domingo, 15 de janeiro de 2017

Stories We Tell

Nome do Filme : “Stories We Tell”
Titulo Inglês : “Stories We Tell”
Titulo Português : “Histórias Que Contamos”
Ano : 2012
Duração : 110 minutos
Género : Drama Documental
Realização : Sarah Polley
Elenco : Sarah Polley, Michael Polley, Harry Gulkin, Susy Buchan, John Buchan, Mark Polley, Joanna Polley, Cathy Gulkin, Marie Murphy, Robert MacMillan, Anne Tait, Deirdre Bowen, Victoria Mitchell, Geoffrey Bowes, Tom Butler, Pixie Bigelow, Claire Walker, Rebecca Jenkins, Peter Evans, Alex Hatz, Justin Goodhand, Seamus Morrison, Allie MacDonald, Lani Billard, Andrew Church, Dave Kiner, Jef Mallory, Kristen Corvers, Christine Horne, Jeanie Calleja, Tracey Ferencz, Kaylin Griffin, Diane Polley.

História : A família de Sarah Polley, tal como todas as famílias, é tudo menos simples. Quando é revelado um grande segredo que a envolve directamente, ela é já conhecida pelo seu trabalho como actriz e realizadora. Agora, decidida a compreender a “verdade” e conhecer mais profundamente a sua falecida mãe, Sarah Polley decide questionar as pessoas mais próximas e fazer uma espécie de documentário onde todos reflectem sobre o seu passado. Assim, tentando decifrar as incoerências e os pontos comuns, a realizadora demonstra como cada história que contamos nunca deixa de ser, essencialmente, um ponto de vista particular.

Comentário : Possivelmente um dos melhores documentários que vi até hoje. Confesso que nutro uma certa simpatia por Sarah Polley. Primeiro gostei a conhecer enquanto actriz em filmes como “A Minha Vida Sem Mim” e mais tarde como realizadora do belíssimo “Away From Her – Longe Dela”. Para além dela ser uma rapariga muito bonita e talentosa. Este seu documentário foi a cereja no topo do bolo, ou seja, permitiu-me ficar a conhecer mais sobre ela. Mas este filme não é só sobre ela, é sobre os seus pais, sobre a sua família e mais alguém, é igualmente um filme sobre a memória de um passado delicado. Pessoalmente, gostei muito de ter ficado a conhecer a família de Sarah Polley, ajudou-me a perceber melhor ela enquanto mulher, enquanto ser humano, bem como o seu olhar sobre as coisas e vida profissional. Ela já em miúda era bonita.

Além disso, é fascinante para quem assiste, ficarmos a conhecer as vivências e experiências dos outros. Conhecer pessoas e suas respectivas vidas é das coisas que eu mais gosto. O documentário é uma mistura de drama e documentário, é um drama documental, onde a actriz e realizadora expõe de forma natural o seu passado e dos seus pais, com uma grande incidência na vida peculiar da sua mãe. Eu gostei de tudo neste documentário. O longa possui uma montagem bastante eficaz e temos muitas fotografias antigas e imagens de arquivo. O género “documentário” é um dos menos apreciados por quem vê filmes, felizmente existem pequenas pérolas como este filme realizado por Sarah Polley. Estou ansioso pelo seu próximo filme. 

After The Storm

Nome do Filme : “Umi Yori Mo Mada Fukaku”
Titulo Inglês : “After The Storm”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Hirokazu Koreeda
Elenco : Hiroshi Abe, Yoko Maki, Taiyo Yoshizawa, Kirin Kiki, Lily Franky.

História : Após a morte do pai, um escritor tenta encontrar uma maneira de melhorar a sua vida, até mesmo porque está divorciado da mulher e vê pouco o filho de ambos.

Comentário : Trata-se do novo filme japonês do aclamado realizador Hirokazu Koreeda, que nunca fez um mau filme. Geralmente, os seus filmes incidem sobre a família. Neste seu novo drama, acompanhamos um homem que se divide entre ser escritor e detective. Ele voltou para casa da mãe após o divórcio e teve um filho fruto dessa relação. Como tem pouco dinheiro, ele não pode pagar a pensão do filho, pelo que o vê poucas vezes. Tem uma relação complicada com a irmã, mas relaciona-se bem com a mãe idosa. O argumento é o principal alicerce desta fita, tudo está muito bem escrito e a narrativa evolui favoravelmente. Não gostei da personagem da mãe idosa do protagonista, mas gosto da actriz, o trabalho dela feito no filme “An” está excelente. No papel de protagonista, Hiroshi Abe vai muito bem, cabe a ele a melhor prestação da fita. O actor consegue transmitir-nos aquilo que o seu personagem está a passar. Ele tem ainda um carisma muito próprio e a sua figura ajudou na composição do seu personagem. Gostei igualmente do desempenho da bonita actriz que fez de ex-mulher dele. O pequeno actor que fez de seu filho também me convenceu e a química do pequeno com o protagonista funcionou na perfeição. Mais um bom filme que Hirokazu Koreeda nos facultou, adoro todos os filmes deste realizador. 

Bang Gang

Nome do Filme : “Bang Gang (Une Histoire D'Amour Moderne)”
Titulo Inglês : “Bang Gang (A Modern Love Story)”
Titulo Alternativo : “Bang Gang”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Eva Husson
Elenco : Daisy Broom, Marilyn Lima, Finnegan Oldfield, Lorenzo Lefebvre, Manuel Husson, Olivia Lancelot, Raphael Porcheron, Tatiana Werner, Olivier Lefebvre, Yolande Carsin, Alexandre Perrier, Patricia Husson, Jules Cabat, Julien Gomez, Lea Bertin, Gaia Oliarj Ines, Julien Granel, Giulia Nori, Mathilde Cartoux.

História : Na área nobre de uma cidade, um grupo de adolescentes bem ajustados e acima da média acabam seguindo por um caminho singular.

Comentário : Realizado por uma mulher, este filme transmite uma imagem muito má dos jovens adolescentes, principalmente das raparigas. Pessoalmente, gostei do filme em geral, ele acaba por transmitir a ideia de que na adolescência temos liberdade para tudo, quando às vezes não é bem assim. O filme tem jovens irresponsáveis, droga e muito sexo, algumas cenas são explícitas e as cenas de nu imperam. Mas tudo isto acontece mais na segunda parte da fita. A banda sonora é serena e existe aqui também um alerta para os perigos da internet e das plataformas digitais. O filme não é só drama, a componente dramática existe sim e acentua-se mais na última meia hora, mas também existe romance por aqui e isso concentra-se mais nas personagens de George e Gabriel. As traições no namoro também fazem parte da trama do filme, embora aquilo não se considere namoro, é mais curtes.

A realizadora aborda a adolescência no geral, focando-se principalmente em quatro jovens, dois rapazes bem diferentes e duas meninas muito parecidas. Estas últimas possuem uma estranha relação de amizade e são elas as protagonistas do filme. Daisy Broom veste a pele de uma rapariga que vive com o pai e a forma como perde a virgindade não é propriamente aquela que uma rapariga ambiciona. Ela tem uma boa prestação, mas é a Marilyn Lima que calha o principal mérito, esta bonita adolescente possui a melhor prestação do filme. Além disso, a empatia entre as duas miúdas é bastante notável e funciona, mesmo quando elas estão zangadas uma com a outra. No papel de rapaz irresponsável e leviano, Finnegan Oldfield encarna-o muito bem, ele tem estilo disso e sai-se bem, nós não simpatizamos com ele pela maneira como ele trata as raparigas. Por último, Lorenzo Lefebvre tem a melhor prestação masculina da fita, aqui no papel de um jovem calmo e responsável que tem que lidar com a complicada situação de ter um pai paraplégico, sendo também um rapaz que tem um enorme respeito pelas raparigas. No geral, os quatro jovens convencem. Estamos perante um filme razoável que mostra como a adolescência é a fase mais complicada do ser humano, mas é igualmente marcante para eles e para elas. O filme aborda também a temática das doenças sexualmente transmissíveis e é uma fita baseada em factos reais. Os pais que têm filhos na idade da adolescência deviam ver este e outros filmes que abordem estas temáticas. Uma das grandes surpresas de 2015. 


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Hunt For The Wilderpeople

Nome do Filme : “Hunt For The Wilderpeople”
Titulo Inglês : “Hunt For The Wilderpeople”
Ano : 2016
Duração : 101 minutos
Género : Aventura/Comédia Dramática/Drama
Realização : Taika Waititi
Produção : Taika Waititi/Matt Noonan/Leanne Saunders
Elenco : Julian Dennison, Sam Neill, Tioreore Ngatai Melbourne, Rima Te Wiata, Oscar Kightley, Stan Walker, Mike Minogue, Cohen Holloway, Rhys Darby, Troy Kingi, Hamish Parkinson, Finn, Tuss.

História : Ricky é um menino muito problemático que nunca conheceu o pai e no passado foi abandonado pela mãe, indo sistematicamente parar a casas de correcção e centros de acolhimento devido ao facto de cometer pequenos crimes. Numa última tentativa de colocar alguma ordem no comportamento dele, as assistentes sociais enviam-no para morar com um casal numa casa de campo. O rapaz não gosta daquilo e, quando a mulher da casa morre inesperadamente, Ricky vê-se confrontado com a hipótese de voltar para uma casa de correcção. Para evitar isso, ele e o homem que o acolheu fogem para a floresta. Devido a uma série de constantes mal entendidos e imprevistos, a coisa não é bem vista pelas autoridades e dá-se início a uma verdadeira caça ao homem.

Comentário : Confesso que não costumo gostar de comédias, mas devido às excelentes classificações que este filme auferiu, decide dar-lhe uma oportunidade. E, apesar de algumas coisas que de facto eu não gramei, tenho que confessar que o balanço é positivo e o filme é bastante eficaz e resulta. O argumento está bem construído e a história dá algumas voltas bem interessantes. Apesar de algumas coisas surgirem sem explicação, o que é certo é que as cenas que se seguem acabam por articular tudo muito bem e essas falhas passam despercebidas. A dada altura, o filme começa a respirar o clima de aventura pura e o realizador mete o pé no acelerador e só pára a alguns minutos do filme terminar. É um tipo de aventura penetrante e que nos coloca sempre na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir. É um filme que vive de camadas. O filme tem comédia e drama e o realizador trabalha habilmente esses dois géneros, fazendo com que a fita nos ponha bem dispostos e ao mesmo tempo nos comova.

No papel do pequeno protagonista, o jovem actor Julian Dennison é quem merece todos os méritos, fiquei totalmente rendido ao talento do rapaz. Apesar da sua aparência física, ele mexe-se muito bem e tem imensa agilidade nas cenas que assim o exigem. Há inclusive uma sequência dramática que envolve um javali violento e a morte de um cão, apesar de ser muito triste, eu adorei essas cenas, são seguramente as melhores do filme. A empatia entre o jovem actor e o grande Sam Neill também resultou muito bem. Os dois possuem excelentes prestações. Depois temos uma revelação, a jovem Tioreore Ngatai Melbourne vai muito bem e são muito mimosas as cenas em que ela anda a cavalo. Além disso, as partes em que ela contracena com o nosso protagonista são admiráveis de se ver, cheias de vida. E ainda temos direito a uma perseguição de carros ao estilo “Mad Max” lá mais para o final do filme. Apesar de certas contradições, o filme vê-se com grande agrado e me surpreendeu pela positiva. Gostei muito. 


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Krisha

Nome do Filme : “Krisha”
Titulo Inglês : “Krisha”
Titulo Português : “Krisha”
Ano : 2015
Duração : 83 minutos
Género : Drama
Realização : Trey Edward Shults
Produção : Trey Edward Shults
Elenco : Krisha Fairchild, Robyn Fairchild, Alex Dobrenko, Chris Doubek, Victoria Fairchild, Bryan Casserly, Chase Joliet, Atheena Frizzell, Augustine Frizzell, Olivia Grace Applegate, Rose Nelson, Bill Wise, Billie Fairchild, Trey Edward Shults.

História : Depois de anos de ausência, Krisha se reúne novamente com a sua família nas férias. Ela percebe que diante dela está a oportunidade de consertar os erros do passado, cozinhar o peru para a família e provar para os seus entes queridos que ela mudou para melhor.

Comentário : Durante a manhã de hoje vi este filme independente americano muito peculiar. Trey Edward Shults realiza, produz e interpreta uma das personagens secundárias do filme e saiu-se bem nessas três tarefas. Este pequeno filme me surpreendeu pela positiva, quanto mais não seja porque eu nada esperava dele. Basicamente, o que temos aqui é um drama muito realista cuja personagem principal é uma mulher claramente com pequenos disturbios mentais e com tendência para ficar alterada sempre que abusa de bebidas alcoólicas. Estes factores apenas nos são revelados com o decorrer da fita. O filme mostra o relacionamento que a protagonista vai tendo com cada um dos familiares na tal reunião de família, onde ela julga que se vai “reconciliar” com algumas dessas pessoas pelos seus actos do passado. Existe aqui um realismo sempre presente, parece que estamos a assistir realmente a uma reunião familiar e a todos os momentos daí resultantes e o excelente trabalho do realizador com a camara faz milagres nesse sentido, contribuindo para que tudo dê certo.

No papel principal, Krisha Fairchild (excelente) tem uma grande prestação e é graças a ela que estamos sempre na expectativa daquilo que acontecerá a seguir. O realizador consegue ainda a proeza de nos envolver num grande clima de tensão, principalmente a partir do momento em que Krisha se começa a passar. Nós percebemos na perfeição o que os vários familiares sentem por Krisha, vemos o castelo de cartas a desfazer-se aos poucos e a situação tende a agravar-se de minuto para minuto. Repito, é um filme muito tenso, as cenas mais espectaculares e tensas são as vividas entre as duas irmãs Krisha e Robyn e as coisas só podiam mesmo terminar daquela forma. À medida que os oitenta minutos passam, o realizador vai nos facultando cada vez mais detalhes daquela família e isso deixa-nos nervosos. Todos nós já sabemos que as relações entre seres humanos não são fáceis e quando se trata de relações familiares, aí é tudo bem pior. O ser humano é complicado por natureza e o filme trabalha essa questão muito bem, os personagens que mais se destacam ou que têm mais tempo de antena são muito bem expostos pelo realizador, mas tudo é nos facultado a seu tempo. O argumento é intrigante e alguns actores têm nas suas personagens os seus próprios nomes e isso me deixou com o bichinho atrás da orelha, afinal, não se sabe a veracidade de tudo o que é aqui mostrado. No fundo, a ideia foi bem pensada e resultou num filme muito bem conseguido. 

domingo, 8 de janeiro de 2017

The Fits

Nome do Filme : “The Fits”
Titulo Inglês : “The Fits”
Ano : 2015
Duração : 73 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Rose Holmer
Elenco : Royalty Hightower, Alexis Neblett, Makyla Burnam, Da'Sean Minor, Inayah Rodgers, Lauren Gibson.

História : Toni é uma jovem de 11 anos que passa os dias entre a escola, as actividades desportivas e de dança no ginásio e ainda arranja tempo para ajudar o seu irmão mais velho. A sua vontade de vencer é enorme e ela está disposta a todos os esforços para tal. Um dia, as suas colegas mais velhas começam a sofrer uma espécie de surtos, mas Toni não parece se importar muito com isso.

Comentário : A grande protagonista deste filme é uma menina de apenas onze anos de idade e é muito bem interpretada pela jovem revelação Royalty Hightower, uma miúda que não só nos dá uma excelente prestação, como também possui uma actuação física brutal. Na verdade, a jovem actriz carrega o filme todo às costas e é detentora de todo o mérito. Fiquei mesmo surpreendido com a pequena. A narrativa divide-se entre o interior do colégio e do ginásio e umas poucas cenas de exteriores. Basicamente, o filme passa-se quase todo dentro do ginásio e a realizadora apenas nos mostra jovens em ação, adultos vemos poucos. A personagem principal, Toni, é uma espécie de “maria-rapaz”, mas decide tentar mudar esse seu registo, ingressando na turma de dança, na qual fazem parte meninas de todas as idades. Até chega a furar as próprias orelhas com a finalidade de usar brincos, possivelmente para se tornar mais feminina. Embora tudo isto, a realizadora parece que nos quer dizer que a transformação não é aquilo que Toni pretende. O argumento é eficaz e, às vezes, parece estarmos a ver um filme baseado em acontecimentos reais. A banda sonora chega a ser soturna em alguns momentos, tendo uma forte mas discreta presença. Apesar de achar o filme estranho, gostei do que vi. Um filme diferente.

Southside With You

Nome do Filme : “Southside With You”
Titulo Inglês : “Southside With You”
Titulo Português : “Michelle e Obama”
Ano : 2016
Duração : 84 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Richard Tanne
Elenco : Parker Sawyers, Tika Sumpter, Vanessa Bell Calloway, Phillip Edward Van Lear, Taylar Fondren, Deanna Reed Foster, Jerod Haynes, Gabrielle Lott Rogers, Preston Tate Jr., Donn C. Harper, Tom McElroy, Stephanie Monday.

História : Um dia na vida do presidente Barack Obama e da primeira dama Michelle Obama, quando ainda eram dois jovens em ínicio da vida adulta.

Comentário : Foi com grande satisfação que vi este pequeno filme independente muito bem realizado por Richard Tanne. Se gostaram da trilogia “Before” de Richard Linklater e do seu modo peculiar de filmar esses três excelentes filmes, então vão gostar deste filme, isso posso assegurar. A camara acompanha sempre o casal protagonista, desviando somente para as personagens secundárias quando necessário. O clima do filme é uma mistura de romance com drama social, dois temas muito bem trabalhados pelo realizador. Aliás, ele consegue ainda a grande proeza de articular muito bem a empatia dos dois protagonistas com aquilo que ambos vão relatando sobre eles mesmos um ao outro. Para mim tudo isto funcionou como uma boa experiência, até porque fiquei a saber imenso sobre o presidente da América e sobre a sua respectiva esposa e alguns desses factos são bastante interessantes. Trata-se de um filme biográfico que conta apenas uma das várias histórias sobre este magnífico casal. Parker Sawyers está excelente, ele dá um Obama bastante convincente e a sua prestação é muito boa, com todos os maneirismos do presidente, em algumas cenas, pareceu-me realmente que estava a ver Barack Obama. Já a jovem Tika Sumpter tem igualmente uma interpretação bastante aceitável, embora não tão parecida com a verdadeira primeira dama, ela também convence no seu papel, mesmo que eu não tivesse tido nela a mesma simpatia que tive pelo protagonista masculino. Trata-se de um bom filme, gostei.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Loving

Nome do Filme : “Loving”
Titulo Inglês : “Loving”
Titulo Português : “Loving”
Ano : 2016
Duração : 125 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance/Histórico
Realização : Jeff Nichols
Elenco : Joel Edgerton, Ruth Negga, Michael Shannon, Will Dalton, Alano Miller, Chris Greene, Sharon Blackwood, Christopher Mann, Winter Lee Holland, Marton Csokas, Robert Haulbrook, Bill Camp, David Jensen, Andrene Ward Hammond, Jevin Crochrell, Jordan Williams Jr., Georgia Crawford, Brenan Young, Dalyn Cleckley, Quinn McPherson, Jon Bass, Nick Kroll, Terri Abney.

História : Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são presos em junho de 1958 por terem casado. Exilados do estado onde viviam, eles lutam pelo matrimónio e pelo direito de voltar para casa como uma família.

Comentário : Depois de ter concebido 3 excelentes filmes independentes (Shotgun Stories, Take Shelter e Mud) e um filme fraco (Midnight Special), o realizador Jeff Nichols regressa assim ao cinema de qualidade com este filme biográfico baseado num incrível caso real que fez história na América. O filme em questão chama-se simplesmente “Loving” e eu já o considero como sendo um dos melhores filmes que o ano de 2016 me facultou. O cineasta é bom em nos fornecer histórias de dramas humanos e aqui isso volta a acontecer e olhem que este caso é bem dramático e complexo. É impressionante como as pessoas pertencentes à raça negra eram tratadas naquela altura, ou melhor, como sempre foram tratadas e ainda o são de forma negativa, apenas por não serem brancos. Penso mesmo que isto é uma vergonha, muitos brancos deviam-se envergonhar por tratar de forma diferenciada as pessoas de outras etnias. E o filme foca bem isso.

Jeff Nichols soube gerir bem todo o material que tinha em mãos e fez um excelente trabalho, sendo o argumento e as interpretações os principais alicerces da fita. Joel Edgerton tem aqui um visual muito diferente daquilo que estamos habituados a ver nele, o seu personagem transmite carinho, amor, compreensão e proteção que são esses os sentimentos que ele nutre pela esposa. Joel Edgerton está muito bem neste filme e possui a segunda melhor prestação. Actor fetiche do realizador, Michael Shannon tem aqui uma intervenção muito pequena e discreta, mas revela-se marcante para o avançar dos acontecimentos. Mas quem brilha realmente é Ruth Negga que consegue a melhor interpretação do filme, além de que a sua empatia com Joel Edgerton resultou na perfeição. O ambiente de época está muito bem recriado, de facto, parece que tudo foi realmente filmado nos anos cinquenta e sessenta. O elenco de secundários também ajudou, quase todos eles estiveram à altura daquilo que era espectável. Não gostei dos actores que desempenharam aquele dueto de advogados que conseguiram com que o casal ganhasse o caso. Confesso que não conhecia esta história e este caso e estou grato a Jeff Nichols por tê-la conhecido, estamos sempre a aprender e todo o conhecimento é bem-vindo. Grande filme. Gostei. 


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

American Honey

Nome do Filme : “American Honey”
Titulo Inglês : “American Honey”
Titulo Português : “American Honey”
Ano : 2016
Duração : 163 minutos
Género : Drama
Realização : Andrea Arnold
Elenco : Sasha Lane, Riley Keough, Shia LaBeouf, Arielle Holmes, Crystal Ice, McCaul Lombardi, Veronica Ezell, Chad Cox, Garry Howell, Kenneth Kory Tucker, Raymond Coalson, Isaiah Stone, Dakota Powers, Shawna Rae Moseley, Christopher David Wright, Summer Hunsaker, Brody Hunsaker, Chasity Hunsaker, Michael Hunsaker, Kaylin Mally, Laura Kirk, Will Patton, Daran Shinn, Sam Williamson, Bruce Gregory, Chris Bylsma, Andrea Fantauzzi.

História : Star é uma jovem sem nada a perder. Quando encontra um grupo de rapazes e raparigas que, como forma de sustento, viajam pelos EUA, a vender subscrições de revistas, decide juntar-se-lhes. Entre eles está Jake, por quem se apaixona e com quem vive uma relação muito peculiar. Star vê-se assim envolvida com um conjunto de inadaptados para quem as festas, o amor livre e a constante fuga às autoridades substituem a imposição de regras dos que se preparam para a vida adulta.

Comentário : Finalmente vi o filme “American Honey” e o balanço é bastante positivo. Já tinha gostado das três anteriores longas metragens da realizadora Andrea Arnold e, à quarta vez, ela consegue a proeza de voltar a acertar, os quatro filmes que ela realizou são todos bons. A cineasta sabe trabalhar com os seus elencos, sabe escolher os directores de fotografia e sabe mostrar tudo aquilo que pretende contar nas suas histórias. Em algumas criticas ao filme, pessoas a criticarem que o filme não prende, que o filme se arrasta, que é muito longo. Eu discordo de todas elas. Eu não estava nem aí para o filme ter quase três horas de duração e fiquei totalmente pregado ao ecrã, apesar de às vezes parecer que tudo gira às voltas e vai sempre parar ao mesmo local. De facto, tem um pouco disso, não existe um final digno para o filme em questão, embora a cena final tenha muito significado, mostra a total liberdade da protagonista.

A estreante Sasha Lane (a protagonista do filme) está simplesmente espectacular durante toda a projeção, tem a melhor prestação da fita e notou-se que ela se entregou quase totalmente ao seu difícil papel. Eu comprei direitinho os dramas da sua complexa personagem, não entendendo unicamente uma das suas atitudes logo nos primeiros minutos. Riley Keough faz aqui uma espécie de vilã do filme, mas não o suficiente para a detestarmos, gostei muito da sua personagem, ela é alguém forte e determinada, mesmo que o seu modo de vida seja condenável. Já Shia LaBeouf vai bem melhor do que nos blockbusters, ainda que a sua personagem não me tenha convencido, é como se eu não a entendesse, ou porque não tinha profundidade ou então simplesmente porque o seu Jake não sabe para onde ir. O filme tem belíssimas cenas e algumas sequências memoráveis, bem como uma atenção muito especial a alguns detalhes mínimos, algo que já vimos em filmes anteriores da realizadora como “O Monte dos Vendavais” ou “Fish Tank”. Para mim, “American Honey” foi um dos melhores filmes que o ano passado me facultou. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nocturnal Animals

Nome do Filme : “Nocturnal Animals”
Titulo Inglês : “Nocturnal Animals”
Titulo Português : “Animais Noturnos”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime
Realização : Tom Ford
Elenco : Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor Johnson, Laura Linney, Isla Fisher, Ellie Bamber, Imogen Waterhouse, Armie Hammer, Michael Sheen, Andrea Riseborough, Karl Glusman, Robert Aramayo, India Menuez.

História : Susan Morrow, uma negociadora de arte de Los Angeles, sente-se cada vez mais distante do marido. Um dia, recebe pelo correio a cópia de um romance escrito por Edward, o seu primeiro marido, de quem não tinha notícias há já vários anos. A obra, que lhe é dedicada, conta a história de um casal com uma filha adolescente. Ao mesmo tempo que se sente impelida à leitura, Susan sente-se profundamente incomodada com a violência contida no livro, acabando por se ver forçada a reavaliar as escolhas que a trouxeram até ali e as consequências de todas as decisões. E, na sua interpretação da história, vê tudo aquilo como uma forma de vingança de Edward, que nunca superou o facto de a relação ter fracassado.

Comentário : Gostei deste filme, embora tenha que confessar que esperava bem mais dele. Penso que fui um pouco alimentado pelas imensas criticas positivas que a fita teve pelos vários sites da especialidade. No entanto, foi um filme que me prendeu ao ecrã desde o começo até ao seu final. Penso ter percebido o filme, embora o final me tenha deixado um pouco na dúvida sobre o que realmente aconteceu, ou então, sou eu que quero que a história seja mais complexa do que o é. O filme é realizado por Tom Ford, que em 2009, se estreou em grande força com o excelente “A Single Man” e espero sinceramente que o estilista não nos faça esperar outros sete anos para nos aparecer com um novo filme, o homem sabe mesmo nos surpreender. O filme em análise tem uma excelente fotografia e a nível estético está impecável, todos os detalhes foram cuidadosamente bem trabalhados. Embora confuso, o argumento está bem delineado e tudo parece um filme dentro de outro filme.

Amy Adams está maravilhosa no papel principal, ela tem mais uma vez uma excelente interpretação. Jake Gyllenhaal desdobra-se em dois e triunfa-nos duplamente com duas prestações a cima da média. Aaron Taylor Johnson está sinistro no seu injusto papel, no entanto, o jovem me causou medo, só o seu olhar em certos momentos nos arrepia. Isla Fisher apenas brilhou no início do filme, mas embora seja muito parecida com Amy Adams, tem aqui uma personagem totalmente diferente ou talvez não da protagonista. Armie Hammer e Michael Sheen, em papéis secundários, estiveram muito bem, enquanto que Laura Linney nos encanta com a sua graciosidade, ela é uma verdadeira senhora. Já Michael Shannon, sempre no seu registo peculiar, aqui está mais uma vez consistente em seu personagem e arrepia não só pelas suas atitudes, mas também devido ao triste final que a sua personagem terá. Embora um pouco confuso, “Nocturnal Animals” é um bom filme, vê-se bem e deixa-nos com algumas dúvidas, possui um excelente elenco que foi muito bem aproveitado e nos facultou personagens muito interessantes. Metaforicamente, eu interpreto o titulo do filme à minha maneira.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Hitchcock/Truffaut

Nome do Filme : “Hitchcock/Truffaut”
Titulo Inglês : “Hitchcock/Truffaut”
Titulo Português : “Hitchcock/Truffaut”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Documentário
Realização : Kent Jones
Elenco : Alfred Hitchcock, François Truffaut, Mathieu Amalric, Wes Anderson, Olivier Assayas, Peter Bogdanovich, Arnaud Desplechin, David Fincher, James Gray, Kiyoshi Kurosawa, Richard Linklater, Paul Schrader, Martin Scorsese.

História : Em 1962, Alfred Hitchcock e François Truffaut encontram-se durante uma semana numa sala de estúdios da Universal para uma série de entrevistas sobre cinema. Durante esse tempo, os dois realizadores discutiram a obra completa de Hitchcock e a sua forma inovadora de filmar. Truffaut, apesar de na altura ser ainda bastante jovem, era já internacionalmente conhecido por bons filmes. Com base nessas entrevistas, Truffaut escreveu um livro, que se tornou numa espécie de bíblia para jovens cinéfilos e cineastas. Quase meio século depois da edição deste livro, o documentarista Kent Jones utiliza as gravações originais do encontro e, para entender a forma como a obra influenciou o cinema desde então, junta alguns dos mais importantes cineastas e recolhe os seus testemunhos pessoais.

Comentário : Na minha opinião, este documentário funciona como uma espécie de homenagem ao cinema e à sétima arte em si. O filme aborda uma série muito peculiar de temas, mas foca-se principalmente no realizador Alfred Hitchcock e em alguns dos seus filmes. Temos opiniões de vários realizadores da actualidade sobre aquele que é considerado como um dos principais cineastas de todos os tempos. Narrado pelo realizador e actor Mathieu Amalric, o filme conta também como o cinema de Alfred Hitchcock influenciou o trabalho de François Truffaut, bem como o de outros cineastas. Somos guiados pelos vários filmes do realizador, quer seja através de imagens dos mesmos, quer seja apenas por mencioná-los. Quase todos os intervenientes elogiam Hitchcock e o seu modo revolucionário de filmar, o seu cinema alterou por completo a maneira de fazer cinema, em que muito ajudaram os seus inovadores planos de camara. É um documentário extraordinário, nomeadamente para quem gosta de cinema, as referências filmicas e cinéfilas estão lá e foi com um enorme prazer que eu as descobri. Um trabalho único de visionamento obrigatório para quem gosta mesmo de cinema. O filme também nos dá a conhecer mais sobre Alfred Hitchcock. A única coisa que lamento é terem focado pouco as entrevistas. Sem dúvidas, um dos melhores documentários que eu vi até hoje. 


domingo, 18 de dezembro de 2016

The Light Between Oceans

Nome do Filme : “The Light Between Oceans”
Titulo Inglês : “The Light Between Oceans”
Titulo Português : “A Luz Entre Oceanos”
Ano : 2016
Duração : 133 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Derek Cianfrance
Elenco : Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Florence Clery, Caren Pistorius.

História : O humilde faroleiro Tom Sherbourne e a sua esposa Isabel, formam um casal feliz que vive numa ilha na costa da Austrália, no período após a Primeira Guerra Mundial. O maior desejo do casal é terem uma filha, mas depois de Isabel abortar duas vezes, perderam a esperança de que tal possa acontecer. No entanto, um dia o casal resgata uma menina que deu à costa, sozinha num barco a remos. Os dois decidem chamá-la de Lucy e adotá-la como sua filha. Depois de alguns anos de felicidade, Tom e Isabel, numa visita ao continente, encontram a viúva Hannah Roennfeldt, que perdeu o marido e a filha bebé no mar. Torna-se claro para Tom que Lucy é a filha desaparecida de Hannah, e ele sente que é seu dever devolver a criança à mãe verdadeira. Mas Isabel não quer que a sua família feliz seja destruída e muito menos perder Lucy. Um maravilhoso sonho transforma-se então num pesadelo, trazendo à superfície questões tão difíceis sobre o casamento e a paternidade.

Comentário : Este era um dos filmes mais esperados do ano para mim não só pela história que conta, por ter como protagonistas dois dos meus atores preferidos – o excelente actor Michael Fassbender e a linda e igualmente excelente actriz Alicia Vikander – mas também por se tratar de uma fita que aborda temáticas muito complexas que se podem facilmente resumir como sendo as relações entre pessoas. O filme fala do amor entre dois casais, fala do amor entre mães e filhos, fala da perda, de problemas emocionais, do luto, de atitudes tomadas sem pensar, fala também da dor de se perder filhos e, por último, do amor ao próximo. É uma grande e poderosa história de amor. O realizador Derek Cianfrance, que nos facultou excelentes filmes como “Blue Valentine” e “The Place Beyond The Pines”, soube articular muito bem todos estes ingredientes e o resultado é um drama intenso muito bem concebido, cujo argumento apenas peca em um ou outro erro.

Michael Fassbender (“Hunger”, “Shame”, “12 Years A Slave”) tem aqui mais uma excelente interpretação, gostei de algumas coisas da sua personagem, embora seja contra a atitude dele que estragou a família. Alicia Vikander (The Danish Girl) tem também uma interpretação muito boa, a sua personagem sofre o filme quase todo, a actriz consegue fazer passar para o espectador todo o drama que envolve a sua personagem, ou seja, a situação de uma mulher naquela situação. Rachel Weisz (The Constant Gardener) também convence no seu papel. Adorei estas três personagens. E as jovens Florence Clery (infância de Lucy-Grace) e Caren Pistorius (fase adulta de Lucy-Grace) também possuem uma forte presença no écrã. O filme aborda questões, e as personagens principais tomam decisões, que podem ser bem vistas ou não, depende da sensibilidade e do ponto de vista de cada espectador. Pessoalmente, tenho a minha opinião própria que não irei revelar. Quanto ao filme, gostei bastante, foi uma boa forma de terminar mais um ano cinematográfico.

Jogo de Damas

Nome do Filme : “Jogo de Damas”
Titulo Inglês : “Game Of Checkers”
Titulo Português : “Jogo de Damas”
Ano : 2015
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Patrícia Sequeira
Elenco : Ana Nave, Ana Padrão, Fátima Belo, Maria João Luís, Rita Blanco, Óscar.

História : Cinco mulheres reencontram-se devido ao funeral de Marta, uma amiga em comum. Ao longo de uma noite, que decidem passar na casa de campo que Marta nunca chegou a inaugurar, as cinco amigas falam da vida, dividem segredos, recordam a amizade que as une e reflectem sobre a existência.

Comentário : Hoje tive a grande oportunidade e felicidade de ter descoberto este excelente filme. O elenco é praticamente todo feminino, tirando o cão que é macho e aparece poucas vezes. Até o realizador é uma mulher e ainda bem. As cinco actrizes estiveram muito bem, funcionam na perfeição seja individualmente, seja como um todo e é este o principal alicerce do filme. E enquanto personagens também funcionam. Na realidade, estamos perante uma pequena fita feita com poucos recursos, mas onde está tudo no lugar certo. Ana Nave como Maria parece estar alheia às coisas mas está por dentro do problema, nos oferece uma personagem bastante curiosa e tem na sua expressão facial o seu maior trunfo. Já Ana Padrão no papel de Dalila, no inicio fala pouco, embora perto do final revele que afinal era a mais próxima da falecida por causa de um motivo que eu não vou revelar. No papel de Ema, a actriz Fátima Belo tem aqui a personagem mais dramática do filme e, pouco depois da segunda parte, somos informados do porquê. Por seu turno e no papel de Ana, Maria João Luís faculta-nos uma das personagens mais importantes do grupo, ela é a mais adulta mentalmente e a mais velha das amigas. Finalmente, Rita Blanco faz de Mónica, das cinco ela é a mais racional, aquela que faz sempre tudo certinho. Ela tinha também uma relação muito especial com a falecida, ou não fosse esta a esposa do irmão dela. Um filme apenas destinado às mulheres e também aos poucos homens que compreendem estes fantásticos e maravilhosos seres, porque ao longo dos oitenta minutos de projeção, são ditas muitas e grandes verdades. Grande filme. Adorei.

Pára-me de Repente o Pensamento

Nome do Filme : “Pára-me de Repente o Pensamento”
Titulo Inglês : “Suddenly My Thoughts Halt”
Titulo Português : “Pára-me de Repente o Pensamento”
Ano : 2014
Duração : 100 minutos
Género : Documentário/Drama
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Miguel Borges.

História : Um actor decide passar três semanas com os actuais pacientes psiquiátricos do Centro Hospitalar Conde de Ferreira. Durante esse tempo, partilha com eles as conversas, as refeições, as terapias, o café e os cigarros. Ele pretende igualmente encontrar alguém para a sua peça de teatro.

Comentário : Possivelmente um dos melhores documentários portugueses que eu já tive a oportunidade de ver, a mim, este filme do realizador Jorge Pelicano convenceu-me na totalidade. Confesso que sou uma pessoa depressiva por natureza e estou por dentro de algumas das realidades de certas pessoas mostradas nesta peça. O filme começa bem e termina de uma forma ainda melhor, com uma fantástica metáfora visual. Não vou negar, simpatizei com todos os intervenientes deste filme, e estão incluídos todos os doentes mostrados. Seguimos com interesse as suas histórias, os seus receios e os seus problemas. A realização é boa, a maneira como está filmado encaixa perfeitamente no ambiente onde tudo está inserido. Além do mais, o cineasta mostra-nos com grande realismo, o ambiente de um hospital psiquiátrico. Gosto bastante dos filmes de Jorge Pelicano, ele tem um talento especial para mostrar realidades, o mundo real. Um dos doentes facilmente se destaca dos outros, confesso que gostava de o conhecer pessoalmente. A única coisa em que o realizador falha aqui é mostrar-nos o lado bom do hospital, ele nunca aborda o lado mau destes locais e sente-se claramente a falta disso. É fácil sentirmos empatia pelos doentes, eles têm feridas que não são visíveis, porque as suas feridas são interiores. Um dos melhores documentários já produzidos em Portugal.

Cartas da Guerra

Nome do Filme : “Cartas da Guerra”
Titulo Inglês : “Letters From War”
Titulo Português : “Cartas da Guerra”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Ivo Ferreira
Elenco : Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira, Simão Cayatte, João Pedro Vaz, Isac Graça, Francisco Hestnes, João Pedro Mamede, Tiago Aldeia, Orlando Sérgio, David Caracol, Miguel Raposo, Raúl Rosário, Cândido Ferreira, Maria João Abreu, Daniel Seabra, João Arrais, Pedro Ferreira, João Veloso, Tirsa Buta.

História : Em 1971, António é incorporado no exército português para servir como médico numa das piores zonas da Guerra Colonial, no Leste de Angola. Longe de Maria José, a mulher amada que se viu obrigado a deixar, ele vai matando saudades através de longas cartas que durante dois anos lhe escreve.

Comentário : Possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi, o realizador Ivo M. Ferreira fez um trabalho belíssimo. Detentor de uma das melhores fotografias alguma vez vistas no cinema português, o filme nos deslumbra a cada frame. Tanto as cenas diurnas, como as cenas filmadas à noite são maravilhosas, por momentos, quase me senti dentro do filme e como parte integrante daquela história. A interpretação que merece todo o destaque é a de Miguel Nunes, ele está muito bem, sem nunca esquecermos a forte presença de Margarida Vila-Nova. O filme tem alguns diálogos, mas aquilo que mais temos e ouvimos é o conteúdo das cartas escritas durante os dois anos em que o protagonista esteve na guerra e que nos são narradas. O filme é uma adaptação de um livro de António Lobo Antunes e ganhou vários prémios. Filmado a preto e branco, o filme mostra também os horrores da guerra e os dramas dos habitantes daquela região, daquele país. A realização é boa e leva-nos a acompanhar os acontecimentos, através das atitudes do protagonista e de todo um conjunto de secundários, mas principalmente pelo que está escrito nas cartas que o médico escreve à esposa que deixou em Portugal. O filme foca uma época difícil para muitos, mas que não restem dúvidas que quem mais sofria eram as mães, esposas e filhas dos homens que combatiam e que morriam. Grande filme, gostei bastante.

Maddie – A Verdade da Mentira

Nome do Filme : “Maddie – A Verdade da Mentira”
Titulo Inglês : “The Truth Of Lies”
Titulo Português : “Maddie – A Verdade da Mentira”
Ano : 2009
Duração : 60 minutos
Género : Documentário
Realização : Carlos Coelho da Silva
Produção : Manuel S. Fonseca/Ana Torres
Elenco : Gonçalo Amaral

História : Na noite de 3 de Maio de 2007, Madeleine McCann desaparece do apartamento onde passava férias com os irmãos e os pais. A investigação começou, mas nunca terminou, sendo tudo camuflado e abafado, e o caso dado como encerrado.

Comentário : Penso que foi há dois anos que um jovem de uma faculdade duvidosa foi responsável pelas mortes de uns quantos colegas na praia do Meco, devido a práticas estúpidas e criminosas que são conhecidas pelo nome de praxes. Com gente poderosa e influente que gere a faculdade e outras instâncias e devido ao silêncio de um jovem cobarde que recusa confessar-se responsável pelo que aconteceu às jovens vítimas, o caso foi encerrado. Passou-se o mesmo com outros casos, mas o mais flagrante e aquele que mais se falou foi o de Madeleine McCann. Pessoalmente, fiquei chocado com este caso e mais ainda com a maneira como tudo foi tratado. Com o “peixe graúdo” e altos interesses envolvidos, também este foi um caso com imensa coisa camuflada e abafada, acabando por ser encerrado, numa altura em que estava quase a ser descoberta quase toda a verdade pelo inspector Gonçalo Amaral. Neste documentário, o inspector da PJ apresenta a sua versão do caso e de como tudo terá ocorrido naquela fatídica noite. Ele escreveu um livro que deu origem a este filme, pela altura do encerramento do caso, ambos viram proibida a sua venda ao público, só esta atitude diz tudo. Claro que eu pertenço ao grupo daqueles que defendem a teoria de Gonçalo Amaral e, neste filme, tudo encaixa na perfeição, só não vê quem não quer. Quanto a tudo o que aconteceu durante todo este processo, quem esteve atento, saberá praticamente tudo.

A Minha Teoria : Na noite de 3 de Maio de 2007, os pais deixaram Maddie e os seus dois irmãos mais novos sozinhos a dormir no apartamento, os mais pequenos foram sedados para não acordarem. Maddie acordou e teve um acidente dentro do apartamento, batendo com a cabeça e morrendo. Quando os pais chegaram ao quarto, depois do jantar e do convívio deram de caras com a criança morta. Eles pensaram e pensaram muito, possivelmente até choraram. Colocaram o corpo da menina no armário e possivelmente o pai de Maddie deve ter levado o corpo da filha nos braços envolto numa manta em plena madrugada, possivelmente sendo visto por quem não deu a devida importância. Agora, para mim, o corpo de Maddie só pode ter tido 3 destinos : tenha sido muito bem escondido nas catacumbas da igreja; tenha sido enterrado algures no cemitério; tenha sido colocado no caixão de uma senhora morta que tinha cremação marcada para o mês seguinte, acabando a menina morta por ser também cremada juntamente com esse corpo. Durante esse tempo, o corpo fora congelado e podia estar num apartamento mistério que ficava perto do cemitério. Os pais e amigos fizeram as suas combinações, Inglaterra silenciou Portugal e impediu a nossa polícia de prosseguir o caminho até então, inventou-se teses, protegeram os pais da menina, lixaram a vida a Gonçalo Amaral, muita coisa foi camuflada e abafada e o caso foi encerrado por gente muito poderosa, enfim, não foi feita justiça à morte de Madeleine. Paz à sua inocente alma. 

Pare, Escute, Olhe

Nome do Filme : “Pare, Escute, Olhe”
Titulo Inglês : “Stop, Listen, Look”
Titulo Português : “Pare, Escute, Olhe”
Ano : 2009
Duração : 106 minutos
Género : Documentário
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Abílio Ovilheiro, Pedro Couteiro, Acácio Amaral, Pedro Fernandes, Rosa Teixeira Silva.

História : Por razões políticas e de altos interesses, uma linha férrea é fechada, prejudicando gravemente toda a região e dificultando a vida a todos os cidadãos das localidades que do comboio precisavam.

Comentário : Com o mesmo entusiasmo com que um político inaugura alguma obra, um outro manda encerrar uma outra que não devia ser fechada. Basicamente, seria assim que se podia resumir este documentário. O realizador Jorge Pelicano é perito em filmar documentários e fez este filme “denúncia” que mostra como a ganância e a corrupção podem prejudicar as vidas de tantas pessoas, onde o dinheiro fala mais alto. A fita foi muito bem filmada e montada, divide-se entre os comentários dos poderosos e as queixas e relatos dos habitantes locais que nos explicam como o encerramento da linha dificultou-lhes a vida. Com isto podemos concluir que os grandes ganham sempre e nunca são responsabilizados e condenados pelos seus delitos, enquanto que os mais fracos sofrem sempre na pele e pagam pelas patifarias do “peixe-graúdo”. Pelo menos, em Portugal é quase sempre assim. Penso que o realizador conseguiu o seu objectivo com este filme, embora não lhe tivesse valido de quase nada, o mal está feito e não pode ser remediado. A grande verdade é que, desde o 25 de Abril, que grande parte dos nossos políticos e detentores de altos cargos públicos e privados são corruptos e praticam actos ilicitos e geralmente é quase sempre tudo camuflado e abafado, o máximo que alguns sofrem são penas leves ou multas. No caso do assunto deste filme, fiquei triste com o encerramento da linha de comboio que servia aquelas zonas e é triste que os seus habitantes tenham pagado um preço muito alto.

domingo, 11 de dezembro de 2016

The Last Survivors

Nome do Filme : “The Last Survivors”
Titulo Inglês : “The Last Survivors”
Ano : 2014
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Thomas S. Hammock
Elenco : Haley Lu Richardson, Booboo Stewart, Max Charles.

História : Kendal é uma linda e corajosa adolescente que vive num mundo mergulhado no caos, onde a água é um bem raro e precioso e as poucas pessoas que ainda existem matam por um pouco desse maravilhoso e essencial líquido. Praticamente sozinha, ela tem que fazer tudo para se manter viva.

Comentário : Confesso que adoro filmes cuja narrativa decorre em ambientes pós-apocalípticos, ainda para mais quando têm mulheres como protagonistas, assim à memória saltam logo “Doomsday” e o novo “Mad Max”. Haley Lu Richardson é muito linda e tem aqui uma prestação muito boa, adorei a sua personagem. A jovem actriz convence-nos na perfeição com todo o seu drama, concentrado numa personagem bastante completa e forte. Booboo Stewart e o pequeno Max Charles desempenham muito bem os papéis de personagens secundários e, em conjunto com a nossa menina e os maus da fita, tudo fazem para fazer chegar o barco do realizador a bom porto. O filme tem uma belíssima fotografia, decorre no deserto, com as pessoas a viverem em casas quase destruídas e a bombearem a água de fontes existentes debaixo do chão. Lá mais para o final, o filme possui algumas cenas de acção que estão muito bem concebidas e filmadas, aí a nossa menina fica ainda melhor, ainda que muito suja.

O filme tem alguns erros, mas nada que estrague o prazer imenso de ver uma fita onde temos uma jovem e linda rapariga como heroína e olhem que esta protagonista faz ver a muitas de Hollywood. Eu adorei todo o ambiente da história e gostei de ter acompanhado a jornada desta rapariga que possui um sonho em conjunto com os seus dois amigos, sair daquele local. Mas para isso, ela terá que lutar muito, principalmente para se manter viva. Se como eu, gostam de ver um filme onde o protagonista é uma mulher forte e corajosa que nos enche os olhos com a sua beleza natural e com os seus actos, este filme é um prato cheio. Para os muitos machões que existem pelo mundo fora, este não é o filme mais aconselhado. Pessoalmente, eu adorei este filme e Haley Lu Richardon já entrou para a minha lista das “princesas” mais lindas. Não sendo nem estando ao nível de um “Mad Max”, “The Last Survivors” é um bom filme dentro do género, convence em quase tudo, tem uma história simples mas aliciante e conta com uma linda e talentosa actriz que é responsável pela fantástica protagonista cujo seu drama acompanhamos com bastante prazer. Gostei bastante deste filme. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Closet Monster

Nome do Filme : “Closet Monster”
Titulo Inglês : “Closet Monster”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Stephen Dunn
Elenco : Connor Jessup, Jack Fulton, Sofia Banzhaf, Joanne Kelly, Mary Walsh, Marthe Bernard, Aaron Abrams, Aliocha Schneider, James Hawksley, Meghan Cullen, Isabella Rossellini, Jinji Dawson, Emma McIsaac, Paula Morgan.

História : Depois de ter passado por uma infância traumatizante, um adolescente enfrenta agora o início da fase adulta e anseia urgentemente morar num outro local, longe dos pais.

Comentário : Com o ano quase a terminar, confesso que não esperava mais nenhuma surpresa no que ao cinema diz respeito, claramente que não podia estar mais enganado. Este excelente filme canadiano surpreendeu-me pela positiva em todos os aspectos. Escrito e realizado por Stephen Dunn, aqui consta uma história trágica de um miúdo com um passado sofrível, que foi também abandonado pela mãe e negligenciado pelo pai, acabando indo parar a maus caminhos. E o rapaz até tem um talento especial para as artes. Mas às vezes, os filhos são destruídos pelos pais e é praticamente esta frase que resume a história deste filme independente. Connor Jessup e Sofia Banzhaf (a rapariga é linda) possuem as melhores prestações do filme, eles aqui são apenas amigos, embora ele não saiba muito bem como manter essa amizade. O protagonista tem uma relação muito peculiar com o seu hamster e sobre este animal, o realizador reservar-nos uma curiosa surpresa a cargo de uma excelente actriz. O elenco de secundários esteve muito bem, com destaque para o amigo e colega do protagonista que possui sexualidade indefinida. Trata-se de um drama intenso que aborda a adolescência de forma brilhante, bem como alguns dos problemas que os jovens da actualidade enfrentam. Adorei cada tema musical que ouvimos ao longo do filme. É uma fita que usa metáforas para mostrar o estado de espírito do personagem principal. Apesar de ter sido produzido no ano passado, é um dos melhores filmes de 2016. Adorei este filme. 

White Girl

Nome do Filme : “White Girl”
Titulo Inglês : “White Girl”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Elizabeth Wood
Elenco : Morgan Saylor, India Menuez, Brian Marc, Justin Bartha, Chris Noth, Adrian Martinez, Anthony Ramos, Ralph Rodriguez, Annabelle Dexter Jones.

História : Duas grandes amigas mudam-se para uma nova casa num bairro aparentemente calmo, mas a vida destas duas princesas transforma-se num inferno quando uma delas comete o erro de se envolver e apaixonar por um rapaz.

Comentário : Curti bastante este pequeno filme independente americano sobre o mundo do crime, das drogas, da corrupção, da violência e do sexo. Realmente, é impressionante assistirmos a certas vivências de certas pessoas e a tudo o que elas passam nos seus quotidianos. Neste caso, temos a história de duas amigas que têm idade para andar na faculdade ou para estarem a iniciar a vida laboral e em vez disso, levam uma vida condenável com péssimos hábitos e convivendo com gente do pior. O que salta mais à vista neste filme é o facto da fita ser realizada por uma mulher, que não se acanha de ridicularizar a mulher por um lado, mas ao mesmo tempo, mostra-nos as coisas a que grande parte delas estão sujeitas. É uma espécie de mundo cão. No papel da protagonista, a jovem actriz Morgan Saylor é linda e tem aqui a melhor prestação do filme, a talentosa actriz convence no seu papel de rapariga irresponsável e alheia aos perigos que a cercam. Temos cenas de sexo muito bem filmadas, temos também planos deliciosos da protagonista e até temos direito a uma sequência em que a jovem snifa droga que estava em cima do pénis do patrão. A realizadora dá-nos deste modo uma noção de como uma parte da juventude americana vive, sem quaisquer regras. Felizmente, o “namorado” da nossa menina tem o final merecido. Gostei do filme. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

The Eyes Of My Mother

Nome do Filme : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Inglês : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Português : “Os Olhos De Minha Mãe”
Ano : 2016
Duração : 77 minutos
Género : Drama
Realização : Nicolas Pesce
Elenco : Diana Agostini, Kika Magalhães, Olivia Bond, Flora Diaz, Clara Wong, Paul Nazak, Will Brill.

História : A trágica morte da mãe transforma uma miúda para sempre.

Comentário : Trata-se de um objecto cinematográfico único, confesso nunca ter visto nada como isto. O filme divide-se em três capítulos que são banhados por uma espectacular fotografia a preto e branco. Certas coisas parecem não fazer muito sentido e o realizador é opaco em respostas. Em primeiro, somos convidados a conhecer uns momentos da infância da protagonista (Francisca), em que a boa prestação da pequena Olivia Bond ajudou imenso a nos preparar para o que vinha a seguir. Depois, conhecemos Francisca já na fase adulta, aqui numa excelente interpretação a cargo da bonita e talentosa Kika Magalhães. Os personagens masculinos são e muito bem jogados para segundo plano, servindo apenas para compreendermos melhor a mudança que se deu na protagonista. O filme tem cenas e planos belíssimos. Podemos contar com situações que se tornam divertidas de tão bizarras que são. O nosso país é frisado no filme, quer através de uma conversa que a mãe tem com a filha, sendo representado posteriormente por dois fados, um a meio da fita e um outro que acompanha os créditos finais. A banda sonora é constituída por melodias soturnas, o que torna toda a história e aquilo que vemos, tudo muito sombrio. A cena inicial podia ter sido cortada que não afectava em nada o resultado pretendido. Não gostei do final do filme. Um último reparo, não se trata de um filme de terror, é antes, um drama pesado e bastante complexo. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pet

Nome do Filme : “Pet”
Titulo Inglês : “Pet”
Ano : 2016
Duração : 94 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Carles Torrens
Elenco : Dominic Monaghan, Ksenia Solo, Jennette McCurdy, Nathan Parsons.

História : Um homem solitário rapta uma mulher por quem se encontra apaixonado e a mantém enjaulada numa cave. O que ele não contava é que ela é mais inteligente e louca que ele.

Comentário : Trata-se de um filme de terror razoável que, apesar de ter alguns erros, é eficaz e cumpre o seu objectivo. Desde o início do filme até ao final, eu fiquei sempre na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. E aquela revelação final é brutal, nunca pensei que o jogo virasse a tal ponto. Dominic Monaghan e Ksenia Solo possuem boas prestações, embora eu tenha gostado mais dela. A química entre os dois funcionou muito bem. Apesar de algumas falhas, o argumento convence e coloca-nos a pensar nas consequências para ambas as partes, caso aquilo acontecesse de verdade. Mas o filme segue outro rumo, o realizador acaba por seguir outro caminho e resolve a coisa pelo lado mais complicado. Pessoalmente, eu adorei o final do filme. O terror acentua-se mais em particular numa das sequências relacionadas com um dos funcionários do canil. Mas não podemos esquecer o terror psicológico em que as mentes dos dois protagonistas navegam. Não vou mentir, o filme me surpreendeu pela positiva, esperava algo mais vago e linear, mas as coisas correram muito bem. Devido à personalidade dela ser como é e não ser uma mulher frágil e inocente, faz com que não fiquemos tanto a seu favor. Mas repito, o twist final é espectacular, um final digno para um filme razoável. Gostei.