sábado, 10 de dezembro de 2016

Closet Monster

Nome do Filme : “Closet Monster”
Titulo Inglês : “Closet Monster”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Stephen Dunn
Elenco : Connor Jessup, Jack Fulton, Sofia Banzhaf, Joanne Kelly, Mary Walsh, Marthe Bernard, Aaron Abrams, Aliocha Schneider, James Hawksley, Meghan Cullen, Isabella Rossellini, Jinji Dawson, Emma McIsaac, Paula Morgan.

História : Depois de ter passado por uma infância traumatizante, um adolescente enfrenta agora o início da fase adulta e anseia urgentemente morar num outro local, longe dos pais.

Comentário : Com o ano quase a terminar, confesso que não esperava mais nenhuma surpresa no que ao cinema diz respeito, claramente que não podia estar mais enganado. Este excelente filme canadiano surpreendeu-me pela positiva em todos os aspectos. Escrito e realizado por Stephen Dunn, aqui consta uma história trágica de um miúdo com um passado sofrível, que foi também abandonado pela mãe e negligenciado pelo pai, acabando indo parar a maus caminhos. E o rapaz até tem um talento especial para as artes. Mas às vezes, os filhos são destruídos pelos pais e é praticamente esta frase que resume a história deste filme independente. Connor Jessup e Sofia Banzhaf (a rapariga é linda) possuem as melhores prestações do filme, eles aqui são apenas amigos, embora ele não saiba muito bem como manter essa amizade. O protagonista tem uma relação muito peculiar com o seu hamster e sobre este animal, o realizador reservar-nos uma curiosa surpresa a cargo de uma excelente actriz. O elenco de secundários esteve muito bem, com destaque para o amigo e colega do protagonista que possui sexualidade indefinida. Trata-se de um drama intenso que aborda a adolescência de forma brilhante, bem como alguns dos problemas que os jovens da actualidade enfrentam. Adorei cada tema musical que ouvimos ao longo do filme. É uma fita que usa metáforas para mostrar o estado de espírito do personagem principal. Apesar de ter sido produzido no ano passado, é um dos melhores filmes de 2016. Adorei este filme. 

White Girl

Nome do Filme : “White Girl”
Titulo Inglês : “White Girl”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Elizabeth Wood
Elenco : Morgan Saylor, India Menuez, Brian Marc, Justin Bartha, Chris Noth, Adrian Martinez, Anthony Ramos, Ralph Rodriguez, Annabelle Dexter Jones.

História : Duas grandes amigas mudam-se para uma nova casa num bairro aparentemente calmo, mas a vida destas duas princesas transforma-se num inferno quando uma delas comete o erro de se envolver e apaixonar por um rapaz.

Comentário : Curti bastante este pequeno filme independente americano sobre o mundo do crime, das drogas, da corrupção, da violência e do sexo. Realmente, é impressionante assistirmos a certas vivências de certas pessoas e a tudo o que elas passam nos seus quotidianos. Neste caso, temos a história de duas amigas que têm idade para andar na faculdade ou para estarem a iniciar a vida laboral e em vez disso, levam uma vida condenável com péssimos hábitos e convivendo com gente do pior. O que salta mais à vista neste filme é o facto da fita ser realizada por uma mulher, que não se acanha de ridicularizar a mulher por um lado, mas ao mesmo tempo, mostra-nos as coisas a que grande parte delas estão sujeitas. É uma espécie de mundo cão. No papel da protagonista, a jovem actriz Morgan Saylor é linda e tem aqui a melhor prestação do filme, a talentosa actriz convence no seu papel de rapariga irresponsável e alheia aos perigos que a cercam. Temos cenas de sexo muito bem filmadas, temos também planos deliciosos da protagonista e até temos direito a uma sequência em que a jovem snifa droga que estava em cima do pénis do patrão. A realizadora dá-nos deste modo uma noção de como uma parte da juventude americana vive, sem quaisquer regras. Felizmente, o “namorado” da nossa menina tem o final merecido. Gostei do filme. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

The Eyes Of My Mother

Nome do Filme : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Inglês : “The Eyes Of My Mother”
Titulo Português : “Os Olhos De Minha Mãe”
Ano : 2016
Duração : 77 minutos
Género : Drama
Realização : Nicolas Pesce
Elenco : Diana Agostini, Kika Magalhães, Olivia Bond, Flora Diaz, Clara Wong, Paul Nazak, Will Brill.

História : A trágica morte da mãe transforma uma miúda para sempre.

Comentário : Trata-se de um objecto cinematográfico único, confesso nunca ter visto nada como isto. O filme divide-se em três capítulos que são banhados por uma espectacular fotografia a preto e branco. Certas coisas parecem não fazer muito sentido e o realizador é opaco em respostas. Em primeiro, somos convidados a conhecer uns momentos da infância da protagonista (Francisca), em que a boa prestação da pequena Olivia Bond ajudou imenso a nos preparar para o que vinha a seguir. Depois, conhecemos Francisca já na fase adulta, aqui numa excelente interpretação a cargo da bonita e talentosa Kika Magalhães. Os personagens masculinos são e muito bem jogados para segundo plano, servindo apenas para compreendermos melhor a mudança que se deu na protagonista. O filme tem cenas e planos belíssimos. Podemos contar com situações que se tornam divertidas de tão bizarras que são. O nosso país é frisado no filme, quer através de uma conversa que a mãe tem com a filha, sendo representado posteriormente por dois fados, um a meio da fita e um outro que acompanha os créditos finais. A banda sonora é constituída por melodias soturnas, o que torna toda a história e aquilo que vemos, tudo muito sombrio. A cena inicial podia ter sido cortada que não afectava em nada o resultado pretendido. Não gostei do final do filme. Um último reparo, não se trata de um filme de terror, é antes, um drama pesado e bastante complexo. Pessoalmente, eu gostei bastante deste filme. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pet

Nome do Filme : “Pet”
Titulo Inglês : “Pet”
Ano : 2016
Duração : 94 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Carles Torrens
Elenco : Dominic Monaghan, Ksenia Solo, Jennette McCurdy, Nathan Parsons.

História : Um homem solitário rapta uma mulher por quem se encontra apaixonado e a mantém enjaulada numa cave. O que ele não contava é que ela é mais inteligente e louca que ele.

Comentário : Trata-se de um filme de terror razoável que, apesar de ter alguns erros, é eficaz e cumpre o seu objectivo. Desde o início do filme até ao final, eu fiquei sempre na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. E aquela revelação final é brutal, nunca pensei que o jogo virasse a tal ponto. Dominic Monaghan e Ksenia Solo possuem boas prestações, embora eu tenha gostado mais dela. A química entre os dois funcionou muito bem. Apesar de algumas falhas, o argumento convence e coloca-nos a pensar nas consequências para ambas as partes, caso aquilo acontecesse de verdade. Mas o filme segue outro rumo, o realizador acaba por seguir outro caminho e resolve a coisa pelo lado mais complicado. Pessoalmente, eu adorei o final do filme. O terror acentua-se mais em particular numa das sequências relacionadas com um dos funcionários do canil. Mas não podemos esquecer o terror psicológico em que as mentes dos dois protagonistas navegam. Não vou mentir, o filme me surpreendeu pela positiva, esperava algo mais vago e linear, mas as coisas correram muito bem. Devido à personalidade dela ser como é e não ser uma mulher frágil e inocente, faz com que não fiquemos tanto a seu favor. Mas repito, o twist final é espectacular, um final digno para um filme razoável. Gostei. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Ouija : Origin Of Evil

Nome do Filme : “Ouija : Origin Of Evil”
Titulo Inglês : “Ouija : Origin Of Evil”
Titulo Português : “Ouija : Origem do Mal”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Terror
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Elizabeth Reaser, Annalise Basso, Lulu Wilson, Henry Thomas, Parker Mack.

História : Uma mãe viúva ganha a vida enganando os seus clientes com as suas falsas consultas do oculto. Até que um dia, decide comprar um estranho e perigoso jogo e leva-o para dentro de casa, despertando a atenção da filha mais nova. O passado daquela casa aliado ao facto da miúda estar possuída, transforma as vidas das três num verdadeiro inferno.

Comentário : Confesso nunca ter visto o primeiro filme, porque li algures que é muito mau e só resolvi ver este segundo filme porque se trata de uma prequela, ou seja, conta acontecimentos que decorreram anteriormente aos da primeira fita. O filme é bom até ao início da segunda parte, a partir daí tudo muda e entra em piloto automático, nos facultando situações ridículas e outras que parecem não fazer sentido, para além de alguns erros básicos. E foi pena que assim tenha sido. Não gostei da prestação “seca” da actriz que desempenhou a mãe das miúdas. Já Annalise Basso e a pequena Lulu Wilson estão de parabéns, elas possuem prestações bem a cima da média para este tipo de produções. Também gostei da interpretação do actor que fez de padre. Se pensam que este filme explica a origem do mal associado ao famoso jogo, enganem-se, porque ainda torna tudo mais complicado. Sinceramente, não percebi qual a relação do médico nazi com o dito jogo, enquanto objecto. Trata-se apenas de mais uma história que nos é contada, igual a tantas outras. Repito, é na segunda parte do filme que tudo descarrila, tornando-se num rolo de situações ridículas e sem sentido, com erros e clichés. O filme vale essencialmente pela primeira metade e pelas prestações das duas miúdas. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

The Neighbor

Nome do Filme : “The Neighbor”
Titulo Inglês : “The Neighbor”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Crime/Terror/Thriller
Realização : Marcus Dunstan
Elenco : Josh Stewart, Alex Essoe, Melissa Bolona, Bill Engvall, Ronnie Gene Blevins, Luke Edwards, Jaqueline Fleming, Skipp Sudduth, David Kallaway, Heather Williams, Zoe Dean, Artrial Clark, Mason Guccione.

História : John e Rosie são um jovem casal que vive de pequenos delitos, tendo um negócio muito bem montado. A serenidade do casal muda repentinamente quando decidem vigiar um estranho vizinho que esconde terríveis segredos.

Comentário : O realizador Marcus Dunstan realizou dois filmes de terror anteriores a este que também tinham o actor Josh Stewart como protagonista. Pessoalmente, gostei dos três filmes. Mas vamos a este. Mais uma vez, o cineasta nos faculta uma situação muito peculiar, quando pensávamos que os crimes praticados pelo casal protagonista já eram graves, quando vimos os crimes de que o tal vizinho é capaz, ficamos de boca aberta. E o vizinho tem dois filhos igualmente doentes e maus, já para não falar da aliada polícia que possuem. Não vou revelar mais nada, estamos perante um bom thriller que joga muito bem com o factor terror e com o factor surpresa. Os sustos não são muitos, é mais o clima de tensão que nos dá cabo dos nervos à medida que os minutos passam. Envolto em alguns twists, o realizador dá a conhecer aos poucos todos os detalhes da história e nos envolve na narrativa. O filme tem violência e sadismo. Apesar de também serem criminosos, John e Rosie são apanhados nos planos dos vizinhos cuja maldade nada se compara à deles, ou seja, o casal protagonista passa rapidamente a vítima e facilmente esquecemos a maneira condenável como eles ganham a vida. Eu senti-me totalmente envolvido pela história e pelo constante clima de tensão sempre presente. O filme está muito bem filmado e montado. O final é uma delícia. Gostei.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Ainda Há Pastores ?

Nome do Filme : “Ainda Há Pastores ?”
Titulo Português : “Ainda Há Pastores ?”
Ano : 2006
Duração : 75 minutos
Género : Documentário
Realização : Jorge Pelicano
Elenco : Hermínio Carvalhinho, Fernando Alves, João Grazina.

História : Hermínio é um pastor, natural da Serra da Estrela, Casais de Folgosinho. Ele continua a calcorrear as montanhas, de leitor de música às costas, ouvindo com particular agrado as canções de Quim Barreiros que, um dia, tem oportunidade de conhecer.

Comentário : Possivelmente um dos melhores documentários que vi na vida, este filme é profundo na medida em que penetra bem fundo na questão, que é o abandono das pessoas do interior para as grandes cidades. Mas neste caso, essas pessoas são representadas pelos pastores. Hermínio é o mais novo pastor da Serra da Estrela e tem tanto de gratificante quanto de triste acompanharmos o seu percurso, a sua vida. A solidão, a pobreza e o frio são os principais problemas destes homens, que passam imenso tempo nas montanhas, e cada vez há menos. É também um filme sobre gerações, daqueles que partem e vão embora e daqueles que ficam e permanecem nos locais esquecidos no tempo. Os políticos nada fazem, porque o interior do país não lhes dá lucro. E eles lá andam, os pastores, com as suas cabras e com as suas ovelhas ao relento pelas montanhas a passear os animais, tendo os cães como seus únicos amigos. É um documentário que fala da pureza daquelas paragens e da simplicidade daqueles homens do campo. Gostei de conhecer Hermínio e aquele pastor mais velho chamado Grazina, dois dos poucos pastores que ainda existem neste país. Eu falo por mim, eu senti-me muito humano ao ver este documentário, tocou-me cá bem fundo, porque é um filme que mostra o lado mais humano e realista do nosso país. Excelente documentário. 

sábado, 26 de novembro de 2016

The Sea Of Trees

Nome do Filme : “The Sea Of Trees”
Titulo Inglês : “The Sea Of Trees”
Ano : 2015
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Gus Van Sant
Elenco : Matthew McConaughey, Ken Watanabe, Naomi Watts, Katie Aselton.

História : Depois de ter testemunhado uma tragédia familiar, um homem viciado no trabalho penetra numa floresta com a intenção de se suicidar. Acaba por conhecer um outro suicida, este um homem muito peculiar.

Comentário : Neste fim-de-semana foram só desilusões. Depois daquele filme anterior produzido por Paulo Branco passado numa floresta tropical, tive o também azar de ter me cruzado com o novo trabalho de Gus Van Sant. Um realizador que já fora um grande cineasta, mas cujos seus últimos três filmes (este incluído) são uma verdadeira desgraça. O filme em questão é cansativo, não motiva em nada, tem prestações forçadas e um argumento paupérrimo. Matthew McConaughey e Naomi Watts já fizeram muito melhor e muitas vezes, aqui estão muito mal. Ken Watanabe tem aqui uma pobre e inútil personagem. O filme não me agarrou minimamente ao ecrã, estava desejoso que terminasse. Valeu o cenário da floresta dos suicidas, era realmente muito bonita. Naomi Watts, ainda assim, foi a única profissional a passar alguma substância na sua personagem, afinal sofre no papel de uma esposa sofrida pelo vício do marido no trabalho e mais tarde é marcada por uma doença maldita. A química entre marido e mulher não funciona e o filme arrasta-se de uma forma que insulta o espectador. E Matthew McConaughey está péssimo neste filme, não por culpa sua, mas por quem lhe atribuiu tal personagem, muito pobre. Um filme sem conteúdo, muito mau.

Posto Avançado do Progresso

Nome do Filme : “Posto Avançado do Progresso”
Titulo Inglês : “An Outpost Of Progress”
Titulo Português : “Posto Avançado do Progresso”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Hugo Vieira da Silva
Produção : Paulo Branco
Elenco : Nuno Lopes, Ivo Alexandre, David Caracol, Inês Helena, António Mpinda, José Manuel Mendes, Cleonise Malulo, Domingos Sita, Miguel Delfina.

História : No final do século XIX, dois colonizadores portugueses, imbuídos de uma vaga intenção civilizadora desembarcam numa parte remota do Rio Congo para coordenar um posto comercial. À medida que o tempo passa, começam a desmoralizar pela sua incapacidade de enriquecer à custa do comércio de marfim. Sentimentos de desconfiança mútua e mal-entendidos com a população local isolam-nos no coração da floresta tropical.

Comentário : Após ter visto este filme português, eu vejo-me na obrigação de perguntar porque motivo se gasta dinheiro a produzir filmes como este, em vez de investir em outro tipo de filmes, ou seja, facultar fundos a jovens realizadores como João Salaviza com o fim de produzirem filmes bons. O DVD do filme possui na secção dos extras, uma espécie de entrevista com a equipa de actores, produtor e técnicos sobre o filme na estreia no Cinema Monumental. Eu até acredito que tenha sido uma grande experiência para Nuno Lopes e Ivo Alexandre, mas duvido bem que quem produziu e concebeu este filme o tenha feito com dedicação e esforço necessários para que tivesse resultado num bom filme, ou pelo menos, numa obra capaz. Tudo isto para dizer que detestei este filme, são quase duas horas perdidas da minha vida que nunca irei recuperar. À parte dos cenários que são magníficos e da presença dos nativos da região, mais nada interessa neste filme. O argumento é fraco, a fotografia demasiado amadora, dois protagonistas idiotas enquanto personagens, não gostei do modo de filmar, tem partes ridículas e em algumas delas parece que o realizador ou o produtor estão a gozar com o espectador, as interpretações são apenas razoáveis e aqui o destaque não vai desta vez para Nuno Lopes, mas para David Caracol. Olhando para este filme, é fácil percebermos porque motivo grande parte do público nacional não gosta de ver cinema português. Muito mau.

sábado, 19 de novembro de 2016

Mãe Só Há Uma

Nome do Filme : “Mãe Só Há Uma”
Titulo Inglês : “Don't Call Me Son”
Titulo Português : “Mãe Só Há Uma”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Muylaert
Elenco : Naomi Nero, Lais Dias, Daniela Nefussi, Luciana Paes, Daniel Botelho, Matheus Nachtergaele, Helena Albergaria, Luciano Bortoluzzi, June Dantas.

História : Pierre é avisado que sua família não é biológica quando a polícia prende a sua mãe. Confuso, ele é obrigado a ir morar com os seus pais verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a sua nova realidade faz com que o rapaz revele a sua real identidade.

Comentário : Trata-se do novo filme da realizadora Anna Muylaert que nos deu o fabuloso “Que Horas Ela Volta”, um dos melhores filmes brasileiros do ano passado. Este seu novo filme não é tão bom quanto o anterior, mas ainda assim é um bom registo. Aqui são abordados temas como rapto de bebés, familias desfeitas, rebeldia na juventude, carência de afectos, o importante papel dos irmãos, a vivência num corpo errado e as relações familiares. Mais uma vez, mas de forma diferente, a cineasta aborda a maternidade e o faz de forma brilhante. Aliás o filme é baseado em vários casos reais e livremente adaptado de um caso em particular. Para além de falar sobre a maternidade, o longa aborda também os laços entre irmãos, sejam eles de sangue ou não.

Todos no elenco estão de parabéns, mas o destaque vai claramente para o estreante Naomi Nero, que dá aqui um show de representação. Também gostei da personagem da “irmã” do protagonista, cuja interpretação da jovem Lais Dias me comoveu. Jaqueline acaba por viver o mesmo drama do suposto irmão, também ela raptada por aquela mulher criminosa que criou os dois como se fossem seus filhos. Estes casos são mais comuns do que aquilo que se pensa. Apesar de não gostar do actor Matheus Nachtergaele, tenho que reconhecer que ele esteve muito bem aqui, sei que ele é um excelente actor, talvez não simpatize com ele, porque ele é muito dado à comédia, um género que eu não gosto. A morosa sequência no salão de bowling é a melhor do filme. Lamentável é o facto de o filme ter pouca divulgação e uma escassa distribuição. Mais um bom registo para o cinema brasileiro, grande filme. 



A Despedida

Nome do Filme : “A Despedida”
Titulo Inglês : “Farewell”
Titulo Português : “A Despedida”
Ano : 2014
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Marcelo Galvão
Elenco : Nelson Xavier, Juliana Paes, Amélia Bittencourt, Tereza Piffer, Vinicius Ferreira, Felipe Hintze, Ithamar Lembo, Nill Marcondes, Osvaldo Mendes, Deto Montenegro, Fátima Ribeiro, Theo Salomão, Luma Vidal.

História : Almirante tem 92 anos e sente que o seu fim está próximo. Por isso, ele decide se despedir de tudo e todos e desfrutar aquele que pode ser o seu último prazer : uma noite de conforto e amor com Morena, a sua amante, uma bela mulher sessenta anos mais nova.

Comentário : Este excelente filme funcionou para mim como um valente murro no estômago, tudo porque ao vê-lo, nós nos apercebemos das enormes dificuldades que os idosos possuem no simples acto de viver o quotidiano. E também aborda a questão do amor com grandes diferenças de idades. A despedida do título pode significar o facto do protagonista deixar a sua amante de vez ou então pode ditar a sua desistência da vida, eu acho que tem os dois significados. Mas, sem dúvidas, que a despedida de Almirante e Morena é mais sentida, porque ele teve uma vida cheia e boa. Os minutos iniciais são espectaculares, com o realizador a facultar-nos a forma exacta como os surdos ouvem tudo ao seu redor, quando o protagonista coloca o aparelho auditivo, passamos a ouvir o filme de forma normal, com o som natural das coisas.

A realização é muito boa, com a camara a seguir sempre o protagonista e, mais tarde, a sua amada, voltando para fechar o filme novamente com ele. As cenas entre os dois são muito bonitas, com destaque para as sequências na banheira. Nelson Xavier é um dos meus actores brasileiros preferidos enquanto que Juliana Paes é uma das minhas actrizes brasileiras favoritas, a coisa não podia ter corrido melhor e a química entre os dois funcionou na perfeição. Os dois possuem excelentes interpretações, com destaque para ele. O filme é excelente e apenas peca pelo final pouco explicativo sobre o que a família do protagonista achou da sua longa ausência de casa. Um último reparo, este filme é baseado numa história real. 

The Monster

Nome do Filme : “The Monster”
Titulo Inglês : “The Monster”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Bryan Bertino
Elenco : Zoe Kazan, Ella Ballentine, Aaron Douglas, Chris Webb.

História : Após verem o seu carro avariado numa estrada longa e deserta, uma mãe e a respectiva filha têm que confrontar algo completamente novo e maléfico para elas.

Comentário : Confirmado está que o género do terror continua a surpreender. Gostei realmente deste pequeno filme que conta a história de uma mãe e de uma filha que após se tentarem desviar de algo e depois atropelar um lobo, encontram-se com o carro avariado numa estrada escura, longa e deserta com a agravante de estar uma noite de chuva intensa. A história está muito bem contada, nota-se que houve um cuidado maior no argumento, pois o filme nunca descai para a fantochada habitual dos filmes do género. O realizador, ao longo do filme, dá-nos flashbacks onde mostra como era a relação daquela mãe com aquela filha e até insere uma sequência onde aparece o pai da miúda, nos facultando um breve olhar de como era a vida daquela complicada família. E isto serve para nos enquadrar melhor no actual ambiente entre as duas. O divórcio era inevitável e o longa começa já do ponto das duas vivendo juntas, uma vivência bastante complicada. Felizmente, o filme tem também um ritmo lento, o que ajuda quem o vê a ter atenção aos detalhes. A banda sonora é de excelência. O elenco é curto e todos estiveram à altura do desafio, principalmente as protagonistas Zoe Kazan e Ella Ballentine, onde a química entre as duas funcionou na perfeição, sendo a relação delas enquanto personagens, o principal alicerce que sustém toda a obra. Claro que o filme tem alguns erros, mas nada que estrague o todo. Um último apontamento, a criatura não é digital, existe um actor (Chris Webb) dentro do monstro, o que torna tudo mais real. Mais uma das grandes surpresas deste ano. 

Axilas

Nome do Filme : “Axilas”
Titulo Português : “Axilas”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : José Fonseca e Costa
Produção : Paulo Branco
Elenco : Pedro Lacerda, Maria da Rocha, Margarida Marinho, Elisa Lisboa, André Gomes, Fernando Ferrão, Paula Guedes, Rui Morisson, Luis Mascarenhas.

História : É a Avó que o apresenta ao Padrinho, um grande empresário que o toma como seu protegido, e a Angelina, a mulher com quem a Avó pretende que ele se case. Mas Lázaro tem outros interesses ocultos, o mais importante dos quais é uma fixação obsessiva pelas axilas femininas. Quando vê a violinista Maria Pia a tocar, Lázaro apaixona-se de imediato e passa a viver em função dela.

Comentário : Se existem vezes em que o cinema português se recomenda, outras há em que não é nada aconselhável, porque ainda está bem patente aquele estigma que diz que o cinema português é mau. Bom, no caso deste filme que o público leigo não gostou, eu gostei, embora o recomende apenas aos que querem experimentar algo diferente. Confesso que não conhecia o actor Pedro Lacerda e simpatizei com a sua personagem bem como gostei da interpretação do actor, embora os seus actos sejam bastante duvidosos. Elisa Lisboa é uma senhora e vai muito bem no seu papel. O mesmo se pode dizer das bonitas Maria da Rocha e Margarida Marinho, as duas actrizes têm personagens muito interessantes e é agradável acompanharmos o seu evoluir. E Fernando Ferrão está espectacular. Na altura em que o filme estreou, eu nem reparei nele, mas agora tive a sorte de o descobrir e gostei da surpresa, apesar de não ser um grande filme, é apenas algo razoável que se segue muito bem ao longo dos seus oitenta minutos. O filme possui um tom cómico que assenta muito bem com algumas situações, por vezes, humor negro. A produção é de Paulo Branco, alguém que está como peixe na água nesta área, o homem vive para o cinema, só lhe falta realizar um filme a sério. Um último apontamento, “Axilas” é o filme póstumo do realizador José Fonseca e Costa que julgo ter falecido pela altura da pós-produção da fita. Um filme que eu recomendo aos cinéfilos mais reservados e nada dados a facilidades. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Hush

Nome do Filme : “Hush”
Titulo Inglês : “Hush”
Ano : 2016
Duração : 81 minutos
Género : Terror
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Kate Siegel, John Gallagher Jr., Samantha Sloyan, Michael Trucco.

História : Maddie é uma jovem que ficou surda e muda aos 13 anos devido a uma doença, tornando-se escritora depois da faculdade. Actualmente, ela vive numa casa fantástica cujo único problema é ficar dentro de uma floresta. Ela divide os dias entre escrever um novo livro, recebendo visitas de uma amiga que mora ali perto e cuidando do seu gato persa. Uma noite, um estranho mascarado decide estragar-lhe a vida e aparece-lhe à porta disposto a encontrar a altura certa para entrar e matá-la. Agora, Maddie está entregue a si própria, porque o estranho cortou-lhe a electricidade e todas as formas de comunicação para o exterior, colocando a rapariga totalmente vulnerável.

Comentário : Gosto muito do tipo de terror que os entendidos têm vindo a chamar de horror domiciliário, que se define basicamente por um estranho ou vários estranhos que invadem uma casa para fazer o mal a quem lá está dentro. E este pequeno filme faz isso muito bem, eu já estava com saudades de um filme como este. Apesar de possuir alguns erros principalmente em ações das personagens, o argumento está muito bem amarrado e dá-nos sequências muito boas. Por exemplo, a sequência da morte da amiga da protagonista mesmo à sua frente sem que ela o veja está brutal ou a cena dos dedos na janela, entre outras. Kate Siegel tem aqui a melhor prestação da fita, a sua personagem faz com que nós tenhamos pena dela quando é necessário e nós “rezamos” para que tudo dê certo com ela. O filme usa bem as desvantagens da protagonista em ser surda e muda e mostra bem como ela usa isso a seu favor. No papel de mau da fita, encontramos um muito competente John Gallagher Jr., cujo argumento nunca nos revela o porquê dele estar a fazer tudo aquilo. A expressividade do ator chega mesmo a transmitir medo em algumas cenas e isso é muito bom para a história e para trabalhar a mente do espectador.

Apesar de estar envolto em alguns clichés próprios do género, o realizador soube tirar partido deles para enriquecer a trama. O filme tem sangue e grandes momentos de tensão, o que nos causa nervos, nisso o filme funciona. O longa vem adornado também de pequenos detalhes que significam muito dentro do campo dos vários acontecimentos que vão sucedendo diante dos nossos olhos. É como se aquela pequena coisa não tivesse acontecido daquele jeito, a situação ia suceder de uma maneira completamente diferente. Pode parecer que algumas ações dos dois protagonistas não fazem sentido, mas o realizador possui a habilidade de tornear essas questões de forma bastante aceitável, falhando apenas uma ou duas vezes. O personagem do namorado da amiga de Maddie não faz falta nenhuma para a história, ele apenas está ali para ser morto, para causar ainda mais pânico à já muito traumatizada protagonista. A química entre protagonista e antagonista funciona na perfeição, eles fazem parte de um impressionante jogo do gato e do rato que culminará apenas quando um matar o outro e até nessa parte final, a coisa está extremamente bem construída e bem concebida. É um filme que está bastante aceitável e fará certamente aquelas pessoas que moram em locais isolados ficarem a pensar. Em resumo, estamos perante um filme de terror bastante eficaz. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

The Handmaiden

Nome do Filme : “Ah-ga-ssi”
Titulo Inglês : “The Handmaiden”
Titulo Português : "A Criada"
Ano : 2016
Duração : 145 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Park Chan-Wook
Produção : Park Chan-Wook
Elenco : Kim Tae-ri, Kim Min-hee, Ha Jung-woo, Jo Jin-woong, Moon So-ri.

História : Na Coreia do Sul dos anos 1930, durante a ocupação japonesa, a jovem Sook-Hee é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo : ela e um vigarista planeiam desposar a herdeira, roubar a sua fortuna e trancafiá-la num manicómio. Tudo corre conforme o previsto, até que Sook-Hee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko. Para complicar a situação, as duas iniciam um estranho relacionamento secreto.

Comentário : Baseado num famoso livro escrito por Sarah Waters, este novo filme do conceituado realizador sul-coreano Park Chan-Wook é um dos melhores filmes do cineasta. Pessoalmente, gostei deste filme e vamos aos aspectos positivos, vamos ao que me agradou mais. O filme possui belíssimos cenários e uma excelente fotografia, bem como uma poderosa composição das cores e dos detalhes, tudo factores onde o cinema oriental se supera. Se há uma razão principal pela qual eu admiro o cinema do Japão, da China ou da Coreia é a cinematografia e a capacidade deles de nos surpreender tanto a nível visual, quanto a nível artístico. Podemos igualmente contar com poderosas interpretações a cargo das duas actrizes de serviço, aliás a empatia entre Kim Tae-ri e Kim Min-hee (as duas são lindas) funciona muito bem, seja como profissionais na arte da representação, seja enquanto personagens. As cenas de sexo entre as duas são encantadoras e o tipo de relação que se estabelece entre elas é bastante absorvente. Do lado masculino, Ha Jung-woo convence no papel de vigarista, enquanto que Jo Jin-woong nos facultou um tio tirano digno desse nome, um homem bastante autoritário que nem sempre agiu da melhor forma com a sobrinha. Aliás, a relação entre estes dois é bem estranha. 

Vamos aos aspectos negativos, pessoalmente, achei o argumento bastante labiríntico e confuso, confesso mesmo que fiquei um pouco perdido naquele momento em que a criada é deixada no manicómio. A partir dessa cena, as coisas ficaram um pouco confusas para mim e temos que admitir que os cineastas destes países pecam um pouco por baralhar um bocado as coisas nesse sentido. Não conheço o livro que serviu de base para a adaptação ao cinema e por isso não me posso alongar muito nesse sentido. Mas é bem verdade que este tipo de realizadores e este tipo de filmes tendem a confundir as coisas em algum momento da fita, devido aos seus argumentos nada escorreitos. Depois do momento em que a criada é internada, o filme recua no tempo e conta uma parte da infância da sobrinha, centrando-se na educação peculiar que o seu tio lhe facultou. Tudo para depois voltarmos à história central onde algumas cenas se repetem e outras se alongam e desvendam mais qualquer coisa, neste caso já me agradou isso. Mas repito, a trama é confusa e eu confesso que não entendi algumas coisas. Por fim, é um filme muito violento, mostrando a violência psicológica durante os dois primeiros actos e a violência física e explícita no terceiro acto e nomeadamente perto do final. Mas no geral, gostei do filme porque representa 140 minutos de bom cinema, isto é Cinema. 


The Wailing

Nome do Filme : “Goksung”
Titulo Inglês : “The Wailing”
Ano : 2016
Duração : 156 minutos
Género : Drama/Terror/Mystery
Realização : Hong-Jin Na
Elenco : Do Won Kwak, Woo-Hee Chun, Jung-Min Hwang, So-Yeon Jang, Han-Cheol Jo, Jun Kunimura.

História : Uma estranha epidemia atinge alguns habitantes de uma localidade quase isolada e começam a suceder vários crimes sem explicação. Um agente da polícia, também ele habitante dessa localidade, vê a sua vida piorar quando a sua filha menor fica possuída por uma entidade sobrenatural. Aparentemente, tanto os moradores, quanto a polícia atribui as culpas a um estranho japonês que por ali apareceu e foi morar isolado na floresta.

Comentário : Pessoalmente, uma das coisas que mais apreciei neste filme foi o facto do clima de tensão e mistério estarem sempre a aumentar à medida que os acontecimentos se vão desenrolando. A fita trabalha muitos temas de forma eficaz, outros nem tanto. O filme possui muitas referências a outros filmes já feitos. O argumento nota-se que foi bem escrito, no entanto, peca por nos facultar poucas respostas. Tem alturas em que parece que o realizador nos conduz para uma conclusão, para depois nos fornecer informações que nos apontam no sentido contrário. Eu mesmo me enganei sobre o personagem do japonês forasteiro. O filme peca por ter umas poucas cenas cómicas que em nada ajudam os acontecimentos e a história em si. Os personagens são os mesmos de sempre, típicos do cinema oriental, com destaque para o protagonista, um polícia irresponsável. No entanto, é admirável testemunharmos o evoluir do protagonista ao longo das duas horas de meia de projecção, tudo para defender a filha de um mal desconhecido. Nesse aspecto as coisas funcionaram muito bem. O actor que desempenhou o protagonista e a pequena actriz que fez de sua filha tiveram as melhores prestações do filme. Infelizmente, eu não percebi o final. Gostei do filme em si, mas preferia que o realizador nos tivesse dado as respostas devidas. 

La Tutora

Nome do Filme : “La Tutora”
Titulo Inglês : “The Tutor”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Ivan Noel
Elenco : Malena Alonso, Valentino Vinco, Romina Pinto, Cristina Maresca, Julio Mendez.

História : Uma mulher é contratada por um homem para tomar conta e cuidar dos seus sobrinhos órfãos, acabando por encontrar dois adolescentes que possuem um modo de vida muito peculiar e interessante.

Comentário : Na noite de Halloween tive a grande oportunidade de ver este estranho filme que é o mais recente trabalho cinematográfico do cineasta argentino Iván Noel, que eu confesso que nada sabia dele, muito menos da sua existência. Antes de mais, tenho que dizer que adorei o modo peculiar como este realizador filma, adorei certos planos, bastante porreiros. Este é o seu sétimo filme, claramente que fiquei tão satisfeito com a fita que, num futuro próximo e quando se proporcionar, irei tentar ver os seus seis filmes anteriores. Ainda sobre o director, ele possui um modo de nos mostrar os sonhos da personagem do título muito próprio, confesso que nunca em filme algum me lembro de ter visto sonhos mostrados daquela maneira. Ao longo de quase duas horas, testemunhamos a história de uma mulher que é paga para cuidar dos sobrinhos de um homem que parece pouco importar-se com as crianças, mesmo depois da suposta morte acidental dos seus pais. Depois de terem assistido às trágicas mortes dos pais, as duas crianças passaram dois anos a viver como bem entenderam, sem ir à escola e passando o tempo entre a enorme habitação e a imensa floresta que cerca toda a mansão. 

O filme possui um denso clima de mistério que vai deixando várias perguntas à medida que os acontecimentos se vão dando. Eu próprio, coloquei-me a tecer hipóteses sobre o que se passaria com aquelas crianças e com aquela governanta idosa que cuida somente da enorme casa. O filme tem cenas muito interessantes e momentos igualmente cativantes, tudo devido ao bom argumento que nos envolve de uma maneira muito especial e nos deixa cheios de questões. O estilo de vida das crianças em si, é todo ele bastante interessante e levanta algumas questões, principalmente sobre o modo prejudicial como estamos a criar actualmente as nossas crianças. No papel de “protagonista”, Romina Pinto tem uma boa interpretação, ela convence com o seu desempenho de uma mulher que procura ajudar as crianças, embora a partir de um certo momento, nós nos apercebemos que a personagem esconde algo. Como governanta da mansão, Cristina Maresca chega a causar calafrios, principalmente a partir da altura em que começa a medicar a tutora. Mas as verdadeiras estrelas do filme são Malena Alonso e Valentino Vinco, as crianças que desempenham o casal de irmãos. Eu adorei estas duas personagens, além de serem muito bonitos e de possuírem uma forte presença no ecrã, são igualmente bons actores, tiveram excelentes prestações, são os principais alicerces da fita e a empatia entre a miúda e o rapaz funcionou na perfeição. São deles os melhores momentos do filme. Ivan Noel sabe trabalhar com crianças, coisa que poucos realizadores conseguem, principalmente nos Estados Unidos. Adorei o twist principal envolvendo a tutora, bem como o final. Um filme que levanta muitas questões.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Green Room

Nome do Filme : “Green Room”
Titulo Inglês : “Green Room”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Terror/Thriller/Crime
Realização : Jeremy Saulnier
Elenco : Patrick Stewart, Anton Yelchin, Imogen Poots, Taylor Tunes, Joe Cole, Callum Turner, David W. Thompson, Mark Webber, Macon Blair, Eric Edelstein, Michael Draper, Brent Werzner, Kasey Brown, Samuel Summer, Mason Knight, Colton Ruscheinsky.

História : Os “Ain't Rights”, banda punk-rock de Pat, Sam, Reece e Tiger, não estão a atravessar um bom momento. Quando recebem um convite para uma actuação num bar no meio de uma floresta do Oregon, os quatro não estão em posição de recusar. É assim que se vêem a dar um concerto algo intimista para uma plateia de gente duvidosa. Depois do espectáculo, quando regressam aos bastidores, deparam-se com o corpo de uma miúda esfaqueada na cabeça e chamam a polícia. Para encenar uma situação acidental antes da chegada das autoridades, o grupo neonazi que gere o local tem que eliminar todas as testemunhas, que são os quatro jovens membros da banda.

Comentário : Este curioso filme de terror estreou nas nossas salas de cinema na semana passada de forma muito discreta e pouca atenção despertou. Eu confesso que já tinha começado a ver este filme à umas semanas, mas o achei confuso demais e desisti de o ver. Na noite passada, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade e deixei-me levar, pelo que até gostei, apesar do esforço feito para encaixar tudo aquilo que acontece ao longo dos noventa minutos de duração. Não aconselho o filme a mentes sensíveis, a obra possui muito sangue e cenas violentas e fortes. O filme tem a vantagem de nunca ser previsível, ou seja, raramente sabemos aquilo que vai acontecer a seguir, porque é tudo inesperado. Os acontecimentos vão sucedendo naturalmente e são reveladas algumas surpresas. Pessoalmente, gostei disso no filme, do factor surpresa que neste caso, funcionou muito bem. Porém, alguns diálogos não funcionam tão bem e são algo contraditórios, originando algumas falhas.

O clima de tensão está quase sempre presente e podemos contar com alguns twists que favorecem e muito o filme. A narrativa escorre bem nos três actos do filme. Fiquei surpreendido com a actuação de Patrick Stewart nesta obra, ele desempenhou o líder dos vilões, estava bastante sinistro. Num dos últimos papéis antes de falecer precocemente, o jovem actor Anton Yelchin fez de protagonista e teve a melhor prestação da fita, embora a condição física da sua personagem tenha sido um pouco inverossímil, na minha opinião, ele não tinha conseguido fazer aquilo tudo depois do golpe profundo no pulso, se aquilo acontecesse de verdade, talvez o mais certo era que ele se tivesse esvaído em sangue e morrido. Nota positiva também para as duas meninas do filme. Imogen Poots e Taylor Tunes têm aqui interpretações bastante convincentes, com o merecido destaque para a primeira que acaba por se tornar na segunda personagem principal da fita, quando na realidade, nem fazia parte do grupo inicial e principal, ela foi uma personagem que surgiu muito depois. É um bom filme que funciona bem nesta época de Halloween, cujo final é bastante aceitável e funciona bem.

domingo, 23 de outubro de 2016

Certain Women

Nome do Filme : “Certain Women”
Titulo Inglês : “Certain Women”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Kelly Reichardt
Elenco : Laura Dern, Michelle Williams, Kristen Stewart, Lily Gladstone, Jared Harris, James Le Gros, Sara Rodier.

História : As vidas de três mulheres parecem estar ligadas, ainda que de forma distante.

Comentário : Finalmente, consegui ver este filme que já me tinha despertado a curiosidade à bastante tempo. O filme é realizado por Kelly Reichardt, que já nos tinha dado filmes muito bons como : “River Of Grass”, “Old Joy”, “Wendy And Lucy”, “Meek's Cutoff” e “Night Moves”. Os temas principais do cinema desta cineasta são as relações pessoais, as viagens e os animais (especialmente cães). Todos os seus filmes possuem uma coisa em comum : o drama e esse elemento funciona muito bem em todos eles. A directora tem o mérito único de conseguir filmar as suas histórias de forma tranquilizante, nos mostrando os seus filmes de forma lenta, mas sempre cativante. Aqui, isso voltou a acontecer, o filme avança e corre a um ritmo lento, mas eu estava sempre na expectativa daquilo que viria a acontecer no momento seguinte.

Kelly Reichardt é uma realizadora que filma com calma, talvez seja essa a sua principal característica. Laura Dern, que é uma excelente actriz, tem aqui mais uma boa prestação. Com um aspecto muito acabado, a outrora linda Michelle Williams já viu melhores dias na arte da representação, ainda assim, possui aqui uma interpretação sólida. Kristen Stewart vê aqui cimentada a sua onda para papéis sérios, a sua intervenção no filme está bastante aceitável. Por outro lado, não gostei da prestação da actriz Lily Gladstone, penso mesmo que ela estava pouco à vontade na sua personagem e notei também uma certa falta de expressão. É claramente um filme que não agradará ao público jovem, mas irá satisfazer aqueles que procurarem um filme interessante, com personagens igualmente interessantes e com uma história também ela interessante. Em resumo, gostei deste filme, uma obra com um cunho pessoal muito forte. E é um filme realizado por uma mulher, o que lhe dá um gosto muito especial. Um último reparo, a realizadora dedica este filme à sua cadela Lucy, que falecera. 

Under The Shadow

Nome do Filme : “Under The Shadow”
Titulo Inglês : “Under The Shadow”
Ano : 2016
Duração : 84 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Babak Anvari
Elenco : Narges Rashidi, Avin Manshadi.

História : Na Teerão dos anos 1980, uma pequena família vive atormentada pela guerra no seu país. Quando o homem da casa vai embora, um míssil atinge o último andar sem explodir, mas acaba por matar o seu habitante idoso. A partir desse dia, as vivências da mãe e da filha vão piorar cada vez mais, até porque a mãe da menor acredita que existe uma presença estranha e maligna na sua casa.

Comentário : Para a semana temos mais um Halloween e eu escolhi este pequeno filme de terror para festejar esta data ou este acontecimento, como quiserem entender. Fora dos Estados Unidos, alguns países já começam a produzir bons filmes seja de que género for, alguns deles bem melhores do que a maioria feita na América do Norte. E ainda bem que as coisas são assim, pessoalmente, não gosto muito dos Estados Unidos, embora saiba que existe lá gente muito boa. Como já havia dito, escolhi este filme para assinalar mais um Halloween e foi a escolha acertada. A fita em questão é um dos melhores filmes de terror que vi em muitos anos de surpresas e desilusões. Os primeiros trinta minutos são uma seca, aquilo que neles assistimos é o quotidiano da família, principalmente a nem sempre boa relação entre marido e mulher. E as coisas só começam a ficar realmente interessantes depois do marido se ir embora, mais precisamente, a partir do momento que o tal míssil cai no último andar e abre uma brecha no andar das duas protagonistas.

O filme tem uma boa fotografia e a qualidade do som é muito boa, aconselho a verem este filme no cinema. Pessoalmente, confesso que não é muito fácil me assustar com estas coisas, mas aqui apanhei dois sustos em duas cenas, foram cenas simples e já vistas em outros contextos noutros filmes, mas que causaram o mesmo impacto. O elenco de secundários está lá apenas para fazer número e para ajudarem na construção da história, não têm muito que fazer, e isto aplica-se também ao marido. Neste campo, o mérito pertence todo e muito bem às duas protagonistas, que desempenham a mãe e a filha. No papel da mãe, Narges Rashidi está verdadeiramente espectacular, mete a um canto muitas actrizes de Hollywood, a sua prestação é excelente, fazendo com que a sua personagem nos transmita várias emoções. Na mesma linha de qualidade e no papel da filha, a pequena e expressiva Avin Manshadi tem uma interpretação e uma prestação praticamente ao mesmo nível de Narges Rashidi. A menina nunca nos assusta e nem precisa, a sua expressividade, os seus diálogos e a sua postura no filme fazem dela uma personagem poderosa. A empatia entre mãe e filha sente-se muito bem, elas fizeram um bom trabalho juntas, seja como actrizes, seja enquanto personagens. O argumento é bom e não nos faculta as devidas respostas. Existem planos muito bons e a camara faz direitinho todo o seu trabalho, ajudando no clima de tensão e de claustrofobia que envolve todo o filme. Um último apontamento positivo para a boneca de Dorsa, um objecto muito enigmático e interessante. Se tivesse de resumir o filme numa frase eu diria : “Um dos melhores filmes de terror que vi na vida”. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

The Model

Nome do Filme : “The Model”
Titulo Inglês : “The Model”
Titulo Português : “A Modelo”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Mads Matthiesen
Elenco : Maria Palm, Ed Skrein, Marco Ilso, Dominic Allburn, Virgile Bramly, Thierry Hancisse, Leonardo Lacaria, Elise Lissague, Claire Tran.

História : Emma é uma bonita e sensual adolescente que sonha em vir a torna-se uma modelo profissional. Assim, abandona os pais e a irmã mais nova e parte para Paris. Uma vez lá chegada, ela planeia obter o tão desejado sucesso.

Comentário : Ao contrário daquilo que possam pensar, este filme não aborda a questão das jovens que são enganadas e falsamente conduzidas a um mundo supostamente repleto de facilidades por uma cambada de nojentos. Aliás, está muito longe disso. Ainda que tenha que admitir que este “The Model” está bem melhor do que o recente “The Neon Demon”, o primeiro é quase tudo aquilo que o segundo devia ter sido. Na sua estreia em cinema como actriz, a jovem Maria Palm até esteve bastante bem, pode-se dizer que ela possui a melhor prestação da fita, para além de ser muito bonita. A realização é boa, nota-se que o filme está bem filmado, bem montado e bem editado. Gostei da personagem que o actor Ed Skrein interpretou, ele está muito longe de ser o interesseiro que se quer aproveitar da novata, pelo contrário, ele está sempre disposto a ajudá-la e odeia que lhe mintam. Ele representa um dos poucos tipos sérios que ainda deve existir no ramo da moda.

O mesmo não se pode dizer do nojento que se serve sexualmente de Emma na piscina, diga-se uma das cenas mais nojentas do filme. O problema deste filme é a própria Emma enquanto personagem, ela não consegue fazer nada acertado, ela faz quase tudo errado, para além de se revelar uma ordinária pouco depois do começo da fita, ao trair o namorado que ficou na Dinamarca. Talvez por culpa do fraco argumento, a personagem Emma é muito pobre, ou a miúda é ingénua, ou então é mesmo uma grande cabra, porque ela faz tudo errado, nem parece que quer singrar na vida. A única altura em que sentimos realmente pena da protagonista é perto do final, quando ela é violada por aquele nojento responsável pelo aluguer dos apartamentos. Nós sabemos muito bem que esta indústria da moda é muito penosa para as jovens e o filme falha precisamente por não nos transmitir essa mensagem. Mesmo assim, gostei deste filme. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sangue do Meu Sangue

Nome do Filme : “Sangue do Meu Sangue”
Titulo Inglês : “Blood Of My Blood”
Titulo Português : “Sangue do Meu Sangue”
Ano : 2011
Duração : 140 minutos
Duração (Versão Longa) : 190 minutos
Género : Drama
Realização : João Canijo
Produção : Pedro Borges
Elenco : Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Rafael Morais, Fernando Luís, Beatriz Batarda, Teresa Tavares, Teresa Madruga, Nuno Lopes, Marcello Urgeghe, Wilma de Brito, Francisco Tavares, Joana Sapinho, Leonor Correia de Oliveira, Dmitry Bogomolov, João Vaz, Margarida Queiroz, Antónia Mariana Lopes, Daniela Teixeira, Márcia Teixeira, Margarida Marques, Paula Marques, Joana Mendes, Silvina Ribeiro, Marco Campos, Djania Venâncio, Sofia Monteiro, Valéria Curuci, Vera Barreto, Teresa Faria, Mafalda Pinto.

História : Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro social com a irmã. João Carlos, o filho, é um pequeno traficante no bairro e Cláudia, a filha, estudante de enfermagem, um dia conta à mãe que se apaixonou e envolveu com um homem mais velho, casado e com uma filha menor.

Comentário : Possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi até hoje, sem dúvidas, o melhor filme do realizador João Canijo, embora eu prefira abertamente o filme “É O Amor”. No entanto, tenho a humildade de dizer que o filme de 2011 está mais bem conseguido e é muito melhor. O que João Canijo consegue aqui é algo grandioso, o filme teve imensos prémios e nomeações. Simpatizo bastante com a actriz Rita Blanco e adorei vê-la neste papel e neste filme, ela tem uma das melhores prestações da fita. Também Cleia Almeida e Anabela Moreira deram tudo o que tinham às suas personagens, tiveram excelentes interpretações, com destaque para a segunda. Adorei a personagem de Teresa Tavares e a jovem actriz deu um forte contributo ao filme. É claramente um filme onde as mulheres se destacam nas suas mais variadas formas. Nuno Lopes e Fernando Luís têm personagens fortes, mas o destaque vai logicamente para o primeiro, um excelente actor de cinema.

O filme está muito bem filmado e montado. Fazendo uma breve análise às duas versões, claramente que a versão longa é a melhor, porque ajuda a perceber melhor certas coisas e nos fornece mais informações. Temos excelentes planos, por vezes, a camara mostra duas situações a acontecer ao mesmo tempo num único plano, o que nos força a estar atento o mais possível ao que todos eles dizem. Mas temos mais planos igualmente apelativos. A banda sonora é quase inexistente, o que o realizador nos dá a ouvir são os barulhos dos outros apartamentos, bem como as respectivas discussões das pessoas que lá vivem. A cena da humilhação está brutal, Anabela Moreira brilha mais uma vez em cena. O drama central é bastante pesado, a história daquela mãe e daquela filha é bastante complexa e as actrizes souberam passar essas sensações na perfeição. A sequência que encerra a fita é bastante emotiva, aqueles três irão formar uma nova família : mãe, filha e padrasto. Estamos perante um grande filme, que fala sobre o amor.