segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Café Society

Nome do Filme : “Café Society”
Titulo Inglês : “Café Society”
Titulo Português : “Café Society”
Ano : 2016
Duração : 96 minutos
Género : Comédia Dramática/Romance
Realização : Woody Allen
Elenco : Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Blake Lively, Parker Posey, Steve Carell, Jeannie Berlin, Ken Stott, Corey Stoll, Sheryl Lee, Paul Schackman, Richard Portnow, Sari Lennick, Stephen Kunken, Laurel Griggs, Anna Camp, Paul Schneider.

História : Nos anos 1930, Bobby é um aspirante a escritor que resolve mudar-se de New York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda do seu tio Phil, um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie, a secretária do tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

Comentário : O filme fala do personagem Bobby em dois momentos da sua vida : em Los Angeles onde ele se apaixona pela secretária do seu tio; e em New York trabalhando num clube nocturno frequentado pela alta sociedade. Como a fita é realizada pelo excelente director Woody Allen espera-se que o filme tenha belíssimas interpretações, um bom uso das cores, um sentido cómico muito apurado, diálogos irónicos e rápidos, belas composições visuais e um jogo de camara muito clássico e característico dele. Logo na primeira sequência onde decorre uma festa, dá para notar isso, ou seja, a maneira muito peculiar de filmar de Woody Allen, que obtém aqui um plano em que a camara parte de um canto da piscina e “levita” pelo lado lateral, indo ao encontro dos convidados que estão numa mesa inicial. Isso também é perfeitamente visível numa excelente sequência na praia, onde a camara está parada à entrada de uma gruta e o director joga apenas com os actores e seus respectivos movimentos, possivelmente as melhores cenas do filme. E o que dizer daquela sequência que decorre numa casa nocturna onde está uma mulher a cantar em que a camara percorre o espaço e depois filma circularmente alguns convidados, estas são apenas três provas que se podem encontrar neste filme que demonstram a mestria do realizador na arte de filmar. A fotografia é outro ponto de referência neste filme, fizeram um excelente uso da cor, dando em pleno o aspecto visual daquela época. A recriação de época está impecável, com principal destaque para os espaços, cenários e principalmente para a cor. 

No entanto, o filme tem vários clichés e evocações a produções passadas do realizador muito superiores a esta. Lamentável é também o facto do realizador usar as mesmas técnicas usadas em filmes anteriores, como por exemplo, estar a narrar os acontecimentos, ou seja, ele peca por contar, quando devia mostrar. A fita fala-nos de um triângulo amoroso não muito original mas divertido, mas pareceu que faltou uma conclusão para isso. Surgem sub-histórias que em nada contribuem para o núcleo central da trama, sendo a narrativa e o argumento os pontos mais fracos do filme. Jesse Eisenberg está muito bem no seu papel, parece quase uma imitação do próprio Woody Allen, com todo o seu estilo, tiques e maneirismos. Kristen Stewart evolui bem na sua personagem, mas é um pouquinho abafada por Blake Lively, que tem uma prestação muito boa. Steve Carell dá um vilão compreensível e nada detestável, cujas más atitudes se percebem. Por último, Parker Posey e Corey Stoll dão boas interpretações de apoio, mesmo que a história deles pareça pertencer a outro filme. Em resumo, Woody Allen consegue assim mais um bom filme, mas muito longe da qualidade dos seus melhores trabalhos cinematográficos, grande parte deles dos anos 70, 80 e 90. É um bom filme, mas peca por ser mais do mesmo, tudo porque o realizador recusa-se a sair da sua zona de conforto. Um último reparo, gosto muito de grande parte dos filmes do realizador e também o aprecio enquanto pessoa, Woody Allen é uma figura única. 

Love & Friendship

Nome do Filme : “Love & Friendship”
Titulo Inglês : “Love And Friendship”
Titulo Português : “Amor & Amizade”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Whit Stillman
Elenco : Kate Beckinsale, Morfydd Clark, Chloe Sevigny, Stephen Fry, Tom Bennett, Jenn Murray, Lochlann O'Mearain, Sophie Radermacher, Xavier Samuel, Emma Greenwell, James Fleet, Justin Edwards, Kelly Campbell, Jemma Redgrave, Sylvie Benoiton, Daniel Magee.

História : Nos anos 1790, uma interesseira e egoísta viúva procura um marido para si e para a sua bonita filha.

Comentário : Gosto de filmes de época e tinha obrigatoriamente de ver este pequeno filme com a linda Kate Beckinsale como protagonista. É importante dizer que não é a primeira vez que o realizador junta Kate Beckinsale e Chloe Sevigny num mesmo filme, já aconteceu antes. Este tipo de fitas acabam sempre por nos deslumbrar, não somente devido aos excelentes guarda-roupa, mas também devido às suas bandas sonoras e cenários. Neste filme, esses três factores estão impecáveis. O argumento é bom, embora eu tenha que confessar que dispensava o humor existente em algumas cenas. Gostei da história, segue cuidadosamente uma mulher, a sua filha e a sua melhor amiga, as três com interesses bem diferentes, mas que acabam por se fundir devido às carências da época. Naquela época, era muito importante para uma mulher arranjar depressa um marido que lhe desse filhos saudáveis, caso contrário, a mulher ficava muito mal vista.

Falando das interpretações, claramente que o destaque vai todo para a doce e linda Kate Beckinsale, que carrega boa parte da fita às costas com uma poderosa prestação e com uma imponente figura naqueles maravilhosos trajes e vestidos do século dezoito. Chloe Sevigny e Morfydd Clark também tiveram interpretações bastante aceitáveis, gostei imenso de as ver e as suas personagens cativaram-me. Além disso, a química entre as duas jovens e Kate Beckinsale funcionou muito bem e isso notou-se. Também gostei de ter revisto o veterano Stephen Fry, que grande ator. Não gostei de terem dado pouco destaque às duas crianças que surgem no filme, afinal elas faziam também parte da família. Também não gostei da forma como o realizador apresentava as personagens principais, com os seus nomes na imagem em pleno filme. A maioria dos personagens conseguiram simular os maneirismos próprios das pessoas daquela época e isso é de salientar. Adorei a personalidade manipuladora da Susan Vernon de Kate Beckinsale, possivelmente a melhor personagem da fita. Ela tinha uma lábia e arranjava sempre uma maneira ardilosa das pessoas que estavam à sua volta fazerem o que ela pretendia. Veja-se por exemplo, a conversa que ela tem com o seu pretendente, que tinha como finalidade cancelar o compromisso com ele, para se entregar a outro. Actriz e personagem funcionaram e combinaram na perfeição e é isso o melhor deste filme. 

The Smell Of Us

Nome do Filme : “The Smell Of Us”
Titulo Inglês : “The Smell Of Us”
Titulo Português : “O Cheiro de Nós”
Ano : 2014
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Larry Clark
Elenco : Diane Rouxel, Lukas Ionesco, Hugo Behar Thinieres, Theo Cholbi, Ryan Ben Yaiche, Adrien Binh Doan, Terin Maxime, Eva Menis Mercier, Serena Perret, Valentin Charles, Dominique Frot, Niseema Theillaud, Valerie Maes, Jean Christophe Quenon.

História : O quotidiano de quatro jovens skaters e as suas tendências auto-destrutivas, que se movem pela cidade se prostituindo com adultos para obter dinheiro.

Comentário : Sendo “Kids”, “Bully” e “Ken Park” os seus três filmes de referência, o realizador Larry Clark continua com a camara na mão a filmar os adolescentes e a essência daquilo que ele julga ser a adolescência. Se não contarmos com “Marfa Girl” e respectiva sequela, este “The Smell Of Us” é o seu novo filme. Estamos a pisar o mesmo terreno pantanoso, aquele que Clark faz questão de pisar, o universo dos adolescentes, bem como os seus problemas. Mas aqui, numa qualidade menor do que a existente nos três títulos referidos inicialmente. Larry Clark sempre foi um bom director a trabalhar com os adolescentes, filma-os como nenhum outro. A sua camara à mão está quase sempre nos rostos deles ou delas e nos seus corpos, virando-se igualmente para o espaço envolvente, sem nunca perder o seu foco. Neste filme, o realizador perde-se um pouco, porque investe demais na temática da sexualidade, quando nós sabemos que a adolescência tem outros focos mais interessantes, como a beleza da juventude ou os seus comportamentos, principalmente das raparigas.

Pessoalmente, gostei deste filme porque sou um grande admirador do tipo de cinema que Larry Clark pratica. A adolescência é a fase mais complicada na vida de qualquer ser humano e é nessa fase complexa que as personalidades dos jovens se vincam e se formam, tornando-os os adultos de amanhã. E Larry Clark sabe muito bem disso. Não é a primeira vez que ele entra no mundo dos skaters, já o tinha feito no razoável “Wassup Rockers”, mais uma vez consegue nos facultar o modo deles fazerem essa actividade. No caso deste filme, a melhor cena para mim, é aquela em que se vê a miúda do grupo a ajudar na queima do carro. Já a pior cena para mim, foi aquela em que Math está com a mãe naquele sofá, que sequência tão deprimente e desoladora, no caso da mãe, a que ponto chegam as pessoas, até dói só de ver estes casos. O filme tem muitas cenas de sexo, mas não é aquele sexo explícito, como em “Ken Park”, por exemplo. Há cenas onde os jovens metem uma mão dentro dos calções, mexem no pénis e depois cheiram a mão, como se gostassem do cheiro a sexo. Possivelmente, vem daí o titulo do filme, o cheiro ao sexo deles. Numa das cenas iniciais, vê-se um rapaz a fazer sexo oral a uma rapariga, uma cena muito bem filmada, mas que não mostra o essencial. Resumindo, este filme é razoável, o realizador consegue mais uma vez penetrar e bem no mundo dos adolescentes, sempre o fez bem nos seus filmes anteriores, mas aqui abusa um cadinho na componente sexual, deixando de lado outros temas mais importantes relacionados com estes seres tão fascinantes. Um filme raro. 

The Dead Room

Nome do Filme : “The Dead Room”
Titulo Inglês : “The Dead Room”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Terror/Suspense
Realização : Jason Stutter
Elenco : Laura Petersen, Jeffrey Thomas, Jed Brophy.

História : Quando uma família abandona a sua casa devido ao facto desta estar assombrada, entram em campo três elementos do departamento dos assuntos ligados ao paranormal, que vão para a tal casa dispostos a descobrir o que realmente se passa. Terão que lidar com dois espíritos com intenções bem distintas.

Comentário : Na manhã desta segunda-feira vi este pequeno filme de terror que tenho que confessar ter pouco de terror, é mais suspense. Quem gostou dos filmes das sagas “Poltergeist”, “The Conjuring” e “Insidious”, vai certamente gostar deste filme, embora a fita em causa não seja possuidora da mesma qualidade da maioria dos filmes dessas franchises. Pode-se dizer que o filme tem apenas três actores em campo, ou pelo menos, é somente em três personagens que a fita se centra e são só eles que aparecem na maior parte dos cerca de 75 minutos de imagens. Depois, temos uns poucos personagens secundários que apenas surgem por surgir, penso que são somente os polícias e mais um ou outro. O filme segue-se bem, a um ritmo um pouquinho lento, o argumento até é apresentável, apesar de alguns erros. Temos alguns sustos, nomeadamente e em parte devido à componente sonora que funciona bastante bem. Temos muitos objectos que se movem sozinhos e camaras espalhadas pela casa, na tentativa de apanhar na filmagem algum espírito. Não é um filme muito escuro, aliás a fotografia é razoável. A nível das prestações, os três estiveram muito bem, com destaque merecido para a jovem actriz Laura Petersen, cuja interpretação é bastante convincente. O evoluir dos acontecimentos e ao que isso leva é interessante, mas o final estraga tudo o que foi contado e mostrado até então e é lamentável que assim tenha sido. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Don't Breathe

Nome do Filme : “Don't Breathe”
Titulo Inglês : “Don't Breathe”
Titulo Português : “Nem Respires”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Thriller/Terror/Suspense
Realização : Fede Alvarez
Elenco : Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto, Stephen Lang, Emma Bercovici, Franciska Torocsik.

História : Três jovens criminosos de Detroit ganham a vida a assaltar casas cuja segurança é garantida pela empresa do pai de um deles. Um dia, recebem uma dica de que a casa de um velho veterano num bairro pobre da cidade está cheia de dinheiro que ele recebeu quando uma senhora rica matou a sua filha num acidente de carro. Quando vão vigiar a casa para tratar do assalto, descobrem que ele é cego e pensam que, por isso, a tarefa deles está muito facilitada. Mal sabem eles que não podiam estar mais enganados.

Comentário : Na manhã desta sexta-feira vi este filme que tanta gente tem falado bem. Confesso que as suspeitas confirmam-se, o filme é bom e, dentro do género, está bastante aceitável. Ao início, as coisas custam a arrancar, mas depois e a partir de um dado momento, tudo passa a correr sobre rodas. O argumento é bom, embora tenha alguns exageros e um ou outro erro. O cão é um elemento importante para o desenvolvimento da história, confesso que deu e muito bem o seu contributo, originando duas cenas aflitivas. As personagens principais neste filme são duas, o homem cego, muito bem interpretado por Stephen Lang; e a jovem Jane Levy, aqui no papel da miúda que escapa a tudo, embora neste caso, muito debilitada, a actriz possui a melhor prestação da fita. Os dois atores que fizeram as personagens de seus amigos do crime estiveram razoáveis. A partir de uma certa altura, o clima de tensão e a violência física passam a estar sempre presentes e vão aumentando à medida que as coisas vão fugindo ao controlo dos três jovens criminosos. Aos poucos, vão-se descobrindo novas coisas sobre o passado e até o presente daquele homem cego, a cave esconde o seu maior segredo. O realizador joga também muito bem com os silêncios, nos facultando algumas cenas bastante angustiantes. Gostei do desenrolar dos acontecimentos e gostei igualmente do final do filme, embora tenha que confessar que era preferível o cego ter terminado no porão, e mais não digo. Um dos filmes mais aflitivos deste ano que possui um poderoso clima de tensão, suspense e claustrofobia.

Morgan

Nome do Filme : “Morgan”
Titulo Inglês : “Morgan”
Titulo Português : “Morgan”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Mystery/Terror
Realização : Luke Scott
Elenco : Anya Taylor Joy, Kate Mara, Toby Jones, Michelle Yeoh, Jennifer Jason Leigh, Paul Giamatti, Brian Cox, Boyd Holbrook, Rose Leslie, Michael Yare, Chris Sullivan, Vinette Robinson, Crispian Belfrage, Jonathan Aris, Charlotte Asprey, Amybeth McNulty.

História : A existência de um ser híbrido é colocada em causa, após as coisas fugirem ao controlo da equipa que o criou.

Comentário : E depois da desilusão que foi “Blair Witch”, aparece mais uma grande desilusão, este “Morgan” consegue ser bem pior. “Splice” é bem melhor que isto. Confesso que esperava bastante deste filme e saí dele bastante chateado, porque tudo tinha bastante potencial para dar algo grandioso e, no final, ficamos com um enorme sabor amargo na boca e no espírito. A jovem Anya Taylor Joy, que se revelou no excelente filme “The Witch”, é o melhor da fita, embora a sua prestação não esteja tão boa quanto na outra obra. A jovem atriz consegue injectar um carisma muito próprio nas suas personagens que consegue fazer com que quem a vê actuar, goste dela, faça alguém bom ou mau. Só o olhar da miúda, impõe respeito. O problema aqui é que o seu personagem tem muito pouco potencial, para um ser especial que ela é, alguém mais evoluído que os humanos, a única coisa que a miúda faz é dar porrada a todos os personagens que lhe fazem frente, e pronto, é isso, ela só sabe bater. Kate Mara tem neste filme a pior personagem da sua carreira e também não gostei da sua prestação, nem a revelação final a salva do desastre total. O filme tem erros e clichés. Temos atores consagrados em papéis inúteis e muito mal aproveitados. O argumento é tão básico que parece ter sido escrito por um rapaz de 12 anos. É tudo muito previsível e o final é um insulto. Acreditem que a revelação final não serve de desculpa para nada neste filme e muito menos para camuflar aquilo que correu mal. Sem dúvidas, um dos piores filmes do ano. 

Blair Witch

Nome do Filme : “Blair Witch”
Titulo Inglês : “Blair Witch”
Titulo Original : “The Woods”
Titulo Português : “O Bosque”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Terror
Realização : Adam Wingard
Elenco : James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson, Valorie Curry.

História : Depois de descobrir um vídeo mostrando o que ele acredita ser as experiências paranormais da sua irmã numa floresta amaldiçoada, James e um grupo de amigos partem para o local com a intenção de encontrarem a miúda.

Comentário : Depois de ter saído o filme “The Blair Witch Project”, um filme de terror de orçamento reduzido, desde então surgiram imensos filmes parecidos e do mesmo género, a maioria maus exercícios de cinema. Eu confesso que gostei desse filme, era algo realmente novo naquilo que ao terror diz respeito. A partir desse filme, fitas com camara a tremer nasciam como cogumelos todos os anos, a maioria eram más, poucas razoáveis e uma ou outra era boa. Agora, surge-nos este curioso filme que teve como titulo inicial “The Woods” e que depois mudaram-lhe o nome para “Blair Witch”, mas isso até se compreende, visto tratar-se de uma sequela. Posto isto, o que temos aqui é mais do mesmo e tudo visto em outros filmes do género, clichés incluídos. Temos um grupo de jovens no meio de um grande bosque, temos desorientação, temos objectos estranhos associados a práticas de bruxaria, temos falsos sustos, temos camara tremida, planos rápidos, as interpretações não são nada de especial, o argumento é muito rudimentar e com alguns erros. Gostei daquela sequência do tunel debaixo do chão, uma das cenas mais claustrofóbicas que eu já vi num filme. Mas lá está, o filme não mostra nada de novo, apesar das voltas que os acontecimentos dão, a sensação é que é tudo muito básico. De certeza que haverá imensa gente que vai gostar, mas a mim, assaltou-me a sensação de deja-vu, ou seja, eu já vi este filme e muitas vezes, apenas mudaram o elenco e as personagens. Ainda assim, passa-se um bom bocado ao vê-lo e garanto que os admiradores deste género de filmes, não sairá desiludido. Este filme é uma sequela do filme de 1999, frisado na primeira linha de texto deste comentário, no entanto, não lhe faz justiça. Um último apontamento positivo para o drone, o melhor do filme. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

The Quiet Hour

Nome do Filme : “The Quiet Hour”
Titulo Inglês : “The Quiet Hour”
Ano : 2014
Duração : 86 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Thriller
Realização : Stephanie Joalland
Elenco : Dakota Blue Richards, Jack McMullen, Karl Davies.

História : Depois de uma invasão alienígena, uma bonita adolescente fecha-se na sua enorme casa, jurando proteger a habitação e o irmão mais novo quer dos aliens, quer de possíveis sobreviventes que lhes queiram fazer mal ou mesmo matar.

Comentário : Trata-se de uma co-produção independente entre a Inglaterra e a Irlanda, um filme de orçamento reduzido que eu gostei, embora confesse que esperava mais dele. Apesar das classificações do filme nos sites serem fracas, eu gostei deste filme, embora tenha que apontar dois defeitos : os maus efeitos especiais e alguns clichés e aqui a parte mais ridícula é quando a protagonista se entrega sexualmente ao jovem intruso, embora nada chegue a haver entre os dois, porque a miúda é assaltada por um rasgo de inteligência à última da hora e desiste de embarcar em semelhante aventura. A trama gira em torno de três jovens que se isolam numa grande casa, tudo uma questão de sobrevivência, não só para se resguardarem dos seres do espaço, como também se protegerem de um grupo de criminosos que entretanto surge-lhes à porta. Às tantas, fica tudo envolto num clima claustrofóbico. 

Os aliens, esses nunca se chegam a ver, apenas aparecem as suas naves a pairar nos céus e uma outra mais pequena que passa no celeiro e quase apanha os nossos três jovens. Na realidade, o tal grupo de criminosos chefiado por uma horrível mulher não serve para nada e não acrescenta valor algum à trama, bastava o pânico dos três jovens viverem permanentemente em estado de alerta face às possíveis investidas dos aliens. Do elenco, destaca-se claramente Dakota Blue Richards, que mais uma vez, não desilude, ela teve a melhor prestação do filme e a sua personagem é o melhor da fita. O jovem Jack McMullen, aqui no papel do irmão mais novo surdo-mudo, tem um bom desempenho. Já o mais velho elemento, Karl Davies, limitou-se a fazer aquilo que lhe foi pedido, apesar disso, teve uma boa actuação. Foi a química entre estes três que me cativou mais e me fez desejar que eles se safassem com vida. O final é inesperado, mas, e ainda assim, eu fiquei bastante satisfeito com ele. Penso que o filme terminou da melhor maneira. É um filme bastante simples, não esperem nada de grandioso, é muito parado, mas possui em Dakota Blue Richards e no constante clima de tensão os seus maiores trunfos. Gostei. 

Tara

Nome do Filme : “Tara”
Titulo Inglês : “Tara : The Journey Of Love And Passion”
Ano : 2013
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Kumar Raj
Elenco : Rekha Rana, Rohan Shroff, Brijesh Kori, Sapna Choubisa, Shreechand Makhija, Rohit Raj, Ashish Saleem.

História : Tara é uma linda e sensual jovem cigana indiana que vive feliz com o seu grupo e com o seu marido. Por coincidência, ela e o marido fazem amor e a miúda fica grávida na véspera da prisão dele. Triste com a prisão do marido e mais tarde após descobrir que espera uma filha dele, Tara vive em permanente desgosto e desespero, sendo também atormentada por um nojento de um vizinho que apenas pretende servir-se dela. A situação de Tara piora muito quando o marido sai finalmente da prisão e, ao receber a noticia que vai ser pai, não acredita na esposa, alegando que o filho não pode ser dele, porque ele esteve preso. Acusada de adultério por quase todos, Tara vê a sua vida se transformar num verdadeiro inferno.

Comentário : Hoje vi este filme indiano que adorei. Confesso que não costumo ver filmes indianos, mas tive a sorte de encontrar este e fiquei surpreendido pela positiva. O filme tem um bom argumento, um bocado cliché é verdade, mas o facto de se tratar de uma obra de um país com poucos recursos, a coisa aceitou-se bem e funcionou. Esta é a grande estreia da linda e talentosa Rekha Rana em cinema a sério, a jovem é realmente muito bonita e sensual, obteve com a sua Tara (a protagonista do filme), uma excelente interpretação, que grande prestação. Rekha Rana e a sua personagem principal “Tara” são o melhor e a alma do filme. As interpretações do elenco mais envelhecido estão aceitáveis, porém, as de alguns jovens deixam algo a desejar. Gostei imenso da história deste filme e o final é soberbo, estou a falar da decisão final de Tara, grande mulher. Como factores negativos, temos alguns cortes ao longo do filme, uma má montagem e sequências musicais que caem mal numa história dramática como esta. A fotografia também vem servida com alguns erros no que à iluminação diz respeito. O pouco humor que por lá caminha também é totalmente desnecessário. Mas no geral, os aspectos positivos superam os negativos, num filme que se segue muito bem, detentor de uma verdadeira estrela chamada Rekha Rana, uma jovem atriz que fez da sua “Tara”, uma personagem de referência em Bollywood. Gostei imenso deste filme.

The Darkness

Nome do Filme : “The Darkness”
Titulo Inglês : “The Darkness”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Terror
Realização : Greg McLean
Elenco : Kevin Bacon, Radha Mitchell, Lucy Fry, David Mazouz, Matt Walsh, Jennifer Morrison, Parker Mack, Paul Reiser, Ming Na Wen, Trian Long Smith, Tara Lynne Barr, Krista Marie Yu, Christopher Darga, Judith McConnell, Ilza Rosario, Alma Martinez.

História : Um casal regressa a casa depois de umas férias no Grand Canyon e pai e mãe não reparam que o filho trouxe para casa daquele local, cinco pedras escuras que não deviam ter sido retiradas do sítio. Depressa, na casa, começam a acontecer coisas estranhas e a situação chega a um ponto que leva a família ao desespero.

Comentário : Na manhã desta segunda-feira vi este filme de terror, que me desiludiu imenso. O realizador deu-nos um filme bom aqui há alguns anos, mas depois nunca mais fez nada de jeito. E aqui volta a falhar. O elenco possui dois nomes de realce, Kevin Bacon e Radha Mitchell, o primeiro até obteve aqui uma prestação razoável, mas ela não me convenceu, que prestação tão apática e sem expressividade, apesar do seu esforço, ela bem tentou. Realmente, Radha Mitchell já esteve bem melhor em outros papéis. O pequeno ator que desempenhou o papel de filho do casal também não me convenceu, achei-o muito sorumbático. Por seu turno, a bonita Lucy Fry esteve muito bem, talvez a melhor prestação de todo o elenco, ainda que a sua personagem não faça outra coisa no filme senão sofrer.

O medo aqui quase não existe e os sustos são muito poucos. As cinco figuras demoníacas associadas às pedras malignas não causam qualquer impacto. O argumento é cheio de clichés e está mal articulado, para além de ter alguns erros. Há um momento no filme em que a filha adolescente é supostamente mordida por um cão ou por um lobo, ficando com um dos braços gravemente ferido e envolto em ligaduras. Posto isto, dois ou três dias depois desse acidente, a miúda já aparece sem ligaduras e sem qualquer marca nesse braço. O final é completamente ridículo e esquecível. Em resumo, trata-se de mais um filme de terror medíocre como tantos outros que surgem anualmente, que tem dois bons atores e uma miúda sofredora, cuja atriz que viveu a personagem deu tudo o que tinha a interpretá-la. É um filme que de terror, quase nada possui. Assim, o filme não chega aos calcanhares de obras como “Lights Out”, “The Witch” ou “The Conjuring 2”, falando de filmes de terror que estrearam este ano.

Cosmos

Nome do Filme : “Cosmos”
Titulo Inglês : “Cosmos”
Titulo Português : “Cosmos”
Ano : 2015
Duração : 99 minutos
Género : Drama
Realização : Andrzej Zulawski
Elenco : Victória Guerra, Sabine Azema, Jean François Balmer, Jonathan Genet, Clementine Pons, Andy Gillet, Johan Libereau,

História : O jovem Witold é um estudante de direito que acabou de chumbar nos exames. Fuchs, por sua vez, deixou o emprego numa casa de alta-costura parisiense. Ambos decidem passar alguns dias no campo e alugam um quarto numa pequena hospedaria. Naquele lugar, vão conhecer várias pessoas misteriosas e deparar-se com uma série de acontecimentos bizarros que vão fazê-los pôr em causa a sua própria sanidade mental.

Comentário : Com assinatura de Andrzej Zulawski (que regressa à realização quinze anos depois de “A Fidelidade”), um thriller sobre obsessões que adapta a obra homónima escrita, em 1965, pelo polaco Witold Gombrowicz. Co-produzido pela Leopardo Filmes e pela Alfama Films de Paris, ambas dirigidas por Paulo Branco, e rodado em Portugal (em Sintra e na Covilhã), o filme foi apresentado em competição no Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suiça), onde arrecadou o leopardo de melhor realização. O filme conta com a participação de uma excelente atriz portuguesa e com nomes consagrados do cinema europeu.

Trata-se de um filme estranho feito à imagem do cineasta, que primeiro estranha-se e depois nunca entranha-se. Para mim, o melhor filme de Andrzej Zulawski continua a ser “O Importante É Amar”, datado de 1975. Este seu novo filme é daquelas coisas muito estranhas que não lembra ao diabo, cheio de tiras pseudo-intelectuais, que duvido que até a esses agrade. Admiro-me eu o filme ter sido permiado no tal festival de cinema na Suíça. O filme está repleto de cenas estranhas, personagens bizarras e sequências surrealistas. Tirando os dez primeiros minutos de filme, a partir daí as personagens deixam de ter atitudes normais. Jonathan Genet consegue ser assustador em algumas entradas. Gostei imenso de ver Victória Guerra mais uma vez nestas andanças, a miúda safa-se sempre bem em tudo o que se mete. Mas nem ela consegue salvar este filme do desastre total. É que, para ter feito este objecto sem significado, mais valia Andrzej Zulawski ter ficado quieto, por mais alguns anos. E já agora, Paulo Branco, se leres isto, faz um favor à comunidade cinéfila : reforma-te e encerra as salas de cinema do Monumental, é que as salas são feias, velhas e nunca apetece ir para lá.

domingo, 4 de setembro de 2016

Dukhtar

Nome do Filme : “Dukhtar”
Titulo Inglês : “Daughter”
Ano : 2014
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Afia Nathaniel
Elenco : Samiya Mumtaz, Saleha Aref, Mohib Mirza, Asif Khan, Ajab Gul, Adnan Shah, Abdullah Jan, Omair Rana, Samina Ahmad, Zeeshan Shafa.

História : No Paquistão, uma mãe e a sua filha de dez anos de idade fogem de casa na véspera do casamento da menina com um velho líder tribal, desencadeando uma violenta caçada à sua procura.

Comentário : À poucos minutos, vi este filme do chamado cinema do mundo que gostei bastante. É mais uma espécie de filme denúncia, onde o tema principal é o casamento de meninas menores de idade com homens adultos que acontece no Paquistão e quem sabe em mais outros países desses. O filme está muito bem filmado e montado, uma das coisas que mais gostei foi da banda sonora, com melodias estilo indianas, mas sobretudo orientais. O filme foca o drama de uma mãe e de uma filha pequena que fogem do homem da casa, com a intenção de evitar que a miúda seja entregue a um homem adulto para se casar com ele. Gostei de ter acompanhado esta jornada, a realizadora articulou tudo muito bem e as coisas deram certo também devido ao elenco principal. No papel da mãe, Samiya Mumtaz teve aqui uma brilhante prestação e a sua empatia com a criança que fez de sua filha é perfeita. No papel da filha do título, a pequena Saleha Aref portou-se muito bem, tem um enorme talento para a representação e merece todos os méritos pela sua interpretação. Por último, o ator que fez de camionista também estava bastante credível e o seu desempenho convence. A química entre estes três é o principal foco da fita e resultou. Grande filme. 

Dolls

Nome do Filme : “Dolls”
Titulo Inglês : “Dolls”
Ano : 2002
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Takeshi Kitano
Elenco : Miho Kanno, Hidetoshi Nishijima, Tatsuya Mihashi, Chieko Matsubara, Kyoko Fukada, Tsutomu Takeshige, Kayoko Kishimoto, Kanji Tsuda, Yuko Daike.

História : Aqui encontram-se três histórias de amor inspiradas no Bunraku, teatro de marionetas japonês.

Comentário : Belíssimo filme japonês que tem o amor como tema principal e divide-se em um prólogo, três histórias e um epílogo. O filme abre nos seus primeiros cerca de dez minutos com uma sequência de marionetas de um teatro típico daquele país oriental. Depois seguimos para a primeira história que, além de ser a minha preferida, é a que ocupa mais tempo em tela. Conta o drama de uma jovem que tenta o suícidio e entra numa depressão profunda, porque o seu amado vai casar com outra. Ele então desiste do casamento e passa a dedicar todo o tempo à loucura dela, passando os dois a tornarem-se vagabundos e deambulando pela cidade com uma corda que os une. Na segunda história, temos um homem que, não possuindo dinheiro para manter uma relação com a sua apaixonada, abandona-a e dedica-se ao mundo do crime. Décadas mais tarde, encontra-se com ela num banco de jardim, local simbólico do passado dos dois, embora não se identifique perante ela.

Por fim, na terceira história, a mais violenta, temos uma adolescente que é cantora e encanta o país com as suas músicas, sofrendo um grave acidente que termina a sua carreira de sucesso. Um dos seus principais admiradores resolve cegar-se a ele próprio, apenas para ter a possibilidade de privar com ela, os dois tornam-se finalmente amigos. Uma grande prova de amor. O filme termina novamente com a tal peça de teatro japonês com os ditos bonecos, que são imediatamente associados à primeira história, embora as três estejam ligadas entre si, não só pelos mesmos temas principais (o Bunraku e o amor), mas também porque as suas personagens chegam a cruzar-se em determinados pontos da fita. No campo das prestações, o destaque vai para a jovem Miho Kanno, a personagem feminina principal da primeira história, numa das cenas e num mesmo take, ela vai do riso ao choro com uma facilidade brutal, que grande profissionalismo. O ator que fez de seu companheiro também esteve muito bem, nota igualmente positiva para a caracterização dos dois. Os outros dois casais também estiveram muito bem. O filme é também rico nas imagens, podemos contar com cenas lindas, por vezes, parecem pinturas e tudo devido às bonitas paisagens dos arvoredos e dos cenários naturais. Pessoalmente, adorei este filme do chamado cinema do mundo, confesso ter gostado das três histórias, embora e como já disse, a primeira é a melhor. E viva o amor. 

XOXO

Nome do Filme : “XOXO”
Titulo Inglês : “XOXO”
Ano : 2016
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Christopher Louie
Elenco : Sarah Hyland, Graham Phillips, Hayley Kiyoko, Brett DelBuono, Colin Woodell, Chris D'Elia, Ian Anthony Dale, Ryan Hansen, Brianne Howey, LaMonica Garrett, Medalion Rahimi, Sam Aotaki, Peter Gilroy, Ione Skye, Kelly Marie Tran.

História : Seis jovens juntam-se a centenas de outros tantos na maior party das suas vidas.

Comentário : Trata-se da nova produção da Netflix para a televisão, ou seja, filmes que não chegam às salas de cinema. Pessoalmente, gostei bastante deste filme porque fala da força da vida que são os adolescentes e quase toda a camada jovem. O filme é filmado ao mesmo estilo da fita “Project X”, que eu confesso igualmente ter gostado. Neste filme, vemos seis jovens (duas lindas meninas e quatro meninos) que deslocam-se até uma localidade onde se vai dar uma enorme festa, cheia de música, neons, drogas e dança. Mas, a cada um deles, acabam por acontecer coisas diferentes e o amor acaba mesmo por acontecer. A nível visual, o filme está muito bom, é uma obra cheia de vida e cor. A nível das interpretações, os seis protagonistas estiveram bem, mas gostei mais daquele casal que fica perdido nos esgotos quase o filme inteiro, Hayley Kiyoko está muito bem. O nosso grande protagonista, Graham Phillips, é um bom personagem, ele é o centro da história. Gostei igualmente da vivacidade da adolescente Sarah Hyland, ela é uma querida. O filme tem muita música, muita dança e muita vida e são esses os seus principais trunfos. Vi o filme na madrugada passada e houve coisas dele que ainda me ficaram na cabeça, como por exemplo, a miúda vestida de borboleta, que possui uma das cenas mais interessantes. O filme possui ainda uma sequência visualmente linda passada num ambiente luminoso muito peculiar, parece que estão noutro mundo. Este movie, em certas alturas, parece uma autêntica trip. Muito bom. 

domingo, 28 de agosto de 2016

The Jungle Book

Nome do Filme : “The Jungle Book”
Titulo Inglês : “The Jungle Book”
Titulo Português : “O Livro da Selva”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Jon Favreau
Elenco : Neel Sethi, Ben Kingsley, Bill Murray, Idris Elba, Giancarlo Esposito, Scarlett Johansson, Lupita Nyong'o, Christopher Walken.

História : Após a morte do pai, Mogli foi deixado na selva indiana ainda bebé. Incapaz de cuidar de si próprio, o pequeno foi resgatado pela pantera Bagheera e criado no seio de uma alcateia. Apesar das dificuldades em ser aceite por quase todas as criaturas selvagens, ele foi crescendo saudável, adquirindo os hábitos dos lobos. Mas a sua vivência só não é pacífica porque quem manda na selva, um poderoso tigre, não gosta dele e o quer ver morto a todo o custo.

Comentário : Mais um filme que vi em que resolvi desligar-me de tudo e regressar à minha infância, tal como havia feito com “Pete's Dragon”. Claro que gostei deste filme, tudo nele está muito bem concebido, recorde-se que é tudo digital e o pequeno Neel Sethi é o único ator relevante de carne e osso que é filmado e surge na pelicula. Não deve ter sido nada fácil para o pequeno ator ter filmado todas aquelas cenas, tendo em seu redor apenas fundos verdes e ter sido colocado a falar para nada. Por isso, eu digo que Neel Sethi e o seu Mogli são o melhor do filme. Os cenários são maravilhosos, está tudo no seu lugar, tudo bem construído e feito, não vi qualquer erro dessa natureza. Os efeitos especiais são soberbos, tudo parece o mais real possível, nota-se que houve um grande cuidado com todos os detalhes no sentido a que a coisa desse realmente certo. Nas salas de cinema, dominou a versão dobrada em português (péssima, segundo se ouviu), mas agora saiu o DVD que abarca igualmente a versão com as vozes originais que resulta bem melhor.

Gostei de quase todas as personagens, menos do enorme macaco Louie de Christopher Walken, mas eu sou suspeito, porque não gosto muito de macacos. A Kaa de Scarlett Johansson, apesar de ser uma vilã que tenta matar o nosso protagonista, está bem concebida, apesar de um pequeno erro e do facto do miúdo ver nos olhos dela o seu passado não possuir nada de credível. As minhas personagens preferidas foram o Mogli, a loba Raksha e a pantera Bagheera. Não gostei muito do urso, porque penso que o filme ficava melhor sem aquele humor ridículo e os dois números musicais eram totalmente dispensáveis. O interface entre o miúdo e os animais digitais está muito bem concebido. Gostei dos elefantes, mas não entendi porque motivo não existiam leões naquela selva. Achei mal associarem o mal ao tigre, animal já bastante sacrificado ao longo da história da humanidade, as crianças ainda ficam com uma imagem pior destes animais. Faria mas sentido, o macaco gigante Louie ter sido o vilão do filme. Não vi o filme no cinema, vi-o em DVD e no conforto da minha cama, sem ninguém para me incomodar, confesso ter tido uma boa experiência. Um último reparo positivo para a excelente fotografia. E o filme encerra com um belíssimo genérico final. No geral, gostei. 

Before I Wake

Nome do Filme : “Before I Wake”
Titulo Inglês : “Before I Wake”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Terror/Mystery
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Jacob Tremblay, Kate Bosworth, Thomas Jane, Annabeth Gish, Dash Mihok, Scottie Thompson, Jay Karnes, Kyla Deaver, Courtney Bell, Hunter Wenzel, Aurora Blue, Natalie Roers.

História : Um jovem casal que perdeu o seu filho, resolve adoptar outro da mesma idade, mas algumas coisas estranhas começam a acontecer. Os sonhos do menino se manifestam na realidade e o que, a princípio, parece algo bonito, depressa se transforma em algo muito perigoso. Caberá à jovem mulher desvendar o passado do garoto, para tentar colocar um fim à terrível situação.

Comentário : Na última noite vi este filme de terror que não gostei tanto quanto pensava que ia gostar. O jovem ator Jacob Tremblay (Room) tem aqui uma prestação muito a baixo daquela demonstrada no referido filme anterior, não sei o que se passou com ele, talvez fosse problema das exigências feitas à sua personagem ou até mesmo devido ao péssimo argumento da fita. Kate Bosworth e Thomas Jane também não deram nada de especial, já fizeram muito melhor em outros filmes, ainda que ela esteja bem melhor. Aquilo que mais gostei foi das borboletas e de algumas cenas que estavam muito bem conseguidas. Não senti medo nenhum, embora tenha apanhado um ou dois sustos. Mas adorei a ideia fulcral do filme, aquilo que alguém sonha acontece na vida real, é algo que fascina do início, mas por outro lado, impõe algum respeito, pois existe o oposto do sonho, que é o pesadelo e aí as coisas podem-se complicar bastante. O filme tem um twist que achei curioso lá perto do final que envolve a mãe verdadeira do menino e uma figura sinistra dos pesadelos da criança, confesso ter ficado bastante impressionado com esta situação. Mas repito, o filme em si, é bastante fraco. 

Beijing Bicycle

Nome do Filme : “Shiqi Sui De Dan Che”
Titulo Inglês : “Beijing Bicycle”
Titulo Português : “Bicicleta de Pequim”
Ano : 2001
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Xiaoshuai Wang
Elenco : Lin Cui, Bin Li, Xun Zhou, Yuanyuan Gao, Shuang Li, Yiwei Zhao, Yan Pang, Fangfei Zhou, Jian Xie, Yuhong Ma, Lei Liu, Mengnan Li, Jian Li, Yang Zhang.

História : Guei, de 17 anos, chega da província a Pequim e encontra trabalho como paquete. Dão-lhe roupa e emprestam uma bicicleta. Quando já a tem quase paga, a bicicleta é roubada e sem ela, Guei fica desempregado. Desesperado, ele corre Pequim à procura da bicicleta. Quase por milagre, o seu melhor amigo diz-lhe que a viu na posse de Jian, um estudante que a comprou numa feira em segunda mão.

Comentário : Este é o último filme da série “Cinema do Mundo” da Atalanta Filmes que me faltava comentar. E é um dos melhores do grupo, pessoalmente, adorei este filme. Puxa, nunca pensei que uma simples bicicleta fosse inspiração para um argumento tão bom quanto este, é que a coisa resultou muito bem. Começando logo pelo genérico inicial, muito giro. Mas antes disso, somos logo apresentados ao nosso protagonista, Guei, muito bem interpretado por Lin Cui. Também gostei da prestação do seu rival, o jovem Bin Li, teve igualmente um excelente desempenho, embora aqui num personagem mais enervante. As duas senhoras que aparecem no filme foram vividas por duas atrizes muito bonitas, cada uma à sua maneira. O filme aborda também a violência na juventude e o amor não correspondido, bem como as consequências que estes dois factores abarcam. A realização é muito boa e a montagem está perfeita, tudo graças a um grande argumento que, repito, é muito bom e resultou bem. O filme tem alguns twists que também deram certo, quase tudo gira em torno da bicicleta. Um objecto que servia para um dos jovens trabalhar e ganhar a vida, enquanto que para o outro jovem, além de ser um meio de deslocação para a escola, servia também para dar longos passeios com a namorada. Apesar da fita ter terminado mal, eu gostei bastante de quase tudo neste filme. 

Gabbeh

Nome do Filme : “Gabbeh”
Titulo Inglês : “Gabbeh”
Titulo Português : “Gabbeh”
Ano : 1996
Duração : 75 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Mohsen Makhmalbaf
Elenco : Shaghayeh Djodat, Abbas Sayah, Hossein Moharami, Rogheih Moharami, Parvaneh Ghalandari.

História : “Gabbeh” é um tipo de tapete persa muito peculiar. Os seus desenhos são sempre diferentes e retratam pedaços da vida quotidiana, tribal, as paisagens que percorrem ou as histórias de amor. No sudeste do Irão, as tribos nómadas especializadas em tecer o “gabbeh” estão em vias de extinção. Na margem de um rio, um casal idoso lava o seu “gabbeh”, resmungando carinhosamente. A água transparente realça os desenhos que contam a história de uma linda jovem, também chamada Gabbeh, proibida de casar com o homem que ama e que persegue a sua tribo a cavalo, pelos montes, os rios e a neve, uivando como um lobo.

Comentário : Continuando a analisar os filmes da coleção “Cinema do Mundo”, agora venho com este “Gabbeh”, um filme persa, com o qual eu aprendi bastante. Principalmente, fiquei a saber que aquelas pessoas que percorrem o país inteiro e que são conhecidas em grupo como tribos nómadas, têm imenso trabalho para o fazerem. Veja-se por exemplo, a grande dificuldade que possuem em atravessar os rios, nomeadamente com todos aqueles animais. Desta vez, não estamos perante um filme “denuncia”, mas sim uma história de amor, entre uma linda jovem e o seu estranho amado. Na época em que a fita estreou, houve gente que não entendeu o filme, mas para mim, a protagonista e o amado não foram mortos na fuga, eles são o casal de idosos que aparece a lavar o tapete. Pelo menos é esta a minha interpretação dos acontecimentos. O filme também possui uma ligeira componente de fantasia. Gostei de ter ficado a saber do valor e do significado que aqueles tapetes têm para eles, é tudo muito curioso. Gostei igualmente da banda sonora e alguns planos são lindíssimos, pareciam cuidadosamente pintados. Este e outros filmes são a prova viva que, mesmo com poucos meios e com orçamentos muito reduzidos, é possível fazer-se bom cinema e filmes bons. Dois últimos reparos, a atriz que desempenhou a protagonista que dá nome ao titulo é linda e a cor tem um papel importantíssimo na fita, funciona quase como uma espécie de personagem secundária. Grande filme.

Shower

Nome do Filme : “Xizao”
Titulo Inglês : “Shower”
Titulo Português : “Chuveiro”
Ano : 1999
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Yang Zhang
Elenco : Jiayi Du, Bing He, Wu Jiang, Ding Li, Cunxin Pu, Xu Zhu.

História : Depois de o filho mais velho ter partido em busca de fortuna, o pai e o mais novo, deficiente mental, permanecem em Pequim continuando ligados ao seu trabalho de mestre de banhos públicos. Erradamente convencido da morte do pai, o filho mais velho regressa a casa para redescobrir a magia dos banhos públicos. Escondida, esta casa funciona para os homens mais velhos como uma casa-fora-de-casa, onde passam o dia a beber chá e a jogar, entre outras actividades. O filho mais velho vê-se então forçado a assumir responsabilidades familiares e a reflectir sobre a sua vida.

Comentário : Vi este filme chinês de que gostei bastante, realizado pelo conceituado Yang Zhang. O tema principal do filme é o valor da família, enquanto principal bem moral. A sequência inicial do banho automático está espectacular, só mesmo os chineses para inventar tal coisa. Temos boas prestações do trio familiar, principalmente de Wu Jiang, bastante credível. Achei o idoso, pai dos rapazes, muito querido. O filho mais velho regressa a casa, devido a um “engodo” do irmão mais novo e acaba por descobrir um mundo totalmente novo para ele. Aos poucos, vai-se integrando nas histórias de alguns dos clientes do pai, vai ajudando o pai e o irmão, acabando por tornar-se num deles e ajudando no negócio dos banhos à moda antiga. O filme não tem maldade nenhuma, pelo contrário, nota-se que foi feito com muita ternura e cuidado na mensagem que pretendiam passar. É, por isso, um filme muito simples e ao mesmo tempo complexo nas temáticas abordadas, a família e o dever de ajudar quem necessita. Nesses aspectos, o filme funciona muito bem. E sem a lamechice do cinema americano, isto é bom cinema do mundo.

Kandahar

Nome do Filme : “Kandahar”
Titulo Inglês : “Kandahar”
Titulo Português : “Kandahar”
Ano : 2001
Duração : 85 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Mohsen Makhmalbaf
Elenco : Ike Ogut, Nelofer Pazira, Hassan Tantai, Sadou Teymouri, Hoyatala Hakimi, Noam Morgensztern, Zahra Shafahi, Safdar Shodjai, Mollazaher Teymouri.

História : Nafas é uma jovem jornalista afegã que se refugiou no Canadá. Recebe uma carta desesperada da sua irmã mais nova, que ficou no Afeganistão e decidiu suicidar-se antes do iminente eclipse solar que se aproxima. Nafas saiu do seu país durante a guerra civil. Decide voltar e ajudar a sua irmã, tentando atravessar a fronteira Irão-Afeganistão, numa longa e perigosa jornada.

Comentário : Continuamos no cinema do mundo e com mais um filme do Irão. É mais um filme denuncia, neste caso sobre muitas coisas. O realizador mostra-nos a difícil condição de ser-se mulher nestes países, são sempre obrigadas a andar de burka, sendo a vida das crianças também muito complicada, veja-se o caso do garoto guia da protagonista. Temos também um olhar sobre a enorme dificuldade que as pessoas amputadas devido a minas têm em arranjar próteses, mesmo com a Cruz Vermelha a ajudá-las. Temos a questão da sempre constante pobreza e fome, sempre aliadas da maioria destas pessoas, que geram doenças. Já para não falar da guerra, sempre presente nos seus quotidianos e que aparece nas suas mais variadas formas. É um filme biográfico, porque a protagonista existiu de verdade, o argumento é baseado numa história verídica e a única coisa que se lamenta neste filme é não sabermos o que aconteceu depois. Tal como os outros comentados anteriormente, é uma fita onde prima o realismo, é tudo demasiado verdadeiro e genuíno. Podemos acompanhar a complicada jornada da protagonista, que vai conhecendo imensa gente ao longo desse percurso. A sequência que mais me impressionou foi ver os coxos a correr em muletas para tentar apanhar as pernas postiças que chegavam via aérea, brutal.

Crimson Gold

Nome do Filme : “Talaye Sorkh”
Titulo Inglês : “Crimson Gold”
Titulo Português : “Sangue e Ouro”
Ano : 2003
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Realização : Jafar Panahi
Elenco : Hossain Emadeddin, Kamyar Sheisi, Azita Rayeji, Shahram Vaziri, Ehsan Amani, Pourang Nakhael, Kaveh Najmabadi, Saber Safael, Yadollah Samadian, Behnaz Houri, Mehran Rajabi, Ramin Rastad.

História : Hussein é um simples entregador de pizzas que está noivo da irmã do seu melhor amigo. Ele leva uma vida complicada e cheia de necessidades, acabando por se dedicar a pequenos roubos de malas de senhoras, juntamente com o seu amigo. Com o passar do tempo, Hussein vai sendo levado ao extremo, tudo devido às constantes injustiças que vai testemunhando e às humilhações a que vai sendo sujeito.

Comentário : Mais um filme do Irão que eu tive a grande oportunidade de ver. Gostei muito desta fita. O final do filme tem a sua continuação no inicio da fita. Ou seja, acabamos por saber o que realmente aconteceu ao protagonista. Jafar Panahi (Taxi) é um dos realizadores que está proibido de filmar no seu país e mesmo assim continua a filmar, mesmo de forma clandestina. Já o fez algumas vezes depois deste filme que estou agora a analisar. Ele é uma prova viva de que a sétima arte não conhece limites nem pode ser travada por querermos dizer e mostrar as situações reais dos nossos países, ainda que isso seja feito como denuncia. Neste pequeno filme independente, o realizador mostra as diferenças entre a vida de um rico e a vida de um pobre, ou podemos falar no plural se fosse necessário. É a diferença de classes. O personagem principal é levado ao extremo devido a um enorme número de situações, não somente as que vemos na fita, como também aquelas que temos que imaginar que ele já passou. O argumento está muito bem articulado e o filme tem cenas muito bem construídas. Tem também algum humor, sem nunca cair no ridículo. Veja-se a sequência em que Hussein distribui pizza pelos criminosos. E o que dizer do chiar de um rato que se ouve quase sempre que a camara filma o quarto do protagonista. Existem muitos Husseins por esse mundo fora e não devemos cuspir para o ar porque nos pode cair em cima, a vida é muito injusta, principalmente com os mais desfavorecidos.

The Blackboard

Nome do Filme : “Takhte Siah”
Titulo Inglês : “The Blackboard”
Titulo Internacional : “Blackboards”
Titulo Português : “O Quadro Negro”
Ano : 2000
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : Samira Makhmalbaf
Elenco : Said Mohamadi, Behnaz Jafari, Bahman Ghobadi, Mohamad Karim Rahmati, Rafat Moradi, Mayas Rostami, Saman Akbari, Ahmad Bahrami, Mohamad Moradi, Karim Moradi, Hassan Mohamadi, Somaye Veisee, Rasool Mohamadi.

História : Dois professores calcorreiam as montanhas do Curdistão iraniano à procura de alunos. Trazem às costas quadros negros, enormes ardósias onde se ensina a aprender.

Comentário : Vindo do Irão, este filme foi para mim uma valente surpresa na medida em que eu desconhecia por completo a situação nele retratada. No Curdistão e quem sabe onde mais, os professores percorrem as vastas regiões com enormes quadros às costas para ensinar as crianças dos povos que vivem nessas localidades, e os ensinam a ler e a escrever. A realizadora consegue assim nos apresentar uma situação complicada de pobreza extrema existente nas suas paragens e fá-lo denunciando a situação e arriscando muito. Particularmente, eu gostei deste filme, embora não tenha gostado de algumas coisas. Por exemplo, o filme torna-se por vezes repetitivo e tem uma personagem feminina que chega a irritar com a fala. Tirando esses dois factores, estamos perante um filme bastante aceitável e muito diferente das fitas a que estamos habituados a ver. Um último reparo, gostei das paisagens e do trabalho da cineasta, no geral.

12:08 East Of Bucharest

Nome do Filme : “A Fost Sau N-A Fost ?”
Titulo Inglês : “12:08 East Of Bucharest”
Titulo Português : “12:08 A Este de Bucareste”
Ano : 2006
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Corneliu Porumboiu
Elenco : Mircea Andreescu, Teodor Corban, Ion Sapdaru, Mirela Cioaba, Luminita Gheorghiu, Cristina Ciofu, Lucian Iftime, Annemarie Chertic, Petrica Sapdaru, Catalin Paraschiv, George Guoqingyun, Constantin Dita, Daniel Badale, Marius Rogojinski.

História : O país inteiro assistiu em directo na televisão ao momento em que as multidões enraivecidas forçavam o ditador Ceausescu a fugir de Bucareste. Numa cidade sossegada, a este da capital, 16 anos depois deste dia histórico, o dono da estação de televisão local convida duas pessoas a partilhar os seus momentos de glória revolucionária. Mas os telespectadores que ligam para o programa colocam-nos em causa enquanto heróis.

Comentário : Vi este filme romeno esta noite e confesso que gostei bastante, embora já tivesse visto melhor vindo deste país. O filme não possui qualquer componente histórica, é sim, uma obra de ficção sobre a dúvida de ter havido ou não uma revolução. A dúvida é grande, porque nos momentos finais, convidados do programa e espectadores não chegam a acordo, enervando o apresentador. A situação até fica um pouquinho cómica lá para o fim. Destaque para as interpretações, todos estiveram bem com realce para o mais velho que tem que se vestir novamente de Pai Natal. Gostei da fotografia e do argumento, mostrando o quotidiano de algumas personagens. Trata-se de um drama com algum humor, veja-se as situações dos petardos à porta do idoso e, mais tarde, perto dos miúdos. Uma forma diferente de olharmos outra cultura, outro povo, tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Um bom filme.

sábado, 20 de agosto de 2016

The Childhood Of A Leader

Nome do Filme : “The Childhood Of A Leader”
Titulo Inglês : “The Childhood Of A Leader”
Titulo Português : “A Infância de Um Líder”
Ano : 2015
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Brady Corbet
Elenco : Tom Sweet, Berenice Bejo, Liam Cunningham, Yolande Moreau, Stacy Martin, Rebecca Dayan, Sophie Lane Curtis, Robert Pattinson.

História : Após o fim da Primeira Guerra Mundial, uma família americana parte para a França, já que o patriarca foi chamado para ajudar na criação de um Tratado. O filho e a mãe possuem um elo muito forte mas, aos poucos, a criança demonstra um comportamento violento que, muitos anos mais tarde, o faz se tornar um ditador.

Comentário : Trata-se de uma co-produção entre a Inglaterra e a França, um filme simples e muito bem conseguido. Penso que o filme não é biográfico e muito menos baseado num ditador em específico, eu pelo menos, não o associei a ninguém em especial. É uma ficção que mostra como pode mudar alguém no passado de forma a que no futuro seja má pessoa. No caso deste filme, o miúdo tinha pouca atenção dos pais, o pai estava quase sempre fora de casa a trabalho enquanto que a mãe entrou numa fase em que ligava pouco à criança. Basicamente, ele tinha apenas o apoio e a atenção de uma velha governanta, senhora esta que acaba por ser expulsa da mansão pela patroa e por um motivo ridículo, prejudicando o pequeno. Gostei da interpretação de Berenice Bejo, ela fez um trabalho brilhante no papel de uma sofrida mãe e esposa. Mas penso que o grande destaque vai para o pequeno Tom Sweet, o verdadeiro protagonista do filme que arrasa com a sua prestação, fiquei boquiaberto com o desempenho do pequeno. Por outro lado, no papel de pai ausente e marido irresponsável, o veterano Liam Cunningham teve uma prestação bastante aceitável. Gostei de reaver a grande atriz Yolande Moreau. Nem dei por Stacy Martin enquanto que Robert Pattinson não está a fazer nada no filme. A banda sonora chega a ser irritante em certos momentos e alguns planos eram desnecessários. Gostei deste filme, embora esperasse algo com mais conteúdo. Ainda assim, estamos perante um belíssimo filme de época.