domingo, 31 de dezembro de 2017

2017


Este ano resolvi fazer algo diferente e irei efectuar uma espécie de balanço deste ano cinematográfico, que será dividido em três temas : Os filmes que mais gostei de ver em 2017 e três menções honrosas, as três grandes desilusões de 2017 e uma lista de filmes importantes (alguns que me escaparam este ano e outros novos) que pretendo ver em 2018. Eu não irei colocar na lista de preferências só filmes deste ano, irão ser colocados todos os filmes que eu mais gostei de ver ao longo do ano, independentemente do ano em que foram produzidos ou lançados. Foi um ano fraco a nível de cinema, mas ainda assim, com muitos filmes bons. Sobre os filmes que não gostei, não me irei esticar, apenas vou citar os três que eu detestei. Vale lembrar que nem todos os filmes mencionados nas listas foram comentados neste espaço. Houve dois filmes que foram sujeitos a segundo visionamento e segunda avaliação. Muitos filmes que estrearam em Portugal e lá fora eu não tive a oportunidade de ver, por isso surgem na lista dos filmes importantes que quero ver em 2018. Espero que fiquem bem, desejo a todos um excelente 2018, cheio de saúde e bons filmes.

Filmes que mais gostei em 2017 (quase sem ordem de preferência) :



Blade Runner 2049 de Denis Villeneuve
Paterson de Jim Jarmusch
Moonlight de Barry Jenkins
Heartstone de Gudmundur Arnar Gudmundsson
The Edge Of Seventeen de Kelly Fremon Craig
The Beguiled de Sofia Coppola
Wind River de Taylor Sheridan
The Salesman de Asghar Farhadi
Loveless de Andrey Zvyagintsev
Lady Macbeth de William Oldroyd
The Tribe de Myroslav Slaboshpytskyi
Sieranevada de Cristi Puiu
Good Time de Benny Safdie e Josh Safdie
A Ghost Story de David Lowery
It Comes At Night de Trey Edward Shults
A Street Cat Named Bob de Roger Spottiswoode
I Daniel Blake de Ken Loach
Graduation de Cristian Mungiu
Kedi de Ceyda Torun
Lumière de Thierry Fremaux
Split de M. Night Shyamalan
The Other Side Of Hope de Aki Kaurismaki
São Jorge de Marco Martins
Dunkirk de Christopher Nolan
The Glass Castle de Destin Daniel Cretton
De Jueves A Domingo de Dominga Sotomayor
Get Out de Jordan Peele
Baby Driver de Edgar Wright
Star Wars : The Last Jedi de Rian Johnson
Voyage À Travers Le Cinema Français de Bertrand Tavernier


Menções Honrosas :

Les Malheurs de Sophie de Christophe Honore
Logan de James Mangold
Wonder Woman de Patty Jenkins


Três Grandes Desilusões :

Mother! de Darren Aronofsky
The Shack de Stuart Hazeldine
Justice League de Zack Snyder e Joss Whedon


Alguns filmes importantes que quero ver em 2018 :


Call Me By Your Name de Luca Guadagnino
The Florida Project de Sean Baker
A Fantastic Woman de Sebastian Lelio
Viktoria de Maya Vitkova
Ma Rosa de Brillante Mendoza
Mrs. Fang de Wang Bing
The Day After de Hong Sang-Soo
Thoroughbreds de Cory Finley
You Were Never Really Here de Lynne Ramsay
Wonderstruck de Todd Haynes
Happy End de Michael Haneke
120 Beats Per Minute de Robin Campillo
Lucky de John Carroll Lynch
Jeune Femme de Leonor Serraille
The Shape Of Water de Guillermo Del Toro
The Disaster Artist de James Franco
Milla de Valerie Massadian
I Tonya de Craig Gillespie
Marrowbone de Sergio G. Sanchez
The Nothing Factory de Pedro Pinho
I Love You Daddy de Louis C. K.
Phantom Thread de Paul Thomas Anderson
Jeannette : The Childhood Of Joan Of Arc de Bruno Dumont
Mektoub My Love : Canto Uno de Abdellatif Kechiche
Lady Bird de Greta Gerwig
The Square de Ruben Ostlund
Three Billboards Outside Ebbing Missouri de Martin McDonagh
Unicorn Store de Brie Larson
Disobedience de Sebastian Lelio
Au Nom De Ma Fille de Vincent Garenq
The Family de Shumin Liu
Fear Of Water de Kate Lane
All The Dreams In The World de Laurence Ferreira Barbosa
Mary Shelley de Haifaa Al Mansour
Summer 1993 de Carla Simon
April's Daughter de Michel Franco
Daisy Winters de Beth LaMure
Polina de Valerie Muller e Angelin Preljocaj
Adolescence de Ashley Avis
Barndom de Margreth Olin
Colo de Teresa Villaverde
Wonder de Stephen Chbosky
Maria Madalena de Garth Davis
Racer And The Jailbird de Michael R. Roskam
A Rainy Day In New York de Woody Allen
The House That Jack Built de Lars Von Trier
Soleil Battant de Clara Laperrousaz e Laura Laperrousaz




Blade Runner 2049

Nome do Filme : “Blade Runner 2049”
Titulo Inglês : “Blade Runner 2049”
Titulo Português : “Blade Runner 2049”
Ano : 2017
Duração : 164 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Denis Villeneuve
Produção : Ridley Scott
Elenco : Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Jared Leto, Edward James Olmos, Mark Arnold, Dave Bautista, David Dastmalchian, Wood Harris, Tomas Lemarquis, Hiam Abbass, Mackenzie Davis, Krista Kosonen, Elarica Johnson, Lennie James, Carla Juri, Barkhad Abdi, Sean Young, Loren Peta.

História : Na Califórnia de 2049, existem “blade runners”, agentes da Polícia especializados em distinguir e capturar replicantes – humanóides criados artificialmente para serem usados como escravos – dos verdadeiros seres humanos. Quando o agente K descobre um segredo que poderá levar à destruição da Humanidade, resolve procurar Rick Deckard, um antigo “blade runner” que há três décadas se encontra desaparecido e que parece ser a única pessoa capaz de o ajudar a encontrar as respostas de que necessita.

Comentário : Não me podia despedir de 2017 sem deixar neste espaço o comentário ao meu filme preferido deste ano que agora termina. Em relação a este filme, eu gostei de quase tudo. Apenas fiquei triste em relação a uma coisa, quem já viu o filme e me conhece minimamente, saberá ao que eu me estou a referir. Este filme está muito bem concebido e conseguido. Eu gostei da banda sonora que é hipnótica e estremece os nossos sentidos. Adorei a fotografia, possivelmente, a melhor que já vi num filme e não estou a exagerar. Aliás, a nível técnico e visual, o filme é perfeito. Este filme é o exemplo ideal de que é possível fazer-se um blockbuster e um filme de grande orçamento sem recorrer às directivas e regras habituais deste tipo de produções, como prova temos uma fita detentora de um ritmo lento e com pouca ação. Apesar dos efeitos visuais serem excelentes, as características deste filme mostram porque motivo o público em geral não gostou, mas a critica profissional adorou e já o consideram como sendo um dos melhores filmes do ano. 

O realizador Denis Villeneuve é um excelente director e só tem bons filmes no seu historial, ele não deu o filme que as grandes massas queriam, ele deu-nos o filme que um bom cinéfilo quer ver, quer sentir. A questão dos replicantes face aos humanos foi muito bem trabalhada e desenvolvida. Adoro o actor Ryan Gosling e ele está muito bem enquanto protagonista, eu gostei bastante do seu personagem, bem como do final dele que foi poético. Gostei igualmente de rever Harrison Ford, ele é um bom actor e foi um prazer vê-lo aqui. Ana de Armas é linda e foi a minha personagem preferida deste filme, a empatia dela com o personagem de Ryan Gosling é palpável e perfeita, o final que deram à miúda é muito triste, mesmo se tratando de um holograma. Robin Wright está impecável no filme. Existem alguns secundários que são conhecidos, mas com papéis interessantes. E sim, eu tive a melhor experiência cinematográfica deste ano ao ver “Blade Runner 2049”, ao lado de “Paterson” de Jim Jarmusch, são os meus filmes preferidos de 2017. “Blade Runner 2049” é um filme artístico, é cinema enquanto arte. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

Star Wars : The Last Jedi

Nome do Filme : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Original : “Star Wars : Episode VIII – The Last Jedi”
Titulo Inglês : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Português : “Star Wars : Os Últimos Jedi”
Ano : 2017
Duração : 150 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica/Drama
Realização : Rian Johnson
Produção : J. J. Abrams
Elenco : Daisy Ridley, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Oscar Isaac, John Boyega, Andy Serkis, Laura Dern, Domhnall Gleeson, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Billie Lourd, Lupita Nyong'o, Anthony Daniels, Joonas Suotamo, Jimmy Vee, Frank Oz, Tim Rose, Tom Kane, Amanda Lawrence, Justin Theroux, Adrian Edmondson, Mark Lewis Jones, Veronica Ngo, Paul Kasey, Andrew Jack, Lily Cole, Warwick Davis, Benicio Del Toro.

História : Enquanto Rey inicia o seu treino com Luke Skywalker, a Primeira Ordem e a Resistência preparam-se para um último confronto.

Comentário (com spoilers) : Eu gostei bastante do episódio 7 e este episódio 8, apesar de ser diferente em alguns aspectos, também me fez gostar dele. Digamos que os dois filmes se completam na perfeição. Recuso fazer comparações com as duas anteriores trilogias e vou-me focar unicamente nestes dois últimos episódios, mais concretamente, neste “Os Últimos Jedi”. Quando há dois anos terminara o episódio 7, eu queria ver mais dele e agora J. J. Abrams deu-me aquilo que eu precisava naquela altura, uma conclusão para esta história, com a preciosa ajuda de Rian Johnson (Brick). Este último, com as devidas ajudas, fez um trabalho exímio neste oitavo episódio, temos assim uma excelente realização. Claro que ele alterou algumas coisas que já estavam estabelecidas sobre os Jedi, mas essas novidades são muito bem-vindas. O filme segue com os seus passos vagarosos bem do jeito de Rian Johnson, tudo graças a um argumento muito bem escrito e cuidadoso para não estragar o que foi mostrado no episódio 7. Os efeitos especiais e sonoros são excelentes, originando batalhas espaciais espectaculares, aliás, todo o visual do filme é uma delícia para os nossos olhos. A banda sonora, sempre a cargo de John Williams, é perfeita e é um deleite para os nossos ouvidos. A criação de mundos e de ambientes é perfeita. Tudo parece real e palpável. Adorei todas as criaturas que aparecem neste filme, com destaque máximo para os porgs e para as raposas de cristal.

Tal como já disse, este oitavo episódio mostra novas facetas da Força e ainda bem que eles inovaram nesse sentido, já estava um pouco cansado de ver sempre o mesmo. O filme tem muitas personagens e quase todas têm o seu tempo, diria, o necessário para nos mostrar o que fazem nesta história. É um filme sobre os Skywalker, sobre a Rey e sobre a eterna luta entre o bem e o mal, neste caso, entre a Resistência e a Primeira Ordem. O filme divide-se principalmente entre o arco de Rey, Luke e Kylo Ren e o arco que mostra a luta da Primeira Ordem contra a Resistência, e os dois acabam por convergir muito bem. Claro que a minha personagem preferida desta história é a Rey, ela é a alma desta trilogia e neste oitavo episódio podemos vê-la a tornar-se num verdadeiro jedi, para isso ajudou a excelente prestação da linda Daisy Ridley. Mark Hamill está excelente como Luke Skywalker, ele possui um personagem detentor de uma carga dramática bem acentuada, ele foi marcado por um passado sofredor e exilou-se com os seus próprios pensamentos. Rey, Luke e Kylo Ren são os personagens mais interessantes deste filme, os três funcionam tão bem quer juntos, quer em arcos separados, aliás, o próprio filme trabalha muito bem os dramas pessoais de cada um destes três intervenientes. Além disso, ver Rey aos comandos da nave de Han Solo é um prazer, finalmente temos uma protagonista feminina em Star Wars. Gostei da ilha onde Luke está exilado que é onde fica situado o Templo Jedi e gostei ainda de saber mais sobre o local e sobre os jedi. Infelizmente, esperava uma história mais complexa e mais dramática envolvendo o passado de Luke com Kylo Ren, foi tudo muito superficial, ainda assim aceitável. Fiquei satisfeito por Rey não ter nenhuma ligação aos Skywalker, ela é usuária da Força simplesmente porque sim, a última cena do filme, com aquele menino, prova nitidamente que qualquer um pode ser usuário da Força. Neste filme é finalmente dito quem são os pais da Rey, a origem da miúda é assim finalmente revelada, eles eram pessoas simples que renegaram a filha. Eu acho a Rey uma personagem linda e perfeita e a única coisa que eu critico é que ela passa os dois filmes com o cabelo apanhado, eu adoraria vê-la neste filme com o cabelo totalmente solto, completando assim toda a feminidade e beleza da rapariga enquanto personagem. Neste filme, Rey completa a sua jornada e foi lindo vê-la tornar-se numa verdadeira jedi. Existe ainda uma cena envolvendo Luke, R2-D2 e um holograma que é uma das melhores coisas do filme.

Gostei de ter revisto Leia novamente, eu adoro esta personagem e ela aqui tem um papel marcante, tendo cenas em que mostra que também é uma forte usuária da Força. Leia possui ainda uma sequência de pequenas cenas com Luke e eu confesso que gostei de ter visto o final dado à sua personagem, foi louvável não usarem a morte da actriz para darem um fim trágico à sua personagem. Luke e Leia têm cenas muito bonitas e ternurentas em determinada altura do filme. Kylo Ren continua indeciso neste oitavo episódio, uma hora ele protege Rey, outra hora quer matá-la, mas nos minutos finais ele revela a sua verdadeira índole e transforma-se no vilão desumano que Luke havia previsto. Kylo Ren é ainda um personagem bem complexo, ele quer ocupar o seu lugar no espaço, ele quer destruir os jedi, os sith, enfim o passado e o antigo, ele pretende instaurar o novo. Não gostei de Finn nem de Rose, eles têm demasiado tempo em cena, partilham cenas bem ridículas e algumas desnecessárias, eles podiam ter morrido durante o filme que nada se perdia. Podiam ter colocado um membro da resistência a fazer aqueles procedimentos de maneira séria e sem palhaçadas. A Phasma e o Hux são outros personagens bem problemáticos, também podiam ter morrido no episódio 7 que não se perdia nada. Existem outros personagens que apesar de fazerem muito, em nada acrescentam à história principal. O filme peca também pelo humor em demasia, em algumas situações de tensão certos personagens soltam uma piada que corta o clima e quase estraga a cena. Os estúdios têm que perceber que piadas e humor em momentos de tensão e aflição não funcionam. E depois temos Benicio Del Toro, eu detestei vê-lo neste universo, foi um erro metê-lo ali, um actor desconhecido a fazer o que ele fez, de certeza que causaria um melhor efeito. O filme possui imagens muito bonitas e planos fantásticos, a fotografia é magistral, volto a dizer, as batalhas espaciais e a batalha terrestre são brutais, posso mesmo dizer que a nível técnico, o filme roça a perfeição. Tem imensos twists, a maior parte deles são surpreendentes.

Tal como no episódio 7, este oitavo capítulo também funciona como uma carinhosa homenagem à saga clássica. Ambos os filmes têm várias referências aos episódios 4, 5 e 6. Gostei de voltar a ver o Yoda clássico e também gostaria que o Obi-Wan Kennobi fizesse uma aparição. Aliás, eu adorei todas as cenas passadas entre Luke e Yoda neste filme, são momentos muito bonitos e nostálgicos. BB-8 continua aceitável e gostaria que Chewbacca, R2-D2 e C-3PO tivessem mais tempo de antena. Existe uma sequência longa e empolgante cheia de cenas espectaculares envolvendo Rey, Kylo Ren, Snoke e os soldados do líder maléfico que pode bem ser a melhor parte do filme inteiro. Eu adorei o modo como o terceiro visado anteriormente morre, que espectáculo, foi uma morte que já veio muito tarde, o gajo já podia ter morrido no episódio 7. Temos uma batalha final no planeta do sal que, apesar de curta, está espectacular. As lutas de sabres de luz são espantosas. Eles abordaram bem a questão da Força e dos Jedi, fizeram bem em apostar em novas facetas da Força e deram-nos um Luke um pouco parecido com o da trilogia clássica, apesar de também ser diferente, ele está mais pesado e marcado pelo passado, ele está convincente, nós sentimos o seu drama e o compreendemos e isso é muito bom. Eu adorei todo o combate final entre Luke e a Primeira Ordem, e com o próprio Kylo Ren em específico, aquilo que vemos é colossal e poderoso, o irmão de Leia prova daquele jeito que é um verdadeiro mestre Jedi e momentos depois na ilha, ele faz o mesmo procedimento que Obi-Wan Kennobi e Yoda fizeram para se unir à Força. Luke cumpriu assim a sua missão, tornando-se numa lenda para as crianças da galáxia, tal como as últimas cenas o mostram. 

Achei patética toda aquela relação súbita de telepatia entre Rey e Kylo Ren, mas depois foi muito bem explicado o porquê daquilo ter acontecido. No final do filme, Rey transforma-se na heroína da saga enquanto que Kylo Ren vira o verdadeiro e único vilão da história. Algumas passagens podem ter outras interpretações, algumas filosóficas ou mesmo oníricas e alegóricas. Gostava de ter tido mais algumas respostas, mas tudo bem. J. J. Abrams vai realizar o episódio 9, que encerrará esta trilogia, se se ficassem por este episódio 8, as coisas ficariam bem, mas eles é que sabem. Cá ficarei à espera do capítulo que fechará a história de Rey, até porque a própria Daisy Ridley já confirmou que depois do episódio 9, não fará mais nada ligado a este universo, só prova que a miúda tem juízo. Mas eu gosto imenso deste oitavo capítulo, tal como gosto imenso do episódio 7, dois excelentes filmes que são uma carinhosa, sincera e bonita homenagem aos episódios 4, 5 e 6. Este oitavo e novo filme tem um final muito bonito que nos apresenta uma boa conclusão para a história iniciada no sétimo filme. Um último reparo, eu amo a Rey enquanto personagem, os grandes estúdios deviam apostar mais em protagonistas femininas e mesmo em personagens femininas fortes nos seus filmes, só ficariam a ganhar.




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

The Killing Of A Sacred Deer

Nome do Filme : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Inglês : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Português : “O Sacrifício de Um Cervo Sagrado”
Ano : 2017
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Raffey Cassidy, Barry Keoghan, Sunny Suljic, Bill Camp.

História : Steven é um cardiologista conceituado que é casado com Anna, com quem tem dois filhos : Kim e Bob. Já há algum tempo ele mantém contacto frequente com Martin, um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven.

Comentário : Sem sombra para dúvidas que este foi um dos filmes que mais me enervou até hoje. E não é à toa. Primeiro porque é um filme muito misterioso e só aí se pode depreender que essa ausência de informação nos causa ansiedade e interesse em saber mais. Segundo porque o filme possui dois personagens bem irritantes que nunca chegam a pagar pelos seus erros. E depois porque é uma história fraca em explicações, o que neste caso dificulta a nossa compreensão para alguns acontecimentos e mesmo certas atitudes dos cinco personagens centrais da obra. Eu sei que não é obrigatório os filmes terem todas as explicações que desejamos, aliás, certos filmes possuem até um certo encanto pelo facto de deixarem questões por responder, mas neste caso, uma explicação para o problema central daria muito jeito. Outra coisa que me irritou foi a banda sonora, que aqui vem adornada de batidas fortes em certas cenas e aumentos de volume em outras. O filme está muito bem filmado e apesar de existirem aqui cenas bem bonitas, já outras são bem aflitivas.

O realizador já tinha trabalhado com o actor principal no seu filme anterior, logo, este, ao contrário do que sucedeu no filme anterior, aqui deve ter aceitado bem o papel. E falando de Colin Farrell (muito irritante aqui), não gostei nada de o ver na pele deste personagem, apesar de reconhecer que ele tem uma boa interpretação. Nicole Kidman também vai bem no seu papel e a química entre ela e Farrell funcionou muito bem. Os jovens Raffey Cassidy e Sunny Suljicc, que aqui fazem de irmãos filhos do casal referido anteriormente, têm boas prestações, quer sejam interpretações artísticas dos seus papéis ou exibições físicas, embora ela desempenhe uma personagem com algumas atitudes que não batem muito certo. Barry Keoghan é um dos personagens mais irritantes que eu já vi em filme, enquanto que ainda nos resta uma Alicia Silverstone irreconhecível e com pouco que fazer ao longo das duas horas. O filme também pode ter outras interpretações ou leituras, podemos ver certos acontecimentos como sendo alegorias ou representações filosóficas. Apesar disto tudo, gostei do filme, embora prefira “The Lobster”. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Thelma

Nome do Filme : “Thelma”
Titulo Inglês : “Thelma”
Titulo Português : “Thelma”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Mystery/Romance
Realização : Joachim Trier
Produção : Thomas Robsahm
Elenco : Eili Harboe, Kaya Wilkins, Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Grethe Eltervag, Marte Magnusdotter Solem, Anders Mossling, Vanessa Borgli, Steinar Klouman Hallert, Ingrid Giaever, Oskar Pask, Gorm Alexander Foss Gromer, Camilla Belsvik, Martha Kjorven, Ingrid Jorgensen Dragland, Lars Berge, Vibeke Lundquist, Isabel Christine Andreasen, Irina Eidsvold Toien, Tommy Larsson.

História : Uma jovem tímida vê o seu modo de viver e a sua independência postos em causa devido a uma família extremamente opressiva, conservadora e controladora que insiste em meter-se na sua vida.

Comentário : Na sinopse deste filme eu não me quis alongar muito para não dar spoilers. Eu gostei deste filme na maioria dos seus aspectos, mas outras coisas nem tanto. Este realizador tem filmes bons, logo, as expectativas para este seu novo registo eram altas. Não me desiludi, embora tenha que confessar que esperava um final mais esclarecedor. É uma obra que mistura eficazmente o drama com o mistério, juntando também uma pitada de romance, diga-se se passagem, este último ingrediente é o responsável pelas melhores cenas da fita. Eu adorei as cenas lésbicas que o longa mostra, mesmo que as duas meninas nunca cheguem aos finalmentes, é um deleite vê-las a namorar. Sobre a família dela, gostei do twist que envolve o seu modo de agir com a filha; se nos primeiros sessenta minutos dão-nos a entender uma coisa, depois ficamos a saber algo sobre a protagonista que muda radicalmente a percepção que tínhamos daqueles pais. E isso me agradou bastante. Esse factor ajuda também a entender a sequência inicial do filme que decorre num passeio de caça entre pai e filha. 

Como protagonista, Eili Harboe possui a melhor interpretação do filme e Kaya Wilkins não lhe fica nada atrás no papel de sua amiga e namorada não assumida. A química entre as duas meninas resulta na perfeição. O filme acaba por nos revelar que Thelma é uma mutante, mas trabalha muito mal essa faceta da protagonista e o resultado são acções dela que nunca têm a devida explicação. Talvez por isso eu não gostei do final, não explicaram como Anja reapareceu na vida de Thelma, foi como se nada tivesse acontecido. Ainda assim, gostei bastante do filme no geral, é uma história cheia de mistério e drama que se segue bem, mas repito, as prestações das duas meninas e as cenas sensuais protagonizadas pelas duas são os principais alicerces deste filme enigmático. Trata-se de um filme muito bem feito e conseguido que nos mantém sempre colados ao ecrã e na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir, mas que no entanto, falha no sentido de nos facultar as respostas que precisávamos, o que apesar de não estragar o todo, deixa-nos com uma certa carência na mente, como se sentíssemos a falta de qualquer coisa importante. 


Lumière

Nome do Filme : “Lumière!”
Titulo Inglês : “Lumière!”
Titulo Alternativo : “Lumière! – L'Aventure Commence”
Titulo Português : “Lumière! - A Aventura Começa”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Documentário
Realização : Thierry Frémaux
Produção : Thierry Frémaux/Bertrand Tavernier
Elenco : François Clerc, Benoit Duval, Leopoldo Fregoli, Loie Fuller, Madeleine Koehler, Auguste Lumière, Louis Lumière, Andrée Lumière.

História : O director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, Thierry Frémaux, seleccionou mais de 100 obras restauradas dos Irmãos Lumière, que ordenou por temas, numa homenagem à Sétima Arte e aos cinéfilos de todas as idades.

Comentário : Depois de tomarem conhecimento do cinetoscópio – que resultava em imagens em movimento dentro de uma pequena caixa escura com um buraco por onde espreitava uma pessoa de cada vez – Auguste e Louis Lumière entregaram-se ao estudo e aperfeiçoamento da técnica de projecção de imagens. O aparelho idealizado, a que chamaram cinematógrafo, tomou forma e foi registado. A invenção era, na verdade, a síntese de pesquisas realizadas por vários investigadores desde o início do século XIX. Depois de melhorarem a técnica do seu aparelho, empenharam-se em produzir filmes. Até que, no dia 28 de Dezembro de 1895, fizeram uma exibição pública em que apresentaram, perante um grupo de pessoas numa sala do Grand Café, no Boulevard des Capucines em Paris, um programa que incluía vários documentários e o seu famoso filme “La Sortie de L'Usine Lumière à Lyon”. Para muitos, esse foi o dia em que o cinema nasceu.

Eu não me considero um grande conhecedor de cinema, mas amo a sétima arte e claro que tinha que vir aqui comentar este excelente filme, um documentário que funciona não só como uma grande homenagem à Sétima Arte como também pode ser considerado o tributo actual que os Irmãos Lumière tiveram. Não devia ser segredo para quem acompanha este espaço que ver filmes é das coisas que mais me dá prazer na vida e assistir aos pequenos filmes que aparecem neste longa foi um privilégio. São pequenos filmes de cerca de cinquenta segundos cada que foram filmados à mais de 100 anos, são coisas que já não existem, pessoas e animais que já morreram, confesso até que isso me causou uma certa impressão, mas isso sempre aconteceu com a minha pessoa, faz-me muita confusão ver imagens e filmes com pessoas que já morreram. E é preciso ter um enorme respeito por estes trabalhos dos irmãos Lumière, praticamente eles foram os pioneiros do cinema. Filmes como “A Chegada do Comboio à Estação”, “Saída da Fábrica Lumière” ou “O Gato e a Criança” são hoje grandes clássicos supremos da história do cinema, confesso que apenas se lamenta que sejam filmes muito pequenos, se eles tivessem feito longas-metragens, a situação seria ainda melhor. Tal como já disse, ver estes pequenos filmes onde mostram situações passadas, pessoas e animais que já morreram, é uma grande honra para mim.

Na minha opinião, este filme é um documentário muito importante e um objecto cinematográfico precioso, funciona mesmo como um resumo do trabalho dos Lumiére. O filme é composto por onze capítulos que mostram a diversidade dos Lumière, mostram também que eles foram pioneiros em várias técnicas de filmar que muitos realizadores da actualidade aplicam nos seus filmes. E isso foi muito interessante. Ao longo de quase hora e meia, somos convidados a conhecer muitos filmes destes irmãos realizadores, filmes não somente dirigidos por eles, mas por colegas de trabalho ligados à firma. Todos são muito interessantes. Ter a grande oportunidade de assistir a este documentário é quase um acontecimento histórico, tal não é a riqueza do seu conteúdo e daquilo que ele representa. O primeiro personagem da história do cinema foi o povo, sim, os trabalhadores que saíam da fábrica. A sensação de susto de quem assistia na sala de cinema ao filme da chegada do comboio à estação, tudo isto é mágico e admirável. Existe até um filme que mostra os Lumière a usar os primeiros efeitos especiais da história do cinema, em que aparece um mendigo a ser atropelado e mais tarde ressuscitado. Mas volto a repetir, assistir aquelas situações e ver aquelas pessoas a mexerem e a se relacionarem mais de 100 anos após aquilo ter acontecido, até causa arrepios. O Cinema é mesmo a mais brilhante das artes, quase parecida com a fotografia, porque gravam coisas e pessoas que aconteceram e viveram na vida, é a prova mais importante que algo realmente existiu e aconteceu. Um dos melhores, mais importantes e mais interessantes documentários que vi na vida. 


Sweet Virginia

Nome do Filme : “Sweet Virginia”
Titulo Inglês : “Sweet Virginia”
Ano : 2017
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jamie M. Dagg
Produção : Chris Ferguson/Fernando Loureiro/Roberto Vasconcelos/Brian Jones
Elenco : Jon Bernthal, Christopher Abbott, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt, Odessa Young, Jared Abrahamson, Joseph Lyle Taylor, Darcy Laurie, Theres Amee, Victoria Bidewell, Cameron Hilts, Scott A. McGillivray, Jason Groves.

História : O dono de um motel com um passado sinistro, sem saber, faz amizade com um jovem assassino responsável por uma onda de violência que, de repente, tomou conta de uma pequena cidade.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que não dava nada por este filme, mas acabei por gostar bastante dele. Não é um filme muito fácil de se seguir, ele possui um ritmo lento e certas coisas demoram para acontecer, algumas cenas se arrastam, mas não receiem porque tudo isto favorece a história, parece que o realizador montou cuidadosamente todas as peças do seu puzzle e o resultado é bastante positivo. Podemos contar ainda com uma banda sonora nauseante, no bom sentido, claramente, são melodias que penetram directamente nos nossos ouvidos e nos estremecem suavemente os tímpanos. O filme tem ainda um forte clima de tensão e todo um ambiente sombrio, duas coisas que também o favorecem bastante, penso mesmo que todos os factores foram muito bem trabalhados de forma a que tudo saísse bem na conclusão final. No papel principal, encontramos um excelente Jon Bernthal que tem aqui a melhor prestação do filme, o actor fez tão bem o seu trabalho e compôs tão bem o seu personagem que quem vê a fita, fica a torcer por ele o tempo todo. Como vilão principal, Christopher Abbott vai bem nesse registo, chega a ser temível em alguns momentos. Na componente feminina, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt e Odessa Young têm personagens boas e que servem na perfeição de auxílio ao protagonista, com destaque para a terceira que, em conjunto com o personagem principal, possuem as cenas mais emotivas do longa. A sequência de abertura no café é poderosa e fria. É um filme forte e é um thriller que, para quem gosta do género, não o deixará indiferente.


War For The Planet Of The Apes

Nome do Filme : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Inglês : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Português : “Planeta dos Macacos : A Guerra”
Ano : 2017
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Matt Reeves
Produção : Amanda Silver/Peter Chernin/Dylan Clark/Rick Jaffa
Elenco : Andy Serkis, Woody Harrelson, Amiah Miller, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria, Judy Greer, Sara Canning, Devyn Dalton, Aleks Paunovic, Alessandro Juliani, Max Lloyd Jones, Timothy Webber, Roger Cross, Chad Rook, Mercedes De La Zerda.

História : Caesar e o seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel.

Comentário : Uma coisa curiosa sobre esta trilogia é que, a cada novo filme eles melhoram sempre e em nada ficam a dever ao filme anterior. Sim, eu gostei bastante deste filme, mas também tenho que confessar que fiquei desiludido com a conclusão que deram à história. A nível técnico, este filme é quase perfeito, os efeitos especiais e a concepção de criaturas (macacos) são do melhor desde “Avatar” e Andy Serkis já devia ter recebido um prémio a sério por este tipo de desempenhos, eu adoro o seu Caesar, um dos meus personagens de computação preferidos. Os macacos deste filme parecem reais, tal não foi a maneira como esta técnica evoluiu. Amiah Miller tem uma presença angelical, eu adorei a sua Nova. O filme possui momentos muito bons e cenas espectaculares. No entanto, existe aqui uma coisa fulcral que julgo ter sido o motivo pelo qual eu me desiludi com este filme.

O realizador tinha duas opções a dada altura : avançar para o lado da guerra aberta ou se direcionar para a componente dramática, como pudemos ver, ele escolheu a segunda via, e eu achei isso muito bem. Mas na minha opinião, essa segunda via não foi muito bem trabalhada, por exemplo, quase metade do longa decorre na base do coronel com cenas que enrolam e enrolam, sem nada adiantar para o todo. Eles andam ali às voltas, com clichés vários que costumam existir neste tipo de produções, em vez de nos mostrar outras coisas e algo novo, por exemplo, podiam nos dar mais sobre o modo de vida dos macacos ou terem desenvolvido e aprofundado mais a relação de Nova com os quatro macacos que a encontram. Outros exemplos, não faz sentido Caesar ir sozinho enfrentar a base do coronel; não faz sentido o coronel aparecer de madrugada na base dos macacos para enfrentar Caesar; não faz sentido o coronel ter macacos a ajudar os seus homens a combater; não faz sentido nenhum os soldados terem capturado todos os macacos que tinham fugido para outras paragens; não faz sentido o final dado a Caesar, depois de o terem salvo das explosões na base dos humanos. Enfim, penso mesmo que foram pelo caminho errado e concluíram mal esta trilogia. Mas lá está, trata-se de um filme muito bom, eu gostei de o ter visto, mas esperava algo mais adulto, dramático e consistente. Mas no geral, é uma excelente trilogia. 


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Fortunata

Nome do Filme : “Fortunata”
Titulo Inglês : “Fortunata”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Sergio Castellitto
Produção : Viola Prestieri
Elenco : Jasmine Trinca, Nicole Centanni, Stefano Accorsi, Alessandro Borghi, Edoardo Pesce, Emanuela Aurizi, Demetra Avincola, Liliana Fiorelli, Awa Ly, Valeria Nardilli, Jacelyn Parry, Alvia Reale, Rosa Diletta Rossi, Hanna Schygulla, Gianluca Spaziani.

História : Fortunata é uma mãe solteira vivendo numa situação extremamente complicada e assombrada por um casamento fracassado. Como forma de mudar de vida, ela precisa lutar por seu sonho : abrir um salão de cabeleireiro desafiando o seu próprio destino, numa tentativa de emancipar-se e adquirir a sua independência e felicidade. Pelo meio, ela terá ainda que lidar com todo o processo de criar uma filha sozinha, algo que não vem com manual de instruções.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que está bastante aceitável. O realizador é muito conhecido no mundo do cinema e eu confesso até que gosto de alguns trabalhos dele, seja na função de director ou até enquanto actor. O filme foca bastante a condição da mulher, que é quase sempre retratada como alguém fraco e carenciado, maltratada pelo marido e sempre em busca de uma vida melhor para si e para os seus filhos. Basicamente é isso que temos aqui, o filme foca esses aspectos, Fortunata é separada do marido, um homem violento e que nunca perde uma oportunidade de humilhar a coitada e de infernizar a sua vida. No papel de marido abusador, Edoardo Pesce fez um bom trabalho, o seu personagem consegue ser odioso. Gostei igualmente do personagem do actor Stefano Accorsi, ele surge quase como um anjo na existência da protagonista, mas acaba por interferir demais na sua vida. Mas quem merece todos os méritos é claramente a nossa personagem principal, Fortunata, que é aqui interpretada de forma excelente por Jasmine Trinca, que até ganhou o prémio de melhor actriz no festival de Cannes. Gostei muito do trabalho que ela fez neste filme, a mulher é uma espécie de alicerce principal desta obra dramática. Vale ainda frisar que a pequena Nicole Centanni também está de parabéns, ela desempenhou na perfeição a filha da protagonista e a empatia entre as duas funcionou muito bem. Já o actor Alessandro Borghi faz de alguém bem irritante, eu detestei o seu personagem. Infelizmente, o filme acaba mal, fica-se sem saber três coisas essenciais que foram alimentadas durante noventa minutos e que depois ficam sem qualquer tipo de acabamento. É um filme que vive muito dos seus personagens. Um último reparo, temos uma sequência envolvendo a protagonista e alguns golfinhos que é muito bonita.

Mudbound

Nome do Filme : “Mudbound”
Titulo Inglês : “Mudbound”
Titulo Português : “Mudbound – As Lamas do Mississipi”
Ano : 2017
Duração : 134 minutos
Género : Drama
Realização : Dee Rees
Produção : Dee Rees
Elenco : Garrett Hedlund, Carey Mulligan, Jason Clarke, Rob Morgan, Jonathan Banks, Jason Mitchell, Piper Blair, Elizabeth Windley, Mary J. Blige, Kerry Cahill, Lucy Faust, Samantha Hoefer, Kelvin Harrison Jr., Henry Frost, Dylan Arnold, Geraldine Singer, Kennedy Derosin, Claudio Laniado, Charley Vance.

História : Após a Segunda Guerra Mundial, uma mulher luta para manter a fé no empreendimento fracassado do marido.

Comentário : Trata-se de um filme de época muito bem conseguido que aborda as histórias de duas famílias, a dos brancos que é também a principal e uma outra composta por negros, as duas acabam por se interligar. Visualmente muito bonito, o filme passa-se no final da Segunda Guerra Mundial. Aqui é focada a guerra, a vivência rural e respectivas dificuldades, o racismo em geral. É uma obra violenta, principalmente na última meia hora, mas é uma violência necessária para que algumas pessoas saibam como eram tratados os negros naquela altura, se ainda hoje o racismo é um problema, imaginem há setenta anos. Trata-se de um filme dramático, mas podia também ser histórico, afinal, muitas das coisas vistas aqui aconteceram naquela altura. Do lado masculino, os destaques vão para Garrett Hedlund, Jason Clarke, Rob Morgan e Jason Mitchell, os quatro possuem aqui interpretações muito boas, cada um à sua maneira, eles conseguiram fazer com que quem os visse representar os seus papéis, não perdesse o interesse nos seus personagens. Do lado feminino, Carey Mulligan e Mary J. Blige estiveram muito bem, as duas têm aqui personagens bem interessantes, a primeira continua a ser uma das minhas actrizes preferidas, enquanto que a segunda me surpreendeu imenso, confesso que não esperava grande coisa dela, mas fiquei de queixo caído. O guarda-roupa está impecável, as paisagens são lindas e é uma fita que quase nos transporta para aquela época complicada. Como pontos negativos, o filme é muito longo, as cenas da guerra, por exemplo, podiam ter sido cortadas porque não têm interesse nenhum e não acrescentam nada ao todo. Este filme poderá ter algumas indicações aos óscars, penso eu.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Newness

Nome do Filme : “Newness”
Titulo Inglês : “Newness”
Ano : 2017
Duração : 117 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Drake Doremus
Produção : Drake Doremus/Ridley Scott
Elenco : Laia Costa, Nicholas Hoult, Danny Huston, Courtney Eaton, Matthew Gray Gubler, Pom Klementieff, David Selby, Amanda Serra, Jessica Henwick, Elsa Cocquerel, Daniel Zovatto, Eric Edelstein, Kai Lennox, Eva Ceja, Tom Stokes, Emily Ruhl, Maya Stojan, Lianna Swearingen.

História : Gabriela Silva e Martin Hallock são dois jovens que se conhecem através de um programa de encontros online e que iniciam um estranho relacionamento que poderá ser prejudicial para ambos.

Comentário : Na noite passada vi este filme que mistura de forma eficaz a componente dramática com o romance e o resultado foi algo que me agradou bastante, tudo porque não tinha depositado nenhuma expectativa numa fita cuja existência eu desconhecia por completo. Tendo sido uma agradável surpresa, confesso que temos aqui uma história de amor algo peculiar e estranha, mas nem por isso inédita nos dias que correm. Possuidores de boas prestações, Nicholas Hoult e Laia Costa representam um casal que se conhece através do telemóvel e que combina uma espécie de relacionamento em que ambos podem se envolver com outros parceiros desde que contem um ao outro as suas experiências, uma relação aberta portanto. Hoje em dia, já assistimos a quase tudo no que aos relacionamentos amorosos diz respeito e o caso deste filme acaba mesmo por ser cliché, assim à memória vem a conhecida prática de troca de casais, embora no caso desta película, as coisas vão um pouco mais além. É uma história agradável e que se segue muito bem ao longo de quase duas horas, o ser humano é capaz de coisas bem estranhas, seja para ter prazer ou simplesmente para experimentar coisas novas. As pessoas estão quase sempre abertas a ter novas experiências, no fundo, este filme também trabalha essa questão. Gabriela e Martin são personagens bem complicadas, ela é livre e corajosa, enquanto que ele é detentor de um passado menos bom e mais reservado. Mas são duas personagens que funcionam muito bem, mesmo quando discutem. Apesar de não ter gostado muito do final atribuído ao casal protagonista, confesso ter gostado bastante do filme no geral. Por último, tenho que dizer que Laia Costa (primeira foto em baixo) é uma mulher muito bonita e muito interessante. 


November Criminals

Nome do Filme : “November Criminals”
Titulo Inglês : “November Criminals”
Ano : 2017
Duração : 86 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Sacha Gervasi
Produção : Erika Olde/Beth O'Neil/Marc Bienstock/Ara Keshishian/Steven Rales
Elenco : Chloe Grace Moretz, Ansel Elgort, David Strathairn, Catherine Keener, Terry Kinney, Danny Flaherty, Cory Hardrict, Philip Ettinger, Tessa Albertson, Victor Williams, Karina Deyko, Noel Ramos, Brianne Brozey, Jared Kemp, Adrian Mompoint, David Boston.

História : Addison é um jovem prestes a terminar o ensino secundário que vive atormentado pela perda da mãe que falecera. Um dia, quando um amigo é assassinado no local de trabalho, Addison decide iniciar uma investigação por conta própria, ignorando os riscos que daí poderão surgir.

Comentário : Sinceramente, não entendo as fracas classificações que este filme tem tido. Pessoalmente, confesso ter gostado do filme, é uma obra bastante aceitável e tudo bem que a história não é nova e muito menos original, mas a forma como as coisas se desenrolam desperta o interesse e eu senti-me totalmente concentrado no que estava a ver. Portanto, estamos perante um filme interessante, com uma história cativante, com personagens que nos fazem zelar por elas e que ajudam a ficarmos desejosos por sabermos o final. David Strathairn e Catherine Keener, dois bons actores, vão bem nos seus papéis, eles desempenham os pais do casal protagonista, ou melhor, enquanto que o primeiro é pai do jovem, a segunda é mãe da miúda que ele namora. No papel do rapaz protagonista, encontramos um Ansel Elgort bastante competente, o jovem actor faculta-nos um personagem ciente do seu passado, embora nem sempre consciente das consequências de algumas das suas atitudes, no entanto, a interpretação está ok, ele é alguém fácil de entender. Já Chloe Grace Moretz está bem no seu papel, mas confesso que já a vi fazer bem melhor em outros registos. É de frisar que a química entre os dois jovens resulta muito bem, é um deleite vê-los a contracenar, tanto como personagens como enquanto actores. Podemos contar com um twist muito interessante envolvendo uma personagem feminina e uma mochila com droga. Infelizmente, os inimigos não convencem, se numa hora eles parecem muito perigosos e capazes dos piores actos, noutra hora isso cai por terra e chegam a ser patéticos. Mas o filme é eficaz, gostei.


Woodshock

Nome do Filme : “Woodshock”
Titulo Inglês : “Woodshock”
Titulo Português : “Woodshock”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Kate Mulleavy/Laura Mulleavy
Produção : Michael Costigan/Ken Kao/Ben LeClair/K. K. Barrett
Elenco : Kirsten Dunst, Joe Cole, Pilou Asbaek, Jack Kilmer, Steph DuVall, Susan Taylor, Joel McCoy, Michael Pavlicek.

História : Devastada pela morte da mãe, Theresa sente-se incapaz de reassumir o controlo da sua vida. Numa tentativa de anestesiar a dor, toma uma potente droga derivada da canábis em conjunto com outra substância. A partir desse momento, entra numa espécie de torpor que se transforma numa alucinação descontrolada que a torna incapaz de distinguir a realidade da fantasia.

Comentário : Este filme podia ter sido muito mais do que realmente foi, não é mau, mas também não é grande coisa. Diria que o principal pilar deste filme chama-se Kirsten Dunst e é a ela que se deve o melhor da fita em questão. A actriz em causa tem aqui a interpretação mais pessoal e íntima da sua carreira, ela entregou-se totalmente ao papel que lhe foi cuidadosamente atribuído pelas realizadoras e o resultado está à vista, sublime. Ela convence-nos que a sua Theresa é uma mulher atormentada pelos acontecimentos da vida e faz-nos sentir essa dor, esse estado de alma, é uma personagem muito rica, portanto. Não gostei da banda sonora, mas apreciei muito bem a fotografia e os efeitos visuais em algumas cenas. Também não gostei das personagens secundárias e das prestações dos respectivos actores que lhes dão vida, pareceu-me tudo muito artificial, foi como se eles estivessem a fazer um enorme favor em ter participado no filme. Algumas imagens são muito bonitas, por exemplo, aquelas árvores centenárias são deslumbrantes e impõem respeito. A cena da levitação final da protagonista é linda, eu adorei. A sequência do ferro de engomar também merece destaque. Claro que algumas coisas ficaram por perceber, por exemplo, porque motivo a droga que servia para tratar a mãe doente da personagem principal, provocava alucinações à filha. Outras duas ou três questões também não tiveram qualquer tipo de tratamento. É um filme que vive sobretudo às custas e por causa de Kirsten Dunst enquanto personagem e actriz, o filme pertence-lhe a todos os níveis.

Belarmino

Nome do Filme : “Belarmino”
Titulo Inglês : “Belarmino”
Titulo Português : “Belarmino”
Ano : 1964
Duração : 72 minutos
Género : Documentário/Biográfico/Drama
Realização : Fernando Lopes
Produção : António da Cunha Telles
Elenco : Belarmino Fragoso, Maria Amélia Fragoso, Ana Paula Fragoso, Maria Teresa de Noronha, Jean Pierre Gebler, Bernardo Moreira, Júlia Buisel, Albano Martins.

História : A história e a vida de Belarmino Fragoso, um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a fazer biscates, entre eles, a engraxar sapatos nas ruas de Lisboa.

Comentário : Belarmino é o retrato de um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a engraxar sapatos. É um filme sobre a solidão, o medo e a derrota. Mostra ainda o lado social de uma cidade : Lisboa. Uma cidade muito diferente da Lisboa das “comédias portuguesas”. Fernando Lopes filmou, com enormes restrições orçamentais, a vida de um pugilista que conheceu algum sucesso nos anos 60, tendo mesmo combatido no estrangeiro, mas logo regressou à miséria do “bas-fond” lisboeta. Gostei bastante deste filme e o mais engraçado foi o facto de que até à pouco tempo (meses) eu desconhecia a existência deste homem, deste desportista, tendo significado uma enorme surpresa para mim. Também gostei de ter visto um pouco da minha Lisboa de antigamente, reconheci alguns locais, outros nem por isso, mas é uma grande e linda cidade, não há dúvidas. Este filme, além de ser uma mistura de documentário com biografia, consegue ser também uma entrevista a um homem cuja maneira de ser, assemelha-se a muitos homens daquela época, um homem que passou por muitas dificuldades na vida. Através deste filme, podemos verificar que se vivia muito mal naquela altura, a maior parte das pessoas chegavam mesmo a passar fome. Era difícil arranjar algum dinheiro, só mesmo tendo um emprego certo. Eu diria mesmo que este filme mostra um lado do nosso país desconhecido para muitos e é um prazer descobri-lo. E temos que agradecer a Belarmino Fragoso por ter aceite partilhar uma parte da sua vida connosco. Neste filme, vemos também que muitos homens daquela época ganhavam a vida a engraxar sapatos pelas ruas e avenidas de Lisboa, enfim, uma triste realidade. Belarmino Fragoso nasceu a 15 de Junho de 1931 e faleceu em 19 de Abril de 1982.