domingo, 28 de maio de 2017

Serenity

Nome do Filme : “Serenity”
Titulo Inglês : “Serenity”
Titulo Português : “Serenity”
Ano : 2005
Duração : 120 minutos
Género : Ficção-Científica/Aventura
Realização : Joss Whedon
Produção : Barry Mendel
Elenco : Nathan Fillion, Summer Glau, Gina Torres, Morena Baccarin, Alan Tudyk, Chiwetel Ejiofor, Adam Baldwin, Jewel Staite, Sean Maher, Ron Glass, David Krumholtz, Michael Hitchcock, Sarah Paulson, Yan Feldman, Rafael Feldman, Nectar Rose, Hunter Ansley Wryn.

História : Num futuro próximo, o capitão Mal procura sobreviver à custa de pequenos crimes e do transporte de passageiros e carga na sua nave espacial. Mal dirige uma pequena tripulação, que para ele é a coisa mais semelhante a uma família, eles são desordeiros, insubordinados e eternamente leais. Quando Mal aceita transportar um jovem médico e a sua misteriosa irmã, a sua vida complica-se. Os dois são fugitivos da Aliança, a coligação que domina a galáxia, que fará tudo para reaver a rapariga.

Comentário : Gosto de filmes de ficção-científica e confesso que na altura fui ao cinema ver este, pelo que gostei bastante e resolvi agora vir comentá-lo. Para mim, um bom filme comercial ou “blockbuster” para resultar, tem que ter uma boa história e personagens cativantes e que sejam devidamente aprofundados. Neste filme de Joss Whedon eu encontrei essas vertentes. Trata-se de um bom filme de ficção-científica e com personagens fortes. O personagem de Nathan Fillion, por exemplo, é alguém por quem nós sentimos algo, o actor consegue aqui uma boa prestação e nos convence da situação em que se encontra inserido. Além disso, ele possui uma boa relação com os restantes membros do elenco principal e tem um estilo muito próprio. No papel do inimigo, Chiwetel Ejiofor consegue a proeza de ser temido quando confronta os personagens do bem e chega mesmo a irritar e isto aqui funciona como um elogio ao seu personagem, ele extrai do público a sensação que nós habitualmente nutrimos pelos vilões.

Mas quem me surpreendeu foi a jovem actriz Summer Glau, ela tem uma boa interpretação, a sua expressividade é brutal e ainda tem uma excelente prestação física. Além de ser muito bonita e sensual. Os actores que desempenham os restantes membros da tripulação da nave vão muito bem também, cada um sabe o seu lugar na equação e saíram bem na fotografia. O design da nave é maravilhoso, a nave em si parece real e vê-la a voar pelo espaço é admirável. Os efeitos especiais são muito bons e nunca parecem exagerados, existe uma sequência em que a nave atravessa um campo de lixo espacial com todo o cuidado que está brutal, eu adorei esta parte. A história é interessante e tem os seus momentos, eu senti-me totalmente envolvido naquilo que se estava a passar. Claro que existem cenas que possuem alguns exageros, mas nada que estrague o todo. No geral, é um filme que funciona porque tem bons alicerces que são fortes o suficiente para sustentar aquilo que se pretendia. Se querem boa ficção-científica, tentem este filme. Não ficarão desiludidos. 

Sucker Punch

Nome do Filme : “Sucker Punch”
Titulo Inglês : “Sucker Punch”
Titulo Português : “Mundo Surreal”
Ano : 2011
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Zack Snyder
Produção : Deborah Snyder/Zack Snyder
Elenco : Emily Browning, Abbie Cornish, Vanessa Hudgens, Jena Malone, Jamie Chung, Carla Gugino, Scott Glenn, Oscar Isaac, Jon Hamm.

História : Após a morte da mãe e depois de ter morto acidentalmente a irmã mais nova numa tentativa de a livrar do padrasto abusador, uma jovem rapariga é internada num manicómio, fazendo amizade com outras quatro miúdas. Ela descobre que dentro de cinco dias virá um médico para lhe fazer uma lobotomia. Para evitar esse irreversível procedimento e para tirar as quatro amigas daquele ambiente horrível, a miúda elabora um plano para as cinco saírem do hospital e serem livres.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este filme, que se tornou num dos meus filmes deste género preferidos. Começa por ser um drama e depressa evolui para um filme de fantasia muito bem elaborado e concebido, graças à história que é muito boa. No centro da trama temos uma jovem rapariga que arrasta outras quatro para os seus jogos de acção. Aquilo que as raparigas fazem é inventar realidades alternativas para conseguirem os seus objectivos. Quando saí da sala de cinema, disse para mim mesmo que tinha assistido a um grande filme e, passados alguns anos e depois de o rever, persiste a mesma sensação. Quando se gosta de algo e isso é autêntico, gosta-se sempre. Nesta fita, temos mulheres ao poder, ou seja, elas são as únicas protagonistas e cada uma do seu jeito, embelezam o filme. É um filme muito sensual. Desde as vestes das miúdas, passando pelas suas poses e terminando na sua beleza, elas funcionam na perfeição e a química entre as pequenas nota-se da forma mais evidente e credível.

No papel da protagonista, Emily Browning é Baby Doll, é ela quem é colocada a dançar, coisa que nós nunca vemos porque em vez da dança, temos uma missão das garotas. Emily Browning manda muito bem como protagonista, além de ter uma boa prestação, ela simplesmente nos encanta com o seu ar angelical e a sua sensualidade. Ela ainda resulta como líder. Abbie Cornish é Sweet Pea, a segunda personagem mais importante da fita, indecisa de início, não é somente uma coisa boa em acção, ela é mesmo boa, seja a interpretar em dramas ou em modo rápido. Jena Malone é a menina mais forte do grupo e a actriz tem mesmo carisma, lamentei o que lhe aconteceu. Vanessa Hudgens é a mais “frágil” da equipa mas ainda assim vai muito bem, enquanto que Jamie Chung é a mais “apagada” do colectivo, mas o compõe lindamente. Por último, temos uma Carla Gugino irreconhecível, é ela quem dirige e cuida das meninas e o faz de forma perfeita. Esqueçam os homens, eles aqui não valem nada. Os efeitos especiais são excelentes, satisfazem mais do que muita porcaria que se faz actualmente. Por exemplo, a primeira sequência de acção, na qual a nossa Baby Doll luta contra três guerreiros num templo, é simplesmente brutal, eu vibrei com aquilo. Perto do final, temos um twist que não se compreende, mas não estraga o todo. Se gostam de um filme diferente, vejam este e deixem-se levar porque a história é cativante. Recomendado. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lovesong

Nome do Filme : “Lovesong”
Titulo Inglês : “Lovesong”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : So Yong Kim
Produção : Bradley Rust Gray
Elenco : Riley Keough, Jena Malone, Sky Ok Gray, Jessie Ok Gray, Cary Fukunaga, Rosanna Arquette, Ryan Eggold, Marshall Chapman, Brooklyn Decker, Juliet Fitzpatrick, Neal Huff, Amy Seimetz, William Tyler, Justin Tarrents.

História : Sarah é uma jovem mãe que, devido a problemas com o marido, vai morar sozinha com a filha de ambos, Jessie. Um dia, Sarah recebe a visita de Mindy, a sua melhor amiga e as três fazem uma viagem com a intenção de passarem uns bons dias juntas. No entanto, passa-se qualquer coisa com Mindy e ela decide regressar a sua casa, deixando Sarah muito intrigada.

Comentário : Este filme independente é realizado pela cineasta So Yong Kim, que dirigiu os filmes “In Between Days”, “Treeless Mountain” e “For Ellen”, os três muito bons. E este “Lovesong” não lhes fica atrás, eu gostei bastante desta fita. Trata-se da história de uma grande amizade entre duas raparigas que nutrem um bonito sentimento uma pela outra, embora raramente o revelem. É uma história bonita e com alguns altos e baixos face à relação de amizade das duas. Confesso que já conhecia as duas actrizes principais de outros filmes. Assim, Riley Keough tem aqui a melhor interpretação do filme, a sua personagem é uma boa amiga e uma excelente mãe, Sarah concilia estas duas vertentes de forma perfeita. É uma actriz que convence no seu papel e consegue fazer com que a sua personagem passe para fora do ecrã, o drama que vive. Por seu lado, Jena Malone está muito bem neste registo, aqui no papel da melhor amiga da protagonista principal, ela convence também e dá-nos uma personagem dividida em relação aos seus sentimentos, às tantas não sabemos para onde ela vai cair. A química entre as duas actrizes é perfeita e resultou. As manas Sky Ok Gray e Jessie Ok Gray estão perfeitas, ambas dividem a personagem da filha da protagonista principal em idades diferentes da menina, as duas interpretaram muito bem a pequena, embora eu prefira o desempenho da primeira, a mais velha. O restante elenco está igualmente de parabéns, todos fizeram um bom trabalho. O filme possui ainda um ligeiro clima de romance, mas sobre isso nada irei revelar. Embora seja um filme pequeno, existem algumas cenas da despedida de solteira que são muito longas, elas se arrastam além do desejável. A banda sonora é boa, mas fica mal em uma sequência. Adorei esta história que é simples, mas parece real. A película possui ainda uma componente de “road-movie” que só enriqueceu a narrativa e o filme em si. Recomendo.

Before I Fall

Nome do Filme : “Before I Fall”
Titulo Inglês : “Before I Fall”
Titulo Português : “Antes de Vos Deixar”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ry Russo Young
Produção : Matthew Kaplan/Brian Robbins/Jon Shestack
Elenco : Zoey Deutch, Halston Sage, Cynthy Wu, Medalion Rahimi, Erica Tremblay, Elena Kampouris, Logan Miller, Kian Lawley, Nicholas Lea, Jennifer Beals, Liv Hewson, Roan Curtis, Kaila Kondo, Keith Powers, Liam Hall, Alyssa Lynch, Taylor Russell, Diego Boneta.

História : Para além de jovem e muito popular, Samantha Kingston tem também a arrogância de quem se julga superior. Mas a sua vida perfeita tem um fim abrupto no dia em que, após um acidente de automóvel, ela morre. Depois disso, ela vê-se a acordar sempre no dia do acidente, revivendo os mesmos momentos desse dia. Samantha terá que alterar algumas coisas e quem sabe mudar-se a ela mesma, com a intenção de quebrar aquele feitiço e também ela, ter algum futuro.

Comentário : É assim, ao contrário da maioria, eu gostei bastante deste filme. De início, confesso que é aborrecido e até custa a pegar, todo aquele aparato de filme tipicamente juvenil. Mas depois e a partir do momento do acidente, as coisas tornam-se melhores e eu senti-me totalmente empolgado na história e nos acontecimentos que o argumento ia gerando. Este filme é uma espécie de mistura de “Groundhog Day” com “Mean Girls”, aliás, fusão essa que resulta muito bem, apesar da fita não chegar aos calcanhares do primeiro visado. O clima dos filmes de jovens está sempre presente, gostei disso e gostei também do ritmo que o filme tem. Nota positiva também para a maneira como a realizadora conta e mostra os acontecimentos do seu filme, para isso contribuiu uma boa montagem. A nível das interpretações, lamento informar, mas quase ninguém se aproveita. A única aqui que teve uma prestação aceitável foi a actriz protagonista, Zoey Deutch, esteve bem, apesar de ter-se esforçado pouco para conseguir mais e melhor. Não esquecer que o elenco conta também com a pequena Erica Tremblay, que na vida real é irmã do talentoso e excelente actor Jacob Tremblay, o protagonista masculino do filme “Room”, os dois possuem ainda uma irmã chamada Emma Tremblay que, tal como eles, também é actriz. A fita tem ainda o mérito de nós comprarmos o drama de Samantha, é uma personagem palpável e cuja mudança convence. No entanto, algumas coisas aqui não se percebem, por exemplo, se as coisas se repetem, porque motivo algumas acontecem de um jeito diferente se não foram mudadas por nenhuma personagem. Pessoalmente, gostei bastante deste filme e não entendo certos comentários menos bons a esta fita. 

Gifted

Nome do Filme : “Gifted”
Titulo Inglês : “Gifted”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Marc Webb
Produção : Karen Lunder/Andy Cohen
Elenco : Chris Evans, McKenna Grace, Octavia Spencer, Jenny Slate, Lindsay Duncan.

História : Após a morte da irmã, Frank passou a ser o responsável pela educação da sobrinha, Mary, começando a criar a menina. No entanto, alguns anos depois, surge a avó da menina que pretende ficar com a neta, dando início a uma disputa nos tribunais com Frank pela custódia da criança.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que detestei este filme. E não gostei deste “Gifted”, simplesmente porque é tudo mais do mesmo, além disso, o filme é um mar de clichés em relação a filmes do género. As únicas diferenças são que aqui a criança disputada é um génio da matemática e que se trata de um tio a lutar pela guarda dela em vez de um pai. Das coisas que gostei, saliento a maravilhosa cinematografia e a grandiosa prestação da pequena McKenna Grace, esta menina tem aqui uma forte presença e a sua química com Chris Evans resultou na perfeição. Mas infelizmente, os pontos negativos são imensos. Como já havia dito, o filme está cheio de clichés, exemplos : temos alguém que complica a vida ao responsável pela menina, achando saber o que é melhor para a criança; temos a amiga do tutor que é sempre atenciosa e sabe como são as coisas sendo também implicada no processo; temos questões judiciais e familiares decididas por tribunais; temos confissões da menina que ditas de forma inocente acabam por prejudicar a relação com o seu responsável; temos a personagem que enche a criança de prendas para a comprar; temos a professora da menina que acaba sempre por se envolver com o responsável da criança; temos uma terceira pessoa que acaba por interferir no caso; temos um advogado cínico que joga sujo para prejudicar gravemente o tutor e a criança; temos a criança que é levada para longe do tutor que adora; temos as situações ridículas e repetitivas de sempre encontradas em filmes do género, já para não falar do típico final, mas esse é de louvar. Octavia Spencer faz dela mesma e Chris Evans deixa finalmente as tangas da Marvel para desempenhar um papel decente, conseguindo uma boa empatia com a menina, que, apesar de representar muito bem a sua Mary, consegue ser amável e irritante ao mesmo tempo. Para as coisas terem resultado, o filme devia ser unicamente sobre o dom da menina e também falar mais sobre a relação dela com o tio. Enfim, mais uma grande desilusão deste ano. 


The Levelling

Nome do Filme : “The Levelling”
Titulo Inglês : “The Levelling”
Ano : 2016
Duração : 83 minutos
Género : Drama
Realização : Hope Dickson Leach
Produção : Rachel Robey
Elenco : Ellie Kendrick, David Troughton, Jack Holden, Joe Blakemore, Joe Attewell.

História : Depois de receber a notícia da morte do irmão, uma rapariga regressa à cidade onde cresceu para investigar o que realmente se passou com ele.

Comentário : O cinema independente continua em grande forma. Estamos perante um filme calmo e apelativo que embora não tenha uma mensagem definida, sabe para onde nos levar. Embora em algumas partes se perca um pouco, a história consegue nos agarrar ao ecrã e estamos sempre na esperança que a protagonista descubra aquilo que pretende. Não se pode tecer elogios ao elenco, porque na verdade temos apenas Ellie Kendrick a representar bem, é nela que se centram todas as atenções. Não conhecia esta actriz e não fiquei a simpatizar muito com ela, embora tenha aqui uma personagem forte, ela não me convenceu totalmente. Ainda assim, tornei-me defensor da causa da jovem, ela é alguém por quem nós pedimos que as coisas resultem. É um filme que decorre a um ritmo lento, mas que nunca aborrece, sentimos mesmo interesse pela história e por tudo aquilo que se está a passar diante dos nossos olhos. O ambiente envolvente também ajuda, a fita decorre no meio rural e isso é um grande contributo para nos sentirmos parte dele. Por vezes, em filmes de pouca duração, fico sempre a pedir que fossem mais longos, não foi o caso deste, apesar de ter gostado desta fita. A sequência de abertura é totalmente dispensável, não acrescenta nada. Penso que o filme tem um argumento que deve ter dado muito trabalho a escrever e a ser desenvolvido. É um filme simples, mas bastante apelativo e que satisfaz.

A Toca do Lobo

Nome do Filme : “A Toca do Lobo”
Titulo Inglês : “The Wolf's Lair”
Titulo Português : “A Toca do Lobo”
Ano : 2015
Duração : 101 minutos
Género : Documentário
Realização : Catarina Mourão
Produção : Laranja Azul

História : Todas as famílias guardam segredos : A minha não é excepção. Primeiro descubro um velho filme de 9,5 mm, depois redescubro os velhos álbuns de infância da minha mãe onde as fotografias me parecem todas ilusões ópticas. Mais tarde o meu avô, que nunca conheci, revela-se e fala comigo num estranho programa de televisão. Nesta viagem quero desvendar os segredos da minha família durante a ditadura, que envolvem mistérios que foram passando de geração em geração. Entre passado e presente procuro reinterpretar velhas memórias e descobrir novas verdades, lutando contra o silêncio e as portas que permanecem fechadas (Catarina Mourão).

Comentário : Foi com grande satisfação que eu descobri este maravilhoso documentário que fala de alguns elementos da família da realizadora Catarina Mourão, com grande destaque para o passado do seu avô, Tomaz de Figueiredo. Apesar de não ter sido considerado um filme biográfico, eu o acho não só isso, como também um documentário profundo sobre a vontade e coragem de uma mulher em querer conhecer mais sobre o passado do avô que nunca conheceu. Este filme é feito de imagens de arquivo, fotografias, objectos e cenas da actualidade da realizadora e da sua mãe. É um trabalho rigoroso, mas a cima de tudo, corajoso sobre alguém que quer conhecer as suas raízes, o seu passado, bem como aquilo que alguns elementos da sua família passaram. Eu adorei conhecer algumas coisas, confesso que nem conhecia esta realizadora, muito menos Tomaz de Figueiredo, foi com grande agrado que fiquei a saber das suas existências. O documentário possui histórias muito interessantes, mas aquela que mais me comoveu foi a parte das saquinhas de cachimbos e do significado e desejos que Tomaz de Figueiredo tinha para elas. Foi engraçado vê-las primeiro naquela gravação antiga a preto e branco e depois perto do final, conhecer as suas cores. Claramente que não foi uma emoção tão grande quanto aquela que as visadas tiveram, mas ainda assim uma grande emoção. Achei igualmente interessantes as histórias soltas desta família, bem como da situação complicada dele enquanto esteve internado no manicómio. Gostei imenso das imagens de infância e da forma como todo o filme foi montado e feito. Para a maioria do público, este é um filme que nada significa, mas aqueles que gostam de saber coisas novas, é um prato cheio de saber e de factos e informações sobre vivências, sobre outras vidas, algumas que já se foram.

Jacinta

Nome do Filme : “Jacinta”
Titulo Italiano : “Il Miracolo Di Fatima”
Titulo Português : “Jacinta”
Ano : 2017
Duração : 84 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Jorge Paixão da Costa
Produção : José Silva Pedro
Elenco : Matilde Serrão, Henrique Mello, Renata Belo, Dalila Carmo, António Pedro Cerdeira, Pedro Lamares, Graciano Dias, Filipe Vargas, Almeno Gonçalves, Rita Salema, Alexandra Cardoso, Ana Pinto, António Lopes, Diogo Rei Faria, Francisco Sousa, Henrique Marto, João Didelet, João Maria Pinto, José Carlos Garcia, José João, Madalena Doutel, Margarida Serrano, João de Carvalho, Paula Lobo Antunes.

História : Jacinta Marto foi uma dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, entre 13 de maio e 13 de Outubro de 1917.

Comentário : Ao contrário daquilo que fiz no meu comentário ao filme “Maddie”, eu aqui não vou divulgar a minha opinião sobre aquilo que se deve ter passado nos acontecimentos testemunhados e vividos pelos três pastorinhos, eu irei apenas analisar o filme como obra cinematográfica em si. Eu gostei deste pequeno filme, que eu interpreto como sendo uma falsa biografia, pois acredito que as coisas se tenham passado de maneira diferente. O principal problema deste filme é que tem pouco de cinema, ou seja, nunca passa de um filme feito para televisão, e é essa a sensação que passa o tempo inteiro. Nota também negativa para o facto de termos tantos actores nacionais conhecidos no elenco, não havia necessidade, existe todo um grupo de profissionais não famosos com boas qualidades interpretativas que merecem que lhes sejam dadas as devias oportunidades. Assim, apenas vou falar da protagonista, a famosa Jacinta Marto. No papel da pastorinha mais famosa, a pequena Matilde Serrão tem aqui uma excelente prestação, ela convence na perfeição no seu complicado papel, para além de passar muito bem para quem vê, o drama de Jacinta mas repito, ela fez a Jacinta que os interesses querem que seja vista, não a verdadeira e aquilo que realmente lhe aconteceu e que foi abafado pela Igreja e pelo governo de há cem anos. Eu fiquei muito comovido com a prestação que a pequena actriz Matilde Serrão emprestou à sua personagem. A recriação de época está aceitável e os pequenos efeitos especiais são isso mesmo, pequenos e no caso das cenas da chuva, são muito manhosos. No geral, gostei bastante deste filme, apesar de tudo o que esta história envolve na realidade e que aqui não foi contado e mostrado. A pequena Jacinta Marto tornou-se santa em Maio de 2017, quando o Papa Francisco visitou Fátima, em Portugal. 


domingo, 21 de maio de 2017

The Hunter's Prayer

Nome do Filme : “The Hunter's Prayer”
Titulo Inglês : “The Hunter's Prayer”
Titulo Internacional : “Hunter's Prayer”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Aventura/Crime
Realização : Jonathan Mostow
Produção : Sam Worthington
Elenco : Odeya Rush, Sam Worthington, Katia Bokor, Sameera Rock, Claudia Trujillo, Alice Maguire, Rory Mulroe, Eudald Font, Sam Cullingworth, Allen Leech, Amy Landecker, Veronica Echegui, Martin Compston, Mateo Rufino, Tina Maskell, Shayne Elsa Drummond.

História : Lucas é um assassino profissional toxicodependente que é contratado para matar uma adolescente cuja família foi morta por alguém a mando de um poderoso magnata criminoso. Mas após conhecer a menina, Lucas decide protegê-la em vez de a matar.

Comentário : Confesso que muito raramente vejo filmes de ação, para que eu os veja eles necessitam de possuir certas condições que me agradem e neste caso, a principal razão foi a sinopse. Não gosto do actor Sam Worthington, mas apesar disso resolvi dar-lhe uma oportunidade com este pequeno filme, mas ainda não foi desta e nem com o seu novo e execrável “The Shack”, que eu fiquei a simpatizar com ele. Existem certos actores que são uma espécie de robots, sempre com a mesma forma de representar, sem expressão característica e que não possuem carisma. Foi isto que se passou nestes dois filmes que acabo de frisar. No entanto, gostei do seu personagem. Lucas é alguém perturbado e com um passado traumatizante, tem uma filha menor que nunca conheceu e vive unicamente para ganhar dinheiro a matar gente, tendo a sua querida droga como vício principal. O filme peca porque não explica porque motivo ele muda tão rapidamente a ponto de ajudar a rapariga que ele foi contratado para matar. Ainda assim, Lucas é um personagem cativante e bastante interessante e quem vê o filme deseja que tudo corra bem com ele. Apesar de raramente se entenderem, a química dele com a actriz que desempenha a jovem em perigo resulta muito bem. Como vítima, a bonita Odeya Rush vai muito bem, é dela que se extrai a melhor prestação do filme, a sua Ella tem carisma e sede de vingança, apesar de ser ligeiramente indecisa. Sente-se claramente que a personagem da miúda podia ter mais substância, ela podia ter sido mesmo a verdadeira protagonista desta fita, tinha todo o potencial para tal. As mulheres e mesmo as personagens femininas em geral, ainda são muito prejudicadas na sétima arte. O vilão principal é patético, o filme peca também por ter alguns erros habituais neste tipo de narrativas e tem igualmente erros na lógica das coisas, para além de falhas geográficas e temporais. Um último reparo, esqueceram-se de usar o cão geneticamente alterado no final da fita. Gostei deste filme, mas gostava de ter visto mais.

Cinzento e Negro

Nome do Filme : “Cinzento e Negro”
Titulo Inglês : “Grey And Black”
Titulo Português : “Cinzento e Negro”
Ano : 2015
Duração : 126 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Luís Filipe Rocha
Produção : Luís Galvão Teles
Elenco : Filipe Duarte, Joana Bárcia, Monica Calle, Miguel Borges, Camila Amado, Ana Risueno, Manuel de Blas, João Fonseca.

História : Maria é traída por David, o marido, que rouba todo o seu dinheiro e foge para a ilha do Pico, nos Açores. Destroçada e com um enorme sentimento de humilhação, ela só anseia por vingança. É então que resolve contactar Lucas, um inspector de polícia, para encontrar pistas sobre o paradeiro do ex-companheiro. Porém, numa visita à ilha do Faial, Lucas apaixona-se por Marina, empregada do café local. Este amor vai alterar o curso dos acontecimentos.

Comentário : Gosto de cinema português, mas não daqueles filmes tipicamente portugueses e ordinários, cheios de asneiras e calão, prefiro o cinema de autor, sendo o Pedro Costa o meu realizador preferido. Infelizmente, o cinema português é mais reconhecido e premiado em outros países e somente depois alguns filmes são estreados no nosso país e muitas vezes sem o reconhecimento merecido por cá. Mas a maioria dos portugueses é assim, não dá valor ao que é seu, esperando sempre que outros o façam para depois ir apanhar as migalhas. Pessoalmente, gosto tanto de cinema português independente e de autor como gosto de documentários. Penso que nós temos cá bons profissionais no ramo da sétima arte, embora na televisão haja muita porcaria. Tudo isto para dizer que estou sempre disposto a conferir um filme português, desde que a história me cative e seja apelativa. No caso deste novo filme de Luís Filipe Rocha, confesso que não gostei muito e aqui o principal problema consiste no facto de nem a história e nem os personagens me terem despertado o interesse, à medida que as coisas iam se passando, simplesmente, eu não ficava preso ao ecrã. As paisagens são lindas e a fotografia deslumbra, além disso gostei muito das interpretações de Filipe Duarte, de Joana Bárcia e de Monica Calle, os três vão muito bem nos seus papéis. É como disse, o principal problema reside nas personagens, que não são capazes de gerar empatia connosco, é tudo muito seco, elas parecem distantes, apesar de haver aqui boas prestações. A história também é pouco interessante e o final deixa muito a desejar. É lamentável, porque com o material que tinham em mãos, a coisa podia ter resultado bastante bem, valeram as tentativas. Mas algum cinema português continua bom e recomenda-se.

domingo, 14 de maio de 2017

Mal de Pierres

Nome do Filme : “Mal de Pierres”
Titulo Inglês : “From The Land Of The Moon”
Titulo Português : “Um Instante de Amor”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Nicole Garcia
Produção : Alain Attal
Elenco : Marion Cotillard, Alex Brendemuhl, Louis Garrel, Victoire Du Bois, Brigitte Rouan, Aloise Sauvage, Daniel Para, Jihwan Kim, Victor Quilichini, Ange Black Bereyziat, Soren Rochefort, Camilo Mendoza, Francisco Alfonsin, Julio Bollullo Carasco, Maurice Chaspoul, Maxime Flourac, Mathilde Dromard.

História : Gabrielle nasceu e cresceu numa pequena aldeia, numa época em que ser mulher significava deixar a casa dos pais e ser entregue a um marido. Ser apenas esposa e mãe era um destino quase inevitável. Conscientes da sua rebeldia, os pais resolvem casá-la com José, um trabalhador esforçado de origem espanhola, com a missão de fazer dela uma mulher respeitável. Apesar de toda a dedicação de José, ela nunca se entrega de corpo e alma ao marido, por quem sente algum desprezo. Alguns anos depois, sofrendo de dores crónicas, Gabrielle é enviada para uma estância termal. Lá, conhece André Sauvage, um ex-soldado ferido na guerra da Indochina, por quem se apaixona ao primeiro olhar. Durante as semanas seguintes, vai viver algo que julgou nunca ser possível.

Comentário : Gostei bastante deste novo filme de Nicole Garcia, porque tem uma história encantadora e convincente e também porque possui duas personagens muito fortes e dramáticas. Estamos perante um filme que mistura habilmente as componentes drama e romance. Eu entendi a personagem da protagonista e entendi ainda mais o marido dela, as tais duas personagens fortes e dramáticas do filme. Ela é alguém instável e doente que sonha em ser feliz e em viver o amor de forma plena. Ele é um homem muito bondoso, um verdadeiro “santo” que ama realmente a esposa, apesar de saber que ela nunca o amou. Aliás, foi muito emocionante acompanhar a relação dos dois, a química entre eles funcionou na perfeição. Marion Cotillard é uma actriz bonita e uma excelente profissional, aqui ela convenceu no papel de Gabrielle, apesar de em grande parte do filme eu não estar do lado dela, no final, passei a entendê-la. Por seu lado, Alex Brendemuhl desempenhou aqui o meu personagem preferido, é fácil termos pena dele, ele ama de verdade aquela mulher e são poucos homens que se sujeitavam e que faziam por ela aquilo que ele fez. Confesso que o actor faz-me lembrar Michael Fassbender. Victoire Du Bois é muito bonita, aqui no papel de irmã da protagonista, ela está muito bem, lamenta-se apenas que tenha pouco tempo de antena, eu gostaria de ver mais da sua personagem. Louis Garrel apenas está neste filme para ser ele mesmo, ele é um bom actor, mas aparece em muita coisa, já esperamos pouco dele. Algumas mulheres que viram este filme devem ter ficado encantadas com este José, e devem ter criticado abertamente Gabrielle, mesmo porque ele é o homem que qualquer mulher sonha ter, muito generoso e atencioso, ele entende-as como poucos. Apesar de não ter percebido um detalhe no final, gostei bastante deste filme e o recomendo. 

The Age Of Shadows

Nome do Filme : “Mil-Jeong”
Titulo Inglês : “The Age Of Shadows”
Titulo Português : “A Idade das Sombras”
Ano : 2016
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Kim Jee Woon
Produção : Choi Jeong Hwa
Elenco : Byung Hun Lee, Yoo Gong, Kang Ho Song, Ji Min Han, Hee Soon Park, Foster Burden, Shingo Tsurumi, Tae Goo Eom, Yeong Ju Seo, Ha Dam Jeong, Hiromitsu Takeda, Soo Yeon Han, Yu Hwa Choi, Joon Go, Ja Hyoung Kwak.

História : Na Coreia de 1923, um grupo de resistentes tem como missão transportar explosivos para detonar um grande complexo militar, símbolo da supremacia nipónica. Vários agentes da polícia são preparados para deter os criminosos e impedir o atentado. Tudo se complica quando o capitão da polícia japonesa, mas de origem coreana, sente nascer em si um conflito : deverá seguir as instruções e cumprir as ordens que lhe foram dadas pelos superiores ou apoiar uma causa maior, ajudando os rebeldes a libertar o seu país do jugo do inimigo.

Comentário : O cinema oriental (coreano, chinês e japonês) está de parabéns, que grande filme. Eu confesso que gosto bastante de cinema oriental, não dos filmes de luta, mas sim dos thrillers, dos policiais e dos dramas. E aqui estamos perante um poderoso thriller com contornos dramáticos, que é também um filme de época e que funciona na perfeição em todos os sentidos. Eu tenho um pouco de dificuldade em lidar com os nomes que compõem os elencos destes filmes, por essa razão, não vou aqui frisá-los, mas vou seguramente dizer que todos os actores estiveram muito bem, com especial destaque para o suposto protagonista desta história, o actor que desempenha o capitão da polícia infiltrado. Eu gostei imenso desta história, é um enredo envolvente, algo que nos prende muito bem ao ecrã, eu fiquei totalmente na expectativa daquilo em que tudo iria culminar. Eu senti-me totalmente dentro do filme. A banda sonora tem um papel fundamental aqui, a música é cativante e apelativa, ela apoia algumas cenas e dá-lhes um toque especial. Tem cenas aqui que, já sendo boas, ficam ainda melhor graças à grandiosa banda sonora. Podemos igualmente contar com boas sequências, veja-se as cenas que envolvem morosos diálogos, ou ainda a excelente e enorme sequência dentro do comboio, tensa e grandiosa, são os melhores quarenta minutos das quase duas horas e meia de projecção. A violência também tem um lugar a ocupar neste filme, apesar de não estar sempre presente, quando ela aparece, deixa-nos chocados. É uma fita em que o lado masculino é bem mais forte do que o feminino, só existe uma personagem feminina relevante aqui e que merece o grande destaque. Notei um erro assinalável e umas poucas coisas que não fazem muito sentido, a maior parte delas passam despercebidas. Em resumo, é um excelente filme que eu gostei bastante.


The Last Family

Nome do Filme : “Ostatnia Rodzina”
Titulo Inglês : “The Last Family”
Ano : 2016
Duração : 123 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Jan P. Matuszynski
Produção : Aneta Cebula-Hickinbotham
Elenco : Andrzej Seweryn, Dawid Ogrodnik, Aleksandra Konieczna, Andrzej Chyra, Zofia Perczynska, Danuta Nagorna, Alicja Karluk, Magdalena Boczarska, Agnieszka Michalska, Jaroslaw Gajewski, Pawel Paczesny, Adam Szyszkowski, Lukasz Gawronski, Dagmara Mrowiec, Marta Jozwik, Magdalena Pociecha.

História : A vida de uma família de artistas com ligações à pintura e à música.

Comentário : Existem filmes que não nos dizem nada, por muito que os seus realizadores se esforçem para nos dizer algo ou mesmo passar alguma mensagem. Foi o caso deste, sinceramente, logo no início, eu não fui com a cara dos personagens que compõem aquela família, não gostei deles mesmo. Principalmente o filho deles, puxa, é um personagem irritante, a principal característica dele é o facto de ser alguém louco e que não respeita os pais, principalmente a mãe, até dói a forma como aquele filho trata a coitada da mãe, existem duas cenas em particular que são dolorosas de se ver. De todas as personagens, foi mesmo da mãe que eu mais gostei, ainda assim, custa ao espectador se apegar a ela. O personagem do marido é completamente banal, ele não transmite nada. Eu não conheço esta história que foi real, honestamente, não estava familiarizado com esta história verídica e é um caso que não me despertou minimamente o interesse. No seu todo, é um filme chato, aborrecido e irritante que não desperta qualquer tipo de interesse. Como aspectos positivos, temos todo aquele ar de anos 80 e 90 que resulta bastante bem, a nível da recriação de época e do ambiente, as coisas resultaram bem. Nota positiva também para o clima de indiferença que cerca toda a película. No meu caso, apenas fiquei com interesse neste filme na última meia hora, quando as pessoas daquela família começam a morrer, os últimos trinta minutos cativam quem vê o filme, porque trata-se de uma conclusão lenta, mas elucidativa que nos prende ao ecrã. Mas foi como eu já disse, no geral é uma fita vazia e esquecível, na qual não se entendem as notas altas, no meu caso, fiquei muito desiludido com este filme. Foi uma história que não me despertou qualquer interesse.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Chiamatemi Francesco – Il Papa Della Gente

Nome do Filme : “Chiamatemi Francesco – Il Papa Della Gente”
Titulo Inglês : “Call Me Francis”
Titulo Português : “Francisco – O Papa do Povo”
Ano : 2015
Duração : 113 minutos
Género : Biográfico/Histórico
Realização : Daniele Luchetti
Produção : Pietro Valsecchi
Elenco : Rodrigo De La Serna, Alex Brendemuhl, Cuyle Carvin, Mercedes Moran, Maximilian Dirr, Muriel Santa Ana, Sergio Hernandez, Leah Allers, José Angel Egido, Andres Gil, José Eduardo, Gabriela Flores, Paula Baldini, Pompeyo Audivert, Claudio De Davide.

História : A viagem humana e espiritual que levou Jorge Bergoglio, filho de imigrantes italianos na Argentina, até ao cargo mais alto da Igreja Católica, o papado. Desde os seus anos de juventude até se tornar Arcebispo de Buenos Aires, sempre defensor dos mais fracos e oprimidos. Jorge Bergoglio vê a sua história chegar ao clímax na noite inesquecível de 2013 em que, vestido de branco e com uma cruz de ferro, cumprimentou o mundo com um novo nome : Francisco.

Comentário : E pronto, é amanhã que o Papa Francisco vem a Portugal, se tudo correr conforme o previsto, temos cá Papa. Eu lamento imenso não poder ir vê-lo, mas irei ver aquilo que eu puder pela tv. No mês passado eu comentei aqui o filme “Francisco – O Padre Jorge”, que gostei bastante e agora venho comentar um outro filme também sobre o Papa Francisco. Gostei também deste filme, embora prefira o primeiro. Enquanto o primeiro filme aborda a vivência de Jorge Bergoglio antes de ser Papa, este segundo centra-se mais na fase da ditadura e nos tempos em que o futuro chefe da Igreja Católica ajudava os mais desfavorecidos. Gostei da interpretação de Rodrigo De La Serna, ele tem carisma e convenceu no papel do Santo Padre. A recriação de época está boa e temos também todo um elenco de secundários bastante competente. Neste filme, temos um realizador que volta a usar o facto deste Papa ser alguém que gosta de ajudar os mais fracos e oprimidos, é alguém muito simples e que não gosta de luxos. Embora isso não esteja tão vincado aqui quanto o estava no primeiro filme sobre Francisco. É bom termos dois filmes sobre a mesma pessoa não só para estabelecermos comparações, como também para analisarmos dois olhares diferentes sobre a mesma figura. Na minha opinião, os dois filmes funcionam e completam-se, mas também acontece que o facto de o espectador gostar do Papa Francisco, também contribuiu para também gostarmos dos filmes. É emocionante acompanharmos pela televisão o valor que os peregrinos atribuem ao Santuário de Fátima, um lugar mágico e sagrado que nestes dois dias vai-se encher de milhares de pessoas para este grande evento. Espero sinceramente que tudo corra bem. 



domingo, 7 de maio de 2017

Aquarius

Nome do Filme : “Aquarius”
Titulo Inglês : “Aquarius”
Titulo Português : “Aquarius”
Ano : 2016
Duração : 146 minutos
Género : Drama
Realização : Kleber Mendonça Filho
Produção : Said Ben Said/Emilie Lesclaux/Michel Merkt
Elenco : Sonia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Humberto Carrão, Zoraide Coleto, Fernando Teixeira, Buda Lira, Paula Renor, Daniel Porpino, Barbara Colen, Pedro Queiroz, Carla Ribas, Germano Melo, Julia Bernat, Thaia Perez, Arly Arnaud, Leo Wainer, Lula Terra, Allan Souza Lima, Valdeci Junior, Clarissa Pinheiro, Rubens Santos, Bruno Goya, Andreia Rosa, Joana Gatis, Fábio Leal, Amanda Gabriel.

História : Clara é uma sexagenária viúva que vive na zona nobre da Avenida Boa Viagem, no Recife, Brasil. Foi ali que partilhou a vida com o marido, viu crescer os seus três filhos e passou a época mais marcante da sua existência. Com o intuito de construir um condomínio mais moderno naquele mesmo lugar, a Construtora Bonfim conseguiu adquirir todos os apartamentos do prédio, excepto o dela. E, por mais que Clara afirme que não existe preço que a faça vender o seu, acaba por se ver constantemente pressionada a mudar de ideias. Cansada de ser atormentada, resolve guerrear.

Comentário : Antes de mais tenho que dizer aqui que gosto bastante de cinema brasileiro e achei este novo filme de Kleber Mendonça Filho magnífico. Eu sou um grande admirador da actriz Sónia Braga e confesso que ela tem neste filme uma prestação excepcional. Conheço poucas actrizes nacionais com uma qualidade interpretativa como ela tem. Não entendi a polémica que se gerou no Brasil com este filme e também não o acho um filme político. É antes uma obra que mexe bem com a questão social, trabalhando o espaço como um dos personagens. A personagem principal tem uma forte ligação emocional com o apartamento onde mora, uma conexão muito vincada com o espaço envolvente. Foi ali que ela viveu com o marido, foi ali que ela criou os filhos, foi ali que ela viveu e ultrapassou um cancro, enfim, aquele apartamento é a vida dela. É um filme que mostra como é o brasileiro pobre, bem como as dificuldades que passam. Mas é igualmente uma obra que identifica a mentalidade de todos aqueles que só pensam no dinheiro e no poder, os que não têm valores e passam por cima dos sentimentos dos outros para alcançar um determinado fim. A música também tem um papel muito importante aqui e a protagonista joga-nos várias referências na cara, algumas bem deliciosas. O elenco de secundários é bastante competente e a química da protagonista com todos eles é bastante boa. Alguns objectos têm aqui algum destaque e existe um deles que tem um grande simbolismo. O trabalho de realização é bom, nota-se que houve um cuidado especial nos detalhes. Nota negativa para algumas cenas fora do contexto que não fazem falta nenhuma. Acho o filme um pouco longo, menos vinte minutos e ficava bem ajustado. As pessoas actualmente andam meio desligadas dos valores familiares e morais e este filme é um alerta para essa triste realidade. Uma última palavra para o final do filme, eu adorei a maneira como o filme terminou. “Aquarius” é uma obra que devia ser vista por todos aqueles que apreciam o verdadeiro cinema.

A Cure For Wellness

Nome do Filme : “A Cure For Wellness”
Titulo Inglês : “A Cure For Wellness”
Titulo Português : “A Cura de Bem Estar”
Ano : 2016
Duração : 147 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller/Crime
Realização : Gore Verbinski
Produção : Gore Verbinski
Elenco : Mia Goth, Dane DeHaan, Jason Isaacs, Ivo Nandi, Adrian Schiller, Celia Imrie, Harry Groener, Tomas Norstrom, Ashok Mandanna, Magnus Krepper, Peter Benedict, Maggie Steed, Michael Mendl, Craig Wroe, David Bishins, Lisa Banes, Carl Lumbly, Tom Flynn, Eric Todd, Jason Babinsky, Johannes Krisch, Rebecca Street, Bert Tischendorf, Leonard Kunz, Manon Kahle, Julia Graefner.

História : Um ambicioso jovem executivo é enviado para trazer de volta um membro da sua empresa de um idílico mas misterioso hospital, num local remoto dos Alpes Suíços. Ele depressa desconfia que os tratamentos milagrosos do centro hospitalar não são o que parecem. Quando ele começa a desvendar aos poucos os seus segredos aterrorizantes, a sua sanidade mental é posta à prova, quando é diagnosticado com a mesma doença que mantém todos os pacientes a ansiar pela cura.

Comentário : Este é um dos filmes mais intrigantes e estranhos que vi até hoje, ainda assim, gostei dele pelo constante clima de mistério que envolve toda a fita, criando uma expectativa na gente e curiosidade para saber o que realmente se passa. Começando logo pela doce melodia da miúda que nos acompanha por breves momentos ao longo do filme, é linda. Eu adoro coisas misteriosas e se existem três coisas que me fazem confusão e despertam a curiosidade são : a vida alienígena, o que realmente se passa nos pisos sub-terrâneos americanos da Área 51 e as experiências médicas feitas pelos médicos nazis. Logo, fiquei bastante curioso quando li sobre este filme e é vergonhoso o facto da sua estreia estar constantemente a ser adiada no nosso país. Gosto igualmente dos trabalhos do realizador Gore Verbinski, é um cineasta que gosta de nos surpreender. Gostei deste filme, embora tenham havido coisas que me desiludiram. Por exemplo, há coisas que são difíceis de explicar nesta fita e outras que ficaram por explicar, há alguns erros e coisas sem nexo, certas atitudes de alguns personagens não parecem ter lógica e a última cena deixa um gosto amargo na boca. Claramente que houveram coisas que eu não entendi, lá está, pedia-se mais informação, sendo o argumento bastante confuso e turvo. No campo do elenco, não gostei da interpretação de Jason Isaacs, embora Dane DeHaan tenha convencido com o seu boneco, ainda que o guião para o personagem do jovem actor seja muito limitado. Quem está melhor no filme é a bonita Mia Goth e a sua Hannah, uma personagem enigmática e sensual, que continuará um mistério após o encerramento do filme. O principal problema deste filme é que o mesmo se perde na história que pretende contar, criando muitas questões, grande parte delas sem a devida resposta. É bom, mas pedia-se mais. 

Still Life

Nome do Filme : “Sanxia Haoren”
Titulo Inglês : “Still Life”
Titulo Português : “Natureza Morta”
Ano : 2006
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Zhangke Jia
Produção : Tianyan Wang/Pengle Xu/Wang Yu
Elenco : Sanming Han, Tao Zhao, Lizhen Ma, Zhou Lan, Hongwei Wang.

História : A velha cidade de Fengjie já está submersa, mas o seu novo bairro ainda não foi terminado. Han Sanming, um mineiro, viaja para Fengjie para tentar encontrar a ex-mulher e a filha que não vê há 16 anos. Também Shen Hong, uma enfermeira, viaja para Fengjie à procura do marido que não vê há dois anos. Quando os dois se encontram de novo juntos, abraçam-se em frente à barragem das Três Gargantas, mas apesar de tudo, ela pede-lhe o divórcio.

Comentário : Gosto de cinema oriental e já vi alguns filmes deste realizador conceituado lá por essas bandas. Confesso que gosto de filmes orientais, porque são feitos por cineastas que possuem uma maneira muito especial de filmar, parece que o fazem com uma calmaria e naturalidade muito próprias. Existiam há uns anos umas salas de cinema em Lisboa que passavam unicamente cinema independente, cinema do mundo e cinema alternativo, era o Cinema King, onde eu fui muitas vezes. Gostava imenso desse cinema e lamentei grandemente que ele tivesse encerrado. Julgo que foi lá que vi este filme de Zhangke Jia, gostei bastante do que vi. É um filme simples, mas com uma história poderosa sobre duas personagens principais que vivem marcadas por um triste passado. Muito bem filmado, é uma obra que cativa pelos cenários, é tudo natural aqui. Sanming Han e Tao Zhao, cada um à sua maneira, têm grandes interpretações, além de convencerem com os seus dramas, as suas personagens são bastante cativantes. Os dois agem com uma simplicidade muito característica, embora ao mesmo tempo, passem a imagem para fora do ecrã de transportarem um grande peso emocional com eles. Eu gostei das duas histórias, são narrativas simples e apelativas, que nos agarram e nos colocam sempre concentrados naquilo que se passa diante dos nossos olhos. Destaque para a cena da ponte a ser iluminada, eu gostei bastante dessa sequência. A calmaria que o filme transmite é notável. Foi um prazer assistir a esta película pela segunda vez.

Rings

Nome do Filme : “Rings”
Titulo Inglês : “Rings”
Titulo Português : “Rings”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Terror
Realização : F. Javier Gutierrez
Produção : Laurie MacDonald/Walter F. Parkes
Elenco : Matilda Anna Ingrid Lutz, Alex Roe, Johnny Galecki, Vincent D'Onofrio, Aimee Teegarden, Bonnie Morgan, Chuck David Willis, Patrick R. Walker, Zach Roerig, Laura Wiggins, Lizzie Brochere, Randall Taylor, Drew Grey, Kayli Carter, Jill Jane Clements.

História : Uma rapariga começa a investigar o que aparenta ser apenas mais uma lenda urbana : uma cassete de vídeo amaldiçoada, com conteúdo perturbador, cuja visualização é seguida de uma chamada telefónica que anuncia a quem a viu, que morrerá em sete dias. Depois de a ter visionado, ela faz uma descoberta, existe um vídeo dentro daquele vídeo que ninguém viu antes.

Comentário : O primeiro filme americano desta saga foi muito bem realizado por Gore Verbinski, eu confesso ter gostado bastante desse filme de terror. O segundo era muito fraco e eu não gostei nada. Agora surge-nos o terceiro que além de não chegar aos calcanhares do primeiro, é ainda pior que o segundo. A história de Samara Morgan agradou-me bastante e penso que o primeiro filme bastava, não era preciso fazer um segundo filme e muito menos um terceiro. A maioria das pessoas não estava interessada em conhecer o pai de Samara e muito menos a mãe dela. Claro que estou a chamar este novo filme de desnecessário, ele não adianta nada para a história da menina carente, já para não falar do facto de estar muito mal feito e de ter muitas alterações face à tese original. A Samara do primeiro filme era muito mais real do que esta deste terceiro filme, o factor digital perde muito nesta sequela. Os efeitos sonoros até são legais, mas o argumento é muito pobre e o filme é cheio de clichés do género e de situações descabidas e fora do contexto. Outras ainda são muito mal explicadas. Existem também algumas atitudes das personagens que são duvidosas e vão contra a lógica das coisas. A nível do elenco, não existe aqui uma interpretação de jeito, nem a protagonista se safa. Os sustos soam a falso, o factor surpresa não mora por aqui, a própria história do vídeo dentro do vídeo não pega, é uma grande estupidez. Perdeu-se a magia do original. Quiseram trazer a história de Samara para a era digital, mas falharam porque a coisa não resulta. A miúda carente passou da cassete VHS para os computadores, telemóveis e para a internet, a essência da coisa foi-se e é lamentável que assim seja. O final é patético e abre a porta para uma ou mais sequelas. Deviam ter contado e mostrado o passado de Samara de uma outra maneira. Um filme totalmente nulo e desnecessário. 

Rogue One

Nome do Filme : “Rogue One”
Titulo Original : “Rogue One : A Star Wars Story”
Titulo Inglês : “Rogue One”
Titulo Português : “Rogue One : Uma História de Star Wars”
Ano : 2016
Duração : 133 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica/Drama
Realização : Gareth Edwards
Produção : Kathleen Kennedy/Allison Shearmur
Elenco : Felicity Jones, Diego Luna, Donnie Yen, Forest Whitaker, Mads Mikkelsen, Ben Mendelsohn, Guy Henry, Riz Ahmed, Jimmy Smits, Alistair Petrie, Genevieve O'Reilly, Ben Daniels, Paul Kasey, James Earl Jones, Ingvild Deila, Anthony Daniels, Ian McElhinney, Fares Fares, Jonathan Aris, Sharon Duncan Brewster, Valene Kane, Daniel Mays, Warwick Davis, Beau Gadsdon, Dolly Gadsdon, Peter Cushing.

História : Depois de uma infância difícil, Jyn Erso está prestes a provar o seu valor quando Mon Mothma, líder da Aliança Rebelde, lhe dá uma arriscada missão : juntar-se a um grupo de pessoas comuns e roubar os planos da Estrela da Morte. Inventada e construída pelo Império, esta arma secreta e poderosa possui força suficiente para fazer explodir planetas inteiros. É assim que ela e um bando de rebeldes improváveis vão embarcar numa luta de vida ou morte, onde serão forçados a enfrentar as tropas de Darth Vader, quando este estava sob o comando do Imperador.

Comentário : A história deste filme pertencente ao universo “Star Wars” situa-se antes dos acontecimentos do episódio IV. Gostei bastante deste filme, embora tenha que dizer que não é tão bom quanto os filmes da trilogia clássica, mas é bem melhor do que qualquer um dos capítulos da trilogia prequela. Uma das coisas que mais se destaca nesta saga é o facto dos filmes viverem muito das suas personagens, são elas os principais alicerces de “Star Wars” e, neste filme, a história está-se a borrifar para os personagens. Apesar destes serem descartáveis, possuem um papel essencial aqui, afinal eles deram a vida para que os acontecimentos do episódio IV pudessem acontecer. Por algum motivo, eles não aparecem em “Star Wars : A New Hope”. Eu gostei de ter seguido esta jornada espacial, foi uma excelente ideia terem concebido este filme. A fita possui excelentes efeitos visuais e uma grande banda sonora. Ao contrário daquilo que costuma acontecer, desta vez, não gostei do dróide de serviço. Apesar do filme ter imensas referências a outros filmes da saga, sente-se a falta física do Imperador. Constatei um erro terrível, não sei como não pensaram nisso. Gostei de ver Mads Mikkelsen inserido neste universo, o mesmo não posso dizer de Forest Whitaker. Podiam ter mostrado mais criaturas. Existem umas poucas coisas que não batem certo com a história da saga em si, mas isso facilmente se releva. Adorei ver Darth Vader neste filme. Não achei muito bem terem metido um Peter Cushing digital a representar aqui, mas foi uma atitude necessária e justificável. Gostei da surpresa final envolvendo uma das personagens principais da trilogia clássica, é uma sequência muito bem feita. A actriz Felicity Jones está muito bem neste papel, embora eu prefira a Rey do episódio VII. Diego Luna tem a segunda melhor prestação do longa, embora eu preferisse que tivessem metido um actor menos conhecido. Por último, tenho que dizer que gosto bastante do trabalho de Gareth Edwards como realizador, seja aqui ou em anteriores filmes.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

The Autopsy Of Jane Doe

Nome do Filme : “The Autopsy Of Jane Doe”
Titulo Inglês : “The Autopsy Of Jane Doe”
Titulo Português : “A Autópsia de Jane Doe”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Mystery/Terror
Realização : Andre Ovredal
Elenco : Brian Cox, Emile Hirsch, Olwen Kelly, Ophelia Lovibond, Sydney.

História : Tommy Tilden e o seu filho, Austin, são médicos legistas numa pequena cidade americana. Numa noite, aparece-lhes o corpo de uma jovem não identificada. Foi assassinada sob estranhas circunstâncias e encontrada na cave de uma família. À medida que pai e filho vão avançando com a autópsia, numa tentativa de descobrir as causas da morte da rapariga, dão-se conta de alguns factos perturbadores.

Comentário : Tal como aconteceu com “Get Out”, também apanhei uma desilusão com este pequeno filme de terror. É assim, este filme de terror tem uma primeira parte muito boa, com o espectador a ficar totalmente envolvido com aquilo que se desenrola perante os nossos olhos. Acompanhamos o trabalho de um pai e do seu filho, ambos trabalhadores de uma morgue, que recebem um corpo inesperado e estranho e é-lhes pedido que façam a respectiva autópsia, para que de manhã, saibam dizer qual foi a causa da morte da jovem falecida. Primeiramente, é um trabalho muito eficaz de Brian Cox e Emile Hirsch, dois actores que dão muita credibilidade aos seus personagens, os dois têm uma boa química e conseguem com que quem os vê, seja realmente levado a conhecer como se faz uma autópsia. O realizador não nos poupa às nojices próprias daquilo que se está a passar. O clima de mistério resulta muito bem e nos deixa nervosos. Há uma tensão muito forte aqui.

No entanto, lá pela marca dos quarenta minutos que é mais ou menos quando começa a segunda parte do filme, tudo se altera. A sensação que me deu foi que, a partir de uma situação inverossímil, a história e o filme em si resvalaram para uma narrativa patética e ridícula, repleta de clichés do género e de situações estúpidas, o que estragou todo o bom trabalho feito até então. A mim, esta situação colocou-me triste, porque eu tinha depositado muita expectativa neste filme e, visto que a primeira parte é muito boa, a segunda parte não correspondeu em nada aquilo que eu havia idealizado. No campo do elenco, Brian Cox tem uma interpretação consistente, o seu personagem é um homem convicto da sua função e que faz o seu trabalho com afinco e dedicação, ele convence muito bem e nos transmite na perfeição como é um funcionário de uma morgue. Por seu turno, Emile Hirsch, está igualmente aceitável, embora não tenha sido tão convincente quanto Cox o foi. No entanto, Hirsch passa bem a imagem de uma parte da juventude de hoje, por vezes, desligados da realidade e um pouquinho irresponsáveis face ao trabalho. Ophelia Lovibond vai bem, mas teve uma presença limitada, podia ter tido mais tempo de antena. Olwen Kelly tem uma boa prestação física e muita paciência, não deve ter sido fácil passar o filme quase todo deitada numa maca parada. Por último, temos um gatinho muito querido. Lamentável foi o destino do bichano. É um filme detentor de uma primeira parte bastante competente, mas que se perde largamente num segundo acto profundamente patético e pouco imaginativo.