sábado, 26 de novembro de 2016

The Sea Of Trees

Nome do Filme : “The Sea Of Trees”
Titulo Inglês : “The Sea Of Trees”
Ano : 2015
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Gus Van Sant
Elenco : Matthew McConaughey, Ken Watanabe, Naomi Watts, Katie Aselton.

História : Depois de ter testemunhado uma tragédia familiar, um homem viciado no trabalho penetra numa floresta com a intenção de se suicidar. Acaba por conhecer um outro suicida, este um homem muito peculiar.

Comentário : Neste fim-de-semana foram só desilusões. Depois daquele filme anterior produzido por Paulo Branco passado numa floresta tropical, tive o também azar de ter me cruzado com o novo trabalho de Gus Van Sant. Um realizador que já fora um grande cineasta, mas cujos seus últimos três filmes (este incluído) são uma verdadeira desgraça. O filme em questão é cansativo, não motiva em nada, tem prestações forçadas e um argumento paupérrimo. Matthew McConaughey e Naomi Watts já fizeram muito melhor e muitas vezes, aqui estão muito mal. Ken Watanabe tem aqui uma pobre e inútil personagem. O filme não me agarrou minimamente ao ecrã, estava desejoso que terminasse. Valeu o cenário da floresta dos suicidas, era realmente muito bonita. Naomi Watts, ainda assim, foi a única profissional a passar alguma substância na sua personagem, afinal sofre no papel de uma esposa sofrida pelo vício do marido no trabalho e mais tarde é marcada por uma doença maldita. A química entre marido e mulher não funciona e o filme arrasta-se de uma forma que insulta o espectador. E Matthew McConaughey está péssimo neste filme, não por culpa sua, mas por quem lhe atribuiu tal personagem, muito pobre. Um filme sem conteúdo, muito mau.

Posto Avançado do Progresso

Nome do Filme : “Posto Avançado do Progresso”
Titulo Inglês : “An Outpost Of Progress”
Titulo Português : “Posto Avançado do Progresso”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Hugo Vieira da Silva
Produção : Paulo Branco
Elenco : Nuno Lopes, Ivo Alexandre, David Caracol, Inês Helena, António Mpinda, José Manuel Mendes, Cleonise Malulo, Domingos Sita, Miguel Delfina.

História : No final do século XIX, dois colonizadores portugueses, imbuídos de uma vaga intenção civilizadora desembarcam numa parte remota do Rio Congo para coordenar um posto comercial. À medida que o tempo passa, começam a desmoralizar pela sua incapacidade de enriquecer à custa do comércio de marfim. Sentimentos de desconfiança mútua e mal-entendidos com a população local isolam-nos no coração da floresta tropical.

Comentário : Após ter visto este filme português, eu vejo-me na obrigação de perguntar porque motivo se gasta dinheiro a produzir filmes como este, em vez de investir em outro tipo de filmes, ou seja, facultar fundos a jovens realizadores como João Salaviza com o fim de produzirem filmes bons. O DVD do filme possui na secção dos extras, uma espécie de entrevista com a equipa de actores, produtor e técnicos sobre o filme na estreia no Cinema Monumental. Eu até acredito que tenha sido uma grande experiência para Nuno Lopes e Ivo Alexandre, mas duvido bem que quem produziu e concebeu este filme o tenha feito com dedicação e esforço necessários para que tivesse resultado num bom filme, ou pelo menos, numa obra capaz. Tudo isto para dizer que detestei este filme, são quase duas horas perdidas da minha vida que nunca irei recuperar. À parte dos cenários que são magníficos e da presença dos nativos da região, mais nada interessa neste filme. O argumento é fraco, a fotografia demasiado amadora, dois protagonistas idiotas enquanto personagens, não gostei do modo de filmar, tem partes ridículas e em algumas delas parece que o realizador ou o produtor estão a gozar com o espectador, as interpretações são apenas razoáveis e aqui o destaque não vai desta vez para Nuno Lopes, mas para David Caracol. Olhando para este filme, é fácil percebermos porque motivo grande parte do público nacional não gosta de ver cinema português. Muito mau.

sábado, 19 de novembro de 2016

Mãe Só Há Uma

Nome do Filme : “Mãe Só Há Uma”
Titulo Inglês : “Don't Call Me Son”
Titulo Português : “Mãe Só Há Uma”
Ano : 2016
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Muylaert
Elenco : Naomi Nero, Lais Dias, Daniela Nefussi, Luciana Paes, Daniel Botelho, Matheus Nachtergaele, Helena Albergaria, Luciano Bortoluzzi, June Dantas.

História : Pierre é avisado que sua família não é biológica quando a polícia prende a sua mãe. Confuso, ele é obrigado a ir morar com os seus pais verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a sua nova realidade faz com que o rapaz revele a sua real identidade.

Comentário : Trata-se do novo filme da realizadora Anna Muylaert que nos deu o fabuloso “Que Horas Ela Volta”, um dos melhores filmes brasileiros do ano passado. Este seu novo filme não é tão bom quanto o anterior, mas ainda assim é um bom registo. Aqui são abordados temas como rapto de bebés, familias desfeitas, rebeldia na juventude, carência de afectos, o importante papel dos irmãos, a vivência num corpo errado e as relações familiares. Mais uma vez, mas de forma diferente, a cineasta aborda a maternidade e o faz de forma brilhante. Aliás o filme é baseado em vários casos reais e livremente adaptado de um caso em particular. Para além de falar sobre a maternidade, o longa aborda também os laços entre irmãos, sejam eles de sangue ou não.

Todos no elenco estão de parabéns, mas o destaque vai claramente para o estreante Naomi Nero, que dá aqui um show de representação. Também gostei da personagem da “irmã” do protagonista, cuja interpretação da jovem Lais Dias me comoveu. Jaqueline acaba por viver o mesmo drama do suposto irmão, também ela raptada por aquela mulher criminosa que criou os dois como se fossem seus filhos. Estes casos são mais comuns do que aquilo que se pensa. Apesar de não gostar do actor Matheus Nachtergaele, tenho que reconhecer que ele esteve muito bem aqui, sei que ele é um excelente actor, talvez não simpatize com ele, porque ele é muito dado à comédia, um género que eu não gosto. A morosa sequência no salão de bowling é a melhor do filme. Lamentável é o facto de o filme ter pouca divulgação e uma escassa distribuição. Mais um bom registo para o cinema brasileiro, grande filme. 



A Despedida

Nome do Filme : “A Despedida”
Titulo Inglês : “Farewell”
Titulo Português : “A Despedida”
Ano : 2014
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Marcelo Galvão
Elenco : Nelson Xavier, Juliana Paes, Amélia Bittencourt, Tereza Piffer, Vinicius Ferreira, Felipe Hintze, Ithamar Lembo, Nill Marcondes, Osvaldo Mendes, Deto Montenegro, Fátima Ribeiro, Theo Salomão, Luma Vidal.

História : Almirante tem 92 anos e sente que o seu fim está próximo. Por isso, ele decide se despedir de tudo e todos e desfrutar aquele que pode ser o seu último prazer : uma noite de conforto e amor com Morena, a sua amante, uma bela mulher sessenta anos mais nova.

Comentário : Este excelente filme funcionou para mim como um valente murro no estômago, tudo porque ao vê-lo, nós nos apercebemos das enormes dificuldades que os idosos possuem no simples acto de viver o quotidiano. E também aborda a questão do amor com grandes diferenças de idades. A despedida do título pode significar o facto do protagonista deixar a sua amante de vez ou então pode ditar a sua desistência da vida, eu acho que tem os dois significados. Mas, sem dúvidas, que a despedida de Almirante e Morena é mais sentida, porque ele teve uma vida cheia e boa. Os minutos iniciais são espectaculares, com o realizador a facultar-nos a forma exacta como os surdos ouvem tudo ao seu redor, quando o protagonista coloca o aparelho auditivo, passamos a ouvir o filme de forma normal, com o som natural das coisas.

A realização é muito boa, com a camara a seguir sempre o protagonista e, mais tarde, a sua amada, voltando para fechar o filme novamente com ele. As cenas entre os dois são muito bonitas, com destaque para as sequências na banheira. Nelson Xavier é um dos meus actores brasileiros preferidos enquanto que Juliana Paes é uma das minhas actrizes brasileiras favoritas, a coisa não podia ter corrido melhor e a química entre os dois funcionou na perfeição. Os dois possuem excelentes interpretações, com destaque para ele. O filme é excelente e apenas peca pelo final pouco explicativo sobre o que a família do protagonista achou da sua longa ausência de casa. Um último reparo, este filme é baseado numa história real. 

The Monster

Nome do Filme : “The Monster”
Titulo Inglês : “The Monster”
Ano : 2016
Duração : 91 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Bryan Bertino
Elenco : Zoe Kazan, Ella Ballentine, Aaron Douglas, Chris Webb.

História : Após verem o seu carro avariado numa estrada longa e deserta, uma mãe e a respectiva filha têm que confrontar algo completamente novo e maléfico para elas.

Comentário : Confirmado está que o género do terror continua a surpreender. Gostei realmente deste pequeno filme que conta a história de uma mãe e de uma filha que após se tentarem desviar de algo e depois atropelar um lobo, encontram-se com o carro avariado numa estrada escura, longa e deserta com a agravante de estar uma noite de chuva intensa. A história está muito bem contada, nota-se que houve um cuidado maior no argumento, pois o filme nunca descai para a fantochada habitual dos filmes do género. O realizador, ao longo do filme, dá-nos flashbacks onde mostra como era a relação daquela mãe com aquela filha e até insere uma sequência onde aparece o pai da miúda, nos facultando um breve olhar de como era a vida daquela complicada família. E isto serve para nos enquadrar melhor no actual ambiente entre as duas. O divórcio era inevitável e o longa começa já do ponto das duas vivendo juntas, uma vivência bastante complicada. Felizmente, o filme tem também um ritmo lento, o que ajuda quem o vê a ter atenção aos detalhes. A banda sonora é de excelência. O elenco é curto e todos estiveram à altura do desafio, principalmente as protagonistas Zoe Kazan e Ella Ballentine, onde a química entre as duas funcionou na perfeição, sendo a relação delas enquanto personagens, o principal alicerce que sustém toda a obra. Claro que o filme tem alguns erros, mas nada que estrague o todo. Um último apontamento, a criatura não é digital, existe um actor (Chris Webb) dentro do monstro, o que torna tudo mais real. Mais uma das grandes surpresas deste ano. 

Axilas

Nome do Filme : “Axilas”
Titulo Português : “Axilas”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : José Fonseca e Costa
Produção : Paulo Branco
Elenco : Pedro Lacerda, Maria da Rocha, Margarida Marinho, Elisa Lisboa, André Gomes, Fernando Ferrão, Paula Guedes, Rui Morisson, Luis Mascarenhas.

História : É a Avó que o apresenta ao Padrinho, um grande empresário que o toma como seu protegido, e a Angelina, a mulher com quem a Avó pretende que ele se case. Mas Lázaro tem outros interesses ocultos, o mais importante dos quais é uma fixação obsessiva pelas axilas femininas. Quando vê a violinista Maria Pia a tocar, Lázaro apaixona-se de imediato e passa a viver em função dela.

Comentário : Se existem vezes em que o cinema português se recomenda, outras há em que não é nada aconselhável, porque ainda está bem patente aquele estigma que diz que o cinema português é mau. Bom, no caso deste filme que o público leigo não gostou, eu gostei, embora o recomende apenas aos que querem experimentar algo diferente. Confesso que não conhecia o actor Pedro Lacerda e simpatizei com a sua personagem bem como gostei da interpretação do actor, embora os seus actos sejam bastante duvidosos. Elisa Lisboa é uma senhora e vai muito bem no seu papel. O mesmo se pode dizer das bonitas Maria da Rocha e Margarida Marinho, as duas actrizes têm personagens muito interessantes e é agradável acompanharmos o seu evoluir. E Fernando Ferrão está espectacular. Na altura em que o filme estreou, eu nem reparei nele, mas agora tive a sorte de o descobrir e gostei da surpresa, apesar de não ser um grande filme, é apenas algo razoável que se segue muito bem ao longo dos seus oitenta minutos. O filme possui um tom cómico que assenta muito bem com algumas situações, por vezes, humor negro. A produção é de Paulo Branco, alguém que está como peixe na água nesta área, o homem vive para o cinema, só lhe falta realizar um filme a sério. Um último apontamento, “Axilas” é o filme póstumo do realizador José Fonseca e Costa que julgo ter falecido pela altura da pós-produção da fita. Um filme que eu recomendo aos cinéfilos mais reservados e nada dados a facilidades. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Hush

Nome do Filme : “Hush”
Titulo Inglês : “Hush”
Ano : 2016
Duração : 81 minutos
Género : Terror
Realização : Mike Flanagan
Elenco : Kate Siegel, John Gallagher Jr., Samantha Sloyan, Michael Trucco.

História : Maddie é uma jovem que ficou surda e muda aos 13 anos devido a uma doença, tornando-se escritora depois da faculdade. Actualmente, ela vive numa casa fantástica cujo único problema é ficar dentro de uma floresta. Ela divide os dias entre escrever um novo livro, recebendo visitas de uma amiga que mora ali perto e cuidando do seu gato persa. Uma noite, um estranho mascarado decide estragar-lhe a vida e aparece-lhe à porta disposto a encontrar a altura certa para entrar e matá-la. Agora, Maddie está entregue a si própria, porque o estranho cortou-lhe a electricidade e todas as formas de comunicação para o exterior, colocando a rapariga totalmente vulnerável.

Comentário : Gosto muito do tipo de terror que os entendidos têm vindo a chamar de horror domiciliário, que se define basicamente por um estranho ou vários estranhos que invadem uma casa para fazer o mal a quem lá está dentro. E este pequeno filme faz isso muito bem, eu já estava com saudades de um filme como este. Apesar de possuir alguns erros principalmente em ações das personagens, o argumento está muito bem amarrado e dá-nos sequências muito boas. Por exemplo, a sequência da morte da amiga da protagonista mesmo à sua frente sem que ela o veja está brutal ou a cena dos dedos na janela, entre outras. Kate Siegel tem aqui a melhor prestação da fita, a sua personagem faz com que nós tenhamos pena dela quando é necessário e nós “rezamos” para que tudo dê certo com ela. O filme usa bem as desvantagens da protagonista em ser surda e muda e mostra bem como ela usa isso a seu favor. No papel de mau da fita, encontramos um muito competente John Gallagher Jr., cujo argumento nunca nos revela o porquê dele estar a fazer tudo aquilo. A expressividade do ator chega mesmo a transmitir medo em algumas cenas e isso é muito bom para a história e para trabalhar a mente do espectador.

Apesar de estar envolto em alguns clichés próprios do género, o realizador soube tirar partido deles para enriquecer a trama. O filme tem sangue e grandes momentos de tensão, o que nos causa nervos, nisso o filme funciona. O longa vem adornado também de pequenos detalhes que significam muito dentro do campo dos vários acontecimentos que vão sucedendo diante dos nossos olhos. É como se aquela pequena coisa não tivesse acontecido daquele jeito, a situação ia suceder de uma maneira completamente diferente. Pode parecer que algumas ações dos dois protagonistas não fazem sentido, mas o realizador possui a habilidade de tornear essas questões de forma bastante aceitável, falhando apenas uma ou duas vezes. O personagem do namorado da amiga de Maddie não faz falta nenhuma para a história, ele apenas está ali para ser morto, para causar ainda mais pânico à já muito traumatizada protagonista. A química entre protagonista e antagonista funciona na perfeição, eles fazem parte de um impressionante jogo do gato e do rato que culminará apenas quando um matar o outro e até nessa parte final, a coisa está extremamente bem construída e bem concebida. É um filme que está bastante aceitável e fará certamente aquelas pessoas que moram em locais isolados ficarem a pensar. Em resumo, estamos perante um filme de terror bastante eficaz. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

The Handmaiden

Nome do Filme : “Ah-ga-ssi”
Titulo Inglês : “The Handmaiden”
Titulo Português : "A Criada"
Ano : 2016
Duração : 145 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Park Chan-Wook
Produção : Park Chan-Wook
Elenco : Kim Tae-ri, Kim Min-hee, Ha Jung-woo, Jo Jin-woong, Moon So-ri.

História : Na Coreia do Sul dos anos 1930, durante a ocupação japonesa, a jovem Sook-Hee é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo : ela e um vigarista planeiam desposar a herdeira, roubar a sua fortuna e trancafiá-la num manicómio. Tudo corre conforme o previsto, até que Sook-Hee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko. Para complicar a situação, as duas iniciam um estranho relacionamento secreto.

Comentário : Baseado num famoso livro escrito por Sarah Waters, este novo filme do conceituado realizador sul-coreano Park Chan-Wook é um dos melhores filmes do cineasta. Pessoalmente, gostei deste filme e vamos aos aspectos positivos, vamos ao que me agradou mais. O filme possui belíssimos cenários e uma excelente fotografia, bem como uma poderosa composição das cores e dos detalhes, tudo factores onde o cinema oriental se supera. Se há uma razão principal pela qual eu admiro o cinema do Japão, da China ou da Coreia é a cinematografia e a capacidade deles de nos surpreender tanto a nível visual, quanto a nível artístico. Podemos igualmente contar com poderosas interpretações a cargo das duas actrizes de serviço, aliás a empatia entre Kim Tae-ri e Kim Min-hee (as duas são lindas) funciona muito bem, seja como profissionais na arte da representação, seja enquanto personagens. As cenas de sexo entre as duas são encantadoras e o tipo de relação que se estabelece entre elas é bastante absorvente. Do lado masculino, Ha Jung-woo convence no papel de vigarista, enquanto que Jo Jin-woong nos facultou um tio tirano digno desse nome, um homem bastante autoritário que nem sempre agiu da melhor forma com a sobrinha. Aliás, a relação entre estes dois é bem estranha. 

Vamos aos aspectos negativos, pessoalmente, achei o argumento bastante labiríntico e confuso, confesso mesmo que fiquei um pouco perdido naquele momento em que a criada é deixada no manicómio. A partir dessa cena, as coisas ficaram um pouco confusas para mim e temos que admitir que os cineastas destes países pecam um pouco por baralhar um bocado as coisas nesse sentido. Não conheço o livro que serviu de base para a adaptação ao cinema e por isso não me posso alongar muito nesse sentido. Mas é bem verdade que este tipo de realizadores e este tipo de filmes tendem a confundir as coisas em algum momento da fita, devido aos seus argumentos nada escorreitos. Depois do momento em que a criada é internada, o filme recua no tempo e conta uma parte da infância da sobrinha, centrando-se na educação peculiar que o seu tio lhe facultou. Tudo para depois voltarmos à história central onde algumas cenas se repetem e outras se alongam e desvendam mais qualquer coisa, neste caso já me agradou isso. Mas repito, a trama é confusa e eu confesso que não entendi algumas coisas. Por fim, é um filme muito violento, mostrando a violência psicológica durante os dois primeiros actos e a violência física e explícita no terceiro acto e nomeadamente perto do final. Mas no geral, gostei do filme porque representa 140 minutos de bom cinema, isto é Cinema. 


The Wailing

Nome do Filme : “Goksung”
Titulo Inglês : “The Wailing”
Ano : 2016
Duração : 156 minutos
Género : Drama/Terror/Mystery
Realização : Hong-Jin Na
Elenco : Do Won Kwak, Woo-Hee Chun, Jung-Min Hwang, So-Yeon Jang, Han-Cheol Jo, Jun Kunimura.

História : Uma estranha epidemia atinge alguns habitantes de uma localidade quase isolada e começam a suceder vários crimes sem explicação. Um agente da polícia, também ele habitante dessa localidade, vê a sua vida piorar quando a sua filha menor fica possuída por uma entidade sobrenatural. Aparentemente, tanto os moradores, quanto a polícia atribui as culpas a um estranho japonês que por ali apareceu e foi morar isolado na floresta.

Comentário : Pessoalmente, uma das coisas que mais apreciei neste filme foi o facto do clima de tensão e mistério estarem sempre a aumentar à medida que os acontecimentos se vão desenrolando. A fita trabalha muitos temas de forma eficaz, outros nem tanto. O filme possui muitas referências a outros filmes já feitos. O argumento nota-se que foi bem escrito, no entanto, peca por nos facultar poucas respostas. Tem alturas em que parece que o realizador nos conduz para uma conclusão, para depois nos fornecer informações que nos apontam no sentido contrário. Eu mesmo me enganei sobre o personagem do japonês forasteiro. O filme peca por ter umas poucas cenas cómicas que em nada ajudam os acontecimentos e a história em si. Os personagens são os mesmos de sempre, típicos do cinema oriental, com destaque para o protagonista, um polícia irresponsável. No entanto, é admirável testemunharmos o evoluir do protagonista ao longo das duas horas de meia de projecção, tudo para defender a filha de um mal desconhecido. Nesse aspecto as coisas funcionaram muito bem. O actor que desempenhou o protagonista e a pequena actriz que fez de sua filha tiveram as melhores prestações do filme. Infelizmente, eu não percebi o final. Gostei do filme em si, mas preferia que o realizador nos tivesse dado as respostas devidas. 

La Tutora

Nome do Filme : “La Tutora”
Titulo Inglês : “The Tutor”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Ivan Noel
Elenco : Malena Alonso, Valentino Vinco, Romina Pinto, Cristina Maresca, Julio Mendez.

História : Uma mulher é contratada por um homem para tomar conta e cuidar dos seus sobrinhos órfãos, acabando por encontrar dois adolescentes que possuem um modo de vida muito peculiar e interessante.

Comentário : Na noite de Halloween tive a grande oportunidade de ver este estranho filme que é o mais recente trabalho cinematográfico do cineasta argentino Iván Noel, que eu confesso que nada sabia dele, muito menos da sua existência. Antes de mais, tenho que dizer que adorei o modo peculiar como este realizador filma, adorei certos planos, bastante porreiros. Este é o seu sétimo filme, claramente que fiquei tão satisfeito com a fita que, num futuro próximo e quando se proporcionar, irei tentar ver os seus seis filmes anteriores. Ainda sobre o director, ele possui um modo de nos mostrar os sonhos da personagem do título muito próprio, confesso que nunca em filme algum me lembro de ter visto sonhos mostrados daquela maneira. Ao longo de quase duas horas, testemunhamos a história de uma mulher que é paga para cuidar dos sobrinhos de um homem que parece pouco importar-se com as crianças, mesmo depois da suposta morte acidental dos seus pais. Depois de terem assistido às trágicas mortes dos pais, as duas crianças passaram dois anos a viver como bem entenderam, sem ir à escola e passando o tempo entre a enorme habitação e a imensa floresta que cerca toda a mansão. 

O filme possui um denso clima de mistério que vai deixando várias perguntas à medida que os acontecimentos se vão dando. Eu próprio, coloquei-me a tecer hipóteses sobre o que se passaria com aquelas crianças e com aquela governanta idosa que cuida somente da enorme casa. O filme tem cenas muito interessantes e momentos igualmente cativantes, tudo devido ao bom argumento que nos envolve de uma maneira muito especial e nos deixa cheios de questões. O estilo de vida das crianças em si, é todo ele bastante interessante e levanta algumas questões, principalmente sobre o modo prejudicial como estamos a criar actualmente as nossas crianças. No papel de “protagonista”, Romina Pinto tem uma boa interpretação, ela convence com o seu desempenho de uma mulher que procura ajudar as crianças, embora a partir de um certo momento, nós nos apercebemos que a personagem esconde algo. Como governanta da mansão, Cristina Maresca chega a causar calafrios, principalmente a partir da altura em que começa a medicar a tutora. Mas as verdadeiras estrelas do filme são Malena Alonso e Valentino Vinco, as crianças que desempenham o casal de irmãos. Eu adorei estas duas personagens, além de serem muito bonitos e de possuírem uma forte presença no ecrã, são igualmente bons actores, tiveram excelentes prestações, são os principais alicerces da fita e a empatia entre a miúda e o rapaz funcionou na perfeição. São deles os melhores momentos do filme. Ivan Noel sabe trabalhar com crianças, coisa que poucos realizadores conseguem, principalmente nos Estados Unidos. Adorei o twist principal envolvendo a tutora, bem como o final. Um filme que levanta muitas questões.