sexta-feira, 2 de junho de 2017

Wonder Woman

Nome do Filme : “Wonder Woman”
Titulo Inglês : “Wonder Woman”
Titulo Português : “Mulher Maravilha”
Ano : 2017
Duração : 141 minutos
Género : Ação/Aventura/Guerra/Fantasia
Realização : Patty Jenkins
Produção : Deborah Snyder/Zack Snyder
Elenco : Gal Gadot, Robin Wright, Connie Nielsen, Chris Pine, David Thewlis, Elena Anaya, Lucy Davis, Danny Huston, Eleanor Matsuura, Mayling Ng, Samantha Jo, Ewen Bremner, Doutzen Kroes, Said Taghmaoui, Florence Kasumba, Eugene Brave Rock, Lisa Loven Kongsli, Brooke Ence, Ann Ogbomo, Ann Wolfe, Madeleine Vall, Jacqui Lee Pryce, Emily Carey, Lilly Aspell.

História : Numa ilha paradisíaca e isolada, nasceu Diana, filha única de Hippolyta, raínha de uma tribo de amazonas. Com poderes sobre-humanos, desde criança que foi protegida do mundo exterior e treinada para ser uma guerreira imbatível. Quando conhece Steve, um piloto americano cuja avioneta se despenha no mar da ilha, percebe que, enquanto ela e a sua tribo vivem pacificamente na ilha, o resto do mundo está mergulhado num conflito global que parece não ter fim. É então que chega à conclusão que os seus poderes podem ser usados na luta contra o mal. Apesar da relutância da rainha em que ela abandone o reino para combater forças desconhecidas, Diana sabe que é chegado o momento de cumprir o seu destino, usando todas as suas forças para ajudar a terminar a grande guerra.

Comentário : Em primeiro lugar quero aqui dizer que não tenho nada contra a Marvel e nem contra a DC Comics. O meu filme preferido de super-heróis é “Logan” em relação à Marvel, já sobre a DC, gosto bastante da trilogia do Batman feita por Christopher Nolan. Fui ao cinema ver “Mulher Maravilha”, um filme em que eu tinha colocado as expectativas bem altas. No meio de montes de filmes de super-heróis que possuem homens como protagonistas, existem apenas três filmes do género cujo protagonista é uma mulher, logo esse novo filme era a grande oportunidade de nos darem algo de novo e diferente. Após sair da sala de cinema, fiquei muito desiludido com grande parte das coisas que vi ao longo de quase duas horas e meia. Eu nunca concordei que tivessem colocado Gal Gadot neste papel, ela ainda é uma actriz muito imatura e inexperiente, para além de não ser detentora do físico correcto para se ser Mulher Maravilha. E aqui, isso notou-se, ela vai muito mal nas cenas mais emotivas, já as cenas que exigem mexer-se e esforço físico, vai mais ou menos, mas o CGI engana muito, ou seja, não melhora aquilo que já é mau. Duas actrizes que eu gostaria de ter visto como Wonder Woman eram Daisy Ridley e Brie Larson, por exemplo. Gal Gadot é assim um forte erro de casting. 

É doloroso vermos boas actrizes como Robin Wright, Connie Nielsen e Elena Anaya sendo desperdiçadas aqui, ainda que as duas primeiras tenham tido as melhores prestações do filme e tiveram as únicas personagens interessantes do longa. David Thewlis e Danny Huston estão muito mal aqui e as suas personagens são muito fracas, se tivessem colocado dois actores menos conhecidos nos seus papéis, talvez a coisa tivesse resultado melhor. Mais uma vez, os vilões são muito fracos, para não dizer ridículos, quanto a isto nada de novo. Chris Pine é o único actor masculino que se safa, apesar da sua personagem ser machista e um mar de clichés. A química entre Gadot e Pine soa a algo forçado e a história de amor deles não convence, por culpa dos seus personagens serem mal trabalhados. Nenhum dos actores que desempenharam os três elementos do grupo de combate me cativaram, as suas personagens simplesmente não convencem. Existe uma gordinha que é o alívio cómico, que é um verdadeiro escarro, não funciona. Apesar da fotografia ser boa e do som ter uma boa qualidade, alguns efeitos especiais aplicados nas cenas de batalha e no confronto final deixam muito a desejar. Não vi nenhum traço de Patty Jenkins enquanto realizadora neste filme, pelo contrário, a fita parece ter sido realizada por Zack Snyder. A realizadora apenas deve ter dado uns palpites no primeiro acto do filme que se passa na ilha das amazonas, que diga-se de passagem, é o melhor da fita. O segundo acto é penoso e o terceiro acto é um verdadeiro desastre. Eu não entendo porque motivo todos os filmes deste género têm que ter um clímax composto por cenas de destruição onde abundam explosões, coisas partidas e muita porrada. Quando os estúdios vão compreender que isto é um dos principais problemas dos filmes comerciais. Estes personagens deviam servir para ajudar os mais carenciados, para serem uma inspiração e só os usam para demonstrarem força e poderes, parece que apenas servem para se exibirem. Apesar disso, eu senti pica quando vi Diana a subir a escada da trincheira e a enfrentar os soldados na frente de combate.

O filme peca também por ter cenas mal concebidas, alguns erros na lógica das coisas e coisas mal explicadas. O argumento é muito mau, por exemplo, a personagem da Mulher Maravilha sempre combateu na segunda guerra mundial e aqui colocaram-na na primeira grande guerra. A própria Patty Jenkins deve ter tido pouca margem de manobra enquanto realizadora, afinal, nada podia fugir às normas do caderno de encargos escrito pelos grandes estúdios e nesse campo, Zack Snyder é um aluno exemplar. O filme perde muito também porque tem muitas cenas em camara lenta, é um exagero, essas imagens tiram todo o realismo e toda a credibilidade aos acontecimentos. Volto a dizer, a minha parte preferida do filme foi a que decorreu na ilha das amazonas, ainda assim aquela sequência da batalha delas com os soldados na praia é totalmente desnecessária. Gostei de conhecer as origens de Diana (A pequena Lilly Aspell está muito bem), de ter visto como ela era na infância e na adolescência, embora a primeira fase tenha tido mais tempo de antena do que a segunda. Certos enquadramentos estão muito mal concebidos, a protagonista passa grande parte do filme tapada e quando está com o uniforme de luta, raramente tem cenas que destaquem o seu corpo, mas compreende-se, a actriz não tem corpo de amazona. Ainda bem que não existem cenas pós-créditos nem ganchos a pedir sequela. O filme não está relacionado com a saga da “Liga da Justiça”, é uma fita isolada que funciona bem como individual. Tinham todo o potencial para fazer um filme diferente, mas infelizmente seguiram a mesma fórmula de quase todo o filme do género e o resultado é mais do mesmo. Tal como disse, o primeiro acto é muito bom, o segundo acto é penoso e o terceiro acto é um autêntico desastre. É um filme fraco e banal, igual a tantos outros, mais do mesmo portanto. De maravilha, esta mulher não tem nada.

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