Nome
do Filme : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo
Inglês : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo
Português : “A Casa da Senhora Peregrine Para Crianças
Peculiares”
Ano
: 2016
Duração
: 127 minutos
Género
: Aventura/Fantasia
Realização
: Tim Burton
Elenco
: Ella Purnell, Asa Butterfield, Eva Green, Judi Dench, Samuel L.
Jackson, Terence Stamp, Rupert Everett, Allison Janney, Finlay
MacMillan, Lauren McCrostie, Georgia Pemberton, Raffiella Chapman,
Pixie Davies, Hayden Keeler Stone, Milo Parker, Joseph Odwell, Thomas
Odwell, Cameron King, Louis Davison, Kim Dickens, O Lan Jones, Philip
Philmar, Jack Brady, Scott Handy, Jennifer Jarackas, George Vricos,
Brooke Jaye Taylor, Nicholas Amer, Ioan Hefin, Shaun Thomas, Justin
Davies, Chris O'Dowd.
História
: Quando Jake (ou Jacob) era muito pequeno, ouvia o avô contar-lhe
histórias sobre o orfanato onde cresceu. Nesse lugar viviam outras
crianças, cada uma com o seu dom peculiar, e era administrado pela
Senhora Peregrine, uma mulher dedicada que os protegia de todos os
males. À medida que foi crescendo, Jake, agora com 16 anos, foi
questionando a veracidade dessas histórias antigas. Mas quando o avô
morre de uma forma inexplicável, o rapaz decide tentar encontrar o
suposto lugar onde antes existia o tal orfanato. Lá, ele conhece uma
linda menina com dons especiais chamada Emma Bloom, que o leva até
uma outra época, onde ele encontra realmente a casa da Senhora
Peregrine e as crianças peculiares que lá habitam. E fica a saber
que o mundo dos seus recentes amigos se encontra ameaçado pelos
“hollows”, uns monstros liderados pelo nefasto Barron. Compreende
que apenas ele, com a sua peculiaridade, tem a capacidade de os ver,
Jake descobre que pode dar um forte contributo para acabar com os
problemas da Senhora Peregrine e das suas crianças especiais.
Comentário
: Tim Burton está de volta com um novo filme e sempre que ele
regressa, as pessoas já sabem aquilo que esperam de um filme seu :
uma fotografia exemplar, um jogo das cores estonteante, cenários
espectaculares, uma boa história que é igualmente muito bem
mostrada, efeitos especiais usados de modo a favorecer o filme e a
história, interpretações boas, personagens invulgares ou
hilariantes, muita diversão e muita loucura cinéfila. O realizador
tem filmes bons e outros menos conseguidos e ultimamente anda um
pouco em baixo. Desta vez, Tim Burton adapta ao cinema um livro (capa
original mais em baixo) de Ransom Riggs saído em 2011 que fez sucesso em
parte, porque possui excelentes gravuras que ajudam a perceber a
história. O livro em questão narra o conto de um menino que, depois
de uma tragédia familiar terrível, segue pistas que o levam a um
orfanato abandonado numa ilha. A história é contada através de uma
combinação de narrativa e fotografias vernaculares dos arquivos
pessoais de colecionadores listados pelo autor. Infelizmente, o realizador não explorou bem os personagens mirins e apostou mais no espectáculo.
Eu
vou confessar uma coisa, quando vi o primeiro trailer, eu fiquei
encantado com o que vi naqueles escassos minutos. Algo semelhante ao
universo dos mutantes da Marvel, ou seja, seres humanos detentores de
dons especiais, eu não gosto de chamar de poderes, prefiro o termo
dons, porque é isso que as crianças destes dois universos possuem,
são dons ou habilidades especiais. Não sei se o realizador tentou
ou não ser fiel ao livro, mas sei que, pelo que li, ele alterou
algumas coisas e isso não abona em nada a favor do filme, que mania
essa dos realizadores ou dos estúdios alterarem factos originais dos
livros em que os filmes se baseiam para contar algo mais pessoal e a
gosto deles. Isso sempre foi uma coisa que eu achei muito mal, porque
estraga a magia da coisa. Por exemplo, Peter Jackson alterou imensa
coisa nos seus seis filmes da Terra Média em relação aos livros do
Tolkien. Mas existem imensos outros exemplos dessa atitude e os
resultados na maior parte dos casos, é mau. Outra coisa que me
enerva bastante é o facto de colocarem actores veteranos e
consagrados em papéis inúteis ou mais fracos, por exemplo, não
percebo porque motivo Judi Dench, Samuel L. Jackson ou mesmo Terence
Stamp aceitaram entrar nisto, eles são três poderosos actores que
não necessitam de se sujeitarem a estes papéis ridículos para
sobreviver, eles deviam aceitar papéis em filmes mais de cariz
independente e fitas mais sérias. Mas casos destes existem imensos
lá para as bandas de Hollywood.
“Miss
Peregrine's Home For Peculiar Children” não é dos melhores filmes
de Tim Burton, mas como produto final, resulta bastante bem, tendo os
seus maiores destaques nos efeitos especiais, na componente visual e nas prestações de quase
todas as crianças e jovens envolvidos. O mesmo não se pode dizer
dos actores adultos, quase todos tiveram prestações que roçam o
fraco, até mesmo Eva Green, não convenceu, ainda que tenha sido a melhor dos adultos. Samuel L. Jackson está
ridículo neste filme, veja-se por exemplo, a cena em que Emma Bloom
com o seu sopro o encosta a uma parede, enquanto Jake faz uns
procedimentos numa sala. Ele é um vilão muito mal construído e
muito fraco e ridículo. Aliás, todos os inimigos neste filme são
fúteis e nada dignos desse nome. É bom ver as crianças a exibir os
seus dons e as suas habilidades, elas são interessantes (Emma Bloom
é fantástica). O filme abusa um pouquinho no CGI e isso
nota-se. A cena do barco, por exemplo, o barco serve muito bem
naquela parte em que Emma mostra para Jake como consegue retirar
toda a água daquela sala usando os seus magníficos dons, no
entanto, não era necessário o realizador voltar a insistir
novamente no barco mais à frente, naquela sequência onde ele é
aproveitado para a missão.
O
filme é assim, um prodígio visual, como só Tim Burton sabe
facultar, mas a sensação de repetição paira sempre no ar. O
realizador já fez melhor em outros filmes, no entanto o filme é o
seu melhor registo desde “Sweeney Todd”. Desta vez, ele não
precisou do muito usado e estragado Johnny Depp, mas teve entre mãos
excelentes pequenos actores e pequenas actrizes, crianças muito
talentosas que estiveram muito bem nos seus papéis, repito, os
pequenos atores e as pequenas atrizes são a alma deste filme, nesse
aspecto, o filme faz justiça ao titulo, ainda que as suas personagens (personalidade e dom) não tivessem sido
mais bem trabalhadas e exploradas. Os adultos apenas tiveram que
cumprir os mínimos a que os seus papéis os obrigaram. A minha
personagem preferida é, claramente a Emma Bloom, da linda e
talentosa jovem actriz Ella Purnell (Wildlike), ela é a
melhor personagem do filme, teve uma excelente interpretação. O
nosso protagonista, Asa Butterfield (Hugo), vai mais ou menos, ele acaba
por ser o grande foco da fita enquanto personagem principal do longa, embora a sua interpretação não me tenha convencido minimamente. Adorei as cenas de Emma a voar e a pairar no ar
(razão pela qual a escolha do poster), aquela cena em que ela
descalça as botas, voa até ao cimo da árvore e devolve um esquilo
ao seu ninho está brutal. Ou ainda aquelas cenas em que ela vai a voar, sendo levada por Jake. Mas as melhores cenas do filme são aquelas em que Emma mostra os seus outros dons no salão do barco, bem como as cenas debaixo de água. Possivelmente, tem o melhor dom de todas
as crianças, as coisas que ela consegue fazer são notáveis. A
química dela com Jake funciona em algumas cenas, noutras nem tanto, da parte dela tudo corre bem, mas ele não faz bem a parceria, ele não ajuda a miúda. A cena do beijo deles está ridícula,
tudo muito falso, fez-me lembrar cada vez que Ginny Weasley beijava
Harry Potter na boca, tudo muito artificial. No caso do beijo entre
Emma e Jake aconteceu a mesma coisa. No fundo, o filme é bom, Tim
Burton consegue assim, mais um excelente entretenimento, mas falha
naquilo que eu disse anteriormente, o cineasta podia ter-se focado e investido mais nas crianças
peculiares, nas relações entre elas, nas suas personalidades e nos seus dons, certamente daria um filme melhor ou não
fossem elas (as crianças e os jovens) a essência e o melhor do
livro.













































