domingo, 31 de dezembro de 2017

Blade Runner 2049

Nome do Filme : “Blade Runner 2049”
Titulo Inglês : “Blade Runner 2049”
Titulo Português : “Blade Runner 2049”
Ano : 2017
Duração : 164 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Denis Villeneuve
Produção : Ridley Scott
Elenco : Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Jared Leto, Edward James Olmos, Mark Arnold, Dave Bautista, David Dastmalchian, Wood Harris, Tomas Lemarquis, Hiam Abbass, Mackenzie Davis, Krista Kosonen, Elarica Johnson, Lennie James, Carla Juri, Barkhad Abdi, Sean Young, Loren Peta.

História : Na Califórnia de 2049, existem “blade runners”, agentes da Polícia especializados em distinguir e capturar replicantes – humanóides criados artificialmente para serem usados como escravos – dos verdadeiros seres humanos. Quando o agente K descobre um segredo que poderá levar à destruição da Humanidade, resolve procurar Rick Deckard, um antigo “blade runner” que há três décadas se encontra desaparecido e que parece ser a única pessoa capaz de o ajudar a encontrar as respostas de que necessita.

Comentário : Não me podia despedir de 2017 sem deixar neste espaço o comentário ao meu filme preferido deste ano que agora termina. Em relação a este filme, eu gostei de quase tudo. Apenas fiquei triste em relação a uma coisa, quem já viu o filme e me conhece minimamente, saberá ao que eu me estou a referir. Este filme está muito bem concebido e conseguido. Eu gostei da banda sonora que é hipnótica e estremece os nossos sentidos. Adorei a fotografia, possivelmente, a melhor que já vi num filme e não estou a exagerar. Aliás, a nível técnico e visual, o filme é perfeito. Este filme é o exemplo ideal de que é possível fazer-se um blockbuster e um filme de grande orçamento sem recorrer às directivas e regras habituais deste tipo de produções, como prova temos uma fita detentora de um ritmo lento e com pouca ação. Apesar dos efeitos visuais serem excelentes, as características deste filme mostram porque motivo o público em geral não gostou, mas a critica profissional adorou e já o consideram como sendo um dos melhores filmes do ano. 

O realizador Denis Villeneuve é um excelente director e só tem bons filmes no seu historial, ele não deu o filme que as grandes massas queriam, ele deu-nos o filme que um bom cinéfilo quer ver, quer sentir. A questão dos replicantes face aos humanos foi muito bem trabalhada e desenvolvida. Adoro o actor Ryan Gosling e ele está muito bem enquanto protagonista, eu gostei bastante do seu personagem, bem como do final dele que foi poético. Gostei igualmente de rever Harrison Ford, ele é um bom actor e foi um prazer vê-lo aqui. Ana de Armas é linda e foi a minha personagem preferida deste filme, a empatia dela com o personagem de Ryan Gosling é palpável e perfeita, o final que deram à miúda é muito triste, mesmo se tratando de um holograma. Robin Wright está impecável no filme. Existem alguns secundários que são conhecidos, mas com papéis interessantes. E sim, eu tive a melhor experiência cinematográfica deste ano ao ver “Blade Runner 2049”, ao lado de “Paterson” de Jim Jarmusch, são os meus filmes preferidos de 2017. “Blade Runner 2049” é um filme artístico, é cinema enquanto arte. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

The Killing Of A Sacred Deer

Nome do Filme : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Inglês : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Português : “O Sacrifício de Um Cervo Sagrado”
Ano : 2017
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Raffey Cassidy, Barry Keoghan, Sunny Suljic, Bill Camp.

História : Steven é um cardiologista conceituado que é casado com Anna, com quem tem dois filhos : Kim e Bob. Já há algum tempo ele mantém contacto frequente com Martin, um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven.

Comentário : Sem sombra para dúvidas que este foi um dos filmes que mais me enervou até hoje. E não é à toa. Primeiro porque é um filme muito misterioso e só aí se pode depreender que essa ausência de informação nos causa ansiedade e interesse em saber mais. Segundo porque o filme possui dois personagens bem irritantes que nunca chegam a pagar pelos seus erros. E depois porque é uma história fraca em explicações, o que neste caso dificulta a nossa compreensão para alguns acontecimentos e mesmo certas atitudes dos cinco personagens centrais da obra. Eu sei que não é obrigatório os filmes terem todas as explicações que desejamos, aliás, certos filmes possuem até um certo encanto pelo facto de deixarem questões por responder, mas neste caso, uma explicação para o problema central daria muito jeito. Outra coisa que me irritou foi a banda sonora, que aqui vem adornada de batidas fortes em certas cenas e aumentos de volume em outras. O filme está muito bem filmado e apesar de existirem aqui cenas bem bonitas, já outras são bem aflitivas.

O realizador já tinha trabalhado com o actor principal no seu filme anterior, logo, este, ao contrário do que sucedeu no filme anterior, aqui deve ter aceitado bem o papel. E falando de Colin Farrell (muito irritante aqui), não gostei nada de o ver na pele deste personagem, apesar de reconhecer que ele tem uma boa interpretação. Nicole Kidman também vai bem no seu papel e a química entre ela e Farrell funcionou muito bem. Os jovens Raffey Cassidy e Sunny Suljicc, que aqui fazem de irmãos filhos do casal referido anteriormente, têm boas prestações, quer sejam interpretações artísticas dos seus papéis ou exibições físicas, embora ela desempenhe uma personagem com algumas atitudes que não batem muito certo. Barry Keoghan é um dos personagens mais irritantes que eu já vi em filme, enquanto que ainda nos resta uma Alicia Silverstone irreconhecível e com pouco que fazer ao longo das duas horas. O filme também pode ter outras interpretações ou leituras, podemos ver certos acontecimentos como sendo alegorias ou representações filosóficas. Apesar disto tudo, gostei do filme, embora prefira “The Lobster”. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Thelma

Nome do Filme : “Thelma”
Titulo Inglês : “Thelma”
Titulo Português : “Thelma”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Mystery/Romance
Realização : Joachim Trier
Produção : Thomas Robsahm
Elenco : Eili Harboe, Kaya Wilkins, Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Grethe Eltervag, Marte Magnusdotter Solem, Anders Mossling, Vanessa Borgli, Steinar Klouman Hallert, Ingrid Giaever, Oskar Pask, Gorm Alexander Foss Gromer, Camilla Belsvik, Martha Kjorven, Ingrid Jorgensen Dragland, Lars Berge, Vibeke Lundquist, Isabel Christine Andreasen, Irina Eidsvold Toien, Tommy Larsson.

História : Uma jovem tímida vê o seu modo de viver e a sua independência postos em causa devido a uma família extremamente opressiva, conservadora e controladora que insiste em meter-se na sua vida.

Comentário : Na sinopse deste filme eu não me quis alongar muito para não dar spoilers. Eu gostei deste filme na maioria dos seus aspectos, mas outras coisas nem tanto. Este realizador tem filmes bons, logo, as expectativas para este seu novo registo eram altas. Não me desiludi, embora tenha que confessar que esperava um final mais esclarecedor. É uma obra que mistura eficazmente o drama com o mistério, juntando também uma pitada de romance, diga-se se passagem, este último ingrediente é o responsável pelas melhores cenas da fita. Eu adorei as cenas lésbicas que o longa mostra, mesmo que as duas meninas nunca cheguem aos finalmentes, é um deleite vê-las a namorar. Sobre a família dela, gostei do twist que envolve o seu modo de agir com a filha; se nos primeiros sessenta minutos dão-nos a entender uma coisa, depois ficamos a saber algo sobre a protagonista que muda radicalmente a percepção que tínhamos daqueles pais. E isso me agradou bastante. Esse factor ajuda também a entender a sequência inicial do filme que decorre num passeio de caça entre pai e filha. 

Como protagonista, Eili Harboe possui a melhor interpretação do filme e Kaya Wilkins não lhe fica nada atrás no papel de sua amiga e namorada não assumida. A química entre as duas meninas resulta na perfeição. O filme acaba por nos revelar que Thelma é uma mutante, mas trabalha muito mal essa faceta da protagonista e o resultado são acções dela que nunca têm a devida explicação. Talvez por isso eu não gostei do final, não explicaram como Anja reapareceu na vida de Thelma, foi como se nada tivesse acontecido. Ainda assim, gostei bastante do filme no geral, é uma história cheia de mistério e drama que se segue bem, mas repito, as prestações das duas meninas e as cenas sensuais protagonizadas pelas duas são os principais alicerces deste filme enigmático. Trata-se de um filme muito bem feito e conseguido que nos mantém sempre colados ao ecrã e na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir, mas que no entanto, falha no sentido de nos facultar as respostas que precisávamos, o que apesar de não estragar o todo, deixa-nos com uma certa carência na mente, como se sentíssemos a falta de qualquer coisa importante. 


Lumière

Nome do Filme : “Lumière!”
Titulo Inglês : “Lumière!”
Titulo Alternativo : “Lumière! – L'Aventure Commence”
Titulo Português : “Lumière! - A Aventura Começa”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Documentário
Realização : Thierry Frémaux
Produção : Thierry Frémaux/Bertrand Tavernier
Elenco : François Clerc, Benoit Duval, Leopoldo Fregoli, Loie Fuller, Madeleine Koehler, Auguste Lumière, Louis Lumière, Andrée Lumière.

História : O director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, Thierry Frémaux, seleccionou mais de 100 obras restauradas dos Irmãos Lumière, que ordenou por temas, numa homenagem à Sétima Arte e aos cinéfilos de todas as idades.

Comentário : Depois de tomarem conhecimento do cinetoscópio – que resultava em imagens em movimento dentro de uma pequena caixa escura com um buraco por onde espreitava uma pessoa de cada vez – Auguste e Louis Lumière entregaram-se ao estudo e aperfeiçoamento da técnica de projecção de imagens. O aparelho idealizado, a que chamaram cinematógrafo, tomou forma e foi registado. A invenção era, na verdade, a síntese de pesquisas realizadas por vários investigadores desde o início do século XIX. Depois de melhorarem a técnica do seu aparelho, empenharam-se em produzir filmes. Até que, no dia 28 de Dezembro de 1895, fizeram uma exibição pública em que apresentaram, perante um grupo de pessoas numa sala do Grand Café, no Boulevard des Capucines em Paris, um programa que incluía vários documentários e o seu famoso filme “La Sortie de L'Usine Lumière à Lyon”. Para muitos, esse foi o dia em que o cinema nasceu.

Eu não me considero um grande conhecedor de cinema, mas amo a sétima arte e claro que tinha que vir aqui comentar este excelente filme, um documentário que funciona não só como uma grande homenagem à Sétima Arte como também pode ser considerado o tributo actual que os Irmãos Lumière tiveram. Não devia ser segredo para quem acompanha este espaço que ver filmes é das coisas que mais me dá prazer na vida e assistir aos pequenos filmes que aparecem neste longa foi um privilégio. São pequenos filmes de cerca de cinquenta segundos cada que foram filmados à mais de 100 anos, são coisas que já não existem, pessoas e animais que já morreram, confesso até que isso me causou uma certa impressão, mas isso sempre aconteceu com a minha pessoa, faz-me muita confusão ver imagens e filmes com pessoas que já morreram. E é preciso ter um enorme respeito por estes trabalhos dos irmãos Lumière, praticamente eles foram os pioneiros do cinema. Filmes como “A Chegada do Comboio à Estação”, “Saída da Fábrica Lumière” ou “O Gato e a Criança” são hoje grandes clássicos supremos da história do cinema, confesso que apenas se lamenta que sejam filmes muito pequenos, se eles tivessem feito longas-metragens, a situação seria ainda melhor. Tal como já disse, ver estes pequenos filmes onde mostram situações passadas, pessoas e animais que já morreram, é uma grande honra para mim.

Na minha opinião, este filme é um documentário muito importante e um objecto cinematográfico precioso, funciona mesmo como um resumo do trabalho dos Lumiére. O filme é composto por onze capítulos que mostram a diversidade dos Lumière, mostram também que eles foram pioneiros em várias técnicas de filmar que muitos realizadores da actualidade aplicam nos seus filmes. E isso foi muito interessante. Ao longo de quase hora e meia, somos convidados a conhecer muitos filmes destes irmãos realizadores, filmes não somente dirigidos por eles, mas por colegas de trabalho ligados à firma. Todos são muito interessantes. Ter a grande oportunidade de assistir a este documentário é quase um acontecimento histórico, tal não é a riqueza do seu conteúdo e daquilo que ele representa. O primeiro personagem da história do cinema foi o povo, sim, os trabalhadores que saíam da fábrica. A sensação de susto de quem assistia na sala de cinema ao filme da chegada do comboio à estação, tudo isto é mágico e admirável. Existe até um filme que mostra os Lumière a usar os primeiros efeitos especiais da história do cinema, em que aparece um mendigo a ser atropelado e mais tarde ressuscitado. Mas volto a repetir, assistir aquelas situações e ver aquelas pessoas a mexerem e a se relacionarem mais de 100 anos após aquilo ter acontecido, até causa arrepios. O Cinema é mesmo a mais brilhante das artes, quase parecida com a fotografia, porque gravam coisas e pessoas que aconteceram e viveram na vida, é a prova mais importante que algo realmente existiu e aconteceu. Um dos melhores, mais importantes e mais interessantes documentários que vi na vida. 


Sweet Virginia

Nome do Filme : “Sweet Virginia”
Titulo Inglês : “Sweet Virginia”
Ano : 2017
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jamie M. Dagg
Produção : Chris Ferguson/Fernando Loureiro/Roberto Vasconcelos/Brian Jones
Elenco : Jon Bernthal, Christopher Abbott, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt, Odessa Young, Jared Abrahamson, Joseph Lyle Taylor, Darcy Laurie, Theres Amee, Victoria Bidewell, Cameron Hilts, Scott A. McGillivray, Jason Groves.

História : O dono de um motel com um passado sinistro, sem saber, faz amizade com um jovem assassino responsável por uma onda de violência que, de repente, tomou conta de uma pequena cidade.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que não dava nada por este filme, mas acabei por gostar bastante dele. Não é um filme muito fácil de se seguir, ele possui um ritmo lento e certas coisas demoram para acontecer, algumas cenas se arrastam, mas não receiem porque tudo isto favorece a história, parece que o realizador montou cuidadosamente todas as peças do seu puzzle e o resultado é bastante positivo. Podemos contar ainda com uma banda sonora nauseante, no bom sentido, claramente, são melodias que penetram directamente nos nossos ouvidos e nos estremecem suavemente os tímpanos. O filme tem ainda um forte clima de tensão e todo um ambiente sombrio, duas coisas que também o favorecem bastante, penso mesmo que todos os factores foram muito bem trabalhados de forma a que tudo saísse bem na conclusão final. No papel principal, encontramos um excelente Jon Bernthal que tem aqui a melhor prestação do filme, o actor fez tão bem o seu trabalho e compôs tão bem o seu personagem que quem vê a fita, fica a torcer por ele o tempo todo. Como vilão principal, Christopher Abbott vai bem nesse registo, chega a ser temível em alguns momentos. Na componente feminina, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt e Odessa Young têm personagens boas e que servem na perfeição de auxílio ao protagonista, com destaque para a terceira que, em conjunto com o personagem principal, possuem as cenas mais emotivas do longa. A sequência de abertura no café é poderosa e fria. É um filme forte e é um thriller que, para quem gosta do género, não o deixará indiferente.


War For The Planet Of The Apes

Nome do Filme : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Inglês : “War For The Planet Of The Apes”
Titulo Português : “Planeta dos Macacos : A Guerra”
Ano : 2017
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Matt Reeves
Produção : Amanda Silver/Peter Chernin/Dylan Clark/Rick Jaffa
Elenco : Andy Serkis, Woody Harrelson, Amiah Miller, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria, Judy Greer, Sara Canning, Devyn Dalton, Aleks Paunovic, Alessandro Juliani, Max Lloyd Jones, Timothy Webber, Roger Cross, Chad Rook, Mercedes De La Zerda.

História : Caesar e o seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel.

Comentário : Uma coisa curiosa sobre esta trilogia é que, a cada novo filme eles melhoram sempre e em nada ficam a dever ao filme anterior. Sim, eu gostei bastante deste filme, mas também tenho que confessar que fiquei desiludido com a conclusão que deram à história. A nível técnico, este filme é quase perfeito, os efeitos especiais e a concepção de criaturas (macacos) são do melhor desde “Avatar” e Andy Serkis já devia ter recebido um prémio a sério por este tipo de desempenhos, eu adoro o seu Caesar, um dos meus personagens de computação preferidos. Os macacos deste filme parecem reais, tal não foi a maneira como esta técnica evoluiu. Amiah Miller tem uma presença angelical, eu adorei a sua Nova. O filme possui momentos muito bons e cenas espectaculares. No entanto, existe aqui uma coisa fulcral que julgo ter sido o motivo pelo qual eu me desiludi com este filme.

O realizador tinha duas opções a dada altura : avançar para o lado da guerra aberta ou se direcionar para a componente dramática, como pudemos ver, ele escolheu a segunda via, e eu achei isso muito bem. Mas na minha opinião, essa segunda via não foi muito bem trabalhada, por exemplo, quase metade do longa decorre na base do coronel com cenas que enrolam e enrolam, sem nada adiantar para o todo. Eles andam ali às voltas, com clichés vários que costumam existir neste tipo de produções, em vez de nos mostrar outras coisas e algo novo, por exemplo, podiam nos dar mais sobre o modo de vida dos macacos ou terem desenvolvido e aprofundado mais a relação de Nova com os quatro macacos que a encontram. Outros exemplos, não faz sentido Caesar ir sozinho enfrentar a base do coronel; não faz sentido o coronel aparecer de madrugada na base dos macacos para enfrentar Caesar; não faz sentido o coronel ter macacos a ajudar os seus homens a combater; não faz sentido nenhum os soldados terem capturado todos os macacos que tinham fugido para outras paragens; não faz sentido o final dado a Caesar, depois de o terem salvo das explosões na base dos humanos. Enfim, penso mesmo que foram pelo caminho errado e concluíram mal esta trilogia. Mas lá está, trata-se de um filme muito bom, eu gostei de o ter visto, mas esperava algo mais adulto, dramático e consistente. Mas no geral, é uma excelente trilogia. 


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Fortunata

Nome do Filme : “Fortunata”
Titulo Inglês : “Fortunata”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Sergio Castellitto
Produção : Viola Prestieri
Elenco : Jasmine Trinca, Nicole Centanni, Stefano Accorsi, Alessandro Borghi, Edoardo Pesce, Emanuela Aurizi, Demetra Avincola, Liliana Fiorelli, Awa Ly, Valeria Nardilli, Jacelyn Parry, Alvia Reale, Rosa Diletta Rossi, Hanna Schygulla, Gianluca Spaziani.

História : Fortunata é uma mãe solteira vivendo numa situação extremamente complicada e assombrada por um casamento fracassado. Como forma de mudar de vida, ela precisa lutar por seu sonho : abrir um salão de cabeleireiro desafiando o seu próprio destino, numa tentativa de emancipar-se e adquirir a sua independência e felicidade. Pelo meio, ela terá ainda que lidar com todo o processo de criar uma filha sozinha, algo que não vem com manual de instruções.

Comentário : Esta noite vi este filme italiano que está bastante aceitável. O realizador é muito conhecido no mundo do cinema e eu confesso até que gosto de alguns trabalhos dele, seja na função de director ou até enquanto actor. O filme foca bastante a condição da mulher, que é quase sempre retratada como alguém fraco e carenciado, maltratada pelo marido e sempre em busca de uma vida melhor para si e para os seus filhos. Basicamente é isso que temos aqui, o filme foca esses aspectos, Fortunata é separada do marido, um homem violento e que nunca perde uma oportunidade de humilhar a coitada e de infernizar a sua vida. No papel de marido abusador, Edoardo Pesce fez um bom trabalho, o seu personagem consegue ser odioso. Gostei igualmente do personagem do actor Stefano Accorsi, ele surge quase como um anjo na existência da protagonista, mas acaba por interferir demais na sua vida. Mas quem merece todos os méritos é claramente a nossa personagem principal, Fortunata, que é aqui interpretada de forma excelente por Jasmine Trinca, que até ganhou o prémio de melhor actriz no festival de Cannes. Gostei muito do trabalho que ela fez neste filme, a mulher é uma espécie de alicerce principal desta obra dramática. Vale ainda frisar que a pequena Nicole Centanni também está de parabéns, ela desempenhou na perfeição a filha da protagonista e a empatia entre as duas funcionou muito bem. Já o actor Alessandro Borghi faz de alguém bem irritante, eu detestei o seu personagem. Infelizmente, o filme acaba mal, fica-se sem saber três coisas essenciais que foram alimentadas durante noventa minutos e que depois ficam sem qualquer tipo de acabamento. É um filme que vive muito dos seus personagens. Um último reparo, temos uma sequência envolvendo a protagonista e alguns golfinhos que é muito bonita.

Mudbound

Nome do Filme : “Mudbound”
Titulo Inglês : “Mudbound”
Titulo Português : “Mudbound – As Lamas do Mississipi”
Ano : 2017
Duração : 134 minutos
Género : Drama
Realização : Dee Rees
Produção : Dee Rees
Elenco : Garrett Hedlund, Carey Mulligan, Jason Clarke, Rob Morgan, Jonathan Banks, Jason Mitchell, Piper Blair, Elizabeth Windley, Mary J. Blige, Kerry Cahill, Lucy Faust, Samantha Hoefer, Kelvin Harrison Jr., Henry Frost, Dylan Arnold, Geraldine Singer, Kennedy Derosin, Claudio Laniado, Charley Vance.

História : Após a Segunda Guerra Mundial, uma mulher luta para manter a fé no empreendimento fracassado do marido.

Comentário : Trata-se de um filme de época muito bem conseguido que aborda as histórias de duas famílias, a dos brancos que é também a principal e uma outra composta por negros, as duas acabam por se interligar. Visualmente muito bonito, o filme passa-se no final da Segunda Guerra Mundial. Aqui é focada a guerra, a vivência rural e respectivas dificuldades, o racismo em geral. É uma obra violenta, principalmente na última meia hora, mas é uma violência necessária para que algumas pessoas saibam como eram tratados os negros naquela altura, se ainda hoje o racismo é um problema, imaginem há setenta anos. Trata-se de um filme dramático, mas podia também ser histórico, afinal, muitas das coisas vistas aqui aconteceram naquela altura. Do lado masculino, os destaques vão para Garrett Hedlund, Jason Clarke, Rob Morgan e Jason Mitchell, os quatro possuem aqui interpretações muito boas, cada um à sua maneira, eles conseguiram fazer com que quem os visse representar os seus papéis, não perdesse o interesse nos seus personagens. Do lado feminino, Carey Mulligan e Mary J. Blige estiveram muito bem, as duas têm aqui personagens bem interessantes, a primeira continua a ser uma das minhas actrizes preferidas, enquanto que a segunda me surpreendeu imenso, confesso que não esperava grande coisa dela, mas fiquei de queixo caído. O guarda-roupa está impecável, as paisagens são lindas e é uma fita que quase nos transporta para aquela época complicada. Como pontos negativos, o filme é muito longo, as cenas da guerra, por exemplo, podiam ter sido cortadas porque não têm interesse nenhum e não acrescentam nada ao todo. Este filme poderá ter algumas indicações aos óscars, penso eu.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Newness

Nome do Filme : “Newness”
Titulo Inglês : “Newness”
Ano : 2017
Duração : 117 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Drake Doremus
Produção : Drake Doremus/Ridley Scott
Elenco : Laia Costa, Nicholas Hoult, Danny Huston, Courtney Eaton, Matthew Gray Gubler, Pom Klementieff, David Selby, Amanda Serra, Jessica Henwick, Elsa Cocquerel, Daniel Zovatto, Eric Edelstein, Kai Lennox, Eva Ceja, Tom Stokes, Emily Ruhl, Maya Stojan, Lianna Swearingen.

História : Gabriela Silva e Martin Hallock são dois jovens que se conhecem através de um programa de encontros online e que iniciam um estranho relacionamento que poderá ser prejudicial para ambos.

Comentário : Na noite passada vi este filme que mistura de forma eficaz a componente dramática com o romance e o resultado foi algo que me agradou bastante, tudo porque não tinha depositado nenhuma expectativa numa fita cuja existência eu desconhecia por completo. Tendo sido uma agradável surpresa, confesso que temos aqui uma história de amor algo peculiar e estranha, mas nem por isso inédita nos dias que correm. Possuidores de boas prestações, Nicholas Hoult e Laia Costa representam um casal que se conhece através do telemóvel e que combina uma espécie de relacionamento em que ambos podem se envolver com outros parceiros desde que contem um ao outro as suas experiências, uma relação aberta portanto. Hoje em dia, já assistimos a quase tudo no que aos relacionamentos amorosos diz respeito e o caso deste filme acaba mesmo por ser cliché, assim à memória vem a conhecida prática de troca de casais, embora no caso desta película, as coisas vão um pouco mais além. É uma história agradável e que se segue muito bem ao longo de quase duas horas, o ser humano é capaz de coisas bem estranhas, seja para ter prazer ou simplesmente para experimentar coisas novas. As pessoas estão quase sempre abertas a ter novas experiências, no fundo, este filme também trabalha essa questão. Gabriela e Martin são personagens bem complicadas, ela é livre e corajosa, enquanto que ele é detentor de um passado menos bom e mais reservado. Mas são duas personagens que funcionam muito bem, mesmo quando discutem. Apesar de não ter gostado muito do final atribuído ao casal protagonista, confesso ter gostado bastante do filme no geral. Por último, tenho que dizer que Laia Costa (primeira foto em baixo) é uma mulher muito bonita e muito interessante. 


November Criminals

Nome do Filme : “November Criminals”
Titulo Inglês : “November Criminals”
Ano : 2017
Duração : 86 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Sacha Gervasi
Produção : Erika Olde/Beth O'Neil/Marc Bienstock/Ara Keshishian/Steven Rales
Elenco : Chloe Grace Moretz, Ansel Elgort, David Strathairn, Catherine Keener, Terry Kinney, Danny Flaherty, Cory Hardrict, Philip Ettinger, Tessa Albertson, Victor Williams, Karina Deyko, Noel Ramos, Brianne Brozey, Jared Kemp, Adrian Mompoint, David Boston.

História : Addison é um jovem prestes a terminar o ensino secundário que vive atormentado pela perda da mãe que falecera. Um dia, quando um amigo é assassinado no local de trabalho, Addison decide iniciar uma investigação por conta própria, ignorando os riscos que daí poderão surgir.

Comentário : Sinceramente, não entendo as fracas classificações que este filme tem tido. Pessoalmente, confesso ter gostado do filme, é uma obra bastante aceitável e tudo bem que a história não é nova e muito menos original, mas a forma como as coisas se desenrolam desperta o interesse e eu senti-me totalmente concentrado no que estava a ver. Portanto, estamos perante um filme interessante, com uma história cativante, com personagens que nos fazem zelar por elas e que ajudam a ficarmos desejosos por sabermos o final. David Strathairn e Catherine Keener, dois bons actores, vão bem nos seus papéis, eles desempenham os pais do casal protagonista, ou melhor, enquanto que o primeiro é pai do jovem, a segunda é mãe da miúda que ele namora. No papel do rapaz protagonista, encontramos um Ansel Elgort bastante competente, o jovem actor faculta-nos um personagem ciente do seu passado, embora nem sempre consciente das consequências de algumas das suas atitudes, no entanto, a interpretação está ok, ele é alguém fácil de entender. Já Chloe Grace Moretz está bem no seu papel, mas confesso que já a vi fazer bem melhor em outros registos. É de frisar que a química entre os dois jovens resulta muito bem, é um deleite vê-los a contracenar, tanto como personagens como enquanto actores. Podemos contar com um twist muito interessante envolvendo uma personagem feminina e uma mochila com droga. Infelizmente, os inimigos não convencem, se numa hora eles parecem muito perigosos e capazes dos piores actos, noutra hora isso cai por terra e chegam a ser patéticos. Mas o filme é eficaz, gostei.


Woodshock

Nome do Filme : “Woodshock”
Titulo Inglês : “Woodshock”
Titulo Português : “Woodshock”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Kate Mulleavy/Laura Mulleavy
Produção : Michael Costigan/Ken Kao/Ben LeClair/K. K. Barrett
Elenco : Kirsten Dunst, Joe Cole, Pilou Asbaek, Jack Kilmer, Steph DuVall, Susan Taylor, Joel McCoy, Michael Pavlicek.

História : Devastada pela morte da mãe, Theresa sente-se incapaz de reassumir o controlo da sua vida. Numa tentativa de anestesiar a dor, toma uma potente droga derivada da canábis em conjunto com outra substância. A partir desse momento, entra numa espécie de torpor que se transforma numa alucinação descontrolada que a torna incapaz de distinguir a realidade da fantasia.

Comentário : Este filme podia ter sido muito mais do que realmente foi, não é mau, mas também não é grande coisa. Diria que o principal pilar deste filme chama-se Kirsten Dunst e é a ela que se deve o melhor da fita em questão. A actriz em causa tem aqui a interpretação mais pessoal e íntima da sua carreira, ela entregou-se totalmente ao papel que lhe foi cuidadosamente atribuído pelas realizadoras e o resultado está à vista, sublime. Ela convence-nos que a sua Theresa é uma mulher atormentada pelos acontecimentos da vida e faz-nos sentir essa dor, esse estado de alma, é uma personagem muito rica, portanto. Não gostei da banda sonora, mas apreciei muito bem a fotografia e os efeitos visuais em algumas cenas. Também não gostei das personagens secundárias e das prestações dos respectivos actores que lhes dão vida, pareceu-me tudo muito artificial, foi como se eles estivessem a fazer um enorme favor em ter participado no filme. Algumas imagens são muito bonitas, por exemplo, aquelas árvores centenárias são deslumbrantes e impõem respeito. A cena da levitação final da protagonista é linda, eu adorei. A sequência do ferro de engomar também merece destaque. Claro que algumas coisas ficaram por perceber, por exemplo, porque motivo a droga que servia para tratar a mãe doente da personagem principal, provocava alucinações à filha. Outras duas ou três questões também não tiveram qualquer tipo de tratamento. É um filme que vive sobretudo às custas e por causa de Kirsten Dunst enquanto personagem e actriz, o filme pertence-lhe a todos os níveis.

Belarmino

Nome do Filme : “Belarmino”
Titulo Inglês : “Belarmino”
Titulo Português : “Belarmino”
Ano : 1964
Duração : 72 minutos
Género : Documentário/Biográfico/Drama
Realização : Fernando Lopes
Produção : António da Cunha Telles
Elenco : Belarmino Fragoso, Maria Amélia Fragoso, Ana Paula Fragoso, Maria Teresa de Noronha, Jean Pierre Gebler, Bernardo Moreira, Júlia Buisel, Albano Martins.

História : A história e a vida de Belarmino Fragoso, um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a fazer biscates, entre eles, a engraxar sapatos nas ruas de Lisboa.

Comentário : Belarmino é o retrato de um lutador de boxe, antigo campeão que ganha a vida a engraxar sapatos. É um filme sobre a solidão, o medo e a derrota. Mostra ainda o lado social de uma cidade : Lisboa. Uma cidade muito diferente da Lisboa das “comédias portuguesas”. Fernando Lopes filmou, com enormes restrições orçamentais, a vida de um pugilista que conheceu algum sucesso nos anos 60, tendo mesmo combatido no estrangeiro, mas logo regressou à miséria do “bas-fond” lisboeta. Gostei bastante deste filme e o mais engraçado foi o facto de que até à pouco tempo (meses) eu desconhecia a existência deste homem, deste desportista, tendo significado uma enorme surpresa para mim. Também gostei de ter visto um pouco da minha Lisboa de antigamente, reconheci alguns locais, outros nem por isso, mas é uma grande e linda cidade, não há dúvidas. Este filme, além de ser uma mistura de documentário com biografia, consegue ser também uma entrevista a um homem cuja maneira de ser, assemelha-se a muitos homens daquela época, um homem que passou por muitas dificuldades na vida. Através deste filme, podemos verificar que se vivia muito mal naquela altura, a maior parte das pessoas chegavam mesmo a passar fome. Era difícil arranjar algum dinheiro, só mesmo tendo um emprego certo. Eu diria mesmo que este filme mostra um lado do nosso país desconhecido para muitos e é um prazer descobri-lo. E temos que agradecer a Belarmino Fragoso por ter aceite partilhar uma parte da sua vida connosco. Neste filme, vemos também que muitos homens daquela época ganhavam a vida a engraxar sapatos pelas ruas e avenidas de Lisboa, enfim, uma triste realidade. Belarmino Fragoso nasceu a 15 de Junho de 1931 e faleceu em 19 de Abril de 1982. 


sábado, 25 de novembro de 2017

The Death Of Louis XIV

Nome do Filme : “La Mort de Louis XIV”
Titulo Inglês : “The Death Of Louis XIV”
Titulo Português : “A Morte de Luís XIV”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Albert Serra
Produção : Albert Serra/Thierry Lounas/Claire Bonnefoy/Joaquim Sapinho
Elenco : Jean-Pierre Leaud, Patrick D'Assumçao, Marc Susini, Bernard Belin, Irene Silvagni, Vicenç Altaio, Jacques Henric, Alain Lajoinie, Adrian Dunarintu, Francis Montaulard, Jacques Bontemps, Gabriel Wanner, Paul Menand, John Baille, François Bosselut, Philippe Dion, Jeanette Chevalier, Elodie Castelain, Mael Mersch, Hayarpi Saint Jal, Aksil Meznad, Clara Creus.

História : Em agosto de 1715, ao regressar de um longo passeio, Louis XIV sente uma dor aguda na perna esquerda. Durante os dias seguintes, o Rei continua a cumprir os seus deveres e obrigações, mas as suas noites vão-se tornando cada vez mais agitadas e a febre vence. O Rei mal come e vai enfraquecendo progressivamente vendo-se assim, rodeado pelos seus fiéis seguidores e pelos seus médicos, em completa agonia.

Comentário : Visualmente belíssimo e tudo graças a uma cuidada fotografia, este filme é baseado em factos verídicos e funciona ainda como uma biografia dos últimos dias do Rei Louis XIV. Adornado de cenas muito bonitas, o filme foca-se no protagonista, o Rei, e nos seus seguidores, com a camara quase sempre colada e fixada nos seus rostos. Assim, acompanhamos os últimos dias do Rei e o progressivo piorar do seu estado de saúde num lento processo de agonia, que funcionou graças à excelente prestação do actor Jean-Pierre Leaud, que é o melhor da fita. O realizador Albert Serra continua assim com o seu método muito próprio de filmar e de nos contar histórias e neste caso, não recomendo o filme aqueles espectadores que não gostam de fitas com ritmo lento, porque aqui tudo nos é contado e mostrado muito devagar, mas ainda assim é tudo muito interessante. Apesar do ritmo lento, eu nunca perdi a atenção nem o interesse daquilo que se estava a passar diante dos meus olhos. Confesso que desconhecia a história deste Rei e que gostei de ter ficado a saber esta parte da sua vida, ou do seu final de vida. As últimas cenas são nojentas e dispensáveis, senti que não acrescentaram nada à história, podiam ter terminado quando o “braço-direito” do Rei anunciou a sua morte. Gostei muito dos cães do Rei e senti falta de uma personagem feminina marcante e de peso. O guarda roupa e a caracterização dos personagens mereciam um prémio. Um filme diferente mas belo, que dificilmente agradará à maioria, mas que não fiquem dúvidas de que isto é cinema.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Fort Bliss

Nome do Filme : “Fort Bliss”
Titulo Inglês : “Fort Bliss”
Titulo Português : “Laços de Família”
Ano : 2014
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Claudia Myers
Produção : Claudia Myers
Elenco : Michelle Monaghan, Oakes Fegley, Ron Livingston, Juan Gabriel Pareja, Pablo Schreiber, Emmanuelle Chriqui, Dash Mihok, Freddy Rodriguez, Gbenga Akinnagbe, John Savage, Manolo Cardona, Michael Sirow, Richard Dimaio, Luis Bordonada, Drew Garrett.

História : Após passar um longo período no Afeganistão, uma médica do exército dos Estados Unidos se esforça para reconstruir o relacionamento com o seu filho pequeno.

Comentário : Quantas vezes assistimos a filmes que mostram homens na guerra a combater enquanto que as mulheres ficam sozinhas com os filhos pequenos a cuidar deles e da casa. Pois bem, neste filme passa-se o contrário, é o marido que está em casa a cuidar do filho enquanto que a mulher se alistou no exército e vai mesmo para a frente de combate, correndo o risco de morrer a qualquer momento. Claro que no filme em questão a situação é um pouco diferente, já que o marido está temporariamente separado da mãe do filho, tendo até uma nova companheira que o ajuda a criar o menino e a colmatar a falta da mãe ausente. É um drama intenso sim, aqui as emoções estão ao rubro e os sentimentos falam bem alto. Temos não só a melhor interpretação da actriz Michelle Monaghan até à data, como também uma excelente prestação por parte do pequeno Oakes Fegley e a empatia entre os dois nota-se e sente-se a cada momento que contracenam juntos. Temos várias prestações masculinas à altura do exigido para os seus papéis e a sequência final comove. A realizadora faz assim um bom trabalho num filme que questiona e coloca em causa o papel da mulher enquanto esposa, na função laboral e também enquanto mãe na criação e educação dos filhos. Um filme que nos põe a pensar naquilo que andamos a fazer neste mundo, sobre o nosso papel na sociedade e também como devemos agir face aos que estão dependentes de nós. Gostei. 

domingo, 19 de novembro de 2017

De Jueves A Domingo

Nome do Filme : “De Jueves A Domingo”
Titulo Inglês : “Thursday Till Sunday”
Titulo Português : “De Quinta A Domingo”
Ano : 2012
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Argumento : Dominga Sotomayor
Realização : Dominga Sotomayor
Produção : Benjamin Domenech/Gregorio Gonzalez
Elenco : Francisco Perez Bannen, Paola Giannini, Santi Ahumada, Emiliano Freifeld, Jorge Becker, Axel Dupre, Belen Celedon, Ana Lopez, Damian Hassler, Francisca Castillo.

História : Duas crianças viajam com os seus pais de Santiago até ao norte do Chile, passando quatro dias juntos. A solidão da paisagem de estrada e do campo e o confinamento do carro ajudam a trazer à tona os problemas do casal. O relacionamento é todo visto do banco de trás de um mazda 929. Assim, as crianças percebem que essa pode ser a despedida do pai, e também a última viagem dos quatro em família.

Comentário : Boa noite pessoal, com este filme regresso assim ao cinema de qualidade, aos filmes a sério, aquilo que define o cinema enquanto arte adorada por muita gente. Acabei de chegar da rua e da visualização de um dos piores filmes do ano, optando por ver um filme a sério, que apesar de ter uns anos, respira cinema por todos os poros. Apesar de simples, a história deste filme podia ser baseada em factos reais, as situações aqui trabalhadas e mostradas parecem bem reais. Trata-se de um excelente road-movie que tem o vento como uma das principais personagens, senão veja-se, como esse elemento da natureza brinca com os cabelos da nossa menina, a protagonista. O filme já começa bem, ele mostra a família do ponto de vista interior de uma das divisões da casa, eles estão a preparar o carro para a grande viagem de quatro longos e importantes dias. É um filme muito bem filmado e que respira vida, na verdade, ele mostra uma forma de viver muito peculiar e essencial. Mostra como certas pessoas sabem viver e tirar partido das coisas boas e simples da vida, o acto de viajar surge assim em destaque e o carro deles acaba também por se tornar numa personagem importante do filme.

No centro da trama, temos um casal que faz uma viagem de poucos dias com os dois filhos menores, Lúcia e Manuel, sendo o filme basicamente visto e vivido da perspectiva da miúda. Apesar dos quatro elementos da família terem o seu devido tempo de antena onde são desenvolvidos, Lúcia é a grande protagonista. O filme possui uma banda sonora com temas muito bonitos, de destacar a canção “Coração de Poeta” que é aqui cantada por Lúcia e o tema musical muito bonito que encerra o filme e abre os créditos finais. A realizadora fez assim um excelente trabalho, mostrando somente o que é necessário sobre os quatro elementos da família, e os actores que os interpretam tiveram excelentes prestações, com destaque claro para a pequena Santi Ahumada que tem na sua Lúcia a melhor coisa do filme, a miúda é a alma deste projecto. Gostei imenso de acompanhá-los naquela viagem e da interacção dos quatro com os viajantes que os iam encontrando pelo caminho. Tudo pareceu real e verdadeiro, tal como a vida. Excelente filme vindo da Holanda e do Chile, do melhor que já vi, adorei.


Loveless

Nome do Filme : “Nelyubov”
Titulo Inglês : “Loveless”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Andrey Zvyagintsev
Produção : Sergey Melkumov/Alexander Rodnyansky/Gleb Fetisov
Elenco : Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Varvara Shmykova, Matvey Novikov, Daria Pisareva, Yanina Hope, Andris Keiss, Aleksey Fateev, Maxim Stoianov, Marina Vasilyeva.

História : Como se já não bastassem os problemas conjugais que os colocaram à beira do divórcio, um casal tem ainda que lidar com o desaparecimento do filho menor.

Comentário : Que impressão me fez este filme, realmente não há amor entre estas pessoas. Vindo de um realizador que já nos deu filmes muito bons, surge-nos agora este “Loveless”, o seu novo trabalho que fala disso mesmo, da falta de amor e de sentimentos entre familiares. É uma obra fria, dura e cruel que acaba por nos dar um valente murro no estômago de tão realista que é. Um marido e uma mulher que não se amam e parece que nunca se amaram; uma mãe que nunca deu amor à filha e fez com que esta não gostasse dela; uma avó que não liga a mínima para o neto; um pai e uma mãe que não se preocupam com o filho menor e parece até que não gostam dele; pessoas que mostram uma total indiferença face a uma tragédia. Todas estas situações são aqui muito bem trabalhadas e mostradas por um director que sabe contar histórias e que sabe transmitir ao público as sensações que as suas personagens sentem, conseguindo passá-las para fora do ecrã. As atitudes destes pais face à vida do filho incomodam e mais incomoda ainda o facto de nós sabermos que estas situações existem de verdade por esse mundo fora. O que realmente aconteceu ao menino desaparecido nunca é revelado nem mostrado, mas a sequência final alusiva a essa questão principal causa em nós um impacto profundo. A última cena do pai do menino mostra bem a índole daquele homem enquanto que a última cena da mãe do menino também evidencia a frieza de uma mulher que nunca devia ser mãe. Por último, temos um menino que teve muito azar em ter calhado com aqueles pais. Um filme que mostra bem que certas pessoas não valem nada. 

Beach Rats

Nome do Filme : “Beach Rats”
Titulo Inglês : “Beach Rats”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Eliza Hittman
Produção : Brad Becker Parton/Andrew Goldman/Drew Houpt/Paul Mezey
Elenco : Harris Dickinson, Madeline Weinstein, Kate Hodge, Nicole Flyus, Neal Huff, Frank Hakaj, David Ivanov, Anton Selyaninov, Harrison Sheehan, Douglas Everett Davis, Gabriel Gans, Erik Potempa, Kris Eivers, Stephen Brantley, Giovanna Salimeni, Victoria Mattos, Lindajean Milioto.

História : Frankie é um adolescente que passa os dias sem fazer nada e as noites arranjando encontros online com homens.

Comentário : Tratando-se de uma obra que se podia basear em factos verídicos, estamos perante um filme duro que vai direito ao cerne da questão da inutilidade absoluta da vida de certos adolescentes por esse mundo fora, que ocupam o tempo na inércia e recorrem às drogas para sentirem algo de compensador, face à porcaria de vida que possuem. O filme foca ainda temas como o bullying, a violência na adolescência e a homossexualidade. A realizadora tratou bem estes temas e se formos a ver as coisas por aquilo que assistimos na peça, nem parece uma obra filmada e escrita por uma mulher. Não é um filme fácil de assistir por causa das cenas gay, embora “O Desconhecido do Lago” seja bem pior nesse aspecto. Acompanhamos assim o quotidiano de um adolescente problemático que esconde de tudo e todos que mantém encontros sexuais com homens adultos e que, através deles, consegue prazer, dinheiro e droga. Na realidade, bastava a mãe dele ser mais atenta e facilmente descobria esse segredo do filho. Ele tem também uma irmã mais nova que já namora, mas com esta, a mãe deles nem implica. No papel principal, encontramos um muito competente Harris Dickinson, ele entrega-se totalmente ao papel, as cenas de sexo gay são realistas, para além da sua prestação ser bastante convincente. Em papéis femininos de relevância, temos Madeline Weinstein (a namorada), Kate Hodge (a mãe) e Nicole Flyus (a irmã), as três com boas prestações e com a devida importância para a história. É um filme simples, mas que vai directo ao foco das questões.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

47 Meters Down

Nome do Filme : “47 Meters Down”
Titulo Inglês : “47 Meters Down”
Titulo Português : “47 Metros de Terror”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Drama/Terror
Realização : Johannes Roberts
Produção : James Harris/Mark Lane
Elenco : Mandy Moore, Claire Holt, Matthew Modine, Chris Johnson, Yani Gellman, Santiago Segura.

História : Durante uma viagem, duas irmãs decidem aventurar-se num mergulho para observar de perto os tubarões, mas tudo corre terrivelmente mal quando o cabo que prendia a jaula de observação ao barco se parte e ambas ficam presas no fundo do mar. Com enormes tubarões próximos da jaula e com botijas de oxigénio para apenas uma hora, as duas raparigas terão de descobrir uma maneira de atravessar toda aquela água para chegar ao barco acima delas.

Comentário : Mais um filme bastante tenso e aflitivo que eu tive a oportunidade de ver e embora tenha gostado, o filme não é nada de especial. Dentro deste género, gostei bem mais do bastante aceitável “The Shallows” de Jaume Collet-Serra. O vilão aqui são três grandes tubarões que passam a vida a nadar perto da jaula onde as duas protagonistas estão presas no fundo do mar. Como já disse, trata-se de um filme bem aflitivo e não aconselhável a pessoas que tenham medo de grandes quantidades de água, aliás, água é coisa que não falta por aqui. O filme mostra uma actividade que é muito usual, pessoas que gostam de mergulhar para verem a natureza. Se uma das irmãs está firme em embarcar naquela aventura, já a outra não está tão segura e muitas vezes hesita. Não se percebe porque motivo ela vai mesmo participar naquilo, se não está disposta a fazê-lo. Claro que a dada altura, as coisas pioram e não esperem uma situação fácil, porque a vida das raparigas vai complicar e muito. No papel das irmãs, Mandy Moore e Claire Holt estão muito bem, elas têm boas prestações e são bem carismáticas. Existe uma situação que não bate muito certo, a mim pareceu-me um erro de argumento, mas enfim, não quero explorar muito essa questão. Temos também uma evolução da situação que vai numa direcção, para depois ser desmentida através de uma espécie de twist, que nos mostra uma outra situação, a verdadeira. Pessoalmente, gostei desse truque narrativo. No fundo, é um filme apenas razoável, já foi feito bem melhor em outras fitas. Por exemplo, o filme “12 Feet Deep” é bem melhor.