto deve-se ao personagem do ministro, ele chega mesmo a causar-nos repulsa, ele é um bom vilão, palmas para o actor. Também gostei bastante do personagem do amigo da protagonista, aquele que a vai buscar ao hospital, depois de anos antes ter vivido aventuras perigosas com ela. A fotografia é impecável e recriação de época está simplesmente perfeita. Notam-se alguns erros de tempo, nomeadamente em relação à idade e caracterização de algumas personagens. Um ou outro secundário não está devidamente enquadrado no contexto. E o final é pouco emotivo, pedia-se que fosse mais dramático. Ainda assim, estamos perante um filme muito bom, trata-se de uma boa biografia, fiquei muito satisfeito de ter ficado a saber da história desta princesa, uma mulher que passou a vida a sofrer.

A Cowgirl's Story

Nome do Filme : “A Cowgirl's Story”
Titulo Inglês : “A Cowgirl's Story”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Timothy Armstrong
Produção : Bailee Madison
Elenco : Bailee Madison, Chloe Lukasiak, Jade Bender, Pat Boone, Aidan Alexander, Froy Gutierrez, Robert W. Arbogast, Jake Castillo, Alicia Coppola, Quartay Denaya, Dale Gibson, Monica Lawson, Maggie McClure, Aedin Mincks, Carly Peeters, Cindy Raphael, Elise Robertson, Derrick Strickland, Hank Grover, Suzy Vaughan, James C. Victor, Jordi Vilasuso, Amy Workman.

História : Dusty Rhodes é uma linda adolescente que mora com o pai e o avô, ambos militares, e tem a mãe a combater na guerra. Ela acaba de se mudar para uma nova escola, onde de início, as coisas não correm muito bem. Dusty possui ainda uma paixão muito grande por cavalos e pelos rodeos, pelo que está disposta a convencer e reunir um pequeno número de raparigas para formarem um grupo equestre, com a intenção de participarem em competições. As coisas complicam-se para ela quando o pai é chamado a cumprir uma missão em combate.

Comentário : É a segunda vez que o realizador Timothy Armstrong dirige a actriz Bailee Madison num filme que fala de rodeos, cavalos e da vida do campo. E Bailee está como peixe na água, além de ser uma das melhores actrizes da sua geração, é também muito bonita e conhecedora do mundo equestre. A história deste filme até é interessante, mas aquilo onde peca é na preocupação do realizador em que tudo acabe bem para todos os personagens. O principal problema deste filme é mesmo esse, apesar dos altos e baixos que sucedem ao longo dos cem minutos, as coisas acabam bem demais para todos os envolvidos e essa sensação estragou todos os esforços do cineasta e do elenco. Apesar disso, eu gostei desta fita, é um bom filme, resultado de uma eficaz fusão de drama com aventura. Quase todas as personagens jovens são interessantes, já o mesmo não se aplica aos adultos, são actores muito mal dirigidos aqui, parece que o realizador trabalha melhor com a juventude do que com os adultos. Por exemplo, a personagem de Chloe Lukasiak passa por uma mudança radical de temperamento ao longo do filme e convenceu nessa transformação, fruto do excelente desempenho da jovem actriz e do seu trabalho com Timothy Armstrong. Já o veterano Pat Boone surge aqui muito mal aproveitado, é um bom personagem, mas podia ter sido mais trabalhado, podia ter resultado melhor. Bailee Madison (primeira foto em baixo) interpreta aqui a protagonista e é ela também que produz o filme, e safa-se lindamente nas duas tarefas. Tal como disse, apesar de jovem, ela é uma excelente actriz e carrega o filme todo às costas, eu adorei a sua personagem, ela é a alma desta fita. O filme possui ainda algumas situações ridículas e uma banda sonora que aparece por vezes nos momentos menos indicados. Alguns personagens adultos nada acrescentam à história e penso que o argumento podia ter sido mais adulto, complexo e dramático. A componente religiosa era dispensável aqui, ela não ajuda em nada a narrativa. Um último reparo, as cenas de choro de Bailee são intensas, o que prova mais uma vez o enorme talento desta jovem actriz. Gostei, mas estou habituado a outro tipo de filmes, mais reais, complexos e adultos. 


Colossal

Nome do Filme : “Colossal”
Titulo Inglês : “Colossal”
Titulo Português : “Colossal”
Ano : 2016
Duração : 109 minutos
Género : Ação/Comédia/Ficção
Realização : Nacho Vigalondo
Produção : Russell Levine/Zev Foreman/Nahikari Ipina/Dominic Rustam
Elenco : Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Dan Stevens, Austin Stowell, Tim Blake Nelson, Hannah Cheramy, Nathan Ellison.

História : Gloria está a atravessar um momento verdadeiramente dramático da sua vida : além de ter perdido o emprego e o namorado, parece ficar mais dependente do álcool a cada dia que passa. Incapaz de se sustentar sozinha em Nova Iorque, regressa à pequena cidade que a viu nascer. Um dia, apercebe-se de algo inacreditável : durante as saídas nocturnas, em que bebe até quase perder os sentidos, os seus gestos e acções são replicados por um monstro colossal que caminha pelas ruas de Seul, na Coreia do Sul. O monstro, que ninguém sabe de onde terá surgido, tem deixado um rasto de destruição atrás de si e lançado o pânico nas populações. Gloria fica sem saber o que fazer, embora tenha consciência que algo terá que fazer.

Comentário : Fiquei surpreendido pela positiva com este curioso filme, tem uma história interessante e é uma fita difícil de catalogar, o realizador fez bem em não seguir as regras habituais do género. Portador de alguma comédia, é um filme que mistura habilmente acção com ficção ou fantasia, como poucos o sabem fazer. Aparentemente ridícula, a premissa atinge a respectiva explicação e justificação para aqueles factos perto do final. Creio que é uma história original e diferente, pessoalmente nunca me lembraria de algo assim. Anne Hathaway vai muito bem, ela consegue aqui uma das melhores interpretações da sua carreira. Jason Sudeikis consegue irritar no papel do amigo nojento e Dan Stevens convence no seu papel, um pouco deslocado dos acontecimentos. Os efeitos especiais nem sempre resultam e algumas cenas fazem lembrar outros filmes de monstros. Volto a dizer, certas coisas aqui são mesmo estúpidas, mas acabam por funcionar devido ao contexto onde estão inseridas. A realização é bastante consistente, é possivelmente o melhor filme de Nacho Vigalondo. O filme nunca é assustador, aliás, as coisas são um pouquinho levadas para o lado da comédia, o que eu julgo que não resultou tão bem, pelo menos nas partes em que o monstro está em cena. Podiam ter mostrado mais do monstro, mas o pouco que dele deram a conhecer, fizeram com que eu simpatizasse com a criatura. O filme tem poucas personagens, por exemplo, eu senti falta de mais uma personagem feminina. Sabemos que não é um filme para ser levado a sério, mas deixem-se levar pela narrativa e terão duas horas bem passadas. Uma agradável surpresa. 

Serenity

Nome do Filme : “Serenity”
Titulo Inglês : “Serenity”
Titulo Português : “Serenity”
Ano : 2005
Duração : 120 minutos
Género : Ficção-Científica/Aventura
Realização : Joss Whedon
Produção : Barry Mendel
Elenco : Nathan Fillion, Summer Glau, Gina Torres, Morena Baccarin, Alan Tudyk, Chiwetel Ejiofor, Adam Baldwin, Jewel Staite, Sean Maher, Ron Glass, David Krumholtz, Michael Hitchcock, Sarah Paulson, Yan Feldman, Rafael Feldman, Nectar Rose, Hunter Ansley Wryn.

História : Num futuro próximo, o capitão Mal procura sobreviver à custa de pequenos crimes e do transporte de passageiros e carga na sua nave espacial. Mal dirige uma pequena tripulação, que para ele é a coisa mais semelhante a uma família, eles são desordeiros, insubordinados e eternamente leais. Quando Mal aceita transportar um jovem médico e a sua misteriosa irmã, a sua vida complica-se. Os dois são fugitivos da Aliança, a coligação que domina a galáxia, que fará tudo para reaver a rapariga.

Comentário : Gosto de filmes de ficção-científica e confesso que na altura fui ao cinema ver este, pelo que gostei bastante e resolvi agora vir comentá-lo. Para mim, um bom filme comercial ou “blockbuster” para resultar, tem que ter uma boa história e personagens cativantes e que sejam devidamente aprofundados. Neste filme de Joss Whedon eu encontrei essas vertentes. Trata-se de um bom filme de ficção-científica e com personagens fortes. O personagem de Nathan Fillion, por exemplo, é alguém por quem nós sentimos algo, o actor consegue aqui uma boa prestação e nos convence da situação em que se encontra inserido. Além disso, ele possui uma boa relação com os restantes membros do elenco principal e tem um estilo muito próprio. No papel do inimigo, Chiwetel Ejiofor consegue a proeza de ser temido quando confronta os personagens do bem e chega mesmo a irritar e isto aqui funciona como um elogio ao seu personagem, ele extrai do público a sensação que nós habitualmente nutrimos pelos vilões.

Mas quem me surpreendeu foi a jovem actriz Summer Glau, ela tem uma boa interpretação, a sua expressividade é brutal e ainda tem uma excelente prestação física. Além de ser muito bonita e sensual. Os actores que desempenham os restantes membros da tripulação da nave vão muito bem também, cada um sabe o seu lugar na equação e saíram bem na fotografia. O design da nave é maravilhoso, a nave em si parece real e vê-la a voar pelo espaço é admirável. Os efeitos especiais são muito bons e nunca parecem exagerados, existe uma sequência em que a nave atravessa um campo de lixo espacial com todo o cuidado que está brutal, eu adorei esta parte. A história é interessante e tem os seus momentos, eu senti-me totalmente envolvido naquilo que se estava a passar. Claro que existem cenas que possuem alguns exageros, mas nada que estrague o todo. No geral, é um filme que funciona porque tem bons alicerces que são fortes o suficiente para sustentar aquilo que se pretendia. Se querem boa ficção-científica, tentem este filme. Não ficarão desiludidos. 

Sucker Punch

Nome do Filme : “Sucker Punch”
Titulo Inglês : “Sucker Punch”
Titulo Português : “Mundo Surreal”
Ano : 2011
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Zack Snyder
Produção : Deborah Snyder/Zack Snyder
Elenco : Emily Browning, Abbie Cornish, Vanessa Hudgens, Jena Malone, Jamie Chung, Carla Gugino, Scott Glenn, Oscar Isaac, Jon Hamm.

História : Após a morte da mãe e depois de ter morto acidentalmente a irmã mais nova numa tentativa de a livrar do padrasto abusador, uma jovem rapariga é internada num manicómio, fazendo amizade com outras quatro miúdas. Ela descobre que dentro de cinco dias virá um médico para lhe fazer uma lobotomia. Para evitar esse irreversível procedimento e para tirar as quatro amigas daquele ambiente horrível, a miúda elabora um plano para as cinco saírem do hospital e serem livres.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este filme, que se tornou num dos meus filmes deste género preferidos. Começa por ser um drama e depressa evolui para um filme de fantasia muito bem elaborado e concebido, graças à história que é muito boa. No centro da trama temos uma jovem rapariga que arrasta outras quatro para os seus jogos de acção. Aquilo que as raparigas fazem é inventar realidades alternativas para conseguirem os seus objectivos. Quando saí da sala de cinema, disse para mim mesmo que tinha assistido a um grande filme e, passados alguns anos e depois de o rever, persiste a mesma sensação. Quando se gosta de algo e isso é autêntico, gosta-se sempre. Nesta fita, temos mulheres ao poder, ou seja, elas são as únicas protagonistas e cada uma do seu jeito, embelezam o filme. É um filme muito sensual. Desde as vestes das miúdas, passando pelas suas poses e terminando na sua beleza, elas funcionam na perfeição e a química entre as pequenas nota-se da forma mais evidente e credível.

No papel da protagonista, Emily Browning é Baby Doll, é ela quem é colocada a dançar, coisa que nós nunca vemos porque em vez da dança, temos uma missão das garotas. Emily Browning manda muito bem como protagonista, além de ter uma boa prestação, ela simplesmente nos encanta com o seu ar angelical e a sua sensualidade. Ela ainda resulta como líder. Abbie Cornish é Sweet Pea, a segunda personagem mais importante da fita, indecisa de início, não é somente uma coisa boa em acção, ela é mesmo boa, seja a interpretar em dramas ou em modo rápido. Jena Malone é a menina mais forte do grupo e a actriz tem mesmo carisma, lamentei o que lhe aconteceu. Vanessa Hudgens é a mais “frágil” da equipa mas ainda assim vai muito bem, enquanto que Jamie Chung é a mais “apagada” do colectivo, mas o compõe lindamente. Por último, temos uma Carla Gugino irreconhecível, é ela quem dirige e cuida das meninas e o faz de forma perfeita. Esqueçam os homens, eles aqui não valem nada. Os efeitos especiais são excelentes, satisfazem mais do que muita porcaria que se faz actualmente. Por exemplo, a primeira sequência de acção, na qual a nossa Baby Doll luta contra três guerreiros num templo, é simplesmente brutal, eu vibrei com aquilo. Perto do final, temos um twist que não se compreende, mas não estraga o todo. Se gostam de um filme diferente, vejam este e deixem-se levar porque a história é cativante. Recomendado. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lovesong

Nome do Filme : “Lovesong”
Titulo Inglês : “Lovesong”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : So Yong Kim
Produção : Bradley Rust Gray
Elenco : Riley Keough, Jena Malone, Sky Ok Gray, Jessie Ok Gray, Cary Fukunaga, Rosanna Arquette, Ryan Eggold, Marshall Chapman, Brooklyn Decker, Juliet Fitzpatrick, Neal Huff, Amy Seimetz, William Tyler, Justin Tarrents.

História : Sarah é uma jovem mãe que, devido a problemas com o marido, vai morar sozinha com a filha de ambos, Jessie. Um dia, Sarah recebe a visita de Mindy, a sua melhor amiga e as três fazem uma viagem com a intenção de passarem uns bons dias juntas. No entanto, passa-se qualquer coisa com Mindy e ela decide regressar a sua casa, deixando Sarah muito intrigada.

Comentário : Este filme independente é realizado pela cineasta So Yong Kim, que dirigiu os filmes “In Between Days”, “Treeless Mountain” e “For Ellen”, os três muito bons. E este “Lovesong” não lhes fica atrás, eu gostei bastante desta fita. Trata-se da história de uma grande amizade entre duas raparigas que nutrem um bonito sentimento uma pela outra, embora raramente o revelem. É uma história bonita e com alguns altos e baixos face à relação de amizade das duas. Confesso que já conhecia as duas actrizes principais de outros filmes. Assim, Riley Keough tem aqui a melhor interpretação do filme, a sua personagem é uma boa amiga e uma excelente mãe, Sarah concilia estas duas vertentes de forma perfeita. É uma actriz que convence no seu papel e consegue fazer com que a sua personagem passe para fora do ecrã, o drama que vive. Por seu lado, Jena Malone está muito bem neste registo, aqui no papel da melhor amiga da protagonista principal, ela convence também e dá-nos uma personagem dividida em relação aos seus sentimentos, às tantas não sabemos para onde ela vai cair. A química entre as duas actrizes é perfeita e resultou. As manas Sky Ok Gray e Jessie Ok Gray estão perfeitas, ambas dividem a personagem da filha da protagonista principal em idades diferentes da menina, as duas interpretaram muito bem a pequena, embora eu prefira o desempenho da primeira, a mais velha. O restante elenco está igualmente de parabéns, todos fizeram um bom trabalho. O filme possui ainda um ligeiro clima de romance, mas sobre isso nada irei revelar. Embora seja um filme pequeno, existem algumas cenas da despedida de solteira que são muito longas, elas se arrastam além do desejável. A banda sonora é boa, mas fica mal em uma sequência. Adorei esta história que é simples, mas parece real. A película possui ainda uma componente de “road-movie” que só enriqueceu a narrativa e o filme em si. Recomendo.

Before I Fall

Nome do Filme : “Before I Fall”
Titulo Inglês : “Before I Fall”
Titulo Português : “Antes de Vos Deixar”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ry Russo Young
Produção : Matthew Kaplan/Brian Robbins/Jon Shestack
Elenco : Zoey Deutch, Halston Sage, Cynthy Wu, Medalion Rahimi, Erica Tremblay, Elena Kampouris, Logan Miller, Kian Lawley, Nicholas Lea, Jennifer Beals, Liv Hewson, Roan Curtis, Kaila Kondo, Keith Powers, Liam Hall, Alyssa Lynch, Taylor Russell, Diego Boneta.

História : Para além de jovem e muito popular, Samantha Kingston tem também a arrogância de quem se julga superior. Mas a sua vida perfeita tem um fim abrupto no dia em que, após um acidente de automóvel, ela morre. Depois disso, ela vê-se a acordar sempre no dia do acidente, revivendo os mesmos momentos desse dia. Samantha terá que alterar algumas coisas e quem sabe mudar-se a ela mesma, com a intenção de quebrar aquele feitiço e também ela, ter algum futuro.

Comentário : É assim, ao contrário da maioria, eu gostei bastante deste filme. De início, confesso que é aborrecido e até custa a pegar, todo aquele aparato de filme tipicamente juvenil. Mas depois e a partir do momento do acidente, as coisas tornam-se melhores e eu senti-me totalmente empolgado na história e nos acontecimentos que o argumento ia gerando. Este filme é uma espécie de mistura de “Groundhog Day” com “Mean Girls”, aliás, fusão essa que resulta muito bem, apesar da fita não chegar aos calcanhares do primeiro visado. O clima dos filmes de jovens está sempre presente, gostei disso e gostei também do ritmo que o filme tem. Nota positiva também para a maneira como a realizadora conta e mostra os acontecimentos do seu filme, para isso contribuiu uma boa montagem. A nível das interpretações, lamento informar, mas quase ninguém se aproveita. A única aqui que teve uma prestação aceitável foi a actriz protagonista, Zoey Deutch, esteve bem, apesar de ter-se esforçado pouco para conseguir mais e melhor. Não esquecer que o elenco conta também com a pequena Erica Tremblay, que na vida real é irmã do talentoso e excelente actor Jacob Tremblay, o protagonista masculino do filme “Room”, os dois possuem ainda uma irmã chamada Emma Tremblay que, tal como eles, também é actriz. A fita tem ainda o mérito de nós comprarmos o drama de Samantha, é uma personagem palpável e cuja mudança convence. No entanto, algumas coisas aqui não se percebem, por exemplo, se as coisas se repetem, porque motivo algumas acontecem de um jeito diferente se não foram mudadas por nenhuma personagem. Pessoalmente, gostei bastante deste filme e não entendo certos comentários menos bons a esta fita. 

Gifted

Nome do Filme : “Gifted”
Titulo Inglês : “Gifted”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Marc Webb
Produção : Karen Lunder/Andy Cohen
Elenco : Chris Evans, McKenna Grace, Octavia Spencer, Jenny Slate, Lindsay Duncan.

História : Após a morte da irmã, Frank passou a ser o responsável pela educação da sobrinha, Mary, começando a criar a menina. No entanto, alguns anos depois, surge a avó da menina que pretende ficar com a neta, dando início a uma disputa nos tribunais com Frank pela custódia da criança.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que detestei este filme. E não gostei deste “Gifted”, simplesmente porque é tudo mais do mesmo, além disso, o filme é um mar de clichés em relação a filmes do género. As únicas diferenças são que aqui a criança disputada é um génio da matemática e que se trata de um tio a lutar pela guarda dela em vez de um pai. Das coisas que gostei, saliento a maravilhosa cinematografia e a grandiosa prestação da pequena McKenna Grace, esta menina tem aqui uma forte presença e a sua química com Chris Evans resultou na perfeição. Mas infelizmente, os pontos negativos são imensos. Como já havia dito, o filme está cheio de clichés, exemplos : temos alguém que complica a vida ao responsável pela menina, achando saber o que é melhor para a criança; temos a amiga do tutor que é sempre atenciosa e sabe como são as coisas sendo também implicada no processo; temos questões judiciais e familiares decididas por tribunais; temos confissões da menina que ditas de forma inocente acabam por prejudicar a relação com o seu responsável; temos a personagem que enche a criança de prendas para a comprar; temos a professora da menina que acaba sempre por se envolver com o responsável da criança; temos uma terceira pessoa que acaba por interferir no caso; temos um advogado cínico que joga sujo para prejudicar gravemente o tutor e a criança; temos a criança que é levada para longe do tutor que adora; temos as situações ridículas e repetitivas de sempre encontradas em filmes do género, já para não falar do típico final, mas esse é de louvar. Octavia Spencer faz dela mesma e Chris Evans deixa finalmente as tangas da Marvel para desempenhar um papel decente, conseguindo uma boa empatia com a menina, que, apesar de representar muito bem a sua Mary, consegue ser amável e irritante ao mesmo tempo. Para as coisas terem resultado, o filme devia ser unicamente sobre o dom da menina e também falar mais sobre a relação dela com o tio. Enfim, mais uma grande desilusão deste ano.