quarta-feira, 15 de novembro de 2017

47 Meters Down

Nome do Filme : “47 Meters Down”
Titulo Inglês : “47 Meters Down”
Titulo Português : “47 Metros de Terror”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Drama/Terror
Realização : Johannes Roberts
Produção : James Harris/Mark Lane
Elenco : Mandy Moore, Claire Holt, Matthew Modine, Chris Johnson, Yani Gellman, Santiago Segura.

História : Durante uma viagem, duas irmãs decidem aventurar-se num mergulho para observar de perto os tubarões, mas tudo corre terrivelmente mal quando o cabo que prendia a jaula de observação ao barco se parte e ambas ficam presas no fundo do mar. Com enormes tubarões próximos da jaula e com botijas de oxigénio para apenas uma hora, as duas raparigas terão de descobrir uma maneira de atravessar toda aquela água para chegar ao barco acima delas.

Comentário : Mais um filme bastante tenso e aflitivo que eu tive a oportunidade de ver e embora tenha gostado, o filme não é nada de especial. Dentro deste género, gostei bem mais do bastante aceitável “The Shallows” de Jaume Collet-Serra. O vilão aqui são três grandes tubarões que passam a vida a nadar perto da jaula onde as duas protagonistas estão presas no fundo do mar. Como já disse, trata-se de um filme bem aflitivo e não aconselhável a pessoas que tenham medo de grandes quantidades de água, aliás, água é coisa que não falta por aqui. O filme mostra uma actividade que é muito usual, pessoas que gostam de mergulhar para verem a natureza. Se uma das irmãs está firme em embarcar naquela aventura, já a outra não está tão segura e muitas vezes hesita. Não se percebe porque motivo ela vai mesmo participar naquilo, se não está disposta a fazê-lo. Claro que a dada altura, as coisas pioram e não esperem uma situação fácil, porque a vida das raparigas vai complicar e muito. No papel das irmãs, Mandy Moore e Claire Holt estão muito bem, elas têm boas prestações e são bem carismáticas. Existe uma situação que não bate muito certo, a mim pareceu-me um erro de argumento, mas enfim, não quero explorar muito essa questão. Temos também uma evolução da situação que vai numa direcção, para depois ser desmentida através de uma espécie de twist, que nos mostra uma outra situação, a verdadeira. Pessoalmente, gostei desse truque narrativo. No fundo, é um filme apenas razoável, já foi feito bem melhor em outras fitas. Por exemplo, o filme “12 Feet Deep” é bem melhor. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Super Dark Times

Nome do Filme : “Super Dark Times”
Titulo Inglês : “Super Dark Times”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Kevin Phillips
Produção : Edward Parks/Richard Peete/Jett Steiger
Elenco : Owen Campbell, Charlie Tahan, Elizabeth Cappuccino, Adea Lennox, Max Talisman, Sawyer Barth, Amy Hargreaves, Ethan Botwick, Justin Rose, Samantha Jones, Anni Krueger.

História : Os adolescentes Zach e Josh são amigos desde a infância, mas um acontecimento vai alterar profundamente a relação dos dois.

Comentário : Quando se misturam dois géneros cinematográficos, as coisas nem sempre funcionam. No caso deste filme independente, a fusão do drama com o thriller resultou e temos uma fita bastante competente e que nos faculta pouco mais de hora e meia de uma história inquietante e algo perturbadora. Fiquei igualmente surpreendido com a imagem do filme, pareceu-me estar a ver algo dos anos noventa, nem parecia uma fita deste ano. A dada altura do longa, assistimos a algo que se passa entre quatro rapazes, esses acontecimentos vão originar todo um despertar de ações e as coisas nunca mais serão as mesmas. O clima de tensão acompanha todo o filme, o realizador deixa-nos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. E isso foi o mais interessante, nós nunca sabemos e nem desconfiamos do que os personagens principais vão fazer cena após cena, ou seja, o filme nunca é previsível. O filme foca o quanto irresponsáveis e cruéis podem ser os jovens. O tema principal é a amizade, neste caso entre dois rapazes que se conhecem há alguns anos e que possuem um relacionamento coeso entre eles. É também uma obra violenta e possuidora de um ritmo lento. Os jovens actores Owen Campbell e Charlie Tahan estão bem nos seus papéis e dão credibilidade aos seus personagens, embora eu tenha gostado mais da prestação do primeiro. Elizabeth Cappuccino está impecável no papel da única personagem feminina de jeito do filme inteiro. Estes três personagens funcionam bem tanto em conjunto quanto individualmente. É um filme muito interessante.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Good Time

Nome do Filme : “Good Time”
Titulo Inglês : “Good Time”
Titulo Português : “Good Time”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller
Realização : Benny Safdie/Josh Safdie
Produção : Sebastian Bear McClard/Oscar Boyson/Terry Dougas/Paris K. Latsis
Elenco : Robert Pattinson, Benny Safdie, Jennifer Jason Leigh, Taliah Lennice Webster, Barkhad Abdi, Peter Verby, Saida Mansoor, Gladys Mathon, Rose Gregorio, Hirakish Ranasaki, Maynard Nicholl, Buddy Duress, Jim Dzurenda, Kate Halpern.

História : Connie e Nick são dois irmãos que assaltam um banco, mas o plano corre mal e o irmão mais novo é detido pelas autoridades. Numa noite, Connie tudo fará para reunir uma grande quantidade de dinheiro, com a finalidade de tirar o mano da prisão.

Comentário : Na noite passada, vi este filme dramático que confesso ter gostado. O filme é realizado pelos irmãos Safdie, que imprimem nos seus filmes um cunho muito autoral. Os dois são responsáveis por filmes como “Go Get Some Rosemary” e “What Heaven Knows”, duas boas obras. O filme também estabelece um facto : ele solidifica Robert Pattinson como sendo um bom actor, sim até custa a crer, mas é verdade. Tendo recebido alguns prémios, este filme nos oferece uma entrada grátis no mundo do crime e, embora não sendo uma obra para todos os públicos, não nos atira à cara uma lição de moral. A banda sonora é aceitável, a fotografia é cativante e apelativa e o ritmo apresenta falhas, repito, adeptos de adrenalina poderão não apreciar a pegada deste filme, ele tem por vezes um ritmo lento no desenvolvimento dos acontecimentos. Tal como disse, esta obra apresenta-nos finalmente um Robert Pattinson bastante competente, o actor possui aqui o melhor desempenho da sua carreira. Apesar do seu personagem fazer coisas erradas, nós simpatizamos com ele. Benny Safdie, um dos realizadores do longa, também interpreta um papel no seu próprio filme, ele faz de irmão mais novo do protagonista, tendo uma prestação muito boa, de frisar que o seu personagem é um homem com problemas mentais. Jennifer Jason Leigh e Barkhad Abdi interpretam bem os seus papéis, mas aparecem tão pouco que não têm grande impacto na trama. A jovem Taliah Lennice Webster tem uma boa prestação de apoio ao protagonista e a química entre os dois é notável. Pode-se dizer que se trata de um filme algo peculiar. 

domingo, 5 de novembro de 2017

Ingrid Goes West

Nome do Filme : “Ingrid Goes West”
Titulo Inglês : “Ingrid Goes West”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Spicer
Produção : Aubrey Plaza
Elenco : Aubrey Plaza, Elizabeth Olsen, O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell, Pom Klementieff, Billy Magnussen, Hannah Utt, Angelica Amor, Meredith Hagner, Charlie Wright, Dennis Atlas.

História : Ingrid Thorburn é uma rapariga algo perturbada com dificuldade em fazer amigos e em manter as amizades, tendo ainda uma estranha paixão pelas redes sociais. Depois de mais um desgosto, ela é sujeita a um tratamento e decide recomeçar a vida, ganhando um incentivo que se traduz em tornar-se amiga de uma pessoa famosa.

Comentário : Hoje tive a sorte de descobrir este pequeno filme independente que confesso ter gostado bastante. Entre outras coisas, este filme serve-se do facto da recente febre das redes sociais e do sucesso rápido, para fazer passar a sua mensagem, que consiste em dar a entender que por vezes somos levados a fazer certas coisas erradas para termos um pouco de fama e sucesso, ou para nos parecermos com alguém e isso é condenável. O filme vem disfarçado de comédia que, mesmo quando o tenta ser, nunca o consegue. Temos sim uma ou outra situação engraçada, mas o cerne da questão é algo muito delicado. Aqui, estamos a lidar com temáticas como a falta de sentimentos, o desprezo humano, a carência de afectividade, a fraca auto-estima, o bullying, a maldade humana, o desprezo por si próprio, a indiferença, o desespero, o suicido, entre outros. É um filme que mistura estes temas todos de uma maneira muito leve, sem lhes fazer justiça, ou seja, sem tratar esses assuntos com a gravidade que eles têm e merecem. Aubrey Plaza é a verdadeira e merecida estrela do filme, além de ser a produtora principal do longa, ela é ainda a protagonista e acaba mesmo por ser a alma do projecto, tendo uma excelente prestação e uma personagem muito rica e complexa a nível humano. Elizabeth Olsen está razoável, mas muito longe do seu verdadeiro potencial, ela já nos facultou mais e melhor em outros filmes e com outros registos. Gostei muito do personagem de O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell só serve de personagem de apoio e Billy Magnussen desempenha muito bem o papel do nojento de serviço. Gostei imenso deste filme por causa da história, mas gostei ainda mais de ter descoberto Aubrey Plaza, actriz que eu desconhecia, adorei o trabalho que ela fez no filme.

Thor : Ragnarok

Nome do Filme : “Thor : Ragnarok”
Titulo Inglês : “Thor : Ragnarok”
Titulo Português : “Thor : Ragnarok”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Comédia/Ação/Aventura/Fantasia
Realização : Taika Waititi
Produção : Kevin Feige
Elenco : Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Tessa Thompson, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Benedict Cumberbatch, Rachel House, Tadanobu Asano, Ray Stevenson, Zachary Levi, Luke Hemsworth, Sam Neill, Taylor Hemsworth, Charlotte Nicdao, Sky Castanho, Matt Damon, Stan Lee, Cohen Holloway, Jasper Bagg, Clancy Brown, Taika Waititi.

História : Thor encontra-se preso, sem o seu martelo poderoso, numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana – que se encontra nas mãos de uma poderosa ameaça, a deusa da morte : Hela.

Comentário : Os blockbusters regressam assim a este espaço, sim, eu vou voltar a comentar cinema comercial aqui com a novidade de que esses comentários não serão mais apagados passados dias, eles ficarão aqui postados, eu decidi isto para dar um novo estímulo ao blog. E para iniciar esta nova fase, venho aqui comentar o novo filme da Marvel, aquele que encerra a trilogia do Thor em beleza. Sim, também é verdade que os dois primeiros filmes não são grande coisa, mas com este terceiro tomo, as coisas nunca mais serão as mesmas para o deus nórdico. Desta vez, a Marvel mudou o tom à coisa e transformou o Thor num personagem cómico e talvez tenha-se prejudicado por causa disso, pois ao alterar a essência dele, fez com que desse uma personalidade ao herói que não corresponde ao que vimos dele em outros filmes. Mas, pelos vistos, a maior parte dos nerds gostaram deste terceiro filme, já que as críticas positivas aumentam e a fita auferiu boas classificações. Chamaram Taika Waititi (Hunt For The Wilderpeople) que é um director muito ligado à comédia, os seus filmes são muito satíricos e cómicos e foi isso que a Marvel quis fazer com esta fita, algo diferente, isto porque o filme é uma comédia e é disso que se trata. 

O principal problema deste filme é que não se leva a sério, é algo diria mesmo descartável, típico filme “pipoca” ou de plástico, de comer e jogar fora. Mas pode-se dizer isso de quase todos os filmes da Marvel e da maioria dos blockbusters, eles só servem para encher os bolsos aos grandes estúdios, fazer dinheiro, é esse o grande e maior objectivo destes filmes. E com este terceiro “Thor”, passa-se o mesmo. Não quero com isto estar a criticar os nerds e os adeptos deste tipo de cinema, mas são filmes vazios de utilidade e com histórias fracas, mas tenho que respeitar os gostos dos outros, é bom haver diversidade. O principal problema dos filmes de super-heróis e da maioria dos blockbusters é terem comédia e piadas que surgem em momentos de grande tensão e em alturas onde não era suposto elas lá estarem. Além disso são filmes para determinados tipos de público. Neste “Thor : Ragnarok”, isso acontece e sucede em grande escala, quase nada aqui é levado a sério. E isso é lamentável, o excesso de comédia faz com que a história que nos pretendem contar e mostrar não tenha qualquer credibilidade. Mas tenho que confessar que, se não levarmos isto muito a sério, a coisa até corre bem e temos duas horas bem passadas. Este é o filme mais longo da trilogia, mas podia não ser, porque o director disse recentemente numa entrevista que adicionaram cenas de maneira a ser mais cómico, aumentando a duração portanto. A Marvel é também perita em filmes longos. Este filme tem duas cenas pós-créditos, uma delas não presta e a outra é um indício do próximo filme dos Vingadores.

Chris Hemsworth volta assim ao papel que o celebrizou, regressa em modo cómico e durante o filme mudam-lhe o visual, aparentemente sem motivo. Do grupo dos Vingadores, ele sempre foi o menos expressivo, mas curiosamente, aqui está melhor. Tom Hiddleston tem no seu Loki o melhor vilão da Marvel e se formos ver bem até pode ser verdade, mas irrita-me o facto do seu personagem estar constantemente a mudar de lado, embora o actor tenha imenso carisma nesse papel. Cate Blanchett tinha tudo para ser o melhor vilão do estúdio, mas infelizmente isso não aconteceu, a actriz até vai bem no papel de Hela, mas é muito limitada e envolta em clichés, tudo já visto em outros blockbusters. No entanto, Cate Blanchett, além de ser uma excelente actriz, é também uma verdadeira senhora, e foi um prazer vê-la neste papel, muito diferente daquilo que estamos habituados a ver dela. Anthony Hopkins aparece no início e no final, ele está muito bem, mas infelizmente aparece pouco, mais uma vez. Mark Ruffalo é a melhor escolha para o papel do Hulk, o actor manda muito bem aqui, além disso, ele deu consistência e credibilidade a alguém que está muito longe de casa, prestação totalmente convincente. Eu gostei muito do Hulk deste filme.

Tessa Thompson é, na minha opinião, a personagem mais interessante do filme, além de ter gostado bastante da prestação da actriz, confesso que me diverti muito com ela, já para não falar do facto dela ser uma mulher linda. Nota igualmente positiva para a relação inédita que mostraram entre o Thor e o Hulk, os dois nunca estiveram tão bem e temos também direito a uma pequena explicação para justificar o facto de Bruce Banner estar naquele planeta, tão longe da Terra. O filme divide-se em dois arcos : temos o que se passa em Asgard com Hela a tentar destruir o reino de Odin, enquanto que em Sakar se passa o outro lado da narrativa com Thor e Loki a tentarem escapar para virem salvar o seu planeta e o seu povo. Gostei da participação do Doutor Estranho. Não é só de comédia que o filme vive, temos também muita ação, uma boa banda sonora, bons efeitos visuais e sonoros, um bom guarda-roupa, enfim, a nível técnico as coisas resultaram. Temos um cão gigante que eu gostei bastante, funcionou e podemos vê-lo também a combater contra o Hulk. Claro que não gostei de algumas coisas, por exemplo, a dada altura durante um combate do protagonista, sucede-lhe algo que eu achei uma estupidez, mas isso foi justificado para servir a história inicial. A cena da destruição do martelo está brutal, mas o filme peca por alguns momentos parecerem muito artificiais. Gostei do Sutur. Preferia que o Thor continuasse com o cabelo comprido. Volto a dizer, a partir de hoje irei voltar a comentar blockbusters, apesar de ter a consciência que estes filmes não têm muito de cinema, mas temos que diversificar as coisas. Comentarei não apenas os recentes, mas também outros de anos anteriores que já estrearam, talvez as pessoas gostem mais, deixem aí nos comentários o que acham da ideia. Quanto a este “Thor : Ragnarok”, é o melhor da trilogia, mas está longe de ser um dos melhores filmes da Marvel, esse mérito pertence os dois filmes dos Vingadores e ao segundo e terceiro Capitão América. 



12 Feet Deep

Nome do Filme : “12 Feet Deep”
Titulo Inglês : “12 Feet Deep”
Titulo Alternativo : “Trapped Sisters”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Eskandari
Produção : John Burd/Mark Myers/Hannah Pillemer
Elenco : Alexandra Park, Nora Jane Noone, Diane Farr, Tobin Bell, Christian Blackburn.

História : Jonna e Bree são duas irmãs com um passado problemático que, na véspera de um feriado, ficam esquecidas e presas dentro de uma piscina fechada com uma espessa e dura cobertura de vidro. Como se já não bastasse essa situação, as duas ficam ainda à mercê de uma empregada de limpeza com segundas intenções.

Comentário : Estamos perante um filme bastante tenso e aflitivo que envolve temas como a maldade humana, o suicido e a pedofilia. Embora não sejam estes os temas principais, pois o que temos aqui são duas irmãs a lutar pela sobrevivência, já que estão numa situação muito complicada e com a vida em risco. O cenário principal é uma enorme piscina e será aqui que duas personagens irão viver mais uma dura experiência, recordar um terrível passado traumático para as duas e tentar superar as divergências que nutrem uma pela a outra, tudo no sentido de se manterem vivas. Como já disse, é um filme aflitivo, que vive sobretudo graças às duas excelentes prestações das actrizes principais, que estão soberbas nos seus papéis e nos seus desempenhos. Temos água por todo o lado e uma mulher cheia de maldade, também ela com um passado trágico, mas que está disposta em fazer mal às nossas meninas, para tentar obter qualquer coisa delas. Na minha opinião, essa personagem secundária em nada acrescenta à trama, diria mesmo que se ela não estivesse no filme, não faria falta alguma, pois a situação das irmãs já era dramática o suficiente e em nada mudaria o destino delas. Não se trata de um filme de terror, mas sim de uma fita de superação, em que duas irmãs conseguem provar a elas mesmas que não só se amam de verdade, como também que são úteis uma para a outra e que precisam uma da outra. 

Le Voyage de Fanny

Nome do Filme : “Le Voyage de Fanny”
Titulo Inglês : “Fanny's Journey”
Titulo Português : “A Viagem de Fanny”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Lola Doillon
Produção : Marie de Lussigny/Saga Blanchard
Elenco : Léonie Souchaud, Fantine Harduin, Juliane Lepoureau, Anais Meiringer, Malonn Levana, Elea Korner, Lou Lambrecht, Alice D'Hauwe, Ryan Brodie, Igor Van Dessel, Cecile De France, Stephane De Groodt, Lucien Khoury, Victor Muetelet, Anna Tenta, Pascaline Crevecoeur, Julien Vargas, Jeremie Petrus, Rachel Harduin, Clementine Dandoy Crevecoeur.

História : Durante o período da Segunda Guerra Mundial, muitos pais abandonavam os seus filhos aos cuidados de instituições, na intenção das crianças ficarem a salvo da ameaça nazi. Fanny e as suas duas irmãs passaram por essa situação dolorosa. Num acto de desespero, as três irmãs reúnem um grupo de outras crianças e decidem fugir para a Suíça, enfrentando diversos medos e perigos, mas aprendendo o significado da independência.

Comentário : Se pensarmos bem no passado, o período em que durou a Segunda Guerra Mundial que foi o mesmo onde decorreram o Nazismo e do Holocausto, foi o pior da história da Humanidade. Milhares de famílias foram desfeitas e milhões de pessoas morreram às mãos dos alemães. Essas tristes realidades de há setenta e tal anos ainda hoje nos chocam e deviam envergonhar os alemães por tudo aquilo que eles fizeram e pelo mal que eles causaram no passado. Mas existe uma realidade ainda pior, que é a situação das crianças em todo esse período de horror. Por vezes, eu olho para imagens de crianças no Holocausto e de outras crianças judias daquela época, e penso o quanto devem ter sofrido aquelas alminhas : quando eram separadas dos pais ou dos familiares com quem estavam, quando assistiam à morte dos pais pelas mãos dos nazis, no que sofriam nos campos de concentração, quando eram sujeitas a experiências médicas dolorosas, mas principalmente penso em tudo aquilo que elas passaram, o horror que foram as suas existências, das que morreram de forma trágica e dolorosa ou rápida e mesmo das muitas que escaparam com vida mas que para tal viveram um verdadeiro inferno.

A Fanny desta história e as suas duas irmãs existiram de verdade, este filme é baseado em factos reais, os factos históricos aqui mencionados são verídicos e o filme está muito bem concebido. A Fanny verdadeira (foto em baixo ao lado da actriz protagonista) ainda é viva e contribuiu junto da realizadora Lola Doillon para que o filme pudesse ver a luz do dia. Apesar de ser uma história triste, as crianças enquanto personagens, deram um pouco de alegria nas brincadeiras próprias da idade em algumas cenas. Todas as crianças envolvidas tiveram prestações aceitáveis e consistentes, com principal foco para Léonie Souchaud, a pequena actriz cuja personagem tem o nome que aparece no título. É um filme triste, mas cheio de esperança, gostei bastante dele. Filmes como este e outros do género servem para que muita gente nunca se esqueça do que realmente aconteceu.

Better Watch Out

Nome do Filme : “Better Watch Out”
Titulo Inglês : “Better Watch Out”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : Chris Peckover
Produção : Sidonie Abbene/Brion Hambel/Paul Jensen/Brett Thornquest
Elenco : Olivia DeJonge, Levi Miller, Ed Oxenbould, Aleks Mikic, Dacre Montgomery, Virginia Madsen, Patrick Warburton.

História : Ashley é uma jovem que é contratada para tomar conta de um rapaz de doze anos. Como até já conhece a família e o dito rapaz, ela aceita esse trabalho, até mesmo para ganhar uns trocos. No entanto, a miúda nem sonha que vai ter a pior noite da sua vida.

Comentário : Apesar deste filme se passar no Natal, ele tem apenas o visual dessa quadra. Com algumas pitadas de comédia mas sem nunca o ser de verdade, o filme segue uma história igual a tantas outras já contadas e algumas até melhores que esta. Assim, seguimos a história de uma rapariga que é paga para tomar conta de um garoto durante uma noite, mas as coisas não corram muito bem, diria mesmo, correm muito mal. Mas eu não quero revelar mais nada, seria entregar muito spoiler. Apesar de conhecida, a história torna-se bastante interessante a partir de um twist brutal que se dá a certa altura, fazendo com que as coisas sigam um rumo totalmente inesperado, embora tolerável até certo ponto. Temos um considerável clima de tensão que percorre os quase noventa minutos, sentimos uma espécie de nervoso a percorrer-nos o corpo, muito por causa do que vai acontecendo com a protagonista e com dois amigos dela. É uma fita que dá que pensar, sem querer levantar muito a ponta do véu, quem diz que as crianças não mentem e que não têm maldade, deviam pensar duas vezes ou mesmo retirar o que dizem. No papel da miúda protagonista, temos uma bonita e competente Olivia DeJonge (The Visit), que nos convence totalmente do sofrimento e aflição que a sua personagem vive. Por seu turno, Levi Miller (Jasper Jones) está aceitável na condição do seu personagem, se no início ele é muito querido e amável, depressa se torna no pior pesadelo do Natal para Ashley. Volto a dizer, é uma fita que dá que pensar, principalmente pelos quinze minutos finais. Por último, o destino final dado à personagem feminina principal era escusado, desta vez, não me importava que as coisas corressem bem para o vilão.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

The Purge : Election Year

Nome do Filme : “The Purge : Election Year”
Titulo Inglês : “The Purge : Election Year”
Titulo Português : “A Purga : Eleição”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge, Kyle Secor, Liza Colon Zayas, Ethan Phillips, Christopher James Baker, Jared Kemp, Brittany Mirabile, Juani Feliz, Kimberly Howe, Jordan Lloyd, Naheem Garcia, Roman Blat.

História : Durante a purga anual, um guarda-costas precisa fazer de tudo para impedir que uma senadora seja assassinada na noite do crime, um período de doze horas onde todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Mais uma vez, o realizador e os produtores conseguem elevar as coisas a outro patamar. Se no segundo filme já se falava na influência e no poder do dinheiro durante o período da purga, neste terceiro filme não só isso mantém-se, como também a camada rica está a servir-se da purga para reduzir os pobres e assim poupar no orçamento. Outra coisa que já vem do segundo filme e se mantém aqui, é a existência de um grupo que é contra a purga e salva potenciais vítimas. Há também pessoas que chegam de outros países de propósito para purgar. E no meio de tudo isto, a política mete-se também no assunto e existe uma senadora que diz que se ganhar, acaba com esta noite, o que faz com que passe a não haver camadas imunes à purga, agora qualquer um pode ser assassinado. O partido oposto à senadora torna-se ele mesmo purgador e a festa começa. São tudo ideias interessantes e que neste terceiro filme funcionam muito bem. O filme não é mau, a essência da coisa continua lá, apenas sobem a parada. Tal como os outros dois, temos violência e sangue. 

Frank Grillo regressa a este universo e, apesar de manter a mesma personagem, surge com novas intenções. Infelizmente neste caso, as atenções não se centram nele, embora ele continue a ser portador de um personagem bem interessante. No papel da senadora com boa índole, Elizabeth Mitchell tem uma boa prestação, a actriz convence com a sua personagem. Também gostei da personagem e da interpretação de Betty Gabriel. Mykelti Williamson possui aqui um personagem que é do bem, é impossível não passarmos o filme quase todo a desejar que as coisas corram bem para ele. E Brittany Mirabile e Juani Feliz interpretam duas líderes de um peculiar grupo de purgadoras que representa aquilo que de mais original o filme tem. A narrativa do filme vai evoluindo a um ritmo crescente, sempre nos prendendo à cadeira e com alguns twists bem leves, tudo no sentido de não nos desviar a atenção. Até temos direito a um drone intrusivo. Vale dizer também que os trajes daqueles turistas que tentam matar a senadora são muito apelativos. Tiros e porrada não faltam, mas a fita peca por ter alguns erros, por exemplo, o personagem de Frank Grillo passa o filme inteiro vivo e na maior, apesar de ter uma ferida profunda a sangrar devido a um tiro certeiro no início da película. Eu gostei dos três filmes, mas prefiro claramente o primeiro.

The Purge : Anarchy

Nome do Filme : “The Purge : Anarchy”
Titulo Inglês : “The Purge : Anarchy”
Titulo Português : “A Purga : Anarquia”
Ano : 2014
Duração : 103 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Carmen Ejogo, Zoe Soul, Kiele Sanchez, Zach Gilford, John Beasley, Justina Machado, Noel Gugliemi, Castulo Guerra, Michael Kenneth Williams, Roberta Valderrama, Niko Nicotera, Bel Hernandez, Chad Morgan, Lily Knight.

História : Dois grupos de pessoas são ajudados por um estranho homem na noite do crime, um período de doze horas durante o qual todo e qualquer crime é permitido. Juntos, os cinco terão que fazer tudo para conseguirem sobreviver à noite da purga.

Comentário : Trata-se do segundo filme da trilogia “The Purge”, cujo primeiro filme já se encontra comentado neste espaço. Tal como disse no primeiro comentário, a ideia é original, embora eu confesse que não ia gostar se isto fosse posto em prática. No caso deste segundo filme, as coisas sobem a outro patamar. O realizador leva as coisas para a diferença entre ricos e pobres. Aqui, além de haver as pessoas habituais que querem purgar na dita noite, existem também alguns ricos que pagam a grupos de criminosos para raptarem vítimas para depois os matarem da maneira que desejarem. E penso que é daí que surge o segundo titulo do filme, ou seja, é a pura anarquia onde vale quase tudo. Visualmente, a fita é apelativa e violenta, podemos contar com cenas duras e algum sangue. Apesar disso e tal como aconteceu no primeiro, não esperem algo muito sádico como sucede na saga “Saw”, o que conta aqui é mostrar o que se pretende e passar a mensagem.

Pessoalmente, eu penso que a mensagem desta trilogia vai no sentido de que a violência e o crime não nos levam a lado nenhum, apesar dos filmes mostrarem o contrário. Gostei da prestação de Frank Grillo, de longe o meu personagem preferido, eu comprei o seu drama e os seus motivos, o que ele faz e constrói com as quatro vítimas da purga é algo maravilhoso e admirável. Carmen Ejogo é a segunda estrela a merecer o destaque, a actriz possui aqui uma boa prestação. Zoe Soul tem aqui uma personagem muito querida e interessante. Os outros, vítimas ou vilões, fizeram um bom trabalho. Podemos contar também com um forte clima de tensão e muita adrenalina, existem aqui cenas bem aflitivas. Logo no início, acontece uma sequência em que um casal se prepara para entrar no seu carro e observa um grupo de criminosos a preparar-se para a purga, é toda uma cena que mete medo e até me arrepiou. O filme também passa a triste mensagem de que o dinheiro pode quase tudo e quem o tem, pode fazer ou mandar fazer tudo o que quer. O filme tem ainda um ou dois twists bem originais, um deles eu não gostei muito e tem a ver com o facto da tal história dos ricos e da maneira estranha deles purgarem. No fundo, é um filme diferente do primeiro, mas ainda assim, está aceitável.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

São Jorge

Nome do Filme : “São Jorge”
Titulo Inglês : “Saint George”
Titulo Português : “São Jorge”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Marco Martins
Produção : François D'Artemare/Maria João Mayer
Elenco : Nuno Lopes, Mariana Nunes, David Semedo, Beatriz Batarda, Adriano Luz, José Raposo, Ligia Kellermann, Jean Pierre Martins, Ana Gonçalves, Fátima Inocêncio, Ricardo Fernandes, Rodrigo Almeida, Paulo Batata, Salvador Santos, Paulo Afonso, Gonçalo Waddington, Paulo Seco, Ivo Alexandre, Teresa Coutinho, Maria Leite.

História : Jorge é um pugilista desempregado que tenta a todo o custo encontrar formas de garantir o sustento de Susana e Nelson, a mulher e o filho. Quando ela, emigrante brasileira, decide fugir da crise financeira que se instalou em Portugal e regressar ao seu país, Jorge fica sem saber o que fazer. Como último recurso, aceita um trabalho numa empresa de cobrança de dívidas. Usando o seu corpo treinado para a luta corpo a corpo, passa a intimidar pessoas que, tal como ele, se encontram numa situação desesperada. De um momento para o outro, vê-se a atravessar a fronteira da moralidade e a entrar num mundo de criminalidade gerada pela pobreza e pela falta de alternativas.

Comentário : Existem pessoas que dizem que este filme português é sobre a crise, outros alegam ser uma fita sobre o mal que a Direita causou ao nosso povo durante quatro anos e respectivas consequências; eu acho que é uma película sobre um homem que vive uma situação muito difícil e que devido ao que se passa no seu país, por causa da crise e das medidas de dois governos irresponsáveis, vê-se ele mesmo obrigado a fazer coisas contra a sua vontade, afundando-se assim cada vez mais. Eu gostei de “Alice” e de “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, dois grandes filmes de Marco Martins e sou suspeito para vir aqui falar sobre este seu novo filme, embora saiba perfeitamente que os realizadores têm filmes bons e outros menos bons, é como em todas as profissões, por vezes acerta-se e outras vezes cometem-se erros. Mas como não há duas sem três, eu também gostei de “São Jorge”.

Não é um filme fácil, tem um ritmo muito lento e algumas sequências arrastam-se, mas vos garanto que nada está a mais neste filme, neste caso, funciona como uma espécie de puzzle, em que as peças, umas mais importantes que outras, fazem bem o seu trabalho e se completam, fazendo com que o resultado final seja bastante positivo. O filme possui mais cenas nocturnas e no escuro do que partes passadas de dia ou em ambientes claros. Se a fotografia é boa, o mesmo não se pode dizer do som, aliás, a componente sonora costuma ser quase sempre o ponto mais fraco no cinema português e neste caso, exigia-se legendas mesmo com os actores a falar a nossa língua. O realizador trabalhou bem a temática da crise. Nuno Lopes é um bom actor e aqui volta a ter uma excelente prestação. Nesse campo, Mariana Nunes também merece ser frisada, ela teve uma boa interpretação e eu gostei muito da sua personagem. Destaque também para a química existente entre os dois, deram um casal convincente. Por último, tenho que dizer que gostei bastante deste filme, principalmente porque é diferente do habitual. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jigsaw

Nome do Filme : “Jigsaw”
Titulo Inglês : “Jigsaw”
Titulo Português : “Jigsaw : O Legado de Saw”
Titulo Alternativo : “Saw VIII”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror/Mystery
Realização : Michael Spierig/Peter Spierig
Produção : James Wan/Leigh Whannell/Mark Burg/Gregg Hoffman/Oren Koules
Elenco : Tobin Bell, Matt Passmore, Hannah Emily Anderson, Laura Vandervoort, Brittany Allen, Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, Edward Ruttle, Michael Boisvert, Sam Koules, Misha Rasaiah, Keeya King.

História : Uma série de assassinatos brutais começam a assustar a população de uma cidade. À medida que as investigações começam, todas as evidências apontam para John Kramer, conhecido como Jigsaw. O principal problema das autoridades é que Jigsaw morreu há dez anos.

Comentário : E pronto, cá estamos em mais uma noite de Halloween, noite de bruxas e de coisas ligadas ao sobrenatural. E nada melhor do que comemorarmos esta noite vendo um filme de terror, e eu escolhi o oitavo capítulo de uma das mais lucrativas sagas de horror dos últimos anos. Sim, Saw está de volta, ou melhor, Jigsaw volta a testar mais pessoas e a matar. Eu confesso que adorei o primeiro filme, sim, com aquele brutal twist do cadáver perto do final. Depois, apesar dos seis filmes seguintes surpreenderem em alguns aspectos, foram simplesmente tornados cada vez mais violentos, sempre com mais explicações para a história, mais sangue e mortes, tudo mais do mesmo, portanto. Mas eu até gostei do final e da conclusão da história, conhecidos no sétimo e suposto último filme. Apesar dos filmes serem alvo de duras críticas, eles renderam muito dinheiro e era inevitável que os estúdios, mais tarde ou mais cedo, fossem avançar com mais. E eis que surge agora o oitavo e novo filme.

Antes de mais, tenho que dizer que não esperava muito deste novo filme, logo, a desilusão não foi tão grande. No entanto, é um filme que se vê bem e até chega a ser empolgante em alguns momentos, mas tenho que dizer que é um dos mais fracos da saga. Ou seja, eles deviam ter ficado quietos, para ser sincero, deviam ter ficado no primeiro filme, mas enfim. Não querendo ser mau, este filme, e os seis anteriores, foram feitos apenas para gerar mais dinheiro, mais lucro. Claro que quem venera esta saga, vai gostar deste oitavo filme. Nele, temos boas armadilhas, sem nunca surpreender. Temos sangue e muita gritaria. Temos clichés, erros e coisas mal explicadas, sendo que outras nem explicação tiveram. Na hora em que as vítimas estão a ser testadas, temos muita aflição e certas verdades aparecem. Não esperem muito gore e mortes muito chocantes, devo dizer que este filme é dos menos violentos. A história é um pouco confusa. Podem contar com confissões, revelações e twists, sendo que um deles é realmente surpreendente, envolve os tais dez anos que assinalam a morte de John Kramer, e mais não digo. As interpretações são razoáveis. O boneco a rir-se também aparece. Uma curiosidade, um dos personagens principais tem uma filha, eu pensei que iam meter crianças nos jogos, enfim, para inovar, mas ainda não foi desta. Se quiserem abstrair-se da lógica, talvez gostem deste oitavo filme, os admiradores gostarão de certeza. Enfim, foi mais um. 



The Purge

Nome do Filme : “The Purge”
Titulo Inglês : “The Purge”
Titulo Português : “A Purga”
Ano : 2013
Duração : 85 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Ethan Hawke, Lena Headey, Adelaide Kane, Max Burkholder, Edwin Hodge, Rhys Wakefield, Tony Oller, Arija Bareikis, Tom Yi, Chris Mulkey, Tisha French, Dana Bunch, John Weselcouch, Peter Gvozdas, Alicia Vela Bailey.

História : Num futuro próximo, uma pequena família é mantida refém por abrigar o alvo de um grupo assassino durante a noite do crime, um período de doze horas em que todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Primeiro filme de algo pensado como uma trilogia, mas que devido ao enorme sucesso, o realizador e os produtores já ponderam fazer um quarto capítulo. Confesso que sou um admirador desta saga e agora venho comentar este primeiro filme. A ideia principal da história até é original, imaginem que durante uma noite e madrugada inteiras, num período de doze horas, podemos cometer um crime e não sofremos consequência alguma. Claro que os crimes por vingança saltam logo à vista. Mas o filme e a trilogia em si vão mais longe, pondo em cima da mesa, questões políticas, raciais, sexuais, religiosas e outras. Todos os motivos servem para matar e até vale matar sem motivo, só porque nos apetece. E existe muita gente que gosta de purgar, gosta de exercer o seu direito, baseado numa lei estúpida e sem qualquer sentido. Estamos perante um thriller com pitadas de terror, tudo muito bem misturado. Como disse, a história é original. A dada altura, nós estamos tanto a favor da família, como nos vemos a favor do estranho ferido que é abrigado na habitação pelo filho do casal. Mas depois, ficamos mais a favor da família e achamos que, para o bem deles, é melhor o estranho ser entregue. A trama tem o papel de nos dividir e faz isso muito bem.

Se por um lado temos momentos calmos e cenas lentas que se arrastam, por outro, temos muita tensão e pânico com o desenrolar dos acontecimentos. Vale lembrar que a trama do filme decorre num futuro próximo e a ideia do crime ser legal por doze horas tem tanto de interessante como de preocupante, ou seja, dá que pensar. Lamentei que o filme fosse pequeno, eu não me importava de ver mais. Temos direito a um fantástico twist perto do final, confesso que me surpreendeu pela positiva. Ethan Hawke desempenha o pai de família, gostei da prestação dele, além de ser um excelente actor, é também muito expressivo. Nos papéis de filhos adolescentes do casal, temos uma bonita Adelaide Kane e um peculiar Max Burkholder, ambos com boas interpretações e com personagens bem interessantes, tanto a nível de visual como a nível psicológico. Os inimigos são muitos, mas quero destacar Rhys Wakefield, nos facultou um líder de assassinos aterrador e irritante, ele tem a cara ideal para o papel que lhe foi atribuído. O modo como os personagens vão morrendo é interessante, principalmente a maneira como o líder do grupo morre. O realizador conseguiu assim um bom filme, misturando o suspense, o terror e o clima de tensão. A trilogia podia ser alvo de debate. Bom filme.


domingo, 29 de outubro de 2017

Leatherface

Nome do Filme : “Leatherface”
Titulo Inglês : “Leatherface”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Terror
Realização : Alexandre Bustillo/Julien Maury
Produção : Christa Campbell/Lati Grobman/Carl Mazzocone/Les Weldon
Elenco : Vanessa Grasse, Stephen Dorff, Lili Taylor, Sam Strike, Finn Jones, Sam Coleman, Jessica Madsen, James Bloor, Christopher Adamson, Dimo Alexiev, Nathan Cooper, Deyan Angelov, Boris Kabakchiev, Lorina Kamburova, Julian Kostov, Ian Fisher, Nicole Andrews, Lilia Ivanova.

História : Um miúdo violento escapa de uma instituição psiquiátrica junto com outros jovens igualmente desequilibrados. Na fuga, eles sequestram uma jovem enfermeira e são perseguidos por um polícia perturbado.

Comentário : Muito sinceramente, não esperava grande coisa deste filme sobre o famoso assassino da serra eléctrica. Sim, o personagem já era conhecido, mas desta vez, os realizadores quiseram mostrar os acontecimentos da infância e da juventude do criminoso que o levaram a tornar-se naquilo que ele supostamente foi. Claramente que no interior dos Estados Unidos deve haver imensa gente criminosa e muita coisa nunca se chega a saber, mas fazerem passar a ideia que a história deste homem é baseada em factos reais, isso já cheira a abuso e a estratégia de marketing. Tal como nos outros filmes deste personagem, aqui temos novamente muita violência e muito sangue, podemos contar também com cenas bem nojentas e com alguns erros e vários clichés, estes últimos não ajudaram em nada o filme propriamente dito. Volto a dizer, o filme é muito violento, parece que a intenção dos directores não foi contar uma história, mas sim, chocar, só porque podiam. Além disso, algumas coisas aqui vistas não fazem muito sentido.

Lili Taylor tem aqui uma personagem que podia ter sido melhor desenvolvida, a actriz é boa, mas tem pouco que fazer. Stephen Dorff até tem um arco interessante, mas é totalmente desperdiçado, tudo porque lhe foi atribuído um personagem que se limita a praticar o mal, cujas acções são justificadas porque ele teve uma filha que foi assassinada pela família em questão. Sam Strike até cuida bem do seu personagem, mas este possui uma mudança tão repentina do seu modo de pensar, que deita por terra todo o trabalho feito até então pelo actor. E Vanessa Grasse tem aqui a melhor prestação do filme, mas infelizmente a sua personagem apenas serve os propósitos do costume, ela é aquilo que se pode chamar de personagem cliché. O filme vale sobretudo pela adrenalina de algumas cenas, peca pela história fraca e nós só temos que nos entreter durante cerca de oitenta minutos, depois disso, passamos para outra e esquecemos depressa o que vimos. Este “Leatherface” é um filme fraco, com clichés e erros próprios do género, vê-se uma vez e pronto. No entanto, para quem nunca o viu, serve perfeitamente para termos uma noite de Halloween bem passada, porque é uma fita que cumpre os objectivos mínimos.


Wait Till Helen Comes

Nome do Filme : “Wait Till Helen Comes”
Titulo Inglês : “Wait Till Helen Comes”
Titulo Alternativo : “Little Girl's Secret”
Ano : 2016
Duração : 87 minutos
Género : Terror/Mystery
Realização : Dominic James
Produção : Scott Mednick
Elenco : Maria Bello, Callum Keith Rennie, Sophie Nelisse, Isabelle Nelisse, William Dickinson, Abigail Pniowsky, John B. Lowe, Frank Adamson, Tom Young, Mary Downing Hahn, Kally Berard, Jerni Stewart, Cassandra Tusa.

História : Uma família com traumas profundos muda-se de Baltimore para uma localidade rural, mais concretamente para irem morar numa igreja. As coisas mudam para pior quando na habitação começam a acontecer coisas estranhas e a filha mais velha vê-se na obrigação de proteger e salvar a irmã mais nova.

Comentário : Mais um filme indicado para ser visto na próxima noite de Halloween, trata-se de uma história de fantasmas. E como qualquer conto de fantasmas digno desse género, podemos contar com cenas assustadoras onde eu destaco uma em especial, em que a filha mais velha do casal observa a irmã mais nova a conversar com uma entidade espiritual numas ruínas, claro que o som ajudou a que as coisas tivessem resultado da melhor maneira. Pode-se dizer que trata-se de uma família disfuncional, a esposa tem uma filha adolescente e vive com o marido, que por sua vez, tem uma filha mais nova que viveu o drama de ter visto a morte da mãe, estando traumatizada por isso. Ambas as miúdas, apesar das diferenças próprias das idades, possuem coisas em comum, como por exemplo, os dons de ver e sentir a presença de espíritos, pessoas que já morreram. O filme tem algumas cenas que são aflitivas e outras que nos provocam sustos, mas nunca chega a ser uma obra violenta, pelo contrário, é antes um conto bem sombrio e discreto sobre uma família que morreu à muitos anos.

Maria Bello tem aqui uma boa interpretação e o mesmo se pode dizer do actor que desempenha o seu marido, embora ela tenha estado bem melhor, tem mais presença. Mas quem merece todos os méritos são as jovens Sophie Nélisse (“Monsieur Lazhar” e “The Book Thief”) e Isabelle Nélisse (“Mama” e “Mommy”), duas actrizes que são mesmo irmãs na vida real e fazem de irmãs no filme, assim, a química entre as duas é perfeita e as coisas não podiam ter resultado melhor. Sophie e Isabelle ou Molly e Heather são as almas deste filme, as meninas tiveram não só excelentes prestações, como também uma forte presença no ecrã. Esta fita está envolta num grande clima de mistério e o realizador soube mantê-lo até ao final. O principal trunfo deste filme consiste no facto de nos manter sempre presos ao ecrã, com curiosidade para ver o que irá acontecer a seguir. A história é muito interessante e as coisas estão feitas de modo a que quem vê o filme tem a necessidade de zelar para que tudo dê certo com as irmãs protagonistas. O lado sobrenatural foi muito bem trabalhado aqui, o realizador teve muito respeito pelo tema e por tudo o que isso implica. Pessoalmente, vi poucos erros e poucos clichés, sendo um filme que foge ligeiramente ao que se costuma ver em outras obras do género. Gostei bastante deste filme, vi-o à noite e fui para a cama a pensar nesta história. 

First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers

Nome do Filme : “First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers”
Titulo Inglês : “First They Killed My Father : A Daughter Of Cambodia Remembers”
Titulo Alternativo : “First They Killed My Father”
Ano : 2017
Duração : 137 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Angelina Jolie
Produção : Angelina Jolie
Elenco : Sareum Srey Moch, Phoeung Kompheak, Mun Kimhak, Sveng Socheata, Heng Dara, Khoun Sothea, Sarun Nika, Run Malyna, Oun Srey Neang, Mony Ros, Tharoth Sam, Nout Sophal.

História : Os horrores sofridos por um povo durante o regime comunista conhecido como o Khmer Vermelho, através dos olhos de uma menina durante os dois anos que mudaram a sua vida para sempre.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por Loung Ung, com base na vida da mesma e que foi adaptado para o cinema pelas mãos de Angelina Jolie, aliás, este é o seu melhor trabalho atrás das camaras. É um livro baseado em acontecimentos reais, portanto. Eu gostei bastante deste filme porque me mostrou algo que eu não sabia na sua generalidade, eu sabia mais ou menos que algo de mau tinha acontecido com aquele povo, mas através do que vi, pude ter uma ideia de como as coisas se passaram. E é impressionante chegarmos à conclusão que a história da humanidade está repleta de casos de violência e de dor que seres humanos infligem a outros da sua espécie, seja por motivos políticos, religiosos ou raciais. Mas é assim, o ser humano é o pior dos seres. Sobre este filme, tirando os primeiros minutos, não se trata de uma obra de cariz político, mas sim de uma fita que nos atira à cara uma dura realidade que se passou nos anos 1970 e que originou a morte de cerca de um quarto da população daquele país. É um filme realista, violento, objectivo e que pode funcionar como objecto de denúncia, para não fazer esquecer a quem interessa aquilo que sucedeu num passado trágico.

Muito bem filmado, o filme possui cenas marcantes, desde belíssimos planos aéreos quase silenciosos, passando por sequências realistas ou tensas e terminando em cenas violentas que ilustram bem o sofrimento sentido por aquele povo. Podemos contar também com sequências que se passam dentro da cabeça da protagonista, ou seja, que mostram os seus sonhos ou pensamentos, muitas vezes relacionados com as situações por ela vividas. Muitos dizem que o filme é longo, eu discordo, penso sinceramente que nada é descartável, tudo o que lá está serve um propósito. O filme possui poucos diálogos, quase tudo é filmado ao nível da altura da personagem principal e isto serve para frisar que se trata de uma realidade passada, que nos é mostrada através dos olhos de uma criança. A realizadora foca ainda a camara directamente na cara da menina, muitos planos são assim e servem para nos mostrar o seu drama perante aquilo que se está a passar. A pequena Sareum Srey Moch é a alma deste filme, o seu olhar, os seus choros, a sua prestação física, a sua expressão facial, a sua postura, enfim, todo o seu desempenho é brutal, tudo isto envolto numa interpretação pura, a miúda devia receber um prémio grande por tudo o que fez aos mandos de Angelina Jolie. Pessoalmente, adorei esta história dramática, porque me foi mostrada por alguém inocente e vale dizer aqui que Sareum Srey Moch representou bem a verdadeira Loung Ung.

The History Of Love

Nome do Filme : “The History Of Love”
Titulo Inglês : “The History Of Love”
Titulo Português : “A História do Amor”
Ano : 2016
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Radu Mihaileanu
Produção : Radu Mihaileanu
Elenco : Gemma Arterton, Derek Jacobi, Sophie Nelisse, Elliott Gould, Torri Higginson, Corneliu Ulici, Mark Rendall, Lynn Marocola, Alex Ozerov, Jamie Bloch, William Ainscough, Julian Bailey.

História : Um livro antigo, há muito perdido, é descoberto e acaba por ligar duas pessoas que à partida não teriam muito em comum : Leo, um velho homem polaco a viver em Nova Iorque, e Alma, uma adolescente firme em descobrir a verdade. O livro, sobre o amor, foi escrito pelo homem há sessenta anos, antes de ter fugido aos nazis e deixando o amor da sua vida, que também se chamava Alma. A mãe de Alma, a jovem, começa a traduzi-lo, e é assim que os dois se conhecem, num encontro que acaba por mudar a vida dos dois.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante, mas que se poderá tornar um pouco confuso para quem não estiver devidamente concentrado nele. Primeiro que tudo, é um filme sobre a vida e sobre o amor, dois temas muito bem trabalhados aqui pelo realizador. A narrativa segue por dois caminhos que se cruzam ao longo de mais de duas horas, onde vemos a história do nosso protagonista no passado e também somos levados a conhecer o seu tempo presente, depois de imensa coisa ter acontecido. É também um filme sobre as partidas que a vida nos prega ao longo da nossa existência, estamos quase sempre a ser postos à prova e quando menos esperamos, somos surpreendidos. Nesta história, passado e presente interessaram-me de igual modo, eu me entreguei totalmente a este filme, sempre disposto a descobrir o seu final. E o final me satisfez, confesso ter sido do meu agrado, apesar de tudo.

No papel principal, encontramos um veterano que é um excelente actor, seu nome é Derek Jacobi, este senhor tem aqui a melhor interpretação do longa, totalmente convincente, o homem esteve tão bem no seu papel, que eu estive sempre a zelar para que o seu personagem atingisse o seu grande objectivo. Quem também se destaca é a jovem Sophie Nelisse, ela representou a personagem feminina mais importante do filme, a miúda teve assim uma boa prestação e foi nela que se concentraram uma grande variedade de factos interessantes. Ela é a típica adolescente dos nossos tempos. Nos papéis do casal protagonista na fase da sua juventude, temos um Mark Rendall e uma Gemma Arterton bastante competentes, eu gostei de ter conhecido a história de amor deles, apesar daquilo que lhes aconteceu ao longo das suas vidas não ter sido totalmente do meu agrado. A empatia existente entre eles é notável e convincente. Por último, temos um Elliot Gould em excelente forma. Bom filme.