quinta-feira, 30 de março de 2017

Bokeh

Nome do Filme : “Bokeh”
Titulo Original : “Bokeh”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Geoffrey Orthwein/Andrew Sullivan
Elenco : Maika Monroe, Matt O'Leary, Gunnar Helgason, Arnar Jonsson.

História : Dois amigos fazem uma viagem de conhecimento à Islândia onde tudo parece estar a correr bem, quando numa manhã, acordam e reparam que todas as pessoas desapareceram.

Comentário : Trata-se de um filme islandês que não sendo nada de especial, é apenas razoável, tendo os seus aspectos positivos e negativos. Como aspectos positivos, temos uma boa prestação da jovem Maika Monroe, apesar dela ser causadora de uma cena perto do final com erros, esta linda rapariga é a mais valia desta fita. O argumento é intrigante e se tivesse seguido noutro sentido, podíamos ter tido um grande filme. A fotografia é muito boa. O filme tem imagens muito bonitas. Nos aspectos negativos, Matt O'Leary e a sua interpretação não convencem muito e certas coisas não parecem fazer muito sentido. A química entre os dois protagonistas simplesmente não funciona. A história é interessante de início, mas depois fica sem jeito, porque a coisa podia ter seguido outro rumo mais aliciante. Penso mesmo que nas mãos de um realizador mais experiente, as coisas podiam ter resultado bastante melhor. E depois temos um péssimo final, sinceramente, eu esperava muito mais daquilo, fiquei mesmo desiludido. Um último reparo, toda a sequência em que Jenai observa de madrugada aquele acontecimento contém as melhores cenas do filme. 

Appassionata

Nome do Filme : “Appassionata”
Titulo Inglês : “Passionate”
Titulo Alternativo : “Perversa”
Titulo Português : “A Rebelde Apaixonada”
Ano : 1974
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Gianluigi Calderone
Elenco : Ornella Muti, Gabriele Ferzetti, Valentina Cortese, Eleonora Giorgi.

História : Eugenia Rutelli é uma linda adolescente que vive com os pais e que está na fase do despertar da sua sexualidade, desconhecendo inicialmente que o seu pai tem um caso amoroso com a sua melhor amiga.

Comentário : A actriz Ornella Muti é uma mulher muito bonita, mas era linda e sensual quando era nova e começou cedo a sua carreira cinematográfica. Este filme é apenas um daqueles em que ela entrou. Ela não era apenas linda e sensual, era também uma boa actriz. Neste filme assistimos a algumas tramas. Temos um casamento esgotado, temos uma filha que não gosta da mãe e nutre sentimentos estranhos em relação ao pai, temos uma jovem que gosta de se atirar ao pai da sua melhor amiga mas que ao mesmo tempo tem uma simpatia pela esposa do homem, temos duas amigas que tão depressa estão bem como de repente estão chateadas uma com a outra e, por último, temos um cão que está sempre metido em sarilhos. O filme em causa já é antigo, mas causou grande impacto nos anos setenta, devido à ousada história. O argumento é bom e todos os quatro actores principais possuem prestações bem consistentes. Há um grande clima de sensualidade que envolve o filme todo, mas que abrange principalmente Ornella Muti, ou não fosse ela a grande estrela. Um último apontamento, o final deixa-nos a pensar.

sábado, 25 de março de 2017

Mean Dreams

Nome do Filme : “Mean Dreams”
Titulo Inglês : “Mean Dreams”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Nathan Morlando
Produção : Allison Black/William Woods
Elenco : Bill Paxton, Sophie Nelisse, Josh Wiggins, Colm Feore, Joe Cobden, Vickie Papavs.

História : Casey Caraway é uma adolescente que viu a mãe morrer num acidente provocado pelo pai, vivendo agora sozinha com o progenitor. Ao mudarem-se para uma nova localidade, a jovem cedo arranja amizade com um rapaz chamado Jonas e os dois começam a ganhar empatia um pelo o outro. No entanto, essa amizade não é bem vista aos olhos do pai da miúda e começam os problemas para o casal de adolescentes.

Comentário : Gostei bastante deste filme independente, uma obra que cativa pela história e pelas imagens que nos mostra, tem certas cenas que mostram a paisagem e a floresta que são de uma beleza tal que apetece fotografar e pendurar na parede. E para isso, muito contribui a boa qualidade da fotografia. A história do filme tem a mais valia de nos prender ao ecrã e nos manter sempre num clima de tensão e na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir. Apesar de ser possuidor de um ou outro cliché, o argumento foi muito bem escrito e neste caso funcionou bem. Uma coisa curiosa, em três momentos nós nos perguntamos, mas como é que eles foram descobertos, mas logo de seguida isso é explicado e aceitamos a situação, ela nunca é um erro da narrativa. O filme possui ainda um ou outro twist que também funciona bastante bem. Tendo um ritmo um pouco parado, possui a característica de nunca nos aborrecer, eu fiquei sempre concentrado naquilo que estava a ver. Bill Paxton tem aqui o penúltimo papel da sua carreira antes de ter falecido, ele convence na perfeição no perfil de homem do mal. Josh Wiggins está razoável no papel do desencaminhador que desafia a rapariga para afrontar o pai. Mas quem possui a melhor prestação do filme é a jovem Sophie Nelisse, aqui na pele de uma adolescente marcada por um trágico passado e que é vítima de violência doméstica por parte do próprio pai, a actriz consegue transmitir na perfeição os dramas da sua personagem. Bom filme, recomendo. 

Lavender

Nome do Filme : “Lavender”
Titulo Inglês : “Lavender”
Ano : 2016
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Ed Gass-Donnelly
Produção : Ed Gass-Donnelly/David Valleau
Elenco : Abbie Cornish, Diego Klattenhoff, Lola Flanery, Justin Long, Dermot Mulroney.

História : Jane é uma jovem que na sua infância ficou marcada por uma terrível desgraça e que por isso ficou traumatizada. Na actualidade, ela é casada com um homem atencioso que lhe deu uma filha muito querida e saudável. No entanto, as memórias do seu passado insistem em atormentá-la. A situação piora quando Jane sofre um acidente de carro e o médico a aconselha a passar uns tempos na casa onde ela passou uma parte da sua infância.

Comentário : Já faz muito tempo que eu sou um grande admirador da actriz Abbie Cornish, ela é muito bonita e é também uma boa profissional na arte da representação. Confesso mesmo que ela foi a única razão que me levou a ver este filme, até mesmo porque o trailer não prometia nada. Devo dizer que como filme, é razoável, mas peca porque lá pelo meio perde-se um pouco na história que pretende contar, voltando a encontrar o fio da coisa a vinte minutos do final. Devido a algumas falhas no argumento, a história torna-se um pouco confusa, mas depois temos uns twists que explicam o que realmente aconteceu à protagonista. A banda sonora acutilante também tem uma presença muito forte no filme e podemos contar igualmente com uma boa fotografia. Temos flashbacks que ajudam e muito na compreensão dos factos. No papel da protagonista desta história, Abbie Cornish tem a melhor prestação do filme e que sensual que ela fica com aquele vestido branco pelos joelhos e as botas. O restante elenco fez um bom trabalho de apoio, estão bastante aceitáveis. É um thriller que se vê muito bem, por vezes com um clima de tensão, pedia-se que o realizador fosse um pouco mais longe nas coisas, mas ainda assim, como ficou está bom. Ao longo da fita temos poucas explicações, mas no fim, tudo fica esclarecido e mostrado. O final está também aceitável. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

The Vessel

Nome do Filme : “The Vessel”
Titulo Inglês : “The Vessel”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Julio Quintana
Elenco : Martin Sheen, Lucas Quintana, Aris Mejias, Jacqueline Duprey, Marise Alvarez, Hiram Delgado, Jorge Luis Ramos, Marian Pabon, Elia Enid Cadilla, Sunshine Logrono, Julio Ramos Velez, Leslie Van Zandt, Leonardo Castro.

História : Uma tragédia que vitimou todas as crianças de uma aldeia continua a atormentar os seus habitantes uma década depois.

Comentário : Cá está um filme que me surpreendeu pela positiva não por ser produzido por Terrence Malick, mas sim porque um realizador menos conceituado conseguiu conceber uma obra parecida com os filmes do realizador anti-social. De facto, os traços de Malick estão lá quase todos e neste caso não se trata de uma simples imitação, é parecido mas diferente. É uma história que se segue bem e embora lá pelo meio as coisas se percam um pouco, o realizador volta a amarrar as pontas e o final é satisfatório e bastante emotivo. A banda sonora ajudou a embalar a narrativa e nos ofereceu bons momentos, alguns graças à beleza e à prestação de Aris Mejias e que bem que ela fica naquele vestido azul. Martin Sheen tem a melhor prestação do filme, ele sempre foi um grande actor. Lucas Quintana deixou-me admirado, não o conhecia e gostei da sua interpretação. Jacqueline Duprey e Marise Alvarez também estão muito bem nas suas prestações, com destaque para a primeira. O filme peca por ter cenas secantes e umas poucas que nada acrescentam para a história que se pretende contar. A água também tem um papel importante nesta fita, onde o tema da religião também é tocado. É um filme muito curto, não fazia mal ser detentor de mais uns vinte minutos, mas com cenas úteis e que servissem a história. A sequência final entre mãe e filho é muito bonita.

domingo, 19 de março de 2017

Chronic

Nome do Filme : “Chronic”
Titulo Inglês : “Chronic”
Ano : 2015
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Michel Franco
Produção : Michel Franco
Elenco : Tim Roth, Sarah Sutherland, Elizabeth Tulloch, Michael Cristofer, Maribeth Monroe, David Dastmalchian, Claire Van Der Boom, Tate Ellington, Robin Bartlett, Joe Santos, Laura Niemi, Kari Coleman, Nailea Norvind, Rachel Pickup, Harris Shore, Ben Berkowitz, Lee Harmon, Christopher McCann, Gigi Quartararo, Cleo Fraser.

História : David é um enfermeiro que trabalha com doentes terminais. Eficiente e dedicado ao trabalho, desenvolve relações fortes, e por vezes íntimas, com cada pessoa que trata. Mas fora do horário de trabalho, parece muitas vezes fútil, estranho e reservado, como se precisando tanto dos seus pacientes como estes dele.

Comentário : É muito bom quando um filme nos prende ao ecrã, quando nos deixa desconfortáveis, nos incomoda e mexe connosco. Depois do muito bom “After Lucia”, o realizador Michel Franco regressa ao bom cinema com este drama intimista sobre um enfermeiro detentor de um passado trágico que é extremamente dedicado ao seu trabalho. Longe das merdas comerciais de Hollywood, o actor Tim Roth tem aqui um excelente registo, eu adorei vê-lo dentro deste personagem, está num tom dramático que surge também envolto em grande complexidade. É uma boa história, que se segue muito bem, eu adorei seguir o quotidiano de David, quando ele cuida dos seus pacientes e se dedica totalmente a eles sendo por vezes mal interpretado. Quando ele vê as fotos no facebook de uma filha que já não vê há alguns anos e que tem muita vontade de a rever ou ainda quando ele se vê indeciso em tomar uma medida mais drástica face a um paciente. O filme consegue ainda a mais valia de nos dar uma noção de como são as vidas dos doentes terminais e é graças ao personagem de um excelente Tim Roth que temos a imagem de como se sentem esses doentes quando gostam dos seus enfermeiros. Os actores que desempenharam os principais doentes terminais dedicaram-se totalmente aos seus papéis. Gostei também bastante de ver Tim Roth e Sarah Sutherland contracenarem juntos, eles funcionam muito bem como pai e filha. Por último, quando pensávamos que já tínhamos passado por muito drama, o realizador nos faculta um final que nos deixa completamente derrotados. Adorei este filme. 

sábado, 18 de março de 2017

Being 17

Nome do Filme : “Quand On A 17”
Titulo Inglês : “Being 17”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Andre Techine
Produção : Olivier Delbosc/Marc Missonnier
Elenco : Sandrine Kiberlain, Kacey Mottet Klein, Corentin Fila, Mama Prassinos, Alexis Loret, Jean Fornerod, Jean Corso.

História : Marianne é uma médica que tem um marido na guerra e um filho adolescente chamado Damien que é vítima de bullying por parte do colega Thomas. Um dia, ela socorre a mãe de Thomas e engraça com o rapaz sem suspeitar da rivalidade existente entre ele e o filho. Marianne toma então uma decisão que irá alterar a relação dos dois rapazes.

Comentário : Cá temos o novo filme de André Téchiné, ou seja, mais um bom filme. Pessoalmente, gostei deste filme porque ele possui um twist que se vai figurando aos poucos, os dois protagonistas masculinos começam como inimigos e terminam num estado bem diferente. Mas não foi somente isso que eu gostei. Na mente, ficam igualmente bonitas paisagens e uma realização muito eficaz, o cineasta sabe mostrar a história que pretende contar. É fascinante acompanharmos os acontecimentos e testemunharmos como as coisas vão de um ponto para o outro. Este é um filme que aborda vários dramas humanos vividos por dois jovens e pelos respectivos pais. São duas famílias que se conhecem e passam a conviver, mesmo vivendo longe uma da outra. O realizador sempre soube trabalhar os sentimentos humanos e neste seu novo filme dá mais provas disso, a relação que se vai criando entre os dois rapazes é o ponto chave da fita. Para tal, contam imenso as excelentes interpretações de Kacey Mottet Klein e Corentin Fila. Como protagonista feminina, temos uma Sandrine Kiberlain que esteve à altura do desafio, sem dúvidas, a melhor prestação do longa. Apesar do final não ser o mais interessante, estamos perante mais uma grande obra de André Téchiné, porque todo o resto do filme é muito bom.

Little Men

Nome do Filme : “Little Men”
Titulo Inglês : “Little Men”
Titulo Português : “Homenzinhos”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Ira Sachs
Elenco : Greg Kinnear, Jennifer Ehle, Theo Taplitz, Paulina Garcia, Michael Barbieri, John Procaccino, Ching Valdes Aran, Alfred Molina, Stella Schnabel, Yolonda Ross, Talia Balsam, Mauricio Bustamante, Clare Foley, Maliq Johnson, Anthony Angelo Flamminio, Madison Wright, Teeka Duplessis, Chinasa Ogbuagu.

História : Após a morte do avô, Jake, de 13 anos, vê de repente a família mudar-se de Manhattan para a antiga casa onde o pai cresceu em Brooklyn. Aí Jake faz um amigo, Tony, cuja mãe, Leonor, uma costureira chilena dirige sozinha uma loja de roupa no rés-do-chão. Os pais de Jake – Brian, um actor em dificuldades e Kathy, uma psiquiatra – não demoram a pedir a Leonor um grande aumento de renda da loja. Para Leonor, a nova renda é insustentável e inicia-se uma disputa entre os adultos, que afecta os miúdos.

Comentário : Apesar de não ser muito conceituado, Ira Sachs é um bom realizador e possui bons filmes enquanto cineasta, sendo este “Little Men” o seu melhor trabalho enquanto tal. É um filme leve e inspirador mas ao mesmo tempo, duro e directo na mensagem que se propõe a passar. Trata-se de um pequeno filme independente cuja temática familiar faz questão de estar presente na maioria das cenas. Também existe muita tensão aqui e isso acontece devido a dinheiro, a sinopse fala por si. No fundo, o que começa por ser uma história simples, logo avança para algo difícil de gerir, já que aquele pai quer mesmo que a inquilina pague o triplo da quantia simbólica que pagava ao pai dele. E isso afecta a relação de amizade que os filhos de ambas as partes têm, o que origina conflitos entre os adultos. Com uma cuidada banda sonora que se torna bastante agradável em algumas cenas, o filme segue sempre o seu caminho no tom certo e nunca descarrila. Existe um actor famoso que não está a fazer nada neste filme, ele apenas surge em duas cenas, quem viu o filme vai perceber do que eu estou a falar. Os actores graúdos estiveram bem, mas o mérito vai todo para os dois jovens que desempenham os filhos das famílias em conflito, estão bastante convincentes. E quando esperávamos um final todo arranjadinho, eis que o realizador nos volta a surpreender.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Neruda

Nome do Filme : “Neruda”
Titulo Inglês : “Neruda”
Titulo Português : “Neruda”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : Pablo Larrain
Elenco : Gael Garcia Bernal, Luis Gnecco, Mercedes Moran, Emilio Gutierrez Caba, Alejandro Goic, Diego Munoz, Pablo Derqui, Marcelo Alonso, Michael Silva, Francisco Reyes, Jaime Vadell, Alfredo Castro.

História : Um inspector persegue Pablo Neruda, o poeta chileno, que se torna num fugitivo no seu país na década de 1940 por se juntar ao partido comunista.

Comentário : No mesmo ano, o cineasta Pablo Larrain realizou dois filmes, onde este “Neruda” se inclui. É um filme com uma forte componente política, ela surge vincada até porque se referencia muitas vezes que é mau alguém ser comunista, quando se sabe que a direita é bem pior. Pessoalmente, nunca percebi porque motivo os comunistas sempre foram mal vistos, quando foi quase sempre de partidos de direita que veio o mal para as sociedades. Esta obra é bastante consistente, nota-se que o realizador teve a devida atenção à recriação de época e isso verificou-se principalmente devido ao excelente guarda-roupa e aos fantásticos veículos que se usavam na altura. O mesmo não se pode dizer da maioria das cenas passadas no interior dos carros em movimento, nestes casos, a montagem é deficiente e percebe-se bem que existe qualquer coisa que não está bem ali, faz lembrar as técnicas usadas nos filmes antigos. Gostei da fotografia e da banda sonora. Gael Garcia Bernal está quase irreconhecível no seu curioso papel, confesso que gostei muito de o ver neste registo, possui uma boa interpretação. Mas os grandes méritos vão para o actor Luis Gnecco que vestiu de forma perfeita a pele do escritor Pablo Neruda. A ser verdade o que se vê neste filme e eu confesso que fiquei a saber algumas coisas interessantes sobre o escritor chileno e sobre aquela época.

Brimstone

Nome do Filme : “Brimstone”
Titulo Inglês : “Brimstone”
Titulo Alternativo : “Koolhoven's Brimstone”
Titulo Português : "Castigo"
Ano : 2016
Duração : 149 minutos
Género : Western/Thriller/Mystery
Realização : Martin Koolhoven
Produção : Els Vandevorst
Elenco : Guy Pearce, Dakota Fanning, Emilia Jones, Kit Harington, Carice Van Houten, Ivy George, William Houston, Carla Juri, Jack Hollington.

História : Uma jovem mãe faz tudo o que pode para proteger a filha pequena de um padre criminoso. Uma adolescente tenta escapar a esse mesmo homem.

Comentário : Temos aqui um filme estranho, pesado, difícil de assistir e que não é fácil de nós entrarmos na história ou nas histórias, já para não falar na violência que tem cenas muito gráficas. Digo mesmo que algumas cenas provocam um certo desconforto no espectador, por exemplo, uma delas está relacionada com uma das ovelhas que aparece morta, havia mesmo necessidade daquilo?. A narrativa está dividida em quatro capítulos muito intrigantes e envoltos num grande clima de tensão e mistério. Eu gostei dos quatro capítulos, mas confesso preferir o último. É também um filme escuro e frio, tendo cenas marcantes que mostram isso mesmo, repito, não é fácil comprarmos as histórias. Também não é um filme de fácil compreensão, há umas coisas que custam a entender e umas quantas que não têm explicação. Eu não gosto muito quando me explicam tudo, mas tem certas coisas que mereciam um simples esclarecimento através das imagens ou pela voz da narradora. E quando eu me refiro a essas coisas, estou claramente a falar de certas atitudes das personagens ou de algumas coisas que vão acontecendo. O filme deambula habilmente entre passado e presente, jogando bem com os tempos.

Onde o filme ganha mais peso é nas interpretações do seu elenco. Guy Pearce está soberbo, o seu horrível e maldoso personagem consegue nos transmitir raiva, repulsa, ódio e desejo de vingança, por exemplo, tem uma cena que envolve o seu olhar iluminado pelas chamas de uma fogueira que é de arrepiar. Dakota Fanning desempenha uma das personagens centrais, no caso, ela faz de muda que gosta de ajudar o próximo, tendo uma boa prestação e eu adorei vê-la neste registo. Inclusive, a personagem dela tem uma filha pequena e a relação entre as duas é perfeita. Mas confesso que a melhor prestação da fita cabe a Emilia Jones, esta linda jovem tem um capítulo inteiro por sua conta e a sua entrega ao papel é enorme, tendo uma forte presença no ecrã, ela é ainda a personificação da inocência. O elenco principal conta ainda com nomes como Kit Harington, Carice Van Houten, William Houston e Ivy George, todos muito bem nos seus papéis. Apesar de não ser um filme fácil, o resultado é positivo. Eu confesso que gostei do filme, embora reconheça que foi difícil testemunhar certa coisas. É bom, chegarmos ao fim dos quatro capítulos e vermos a história completa, a história de Joanna. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

The Salesman

Nome do Filme : “Forushande”
Titulo Inglês : “The Salesman”
Titulo Português : “O Vendedor”
Ano : 2016
Duração : 126 minutos
Género : Drama
Realização : Asghar Farhadi
Produção : Asghar Farhadi
Elenco : Taraneh Alidoosti, Shahab Hosseini, Babak Karimi, Mina Sadati, Farid Sajjadi Hosseini, Mojtaba Pirzadeh, Emad Emami, Maral Bani Adam, Mehdi Koushki, Sam Valipour, Shirin Aghakashi, Sahra Asadollahe, Ehteram Boroumand.

História : A vida de um casal de actores é virada do avesso quando se mudam para um apartamento que terá pertencido a uma prostituta.

Comentário : Finalmente vi este filme e confesso que adorei. Tal como aconteceu em “Uma Separação” e “O Passado”, o realizador Asghar Farhadi volta-nos a brindar com um filme detentor de um excelente argumento. É impressionante como este filme me deixou tenso, devido ao rumo que as coisas tomam e também devido às atitudes do protagonista masculino. Emad e Rana são um casal bastante convincente e a situação que se vai gerando entre os dois é desesperante. A situação de que ela é vítima vai aos poucos degradando a relação de ambos. Ver este filme é como puxar a ponta de um novelo e ver, à medida que ele se desenrola, as coisas surgirem diante dos nossos olhos. É tudo muito interessante. Taraneh Alidoosti e Shahab Hosseini têm poderosas interpretações, já para não falar da química entre eles que é muito boa e funcionou. O realizador sabe trabalhar bem os seus actores nos filmes que faz e isso não se verificou apenas pelo dueto principal, o elenco de secundários esteve também bastante competente, no seu todo, pareciam pessoas reais. A história é muito boa, por vezes chega mesmo a mexer connosco devido ao seu clima de tensão, principalmente em algumas cenas. Tal como sucedeu nos seus dois filmes anteriores, este “The Salesman” também acaba em aberto, embora nos três casos tenha sido uma mais valia. A estatueta dourada foi muito bem atribuída.

On The Milky Road

Nome do Filme : “On The Milky Road”
Titulo Inglês : “On The Milky Road”
Titulo Português : “Na Via Láctea”
Ano : 2016
Duração : 125 minutos
Género : Drama
Realização : Emir Kusturica
Produção : Emir Kusturica
Elenco : Emir Kusturica, Monica Bellucci, Sloboda Micalovic, Maria Darkina.

História : A história de amor entre um leiteiro e uma mulher servo italiana.

Comentário : Ainda me lembro que o primeiro e único filme de Emir Kusturica que vi no cinema foi “A Vida é um Milagre”, um filme de que gostei bastante. O surrealismo e a comédia seca são duas características do cinema do realizador. E neste seu novo filme podemos contar com isso. Os animais também são relevantes e estão sempre presentes nos seus filmes. Aqui passa-se o mesmo. O falcão amigo, os patos que se banham numa banheira cheia de sangue, a galinha que adora ver-se ao espelho, a cobra que gosta de beber leite e uma outra que ajuda o nosso protagonista, o burro assustado, os gatos que adoram beber leite, as ovelhas tontas, a vaca que apenas serve para dar leite, enfim, todos têm um importante papel a desempenhar. E Monica Bellucci encaixa muito bem no cenário patusco de Kusturica que, seja como realizador, seja enquanto protagonista, é rei e senhor neste mundo surreal. O filme possui ainda bons momentos cómicos que nunca caem no ridículo. Temos belíssimos planos aéreos e ainda cenas debaixo de água muito bem filmadas. A sequência das ovelhas que rebentam nas minas está muito bem conseguida. A química entre Emir Kusturica e Monica Bellucci funcionou e a história prende na medida do possível quem vê o desenrolar dos acontecimentos. Não é um dos melhores filmes do cineasta, mas é uma boa obra cinematográfica. 

In Dubious Battle

Nome do Filme : “In Dubious Battle”
Titulo Inglês : “In Dubious Battle”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : James Franco
Produção : James Franco
Elenco : James Franco, Nat Wolff, Vincent D'Onofrio, Selena Gomez, Robert Duvall, Ed Harris, Sam Shepard, Analeigh Tipton, Ahna O'Reilly, Jack Kehler, Josh Hutcherson, John Savage, Zach Braff, Ashley Greene.

História : Por volta dos anos 1930, um activista e um jovem rapaz estão dispostos a lutar pelos direitos dos trabalhadores que são explorados nos campos de fruta, um pouco por todo o país. Assim, eles infiltram-se num grupo de trabalhadores e começam a fomentá-los contra os patrões, com a intenção de provocar um conflito. O que começa com uma greve, logo culmina em algo que foge ao seu controlo.

Comentário : Confesso que não simpatizo muito com o trabalho de James Franco enquanto realizador, prefiro-o como actor. Este é possivelmente o único filme dele como realizador que eu gostei. Ainda assim, não se trata de nada de especial. É sim, um filme razoável com componentes históricas que aborda factos que aconteceram na realidade. É uma fita baseada em factos verídicos. O filme está bem realizado, notei que a produção teve um cuidado especial nos detalhes e principalmente no guarda-roupa. Em relação à mensagem, creio que essa passou com clareza, pessoalmente, eu entendi o que eles pretendiam dizer, mas também não é muito difícil. O filme tem conflitos entre alguns personagens, embora seja possuidor de algumas atitudes de certos elementos que não fazem grande sentido. Também aqui é explicado que as pessoas que trabalhavam nos campos de fruta eram bastante influenciadas por aquilo que lhes diziam. E isso vê-se através do personagem de James Franco, ele fez deles o que quis. James Franco e Nat Wolff possuem boas interpretações enquanto que todo um elenco de secundários com nomes bem conhecidos fez um trabalho igualmente competente. Selena Gomez tem neste filme a melhor prestação que eu vi dela num filme, isto porque, ela não possui grandes papéis na sua carreira, mas não há dúvidas que a miúda é linda. É um filme de época que está bastante aceitável. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Blue Jay

Nome do Filme : “Blue Jay”
Titulo Inglês : “Blue Jay”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Alexandre Lehmann
Produção : Mark Duplass/Jay Duplass/Xan Aranda/Mel Eslyn
Elenco : Mark Duplass, Sarah Paulson, Clu Gulager.

História : Jim e Amanda são dois antigos namorados que se reencontram passadas duas décadas e que durante uma noite recordam tempos antigos.

Comentário : Trata-se de um filme muito interessante sobre duas pessoas, aliás, as duas personagens da fita têm bastante carisma e facilmente sentimos empatia por elas. A cuidada fotografia a preto e branco também ajuda. O argumento é consistente e nos dá momentos muito emotivos e outros engraçados. No caso deste filme, é muito fácil gostarmos daquilo que vemos ao longo dos quase oitenta minutos de duração. Eu gostei imenso dos primeiros quarenta minutos de projeção, isto porque a partir dessa marca, a coisa perde-se um bocado durante pelo menos uns vinte minutos. Quando a fita atinge a marca dos sessenta minutos, a situação volta a ganhar interesse e fiquei novamente empolgado. Os cerca de quinze minutos finais são muito bons e é aí que surgem grandes revelações. Mark Duplass como Jim é um personagem rico em sentimentos, com o qual facilmente nutrimos um carinho muito especial, não existe maldade nele. Por seu lado, Sarah Paulson é uma actriz muito carismática e aqui nos facultou uma personagem magnífica que transmite na perfeição os dramas que atravessa e os que viveu no passado. A química entre ele e ela é notável. Sinceramente, gostei bastante deste filme.