sábado, 7 de janeiro de 2017

Loving

Nome do Filme : “Loving”
Titulo Inglês : “Loving”
Titulo Português : “Loving”
Ano : 2016
Duração : 125 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance/Histórico
Realização : Jeff Nichols
Elenco : Joel Edgerton, Ruth Negga, Michael Shannon, Will Dalton, Alano Miller, Chris Greene, Sharon Blackwood, Christopher Mann, Winter Lee Holland, Marton Csokas, Robert Haulbrook, Bill Camp, David Jensen, Andrene Ward Hammond, Jevin Crochrell, Jordan Williams Jr., Georgia Crawford, Brenan Young, Dalyn Cleckley, Quinn McPherson, Jon Bass, Nick Kroll, Terri Abney.

História : Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são presos em junho de 1958 por terem casado. Exilados do estado onde viviam, eles lutam pelo matrimónio e pelo direito de voltar para casa como uma família.

Comentário : Depois de ter concebido 3 excelentes filmes independentes (Shotgun Stories, Take Shelter e Mud) e um filme fraco (Midnight Special), o realizador Jeff Nichols regressa assim ao cinema de qualidade com este filme biográfico baseado num incrível caso real que fez história na América. O filme em questão chama-se simplesmente “Loving” e eu já o considero como sendo um dos melhores filmes que o ano de 2016 me facultou. O cineasta é bom em nos fornecer histórias de dramas humanos e aqui isso volta a acontecer e olhem que este caso é bem dramático e complexo. É impressionante como as pessoas pertencentes à raça negra eram tratadas naquela altura, ou melhor, como sempre foram tratadas e ainda o são de forma negativa, apenas por não serem brancos. Penso mesmo que isto é uma vergonha, muitos brancos deviam-se envergonhar por tratar de forma diferenciada as pessoas de outras etnias. E o filme foca bem isso.

Jeff Nichols soube gerir bem todo o material que tinha em mãos e fez um excelente trabalho, sendo o argumento e as interpretações os principais alicerces da fita. Joel Edgerton tem aqui um visual muito diferente daquilo que estamos habituados a ver nele, o seu personagem transmite carinho, amor, compreensão e proteção que são esses os sentimentos que ele nutre pela esposa. Joel Edgerton está muito bem neste filme e possui a segunda melhor prestação. Actor fetiche do realizador, Michael Shannon tem aqui uma intervenção muito pequena e discreta, mas revela-se marcante para o avançar dos acontecimentos. Mas quem brilha realmente é Ruth Negga que consegue a melhor interpretação do filme, além de que a sua empatia com Joel Edgerton resultou na perfeição. O ambiente de época está muito bem recriado, de facto, parece que tudo foi realmente filmado nos anos cinquenta e sessenta. O elenco de secundários também ajudou, quase todos eles estiveram à altura daquilo que era espectável. Não gostei dos actores que desempenharam aquele dueto de advogados que conseguiram com que o casal ganhasse o caso. Confesso que não conhecia esta história e este caso e estou grato a Jeff Nichols por tê-la conhecido, estamos sempre a aprender e todo o conhecimento é bem-vindo. Grande filme. Gostei. 


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

American Honey

Nome do Filme : “American Honey”
Titulo Inglês : “American Honey”
Titulo Português : “American Honey”
Ano : 2016
Duração : 163 minutos
Género : Drama
Realização : Andrea Arnold
Elenco : Sasha Lane, Riley Keough, Shia LaBeouf, Arielle Holmes, Crystal Ice, McCaul Lombardi, Veronica Ezell, Chad Cox, Garry Howell, Kenneth Kory Tucker, Raymond Coalson, Isaiah Stone, Dakota Powers, Shawna Rae Moseley, Christopher David Wright, Summer Hunsaker, Brody Hunsaker, Chasity Hunsaker, Michael Hunsaker, Kaylin Mally, Laura Kirk, Will Patton, Daran Shinn, Sam Williamson, Bruce Gregory, Chris Bylsma, Andrea Fantauzzi.

História : Star é uma jovem sem nada a perder. Quando encontra um grupo de rapazes e raparigas que, como forma de sustento, viajam pelos EUA, a vender subscrições de revistas, decide juntar-se-lhes. Entre eles está Jake, por quem se apaixona e com quem vive uma relação muito peculiar. Star vê-se assim envolvida com um conjunto de inadaptados para quem as festas, o amor livre e a constante fuga às autoridades substituem a imposição de regras dos que se preparam para a vida adulta.

Comentário : Finalmente vi o filme “American Honey” e o balanço é bastante positivo. Já tinha gostado das três anteriores longas metragens da realizadora Andrea Arnold e, à quarta vez, ela consegue a proeza de voltar a acertar, os quatro filmes que ela realizou são todos bons. A cineasta sabe trabalhar com os seus elencos, sabe escolher os directores de fotografia e sabe mostrar tudo aquilo que pretende contar nas suas histórias. Em algumas criticas ao filme, pessoas a criticarem que o filme não prende, que o filme se arrasta, que é muito longo. Eu discordo de todas elas. Eu não estava nem aí para o filme ter quase três horas de duração e fiquei totalmente pregado ao ecrã, apesar de às vezes parecer que tudo gira às voltas e vai sempre parar ao mesmo local. De facto, tem um pouco disso, não existe um final digno para o filme em questão, embora a cena final tenha muito significado, mostra a total liberdade da protagonista.

A estreante Sasha Lane (a protagonista do filme) está simplesmente espectacular durante toda a projeção, tem a melhor prestação da fita e notou-se que ela se entregou quase totalmente ao seu difícil papel. Eu comprei direitinho os dramas da sua complexa personagem, não entendendo unicamente uma das suas atitudes logo nos primeiros minutos. Riley Keough faz aqui uma espécie de vilã do filme, mas não o suficiente para a detestarmos, gostei muito da sua personagem, ela é alguém forte e determinada, mesmo que o seu modo de vida seja condenável. Já Shia LaBeouf vai bem melhor do que nos blockbusters, ainda que a sua personagem não me tenha convencido, é como se eu não a entendesse, ou porque não tinha profundidade ou então simplesmente porque o seu Jake não sabe para onde ir. O filme tem belíssimas cenas e algumas sequências memoráveis, bem como uma atenção muito especial a alguns detalhes mínimos, algo que já vimos em filmes anteriores da realizadora como “O Monte dos Vendavais” ou “Fish Tank”. Para mim, “American Honey” foi um dos melhores filmes que o ano passado me facultou. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nocturnal Animals

Nome do Filme : “Nocturnal Animals”
Titulo Inglês : “Nocturnal Animals”
Titulo Português : “Animais Noturnos”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime
Realização : Tom Ford
Elenco : Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor Johnson, Laura Linney, Isla Fisher, Ellie Bamber, Imogen Waterhouse, Armie Hammer, Michael Sheen, Andrea Riseborough, Karl Glusman, Robert Aramayo, India Menuez.

História : Susan Morrow, uma negociadora de arte de Los Angeles, sente-se cada vez mais distante do marido. Um dia, recebe pelo correio a cópia de um romance escrito por Edward, o seu primeiro marido, de quem não tinha notícias há já vários anos. A obra, que lhe é dedicada, conta a história de um casal com uma filha adolescente. Ao mesmo tempo que se sente impelida à leitura, Susan sente-se profundamente incomodada com a violência contida no livro, acabando por se ver forçada a reavaliar as escolhas que a trouxeram até ali e as consequências de todas as decisões. E, na sua interpretação da história, vê tudo aquilo como uma forma de vingança de Edward, que nunca superou o facto de a relação ter fracassado.

Comentário : Gostei deste filme, embora tenha que confessar que esperava bem mais dele. Penso que fui um pouco alimentado pelas imensas criticas positivas que a fita teve pelos vários sites da especialidade. No entanto, foi um filme que me prendeu ao ecrã desde o começo até ao seu final. Penso ter percebido o filme, embora o final me tenha deixado um pouco na dúvida sobre o que realmente aconteceu, ou então, sou eu que quero que a história seja mais complexa do que o é. O filme é realizado por Tom Ford, que em 2009, se estreou em grande força com o excelente “A Single Man” e espero sinceramente que o estilista não nos faça esperar outros sete anos para nos aparecer com um novo filme, o homem sabe mesmo nos surpreender. O filme em análise tem uma excelente fotografia e a nível estético está impecável, todos os detalhes foram cuidadosamente bem trabalhados. Embora confuso, o argumento está bem delineado e tudo parece um filme dentro de outro filme.

Amy Adams está maravilhosa no papel principal, ela tem mais uma vez uma excelente interpretação. Jake Gyllenhaal desdobra-se em dois e triunfa-nos duplamente com duas prestações a cima da média. Aaron Taylor Johnson está sinistro no seu injusto papel, no entanto, o jovem me causou medo, só o seu olhar em certos momentos nos arrepia. Isla Fisher apenas brilhou no início do filme, mas embora seja muito parecida com Amy Adams, tem aqui uma personagem totalmente diferente ou talvez não da protagonista. Armie Hammer e Michael Sheen, em papéis secundários, estiveram muito bem, enquanto que Laura Linney nos encanta com a sua graciosidade, ela é uma verdadeira senhora. Já Michael Shannon, sempre no seu registo peculiar, aqui está mais uma vez consistente em seu personagem e arrepia não só pelas suas atitudes, mas também devido ao triste final que a sua personagem terá. Embora um pouco confuso, “Nocturnal Animals” é um bom filme, vê-se bem e deixa-nos com algumas dúvidas, possui um excelente elenco que foi muito bem aproveitado e nos facultou personagens muito interessantes. Metaforicamente, eu interpreto o titulo do filme à minha maneira.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Hitchcock/Truffaut

Nome do Filme : “Hitchcock/Truffaut”
Titulo Inglês : “Hitchcock/Truffaut”
Titulo Português : “Hitchcock/Truffaut”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Documentário
Realização : Kent Jones
Elenco : Alfred Hitchcock, François Truffaut, Mathieu Amalric, Wes Anderson, Olivier Assayas, Peter Bogdanovich, Arnaud Desplechin, David Fincher, James Gray, Kiyoshi Kurosawa, Richard Linklater, Paul Schrader, Martin Scorsese.

História : Em 1962, Alfred Hitchcock e François Truffaut encontram-se durante uma semana numa sala de estúdios da Universal para uma série de entrevistas sobre cinema. Durante esse tempo, os dois realizadores discutiram a obra completa de Hitchcock e a sua forma inovadora de filmar. Truffaut, apesar de na altura ser ainda bastante jovem, era já internacionalmente conhecido por bons filmes. Com base nessas entrevistas, Truffaut escreveu um livro, que se tornou numa espécie de bíblia para jovens cinéfilos e cineastas. Quase meio século depois da edição deste livro, o documentarista Kent Jones utiliza as gravações originais do encontro e, para entender a forma como a obra influenciou o cinema desde então, junta alguns dos mais importantes cineastas e recolhe os seus testemunhos pessoais.

Comentário : Na minha opinião, este documentário funciona como uma espécie de homenagem ao cinema e à sétima arte em si. O filme aborda uma série muito peculiar de temas, mas foca-se principalmente no realizador Alfred Hitchcock e em alguns dos seus filmes. Temos opiniões de vários realizadores da actualidade sobre aquele que é considerado como um dos principais cineastas de todos os tempos. Narrado pelo realizador e actor Mathieu Amalric, o filme conta também como o cinema de Alfred Hitchcock influenciou o trabalho de François Truffaut, bem como o de outros cineastas. Somos guiados pelos vários filmes do realizador, quer seja através de imagens dos mesmos, quer seja apenas por mencioná-los. Quase todos os intervenientes elogiam Hitchcock e o seu modo revolucionário de filmar, o seu cinema alterou por completo a maneira de fazer cinema, em que muito ajudaram os seus inovadores planos de camara. É um documentário extraordinário, nomeadamente para quem gosta de cinema, as referências filmicas e cinéfilas estão lá e foi com um enorme prazer que eu as descobri. Um trabalho único de visionamento obrigatório para quem gosta mesmo de cinema. O filme também nos dá a conhecer mais sobre Alfred Hitchcock. A única coisa que lamento é terem focado pouco as entrevistas. Sem dúvidas, um dos melhores documentários que eu vi até hoje. 


domingo, 18 de dezembro de 2016

The Light Between Oceans

Nome do Filme : “The Light Between Oceans”
Titulo Inglês : “The Light Between Oceans”
Titulo Português : “A Luz Entre Oceanos”
Ano : 2016
Duração : 133 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Derek Cianfrance
Elenco : Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Florence Clery, Caren Pistorius.

História : O humilde faroleiro Tom Sherbourne e a sua esposa Isabel, formam um casal feliz que vive numa ilha na costa da Austrália, no período após a Primeira Guerra Mundial. O maior desejo do casal é terem uma filha, mas depois de Isabel abortar duas vezes, perderam a esperança de que tal possa acontecer. No entanto, um dia o casal resgata uma menina que deu à costa, sozinha num barco a remos. Os dois decidem chamá-la de Lucy e adotá-la como sua filha. Depois de alguns anos de felicidade, Tom e Isabel, numa visita ao continente, encontram a viúva Hannah Roennfeldt, que perdeu o marido e a filha bebé no mar. Torna-se claro para Tom que Lucy é a filha desaparecida de Hannah, e ele sente que é seu dever devolver a criança à mãe verdadeira. Mas Isabel não quer que a sua família feliz seja destruída e muito menos perder Lucy. Um maravilhoso sonho transforma-se então num pesadelo, trazendo à superfície questões tão difíceis sobre o casamento e a paternidade.

Comentário : Este era um dos filmes mais esperados do ano para mim não só pela história que conta, por ter como protagonistas dois dos meus atores preferidos – o excelente actor Michael Fassbender e a linda e igualmente excelente actriz Alicia Vikander – mas também por se tratar de uma fita que aborda temáticas muito complexas que se podem facilmente resumir como sendo as relações entre pessoas. O filme fala do amor entre dois casais, fala do amor entre mães e filhos, fala da perda, de problemas emocionais, do luto, de atitudes tomadas sem pensar, fala também da dor de se perder filhos e, por último, do amor ao próximo. É uma grande e poderosa história de amor. O realizador Derek Cianfrance, que nos facultou excelentes filmes como “Blue Valentine” e “The Place Beyond The Pines”, soube articular muito bem todos estes ingredientes e o resultado é um drama intenso muito bem concebido, cujo argumento apenas peca em um ou outro erro.

Michael Fassbender (“Hunger”, “Shame”, “12 Years A Slave”) tem aqui mais uma excelente interpretação, gostei de algumas coisas da sua personagem, embora seja contra a atitude dele que estragou a família. Alicia Vikander (The Danish Girl) tem também uma interpretação muito boa, a sua personagem sofre o filme quase todo, a actriz consegue fazer passar para o espectador todo o drama que envolve a sua personagem, ou seja, a situação de uma mulher naquela situação. Rachel Weisz (The Constant Gardener) também convence no seu papel. Adorei estas três personagens. E as jovens Florence Clery (infância de Lucy-Grace) e Caren Pistorius (fase adulta de Lucy-Grace) também possuem uma forte presença no écrã. O filme aborda questões, e as personagens principais tomam decisões, que podem ser bem vistas ou não, depende da sensibilidade e do ponto de vista de cada espectador. Pessoalmente, tenho a minha opinião própria que não irei revelar. Quanto ao filme, gostei bastante, foi uma boa forma de terminar mais um ano cinematográfico.

Jogo de Damas

Nome do Filme : “Jogo de Damas”
Titulo Inglês : “Game Of Checkers”
Titulo Português : “Jogo de Damas”
Ano : 2015
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Patrícia Sequeira
Elenco : Ana Nave, Ana Padrão, Fátima Belo, Maria João Luís, Rita Blanco, Óscar.

História : Cinco mulheres reencontram-se devido ao funeral de Marta, uma amiga em comum. Ao longo de uma noite, que decidem passar na casa de campo que Marta nunca chegou a inaugurar, as cinco amigas falam da vida, dividem segredos, recordam a amizade que as une e reflectem sobre a existência.

Comentário : Hoje tive a grande oportunidade e felicidade de ter descoberto este excelente filme. O elenco é praticamente todo feminino, tirando o cão que é macho e aparece poucas vezes. Até o realizador é uma mulher e ainda bem. As cinco actrizes estiveram muito bem, funcionam na perfeição seja individualmente, seja como um todo e é este o principal alicerce do filme. E enquanto personagens também funcionam. Na realidade, estamos perante uma pequena fita feita com poucos recursos, mas onde está tudo no lugar certo. Ana Nave como Maria parece estar alheia às coisas mas está por dentro do problema, nos oferece uma personagem bastante curiosa e tem na sua expressão facial o seu maior trunfo. Já Ana Padrão no papel de Dalila, no inicio fala pouco, embora perto do final revele que afinal era a mais próxima da falecida por causa de um motivo que eu não vou revelar. No papel de Ema, a actriz Fátima Belo tem aqui a personagem mais dramática do filme e, pouco depois da segunda parte, somos informados do porquê. Por seu turno e no papel de Ana, Maria João Luís faculta-nos uma das personagens mais importantes do grupo, ela é a mais adulta mentalmente e a mais velha das amigas. Finalmente, Rita Blanco faz de Mónica, das cinco ela é a mais racional, aquela que faz sempre tudo certinho. Ela tinha também uma relação muito especial com a falecida, ou não fosse esta a esposa do irmão dela. Um filme apenas destinado às mulheres e também aos poucos homens que compreendem estes fantásticos e maravilhosos seres, porque ao longo dos oitenta minutos de projeção, são ditas muitas e grandes verdades. Grande filme. Adorei.

Pára-me de Repente o Pensamento

Nome do Filme : “Pára-me de Repente o Pensamento”
Titulo Inglês : “Suddenly My Thoughts Halt”
Titulo Português : “Pára-me de Repente o Pensamento”
Ano : 2014
Duração : 100 minutos
Género : Documentário/Drama
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Miguel Borges.

História : Um actor decide passar três semanas com os actuais pacientes psiquiátricos do Centro Hospitalar Conde de Ferreira. Durante esse tempo, partilha com eles as conversas, as refeições, as terapias, o café e os cigarros. Ele pretende igualmente encontrar alguém para a sua peça de teatro.

Comentário : Possivelmente um dos melhores documentários portugueses que eu já tive a oportunidade de ver, a mim, este filme do realizador Jorge Pelicano convenceu-me na totalidade. Confesso que sou uma pessoa depressiva por natureza e estou por dentro de algumas das realidades de certas pessoas mostradas nesta peça. O filme começa bem e termina de uma forma ainda melhor, com uma fantástica metáfora visual. Não vou negar, simpatizei com todos os intervenientes deste filme, e estão incluídos todos os doentes mostrados. Seguimos com interesse as suas histórias, os seus receios e os seus problemas. A realização é boa, a maneira como está filmado encaixa perfeitamente no ambiente onde tudo está inserido. Além do mais, o cineasta mostra-nos com grande realismo, o ambiente de um hospital psiquiátrico. Gosto bastante dos filmes de Jorge Pelicano, ele tem um talento especial para mostrar realidades, o mundo real. Um dos doentes facilmente se destaca dos outros, confesso que gostava de o conhecer pessoalmente. A única coisa em que o realizador falha aqui é mostrar-nos o lado bom do hospital, ele nunca aborda o lado mau destes locais e sente-se claramente a falta disso. É fácil sentirmos empatia pelos doentes, eles têm feridas que não são visíveis, porque as suas feridas são interiores. Um dos melhores documentários já produzidos em Portugal.

Cartas da Guerra

Nome do Filme : “Cartas da Guerra”
Titulo Inglês : “Letters From War”
Titulo Português : “Cartas da Guerra”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Ivo Ferreira
Elenco : Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira, Simão Cayatte, João Pedro Vaz, Isac Graça, Francisco Hestnes, João Pedro Mamede, Tiago Aldeia, Orlando Sérgio, David Caracol, Miguel Raposo, Raúl Rosário, Cândido Ferreira, Maria João Abreu, Daniel Seabra, João Arrais, Pedro Ferreira, João Veloso, Tirsa Buta.

História : Em 1971, António é incorporado no exército português para servir como médico numa das piores zonas da Guerra Colonial, no Leste de Angola. Longe de Maria José, a mulher amada que se viu obrigado a deixar, ele vai matando saudades através de longas cartas que durante dois anos lhe escreve.

Comentário : Possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi, o realizador Ivo M. Ferreira fez um trabalho belíssimo. Detentor de uma das melhores fotografias alguma vez vistas no cinema português, o filme nos deslumbra a cada frame. Tanto as cenas diurnas, como as cenas filmadas à noite são maravilhosas, por momentos, quase me senti dentro do filme e como parte integrante daquela história. A interpretação que merece todo o destaque é a de Miguel Nunes, ele está muito bem, sem nunca esquecermos a forte presença de Margarida Vila-Nova. O filme tem alguns diálogos, mas aquilo que mais temos e ouvimos é o conteúdo das cartas escritas durante os dois anos em que o protagonista esteve na guerra e que nos são narradas. O filme é uma adaptação de um livro de António Lobo Antunes e ganhou vários prémios. Filmado a preto e branco, o filme mostra também os horrores da guerra e os dramas dos habitantes daquela região, daquele país. A realização é boa e leva-nos a acompanhar os acontecimentos, através das atitudes do protagonista e de todo um conjunto de secundários, mas principalmente pelo que está escrito nas cartas que o médico escreve à esposa que deixou em Portugal. O filme foca uma época difícil para muitos, mas que não restem dúvidas que quem mais sofria eram as mães, esposas e filhas dos homens que combatiam e que morriam. Grande filme, gostei bastante.

Maddie – A Verdade da Mentira

Nome do Filme : “Maddie – A Verdade da Mentira”
Titulo Inglês : “The Truth Of Lies”
Titulo Português : “Maddie – A Verdade da Mentira”
Ano : 2009
Duração : 60 minutos
Género : Documentário
Realização : Carlos Coelho da Silva
Produção : Manuel S. Fonseca/Ana Torres
Elenco : Gonçalo Amaral

História : Na noite de 3 de Maio de 2007, Madeleine McCann desaparece do apartamento onde passava férias com os irmãos e os pais. A investigação começou, mas nunca terminou, sendo tudo camuflado e abafado, e o caso dado como encerrado.

Comentário : Penso que foi há dois anos que um jovem de uma faculdade duvidosa foi responsável pelas mortes de uns quantos colegas na praia do Meco, devido a práticas estúpidas e criminosas que são conhecidas pelo nome de praxes. Com gente poderosa e influente que gere a faculdade e outras instâncias e devido ao silêncio de um jovem cobarde que recusa confessar-se responsável pelo que aconteceu às jovens vítimas, o caso foi encerrado. Passou-se o mesmo com outros casos, mas o mais flagrante e aquele que mais se falou foi o de Madeleine McCann. Pessoalmente, fiquei chocado com este caso e mais ainda com a maneira como tudo foi tratado. Com o “peixe graúdo” e altos interesses envolvidos, também este foi um caso com imensa coisa camuflada e abafada, acabando por ser encerrado, numa altura em que estava quase a ser descoberta quase toda a verdade pelo inspector Gonçalo Amaral. Neste documentário, o inspector da PJ apresenta a sua versão do caso e de como tudo terá ocorrido naquela fatídica noite. Ele escreveu um livro que deu origem a este filme, pela altura do encerramento do caso, ambos viram proibida a sua venda ao público, só esta atitude diz tudo. Claro que eu pertenço ao grupo daqueles que defendem a teoria de Gonçalo Amaral e, neste filme, tudo encaixa na perfeição, só não vê quem não quer. Quanto a tudo o que aconteceu durante todo este processo, quem esteve atento, saberá praticamente tudo.

A Minha Teoria : Na noite de 3 de Maio de 2007, os pais deixaram Maddie e os seus dois irmãos mais novos sozinhos a dormir no apartamento, os mais pequenos foram sedados para não acordarem. Maddie acordou e teve um acidente dentro do apartamento, batendo com a cabeça e morrendo. Quando os pais chegaram ao quarto, depois do jantar e do convívio deram de caras com a criança morta. Eles pensaram e pensaram muito, possivelmente até choraram. Colocaram o corpo da menina no armário e possivelmente o pai de Maddie deve ter levado o corpo da filha nos braços envolto numa manta em plena madrugada, possivelmente sendo visto por quem não deu a devida importância. Agora, para mim, o corpo de Maddie só pode ter tido 3 destinos : tenha sido muito bem escondido nas catacumbas da igreja; tenha sido enterrado algures no cemitério; tenha sido colocado no caixão de uma senhora morta que tinha cremação marcada para o mês seguinte, acabando a menina morta por ser também cremada juntamente com esse corpo. Durante esse tempo, o corpo fora congelado e podia estar num apartamento mistério que ficava perto do cemitério. Os pais e amigos fizeram as suas combinações, Inglaterra silenciou Portugal e impediu a nossa polícia de prosseguir o caminho até então, inventou-se teses, protegeram os pais da menina, lixaram a vida a Gonçalo Amaral, muita coisa foi camuflada e abafada e o caso foi encerrado por gente muito poderosa, enfim, não foi feita justiça à morte de Madeleine. Paz à sua inocente alma. 

Pare, Escute, Olhe

Nome do Filme : “Pare, Escute, Olhe”
Titulo Inglês : “Stop, Listen, Look”
Titulo Português : “Pare, Escute, Olhe”
Ano : 2009
Duração : 106 minutos
Género : Documentário
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Abílio Ovilheiro, Pedro Couteiro, Acácio Amaral, Pedro Fernandes, Rosa Teixeira Silva.

História : Por razões políticas e de altos interesses, uma linha férrea é fechada, prejudicando gravemente toda a região e dificultando a vida a todos os cidadãos das localidades que do comboio precisavam.

Comentário : Com o mesmo entusiasmo com que um político inaugura alguma obra, um outro manda encerrar uma outra que não devia ser fechada. Basicamente, seria assim que se podia resumir este documentário. O realizador Jorge Pelicano é perito em filmar documentários e fez este filme “denúncia” que mostra como a ganância e a corrupção podem prejudicar as vidas de tantas pessoas, onde o dinheiro fala mais alto. A fita foi muito bem filmada e montada, divide-se entre os comentários dos poderosos e as queixas e relatos dos habitantes locais que nos explicam como o encerramento da linha dificultou-lhes a vida. Com isto podemos concluir que os grandes ganham sempre e nunca são responsabilizados e condenados pelos seus delitos, enquanto que os mais fracos sofrem sempre na pele e pagam pelas patifarias do “peixe-graúdo”. Pelo menos, em Portugal é quase sempre assim. Penso que o realizador conseguiu o seu objectivo com este filme, embora não lhe tivesse valido de quase nada, o mal está feito e não pode ser remediado. A grande verdade é que, desde o 25 de Abril, que grande parte dos nossos políticos e detentores de altos cargos públicos e privados são corruptos e praticam actos ilicitos e geralmente é quase sempre tudo camuflado e abafado, o máximo que alguns sofrem são penas leves ou multas. No caso do assunto deste filme, fiquei triste com o encerramento da linha de comboio que servia aquelas zonas e é triste que os seus habitantes tenham pagado um preço muito alto.

domingo, 11 de dezembro de 2016

The Last Survivors

Nome do Filme : “The Last Survivors”
Titulo Inglês : “The Last Survivors”
Ano : 2014
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Thomas S. Hammock
Elenco : Haley Lu Richardson, Booboo Stewart, Max Charles.

História : Kendal é uma linda e corajosa adolescente que vive num mundo mergulhado no caos, onde a água é um bem raro e precioso e as poucas pessoas que ainda existem matam por um pouco desse maravilhoso e essencial líquido. Praticamente sozinha, ela tem que fazer tudo para se manter viva.

Comentário : Confesso que adoro filmes cuja narrativa decorre em ambientes pós-apocalípticos, ainda para mais quando têm mulheres como protagonistas, assim à memória saltam logo “Doomsday” e o novo “Mad Max”. Haley Lu Richardson é muito linda e tem aqui uma prestação muito boa, adorei a sua personagem. A jovem actriz convence-nos na perfeição com todo o seu drama, concentrado numa personagem bastante completa e forte. Booboo Stewart e o pequeno Max Charles desempenham muito bem os papéis de personagens secundários e, em conjunto com a nossa menina e os maus da fita, tudo fazem para fazer chegar o barco do realizador a bom porto. O filme tem uma belíssima fotografia, decorre no deserto, com as pessoas a viverem em casas quase destruídas e a bombearem a água de fontes existentes debaixo do chão. Lá mais para o final, o filme possui algumas cenas de acção que estão muito bem concebidas e filmadas, aí a nossa menina fica ainda melhor, ainda que muito suja.

O filme tem alguns erros, mas nada que estrague o prazer imenso de ver uma fita onde temos uma jovem e linda rapariga como heroína e olhem que esta protagonista faz ver a muitas de Hollywood. Eu adorei todo o ambiente da história e gostei de ter acompanhado a jornada desta rapariga que possui um sonho em conjunto com os seus dois amigos, sair daquele local. Mas para isso, ela terá que lutar muito, principalmente para se manter viva. Se como eu, gostam de ver um filme onde o protagonista é uma mulher forte e corajosa que nos enche os olhos com a sua beleza natural e com os seus actos, este filme é um prato cheio. Para os muitos machões que existem pelo mundo fora, este não é o filme mais aconselhado. Pessoalmente, eu adorei este filme e Haley Lu Richardon já entrou para a minha lista das “princesas” mais lindas. Não sendo nem estando ao nível de um “Mad Max”, “The Last Survivors” é um bom filme dentro do género, convence em quase tudo, tem uma história simples mas aliciante e conta com uma linda e talentosa actriz que é responsável pela fantástica protagonista cujo seu drama acompanhamos com bastante prazer. Gostei bastante deste filme. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Closet Monster

Nome do Filme : “Closet Monster”
Titulo Inglês : “Closet Monster”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Stephen Dunn
Elenco : Connor Jessup, Jack Fulton, Sofia Banzhaf, Joanne Kelly, Mary Walsh, Marthe Bernard, Aaron Abrams, Aliocha Schneider, James Hawksley, Meghan Cullen, Isabella Rossellini, Jinji Dawson, Emma McIsaac, Paula Morgan.

História : Depois de ter passado por uma infância traumatizante, um adolescente enfrenta agora o início da fase adulta e anseia urgentemente morar num outro local, longe dos pais.

Comentário : Com o ano quase a terminar, confesso que não esperava mais nenhuma surpresa no que ao cinema diz respeito, claramente que não podia estar mais enganado. Este excelente filme canadiano surpreendeu-me pela positiva em todos os aspectos. Escrito e realizado por Stephen Dunn, aqui consta uma história trágica de um miúdo com um passado sofrível, que foi também abandonado pela mãe e negligenciado pelo pai, acabando indo parar a maus caminhos. E o rapaz até tem um talento especial para as artes. Mas às vezes, os filhos são destruídos pelos pais e é praticamente esta frase que resume a história deste filme independente. Connor Jessup e Sofia Banzhaf (a rapariga é linda) possuem as melhores prestações do filme, eles aqui são apenas amigos, embora ele não saiba muito bem como manter essa amizade. O protagonista tem uma relação muito peculiar com o seu hamster e sobre este animal, o realizador reservar-nos uma curiosa surpresa a cargo de uma excelente actriz. O elenco de secundários esteve muito bem, com destaque para o amigo e colega do protagonista que possui sexualidade indefinida. Trata-se de um drama intenso que aborda a adolescência de forma brilhante, bem como alguns dos problemas que os jovens da actualidade enfrentam. Adorei cada tema musical que ouvimos ao longo do filme. É uma fita que usa metáforas para mostrar o estado de espírito do personagem principal. Apesar de ter sido produzido no ano passado, é um dos melhores filmes de 2016. Adorei este filme. 

White Girl

Nome do Filme : “White Girl”
Titulo Inglês : “White Girl”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Elizabeth Wood
Elenco : Morgan Saylor, India Menuez, Brian Marc, Justin Bartha, Chris Noth, Adrian Martinez, Anthony Ramos, Ralph Rodriguez, Annabelle Dexter Jones.

História : Duas grandes amigas mudam-se para uma nova casa num bairro aparentemente calmo, mas a vida destas duas princesas transforma-se num inferno quando uma delas comete o erro de se envolver e apaixonar por um rapaz.

Comentário : Curti bastante este pequeno filme independente americano sobre o mundo do crime, das drogas, da corrupção, da violência e do sexo. Realmente, é impressionante assistirmos a certas vivências de certas pessoas e a tudo o que elas passam nos seus quotidianos. Neste caso, temos a história de duas amigas que têm idade para andar na faculdade ou para estarem a iniciar a vida laboral e em vez disso, levam uma vida condenável com péssimos hábitos e convivendo com gente do pior. O que salta mais à vista neste filme é o facto da fita ser realizada por uma mulher, que não se acanha de ridicularizar a mulher por um lado, mas ao mesmo tempo, mostra-nos as coisas a que grande parte delas estão sujeitas. É uma espécie de mundo cão. No papel da protagonista, a jovem actriz Morgan Saylor é linda e tem aqui a melhor prestação do filme, a talentosa actriz convence no seu papel de rapariga irresponsável e alheia aos perigos que a cercam. Temos cenas de sexo muito bem filmadas, temos também planos deliciosos da protagonista e até temos direito a uma sequência em que a jovem snifa droga que estava em cima do pénis do patrão. A realizadora dá-nos deste modo uma noção de como uma parte da juventude americana vive, sem quaisquer regras. Felizmente, o “namorado” da nossa menina tem o final merecido. Gostei do filme. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

The Eyes Of My Mother

Nome do Filme : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Inglês : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Português : “Os Olhos De Minha Mãe”
Ano : 2016
Duração : 77 minutos
Género : Drama
Realização : Nicolas Pesce
Elenco : Diana Agostini, Kika Magalhães, Olivia Bond, Flora Diaz, Clara Wong, Paul Nazak, Will Brill.

História : A trágica morte da mãe transforma uma miúda para sempre.

Comentário : Trata-se de um objecto cinematográfico único, confesso nunca ter visto nada como isto. O filme divide-se em três capítulos que são banhados por uma espectacular fotografia a preto e branco. Certas coisas parecem não fazer muito sentido e o realizador é opaco em respostas. Em primeiro, somos convidados a conhecer uns momentos da infância da protagonista (Francisca), em que a boa prestação da pequena Olivia Bond ajudou imenso a nos preparar para o que vinha a seguir. Depois, conhecemos Francisca já na fase adulta, aqui numa excelente interpretação a cargo da bonita e talentosa Kika Magalhães. Os personagens masculinos são e muito bem jogados para segundo plano, servindo apenas para compreendermos melhor a mudança que se deu na protagonista. O filme tem cenas e planos belíssimos. Podemos contar com situações que se tornam divertidas de tão bizarras que são. O nosso país é frisado no filme, quer através de uma conversa que a mãe tem com a filha, sendo representado posteriormente por dois fados, um a meio da fita e um outro que acompanha os créditos finais. A banda sonora é constituída por melodias soturnas, o que torna toda a história e aquilo que vemos, tudo muito sombrio. A cena inicial podia ter sido cortada que não afectava em nada o resultado pretendido. Não gostei do final do filme. Um último reparo, não se trata de um filme de terror, é antes, um drama pesado e bastante complexo. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pet

Nome do Filme : “Pet”
Titulo Inglês : “Pet”
Ano : 2016
Duração : 94 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Carles Torrens
Elenco : Dominic Monaghan, Ksenia Solo, Jennette McCurdy, Nathan Parsons.

História : Um homem solitário rapta uma mulher por quem se encontra apaixonado e a mantém enjaulada numa cave. O que ele não contava é que ela é mais inteligente e louca que ele.

Comentário : Trata-se de um filme de terror razoável que, apesar de ter alguns erros, é eficaz e cumpre o seu objectivo. Desde o início do filme até ao final, eu fiquei sempre na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. E aquela revelação final é brutal, nunca pensei que o jogo virasse a tal ponto. Dominic Monaghan e Ksenia Solo possuem boas prestações, embora eu tenha gostado mais dela. A química entre os dois funcionou muito bem. Apesar de algumas falhas, o argumento convence e coloca-nos a pensar nas consequências para ambas as partes, caso aquilo acontecesse de verdade. Mas o filme segue outro rumo, o realizador acaba por seguir outro caminho e resolve a coisa pelo lado mais complicado. Pessoalmente, eu adorei o final do filme. O terror acentua-se mais em particular numa das sequências relacionadas com um dos funcionários do canil. Mas não podemos esquecer o terror psicológico em que as mentes dos dois protagonistas navegam. Não vou mentir, o filme me surpreendeu pela positiva, esperava algo mais vago e linear, mas as coisas correram muito bem. Devido à personalidade dela ser como é e não ser uma mulher frágil e inocente, faz com que não fiquemos tanto a seu favor. Mas repito, o twist final é espectacular, um final digno para um filme razoável. Gostei. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Ouija : Origin Of Evil

Nome do Filme : “Ouija : Origin Of Evil”
Titulo Inglês : “Ouija : Origin Of Evil”
Titulo Português : “Ouija : Origem do Mal”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Terror
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Elizabeth Reaser, Annalise Basso, Lulu Wilson, Henry Thomas, Parker Mack.

História : Uma mãe viúva ganha a vida enganando os seus clientes com as suas falsas consultas do oculto. Até que um dia, decide comprar um estranho e perigoso jogo e leva-o para dentro de casa, despertando a atenção da filha mais nova. O passado daquela casa aliado ao facto da miúda estar possuída, transforma as vidas das três num verdadeiro inferno.

Comentário : Confesso nunca ter visto o primeiro filme, porque li algures que é muito mau e só resolvi ver este segundo filme porque se trata de uma prequela, ou seja, conta acontecimentos que decorreram anteriormente aos da primeira fita. O filme é bom até ao início da segunda parte, a partir daí tudo muda e entra em piloto automático, nos facultando situações ridículas e outras que parecem não fazer sentido, para além de alguns erros básicos. E foi pena que assim tenha sido. Não gostei da prestação “seca” da actriz que desempenhou a mãe das miúdas. Já Annalise Basso e a pequena Lulu Wilson estão de parabéns, elas possuem prestações bem a cima da média para este tipo de produções. Também gostei da interpretação do actor que fez de padre. Se pensam que este filme explica a origem do mal associado ao famoso jogo, enganem-se, porque ainda torna tudo mais complicado. Sinceramente, não percebi qual a relação do médico nazi com o dito jogo, enquanto objecto. Trata-se apenas de mais uma história que nos é contada, igual a tantas outras. Repito, é na segunda parte do filme que tudo descarrila, tornando-se num rolo de situações ridículas e sem sentido, com erros e clichés. O filme vale essencialmente pela primeira metade e pelas prestações das duas miúdas. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

The Neighbor

Nome do Filme : “The Neighbor”
Titulo Inglês : “The Neighbor”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Crime/Terror/Thriller
Realização : Marcus Dunstan
Elenco : Josh Stewart, Alex Essoe, Melissa Bolona, Bill Engvall, Ronnie Gene Blevins, Luke Edwards, Jaqueline Fleming, Skipp Sudduth, David Kallaway, Heather Williams, Zoe Dean, Artrial Clark, Mason Guccione.

História : John e Rosie são um jovem casal que vive de pequenos delitos, tendo um negócio muito bem montado. A serenidade do casal muda repentinamente quando decidem vigiar um estranho vizinho que esconde terríveis segredos.

Comentário : O realizador Marcus Dunstan realizou dois filmes de terror anteriores a este que também tinham o actor Josh Stewart como protagonista. Pessoalmente, gostei dos três filmes. Mas vamos a este. Mais uma vez, o cineasta nos faculta uma situação muito peculiar, quando pensávamos que os crimes praticados pelo casal protagonista já eram graves, quando vimos os crimes de que o tal vizinho é capaz, ficamos de boca aberta. E o vizinho tem dois filhos igualmente doentes e maus, já para não falar da aliada polícia que possuem. Não vou revelar mais nada, estamos perante um bom thriller que joga muito bem com o factor terror e com o factor surpresa. Os sustos não são muitos, é mais o clima de tensão que nos dá cabo dos nervos à medida que os minutos passam. Envolto em alguns twists, o realizador dá a conhecer aos poucos todos os detalhes da história e nos envolve na narrativa. O filme tem violência e sadismo. Apesar de também serem criminosos, John e Rosie são apanhados nos planos dos vizinhos cuja maldade nada se compara à deles, ou seja, o casal protagonista passa rapidamente a vítima e facilmente esquecemos a maneira condenável como eles ganham a vida. Eu senti-me totalmente envolvido pela história e pelo constante clima de tensão sempre presente. O filme está muito bem filmado e montado. O final é uma delícia. Gostei.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Ainda Há Pastores ?

Nome do Filme : “Ainda Há Pastores ?”
Titulo Português : “Ainda Há Pastores ?”
Ano : 2006
Duração : 75 minutos
Género : Documentário
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Hermínio Carvalhinho, Fernando Alves, João Grazina.

História : Hermínio é um pastor, natural da Serra da Estrela, Casais de Folgosinho. Ele continua a calcorrear as montanhas, de leitor de música às costas, ouvindo com particular agrado as canções de Quim Barreiros que, um dia, tem oportunidade de conhecer.

Comentário : Possivelmente um dos melhores documentários que vi na vida, este filme é profundo na medida em que penetra bem fundo na questão, que é o abandono das pessoas do interior para as grandes cidades. Mas neste caso, essas pessoas são representadas pelos pastores. Hermínio é o mais novo pastor da Serra da Estrela e tem tanto de gratificante quanto de triste acompanharmos o seu percurso, a sua vida. A solidão, a pobreza e o frio são os principais problemas destes homens, que passam imenso tempo nas montanhas, e cada vez há menos. É também um filme sobre gerações, daqueles que partem e vão embora e daqueles que ficam e permanecem nos locais esquecidos no tempo. Os políticos nada fazem, porque o interior do país não lhes dá lucro. E eles lá andam, os pastores, com as suas cabras e com as suas ovelhas ao relento pelas montanhas a passear os animais, tendo os cães como seus únicos amigos. É um documentário que fala da pureza daquelas paragens e da simplicidade daqueles homens do campo. Gostei de conhecer Hermínio e aquele pastor mais velho chamado Grazina, dois dos poucos pastores que ainda existem neste país. Eu falo por mim, eu senti-me muito humano ao ver este documentário, tocou-me cá bem fundo, porque é um filme que mostra o lado mais humano e realista do nosso país. Excelente documentário. 

sábado, 26 de novembro de 2016

The Sea Of Trees

Nome do Filme : “The Sea Of Trees”
Titulo Inglês : “The Sea Of Trees”
Ano : 2015
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Gus Van Sant
Elenco : Matthew McConaughey, Ken Watanabe, Naomi Watts, Katie Aselton.

História : Depois de ter testemunhado uma tragédia familiar, um homem viciado no trabalho penetra numa floresta com a intenção de se suicidar. Acaba por conhecer um outro suicida, este um homem muito peculiar.

Comentário : Neste fim-de-semana foram só desilusões. Depois daquele filme anterior produzido por Paulo Branco passado numa floresta tropical, tive o também azar de ter me cruzado com o novo trabalho de Gus Van Sant. Um realizador que já fora um grande cineasta, mas cujos seus últimos três filmes (este incluído) são uma verdadeira desgraça. O filme em questão é cansativo, não motiva em nada, tem prestações forçadas e um argumento paupérrimo. Matthew McConaughey e Naomi Watts já fizeram muito melhor e muitas vezes, aqui estão muito mal. Ken Watanabe tem aqui uma pobre e inútil personagem. O filme não me agarrou minimamente ao ecrã, estava desejoso que terminasse. Valeu o cenário da floresta dos suicidas, era realmente muito bonita. Naomi Watts, ainda assim, foi a única profissional a passar alguma substância na sua personagem, afinal sofre no papel de uma esposa sofrida pelo vício do marido no trabalho e mais tarde é marcada por uma doença maldita. A química entre marido e mulher não funciona e o filme arrasta-se de uma forma que insulta o espectador. E Matthew McConaughey está péssimo neste filme, não por culpa sua, mas por quem lhe atribuiu tal personagem, muito pobre. Um filme sem conteúdo, muito mau.

Posto Avançado do Progresso

Nome do Filme : “Posto Avançado do Progresso”
Titulo Inglês : “An Outpost Of Progress”
Titulo Português : “Posto Avançado do Progresso”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Hugo Vieira da Silva
Produção : Paulo Branco
Elenco : Nuno Lopes, Ivo Alexandre, David Caracol, Inês Helena, António Mpinda, José Manuel Mendes, Cleonise Malulo, Domingos Sita, Miguel Delfina.

História : No final do século XIX, dois colonizadores portugueses, imbuídos de uma vaga intenção civilizadora desembarcam numa parte remota do Rio Congo para coordenar um posto comercial. À medida que o tempo passa, começam a desmoralizar pela sua incapacidade de enriquecer à custa do comércio de marfim. Sentimentos de desconfiança mútua e mal-entendidos com a população local isolam-nos no coração da floresta tropical.

Comentário : Após ter visto este filme português, eu vejo-me na obrigação de perguntar porque motivo se gasta dinheiro a produzir filmes como este, em vez de investir em outro tipo de filmes, ou seja, facultar fundos a jovens realizadores como João Salaviza com o fim de produzirem filmes bons. O DVD do filme possui na secção dos extras, uma espécie de entrevista com a equipa de actores, produtor e técnicos sobre o filme na estreia no Cinema Monumental. Eu até acredito que tenha sido uma grande experiência para Nuno Lopes e Ivo Alexandre, mas duvido bem que quem produziu e concebeu este filme o tenha feito com dedicação e esforço necessários para que tivesse resultado num bom filme, ou pelo menos, numa obra capaz. Tudo isto para dizer que detestei este filme, são quase duas horas perdidas da minha vida que nunca irei recuperar. À parte dos cenários que são magníficos e da presença dos nativos da região, mais nada interessa neste filme. O argumento é fraco, a fotografia demasiado amadora, dois protagonistas idiotas enquanto personagens, não gostei do modo de filmar, tem partes ridículas e em algumas delas parece que o realizador ou o produtor estão a gozar com o espectador, as interpretações são apenas razoáveis e aqui o destaque não vai desta vez para Nuno Lopes, mas para David Caracol. Olhando para este filme, é fácil percebermos porque motivo grande parte do público nacional não gosta de ver cinema português. Muito mau.

sábado, 19 de novembro de 2016

Mãe Só Há Uma

Nome do Filme : “Mãe Só Há Uma”
Titulo Inglês : “Don't Call Me Son”
Titulo Português : “Mãe Só Há Uma”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Muylaert
Elenco : Naomi Nero, Lais Dias, Daniela Nefussi, Luciana Paes, Daniel Botelho, Matheus Nachtergaele, Helena Albergaria, Luciano Bortoluzzi, June Dantas.

História : Pierre é avisado que sua família não é biológica quando a polícia prende a sua mãe. Confuso, ele é obrigado a ir morar com os seus pais verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a sua nova realidade faz com que o rapaz revele a sua real identidade.

Comentário : Trata-se do novo filme da realizadora Anna Muylaert que nos deu o fabuloso “Que Horas Ela Volta”, um dos melhores filmes brasileiros do ano passado. Este seu novo filme não é tão bom quanto o anterior, mas ainda assim é um bom registo. Aqui são abordados temas como rapto de bebés, familias desfeitas, rebeldia na juventude, carência de afectos, o importante papel dos irmãos, a vivência num corpo errado e as relações familiares. Mais uma vez, mas de forma diferente, a cineasta aborda a maternidade e o faz de forma brilhante. Aliás o filme é baseado em vários casos reais e livremente adaptado de um caso em particular. Para além de falar sobre a maternidade, o longa aborda também os laços entre irmãos, sejam eles de sangue ou não.

Todos no elenco estão de parabéns, mas o destaque vai claramente para o estreante Naomi Nero, que dá aqui um show de representação. Também gostei da personagem da “irmã” do protagonista, cuja interpretação da jovem Lais Dias me comoveu. Jaqueline acaba por viver o mesmo drama do suposto irmão, também ela raptada por aquela mulher criminosa que criou os dois como se fossem seus filhos. Estes casos são mais comuns do que aquilo que se pensa. Apesar de não gostar do actor Matheus Nachtergaele, tenho que reconhecer que ele esteve muito bem aqui, sei que ele é um excelente actor, talvez não simpatize com ele, porque ele é muito dado à comédia, um género que eu não gosto. A morosa sequência no salão de bowling é a melhor do filme. Lamentável é o facto de o filme ter pouca divulgação e uma escassa distribuição. Mais um bom registo para o cinema brasileiro, grande filme. 



A Despedida

Nome do Filme : “A Despedida”
Titulo Inglês : “Farewell”
Titulo Português : “A Despedida”
Ano : 2014
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Marcelo Galvão
Elenco : Nelson Xavier, Juliana Paes, Amélia Bittencourt, Tereza Piffer, Vinicius Ferreira, Felipe Hintze, Ithamar Lembo, Nill Marcondes, Osvaldo Mendes, Deto Montenegro, Fátima Ribeiro, Theo Salomão, Luma Vidal.

História : Almirante tem 92 anos e sente que o seu fim está próximo. Por isso, ele decide se despedir de tudo e todos e desfrutar aquele que pode ser o seu último prazer : uma noite de conforto e amor com Morena, a sua amante, uma bela mulher sessenta anos mais nova.

Comentário : Este excelente filme funcionou para mim como um valente murro no estômago, tudo porque ao vê-lo, nós nos apercebemos das enormes dificuldades que os idosos possuem no simples acto de viver o quotidiano. E também aborda a questão do amor com grandes diferenças de idades. A despedida do título pode significar o facto do protagonista deixar a sua amante de vez ou então pode ditar a sua desistência da vida, eu acho que tem os dois significados. Mas, sem dúvidas, que a despedida de Almirante e Morena é mais sentida, porque ele teve uma vida cheia e boa. Os minutos iniciais são espectaculares, com o realizador a facultar-nos a forma exacta como os surdos ouvem tudo ao seu redor, quando o protagonista coloca o aparelho auditivo, passamos a ouvir o filme de forma normal, com o som natural das coisas.

A realização é muito boa, com a camara a seguir sempre o protagonista e, mais tarde, a sua amada, voltando para fechar o filme novamente com ele. As cenas entre os dois são muito bonitas, com destaque para as sequências na banheira. Nelson Xavier é um dos meus actores brasileiros preferidos enquanto que Juliana Paes é uma das minhas actrizes brasileiras favoritas, a coisa não podia ter corrido melhor e a química entre os dois funcionou na perfeição. Os dois possuem excelentes interpretações, com destaque para ele. O filme é excelente e apenas peca pelo final pouco explicativo sobre o que a família do protagonista achou da sua longa ausência de casa. Um último reparo, este filme é baseado numa história real. 

The Monster

Nome do Filme : “The Monster”
Titulo Inglês : “The Monster”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Bryan Bertino
Elenco : Zoe Kazan, Ella Ballentine, Aaron Douglas, Chris Webb.

História : Após verem o seu carro avariado numa estrada longa e deserta, uma mãe e a respectiva filha têm que confrontar algo completamente novo e maléfico para elas.

Comentário : Confirmado está que o género do terror continua a surpreender. Gostei realmente deste pequeno filme que conta a história de uma mãe e de uma filha que após se tentarem desviar de algo e depois atropelar um lobo, encontram-se com o carro avariado numa estrada escura, longa e deserta com a agravante de estar uma noite de chuva intensa. A história está muito bem contada, nota-se que houve um cuidado maior no argumento, pois o filme nunca descai para a fantochada habitual dos filmes do género. O realizador, ao longo do filme, dá-nos flashbacks onde mostra como era a relação daquela mãe com aquela filha e até insere uma sequência onde aparece o pai da miúda, nos facultando um breve olhar de como era a vida daquela complicada família. E isto serve para nos enquadrar melhor no actual ambiente entre as duas. O divórcio era inevitável e o longa começa já do ponto das duas vivendo juntas, uma vivência bastante complicada. Felizmente, o filme tem também um ritmo lento, o que ajuda quem o vê a ter atenção aos detalhes. A banda sonora é de excelência. O elenco é curto e todos estiveram à altura do desafio, principalmente as protagonistas Zoe Kazan e Ella Ballentine, onde a química entre as duas funcionou na perfeição, sendo a relação delas enquanto personagens, o principal alicerce que sustém toda a obra. Claro que o filme tem alguns erros, mas nada que estrague o todo. Um último apontamento, a criatura não é digital, existe um actor (Chris Webb) dentro do monstro, o que torna tudo mais real. Mais uma das grandes surpresas deste ano.