segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Already Tomorrow In Hong Kong

Nome do Filme : “Already Tomorrow In Hong Kong”
Titulo Inglês : “Already Tomorrow In Hong Kong”
Titulo Português : “Já é de Manhã em Hong Kong”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Romance
Realização : Emily Ting
Produção : Emily Ting/Sophia Shek
Elenco : Jamie Chung, Bryan Greenberg, Sarah Lian.

História : Ruby é uma rapariga chinesa que vive na América e que está de visita a Hong Kong, onde conhece Josh e os dois tornam-se amigos...

Comentário : Quem gostou da saga “Before” do realizador Richard Linklater vai certamente gostar deste pequeno filme independente, porque o modo como está filmado e a maneira como a história nos é mostrada é o mesmo. Os dois protagonistas caminham pelas ruas de Hong Kong e a camara os segue para todo o lado. Eu sou adepto desta técnica e deste tipo de filmes, pelo que gostei bastante deste. Podemos contar com bonitas imagens da cidade, principalmente quando vista à noite, que verdade seja dita, isso acontece em quase todo o filme. A história é muito interessante e eu fiquei totalmente envolvido pela narrativa, sempre com grande curiosidade em saber como as coisas se iam desenrolar. A realização é boa e nota-se que o argumento foi bem escrito. Temos bonitas cenas e o filme nunca é aborrecido, isso deve-se à fantástica química que existe entre os dois protagonistas que funcionam na perfeição enquanto casal. Jamie Chung e Bryan Greenberg possuem aqui excelentes prestações, tal como disse, eles funcionam muito bem juntos. À medida que o filme avança ficamos a saber mais sobre eles, mais sobre as suas vidas, é como ir puxando a ponta de um novelo aos poucos e ver o que vai saindo de lá. Um filme simples, mas muito bonito. E depois temos aquele final, confesso ter gostado do desfecho da fita, ficamos numa dúvida agradável.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A Man Called Ove

Nome do Filme : “En Man Som Heter Ove”
Titulo Inglês : “A Man Called Ove”
Título Português : "Um Homem Chamado Ove"
Ano : 2015
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Hannes Holm
Elenco : Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Chatarina Larsson, Klas Wiljergard, Borje Lundberg, Stefan Godicke, Johan Widerberg, Nelly Jamarani, Zozan Akgun, Anna Lena Brundin, Simon Edenroth, Jessica Olsson, Fredrik Evers, Ola Heden, Lasse Carlsson, Maja Rung, Poyan Karimi, Sofie Gallerspang.

História : Ove é um viúvo mal humorado de 59 anos que foi, há anos, colocado como presidente da associação do condomínio e mantém o bairro com punho de ferro. Quando a grávida Parvaneh e a sua família se mudam para um terreno perto da sua casa, surge uma amizade inesperada.

Comentário : Este filme sueco está dividido em duas narrativas, se por um lado temos a vertente que conta o passado do protagonista, por outro, temos a descrição do tempo actual dele. O filme é ainda uma boa mistura entre drama e comédia, em que nenhum dos géneros abafa o outro. O argumento é assim um dos pontos de principal destaque desta fita e a cinematografia também soma pontos pela sua qualidade. Hannes Holm dirige o seu filme com punho de ferro, nos facultando cenas dramáticas e outras com um humor muito próprio, sem nunca cair no ridículo. É um filme sóbrio e apelativo, que cativa não só pelo argumento como também pela simpatia de Parvaneh e pelo carisma muito peculiar de Ove, o personagem principal. Aliás, a empatia entre estas duas personagens é bastante forte e a química entre eles funcionou na perfeição, seja como personagens, seja enquanto actores. O actor que faz de Ove mais novo é parecido com o actor que faz do velho Ove, achei isso fenomenal.

No papel do protagonista, Rolf Lassgard está excelente, com uma caracterização brilhante, a sua prestação é a melhor da fita numa personagem que convence na perfeição. Ele carrega o filme quase todo nos ombros, sendo o seu principal alicerce. Mesmo quando está enervado ou quando é indelicado para os outros, Ove nunca nos faz pensar mal dele, simpático ou irritante, ele dá um boneco e um personagem adoráveis. Ida Engvoll é muito simpática, adorei a sua personagem, ela nos transmite muito bem toda a tranquilidade da sua Sonja. E Bahar Pars fecha o elenco principal com chave de ouro, no papel de uma mulher que mudará Ove para sempre e marcará o seu fim de vida da melhor maneira. O filme foi considerado um dos melhores de entre as fitas estrangeiras, eu concordo com essa distinção. Adorei também a gatinha persa que Ove acaba por abrigar. É um filme simples, mas com um coração grande, tal como o seu protagonista. Esta obra nos diz que as pessoas podem sempre mudar e mostra igualmente que o passado pode transformar a personalidade e até o modo de vida de um ser humano. Um filme essencial.

At The End Of The Tunnel

Nome do Filme : “Al Final Del Tunel”
Titulo Inglês : “At The End Of The Tunnel”
Ano : 2016
Duração : 121 minutos
Género : Crime/Thriller/Drama
Realização : Rodrigo Grande
Elenco : Leonardo Sbaraglia, Clara Lago, Pablo Echarri, Uma Salduende, Federico Luppi, Walter Donado, Laura Faienza, Javier Godino, Facundo Nahuel Gimenez, Ariel Nunez, Cristobal Pinto, Sergio Ferreiro, Daniel Morales Comini, Luz Gimenez.

História : Um paraplégico com um passado marcado pela tragédia, alberga em casa uma jovem mãe solteira e a sua filha pequena de seis anos, sem desconfiar que a mãe da miúda integra um grupo de criminosos que pretende prejudicá-lo.

Comentário : Esta noite vi esta co-produção entre a Argentina e a Espanha e confesso que fiquei bastante surpreendido, estamos perante um filme muito bom e que faz ver a muitos filmes americanos do género. Apesar de algumas pequenas falhas e de não explicar como o protagonista se safou de estar implicado no mau resultado do assalto do grupo criminoso, o argumento é aliciante e nos agarra ao ecrã durante grande parte da projecção. Podemos contar com algumas reviravoltas na história, algumas resultam muito bem. Existem alguns momentos de grande tensão e foram muito bem geridos pelo realizador. É um filme em que estamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O elenco está muito bem. Como protagonista, Leonardo Sbaraglia é o que está melhor, ele tem uma boa interpretação, para além de uma excelente prestação física. Clara Lago está perfeita no seu papel, ela tem uma boa prestação e a sua personagem é a mais cativante da fita. O realizador dá-nos ainda planos dela muito sugestivos. Pablo Echarri manda muito bem no papel do vilão principal, ele está consistente e tem um fim espectacular. Por último, a pequena Uma Salduende é um achado, esta pequena actriz convenceu muito bem no papel de filha problemática, compreendi os seus dramas na perfeição. Adorei o final. É um bom thriller que vive muito da qualidade do seu elenco e de uma história cativante. Gostei bastante. 

United States Of Love

Nome do Filme : “Zjednoczone Stany Milosci”
Titulo Inglês : “United States Of Love”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Tomasz Wasilewski
Produção : Agnieszka Drewno/Piotr Kobus
Elenco : Julia Kijowska, Magdalena Cielecka, Dorota Kolak, Marta Nieradkiewicz, Tomasz Tyndyk, Andrzej Chyra, Lukasz Simlat, Marcin Czarnik, Jedrzej Wielecki, Julia Chetnicka, Malgorzata Majerska, Zuzanna Bernat, Lech Lotocki, Igor Bejnarowicz, Dorota Papis, Michal Grzybowski, Hanna Klepacka, Joanna Krol, Malgorzata Rozniatowska, Klara Bielawka, Elzbieta Jarosik, Kinga Ciesielska, Edward Wasilewski, Tomira Kowalik, Agnieszka Makowska, Krzysztof Pluskota, Lena Schmscheiner.

História : Na Polónia dos anos 1990, quatro mulheres de diferentes idades decidem que é altura de mudar alguma coisa nas suas vidas.

Comentário : Trata-se de um filme polaco, confesso ter gostado, ainda que não seja nada de especial, é uma fita que se vê de bom agrado e que embora nunca sature, não deixa de transparecer a sua tremenda simplicidade. No centro da trama, temos quatro mulheres que estão cansadas do tipo de vida que levam e de aturar sempre as mesmas coisas. Um dia, decidem fazer algo de diferente. São histórias de quem está tão martirizado com um quotidiano fútil e rotineiro, que está à beira da saturação e sente-se disposto a tudo para mudar. Eu penso que aquilo que mais me agradou neste filme foi o argumento muito bem escrito e as interpretações das quatro actrizes principais.

Julia Kijowska vai muito bem no papel da esposa que está farta da vida de casada e do marido, eles já não se gramam e não se respeitam. É possivelmente a melhor das quatro. Por outro lado, Magdalena Cielecka vive aqui uma directora de uma escola que mantém um caso com um homem que, a principio, gosta da situação mas depois, a repudia, o que a faz ser responsável por um acontecimento trágico. Dorota Kolak está soberba no papel de cinquentona lésbica que tem uma atracção estranha por pássaros e um fetiche pela vizinha da frente. A sua entrega ao papel é brutal. Por último, temos Marta Nieradkiewicz que convence muito bem no seu registo. Não sendo um filme marcante nem tão pouco digno de figurar numa lista de preferências, é uma fita que se vê muito bem e que tem a particularidade de simpatizarmos facilmente com as protagonistas, independentemente da maioria das suas atitudes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Frantz

Nome do Filme : “Frantz”
Titulo Inglês : “Frantz”
Ano : 2016
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : François Ozon
Elenco : Paula Beer, Pierre Niney, Ernst Stotzner, Marie Gruber, Cyrielle Clair, Johann Von Bulow, Anton Von Lucke, Alice De Lencquesaing, Ralf Dittrich, Michael Witte.

História : Na Alemanha da Primeira Guerra Mundial, Anna é uma viúva que chora a morte do seu noivo, morto em combate. Um dia, um estranho rapaz que deixa flores na campa do seu amado, desperta-lhe a maior das curiosidades.

Comentário : Trata-se do novo filme do cineasta francês François Ozon e eu tinha que o ver. Tal como a maioria dos seus trabalhos, estamos novamente perante um bom filme que tem os seus principais trunfos no excelente argumento e numa poderosa interpretação a cargo da bonita actriz Paula Beer. É uma trama que nos envolve profundamente, eu senti-me totalmente penetrado naquilo que as imagens me iam mostrando, acompanhei os acontecimentos com agrado. Não é apenas Paula Beer que esteve muito bem, gostei igualmente da prestação do actor Pierre Niney, o seu personagem transmite emoções paupáveis e a química dele com ela resultou na perfeição. Ernst Stotzner e Marie Gruber também estão bastante convincentes nos papéis de pais do personagem falecido que dá nome ao título do filme. A fita está filmada quase na totalidade a preto e branco, o que tornou tudo mais apelativo, no sentido em que se trata de uma narrativa que decorre na época da Primeira Grande Guerra. A recriação de época está impecável, com o merecido destaque para o guarda roupa. Não concordei com uma das decisões principais de Anna, mas no geral, fiquei muito satisfeito com este filme.

Tanna

Nome do Filme : “Tanna”
Titulo Inglês : “Tanna”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Martin Butler/Bentley Dean
Produção : Martin Butler/Bentley Dean/Carolyn Johnson
Elenco : Marie Wawa, Mungau Dain, Marceline Rofit, Kapan Cook, Charlie Kahla, Lingai Kowia, Albi Nagia, Dadwa Mungau, Mungau Yokay, Linette Yowayin.

História : Numa ilha do Pacífico, duas tribos rivais travam uma luta sangrenta pela posse de terra e apenas se entendem através dos casamentos arranjados. Um dia, dois amantes da mesma tribo decidem seguir um caminho diferente, colocando em causa os costumes do seu povo.

Comentário : É um bom filme que trata um tema eterno : o Amor. Nota-se claramente que este filme do chamado cinema do mundo foi concebido com poucos meios. Mas tudo resultou muito bem. Por exemplo, a banda sonora é envolvente e penetrante, ajuda a fazer-nos parte da narrativa. O elenco é todo composto por gente amadora, mas todos fizeram um excelente trabalho, com destaque para a jovem protagonista Marie Wawa e para a pequena Marceline Rofit, são desta última as melhores cenas da fita. A empatia entre Marie Wawa e Mungau Dain é notável, os dois combinam muito bem. Temos cenários naturais e abertos, sendo de destaque as sequências que decorrem no vulcão. O filme mostra uma história de amor entre dois elementos da mesma tribo e também o facto destes irem contra as tradições e costumes do seu povo. Foca igualmente o modo como eles vivem e as rivalidades entre as duas tribos. Tudo isso foi muito bem explicado e mostrado. A fotografia é boa e o argumento apenas peca devido ao facto de ser demasiado simples, é aquilo e pronto. Felizmente, temos um destino para o casal protagonista digno deste tipo de história, apesar do final encontrado para as tribos ter sido arranjado e certinho demais. No entanto, tem que se dar desconto porque esta história baseia-se em acontecimentos reais. Mas no geral, gostei bastante deste filme.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Paterson

Nome do Filme : “Paterson”
Titulo Inglês : “Paterson”
Titulo Português : “Paterson”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jim Jarmusch
Elenco : Adam Driver, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji, Barry Shabaka Henley, Trevor Parham, Troy Parham, Brian McCarthy, Frank Harts, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Sterling Jerins, Kara Hayward, Masatoshi Nagase, Cliff Smith, Nellie.

História : Paterson é motorista de autocarro na cidade de Paterson, ele e a cidade partilham o mesmo nome. Todos os dias da semana, Paterson segue a mesma rotina : percorre a rota diária, observando a cidade à medida que a vê passar pelo espelho retrovisor, e ouve fragmentos das conversas em redor. Escreve poemas num caderno, passeia o cão e vai para casa ter com a sua mulher, Laura. Os dois vivem os seus quotidianos e amam-se mutuamente.

Comentário : Este filme é realizado por Jim Jarmusch, um bom director que faz filmes muito bons. Esta noite tive o prazer de ver este seu novo filme, que gostei bastante. É uma fita que fala do quotidiano de pessoas comuns, fala também do amor e da poesia, de rotinas diárias e da vida em si. Com um argumento bom, o cineasta mistura habilmente todas essas temáticas e o resultado é um filme que se vê muito bem. Houve alguém que apelidou este filme de repetitivo, até pode ser, mas nunca é cansativo, possui um bom ritmo e nós simpatizamos com o protagonista. O filme possui estranhas referências aos gémeos, é algo que ficou bem vincado. A banda sonora é por vezes hipnótica. Temos bonitos planos e a fotografia é apelativa. Nota-se que a história foi escrita com bastante cuidado, é um filme feito a perceito. A história é simples, seguimos o quotidiano do personagem principal nos sete dias da semana, tudo com muita naturalidade, eu adorei a maneira como tudo nos é mostrado. Não gosto muito do actor Adam Driver e neste filme, fiquei a simpatizar ligeiramente com ele, foi neste registo que eu mais gostei de o ver, tem a melhor interpretação da sua carreira. Golshifteh Farahani é uma boa fonte de apoio do protagonista, está aceitável e a sua personagem é igualmente credível. Além disso, a química entre ele e ela funciona. Adoro ver o actor Barry Shabaka Henley actuar, aqui ele está muito bem no papel de funcionário do bar nocturno. E a jovem actriz Sterling Jerins tem no filme uma participação especial, num papel de relevância para o protagonista. Por último, o cão fez bem o seu trabalho, mas é um animal muito irritante. No geral, fiquei bastante satisfeito com esta fita, é um filme simples e realista.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

The Unknown Girl

Nome do Filme : “La Fille Inconnue”
Titulo Inglês : “The Unknown Girl”
Titulo Português : “A Rapariga Desconhecida”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Produção : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Elenco : Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minnella, Christelle Cornil, Olivier Gourmet, Pierre Sumkay, Yves Larec, Ben Hamidou, Laurent Caron, Fabrizio Rongione, Thomas Doret.

História : Jenny é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano, que foi seu mentor. Bastante atenciosa com os seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca da sua identidade.

Comentário : Esta fita belga é o novo filme dos irmãos Dardenne, confesso que gosto do cinema que eles fazem, a maneira calma e quase amadora de eles filmarem sempre me cativou. Não é só da maneira peculiar deles filmarem que eu gosto, tenho uma simpatia também pela forma como eles nos contam as suas histórias, onde o factor humano possui grande relevância. Durante o primeiro acto, acompanhamos o quotidiano da protagonista, ela é uma jovem médica que é muito dedicada aos seus pacientes e tudo faz para os atender bem e tentar resolver os seus problemas. No segundo acto, de uma atitude repentina surge um acontecimento mau e a médica tem que lidar com esse problema, algo que lhe rói a consciência e a faz iniciar numa investigação por conta própria. No terceiro acto, temos a continuação da sua vida e a conclusão do caso. A narrativa é intrigante em alguns momentos, apresenta-nos algumas dúvidas por vezes, sendo opaca nas respostas. Mas no final, quase tudo é explicado. Adele Haenel tem neste filme uma interpretação natural, parece que aquilo está a acontecer de verdade e os restantes actores enquanto elenco secundário fazem um trabalho bastante competente. Estamos perante um thriller leve e cativante que me agarrou ao ecrã desde o início e o final foi reconfortante.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Live By Night

Nome do Filme : “Live By Night”
Titulo Inglês : “Live By Night”
Titulo Português : “Viver Na Noite”
Ano : 2016
Duração : 129 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Ben Affleck
Produção : Ben Affleck
Elenco : Ben Affleck, Elle Fanning, Zoe Saldana, Sienna Miller, Brendan Gleeson, Chris Cooper, Chris Messina, Robert Glenister, Matthew Maher, Titus Welliver, Max Casella, Remo Girone, Clark Gregg, Anthony Michael Hall, Chris Sullivan, Michael Mantell, Giuseppe Losavio, Peter Arpesella.

História : Nos Estados Unidos, entre os anos 1920 e 1933, foi aprovada a Lei Seca. Segundo essa lei, o fabrico, o transporte e venda de bebidas alcoólicas eram estritamente proibidas. Se, a princípio, essa medida foi bem vista e apoiada quase unanimemente, depressa deu origem a um comércio paralelo. Traficantes montaram esquemas onde lucravam com o negócio ilegal gerando riquezas inesperadas. Entre os bandidos que enriqueciam através do contrabando de bebidas proibidas estava Joe, o filho mais novo de um respeitável capitão da polícia de Boston. Toldado pelo poder e empenhado em enriquecer a qualquer custo, Joe vê-se enredado no crime organizado e nos seus esquemas de traição e vingança.

Comentário : Escrito, produzido, realizado e protagonizado por Ben Affleck, “Live By Night” é um razoável filme de gangsters que eu já tive a oportunidade de ver. Posso assegurar que gostei do filme, embora ache que ele é longo demais para a história que pretende contar. Entre as coisas que mais saltam à vista neste filme, destaque para a extraordinária recriação de época, tudo foi cuidadosamente pensado ao mínimo detalhe e eu achei tudo perfeito, com realçe máximo para os veículos e para o guarda-roupa. Na minha opinião, Ben Affleck é um bom actor e um bom realizador, disso não existem dúvidas. O homem não olha a meios para que as suas produções e participações sejam de qualidade, embora o meu filme preferido dele enquanto cineasta continue a ser o sufocante “Gone Baby Gone”. E neste seu novo filme, ele consegue uma boa prestação. Sienna Miller está fantástica neste registo enquanto que Brendan Gleeson e Chris Cooper têm aqui papéis aceitáveis e credíveis. Zoe Saldana vai muito bem, confesso ter gostado bastante do seu papel e da sua personagem. Já Elle Fanning também não desilude, apesar de aparecer pouco. No entanto, ela encanta com o seu ar angelical, existe uma cena em particular em que ela passa de um choro para um sorriso com um profissionalismo digno de uma grande actriz, é isso que ela é. O filme tem belíssimas imagens e para isso contribuem admiráveis planos aéreos. Podemos contar com cinco curiosos twists. O argumento peca por ser um pouquinho repetitivo. No geral, estamos perante um filme razoável.

20Th Century Women

Nome do Filme : “20Th Century Women”
Titulo Inglês : “20Th Century Women”
Titulo Português : “Mulheres do Século XX”
Ano : 2016
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Mike Mills
Elenco : Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwig, Lucas Jade Zumann, Billy Crudup.

História : A vida de Dorothea Fields, uma mãe solteira na casa dos cinquenta que está a cuidar do seu jovem filho, em finais dos anos 70 e inícios dos anos 80, uma época de mudanças culturais e de revolução. Na educação de Jamie, Dorothea conta com a ajuda de duas mulheres mais novas, Abbie, uma artista punk que arrenda um quarto na casa dos Fields, e Julie, uma linda, inteligente e provocadora adolescente.

Comentário : Confesso que não sei se gostei deste filme ou não. Insatisfeito não fiquei, embora não seja um mau filme, é daqueles que se não tivesse sido feito, não fazia falta nenhuma. Trata-se de um filme de época e centra-se na vida de uma mãe e na educação que esta dá ao filho. Sendo um filme mais virado para o público feminino, é uma fita que se segue bem mas o principal problema é que estamos sempre à espera que surja algo grandioso e isso acaba por nunca acontecer. Aquilo anda sempre às voltas com os dramas pessoais de cada um dos cinco personagens centrais e não desenvolve. Annette Bening tem uma boa prestação, embora dela já tenha visto muito melhor. O mesmo se passa com Elle Fanning, esta linda rapariga é uma actriz completa, raramente me desiludiu (apenas duas vezes) nos filmes que vi dela, e aqui está muito bem, mas ela tem prestações melhores em outros dramas. Greta Gerwig tem a melhor prestação deste filme, gostei muito de a ver neste registo. Lucas Jade Zumann é um achado, fiquei surpreendido com a interpretação deste jovem e com a sua entrega ao papel. E Billy Crudup está igual a si próprio, não fazia falta nenhuma nesta obra. É um filme leve e trivial que vale apenas pelas interpretações.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

I, Daniel Blake

Nome do Filme : “I, Daniel Blake”
Titulo Inglês : “I, Daniel Blake”
Titulo Português : “Eu, Daniel Blake”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Ken Loach
Elenco : Dave Johns, Hayley Squires, Briana Shann, Dylan McKiernan, Sharon Percy, Julie Nicholson, Micky McGregor, Kate Rutter, Dan Li.

História : Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake, um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado que lhe concedam uma forma de subsistência, vê-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora.

Comentário : Gostei bastante deste filme inglês que nos alerta para um problema dos nossos dias, a burocracia, variando de país para país, é sempre este o problema que as pessoas humildes encontram quando tentam resolver as suas questões. É um filme inquisidor, que mete o dedo directamente na ferida, ele denuncia o problema. É um filme premiado que está muito bem escrito e tem cenas marcantes, sendo a minha preferida a dos dizeres na parede. No papel do protagonista, Dave Johns está brutal na pele do homem sofrido e doente que é humilhado pela Segurança Social e vê-se sujeito às leis enervantes de todo um sistema que está concebido para não ajudar quem mais precisa. Ele tem a melhor prestação do filme. Como amiga do protagonista, a actriz Hayley Squires vai muito bem e chega mesmo a emocionar, na cena da lata no abrigo ela atinge o auge. A sua personagem é uma mãe solteira que também possui problemas com o sistema, ela já foi mendiga e tem que batalhar no duro para garantir a sobrevivência dos seus dois filhos menores. E a pequena Briana Shann é um nome a ter em conta futuramente, ela se saiu muito bem aqui. O filme é um pouco parado, embora nunca aborrecido. É uma fita que se vê muito bem, eu próprio me senti totalmente envolvido na história. É devido a filmes como este que ainda vale a pena irmos ao cinema.

The Edge Of Seventeen

Nome do Filme : “The Edge Of Seventeen”
Titulo Inglês : “The Edge Of Seventeen”
Titulo Português : “Quase 18”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Kelly Fremon Craig
Produção : Kelly Fremon Craig/James L. Brooks
Elenco : Hailee Steinfeld, Haley Lu Richardson, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keeleyside, Nesta Cooper, Daniel Bacon, Lina Renna, Ava Grace Cooper, Christian Michael Cooper, Jena Skodje, Katie Stuart, Meredith Monroe, Lyle Reginald, Christian Lagasse, Kirsten Robek, Paul Herbert, Laura Ward, Laine MacNeil.

História : Os dramas sociais de uma bonita adolescente que se acentuam quando a sua melhor amiga começa a namorar com o seu irmão mais velho.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que sou um grande admirador de Hailee Steinfeld enquanto actriz e pessoa, ela nunca me desiludiu em nenhum papel que desempenhou. Já estava a algum tempo para ver este filme e agora que o vi, confesso que gostei bastante, a realizadora abordou a adolescência de uma forma muito peculiar. O filme tem uma história que se segue muito bem, eu adorei seguir os dramas de Nadine, é uma personagem interessante e ficamos a zelar para que tudo dê certo com ela, apesar da sua imaturidade. Hailee Steinfeld (True Grit) é uma actriz completa, ela tem neste filme mais uma excelente interpretação, conseguindo passar na perfeição os dramas que a sua Nadine vive. Haley Lu Richardson (The Last Survivors) tem uma interpretação boa, ela e Hailee são duas raparigas lindas, gostei bastante das suas personagens. Woody Harrelson tem um personagem que primeiro estranha-se e depois entranha-se, no final, ele acaba por ter bastante carisma. E Kyra Sedgwick, Hayden Szeto e Blake Jenner são três bons apoios à protagonista, apesar de eu ter detestado o personagem do terceiro.

O filme tem uma componente cómica leve mas bastante consistente que nunca cai no ridículo. A banda sonora é de uma qualidade raramente encontrada em filmes do género. A fita consegue igualmente nos colocar bem dispostos em algumas ocasiões e a pensar, noutras situações. Nadine é uma personagem bastante admirável, é fácil gostarmos dela, nos sentimos parte dos seus problemas e dos seus dramas sociais e existênciais, tudo isto graças à excelente prestação da protagonista. Podemos também contar com uma sequência animada bastante original que surge perfeitamente enquadrada na narrativa devido a um dos personagens secundários, que no final, abarca uma importante e decisiva ligação com Nadine. A componente “escola” também foi bem trabalhada. A adolescência é a fase mais complicada do ser humano e em conjunto com a infância, são elas que definem que adultos nós seremos no futuro, tudo fruto das experiências que vivemos durante essas duas fases e a realizadora Kelly Fremon Craig conseguiu, através da escolha certa da actriz principal para o seu filme, nos passar essa mensagem. Trata-se de um dos meus filmes preferidos sobre a juventude, em parte, porque o argumento é muito bom e também pelo profissionalismo de Hailee Steinfeld. 


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Passengers

Nome do Filme : “Passengers”
Titulo Inglês : “Passengers”
Titulo Português : “Passageiros”
Ano : 2016
Duração : 116 minutos
Género : Aventura/Drama/Ficção-Científica
Realização : Morten Tyldum
Elenco : Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne.

História : Jim Preston é um dos cinco mil passageiros que viajam em estado de hibernação pelo espaço numa nave sofisticada a caminho de um planeta distante para aí iniciarem uma nova vida, num desejado processo de colonização. Devido a uma chuva de asteróides, gera-se um problema na nave, o que origina que a cápsula de hibernação de Jim avarie, fazendo com que ele desperte noventa anos antes do previsto. Após cerca de um ano a deambular pela nave e conseguindo sobreviver nesse espaço de tempo, ele sente-se muito sozinho, acabando por tomar uma decisão que o fará cometer um acto condenável.

Comentário : Estamos perante um filme que falhou em alguns aspectos. Confesso que não gostei deste filme, porque ele tentou me vender algo que eu não estava disposto a comprar. Eu até estava a seguir bem os acontecimentos que envolviam o personagem principal, mas depois o filme toma um rumo totalmente descartável e detentor dos habituais clichés do cinema comercial americano. E digo isto com muita tristeza, porque as coisas podiam ter ido por outros caminhos bem mais interessantes, tornando tudo num fantástico thriller espacial psicológico. Primeiro, o que Jim faz é totalmente condenável, isto tendo em conta a situação em que todos estavam, é um acto de puro egoísmo e de machismo. O filme peca igualmente por ter aspectos que não são devidamente explicados, pequenos detalhes de coisas que acontecem. Como aspectos positivos, o filme tem uma boa fotografia e está impecável a nível técnico, possuindo uma sequência muito interessante envolvendo uma piscina e a gravidade, abrangendo a personagem de Jennifer Lawrence. Esta última e Chris Pratt têm boas interpretações e a química entre os dois resultou muito bem. Apesar do final do filme ser o desejado e o correcto, o terceiro acto da fita é uma autêntica porcaria, típica dos filmes comerciais de Hollywood. Nas mãos do realizador e do argumentista certos, este podia ter sido um bom filme. É mais uma das grandes desilusões deste ano. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

It's Only The End Of The World

Nome do Filme : “Juste La Fin Du Monde”
Titulo Inglês : “It's Only The End Of The World”
Titulo Português : “Tão Só o Fim do Mundo”
Ano : 2016
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Xavier Dolan
Produção : Xavier Dolan
Elenco : Gaspard Ulliel, Nathalie Baye, Vincent Cassel, Lea Seydoux, Marion Cotillard.

História : Louis é um escritor que regressa à casa da mãe depois de doze anos de ausência para comunicar à família que está à beira da morte.

Comentário : O jovem realizador e produtor Xavier Dolan surge-nos com outro drama familiar, campo no qual ele é um senhor. Todos os filmes dele foram do meu agrado e já se encontram comentados neste espaço. É um filme que aborda os dramas familiares, as complicadas relações entre os vários membros de uma família e a forma como as suas ações no passado afectam o presente. Não é um filme fácil. É uma fita que fala do saudosismo de um passado razoável e da carência de qualquer coisa, o realizador sabe muito bem trabalhar a questão mãe-filho. Gaspard Ulliel possui uma excelente prestação aqui, ele é o protagonista e o actor em causa consegue nos transmitir na perfeição tudo o que ele está a passar. Vincent Cassel está convincente no seu papel, aqui no corpo de um personagem carregado de traumas e de sofrimento, principalmente por tudo o que já passou, por vezes chega a irritar. Nathalie Baye tem a melhor prestação do filme, ela é a mãe do protagonista e deu-nos uma personagem muito forte. Lea Seydoux, linda como sempre, nunca nos desilude no campo da representação, aqui está brutal no papel da irmã cheia de curiosidade para saber mais sobre o irmão que pouco viu. Por último, Marion Cotillard, ainda que um pouco engasgada na sua personagem, está leal como actriz, mas já nos deu muito melhor. Gostei bastante deste filme, porque aborda muito bem as complicadas relações entre pessoas. Xavier Dolan trabalha bem a complexidade que envolve uma família nos seus filmes. 

Split

Nome do Filme : “Split”
Titulo Inglês : “Split”
Titulo Português : “Fragmentado”
Ano : 2016
Duração : 117 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : M. Night Shyamalan
Produção : M. Night Shyamalan
Elenco : James McAvoy, Anya Taylor Joy, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Betty Buckley, Sebastian Arcelus, Brad William Henke, Izzie Leigh Coffey.

História : Kevin sofre de transtorno dissociativo de identidade, e dentro de si, existem várias personalidades distintas. Há muito que é acompanhado por uma psiquiatra especializada em distúrbios de identidade que se interessa particularmente pelo seu caso e acredita que essas alteridades podem provocar alterações no próprio corpo. Certo dia, Kevin rapta três bonitas adolescentes e as mantém aprisionadas numa cave, atormentando-as diariamente.

Comentário : Capaz de fazer bons filmes e de nos facultar fitas medíocres, M. Night Shyamalan aparece agora com este “Split” que já chega tarde. O filme era para ter estreado no ano passado, agora parece que é moda, estarem constantemente a adiar a data de estreia de filmes. Confesso que gostei deste “Split”, embora tenha que dizer que continua longe da qualidade de obras como “O Sexto Sentido” e “A Vila”, os dois melhores filmes do cineasta. O filme possui um clima de tensão que se vai adensando conforme os minutos vão passando e isso atinge o auge no final do confronto entre o predador e a presa, com o twist final a que o realizador já nos habituou. Gostei do twist e curti bastante o final do filme, apesar de acabar em aberto para essas duas personagens. O argumento não é grande coisa, peca por coisas mal explicadas e por falhas várias que vão sucedendo, de realçar também que o realizador faz referências a outros filmes seus. A banda sonora é cordata e a fotografia é apelativa. O principal problema deste filme é que custa a acreditar que um ser humano chegasse a tanto, pelo menos daquela maneira.

James McAvoy tem aqui uma boa prestação, apesar dos exageros da sua personagem. As jovens Haley Lu Richardson e Jessica Sula estão bem, embora as suas personagens sirvam apenas os propósitos estabelecidos, não lhes é dado quase nada para fazer durante o filme, é como se não tivessem utilidade, como se não produzissem. Betty Buckley tem uma interpretação segura e bastante consistente, a sua química com James McAvoy sente-se em cada cena que contracenam. Depois de ter tido uma excelente prestação no muito e bem aclamado “The Witch”, a jovem e bonita Anya Taylor Joy repete o feito, a miúda possui a melhor interpretação deste “Split”, é uma personagem muito forte, complexa e dramática, a adolescente consegue passar para quem vê a fita, a complicada vivência da sua personagem. O filme tem a sua trama central na história do psicopata que lida com as suas três vítimas capturadas, sendo também pautado por cenas que o mostram em consultas com a sua psiquiatra e ainda com flashbacks que nos dão a conhecer o facto de que uma das miúdas raptadas sofreu desde tenra idade e continua a sofrer de abusos sexuais e psicológicos por parte de um tio nojento. Gostei deste filme, embora tenha que confessar que é uma obra que vive muito das prestações de James McAvoy e de Anya Taylor Joy.