terça-feira, 4 de outubro de 2016

Deepwater Horizon

Nome do Filme : “Deepwater Horizon”
Titulo Inglês : “Deepwater Horizon”
Titulo Português : “Horizonte Profundo – Desastre No Golfo”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Histórico/Drama
Realização : Peter Berg
Elenco : Mark Wahlberg, Kate Hudson, Stella Allen, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O'Brien, Ethan Suplee, Henry Frost, Jeremy Sande, Douglas M. Griffin, James DuMont, Joe Chrest, Brad Leland, David Maldonado, Robert Walker Branchaud, Jason Kirkpatrick, Jonathan Angel.

História : Construída em 2001, a Deepwater Horizon era uma plataforma petrolífera semi-submersível situada ao largo da costa do estado do Louisiana, nos E.U.A. Em abril de 2010, sem que nada o pudesse prever, explodiu. Como resultado, 11 pessoas morreram, 17 ficaram feridas e milhões de litros de crude alastraram para as águas do Golfo. Cerca de 1700 quilómetros de zonas húmidas e praias ficaram poluídas e os “habitats” de centenas de espécies marinhas e fauna foram afectados ou destruídos, naquela que é ainda hoje considerada a maior tragédia marítima contra a natureza da história dos Estados Unidos. Um dos funcionários da plataforma, Mike Williams, um engenheiro experiente que ali trabalhava há já vários anos, na manhã de 20 de Abril de 2010, despede-se da esposa e da filha pequena e dirige-se ao seu local de trabalho. Nesse dia, Mike Williams nunca imaginou a tragédia que estava prestes a acontecer : o maior desastre ecológico de sempre na história dos Estados Unidos.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que senti um enorme clima de tensão e pressão ao longo deste filme. Isto porque o filme está muito bem concebido e o espectador fica convencido do que aconteceu. Embora tenha que confessar que podiam ter ido mais além no aspecto de denegrir a imagem dos “grandes” interesses (empresas e chefes) que estão por detrás das plataformas petrolíferas. O realizador dirige um filme que se relaciona com os nossos dias no modo como define heróis e vilões : de um lado, “pequenos heróis” decentes que fazem trabalhos sujos para sustentar a família mas que não contam para as contas dos executivos, do outro vilões que colocam as vidas dos outros em perigo ao tomarem decisões puramente monetárias. Um dos principais factores que me deixou satisfeito com este filme foram os efeitos especiais e visuais, aqui usados a favor do filme, eles serviram o filme e não o contrário, como sucede com quase todos os filmes comerciais americanos. Nesse campo, confesso que os efeitos estavam impecáveis e com a preciosa ajuda deles, o filme passou com sucesso cá para fora a sensação de realismo, de estarmos a viver, mais ou menos, o que aquelas pessoas sentiram, principalmente a aflição e o desespero.

A história foi muito bem contada e mostrada, o filme é pois, baseado em acontecimentos que sucederam na realidade. Nesse aspecto, também está quase tudo muito bem arrumado. A realização é boa. O som é um dos principais atributos do filme e funcionou na perfeição. Mark Wahlberg tem uma interpretação razoável, confesso que já o vi a fazer melhor (Four Brothers, por exemplo). Ainda sobre ele, neste filme, o seu personagem funcionou enquanto homem de família e também funcionou enquanto funcionário da plataforma, a sua química com todos os agentes que compõem estes dois núcleos funcionou, mas como disse, o actor podia ter dado mais dele. Kate Hudson vai bem como esposa e mãe dedicada, e mais tarde enquanto mulher preocupada com o que pode estar a acontecer com o marido. Mas o grande problema de Peter Berg é que explora pouco a componente familiar do protagonista do filme. O mesmo se aplica à pequena Stella Allen, que desempenhou com um grande à vontade e na perfeição a filha do protagonista. Apesar de ser a responsável pela melhor cena do filme (toda a sequência que decorre à mesa do pequeno almoço, em que a miúda exemplifica o que viria a suceder com a plataforma, na manhã do fatídico dia), a jovem não viu a sua Sydney ser desenvolvida enquanto personagem. Penso que o realizador errou em ter deixado de lado a família (esposa e filha) do protagonista, apenas centrando as suas duas personagens no início e final da fita. E voltou a errar quando nos “massacrou” com várias cenas e diálogos dedicados à plataforma, cenas essas antes da catástrofe. Ele enrolou muito.

Na minha opinião, o realizador devia ter mostrado a vivência e a relação do protagonista com a família durante os primeiros vinte minutos, seguindo depois para uma breve apresentação da plataforma e dos seus principais funcionários onde perderia cerca de dez minutos, para na hora seguinte se dedicar e mergulhar a fundo na catástrofe, tentando dar alguns detalhes que tivessem relevância e que aconteceram de verdade com base em testemunhos, guardando para os últimos dez minutos o regresso a casa do protagonista e respectivo reencontro com mulher e filha e dando relevância também para os personagens de Kurt Russell e de Gina Rodriguez e respectivos regressos a casa. Por último tirava aquelas imagens de arquivo e as legendas sobre as pessoas, pois aquilo, a maioria do pessoal a quem o filme interessa já deve saber. Ainda sobre as interpretações, Kurt Russell tem a melhor prestação do filme, ele possui mesmo a presença mais forte e a sua caracterização pós-acidente está perfeita. Detentora de uma beleza exótica, a linda Gina Rodriguez tem igualmente uma excelente interpretação. Estes dois últimos acabam por ter papéis muito importantes que se vão revelando ao longo do filme. John Malkovich, actor por quem eu nutro uma grande estima e de quem gosto bastante enquanto pessoa, tem aqui pouco mais que fazer do que desempenhar bem um papel que já o vimos fazer em outros filmes. Ainda assim, adorei vê-lo. Dylan O'Brien esteve bem e os secundários portaram-se à altura da tarefa. É um filme que deve ser visto no cinema, em casa perde imenso da sua espectacularidade. Como pior cena, temos a parte das aves cheias de petróleo. E é frustrante percebermos que os “grandes” e “poderosos” neste caso como em muitos outros, safam-se sempre e os mais “fracos” é que sofrem sempre na pele com os erros e com a ganância de quem manda. Infelizmente a justiça está do lado do “peixe graúdo” e o povo que se lixe, em alguns momentos do filme, isso está lá patente. Neste caso, quem perdeu foram os funcionários, as suas famílias e, sem esquecer os mais lesados, os animais e as plantas. Na minha opinião, “Deepwater Horizon” é um dos grandes filmes deste ano, uma agradável surpresa. 








sábado, 1 de outubro de 2016

Miracles From Heaven

Nome do Filme : “Miracles From Heaven”
Titulo Inglês : “Miracles From Heaven”
Titulo Português : “O Nosso Milagre”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Patricia Riggen
Elenco : Jennifer Garner, Martin Henderson, Kylie Rogers, Courtney Fansler, Brighton Sharbino, Eugenio Derbez, Queen Latifah, John Carroll Lynch.

História : Anna foi diagnosticada com uma doença incurável que lhe causava dores de estômago fortíssimas e que a impedia de comer normalmente. A família, desesperada, recorreu a vários médicos, procurando uma solução. Mas, infelizmente, nada podia ser feito por ela. Um dia, já com dez anos, a pequena sofre uma queda de uma árvore e quase perde a vida. Depois de levada de urgência para o hospital, todos se deparam com algo extraordinário : para além de ter sobrevivido à queda apenas com alguns arranhões, deixou de ter quaisquer sintomas da doença que, supostamente não tinha cura.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que eu não costumo comentar um filme que não vejo até ao final, isso acontece raramente, mas em alguns casos é mesmo necessário vir falar deles por isso mesmo, dá-me vontade de o comentar e aconteceu com este. Na ficha técnica diz tratar-se de um filme biográfico, mas eu até me custa a acreditar em certas coisas que o filme mostra. Não estou com isso a duvidar da veracidade dos factos aqui apresentados, simplesmente, custa-me a acreditar que, com uma queda de uma árvore, uma criança deixe por completo de sofrer de uma doença terrível e sem cura. E essa história de Jesus Cristo e da fé serem responsáveis pela “cura” das pessoas, pessoal, isso não cola, simplesmente porque eu não sou crente, eu não tenho nenhuma religião e me baseio em factos, em provas. Falando dos pontos positivos do filmes. Jennifer Garner possui uma brilhante interpretação, ela consegue transmitir a dor que uma mãe sentiria se tivesse uma filha naquelas condições. A pequena Kylie Rogers teve uma prestação bastante convincente, gostei do trabalho que a menina fez no que à representação diz respeito, para além dela possuir uma presença em tela muito forte. As cenas dela padecendo da doença são sofríveis. Um último aspecto positivo, a negligência médica foi aqui muito bem retratada, mostrando médicos que fazem diagnósticos que não são os correctos e isso pode levar à morte das crianças.

Nos aspectos negativos, Martin Henderson no papel de pai, simplesmente, não convence e limita-se a cumprir o papel mínimo do pai com obrigações. As irmãs da pequena protagonista estão no filme apenas para fazer número, apenas porque na família real, elas também existiam e limitam-se a cumprir em termos básicos os mínimos propósitos. Por exemplo, numa cena em que a mãe tira a longa sonda (um enorme fio amarelo) do nariz da filha doente, as irmãs não mostram nenhuma sensação ou ainda, quando é discutido à mesa durante uma refeição as limitações alimentares da miúda, elas estão mais preocupadas porque não poderão comer o que gostam do que com a saúde da irmã. Outra coisa que me enervou foi o personagem do pastor e o facto de estarem sempre a nos jogar à cara a questão da religião, chegou a um momento que saturou e eu disse : “chega, para mim, basta”. Queen Latifah limita-se a ser ela mesma, tem uma cena bem ridícula em que, a mãe e a criança doente estão preocupadissimas com a possibilidade de serem atentidas por um médico famoso naqueles casos e, momentos depois, isso é facilmente esquecido, e a preocupação passa a ser irem as três passear pela cidade num carro que parece ter saído da sucata. É assim, para que eu não seja mal entendido, eu não estou a duvidar que esta história tivesse acontecido de verdade, nem estou a questionar a veracidade dos factos, mas puxa, dava para colocar mais realismo e uma carga dramática mais forte numa história complexa que mostra uma criança sofrendo de uma terrível doença ?, era mesmo preciso salientar tanto a questão religiosa ?, porque é que fazem sempre o mesmo tipo de filme usando os mesmos clichés ?, são estas as questões que eu gostava de ver respondidas. Eu me enervei tanto com este filme que, chegou um momento e eu, simplesmente, desliguei o programa e desisti, afinal, estava cansado de tudo aquilo. 

domingo, 25 de setembro de 2016

Boi Neon

Nome do Filme : “Boi Neon”
Titulo Inglês : “Neon Bull”
Titulo Português : “Boi Neon”
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Gabriel Mascaro
Produção : Rachel Ellis
Elenco : Juliano Cazarré, Maeve Jinkings, Alyne Santana, Carlos Pessoa, Samya De Lavor, Abigail Pereira, Vinícius Oliveira, Josinaldo Alves, Marcelo Caetano.

História : Nos bastidores das vaquejadas, Iremar prepara os bois antes de os soltar na arena. Passando a vida na estrada, o camião que transporta os bois para o evento é também a casa improvisada dele e dos seus colegas de trabalho : Zé, o seu parceiro de curral, e Galega, dançarina, motorista do veículo e mãe de uma menina chamada Cacá que também viaja com eles. Juntos, eles formam uma família improvisada e unida. Mas Iremar possui um sonho que vai muito mais além da vida rural que leva.

Comentário : Trata-se de um filme brasileiro muito realista que estreia nas nossas salas de cinema na próxima semana. É igualmente uma fita que recebeu alguns prémios pelos festivais por onde passou no ano passado e início deste. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, confesso gostar mais de cinema brasileiro do que cinema português. Gosto de quase todo o tipo de géneros dentro do cinema brasileiro, menos da comédia. Este filme tem um visual muito peculiar e está muito bem filmado, possuindo uma boa cinematografia. O argumento é bastante simples, mas eficaz e muito bem escrito e mostrado.

O filme tem um ritmo parado, embora eu não me tivesse aborrecido em nenhum momento. No fundo, trata-se de uma poderosa mistura de drama com road-movie que resultou muito bem. A banda sonora é suave, embora varie por vezes para uns temas mais pesados. A nivel das interpretações, o nosso protagonista Juliano Cazarré (desconhecido para mim) tem uma prestação bastante competente. Maeve Jinkings e a pequena Alyne Santana desempenharam muito bem os seus papéis, embora a miúda mereça um destaque maior, devido à sua personagem carente de pai e sempre pronta a ajudar, a pequena tem mesmo a personagem mais interessante do filme.

Iremar é o nosso protagonista, um misto de homem rude com sujeito delicado, isto porque quando não está a trabalhar com os bois, divaga no seu sonho de se tornar costureiro, verdade, é ele quem fabrica as roupas para Galega actuar nas casas nocturnas com a intenção de lucrarem mais algum. Mas Iremar vai mais longe, ele sonha um dia largar aquela vida para se tornar costureiro profissional. Galega é uma mulher muito independente, mas um pouquinho bronca que está-se a borrifar para o estado de espírito da filha menor. Cacá é uma menina que sente a falta do pai sempre que não está muito ocupada e sonha com o reencontro com o seu progenitor. A miúda tem uma personalidade e uma personagem bastante fortes, ela funciona como uma espécie de principal alicerce do filme. A fita possui uma cena nojenta envolvendo um cavalo e uma cena de sexo muito bem filmada entre o protagonista e uma mulher grávida no silêncio da noite. Tem também cenas de nudez e não o aconselho a pessoas sensíveis, devido a uma certa violência que parece dominar todo o ambiente que envolve o filme. Gostei bastante deste filme, mas confesso que não é filme para todo o tipo de público. 

Miss Peregrine's Home For Peculiar Children

Nome do Filme : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo Inglês : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo Português : “A Casa da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares”
Ano : 2016
Duração : 127 minutos
Género : Aventura/Fantasia
Realização : Tim Burton
Elenco : Ella Purnell, Asa Butterfield, Eva Green, Judi Dench, Samuel L. Jackson, Terence Stamp, Rupert Everett, Allison Janney, Finlay MacMillan, Lauren McCrostie, Georgia Pemberton, Raffiella Chapman, Pixie Davies, Hayden Keeler Stone, Milo Parker, Joseph Odwell, Thomas Odwell, Cameron King, Louis Davison, Kim Dickens, O Lan Jones, Philip Philmar, Jack Brady, Scott Handy, Jennifer Jarackas, George Vricos, Brooke Jaye Taylor, Nicholas Amer, Ioan Hefin, Shaun Thomas, Justin Davies, Chris O'Dowd.

História : Quando Jake (ou Jacob) era muito pequeno, ouvia o avô contar-lhe histórias sobre o orfanato onde cresceu. Nesse lugar viviam outras crianças, cada uma com o seu dom peculiar, e era administrado pela Senhora Peregrine, uma mulher dedicada que os protegia de todos os males. À medida que foi crescendo, Jake, agora com 16 anos, foi questionando a veracidade dessas histórias antigas. Mas quando o avô morre de uma forma inexplicável, o rapaz decide tentar encontrar o suposto lugar onde antes existia o tal orfanato. Lá, ele conhece uma linda menina com dons especiais chamada Emma Bloom, que o leva até uma outra época, onde ele encontra realmente a casa da Senhora Peregrine e as crianças peculiares que lá habitam. E fica a saber que o mundo dos seus recentes amigos se encontra ameaçado pelos “hollows”, uns monstros liderados pelo nefasto Barron. Compreende que apenas ele, com a sua peculiaridade, tem a capacidade de os ver, Jake descobre que pode dar um forte contributo para acabar com os problemas da Senhora Peregrine e das suas crianças especiais.

Comentário : Tim Burton está de volta com um novo filme e sempre que ele regressa, as pessoas já sabem aquilo que esperam de um filme seu : uma fotografia exemplar, um jogo das cores estonteante, cenários espectaculares, uma boa história que é igualmente muito bem mostrada, efeitos especiais usados de modo a favorecer o filme e a história, interpretações boas, personagens invulgares ou hilariantes, muita diversão e muita loucura cinéfila. O realizador tem filmes bons e outros menos conseguidos e ultimamente anda um pouco em baixo. Desta vez, Tim Burton adapta ao cinema um livro (capa original mais em baixo) de Ransom Riggs saído em 2011 que fez sucesso em parte, porque possui excelentes gravuras que ajudam a perceber a história. O livro em questão narra o conto de um menino que, depois de uma tragédia familiar terrível, segue pistas que o levam a um orfanato abandonado numa ilha. A história é contada através de uma combinação de narrativa e fotografias vernaculares dos arquivos pessoais de colecionadores listados pelo autor. Infelizmente, o realizador não explorou bem os personagens mirins e apostou mais no espectáculo.

Eu vou confessar uma coisa, quando vi o primeiro trailer, eu fiquei encantado com o que vi naqueles escassos minutos. Algo semelhante ao universo dos mutantes da Marvel, ou seja, seres humanos detentores de dons especiais, eu não gosto de chamar de poderes, prefiro o termo dons, porque é isso que as crianças destes dois universos possuem, são dons ou habilidades especiais. Não sei se o realizador tentou ou não ser fiel ao livro, mas sei que, pelo que li, ele alterou algumas coisas e isso não abona em nada a favor do filme, que mania essa dos realizadores ou dos estúdios alterarem factos originais dos livros em que os filmes se baseiam para contar algo mais pessoal e a gosto deles. Isso sempre foi uma coisa que eu achei muito mal, porque estraga a magia da coisa. Por exemplo, Peter Jackson alterou imensa coisa nos seus seis filmes da Terra Média em relação aos livros do Tolkien. Mas existem imensos outros exemplos dessa atitude e os resultados na maior parte dos casos, é mau. Outra coisa que me enerva bastante é o facto de colocarem actores veteranos e consagrados em papéis inúteis ou mais fracos, por exemplo, não percebo porque motivo Judi Dench, Samuel L. Jackson ou mesmo Terence Stamp aceitaram entrar nisto, eles são três poderosos actores que não necessitam de se sujeitarem a estes papéis ridículos para sobreviver, eles deviam aceitar papéis em filmes mais de cariz independente e fitas mais sérias. Mas casos destes existem imensos lá para as bandas de Hollywood. 

Miss Peregrine's Home For Peculiar Children” não é dos melhores filmes de Tim Burton, mas como produto final, resulta bastante bem, tendo os seus maiores destaques nos efeitos especiais, na componente visual e nas prestações de quase todas as crianças e jovens envolvidos. O mesmo não se pode dizer dos actores adultos, quase todos tiveram prestações que roçam o fraco, até mesmo Eva Green, não convenceu, ainda que tenha sido a melhor dos adultos. Samuel L. Jackson está ridículo neste filme, veja-se por exemplo, a cena em que Emma Bloom com o seu sopro o encosta a uma parede, enquanto Jake faz uns procedimentos numa sala. Ele é um vilão muito mal construído e muito fraco e ridículo. Aliás, todos os inimigos neste filme são fúteis e nada dignos desse nome. É bom ver as crianças a exibir os seus dons e as suas habilidades, elas são interessantes (Emma Bloom é fantástica). O filme abusa um pouquinho no CGI e isso nota-se. A cena do barco, por exemplo, o barco serve muito bem naquela parte em que Emma mostra para Jake como consegue retirar toda a água daquela sala usando os seus magníficos dons, no entanto, não era necessário o realizador voltar a insistir novamente no barco mais à frente, naquela sequência onde ele é aproveitado para a missão. 

O filme é assim, um prodígio visual, como só Tim Burton sabe facultar, mas a sensação de repetição paira sempre no ar. O realizador já fez melhor em outros filmes, no entanto o filme é o seu melhor registo desde “Sweeney Todd”. Desta vez, ele não precisou do muito usado e estragado Johnny Depp, mas teve entre mãos excelentes pequenos actores e pequenas actrizes, crianças muito talentosas que estiveram muito bem nos seus papéis, repito, os pequenos atores e as pequenas atrizes são a alma deste filme, nesse aspecto, o filme faz justiça ao titulo, ainda que as suas personagens (personalidade e dom) não tivessem sido mais bem trabalhadas e exploradas. Os adultos apenas tiveram que cumprir os mínimos a que os seus papéis os obrigaram. A minha personagem preferida é, claramente a Emma Bloom, da linda e talentosa jovem actriz Ella Purnell (Wildlike), ela é a melhor personagem do filme, teve uma excelente interpretação. O nosso protagonista, Asa Butterfield (Hugo), vai mais ou menos, ele acaba por ser o grande foco da fita enquanto personagem principal do longa, embora a sua interpretação não me tenha convencido minimamente. Adorei as cenas de Emma a voar e a pairar no ar (razão pela qual a escolha do poster), aquela cena em que ela descalça as botas, voa até ao cimo da árvore e devolve um esquilo ao seu ninho está brutal. Ou ainda aquelas cenas em que ela vai a voar, sendo levada por Jake. Mas as melhores cenas do filme são aquelas em que Emma mostra os seus outros dons no salão do barco, bem como as cenas debaixo de água. Possivelmente, tem o melhor dom de todas as crianças, as coisas que ela consegue fazer são notáveis. A química dela com Jake funciona em algumas cenas, noutras nem tanto, da parte dela tudo corre bem, mas ele não faz bem a parceria, ele não ajuda a miúda. A cena do beijo deles está ridícula, tudo muito falso, fez-me lembrar cada vez que Ginny Weasley beijava Harry Potter na boca, tudo muito artificial. No caso do beijo entre Emma e Jake aconteceu a mesma coisa. No fundo, o filme é bom, Tim Burton consegue assim, mais um excelente entretenimento, mas falha naquilo que eu disse anteriormente, o cineasta podia ter-se focado e investido mais nas crianças peculiares, nas relações entre elas, nas suas personalidades e nos seus dons, certamente daria um filme melhor ou não fossem elas (as crianças e os jovens) a essência e o melhor do livro.


Friend Request

Nome do Filme : “Friend Request”
Titulo Inglês : “Friend Request”
Titulo Alternativo : “Unfriend”
Titulo Português : “Pedido de Amizade”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : Simon Verhoeven
Elenco : Alycia Debnam Carey, William Moseley, Connor Paolo, Brooke Markham, Brit Morgan, Sean Marquette, Liesl Ahlers, Lee Raviv, Shashawnee Hall, Susan Danford.

História : Laura é uma adolescente popular na sua universidade, que vai partilhando todos os pormenores da sua vida social com os seus cerca de 800 amigos do facebook. Mas um dia, depois de aceitar um misterioso pedido de amizade de uma pária social chamada Marina, a sua vida torna-se estranha. No entanto, a sua situação piora quando ela deleta a tal rapariga da lista de amigos do facebook, assim, a sua vida é amaldiçoada e os seus melhores amigos começam a morrer num encadeamento de situações cruéis e insólitas. Antes que algo de mal lhe aconteça a ela, Laura vai ter de resolver o mistério por detrás da tal Marina e do seu perfil de facebook, de modo a quebrar o feitiço que se abateu sobre si.

Comentário : Este filme funcionou para mim como mais uma desilusão no que ao terror diz respeito. Não por culpa dos atores, a maior parte deles esteve até muito bem com as suas prestações convincentes e aceitáveis, com destaque claro para a nossa protagonista, a linda e talentosa Alycia Debnam Carey (foto em baixo). Ela e a sua personagem são o melhor do filme. O argumento é fraco e o realizador usa uns quantos “jumpscares”, alguns funcionam, outros nem tanto. O filme nos oferece muita inverossimilhança em algumas cenas, certas coisas não fazem sentido nenhum e outras nunca são devidamente explicadas.O evoluir da personagem da rapariga solitária é algo muito forçado, estão sempre a arranjar ao longo do filme motivos cada vez piores para tornar a jovem ainda mais detestável, o que representou uma opção muito errada. Algumas cenas de terror são fracas e não causam qualquer impacto, tem outras que surgem do nada e não fazem qualquer sentido, muito menos servem a narrativa e o filme em si.

Pessoalmente, valorizo imenso os posters dos filmes, no caso deste (imagem em cima), temos um bom cartaz, gostei bastante. Voltando à personagem da rapariga solitária, ela funciona muito mal, nós não sentimos nem repulsa por ela quando o devíamos sentir e muito menos sentimos pena dela, quando chega a altura para tal sentimento. Ela simplesmente não funciona. E o final, é muito fraco e bastante ridículo, não gostei nada do final deste filme, era melhor o terem terminado em aberto. O filme funciona unicamente devido à presença e ao desempenho da personagem principal, os actores e as actrizes que desempenharam os seus amigos mais chegados também ajudaram com as suas prestações convincentes, mas a fita falha em tudo o resto e nos oferece um tipo de terror que já se encontra ultrapassado. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

The Daughter

Nome do Filme : “The Daughter”
Titulo Inglês : “The Daughter”
Titulo Português : “A Filha”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Simon Stone
Elenco : Odessa Young, Miranda Otto, Ewen Leslie, Sam Neill, Geoffrey Rush, Paul Schneider, Anna Torv, Wilson Moore.

História : Longe de casa há anos, Christian volta para o casamento do seu velho pai. Relembrando o passado, ele reencontra o seu melhor amigo, Oliver, e a sua família, que o levará a descobrir um segredo há muito tempo enterrado. Mas enquanto tenta corrigir os erros do passado, os seus actos ameaçam destruir as vidas daqueles que ele deixou para trás anos antes.

Comentário : Não devia ser segredo para quem me segue neste espaço que o meu tipo de filme preferido são aqueles filmes que abordam os relacionamentos e os sentimentos humanos, e a vida do ser humano no geral. Posto isto, devo dizer que adorei este filme. O realizador trabalha muito bem o lado humano das personagens e leva o seu elenco principal quase à exaustão no que ao lado interpretativo diz respeito. Nesse campo, Paul Schneider tem aqui uma das melhores e ingratas prestações da sua carreira, que papel tão injusto lhe deram. No papel de seu melhor amigo, Ewen Leslie ainda consegue estar melhor que ele e possui uma interpretação muito boa, mais vincada perto do final do filme e numa das últimas cenas do longa. Sam Neill e Geoffrey Rush estão impecáveis, mas pouco têm a fazer no filme, na minha opinião funcionam aqui mais como atores secundários do que outra coisa, ainda que tenham personagens bem relevantes para a história. Miranda Otto também vai muito bem, tendo igualmente um ingrato papel. No papel do “namorado” da miúda protagonista, o jovem Wilson Moore é uma personagem praticamente descartável e esquecível, ele não serve para nada no filme.

Ainda no campo das interpretações, o destaque vai para a bonita e jovem actriz Odessa Young, ela tem uma forte presença em tela e é na sua personagem que se concentram as grandes emoções humanas a que o argumento obriga. Ela é a miúda protagonista, ela é a filha do titulo, um titulo que funciona como uma espécie de spoiler, eu jamais chamaria este filme por esse nome. Odessa Young possui assim uma excelente prestação. O filme tem ainda uma boa fotografia e um bom argumento, que aborda as relações humanas de forma muito eficaz, como poucos filmes têm a coragem de o fazer. O filme peca pelo facto de tudo acontecer depressa demais, parece que o director quis condensar todos os acontecimentos de forma a que a fita não tivesse mais de hora e meia de imagens. Tal como tudo sucede depressa demais, termina igualmente rápido demais, os últimos vinte minutos são uma sucessão vertiginosa de acontecimentos que culminam num final um pouquinho mais tranquilo para Hedvig, mas que diverge totalmente daquilo que estávamos à espera. Este é daqueles filmes em que eu não me importava que acabasse mal, quem já o viu sabe do que estou a falar. O filme possui uma carga dramática muito forte, algumas cenas que compõem o elo da miúda com o trio Otto-Leslie-Rush são a prova disso. Temos cenas muito bonitas e outras bem complexas. Bom filme. 

domingo, 18 de setembro de 2016

Sully

Nome do Filme : “Sully”
Titulo Inglês : “Sully”
Titulo Português : “Milagre No Rio Hudson”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Clint Eastwood
Elenco : Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Valerie Mahaffey, Delphi Harrington, Mike O'Malley, Jamey Sheridan, Anna Gunn, Holt McCallany, Katie Couric, Molly Bernard, Chris Bauer, Jane Gabbert, Molly Hagan, Sam Huntington, Christopher Curry, Cooper Thornton, Autumn Reeser, Patch Darragh, Tracee Chimo.

História : A história verídica de Chesley Sullenberger, o piloto de aviação que, em 2009, aterrou de emergência no Rio Hudson, em Nova Iorque, e evitou que 155 pessoas morressem.

Comentário : Pois é, Clint Eastwood continua a dar-nos bom cinema, mas muito longe da qualidade de obras como “Imperdoável”, “Mystic River”, “Milion Dollar Baby” e “Gran Torino”. Em “Sully”, já se nota o peso da idade do realizador, veja-se, por exemplo, a duração do filme, os seus filmes costumam ultrapassar as duas horas de duração, este fica-se pela hora e meia. Outra coisa que não gostei foi da narrativa não ser certa, o cineasta estava sempre a saltar do presente para o passado e do passado para o presente, o que funciona em alguns filmes, neste a coisa não resultou e fez com que eu ficasse saturado, porque as coisas não aconteciam do modo natural. Depois temos três personagens ridículos, lá está, a parte cómica que o estúdio exige neste tipo de cinema, detestei aqueles três personagens. Para terminar o que eu não gostei, achei de muito mau gosto aquela piada no julgamento por parte do co-piloto, que coloca toda a audiência a rir, simplesmente patético.

Como aspectos positivos, a parte técnica está perfeita e os efeitos especiais ajudam a história e servem o filme, normalmente acontece o contrário. Tom Hanks tem aqui mais uma excelente interpretação e Aaron Eckhart surpreende pela positiva, num dos poucos personagens sérios e reais da sua carreira. A fotografia é boa e o som é um dos principais trunfos da longa. O filme está muito realista, a componente humana foi muito bem explorada, o realizador trabalhou muito bem a componente sentimental do personagem que dá titulo à fita. Podemos contar com bons momentos de suspense, embora o filme não seja pertencente a esse género. Toda a parte da apreciação do que aconteceu, perto do final do filme, é um pouco seca, mas funcionou em parte, porque tudo mostrado até então funcionou muito bem, repito, apesar da narrativa saltitante não ter sido a melhor opção no caso deste filme e desta história. Queria-se, portanto, uma coisa escorrida com principio, meio e fim. Um último reparo, o filme possui um lado documental acentuado, embora seja claramente uma obra de ficção. 

From Afar

Nome do Filme : “Desde Allá”
Titulo Inglês : “From Afar”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Lorenzo Vigas
Produção : Lorenzo Vigas/Guillermo Arriaga
Elenco : Alfredo Castro, Luis Silva, Jerico Montilla, Catherina Cardozo, Jorge Luis Bosque, Greymer Acosta, Auffer Camacho, Ivan Pena, Joretsis Ibarra, Yeimar Peralta, Scarlett Jaimes, Ernesto Campos, Marcos Moreno, Ali Rondon, Oswaldo Chacha.

História : Armando é o dono de um laboratório de próteses dentárias, que costuma caminhar pela cidade de Caracas, buscando aproximar-se de rapazes. Ele oferece dinheiro para que os jovens o acompanhem até sua casa, para que possa masturbar-se diante da sua nudez. Um dia, Armando faz a oferta a Elder, que lidera um gangue local. Revoltado e desconfiado por natureza, Elder aceita a oferta mas, na casa de Armando, agride-o e rouba o seu dinheiro. Esse é o início de um complexo relacionamento entre eles, já que Armando volta a procurá-lo e Elder precisa de dinheiro.

Comentário : Esta co-produção entre a Venezuela e o México foi o grande vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza do ano passado. Mas confesso que até me custa a acreditar que não tenham havido melhores filmes a concurso nesse ano e nesta categoria. Não que o filme em questão seja mau, muito longe disso, estamos perante um bom filme. Mas, o tema já está tão batido que de original o filme nada tem para nos oferecer. O filme aborda uma relação homossexual complicada entre um homem de cerca de cinquenta anos de idade com um jovem rapaz pobre. O começo é algo muito atribulado, mas depois as coisas compõem-se, embora o final seja totalmente inesperado, pelo menos para mim. O filme segue a um bom ritmo com o homem sempre “na cola” do rapaz, a vigiar os seus passos, ele até chega a conhecer a família do puto, gerando uma situação muito complicada para o jovem. Algumas coisas no filme não encaixam bem, não vou entrar em detalhes para não ser forçado a usar spoilers, mas asseguro que certas atitudes de Armando não fazem muito sentido. No papel do velho Armando, Alfredo Castro nos oferece uma excelente prestação e o mesmo se pode dizer do jovem actor Luis Silva, os dois entregaram-se totalmente e abertamente aos seus papéis e a empatia entre os dois, mesmo quando estão zangados, funcionou muito bem. Estamos perante um filme mediano, mas que transborda cinema. 

Abzurdah

Nome do Filme : “Abzurdah”
Titulo Inglês : “Abzurdah”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Daniela Goggi
Elenco : Eugenia Suarez, Esteban Lamothe, Gloria Carra, Rafael Spregelburd, Julieta Gullo, Tomas Ottaviano, Zoe Hochbaum, Lucia Pecrul, Julieta Vetrano, Malena Sanchez, Dana Basso, Paula Kohan,

História : Uma jovem rapariga inicia uma relação amorosa com um homem mais velho que a vai destruíndo aos poucos.

Comentário : Vi este filme argentino biográfico sobre Cielo Latini, a jovem que se tornou anoréctica e que tentou o suicídio, tudo por causa de uma relação não correspondida. Ela iniciou uma relação com um homem dez anos mais velho que ela que, apesar de no início ter corrido bem, depressa ele passou a evitá-la porque ia arranjando outras. A jovem não aceitou o desprezo dele e muito menos o fim da relação, ficou doente e quase perdeu a vida. Apesar de ter aspecto de tele-filme, a fita em causa transpira cinema, sem cair no lado lamechas que os filmes americanos do género vão sempre parar. O evoluir do estado degradante da protagonista é impressionante, parece mesmo que estamos a viver a situação. Eugenia Suarez tem uma interpretação fenomenal, até já recebeu um bem merecido prémio por isso.

O argumento é forte e a realizadora consegue nos transmitir o desespero que estas jovens sentem quando se encontram naquela situação. Facilmente simpatizamos com a protagonista, além de ser linda, é uma jovem como tantas outras, com sonhos e desejos. A actriz possui uma forte presença na tela, aliás, ela carrega o filme todo às costas, pelo que a realizadora depositou e bem nela todas as expectativas. O actor Esteban Lamothe faz bem o papel do nojento que se aproveita da “ninfeta”, usando e abusando dela sempre que lhe apetece, isto porque aproveita-se do facto da miúda estar loucamente apaixonada por ele. Depois de se fartar dela, passa a ignorá-la. O filme foca também como são a maioria dos homens, eles usam e abusam das mulheres até se cansarem delas e aproveitam-se do facto delas se sentirem sentimentalmente ligadas a eles, apenas querem sexo e recusam uma relação séria. A realizadora quis focar vários temas neste filme e conseguiu abordá-los de maneira bastante eficaz. Destaque também para o facto de algumas famílias não repararem nem se interessarem pelo tipo de vida que os filhos levam. Na actualidade e no mundo que vivemos, este filme serve de alerta para todos aqueles pais que têm em casa uma filha adolescente. 

Polednice

Nome do Filme : “Polednice”
Titulo Inglês : “The Noonday Witch”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Drama
Realização : Jiri Sadek
Elenco : Anna Geislerova, Karolina Lipowska, Daniela Kolarova, Zdenek Mucha, Jiri Strebl, Marie Ludvikova, Halka Tresnakova, Marek Pospichal, Tomas Bambusek, Petr Kocourek, Zdeneck Palusga, Pavel Moravec, Petr Klimes.

História : Num verão não usual, uma mulher muda-se com a filha pequena para a vila de onde o seu marido é natural. O regresso delas está associado com um mistério que todos parecem estar cientes, menos a menina. O calor aumenta e a água falta em casa, e a criança começa a perceber as coisas, devido ao comportamento sempre preocupado da mãe.

Comentário : Este filme venceu a edição do festival motel x deste ano, coisa que eu não percebo e explico porquê. Na ficha técnica do filme vem a dizer que além de ser um drama, é igualmente um filme de terror, mas eu não vi terror algum durante a projecção. Podemos contar com algumas cenas que parecem sair de um filme de terror, mas não passam disso mesmo, de cenas complementares, que auxiliam a história. Não se pode dizer que este é um filme de terror. A fita segue a um ritmo muito calmo, quase se sente o tempo abafado em que as personagens vivem, falo do tal calor. A fotografia é muito boa e isso nota-se mais nas cenas que decorrem em exteriores, no campo de cereais, por exemplo. O argumento é estranho e não nos faculta as informações que precisamos saber, por exemplo, nunca se chega a saber o que sucedeu ao pai da miúda e porque motivo a mãe esconde essa morte da filha. No papel da protagonista e da mãe da miúda, Anna Geislerova convenceu com a sua brilhante interpretação. No papel de filha, a pequena Karolina Lipowska teve uma prestação bastante a cima da média, e a miúda destaca-se igualmente por possuir uma presença bem forte na tela. O filme peca por quase nada acontecer durante os quase noventa minutos, os sustos praticamente não existem, apesar de aparecer uma figura sinistra, ela não causa qualquer impacto. Trata-se de bom cinema europeu, embora eu confesso que esperava mais deste filme. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Julieta

Nome do Filme : “Julieta”
Titulo Inglês : “Julieta”
Titulo Português : “Julieta”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Pedro Almodóvar
Elenco : Emma Suarez, Adriana Ugarte, Blanca Parés, Rossy Palma, Michelle Jenner, Daniel Grao, Inma Cuesta, Dario Grandinetti, Nathalie Poza, Pilar Castro, Priscilla Delgado, Susi Sanchez, Mariam Bachir, Bimba Bose, Sara Jimenez, Joaquin Notario, Esther Garcia, Jimena Solano, Elena Benarroch, Maria Mera, Lola Garcia.

História : A história de vida de Julieta é contada, desde os seus 25 anos até à actualidade, tendo como focos principais a sua relação com o marido e com a sua única filha.

Comentário : Antes de mais tenho que dizer que gosto de muitos dos filmes da carreira de Pedro Almodóvar enquanto realizador, embora hajam uns quantos que eu não simpatizei tanto. Mas com este “Julieta”, o cineasta regressa à sua zona de conforto que é contar histórias sobre mulheres, e isso ele sabe fazer na perfeição. Diria mesmo que Pedro Almodóvar é dos poucos cineastas que conhece e compreende o ser feminino, que entende a mulher enquanto ser humano. E limita-se a contar histórias sobre esses maravilhosos seres. Neste seu novo filme e sem nos facultar muitos dados sobre as duas, ele mostra-nos a delicada, complicada e complexa relação de uma mãe com a sua filha. Aqui, quase tudo é devidamente explicado e pouca coisa fica por dizer, apesar do final não mostrar aquilo que estávamos à espera de ver. O filme tem cenas de sexo, outra das marcas de referência do cineasta, embora aqui surjam muito menos e apenas sirvam para contar a história.

Gostei do facto dele ter colocado desta vez a componente sexual um pouquinho de parte, se concentrando mais no lado humano das personagens. E olhem que esta é uma história com uma grande carga dramática, vista em algumas das melhores obras do realizador. E Almodóvar fez bem em ter apostado mais nessa componente. Pessoalmente, gostei bastante deste filme e outro factor positivo foram as prestações de Emma Suarez e de Adriana Ugarte, a primeira fez a versão mais adulta da personagem, enquanto que a segunda desempenhou igualmente bem a versão jovem da mesma, ambas estiveram perfeitas e são o melhor do filme. O argumento foi muito bem escrito e isso notou-se na articulação das cenas, foi tudo muito bem montado. É um daqueles filmes que nos mostra a vida como ela é, difícil e cheia de desgostos e dramas. O filme é bastante fácil de se perceber, difícil é compreender a dor e o sofrimento que uma mulher como Julieta enquanto mãe sente, quando uma situação destas acontece. Um dos filmes mais sérios e humanos de Pedro Almodóvar. 

Café Society

Nome do Filme : “Café Society”
Titulo Inglês : “Café Society”
Titulo Português : “Café Society”
Ano : 2016
Duração : 96 minutos
Género : Comédia Dramática/Romance
Realização : Woody Allen
Elenco : Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Blake Lively, Parker Posey, Steve Carell, Jeannie Berlin, Ken Stott, Corey Stoll, Sheryl Lee, Paul Schackman, Richard Portnow, Sari Lennick, Stephen Kunken, Laurel Griggs, Anna Camp, Paul Schneider.

História : Nos anos 1930, Bobby é um aspirante a escritor que resolve mudar-se de New York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda do seu tio Phil, um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie, a secretária do tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

Comentário : O filme fala do personagem Bobby em dois momentos da sua vida : em Los Angeles onde ele se apaixona pela secretária do seu tio; e em New York trabalhando num clube nocturno frequentado pela alta sociedade. Como a fita é realizada pelo excelente director Woody Allen espera-se que o filme tenha belíssimas interpretações, um bom uso das cores, um sentido cómico muito apurado, diálogos irónicos e rápidos, belas composições visuais e um jogo de camara muito clássico e característico dele. Logo na primeira sequência onde decorre uma festa, dá para notar isso, ou seja, a maneira muito peculiar de filmar de Woody Allen, que obtém aqui um plano em que a camara parte de um canto da piscina e “levita” pelo lado lateral, indo ao encontro dos convidados que estão numa mesa inicial. Isso também é perfeitamente visível numa excelente sequência na praia, onde a camara está parada à entrada de uma gruta e o director joga apenas com os actores e seus respectivos movimentos, possivelmente as melhores cenas do filme. E o que dizer daquela sequência que decorre numa casa nocturna onde está uma mulher a cantar em que a camara percorre o espaço e depois filma circularmente alguns convidados, estas são apenas três provas que se podem encontrar neste filme que demonstram a mestria do realizador na arte de filmar. A fotografia é outro ponto de referência neste filme, fizeram um excelente uso da cor, dando em pleno o aspecto visual daquela época. A recriação de época está impecável, com principal destaque para os espaços, cenários e principalmente para a cor. 

No entanto, o filme tem vários clichés e evocações a produções passadas do realizador muito superiores a esta. Lamentável é também o facto do realizador usar as mesmas técnicas usadas em filmes anteriores, como por exemplo, estar a narrar os acontecimentos, ou seja, ele peca por contar, quando devia mostrar. A fita fala-nos de um triângulo amoroso não muito original mas divertido, mas pareceu que faltou uma conclusão para isso. Surgem sub-histórias que em nada contribuem para o núcleo central da trama, sendo a narrativa e o argumento os pontos mais fracos do filme. Jesse Eisenberg está muito bem no seu papel, parece quase uma imitação do próprio Woody Allen, com todo o seu estilo, tiques e maneirismos. Kristen Stewart evolui bem na sua personagem, mas é um pouquinho abafada por Blake Lively, que tem uma prestação muito boa. Steve Carell dá um vilão compreensível e nada detestável, cujas más atitudes se percebem. Por último, Parker Posey e Corey Stoll dão boas interpretações de apoio, mesmo que a história deles pareça pertencer a outro filme. Em resumo, Woody Allen consegue assim mais um bom filme, mas muito longe da qualidade dos seus melhores trabalhos cinematográficos, grande parte deles dos anos 70, 80 e 90. É um bom filme, mas peca por ser mais do mesmo, tudo porque o realizador recusa-se a sair da sua zona de conforto. Um último reparo, gosto muito de grande parte dos filmes do realizador e também o aprecio enquanto pessoa, Woody Allen é uma figura única. 

Love & Friendship

Nome do Filme : “Love & Friendship”
Titulo Inglês : “Love And Friendship”
Titulo Português : “Amor & Amizade”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Whit Stillman
Elenco : Kate Beckinsale, Morfydd Clark, Chloe Sevigny, Stephen Fry, Tom Bennett, Jenn Murray, Lochlann O'Mearain, Sophie Radermacher, Xavier Samuel, Emma Greenwell, James Fleet, Justin Edwards, Kelly Campbell, Jemma Redgrave, Sylvie Benoiton, Daniel Magee.

História : Nos anos 1790, uma interesseira e egoísta viúva procura um marido para si e para a sua bonita filha.

Comentário : Gosto de filmes de época e tinha obrigatoriamente de ver este pequeno filme com a linda Kate Beckinsale como protagonista. É importante dizer que não é a primeira vez que o realizador junta Kate Beckinsale e Chloe Sevigny num mesmo filme, já aconteceu antes. Este tipo de fitas acabam sempre por nos deslumbrar, não somente devido aos excelentes guarda-roupa, mas também devido às suas bandas sonoras e cenários. Neste filme, esses três factores estão impecáveis. O argumento é bom, embora eu tenha que confessar que dispensava o humor existente em algumas cenas. Gostei da história, segue cuidadosamente uma mulher, a sua filha e a sua melhor amiga, as três com interesses bem diferentes, mas que acabam por se fundir devido às carências da época. Naquela época, era muito importante para uma mulher arranjar depressa um marido que lhe desse filhos saudáveis, caso contrário, a mulher ficava muito mal vista.

Falando das interpretações, claramente que o destaque vai todo para a doce e linda Kate Beckinsale, que carrega boa parte da fita às costas com uma poderosa prestação e com uma imponente figura naqueles maravilhosos trajes e vestidos do século dezoito. Chloe Sevigny e Morfydd Clark também tiveram interpretações bastante aceitáveis, gostei imenso de as ver e as suas personagens cativaram-me. Além disso, a química entre as duas jovens e Kate Beckinsale funcionou muito bem e isso notou-se. Também gostei de ter revisto o veterano Stephen Fry, que grande ator. Não gostei de terem dado pouco destaque às duas crianças que surgem no filme, afinal elas faziam também parte da família. Também não gostei da forma como o realizador apresentava as personagens principais, com os seus nomes na imagem em pleno filme. A maioria dos personagens conseguiram simular os maneirismos próprios das pessoas daquela época e isso é de salientar. Adorei a personalidade manipuladora da Susan Vernon de Kate Beckinsale, possivelmente a melhor personagem da fita. Ela tinha uma lábia e arranjava sempre uma maneira ardilosa das pessoas que estavam à sua volta fazerem o que ela pretendia. Veja-se por exemplo, a conversa que ela tem com o seu pretendente, que tinha como finalidade cancelar o compromisso com ele, para se entregar a outro. Actriz e personagem funcionaram e combinaram na perfeição e é isso o melhor deste filme. 

The Smell Of Us

Nome do Filme : “The Smell Of Us”
Titulo Inglês : “The Smell Of Us”
Titulo Português : “O Cheiro de Nós”
Ano : 2014
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Larry Clark
Elenco : Diane Rouxel, Lukas Ionesco, Hugo Behar Thinieres, Theo Cholbi, Ryan Ben Yaiche, Adrien Binh Doan, Terin Maxime, Eva Menis Mercier, Serena Perret, Valentin Charles, Dominique Frot, Niseema Theillaud, Valerie Maes, Jean Christophe Quenon.

História : O quotidiano de quatro jovens skaters e as suas tendências auto-destrutivas, que se movem pela cidade se prostituindo com adultos para obter dinheiro.

Comentário : Sendo “Kids”, “Bully” e “Ken Park” os seus três filmes de referência, o realizador Larry Clark continua com a camara na mão a filmar os adolescentes e a essência daquilo que ele julga ser a adolescência. Se não contarmos com “Marfa Girl” e respectiva sequela, este “The Smell Of Us” é o seu novo filme. Estamos a pisar o mesmo terreno pantanoso, aquele que Clark faz questão de pisar, o universo dos adolescentes, bem como os seus problemas. Mas aqui, numa qualidade menor do que a existente nos três títulos referidos inicialmente. Larry Clark sempre foi um bom director a trabalhar com os adolescentes, filma-os como nenhum outro. A sua camara à mão está quase sempre nos rostos deles ou delas e nos seus corpos, virando-se igualmente para o espaço envolvente, sem nunca perder o seu foco. Neste filme, o realizador perde-se um pouco, porque investe demais na temática da sexualidade, quando nós sabemos que a adolescência tem outros focos mais interessantes, como a beleza da juventude ou os seus comportamentos, principalmente das raparigas.

Pessoalmente, gostei deste filme porque sou um grande admirador do tipo de cinema que Larry Clark pratica. A adolescência é a fase mais complicada na vida de qualquer ser humano e é nessa fase complexa que as personalidades dos jovens se vincam e se formam, tornando-os os adultos de amanhã. E Larry Clark sabe muito bem disso. Não é a primeira vez que ele entra no mundo dos skaters, já o tinha feito no razoável “Wassup Rockers”, mais uma vez consegue nos facultar o modo deles fazerem essa actividade. No caso deste filme, a melhor cena para mim, é aquela em que se vê a miúda do grupo a ajudar na queima do carro. Já a pior cena para mim, foi aquela em que Math está com a mãe naquele sofá, que sequência tão deprimente e desoladora, no caso da mãe, a que ponto chegam as pessoas, até dói só de ver estes casos. O filme tem muitas cenas de sexo, mas não é aquele sexo explícito, como em “Ken Park”, por exemplo. Há cenas onde os jovens metem uma mão dentro dos calções, mexem no pénis e depois cheiram a mão, como se gostassem do cheiro a sexo. Possivelmente, vem daí o titulo do filme, o cheiro ao sexo deles. Numa das cenas iniciais, vê-se um rapaz a fazer sexo oral a uma rapariga, uma cena muito bem filmada, mas que não mostra o essencial. Resumindo, este filme é razoável, o realizador consegue mais uma vez penetrar e bem no mundo dos adolescentes, sempre o fez bem nos seus filmes anteriores, mas aqui abusa um cadinho na componente sexual, deixando de lado outros temas mais importantes relacionados com estes seres tão fascinantes. Um filme raro. 

The Dead Room

Nome do Filme : “The Dead Room”
Titulo Inglês : “The Dead Room”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Terror/Suspense
Realização : Jason Stutter
Elenco : Laura Petersen, Jeffrey Thomas, Jed Brophy.

História : Quando uma família abandona a sua casa devido ao facto desta estar assombrada, entram em campo três elementos do departamento dos assuntos ligados ao paranormal, que vão para a tal casa dispostos a descobrir o que realmente se passa. Terão que lidar com dois espíritos com intenções bem distintas.

Comentário : Na manhã desta segunda-feira vi este pequeno filme de terror que tenho que confessar ter pouco de terror, é mais suspense. Quem gostou dos filmes das sagas “Poltergeist”, “The Conjuring” e “Insidious”, vai certamente gostar deste filme, embora a fita em causa não seja possuidora da mesma qualidade da maioria dos filmes dessas franchises. Pode-se dizer que o filme tem apenas três actores em campo, ou pelo menos, é somente em três personagens que a fita se centra e são só eles que aparecem na maior parte dos cerca de 75 minutos de imagens. Depois, temos uns poucos personagens secundários que apenas surgem por surgir, penso que são somente os polícias e mais um ou outro. O filme segue-se bem, a um ritmo um pouquinho lento, o argumento até é apresentável, apesar de alguns erros. Temos alguns sustos, nomeadamente e em parte devido à componente sonora que funciona bastante bem. Temos muitos objectos que se movem sozinhos e camaras espalhadas pela casa, na tentativa de apanhar na filmagem algum espírito. Não é um filme muito escuro, aliás a fotografia é razoável. A nível das prestações, os três estiveram muito bem, com destaque merecido para a jovem actriz Laura Petersen, cuja interpretação é bastante convincente. O evoluir dos acontecimentos e ao que isso leva é interessante, mas o final estraga tudo o que foi contado e mostrado até então e é lamentável que assim tenha sido. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Don't Breathe

Nome do Filme : “Don't Breathe”
Titulo Inglês : “Don't Breathe”
Titulo Português : “Nem Respires”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Thriller/Terror/Suspense
Realização : Fede Alvarez
Elenco : Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto, Stephen Lang, Emma Bercovici, Franciska Torocsik.

História : Três jovens criminosos de Detroit ganham a vida a assaltar casas cuja segurança é garantida pela empresa do pai de um deles. Um dia, recebem uma dica de que a casa de um velho veterano num bairro pobre da cidade está cheia de dinheiro que ele recebeu quando uma senhora rica matou a sua filha num acidente de carro. Quando vão vigiar a casa para tratar do assalto, descobrem que ele é cego e pensam que, por isso, a tarefa deles está muito facilitada. Mal sabem eles que não podiam estar mais enganados.

Comentário : Na manhã desta sexta-feira vi este filme que tanta gente tem falado bem. Confesso que as suspeitas confirmam-se, o filme é bom e, dentro do género, está bastante aceitável. Ao início, as coisas custam a arrancar, mas depois e a partir de um dado momento, tudo passa a correr sobre rodas. O argumento é bom, embora tenha alguns exageros e um ou outro erro. O cão é um elemento importante para o desenvolvimento da história, confesso que deu e muito bem o seu contributo, originando duas cenas aflitivas. As personagens principais neste filme são duas, o homem cego, muito bem interpretado por Stephen Lang; e a jovem Jane Levy, aqui no papel da miúda que escapa a tudo, embora neste caso, muito debilitada, a actriz possui a melhor prestação da fita. Os dois atores que fizeram as personagens de seus amigos do crime estiveram razoáveis. A partir de uma certa altura, o clima de tensão e a violência física passam a estar sempre presentes e vão aumentando à medida que as coisas vão fugindo ao controlo dos três jovens criminosos. Aos poucos, vão-se descobrindo novas coisas sobre o passado e até o presente daquele homem cego, a cave esconde o seu maior segredo. O realizador joga também muito bem com os silêncios, nos facultando algumas cenas bastante angustiantes. Gostei do desenrolar dos acontecimentos e gostei igualmente do final do filme, embora tenha que confessar que era preferível o cego ter terminado no porão, e mais não digo. Um dos filmes mais aflitivos deste ano que possui um poderoso clima de tensão, suspense e claustrofobia.