Nome
do Filme : “Deepwater Horizon”
Titulo
Inglês : “Deepwater Horizon”
Titulo
Português : “Horizonte Profundo – Desastre No Golfo”
Ano
: 2016
Duração
: 107 minutos
Género
: Biográfico/Histórico/Drama
Realização
: Peter Berg
Elenco
: Mark Wahlberg, Kate Hudson, Stella Allen, Kurt Russell, John
Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O'Brien, Ethan Suplee, Henry Frost,
Jeremy Sande, Douglas M. Griffin, James DuMont, Joe Chrest, Brad
Leland, David Maldonado, Robert Walker Branchaud, Jason Kirkpatrick,
Jonathan Angel.
História
: Construída em 2001, a Deepwater Horizon era uma plataforma
petrolífera semi-submersível situada ao largo da costa do estado do
Louisiana, nos E.U.A. Em abril de 2010, sem que nada o pudesse
prever, explodiu. Como resultado, 11 pessoas morreram, 17 ficaram
feridas e milhões de litros de crude alastraram para as águas do
Golfo. Cerca de 1700 quilómetros de zonas húmidas e praias ficaram
poluídas e os “habitats” de centenas de espécies marinhas e
fauna foram afectados ou destruídos, naquela que é ainda hoje
considerada a maior tragédia marítima contra a natureza da história
dos Estados Unidos. Um dos funcionários da plataforma, Mike
Williams, um engenheiro experiente que ali trabalhava há já vários
anos, na manhã de 20 de Abril de 2010, despede-se da esposa e da
filha pequena e dirige-se ao seu local de trabalho. Nesse dia, Mike
Williams nunca imaginou a tragédia que estava prestes a acontecer :
o maior desastre ecológico de sempre na história dos Estados
Unidos.
Comentário
: Antes de mais, tenho que dizer que senti um enorme clima de tensão
e pressão ao longo deste filme. Isto porque o filme está muito bem
concebido e o espectador fica convencido do que aconteceu. Embora
tenha que confessar que podiam ter ido mais além no aspecto de
denegrir a imagem dos “grandes” interesses (empresas e chefes)
que estão por detrás das plataformas petrolíferas. O realizador
dirige um filme que se relaciona com os nossos dias no modo como
define heróis e vilões : de um lado, “pequenos heróis”
decentes que fazem trabalhos sujos para sustentar a família mas que
não contam para as contas dos executivos, do outro vilões que
colocam as vidas dos outros em perigo ao tomarem decisões puramente
monetárias. Um dos principais factores que me deixou satisfeito com
este filme foram os efeitos especiais e visuais, aqui usados a favor
do filme, eles serviram o filme e não o contrário, como sucede com
quase todos os filmes comerciais americanos. Nesse campo, confesso
que os efeitos estavam impecáveis e com a preciosa ajuda deles, o
filme passou com sucesso cá para fora a sensação de realismo, de
estarmos a viver, mais ou menos, o que aquelas pessoas sentiram,
principalmente a aflição e o desespero.
A
história foi muito bem contada e mostrada, o filme é pois, baseado
em acontecimentos que sucederam na realidade. Nesse aspecto, também
está quase tudo muito bem arrumado. A realização é boa. O som é
um dos principais atributos do filme e funcionou na perfeição. Mark
Wahlberg tem uma interpretação razoável, confesso que já o vi a
fazer melhor (Four Brothers, por exemplo). Ainda sobre ele, neste
filme, o seu personagem funcionou enquanto homem de família e também
funcionou enquanto funcionário da plataforma, a sua química com
todos os agentes que compõem estes dois núcleos funcionou, mas como
disse, o actor podia ter dado mais dele. Kate Hudson vai bem como
esposa e mãe dedicada, e mais tarde enquanto mulher preocupada com o
que pode estar a acontecer com o marido. Mas o grande problema de
Peter Berg é que explora pouco a componente familiar do protagonista
do filme. O mesmo se aplica à pequena Stella Allen, que desempenhou
com um grande à vontade e na perfeição a filha do protagonista.
Apesar de ser a responsável pela melhor cena do filme (toda a
sequência que decorre à mesa do pequeno almoço, em que a miúda
exemplifica o que viria a suceder com a plataforma, na manhã do
fatídico dia), a jovem não viu a sua Sydney ser desenvolvida
enquanto personagem. Penso que o realizador errou em ter deixado de
lado a família (esposa e filha) do protagonista, apenas centrando as
suas duas personagens no início e final da fita. E voltou a errar
quando nos “massacrou” com várias cenas e diálogos dedicados à
plataforma, cenas essas antes da catástrofe. Ele enrolou muito.
Na
minha opinião, o realizador devia ter mostrado a vivência e a
relação do protagonista com a família durante os primeiros vinte
minutos, seguindo depois para uma breve apresentação da plataforma
e dos seus principais funcionários onde perderia cerca de dez
minutos, para na hora seguinte se dedicar e mergulhar a fundo na
catástrofe, tentando dar alguns detalhes que tivessem relevância e
que aconteceram de verdade com base em testemunhos, guardando para os
últimos dez minutos o regresso a casa do protagonista e respectivo
reencontro com mulher e filha e dando relevância também para os
personagens de Kurt Russell e de Gina Rodriguez e respectivos
regressos a casa. Por último tirava aquelas imagens de arquivo e as
legendas sobre as pessoas, pois aquilo, a maioria do pessoal a quem o
filme interessa já deve saber. Ainda sobre as interpretações, Kurt
Russell tem a melhor prestação do filme, ele possui mesmo a
presença mais forte e a sua caracterização pós-acidente está
perfeita. Detentora de uma beleza exótica, a linda Gina Rodriguez
tem igualmente uma excelente interpretação. Estes dois últimos
acabam por ter papéis muito importantes que se vão revelando ao
longo do filme. John Malkovich, actor por quem eu nutro uma grande
estima e de quem gosto bastante enquanto pessoa, tem aqui pouco mais
que fazer do que desempenhar bem um papel que já o vimos fazer em
outros filmes. Ainda assim, adorei vê-lo. Dylan O'Brien esteve bem e
os secundários portaram-se à altura da tarefa. É um filme que deve
ser visto no cinema, em casa perde imenso da sua espectacularidade.
Como pior cena, temos a parte das aves cheias de petróleo. E é
frustrante percebermos que os “grandes” e “poderosos” neste
caso como em muitos outros, safam-se sempre e os mais “fracos” é
que sofrem sempre na pele com os erros e com a ganância de quem
manda. Infelizmente a justiça está do lado do “peixe graúdo” e
o povo que se lixe, em alguns momentos do filme, isso está lá
patente. Neste caso, quem perdeu foram os funcionários, as suas
famílias e, sem esquecer os mais lesados, os animais e as plantas.
Na minha opinião, “Deepwater Horizon” é um dos grandes filmes
deste ano, uma agradável surpresa.


















































