sexta-feira, 30 de junho de 2017

Okja

Nome do Filme : “Okja”
Titulo Inglês : “Okja”
Titulo Português : “Okja”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Bong Joon Ho
Produção : Bong Joon Ho
Elenco : An Seo Hyun, Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Lily Collins, Giancarlo Esposito, Shirley Henderson, Daniel Henshall, Devon Bostick, Woo Shik Choi, Steven Yeun, Byun Hee Bong.
 
História : Durante dez anos, a jovem Mija cuidou de uma adorável super porca chamada Okja. Após ela ser levada por uma corporação multi-nacional para participar de um concurso com cruéis intenções, a menina resolve ir ao resgate da sua amiga, se deparando com um outro grupo lutando pelo destino da criatura.

Comentário : Não gosto muito das produções da Netflix, logo não fui com grandes expectativas para este filme e só o vi pelo facto do realizador ser quem é. Fiz bem em ter dado uma oportunidade a esta fita, porque muito embora não seja algo grandioso, estamos perante uma obra bastante aceitável. O que mais me desagradou neste filme foi o facto de o tentarem tornar americano, seja usando actores americanos ou recorrendo aos clichés próprios de um género criado nos Estados Unidos. Mas como temos uma personagem humana natural dos países orientais como protagonista, as coisas suavizaram um pouco nesse aspecto. Eu adorei a criatura digital, Okja parece muito real e é muito ternurenta, nós ficamos até com pena dela em algumas situações. A pequena actriz que desempenha a menina amiga da criatura tem a melhor prestação do filme e a empatia e relação dela com Okja são a alma da fita. Tilda Swinton está muito bem nas duas personagens que interpreta, apesar de serem do mal. Gostei da personagem de Paul Dano, mas odiei ver Jake Gyllenhaal neste registo. O filme funciona muito bem enquanto critica ao capitalismo e ao consumismo e passa na perfeição a mensagem de que o ser humano é o pior dos seres. Existem cenas dispensáveis e outras que incomodam, estas últimas servem para nos mostrar como as coisas funcionam hoje em dia. O filme foca também a maneira cruel e desumana como alguns humanos tratam os animais e a falta de respeito e de humanidade para com eles. Os efeitos especiais são muito bons e o primeiro acto é o melhor dos três. Tem uma cena que comove e nos faz derramar umas lágrimas. Nota negativa para a banda sonora, ela não funciona muito bem nas cenas em que as músicas são inseridas. É um filme que funciona. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

The Happiest Day In The Life Of Olli Mäki

Nome do Filme : “Hymyilevä Mies”
Titulo Inglês : “The Happiest Day In The Life Of Olli Mäki”
Titulo Português : “O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki”
Ano : 2016
Duração : 92 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Juho Kuosmanen
Produção : Jussi Rantamaki
Elenco : Jarkko Lahti, Oona Airola, Eero Milonoff, Joanna Haartti, Joonas Saartamo, Mika Melender, Denis Lyons, John Bosco Jr., Deogracias Masomi, Pia Andersson, Shamuel Kohen, Antti Naakka, Petri Hytonen, Hilma Milonoff.

História : Em 1962, o pugilista amador finlandês Olli Mäki está prestes a enfrentar o americano Davey Moore, campeão mundial na categoria peso-pena. A vitória no combate pode mudar a sua vida e torná-lo numa verdadeira estrela do boxe profissional. Apesar de se sentir fisicamente preparado para o grande momento, há algo que está a fazê-lo perder a concentração : Raija, uma linda rapariga que conheceu e por quem se apaixonou perdidamente.

Comentário : Gostei bastante deste filme, apesar de não gostar muito de boxe, eu simpatizo bastante com os filmes que abordam este desporto, não sei explicar o motivo. O filme não é americano e isso também contribuiu para o admirarmos de outra maneira. Com uma belíssima fotografia a preto e branco e muito bem filmado, o filme dá-nos mesmo a sensação de estarmos nos anos sessenta. Ficamos com uma ideia de como se processam as coisas naquele mundo, de como o dinheiro é o centro de tudo, onde os grandes não se importam minimamente com os desportistas, querendo apenas que eles façam sucesso seja qual for o preço. Jarkko Lahti convence no papel principal, ele é um homem simples que tinha duas paixões na vida e que sonhava conciliar as duas. Eero Milonoff faz bem o papel de sacana interesseiro, sendo também um cobarde que se curva e humilha perante os grandes. Oona Airola é bonita o suficiente para ganhar empatia com o público, tem uma boa interpretação e foi a personagem que eu mais gostei. Além disso, a química dela com o protagonista é bem evidente. No fundo, Olli Maki estava desejoso que tudo aquilo terminasse para poder estar novamente com a sua amada. O filme não mostra o boxe como desporto violento, conforme a maioria dos filmes do género costumam fazer e isso funciona como um elogio. A recriação de época está muito boa e os melhores momentos do filme são aqueles onde Olli Maki e Raija estão juntos. Os dois funcionam muito bem. Confesso que não conhecia este pugilista e só por tê-lo descoberto desta maneira, valeu o visionamento. Lamento que o filme seja muito curto, gostava que tivesse mais trinta minutos. Bom filme.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Fifty Shades Darker

Nome do Filme : “Fifty Shades Darker”
Titulo Inglês : “Fifty Shades Darker”
Titulo Português : “As Cinquenta Sombras Mais Negras”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Romance
Realização : James Foley
Produção : Dana Brunetti/Michael De Luca/Marcus Viscidi/E. L. James
Elenco : Dakota Johnson, Jamie Dornan, Bella Heathcote, Eric Johnson, Eloise Mumford, Rita Ora, Victor Rasuk, Luke Grimes, Marcia Gay Harden, Max Martini, Bruce Altman, Kim Basinger, Andrew Airlie, Robinne Lee, Tyler Hoechlin.

História : Disposta a deixar de participar num jogo onde se sente constantemente obrigada a obedecer a regras com que não concorda, Anastasia Steele termina o relacionamento com Christian. Apesar de desapontada e fragilizada com a decisão, ela segue a sua vida. Porém, por mais que se esforce, o desejo persegue-a. E acaba por ceder às constantes investidas de Christian Grey, que se compromete a mudar e a assumir com ela uma relação diferente.

Comentário : Segunda parte da saga de Christian Grey, que embora consiga estar um pouco melhor do que o primeiro, continua muito longe de ser um bom filme. E neste segundo filme, as coisas desviam-se totalmente do alicerce básico que gere toda a saga, ou pelo menos da direcção para onde devia ir. Eu não tenho problema nenhum com filmes eróticos nem com cenas de sexo no cinema, desde que eles impliquem uma história bem contada com personagens minimamente interessantes, o que não é o caso destes dois filmes. Aqui continuamos com pouco interesse naquilo que vemos e a culpa disso é do argumento muito pobre. É tudo mais do mesmo, muito ao nível do primeiro filme e sem ponta de imaginação. Dakota Johnson continua bem no papel mas sem surpresas, Jamie Dornan permanece um pão sem sal, enquanto que os secundários limitam-se ao normal, tal como o fizeram no primeiro filme. Vale lembrar que a personagem de Bella Heathcote foi uma boa aquisição para a história, mas infelizmente foi muito mal aproveitada. As cenas de sexo são enfadonhas e nada explícitas. Algumas atitudes das duas personagens principais não se percebem, enquanto que a personagem de Marcia Gay Harden tem uma atitude incompreensível perto do final do filme. A personagem de Kim Basinger dá-nos a conhecer finalmente quem foi a dominadora do famoso Mr. Grey. Rita Ora está linda. A terceira parte desta história tem estreia prevista para fevereiro do ano que vem. Este segundo registo até pode funcionar como sequela, mas ambos os filmes são fracos, mal dirigidos e possuem pouco de cinema, eles simplesmente não deviam de existir. São filmes criados unicamente para fazer dinheiro. 

Fifty Shades Of Grey

Nome do Filme : “Fifty Shades Of Grey”
Titulo Inglês : “Fifty Shades Of Grey”
Titulo Português : “As Cinquenta Sombras de Grey”
Ano : 2015
Duração : 125 minutos
Género : Romance
Realização : Sam Taylor Johnson
Produção : Dana Brunetti/Michael De Luca/E. L. James
Elenco : Dakota Johnson, Jamie Dornan, Jennifer Ehle, Eloise Mumford, Victor Rasuk, Marcia Gay Harden, Rita Ora, Luke Grimes, Max Martini, Callum Keith Rennie, Andrew Airlie, Dylan Neal, Elliat Albrecht, Rachel Skarsten, Emily Fonda.

História : Anastasia Steele é uma rapariga tímida que sempre teve dificuldades em relacionar-se com o sexo oposto. Certo dia, a pedido da sua melhor amiga, entrevista Christian Grey, um dos empresários mais ricos e promissores do momento. Nesse encontro, a jovem descobre um homem fascinante que, para sua surpresa, se mostra interessado em conhecê-la mais profundamente.

Comentário : Podem até me criticar pelo comentário que eu farei a este filme, alegando que eu não li o livro, que eu não entendi este universo ou que eu não mergulhei direito na essência da coisa, mas eu não estou aqui para comentar o livro, esqueçam o livro, eu venho aqui apenas comentar o filme e será só isso que interessa aqui, o filme. Esta semana eu resolvi vir aqui comentar os dois filmes que já saíram sobre Christian Grey. Mesmo sabendo daquilo que já se sabe, eu aceitei a tarefa de os comentar, afinal é essa a minha função, independentemente dos filmes serem bons ou maus. Este filme fez mais sucesso entre as mulheres do que com os homens e é fácil perceber porquê, apesar de ser sobre uma mulher que é “presa” e castigada por um homem, é basicamente sobre a libertação sexual delas, é esse o foco do filme. Em primeiro lugar, o filme está muito mal escrito e tem péssimos diálogos, em vez de nos fazer concentrar, só nos dá vontade de rir, o argumento é o ponto mais fraco da fita. O filme tem muitos erros, eles estão em algumas atitudes das personagens, estão na lógica das coisas e até em situações toscas sobre a localização geográfica. Dakota Johnson tem a melhor prestação do filme, mas não existe química nenhuma entre ela e Jamie Dornan, aliás o actor está péssimo neste papel, eu não compreendo porque motivo o foram colocar na pele do protagonista masculino. O filme não tem três actos, é uma fita de um só acto que se estende por duas penosas horas. Também não entendo o que a actriz Marcia Gay Harden está aqui a fazer. Todo o elenco de secundários cumpre os mínimos, mas isso também não era difícil. Como pontos positivos, temos uma belíssima fotografia e uma banda sonora cativante.Não esperem sexo explícito aqui, eles aparecem nus realmente, mas as partes íntimas nunca surgem no ecrã. É um filme que não convence.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sweet Dreams

Nome do Filme : “Fai Bei Sogni”
Titulo Inglês : “Sweet Dreams”
Titulo Português : “Sonhos Cor-de-Rosa”
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama
Realização : Marco Bellocchio
Produção : Beppe Caschetto
Elenco : Berenice Bejo, Valerio Mastandrea, Fabrizio Gifuni, Guido Caprino, Barbara Ronchi, Dario Dal Pero, Nicolo Cabras, Emmanuelle Devos, Piera Degli Esposti, Roberto De Francesco, Roberto Herlitzka, Miriam Leone, Manuela Mandracchia, Linda Messerklinger, Lorenzo Monti, Drazen Pavlovic, Arianna Scommegna, Bruno Torrisi, Ferdinando Vetere, Pier Giorgio Bellocchio.

História : Massimo é um jornalista bem conceituado que trabalha num dos mais importantes jornais de Itália. Um dia, após um trabalho particularmente difícil sobre a Guerra da Bósnia, começa a ter ataques de pânico. Simultaneamente, vê-se obrigado a tratar dos assuntos da venda da casa de família, onde viveu toda a infância. Ao encarar as memórias do passado, a situação de ansiedade piora. É então que, ao procurar ajuda profissional, conhece Elisa, alguém que o vai ajudar a superar um trauma que teve origem numa perda irreparável.

Comentário : O principal problema deste filme é o facto dele perder imenso tempo com a infância e juventude do protagonista em vez de investir mais na fase adulta dele. Eu gostei deste filme, mas queria ter visto mais do Massimo adulto e da sua relação com a médica Elisa. Aliás, a belíssima e talentosa actriz Berenice Bejo foi muito mal aproveitada aqui, vendo a sua personagem atirada para segundo plano. Por outro lado, o actor Valerio Mastandrea esteve muito bem em campo, ele tem a melhor interpretação do filme, eu gostei bastante do seu personagem e gostava de ter visto mais dele, em alguns momentos, ele parece Michael Fassbender. Apesar da narrativa se centrar mais na infância e na juventude do protagonista, a história está muito bem contada e mostrada, sempre com boas actuações de todo um grupo de secundários muito bem gerido e funcional.

O principal foco do filme é a tragédia que aconteceu a um familiar do protagonista e sobre isso apenas saberemos a verdade perto do final, eu fiquei admirado, embora não tenha entendido a reação de Massimo. Claro que o filme tem uma ou outra cena desnecessária, daquelas que não fazem falta nenhuma ou que não contribuem para o todo. O filme soma pontos também por ser muito nostálgico, eu sou uma pessoa deprimida por natureza e senti-me triste em algumas cenas que puxam mais para o sentimentalismo. A desgraça em si já é propícia a esse tipo de sentimentos. Temos também uma participação especial da actriz Emmanuelle Devos, que eu confesso ter gostado. Existe uma sequência passada na infância de Massimo entre ele e um amigo que dá que pensar, é sobre a maneira de nós tratarmos que nos ama e só sabemos dar valor quando não as temos. É um bom filme italiano que nos leva a penetrarmos nas relações entre pais e filhos com todas as sensações e sentimentos nelas contidas. Por último, tenho que dizer que lamento imenso ter perdido este filme no cinema.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Captain Phillips

Nome do Filme : “Captain Phillips”
Titulo Inglês : “Captain Phillips”
Titulo Português : “Capitão Phillips”
Ano : 2013
Duração : 135 minutos
Género : Biográfico/Drama/Thriller
Realização : Paul Greengrass
Produção : Dana Brunetti/Kevin Spacey/Michael De Luca/Scott Rudin
Elenco : Tom Hanks, Catherine Keener, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, David Warshofsky, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Max Martini, Omar Berdouni, Mohamed Ali, Issak Farah Samatar, Thomas Grube, Mark Holden, Stacha Hicks.

História : Em Abril de 2009 no Oceano Índico, um porta contentores norte-americano é atacado por piratas somali. O comandante Richard Phillips, um homem com mais de três décadas de experiência no mar, percebe a gravidade da situação e aceita ser feito refém em troca da liberdade da sua tripulação. Os dias que se seguem são de pura tensão.

Comentário : Hoje resolvi vir aqui comentar um dos grandes filmes de 2013, que apesar de ter Paul Greengrass como realizador, é uma obra muito bem concebida e cheia de tensão, eu senti-me totalmente tenso e envolvido durante mais de duas horas de projecção. O filme é baseado em acontecimentos reais, pelo menos aquilo que vemos no geral aconteceu de verdade, e a fita funciona como uma espécie de resumo dos factos. Aquilo que mais me irritou neste filme foi o facto dos americanos passarem quase sempre por heróis e são quase sempre eles que salvam tudo e todos. Além disso, o filme possui ainda alguns erros na lógica das coisas e nas ações de alguns personagens, por exemplo, não se percebe porque motivo os quatro piratas são um pouco ingénuos e se deixam enganar tão facilmente. Como aspectos positivos, temos um bom clima de tensão que está sempre presente, temos uma boa recriação dos acontecimentos, uma boa montagem e duas excelentes prestações a cargo de Tom Hanks e de Barkhad Abdi. Aliás, os quatro actores que desempenharam os principais piratas da Somália (foto em baixo) foram os que estiveram melhor, no que ao elenco diz respeito. Gostava de ver mais cenas dos piratas no navio e gostava que houvesse algumas mortes na tripulação, afim de transmitir mais realismo, mas isso estava fora de questão, porque as coisas não aconteceram dessa maneira. Nota-se que a equipa de produção deve ter tido imenso trabalho para fazer este filme, algumas coisas que se passaram ali não são fáceis de replicar. Inicialmente o filme foca tanto o comandante quanto os somalis no seu país e a preparação destes para o ataque ao navio, achei isso muito positivo. É possível que algumas coisas que vemos no filme não se tenham passado daquela forma, os americanos gostam de alterar as coisas para saírem bem na fotografia. Mas no geral, estamos perante um bom filme. 

Buster's Mal Heart

Nome do Filme : “Buster's Mal Heart”
Titulo Inglês : “Buster's Mal Heart”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Sarah Adina Smith
Produção : Travis Stevens/Jonako Donley
Elenco : Rami Malek, Kate Lyn Sheil, Sukha Belle Potter, DJ Qualls, Lin Shaye, Toby Huss, Mark Kelly, Bruce Bundy, Teresa Yenque, Jared Larson, Sandra Ellis Lafferty, Nicholas Pryor, Lily Gladstone, Gabriel Clark, Chris Torma.

História : Jonah é um funcionário de um hotel que faz todos os esforços para proporcionar à mulher e à filha de ambos uma vida melhor. No entanto, ele começa a ficar cada vez mais perturbado com a rotina, e uma desgraça estraga-lhe a vida.

Comentário : Este filme colocou-me a pensar muito sobre aquilo que somos e naquilo em que nos tornamos, devido à vida que temos actualmente. Por vezes, estamos tão penetrados na nossa vida laboral que nos esquecemos do mais importante, a nossa família e os nossos filhos. Esquecemos de viver as nossas vidas pessoais. Estamos também dentro de todo um sistema que nos rouba tempo, um sistema que nos vai consumindo aos poucos e que nos tira aquilo que mais importante temos na nossa vida. Acontece assim com a maioria das pessoas. Jonah ou Buster faz parte desse grande grupo. Não é um filme fácil, eu próprio não entendi algumas coisas, enquanto que outras não fazem muito sentido. Se existem filmes onde uma explicação fazia jeito, este é um deles. A narrativa decorre em três tempos : temos a parte da história do protagonista com a família antes da tragédia; temos a parte em que o personagem principal anda a monte, depois da tragédia e temos por último a parte do tempo actual em que ele está a ser perseguido pelas autoridades. Rami Malek possui a melhor prestação da fita enquanto que o restante elenco de secundários se limita a cumprir aquilo que foi pedido. Existe pelo menos uma sequência que se prolonga mais que o necessário. O filme tem bonitas imagens. A banda sonora por vezes irrita. A principal mensagem que se tira disto é que a maioria dos seres humanos não são livres. Não percebi o final do filme, embora perceba que está em conformidade com a história contada. 

The Belko Experiment

Nome do Filme : “The Belko Experiment”
Titulo Inglês : “The Belko Experiment”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Terror/Crime
Realização : Greg McLean
Produção : James Gunn
Elenco : John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Melonie Diaz, Adria Arjona, John C. McGinley, Michael Rooker, Sean Gunn, Owain Yeoman, Brent Sexton, Josh Brener, David Dastmalchian, Rusty Schwimmer, Gail Bean, James Earl, Abraham Benrubi, Valentine Miele, Stephen Blackehart, Maruia Shelton.

História : Nas instalações laborais da empresa Belko, num dia de trabalho igual a tantos outros, oitenta dos seus funcionários são encerrados dentro do edifício e sujeitos a uma espécie de jogo da morte, onde serão levados ao limite e obrigados a matar para não serem mortos.

Comentário : Este filme levanta questões curiosas, por exemplo, as coisas que o ser humano é capaz de fazer quando é levado ao limite. Confesso que esperava o pior em relação a este filme, é muito bom quando não vamos com expectativas nenhumas para um filme e acabamos por nos surpreender, foi o que me aconteceu aqui. O filme é tenso em muitas cenas, o argumento está aceitável, embora com algumas falhas e temos aqui uma história que se segue muito bem. Existe uma sequência em particular que está relacionada com escolhas que é muito enervante, para não dizer chocante. O realizador trabalha uma das suas personagens femininas muito bem, ele dá-lhe um desenvolvimento muito interessante, mas infelizmente não lhe sabe dar um final digno dessas promessas. O filme tem muito sangue e é violento. O mais curioso neste filme é o facto de ser um processo engraçado acompanharmos estes personagens todos, ver para onde eles vão e como evoluem, mediante o rumo dos acontecimentos. John Gallagher Jr. e Melonie Diaz são os que conseguem arrancar as melhores prestações, embora Tony Goldwyn seja muito bom enquanto vilão principal. Temos aqui ideias que funcionam muito bem, outras nem tanto. Por último, não gostei muito do final do filme, me pareceu tudo muito trapalhão, como se estivessem a despachar o assunto. Mas no geral, estamos perante um filme bastante interessante e que funciona bem na maior parte do tempo. 


A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto

Nome do Filme : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Titulo Inglês : “The Capital Of The Dead 2 : Dead World”
Titulo Português : “A Capital dos Mortos 2 : Mundo Morto”
Ano : 2015
Duração : 72 minutos
Género : Terror
Realização : Tiago Belotti
Produção : Tiago Esmeraldo
Elenco : Lorena Aloli, Gustavo Serrate, Jazz Vasconcellos, Rany Fontelene, Morgana Santos Gama, Marília Mangueira, Ana Flavia Garcia, Renata Helena.

História : Cinco anos após ter se confrontado com os zombies, Lucas une forças com a traumatizada Denise. Juntos, eles tentam manter a sanidade, e sobreviver num mundo onde há coisas muito mais perigosas que zombies.

Comentário : Confesso que tinha mesmo que vir a este espaço comentar este filme, porque trata-se de uma obra dirigida por um crítico de cinema que eu admiro imenso, Tiago Belotti. Sempre que posso, eu assisto aos seus vídeos comentando os filmes que ele vai vendo. O primeiro filme desta história também foi realizado por ele, mas eu confesso que não gostei muito dele, talvez pelo facto de ser amador de mais, apesar da intenção ter sido boa, o primeiro filme não me convenceu. O mesmo não posso dizer deste segundo filme, ele também foi feito com um orçamento muito baixo, mas resultou melhor para mim, possivelmente porque a história me interessou mais. Foi como eu disse, este segundo filme resulta melhor porque tem um argumento mais bem elaborado e porque as personagens femininas são muito interessantes. Gustavo Serrate voltou a não convencer no papel de Lucas, apesar de estar melhor aqui, eu não comprei o drama do seu personagem.

Lorena Aloli, por seu lado, que viveu a Denise, teve a personagem mais rica do filme, durante o longa eu fiquei sempre a desejar que tudo desse certo com ela. Além disso, a miúda possui a melhor prestação da fita. O filme apresenta problemas claro, principalmente a nível técnico, por exemplo, ele é escuro demais. Gostei mais da banda sonora deste segundo filme do que no primeiro. Penso igualmente que aqui sente-se mais o clima de terror, eu vibrei com esta história, eu me senti parte da jornada da Denise e isso é muito bom. Repito, para um filme quase sem verbas, com poucos recursos e que teve muitas ajudas, ele está muito bom, eu gostei bastante. Para além dos problemas técnicos, aquilo que eu menos gostei foi do destino destas meninas, é que nós investimos tanto nestas personagens e nos interessamos tanto por elas, para depois vermos os seus finais que são muito injustos, isso me desiludiu imenso. Mas pronto, valeu o esforço. Um último reparo, eu adorei os zombies deste filme, é precisamente assim que eles deviam ser em todos os filmes do género. 

domingo, 11 de junho de 2017

The Odyssey

Nome do Filme : “L'odyssee”
Titulo Inglês : “The Odyssey”
Titulo Português : “A Odisseia”
Ano : 2016
Duração : 122 minutos
Género : Aventura/Biográfico/Drama
Realização : Jerome Salle
Produção : Philippe Godeau/Olivier Delbosc/Nathalie Gastaldo/Marc Missonnier
Elenco : Lambert Wilson, Audrey Tautou, Pierre Niney, Laurent Lucas, Benjamin Lavernhe, Chloe Hirschman, Adam Neill, Olivier Galfione, Chloe Williams, Ulysse Stein, Rafael De Ferran, Talie Mergui.

História : Em 1948, Jacques Cousteau, a sua mulher e dois filhos vivem num paraíso, uma magnífica casa com vista para o Mediterrâneo. Apesar disso, Cousteau só consegue pensar em aventuras. Graças à sua invenção, um tanque de oxigénio independente que permite aos mergulhadores respirar debaixo de água, Cousteau foi à descoberta de um novo mundo subaquático. Agora, tudo o que ele quer fazer é explorar esse mesmo mundo e, para tal, está disposto a sacrificar tudo o que até agora alcançou.

Comentário : Possivelmente a melhor estreia cinematográfica desta semana, este filme conquistou-me. Trata-se de uma espécie de biografia de Jacques Cousteau, que eu confesso que até certo momento dá uma má imagem do homem, mas depois ele se redime e passa a ser visto com outros olhos. O filme possui bonitas imagens e cenas cativantes, está muito bem filmado e consegue nos prender ao ecrã. Eu fiquei bastante interessado nesta história, em conhecer este senhor e as coisas que ele fez e em que acreditava. Claramente que aquilo que mais me revoltou nele foi o facto de ter abandonado os seus dois filhos num orfanato, enquanto ele e a mãe dos miúdos foram explorar os oceanos. Isso foi muito cruel, mas também eu não sei se tudo o que mostram neste filme sobre Cousteau é mesmo verdadeiro. Esta é a história de um homem que cometeu muitos erros ao longo da vida, mas nos últimos anos de vida decidiu alterar as coisas e passou a fazer aquilo que achava ser o mais correcto. No papel principal, o actor Lambert Wilson possui a melhor prestação do filme, é um personagem difícil e apesar da caracterização nem sempre o favorecer, eu entendi o seu Jacques Cousteau. No papel de um dos seus filhos, Pierre Niney é quem possui o arco mais interessante da fita, eu o entendi perfeitamente, ele foi abandonado pelos pais num orfanato onde sofreu bullying na infância e mesmo assim transformou-se num ser humano maravilhoso, lamentei imenso o seu destino. Por último, Audrey Tautou está bem no seu papel, é daquelas personagens que demora a entendermos, mas depois de captar a sua essência, nos tornamos zeladores da sua pessoa. No entanto, também ela é alguém que cometeu erros ao longo da sua vida, nunca nos podemos esquecer disso. O filme abarca ainda importantes mensagens ecológicas que chegam tarde e a más horas, porque a narrativa demora a expressá-las. Sendo a mais marcante : O ser humano está a destruir o planeta. Ainda assim, estamos perante um bom filme.

Paranormal Activity : The Marked Ones

Nome do Filme : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Inglês : “Paranormal Activity : The Marked Ones”
Titulo Português : “Atividade Paranormal – Os Escolhidos”
Ano : 2014
Duração : 80 minutos
Género : Terror
Realização : Christopher Landon
Produção : Oren Peli/Jason Blum
Elenco : Andrew Jacobs, Jorge Diaz, Gabrielle Walsh, Molly Ephraim, Renee Victor, Noemi Gonzalez, Gloria Sandoval, David Saucedo, Richard Cabral, Carlos Pratts, Juan Vasquez, Brent Gutierrez, Alonso Alvarez, Catherine Toribio, Frank Salinas, Gigi Feshold, Silvia Curiel, Micah Sloat, Katie Featherston.

História : Jesse e Hector são grandes amigos, que acabaram de se formar no ensino médio. Fascinados em filmar com uma camara portátil tudo o que acontece à sua volta, eles ficam intrigados ao ouvir sons estranhos vindos do apartamento de baixo da casa de Jesse. Lá vive Anna, uma senhora que tem fama de ser uma bruxa. Não demora muito para que os amigos passem a atormentá-la, o que faz com que Jesse seja ameaçado por ela. A súbita morte de Anna faz com que aumente ainda mais a curiosidade dos amigos, que decidem invadir a casa dela, mesmo estando lacrada pela polícia. É quando percebem que Anna pertencia a uma seita que tinha Jesse entre os seus alvos.

Comentário : Trata-se do filme mais fraco da saga, que realidade funciona como uma espécie de prequela do primeiro filme. É um filme cheio de mistério e tensão, mas que falha quando se trata de apresentar respostas, de facto, aqui quase nada é explicado. Durante setenta e cinco minutos seguimos dois amigos que se envolvem em vários problemas porque um deles está implicado numa seita, sem o saber. Em tirando o final, o filme tem pouca ligação com a saga, e não há o esforço para tentar ligar-se à história de Katie. Esta prequela não capta a essência dos outros cinco filmes. Algumas situações são toscas para não dizer ridículas e outras não parecem ter muita lógica, por exemplo, não se percebe porque motivo os jovens não largam a camara mesmo em momentos aflitivos. Mesmo a suposta ligação à saga perto do final não faz muito sentido. O filme possui alguns sustos, a maioria não assusta, embora haja um que se destaca pela positiva. A nível das interpretações, a sensação que me deu foi que eram todos actores amadores, o protagonista por exemplo, não me convenceu. Já o jovem que fez de seu melhor amigo consegue estar um pouco mais à vontade. A jovem que fez de Marisol, mesmo assim, foi a que esteve melhor. O filme falha não só pela ausência de explicações para os acontecimentos e para a história já conhecida de outros filmes, mas também por erros vários e situações ridículas, já para não falar do elenco, grande parte deles, fracos. Felizmente, temos uma aparição da boazona da Katie Featherston no final do filme. Dos seis filmes da saga, este é o mais fraco. 

The Champ

Nome do Filme : “The Champ”
Titulo Inglês : “The Champ”
Titulo Português : “O Campeão”
Ano : 1979
Duração : 121 minutos
Género : Drama
Realização : Franco Zeffirelli
Produção : Dyson Lovell
Elenco : Jon Voight, Faye Dunaway, Ricky Schroder, Jack Warden, Arthur Hill, Strother Martin, Joan Blondell, Mary Jo Catlett, Elisha Cook, Stefan Gierasch, Allan Miller.

História : Billy Flynn é um antigo lutador de boxe que vive sozinho com o filho menor, depois de ter sido abandonado pela esposa. Um dia, a mãe do menino regressa com a expectativa de conhecer melhor o filho e de tentar recuperar o tempo perdido. Assim, Billy vê a sua vida envolta em problemas e decide voltar a combater nos ringues, para provar ao filho que é dele que ele mais precisa.

Comentário : Hoje apareço com um clássico dos anos 70, apesar de não simpatizar muito com o boxe em si, eu gosto de filmes sobre este desporto e tinha que conferir esse filme. Primeiro que tudo trata-se de um filme dramático, ou não fosse ele conhecido principalmente pelas cenas finais de choro do miúdo. Jon Voight (pai de Angelina Jolie) está muito bem neste filme, ele desempenha o pugilista do título e foi um personagem que cativou o público, nomeadamente porque também era um pai que adorava o seu filho e fazia muito por ele, ele andava a criar o menino sozinho. Apesar de ter os vícios do jogo e da bebida, ele dava bem conta do recado. É um personagem com um arco forte, o actor faz com que quem o vê compre direito a sua jornada e o seu esforço para não estragar tudo feito até então. Faye Dunaway está um pouco apagada neste filme, ainda assim, consegue fazer da sua personagem, alguém interessante. Mas quem está melhor é o pequeno Ricky Schroder, nossa, esse pequeno actor devia ter ganho um bom prémio por esta sua interpretação. A química entre o menino e Voight funciona muito bem, eles convencem bastante enquanto pai e filho que se adoram. Nós ficamos a apostar que a relação deles dê certo. As cenas de combate de boxe são tensas, eu fiquei cansado com aqueles rounds, Voight entregou-se totalmente ao papel. Não foi só conversa de balcão, as cenas finais de choro de T. J. pelo seu campeão são mesmo dramáticas e causam impacto no espectador, eu só não chorei também porque não estava nos meus dias. Destaque também para a cena da queda da égua na corrida e para a cena da discussão entre pai e filho na prisão. O menino tem ainda uma cena bem dramática com Dunaway num dos quartos do barco. Se o protagonista não tivesse o destino que teve, podiam actualmente fazer um segundo filme, porque o trio ainda é vivo. Eu tornei-me num grande admirador deste filme, muito bom.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Life

Nome do Filme : “Life”
Titulo Inglês : “Life”
Titulo Português : “Vida Inteligente”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller
Realização : Daniel Espinosa
Produção : Bonnie Curtis/Dana Goldberg/Julie Lynn/David Ellison
Elenco : Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare.

História : A tripulação da Estação Espacial Internacional recolhe uma sonda vinda do planeta Marte com uma amostra de extraordinária importância : a primeira prova da existência de vida extraterrestre. De modo a não colocarem em causa o eco-sistema terrestre, antes do regresso a casa os seis tripulantes têm de estudar a fundo tudo o que se refira àquela forma de vida. Ao mesmo tempo que se dão conta que ela possui inteligência e consciência, compreendem também que as suas intenções são tudo menos amigáveis. Com a sua própria vida ameaçada, e presos na nave que se dirige para a Terra, os astronautas têm que encontrar um meio de destruir a criatura antes que ela entre em contacto com a atmosfera terrestre, chegue ao planeta e aniquile todas as formas de vida da Terra.

Comentário : Confesso que estava para não ver este filme, devido ao facto do elenco não me chamar a atenção, porque a sinopse cheirava-me a algo repetitivo e também porque as classificações não são grande coisa. Mas tenho que confessar que não só gostei do filme, como também o acho bem melhor do que o recente capítulo da saga do alien iniciada por Ridley Scott. Este filme é um bom exemplar do género ficção-científica, funciona bem como tal, embora falhe na tentativa de ser uma obra de terror. Apesar de ter cenas com sangue e mortes, eu nunca o consideraria um filme de terror. No entanto, o filme é detentor de um forte clima de tensão e de alguma claustrofobia, apesar da história se passar no maior sitio do mundo, o espaço. O filme mistura habilmente diferentes elementos do género e apresenta-nos uma criatura misteriosa, perigosa e bastante irritante. Onde o filme falha é no facto de ter clichés próprios do género e de certas ações de algumas personagens serem previsíveis, além disso o argumento apresenta pequenas falhas. A nível do elenco, Jake Gyllenhaal e Rebecca Ferguson estão bem, embora nunca deslumbrem, possuem personagens cativantes e nós ficamos a desejar que eles se safem. Ryan Reynolds está igual a si mesmo enquanto que Hiroyuki Sanada é o mais interessante e é aquele que está melhor, eu gostei do seu personagem. Já Olga Dihovichnaya e Ariyon Bakare aguentam-se minimamente. Juntos, os seis encaixam bem como uma equipa e as químicas funcionam muito bem, eles fazem-nos temer pelos seus destinos e isso é muito bom. Por último, temos um twist revoltante que nos faculta um final que de certeza que irá gerar conversa. No fundo, é um filme mediano em que no final nunca ficaremos chateados por termos investido nele quase duas horas.

Cartas a Uma Ditadura

Nome do Filme : “Cartas a Uma Ditadura”
Titulo Inglês : “Letters To A Dictatorship”
Titulo Português : “Cartas a Uma Ditadura”
Ano : 2008
Duração : 60 minutos
Género : Documentário/Histórico
Realização : Inês de Medeiros
Elenco : vários

História : Uma centena de cartas, todas escritas por mulheres portuguesas no ano de 1958, foram encontradas por acaso por um alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor. Este é o ponto de partida para uma investigação histórica sobre o universo das mulheres durante a ditadura.

Comentário : Fiquei bastante surpreendido com este filme porque eu pensava que durante o tempo em que Salazar esteve no poder as pessoas não gostavam dele devido à maneira como se vivia, mas em vez disso, a maior parte das mulheres tinha uma grande admiração e mesmo devoção pelo ditador. A realizadora entrevista algumas mulheres que viveram naquela época e arranca-lhes o testemunho pessoal daquilo que elas achavam daquele período. Temos direito a imagens de Salazar e do povo daquela época, assistimos a coisas daquele tempo e isso foi muito gratificante. Gostei de ouvir algumas coisas, outras nem tanto. Gostava de saber o que sente alguém mau que tem a consciência que pratica o mal sobre os outros e vê a admiração que essas vítimas mesmo assim nutrem por ele. Deve ser chocante. Assim como devia ser chocante aquilo que as vitimas de Mengele sentiam antes de serem parte integrante das suas experiências médicas na época no nazismo. Tudo isto a propósito do medo e do horror que certas pessoas infligem a outras e aquilo que estas sentem pelos seus carrascos. Fiquei também chocado com aquilo que uma idosa disse : “Primeiro vem Deus, depois vem a pátria e depois é que vem a família”, puxa, é revoltante, mas enfim. No entanto, existem umas poucas coisas em que elas tinham razão. Mas eu não quero opinar sobre a maneira como as pessoas eram naquela altura, simplesmente porque não a vivi. Este documentário é bom, está bem realizado e é útil para aqueles que pouco ou nada sabem da forma como se vivia naquela altura. As cartas do título eram escritas por mulheres que faziam parte de um movimento cujo objectivo era proteger e adorar Salazar, elas gostavam daquele homem. O documentário aborda também questões como a política, o casamento, a ditadura, o trabalho, a caridade, a fome, as crianças, embora basicamente seja sobre Salazar e como era ser-se mulher naquela época.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Berlin Syndrome

Nome do Filme : “Berlin Syndrome”
Titulo Inglês : “Berlin Syndrome”
Ano : 2017
Duração : 115 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Cate Shortland
Produção : Polly Staniford
Elenco : Teresa Palmer, Max Riemelt, Emma Bading, Matthias Habich, Lucie Aron, Lara Marie Muller, Elmira Bahrami.

História : Vinda da Austrália, a jovem Clare acaba de chegar a Berlin. Um dia, ela conhece Andi e, ao tornar-se sua companheira, comete o pior erro da sua vida.

Comentário : A realizadora Cate Shortland já me havia convencido que fazia bons filmes em obras como “Somersault” e “Lore”. Estava com muitas expectativas para este seu novo filme que, embora não esteja ao nível dos dois anteriores, é um bom filme. O argumento é complexo, a história segue-se muito bem. É um filme tenso e claustrofóbico, onde temos uma protagonista em apuros. No papel principal, Teresa Palmer manda muito bem, ela tem uma prestação bastante consistente e sempre consciente que a sua personagem exige muito dela. Por seu turno, Max Riemelt convence também no papel do criminoso nojento de serviço, porém, a sua química com Palmer não funciona tão bem, embora ele dê um vilão credível. Podemos também contar com uma Emma Bading bastante útil e competente. O filme não nos faculta muitas respostas, por exemplo, não se sabe o que sucedeu à antiga companheira e muito menos qual foi o destino da cadela. A cineasta podia ter exposto menos a sua actriz principal, certos planos eram desnecessários. Não entendo porque motivo a beleza da mulher é sempre exposta no cinema, é quase uma má regra. Nota positiva também para a fotografia e para o clima de tensão e claustrofobia quase sempre presentes, algumas cenas são aflitivas. O filme podia muito bem ser baseado em acontecimentos reais, as situações aqui retratadas podiam facilmente acontecer na vida real, o que não faltam por aí são homens doentes e dispostos a praticar o mal. O filme peca por ter alguns erros na lógica dos acontecimentos e uma ou outra situação que não faz muito sentido. No geral, é um bom filme. 

Wonder Woman

Nome do Filme : “Wonder Woman”
Titulo Inglês : “Wonder Woman”
Titulo Português : “Mulher Maravilha”
Ano : 2017
Duração : 141 minutos
Género : Ação/Aventura/Guerra/Fantasia
Realização : Patty Jenkins
Produção : Deborah Snyder/Zack Snyder
Elenco : Gal Gadot, Robin Wright, Connie Nielsen, Chris Pine, David Thewlis, Elena Anaya, Lucy Davis, Danny Huston, Eleanor Matsuura, Mayling Ng, Samantha Jo, Ewen Bremner, Doutzen Kroes, Said Taghmaoui, Florence Kasumba, Eugene Brave Rock, Lisa Loven Kongsli, Brooke Ence, Ann Ogbomo, Ann Wolfe, Madeleine Vall, Jacqui Lee Pryce, Emily Carey, Lilly Aspell.

História : Numa ilha paradisíaca e isolada, nasceu Diana, filha única de Hippolyta, raínha de uma tribo de amazonas. Com poderes sobre-humanos, desde criança que foi protegida do mundo exterior e treinada para ser uma guerreira imbatível. Quando conhece Steve, um piloto americano cuja avioneta se despenha no mar da ilha, percebe que, enquanto ela e a sua tribo vivem pacificamente na ilha, o resto do mundo está mergulhado num conflito global que parece não ter fim. É então que chega à conclusão que os seus poderes podem ser usados na luta contra o mal. Apesar da relutância da rainha em que ela abandone o reino para combater forças desconhecidas, Diana sabe que é chegado o momento de cumprir o seu destino, usando todas as suas forças para ajudar a terminar a grande guerra.

Comentário : Em primeiro lugar quero aqui dizer que não tenho nada contra a Marvel e nem contra a DC Comics. O meu filme preferido de super-heróis é “Logan” em relação à Marvel, já sobre a DC, gosto bastante da trilogia do Batman feita por Christopher Nolan. Fui ao cinema ver “Mulher Maravilha”, um filme em que eu tinha colocado as expectativas bem altas. No meio de montes de filmes de super-heróis que possuem homens como protagonistas, existem apenas três filmes do género cujo protagonista é uma mulher, logo esse novo filme era a grande oportunidade de nos darem algo de novo e diferente. Após sair da sala de cinema, fiquei muito desiludido com grande parte das coisas que vi ao longo de quase duas horas e meia. Eu nunca concordei que tivessem colocado Gal Gadot neste papel, ela ainda é uma actriz muito imatura e inexperiente, para além de não ser detentora do físico correcto para se ser Mulher Maravilha. E aqui, isso notou-se, ela vai muito mal nas cenas mais emotivas, já as cenas que exigem mexer-se e esforço físico, vai mais ou menos, mas o CGI engana muito, ou seja, não melhora aquilo que já é mau. Duas actrizes que eu gostaria de ter visto como Wonder Woman eram Daisy Ridley e Brie Larson, por exemplo. Gal Gadot é assim um forte erro de casting. 

É doloroso vermos boas actrizes como Robin Wright, Connie Nielsen e Elena Anaya sendo desperdiçadas aqui, ainda que as duas primeiras tenham tido as melhores prestações do filme e tiveram as únicas personagens interessantes do longa. David Thewlis e Danny Huston estão muito mal aqui e as suas personagens são muito fracas, se tivessem colocado dois actores menos conhecidos nos seus papéis, talvez a coisa tivesse resultado melhor. Mais uma vez, os vilões são muito fracos, para não dizer ridículos, quanto a isto nada de novo. Chris Pine é o único actor masculino que se safa, apesar da sua personagem ser machista e um mar de clichés. A química entre Gadot e Pine soa a algo forçado e a história de amor deles não convence, por culpa dos seus personagens serem mal trabalhados. Nenhum dos actores que desempenharam os três elementos do grupo de combate me cativaram, as suas personagens simplesmente não convencem. Existe uma gordinha que é o alívio cómico, que é um verdadeiro escarro, não funciona. Apesar da fotografia ser boa e do som ter uma boa qualidade, alguns efeitos especiais aplicados nas cenas de batalha e no confronto final deixam muito a desejar. Não vi nenhum traço de Patty Jenkins enquanto realizadora neste filme, pelo contrário, a fita parece ter sido realizada por Zack Snyder. A realizadora apenas deve ter dado uns palpites no primeiro acto do filme que se passa na ilha das amazonas, que diga-se de passagem, é o melhor da fita. O segundo acto é penoso e o terceiro acto é um verdadeiro desastre. Eu não entendo porque motivo todos os filmes deste género têm que ter um clímax composto por cenas de destruição onde abundam explosões, coisas partidas e muita porrada. Quando os estúdios vão compreender que isto é um dos principais problemas dos filmes comerciais. Estes personagens deviam servir para ajudar os mais carenciados, para serem uma inspiração e só os usam para demonstrarem força e poderes, parece que apenas servem para se exibirem. Apesar disso, eu senti pica quando vi Diana a subir a escada da trincheira e a enfrentar os soldados na frente de combate.

O filme peca também por ter cenas mal concebidas, alguns erros na lógica das coisas e coisas mal explicadas. O argumento é muito mau, por exemplo, a personagem da Mulher Maravilha sempre combateu na segunda guerra mundial e aqui colocaram-na na primeira grande guerra. A própria Patty Jenkins deve ter tido pouca margem de manobra enquanto realizadora, afinal, nada podia fugir às normas do caderno de encargos escrito pelos grandes estúdios e nesse campo, Zack Snyder é um aluno exemplar. O filme perde muito também porque tem muitas cenas em camara lenta, é um exagero, essas imagens tiram todo o realismo e toda a credibilidade aos acontecimentos. Volto a dizer, a minha parte preferida do filme foi a que decorreu na ilha das amazonas, ainda assim aquela sequência da batalha delas com os soldados na praia é totalmente desnecessária. Gostei de conhecer as origens de Diana (A pequena Lilly Aspell está muito bem), de ter visto como ela era na infância e na adolescência, embora a primeira fase tenha tido mais tempo de antena do que a segunda. Certos enquadramentos estão muito mal concebidos, a protagonista passa grande parte do filme tapada e quando está com o uniforme de luta, raramente tem cenas que destaquem o seu corpo, mas compreende-se, a actriz não tem corpo de amazona. Ainda bem que não existem cenas pós-créditos nem ganchos a pedir sequela. O filme não está relacionado com a saga da “Liga da Justiça”, é uma fita isolada que funciona bem como individual. Tinham todo o potencial para fazer um filme diferente, mas infelizmente seguiram a mesma fórmula de quase todo o filme do género e o resultado é mais do mesmo. Tal como disse, o primeiro acto é muito bom, o segundo acto é penoso e o terceiro acto é um autêntico desastre. É um filme fraco e banal, igual a tantos outros, mais do mesmo portanto. De maravilha, esta mulher não tem nada.