sábado, 19 de novembro de 2016

Mãe Só Há Uma

Nome do Filme : “Mãe Só Há Uma”
Titulo Inglês : “Don't Call Me Son”
Titulo Português : “Mãe Só Há Uma”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Muylaert
Elenco : Naomi Nero, Lais Dias, Daniela Nefussi, Luciana Paes, Daniel Botelho, Matheus Nachtergaele, Helena Albergaria, Luciano Bortoluzzi, June Dantas.

História : Pierre é avisado que sua família não é biológica quando a polícia prende a sua mãe. Confuso, ele é obrigado a ir morar com os seus pais verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a sua nova realidade faz com que o rapaz revele a sua real identidade.

Comentário : Trata-se do novo filme da realizadora Anna Muylaert que nos deu o fabuloso “Que Horas Ela Volta”, um dos melhores filmes brasileiros do ano passado. Este seu novo filme não é tão bom quanto o anterior, mas ainda assim é um bom registo. Aqui são abordados temas como rapto de bebés, familias desfeitas, rebeldia na juventude, carência de afectos, o importante papel dos irmãos, a vivência num corpo errado e as relações familiares. Mais uma vez, mas de forma diferente, a cineasta aborda a maternidade e o faz de forma brilhante. Aliás o filme é baseado em vários casos reais e livremente adaptado de um caso em particular. Para além de falar sobre a maternidade, o longa aborda também os laços entre irmãos, sejam eles de sangue ou não.

Todos no elenco estão de parabéns, mas o destaque vai claramente para o estreante Naomi Nero, que dá aqui um show de representação. Também gostei da personagem da “irmã” do protagonista, cuja interpretação da jovem Lais Dias me comoveu. Jaqueline acaba por viver o mesmo drama do suposto irmão, também ela raptada por aquela mulher criminosa que criou os dois como se fossem seus filhos. Estes casos são mais comuns do que aquilo que se pensa. Apesar de não gostar do actor Matheus Nachtergaele, tenho que reconhecer que ele esteve muito bem aqui, sei que ele é um excelente actor, talvez não simpatize com ele, porque ele é muito dado à comédia, um género que eu não gosto. A morosa sequência no salão de bowling é a melhor do filme. Lamentável é o facto de o filme ter pouca divulgação e uma escassa distribuição. Mais um bom registo para o cinema brasileiro, grande filme. 



A Despedida

Nome do Filme : “A Despedida”
Titulo Inglês : “Farewell”
Titulo Português : “A Despedida”
Ano : 2014
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Marcelo Galvão
Elenco : Nelson Xavier, Juliana Paes, Amélia Bittencourt, Tereza Piffer, Vinicius Ferreira, Felipe Hintze, Ithamar Lembo, Nill Marcondes, Osvaldo Mendes, Deto Montenegro, Fátima Ribeiro, Theo Salomão, Luma Vidal.

História : Almirante tem 92 anos e sente que o seu fim está próximo. Por isso, ele decide se despedir de tudo e todos e desfrutar aquele que pode ser o seu último prazer : uma noite de conforto e amor com Morena, a sua amante, uma bela mulher sessenta anos mais nova.

Comentário : Este excelente filme funcionou para mim como um valente murro no estômago, tudo porque ao vê-lo, nós nos apercebemos das enormes dificuldades que os idosos possuem no simples acto de viver o quotidiano. E também aborda a questão do amor com grandes diferenças de idades. A despedida do título pode significar o facto do protagonista deixar a sua amante de vez ou então pode ditar a sua desistência da vida, eu acho que tem os dois significados. Mas, sem dúvidas, que a despedida de Almirante e Morena é mais sentida, porque ele teve uma vida cheia e boa. Os minutos iniciais são espectaculares, com o realizador a facultar-nos a forma exacta como os surdos ouvem tudo ao seu redor, quando o protagonista coloca o aparelho auditivo, passamos a ouvir o filme de forma normal, com o som natural das coisas.

A realização é muito boa, com a camara a seguir sempre o protagonista e, mais tarde, a sua amada, voltando para fechar o filme novamente com ele. As cenas entre os dois são muito bonitas, com destaque para as sequências na banheira. Nelson Xavier é um dos meus actores brasileiros preferidos enquanto que Juliana Paes é uma das minhas actrizes brasileiras favoritas, a coisa não podia ter corrido melhor e a química entre os dois funcionou na perfeição. Os dois possuem excelentes interpretações, com destaque para ele. O filme é excelente e apenas peca pelo final pouco explicativo sobre o que a família do protagonista achou da sua longa ausência de casa. Um último reparo, este filme é baseado numa história real. 

The Monster

Nome do Filme : “The Monster”
Titulo Inglês : “The Monster”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Bryan Bertino
Elenco : Zoe Kazan, Ella Ballentine, Aaron Douglas, Chris Webb.

História : Após verem o seu carro avariado numa estrada longa e deserta, uma mãe e a respectiva filha têm que confrontar algo completamente novo e maléfico para elas.

Comentário : Confirmado está que o género do terror continua a surpreender. Gostei realmente deste pequeno filme que conta a história de uma mãe e de uma filha que após se tentarem desviar de algo e depois atropelar um lobo, encontram-se com o carro avariado numa estrada escura, longa e deserta com a agravante de estar uma noite de chuva intensa. A história está muito bem contada, nota-se que houve um cuidado maior no argumento, pois o filme nunca descai para a fantochada habitual dos filmes do género. O realizador, ao longo do filme, dá-nos flashbacks onde mostra como era a relação daquela mãe com aquela filha e até insere uma sequência onde aparece o pai da miúda, nos facultando um breve olhar de como era a vida daquela complicada família. E isto serve para nos enquadrar melhor no actual ambiente entre as duas. O divórcio era inevitável e o longa começa já do ponto das duas vivendo juntas, uma vivência bastante complicada. Felizmente, o filme tem também um ritmo lento, o que ajuda quem o vê a ter atenção aos detalhes. A banda sonora é de excelência. O elenco é curto e todos estiveram à altura do desafio, principalmente as protagonistas Zoe Kazan e Ella Ballentine, onde a química entre as duas funcionou na perfeição, sendo a relação delas enquanto personagens, o principal alicerce que sustém toda a obra. Claro que o filme tem alguns erros, mas nada que estrague o todo. Um último apontamento, a criatura não é digital, existe um actor (Chris Webb) dentro do monstro, o que torna tudo mais real. Mais uma das grandes surpresas deste ano. 

Axilas

Nome do Filme : “Axilas”
Titulo Português : “Axilas”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : José Fonseca e Costa
Produção : Paulo Branco
Elenco : Pedro Lacerda, Maria da Rocha, Margarida Marinho, Elisa Lisboa, André Gomes, Fernando Ferrão, Paula Guedes, Rui Morisson, Luis Mascarenhas.

História : É a Avó que o apresenta ao Padrinho, um grande empresário que o toma como seu protegido, e a Angelina, a mulher com quem a Avó pretende que ele se case. Mas Lázaro tem outros interesses ocultos, o mais importante dos quais é uma fixação obsessiva pelas axilas femininas. Quando vê a violinista Maria Pia a tocar, Lázaro apaixona-se de imediato e passa a viver em função dela.

Comentário : Se existem vezes em que o cinema português se recomenda, outras há em que não é nada aconselhável, porque ainda está bem patente aquele estigma que diz que o cinema português é mau. Bom, no caso deste filme que o público leigo não gostou, eu gostei, embora o recomende apenas aos que querem experimentar algo diferente. Confesso que não conhecia o actor Pedro Lacerda e simpatizei com a sua personagem bem como gostei da interpretação do actor, embora os seus actos sejam bastante duvidosos. Elisa Lisboa é uma senhora e vai muito bem no seu papel. O mesmo se pode dizer das bonitas Maria da Rocha e Margarida Marinho, as duas actrizes têm personagens muito interessantes e é agradável acompanharmos o seu evoluir. E Fernando Ferrão está espectacular. Na altura em que o filme estreou, eu nem reparei nele, mas agora tive a sorte de o descobrir e gostei da surpresa, apesar de não ser um grande filme, é apenas algo razoável que se segue muito bem ao longo dos seus oitenta minutos. O filme possui um tom cómico que assenta muito bem com algumas situações, por vezes, humor negro. A produção é de Paulo Branco, alguém que está como peixe na água nesta área, o homem vive para o cinema, só lhe falta realizar um filme a sério. Um último apontamento, “Axilas” é o filme póstumo do realizador José Fonseca e Costa que julgo ter falecido pela altura da pós-produção da fita. Um filme que eu recomendo aos cinéfilos mais reservados e nada dados a facilidades. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Hush

Nome do Filme : “Hush”
Titulo Inglês : “Hush”
Ano : 2016
Duração : 81 minutos
Género : Terror
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Kate Siegel, John Gallagher Jr., Samantha Sloyan, Michael Trucco.

História : Maddie é uma jovem que ficou surda e muda aos 13 anos devido a uma doença, tornando-se escritora depois da faculdade. Actualmente, ela vive numa casa fantástica cujo único problema é ficar dentro de uma floresta. Ela divide os dias entre escrever um novo livro, recebendo visitas de uma amiga que mora ali perto e cuidando do seu gato persa. Uma noite, um estranho mascarado decide estragar-lhe a vida e aparece-lhe à porta disposto a encontrar a altura certa para entrar e matá-la. Agora, Maddie está entregue a si própria, porque o estranho cortou-lhe a electricidade e todas as formas de comunicação para o exterior, colocando a rapariga totalmente vulnerável.

Comentário : Gosto muito do tipo de terror que os entendidos têm vindo a chamar de horror domiciliário, que se define basicamente por um estranho ou vários estranhos que invadem uma casa para fazer o mal a quem lá está dentro. E este pequeno filme faz isso muito bem, eu já estava com saudades de um filme como este. Apesar de possuir alguns erros principalmente em ações das personagens, o argumento está muito bem amarrado e dá-nos sequências muito boas. Por exemplo, a sequência da morte da amiga da protagonista mesmo à sua frente sem que ela o veja está brutal ou a cena dos dedos na janela, entre outras. Kate Siegel tem aqui a melhor prestação da fita, a sua personagem faz com que nós tenhamos pena dela quando é necessário e nós “rezamos” para que tudo dê certo com ela. O filme usa bem as desvantagens da protagonista em ser surda e muda e mostra bem como ela usa isso a seu favor. No papel de mau da fita, encontramos um muito competente John Gallagher Jr., cujo argumento nunca nos revela o porquê dele estar a fazer tudo aquilo. A expressividade do ator chega mesmo a transmitir medo em algumas cenas e isso é muito bom para a história e para trabalhar a mente do espectador.

Apesar de estar envolto em alguns clichés próprios do género, o realizador soube tirar partido deles para enriquecer a trama. O filme tem sangue e grandes momentos de tensão, o que nos causa nervos, nisso o filme funciona. O longa vem adornado também de pequenos detalhes que significam muito dentro do campo dos vários acontecimentos que vão sucedendo diante dos nossos olhos. É como se aquela pequena coisa não tivesse acontecido daquele jeito, a situação ia suceder de uma maneira completamente diferente. Pode parecer que algumas ações dos dois protagonistas não fazem sentido, mas o realizador possui a habilidade de tornear essas questões de forma bastante aceitável, falhando apenas uma ou duas vezes. O personagem do namorado da amiga de Maddie não faz falta nenhuma para a história, ele apenas está ali para ser morto, para causar ainda mais pânico à já muito traumatizada protagonista. A química entre protagonista e antagonista funciona na perfeição, eles fazem parte de um impressionante jogo do gato e do rato que culminará apenas quando um matar o outro e até nessa parte final, a coisa está extremamente bem construída e bem concebida. É um filme que está bastante aceitável e fará certamente aquelas pessoas que moram em locais isolados ficarem a pensar. Em resumo, estamos perante um filme de terror bastante eficaz. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

The Handmaiden

Nome do Filme : “Ah-ga-ssi”
Titulo Inglês : “The Handmaiden”
Titulo Português : "A Criada"
Ano : 2016
Duração : 145 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Park Chan-Wook
Produção : Park Chan-Wook
Elenco : Kim Tae-ri, Kim Min-hee, Ha Jung-woo, Jo Jin-woong, Moon So-ri.

História : Na Coreia do Sul dos anos 1930, durante a ocupação japonesa, a jovem Sook-Hee é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo : ela e um vigarista planeiam desposar a herdeira, roubar a sua fortuna e trancafiá-la num manicómio. Tudo corre conforme o previsto, até que Sook-Hee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko. Para complicar a situação, as duas iniciam um estranho relacionamento secreto.

Comentário : Baseado num famoso livro escrito por Sarah Waters, este novo filme do conceituado realizador sul-coreano Park Chan-Wook é um dos melhores filmes do cineasta. Pessoalmente, gostei deste filme e vamos aos aspectos positivos, vamos ao que me agradou mais. O filme possui belíssimos cenários e uma excelente fotografia, bem como uma poderosa composição das cores e dos detalhes, tudo factores onde o cinema oriental se supera. Se há uma razão principal pela qual eu admiro o cinema do Japão, da China ou da Coreia é a cinematografia e a capacidade deles de nos surpreender tanto a nível visual, quanto a nível artístico. Podemos igualmente contar com poderosas interpretações a cargo das duas actrizes de serviço, aliás a empatia entre Kim Tae-ri e Kim Min-hee (as duas são lindas) funciona muito bem, seja como profissionais na arte da representação, seja enquanto personagens. As cenas de sexo entre as duas são encantadoras e o tipo de relação que se estabelece entre elas é bastante absorvente. Do lado masculino, Ha Jung-woo convence no papel de vigarista, enquanto que Jo Jin-woong nos facultou um tio tirano digno desse nome, um homem bastante autoritário que nem sempre agiu da melhor forma com a sobrinha. Aliás, a relação entre estes dois é bem estranha. 

Vamos aos aspectos negativos, pessoalmente, achei o argumento bastante labiríntico e confuso, confesso mesmo que fiquei um pouco perdido naquele momento em que a criada é deixada no manicómio. A partir dessa cena, as coisas ficaram um pouco confusas para mim e temos que admitir que os cineastas destes países pecam um pouco por baralhar um bocado as coisas nesse sentido. Não conheço o livro que serviu de base para a adaptação ao cinema e por isso não me posso alongar muito nesse sentido. Mas é bem verdade que este tipo de realizadores e este tipo de filmes tendem a confundir as coisas em algum momento da fita, devido aos seus argumentos nada escorreitos. Depois do momento em que a criada é internada, o filme recua no tempo e conta uma parte da infância da sobrinha, centrando-se na educação peculiar que o seu tio lhe facultou. Tudo para depois voltarmos à história central onde algumas cenas se repetem e outras se alongam e desvendam mais qualquer coisa, neste caso já me agradou isso. Mas repito, a trama é confusa e eu confesso que não entendi algumas coisas. Por fim, é um filme muito violento, mostrando a violência psicológica durante os dois primeiros actos e a violência física e explícita no terceiro acto e nomeadamente perto do final. Mas no geral, gostei do filme porque representa 140 minutos de bom cinema, isto é Cinema. 


The Wailing

Nome do Filme : “Goksung”
Titulo Inglês : “The Wailing”
Ano : 2016
Duração : 156 minutos
Género : Drama/Terror/Mystery
Realização : Hong-Jin Na
Elenco : Do Won Kwak, Woo-Hee Chun, Jung-Min Hwang, So-Yeon Jang, Han-Cheol Jo, Jun Kunimura.

História : Uma estranha epidemia atinge alguns habitantes de uma localidade quase isolada e começam a suceder vários crimes sem explicação. Um agente da polícia, também ele habitante dessa localidade, vê a sua vida piorar quando a sua filha menor fica possuída por uma entidade sobrenatural. Aparentemente, tanto os moradores, quanto a polícia atribui as culpas a um estranho japonês que por ali apareceu e foi morar isolado na floresta.

Comentário : Pessoalmente, uma das coisas que mais apreciei neste filme foi o facto do clima de tensão e mistério estarem sempre a aumentar à medida que os acontecimentos se vão desenrolando. A fita trabalha muitos temas de forma eficaz, outros nem tanto. O filme possui muitas referências a outros filmes já feitos. O argumento nota-se que foi bem escrito, no entanto, peca por nos facultar poucas respostas. Tem alturas em que parece que o realizador nos conduz para uma conclusão, para depois nos fornecer informações que nos apontam no sentido contrário. Eu mesmo me enganei sobre o personagem do japonês forasteiro. O filme peca por ter umas poucas cenas cómicas que em nada ajudam os acontecimentos e a história em si. Os personagens são os mesmos de sempre, típicos do cinema oriental, com destaque para o protagonista, um polícia irresponsável. No entanto, é admirável testemunharmos o evoluir do protagonista ao longo das duas horas de meia de projecção, tudo para defender a filha de um mal desconhecido. Nesse aspecto as coisas funcionaram muito bem. O actor que desempenhou o protagonista e a pequena actriz que fez de sua filha tiveram as melhores prestações do filme. Infelizmente, eu não percebi o final. Gostei do filme em si, mas preferia que o realizador nos tivesse dado as respostas devidas. 

La Tutora

Nome do Filme : “La Tutora”
Titulo Inglês : “The Tutor”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Ivan Noel
Elenco : Malena Alonso, Valentino Vinco, Romina Pinto, Cristina Maresca, Julio Mendez.

História : Uma mulher é contratada por um homem para tomar conta e cuidar dos seus sobrinhos órfãos, acabando por encontrar dois adolescentes que possuem um modo de vida muito peculiar e interessante.

Comentário : Na noite de Halloween tive a grande oportunidade de ver este estranho filme que é o mais recente trabalho cinematográfico do cineasta argentino Iván Noel, que eu confesso que nada sabia dele, muito menos da sua existência. Antes de mais, tenho que dizer que adorei o modo peculiar como este realizador filma, adorei certos planos, bastante porreiros. Este é o seu sétimo filme, claramente que fiquei tão satisfeito com a fita que, num futuro próximo e quando se proporcionar, irei tentar ver os seus seis filmes anteriores. Ainda sobre o director, ele possui um modo de nos mostrar os sonhos da personagem do título muito próprio, confesso que nunca em filme algum me lembro de ter visto sonhos mostrados daquela maneira. Ao longo de quase duas horas, testemunhamos a história de uma mulher que é paga para cuidar dos sobrinhos de um homem que parece pouco importar-se com as crianças, mesmo depois da suposta morte acidental dos seus pais. Depois de terem assistido às trágicas mortes dos pais, as duas crianças passaram dois anos a viver como bem entenderam, sem ir à escola e passando o tempo entre a enorme habitação e a imensa floresta que cerca toda a mansão. 

O filme possui um denso clima de mistério que vai deixando várias perguntas à medida que os acontecimentos se vão dando. Eu próprio, coloquei-me a tecer hipóteses sobre o que se passaria com aquelas crianças e com aquela governanta idosa que cuida somente da enorme casa. O filme tem cenas muito interessantes e momentos igualmente cativantes, tudo devido ao bom argumento que nos envolve de uma maneira muito especial e nos deixa cheios de questões. O estilo de vida das crianças em si, é todo ele bastante interessante e levanta algumas questões, principalmente sobre o modo prejudicial como estamos a criar actualmente as nossas crianças. No papel de “protagonista”, Romina Pinto tem uma boa interpretação, ela convence com o seu desempenho de uma mulher que procura ajudar as crianças, embora a partir de um certo momento, nós nos apercebemos que a personagem esconde algo. Como governanta da mansão, Cristina Maresca chega a causar calafrios, principalmente a partir da altura em que começa a medicar a tutora. Mas as verdadeiras estrelas do filme são Malena Alonso e Valentino Vinco, as crianças que desempenham o casal de irmãos. Eu adorei estas duas personagens, além de serem muito bonitos e de possuírem uma forte presença no ecrã, são igualmente bons actores, tiveram excelentes prestações, são os principais alicerces da fita e a empatia entre a miúda e o rapaz funcionou na perfeição. São deles os melhores momentos do filme. Ivan Noel sabe trabalhar com crianças, coisa que poucos realizadores conseguem, principalmente nos Estados Unidos. Adorei o twist principal envolvendo a tutora, bem como o final. Um filme que levanta muitas questões.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Green Room

Nome do Filme : “Green Room”
Titulo Inglês : “Green Room”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Terror/Thriller/Crime
Realização : Jeremy Saulnier
Elenco : Patrick Stewart, Anton Yelchin, Imogen Poots, Taylor Tunes, Joe Cole, Callum Turner, David W. Thompson, Mark Webber, Macon Blair, Eric Edelstein, Michael Draper, Brent Werzner, Kasey Brown, Samuel Summer, Mason Knight, Colton Ruscheinsky.

História : Os “Ain't Rights”, banda punk-rock de Pat, Sam, Reece e Tiger, não estão a atravessar um bom momento. Quando recebem um convite para uma actuação num bar no meio de uma floresta do Oregon, os quatro não estão em posição de recusar. É assim que se vêem a dar um concerto algo intimista para uma plateia de gente duvidosa. Depois do espectáculo, quando regressam aos bastidores, deparam-se com o corpo de uma miúda esfaqueada na cabeça e chamam a polícia. Para encenar uma situação acidental antes da chegada das autoridades, o grupo neonazi que gere o local tem que eliminar todas as testemunhas, que são os quatro jovens membros da banda.

Comentário : Este curioso filme de terror estreou nas nossas salas de cinema na semana passada de forma muito discreta e pouca atenção despertou. Eu confesso que já tinha começado a ver este filme à umas semanas, mas o achei confuso demais e desisti de o ver. Na noite passada, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade e deixei-me levar, pelo que até gostei, apesar do esforço feito para encaixar tudo aquilo que acontece ao longo dos noventa minutos de duração. Não aconselho o filme a mentes sensíveis, a obra possui muito sangue e cenas violentas e fortes. O filme tem a vantagem de nunca ser previsível, ou seja, raramente sabemos aquilo que vai acontecer a seguir, porque é tudo inesperado. Os acontecimentos vão sucedendo naturalmente e são reveladas algumas surpresas. Pessoalmente, gostei disso no filme, do factor surpresa que neste caso, funcionou muito bem. Porém, alguns diálogos não funcionam tão bem e são algo contraditórios, originando algumas falhas.

O clima de tensão está quase sempre presente e podemos contar com alguns twists que favorecem e muito o filme. A narrativa escorre bem nos três actos do filme. Fiquei surpreendido com a actuação de Patrick Stewart nesta obra, ele desempenhou o líder dos vilões, estava bastante sinistro. Num dos últimos papéis antes de falecer precocemente, o jovem actor Anton Yelchin fez de protagonista e teve a melhor prestação da fita, embora a condição física da sua personagem tenha sido um pouco inverossímil, na minha opinião, ele não tinha conseguido fazer aquilo tudo depois do golpe profundo no pulso, se aquilo acontecesse de verdade, talvez o mais certo era que ele se tivesse esvaído em sangue e morrido. Nota positiva também para as duas meninas do filme. Imogen Poots e Taylor Tunes têm aqui interpretações bastante convincentes, com o merecido destaque para a primeira que acaba por se tornar na segunda personagem principal da fita, quando na realidade, nem fazia parte do grupo inicial e principal, ela foi uma personagem que surgiu muito depois. É um bom filme que funciona bem nesta época de Halloween, cujo final é bastante aceitável e funciona bem.

domingo, 23 de outubro de 2016

Certain Women

Nome do Filme : “Certain Women”
Titulo Inglês : “Certain Women”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Kelly Reichardt
Elenco : Laura Dern, Michelle Williams, Kristen Stewart, Lily Gladstone, Jared Harris, James Le Gros, Sara Rodier.

História : As vidas de três mulheres parecem estar ligadas, ainda que de forma distante.

Comentário : Finalmente, consegui ver este filme que já me tinha despertado a curiosidade à bastante tempo. O filme é realizado por Kelly Reichardt, que já nos tinha dado filmes muito bons como : “River Of Grass”, “Old Joy”, “Wendy And Lucy”, “Meek's Cutoff” e “Night Moves”. Os temas principais do cinema desta cineasta são as relações pessoais, as viagens e os animais (especialmente cães). Todos os seus filmes possuem uma coisa em comum : o drama e esse elemento funciona muito bem em todos eles. A directora tem o mérito único de conseguir filmar as suas histórias de forma tranquilizante, nos mostrando os seus filmes de forma lenta, mas sempre cativante. Aqui, isso voltou a acontecer, o filme avança e corre a um ritmo lento, mas eu estava sempre na expectativa daquilo que viria a acontecer no momento seguinte.

Kelly Reichardt é uma realizadora que filma com calma, talvez seja essa a sua principal característica. Laura Dern, que é uma excelente actriz, tem aqui mais uma boa prestação. Com um aspecto muito acabado, a outrora linda Michelle Williams já viu melhores dias na arte da representação, ainda assim, possui aqui uma interpretação sólida. Kristen Stewart vê aqui cimentada a sua onda para papéis sérios, a sua intervenção no filme está bastante aceitável. Por outro lado, não gostei da prestação da actriz Lily Gladstone, penso mesmo que ela estava pouco à vontade na sua personagem e notei também uma certa falta de expressão. É claramente um filme que não agradará ao público jovem, mas irá satisfazer aqueles que procurarem um filme interessante, com personagens igualmente interessantes e com uma história também ela interessante. Em resumo, gostei deste filme, uma obra com um cunho pessoal muito forte. E é um filme realizado por uma mulher, o que lhe dá um gosto muito especial. Um último reparo, a realizadora dedica este filme à sua cadela Lucy, que falecera. 

Under The Shadow

Nome do Filme : “Under The Shadow”
Titulo Inglês : “Under The Shadow”
Ano : 2016
Duração : 84 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Babak Anvari
Elenco : Narges Rashidi, Avin Manshadi.

História : Na Teerão dos anos 1980, uma pequena família vive atormentada pela guerra no seu país. Quando o homem da casa vai embora, um míssil atinge o último andar sem explodir, mas acaba por matar o seu habitante idoso. A partir desse dia, as vivências da mãe e da filha vão piorar cada vez mais, até porque a mãe da menor acredita que existe uma presença estranha e maligna na sua casa.

Comentário : Para a semana temos mais um Halloween e eu escolhi este pequeno filme de terror para festejar esta data ou este acontecimento, como quiserem entender. Fora dos Estados Unidos, alguns países já começam a produzir bons filmes seja de que género for, alguns deles bem melhores do que a maioria feita na América do Norte. E ainda bem que as coisas são assim, pessoalmente, não gosto muito dos Estados Unidos, embora saiba que existe lá gente muito boa. Como já havia dito, escolhi este filme para assinalar mais um Halloween e foi a escolha acertada. A fita em questão é um dos melhores filmes de terror que vi em muitos anos de surpresas e desilusões. Os primeiros trinta minutos são uma seca, aquilo que neles assistimos é o quotidiano da família, principalmente a nem sempre boa relação entre marido e mulher. E as coisas só começam a ficar realmente interessantes depois do marido se ir embora, mais precisamente, a partir do momento que o tal míssil cai no último andar e abre uma brecha no andar das duas protagonistas.

O filme tem uma boa fotografia e a qualidade do som é muito boa, aconselho a verem este filme no cinema. Pessoalmente, confesso que não é muito fácil me assustar com estas coisas, mas aqui apanhei dois sustos em duas cenas, foram cenas simples e já vistas em outros contextos noutros filmes, mas que causaram o mesmo impacto. O elenco de secundários está lá apenas para fazer número e para ajudarem na construção da história, não têm muito que fazer, e isto aplica-se também ao marido. Neste campo, o mérito pertence todo e muito bem às duas protagonistas, que desempenham a mãe e a filha. No papel da mãe, Narges Rashidi está verdadeiramente espectacular, mete a um canto muitas actrizes de Hollywood, a sua prestação é excelente, fazendo com que a sua personagem nos transmita várias emoções. Na mesma linha de qualidade e no papel da filha, a pequena e expressiva Avin Manshadi tem uma interpretação e uma prestação praticamente ao mesmo nível de Narges Rashidi. A menina nunca nos assusta e nem precisa, a sua expressividade, os seus diálogos e a sua postura no filme fazem dela uma personagem poderosa. A empatia entre mãe e filha sente-se muito bem, elas fizeram um bom trabalho juntas, seja como actrizes, seja enquanto personagens. O argumento é bom e não nos faculta as devidas respostas. Existem planos muito bons e a camara faz direitinho todo o seu trabalho, ajudando no clima de tensão e de claustrofobia que envolve todo o filme. Um último apontamento positivo para a boneca de Dorsa, um objecto muito enigmático e interessante. Se tivesse de resumir o filme numa frase eu diria : “Um dos melhores filmes de terror que vi na vida”. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

The Model

Nome do Filme : “The Model”
Titulo Inglês : “The Model”
Titulo Português : “A Modelo”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Mads Matthiesen
Elenco : Maria Palm, Ed Skrein, Marco Ilso, Dominic Allburn, Virgile Bramly, Thierry Hancisse, Leonardo Lacaria, Elise Lissague, Claire Tran.

História : Emma é uma bonita e sensual adolescente que sonha em vir a torna-se uma modelo profissional. Assim, abandona os pais e a irmã mais nova e parte para Paris. Uma vez lá chegada, ela planeia obter o tão desejado sucesso.

Comentário : Ao contrário daquilo que possam pensar, este filme não aborda a questão das jovens que são enganadas e falsamente conduzidas a um mundo supostamente repleto de facilidades por uma cambada de nojentos. Aliás, está muito longe disso. Ainda que tenha que admitir que este “The Model” está bem melhor do que o recente “The Neon Demon”, o primeiro é quase tudo aquilo que o segundo devia ter sido. Na sua estreia em cinema como actriz, a jovem Maria Palm até esteve bastante bem, pode-se dizer que ela possui a melhor prestação da fita, para além de ser muito bonita. A realização é boa, nota-se que o filme está bem filmado, bem montado e bem editado. Gostei da personagem que o actor Ed Skrein interpretou, ele está muito longe de ser o interesseiro que se quer aproveitar da novata, pelo contrário, ele está sempre disposto a ajudá-la e odeia que lhe mintam. Ele representa um dos poucos tipos sérios que ainda deve existir no ramo da moda.

O mesmo não se pode dizer do nojento que se serve sexualmente de Emma na piscina, diga-se uma das cenas mais nojentas do filme. O problema deste filme é a própria Emma enquanto personagem, ela não consegue fazer nada acertado, ela faz quase tudo errado, para além de se revelar uma ordinária pouco depois do começo da fita, ao trair o namorado que ficou na Dinamarca. Talvez por culpa do fraco argumento, a personagem Emma é muito pobre, ou a miúda é ingénua, ou então é mesmo uma grande cabra, porque ela faz tudo errado, nem parece que quer singrar na vida. A única altura em que sentimos realmente pena da protagonista é perto do final, quando ela é violada por aquele nojento responsável pelo aluguer dos apartamentos. Nós sabemos muito bem que esta indústria da moda é muito penosa para as jovens e o filme falha precisamente por não nos transmitir essa mensagem. Mesmo assim, gostei deste filme. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sangue do Meu Sangue

Nome do Filme : “Sangue do Meu Sangue”
Titulo Inglês : “Blood Of My Blood”
Titulo Português : “Sangue do Meu Sangue”
Ano : 2011
Duração : 140 minutos
Duração (Versão Longa) : 190 minutos
Género : Drama
Realização : João Canijo
Produção : Pedro Borges
Elenco : Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Rafael Morais, Fernando Luís, Beatriz Batarda, Teresa Tavares, Teresa Madruga, Nuno Lopes, Marcello Urgeghe, Wilma de Brito, Francisco Tavares, Joana Sapinho, Leonor Correia de Oliveira, Dmitry Bogomolov, João Vaz, Margarida Queiroz, Antónia Mariana Lopes, Daniela Teixeira, Márcia Teixeira, Margarida Marques, Paula Marques, Joana Mendes, Silvina Ribeiro, Marco Campos, Djania Venâncio, Sofia Monteiro, Valéria Curuci, Vera Barreto, Teresa Faria, Mafalda Pinto.

História : Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro social com a irmã. João Carlos, o filho, é um pequeno traficante no bairro e Cláudia, a filha, estudante de enfermagem, um dia conta à mãe que se apaixonou e envolveu com um homem mais velho, casado e com uma filha menor.

Comentário : Possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi até hoje, sem dúvidas, o melhor filme do realizador João Canijo, embora eu prefira abertamente o filme “É O Amor”. No entanto, tenho a humildade de dizer que o filme de 2011 está mais bem conseguido e é muito melhor. O que João Canijo consegue aqui é algo grandioso, o filme teve imensos prémios e nomeações. Simpatizo bastante com a actriz Rita Blanco e adorei vê-la neste papel e neste filme, ela tem uma das melhores prestações da fita. Também Cleia Almeida e Anabela Moreira deram tudo o que tinham às suas personagens, tiveram excelentes interpretações, com destaque para a segunda. Adorei a personagem de Teresa Tavares e a jovem actriz deu um forte contributo ao filme. É claramente um filme onde as mulheres se destacam nas suas mais variadas formas. Nuno Lopes e Fernando Luís têm personagens fortes, mas o destaque vai logicamente para o primeiro, um excelente actor de cinema.

O filme está muito bem filmado e montado. Fazendo uma breve análise às duas versões, claramente que a versão longa é a melhor, porque ajuda a perceber melhor certas coisas e nos fornece mais informações. Temos excelentes planos, por vezes, a camara mostra duas situações a acontecer ao mesmo tempo num único plano, o que nos força a estar atento o mais possível ao que todos eles dizem. Mas temos mais planos igualmente apelativos. A banda sonora é quase inexistente, o que o realizador nos dá a ouvir são os barulhos dos outros apartamentos, bem como as respectivas discussões das pessoas que lá vivem. A cena da humilhação está brutal, Anabela Moreira brilha mais uma vez em cena. O drama central é bastante pesado, a história daquela mãe e daquela filha é bastante complexa e as actrizes souberam passar essas sensações na perfeição. A sequência que encerra a fita é bastante emotiva, aqueles três irão formar uma nova família : mãe, filha e padrasto. Estamos perante um grande filme, que fala sobre o amor.

sábado, 15 de outubro de 2016

Elle

Nome do Filme : “Elle”
Titulo Inglês : “Elle”
Titulo Português : "Ela"
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Paul Verhoeven
Elenco : Isabelle Huppert, Anne Consigny, Alice Isaaz, Charles Berling, Virginie Efira, Laurent Lafitte, Judith Magre, Christian Berkel, Jonas Bloquet, Vimala Pons, Raphael Lenglet, Arthur Mazet, Lucas Prisor.

História : Michele é a executiva e chefe de uma empresa de jogos de vídeo, a qual administra do mesmo jeito que gere a sua vida amorosa e sentimental : com “mão de ferro”, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. A sua rotina é quebrada quando ela é atacada e violada por um desconhecido, dentro de sua própria casa.

Comentário : Isabelle Huppert é daquelas actrizes que dispensam qualquer tipo de apresentação ou de elogios. E quando falamos de Isabelle Huppert, podíamos estar a falar de actrizes como Juliette Binoche, Meryl Streep, Charlotte Rampling ou Catherine Deneuve, são todas umas senhoras, seja como pessoas seja enquanto actrizes. Na minha opinião, este filme é um drama bem pesado, por vezes, difícil de assimilar. É um filme adulto onde estão sempre a acontecer coisas novas e twists, quase tudo digno de aplauso. Isabelle Huppert desempenha uma personagem complexa, mas sabe fazê-lo mais uma vez, de forma perfeita. Ela dá-nos aqui uma excelente interpretação com a sua protagonista. Com um passado traumático devido aos feitos do pai, a sua Michele é bastante convincente.

Desde a complicada relação que tem com a mãe, passando pela distância que a separa do filho e não estou a falar de distância física, e indo parar à sua também complexa vida sexual, tudo nesta personagem foi bem pensado por parte do realizador. Todo o restante elenco está de parabéns, gostei de quase todas as personagens, mas fiquei de olho na namorada do filho da protagonista. O gato é lindo. O argumento é original e está sempre a pregar-nos surpresas, nos facultando reviravoltas bastante interessantes. É muito positiva e eficaz a maneira como o realizador “joga” com as personagens e as coloca nas mais variadas situações. Assim, as relações entre todas as personagens são o principal foco do filme, a química entre todos eles funcionou muito bem. Pessoalmente, senti-me totalmente dentro daquilo que estava a ver, tudo porque o filme é bastante envolvente. A relação entre Vincent e Josie é muito peculiar e torna-se ainda mais especial após o nascimento do “filho” de ambos. Gostei de quase tudo neste filme, mais uma boa surpresa que este ano cinematográfico me deu. 

Train To Busan

Nome do Filme : “Busanhaeng”
Titulo Inglês : “Train To Busan”
Ano : 2016
Duração : 119 minutos
Género : Terror/Thriller/Drama
Realização : Sang-Ho Yeon
Elenco : Yoo Gong, Soo-An Kim, Ahn So-Hee, Yu-Mi Jeong, Dong-Seok Ma, Woo-Sik Choi, Eui-Sung Kim, Gwi-Hwa Choi, Jang Hyuk-Jin, Chang Hwan Kim, Soo-Jung Ye.

História : Um pai que sempre foi viciado no trabalho e sempre esteve ausente da vida da filha menor, vê-se confrontado com a aparição de um estranho vírus que infecta as pessoas, tornando-as perigosas para todos aqueles que ainda não sofrem desse mal. Agora, ele e a menina juntam-se a um pequeno grupo de sobreviventes com a intenção de apanharem um comboio que tem como destino uma zona protegida pelas forças militares. Mas para lá chegarem, terão que embarcar numa verdadeira odisseia e numa impressionante e desesperante luta pela sobrevivência.

Comentário (Com Spoilers) : Possivelmente o melhor filme de zombies que eu tive a oportunidade de ver, sim, não gosto dos filmes deste género feitos pelos americanos, ainda que tenha que admitir que os filmes de George Romero sejam bons. E digo mais, a maioria dos realizadores devia colocar os olhos neste filme e aprender alguma coisa com ele. Eu tenho que confessar que senti uma enorme tensão durante praticamente o filme todo, a fita possui bons momentos de terror e de suspense. É quase desesperante acompanharmos o percurso dos personagens principais, cuja única finalidade é manterem-se vivos para chegar a um local seguro e todos têm poucas informações do que está realmente a acontecer. O argumento dá-nos ideias que na prática do filme acabam por funcionar muito bem.

A nível das interpretações, todos estão de parabéns e a caracterização dos infectados está brutal. O actor que faz de pai irresponsável e a menina que desempenha o papel de sua filha são os que merecem o grande destaque (os dois têm excelentes prestações), nota-se na perfeição a empatia entre os dois, para além das suas personagens serem totalmente convincentes. O filme tem algumas cenas muito dramáticas e muito emocionantes, entre elas, destaco aquela perto do final em que a criança se despede do pai, sabendo que nunca mais o verá (a melhor sequência do filme). A cena da "morte" do protagonista também está muito tocante, com as lembranças da filha bebé a serem as últimas coisas que ele se lembra antes da transformação. E depois, temos a última sequência (num túnel), cheia de simbolismo e muito bonita. Além dos vilões de serviço – os zombies – temos também um vilão humano que ainda consegue ser mais nojento que os infectados, quem viu o filme sabe do que estou a falar. Não gostei dos destinos que o protagonista e a personagem Jin-Hee tiveram, que finais tão injustos. Nota-se claramente que é um filme feito com poucos recursos, mas tudo funcionou na perfeição, apesar de uns erros ligeiros que em nada afectam o resultado final. Um dos melhores filmes que vi este ano. 

Jane Got A Gun

Nome do Filme : “Jane Got A Gun”
Titulo Inglês : “Jane Got A Gun”
Titulo Português : “As Armas de Jane”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Western/Drama
Realização : Gavin O'Connor
Elenco : Natalie Portman, Joel Edgerton, Noah Emmerich, Ewan McGregor, Boyd Holbrook, Rodrigo Santoro, Maisie McMaster, Piper Sheets, Sam Quinn, James Burnett, Alex Manette.

História : Na América e em finais do século XIX, depois de um passado atribulado, Jane construiu uma nova vida com o marido, Bill Hammond, e a filha nas áridas planícies do Oeste. Mas, quando Bill regressa a casa com ferimentos graves depois de se envolver num tiroteio com John Bishop e o seu bando de criminosos, Jane sabe que a família corre perigo. Sem saber o que fazer, decide pedir ajuda a Dan Frost, um homem com quem teve um relacionamento amoroso no passado e que se tornou a única pessoa de confiança. Apesar de relutante em envolver-se com a mulher que nunca deixou de amar, Dan resolve ajudá-la.

Comentário : Vi na noite passada este western protagonizado pela talentosa e versátil Natalie Portman, pelo que gostei. Apesar de ter sido realizado por um tarefeiro, estamos perante uma obra razoável, embora muito parada. Apesar de ser um filme onde o primeiro e o segundo acto são um pouco parados, eles possuem um ritmo lento, a coisa funciona ainda assim e tudo graças às corajosas e aceitáveis prestações de Natalie Portman e Joel Edgerton. Se os protagonistas funcionam bem, o mesmo não se pode dizer dos vilões, todos muito fracos, nem sei o que faz Ewan McGregor neste filme, se tivessem colocado um ator desconhecido no seu papel, o resultado seria o mesmo. O argumento é bom, mas perdeu-se um pouco quando nos mostra cenas do passado da protagonista ou da personagem de Dan Frost. Não gostei da fotografia, não entendo porque motivo a maioria dos westerns têm que ter quase sempre a cor em tom pastel, naquela época, as coisas talvez não fossem bem assim. O terceiro acto é o melhor do filme, com uma maravilhosa sequência da armadilha assim que começa a invasão à casa da protagonista. A cena dela a balear o vilão principal está brutal, senti-me muito bem a ver essa parte. Notei alguns erros na lógica dos acontecimentos. No fundo, o filme está todo embalado numa brutal história de vingança de ambos os lados. Não sendo um grande filme e muito menos um grande western, temos assim uma obra razoável que cumpriu os mínimos. Um último apontamento, gostei imenso do final, e que os quatro sejam muito felizes. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Captain Fantastic

Nome do Filme : “Captain Fantastic”
Titulo Inglês : “Captain Fantastic”
Titulo Português : “Capitão Fantástico”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Ross
Elenco : Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Nicholas Hamilton, Erin Moriarty, Trin Miller, Elijah Stevenson, Kathryn Hahn, Teddy Van Ee, Missi Pyle, Frank Langella, Ann Dowd, Hannah Horton, Steve Zahn.

História : Há já dez anos que Ben e Leslie vivem nas florestas selvagens do Pacífico Norte com os seus seis filhos menores (três meninos e três meninas). Separados do resto do mundo, decidiram criar ali uma espécie de paraíso onde as crianças pudessem crescer livres e em total harmonia com a Natureza. Guiados pelos próprios pais, cada uma delas recebe uma educação exigente onde nada é deixado ao acaso, desde a arte, literatura, matemática, exercício físico e técnicas de sobrevivência. Um dia, Leslie é hospitalizada e acaba por falecer. Obrigado a deixar temporariamente a floresta e regressar à “civilização” para a cerimónia fúnebre da esposa, Ben vai descobrir que, ao educar os seus seis filhos daquele modo tão peculiar, acabou por criar um fosso entre eles e os outros.

Comentário : Com um péssimo inicio de cerca de cinco minutos, este filme cativou-me bastante. É daqueles casos em que, primeiro estranha-se e depois entranha-se. As criticas em torno deste filme foram abertamente divididas, houve aqueles que gostaram, houve os que detestaram e houve ainda outros que foi-lhes indiferente. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, embora tenha três cenas que estragam um pouquinho as coisas, a já frisada sequência inicial, a cena do super-mercado e a cena das cinzas na sanita. Tenho muitas cenas que eu gostei neste filme, mas aquela que eu mais gostei foi aquela em que o filho mais velho conhece e convive com uma bonita jovem, que claramente, não dá em nada, porque eles são de mundos completamente diferentes. Viggo Mortensen está soberbo neste filme, o versátil actor representou muito bem o seu complicado papel. A sua química com as seis crianças é notável em todas as cenas em que os sete contracenam uns com os outros, sozinhos ou em grupo. Todos os actores e actrizes que desempenharam os papéis dos filhos do protagonista estão de parabéns, mas quero aqui mandar um “like” muito especial para a pequena Shree Crooks (foto em baixo). Não gostei muito do personagem de Frank Langella, está muito batido e as suas atitudes cheiram a forçadas. O que existe neste filme é uma espécie de confronto de filosofias de vida, qual a melhor ? Criar filhos na Natureza com poucos recursos pode ser o melhor para as crianças, mas é bem mais complicado do que criá-los normalmente. Nota também positiva para o argumento, acaba por nos facultar algumas surpresas e poucas desilusões. É um filme que está muito bem montado e estruturado e é possuidor de um bom ritmo. Resumidamente, gostei do filme e é sempre bom ver Viggo Mortensen trabalhar, neste caso, num papel diferente. 

Blood Father

Nome do Filme : “Blood Father”
Titulo Inglês : “Blood Father”
Titulo Português : “O Protetor”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Crime/Thriller/Drama
Realização : Jean François Richet
Elenco : Mel Gibson, Erin Moriarty, Diego Luna, Michael Parks, William H. Macy, Miguel Sandoval, Richard Cabral, Daniel Moncada, Ryan Dorsey, Raoul Max Trujillo.

História : Link é um ex-presidiário que mora numa caravana, ganha a vida à custa de biscates e do negócio das tatuagens e não vê a filha adolescente à imenso tempo. Um dia, a jovem bate-lhe à porta porque se encontra no alvo de um pequeno grupo de perigosos criminosos que a querem matar, tudo porque ela os traiu.

Comentário : Está na moda colocarem actores veteranos e quase em fim de carreira a desempenhar papéis em filmes de ação, nos quais se tornam verdadeiros heróis. Assim de repente, lembro-me de Liam Neeson, mas existem muitos mais nas mais variadas vertentes do mundo da sétima arte. Desta vez, há um espectacular Mel Gibson em excelente forma e apenas é de lamentar o facto do filme ser muito curto. Sim, era capaz de continuar a assistir a isto, se a fita tivesse duas horas e meia. Porque é um filme muito estimulante, onde ficamos a “rezar” para que tudo corra bem com o protagonista e, neste caso, que tudo corra igualmente bem com a filha dele. Assim, Mel Gibson está em plena forma e tem mais uma brilhante prestação, o final dado à sua personagem dividiu opiniões, mas para mim, gostei do desfecho dado a Link. Erin Moriarty é o segundo grande destaque do filme, a miúda está excelente e obteve uma impecável interpretação, adorei a sua personagem (foto em baixo). Diego Luna vai bem no papel de vilão principal, embora ande um pouco desaparecido lá pelo meio e regresse para um final muito apressado. Os restantes criminosos impõem um certo respeito. O filme possui ainda boas sequências de ação e o ritmo varia constantemente entre o acelerado e o lento, dependente daquilo que pai e filha estão a fazer. Na minha opinião, é um filme bastante eficaz, que resulta, embora peque apenas devido a alguns poucos erros na lógica das coisas. Mas no geral, estamos perante um bom filme onde o principal factor positivo é a empatia e a química existente entre pai e filha. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Christmas Tale

Nome do Filme : “Un Conte De Noel”
Titulo Inglês : “A Christmas Tale”
Titulo Português : “Um Conto de Natal”
Ano : 2008
Duração : 146 minutos
Género : Drama
Realização : Arnaud Desplechin
Elenco : Catherine Deneuve, Jean Paul Roussillon, Anne Consigny, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud, Hippolyte Girardot, Emmanuelle Devos, Chiara Mastroianni, Laurent Capelluto, Emile Berling, Thomas Obled, Clement Obled, Françoise Bertin, Samir Guesmi, Azize Kabouche, Mathieu Bakanina, Thierry Bosc, Marie France Jaskula, Jean Pierre Jouet, Philippe Morier Genoud, Beata Nilska, François Regnault, Helene Roussel, Helene Darras, David Frenkel, Romain Goupil, Miglen Mirtchev.

História : O casal Abel e Junon tem dois filhos, Joseph e Elizabeth. Vítima de um raro distúrbio genético, a única esperança de Joseph é um transplante de medula óssea, mas tanto Abel e Junon quanto a filha Elizabeth são incompatíveis, o que leva os pais a tentar um terceiro filho. Assim nasce Henri, que infelizmente também tem incompatibilidade e não pode salvar o irmão. A doença do rapaz marca a vida da família para sempre. Depois de algum tempo, a relação da família só piora. Em particular, entre os irmãos Elizabeth, agora uma mulher autoritária, e Henri, um homem cínico que divide o tempo entre mulheres e bebidas. Após uma discussão, Elizabeth proíbe o irmão de ver o sobrinho Paul, um adolescente que tem sérios problemas mentais. Mas o Natal aproxima-se e quer-se a reunião familiar.

Comentário : Gostei bastante deste filme francês, realizado por Arnaud Desplechin. O realizador propõe-nos no seu filme um autêntico desfile de personagens e respectivas personalidades, umas mais complexas que as outras, mas todas elas importantes para o todo. No caso deste filme, as coisas funcionaram muito bem. Embora não tenha gostado de alguns temas da banda sonora que julgo não ficarem bem nas cenas, gostei de praticamente tudo neste filme, até mesmo da montagem final. Algumas cenas são apresentadas e mostradas sob o ponto de vista de um binóculo, fica bem, embora eu não tenha percebido o motivo para tal. Todos os actores tiveram excelentes prestações, embora os destaques sejam para Catherine Deneuve e Mathieu Amalric. O argumento está muito bem construído e amarrado, originando e proporcionando excelentes sequências e diálogos de luxo. A ação da fita alonga-se praticamente toda à volta da semana natalícia onde os elementos da família convivem dentro da mesma casa com algumas saídas, acontece depois o dia de Natal e passa-se logo para a operação da matriarca da família. Existe uma dúvida que fica a pairar no ar e o filme termina com uma fala da filha da protagonista. Pessoalmente, não gostei do final da fita, embora tivesse gostado do filme no geral, devido principalmente à riqueza das personagens e à forma como o cineasta colocou-as a interagir umas com as outras, nos facultando cenas e sequências verdadeiramente notáveis. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Follow

Nome do Filme : “Follow”
Titulo Inglês : “Follow”
Ano : 2015
Duração : 75 minutos
Género : Thriller/Mystery
Realização : Owen Egerton
Elenco : Noah Segan, Olivia Grace Applegate, Haley Lu Richardson, Merik Tadros, Don Most, Bob Schneider, Marc Chicoine, Dennis Nicomede, Southern Longoria.

História : Um pintor tem a pior semana natalícia de toda a sua vida.

Comentário : Esta noite vi este pequeno filme americano que eu julgava ser de terror, não podia estar mais enganado. Basicamente, o que temos aqui é um thriller manhoso, mas não no mau sentido. O problema principal deste filme é que é confuso e absurdo, não nos facultando as explicações necessárias para certos acontecimentos. No centro da trama temos Quinn, um estranho homem que é pintor e que guarda todos os seus trabalhos na cave da casa. Vive um amor igualmente estranho com uma mulher, também ela estranha, chamada Thana. Quinn é cercado por um vizinho idoso que adora o seu cão, tem que aturar um atrasado mental que gosta de cantar para ele em certas manhãs, desconfia que a mulher tem um amante e ainda tem que lidar com uma linda adolescente que lhe desperta os seus interesses sexuais mais íntimos, a miúda ganha uns trocos no café local e revela-lhe que tem interesse nele. Um dia, a esposa oferece-lhe uma pistola e convence-o a suicidar-se numa cena sexual muito quente na cama de ambos. Mas as coisas não correm bem assim. Como protagonista, Noah Segan tem uma prestação aceitável. Como sua mulher, Olivia Grace Applegate convence no início, mas depois o seu personagem cai em lume brando. Quem me surpreendeu foi a jovem Haley Lu Richardson (foto em baixo), ela possui a melhor interpretação do filme e convenceu, sendo a única que conseguiu passar para mim a real aflição da situação em que todos os envolvidos se encontravam. O twist que envolve Quinn e a cena da pistola funciona, embora o final estrague quase tudo até então.