terça-feira, 4 de outubro de 2016

Deepwater Horizon

Nome do Filme : “Deepwater Horizon”
Titulo Inglês : “Deepwater Horizon”
Titulo Português : “Horizonte Profundo – Desastre No Golfo”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Histórico/Drama
Realização : Peter Berg
Elenco : Mark Wahlberg, Kate Hudson, Stella Allen, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O'Brien, Ethan Suplee, Henry Frost, Jeremy Sande, Douglas M. Griffin, James DuMont, Joe Chrest, Brad Leland, David Maldonado, Robert Walker Branchaud, Jason Kirkpatrick, Jonathan Angel.

História : Construída em 2001, a Deepwater Horizon era uma plataforma petrolífera semi-submersível situada ao largo da costa do estado do Louisiana, nos E.U.A. Em abril de 2010, sem que nada o pudesse prever, explodiu. Como resultado, 11 pessoas morreram, 17 ficaram feridas e milhões de litros de crude alastraram para as águas do Golfo. Cerca de 1700 quilómetros de zonas húmidas e praias ficaram poluídas e os “habitats” de centenas de espécies marinhas e fauna foram afectados ou destruídos, naquela que é ainda hoje considerada a maior tragédia marítima contra a natureza da história dos Estados Unidos. Um dos funcionários da plataforma, Mike Williams, um engenheiro experiente que ali trabalhava há já vários anos, na manhã de 20 de Abril de 2010, despede-se da esposa e da filha pequena e dirige-se ao seu local de trabalho. Nesse dia, Mike Williams nunca imaginou a tragédia que estava prestes a acontecer : o maior desastre ecológico de sempre na história dos Estados Unidos.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que senti um enorme clima de tensão e pressão ao longo deste filme. Isto porque o filme está muito bem concebido e o espectador fica convencido do que aconteceu. Embora tenha que confessar que podiam ter ido mais além no aspecto de denegrir a imagem dos “grandes” interesses (empresas e chefes) que estão por detrás das plataformas petrolíferas. O realizador dirige um filme que se relaciona com os nossos dias no modo como define heróis e vilões : de um lado, “pequenos heróis” decentes que fazem trabalhos sujos para sustentar a família mas que não contam para as contas dos executivos, do outro vilões que colocam as vidas dos outros em perigo ao tomarem decisões puramente monetárias. Um dos principais factores que me deixou satisfeito com este filme foram os efeitos especiais e visuais, aqui usados a favor do filme, eles serviram o filme e não o contrário, como sucede com quase todos os filmes comerciais americanos. Nesse campo, confesso que os efeitos estavam impecáveis e com a preciosa ajuda deles, o filme passou com sucesso cá para fora a sensação de realismo, de estarmos a viver, mais ou menos, o que aquelas pessoas sentiram, principalmente a aflição e o desespero.

A história foi muito bem contada e mostrada, o filme é pois, baseado em acontecimentos que sucederam na realidade. Nesse aspecto, também está quase tudo muito bem arrumado. A realização é boa. O som é um dos principais atributos do filme e funcionou na perfeição. Mark Wahlberg tem uma interpretação razoável, confesso que já o vi a fazer melhor (Four Brothers, por exemplo). Ainda sobre ele, neste filme, o seu personagem funcionou enquanto homem de família e também funcionou enquanto funcionário da plataforma, a sua química com todos os agentes que compõem estes dois núcleos funcionou, mas como disse, o actor podia ter dado mais dele. Kate Hudson vai bem como esposa e mãe dedicada, e mais tarde enquanto mulher preocupada com o que pode estar a acontecer com o marido. Mas o grande problema de Peter Berg é que explora pouco a componente familiar do protagonista do filme. O mesmo se aplica à pequena Stella Allen, que desempenhou com um grande à vontade e na perfeição a filha do protagonista. Apesar de ser a responsável pela melhor cena do filme (toda a sequência que decorre à mesa do pequeno almoço, em que a miúda exemplifica o que viria a suceder com a plataforma, na manhã do fatídico dia), a jovem não viu a sua Sydney ser desenvolvida enquanto personagem. Penso que o realizador errou em ter deixado de lado a família (esposa e filha) do protagonista, apenas centrando as suas duas personagens no início e final da fita. E voltou a errar quando nos “massacrou” com várias cenas e diálogos dedicados à plataforma, cenas essas antes da catástrofe. Ele enrolou muito.

Na minha opinião, o realizador devia ter mostrado a vivência e a relação do protagonista com a família durante os primeiros vinte minutos, seguindo depois para uma breve apresentação da plataforma e dos seus principais funcionários onde perderia cerca de dez minutos, para na hora seguinte se dedicar e mergulhar a fundo na catástrofe, tentando dar alguns detalhes que tivessem relevância e que aconteceram de verdade com base em testemunhos, guardando para os últimos dez minutos o regresso a casa do protagonista e respectivo reencontro com mulher e filha e dando relevância também para os personagens de Kurt Russell e de Gina Rodriguez e respectivos regressos a casa. Por último tirava aquelas imagens de arquivo e as legendas sobre as pessoas, pois aquilo, a maioria do pessoal a quem o filme interessa já deve saber. Ainda sobre as interpretações, Kurt Russell tem a melhor prestação do filme, ele possui mesmo a presença mais forte e a sua caracterização pós-acidente está perfeita. Detentora de uma beleza exótica, a linda Gina Rodriguez tem igualmente uma excelente interpretação. Estes dois últimos acabam por ter papéis muito importantes que se vão revelando ao longo do filme. John Malkovich, actor por quem eu nutro uma grande estima e de quem gosto bastante enquanto pessoa, tem aqui pouco mais que fazer do que desempenhar bem um papel que já o vimos fazer em outros filmes. Ainda assim, adorei vê-lo. Dylan O'Brien esteve bem e os secundários portaram-se à altura da tarefa. É um filme que deve ser visto no cinema, em casa perde imenso da sua espectacularidade. Como pior cena, temos a parte das aves cheias de petróleo. E é frustrante percebermos que os “grandes” e “poderosos” neste caso como em muitos outros, safam-se sempre e os mais “fracos” é que sofrem sempre na pele com os erros e com a ganância de quem manda. Infelizmente a justiça está do lado do “peixe graúdo” e o povo que se lixe, em alguns momentos do filme, isso está lá patente. Neste caso, quem perdeu foram os funcionários, as suas famílias e, sem esquecer os mais lesados, os animais e as plantas. Na minha opinião, “Deepwater Horizon” é um dos grandes filmes deste ano, uma agradável surpresa. 








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