domingo, 26 de fevereiro de 2017

At The End Of The Tunnel

Nome do Filme : “Al Final Del Tunel”
Titulo Inglês : “At The End Of The Tunnel”
Ano : 2016
Duração : 121 minutos
Género : Crime/Thriller/Drama
Realização : Rodrigo Grande
Elenco : Leonardo Sbaraglia, Clara Lago, Pablo Echarri, Uma Salduende, Federico Luppi, Walter Donado, Laura Faienza, Javier Godino, Facundo Nahuel Gimenez, Ariel Nunez, Cristobal Pinto, Sergio Ferreiro, Daniel Morales Comini, Luz Gimenez.

História : Um paraplégico com um passado marcado pela tragédia, alberga em casa uma jovem mãe solteira e a sua filha pequena de seis anos, sem desconfiar que a mãe da miúda integra um grupo de criminosos que pretende prejudicá-lo.

Comentário : Esta noite vi esta co-produção entre a Argentina e a Espanha e confesso que fiquei bastante surpreendido, estamos perante um filme muito bom e que faz ver a muitos filmes americanos do género. Apesar de algumas pequenas falhas e de não explicar como o protagonista se safou de estar implicado no mau resultado do assalto do grupo criminoso, o argumento é aliciante e nos agarra ao ecrã durante grande parte da projecção. Podemos contar com algumas reviravoltas na história, algumas resultam muito bem. Existem alguns momentos de grande tensão e foram muito bem geridos pelo realizador. É um filme em que estamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O elenco está muito bem. Como protagonista, Leonardo Sbaraglia é o que está melhor, ele tem uma boa interpretação, para além de uma excelente prestação física. Clara Lago está perfeita no seu papel, ela tem uma boa prestação e a sua personagem é a mais cativante da fita. O realizador dá-nos ainda planos dela muito sugestivos. Pablo Echarri manda muito bem no papel do vilão principal, ele está consistente e tem um fim espectacular. Por último, a pequena Uma Salduende é um achado, esta pequena actriz convenceu muito bem no papel de filha problemática, compreendi os seus dramas na perfeição. Adorei o final. É um bom thriller que vive muito da qualidade do seu elenco e de uma história cativante. Gostei bastante. 

United States Of Love

Nome do Filme : “Zjednoczone Stany Milosci”
Titulo Inglês : “United States Of Love”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Tomasz Wasilewski
Produção : Agnieszka Drewno/Piotr Kobus
Elenco : Julia Kijowska, Magdalena Cielecka, Dorota Kolak, Marta Nieradkiewicz, Tomasz Tyndyk, Andrzej Chyra, Lukasz Simlat, Marcin Czarnik, Jedrzej Wielecki, Julia Chetnicka, Malgorzata Majerska, Zuzanna Bernat, Lech Lotocki, Igor Bejnarowicz, Dorota Papis, Michal Grzybowski, Hanna Klepacka, Joanna Krol, Malgorzata Rozniatowska, Klara Bielawka, Elzbieta Jarosik, Kinga Ciesielska, Edward Wasilewski, Tomira Kowalik, Agnieszka Makowska, Krzysztof Pluskota, Lena Schmscheiner.

História : Na Polónia dos anos 1990, quatro mulheres de diferentes idades decidem que é altura de mudar alguma coisa nas suas vidas.

Comentário : Trata-se de um filme polaco, confesso ter gostado, ainda que não seja nada de especial, é uma fita que se vê de bom agrado e que embora nunca sature, não deixa de transparecer a sua tremenda simplicidade. No centro da trama, temos quatro mulheres que estão cansadas do tipo de vida que levam e de aturar sempre as mesmas coisas. Um dia, decidem fazer algo de diferente. São histórias de quem está tão martirizado com um quotidiano fútil e rotineiro, que está à beira da saturação e sente-se disposto a tudo para mudar. Eu penso que aquilo que mais me agradou neste filme foi o argumento muito bem escrito e as interpretações das quatro actrizes principais.

Julia Kijowska vai muito bem no papel da esposa que está farta da vida de casada e do marido, eles já não se gramam e não se respeitam. É possivelmente a melhor das quatro. Por outro lado, Magdalena Cielecka vive aqui uma directora de uma escola que mantém um caso com um homem que, a principio, gosta da situação mas depois, a repudia, o que a faz ser responsável por um acontecimento trágico. Dorota Kolak está soberba no papel de cinquentona lésbica que tem uma atracção estranha por pássaros e um fetiche pela vizinha da frente. A sua entrega ao papel é brutal. Por último, temos Marta Nieradkiewicz que convence muito bem no seu registo. Não sendo um filme marcante nem tão pouco digno de figurar numa lista de preferências, é uma fita que se vê muito bem e que tem a particularidade de simpatizarmos facilmente com as protagonistas, independentemente da maioria das suas atitudes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Frantz

Nome do Filme : “Frantz”
Titulo Inglês : “Frantz”
Ano : 2016
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : François Ozon
Elenco : Paula Beer, Pierre Niney, Ernst Stotzner, Marie Gruber, Cyrielle Clair, Johann Von Bulow, Anton Von Lucke, Alice De Lencquesaing, Ralf Dittrich, Michael Witte.

História : Na Alemanha da Primeira Guerra Mundial, Anna é uma viúva que chora a morte do seu noivo, morto em combate. Um dia, um estranho rapaz que deixa flores na campa do seu amado, desperta-lhe a maior das curiosidades.

Comentário : Trata-se do novo filme do cineasta francês François Ozon e eu tinha que o ver. Tal como a maioria dos seus trabalhos, estamos novamente perante um bom filme que tem os seus principais trunfos no excelente argumento e numa poderosa interpretação a cargo da bonita actriz Paula Beer. É uma trama que nos envolve profundamente, eu senti-me totalmente penetrado naquilo que as imagens me iam mostrando, acompanhei os acontecimentos com agrado. Não é apenas Paula Beer que esteve muito bem, gostei igualmente da prestação do actor Pierre Niney, o seu personagem transmite emoções paupáveis e a química dele com ela resultou na perfeição. Ernst Stotzner e Marie Gruber também estão bastante convincentes nos papéis de pais do personagem falecido que dá nome ao título do filme. A fita está filmada quase na totalidade a preto e branco, o que tornou tudo mais apelativo, no sentido em que se trata de uma narrativa que decorre na época da Primeira Grande Guerra. A recriação de época está impecável, com o merecido destaque para o guarda roupa. Não concordei com uma das decisões principais de Anna, mas no geral, fiquei muito satisfeito com este filme.

Tanna

Nome do Filme : “Tanna”
Titulo Inglês : “Tanna”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Martin Butler/Bentley Dean
Produção : Martin Butler/Bentley Dean/Carolyn Johnson
Elenco : Marie Wawa, Mungau Dain, Marceline Rofit, Kapan Cook, Charlie Kahla, Lingai Kowia, Albi Nagia, Dadwa Mungau, Mungau Yokay, Linette Yowayin.

História : Numa ilha do Pacífico, duas tribos rivais travam uma luta sangrenta pela posse de terra e apenas se entendem através dos casamentos arranjados. Um dia, dois amantes da mesma tribo decidem seguir um caminho diferente, colocando em causa os costumes do seu povo.

Comentário : É um bom filme que trata um tema eterno : o Amor. Nota-se claramente que este filme do chamado cinema do mundo foi concebido com poucos meios. Mas tudo resultou muito bem. Por exemplo, a banda sonora é envolvente e penetrante, ajuda a fazer-nos parte da narrativa. O elenco é todo composto por gente amadora, mas todos fizeram um excelente trabalho, com destaque para a jovem protagonista Marie Wawa e para a pequena Marceline Rofit, são desta última as melhores cenas da fita. A empatia entre Marie Wawa e Mungau Dain é notável, os dois combinam muito bem. Temos cenários naturais e abertos, sendo de destaque as sequências que decorrem no vulcão. O filme mostra uma história de amor entre dois elementos da mesma tribo e também o facto destes irem contra as tradições e costumes do seu povo. Foca igualmente o modo como eles vivem e as rivalidades entre as duas tribos. Tudo isso foi muito bem explicado e mostrado. A fotografia é boa e o argumento apenas peca devido ao facto de ser demasiado simples, é aquilo e pronto. Felizmente, temos um destino para o casal protagonista digno deste tipo de história, apesar do final encontrado para as tribos ter sido arranjado e certinho demais. No entanto, tem que se dar desconto porque esta história baseia-se em acontecimentos reais. Mas no geral, gostei bastante deste filme.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Paterson

Nome do Filme : “Paterson”
Titulo Inglês : “Paterson”
Titulo Português : “Paterson”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jim Jarmusch
Elenco : Adam Driver, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji, Barry Shabaka Henley, Trevor Parham, Troy Parham, Brian McCarthy, Frank Harts, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Sterling Jerins, Kara Hayward, Masatoshi Nagase, Cliff Smith, Nellie.

História : Paterson é motorista de autocarro na cidade de Paterson, ele e a cidade partilham o mesmo nome. Todos os dias da semana, Paterson segue a mesma rotina : percorre a rota diária, observando a cidade à medida que a vê passar pelo espelho retrovisor, e ouve fragmentos das conversas em redor. Escreve poemas num caderno, passeia o cão e vai para casa ter com a sua mulher, Laura. Os dois vivem os seus quotidianos e amam-se mutuamente.

Comentário : Este filme é realizado por Jim Jarmusch, um bom director que faz filmes muito bons. Esta noite tive o prazer de ver este seu novo filme, que gostei bastante. É uma fita que fala do quotidiano de pessoas comuns, fala também do amor e da poesia, de rotinas diárias e da vida em si. Com um argumento bom, o cineasta mistura habilmente todas essas temáticas e o resultado é um filme que se vê muito bem. Houve alguém que apelidou este filme de repetitivo, até pode ser, mas nunca é cansativo, possui um bom ritmo e nós simpatizamos com o protagonista. O filme possui estranhas referências aos gémeos, é algo que ficou bem vincado. A banda sonora é por vezes hipnótica. Temos bonitos planos e a fotografia é apelativa. Nota-se que a história foi escrita com bastante cuidado, é um filme feito a perceito. A história é simples, seguimos o quotidiano do personagem principal nos sete dias da semana, tudo com muita naturalidade, eu adorei a maneira como tudo nos é mostrado. Não gosto muito do actor Adam Driver e neste filme, fiquei a simpatizar ligeiramente com ele, foi neste registo que eu mais gostei de o ver, tem a melhor interpretação da sua carreira. Golshifteh Farahani é uma boa fonte de apoio do protagonista, está aceitável e a sua personagem é igualmente credível. Além disso, a química entre ele e ela funciona. Adoro ver o actor Barry Shabaka Henley actuar, aqui ele está muito bem no papel de funcionário do bar nocturno. E a jovem actriz Sterling Jerins tem no filme uma participação especial, num papel de relevância para o protagonista. Por último, o cão fez bem o seu trabalho, mas é um animal muito irritante. No geral, fiquei bastante satisfeito com esta fita, é um filme simples e realista.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

The Unknown Girl

Nome do Filme : “La Fille Inconnue”
Titulo Inglês : “The Unknown Girl”
Titulo Português : “A Rapariga Desconhecida”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Produção : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Elenco : Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minnella, Christelle Cornil, Olivier Gourmet, Pierre Sumkay, Yves Larec, Ben Hamidou, Laurent Caron, Fabrizio Rongione, Thomas Doret.

História : Jenny é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano, que foi seu mentor. Bastante atenciosa com os seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca da sua identidade.

Comentário : Esta fita belga é o novo filme dos irmãos Dardenne, confesso que gosto do cinema que eles fazem, a maneira calma e quase amadora de eles filmarem sempre me cativou. Não é só da maneira peculiar deles filmarem que eu gosto, tenho uma simpatia também pela forma como eles nos contam as suas histórias, onde o factor humano possui grande relevância. Durante o primeiro acto, acompanhamos o quotidiano da protagonista, ela é uma jovem médica que é muito dedicada aos seus pacientes e tudo faz para os atender bem e tentar resolver os seus problemas. No segundo acto, de uma atitude repentina surge um acontecimento mau e a médica tem que lidar com esse problema, algo que lhe rói a consciência e a faz iniciar numa investigação por conta própria. No terceiro acto, temos a continuação da sua vida e a conclusão do caso. A narrativa é intrigante em alguns momentos, apresenta-nos algumas dúvidas por vezes, sendo opaca nas respostas. Mas no final, quase tudo é explicado. Adele Haenel tem neste filme uma interpretação natural, parece que aquilo está a acontecer de verdade e os restantes actores enquanto elenco secundário fazem um trabalho bastante competente. Estamos perante um thriller leve e cativante que me agarrou ao ecrã desde o início e o final foi reconfortante.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Live By Night

Nome do Filme : “Live By Night”
Titulo Inglês : “Live By Night”
Titulo Português : “Viver Na Noite”
Ano : 2016
Duração : 129 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Ben Affleck
Produção : Ben Affleck
Elenco : Ben Affleck, Elle Fanning, Zoe Saldana, Sienna Miller, Brendan Gleeson, Chris Cooper, Chris Messina, Robert Glenister, Matthew Maher, Titus Welliver, Max Casella, Remo Girone, Clark Gregg, Anthony Michael Hall, Chris Sullivan, Michael Mantell, Giuseppe Losavio, Peter Arpesella.

História : Nos Estados Unidos, entre os anos 1920 e 1933, foi aprovada a Lei Seca. Segundo essa lei, o fabrico, o transporte e venda de bebidas alcoólicas eram estritamente proibidas. Se, a princípio, essa medida foi bem vista e apoiada quase unanimemente, depressa deu origem a um comércio paralelo. Traficantes montaram esquemas onde lucravam com o negócio ilegal gerando riquezas inesperadas. Entre os bandidos que enriqueciam através do contrabando de bebidas proibidas estava Joe, o filho mais novo de um respeitável capitão da polícia de Boston. Toldado pelo poder e empenhado em enriquecer a qualquer custo, Joe vê-se enredado no crime organizado e nos seus esquemas de traição e vingança.

Comentário : Escrito, produzido, realizado e protagonizado por Ben Affleck, “Live By Night” é um razoável filme de gangsters que eu já tive a oportunidade de ver. Posso assegurar que gostei do filme, embora ache que ele é longo demais para a história que pretende contar. Entre as coisas que mais saltam à vista neste filme, destaque para a extraordinária recriação de época, tudo foi cuidadosamente pensado ao mínimo detalhe e eu achei tudo perfeito, com realçe máximo para os veículos e para o guarda-roupa. Na minha opinião, Ben Affleck é um bom actor e um bom realizador, disso não existem dúvidas. O homem não olha a meios para que as suas produções e participações sejam de qualidade, embora o meu filme preferido dele enquanto cineasta continue a ser o sufocante “Gone Baby Gone”. E neste seu novo filme, ele consegue uma boa prestação. Sienna Miller está fantástica neste registo enquanto que Brendan Gleeson e Chris Cooper têm aqui papéis aceitáveis e credíveis. Zoe Saldana vai muito bem, confesso ter gostado bastante do seu papel e da sua personagem. Já Elle Fanning também não desilude, apesar de aparecer pouco. No entanto, ela encanta com o seu ar angelical, existe uma cena em particular em que ela passa de um choro para um sorriso com um profissionalismo digno de uma grande actriz, é isso que ela é. O filme tem belíssimas imagens e para isso contribuem admiráveis planos aéreos. Podemos contar com cinco curiosos twists. O argumento peca por ser um pouquinho repetitivo. No geral, estamos perante um filme razoável.

20Th Century Women

Nome do Filme : “20Th Century Women”
Titulo Inglês : “20Th Century Women”
Titulo Português : “Mulheres do Século XX”
Ano : 2016
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Mike Mills
Elenco : Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwig, Lucas Jade Zumann, Billy Crudup.

História : A vida de Dorothea Fields, uma mãe solteira na casa dos cinquenta que está a cuidar do seu jovem filho, em finais dos anos 70 e inícios dos anos 80, uma época de mudanças culturais e de revolução. Na educação de Jamie, Dorothea conta com a ajuda de duas mulheres mais novas, Abbie, uma artista punk que arrenda um quarto na casa dos Fields, e Julie, uma linda, inteligente e provocadora adolescente.

Comentário : Confesso que não sei se gostei deste filme ou não. Insatisfeito não fiquei, embora não seja um mau filme, é daqueles que se não tivesse sido feito, não fazia falta nenhuma. Trata-se de um filme de época e centra-se na vida de uma mãe e na educação que esta dá ao filho. Sendo um filme mais virado para o público feminino, é uma fita que se segue bem mas o principal problema é que estamos sempre à espera que surja algo grandioso e isso acaba por nunca acontecer. Aquilo anda sempre às voltas com os dramas pessoais de cada um dos cinco personagens centrais e não desenvolve. Annette Bening tem uma boa prestação, embora dela já tenha visto muito melhor. O mesmo se passa com Elle Fanning, esta linda rapariga é uma actriz completa, raramente me desiludiu (apenas duas vezes) nos filmes que vi dela, e aqui está muito bem, mas ela tem prestações melhores em outros dramas. Greta Gerwig tem a melhor prestação deste filme, gostei muito de a ver neste registo. Lucas Jade Zumann é um achado, fiquei surpreendido com a interpretação deste jovem e com a sua entrega ao papel. E Billy Crudup está igual a si próprio, não fazia falta nenhuma nesta obra. É um filme leve e trivial que vale apenas pelas interpretações.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

I, Daniel Blake

Nome do Filme : “I, Daniel Blake”
Titulo Inglês : “I, Daniel Blake”
Titulo Português : “Eu, Daniel Blake”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Ken Loach
Elenco : Dave Johns, Hayley Squires, Briana Shann, Dylan McKiernan, Sharon Percy, Julie Nicholson, Micky McGregor, Kate Rutter, Dan Li.

História : Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake, um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado que lhe concedam uma forma de subsistência, vê-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora.

Comentário : Gostei bastante deste filme inglês que nos alerta para um problema dos nossos dias, a burocracia, variando de país para país, é sempre este o problema que as pessoas humildes encontram quando tentam resolver as suas questões. É um filme inquisidor, que mete o dedo directamente na ferida, ele denuncia o problema. É um filme premiado que está muito bem escrito e tem cenas marcantes, sendo a minha preferida a dos dizeres na parede. No papel do protagonista, Dave Johns está brutal na pele do homem sofrido e doente que é humilhado pela Segurança Social e vê-se sujeito às leis enervantes de todo um sistema que está concebido para não ajudar quem mais precisa. Ele tem a melhor prestação do filme. Como amiga do protagonista, a actriz Hayley Squires vai muito bem e chega mesmo a emocionar, na cena da lata no abrigo ela atinge o auge. A sua personagem é uma mãe solteira que também possui problemas com o sistema, ela já foi mendiga e tem que batalhar no duro para garantir a sobrevivência dos seus dois filhos menores. E a pequena Briana Shann é um nome a ter em conta futuramente, ela se saiu muito bem aqui. O filme é um pouco parado, embora nunca aborrecido. É uma fita que se vê muito bem, eu próprio me senti totalmente envolvido na história. É devido a filmes como este que ainda vale a pena irmos ao cinema.

The Edge Of Seventeen

Nome do Filme : “The Edge Of Seventeen”
Titulo Inglês : “The Edge Of Seventeen”
Titulo Português : “Quase 18”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Kelly Fremon Craig
Produção : Kelly Fremon Craig/James L. Brooks
Elenco : Hailee Steinfeld, Haley Lu Richardson, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keeleyside, Nesta Cooper, Daniel Bacon, Lina Renna, Ava Grace Cooper, Christian Michael Cooper, Jena Skodje, Katie Stuart, Meredith Monroe, Lyle Reginald, Christian Lagasse, Kirsten Robek, Paul Herbert, Laura Ward, Laine MacNeil.

História : Os dramas sociais de uma bonita adolescente que se acentuam quando a sua melhor amiga começa a namorar com o seu irmão mais velho.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que sou um grande admirador de Hailee Steinfeld enquanto actriz e pessoa, ela nunca me desiludiu em nenhum papel que desempenhou. Já estava a algum tempo para ver este filme e agora que o vi, confesso que gostei bastante, a realizadora abordou a adolescência de uma forma muito peculiar. O filme tem uma história que se segue muito bem, eu adorei seguir os dramas de Nadine, é uma personagem interessante e ficamos a zelar para que tudo dê certo com ela, apesar da sua imaturidade. Hailee Steinfeld (True Grit) é uma actriz completa, ela tem neste filme mais uma excelente interpretação, conseguindo passar na perfeição os dramas que a sua Nadine vive. Haley Lu Richardson (The Last Survivors) tem uma interpretação boa, ela e Hailee são duas raparigas lindas, gostei bastante das suas personagens. Woody Harrelson tem um personagem que primeiro estranha-se e depois entranha-se, no final, ele acaba por ter bastante carisma. E Kyra Sedgwick, Hayden Szeto e Blake Jenner são três bons apoios à protagonista, apesar de eu ter detestado o personagem do terceiro.

O filme tem uma componente cómica leve mas bastante consistente que nunca cai no ridículo. A banda sonora é de uma qualidade raramente encontrada em filmes do género. A fita consegue igualmente nos colocar bem dispostos em algumas ocasiões e a pensar, noutras situações. Nadine é uma personagem bastante admirável, é fácil gostarmos dela, nos sentimos parte dos seus problemas e dos seus dramas sociais e existênciais, tudo isto graças à excelente prestação da protagonista. Podemos também contar com uma sequência animada bastante original que surge perfeitamente enquadrada na narrativa devido a um dos personagens secundários, que no final, abarca uma importante e decisiva ligação com Nadine. A componente “escola” também foi bem trabalhada. A adolescência é a fase mais complicada do ser humano e em conjunto com a infância, são elas que definem que adultos nós seremos no futuro, tudo fruto das experiências que vivemos durante essas duas fases e a realizadora Kelly Fremon Craig conseguiu, através da escolha certa da actriz principal para o seu filme, nos passar essa mensagem. Trata-se de um dos meus filmes preferidos sobre a juventude, em parte, porque o argumento é muito bom e também pelo profissionalismo de Hailee Steinfeld. 


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Passengers

Nome do Filme : “Passengers”
Titulo Inglês : “Passengers”
Titulo Português : “Passageiros”
Ano : 2016
Duração : 116 minutos
Género : Aventura/Drama/Ficção-Científica
Realização : Morten Tyldum
Elenco : Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne.

História : Jim Preston é um dos cinco mil passageiros que viajam em estado de hibernação pelo espaço numa nave sofisticada a caminho de um planeta distante para aí iniciarem uma nova vida, num desejado processo de colonização. Devido a uma chuva de asteróides, gera-se um problema na nave, o que origina que a cápsula de hibernação de Jim avarie, fazendo com que ele desperte noventa anos antes do previsto. Após cerca de um ano a deambular pela nave e conseguindo sobreviver nesse espaço de tempo, ele sente-se muito sozinho, acabando por tomar uma decisão que o fará cometer um acto condenável.

Comentário : Estamos perante um filme que falhou em alguns aspectos. Confesso que não gostei deste filme, porque ele tentou me vender algo que eu não estava disposto a comprar. Eu até estava a seguir bem os acontecimentos que envolviam o personagem principal, mas depois o filme toma um rumo totalmente descartável e detentor dos habituais clichés do cinema comercial americano. E digo isto com muita tristeza, porque as coisas podiam ter ido por outros caminhos bem mais interessantes, tornando tudo num fantástico thriller espacial psicológico. Primeiro, o que Jim faz é totalmente condenável, isto tendo em conta a situação em que todos estavam, é um acto de puro egoísmo e de machismo. O filme peca igualmente por ter aspectos que não são devidamente explicados, pequenos detalhes de coisas que acontecem. Como aspectos positivos, o filme tem uma boa fotografia e está impecável a nível técnico, possuindo uma sequência muito interessante envolvendo uma piscina e a gravidade, abrangendo a personagem de Jennifer Lawrence. Esta última e Chris Pratt têm boas interpretações e a química entre os dois resultou muito bem. Apesar do final do filme ser o desejado e o correcto, o terceiro acto da fita é uma autêntica porcaria, típica dos filmes comerciais de Hollywood. Nas mãos do realizador e do argumentista certos, este podia ter sido um bom filme. É mais uma das grandes desilusões deste ano. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

It's Only The End Of The World

Nome do Filme : “Juste La Fin Du Monde”
Titulo Inglês : “It's Only The End Of The World”
Titulo Português : “Tão Só o Fim do Mundo”
Ano : 2016
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Dolan
Produção : Xavier Dolan
Elenco : Gaspard Ulliel, Nathalie Baye, Vincent Cassel, Lea Seydoux, Marion Cotillard.

História : Louis é um escritor que regressa à casa da mãe depois de doze anos de ausência para comunicar à família que está à beira da morte.

Comentário : O jovem realizador e produtor Xavier Dolan surge-nos com outro drama familiar, campo no qual ele é um senhor. Todos os filmes dele foram do meu agrado e já se encontram comentados neste espaço. É um filme que aborda os dramas familiares, as complicadas relações entre os vários membros de uma família e a forma como as suas ações no passado afectam o presente. Não é um filme fácil. É uma fita que fala do saudosismo de um passado razoável e da carência de qualquer coisa, o realizador sabe muito bem trabalhar a questão mãe-filho. Gaspard Ulliel possui uma excelente prestação aqui, ele é o protagonista e o actor em causa consegue nos transmitir na perfeição tudo o que ele está a passar. Vincent Cassel está convincente no seu papel, aqui no corpo de um personagem carregado de traumas e de sofrimento, principalmente por tudo o que já passou, por vezes chega a irritar. Nathalie Baye tem a melhor prestação do filme, ela é a mãe do protagonista e deu-nos uma personagem muito forte. Lea Seydoux, linda como sempre, nunca nos desilude no campo da representação, aqui está brutal no papel da irmã cheia de curiosidade para saber mais sobre o irmão que pouco viu. Por último, Marion Cotillard, ainda que um pouco engasgada na sua personagem, está leal como actriz, mas já nos deu muito melhor. Gostei bastante deste filme, porque aborda muito bem as complicadas relações entre pessoas. Xavier Dolan trabalha bem a complexidade que envolve uma família nos seus filmes. 

Split

Nome do Filme : “Split”
Titulo Inglês : “Split”
Titulo Português : “Fragmentado”
Ano : 2016
Duração : 117 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : M. Night Shyamalan
Produção : M. Night Shyamalan
Elenco : James McAvoy, Anya Taylor Joy, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Betty Buckley, Sebastian Arcelus, Brad William Henke, Izzie Leigh Coffey.

História : Kevin sofre de transtorno dissociativo de identidade, e dentro de si, existem várias personalidades distintas. Há muito que é acompanhado por uma psiquiatra especializada em distúrbios de identidade que se interessa particularmente pelo seu caso e acredita que essas alteridades podem provocar alterações no próprio corpo. Certo dia, Kevin rapta três bonitas adolescentes e as mantém aprisionadas numa cave, atormentando-as diariamente.

Comentário : Capaz de fazer bons filmes e de nos facultar fitas medíocres, M. Night Shyamalan aparece agora com este “Split” que já chega tarde. O filme era para ter estreado no ano passado, agora parece que é moda, estarem constantemente a adiar a data de estreia de filmes. Confesso que gostei deste “Split”, embora tenha que dizer que continua longe da qualidade de obras como “O Sexto Sentido” e “A Vila”, os dois melhores filmes do cineasta. O filme possui um clima de tensão que se vai adensando conforme os minutos vão passando e isso atinge o auge no final do confronto entre o predador e a presa, com o twist final a que o realizador já nos habituou. Gostei do twist e curti bastante o final do filme, apesar de acabar em aberto para essas duas personagens, de realçar também que o realizador faz referências a outros filmes seus. A banda sonora é cordata e a fotografia é apelativa. O principal problema deste filme é que custa a acreditar que um ser humano chegasse a tanto, pelo menos daquela maneira.

James McAvoy tem aqui uma boa prestação, apesar dos exageros da sua personagem. As jovens Haley Lu Richardson e Jessica Sula estão bem, embora as suas personagens sirvam apenas os propósitos estabelecidos, não lhes é dado quase nada para fazer durante o filme, é como se não tivessem utilidade, como se não produzissem. Betty Buckley tem uma interpretação segura e bastante consistente, a sua química com James McAvoy sente-se em cada cena que contracenam. Depois de ter tido uma excelente prestação no muito e bem aclamado “The Witch”, a jovem e bonita Anya Taylor Joy repete o feito, a miúda possui a melhor interpretação deste “Split”, é uma personagem muito forte, complexa e dramática, a adolescente consegue passar para quem vê a fita, a complicada vivência da sua personagem. O filme tem a sua trama central na história do psicopata que lida com as suas três vítimas capturadas, sendo também pautado por cenas que o mostram em consultas com a sua psiquiatra e ainda com flashbacks que nos dão a conhecer o facto de que uma das miúdas raptadas sofreu desde tenra idade e continua a sofrer de abusos sexuais e psicológicos por parte de um tio nojento. Gostei deste filme, embora tenha que confessar que é uma obra que vive muito das prestações de James McAvoy e de Anya Taylor Joy. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

We Are What We Are

Nome do Filme : “We Are What We Are”
Titulo Inglês : “We Are What We Are”
Ano : 2013
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jim Mickle
Elenco : Michael Parks, Bill Sage, Ambyr Childers, Julia Garner, Jack Gore, Odeya Rush, Kelly McGillis, Kassie Wesley DePaiva, Wyatt Russell, Annemarie Lawless, Traci Hovel, Nat DeWolf, Nick Damici, Vonia Arslanian, Joel Nagle, Reagan Leonard, Jack Turner.

História : Ao mesmo tempo que a família Parker tenta fazer tudo para manter um segredo que tem décadas, um delegado policial chamado Doc Barrow inicia uma investigação a nível pessoal para saber porque motivo três pessoas desapareceram misteriosamente naquela região e se o aparecimento de ossos está ligado a isso.

Comentário : Trata-se de um bom thriller realizado por Jim Mickle que possui um fantástico twist a meio do filme. Confesso que fiquei admirado quando me foi revelado o segredo da família, nunca pensei que a coisa chegasse a tanto. Eu não o considero um filme de terror, está mais virado para um thriller policial violento. Li algures que este filme é uma espécie de remake de um outro filme, nunca vi esse original. O argumento apresenta falhas, nomeadamente na sua conclusão, existem coisas que não são devidamente explicadas. A fotografia do filme é bastante cativante e temos excelentes planos, eu adorei aquela sequência perto do final em que as duas miúdas incluem o pai na ementa do jantar, o cenário é brutal.

Do elenco todos estão bem, gostei de todas as prestações no geral, com destaque para a bonita Ambyr Childers, possivelmente a melhor interpretação do filme. Tem cenas que eu gostei, outras talvez não tivessem resultado tanto, temos ainda a história do livro do pai das miúdas, que origina uma narrativa dentro da principal. Essa segunda narrativa ou história explica um pouco as razões dos membros daquela família agirem daquela maneira, e dá a entender que a coisa já vem desde há séculos, que aquilo é um costume que algumas pessoas costumam seguir, é o caso desta família Parker. “We Are What We Are” é assim um thriller eficaz que mostra que o ser humano sempre foi um animal muito estranho, uma obra estruturalmente agradável e que se segue bem, embora apresente algumas falhas no que ao argumento dizem respeito, houve coisas que ficaram por explicar. É um filme detentor de uma história que aborda um tema que dá que pensar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Manchester By The Sea

Nome do Filme : “Manchester By The Sea”
Titulo Inglês : “Manchester By The Sea”
Titulo Português : “Manchester By The Sea”
Ano : 2016
Duração : 137 minutos
Género : Drama
Realização : Kenneth Lonergan
Produção : Matt Damon/Lauren Beck/Kimberly Steward.
Elenco : Casey Affleck, Michelle Williams, Lucas Hedges, Kyle Chandler, Mary Mallen, Gretchen Mol, Stephen Henderson, Tom Kemp, Chloe Dixon, Ellie Teeves, Oscar Wahlberg, Kara Hayward, Josh Hamilton, Anna Baryshnikov, Heather Burns, Jami Tennille, Erica McDermott, Danae Nason, Amanda Blattner, Kallie Tabor, Ben O'Brien, C. J. Wilson, Matthew Broderick.

História : Lee Chandler, um encarregado de limpeza, tenta lidar com a morte do irmão após um ataque cardíaco, ao mesmo tempo que lhe é confiada a custódia do sobrinho.

Comentário : Confesso que gostei deste filme, mas esperava mais. Trata-se de um drama muito humano sobre um homem com um passado trágico, que tem um emprego miserável, tendo ainda que carregar um fardo muito pesado. Quando se pensava que as coisas não podiam piorar mais, o seu irmão morre e é-lhe confiada a guarda do sobrinho, um jovem irresponsável. O argumento é muito bom, nota-se que está bem escrito e o realizador conseguiu passar para o ecrã o drama do protagonista. Sempre simpatizei com o actor Casey Affleck, gosto dele como actor e gostei de o ver neste papel. No filme, Casey Affleck tem uma boa interpretação e ele consegue nos transmitir os dramas do seu personagem. Quem também tem uma prestação muito boa é Michelle Williams, apesar de aparecer pouco, ela é a responsável por uma das sequências mais dramáticas e melhores do filme.

Não gostei da prestação do jovem Lucas Hedges, aliás, eu detestei o seu personagem e posso dizer que ele não acompanhou o ritmo de Casey Affleck, os dois não estiveram muito em sintonia, não houve química entre eles. Outra coisa que eu detestei foi a banda sonora, a maioria das melodias e temas parecem desajustados do que estamos a ver. O elenco de secundários fez um trabalho competente, com destaque para Kyle Chandler e Gretchen Mol. É um filme muito parado, possui um ritmo muito lento, mas não encontro nisso um problema. “Manchester By The Sea” é um bom filme que tem uma história muito dramática e que conta com duas grandes interpretações a cargo de Casey Affleck e de Michelle Williams. É uma fita cujas cenas nos transmitem bem o drama em que vive o seu protagonista.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Fences

Nome do Filme : “Fences”
Titulo Inglês : “Fences”
Titulo Português : “Vedações”
Ano : 2016
Duração : 140 minutos
Género : Drama
Realização : Denzel Washington
Produção : Denzel Washington
Elenco : Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney.

História : Um homem, que durante a sua infância sonhava tornar-se num grande jogador de basebol, acaba frustrado com um emprego na recolha do lixo.

Comentário : Este filme é baseado numa peça de teatro e confesso que adorei esta fita realizada com grande dedicação e afinco pelo grande Denzel Washington. O filme tem poderosos diálogos que se encontram inseridos em longas sequências de conversa entre os sete membros do soberbo elenco, como se se tratasse realmente de uma peça de teatro. Trata-se de um rigoroso trabalho de adaptação de uma história complexa, que resultou de forma perfeita, eu fiquei preso ao ecrã ao longo das quase duas horas e meia. Realizado, produzido e interpretado por Denzel Washington, estamos realmente perante um dos melhores filmes de 2016. Penso até que as nomeações que tem são poucas para a sua grandiosidade. Não conheço a peça em que o filme se baseia, mas gostei da história, é um drama intenso e muito humano sobre pessoas, sobre a vida. Existe muito sentimento neste filme, existe muita vida e muita entrega por parte dos sete actores que compõem a peça. É um filme que fala de abdicarmos dos nossos sonhos, que transmite a ideia que a vida nos prega partidas, o que não deixa de ser verdade. É um filme que nos diz directamente na cara que viemos a este mundo para sofrermos e que temos que conviver com os nossos erros, que insistem em nos infernizar a nossa existência.

No papel principal, o excelente Denzel Washington está soberbo. Ele é um actor perfeito, tal como Meryl Streep é uma actriz perfeita. Ele consegue neste filme possivelmente a melhor prestação da sua longa carreira, é aquele tipo de interpretação que deixa a sua marca. O seu personagem nos transmite a imagem de um homem sofredor e marcado por um passado muito duro. Adorei o seu Troy. Depois de uma boa prestação em “Suicide Squad”, a grande actriz Viola Davis possui em “Fences” a melhor interpretação da sua carreira, aqui dá-nos uma mulher sofrida que abdicou dos seus sonhos e de ter uma vida própria, para se dedicar e viver para um homem, Troy. Confesso que ela me fez sentir os dramas da sua personagem, que me desculpem a Emma Stone e a Isabelle Huppert (duas excelentes actrizes), mas preferia que o óscar de melhor actriz fosse para Viola Davis, ainda que eu saiba que ela não está nomeada na categoria de actriz principal. A química entre Denzel e Viola é perfeita e sente-se fora do ecrã. Stephen Henderson, no papel de melhor amigo de Troy, convence bastante no seu personagem. Como filhos do protagonista mas de mães diferentes, Jovan Adepo e Russell Hornsby têm interpretações tocantes, cada um do seu jeito, embora eu tenha gostado mais do personagem do primeiro, Cory, puxa, como eu entendo este personagem. Mykelti Williamson está muito bem como irmão de Troy, ele nos transmite tristeza e alegria ao mesmo tempo. Por último, a pequena Saniyya Sidney nos contagia com a sua vivacidade, ela tem muito talento, gostei da sua participação, será uma futura estrela. “Fences” é um filme que eu não esquecerei, porque eu o entendi na perfeição. 

Hacksaw Ridge

Nome do Filme : “Hacksaw Ridge”
Titulo Inglês : “Hacksaw Ridge”
Titulo Português : “O Herói de Hacksaw Ridge”
Ano : 2016
Duração : 139 minutos
Género : Drama/Histórico/Biográfico/Guerra
Realização : Mel Gibson
Elenco : Andrew Garfield, Teresa Palmer, Sam Worthington, Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Vince Vaughn, Nathaniel Buzolic, Robert Morgan, Richard Roxburgh, Luke McMahon, Thomas Unger, Daniel Thone, Yoji Tatsuta, Matt Nable, Bill Young.

História : O sonho do jovem Desmond T. Doss de se tornar médico é adiado devido aos escassos meios financeiros da família. Empenhado em salvar vidas, ele alista-se no exército para cumprir o que considera ser sua obrigação : ajudar os combatentes da Segunda Guerra Mundial, mesmo sabendo que as suas crenças pessoais e religiosas o impossibilitam de possuir uma arma ou matar um inimigo. Apesar do desdém e preconceito da maioria de alguns dos seus colegas que o consideram um cobarde, será durante a batalha de Okinawa, quase sem pegar em armas ou disparar um tiro, que mostrará a sua bravura. Sozinho, ele salva setenta e cinco soldados abandonados à morte em território inimigo. Esse feito fará dele o primeiro objector de consciência a receber a Medalha do Congresso Americano.

Comentário : Trata-se de um dos filmes de guerra mais realistas que vi até hoje e me perdoem todos aqueles aficionados em filmes do género. Mel Gibson é um excelente actor e um bom realizador, e nesta função a violência está sempre presente nos seus trabalhos. Este seu novo filme é muito violento, algumas cenas de guerra são espectaculares, viscerais e estão muito bem filmadas, para além de estarem muito realistas. A realização é um dos principais pontos fortes, bem como a edição de som, o filme tem excelentes efeitos sonoros, parece que estamos mesmo dentro da batalha. A fita possui uma primeira parte mais calma, mas a partir do momento em que o conflito começa, a tensão é sempre a subir e mantém-se quase até ao final.

Quando vi o filme “Silence”, disse no meu comentário a essa obra que tinha sido a melhor interpretação da curta carreira de Andrew Garfield, pois vejo-se na posição de alterar um pouco a minha opinião. Em “Silence”, ele tem a sua segunda melhor interpretação num filme, porque é neste “Hacksaw Ridge” que ele consegue o feito de ter a melhor prestação da sua carreira, fiquei rendido ao seu desempenho, Andrew Garfield está excelente neste papel, ele imprimiu no seu personagem toda a coragem e qualidades do verdadeiro Desmond Doss. Ele entregou-se totalmente a este complicado desempenho. Entre Andrew Garfield; Casey Affleck; Ryan Gosling e Denzel Washington, os quatro excelentes em seus papéis, que vença o melhor. Todo o restante elenco deste novo filme de Mel Gibson está de parabéns, fizeram um excelente trabalho, com destaque para Vince Vaughn. Sobre este último, foi com este papel e com este seu personagem que eu fiquei a gostar dele como actor. O filme peca por alguns erros, clichés do género, enaltecimento do ego americano e por não ter sido escrito pelo próprio Mel Gibson.

Lion

Nome do Filme : “Lion”
Titulo Inglês : “Lion”
Titulo Português : “A Longa Estrada Para Casa”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Garth Davis
Elenco : Dev Patel, Rooney Mara, Nicole Kidman, David Wenham, Sunny Pawar, Abhishek Bharate, Rita Boy, Priyanka Bose, Tannishtha Chatterjee, Nawazuddin Siddiqui, Menik Gooneratne, Pallavi Sharda, Arka Das, Emile Cocquerel.

História : Em 1986, Saroo, de cinco anos, perdeu-se do irmão perto de uma estação de comboios. Quando se refugiou numa das carruagens para descansar, adormeceu e acabou por ser levado para Calcutá, por onde vagueou sozinho durante semanas, sem saber que estava muito longe de casa. Apesar das enormes dificuldades, conseguiu sobreviver até ser colocado num orfanato e mais tarde adoptado por um casal australiano. Décadas depois, ele tenta reunir os factos por ele conhecidos e com recurso às tecnologias e às suas capacidades, decide tudo fazer para tentar reencontrar a família biológica.

Comentário : Ainda bem que eu não depositei muitas expectativas neste filme, apesar do elenco ser apelativo e de ter uma história interessante, aliás, foram estes os principais dois motivos que me levaram a ver esta fita. O filme não é americano, apesar de ter três actores de peso dessa indústria no elenco. Trata-se de um filme australiano realizado por Garth Davis que na prática nunca dirigiu uma longa metragem. Embora “Lion” não seja um grande filme, o director se sai bem na sua primeira incursão. Indo já para o elenco : Dev Patel possui aqui uma boa interpretação, mas muito longe da qualidade da sua prestação em “Slumdog Millionaire”, aliás, o filme de Danny Boyle é muito melhor do que este “Lion”, não são comparáveis. Rooney Mara está razoável, ela já nos deu muito melhor em outras fitas. E Nicole Kidman e David Wenham convencem com os seus papéis e com as suas interpretações, embora ela esteja bem melhor, eu não queria chegar a tanto, mas penso realmente que ela abarca a melhor prestação deste filme. A química entre Patel e Mara é bastante notável e isso verifica-se em algumas das cenas em que contracenam juntos, com destaque para a sequência do desentendimento principal.

O pequeno Sunny Pawar é excelente e adorável e os seus olhos são muito ternurentos e expressivos. A banda sonora é boa. A história está bem contada e bem mostrada, eu fiquei empolgado com o desenrolar dos acontecimentos, embora tenham havido umas poucas situações que não encaixaram muito bem ou que não funcionaram como devia ser, para além de não terem a devida explicação. Eu penso que o realizador dirigiu melhor o elenco indiano do que os outros actores, e isso funciona como um elogio. O filme tem igualmente boas sequências (cena do olhar de Kidman no carro, a lua vista do comboio, a questão dos aromas e a relação destes com as memórias e a da fruta) e momentos admiráveis, por exemplo, eu adorei o final desta fita, muito emotivo, foi sensacional. E ainda temos aquela questão do nome do protagonista bem como o seu significado, que fecha o filme com chave de ouro. “Lion” é um filme bem filmado, muito bonito e que tem uma história interessante, mas não passa disso. Gostei, mas esperava mais.

Hidden Figures

Nome do Filme : “Hidden Figures”
Titulo Inglês : “Hidden Figures”
Titulo Português : “Elementos Secretos”
Ano : 2016
Duração : 126 minutos
Género : Biográfico/Histórico
Realização : Theodore Melfi
Elenco : Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monae, Kevin Costner, Mahershala Ali, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Aldis Hodge, Glen Powell, Kimberly Quinn, Lidya Jewett.

História : Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson foram três mulheres afro-americanas brilhantes que trabalharam na NASA e foram os cérebros por trás de uma das maiores operações da história : o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, um incrível feito que restaurou a confiança na nação.

Comentário : Na minha humilde opinião, este filme apenas está nos nomeados de melhor filme, devido à história de quererem inovar a Academia e alargar e diversificar as nomeações no sentido de não serem só brancos. Outro dos motivos que o filme está nomeado para melhor filme é por representar um grande passo para o povo americano, um grande feito dos americanos, para os enaltecer ainda mais. Quero com tudo isto dizer que vi o filme e achei-o apenas razoável, não é digno de estar na lista que se consta. Para mim, este filme vale pelas excelentes prestações de Octavia Spencer e de Taraji P. Henson e também pela fantástica recriação de época que está exemplar. Janelle Monae está bem e consegue a terceira melhor prestação da fita. As três estão maravilhosas. Mas o filme perde-se no argumento e na história que pretende contar com detalhes opacos , com a agravante de nos facultar ridículos momentos cómicos onde não fazem falta nenhuma, isto não é uma comédia, isto é um filme histórico, porra. Os maneirismos americanos estão no filme e isso também não ajuda, tornando-se mais evidente na maneira como alguns brancos tratam as nossas três figuras protagonistas, por elas serem de raça negra. Nós já sabemos como as coisas funcionavam naquela altura, não era preciso o exagero de vezes em que essas situações sucedem. É um filme razoável, mas erra na maneira como conta e mostra a história. Gostei do filme, mas ficou um gosto muito amargo.

La La Land

Nome do Filme : “La La Land”
Titulo Inglês : “La La Land”
Titulo Português : “La La Land : Melodia de Amor”
Ano : 2016
Duração : 128 minutos
Género : Drama/Musical
Realização : Damien Chazelle
Elenco : Ryan Gosling, Emma Stone, J. K. Simmons, Callie Hernandez, Jessica Rothe, Sonoya Mizuno, Jason Fuchs, Trevor Lissauer, Finn Wittrock, John Legend, Zoe Hall.

História : Ao chegar a Los Angeles, Sebastian, um pianista de jazz conhece a principiante actriz Mia e do inesperado, apaixonam-se. À procura de oportunidades para as suas carreiras na competitiva cidade, os dois jovens vivem na esperança que a vida lhes sorria e que possam concretizar os seus sonhos.

Comentário : Uma das coisas que me irrita solenemente em relação ao cinema em Portugal são os péssimos e por vezes ridículos títulos que as nossas distribuidoras escolhem para a maioria dos filmes que por cá estreiam. Confesso que não sou grande apreciador de filmes musicais, devo ter na minha lista uns cinco no máximo, mas tinha que ver este filme que acabei por gostar. Este filme está muito bem feito, já o anterior filme do realizador Damien Chazelle era um bom filme. “La La Land” funciona como uma espécie de carta de amor a Hollywood, na medida que é uma grande homenagem aos clássicos dos anos 40 e 50. É claramente um filme que respira música, que transpira música, penso mesmo que é um filme onde a componente musical é realmente o principal factor a ter em conta. Gostei da maioria das sequências musicais, onde destaco a dança inicial na estrada, a dança do casal na escuridão do observatório e aquela pequena sequência também do casal onde Mia aparece com um vestido de cor clara já perto do final. O realizador faz também um competente trabalho com as cores. Ryan Gosling e Emma Stone já eram excelentes profissionais na arte da representação antes de entrarem neste filme e com ele apenas provam que não só sabem cantar, como também sabem dançar bem. Além disso, a química entre os dois é perfeita e funcionou na perfeição. As coreografias estão perfeitas. As canções são boas. Além de ser um excelente musical, penso sinceramente que “La La Land” vai arrecadar os óscares e isto é somente o meu sexto sentido a funcionar. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

Moonlight

Nome do Filme : “Moonlight”
Titulo Inglês : “Moonlight”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Barry Jenkins
Elenco : Alex Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Mahershala Ali, Andre Holland, Naomie Harris, Janelle Monae, Jharrel Jerome, Stephon Bron, Jaden Piner.

História : O relato da vida de um jovem afro-americano nas três fases da sua vida : a infância, a adolescência e o início da vida adulta. Apesar de ter crescido num bairro empobrecido de Miami e de não ter tido grande apoio emocional e afectivo dos pais, ele luta para encontrar a sua identidade e conquistar o seu lugar no mundo.

Comentário : Eu fico feliz quando gosto muito de um filme que é muito bom e que venho a saber depois que é de baixo orçamento. Este é um deles e se fizesse um top com os dez melhores filmes de 2016, de certeza que este filme estaria lá. O filme é muito bem realizado por Barry Jenkins que dirigiu um filme razoável anteriormente. A obra está cuidadosamente dividida em três partes que assumem o nome que o protagonista leva nas três fases a que cada uma dessas partes fazem alusão : infância, adolescência e fase adulta. Na primeira parte, o personagem é vivido pelo pequeno Alex Hibbert, que não sendo o melhor dos três, consegue nos transmitir a ideia de um miúdo atormentado pela falta de afecto dos progenitores. Na segunda parte, o personagem principal é interpretado pelo jovem Ashton Sanders, que tem mais experiência e isso nota-se, ele dá-nos a ideia de um adolescente vítima de bullying e que está no despertar da sua vida sexual. Por fim, na terceira e última fase, quem assume o papel é o expressivo Trevante Rhodes, um actor que com a sua cara, consegue transmitir todas as emoções e inseguranças do personagem, ele é o melhor dos três em campo e chega a emocionar tanto a nivel interpretativo, como também a nível físico, sendo o principal destaque a sua excelente expressividade. Ele diz muito apenas com as suas expressões e com o seu olhar.

Quem também possui uma excelente prestação é a actriz Naomie Harris, ela manda muito bem aqui, chega-nos a comover com a total entrega sua à personagem, nos transmitindo dor, sofrimento e arrependimento. A sua química com Trevante Rhodes é boa, nas poucas cenas em que os dois contracenam. O actor Mahershala Ali tem aqui um brilhante papel, ele assume a figura de “pai” do protagonista enquanto miúdo, ele está quase sempre presente para o ajudar e isso nota-se mais quando o pequeno personagem está mais carente. Já Janelle Monae empresta a sua beleza e excelente qualidade interpretativa à companheira do “pai protector” de M. Ali e o faz com bastante serenidade, ela convence totalmente, é uma espécie de madrinha do nosso “herói”. E Andre Holland fecha o elenco com chave de ouro, ele faz do “amigo” e também é o responsável pelo despertar da identidade sexual do nosso protagonista, ele é um personagem essencial à narrativa. Os últimos quinze minutos do filme apresentam excelentes e notáveis momentos entre os dois, são as melhores cenas da fita. O filme possui ainda uma excelente fotografia e está muito bem filmado, o realizador não usou a técnica com imagem granulada e o modo tremido que se costuma usar em alguns filmes independentes. A história está muito bem contada e é-nos apresentada de igual modo, tudo muito bem estruturado. Para isso ajudou e muito o excelente argumento que é de primeira água. “Moonlight” é um excelente filme independente que mostra que alguém machucado e traumatizado pelo passado pode vencer e tentar ser feliz à sua maneira. É um drama humano sobre a vida.

Arrival

Nome do Filme : “Arrival”
Titulo Inglês : “Arrival”
Titulo Português : “O Primeiro Encontro”
Ano : 2016
Duração : 116 minutos
Género : Ficção-Científica/Drama
Realização : Denis Villeneuve
Elenco : Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg, Mark O'Brien, Tzi Ma, Abigail Pniowsky, Jadyn Malone, Julia Scarlett Dan.

História : Doze enormes naves alienígenas chegam ao nosso planeta e estacionam em 12 locais diferentes, ficando a pairar sem que nada aconteça. Nos Estados Unidos, é chamada uma especialista em idiomas chamada Louise Banks, considerada uma das melhores do mundo nesse ramo. Ela junta-se assim a uma equipa técnica, na missão de comunicar com os seres e tentar descobrir o que eles pretendem dos terrestres.

Comentário : Em primeiro lugar um aviso : se gostam de fantochada, barulho e de filmes cheios de efeitos especiais, de ritmo e de humor, então fujam desta fita. Confesso que gostei do filme, mas tenho que revelar que fui à internet pesquisar por algumas explicações, porque saí da projeção cheio de dúvidas e sem entender certas coisas. Com isto quero dizer que não é o típico filme que nos dá tudo mastigado, mas sim é daquelas fitas que nos põe a pensar e muito sobre aquilo que acabamos de ver. É um filme melancólico, muito parado e com uma banda sonora serena. A fotografia é seca e quase sem brilho e temos muitos planos de camara concentrados na protagonista. É um filme que aborda o passado e o futuro e o realizador trabalha muito bem os dois tempos, aliás, perceber a relação entre os dois, ajuda a entender o filme. Não é um filme fácil, é preciso muita calma e paciência para o ver e também é necessária muita atenção aos diálogos e às imagens que nos fornecem detalhes preciosos. Ainda sobre os tempos, atenção aos flashbacks da protagonista.

Amy Adams está soberba no filme, ela absorve o restante elenco principal com a sua excelente interpretação. As formas de comunicação entre os seres humanos também é um factor muito focado na fita e é outra das chaves para se perceber o que vemos. O director também mostra as atitudes de alguns países face ao problema, nos querendo dizer que o ser humano teme o desconhecido e parte quase sempre para o confronto, para a violência. O ponto negativo do filme é precisamente esse, ou seja, os Estados Unidos saem sempre bem na fotografia e são sempre eles que resolvem o problema. Quando o filme termina, se pensarmos bem, o início da fita é também o seu final e vice-versa, é uma espécie de palíndromo, tal como o nome da filha que a protagonista irá ter. Isso é dito nas primeiras frases que ela profere no começo do filme. Não vou revelar mais nada, apenas quero apelar para que vejam o filme com muita atenção e concentrem-se principalmente nos flashbacks de Louise Banks. Se os articularem bem aos acontecimentos que a narrativa vos mostra, de certeza que entenderão o filme. Isso não aconteceu comigo, mas aí o defeito é meu, e tive que ir pesquisar depois. Claramente que é filme para duas ou três visualizações obrigatórias para aqueles que não perceberem à primeira. Ou então façam o que fiz e recorram à internet. Uma obra calma, serena e introspectiva. Um dos melhores filmes de 2016, seguramente.