quarta-feira, 6 de julho de 2016

Things To Come

Nome do Filme : “L'Avenir”
Titulo Inglês : “Things To Come”
Titulo Português : “O Que Está Por Vir”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Mia Hansen Love
Elenco : Isabelle Huppert, Andre Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob, Sarah Picard, Solal Forte, Elise Lhomeau, Lionel Dray, Gregoire Montana, Lina Benzerti, Yves Heck, Rachel Arditi, Linus Westheuser, Clemens Melzer, Joachim Cohen, Anouk Buron, Elie Wajeman, Heloise Dugas, Larissa Guist.

História : Nathalie é professora de filosofia num instituto de Paris, onde vive com o marido e os dois filhos. A sua grande paixão é o ensino, ajudando cada um dos seus alunos a pensar e a encontrar o seu lugar no mundo. Tudo lhe parece perfeito até ao dia em que o marido lhe pede o divórcio. Apesar do inevitável choque inicial, ela percebe que este pode ser o momento por que tanto esperava. Com 55 anos e uma enorme vontade de se renovar, Nathalie aproveita aquela sensação de liberdade para recomeçar.

Comentário : Este filme assinala o encontro entre duas grandes mulheres : a excelente atriz Isabelle Huppert e a grande realizadora Mia Hansen Love. Aquilo que a realizadora nos propõe é acompanhar a crise de meia-idade de uma intelectual burguesa que acreditou que o futuro ia sempre estar ali ao alcance, e descobre que afinal não, e que não existe filosofia nem pensamento que ajude. E é essa a grande ferida em que a cineasta faz questão de meter o dedo e o faz da melhor maneira. Colocando de parte todo o elenco à excepção de Isabelle Huppert, esta última acaba por funcionar como a grande e única estrela da fita, o filme pertence-lhe. O restante elenco cumpre e bem os mínimos, sempre de forma cordata e afinada, pelo menos os mais importantes. Temos também direito a uma gata adorável.

O filme possui cenas engraçadas e outras bastante simbólicas e irónicas, por exemplo, as passagens em que Nathalie está com o marido. Para mim, este filme é um verdadeiro momento de cinema, é possivelmente o melhor dos cinco filmes de Mia Hansen Love, aquele em que ela atinge o seu auge, a partir daqui, ela pode pisar outros terrenos. As cenas estão muito bem filmadas, com aquele ar de cinema amador e caseiro, gosto imenso deste tipo de filmagem. A história é interessante, tudo graças a um argumento muito bem elaborado e finalizado. E temos a excelente Isabelle Huppert, uma atriz que consegue fazer com que a maioria das suas personagens pareçam mulheres normais, do quotidiano, assim é Nathalie. E quando uma atriz tem essa capacidade, então é porque tudo correu bem. Temos aqui cinema.

Two Friends

Nome do Filme : “Les Deux Amis”
Titulo Inglês : “Two Friends”
Titulo Português : “Os Dois Amigos”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Comédia Romântica/Drama
Realização : Louis Garrel
Elenco : Louis Garrel, Golshifteh Farahani, Vincent Macaigne, Mahaut Adam.

História : Clement é um actor desempregado que, para sobreviver, aceita trabalhos como figurante. Abel, o seu melhor amigo, é um escritor que também não se encontra no melhor momento da sua vida. Quando o primeiro se apaixona irremediavelmente por Mona, uma bela rapariga com um passado duvidoso, fica sem saber o que fazer para a conquistar. É então que decide ir pedir ajuda a Abel, cujo sucesso sobre o sexo oposto nunca o deixou ficar mal. Porém, sem que nenhum pudesse prever, entre os três surge uma estranha ligação que vai colocar em causa muito mais do que a amizade que os uniu até ali.

Comentário : A primeira longa-metragem de Louis Garrel enquanto realizador, co-escrita com Christophe Honore, não é assim tão má quanto alguns criticos andam por aí a apregoar. Embora ainda seja cedo demais para apurarmos se o homem é melhor numa função ou na outra, de uma coisa eu tenho a certeza, ele sempre foi para mim um bom ator. Foi como eu disse, não achei este filme mau, para mim, é uma obra razoável, onde é posta à prova a amizade de dois amigos e tudo, claro está, por causa de uma mulher. Na minha opinião, neste filme, Louis Garrel não tem tanto protagonismo. Neste caso, o protagonismo e o brilho voa mais para o lado de Vincent Macaigne, o ator que desempenha o seu amigo do titulo. Diria mesmo que Louis Garrel está igual a si próprio e igual ao que estamos habituados a ver ele fazer enquanto ator e personagem nos seus mais variados filmes. Mas aqui teve o azar de ter alguém mais justo para este tipo de argumento e de filme.

Talvez tivesse tão empenhado na cadeira de realizador e a filmar, que tenha falhado um pouquinho na parte da representação. Até na parte do humor, Vincent Macaigne lhe bate aos pontos. Temos portanto um bom Vincent Macaigne, um sempre igual Louis Garrel e, por último, temos a bonita Golshifteh Farahani, como atriz neste filme até teve um bom desempenho, mas podia ter dado mais de si. Como amigos, curiosamente, os dois funcionaram bem, seja como Louis Garrel e Vincent Macaigne, seja enquanto Clement e Abel e isso é o mais importante, a dupla resultou bem, principalmente no que à empatia diz respeito. Aliás, o filme resulta em parte devido à dupla protagonista. Louis Garrel não falhou como realizador, mas ainda tem imensa estrada para percorrer, diria que lhe falta fugir um pouco aos lugares comuns e espera-se mais e melhor em próximos trabalhos nesta sua recente função. Um filme razoável, nada mais.

Dear Eleanor

Nome do Filme : “Dear Eleanor”
Titulo Inglês : “Dear Eleanor”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Kevin Connolly
Elenco : Liana Liberato, Isabelle Fuhrman, Jessica Alba, Josh Lucas, Meggie Maddock, Patrick Schwarzenegger, Murray Wyatt Rundus, Ione Skye, Claire Van Der Boom, R. J. Wagner, Luke Wilson, Paul Johansson, Joel Courtney, Kellie Cage, Aimee Bell.

História : Ellie e Maxine são duas lindas e simpáticas adolescentes que, cheias de vida, têm imensos sonhos e objetivos. Um dia, as duas miúdas decidem fazer uma viagem de carro por toda a América com a intenção de encontrarem a grande Eleanor Roosevelt.

Comentário : Sou um grande admirador das jovens atrizes Liana Liberato (Trust) e Isabelle Fuhrman (Orphan), pelo que tento ver todos os filmes em que elas entram. À um ano, soube pela IMDB que Kevin Connoly ia juntar as duas num road-movie cuja ação decorre em 1962 e fiquei surpreendido e curioso. Esta tarde, finalmente consegui ver o filme e confesso ter gostado, embora tenha coisas que não me agradou. O filme peca pelo humor que algumas cenas abarcam e peca igualmente por algumas situações ridículas, por exemplo, o pai de Ellie e o rapaz seguirem-nas numa moto dupla por todo o país. A própria personagem de Jessica Alba, apesar de ter resultado, não condiz muito bem com o universo das duas miúdas e muito menos com aquilo que elas estão a viver. 

Como aspectos positivos, temos o excelente factor de se tratar de um bom road-movie e neste aspeto a coisa funcionou. Gostei do personagem do fugitivo que acompanha as meninas a maior parte da viagem, a relação que ele cria com elas é excelente. Adorei a sequência na prisão com ele a fazer-se passar por pai das miúdas e marido de Daisy. Liana Liberato e Isabelle Fuhrman, mais uma vez, tiveram boas interpretações e as duas funcionaram muito bem juntas, a empatia entre estas duas pequenas profissionais resultou na perfeição. Cabe às duas os melhores momentos da fita, como melhor cena eu apontava aquela em que elas fazem aquele número dançado para Daisy no quarto do motel. Diria que foi uma grande ideia juntar estas duas raparigas talentosas no mesmo filme, porque ambas fizeram um excelente trabalho, o filme resulta precisamente devido a elas. Em resumo, gostei deste filme inédito e lamento somente hoje ter conseguido vê-lo. 

Wondrous Boccaccio

Nome do Filme : “Maraviglioso Boccaccio”
Titulo Inglês : “Wondrous Boccaccio”
Titulo Português : “Maravilhoso Boccaccio”
Ano : 2015
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Paolo Taviani/Vittorio Taviani
Produção : Luigi Musini/Donatella Palermo
Elenco : Paola Cortellesi, Carolina Crescentini, Vittoria Puccini, Kasia Smutniak, Jasmine Trinca, Eugenia Costantini, Miriam Dalmazio, Melissa Bartolini, Camilla Diana, Beatrice Fedi, Ilaria Giachi, Barbara Giordano, Francesca Agostini, Sonia Cavallini, Valentina Belle, Maria Teresa Campus, Silvia Frasson, Cristina Liberati, Matilde Piana, Enrica Rosso, Irene Vannelli, Nina Zampagni, Rosabell Laurenti Sellers, Flavio Parenti, Michele Riondino, Kim Rossi Stuart, Riccardo Scamarcio, Josafat Vagni, Fabrizio Falco, Nicolo Diana, Sergio Albelli, Roberto Andrioli, Rocco Gregorio, Niccolo Bocci, Gianluca Vannucci, Lino Guanciale, Leonardo Santini.

História : Na Florença (Itália) de 1348, as cidades da Toscânia foram assoladas pela peste. Um grupo de jovens, raparigas e rapazes, abriga-se numa remota mansão nas colinas que rodeiam a cidade. Vivendo em comunidade, decidem contar uns aos outros uma história por dia, para afastar dos seus espíritos a precariedade da sua situação.

Comentário : Razoável filme de época este realizado pelos mesmos realizadores que nos deram o fabuloso “César Deve Morrer”. Detentor de um enorme elenco e de um excelente guarda roupa, este filme tem igualmente uma banda sonora notável. Tem uma boa história central, simples, mas boa e que se reparte por outras tramas. O filme aborda a fuga de vários jovens para o campo, com a intenção de escaparem à peste negra e, para passarem o tempo, contam histórias uns aos outros. O modo é simples, quando um jovem começa a contar a sua história, a ação passa para a suposta história, mudam os atores e funciona tudo como uma espécie de flashback, regressando depois à história original, à dos jovens. Pessoalmente, não gostei de nenhumas das histórias contadas, embora aquela que mais me tivesse interessado fosse aquela que foi contada pela menina mais bonita do grupo dos jovens, a história do homem e da sua ave. Gostei do filme porque o argumento inicial é algo forte e a intenção dos cineastas foi boa. Além disso, gostei das interpretações de todos. Este filme de época faz ver a muitos filmes americanos do género, ficou tudo muito organizado, tendo uma excelente recriação de época. Um último reparo, este filme estreia no nosso país para a semana, duvido que desperte grande interesse e duvido ainda mais que se aguente mais que uma semana em cartaz, é uma obra muito diferente daquilo que estamos habituados e deverá aborrecer a quem o ver. Eu gostei. 

Difret

Nome do Filme : “Difret”
Titulo Inglês : “Difret”
Ano : 2014
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Biográfico/Crime
Realização : Zeresenay Mehari
Produção : Zeresenay Mehari/Leelai Demoz/Mehret Mandefro/Angelina Jolie
Elenco : Tizita Hagere, Meron Getnet, Shitaye Abraha, Genene Alemu, Semahegn Alemu, Teferi Alemu, Deribwork Assefa, Haregewine Assefa, Hiwot Assefa, Yohannes Belay, Getachew Debalke, Kiya Kennha, Tesfaye Kinfe, Mekonen Laeake, Solomon Teka, Meaza Tekle, Girma Teshome, Rahel Teshome, Kal Thestome.

História : A luta de uma menina que desafia a tradição etíope, sobre o sequestro para forçar o casamento.

Comentário : Trata-se de cinema do mundo, neste caso é um filme feito na Etiópia e com produção, entre outros, de Angelina Jolie, alguém que dedica muito e contribui imenso para estas causas. O filme não é só baseado na história real de Hirut Assefa, mas também em centenas de outras meninas que, segundo aquela tradição estúpida e criminosa, foram raptadas às suas famílias, violadas e obrigadas a casar com homens adultos. É praticamente impossível não ficarmos impressionados com o drama destas crianças, mas também das suas famílias. Num país tão atrasado como aquele, até fiquei admirado que os juízes tenham absolvido a coitada da miúda e indo contra praticamente toda a aldeia, afinal, quase todos os homens e mesmo algumas mulheres defendem aquelas práticas. No papel da miúda protagonista, a jovem Tizita Hagere interpretou muito bem o seu papel. O mesmo se pode dizer da atriz que desempenhou a sua advogada e protetora. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, fiquei a saber coisas que não sabia. É de destacar todas as pessoas que se mexem para ajudar quem mais precisa e arriscam quase tudo para acabar com as injustiças, no caso desta história, a principal foi Meaza Ashenafi. Bom filme biográfico. 

Asphalte

Nome do Filme : “Asphalte”
Titulo Inglês : “Macadam Stories”
Titulo Português : “Histórias de Bairro”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Samuel Benchetrit
Produção : Julien Madon/Marie Savare/Ivan Taieb
Elenco : Isabelle Huppert, Gustave Kervern, Valeria Bruni Tedeschi, Jules Benchetrit, Michael Pitt, Mickael Graehling, Larouci Didi, Abdelmajid Barja, Thierry Gimenez, Tassadit Mandi.

História : Num prédio numa cidade, o elevador está avariado. Três encontros. Seis personagens. Será que Sternkowtiz abandona a sua cadeira de rodas para encontrar o amor de uma enfermeira da noite ? Conseguirá Charly, adolescente negligenciado, fazer reviver um papel a Jeanne Meyer, atriz dos anos 80 ? E que acontecerá a John McKenzie, astronauta caído do céu e recolhido pela senhora Hamida.

Comentário : O filme abre com uma sequência que decorre na sala de um dos condóminos de um prédio, onde se preside a uma reunião para apurar quem quer participar na despesa da aquisição de um elevador novo para a habitação. Um dos moradores recusa participar na despesa, porque mora no primeiro andar e não usa elevador, logo, não faz sentido pagar por algo que não usa. Os outros moradores do prédio concordam com ele, mas dizem-lhe que ele fica proibido de se servir do elevador. Ora, esse morador egoísta e nada solidário não podia estar mais enganado. O filme é uma espécie de comédia dramática, onde o humor é bastante subtil. O principal erro do filme é que o prédio possui 10 andares, morando dois residentes por piso, logo a fita apresenta somente seis personagens, ou seja, o realizador podia ter arranjado mais histórias com outros moradores, afinal, na dita reunião de condomínio estavam imensos. Para mim, a história que eu mais gostei foi claramente a do astronauta e da senhora Hamida, devido à natureza da história e ao rumo que as coisas levam. Gostei, mais uma vez, da interpretação da sempre excelente Isabelle Huppert. Michael Pitt e Gustave Kervern também não se saíram nada mal. Um último reparo, adorei a atriz veterana que desempenhou o papel da senhora Hamida, a velhota que acolheu o astronauta. O filme tem estreia no nosso país brevemente e tem distribuição pela Alambique Filmes. 

Highway

Nome do Filme : “Highway”
Titulo Inglês : “Highway”
Ano : 2014
Duração : 134 minutos
Género : Drama/Aventura/Romance
Realização : Imtiaz Ali
Produção : Imtiaz Ali
Elenco : Alia Bhatt, Randeep Hooda, Durgesh Kumar, Pradeep Nagar, Saharsh Kumar Shukla, Hemant Mathur, Shakeel Khan, Reuben Israel, Arjun Malhotra, Naina Trivedi, Samar Mudasir Bakshi, Vikram Seth, Kavita Seth, Ranjit Batra, Sanjay Chauhan.

História : Veera é uma adolescente que está de casamento marcado. No entanto, ela acaba por ser raptada. Curiosamente, a miúda prefere os momentos em que viaja com os seus raptores pela estrada, do que propriamente a vida que levava antes. Veera prefere estar longe de tudo, ainda que a sua actual condição não seja a melhor.

Comentário : Se tivesse de resumir este filme indiano numa única palavra, seria : Perfeito. No fundo, trata-se de um road-movie indiano que aborda diversas temáticas. O filme fala de temas como a diferença de classes, o amor, a amizade, os laços humanos, a miséria, a podridão dos ricos e poderosos, as injustiças, a aventura e o drama em si, o abuso sexual de menores consentidos pelas mães, a liberdade, a natureza, as leis duras de uma cultura rígida, a indiferença face ao outro, um amor praticamente impossível dadas as circunstâncias embora seja possível perante a vida, entre outros temas menores mas igualmente merecedores de atenção. Os filmes indianos costumam ser longos e este não foge à regra, já o anterior “Neerja” era uma fita longa para a história que pretendia contar. Pessoalmente e em relação a este “Highway”, eu tirava algumas cenas e facilmente condensava tudo em duas horas certas. O filme possui cenas lindas, quase todas vividas pelo “casal protagonista”, mas a minha preferida é a que mostra a imagem em baixo, quando o “vilão” sorri para a miúda naquela estação de autocarros, muito lindo. 

Gostei da banda sonora, embora seja contra meterem legendas a traduzirem o que está a ser cantado. Apesar de uns poucos erros, adorei praticamente tudo neste filme indiano. Aquilo que mais gostei foi do argumento, da história em si, muito rica no que ao campo sentimental diz respeito. O filme mostra como, por vezes, as coisas na vida podem dar uma volta completamente e totalmente inesperada, às vezes para melhor, foi isso que aconteceu nesta fita, embora as coisas não tenham tido um final muito feliz. Veera é uma personagem muito poderosa e rica, a bonita e talentosa Alia Bhatt (nas duas fotos em baixo) foi quem deu corpo a esta fantástica personagem e o fez de forma perfeita, melhor seria impossível. Adorei a prestação da miúda, que grande profissional. Por seu lado, Randeep Hooda (protagonista masculino) esteve igualmente perfeito, adorei também o seu papel e o seu desempenho. O casal funcionou muito bem e a sua empatia foi notável. Veera foi uma personagem que eu percebi totalmente, entendi cada atitude sua, percebi a sequência passada em sua casa perto do final, e assimilei na perfeição o evoluir dela ao longo das quase duas horas e meia de duração. Vejo pouco cinema indiano, mas posso assegurar que este foi o melhor que já vi até hoje. Que grande momento de cinema, este filme é um hino ao amor e à liberdade. 

King Jack

Nome do Filme : “King Jack”
Titulo Inglês : “King Jack”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Felix Thompson
Elenco : Charlie Plummer, Chloe Levine, Yainis Ynoa, Erin Davie, Cory Nichols, Christian Madsen, Danny Flaherty, Keith Leonard, Melvin Mogoli, Elijah Richardson.

História : Jack é um adolescente de quinze anos que mora numa pequena cidade cheia de delinquentes, onde ele aprendeu a lidar com as coisas para conseguir sobreviver, levando em conta que Jack não tem pai e a mãe não se importa com ele. Quando a sua tia fica doente, o primo mais novo de Jack precisa ficar com ele. Apesar de não querer cuidar do primo, Jack acaba descobrindo a importância da amizade, da família e da capacidade de procurar a felicidade mesmo em diferentes situações.

Comentário : Trata-se de cinema indie no seu melhor, é um filme independente muito bom. Nunca tinha ouvido falar deste filme e fiquei bastante surpreendido com ele. O filme aborda os bairros problemáticos, as famílias disfuncionais, a carência de afectos, o bullying, a violência na juventude, a descoberta da sexualidade, a amizade ou a ausência dela, entre outros pequenos temas que ao longo dos apenas 75 minutos de projeção vão surgindo. A realização é muito boa e o argumento, apesar de uma ou duas falhas, está muito bem esgalhado. Gostei desta história, a fita fala da vida em si. Fiquei admirado com a interpretação do jovem Charlie Plummer, o nosso grande protagonista, o rei do titulo. O motivo pelo qual é este titulo deixou-me bastante comovido. 

No papel das suas “melhores amigas”, Chloe Levine e Yainis Ynoa (fotos em baixo), tiveram prestações bastante convincentes e o facto de ambas já terem entrado em outros trabalhos, não tem a ver com isso, as miúdas destacaram-se neste filme pela positiva. A melhor cena do filme deve-se a elas, estou a falar do jogo que as duas fazem com Jack e Ben no quarto de Harriet. Lamentável é este tipo de cinema chegar tarde às nossas mãos, o filme já é do ano passado. Em resumo, um grande filme, é a prova que não é preciso grandes orçamentos para se fazer uma boa obra cinematográfica, mais fácil pagaria para ir ao cinema ver este filme do que daria o meu dinheiro para ir ver um desses imensos filmes comerciais que estreiam anualmente no nosso país. Um último reparo, em algumas situações, eu identifiquei-me com Jack e mais não digo. Grande filme. 

The Artist And The Model

Nome do Filme : “El Artista Y La Modelo”
Titulo Inglês : “The Artist And The Model”
Titulo Português : “O Artista e a Modelo”
Ano : 2012
Duração : 106 minutos
Género : Drama
Realização : Fernando Trueba
Produção : Anne Deluz/Cristina Huete
Elenco : Jean Rochefort, Aida Folch, Claudia Cardinale, Chus Lampreave, Gotz Otto, Christian Sinniger, Martin Gamet, Mateo Deluz, Alain Torrent, Simon Guilbert, Michel Jaquesmin, Dorian Astrou, Albam Riou, Guillaume Virag, Sarah Villesvieille, Aniol Llop, Anna Julia Chafer, Liam Chafer, Aniol Canada, Carla Brunso, Aina Bramona, Sergi Comerma, Jan Aranda, Marc Fernandez, Pol Fernandez, Mireia Masdeu, Adria Andurell, Genis Cros, Miquel Puig, Ramon Codina, Michel Brigand.

História : Marc Cros é um escultor que já está aposentado à anos. Aos 80 anos, ele vive com a sua esposa numa pequena vila no interior de França, perto da fronteira com a Espanha. Em pleno verão de 1943, vê a sua esposa oferecer abrigo a uma jovem espanhola fugitiva do regime de Franco. A jovem passa a viver no atelier de Marc. Pouco a pouco, ele recupera a vontade de trabalhar e passa a usar a miúda como fonte de inspiração e modelo para criar novas obras.

Comentário : Gostei bastante deste filme, confessando que nem sabia da sua existência, pelo que a fita funcionou para mim como uma grande surpresa. O trabalho de Fernando Trueba enquanto realizador é muito bom, a excelente fotografia a preto e branco resulta na perfeição. No papel de protagonista masculino, o veterano Jean Rochefort esteve muito bem, que grande senhor e que grande interpretação. Apesar de Claudia Cardinale ter feito um bom papel, os méritos no que ao protagonismo feminino dizem respeito vão todos para a linda jovem Aida Folch, esta miúda entregou-se totalmente ao seu papel, fiquei abismado com a sua presença. Além disso, a química entre ela e Rochefort funcionou muito bem. O filme possui o campo como cenário principal, nos facultando lindas imagens, ainda que sem cores, conseguiu transmitir toda a beleza das coisas. O personagem do soldado e do amigo nazi do velho escultor são totalmente desnecessárias, a meu ver. Estragam um pouco o clima que estava criado entre o artista e a modelo. Não queria ser mauzinho, mas fiquei com dúvidas se em algumas cenas, o corpo da atriz era mesmo o dela ?, se seria montagem. Um último reparo, Aida Folch é linda, estou-me a referir ao rosto, como é evidente. Quanto ao filme, é muito bom. 

Little Thirteen

Nome do Filme : “Little Thirteen”
Titulo Inglês : “Little Thirteen”
Titulo Português : “Meus Treze Anos”
Ano : 2012
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Christian Klandt
Elenco : Muriel Wimmer, Antonia Putiloff, Isabell Gerschke, Joseph Konrad Bundschuh, Philipp Kubitza, Gerdy Zint, Gisa Flake, Chiron Elias Krase, Pelagia Kapoglou, Claudia Geisler, Thomas Bading.

História : Sarah tem 13 anos de idade e a sua melhor amiga, Charly, já tiveram muitos parceiros sexuais. Um dia, Sarah conhece Lukas, num chat na internet, e pela primeira vez em sua vida, quer um relacionamento de verdade. Enquanto isso, Charly quer encontrar um pai para o seu futuro filho.

Comentário : Trata-se de um filme alemão que tive o prazer de ver na última madrugada. E é um filme que dá que pensar, para onde caminha a humanidade ? Senão vejamos, que mãe quer participar numa relação sexual onde estão a própria filha com o namorado, ambos adolescentes, tipo uma orgia. Pois é isso mesmo que acontece na parte final do filme, eu não percebi qual a mensagem do realizador ao levar as coisas para este rumo. Uma coisa que está mal feita, a protagonista nunca parece ter treze anos, a miúda parece já ter 18 anos. Apesar disso, gostei da prestação dela, a jovem chama-se Muriel Wimmer e fiquei impressionado com a sua dedicação ao papel. O mesmo se pode dizer de Antonia Putiloff, no papel de sua melhor amiga, ela também teve um bom desempenho. Curiosamente, detestei todos os personagens masculinos do filme. Não gostei também da atriz que fez de mãe da protagonista, que má interpretação, parecia que estava a fazer um frete na maioria das cenas. O filme tem alguns bons planos e uma boa fotografia. Apesar de aparecerem muito pouco, adorei os porquinhos da índia, a seguir aos felinos, são os meus animais preferidos. Basicamente, gostei do filme, mas assusta um pouquinho perceber que o ser humano está cada vez mais a perder os valores morais. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

The Fundamentals Of Caring

Nome do Filme : “The Fundamentals Of Caring”
Titulo Inglês : “The Fundamentals Of Caring”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Rob Burnett
Produção : Rob Burnett
Elenco : Paul Rudd, Craig Roberts, Selena Gomez, Bobby Cannavale, Jennifer Ehle, Megan Ferguson, Julia Denton, Samantha Huskey, Ashley White, Frederick Weller.

História : Depois de ter sofrido uma tragédia, Ben tira um curso de acompanhante/cuidador de pessoas necessitadas. Seu primeiro cliente, Trevor, um jovem com distrofia muscular. Paralisado emocionalmente e fisicamente, Trevor tem uma mãe que se preocupa muito com ele, mas priva-o de muitas coisas. Um dia, Ben decide levar Trevor numa viagem estrada fora que tem como objetivo a concretização de um sonho do jovem. Após encontrarem no caminho uma linda jovem chamada Dorothy, os dois decidem dar-lhe boleia. Juntos e durante a longa viagem, os três vão compreender a importância da esperança e da verdadeira amizade, para além de crescerem enquanto seres humanos.

Comentário : Gostei bastante deste filme, uma obra que aborda o tema da amizade, um sentimento que pode surgir do nada e que preenche bastante as vidas das pessoas. Confesso que só à poucos dias, tive conhecimento deste pequeno filme independente e tive logo vontade de o ver, quanto mais não seja pelos temas e por ter como atriz principal, Selena Gomez, considerada por mim, a rapariga mais linda do mundo. Vi este filme durante a tarde do dia de hoje e confesso que me senti totalmente preso ao ecrã, sempre na expectativa daquilo que iria acontecer de seguida. Muito longe da palhaçada de “Ant-Man”, Paul Rudd tem aqui um bom papel, obtendo com ele uma grande prestação. No papel do segundo protagonista, o jovem Craig Roberts, surpreendeu-me imenso pela positiva, confesso que não era muito ligado aos filmes por ele interpretados, mas fiquei-lhe rendido, que desempenho fantástico. O mesmo se pode dizer da linda cantora/atriz Selena Gomez, adorei a sua Dorothy (Dot). A empatia dela com o jovem protagonista funcionou muito bem, fiquei fascinado com a química dos dois. O próximo filme dela, será uma fita histórica realizada pelo talentoso James Franco, onde fará o papel de uma trabalhadora da década de 1930. 

Quanto a este filme de noventa minutos que estou aqui a comentar, não podia deixar de referir também a excelente química existente entre Paul Rudd e Craig Roberts, os dois são o melhor do filme. O filme pode igualmente funcionar como uma espécie de road-movie, na medida em que os três protagonistas passam a vida a viajar de terra em terra, o próprio filme em si é sobre uma viagem. Gostei do argumento, nunca apela à lágrima e tem algum humor aqui e ali. Penso que a personagem grávida nada está a fazer no filme, a considero mesmo uma figura nula, aquela cena em que Ben faz o parto dela, é simplesmente patética. Pessoalmente, gostei bastante deste filme independente e lamentaria se ele não estreasse nas nossas salas de cinema daqui a alguns meses, porque o filme é muito bom. Um último reparo, o filme possui bonitas cenas que resultam em lindos momentos, tudo muito cordato, agradável e emocionante. Gostei bastante. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Risttuules

Nome do Filme : “Risttuules”
Titulo Inglês : “In The Crosswind”
Titulo Alternativo : “Crosswind”
Ano : 2014
Duração : 87 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Martti Helde
Elenco : Laura Peterson, Tarmo Song, Mirt Preegel, Ingrid Isotamm, Einar Hillep.

História : Erna, uma estudante de filosofia, vive com o seu marido e a sua filha pequena em uma bela propriedade no campo, na Estónia, até que durante a Segunda Guerra Mundial, o país é invadido pelas tropas de Stalin. Erna e a filha são enviadas para uma fazenda de trabalhos forçados, junto com outras mulheres e suas filhas. A estudante tenta se comunicar com o marido, enviado para uma espécie de gulag, através de cartas.

Comentário : Vindo diretamente da Estónia, confesso ter gostado bastante deste filme que aborda o holocausto soviético. E o filme foi nos apresentado de uma forma única e diferente, só vi algo parecido no filme “O Moínho e a Cruz”, filme de 2011 realizado por Lech Majewski. “Risttuules” é daqueles filmes que nos deixam marcas, neste caso, pela maneira como o cineasta nos apresenta a sua longa metragem. Na realidade, trata-se de um filme histórico, sem diálogos, as falas que ouvimos são a “protagonista” a narrar as cartas que vai escrevendo ao seu marido, narrando também alguns acontecimentos e sonhos do passado. Depois o que temos são imagens dos atores parados, apenas as roupas e os cabelos mexem-se ao sabor do vento, e a camara vai atravessando-os constantemente e mostra o que se vai passando. Os únicos planos correntes são os do ínício do filme e penso que isso apenas volta a acontecer em mais dois ou três breves momentos em todo o filme. Pessoalmente, fiquei encantado com este pequeno filme, bastante surpreendido pela positiva. Mas confesso que não é filme para qualquer pessoa, esta é uma fita poética, muito bem elaborada, com o bónus de ser filmada a preto e branco. Isto é um filme muito alternativo, mas ainda bem que dei com ele, é impressionante como poucas pessoas podem fazer tanto mal a milhares de outros seres humanos. Este filme é um retrato cru e duro da verdadeira face do ser humano, grande filme. 

domingo, 26 de junho de 2016

Gueros

Nome do Filme : “Gueros”
Titulo Inglês : “Gueros”
Titulo Português : “Gueros”
Ano : 2014
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Alonso Ruiz Palacios
Elenco : Sebastian Aguirre, Tenoch Huerta, Leonardo Ortizgris, Ilse Salas, Raul Briones, Laura Almela, Adrian Ladron, Camila Lora, Alfonso Charpener.

História : O jovem Tomás vive sozinho com a mãe no México. Desordeiro e problemático, é um enorme peso na vida da progenitora. Um dia, após um acidente, a mãe manda-o ir viver com o seu outro filho. Com a greve de estudantes como pano de fundo, os dois irmãos decidem empreender uma viagem por todo o país em busca do ídolo do pai : o lendário Epigmenio Cruz, estrela rock que fez sucesso algumas décadas antes. Pelo caminho, o irmão mais velho de Tomás, ainda encontrará Ana, uma jovem por quem sempre esteve apaixonado.

Comentário : Gostei deste filme mexicano, principalmente porque é uma espécie de road-movie, um tipo de filmes que eu aprecio bastante. E nesse aspecto, está bem feito. O filme segue a um bom ritmo, somos apresentados à personagem principal, o jovem Tomás, brilhantemente interpretado por Sebastian Aguirre, o rapaz fez os trabalhos de casa. Da mãe dele, pouco sabemos, apenas o essencial, que é uma senhora sofrida pelo abandono do filho mais velho e pela maneira de ser do seu rebento mais novo. O filme prima também por ter uma poderosa fotografia a preto e branco que contribuiu para que a coisa resultasse ainda melhor. Como irmão do protagonista, Tenoch Huerta também não vai mal, são dele algumas boas tiradas. Como referência feminina, temos igualmente uma bastante competente Ilse Salas, apesar de não ser muito bonita, esta jovem atriz soube levar o seu barco a bom porto. É devido a estes factores que gosto de cinema que não seja norte-americano, ou seja, acontecem sempre boas descobertas. Como pontos negativos, tenho que dizer que houve cenas que facilmente se podiam ter retirado, o cineasta podia ter feito isso e ficava tudo condensado em noventa minutos, isso sim, seria um filme ainda melhor. Mas, o que temos já é muito bom. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

The Commune

Nome do Filme : “Kollektivet”
Titulo Inglês : “The Commune”
Titulo Português : “A Comunidade”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Thomas Vinterberg
Elenco : Martha Sofie Wallstrom Hansen, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Julie Agnete Vang, Helene Reingaard Neumann, Fares Fares, Ole Dupont, Lars Ranthe, Mads Reutherr.

História : Na década de 70, Erik e Anna são um casal de académicos cheio de sonhos. Junto com a filha adolescente, Freja, eles montam uma comunidade em um elegante bairro de Copenhagen para dividir a enorme casa e viver em conjunto com outras pessoas. Querendo estar no centro da história e realizar o sonho de viver em grupo, eles fazem jantares, reuniões e festas. Levados pelo mesmo sonho, um caso amoroso abala esta pequena comunidade, fazendo com que esse pequeno grupo de sonhadores e idealistas acordem para a realidade.

Comentário : Trata-se de cinema dinamarquês, um filme realizado pelo mesmo homem que nos trouxe os excelentes “A Caça” e “Longe da Multidão”. No entanto, podem ficar preocupados, a qualidade desses dois títulos não se encontra neste “The Commune”. Não que o filme seja mau, não o é. O filme em causa é uma boa fita, mas peca por não ter uma trama complexa e elaborada, características encontradas nos tais dois títulos já referidos numa frase anterior. No entanto, o filme possui excelentes diálogos e prestações de grande qualidade, principalmente a cargo do casal protagonista e da jovem filha deles. A história, embora simples, segue-se muito bem, ainda que por vezes tende a estagnar em algumas partes. O filme peca igualmente por ser possuidor de alguns clichés e lugares comuns próprios deste tipo de produções, mas é complicado evitar essas falhas, afinal, pode-se ter esta história como algo familiar. A ideia até é engraçada, mas o realizador podia ter arranjado um outro foco de destabilização da tal comunidade, em vez de seguir com uma relação amorosa, ou sexual, entre um homem casado e uma jovem vinda de fora. É algo já visto em muitos outros filmes. Mas, no geral, gostei deste filme, embora prefira largamente os dois anteriores filmes de Thomas Vinterberg. Penso que o realizador se perdeu um pouquinho. Ainda assim, o filme é bom.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

My Golden Days

Nome do Filme : “Trois Souvenirs De Ma Jeunesse”
Titulo Inglês : “My Golden Days”
Titulo Português : “Três Recordações da Minha Juventude”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Arnaud Desplechin
Elenco : Quentin Dolmaire, Lou Roy Lecollinet, Mathieu Amalric, Dinara Drukarova, Cecile Garcia Fogel, Françoise Lebrun, Irina Vavilova, Olivier Rabourdin, Elyot Milshtein, Pierre Andrau, Lily Taieb, Raphael Cohen, Kheifets Gregory, Clemence Gall, Theo Fernandez, Anne Benoit, Yassine Douighi, Melodie Richard, Antoine Bui, Timon Michel, Ivy Dodds, Gilles Cohen, Laure Josnin, Andre Dussollier.

História : Depois de uma longa ausência no estrangeiro, Paul está de regresso a França. Chegar a casa fá-lo reviver o passado e recuar a três momentos decisivos da sua vida : a infância, que deixou vários traumas devido à péssima relação com a mãe; uma viagem à antiga URSS, onde ajudou um jovem judeu a fugir do país; e, por último, a paixão por Esther, uma rapariga misteriosa que foi – e talvez ainda seja – o grande amor da sua vida.

Comentário : Penso ter sido no ano passado que este filme teve a sua estreia nas nossas salas de cinema e penso também que apenas estreou pela Medeia Filmes, se não estou em erro. Posso dizer que gostei deste filme, ele divide-se em capítulos, claramente que a parte que eu mais gostei foi do romance dos dois protagonistas na sua componente jovem, Quentin Dolmaire e Lou Roy Lecollinet estão divinais nesta fita, a química entre os dois resultou muito bem. Mathieu Amalric vai muito bem no seu papel, onde compõe a fase adulta do protagonista masculino. Sempre gostei deste ator e realizador. A realização e a recriação de época estão muito boas, com destaque para o guarda roupa. Facilmente tirava uma ou duas cenas, estou a falar naquelas partes do inicio da discussão entre Paul e a mãe na escadaria do prédio, profundamente dispensáveis. De certeza que haveria outra maneira de o realizador mostrar que eles não se davam bem. Nota positiva para os diálogos, ver Mathieu Amalric ser irónico é sempre um prazer. Todos os atores, quer principais, quer secundários, fizeram um bom trabalho na área da representação, creio que houve um grande esforço por parte de todos para que as coisas tivessem resultado da melhor maneira. No geral, estamos perante um bom filme.
 

Aferim

Nome do Filme : “Aferim!”
Titulo Inglês : “Brave!”
Ano : 2015
Duração : 106 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Radu Jude
Elenco : Teodor Corban, Mihai Comanoiu, Toma Cuzin, Alexandru Dabija, Luminita Gheorghiu, Victor Rebengiuc, Alberto Dinache, Mihaela Sirbu, Adina Cristescu, Serban Pavlu, Gabriel Spahiu, Daniel Visan, Puiu Mircea Lascus, Mihaela Dragan.

História : No início do século XIX, um pai e o seu filho percorrem o continente europeu em busca de um escravo, pelo caminho vão conhecendo imensa gente e várias culturas. Os dois acabam por conhecer várias vivências e testemunhar inúmeros acontecimentos.

Comentário : Deste realizador, confesso que tenho imensa curiosidade em ver um filme seu que se chama “Everybody In Our Family”, mas resolvi começar por conhecer o seu trabalho enquanto cineasta por este seu último trabalho, premiado em alguns festivais, incluindo o nosso Indie Lisboa. Apesar de ter gostado do filme, tenho que confessar que não é uma obra fácil de seguir, a narrativa é bastante dispersa e baseia-se em documentos escritos encontrados, papéis esses provenientes daquela época. A fotografia a preto e branco dá um toque especial à coisa e nos dá a hipóteses de saborear o filme de uma outra maneira. Mas não senti empatia com os dois personagens principais, tive sim, mais pena do coitado do escravo, penso que o filme foca igualmente o tipo de escravatura existente naquela época. Gostei do filme mas, devido aos vinte prémios que ganhou, esperava algo melhor. Um filme razoável.

sábado, 18 de junho de 2016

Partisan

Nome do Filme : “Partisan”
Titulo Inglês : “Partisan”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ariel Kleiman
Produção : Anna McLeish/Sarah Shaw
Elenco : Vincent Cassel, Jeremy Chabriel, Florence Mezzara, Anastasia Prystay, Katalin Hegedus, Daniel Vernikovski, Samuel Eydlish, Csenge Birloni, Sapidah Kian, Zsofia Stavropoulos, Viviana Martinez, Alexander Dahlberg, Anna Eydlish, Natalia Gorbacheva, Sosina Wogayehu, Kidus Melaku, Adrian Wilson, Wietse Cocu, Alexander Kuzmenko, Oscar Dahlberg, Rosa Voto, Tahlia Mercuri, Raphael Tokarev, Bemisgana Kifle, Frank Moylan, Mzia Kapanadze, Georgia Beasley.

História : Um homem criou e mantém um mundo habitado por ele, pelas suas várias mulheres e pelos filhos e filhas que vai tendo delas. Ele rege-se perante regras por si criadas e as impõe a quem com ele aceita habitar. Até um dia que toma uma decisão errada.

Comentário : Claramente que a decisão errada da sinopse é a de levar para o seu mundo a mulher de cabelos vermelhos e o seu filho atrasado mental chamado Leo, decisão essa que tem as consequências que o filme vai mostrando até à última cena. Pessoalmente, gostei do filme, é cinema australiano e eu confesso gostar do ator Vincent Cassel. Fiquei bastante surpreendido pela positiva com este pequeno filme independente. O ator em causa possui, mais uma vez, uma prestação brilhante. Gostei das prestações dos jovens Jeremy Chabriel e Anastasia Prystal (foto em baixo), as crianças mais velhas da comunidade de Gregory, ou seja, os seus filhos mais velhos. A sequência dos dois no Karaoke é a melhor do filme. Florence Mezzara também não está nada mal. O filme levanta muitas questões, sendo a principal o facto de o modo como vivemos ser ou não o melhor, ou ainda, será que estamos a criar bem as nossas crianças. Muito bem filmado, este é daqueles filmes que tem que ser visto com muita atenção, o argumento é complexo, dada a natureza da coisa. Confesso que gostei de praticamente tudo no filme, mas tenho que dizer que detestei o final, embora este aspecto não estrague o geral, que é um filme muito bom. 

Heart Of A Dog

Nome do Filme : “Heart Of A Dog”
Titulo Inglês : “Heart Of A Dog”
Titulo Português : “Coração de Cão”
Ano : 2015
Duração : 75 minutos
Género : Documentário
Realização : Laurie Anderson
Produção : Laurie Anderson
Elenco : Laurie Anderson, Jason Berg, Paul Davidson, Bob Currie, Dustin Defa, Evelyn Fleder, Sasha Grossman, Kurt Gutenbrunner, Matt Vega, Pierre Riches, Julian Schnabel, Elizabeth Wymer, Arlo Willner, Jenni Muldaur, Sam Khoshbin, Alex Kaufman, Jessica Irish, Rosalia Dean Hudson, Margaret Hafitz, Lucy Hafitz, Charlie Hafitz, Heung Heung Chin, Lolabelle.

História : A partir da sua própria experiência e das suas memórias recentes, marcadas pelas perdas recentes da sua mãe e do marido Lou Reed, a realizadora Laurie Anderson traça uma pequena reflexão sobre temas como a vida, o amor, a morte, bem como a relação com a sua cadela.

Comentário : Esta noite vi este documentário que gostei bastante, embora confesse que esperava que tivesse melhor. A artista Laurie Anderson apareceu no ano passado com este documentário onde falava de vários temas, o 11 de Setembro incluído. Pessoalmente, não o achei maçador, embora confesse que a realizadora divaga demais sobre alguns temas, faz demasiadas reflexões. Adorei a sua cadelinha Lolabelle, um rat terrier muito inteligente (imagem em baixo). Ela foi ensinada a pintar e a tocar piano, entre outras coisas. Gostei de ver a realizadora a falar sobre a mãe e a contar aquela história de quando, em criança, foi parar ao Hospital com uma fractura na coluna e tudo o que daí veio. Curiosa é igualmente aquela história de como ela sofreu aquele acidente no gelo com os irmãos e a forma como os salvou, sendo posteriormente elogiada pela mãe, que lhe disse apenas que ela era uma excelente nadadora. Ela fala também da morte e dos sonhos, mencionando o facto da morte súbita nos bebés. Eu confesso ter ficado a saber algumas coisas que não sabia. Mas o mais importante para mim neste documentário foi conhecer Laurie Anderson em si. Bom documentário. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Eternal Summer

Nome do Filme : “Ododliga”
Titulo Inglês : “Eternal Summer”
Ano : 2015
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Romance/Aventura
Realização : Andreas Ohman
Produção : Andreas Ohman/Bonnie Skoog/Johannes Hobohm
Elenco : Madeleine Martin, Filip Berg, Fanny Ketter, Torkel Petersson, Mats Qvistrom, Hedda Stiernstedt, Mathilda Von Essen,

História : O jovem Isak e a linda Em conhecem-se durante uma estranha situação. Decidem então embarcar numa jornada, onde pretendem apenas viver e fazer loucuras.

Comentário : Este filme fez-me lembrar o muito aclamado “Badlands” de Terrence Malick, mas eu confesso que o achei bem melhor do que essa conhecida longa metragem, bem superior, diria mesmo. Nos minutos iniciais, somos apresentados a Isak, que julgamos ser o verdadeiro protagonista da fita, tremendo erro. A verdadeira protagonista do filme é Em, uma jovem que Isak conhece numa situação bizarra e acabam por se tornar amigos, amantes e mais tarde parceiros na arte do crime. Durante o filme, o cineasta dá-nos vários flashbacks da infância de Em, bem como da sua relação com os pais, com o psicólogo, mas principalmente com a talentosa irmã. Esses flashbacks facultam-nos um twist bastante curioso sobre o verdadeiro parentesco da miúda em relação à família. O próprio filme em si é adornado de vários twists, o que torna o todo ainda mais delicioso. No ínício, confesso que não simpatizei logo com Filip Berg, mas com o seguimento, ele deu-nos um personagem bastante credível. Pelo contrário, a linda Madeleine Martin sempre convenceu no papel de Em, a sua personagem é bastante forte. O twist que acontece perto do final é brutal. Um dos melhores filmes que vi ultimamente e é sueco. Muito bom. 

domingo, 12 de junho de 2016

The Correspondence

Nome do Filme : “La Corrispondenza”
Titulo Inglês : “The Correspondence”
Titulo Português : “A Correspondência”
Ano : 2016
Duração : 123 minutos
Género : Drama/Romance/Mystery
Realização : Giuseppe Tornatore
Produção : Isabella Cocuzza/Arturo Paglia
Elenco : Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Shauna Macdonald, Irina Kara, Anna Savva, Simon Meacock, James Smillie, James Bloor, Stuart Adams, James Warren, Rod Glenn, Darren Whitfield, Ian Cairns, Colin MacDougall, Simon Johns, Carolina Massie, Florian Schwienbacher, Chantal Brosens, Daphne Mereu, Patricia Winker.

História : Amy é uma jovem que mantém uma relação secreta com um professor, casado e décadas mais velho que ela. Um dia, ele desaparece sem deixar rasto. Algum tempo depois, ela começa a receber mensagens suas em vários suportes : e-mail, cartas, SMS ou videos gravados em DVD e entregues pelo correio. Sem qualquer explicação sobre a localização dele, e determinada a perceber as suas motivações, Amy tenta descortinar os seus passos no labirinto de missivas que teimam em chegar.

Comentário : Giuseppe Tornatore trouxe-nos este ano este filme que conta uma história de amor um pouco dificil de entender. Eu mesmo confesso não ter ficado a perceber algumas coisas, a situação em si não é muito credível. Gostei de ver estes dois atores contracenarem juntos, ainda que só estivessem juntos fisicamente no ínício da fita. Jeremy Irons é um dos meus atores preferidos, gosto imenso da sua forma de actuar nos filmes, nesta fita, ele está um verdadeiro senhor e, apesar de aparecer quase todo o filme em gravações, provou mais uma vez que ainda tem muito para dar. Por seu lado, a linda Olga Kurylenko também não desiludiu, o realizador dá-nos bons planos dela, eu adorei aquele vídeo que ela fez deitada no jardim em frente à casa da mãe. A atriz teve uma excelente interpretação, as cenas em que ela chora foram aquelas que mais me comoveram. A banda sonora é mais uma vez assinada pelo mestre Ennio Morricone, obtendo neste filme lindas melodias e admiráveis arranjos musicais. Não gostei de algumas cenas, principalmente daquelas em que a protagonista faz de duplo de cinema. Claro que não é um dos melhores filmes de Giuseppe Tornatore, nem tão pouco um dos melhores do ano, mas é seguramente o filme onde a linda Olga Kurylenko está melhor e o filme onde ela obteve a sua melhor interpretação. Gostei.

My Skinny Sister

Nome do Filme : “Min Lilla Syster”
Titulo Inglês : “My Skinny Sister”
Titulo Português : “A Irmã Mais Nova”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Sanna Lenken
Elenco : Rebecka Josephson, Amy Linnea Deasismont, Annika Hallin, Henrik Norlen, Maxim Mehmet, Emelie Stromberg, Ellen Lindbom, Karin Frumerie, Elisabeth Callejas.

História : Stella é uma menina prestes a entrar no excitante mas complicado mundo da adolescência. Ela vive na sombra da irmã mais velha, Katja, uma talentosa e bela patinadora que os pais adoram. Stella esforça-se muito para tentar imitar o comportamento da irmã, de modo a ter mais atenção. Enquanto observa a irmã de perto, Stella percebe que algo está errado. Katja esconde um grave distúrbio alimentar que está a dominar e a estragar a sua vida.

Comentário : Belíssimo e excelente filme sueco. Se o anterior filme visto por mim abordava temas complicados como o bullying e o suicídio juvenis, este também mexe com uma temática não menos alarmante, a anorexia, a bulimia e os distúrbios alimentares na adolescência. As grandes e únicas protagonistas deste maravilhoso e único filme são duas miúdas fantásticas. Por um lado, a pequena Rebecka Josephson é a grande revelação da fita, que enorme talento esta jovem possui, carregou o filme quase todo nos ombros. Quem a ajuda nessa tarefa é a igualmente promissora Amy Linnea Deasismont que, no papel de sua irmã mais velha, arrasou também na sua personagem. As duas até parecem ser mesmo irmãs na vida real, tal não é a cumplicidade e ternura existente entre elas, seja como personagens, quer enquanto actrizes. As duas miúdas formam um elo perfeito.

O filme vive delas e é delas. A realizadora fez um excelente trabalho ao juntar estes dois grandes talentos. O filme é muito dramático, a temática abordada assim o exige, isto é mesmo um tema muito delicado, um autêntico flagelo, tal como o bullying no caso do filme anterior. Só se lamenta o final do filme, a miúda doente nem sequer chega a ser internada para receber cuidados médicos, simplesmente, aparece em cima da cama a rir-se com a irmã mais nova, como se nada fosse, penso ter sido uma falha. O filme divide-se entre cenas engraçadas e sequências dramáticas, todas a cargo das duas miúdas. Lamentavelmente, o filme é um exclusivo Medeia Filmes e apenas estreou numa única sala em todo o país, o que é uma vergonha, um filme que aborda este tema. Filmes como este deviam ser vistos pelos pais, como forma de alerta. Os pais das raparigas deste filme desconheciam por completo o problema grave de saúde que a filha mais velha tinha, foi preciso a filha mais nova alertá-los para isso. Estamos perante um filme de grande qualidade. Adorei. 

A Girl Like Her

Nome do Filme : “A Girl Like Her”
Titulo Inglês : “A Girl Like Her”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Drama Documental/Crime
Realização : Amy Weber
Elenco : Lexi Danielle Ainsworth, Hunter King, Jimmy Bennett, Stephanie Cotton, Mark Boyd, Christy Engle, Jon W. Martin, Madison Deadman, Anna Spaseski, Mariah Harrison, Emma Dwyer, Michael Maurice, Christy Edwards, Kevin Yon, Linda Boston, Gino Borri, Sarah Kyrie Soraghan, Jan Cartwright, Lisa Ortiz, Yana Lavovna, Bridget Maher.

História : Jessica Burns é uma linda adolescente que vai tendo boas notas e tem uma boa relação com os pais, com a irmã pequena e especialmente com o seu amigo íntimo, o delicado Brian Slater. Num dia de um exame, Jessica dá a entender a uma das suas amigas, a popular e sexy Avery Keller, que não está disponível para a ajudar. A partir desse dia, Avery Keller começa a fazer a vida negra a Jessica, tornando-se numa verdadeira bully para com ela e virando a sua pior inimiga. Ao fim de seis meses nesta situação e não contando para quase ninguém o que se passa, Jessica Burns comete suícidio, um acontecimento que vai afectar toda a escola.

Comentário : Não percebo porque motivo este e outros filmes de alerta (Megan Is Missing, Trust, Ratter, Polisse) estão tão mal classificados nos sites da especialidade e merdas como “Star Wars” e demais blockbusters recebem altas notas e até surgem em listas de melhores filmes. Este filme e outros do género deviam ser de visionamento obrigatório por pais, alunos, professores e médicos. Pessoalmente, fiquei chocado depois de ver este filme, que pode bem ser baseado em inúmeras histórias reais. Eu próprio, confesso ter sofrido bullying nos meus tempos de escola. Mas eu julgava que isto era uma coisa principalmente de rapazes, nunca imaginei que entre meninas, as coisas podiam tomar proporções desta escala. A forma como a realizadora montou e nos mostrou o seu filme está brutal, tudo parece um excelente documentário. Este filme, filmado em estilo documental, mostra até onde pode ir a crueldade humana face a outro ser humano, neste caso, temos o caso de uma rapariga que destrói por completo a vida de uma antiga amiga. Gostei de testemunhar a relação entre Jessica e Brian, aquilo sim é um verdadeiro amigo, nunca se chega a saber se ele estava apaixonado por Jessica, mas eu quero acreditar que sim. Na minha opinião, os pais e a própria escola também têm a sua parte de culpa nestes casos. A escola é uma selva. Fiquei muito sensibilizado com este pequeno, mas excelente filme.