domingo, 15 de maio de 2016

Nobody Wants The Night

Nome do Filme : “Nadie Quiere La Noche”
Titulo Inglês : “Nobody Wants The Night”
Titulo Português : “Ninguém Quer A Noite”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : Isabel Coixet
Elenco : Juliette Binoche, Rinko Kikuchi, Gabriel Byrne.

História : Na Gronelândia de 1908, Josephine viaja para o Ártico para se reunir com o marido. Só ambiciona estar perto da pessoa que ama, para partilhar o seu momento de glória quando chegar ao Pólo Norte e lá colocar a bandeira americana. Josephine tem como guia Allaka, uma jovem e humilde unuit. Apesar das enormes diferenças, elas vão ver-se obrigadas a unir esforços para sobreviver às duras condições climáticas daquele lugar inóspito.

Comentário : Só o facto deste filme ter Juliette Binoche como actriz principal já é motivo mais que suficiente para o ir ver ao cinema. E o filme não é tão mau quanto andam para aí a dizer. Pessoalmente, gostei desta fita e confesso que fiquei triste com o seu final. Capaz do melhor (A Minha Vida Sem Mim) e do pior (Elegia), a realizadora concebeu este seu novo filme usando uma das melhores actrizes francesas e deu-lhe uma espécie de papel injusto, ou a sua personagem não fosse “torturada” durante cerca de 75% do filme. Ainda assim, ela obteve uma excelente prestação, embora confesse que já a vi fazer bem melhor muitas vezes. A sua parceira de elenco, Rinko Kikuchi esteve um pouco melhor do que ela e a química entre as duas funcionou na perfeição. A natureza é muito violenta e mudou Josephine a ponto dela ficar parecida com Allaka, destaque para as cenas passadas dentro do iglo. Os cães são um mimo, aquela raça é linda. Quanto a Gabriel Byrne, quase não se dá por ele, tal não é a insignificância do seu papel. Trata-se possivelmente de um dos filmes mais incompreendidos do ano.

The New Girlfriend

Nome do Filme : “Une Nouvelle Amie”
Titulo Inglês : “The New Girlfriend”
Titulo Português : “Uma Nova Amiga”
Ano : 2014
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : François Ozon
Elenco : Romain Duris, Anais Demoustier, Isild Le Besco, Raphael Personnaz, Aurore Clement, Mayline Dubois, Anna Monediere, Brune Kalnykow, Jean Claude Bolle Reddat, Bruno Perard, Claudine Chatel, Sylvie Degryse.

História : Claire tinha Laura como sua melhor amiga. Parceiras desde a infância, as duas eram inseparáveis. Quando Laura fica doente e morre, Claire aproxima-se de seu marido, David, e surpreende-se ao descobrir o segredo íntimo do viúvo.

Comentário : Diverti-me imenso a ver este filme, gostei, trata-se de um bom filme. François Ozon raramente desilude com os seus filmes. Estamos perante um bom drama sobre um assunto polémico, ou vários assuntos polémcios, sendo o principal o travestismo. Romain Duris está brutal no filme, que grande prestação, não sei dizer se ele fica melhor como homem ou como mulher. Quem também me surpreendeu foi a jovem Anais Demoustier. Raphael Personnaz também não esteve nada mal, deu-nos um personagem bastante compreensivo, outros homens não mantinham aquela calma. O realizador filmou uma relação hetero como se fosse uma relação lésbica e vice-versa. O filme está muito bem filmado e possui uma boa banda sonora. A fita estava prevista estrear no ano passado nas nossas salas, mas saiu de cartaz mesmo antes de estrear, vai-se lá saber o motivo. Chega-nos agora a tarde e más horas. Os últimos dez minutos de fita são ridículos, mas igualmente muito bonitos. A cena que encerra o filme é a melhor. 

The Lobster

Nome do Filme : “The Lobster”
Titulo Inglês : “The Lobster”
Titulo Português : “A Lagosta”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Romance/Ficção-Cientifica/Drama
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Colin Farrell, Lea Seydoux, Rachel Weisz, Jessica Barden, Ben Whishaw, John C. Reilly, Michael Smiley, Angeliki Papoulia, EmmaEdel O'Shea, Imelda Nagle Ryan, Ariane Labed, Ashley Jensen, Rosanna Hoult, Olivia Colman, Roger Ashton Griffiths.

História : Neste mundo as regras são simples : nenhum adulto pode estar solteiro mais do que quarenta e cinco dias. Assim, de cada vez que alguém perde um parceiro – seja por divórcio ou viuvez – é levado para um hotel especial para que volte a encontrar um par. Caso não seja bem sucedido, é transformado num animal previamente escolhido por si e levado para o interior de uma floresta. Depois de ser abandonado pela mulher, que o trocou por outro homem, David chega ao hotel com o seu irmão, recentemente transformado em cão. Quando percebe que não há maneira de achar quem se interesse por si e que em breve será transformado em lagosta (o animal que escolheu), decide escapar para a floresta, onde vai deparar-se com outros fora-da-lei como ele, que estão solteiros como ele e querem a cima de tudo, preservar a sua condição humana.

Comentário : Mais um filme bastante estranho que tive a oportunidade de ver, bem, mas este é mesmo muito estranho, para não dizer único. Não me surpreendi por isso, afinal vindo de Yorgos Lanthimos que já nos deu obras bizarras como “Dogtooth” e “Alps”, outra coisa não se podia esperar. Mas fiquei surpreendido por Colin Farrell ter aceitado fazer este papel, ou melhor, ter aceite entrar neste filme, ele mesmo disse numa conferência que não sabia do que se tratava, nem mesmo depois de ter lido o guião. Mas ele está muito bem no filme, até me arrisco a dizer que é a melhor prestação da sua carreira atribulada, afinal ele tem imensos papéis em filmes da treta.

Os outros atores estão igualmente bem, com grande destaque para Rachel Weisz. Não gostei da sequência em camara lenta passada na floresta e as cenas de pancada. Mas adorei aquela cena em que a empregada senta-se no pénis do protagonista e se esfrega nele, tudo com roupa, claramente. Nota máxima para a premissa do filme e para a história em si, nem nos meus piores pesadelos sonhava com algo deste género. Como pontos negativos, apenas tenho que realçar a componente cómica, totalmente dispensável e desnecessária. Um último reparo, o protagonista escolheria ser uma lagosta, porque estas vivem imensos anos. Não sendo um dos melhores filmes do ano, é talvez, o filme mais original de 2015. O filme estreia esta semana nas salas de cinema portuguesas. 

Mediterranea

Nome do Filme : “Mediterranea”
Titulo Inglês : “Mediterranea”
Titulo Português : “Mediterrânea”
Ano : 2015
Duração : 111 minutos
Género : Drama
Realização : Jonas Carpignano
Elenco : Koudous Seihon, Alassane Sy, Pio Amato, Mary Elizabeth Innocence.

História : Depois de deixarem o Burkina Faso, os jovens Ayiva e Abas fazem uma longa viagem pelo deserto, atravessam o mar Mediterrâneo num barco e chegam à pequena cidade de Rosarno, em Itália. Cheios de sonhos e esperança no futuro, ambos esperam poder encontrar um emprego que lhes permita viver e ajudar as famílias que deixaram para trás.

Comentário : Vi este curioso filme e confesso ter gostado, embora haja outros do género dos quais eu nutro um maior gosto, por exemplo - “Dheepan”. Não gostei muito da fotografia do filme e, em relação à história, acho que podia ter sido melhor desenvolvida. Ainda assim, o argumento foi bem definido e apresenta poucas falhas. Dos actores principais, o destaque vai todo para Koudous Seihon, que transporta o filme praticamente todo nos ombros, o seu colega de amizade, Alassane Sy, pouco ou nada fez, não gostei muito do desempenho deste jovem. Pessoalmente, era bem capaz de cortar algumas cenas ao filme, a duração de noventa minutos servia bem a fita. O filme foca bem as dificuldades que os refugiados e os migrantes possuem e quase tudo aquilo pelo que passam para fugirem a situações difíceis nos seus países de origem para conseguirem algo melhor, grande parte das vezes, deixando as suas famílias para trás. Resumindo, gostei deste filme apesar de ter a consciência que a história podia ter sido melhor desenvolvida, sei lá, podiam ter focado outros aspectos pelos quais estes homens passam.

Dheepan

Nome do Filme : “Dheepan”
Titulo Inglês : “Dheepan”
Titulo Português : “Dheepan – O Refúgio”
Ano : 2015
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Jacques Audiard
Elenco : Jesuthasan Antonythasan, Kalieaswari Srinivasan, Claudine Vinasithamby.

História : Para escapar à Guerra Civil do Sri Lanka, um antigo soldado, uma jovem mulher e uma menina fazem-se passar por uma família. Acabam por se instalar na periferia de Paris. Praticamente não se conhecem, mas vão tentar construir uma vida juntos. Enquanto ele arranja um trabalho a tratar dos condomínios, ela ganha algum dinheiro a cuidar de um homem incapacitado. A menina, por seu lado, matricula-se na escola local. No entanto, as coisas não correm como era esperado.

Comentário : Gostei bastante deste filme europeu, fiquei bastante surpreendido pela positiva. Actualmente, um dos assuntos que mais se fala é da questão dos refugiados e este filme foca, em parte, esse aspecto. Dheepan, Yalini e Illayaal são refugiados que fogem do seu país em guerra e, depois de muito viajarem, acabam por ir parar a um bairro problemático de Paris, onde encontram inúmeras dificuldades. Os três atores principais estiveram à altura do desafio. Jesuthasan Antonythasan, no papel do personagem que dá titulo ao filme, teve um desempenho brutal, eu confesso que quando fiquei a saber da existência deste filme, fiquei igualmente cheio de curiosidade para o ver vestir a pele deste homem sofrido. 

Também Kalieaswari Srinivasan (foto em cima) me deixou comovido, esta atriz desconhecida por mim, esteve à altura do desafio, o seu papel não é fácil, mas a rapariga soube desempenhar na perfeição a sua Yalini. Ela tem um sorriso muito bonito. Por último, temos a pequena Claudine Vinasithamby, esta miúda também não desiludiu e não deixou os seus créditos por mãos alheias, gostei do seu contributo para que o trio funcionasse na perfeição. Notei três pequenos erros, mas isso não estragou o todo. Estamos perante um filme que representa aquilo que de melhor a Europa nos dá a nivel cinematográfico. O assunto principal do filme é a adaptação de três desconhecidos a um meio hostil e estranho, mas temos como segundo tema a questão da violência existente nos bairros problemáticos. O filme peca por ter umas poucas imagens que julgo estarem fora do contexto principal e devido também à existência dos tais poucos erros, mas tirando estes factores mínimos, estamos perante um grande filme. Um último reparo, este filme ganhou a palma de ouro em Cannes no ano passado. Um dos melhores filmes desse ano.

The City Of Women

Nome do Filme : “La Città Delle Donne”
Titulo Inglês : “The City Of Women”
Titulo Português : “A Cidade das Mulheres”
Titulo Comercial : “City Of Women”
Ano : 1980
Duração : 140 minutos
Género : Drama
Realização : Federico Fellini
Elenco : Marcello Mastroianni, Anna Prucnal, Bernice Stegers, Donatella Damiani, Helene Calzarelli, Catherine Carrel, Silvana Fusacchia, Gabriella Giorgelli, Dominique Labourier, Stephane Emilfork, Sylvie Matton, Sibilla Sedat, Alessandra Panelli, Nadia Vasil, Loredana Solfizi, Fiorella Molinari, Rosaria Tafuri, Sylvie Wacrenier, Viviane Lucas, Rose Alba, Penny Brown, Mirella D'Angelo, Gabriella Di Luzio, Marina Hedman, Josiane Tanzilli, Luciana Turina, Karina Verlier, Mara Tchoukleva, Iole Silvani, Ettore Manni, Fiammetta Baralla.

História : Num compartimento dum comboio, Snàporaz sai da sua sonolência para seduzir uma bela desconhecida. Segue-a pela floresta até um hotel fantasmagórico onde decorre um congresso de feministas. Intimado pela agressividade exuberante das militantes, ele refugia-se no seu papel de conquistador amoroso.

Comentário : Este filme é do ano em que eu nasci. Confesso que o cinema de Federico Fellini é um pouco desconhecido para mim, embora esteja aberto a todas as propostas e irei de certeza tentar ver mais filmes dele. Gostei bastante deste filme, onde o elenco é quase todo composto por mulheres, por belas mulheres. Fellini prestou assim uma bonita homenagem ao sexo feminino. Embora eu ache que lá pelo meio o filme se tenha perdido um pouco, nomeadamente quando o nosso protagonista chega à mansão daquele lunático que tem dezenas de quadros falantes. Mas depois, as coisas voltam a entrar nos eixos e as mulheres voltam a ter o merecido papel de destaque.

Marcello Mastroianni está excelente neste filme, mais uma vez teve uma brilhante prestação. Nem rodeado de lindas e excitantes mulheres, ele perdeu o seu brilho. Sendo o comboio o meu meio de transporte preferido, o filme começa e termina da melhor maneira. O realizador tentou não levar as coisas muito para o lado ordinário, pelo menos, foi isso que eu senti, não me chocou em nenhum momento. O guarda roupa também tem aqui um papel determinante. Destaque para a sequência no ringue de patinagem, foi a minha preferida. Também adorei aquelas duas odaliscas nas escadas que depois, ficam somente em cuecas e soutien, lindas. Resumindo, um excelente filme que faz uma justa homenagem à mulher enquanto ser superior ao homem. Adorei.

domingo, 8 de maio de 2016

Embrace Of The Serpent

Nome do Filme : “El Abrazo De La Serpiente”
Titulo Inglês : “Embrace Of The Serpent”
Titulo Português : “O Abraço da Serpente”
Ano : 2015
Duração : 124 minutos
Género : Aventura/Drama/Histórico
Realização : Ciro Guerra
Produção : Cristina Gallego
Elenco : Jan Bijvoet, Antonio Bolivar, Nilbio Torres, Brionne Davis, Yauenku Migue, Nicolas Cancino, Luigi Sciamanna.

História : Theo é um explorador alemão que, em 1909, procura a ajuda do xamã Karamakate, o último sobrevivente conhecido da tribo dos Cohiuanos, para servir de guia no percurso do rio Amazonas. Gravemente doente, Theo busca uma planta sagrada com poderes curativos. Quatro décadas mais tarde, o americano Evan lê os diários de Theo e resolve percorrer o mesmo trilho, de forma a descobrir e estudar a planta medicinal. Durante todos esses anos, muita coisa mudou na paisagem amazónica e mais ainda no coração do velho índio.

Comentário : É praticamente impossível não ficarmos mais ricos culturalmente, depois de vermos este excelente filme. Embora se perca um pouco naquela parte do louco que gere uma comunidade de lunáticos, estamos perante um filme muito real e muito credível, ou não fosse ele baseado em factos reais, os diários verdadeiros do sábio Theo foram mesmo encontrados e publicados. Trata-se de um filme histórico e detentor de uma componente visual (paisagens, locais) muito forte. Aliás, diria mesmo que o seu lado visual é o pilar mais forte da base que segura o filme. O outro é a poderosa fotografia a preto e branco. Jan Bijvoet (Borgman) entregou-se totalmente ao seu papel, gostei imenso da sua interpretação. Gostei igualmente dos desempenhos dos dois atores que fizeram a versão jovem e a versão mais velha do índio Karamakate. A realização é muito boa, diria mesmo que Ciro Guerra, ajudado pela produtora Cristina Gallego, fizeram um brilhante trabalho que foi reconhecido, visto que este filme foi nomeado para o óscar de melhor filme estrangeiro, perdendo para “O Filho de Saul”. O filme esteve já em exibição no nosso país nas salas Medeia no Cinema Monumental no mês passado. Grande filme. 

Lamb

Nome do Filme : “Lamb”
Titulo Inglês : “Lamb”
Titulo Português : “Lamb”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ross Partridge
Produção : Ross Partridge/Mel Eslyn/Taylor Williams/William Ruch
Elenco : Ross Partridge, Oona Laurence, Jess Weixler, Lindsay Pulsipher, Jennifer Lafleur, Tom Bower, Joel Murray, Ron Burkhardt.

História : David Lamb é um homem quase na casa dos cinquenta que acaba de assistir à morte do pai e de viver um processo de divórcio. Um dia, conhece alguém, com quem viverá uma estranha mas inocente amizade, alguém que mudará a sua vida para sempre.

Comentário : Finalmente consegui ver este maravilhoso e estranho filme escrito, produzido, montado, realizado e interpretado por Ross Partridge. Embora ache o filme muito estranho e até mesmo inverossímil em algumas situações, não posso deixar de admitir que gostei bastante do que vi e achei esta história muito bonita. Lá pelo meio houve uma cena que me fez aflição, mas quase me vieram as lágrimas aos olhos no momento da despedida no interior do carro. A última sequência é angustiante. Ross Partridge possui uma brilhante prestação no filme, mas a grande surpresa é a pequena Oona Laurence (Southpaw), que com uma excelente interpretação carrega o filme todo nos ombros, a empatia entre adulto e criança funcionou muito bem, seja como atores, seja enquanto personagens. O filme pertence-lhes. Reconheci o ator Tom Bower de um filme de terror de alguns anos, curiosamente com um papel parecido, o aspecto é o mesmo. Não posso esquecer Jess Weixler, esta rapariga também teve uma prestação bastante aceitável. Trata-se de um filme único sobre uma amizade diferente, mas se tivesse existido realmente, deixava marcas de certeza. Um filme estranho, poderoso e inocente, gostei bastante. 

O Rio do Ouro

Nome do Filme : “O Rio do Ouro”
Titulo Inglês : “River Of Gold”
Titulo Português : “O Rio do Ouro”
Ano : 1998
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Paulo Rocha
Produção : Paulo Rocha
Elenco : Lima Duarte, Isabel Ruth, Joana Bárcia, João Cardoso, José Mário Branco, António Capelo, Filipe Cochofel, António João Rodrigues, Alice Silva, Vitalina Beleza, Absinte Abramovici, Joana Mayer, Maria José Marinho, Pedro Santos, Diana Sá.

História : António, um velho patrão de um barco-draga, e Carolina, uma velha guarda-cancela, casam-se. Um dia, Mélita, a sobrinha, cai ao Rio do Ouro e António salva-a. O velho sente-se atraído pela miúda e Carolina fica com ciúmes. Num comboio, Zé dos Ouros, um cigano vidente, tenta vender um colar a Mélita, mas tem uma visão sobre uma vida passada da rapariga : ela matou o amante e pintou com sangue o quarto onde se encontravam.

Comentário : Quando fui ao site do Jornal Público, na parte do cinema, e vejo que os criticos do jornal deram cinco estrelas a este filme, confesso que não podem ter visto o mesmo filme que eu vi. Eu vi à uns tempos os dois primeiros filmes de Paulo Rocha, “Os Verdes Anos” e “Mudar de Vida”, filmes que gostei bastante e até já estão comentados neste site. Mas a mesma satisfação não tive depois de ter visto este “O Rio do Ouro”. Enquanto que os outros dois, eram filmes mais realistas e credíveis, este já possui uma componente de fantasia, para além de ter uma história menos interessante. Mas nem tudo foi mau. Gostei de ter visto a estação dos comboios, temos bonitas imagens do rio, boas prestações a cargo de Joana Bárcia (linda) e de Isabel Ruth, além do que é sempre bom vermos o excelente Lima Duarte actuar. Não é dos melhores filmes de Paulo Rocha, mas deu para ver. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Louder Than Bombs

Nome do Filme : “Louder Than Bombs”
Titulo Inglês : “Louder Than Bombs”
Titulo Português : “Ensurdecedor”
Ano : 2015
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Joachim Trier
Elenco : Isabelle Huppert, Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Devin Druid, Ruby Jerins, David Strathairn, Amy Ryan, Megan Ketch, Rachel Brosnahan, Russell Posner.

História : Três homens, um marido e dois filhos, tentam refazer as suas vidas após o desaparecimento da mulher mais importante das suas vidas.

Comentário : Na próxima semana estreia no nosso país este novo filme de Joachim Trier, que desta vez, decidiu usar algumas estrelas americanas e meteu-as a contracenar com a excelente atriz Isabelle Huppert. O resultado é este filme satisfatório, trata-se de um curioso drama familiar sobre a dor da perda, neste caso, é a história de três homens que perderam a mulher mais importante das suas vidas. O filme possui uma boa banda sonora, uma razoável fotografia e boas prestações. Durante o filme, o realizador misturou sequências do presente com situações passadas vividas entre cada um dos três com a personagem de Huppert. 

A nível das prestações, Isabelle Huppert desempenha a fotógrafa da história e está mais uma vez, soberba, que grande atriz. Gabriel Byrne surge no papel do seu marido que está a ajudar na preparação de uma exposição especial para comemorar os três anos do acontecimento. Ele tem ainda que lidar com dois filhos e com uma nova namorada, que para complicar ainda mais as coisas, é professora do seu rebento mais novo. Jesse Eisenberg faz de filho mais velho, mas de alguém sem responsabilidade. Confesso que gostei da sua interpretação, embora não tenha gostado do seu papel. Devin Druid foi aquele que mais me surpreendeu, na pele de filho mais novo, teve o melhor papel do filme. E ficou a cargo dele as melhores cenas do filme, durante todo o passeio noturno com a amiga que tem um braço partido. David Strathairn ficou com um papel muito secundário, embora também tivesse bem. Por último, Amy Ryan, Megan Ketch e Ruby Jerins limitaram-se a cumprir aquilo que lhes foi pedido, embora eu tenha que frisar que adorei a personagem Melanie, vivida pela linda Ruby Jerins. Um filme calmo que aborda o tema da morte de forma serena, mas avassaladora. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Frontier Of The Dawn

Nome do Filme : “La Frontière De L'Aube”
Titulo Inglês : “Frontier Of The Dawn”
Titulo Português : “A Fronteira Do Amanhecer”
Ano : 2008
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Philippe Garrel
Elenco : Louis Garrel, Laura Smet, Clementine Poidatz.

História : Carole é uma estrela de cinema que vive sozinha porque o marido a abandonou e partiu para Hollywood. Um fotógrafo, François, vai a sua casa fotografá-la para um jornal. Tornam-se amantes, amam-se na casa dela. Mas Carole é uma mulher perturbada que dedica a François um amor louco. Quando Carole desaparece, ele envolve-se com outra mulher, que engravida e com quem ele tenta ter uma vida normal. Mas Carole continua a perturbar François.

Comentário : Hoje vi este filme, que confesso ter gostado. É outro filme de Philippe Garrel, onde mais uma vez, o realizador utiliza o filho como ator principal, o nosso protagonista François. Nesta obra, Louis Garrel desempenha um fotógrafo livre e mulherengo que se apaixona por uma mulher casada, mas não dá valor a essa relação e acaba por ser culpado por uma determinada situação. O espectador é livre para optar por que caminho quer seguir em relação ao rumo que as coisas levam : se olham para a situação como algo sobrenatural ou interpretam as coisas como sendo o sentimento de culpa dele. Eu tenho a minha opinião e não me quero alongar muito. 

Temos três poderosas interpretações, a cargo de Louis Garrel, Laura Smet (a melhor das três) e Clementine Poidatz. Basicamente o filme possui estes três pilares que funcionam como uma base sólida para que a coisa tivesse resultado. François, Carole e Eve são as personagens principais do filme, um homem e duas mulheres, as relações humanas e extra-conjugais, os sentimentos de culpa e o amor em si, foram, são e sempre serão os temas do cineasta Philippe Garrel. Gostei bastante deste filme, tal como gostei dos dois que se seguiram : “Ciúme” e “À Sombra das Mulheres”. Um último apontamento, nestes três filmes, o realizador filmou a preto e branco, nos facultando planos belíssimos. 

domingo, 1 de maio de 2016

The Best Offer

Nome do Filme : “La Migliore Offerta”
Titulo Inglês : “The Best Offer”
Titulo Português : “A Melhor Oferta”
Ano : 2013
Duração : 130 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Giuseppe Tornatore
Produção : Isabella Cocuzza/Arturo Paglia
Elenco : Geoffrey Rush, Sylvia Hoeks, Donald Sutherland, Jim Sturgess, Philip Jackson, Dermot Crowley, Liya Kebede, Gen Seto, Caterina Capodilista.

História : Virgil Oldman é um famoso e multimilionário coleccionador de arte. Apesar do seu misantropismo e misoginia, vive obcecado pelo corpo feminino em todas as formas e representações artísticas. Certo dia, recebe um telefonema de Claire, uma jovem herdeira de um colossal património familiar. Ela pede-lhe que vá à mansão familiar avaliar a colecção de arte que lhe pertence. Mesmo relutante, Virgil acaba por ceder à curiosidade. Na mansão, vai encontrar um paraíso artístico. Mas também uma estranha jovem que, apesar dos seus problemas, vai alterar a sua existência para sempre.

Comentário : Vi este filme italiano e gostei bastante. Numa altura em que está para breve a estreia do novo filme do grande realizador Giuseppe Tornatore, nada melhor do que vermos o seu anterior filme. O veterano Geoffrey Rush está soberbo no papel principal, o seu personagem acenta-lhe como uma luva, é mesmo o seu estilo. A sua relação e química com Sylvia Hoeks funcionou muito bem. Ela também teve uma brilhante interpretação. Gostei igualmente de ver Donald Sutherland, aqui faz de amigo do protagonista e o ajuda a obter os melhores quadros com imagens femininas. Jim Sturgess também não desilude. Outra coisa que adorei foi o clima constante de mistério, principalmente na primeira hora, sobre o estranho comportamento de Claire. Ainda que esse mesmo mistério se mantivesse até ao final. Apelava a quem tivesse visto este filme e percebido o seu final, deixasse aqui um comentário a explicar o que realmente aconteceu nos últimos vinte minutos. Um último reparo, a banda sonora é do grande e consagrado Ennio Morricone. Grande filme. 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Parade

Nome do Filme : “Parade”
Titulo Inglês : “Parade”
Ano : 1974
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Familiar
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Michele Brabo, Pia Colombo, Moniqa Sunnerberg.

História : Ao longo de “Parade”, adultos e jovens formam uma massa entusiástica, unida pelo espectáculo à sua frente. Desde o início, duas crianças demonstram, através de trocas de olhar, a alegria de estarem juntos. O público participa directamente no espectáculo de circo e music-hall enquanto Tati, o mestre de cerimónias, dirige e anima esta representação.

Comentário : Possivelmente o filme mais fraco das seis obras de Jacques Tati. Eu mesmo, tenho que confessar que não gostei muito deste filme. Porque o argumento é paupérrimo e porque não me despertou o mínimo interesse. Ainda assim, gostei de ver os números de circo e adorei a variedade de coisas que iam sucedendo. Como se de um verdadeiro desfile se tratasse. A ideia em si não é má, mas a coisa podia ter resultado melhor. Destaque para as crianças e para Jacques Tati, aqui no seu último papel, pela segunda vez, sem ser Hulot. A musica tem aqui um grande destaque. Uma das coisas que surpreendeu neste filme é o facto de tudo parecer real e verdadeiro, ou seja, parece que esconderam uma camara naquela altura e filmaram tudo de forma clandestina. Nesse aspecto, as coisas funcionaram bem. Por último, confesso que preferia ter tido o senhor Hulot a atrapalhar as facetas circenses. Senti mesmo a sua falta. Este filme não foi a melhor forma dele terminar a sua carreira como realizador, até mesmo, porque se trata de um telefilme, mas os seus três anteriores filmes compensam tudo. Em baixo, uma imagem do senhor Hulot. 

Trafic

Nome do Filme : “Trafic”
Titulo Inglês : “Trafic”
Titulo Português : “Sim, Sr. Hulot”
Ano : 1971
Duração : 96 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Maria Kimberly, François Maisongrosse.

História : A sociedade automobilística francesa Altra quer fazer-se vingar no salão Automóvel de Amesterdão com um protótipo engenhoso de caravana desenhado pelo senhor Hulot. Este irá acompanhar, juntamente com Maria, a jovem e mimada relações públicas da empresa, o camião onde o protótipo seguirá até Amesterdão. Nesta viagem irão surgir uma série de peripécias que atrasarão a chegada e mudarão a postura de Maria para com os que a rodeiam.

Comentário : Cá está, este é o meu filme preferido de Jacques Tati. Principalmente porque é neste que encontramos uma história mais consistente e onde o humor é mais concentrado. Adorei a caravana, adorei os problemas que lhes surgem durante a viagem, adorei os adornos da caravana, enfim, o filme em si, é espectacular. Mais uma vez, Jacques Tati está soberbo, sempre a realizar e a protagonizar os seus filmes, tudo em simultâneo. Este filme, tal como todos os anteriores, funciona como uma sátira a algo. Penso que neste caso, o cineasta aborda o modernismo excessivo e a própria evolução das coisas em si. O filme aborda igualmente e de forma muito divertida, como podem ser excessivas as técnicas de venda e como exagerados podem ser os produtos, neste caso, a caravana. Destaque para as situações que sucedem cada vez que são obrigados a parar a viagem devido a uma avaria ou a outro factor, sucedem coisas muito interessantes. E depois temos Maria, a segunda melhor personagem do filme. Outro “road-movie” fascinante.

Playtime

Nome do Filme : “Playtime”
Titulo Inglês : “Playtime”
Titulo Português : “Vida Moderna”
Ano : 1967
Duração : 116 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Barbara Dennek, Rita Maiden, France Rumilly, Erika Dentzler.

História : Na era das “Economic Air Lines”, turistas americanos efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque. Pouco a pouco encontram franceses, entre os quais, o senhor Hulot.

Comentário : Mais um grande filme de Jacques Tati. Este funciona quase como um “road-movie”. As senhoras viajam de autocarro pelas ruas da cidade, acabando por se cruzarem com o senhor Hulot. Existe uma cena perto do final muito bonita em que ele oferece a uma senhora uma prenda simbólica e, por pouco, que não chega a tempo de a entregar. Este filme talvez funcione como uma espécie de sátira e critica às grandes cidades, porque devido à industrialização, todas parecem iguais. Jacques Tati possui, mais uma vez, uma grande prestação, ele é uma grande figura e fez um grande papelão, não se podia esperar outra coisa. Este filme é outro dos meus preferidos dele. Um último destaque, a sequência do bar noturno é verdadeiramente única e soberba.

Mon Oncle

Nome do Filme : “Mon Oncle”
Titulo Inglês : “My Uncle”
Titulo Português : “O Meu Tio”
Ano : 1958
Duração : 117 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Jean Pierre Zola, Adrienne Servantie, Lucien Fregis, Betty Schneider, Jean François Martial, Adelaide Danieli, Alain Becourt, Regis Fontenay.

História : O senhor e a senhora Arpel têm uma casa moderna num quarteirão asséptico. Na casa deles é tudo novo : o jardim é novo, a casa é nova, os livros são novos, o chafariz, enfim, tudo. Neste universo tão confortável, tão clean, tão hich-tech, tão bem programado, o filho Gerard aborrece-se de morte. É então que irrompe o irmão da senhora, o tio, o senhor Hulot. Personagem inadaptada, habituada ao seu mundo caloroso, vai, para delírio do sobrinho, virar tudo de pernas para o ar.

Comentário : Este filme de Jacques Tati é um dos meus preferidos dele. A sua personagem desajustada entra em confronto com uma família (por acaso, a dele) moderna e as coisas não correm como o esperado. É conhecido o veículo preferido dele, a bicicleta, para além de outros objectos seus muito característicos, a gabardina, o chapéu de chuva, o chapéu na cabeça e o cachimbo. Hulot é um homem magro e todos estes artefactos jogam bem com a sua fisionomia e até lhe dão um ar cómico. Adorei também o chafariz da casa, bem como tudo o que se passa com ele. Gostei igualmente do cão e do miúdo. O casal dono da casa também possui uma certa graça, principalmente devido às suas ações, com a casa em si. Quando a festa começa no quintal dos Arpel, dá-se também inicio às situações mais díspares provocadas pelo senhor Hulot, o tio do menino. Não gosto de comédias, mas adoro os filmes de Jacques Tati.

Les Vacances De Monsieur Hulot

Nome do Filme : “Les Vacances De Monsieur Hulot”
Titulo Inglês : “Mr. Hulot's Holiday”
Titulo Português : “As Férias Do Sr. Hulot”
Ano : 1953
Duração : 114 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla, Valentine Camax.

História : Hotel de la Plage, costa atlântica, Verão : as pessoas pousam as malas calmamente. Ao longe, o som incomodativo de um carro ruidoso. Ao volante, um veraneante pouco comum. É o senhor Hulot, que para gáudio das crianças, semeia involuntariamente o terror nesta pequena sociedade de veraneantes demasiado sérios.

Comentário : Depois, aparece este segundo filme, igualmente muito divertido. Aqui, o realizador Jacques Tati encarna a sua melhor personagem : O Senhor Hulot. Pessoalmente, adoro este personagem. Destaque para a habitação onde ele fica a dormir enquanto está de férias. O filme possui inúmeros momentos engraçados, quase todos a cargo de Jacques Tati, são de chorar a rir os maneirismos da sua personagem. Este filme fez também um grande sucesso. Por cá, recentemente, o Cinema Nimas passou um ciclo dedicado à filmografia do realizador com estes seis filmes em cópias restauradas de som e imagem. Foi uma grande homenagem que Paulo Branco e a Leopardo Filmes fizeram ao grande Jacques Tati. Quanto ao filme, é muito bom, tal como o primeiro. Mas o melhor ainda estava para vir.

Jour De Fête

Nome do Filme : “Jour De Fête”
Titulo Inglês : “The Big Day”
Titulo Português : “Há Festa Na Aldeia”
Ano : 1949
Duração : 71 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Guy Decomble, Paul Frankeur, Santa Relli, Maine Vallee.

História : Numa pequena aldeia do centro de França, é dia de festa : os feirantes chegam à praça com as suas rulotes, carroças, carros, cestas, carrosséis, lotarias, fanfarras. Instala-se um cinema ambulante. É ocasião para os aldeões descobrirem um documentário sobre as proezas dos correios na América. Ridicularizado por toda a aldeia, François, o carteiro, decide aprender a executar o seu trabalho “à americana”.

Comentário : Decidi dedicar neste meu espaço um especial a um grande realizador francês cujo cinema incide mais na comédia satírica, o grande Jacques Tati. Apenas farei comentários breves sobre estes filmes, até mesmo porque já os vi à algum tempo. Gostei deste primeiro filme, onde a personagem principal é um carteiro que é gozado e, por vezes, humilhado pelos habitantes de uma estranha aldeia. Confesso que senti pena desse carteiro em algumas situações. Embora, uma ou outra situação seja ligeiramente descabida. Jacques Tati interpreta na perfeição esse carteiro, naquele que é o seu papel mais insólito, porque normalmente no seu cinema, é ele quem “goza” com os outros. Um primeiro filme muito divertido e interessante, onde o destaque vai para o facto de quererem fazer igual, só porque alguém “muito importante” o faz.

terça-feira, 26 de abril de 2016

In The Shadow Of Women

Nome do Filme : “L'Ombre Des Femmes”
Titulo Inglês : “In The Shadow Of Women”
Titulo Português : “À Sombra Das Mulheres”
Ano : 2015
Duração : 70 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Philippe Garrel
Elenco : Clotilde Courau, Lena Paugam, Stanislas Merhar, Mounir Margoum.

História : Pierre e Manon são casados há já algum tempo. Ele é realizador e está a trabalhar num documentário sobre um herói da Segunda Grande Guerra. O dinheiro escasseia e eles vão subsistindo como podem ao dia-a-dia. Um dia, ele conhece Elisabeth, uma rapariga mais jovem e muito bonita, com quem inicia uma relação extraconjugal. Manon, por seu lado, também lhe é infiel com outro homem.

Comentário : Mais uma vez, o grande realizador francês Philippe Garrel nos aparece com um drama romântico e mais uma vez, usa a filmagem a preto e branco cromática que tem vindo a marcar os seus últimos filmes. A nível das relações humanas, o realizador sempre soube trabalhar nesse campo de forma irrepreensível e isso nota-se de filme para filme. Nos seus últimos filmes, Philippe Garrel tem conseguido trabalhar melhor questões como o amor, as relações extraconjugais, as traições e a própria questão do adultério em si. O argumento é um pouco redutor, empurrando a questão da traição como sendo ainda uma atitude aceitável no que aos homens diz respeito.

As mulheres continuam a ser tidas e vistas como as grandes responsáveis, como se o mal nesta questão viesse somente delas. Essa questão também foi bem trabalhada. A nível das interpretações, não gostei da prestação de Stanislas Merhar, embora tenha que admitir que o papel de canastrão assenta-lhe como uma luva. O realizador consegue mais uma vez que as mulheres brilhem mais. Clotilde Courau e Lena Paugam, cada uma à sua maneira, obtiveram poderosas interpretações, embora isso se tenha notado mais em relação à primeira e tudo devido às cenas das discussões do casal. Temos que agradecer a Philippe Garrel por mais este excelente filme. 

Run Boy Run

Nome do Filme : “Lauf Junge Lauf”
Titulo Inglês : “Run Boy Run”
Titulo Português : “Corre, Rapaz, Corre”
Ano : 2013
Duração : 113 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Pepe Danquart
Elenco : Andrzej Tkacz, Kamil Tkacz, Elisabeth Duda, Julia Stachowicz, Natalia Wajs, Izabela Kuna, Itay Tiran, Lukasz Gajdzis, Przemyslaw Sadowski, Jeanette Hain, Rainer Bock, Grazyna Szapolowwska, Zbigniew Zamachowski, Miroslaw Baka, Jochen Hagele, Krzysztof Porowski, Franciszek Wielkoszynski, Szymon Kurylo, Jacek Wojciechowski, Filip Witkowski, Michal Olszewski, Katarzyna Bargielowska.

História : Na época do Holocausto, um pequeno rapaz judeu, graças ao sacrifício do pai, consegue escapar à morte e isola-se na floresta, onde vai vivendo várias aventuras e sobrevivendo com a ajuda das pessoas que vai conhecendo.

Comentário : Gostei deste filme baseado numa história verídica, a do rapaz claro. De certeza que, tal como este, existiram muitos meninos e meninas que andavam sem rumo devido ao Holocausto, outros não tiveram tanta sorte. O filme segue-se muito bem, embora por vezes, tenha um ou outro tempo morto, mas no geral, o realizador soube fazer chegar o seu barco a bom porto. Todos tiveram prestações aceitáveis, com destaque para os dois atores que desempenharam o papel do protagonista. O filme tem cenas tocantes, por exemplo, a sequência do sacrifício do pai, ou a cena do enterro do cão, ou ainda a sequência em que o miúdo magoa a mão. O principal problema é que tudo soa demasiado a cliché, devido ao facto destes assuntos do Holocausto já terem tido direito a muitos filmes. Mas não há dúvidas que estamos perante um bom filme. Eu gostei e recomendo. 

Saint Laurent

Nome do Filme : “Saint Laurent”
Titulo Inglês : “Saint Laurent”
Titulo Português : “Saint Laurent”
Ano : 2014
Duração : 150 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Bertrand Bonello
Elenco : Gaspard Ulliel, Lea Seydoux, Jeremie Renier, Louis Garrel, Aymeline Valade, Amira Casar, Micha Lescot, Valeria Bruni Tedeschi, Valerie Donzelli, Jasmine Trinca, Dominique Sanda, Brady Corbet, Patrick Sobelman, Iliana Zabeth, Helmut Berger.

História : Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent nasce em 1936, em Orão, numa altura em que a Argélia é ainda uma colónia francesa. Aos 17 anos, deixa a casa dos pais rumo a Paris, onde vem a trabalhar com o estilista Christian Dior. Após a morte do seu mentor, torna-se, para espanto de todos, o responsável pela direcção criativa da casa Dior. Depois do seu primeiro grande desfile, que se revela um êxito e salva a empresa da ruína, conhece o empresário Pierre Bergé num encontro que mudará a sua vida. Amantes e parceiros de negócios, os dois associam-se e, em 1961, criam a casa Yves Saint Laurent que, durante as décadas de 60/70, viria a alterar alguns dos paradigmas da moda.

Comentário : A sinopse engana, na realidade, este filme biográfico não é tanto sobre a vida de Yves Saint Laurent, é sim, sobre uma determinada parte da sua vida. O protagonista passa o filme a deambular de um lado para o outro, a ter casos homossexuais, passa pelo seu atelier onde desenvolve uns quantos vestidos e traços, brinca com o seu cão, vai a bares e festas, conversa com modelos e ainda arranja tempo para não fazer nada. Não estava a exagerar se tivesse dito estarmos perante um filme oco, na realidade, a fita não nos prende muito. Gaspard Ulliel e Louis Garrel possuem as melhores prestações do filme, Lea Seydoux tem na fita a pior interpretação da sua carreira, além disso o seu papel é praticamente nulo. O filme é muito longo, meia hora a menos, seria o ideal. O ator principal imita muito bem os maneirismos do ícone da moda, pessoalmente, gostei bastante da sua prestação. Em forma de resumo, diria que o filme é apenas razoável, mas com uma personalidade destas, a coisa podia ter sido mais abrangente e podia ter resultado bem melhor. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

The Lesson

Nome do Filme : “Urok”
Titulo Inglês : “The Lesson”
Titulo Português : “A Lição”
Ano : 2015
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Kristina Grozeva/Petar Valchanov
Elenco : Margita Gosheva, Ivanka Bratoeva, Ivan Barnev, Ivan Savov, Stefan Denolyubov, Poli Angelova, Kiril Bakalov, Mihail Boevski, Atanas Bratoev, Georgi Bratoev, Ana Bratoeva, Nadejda Bratoeva, Boris Doychinov, Vanina Geleva, Antoneta Guleva, Magdelena Ilieva, Milena Ilieva, Mira Iskarova, Yana Lazarova, Yavor Namliev, Elisaveta Popovska, Hristo Simeonov, Nikolay Todorov, Deya Todorova, Hristina Tsvetanova, Greta Velikova, Toma Waszarow.

História : Nade é professora numa pequena cidade da Bulgária. Mais do que ensinar, procura formar os seus alunos eticamente. Um dia, depois de lhes dar uma lição de moral por causa de um roubo, chega a casa e depara-se com um oficial de justiça. Este diz-lhe que a prestação não está a ser paga e que, caso não resolva a questão em poucos dias, será despejada. Foi o marido dela, um desempregado alcoólico, que utilizou irresponsavelmente o dinheiro. Desesperada e com uma filha pequena de quatro anos a seu cargo, tenta encontrar um modo de pagar a dívida antes que seja demasiado tarde. Nesse percurso, face a decisões que a farão colocar em causa a sua própria integridade, será a professora a aprender uma difícil e grande lição de vida.

Comentário : Fiquei bastante satisfeito com este filme do chamado cinema do mundo, trata-se de uma obra crua e muito realista. É uma fita vinda directamente da Bulgária onde podemos testemunhar o comportamento de uma professora, ou seja, verificamos que a sua situação vai de mal a pior. Uma coisa que me fez confusão foi o facto da personagem principal não nos cativar, não senti qualquer tipo de empatia e de simpatia por ela. O que quer dizer que estamos perante uma personagem seca e fria. Durante o decorrer do filme, foram poucas ou nenhumas as vezes que a professora demonstrava afecto ou brincava com a filha pequena. Aliás, é ao pai que se devem praticamente todas as manifestações de afecto que a pequena recebe, mesmo sendo ele declarado o “mau da fita”, devido a ser ele o causador da situação em que eles se encontram. O filme foi filmado usando o estilo de camara na mão, o que lhe deu ainda mais o ar de realista. Nota igualmente positiva para a fotografia. A cena do chafariz e das moedas é marcante para percebermos a que ponto chegou a protagonista. Não me vou alongar muito na lição forçada que a professora teve que levar, apenas vou escrever um famoso ditado : “Nunca cuspas para o ar, pode cair-te em cima...”, no caso deste filme, aplica-se na perfeição. Gostei bastante deste filme, uma grande lição de cinema. 

The Wait

Nome do Filme : “L'Attesa”
Titulo Inglês : “The Wait”
Titulo Português : “A Espera”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Piero Messina
Elenco : Juliette Binoche, Lou De Laâge, Giorgio Colangeli, Domenico Diele, Antonio Folletto, Corinna Locastro, Giovanni Anzaldo, Razor Rizzotti.

História : Anna deixa-se levar pelo passar dos dias, percorrendo sem rumo a enorme mansão onde vive, na Sicília. Tudo à sua volta é silencioso e triste. Não fossem os poucos contactos que vai tendo com Pietro, o encarregado, e ela viveria em total reclusão. Um dia, chega Jeanne, uma linda jovem que diz ser namorada de Giuseppe, o filho de Anna. Segundo a miúda, os dois combinaram encontrar-se ali para os festejos da Páscoa. Enquanto esperam por ele, as duas mulheres aproveitam para se conhecerem e saberem outras facetas de Giuseppe. Porém, por mais que aguardem, parece que não há forma de ele regressar a casa.

Comentário : Estamos perante um profundo drama humano que abarca no seu centro uma tragédia. O filme reúne num espaço fechado (a mansão) uma mãe, num sofrimento atroz pela morte recente do filho e a namorada deste, que vem visitá-lo, alegadamente a seu convite. No entanto, a solitária matriarca resiste em dar-lhe conhecimento da triste notícia e mantém tudo num enorme silêncio. Aliás, trata-se de um filme repleto de silêncios, mas muito íntimo e delicado, detentor de belíssimos planos. Apesar de possuir uma narrativa escassa e linear, nunca nos desvia a atenção para aquilo que está a acontecer, pelo contrário, mantêm-nos sempre nos carris e na expectativa que aquela mãe revele à miúda a verdade e talvez, ela mesmo se sinta mais aliviada. Mas o filme peca por ser muito parado. 

O filme, muito mal recebido pela critica lá fora, funciona muito bem em parte devido à prestação das duas atrizes. De Juliette Binoche, não se podia esperar outra coisa, esta atriz, para além de ser muito elegante é das melhores atrizes dos últimos anos, tem neste filme uma interpretação visceral, adorei vê-la neste registo. Por outro lado, temos uma linda jovem chamada Lou De Laâge (linda mesmo), que se revelou uma verdadeira estrela, a sua prestação é excelente e a sua química com Binoche funcionou na perfeição. As duas mulheres se completam, seja como atrizes, seja enquanto personagens. Penso que a mãe não conta a verdade à miúda porque pretende, através dela, saber mais sobre o filho falecido, ou então procura apenas uma companhia feminina para a solidão e conforto. O filme vive muito da relação que se estabelece entre as duas. Piero Messina estreia-se assim de forma brilhante na cadeira da realização, depois de ter sido assistente do realizador Paolo Sorrentino. Claramente que aprendeu muito com ele, porque este “L'Attesa” é um bom filme. Gostei mesmo, um filme a rever brevemente em DVD. 

domingo, 24 de abril de 2016

Cemetery Of Splendor

Nome do Filme : “Rak Ti Khon Kaen”
Titulo Inglês : “Cemetery Of Splendor”
Titulo Português : “Cemitério do Esplendor”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Apichatpong Weerasethakul
Elenco : Jenjira Pongpas Widner, Jarinpattra Rueangram, Banlop Lomnoi, Sakda Kaewbuadee.

História : Soldados com uma misteriosa doença de sono são transferidos para uma clínica temporária numa antiga escola. O espaço, repleto de memórias, torna-se num mundo revelador para a voluntária Jenjira, enquanto cuida de Itt, um bonito soldado, que nunca recebe visitas de familiares. Ela fica amiga de Keng, a jovem médium que usa os seus poderes psíquicos para ajudar as famílias a comunicar com os homens que estão a dormir. Os médicos exploram formas, incluindo a terapia da luz colorida, para aliviar os sonhos conturbados dos homens. No decorrer do tempo que passa no local, Jenjira percebe que poderá haver uma ligação entre a síndrome enigmática dos soldados e a mítica região.

Comentário : Esta semana estreia o novo filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul, uma das figuras máximas do actual cinema contemplativo. Pessoalmente, gostei do filme, embora tenha que admitir que não é dos seus melhores trabalhos, o cineasta já realizou obras bem melhores no passado. Ainda assim, estamos perante um bom filme.

Como é habitual no cinema do realizador, este filme aborda o misticismo, crenças e o sobrenatural, numa obra que dificilmente agradará à maioria. O filme é tão concentrado no seu tema principal, que por vezes, parece que estamos a assistir às mesmas cenas. Visto que os homens padecem da tal doença do sono, as mulheres são as personagens principais, pessoalmente, gostei das prestações das protagonistas.

Não é um filme muito agradável de se ver e muito fácil de se acompanhar, é somente para os que estão habituados ao cinema do cineasta. Numa declaração de uma das personagens femininas, os soldados estão sempre a dormir, porque os espíritos sugam-lhes a energia para combaterem. O director gosta de misturar e inserir as crenças do seu país nos seus filmes e serve-nos tudo como se fosse algo mágico e encantador, por vezes, difícil de perceber. Adorei a galinha com as suas crias. Este filme foi nomeado para o Festival de Cannes de 2015. Um bom filme.